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09/10/14

OS ERROS DE LUTÉRO E O ESPÍRITO DO MUNDO ACTUAL (X)

(continuação da IX parte)

OS ERROS DE LUTERO E O ESPÍRITO DO MUNDO ACTUAL
Pe. Franz Schmidberger

Lutero insulta o Sumo Pontífice chamando-lhe de "Anticristo", rejeita o sacerdócio ministerial, o qual substitui pelo sacerdócio comum dos fiéis. O culto dos santo e a fé na sua intercessão desaparecem no protestantismo.

Se não houvesse Magistério, se a fonte da Revelação fosse somente a Sagrada Escritura, lida e interpretada infalivelmente por qualquer um dos cristãos, então cada qual seria o centro da sua regra de Fé! Assim fica estabelecido o fundamento da divisão do protestantismo em milhares de denominações diferentes, e disto se fica a um passo para chegar ao total indiferentismo.

Se hoje conversássemos com um protestante a respeito das diferenças que tem com o catolicismo, ouviremos sempre a estereotipada resposta: "Mas... nós adoramos todos o mesmo Deus".

Parece então nem haver necessidade de, perante um sacerdote, ajoelhar e pedir perdão a Deus; em vez disto pedem perdão directamente a Deus. Por isso o pastor protestante não tem Ordenação, nem se acha necessitado de qualquer poder especial para que absolvesse pecados; ele é somente um representante da sua comunidade; obviamente fez para isso estudos específicos, mas não há transmissão de um qualquer poder especial.

Com a devastação na Igreja, relativamente ao seu Mistério e Ministério, ficou especialmente afectada a devoção a Nossa Senhora. Também a sua mediação universal não tem lugar no sistema protestantes, tal como descarta a intersecção dos santos.

Porque quererá Deus governar o mundo mediante causas segundas, e isto especialmente na ordem sobrenatural? Porque motivo quis Deus um Magistério infalível, um ministério sacerdotal [ordem sacerdotal] e a intercessão dos santos? A primeira razão deriva da nossa natureza humana, a segunda deriva da nossa natureza decaída. Deus, infinito, invisível e eterno quis na sua infinita bondade que pudéssemos acercar-nos a Ele por intermédio das suas criaturas finitas, visíveis e morais, como nós somos. Moisés teve que lavar o rosto depois da visão de Deus sobre o Monte Sinai (quão difícil seria nos aproximarmos de Deus directamente!).

Desde aquele pecado original, Deus, que é o melhor dos médicos e pedagogos, quer que nos submetamos por elementos sensíveis para cura das feridas da nossa alma; quer que a salvação passe por algumas gotas de água, de um pouco de óleo, de umas migalhas de pão ou algumas gotas de vinho, de que nos ajoelhemos perante o sacerdote, homem como nós pecável, para nos confessarmos com Deus por meio dele. Que lição para o orgulho humano! Os protestantes querem mostrar-se fiéis a Nosso Senhor; contudo desprezam o que foi instituído com o preço do Seu sangue, negam os que por Ele foram eleitos para continuidade da sua obra na terra. Não entendendo o princípio de analogia, não entendem Cristo comunicado e prolongado no espaço e no tempo.

(a continuar)

02/08/14

DISCURSO DE UM MILITAR DOS NOSSOS

Espada de D. Miguel I, oferecida pela sua Irmã
a Princesa da Beira.
FALLA
que
o Tenente Coronel
do 3º Terço do 5º Regimento
das
ORDENANÇAS
Fez Aos Senhores Commandantes, e officiaes
Das 20 Companhias do Seu Commando

Meus distintos Camaradas! Nós somos Ordenanças: as Ordenanças eram a Gente, ou Soldados, que as Câmaras, e Concelhos davam para defender o Reino. E poderiam hoje as Ordenanças responder a um inimigo? Sim; podem. O Mais bravo, e leal Exército ocupa as suas precisas posições. O NOME, só o Augusto NOME do Senhor Rei D. MIGUEL PRIMEIRO, Nosso Bom Senhor, defende a Pátria, e escuda a Religião. Nada há que temer: Com tudo, Camaradas, se as Ordenanças territoriais estão acordadas, nós devemos mostrar, que não dormimos. Fracos instrumentos também cooperam para uma Grande Obra: e que são os homens, se não instrumentos nas Mãos de DEUS, e do REI? A Este pertence dar-nos um possível, e apropriado destino quando o momento, e as circunstâncias o pedirem. Aqueles de entre sós, que não estivereis nas fileiras militares de uma Segunda Linha, reuni-vos a mim, somente para obedecer cordialmente ao que pelas Vias competentes nos for mandado; porque a boa ordem produz o bom efeito. Desejo, que isto mesmo conste aos Oficiais inferiores, pelos Senhores Comandantes de Companhias, e que me informem confidencialmente de pessoas dignas de confiança, para levar os seus nomes, com os meus sentimentos, à presença do nosso Ilustríssimo Coronel, tão digno dos nossos respeitos, como do nosso afecto, a fim de então subir tudo ao Conhecimento do Ilustríssimo, e Excelentíssimo Senhor General Visconde de Veiros, cujas Virtudes, e firmeza são inexplicáveis. A Subordinação é o primeiro dos deveres: a liberdade vem a ser a algema dos iludidos. para amar a DEUS, para defender o REI, e servir a Pátria há deveres prescritos: eu nunca os excederei, e assim merecerei a companhia dos meus fiéis Camaradas.

Quartel de Santo António da Mouraria aos 31 de Março de 1832
Manuel Cipriano da Costa, Tenente Coronel.

(Na Régia Tipografia Silviana. Ano de 1832. Com Licença da Mesa do Desembargo do Paço)

17/04/14

Sto. Afonso de Ligório - SERMÃO DO DOMINGO DE RAMOS (II)

(continuação da I parte)

II
O Costume de Pecar Endurece o Coração

5. O hábito de pecar não só cega o espírito, mas também endurece o coração do pecador. O seu coração é duro como pedra (Job. 41, 15). Pelo costume do pecado, o coração torna-se duro como pedra e em vez de ser comovido pelas inspirações da graça, pelas pregações, pelo pensamento da justiça de Deus, as penas do Inferno, a paixão de Jesus Cristo, endurece-se ainda mais, tal como a bigorna debaixo dos golpes do martelo. Santo Agostinho escreve: "O coração deles torna-se duro contra a chuva de graça para que não dê frutos. Os avisos de Deus, os remorsos de consciência, o temor da justiça de Deus, são como uma chuva de graças, mas se o pecador habitual, em vez de tirar proveito destes benefícios gemendo sobre as suas iniquidades e buscando curar-se, persevera no pecado, o seu coração torna-se ainda mais duro; está aí o sinal certo da danação. Como diz São Tomás de Vilanova: "Endurecimento é sinal de danação." De facto, o espírito estando cego e o coração endurecido, o pecador viverá até ao fim na sua obstinação, segundo o terrível prognóstico do Espírito Santo: O coração duro será oprimido de males no fim da vida (Eclesiático 3, 27).

6. De que servem as confissões para um tal pecador, que logo depois recai nas mesmas faltas? Santo Agostinho diz: "Quando bates a culpa perante um confessor, e todavia não te emendas, e não evitas as ocasiões de pecado, então não desenraizar os teus vícios, mas tu os fortaleces e os tornas mais vicejantes, quer dizer, mergulhas-te na obstinação. Tal é a vida dos pecadores, passada e percorrer um círculo de iniquidades; se se afastam um pouco, é apenas para voltar na primeira ocasião. É para eles que São Bernardo prognostica uma danação certa: "Ai do homem que segue este círculo." (Serm. 12. super Salm.).

7. Mas não dirá um jovem "quero emendar-me mais tarde e entregar-me totalmente a Deus". Mas se o costume de pecar se apodera de vós, quando vos haveis de emendar? O Espírito Santo ensina que aquele que, sendo jovem, toma o costume do pecado, nunca vai deixá-lo, mesmo na sua velhice: "O jovem não se afastará do caminho da sua juventude, mesmo quando envelhecer." (Prov. 22, 6). Vimos pecadores de hábito cometer ainda as mesmas faltas ao aproximar da morte. O Padre Recupito narra que um homem condenado à morte, e caminhando para o suplício, reparou numa rapariga e, mesmo nesse momento, concebeu maus pensamentos. O Padre Gosolf relata igualmente que um blasfemador, condenado à forca, no momento em que foi retirada a escada e que sentiu a corda apertar o pescoço, proferiu uma horrível blasfémia entregando a sua alma.

8. Logo, "Ele tem misericórdia de quem quer e endurece a quem quer." (Rom. 9, 18). Deus usa de misericórdia até um certo ponto, e passado este ponto, endurece o coração do pecador. Como o endurece? Santo Agostinho explica-nos: [?] Não é que Deus endureça o pecador obstinado, mas em castigo do desprezo que exprimiu para com os benefícios de Deus, retira-lhe o auxílio da sua graça; e assim o coração do pecador fica duro e petrifica-se. Deus não endurece o coração comunicando a malícia e a obstinação, mas não comunicando a misericórdia. Quer dizer recusa-lhe a graça eficaz de se converter. Quando o sol se afasta da terra, a água gela e endurece-se.

9. O endurecimento do coração, que é a obstinação, não vem de repente, diz S. Bernardo, mas pouco a pouco, de sorte que afinal o coração torna-se duro que já não é sensível às ameaças e que as correcções endurecem-no ainda mais. Acontece aos pecadores de costume o que diz David: "Com a tua ameaça, ó Deus de Jacob, ficaram inertes carros e cavalos." (Salm. 75, 7). Os terremotos, trovões, as mortes repentinas não assustam um tal pecador: em vez de despertar-se, de abrir-lhe os olhos sobre o seu estado miserável, parece que aumenta o sono mortal em que fica mergulhado para a sua perda.

(continuação, III parte)

12/02/14

DA UNIDADE DA VERDADEIRA RELIGIÃO (VI)

(continuação da V parte)

34. O homem irreligioso, bem que a seu pesar, quando lhe convém, tributa seus respeitos à Religião Cristã e se não é pelos seus discursos,é ao menos pelo seu modo de obrar. Suponhamos que este homem sem necessidade de um criado, dois concorrem: pergunta a um: de que Religião sois, meu amigo? Eu, senhor, não tenho nenhuma. Fui algum tempo porteiro de M. de Voltaire. Ele nos catequizava todos os dias; e nos provava que não havia Religião, e que só havia homens maus no Cristianismo; que a sua moral só aos idiotas podia enganar, mas que os homens sisudos não podia iludir. Eu o tenho crido, e Deus louvado, a nada me[?]acosto." Que partido tomaria este espírito forte? Pareceria que a conformidade de sentimentos deveria fixar a escolha a favor do primeiro criado; não é assim. O nosso filósofo mo[?]teja, e pergunta ao segundo: vê por todas as suas respostas que ele é um com Cristão, temente a Deus, e frequenta os Sacramentos; decide a seu favor. ora um semelhante procedimento não é uma homenagem, que se rende à Religião Cristã?

35. Bayle, depois de haver mofado de todas as religiões, insulta à Religião Cristã, proferindo que cristãos verdadeiros não poderiam formar um estado que pudesse permanecer. Porque não? Antes seriam uns cidadãos iluminados nos seus deveres, e os desempenhariam com zelo. Conheceriam belissimamente os direitos da defesa natural; e quanto mais julgassem dever à Religião, mais pensariam dever à sua pátria. os princípios do Cristianismo bem arraigados no coração, seriam infinitamente mais fortes do que esta falsa honra das monarquias, e estas virtudes humanas das repúblicas, e este temos servil dos estados despóticos. (Montesquieu, liv. 24 Del'Esprit de Loix)

36. No tempo em que o Príncipes maometanos davam frequentemente a morte, ou a padeciam, a Religião entre os Cristãos os fazem mais temerosos, e por isso menos cruéis. O Príncipe faz apreço de seus vassalos, e os vassalos do Príncipe. Admirável coisas a Religião Cristã, que parece que só tem por objecto a felicidade da outra vida, faz também a nossa ventura nesta vida. (Montesquieu, liv. 24 Del'Esprit de Loix)

37. Que se se puser diante dos olhos os assassinos contínuos dos Reis, e generais gregos, e romanos, a destruição dos povos, e cidades por estes mesmos generais: Timur, e Gengiskan, que assolaram a Ásia; e nós veremos então o que devemos ao Cristianismo, tanto no governo um certo direito político, como na guerra um certo direito das gentes, que a natureza humana não saberia reconhecer.

38. Só a Religião Cristã pode firmar os Tronos, e os Impérios, porque ela só ensina aos seus filhos, que o seu Deus é quem estabelece os Soberanos - "Temos César", diz Tertuliano, é o nosso deus que o pôs no Trono (Montesquieu, idem). Quem motivo maior se sujeição, e de obediência, do que saber que se tem por soberano um príncipe posto pelos deus, que adoramos! Quanto se deve respeitar! Que motivo mais importante!

39. Os princípios da Religião Cristã bem meditados, e seguidos na prática podem entreter a boa ordem nos estados, e sustentar entre a cabeça, e os membros esta harmonia, que faz a felicidade universal. Nós fomos de todos os vossos vassalos, dizia um antigo apologista da Religião falando com um imperador pagão, aqueles que mais vos ajudámos a manter a tranquilidade pública, ensinando aos homens que nenhum deles ou mau ou bom se pode ocultar aos olhos de Deus, e que todos depois da morte, irão receber penas eternas, ou recompensas, segundo o merecimento das suas obras. Se esta verdade fosse profundamente gravada no coração de todos os homens, nenhum seria vicioso nesta curta vida, para se ver depois condenado ao fogo eterno: mas o desejo de procurarem os bens que Deus promete, e de evitar os castigos, com que os ameaça, os poria a todos no estado de refrear as suas paixões, e de enriquecer a sua alma de todas as virtudes. Não é com o respeito às vossas leis, que os maus que as quebrantam procuram as trevas, eles fazem o mal; porque sabem que lhe é fácil o enganar-vos, e que se lisonjeiam de o executar. mas se eles soubessem, se eles estivessem firmemente persuadidos que Deus conhece todas as nossas acções, todos os nossos pensamentos, eles se afeiçoariam à prática da virtude, ao menos pelo temor, que lhes inspiram os castigos destinados para os maus. Isto é tão evidente, porque vós vos não converteis? É caluniar a Religião asseverando com os ímpios, que ela não pode formar bons Cristãos.

D. Luís XVI, Rei de França, Rei cristão a quem os
inimigos da Igreja quiseram fazer ver como tirano
inventando o nome "absolutista" (nome que serviu
apenas para accionar um mecanismo de rebelião
contra a Monarquia Católica tradicional).
40. Vós dizeis, ó ímpios, para tornardes à Religião Cristã odiosa aos povos, que ela autoriza o despotismo, e o poder arbitrário nos Reis; e nós, vos responderemos que sois ignorantes, e uns imprudentes mentirosos. Aprendei, senhores, se ignorais, que se a Religião Cristã livra os príncipes dos juízos dos homens, é para os citar para comparecerem num tribunal mais terrível: ela lhes declara com os termos mais enérgicos, que eles pagaram com usura, a impunidade de que gozaram na terra. Escutai, lhe diz ela pela (Sapien. c. 6 v. 2) boca do mais sábio de todos os homens; vós que mandais à multidão, e que vedes de bom grado um grande povo sujeito às vossas leis, vós recebestes este poder do Senhor, e este Império do Altíssimo. Ele fará o que examine as vossas obras, e que sonde os vossos mais ocultos segredos. Ministros do seu Reino, se nos vossos juízos são guardastes a lei da Justiça, senão cumpristes com a vontade de Deus, ele fulminará com furor sobre vós. Porque aqueles que governam passarão por um juízo rigorosíssimo. Há mais clemência, e compaixão para com os fracos; mas os poderosos serão com mais violência atormentados. Deus a ninguém há de exceptuar, o resplendor das dignidades não o cegam. Os pequenos, como os grandes são obra sua; sua Providência vigia igualmente sobre todos; e não distinguirá os grandes, senão para lhes preparar grandes castigos. A vós, ó Reis, é a quem dirijo este discurso, para que aprendais a sabedoria, e não vos desvieis dos seus preceitos, Uma religião, que fala aos soberanos com esta santa, e generosa liberdade, poderia ser acusada de favorecer a tirania? Não; só mentirosos, e ignorantes podem dizer.

41. Querer que a Religião Cristã inspire aos cidadãos uma obediência cega, e fanática, é calúnia. Quando ela manda aos vassalos que obedeçam ao seu Soberano, sua intenção não é fazê-los cúmplices das criminosas vontades do seu Soberano, obrigando-os a consentir, ou a cooperar nos crimes, que um mão Príncipe queira, se o monarca abusa do seu poder para mandar alguma coisa contra a Fé, e costumes, a Religião quer que os seus vassalos lhe deem aquela mesma resposta, que deu S. Pedro à face dos Apóstolos ao chefe da Sinagoga: "É necessário, lhe respondeu ele, obedecer a Deus antes que aos homens" ("Obdire oportet Deo magis, quam hominibus" Act. cap. 5 v. 29). Isto não é inspirar nos povos uma obediência cega, e fanática.

42. Se a Religião Cristã não é mais, que um sistema filosófico, confessamos que ele é excelente. Que união! Que harmonia entre as suas partes! É um todo admiravelmente ligado: Respondent extrema primis, media utriusque, omnia omnibus. Se é uma ficção, deve-se desculpar aquele que a ela se aferra; ela imita a verdade de tão perto, que é fácil de a conhecer. Agradável ilusão! Quanto estimo de me enganar com ela! Mas que digo? O Cristianismo não é um sonho filosófico, uma produção engenhosa de algum indagador, mas a obra do mesmo Deus. Não são filósofos que a têm proposto aos povos; são ignorantes, para com o mundo, os que têm persuadido aos filósofos.

43. A Religião Cristã é necessária para a salvação. Os que vivem fora do seu seio, caminham para as sombras da morte. É grande erro supor uma religião menos perfeita, comum a todas as nações, apoiada no conhecimento de um só Deus, justo Juiz, remunerador da virtude, e vingador do crime, que não tenha alguma analogia com a Revelação; que possa formar filhos de Deus, e obrar uma verdadeira justiça, que deve bastar só nos países, onde o Evangelho não é conhecido para conduzir os homens à salvação, independentemente dos merecimentos de Jesus Cristo. Não é assim que os Apóstolos instruíram os nossos primeiros pais. ("Vos autem non ita didieistis Cristum". Efes. c. 4 v. 10) Não há Salvação sem Jesus Cristo, nem outro nome abaixo dos Céus dado nos homens, por quem nos devemos salvar. Ele é o Salvador de todos os justos do Antigo, e Novo Testamento, e único mediador de Deus, e dos homens, o caminho, a verdade, a vida; ninguém chega a seu Pai, senão por Ele. (Act. cap. 4 v. 12)

44. Pode-se considerar a Religião Cristã por duas faces, ou enquanto à sua forma, ou enquanto à sua essência. A sua forma variou; é diferente na lei Natural, na lei Moisaica, e na lei Evangélica; mas a sua essência,é, e tem sido sempre a mesma. "Todos os justos que houveram no princípio do Mundo, diz Sto. Agostinho, tiveram por cabeça a Jesus Cristo. Creram, que ele viria, como nós cremos que veio: eles foram salvos pela mesma Fé, que nos salva a nós mesmos; para que ele fosse o cabeça de toda a Cidade de Jerusalém."

45. A Religião Cristã não é uma verdade especulativa, que se deva decidir no tribunal da razão; mas uma verdade de facto, sobre a qual o testemunho basta para pronunciar o seu favor. Que outra coisa é ela senão um corpo de doutrina vinda do Céu, e dada aos mortais pelos Ministros do Deus vivo, que o seu próprio Filho, acompanhado de doze testemunhas fosse ele mesmo o pregador, e o oráculo? Este facto supõe necessariamente a Revelação com a prova da verdade da Religião. É pois a este testemunho divino que nos devemos acostar, sem perder o templo em vans razões, sempre desordenadas, quando se disputa de factos. Falou Deus aos homens? Se Ele falou aos homens, os Cristãos venceram: porque sobre esta divina palavra é que se fundou a economia da sua Religião: Vamos a esta questão [noutro capítulo]"

(
"Pensamentos Theologicos Proprios Para Combater os Erros dos Filosofos Livres do Seculo", M.R. P. Nicolau Jamin. Tradução e publicação em Lisboa, 1784)

24/01/14

Sto. Afonso de Ligório - SERMÃO do III DOMINGO DEPOIS DA EPIFANIA (a)

SERMÃO VIII

(III Domingo depois da Epifania)

O Remorso Dos Danados
"Enquanto os filhos do reino serão lançados nas trevas exteriores, onde haverá pranto e ranger de dentes" (Mateus 8.12)


Lemos no Evangelho de hoje que na altura de Jesus Cristo entrar em Cafarnaúm, o Centurião foi ter com Ele para lhe pedir de sarar um dos seus servidores paralítico, que tinha na sua casa. O Senhor diz-lhe: Eu vou e curo-o. Não respondeu-lhe o Centurião: não sou digno que entre na minha casa; Basta que queirais curá-lo, e será curado. O Salvador, por recompensar a sua Fé, curou o seu servidor para o aliviar; depois, dirigindo-se para os seus discípulos, disse-lhes: virão muitos do Oriente e do Ocidente, e que se sentarão com Abraão, Isaac e Jacob no reino dos Céus. Enquanto os filhos do reino serão lançados nas trevas exteriores, onde haverá pranto e ranger de dentes. Queria Ele fazer-lhes entender por aí, que um grande número de pessoas, nascidas dentre os infiéis, se salvarão com os santos, nascidos no seio da consciência os dilacerará com as suas mordidelas e lhes arrancará lágrimas amargas durante a eternidade. Consideramos o remorso, de que o cristão danado, será vítima no inferno.

I - Remorso: quão poucas coisas se há de fazer para se salvar;
II - Remorso: por quão poucas coisas se condenou;
III - Resumo: que grande bem perdeu por sua culpa.


I Resumo:
Quão Poucas Coisas Se Há-de Fazer Para Se Salvar

1. Um condenado apareceu um dia a Sto. Humberto e lhe confessou que 2 remorsos eram os seus carrascos mais cruéis no inferno: Saber que poucas coisas eram necessárias para se salvar e por tão poucas coisas ele se condenou. É isso mesmo que mais tarde escreveu S. Tomás: Principalmente eles sofrerão de que se danaram por poucas coisas e que poderiam muito facilmente alcançar a vida eterna. Ficamos a considerar o primeiro remorso; aquele que nasce da frivolidade e da pouca duração dos prazeres, com que um danado se condenou. Ai de mim, diria o desgraçado: "Se eu me abstivesse daquele prazer, se triunfasse de tal companhia perigosa, se evitasse tal ocasião e tal companhia perigosa, não me teria condenado; See admirasse a tal congregação, se me confessasse cada semana; se para repelir as tentações, me recomendasse a Deus, não teria sucumbido. Muitas vezes propus-me fazê-lo e depois não o fiz. Comecei a pôr em pratica, mas logo me cansei, e desta maneira me perdi.

2.O que aumentará o suplício deste remorso para o condenado, será a recordação dos bons exemplos que recebeu de outros jovens da sua idade, que levaram uma vida pura e piedosa no meio do mundo. Mas o que será o cúmulo do seu tormento, será o recordar os tormentos e os dons inumeráveis que o Senhor lhe deu para lhe facilitar a sua salvação eterna: Dons naturais, saúde, fortuna, nascimento e talentos; as vantagens que Deus lhe concedeu, não para que ele vivesse no meio dos prazeres da terra, ou para se distinguir dos outros com orgulho, mas sim para que servissem ao bem da sua alma; E mais tantos dons da graça, iluminações divinas, inspirações, ternas chamadas, e tantos anos de existência que lhe foi concedido para emendar-se e expiar as suas faltas. Mas ele ouvirá a voz do anjo do Senhor, que lhe notificará que já não há tempo para ele se salvar. E o Anjo, que eu vira de pé levantou a sua mão ao Céu e jurou por Aquele que vive pelos séculos dos séculos... que não haveria mais tempo para fazer penitência (Apo. 10.6)
(continuação, parte b)

22/11/13

DA UNIDADE DA VERDADEIRA RELIGIÃO (IV)

(continuação da III parte)

22. O sétimo carácter da Divindade é a morte cruel com a qual os Apóstolos falaram a sua pregação. Que testemunhas, que homens se mandaram degolar por sustentarem seus testemunhos! Quantos são verdadeiros! Não morrem voluntariamente por imposturas, que eles mesmos fabricam. Sim se viram, é verdade, morrer alguns fanáticos por algumas opiniões, com que estavam loucamente entusiasmados. Mas os Apóstolos sustentavam factos, que diziam haverem visto: nenhum sustenta um facto por opinião, ou por imaginação; ninguém atesta com o perigo da sua vida, que o que não viu, sem que caia em  demência.
De mais é necessário distinguir o ambaidor da pessoa enganada. Um homem enganado por um erro acreditado, pode morrer na sua defesa. A consciência lhe serve de verdade, e de luz, ainda que seja errónea: o temor de Deus, que ordena que tudo se sacrifique à Religião; e se se renuncia, dá isto nova força. Mas a situação do enganador é bem diferente. Tudo o que pode assegurar uma pessoa seduzida, se torna contra ela; é necessário que resista à verdade conhecida, à sua consciência, e ao mesmo Deus, é necessário que combata tudo o que segura os outros. Tudo se opõe a uma morte voluntária.

23. O oitavo carácter da Divindade é o estado actual da Nação Judaica, deste povo milagroso. Todo o Oriente, e o Ocidente tem mudado de fase: todos os povos se confundiram: ele só veio a ser o objecto do desprezo de todas as nações, há mais de desastre séculos; sobreviveu a todos, e remonta a sua origem até ao tronco de Abraão. Vencido, e subjugado pelos Romanos, não segui as superstições; derramado por toda a parte, sempre se tem conservado com aferro às suas leis. Suas infidelidades nos mostram a verdade das profecias, pois elas haviam sido prognosticadas; sua conservação nos declara uma atenção particular da providência, para que a Religião Cristã tivesse um testemunho sempre vivo da sua verdade; porque as mesmas profecias, que declararam a reprovação dos judeus, prognosticaram a vocação dos gentios. Este povo se conservou até ao presente, para ser, como o diz Santo Agostinho, uma testemunha incontestável da verdade das Escrituras em todas as partes do mundo, donde Deus havia de recolher o que compõe a sua Igreja. Sim, esta nação espalhada, fala por toda a parte a favor da Religião Cristã: mostrando aos povos, que se Jesus Cristo é contemplado há tantos séculos como o fundamento das nossas esperanças para a vida eterna, não é a obra da autoridade, nem da impostura humana, mas como uma verdade fundada em profecias escritas, e há muito tempo publicadas antes do sucesso, e conservada tão religiosamente até ao nosso tempo pelos judeus. Quanto esta Religião é a respeitável, cujas provas estão tão cuidadosamente guardadas nos mesmos arquivos dos seus maiores inimigos! A porfiada resistência dos judeus, que dura ainda nos seus descendentes, e a sua conservação no meio das nações, formam uma das grandes provas da verdade da nossa Fé. Se eles todos tivessem sido convertidos, nós teríamos testemunhas suspeitosas; e se o Deus vingador os tivesse exterminado da terra, nada nos restaria; esta é a reflexão de M Pascal.

24. O nono carácter da Divindade, é o sangue dos Mártires de toda a idade, de todo o sexo, e de toda a condição, que melhor amaram morrer pela Religião Cristã, do que deixá-la depois de a haverem reconhecido. Finalmente a sua constância foi o efeito da persuasão produzida pela força das suas provas.
Debalde se contradiz, dizendo que esta persuasão era o efeito dos prejuízos da educação. Não são somente Cristãos de nascimento, mas ainda uma multidão de pessoas, que de pagãos se tornaram cristãos, tendo prejuízos todos contrários ao Cristianismo, que com efeito quiseram morrer por esta Religião depois de a haver conhecido.
Inutilmente ainda para enfraquecer esta prova, se responderia que os Mártires saíram do comum do povo, é desconhecer os costumes populares, que propor uma igual objecção. O povo pelo contrário costuma seguir a este respeito a prosperidade, a pompa, a autoridade, e aborrecer a verdade despida de todos os socorros. De mais não somente homens tirados da escória do povo, que se deixam de golas; mas ainda doutos, e sábios, como os Inácios, os Policarpos, os Clementes, os Justinos, os Ireneos, os Ciprianos.... Homens superiores a prejuízos. Era preciso que estivessem bem persuadidos da verdade de Religião, para lhes sacrificarem a sua vida. Que crime haverá, disse Tertuliano, de que senão glorifique o culpado, e se deseje ser acusado; para achar a sua felicidade no mesmo suplício! Tal era aos olhos dos Santos Mártires a profissão do Cristianismo!


25. O décimo carácter da Divindade da Religião Cristã é a sua conexão com as necessidades do homem. Eu não encontro em mim mais do que contradições, eu respeito a virtude, e eu sigo o pior. É extrema a minha especialidade: o mesmo que se me proíbe, eu o amo; ao mesmo tempo que se me permite, eu logo me desgosto. Eu amo, e aborreço o mesmo objecto, no mesmo tempo: eu quero e não quero: muitas vezes aquele homem que era à noite, ou não sou de manhã; eu sou a mesma inconstância. Eu tenho aferrada nos meus membros uma lei contrária à do meu espírito; e eu na minha dor grito; quem me livra deste corpo de morte? Vãos esforços faz o meu espírito para se elevar à Divindade; um infeliz peso, infelix pondus, o proponde, para a terra. Nascido de uma mulher, vivo por pouco tempo; estou cheio de misérias; vim ao mundo como uma flor aberta, que se piza aos pés; eu como a sombra desapareço, e nunca estou no mesmo estado. Eu considero, por uma triste experiência, que um jugo prezado sujeita o homem desde o dia do seu nascimento, até à morte. Eu seria obrigado a dizer com um antigo, que o primeiro bem para o homem era o não ter nascido, e o segundo morrer logo. Eu mesmo busco o remédio dos meus males, mas debalde. Abro os livros dos filósofos a que querem ser os Doutores do género humano; leio, torno a ler, e em lugar de achar as luzes que buscava, eu não encontro senão trevas. Volto-me para os cristãos; eles me mostram livros, a que chamam Sagrados, e que estão assinalados com os caracteres da Divindade. Abro-os,corro-os, e logo descubro no pecado do meu primeiro pai, a história, e a origem das minhas misérias: observo depois em um Soberano Médico, anunciado pouco depois que o universo saiu do nada; declarado em diferentes idades por homens inspirados, que apareceram, e que na sua Religião dão luzes às minhas trevas, socorros à minha fraqueza, remédios aos meus males. Poderei eu com tantas ideias duvidar por um pouco que esta Religião, que satisfaz as minhas precisões, seja verdadeira?

26. O undécimo carácter da Divindade, é a proporção da Religião Cristã com todos os espíritos. O paganismo agrada ao povo, que só se governa pelos sentidos; os sábios se em público se conformam em particular; estes não podem fazer com que o vulgo apeteça as suas especulações; porque delas não se tiram senão aparências da verdade, que deve ser clara para todos. O Maometismo pode ser igualmente do gosto do povo grosseiro, e carnal; mas ele desinquieta o povo, que pensa, e discorre. O silêncio político ordenado pelo seu legislador, era necessário para a conservação de uma Religião abusada, e que temeria a sua ruína de qualquer disputa séria. O Cristianismo só tem a gloriosa vantagem de unir os sábios, e os ignorantes. Mais sublime que a filosofia dos sábios; ela é capaz da compreensão dos mais grosseiros: sublime sem especulação, e simples sem baixeza, faz com que os espíritos apoucados creiam as coisas grandes, e os espíritos atilados pratiquem as pequenas. Donde pode proceder esta vantagem da Religião Cristã sobre as outras, que não devendo a sua existência nem às luzes dos Sábios, nem à ignorância dos povos, mas só à vontade de Deus, senão que ela tem analogia divina com o coração do homem?

(continuação, V parte)

05/11/13

DA UNIDADE DA VERDADEIRA RELIGIÃO (I)

Pensamentos Theologicos Próprios Para Combater os Erros dos Filósofos Livres do Século

Obra Utilíssima tanto aos Ecclesiásticos, como aos Seculares, para viverem desabusada e christtâmente.

M. R. P. Nicolau Jamin

(Monge da Congregação de S. Mauro, e antigo Prior da Abbadia Real de S. Germano de Pres)

[Oferecido ao "Illustrissimo Principe Guilherme, Príncipe do Rhin, Duque de Bayern, Conde de Veldents e Sponhein"]

1770

Com Licença da Real Mesa Censória



Capítulo III
DA UNIDADE DA VERDADEIRA RELIGIÃO

1. Pretender que Deus seja honrado por todas as religiões que há na terra, é um tolerantimso concebido pela liberdade, produzido pela impudência, e destruído pela razão. Não há no mundo mais que uma só Religião, assim como há só um Deus; e só ela é capaz de honrar o Ser Supremo.

2. Uma religião, que acredita serem todas as outras permitidas, não é uma religião, mas um derisão, que se faz ao culto religioso; pois reputa a Divindade como um Ídolo, a quem basta qualquer culto. Pois o pagão que adora muitos deuses; o judeu, o cristão, o maometano, que não adoram mais que um só: o cristão que zomba de Maomé, como de um impostor; o maometano, que o honra como o maior dos profetas; o judeu que crucificou a Jesus Cristo, como blasfemador; o cristão que o reconhece por Messias anunciado pelos profetas, desejado pelas nações; o deísta que nega a revelação; o judeu, o cristão, o maometano que a admitem; o cristão, que adora a Jesus Cristo, como o filho de Deus, consubstancial ao seu Pai; o sociniano que o coloca na classe das criaturas; todos finalmente oferecem à divindade um obséquio que lhe fosse igualmente agradável? Exterminemos de nós esta horrorosa blasfémia. O Ser Supremo não pode aprovar cultos, que se destroem; é um Deus cioso.

3. O tolerantismo para o povo grosseiro, e ignorante, é um monstruoso agregado de superstições; mas para os que discorrem alguma coisa, é a ruína de toda a Religião. A razão ensina a todos os que a consultam, que um semelhante culto é ilusório, e injurioso a um Ser infinitamente perfeito, qual é Deus.

4. Debalde se quer justificar a tolerância, mascarando-a com o véu da moderação. Ela, falando com propriedade,é uma caridade sem luz, uma doçura cruel, uma falta de paz. A Religião não é um sistema, nem uma filosofia, sobre a qual se permita variar, mas é sim, uma capital obrigação. Desditoso de quem não segue a verdadeira!

5. Nenhuma admiração causa que Roma pagã, nomeio dos seus triunfos, introduza no seu seio o tolerantismo; que senhora do universo obrasse todas as superstições (Cum pone omnibus dominaretur gentibus, omniumserviebat erroribus, et magnam sibi videbatur assumpsisse Religionem, quia nulla respuebat falsitatem. Sact. Leo. Magnus, serm I natal Apost. Petr. & Paul.), ministrando no famoso Panteão todos os deuses da Itália, da Grécia, do Egipto, e de todas as nações; que exclua de sua tolerância só a verdadeira Religião. É natural que erros sucedam 2 erros, as trevas se conciliem com as trevas, mas que a verdadeira Religião consinta as outras! Isso implica: a verdade é inimiga capital da mentira.


6. Porque causa se declara a seita dos Espíritos Fortes pelo tolerantismo em matéria de religião? As paixões humanas só reduziram este problema. Para tranquilizar a consciência, não querem estar sem religião: e para satisfazer o seu apetite sem inquietação, não se abraça alguma em particular. Um fantasma de religião geral ocupa o seu lugar, e ensurdece aos remorsos, que lhes ocasionaria a infracção das obrigações de uma religião particular: é deste modo, que o artifícioso apetite leva os homens aos seus fins.

7. Os novos filósofos sempre pregam a tolerância,e não querem tolerar a Religião do seu próprio país. Que inconsequência! E merecerão se escutem doutores, que intentam arruinar por uma parte, o que pela outra edificam; e com tudo escutam-se? Ó tempos! Ó costumes!

8. Sim; a verdadeira Religião é intolerante, mas a sua intolerância não é sanguinária: ela somente consiste a crer o que está fora do seu seio, se não pode esperar a salvação, e a gemer sobre a futura sorte aos que a não seguem. A Religião não faz violência a ninguém; ela se persuade. (Piae Religionis est proprimum non coagere, sed suadere. S. Athan. in Apol. 2). Ciosa de possuir os corações, ele rejeita todo o obséquio forçado. Quem a professa sem a sua vontade, de nenhum modo a professa.

9. A maior desdita que pode acontecer a um homem, é de se enganar na escolha de religião. Sem castigo senão despreza a verdadeira. A verdadeira, diz um Padre (Bonum est homini ut eum veritas vincat volentem, quia malum est homini, ut eum veritas vincat inviatum. Nam ipsa vincat necesse est, sive negantem, sive confitentem. S. Aug. Epist. 238 ad Pasch. cap. 5 n 29), triunfará de nós, quer o queiramos, quer não. A maior miséria do homem é que a verdade triunfa dele mesmo sem o querer.

10. A verdadeira Religião é o verdadeiro culto do verdadeiro Deus, veri Dei verus cultus. É um comércio entre Deus, e o homem, que une estas duas extremidades, que uma distância infinita parece separar; que faz conhecer ao homem o que é Deus a seu respeito, e o que é ele a respeito de Deus; tudo o que ele deve, e pode esperar. mas que meio de reconhecer o verdadeiro culto? Levaremos esta questão ao tribunal da filosofia? Não: Deus não tem entregado a Religião aos caprichos dos homens. Ele mesmo foi quem regulou os obséquios, e adorações, que lhes devemos prestar.

(continuação, na II parte)

01/09/13

DO "NOVO MANUAL DO CATEQUISTA" (XVIII)



CAPÍTULO II
MANDAMENTOS DA
SANTA IGREJA

213. Que são os mandamentos da Santa Madre Igreja?
R: Os mandamentos da Santa Madre Igreja são leis com as quais ela, aplicando os mandamentos da lei de Deus, prescreve aos fiéis alguns actos de religião e determinadas abstinências.

214. Como tem a Igreja autoridade para fazer leis e mandamentos?
R: A Igreja tem autoridade para fazer leis e mandamentos porque na pessoa dos Apóstolos a recebeu de Jesus Cristo, o Homem Deus; e por isso quem desobedecer à Igreja desobedece ao mesmo Deus.

215. Na Igreja quem é que pode fazer leis e mandamentos?
R: Na Igreja podem fazer leis e mandamentos o Papa e os Bispos como sucessores dos Apóstolos, aos quais Jesus Cristo disse: "O que a vós ouve, a mim ouve; e o que a vós despreza, a mim despreza."


PRIMEIRO MANDAMENTO

216. Que é que nos ordena o primeiro mandamento ouvir Missa inteira aos domingos e festas de guarda?
R: O primeiro mandamento ouvir a Missa inteira aos domingos e festas de guarda ordena-nos que assistamos devotamente em tais dias à santa Missa.

217. Quem não ouve a Missa nos dias de preceito comete pecado grave?
R: Quem, sem verdadeiro impedimento, não ouve a Missa nos dias de preceito, e quem dá lugar aos seus subordinados para a ouvir, comete pecado grave e não cumpre o mandamento divino de santificar as festas.


SEGUNDO MANDAMENTO

218. Que é que nos ordena o segundo mandamento confessar-se o cristão ao menos uma vez em cada ano?
R: O segundo mandamento confessar-se o cristão ao menos uma vez em cada ano ordena-nos que nos aproximemos do sacramento da Penitência ao menos uma vez no ano.


TERCEIRO MANDAMENTO

219. Que é que nos ordena o terceiro mandamento comungar pela Páscoa da Ressurreição?
R: O terceiro mandamento comungar pela Páscoa da Ressurreição ordena-nos que recebamos o sacramento da Eucaristia ao menos no tempo da Páscoa.

220. Porque é que a Igreja, impondo que nos confessemos e comunguemos uma vez no ano, junta o "ao menos"?
R: A Igreja, impondo que nos confessemos e comunguemos uma vez ao ano, junta a palavra ao menos para nos recordar a utilidade e até a necessidade de receber muitas vezes, como é seu desejo, estes sacramentos.

(a continuar)

23/08/13

NATUREZA DA GRAÇA ACTUAL


A graça actual é um socorro passageiro que Deus nos oferece para cada acção sobrenatural, ou uma moção sobrenatural de Deus, transitória, que dispõe a alma para obrar ou receber algo em ordem à vida eterna. Pode consistir numa luz que ilumina o entendimento, ou num impulso que incita à vontade. Pode ser interior, e apresentar-se directamente à alma sob a forma de bom pensamento, propósito ou afecto; o exterior, e obrar desde fora, por meio de uma instrução, um conselho, uma leitura, um bom exemplo, um acontecimento providencial.

A graça actual tem várias diferenças relativamente à graça habitual ou santificante: 

A graça habitual ou santificante é um hábito, isto é, uma qualidade permanente que produz efeito de forma contínua; enquanto que a graça actual é um acto, isto é, uma moção transitória, que tem um efeito passageiro, e pode incluso não produzir o seu efeito se aquele que o recebe opõe resistência; 

A graça santificante só se encontra nas almas justas, enquanto que Deus concede graças actuais incluso às almas em pecado, pois sem elas não podiam converter-se; 

A graça santificante não é imediatamente operativa, porque se nos concede na ordem do ser sobrenatural; enquanto que a graça actual é essencialmente operativa, porque se nos concede na ordem da acção, e produz a própria acção sobrenatural.

(Pe. José Maria Mestre - sebenta. Tradução ASCENDENS)

NATUREZA DA GRAÇA SANTIFICANTE

A graça santificante define-se como um dom de Deus inerente à alma, "que a torna partícipe da natureza divina" (II Ped. 1, 4) e a eleva assim a um estado sobrenatural e divino. Chama-se "graça" porque é uma realidade que Deus nos comunica à alma graciosamente ("gratis"), e porque a torna grata a seus olhos, concedendo-lhe algo da sua beleza divina. E chama-se "santificante", porque nos santifica ao comunicar-nos a justiça e santidade divinas.

1º À luz da Revelação, a graça nos é apresentada:
- como uma qualidade divina, pela qual Deus renova e transforma a nossa alma e a deifica, ou seja, a torna semelhante a Ele;
- como um princípio de vida divina, como uma semente divina (I Jn. 3, 9), como um enxerto feito ao nosso ser natural; por isso a justificação, que é a acção pela qual Deus nos confere a graça santificante no Baptismo, é chamada de regeneração, um novo nacimento, que nos confere um novo ser, o ser da graça, que é um ser divino;
- Como um título, que nos dá um direito rigoroso à bemaventurança própria de Deus, e nos concede ao mesmo tempo a aptidão para esta bemaventurança.

2º Igualmente, os Padres da Igreja comparam a acção de Deus presente e operante em nossas almas pela graça santificante para fazê-las deiformes:
- à acção de um pintor, que reproduz uma tela (a nossa alma) seu próprio retrato;
- à acção de um selo, que deixa a sua marca sobre a cera a que se aplica;
- à acção do fogo, que faz partícipe de sua natureza e de suas propriedade ígneas ao ferro submergido nele;
- A acção da luz, que faz resplandecer com a sua claridade o ar, os prismas, o diamante que inunda com seus raios.

(Pe. José Maria Mestre, apontamentos; tradução: ASCENDENS)

20/08/13

PRÁTICA DOS MANDAMENTOS DA LEI DE DEUS (IV)

(continuação da III parte)


8 - "Não levantar falsos testemunhos":

a) S. Tiago diz que é perfeito o homem que não peca com a língua, Defendei-vos pois de toda a palavra e de todo o juízo contra o próximo, e de toda a palavra contra a verdade. Imitai o alfaiate, que mede muito bem o pano antes de o talhar. Medi, isto é, pensai bem nas palavras que proferis e nas consequências que delas podem provir.  - E lembrai-vos de que a caridade nunca pensa mal e que a sinceridade é amada por Deus e pelos homens.

b) Diz-nos o Senhor: "Não queirais julgar, para que não sejais julgados. Pois com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que medirdes vos medirão também a vós. Porque vês tu pois a aresta na vista de teu irmão, e não vês a trave na tua". (S. Mateus, VII, 1-3)

c) É grave, difícil e penoso este dever. Mortificai a língua; nunca, por maneira nenhuma, faleis mal do próximo, para evitardes o ter de reparar esse mal.


9 - "Não desejar a mulher do próximo":

Assim como vos dareis pressa em sacudir um carvão aceso que vos caísse no fato, para que vos não queimasse, assim repeli solicitamente todo o sentimento mau que vos venha; e dirigi o vosso pensamento para Maria Santíssima, pedindo-lhe o seu auxílio, para o paraíso que perdereis, para o inferno que merecereis.


10 - "Não cobiçar as coisas alheias":

"Não queirais entesourar para vós tesouros na terra, onde a ferrugem e a traça os consomem, e onde os ladrões os desenterram e roubam, mas entesourai para vós tesouros no céu, onde não os consome a ferrugem nem a traça, e onde os ladrões não desenterram nem roubam". (S. Mateus, VI, 19, 20) - Sêde, portanto, laboriosos; não malbarateis nada, nem gasteis inutilmente o dinheiro; cuidai desde agora, que sois crianças, da moderada economia segundo as vossas posses.

19/08/13

PRÁTICA DOS MANDAMENTOS DA LEI DE DEUS (II)

(continuação da I parte)


2 - "Não invocar o Santo Nome de Deus em vão":

a) Adverte-nos o Espírito Santo: "Não esteja o nome de Deus de contínuo na tua boca, e não mistures com o discurso os nomes dos santos; porque não ficarás impune disso;" (Eclesiástico, XXII, 10) e recorda-nos que o nome de Deus "é santo e terrível" (Salmos, CX, 9) e, por isso, merece que o pronunciemos sempre com respeito. E, por meio de Moisés, diz-nos: "Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão, porque o Senhor não terá por inocente aquele que tomar em vão o nome do Senhor seu Deus". (Êxodo, XX, 7)

b) Procedei como Jesus vos ensina: "Eu vos digo que absolutamente não jureis... mas seja o vosso falar: Sim, sim; Não, não". (S. Mateus, V, 34, 37) Recomenda S. Tiago: "Irmãos meus, não jureis... mas seja a vossa palavra: Sim, sim; Não, não: para que não caiais debaixo do juízo". (S. Tiago, V, 12)

c) Não blasfemeis; nunca contamineis com a blasfémia a língua com que rezais e na qual se poisa Jesus na Sagrada Comunhão. - Quando ouvirdes blasfemar, recitai uma jaculatória, e especialmente estas: "Seja louvado Nosso Senhor jesus Cristo; Deus seja bendito."

d) Nunca façais votos, nem vos comprometais com juramentos a coisa nenhuma, se antes não falastes nisso ao confessor. O Espírito Santo diz-nos que "o homem que juramento, se encherá de pecados". (Eclesiástico, XXIII, 12) O mesmo podemos dizer a respeito dos votos, porque facilmente se deixarão de cumprir.


3 - "Guardar os Domingos e Festas de guarda":

a) Reconhecei os dias santificados como dias do Senhor, em que particularmente o deveis honrar não só com o coração, mas também com as obras externas vivificadas sempre pelo espírito interno, e assisti então à Missa com toda a devoção que puderdes.

b) Nos dias de festas procurai evitar os divertimentos perigosos; fazei alguma leitura piedosa. Lembrai-vos de que o descanso festivo foi dado para alívio do corpo e para proveito da alma, mas especialmente para melhor podermos honrar e servir a Deus.

c) Nos dias santos não são proibidas as distracções e os divertimentos honestos, os quais, ao mesmo tempo que aliviam o espírito, redundam em vantagem do corpo. Guardai-vos, porém, de certos divertimentos perigosos... passeios, cinematógrafos, companhias, bailes,teatros, etc... Quem se deixa arrastar a eles, transforma o dia do Senhor, como deveria ser, em dia do demónio. Para ele o dia santo, em vez de ser realmente um dia santo e dia de boas obras, torna-se um dia de pecado.


4 - "Honrar pai e mãe e outros legítimos superiores":

a) Amai e, por isso, respeitai e obedecei aos pais, lembrando-vos dos grandes sacrifícios que fizeram por vós em crianças e que continuam a fazer pela vossa educação. - Se acontecer obterdes uma posição ou condição superior à deles, nunca vos envergonheis de os reconhecer, ainda mesmo em público, e de mostrar que eles são os vossos venerados pais. Cumprireis assim com o vosso dever e conquistareis a estima nas pessoas rectas. - Cumpri também fielmente os vossos deveres para com todos os vossos superiores constituídos em autoridade.

b) Meus queridos meninos, nunca se torne nenhum de vós culpado de tão graves delitos: mas também não se torne nenhum culpado de desobediência, ingratidão ou ofensa, ainda que leves. Tende pelos vossos pais sentimentos de grande veneração.

(III parte)

PRÁTICA DOS MANDAMENTOS DA LEI DE DEUS (I)

1 - "Amar a Deus sobre todas as coisas":

a) Guardai-vos dos discursos contra a religião que Deus nos impõe pelo primeiro mandamento. - Ponderai que a prática da religião é o máximo dever, porque Deus é o supremo Senhor de tudo e de todos. Praticai por isso, rigorosamente todos os deveres religiosos sem respeito humano.

b) Para não ignorardes culpavelmente as verdades da Fé, estudai o catecismo com diligência, frequentais as instruções e ouvi a palavra de Deus. Quando tiverdes dificuldades e as não souberdes resolver, exponde-as ao catequista ou ao confessor para terdes uma resposta satisfatória, e reflecti até conseguirdes compreender bem a resposta.

c) Há uma espécie de superstição, de que também se tornam culpados alguns cristãos, e vem a ser amar-se tão desordenadamente uma criatura que se considere quase como seu Deus, antepondo-a inteiramente a Deus. Por exemplo, são culpados de tal delito o avarento, o ambicioso, o vicioso, que fazem do ouro, da vanglória, do prazer, etc. como que um Deus; amam como a Deus estas coisas, e por elas, que não por Deus, estarão dispostos a sacrificar tudo. Procurai, pois, que o vosso coração seja sempre de Deus; e não levanteis nele nenhum altar a qualquer paixão má, que se tornaria vosso Deus em oposição ao Criador. - Quem confia em Deus não coloca a sua esperança em actos supersticiosos, e não teme consequências de coisas ou factos, que naturalmente não deve temer. Não deis ouvidos ao que alguns dizem a favor ou contra certas coisas ou factos, de que esperam efeitos sobrenaturais: dispensai como indignas de cristãos, a superstição que alguns têm com o número 13, com as sextas-feiras, com certos encontros usuais, etc.

d) Fugi de todas estas faltas graves contra Deus. - Lembrai-vos particularmente de que Deus detesta de modo especial o sacrilégio, nunca o cometais. - Fugi do que não é também sacrilégio no sentido rigoroso da palavra, como toda a falta de respeito à Igreja, ao sacerdote e às coisas destinadas ao culto divino.

e) Celebremos devotamente as festas dos Santos. Estudemos a sua vida, para imitarmos as suas virtudes. - Roguemos-lhes que intercedam por nós. - Sejamos particularmente devotos do Anjo da Guarda e do Santo do nosso nome: honremo-los com o nosso procedimento bom e virtuoso.

f) Destinados a estarmos com os Santos no Céu, sejamos na terra seus fiéis imitadores, praticando, como eles, a virtude, segundo a doutrina e os exemplos de Jesus Cristo, quais no-los ensinam o Evangelho e a Igreja.

g) Tende sempre grande respeito pelas sagradas relíquias. - Respeitai igualmente o vosso corpo como membro do corpo místico de Jesus Cristo e templo vivo do Espírito Santo, e porque ele é destinado à glória do Paraíso.

h) Tende grande respeito pelas sagradas imagens e com o vosso espírito representai-vos ao vivo a pessoa que elas figuram.  - Em sinal de respeito às sagradas imagens conservai puros os vossos olhos, e não olheis, portanto, para imagens, fotografias, ilustrações, ou bilhetes postais maus. E quem possuir estas coisas más, hoje mesmo as lance fora e as destrua.

(II parte)

DOUTRINA CATÓLICA - 10 MANDAMENTOS DA LEI DE DEUS

 
MANDAMENTOS DA LEI DE DEUS
(doutrina católica)


PRIMEIRO MANDAMENTO

169. Que é que nos ordena o primeiro mandamento Amar a Deus sobre todas as coisas?
R: O primeiro mandamento Amar a Deus sobre todas as coisas ordena-nos que havemos de ser religiosos, isto é, crer em Deus e amá-Lo, adorá-Lo e servi-Lo, como único verdadeiro Deus, Criador e Senhor de tudo.

170. Que é que nos proíbe o primeiro mandamento?
R: O primeiro mandamento proíbe-nos a impiedade, a superstição, e irreligiosidade, e também a apostasia, a heresia, a dúvida e a ignorância culpável das verdades da Fé.

171. Que é a impiedade?
R: Impiedade é a negação de todo o culto a Deus.

172. Que é a superstição?
R: Superstição é o culto divino, ou da latria, prestado a quem não é Deus, ou ainda a Deus, mas de modo não conveniente: e por tanto a Deus, mas de modo não conveniente; e por tanto a idolatria ou o culto de falsas divindades e de criaturas; o recurso ao demónio, aos espíritos e a todos os meios suspeitos para obter coisas humanamente impossíveis; o uso de ritos inconvenientes, vãos ou proibidos pela Igreja.

173. Que é a irreligiosidade?
R: Irreligiosidade é a irreverência a Deus e às coisas divinas, como a tentação de Deus, o sacrilégio ou profanação de pessoas ou de coisas sagradas, a simonia ou compra e venda de coisas espirituais ou que digam respeito ao espiritual.

174. Se o culto das criaturas é superstição, como não é superstição o culto católico dos Anjos e dos Santos?
R: O culto católico dos Anjos e dos Santos não é superstição, porque não é culto divino ou de adoração devida só a Deus: nós não os adoramos como a Deus, mas venera-mo-los como amigos de Deus e pelos dons que têm d'Ele, e portanto para honra do mesmo Deus, que nos Anjos e nos Santos opera maravilhas.

175. Quem são os Santos?
R: Os Santos são aqueles que, tendo praticado heroicamente as virtudes segundo os ensinamentos e os exemplos de Jesus Cristo, mereceram especial glória no Céu e também na terra, onde, por autoridade da Igreja, são publicamente honrados e invocados.

176. Porque é que veneramos também o corpo dos Santos?
R: Veneramos também o corpo dos Santos, porque lhes serviu para praticarem virtudes heróicas, foi com certeza templo do Espírito Santo, e há de ressurgir glorioso para a vida eterna.

177. Porque é que veneramos também as relíquias mínimas e as imagens dos Santos?
R: Veneramos também as relíquias mínimas e as imagens dos Santos para sua memória e honra, referindo a eles a veneração, absolutamente ao invés dos idólatras, que prestam às imagens ou ídolos um culto divino.

178. Deus no Antigo Testamento não proibiu severamente as imagens?
R: Deus no Antigo Testamento proibiu severamente as imagens para adorar, e até quase todas as imagens, como ocasião próxima de idolatria para os judeus que viviam entre os idólatras e eram muito inclinados à superstição.


SEGUNDO MANDAMENTO

179. Que é que nos proíbe o segundo mandamento Não jurar o seu santo nome em vão?
R: O segundo mandamento não jurar o seu santo nome em vão proíbe-nos desacatar o nome de Deus: e portanto nomeá-lo sem respeito, blasfemar de Deus, da santíssima Virgem, dos Santos e das coisas santas; fazer juramentos falsos, não necessários ou de qualquer modo ilícitos.

180. Que é o juramento?
R: O juramento é chamar a Deus em testemunho daquilo que se afirma ou que se promete; por isso quem jura o mal e quem perjura ofende sumamente a Deus, que é a Santidade e a Verdade.

181. É grande pecado a blasfémia?
R: A blasfémia é grande pecado, porque injuria e escarnece a Deus ou aos seus Santos, e muitas vezes é também horrenda heresia.

182. Que é que nos ordena o segundo mandamento?
R: O segundo mandamento ordena-nos que tenhamos sempre respeito ao santo nome de Deus, e que cumpramos os votos e as promessas juradas.

183. Que é o voto?
R: O voto é a promessa feita a Deus de algum bem a Ele agradável, a que nos obrigamos por virtude de religião.


TERCEIRO MANDAMENTO

184. Que é que nos ordena o terceiro mandamento Guardar os domingos e festas de guarda?
R: O terceiro mandamento guardar os domingos e festas de guarda ordena-nos que honremos a Deus nos domingos e festas de guarda com actos de culto externo, dos quais para os cristãos o essencial é a santa Missa.

185. Porque é que devemos fazer actos de culto externo? Não basta adorar a Deus, que é espírito, interiormente no coração?
R: Não basta adorar a Deus interiormente no coração, mas devemos também render-lhe o culto externo preceituado, porque estamos sujeitos a Deus em todo o nosso ser, alma, corpo, e devemos dar bom exemplo; e também porque de outro modo se perde o espírito religioso.

186. Que é que nos proíbe o terceiro mandamento?
R: O terceiro mandamento proíbe-nos os trabalhos servis nos domingos e festas de guarda.

187. Quais são os trabalhos que se chamam servis?
Chamam-se trabalhos servis os trabalhos manuais próprios dos artífices e dos operários.

188. São proibidos todos os trabalhos servis nos dias de festas?
R: Nos dias de festa são proibidos todos os trabalhos servis não necessários à vida e ao serviço de Deus e não justificados pela piedade ou por qualquer outro motivo grave.

189. Como se devem empregar os dias de festa?
R: Devem-se empregar os dias de festa em benefício da alma, frequentando a pregação e o catecismo, e praticando alguma obra boa; e também em repouso do corpo, longe de todo o vício e de toda a dissipação.


QUARTO MANDAMENTO

190. Que é que nos ordena o quarto mandamento?
R: O quarto mandamento Honrar pai e mãe ordena-nos que amemos, respeitemos e obedeçamos aos pais e a todos os que têm poder sobre nós, isto é, aos nossos superiores constituídos em autoridade.

191. Que é que nos proíbe o quarto mandamento?
R: O quarto mandamento proíbe-nos ofender os nossos pais e superiores constituídos em autoridade e desobedecer-lhes.

192. Porque é que devemos obedecer aos superiores constituídos em autoridade?
R: Devemos obedecer aos superiores constituídos em autoridade porque "não há poder que não venha de Deus;... aquele, pois que resiste ao poder resiste à ordenação de Deus" (aos Romanos, XIII, 12)


QUINTO MANDAMENTO

193. Que é que nos proíbe o quinto mandamento Não matar?
R: O quinto mandamento não matar proíbe-nos causar dano à vida tanto natural como espiritual do próximo e nossa, por isso proíbe-nos o homicídio, o suicídio, o duelo, os ferimentos, as pancadas, as injúrias, as impercações e o escândalo.

194. Porque é pecado o suicídio?
R: O suicídio é pecado, como o homicídio porque só Deus é senhor da nossa vida, como da do próximo; além disso é pecado de desesperação que, para mais, tira ao homem com a vida a possibilidade de se arrepender e de se salvar.

195. A Igreja estabeleceu penas contra o suicídio?
R: A Igreja estabeleceu a privação da sepultura eclesiástica contra o suicídio responsável pelo acto praticado.

196. Porque é pecado o duelo?
R: O duelo é pecado, porque é sempre um atentado por vingança particular, em desespero da lei e da justiça pública; mesmo porque com isso loucamente se entrega a decisão do direito e da sem razão à força, à dexireza e ao acaso.

197. A Igreja estabeleceu penas contra os duelistas?
R: A Igreja estabeleceu a excomunhão contra os duelistas e contra todos os que voluntariamente assistem ao duelo.

198. Que é escândalo?
R: Escândalo é dar ao próximo, com qualquer acto mau, ocasião de pecar.

199. O escândalo é pecado grave?
R: O escândalo é pecado gravíssimo, e Deus pedirá contas do mal que se faz cometer a outrem com pérfidos incitamentos e com maus exemplos: "Ai daquele por quem vem o escândalo."

200. Que é que nos ordena o quinto mandamento?
R: O quinto mandamento ordena-nos que queiramos bem a todos, ainda mesmo aos inimigos, e que reparemos o mal corporal e o espiritual feito ao próximo.


SEXTO MANDAMENTO

201. Que é que nos proíbe o sexto mandamento Guardar castidade? 
R: O sexto mandamento guardar castidade proíbe-nos toda a impureza: e portanto as acções, as palavras, os olhares, os livros, as imagens e os espectáculos imorais.

202. Que é que nos ordena o sexto mandamento?
R: O sexto mandamento ordena-nos que sejamos "santos no corpo", tendo o máximo respeito pela própria pessoa e pela dos outros, como obras de Deus e templos onde Ele habita com a presença e com a graça.


SÉTIMO MANDAMENTO

203. Que é que nos proíbe o sétimo mandamento Não furtar?
R: O sétimo mandamento não furtar proíbe-nos causar dano ao próximo nos seus bens: por isso proíbe-nos os furtos, os estragos, a usura, a fraude nos contratos e nos serviços e a cooperação nestes danos.

204. Que é que nos ordena o sétimo mandamento?
R: O sétimo mandamento ordena-nos que restituamos as coisas alheias, que reparemos os danos culpavelmente causados, que paguemos as dívidas e os justo salário aos operários.

205. Quem, podendo, não restitui ou não repara, obterá perdão?
R: Quem, podendo, não restitui ou não repara, não obterá perdão, ainda mesmo que por palavras se declare arrependido.


OITAVO MANDAMENTO

206. Que é que nos proíbe o oitavo mandamento Não levantar falso testemunho?
R: O oitavo mandamento não levantar falso testemunho proíbe-nos toda a falsidade e o dano injusto à fama alheia: por isso, alem do falso testemunho, a calúnia, a mentira, a detracção ou murmuração, a adulação, o juízo e a suspeita temerários.

207. Que é que nos ordena o oitavo mandamento?
R: O oitavo mandamento ordena-nos que digamos oportunamente a verdade, e que interpretemos em bom sentido, tanto quanto possível, as acções do próximo.

208. Quem danificou o próximo no seu bom nome, acusando-o falsamente ou falando mal dele, a que é obrigado?
R: Quem danificou o próximo no seu bom nome acusando-o falsamente ou falando mal dele, deve reparar, quanto puder, o dano que causou.

 
NONO MANDAMENTO

209. Que é que nos proíbe o nono mandamento Não desejar a mulher do próximo? 
R: O nono mandamento Não desejar a mulher do próximo proíbe-nos os pensamentos e desejos maus.

210. Que é que nos ordena o nono mandamento?
R: O nono mandamento ordena-nos a perfeita pureza da alma e o máximo respeito, ainda mesmo no íntimo do coração, pelo santuário da família.


DÉCIMO MANDAMENTO

211. Que é que nos proíbe o décimo mandamento Não cobiçar as coisas alheias?
R: O décimo mandamento não não cobiçar as coisas alheias proíbe-nos a ambição desregrada das riquezas, sem respeito pelos direitos e pelo bem do próximo.

212. Que é que nos ordena o décimo mandamento?
R: O décimo mandamento ordena-nos que sejamos justos e moderados no desejo de melhorar a própria condição, e que soframos com paciência a pobreza e as outras misérias permitidas pelo Senhor para nosso merecimento, por isso que "por muitas tribulações nos é necessário entrar no reino de Deus." (Acto dos Apóstolos XIV, 21.)

(do "Novo Manual do Catequista ou Explicação do Catecismo da Doutrina Cristã Publicado Por Ordem de S. S. Pio X ..." (1913). Tradução Revista Pelo Ex.mo e Rev.mo Sr. Arcebispo de Évora D. Manuel Mendes da Conceição Santos. Aprovado em 1917 pelo Bispo da Guarda e o Bispo de Portalegre. Imprimatur do Cardeal patriarca de Lisboa (1930)... etc.)

11/08/13

DO "NOVO MANUAL DO CATEQUISTA" (XVI)


§ 2º Mandamentos da Lei de Deus em Particular 
SEXTO MANDAMENTO 

201. Que é que nos proíbe o sexto mandamento guardar castidade? 
R: O sexto mandamento guardar castidade proíbe-nos toda a impureza: e portanto as acções, as palavras, os olhares, os livros, as imagens e os espectáculos imorais.

202. Que é que nos ordena o sexto mandamento?
R: O sexto mandamento ordena-nos que sejamos "santos no corpo", tendo o máximo respeito pela própria pessoa e pela dos outros, como obras de Deus e templos onde Ele habita com a presença e com a graça.

SÉTIMO MANDAMENTO 

203. Que é que nos proíbe o sétimo mandamento não furtar?
R: O sétimo mandamento não furtar proíbe-nos causar dano ao próximo nos seus bens: por isso proíbe-nos os frutos, os estragos, a usura, a fraude nos contratos e nos serviços e a cooperação nestes danos.

204. Que é que nos ordena o sétimo mandamento?
R: O sétimo mandamento ordena-nos que restituamos as coisas alheias, que reparemos os danos culpavelmente causados, que paguemos as dívidas e os justo salário aos operários.

205. Quem, podendo, não restitui ou não repara, obterá perdão?
R: Quem, podendo, não restitui ou não repara, não obterá perdão, ainda mesmo que por palavras se declare arrependido.

OITAVO MANDAMENTO 

206. Que é que nos proíbe o oitavo mandamento não levantar falso testemunho?
R: O oitavo mandamento não levantar falso testemunho proíbe-nos toda a falsidade e o dano injusto à fama alheia: por isso, alem do falso testemunho, a calúnia, a mentira, a detracção ou murmuração, a adulação, o juízo e a suspeita temerários.

207. Que é que nos ordena o oitavo mandamento?
R: O oitavo mandamento ordena-nos que digamos oportunamente a verdade, e que interpretemos em bom sentido, tanto quanto possível, as acções do próximo.

208. Quem danificou o próximo no seu bom nome, acusando-o falsamente ou falando mal dele, a que é obrigado?
R: Quem danificou o próximo no seu bom nome acusando-o falsamente ou falando mal dele, deve reparar, quanto puder, o dano que causou.

10/08/13

DO "NOVO MANUAL DO CATEQUISTA" (XV)


§ 2º Mandamentos da Lei de Deus em Particular 
QUINTO MANDAMENTO 

193. Que é que nos proíbe o quinto mandamento não matar?R: O quinto mandamento não matar proíbe-nos causar dano à vida tanto natural como espiritual do próximo e nossa, por isso proíbe-nos o homicidio, o suicídio, o duelo, os ferimentos, as pancadas, as injúrias, as impercações e o escândalo.

194. Porque é pecado o suicídio?
R: O suicídio é pecado, como o homicídio porque só Deus é senhor da nossa vida, como da do próximo; além disso é pecado de desesperação que, para mais, tira ao homem com a vida a possibilidade de se arrepender e de se salvar.

195. A Igreja estabeleceu penas contra o suicídio?
R: A Igreja estabeleceu a privação da sepultura eclesiástica contra o suicídioresponsável pelo acto praticado.

196. Porque é pecado o duelo?
R: O duelo é pecado, porque é sempreum atentado por vingança particular, em desespero da lei e da justiça pública; mesmo porque com isso loucamente se entrega a decisão do direito e da sem razão à força, à dexireza e aoacaso.

197. A Igreja estabeleceu penas contra os duelistas?
R: A Igreja destabeleceu a excomunhão contra os duelistas e contra todos os que voluntariamente assistem ao duelo.

198. Que é escândalo?
R: Escândalo é dar ao próximo, com qualquer acto mau, ocasião de pecar.

199. O escândalo é pecado grave?
R: O escãndalo é pecado gravíssimo, e Deus pedirá contas domal que se fazcometer a outrem com pérfidos incitamentos e com maus exemplos: "Ai daquele por quem vem o escândalo."

200. Que é que nos ordena o quinto mandamento?
R: O quinto mandamento ordena-nosque queiramos bem a todos, ainda mesmo aos inimigos, e que reparemos o mal corporal e o espiritual feito ao próximo.

08/08/13

FORA DA IGREJA NÃO HÁ SALVAÇÃO (I)

Tem havido uma súbita preocupação com a fórmula "fora da Igreja não há salvação". Tinha surgido a necessidade de relembrar, ou ensinar, aos católicos esta doutrina. Mas agora, surge uma falsa reposta: a "interpretação" da fórmula, e apresentada como se estivesse em risco a fé dos católicos que têm usado esta fórmula tal como sempre foi usada!

Ontem vi que alguém difundiu a "interpretação" do Pe. Paulo Azevedo (Brasil). Resolvi então escutar este vídeo interpretativo deste sacerdote (é o segundo vídeo que faz deste tema, e o segundo substituiu o primeiro).

O Pe. Paulo não explicou mais do que complicou, por um único motivo: leva numa mão a formulação católica, e na outra os conteúdos da nova teologia... água e azeite! Não fez uma exposição breve e inteira com 3 frases, que depois tivesse aprofundado; confundiu o auditório que, certamente, não pôde juntar a "conclusão" à formulação.

 Desde a concepção de "Igreja" à omissão de designações fundamentais (tais como "baptismo de desejo" e "baptismo de sangue" como formas do mesmo baptismo), a "interpretação" de "rigorismo" seguida de um documento que refere o "rigorismo" real (não o da "interpretação" do Pe. Paulo), um uso difuso do "incorporar" .. etc, o Pe. Paulo, tranquilamente, com um tom de clareza, convenceu certamente muitos ouvintes.
 

Neste artigo não farei mais que compilar o que foi dito com maior autoridade que as "interpretações" do Pe. Paulo e da "nova teologia". Espero que isto ajude:

Séc. III
- São Cipriano: “Não há salvação fora da Igreja”.

Séc. IV
- Credo de Santo Atanásio: ”Todo aquele queira se salvar, antes de tudo é preciso que mantenha a fé católica; e aquele que não a guardar íntegra e inviolada, sem dúvida perecerá para sempre (…) esta é a fé católica e aquele que não crer fiel e firmemente, não poderá salvar-se”.

Séc. XII
- Papa Inocêncio III: “De coração cremos e com a boca confessamos uma só Igreja, que não de hereges, só a Santa, Romana, Católica e Apostólica, fora da qual cremos que ninguém se salva”.

Séc. XIII
- IV Concílio de Latrão [infalível], Cânon I: “…Existe apenas uma Igreja universal dos fiéis, fora da qual absolutamente ninguém é salvo…”. Cânon III: “Nós excomungamos e anatematizamos toda a heresia erguida contra a santa, ortodoxa e Católica fé sobre a qual nós, acima, explanamos…”.
- Papa Bonifácio VIII: “Por apego da fé, estamos obrigados a crer e manter que há uma só e Santa Igreja Católica e a mesma apostólica e nós firmemente cremos e simplesmente a confessamos e fora dela não há salvação nem perdão dos pecados (…) Romano Pontífice, o declaramos, o decidimos, definimos e pronunciamos como de toda necessidade de salvação para toda criatura humana".

Séc. XV
- Concílio de Florença: “Firmemente crê, professa e predica que ninguém que não esteja dentro da Igreja Católica, não somente os pagãos, mas também, judeus, os hereges e os cismáticos, não poderão participar da vida eterna e irão para o fogo eterno que está preparado para o diabo e seus anjos, a não ser que antes de sua morte se unirem a Ela(…)".

Séc. XVI
- O Concílio de Trento [infalível]: “… nossa fé católica, sem a qual é impossível agradar a Deus…” [Condenou também os protestantes].

- Papa Pio IV: “… Esta verdadeira fé católica, fora da qual ninguém pode salvar-se…” (Profissão de fé da Bula “Iniunctum nobis” de 1564)

Séc. XVIII
- Papa Benedito IV (1740-1758): “Esta fé da Igreja Católica, fora da qual ninguém pode se salvar…”.

Séc. XIX
- Papa Gregório XVI - Mirari Vos: “Outra causa que tem acarretado muitos dos males que afligem a Igreja é o indiferentismo, ou seja, aquela perversa teoria espalhada por toda a parte, graças aos enganos dos ímpios e que ensina poder-se conseguir a vida eterna em qualquer religião, contanto que se amolde à norma do recto e honesto. Podeis com facilidade, patentear à vossa grei esse erro tão execrável, dizendo o Apóstolo que há um só Deus, uma só fé e um só baptismo (Ef. 4,5): entendam, portanto os que pensam poder-se ir de todas as partes ao Porto da Salvação que, segundo a sentença do Salvador, eles estão contra Cristo, já que não estão com Cristo (Luc. 11,23) e os que não colhem com Cristo dispersam miseravelmente, pelo que perecerão infalivelmente os que não tiverem a fé católica e não a guardarem íntegra e sem mancha (Simb. Sancti Athanasii).(…) Desta fonte lodosa do indiferentismo promana aquela sentença absurda e errónea, melhor digo "disparate", que afirma e que defende a liberdade de consciência. Esse erro corrupto que abre alas, escudado na imoderada liberdade de opiniões que, para confusão das coisas sagradas e civis, se estende por toda parte, chegando a imprudência de alguém asseverar que dela resulta grande proveito para a causa da religião. Que morte pior há para a alma do que a liberdade do erro?, dizia Santo Agostinho (Ep. 166)”.

- Papa Pio IX - Syllabus (teses condenadas):
15ª “É livre a qualquer um abraçar o professar aquela religião que ele, guiado pela luz da razão, julgar verdadeira”.
16ª “No culto de qualquer religião podem os homens achar o caminho da salvação e alcançar a mesma eterna salvação”.
17ª “Pelo menos deve-se esperar bem da salvação eterna daqueles todos que não vivem na verdadeira Igreja de Cristo”.
18ª “O protestantismo não é senão outra forma da verdadeira religião cristã na qual se pode agradar a Deus do mesmo modo que na Igreja Católica”.
21ª “A Igreja não tem poder para definir dogmaticamente que a religião da Igreja Católica é a única religião verdadeira”.

- Pio IX: “(…) não temem fomentar a opinião desastrosa para a Igreja Católica e a salvação das almas, denominada por Nosso Predecessor, de feliz memória, de "loucura" (Encíclica "Mirari Vos") de que a liberdade de consciência e de cultos é direito próprio e inalienável do indivíduo que há de proclamar-se nas leis e estabelecer-se em todas as sociedades constituídas; (…) Portanto, todas e cada uma das opiniões e perversas doutrinas explicitamente especificadas neste documento, por Nossa autoridade apostólica, reprovamos, proscrevemos e condenamos; queremos e mandamos que os filhos da Igreja as tenham, todas, por reprovadas, proscritas e totalmente condenadas”. (Encíclica"Quanta Cura")

Séc. XX
Papa Pio XI - Encíclica "Mortalium Animus": ” Os esforços [do falso ecumenismo] não tem nenhum direito à aprovação dos católicos porque eles apoiam-se sobre esta opinião errónea de que todas as religiões são mais louváveis naquilo que revelam, e traduzem todas igualmente, se bem que de uma maneira diferente, o sentimento natural e inato que nos leva para Deus e inclina-nos ao respeito diante de seu poder(…) Os infelizes infestados por esses erros sustentam que a verdade dogmática não é absoluta, mas relativa, e deve pois, adaptar-se às várias exigências dos tempos e lugares às diversas necessidades das almas”.(…) “Os artesãos dessas empresas não cessam de citar ao infinito a Palavra de Cristo: "Que todos sejam um. Haverá um só rebanho e um só pastor"( Jo XVII,21; X,16), e eles repetem este texto como um desejo e um voto de Cristo que ainda não teria sido realizado. Eles pensam que a unidade da fé e de governo, característica da verdadeira e única Igreja de Cristo, quase nunca existiu no passado e que não existe hoje… Eles afirmam que todas (as igrejas) gozam dos mesmos direitos; que a Igreja só foi Una e Única, no máximo da época apostólica até os primeiros Concílios Ecuménicos(…). Tal é a situação. É claro, portanto, que a Sé Apostólica não pode por nenhum preço tomar parte nos seus congressos, e que não é permitido, por nenhum preço, aos católicos aderir a semelhantes empreendimentos ou contribuir para eles; se eles o fizerem dariam autoridade a uma falsa religião cristã completamente estranha à única Igreja de Cristo”.

-Papa S. Pio X - Catecismo da Doutrina Cristã ("Catecismo de S. Pio X"):
149- Que é a Igreja Católica?
R: A Igreja Católica é a sociedade ou reunião de todas as pessoas baptizadas que, vivendo na terra, professam a mesma fé e a mesma lei de Cristo, participam dos mesmos sacramentos, e obedecem aos legítimos Pastores, principalmente ao Romano Pontífice.


153- Então não pertencem à Igreja de Jesus Cristo as sociedades de pessoas baptizadas que não reconhecem o Romano Pontífice por seu chefe?
R: Todos os que não reconhecem o Romano Pontífice por seu chefe , não pertencem à Igreja de Jesus Cristo.


156- Não poderia haver mais de uma Igreja?
R: Não pode haver mais de uma Igreja, porque, assim com há um só Deus, uma só fé e um só Baptismo, assim também não há nem pode haver senão uma só Igreja verdadeira.


168- Pode alguém salvar-se fora da Igreja Católica, Apostólica, Romana?
R: Não. Fora da Igreja Católica, Apostólica, Romana, ninguém pode salvar-se, como ninguém pôde salvar-se do dilúvio fora da arca de Noé, que era figura desta Igreja.


- Papa S. Pio X - Encíclica "Pascendi Dominici Gregis" (condenaçãodo modernismo): “Toda religião, não exceptuada sequer a dos idólatras, deve ser tida por verdadeira [dizem](…). E os modernistas de fato não negam, ao contrário, concedem, uns confusa, e outros manifestamente, que todas as religiões são verdadeiras(…). Quando muito, no conflito entre as diversas religiões, os modernistas poderão sustentar que a Católica tem mais verdade, porque é mais viva e merece mais o título de Cristã, porque mais completamente corresponde o título de Cristã, porque mais completamente corresponde às origens do cristianismo”.

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