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27/07/16

LÍNGUA PORTUGUESA: DEPOIS DA GALIZA, SEGUE A FRANÇA




Antes foi a Galiza (Espanha), agora é a França:

"Os ministros da Educação de Portugal e de França assinaram, esta segunda-feira, uma declaração conjunta onde o estado francês assume a inclusão do ensino do português nas escolas públicas francesas, logo a partir do primeiro ano." (Fonte: Boas Notícias)


26/01/15

DA PROVÍNCIA DE GALIZA- AGIOLÓGIO LUSITANO (III)

(continuação da II parte)

Sé de Braga, Primaz das Espanhas
Que seus prelados se chamassem de Galiza, se prova do Concílio já referido d'Aquis Celenis, onde se compôs a regra da Fé, que por mandado do Papa S. Leão se mandou a Balcónio, Bispo de Braga, para que a aprouvesse, por não terem assistido naquele sagrado conclui, a qual anda no I tomo dos Concílios, no fim do 1 Toledano: "ubi: incipit regula fidei, etc. ad Balconium Episcopum Gallariae." A si mesmo chamam os autores comummente a S. Martinho Dumience "Bispo de Galiza", e a Idacio Bispo de Lamego dão o mesmo título por florescer em tempo, que esta cidade era sufragânea a Braga. Ponhamos o selo a este discurso com uma célebre autoridade de Fr. Jerónimo  Roman, que na sua Eclesiástica de Hispanha falando do nosso Paulo Orosio, depois de referidas várias opiniões cerca de sua pátria, diz as seguintes palavras: "Lo cierto es, que fue de Gallicia, i si se mira a la carta, que el Presbe Avito escribio al Arcebispo de Braga Balconio, quando le embiò las reliquias del Proto martyr S. Estevan, se verà que en ella claramente muestra era natural de Braga, i por el conseguiente Gallego, porque el Reino de Gallicia fuera de lo que oi alcança, que es asta el rio Miño, tambien cogia asta el rio Duero, e an sido los Concilio celebrados en Hespanha, se vè como era gran Provincia; i comprendia muchas sillas Obispales, i el districto del Obispado de Braga, se llamava Provincia Galliciana, por esta ciudad ser cabeça de toda ella." E o mesmo Roman na hist. m. f. de Braga 2 c. I refere: "Que viniendo S. Giraldo de Roma con el pallio tomado, celebrandose Concilio en Palencia ado presidia Richardo Cardeal presentò sus breves, à el Legado le puso en posesion, señalando-le estos sufraganeos, Astorga, Lugo, Tuy, Mondoñedo, Orense, Oporto, Coimbra, Viseu, Lamego, Egitania, Britonia, Oviedo."

Parece-nos que bastantemente deixamos provado que foi Braga no espiritual, e temporal cabeça da Província de Galiza, na qual se incluíam as cidades do Porto (chamada dos Suevos Festabole) Britonia, Cinánia, Flavia Lambria, Bragança (que conforme Juliano, foi a antiga Iuliobriga) Forum Limicorum (que é Ponte de Lima) Tuy, Iria Flavia (que é o Padrão) Orense, Lugo, Astorga, e outras, que ainjúria dos tempos assolou, e muitos ligares de menos nome, cujos antigos Santos, a saber os Pedros, os Torcatos, os Basileus, os Epitácios, os Frutuosos, os Ataulphos, os Rosendos, os Victores, as Vuilgefortes, as Eufêmias, as Engrácias, as Faras, e Senhorinhas nos pertencem, pelas razões apontadas, sem ficarem por isso defraudadas as pátrias, que os procriaram de os três por seus próprios, como no princípio defraudadas as pátrias, que os procriaram de os três por seus próprios, como no princípio propusemos. Vejam-se dos autores castelhanos Tarrafa de rebus Hispaniae fol 55 Florião do Campos l. 3 c. 36 Morales l. 11 c. 71 Loaifa sobre os Concílios de Hispanha, Padilha na Ecclesiastica cent. 4 c. 46. Vafaeus in Chronica, Gil Gonçalvez de Ávila no Theatro de Astorga c.; dos nossos, Fr. Bernardo de Brito em vários lugares na 1 e 2 p. da Monarqchia Lusitana, Fr. António Brandão na 3 l. 8 c. 18 D Fr. Amador Arraes Dialogo 4 c. 18 D. Rodrigo da Cunha, e outros que cita, e segue na 1 p. da história de Braga c. 1.

DA PROVÍNCIA DE GALIZA- AGIOLÓGIO LUSITANO (II)

(continuação da I parte)


Bem claramente ao propósito do que fica dito de Braga falou João Gerundenseno seu Paralipomenon: "Bracharii a Brachada urbesicdicti, et protenduntur in oppidum Baiona, et Pontevedra, includentes Tydures qui incolae Tudenses sunt. Et quoniam Brachariorum incidimus mentionem, haec Gallae Tudenses sunt. Et quoniam in Brachariorum incidimus mentionem, haec Gallaeciorum regio, et Provincia magna est, et adeo magna quod refert Strabo continere in se triginta populos, etc." A nosso intento baste-nos saber que a Província Bracarense se estendia no temporal até Baiona, e Pontevedra, onde com suas vitoriosas armas chegou depois conquistando ElRei D. Afonso Henriques no tempo que teve desavenças com D. Afonso VII chamado Imperador de Hispanha.

Esta verdade se corrobora mais com outro sólido fundamento, porque Braga foi Côrte dos Reis Suevos, que reinaram em Galiza do ano 410 per 163, conservando sempre sua antiga grandeza. F. Prudêncio de Sandouval nos Bispos de Tuy diz: "Es cierto que los Suevos poblaran por reedificacion Lugo por estar en medio de su Reino, que llegava desde Braga por lo más de Portugal a Leon hasta el rio Cea, i aun por algunas partes a Bisuerga,Ávila, Salamanca, etc.." Donde se vê o muito a que no tempo dos Suevos se estendia a jurisdição temporal de Braga; porque pela invasão dos Godos, posto que perdeu a dignidade, e grandeza de Côrte (pelo grande valor com que contra eles se opôs, e os rebateu) contudo nela se celebraram em seu tempo alguns Concílios, que lhe não adquiriram pequena glória. A esta calamidade particular se seguiu a comuna de toda a Hispanha no ano 714, na entrada dos Mouros de África, os quais entrando pelas terras da Lusitânia, e Galiza, destruindo tudo, chegados a Braga, a investiram com o mesmo bárbaro furor, fazendo nela grande estrago, como nas mais cidades de Galiza. Mas por singular privilégio da divina providência, em meio desta misera sujeição conservou, e teve sempre Prelado.

Nesta Província Bracarense se conservam os antigos solares deste Reino, e o que mais nela teve princípio o nome do próprio Reino, pois (segundo a verdadeira opinião) do nome de Cale, lugar assentado nas ribeiras do Douro, e de seu porto, se formou o de Porto de Cale, e por decurso de tempos o de Portugal. A língua, que por muitos séculos falaram nossos antepassados era mui semelhante à Galega, como se vê de nossas antigas escrituras. Por todas estas razões trazemos nesta obra os antigos santos desta Província, como tão justamente nossos.

Isto quanto ao temporal, que ao espiritual sabida coisas é, que o Apóstolo Santiago vindo por mar de Jerusalém a Hispanha [ou seja, "Península Ibérica"] deu princípio à prégação Evangélica, como diz F. Fernando Oxea em sua história, seguindo as lições que (em d[?] do S. Apóstolo) traz o Breviário Arménio. E que nela escolheu os discípulos, que referes o P. Calisto no prólogo do livro de sua translação, a quem seguem todos os historiadores de Hispanha [Península Ibérica], suas palavras: "Novem vero in Gallaetia (dum adhuc vineret) Apostolus elegisse dicitur, quorum septem (aliis duobus in Gallaetia praedicandi causa remanentibus) cum eo Hierosolyma perrexere, etc.." Estes foram Atanásio, e Teodoro, que os sete Torcato, Desifom, Secundo, Indalcio, Cecílio, Eusiquio, Eufrásio levou consigo, os quais trouxeram depois o tesouro de seu sagrado corpo a Iria Flávia. S. Pedro de Rates não entra no número destes 9 porque tinha vindo diante (como precursor) mandado por seu mestre, o S. Apóstolo. Não obstante o número (que fica dito) Servando Bispo Aurense, diz que foram 38 os discípulos, que escolheu nesta Província, e traz os nomes de todos; muitos dos quais tiveram outros companheiros, que os seguiram no ministério da pregação,como se contem nas lâminas do Monte Santo de Granada. E depois que o Santo Apóstolo tornou a Jerusalém, ficando S. Pedro Bispo de Rates em seu lugar em Braga (como cabeça, e primaz) criou, e consagrou Bispos, os quais constituiu nas Igrejas de Galiza: "Hic vir Apostolicus (diz S. Atanásio Bispo de Saragoça) acceptis a S. Iacobo institutionibus Apostolicis. Evangelio, et ordine Missae ac celebratione Sacramentorum, venit Bracharam. Epistolas Apostolico plenas spirit scriptu ad Eclesias, in quibus Episcopos institur, ut Iriensem, Amphilochensem, Eminiensem, Portuensem, ubi S. Basileum condiscipulum posuit (qui, illi per martyrium sublato successit in Sede Bracharensi) Epitatium in Tudensi. Isti viri divini, planeque Apostolici (instar Apostolorum) non in una semper urbe morabantur sed quo rapiebat illos Spiritus Sanctus ferebantur, ut Epitatius qui non solum in Tudensi Diocaesi sed in urbe Lusitaniae Ambratia praedicant qui signis, et varietate liguarum : : : : : praedicationem illustrabant, necsoli ibant praedicantum sed multis discipulis comitati, ut fecit Cristus, Petrus, Jacobus, et Apostoli caeteri," etc. As quais igrejas referidas sempre conheceram a de Braga por Motropoi acudindo os Prelados delas (como sufragâneos) a todos os Concílios, que nela se celebram, já no reinado dos Suevos, já no dos Godos, como deles consta, e se pode ver em Loaisa. E nas repartições, que em tempo de Constantino, Ariamiro, e Vuamba se fizeram das igrejas de Hispanha, assinando-lhes sempre as mesmas sufragâneas, a saber: Astorga, Tuy, Lugo, Iria, Britonia, Porto, e Orense. No tempo dos Suevos (por erigirem Lugo em Metropolitana) lhe tiraram algumas destas, e lhe substituíram outras da Lusitânia; mas os Godos lhe assinaram outra vez as mesmas, acrescentando-lhe Dume, com que permaneceu até à entrada dos Árabes. Com esta verdade concorda o mouro Rafes, e a General de Hispanha. De mais, que a dita Igreja de Lugo, depois de feita Metropolitana (por decreto do Concílio, que nela se celebrou no ano 569) ficou sempre com sujeição à de Braga, como dele consta: "Elegerunt in Synodo, ut Sedes Lucensis esset Metropolitana subjecta tamen Bracharae". A qual posse se conservou tão uniformemente, que muitos séculos depois (ainda nos primórdios dos Reis de Portugal) vinha o Prelado de Lugo, e os mais de Galiza tomar juramento de fidelidade nas mãos do Arcebispo de Braga, assim o refere Cunha no tratado da Primazia cap. 17 e na 2 p. da história de Braga cap. 3. E é esta demarcação no espiritual tão antiga, que diz o nosso João Gerundense, que no C. Eliberitano, o primeiro de Hispanha, foi repartida ela em 5 províncias: Terraconense, Cartaginense, Bética, Lusitânia, e Galia. De Hispanha Citerior foi metrópole Tarragona; de Carpetânia, Cartagena; de Bética, Sevilha; de Lusitânia, Mérida; de Galiza, Braga; a qual divisão refere também Garibay, Vaseo, e outros historiadores da Hispanha.

(continuação, III parte)

24/11/14

DA PROVÍNCIA DE GALIZA- AGIOLÓGIO LUSITANO (I)


(Retirado da secção "Advertências   Necessárias ao Agiológio Lusitano" da obra Agiológio Lusitano. A divisão do texto pelos pequenos títulos não é original, é iniciativa da casa)

§ IV
DA PROVÍNCIA DE GALIZA

Temos por precisamente necessário, que como no precedente parágrafo demos uma breve notícia do sítio, e confins da antiga Lusitânia, e lugares que compreendia, mostrando que todos os Santos, que nela houve até à perda de Espanha (em que com a entrada dos Mouros, e variedades de fortuna, que depois se seguiram, e diversas conquistas que os Reis de Leão dalguma parte dela fizeram, e ultimamente os primeiros reis deste Reino do restante, perdendo as antigas demarcações, desistiu também do seu primitivo direito) pertencem por susto título a Portugal. Pede a boa ordem, que neste lugar demos outra da província de Galiza, provando o mesmo, a respeito dos Santos que nela floresceram até ao dito tempo, pois nuns e noutros corre a própria razão: o qual fazemos, não por defraudarmos alheias glórias, nem por usurparmos (indevidamente) por nosso os Santos de outros reinos, que por nenhum justo título nos pertencem, coisa sumariamente injusta, e digna de toda a censura, vício, que tanto estranhamos em nossos vizinhos: mas porque se nesta obra os puséssemos em silêncio, privaríamos a este Reino da honra, que lhe resulta da justa acção, que a eles tem, e Galiza se alçaria com eles in totum a maiores, como se só a ela pertencessem. 

Que esta província no espiritual e temporal fosse sujeita a Braga, se prova de gravíssimo autores, de vários Concílios, e de outros irrefragáveis testemunhos, e documentos. Coisa é mui notória aos versados nas antigas histórias da Hespanha, que assim como Mérida foi metrópole, e cabeça da Lusitânia, assim o foi Braga da província de Galiza: "Brachara olim metropolis, caputque totius Gallaetie" (18. Lul. in Ded. ipsius Ecclesiae), diz o Breviário Bracarense. Esta cidade é antiquíssima, fundada pelos gregos em 1150 a.C., cujos moradores na milícia, mostraram sempre intrépido valor, herdando seus maiores, os quais nas travadas guerras, que (por quarenta anos) sustentaram contra a potência dos romanos, obraram ilustres façanhas, dignas de eterna memória, ostentando em sua defesa uma contumácia generosa, pois até as mulheres (desmentindo a fraqueza do feminil sexo) diversas vezes pelejaram tão valorosamente, que deixaram de seu nome imortal fama. A esta cidade pois concedeu Augusto César privilégio de colónia romana, e o apelido de Augusta, à qual (segundo Plínio, L. 3 c. 3) como a jurídico conuenteo daquela província e suprema cabeça, em que residiam os romanos governadores, acudiam 24 cidades, e seus distritos, suas palavras são: "Simili modo Bracharum 24 civitates, 275 millia capitum, ex quibus praeter ipsosBracharos, Vibali, Celerini, Gallaci, Aquefilici, Quarqueni curta fasidium numerentur" (L. 2 Gerog. c. 6). Entre os quais pouco se nomeiam os gregos. Dos outros não se sabe o sítio certo em que moravam, como também dos que reconta Ptolomeu: "Quae ad more protenduntur interfluvios Minium, etDoriam tenet Callaici Braecharii, in quibus civitates hae sunt. Brachara Augusta, Caladunium, Pinetus, Complutica, Tuntobriga, Araduca". Entravam mais no dito número outras cidades dos povos abaixo nomeados, de cada um sua, como traz Gerardo Mercator nas notas ao dito lugar de Ptolomeu: "sub Callaicis Brecariis, et Narbossos". As cidades de cada um destes povos aponta Ptolomeu pela ordem dos próprios povos referidos: "Aquae leae Turodorum, Volubria, Caeliobriga, forum Narbossorum." Quais agora sejam estes povos, ou onde estivessem, mal se poderá saber, pois o mesmo Mercator confessa, in praefatione ad tabualas Ptolomaei: "Ne decima quidem pars eorum, quaeapud Ptolomaeum sunt nominum, hodie suis locis certo, et sine omni controversia designari queat." A própria razão corre em Plínio, e nos mais geógrafos antigos. A causa é pela diversidade de gentes, que entraram nas províncias, mudanças de línguas, e destruição de cidades e lugares, o que aconteceu mais em Hispanha, que noutras partes. Contudo, pelas distâncias destas cidades, que aponta Ptolomeu de longitude e latitude, se vê caírem algumas no reino de Leão e Castela a velha, e as referentes em Galiza. Com esta confusão escrevem os antigos geógrafos as cidades e povos da província bracarense. Só Plínio referindo pela costa do mar os lugares de Galiza, diz que o convento jurídico de Braga começavados Celenos: "A Cilenis conventus Bracharum", e logo afirma, "Heleni, Gravii, Astelum Tiide, Graecorum saboles omnia, Insulae ficcae (que são as ilhas de Baiona) insigne oppidum Abobrica (que é Ribadavia) Minus amnis IIIj. M. pab. ore spariosus, Leuni, Seurbi, Bracharum oppidum Augusta, quos supra Gallaecia, etc.". (L. 5 c. 20)

Onde fosse o lugar de Celenas, de que principiava o conuento de Braga, se vê claramente do itinerário de António Pio, o qual apontando as jornadas, que pelacosta marítima havia de Braga a Astorga, põem a primeira. Aquis Cilenis stad. CLXV que contendo 8 estádios por milha, e 3 milhas por légoa, fazem 11 que há de Braga a N. Senhora de Celas, cerca de Baiona. Logo continua Vicio spacoum stad. CXCV (que é Vigo) Ad duos Pontes stad. CL (que é Pontevedra) que fica entre a Ponte de Sampaio e a de Crescente. Confirma esta verdade ver, que o Promontório Celcrino era o de Baiona, que ainda hoje se chama com pouca corrupção o Cabo de Celeiros. De maneira, que toda a terra, que se incluía de Baiona até ao Minho pertencia à jurisdição de Braga, por caírem nela os poucos Celerinos. Conforme a isto, achamos que contribuíram para a ponte de Chaves, como consta de uma antiga pedra, que nela ainda agora se conserva, que diz assim: Aquisflavienses, Abringenses, Bibali, Celerini, etc. donde se mostra claramente, que há frívola a opinião de D. Mauro Castela, e outros, que sem fundamento o seguiram, que dizem: Aquae celenae (lugar celebérrimo na antiguidade) ser Faõ, 5 léguas de Braga, (Hist. de Santiago l. 1 c. 17) onde se celebrou aquele famoso Concílio contra os Presilianitas, em que S. Turíbio presidiu, pois pela distância que aponta António se vê o contrário. Porque se fôra Faõ, não distava tanto de Braga que Balcónio seu Prelado, não assistisse nele, o qual depois o confirmou, como Primaz. De mais, que é absurdo manifesto dizer que por Faõ se pode ir para Astorga.

(continuação, II parte)

04/08/14

NOSSA SENHORA DA OLIVEIRA de GUIMARÃES e SÃO TORCATO

Segundo sempre nos foi transmitido, S. Tiago Apóstolo andou pela Península Ibérica convertendo. Segundo o que nos conta Enliano, tal se deu no ano 36 d.C. na região que vai do Douro (Portugal) e se avança por Galiza. Nos livros da Sé de Braga e de Évora, e outras, tal como S. Isidoro e S. Bráulio, entre outros,  isto fica confirmado. Também o Papa Calisto II confirma esta data, contando que a S. Tiago se juntaram nove discípulos nomeadamente da região de Entre Douro e Minho (hoje Portugal): o primeiro foi S. Pedro de Rates (primeiro Bispo de Braga); o segundo foi S. Torcato, que foi Bispo de Citânia (que ficava a norte de Guimarães, hoje quase sem vestígios). Nesta cidade, que ainda naquele tempo tomou o nome de Gaudis, houve depois da partida de S. Torcato (a 15 de Maio) uma sua relíquia que, no meio de muitas tribulações, foi parar ao Mosteiro de Cela Nova, na Galiza.

Com a invasão dos mouros os cristãos escondiam as coisas santas como podiam, para as livrar de profanação e destruição. Tal como em tantas outras épocas posteriores, escondíamos estes objectos muito bem, grande parte das vezes enterrando-os, e depois apareceram muitos deles de forma miraculosa. Assim foi que esconderam o corpo de Sto. Eufrázio na Galiza. O achamento do corpo de S. Torcato, foi a poucas léguas de Guimarães e com sinais extraordinários: sobre o local, um mato, caíram como que umas estrelinhas do céu, e viram as gentes como numa cova escondida estava o corpo do Santo que transmitia um odor muito agradável. Depois de desenterrado brotou água em abundância, que passou a ser fonte abençoada onde nela se curaram muitas doenças de alma e de corpo. Aqui foi construída uma ermida, onde se venerava a imagem de S. Torcato (chamada S. Torcato o Velho), corria a bendita água, e se guardava o santo corpo (até que foi levado para o mosteiro beneditino construindo para sua invocação). Este real mosteiro foi doado à Condessa D. Mumadona por D. Fernando (o Magno, imperador), era Colegiada, tinha Prior, Dignidades, Cónegos, até que D. Afonso Henriques o deu à Ordem dos Agostinhos, como se vê na carta das calendas de 6  Maio da era de 1111 (ou seja, 20 de Abril de 1173): "Em nome do Padre, e do Filho, e do Espírito Santo, amen. Esta é a Carta do couto, ou do testamento, que eu Afonso Rei dos Portugueses juntamente com meu filho RlRei D. Sancho, e minha filha a Rainha D. Teresa, e de S. Torcato, e de outros Santos, cujas relíquias estão na mesma igreja; e a vós D. Pelaio Prior da mesma igreja; e aos mais Frades vossos, assim presentes, como futuros, que na dita igreja bem viverem, e perseverarem em santa conversação conforme a Regra de Santo Agostinho: dou-vos, e concedo-vos, e por virtude da presente escritura vos confirmo a mesma igreja com as suas quintas adjecentes." (1). As alterações não deram prejuízo à devoção a S. Torcato.

O corpo de S. Torcato tinha então sido trasladado para o seu mosteiro onde foi depositado com vestes pontificais. Mas, muito mais tarde, D. Manuel achou que as relíquias dos nossos que andavam ali por lugares de menor dimensão, deviam ser reunidas em templos e centros maiores. Foi assim que as de S. Torcato foram parar a Guimarães, com toda a solenidade e gravidade apropriadas pelos Cónegos da referida Colegiada. Mas.... foi necessária a milícia, porque os devotos do Povo, dizendo que não havia motivos para que entre católicos houvesse traslado, não queriam de modo algum que as relíquias mudassem de casa, e fizeram vários requerimentos nesse sentido, sem deixar de fazer guarda às relíquias dia e noite, porque desconfiaram de que os queriam enganar. Eis que certa vez, lá para 1597, D. Fr. Agostinho de Jesus, então Arcebispo de Braga, fez-se acompanhar de muitos fiéis e respectivo estado para uma visita ao túmulo do santo varão (dizia que tinha que fazer averiguações)... mas não demorou que os sinos repicassem em sinal de alarme e que se juntasse ali a população das periferias, armada com armas de seus ofícios, que assim impediram um disfarçado traslado do corpo para a Sé de Braga.

S. Torcato
Os Cónegos da Colegiada de Guimarães, no ano de 1512 dão notícia de que o corpo de S. Torcato se encontrava não só incorrupto como incorruptas estavam suas vestes. O Cónego responsável pela comitiva feita ao sepulcro relata que saiu sangue claro ao tentar remover um calcanhar, sangramento que se verificou também séculos depois num outro experimento. O calcanhar foi colocado num relicário de prata dourada com vidros por onde se vê o sangramento vivo; relicário que ficou então na Colegiada de Guimarães.

S. Torcato
Mas outras relíquias foram dadas a conhecer, pois diz um certo documento que nas paredes do Mosteiro de S. Torcato há muitas escondidas, e foram então achadas com base no dito escrito. Assim, em 1685, com autorização de D. Luís de Sousa, Arcebispo Primaz das Espanhas (Braga), foi feita uma cuidadosa busca para achar no Mosteiro todas as relíquias e corpos santos escondidos, não apenas tendo por base o referido documento, mas também usando a tradição e memórias antigas: depois de Missa rezada, com toda a seriedade e devoção do acto a que estavam propostos, abriram o Altar-mor e avançaram até uma pedra rectangular betumada que escondia várias relíquias. De longe a tudo isto assistiu muita gente, e havia muito povo espectante e devoto, e todos sem excepções se colocaram de joelhos ao aparecimento das relíquias, e se cantou um Te Deum laudamus. Logo ali as relíquias foram colocadas sobre dois bancos ladeados de duas tochas acesas. Eis o conteúdo:

- 8 caixinhas de pau tosco, dentro de uma desta havia outra caixa de madeira trabalhada:

1ª) havia dois papeis com a inscrição seguinte "Dedicata est Ecclesia ista a Domino Pelagio Bracharensi Archiepiscopo in honore Sancti Salvatoris, Sancta Mariae, S. Michaelis, Sancti Petri Apostoli, Sancti Torcati anno ab Incarnatione Domini millesimo centesimo trigesimo secundo", havia ainda uns fios de ceda já descolorados, havia pedacinhos de osso;
2ª) Esta continha um pape com a inscrição seguinte "Reliquiae Sancti Cosmae, et Samiani", e uns ossinhos atados em ceda preta, que pertenciam a estes santos;
3ª) Havia dento desta o escrito seguinte "Reliquiae de Ligno Domini, et Cosme, et Damiani, et Sancti Torcati", havia ainda uma cedas com cores (vertes e amarelas) que pertenceram a estes santos, um pedaço de tecido em seda, outro ainda em preto com fita verde;
4ª) Esta caixa dividia-se em três partes. Numa parte lia-se somente "Sancti Joannis ..." (e outros nomes não legíveis), e um outro repartimento onde dizia "Sancti Jacobi Apostoli" onde estavam uns pedacinhos de ossos enrolados a um pano e fechado com um ponto.
5ª) Aqui havia um escrito "Reliquiae Sancti Pelagii", e outros nomes ilegíveis, um pedaço de seda com outros fios de cor diferente.
6ª) Do lado de fora da caixa não se conseguia ler com certeza o que parecia ser "São Maxencio". No interior havia uma ceda vermelha com fios brancos dentro.
7ª) Continha um escrito que dizia "Hic sunt Reliquiae Santae Mariae Virginis", e dentro estava um pedaço de seda carmesim, e nela outra mais vermelha provavelmente de lã.
8ª) Nesta havia um escrito a dizer "Reliquiae Sancti Stephani martyris, et Sanctae Eulaliae Virginis, et martyris". Havia dois pequenos ossos um um pouquinho de tecido em seda com outro de lã atado com um fio de retroz vermelho.

Ora bem, o Apóstolo S. Tiago levantou o primeiro altar nas Espanhas, em Saragoça, com a sagrada imagem que conhecemos pelo título de Nossa Senhora do Pilar. Depois, em Braga, numa gruta junto ao templo de Iris, fez o mesmo; logo depois o mesmo fez em Guimarães onde a imagem é venerada com o título de Nossa Senhora da Oliveira (assim o vão repetindo a Tradição venerável e os textos antigos, como é o escrito gótico referido por Fr. Bernardo de Braga e Fr. João do Apocalipse, entre outros). Diz assim Fr. Bernardo de Braga: "No Rossio; ou Praça de Guimarães está um templo, que foi da gentilidade, é de obra mosaica, majestoso, e antiquíssimo, e nas notícias, que tenho, foi dedicado a Ceres: a este destruiu S. Tiago vindo a esta terra, onde baptizou a S. Torcato, e lançado por terra aos falsos ídolos, colocou no Altar a Virgem Senhora nossa, cuja imagem é hoje a Senhora de Oliveira; e bem se colhe, diz o autor, de um letreiro, que vi, e se achou no interior da parede junto à torre, quando esta se começou a arruinar pelos anos do Senhor de 1559. Caiu uma pedra, e porque se partiu, se fez juntar, para se lerem as letras que diziam "in hoc simulacro Cereris collocavit Jacobus filius Zebedaei Germanus Joannis imaginem Sanctae Mariae IIIS.CISX". Era o letreiro Gótico, e em breves, mas a substância era esta; e também se acharam medalhas, por onde alguns escritores tomaram motivo para dizerem que o templo fora de Minerva; e continua, dizendo, que no Cartório do Cabido daquela Real Colegiada achará claras notícias, donde se infere esta verdade. Foi esta Igreja dedicada a N. Senhora, e depois a dedicou o povo a Santiago, por ele ser o primeiro, que nela levantou Altar. Teve esta igreja Raçoeiros, como consta dos pleitos, com que a Real Colegiada teve, que se vê dos papeis, que se guardaram em seu Cabido: num se acha notícia em que tempo se desanexaram; só sei que a dignidade de Mestre-escola se intitula Abade de Santiago, e recolhe os foros, que a esta Igreja se pagam. A imagem da Senhora se conservou até o ano do senhor de 417, em que entráram Alanos, e Suevos na Galiza, e outras nações bárbaras, que queimaram os corpos, e imagens dos Santos. O Arcebispo de Braga Pancrácio mandou esconder esta, conforme uma memória confusa, que achei no Arquivo Bracarense: "o lugar, onde foi depositada, foi poucos passos fora de Guimarães em um pequeno monte, que se chamava Latito.""(1)

E onde é este monte!? Parte foi chamado "Monte de Santa Maria" (por lá ter a tão venerável imagem), e parte foi chamada "Largo" (que é em português o nome "Latito")

Segundo os levantamentos documentais, o Padre Fr. Gil de São Bento encontrou no Mosteiro de Santa Maria da Costa (Ordem de S. Jerónimo, ao lado de Guimarães), provas de que a actual imagem de Nossa Senhora da Oliveira é aquela que o Apóstolo S. Tiago colocou no templo de Ceres.

(1) - "Corografia Portugueza, e Descripçam Topografica...", Tomo II.

18/03/14

GALIZA APROVA LEGISLAÇÃO PARA ENSINO DE PORTUGUÊS

Santiago de Compostela,
Coração da Galiza
"Nesta quarta-feira, fruto da iniciativa popular Paz-Andrade, foi aprovada, por unanimidade, no parlamento galego, a legislação que visa promover uma maior integração da língua portuguesa no ensino da região espanhola.

Corria o ano de 2012 e a Galiza celebrava o seu escritor e jurista Valentín Paz-Andrade, um intelectual de estreitas ligações com Portugal (chegando mesmo a integrar a Comissão Galega do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, nos anos de 1986 e 1990). Nessa altura teve início a Iniciativa Paz-Andrade, um movimento popular que visava levar, aos trâmites parlamentares do parlamento galego, legislação que promoveria uma maior integração da língua portuguesa nas escolas galegas.
Em 2013, após a recolha de 17 mil assinaturas, uma proposta de lei chegou mesmo a entrar em vigor, mas sucessivas revisões ao texto remetem para aquilo que, esta quarta-feira, aconteceu, em que a forma final da lei foi aprovada por unanimidade no parlamento da região galega.
Com vista a defender a herança das relações entre a Galiza e o norte de Portugal, a lei prevê a incorporação incremental do ensino da língua portuguesa na escolaridade obrigatória, assim como a fala da mesma como um critério para o serviço público.

A Galiza espera, assim, manter o acesso aos mercados de língua portuguesa. Para além destas medidas concretas, a lei compromete o Governo autónomo a promover a "herança cultural", através de medidas como a asseguração da partilha de transmissões de TV e rádio." (Jornalismo Porto Net, 12/03/2014)

Sim... mas que língua portuguesa!?...

16/05/13

A GALIZA VOTA LÍNGUA PORTUGUESA

(Fonte: R.R.)

"O parlamento da Galiza vota esta terça-feira uma iniciativa popular para "o melhor aproveitamento da língua portuguesa" na região. É uma proposta que conta com mais de 17 mil assinaturas e que chega ao governo regional como algo que é "exigido pela sociedade" como "uma evidência", assegura um dos seus promotores.

O empresário galego Xosé Carlos Morell vai apresentar a "Iniciativa Paz-Andrade" (IPA) aos quatro partidos com assento parlamentar e explicou à Renascença quais os objectivos desta proposta que pretende criar pontes com a lusofonia e beneficiar das grandes semelhanças linguísticas entre o galego e o português. "Pretendemos que nós, galegos e galegas, tenhamos acesso, por intermédio das instituições públicas, à riqueza da língua portuguesa", afirma. 

"A nossa iniciativa legislativa concretiza-se de três maneiras: a primeira visa uma presença da língua portuguesa no ensino da Galiza", diz. Xosé Carlos Morell, que trabalha como director de exportações de um grupo galego de adegas, considera haver "um défice" neste campo, "já que outras comunidades autónomas do Estado espanhol têm esta presença" e a Galiza, "tendo a mesma língua ou uma língua similar a Portugal, não tem quase nada". Esta região espanhola tem menos de 600 estudantes "que têm o privilégio", na opinião dos promotores da iniciativa, de "aprender português", enquanto na Estremadura e na Andaluzia são "dezenas de milhares", indica o empresário.

Em segundo lugar, a IPA pretende "o relacionamento, a vários níveis das instituições galegas de todo tipo - económico, cultural, ambiental - com os países lusófonos e que esses países também participem nas actividades galegas".

Xosé Carlos Morell refere ainda a parte da proposta que está mais perto de se materializar: "Algo que já se aprovou no parlamento galego, que é a recepção das televisões e rádios portuguesas no nosso território. Há uma directiva europeia que convida os governos a facilitar isto. Na Galiza, certamente por motivos técnicos, o assunto ainda não está resolvido".

"Foi na 'Gallaecia' que nasceu a língua portuguesa"
Quanto às vantagens que esta iniciativa pode ter para os próprios portugueses, Xosé Carlos Morell considera que são várias, embora sublinhe o peso relativamente pequeno da comunidade galega quando comparada com a comunidade lusófona.

"Somos 2,8 milhões de habitantes, mas o facto de a língua portuguesa poder ser existir em mais um Estado-membro da União Europeia pode ter para Portugal consequências positivas, tanto como para nós", defende. 

O empresário lembra ainda as possibilidades ao nível cultural. "Foi na 'Gallaecia' que nasceu a língua portuguesa" e a actual iniciativa pode potenciar a disseminação do português actual "já espalhado pelo mundo".

A terminar, Xosé Carlos Morell dá ainda um exemplo de como a língua portuguesa pode facilitar as relações de negócios entre os países que a partilham. "Na semana passada estive em São Paulo, no Brasil, e também em Florianópolis, onde tenho uma muito boa relação em geral com os empresários de lá", começa por explicar. "O nosso grupo de adegas iniciou a sua actividade na China, que actualmente representa uma parte muito importante do nosso volume de facturação através de Macau, [resultado de] contactos feitos através de empresários da hotelaria e do sector da importação de vinho que têm relação com Portugal e, através de Portugal, connosco."

Esta iniciativa legislativa popular, que pretende aproximar ainda mais os galegos dos portugueses, vai ser debatida e votada na sessão plenária do parlamento da Galiza por volta das 10h00 (hora de Lisboa).

No que toca à aprovação da proposta no parlamento, a comissão promotora acredita no sucesso da iniciativa. "Confiamos que sejam uns dignos representantes do povo que dizem representar. Não deve haver nenhum motivo de tipo ideológico ou programático que impeça que os partidos dêem o seu apoio a esta iniciativa.""

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