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19/09/17

AVISO A RESPEITO DA PRODUÇÃO "BRASIL, A ÚLTIMA CRUZADA"

Caros leitores, 

com alegria um amigo brasileiro compartilhou um vídeo intitulado "Brasil, a Última Cruzada". Já tinha visto publicidade a esta produção brasileira; pelas caras desconfiei: "certamente, mais do mesmo". Mas, aceitei a oferta, entrei na página de divulgação, acedi ao vídeo.

Túmulo de D. Afonso Henriques
(Igreja do Mosteiro de Sta. Cruz - Coimbra)

O vídeo tem não poucos problemas de leitura histórica, ficou-se pelas limitações das obras integralistas, Carlistas, e até herança da produção liberal do séc. XIX, etc.; do guião é notória a selectividade e disposição, ajustadas à actual agenda da ala militada da "hispanidad". Digo isto muito resumidamente, pois tenho o dito vídeo pausado, ainda por terminar.

Aquilo que a propaganda anunciou como intenção, a verdadeira história do Brasil, é mais que boa, é URGENTE; fomos nós aqui seus iniciadores, apresentando os pontos críticos atestados nas fontes; não temos compromissos ideológicos, não estamos comprometidos com anteriores palestras públicas, nem com obras publicadas, nem com uma legião de seguidores que nos aplaudiram e aos quais receamos desagradar, não militamos movimentos nem movimentações: somos isentos, e apenas dependentes da Verdade, e do que mandou e ensinou Deus por boca da Igreja Católica (mundo fora do qual Portugal não é). Mas, na propaganda, o nome é o da INTENÇÃO, ou melhor ainda, é o nome da coisa pela qual a Causa pretende ser conhecida.

Por isto, e por muitíssimo mais, pois conhecemos alguns dos erros do ideário, recomendamos que este vídeo, tal como outros da mesma série, não sejam acreditados, por mais cristãos e isentos que possam PARECER. Este aviso não atribui qualquer culpabilidade aos intervenientes ou à agenda envolvida.

O ano de 2017 tem sido para Portugal um manancial de confusão, onde pela cara do bem tem o erro avançado juntamente, os dois tomando raízes conjuntas. Não temos tempo nem gente para fazer um trabalho de correcção de maior impactos e abrangência; provavelmente restará a "sobrevivência em escala ainda mais reduzida".

Deus nos acuda.

Pelas 5 Chagas de Nosso Senhor,
Pedro Oliveira.

26/12/16

COMENTÁRIOS IBÉRICOS (I)

Em certo grupo auto-classificado "hispanófilo" até agora houve 55 comentários trocados entre gente de língua castelhana, portuguesa e italiana. Estes comentários formam um todo interessante, de certa forma resumem certos mitos dos militantes da "hispanidad" e a respectiva correcção. Nada mais didático que traduzir-vos estes diálogos.
 
Antes de mais, transcrevo e traduzo o início do artigo que foi depois comentado:
 
"As Falsas Crenças de Que Éramos Colónias
São muitos, muitíssimos, os académicos, letrados e investigadores que ao longo da Hispanidad assinalaram como erro a denominação "colónia", pelo qual pediram a eliminação desta designação, pois cria ideias equivocadas associadas a sentimentos de inferiorização e derrotismo na nossa Consciência Histórica.
Apesar disso, para estar em conformidade com a ideologia política republicana e oficialista que nos supõe uma liberdade social e nacional que até então nunca existira, nos programas oficiais do ensino continuam-nos a impor a palavra "colónia" ao longo da nossa escolarização.
Para esta reclamação documentarmos, nada melhor que ler a aprovação da Academia Nacional de História da Argentina, a qual fez 2 em Outubro de 1948 uma chamada de atenção para que fosse mudada a palavra "colónia" dos livros e da idiossincrasia popular:
"A investigação histórica moderna colocou em evidência os altos valores da civilização espanhola e sua influência para o Novo Mundo.
Como uma homenagem à verdade histórica, corresponde estabelecer o verdadeiro alcance da qualificação "colónia", em certo período da nossa História. (...)"
 
Passemos aos comentários que aqui foram surgindo já muito despegados do artigo, os quais são de proveito. Apenas passarei os comentários de importância dos dois lados da conversa, e traduzo-os. Usarei de nomes fictícios e colocarei de que língua é cada um dos intervenientes:
 
José, Pt. - Caros senhores, não conhecem a história de Espanha? Colón propôs-se em descobrir o caminho marítimo para a Índia, por Ocidente. As NOVAS terras que descobriu não eram verdadeiramente a Índia, equívoco mantido por bastantes anos. Os europeus sabiam que a Índia era uma região de grande civilização antiga e dizíamos então ter cristãos antigos. "A primeira dessas leis é de 1519, emitida para a ilha Espanhola" [aqui comenta o parágrafo do artigo, que é assim: La Recopilación de Leyes de Indias nunca hablaban de colonias, y en diversas prescripciones se establece expresamente que son Provincias, Reinos, Señoríos, Repúblicas o territorios de Islas y Tierra Firme incorporados a la Corona de Castilla y León, que no podían enajenarse. La primera de esas leyes es de 1519, dictada para la Isla Española, antes de cumplirse treinta años del Descubrimiento, y la de 1520, de carácter general, es para todas Islas e Indias descubiertas y por descubrir.] ...sim, para uma parte do território da Índia [ou seja, da Índia da qual se pensava ter descoberto o caminho, a Índia asiática] ... Seria IMPOSSÍVEL fazer de certa parte da Índia [asiática] uma colónia... Entendem!?

Página, Esp. - Na verdade a palavra índio significa habitante de terras longínquias, e destingua-se entre as Índias Orientais e as Índias Ocidentais. No livro " Los Viajes de Marcopolo" fala-se das índias também como territórios longínquos, mas esses territórios podia estar no oriente como no ocidente, contudo para ocidente era mais difícil chegar porque havia que ir navegando e Marcopolo fez a sua viagem por terra. Por fim há que dizer que o estado da Índia é uma invenção dos ingleses no séc. XX.
 
José, PT. - Ignorância!!! ... A proposta de Colón aos Reis foi a do descobrimento do caminho marítimo para a ÍNDIA, por Ocidente. Não existia o nome de "índia ocidental", portanto. Quando Colón chegou à América deu-se oficialmente como tendo chegado à ÍNDIA (na Ásia). Depois da primeira viagem, Colón informou também os reis de finalmente ter descoberto a ÍNDIA da Ásia.
Não ... em castelhano, até ao séc. XVI "índio" nunca significou mais que morador [nativo] da ÍNDIA da ÁSIA.
O nome "índias ocidentias" é uma forma agradável de não dizer a toda a Cristandade "nós, nossos reis de Castela, fomos enganados relativamente ao descobrimento do caminho ocidental marítimo para a Índia etc." ... mais fácil, mantiveram o nome "Índia", mas com necessidade de acrescentar "ocidental".

Página, Esp. - Procura o contrato que Isabel de Castela fez assinar a Colón antes da sua primeira viagem onde se lê "das terras já descobertas".
 
José, Pt. - "das terras"... "descobertas" ... África era conhecida e as Canárias descobertas depois! ... não!? ...
 
[...]
 
Romão, Esp. - Espanha vinha de 800 anos de reconquista contra os muçulmanos. Os territórios que recuperava incorporava-os aos seus Reinos. O salto à África e o posterior à América não era mais que prolongamento daquele espírito de Cruzada e os territórios também ficariam incorporados, neste caso a Castela, como terras da Coroa, mas não como colónias.
 
José, Pt. - Romão, não não ... reconquista de 800 anos!? ... Espírito de Cruzada em África!? ... O caminho marítimo para a Índia por Ocidentes ... era por espírito de Cruzada!? ......

Romão, Esp. - Reconquista (722, batalha de Covadonga - 1492, reconquista de Granada) = 770 anos. Espírito de Cruzada em África sim, assim o afirmou a Rainha Isabel a Católica quando faz ver aos seus sucessores a necessidade de recuperar o território norte-africano, a antiga Mauritânia romana, para a Cruz. E o caminho marítimo para a Índia não era espírito de Cruzada, mas quando os espanhóis chegam à América não se limitam a explorar e fazer escravos, ensinaram-lhes a religião, evangelizam, debatem sobre a alma do índio [melhor, "índio"], outorgam à Igreja um papel fundamental nas novas terras para denunciar os casos de abusos que se cometam... Sem espírito de cruzada a conquista teria sido igual que a britânica, uma campanha de extermínio contra os índios. [...] Pois se não sei história não sei se continuo a ser licenciado na mesma (em Espanha e México) e tendo mestrado em h. contemporânea de Latinoamérica... Suponho que na guerra de 1808-1814 contra os franceses também se recorreu à cruzada, nem a de 1833-1843, nem a de 1936-1939, não?

José, Pt. - Romão "800 años de reconsistas"!? ... ahah Isabel a Católica teve opiniões nem sempre muito católicas! "no se limitan a explotar y hacer esclavos" ... nem nenhum reino católico o fez! [...]
1 - Cruzadas: cruzadas oficiais da Santa Igreja com nome de "cruzadas" no séc. XIX!? Uhmm...
2 - Reconquista de 800 anos: a reconquista não foi feita durante 800 anos, senão que o seu intento ficou [apenas] completo [na Espanha] somente depois de 800 anos (menos de 100 anos em Portugal).
3 - Isabel a Católica manda roubar algumas vezes a Mina em África, em território português [duas Capitanias, uma de Mem Palha, e outra de Jorge Correia]. Até então [Isabel a Católica] não andava pelo continente africano a fazer apostolado.
4 - A intenção do descobrimento do caminho marítimo para a Índia (ásia) por Ocidente não era o da difusão da fé, porque nesse tempo acreditava-se que entre os nativos da Índia (Ásia) havia cristãos. Isabel a Católica tinha por certo que estes seriam CRISTÃO a ser súbditos iguais aos que tinha em Castela etc..
5 - Escravatura: a escravatura era em muitos casos a única forma justa de transferir a barbárie sem direitos territoriais às terras cristãs, para viver como cristãos, que assim teria de socialmente começar por viver por intermédio e responsabilidade de um Senhor (os filhos menores do Senhor, por exemplo, também não tinham direitos sociais territoriais sem ser por via de seus pais). O problema de como os espanhóis olham a escravidão relaciona-se com a crença de que não a praticaram largamente mas que fora praticada largamente pelos outros. Mas... a documentação recém descoberta mostra que Espanha foi a melhor cliente de Portugal e de Inglaterra na compra de escravos para a América.

(continuação, II parte)

29/02/16

CONVERSAS De CAFÉ II

(ver programa anterior)

Depois de várias dificuldades, e tentativas, finalmente conseguimos editar a segunda transmissão do Conversas de Café. Contudo, porque os temas estão a ser muito importantes, e porque o entrevistado tem que falar de improviso, está em estudo a criação de outro tipo de programa unicamente para estes temas, e deixar o Conversas de Café apenas para temas e abordagens mais gerais.

As Conversas de Café II, têm como tema de fundo: D. João V, e Portugal do seu tempo. Eis alguns assuntos abordados:

1 - O Problema do conceito "absolutismo" - a sua origem histórica e os usos desta palavra; (00:00)
2 - Portugal, o último Reino Católico a cair; (10:25)
3 - Portugal, o Reino dos Fidelíssimos; (12:51)
4 - Dificuldades justificáveis nos tradicionalistas da "hispanidad" - convite à abertura; (26:05)
5 - Menéndez Pidal - o caso da identidade de Cristóvão Colon, e a estranha ocultação na investigação; (31:03)
6 - Os prémios e reconhecimentos alcançados por Portugal no séc. XVIII são verdadeiros e justos; (36:17)
7 - D. João V: honrando a Deus e ao Reino; (39:37)
8 - D. João V procurava modelos de perfeição para executá-los; (41:00)


Segunda parte (com alguns problemas técnicos, aqui):

9 - O caso do velho padre apóstata; (02:00)
10 - O Chá da Rainha; (03:28)
11 - Forte lei interior, e tolerância exterior - o português distingue; (5:28)
12 - A "palavra de honra" em Portugal, mais forte que um documento; (6:12)
13 - A aldeia tradicional: as diferenças e a falsa ideologia da igualdade; (9:39)
14 - Salazar: o "Portugal profundo" que ministrou o Reino; (13:50)
15 - Povo do interior: como humildes senhores até ao final do séc. XX. (16:00)


(continuação: Conversas de Café III)

15/02/16

DESTRUINDO MITOS CONTRARIOS À INQUISIÇÃO ESPANHOLA

Tomás de Torquemada
É pena que este documentário apenas trate da inquisição espanhola, e não de outras católicas iqnuisições! É um documentário da BBC que tem alguns erros preservados pelos adeptos da hispanidad... mas enfim, siga o documentário, porque do resto já estamos acostumados.



05/10/15

VERDADE E HISPANDIDADE

Caros leitores,

redijo-vos este texto em linha de continuidade com o artigo "Canonização de Isabel a Católica!" (recomendo esta leitura antes de continuarem no presente artigo). Estes e outros artigos formam um pequeno conjunto cuja tónica é: a certeza de que há lacunas na construção simbólico-histórica em torno daquilo que se tem designado por hispanidad, e que a permanência desses erros não podem trazer benefício verdadeiro (antes pelo contrário) e até têm feito danos. Portanto, espero assim dar a minha contribuição na eliminação de tais problemas e consequências.

Que os católicos de língua portuguesa estejam aqui atentos ao tratamento destas temáticas; que as cabeças militantes e pensantes da hispanidad reflictam desapaixonadamente nestes artigos (artigos que são fruto da constatação pessoal, amor à verdade, reflexão, tempo e rigoroso respeito às fontes antigas).


I - O Católico Quer Estar Firme, na Verdade e Não Sobre a Conveniência - Independentemente daquilo que se possa entender por hispanidad, todos concordarão que ela nada poderá ganhar se assentar em fantasias patrióticas. Os adeptos da hispanidad nada de bom poderiam alcançar com uma dogmatização desajustada da sua interpretação simbólico-histórica (fazendo dela cânon), dificultando ou excluindo a entrada de fontes credíveis que coloquem em causa a "infalibilidade" de tal "cânon". Também não se pode pretender fazer da interpretação simbólico-histórica uma medida pela qual se haveria de medir a realidade; é impensável tomá-la como um "Criador das essências" (coisa que parece ocorrer, como explicarei em seguida). O movimento pró hispanidad certamente prefere e sempre preferiu ser conhecido como servidor da verdade, coisa desejada pelos bons católicos.

Aqueles adeptos da hispanidad que foram martirizados na guerra civil, em Espanha, não tinham que estar certos em todas estas matérias nem ser conhecedores profundos delas. Ignorar e ser bom em tudo difere de ignorar culpavelmente, ou fingir que se ignora. Uma atitude católica será sempre incompactível com o consentimento de fuga à verdade, até mesmo à verdade histórica.


II - Não Só a Essência, Mas Também o Realismo - Curiosamente, a última vez que ouvir dizer que um Reino católico tem essência foi a um sacerdote tradicionalista, da hispanidad! A essência, claro está, não pode ser produto de vontades humanas, não pode resultar sequer do processo histórico, ela antecede. Fora de revelações divinas, é por meio dos factos históricos que conhecemos qual a essência de cada um dos Reinos Católicos.

Ilustre pessoa, como dizia, homem de intelecto, a este respeito usa do seguinte artifício mental: partindo daquilo que considera ser a essência da Espanha, avalia e mede por ela as demais coisas relacionadas à Espanha e aos demais Reinos. Assim avalia, depois julga, depois age de forma coerente; por isso, como seria de esperar: desvia tudo (e todos) aquilo (aqueles) que vá conta tal essência (com certa razão, porque a essência é a essência, e não se pode ir contra sem dano).

É realmente erro violar a essência de um reino católico, portanto, ou interpretar em sentido contrário a ela! Contudo, a posição tomada por aquele significativo militante é uma sólido e belo castelo armado sobre fina areia; pois esqueceu que a sua IDEIA a respeito da essência de Espanha não é a própria essência, e que a ideia pode corresponder bem ou mal à essência verdadeira. Tal ideia, de certo partilhada por muitos militados, deve pretender-se totalmente ajustada ao Ser. Toda aquela sistematização interpretativa a respeito da hispanidad, em suma, está sujeita a erro humano, porque é uma tentativa humana de interpretação.

Vejamos: quem desvendou tal essência, e quando? Foi ela revelada por Deus, ou ela tem-se revelado de forma menos linear, passando pelo olhar e interpretação dos homens? Onde e como se prova que ela é x e não é y?...

Evidentemente, os adeptos da hispanidad devem procurar conhecer a essência da Espanha não indo contra todo um conjunto de feitos históricos (os quais Deus quis ou permitiu), considerando também os feitos vizinhos (contexto), as características dos lugares, passado e presente, etc... . Também são factos o que da Espanha disse a Igreja e os Santos. Tudo deve ser visto com respeito das devidas importâncias, autoridades, e credibilidade das fontes, etc... .


III - Comparação ao Extremo? - Se a Espanha, na Europa e no mundo, fosse hoje uma "Alemanha", e se os  militantes da hispanidad estivessem no poder, seria pouco provável a criação de uma lei que proibisse a revisão do seu "cânon" histórico!?...

Alguns leitores, estarão com vontade de perguntar: "não será exagerado este tipo de comparação?". A comparação não é a melhor, seja porque a Alemanha criou leis que protegem uma versão histórica oficial, que nem abona em favor dela mesma, quer porque os espanhóis são menos preocupados com o assunto do que os americanos de língua espanhola. Mas, a reposta é: não... não é exagerada a comparação! Uma parte da militância da hispanidad anda hoje pelo fanatismo amável (discreto, mais perigoso), ou rude (explícito, ingénuo e apaixonado), está pronta a esforços para eliminar os obstáculos aos seu "cânon" (ou a Isabel de Castela, a quem tomam como "cara" do cânon).

"É mesmo assim?!", insistirá algum leitor mais admirado. Sim... é mesmo assim, e chega a mais quando homens discretos decidem e fazem planos segundo o tal "cânon".

(artigo incompleto...)

06/03/15

ENTREVISTA A CASTELA (I)

alegoricamente: o Rei vai nú
O blogue ASCENDENS deslocou-se a Castela para lhe fazer uma entrevista, e dar assim a conhecer aos leitores quem é quem.

ASCENDENS - Boa tarde Senhora Dona Castela.
CASTELA - "La Católica". Boa tarde.
A. - As minhas desculpas, Dona Castela La Católica. Há algumas repostas que os leitores de língua portuguesa gostariam de conhecer. Ao entrarmos nestas terras duvidámos se tínhamos vindo a Espanha, ou a Castela. O que é Espanha!?
C. - Espanha é tudo o que eu vejo.
A. - Não será exagero!?
C. - Há partes do mundo que não são Espanha, mas Deus nos abençoou, deu-nos as parte vantajosas do planeta.
A. - Mas Portugal tem um território muito bom, a todos os níveis!
C. - Pois... então é de Espanha!
A. - Mas, logo com o primeiro Rei do Reino de Portugal houve reconhecimento da Santa Sé por Bula papal dada para esse efeito! Logo, Portugal foi reconhecido desde então como Reino, cujo Rei e Senhor era D. Afonso Henriques! Portanto ... Portugal não é vosso!
C. - Uhmm... Então Portugal não é bom território, tem muitos ladrões e rebeldes às nossas leis, os portugueses são meio judeus! Viva España!
A. - Vamos ver se entendi: o que é bom é vosso, o que é bom mas não pode ser vosso, é mau...
C. - É que Deus nos elegeu sobre todas os outros Reinos. Quando Nosso Senhor morreu, morreu com a cabeça virada para Espanha! Viva España!
A. - Bem ... mas para que a Santa Cabeça tivesse ficado voltada apenas para Espanha, Nosso Senhor teria ido morrer ao sul do Egpito (algo assim), segundo nos mostram os bons mapas do séc. XXI!
C. - É que somos um Povo muito abençoado, temos uma essência que o mostra; Deus nos criou assim!
A. - E essa essência é assim tão evidente que a possamos ver, ou é uma interpretação vossa feita no séc. XIX, e acalorada na primeira metade do séc. XX?
C. - Se refere à "Hispanidad"!?
A. - Sim... mas esta questão é melhor lá mais adiante, talvez. Evidentemente que os Reinos católicos têm uma essência, mas onde estão para vós as evidências da essência de Castela, ou Espanha, ou .... sei lá...!?
C. - A Espanha é missionária, é LA CATÓLICA, ou seja, ela foi criada para representar a unidade de todos os povos católicos debaixo de um grande chefe espanhol. Ela é a que congrega e converte. A prova disso é que ela descobriu a América e foi a primeira evangelizadora dos descobrimentos.
A. - Quem deu o título de Los Católicos à coroa castelhana?
C. - Foi o Papa Alexandre VI...
A. - Espanhol!?
C. - Sim...
A. - Conhecido como o Papa mais corrupto da história, e que tinha realmente mulher e filhos a viverem tranquilamente no Palácio Apostólico?
C. - Bem ... sim... Mas, nisso há alguns exageros.
A. - Portanto, como sustenta a Espanha que o título dado é realmente coisa de Deus!? Não é isto sinal de Deus que mostrar que isso que é atribuído à Espanha é mais uma tendência vossa ao auto-favorecimento?
C. - O que prova que isso não é assim é que o título foi dado na ocasião da Digníssima e Santíssima Isabel de Castela, conhecida justamente por Isabel a Católica. Eis a prova, eis o sinal de Deus!
A. - Santíssima!? Então quem a canonizou!? A Igreja!?
C. - ... os espanhóis. A Igreja não a canonizou ainda porque o demónio não permite, temos muitos inimigos que invejam a nossa grandeza. A culpa é dos judeus, porque revoltados com a justa expulsão do nosso território, agora tentam todo o mal contra nós.
A. - E o vosso clero tem essa mesma versão dos factos!?
C. - Sim, claro, eles ensinam isto na formação aos sacerdotes, evidentemente de forma mais refinada e complementada com argumentos teológicos e canónicos.
A. - Mas não é estranho que Isabel a Católica tenha andado 400 anos apartada de uma beatificação, enquanto grandes santos espanhóis foram canonizados e elevados a Doutores da igreja!?
C. - Vocês portugueses sois muito judaizados! É nossa missão trazer-vos para junto de nós, e assim vos salvardes e abandonardes a vossa rebeldia e vício do roubo.
A. - Por falar em roubo... Porque motivo Isabel a Católica mandou ao Capitão Pedro de Covides assaltar os nossos territórios na Mina (África) com dezenas de embarcações castelhanas e algumas genovesas?
C. - Isso não pode ser verdade!... Blasfémias, heresias... Viva España!
A. - É que este acontecimento está registado nas Crónicas reais de Portugal ....
C. - Claro... DE PORTUGAL!
A. - ... e de Castela!...
C. - Ahmm!? Heresias... Meus pais e meus avós sempre me falaram de toda a história de Espanha, e nunca ouvi dizer nada disso. Portanto ...
A. - Portanto!? Eu também já ouvi dizer que os espanhóis são do tipo "como penso, assim existe". Esta também diz a respeito dos franceses "se penso, já o estou a fazer", e sobre os portugueses diz: "se penso.... uhmm interessante.. se penso... tenho que ir ver melhor como é que isso é, e como é que isso não é...!". Mas sim... as nossas, e as vossas crónicas, relatam esse facto, e as vossas ainda dão a desculpa de que o saque era apenas um amigável comércio com os NATIVOS dos nossos territórios, e queixam-se de que fomos tão malvados na nossa defesa que cortámos as mãos a alguns dos castelhanos, e os mandámos depois aos Reis de Castela. Isabel a Católica, não foi por vontade de Deus que mandou assaltar Portugal às escondidas, entrando em águas e território português protegidas por bulas papais...
C. - Cortar as mãos a castelhanos!? Isso é crueldade para punir o roubo!
A. - Como não foi o primeiro caso, embora tivesse sido o maior... Certamente Isabel a Católica pareceria menos cruel quando deu abrigo ao Conde de Penamacor que, depois deste atentar contra a vida do Rei D. João II de Portugal, fugiu para a Côrte da prima Isabel La Católica; e quando este Conde andou viajado pela Inglaterra, e disso foram informados os portugueses, o Rei D. João II escreveu ao Rei de Inglaterra para que mandasse prender o Conde por crime de lesa majestade. Lá foi o Conde de Penamacor encarcerado na Torre de Londres, até que, depois de meses, Isabel a Católica mandou ao Rei de Inglaterra uma pequena embaixada para pagar o resgate do Conde, o qual foi levado para Castela e colocado em liberdade. Muita generosidade...!
C. - Isso não é possível!
A. - Porque julga não ser!?
C. - Porque Roma deu o Título de Los Católicos a esses mesmos reis.
A. - Pois mas tinha dito "O que prova que isso não é assim é que o título foi dado na ocasião da Digníssima e Santíssima Isabel de Castela, conhecida justamente por Isabel a Católica. Eis a prova, eis o sinal de Deus!" .

(a continuar)

30/10/14

A PACIÊNCIA QUE TEMOS QUE TER COM OS DA "HISPANIDAD"...

Em primeiro quero agradecer ao leitor português que partilhou duas publicações feitas pela "Acción Nacional Católica" no Facebook, às quais acrescentou uma única palavra "Ladrões!":


ACCIÓN NACIONAL CATÓLICA
(facebook , blogger)


"¡Oh, Santísima Virgen María! ¡Señora Nuestra de Fátima! ¡Reina del Santísimo Rosario!
Tú, que elegiste a tres pastorcitos de la Península Hispana, para renovar el llamado divino al hombre a caminar hacia la santidad: ¡ayúdanos a ser humildes y a huir de la tibieza!
Infunde en nuestros corazones un firme deseo de luchar sin pausa contra el pecado;
de ayudar a nuestros pastores frente a las embestidas del maligno, evitando que, en esta difícil hora, caigan en la mundanidad, la desacralización, la pusilanimidad, la desesperanza;
de restaurar nuestra Patria y la Hispanidad toda, defendiendo la sacralidad de la Vida, y la Familia, como Dios ha querido;
de incrementar los lazos fraternos y solidarios con todos los hermanos en comunión con la Sede Petrina, tanto en la siembra como en la batalla;
y de proclamar al mundo entero las Verdades de la Santa Fe Católica.
Te lo pedimos por Nuestro Señor Jesucristo, tu Amadísimo Hijo, que vive y reina contigo en la unidad del Espíritu Santo, y es Dios, por los siglos de los siglos.
Amén."

"12 de octubre [dia "de la hispanidad"]: Día de la Gran Patria Hispana:

(alguns comentários de usuários de facebook)

"
ARRIBA LA HISPANIDAD CRIOLLA ARRIBA ESPAÑA" 
"VIVA LA MADRE PATRIA"
------------------- // --------------------

No blogue da "Acción Nacional Católica" podemos encontra na barra lateral os ícones tomados por este movimento. Aparece nos primeiros lugares da barra o conhecido grito "Viva Cristo Rei", marca dos sul americanos católicos militantes da "hispanidad" (alusão aos cristeros mexicanos); em grau inferior vem Nossa Senhora de Jujan (Argentina), a que chamam "Nuestra Señora de la Hispanidad"; segue-se Nossa Senhora do Carmo. Portanto, o primeiro é pela "hispanidad", a segunda pela "Argentina", e a terceira pela ANC.

É estranho como agora no Brasil certos grupos mais desavisados foram conduzidos por um lider militante da "hispanidad" a tomarem o "Viva Cristo Rei" como marca própria.... e não só!

Depois seguem na barra lateral os homens de santidade (de língua castelhana, apenas), e homens de intelecto católico (de língua castelhana, apenas), todos eles americanos. Em primeiro está "são" Benito de Jesús, "beatificado" e "canonizado" por João Paulo II e "canonizado"; depois vem o "beato" José Brochero ("el Cura Brochero"), "beatificado" pelo Papa Francisco. Este último "beato" proferia palavrões nos seus discursos. O último dos apresentados como santos homens, é Anacleto Gonzáles Flores, que foi mártir cristero, e "beatificado" por Bento XVI. Todos estes são  apresentados no blogue como "santo" e "beatos" (sem aspas), o que indica que a ANC aceita como legítimas as beatificações e canonizações que os últimos 3 papas teriam feito!

Depois, ainda na mesma barra, estão colocadas as fotos do Papa e do "Papa Emérito", das quais se segue a bandeira das "aspas de Borgonha" (símbolo quase indispensável para os militantes da "hispanidad"). O título "Ellos Nos Guían" ["eles nos guiam] dá nome à lista de pensadores referência para os militantes da "hispanidad" na América do Sul de língua castelhana. É importante este "eles nos guia", porque é verdade que a "hispanidad" é inseparável da interpretação feita por certos pensadores, que os seus seguidores tomam muitas vezes por inquestionáveis, tal como consideram inquestionável tudo o que lhes cheire a "hispanidad"; com base inquestionável "hispanidad", que costumam beber desde o berço,  interpretam e avaliam o mundo, e até mais!...

Mas vamos então observar aquelas duas publicações avisadas pelo tal leitor português.

Em primeiro lugar: o militante da "hispanidad" tem alguma alergia à Imagem de Nossa Senhora de Fátima (a da capelinha das aparições, Imagem que foi coroada como Rainha de Portugal por imitação da Imagem da Padroeira de Portugal, a Imaculada Conceição de Vila Viçosa). O militante da "hispanidad" usa a Imagem de Coimbra, a que tem um coração, e a mão direita estendida. Assim sendo, há alguns anos, um dos responsáveis de uma acção mariana tradicionalista, com uma fotografia da Imagem de Coimbra na mão, perante um grupo de jovens, dizia efusivamente: "la otra imagen no... Esta si, esta es LA NUESTRA". Lembro que a Imagem de Nossa Senhora de Fátima, existe nestas duas versões, sendo a do Santuário aquela que pertence ao ciclo da tradição religiosa de Fátima em primeiro lugar, e que foi esta Imagem (este formato) agraciado inúmeras vezes por Nossa Senhora com os milagres das pombas (enquanto que nenhum outro milagre público se deu com a versão de Coimbra, e que mesmo assim é versão venerável e aprovada). Portanto, não admira que na publicação da ANC, ao escolher sempre o formato de Coimbra, comprove esta repulsão pela versão mais aprovada da Imagem de Nossa Senhora de Fátima.

Apenas porque ficaria muito pesado ao leitor fazer-lhe a explicação da oração da ANC, pois ela está muito carregada desses erros ideológicos e hegemónicos, peço que fique apenas na memória o que aqui está à mostra. Quanto ao resto ... vejam!

Atenção: aqui não se critica a intenção dos militantes da "hispanidad", antes se faz denúncia de certas acções e crenças que ofendem objectivamente a Santa Religião e a Portugal (claro que há todo o gosto de que a Espanha abandone os seus falsos mitos e ate certo fanatismo).

14/10/14

OS PORTUGUESES NÃO SÃO REBELDES, NEM LADRÕES, NEM DESOBEDIENTES

D. Afonso Henriques
Os militantes da "hispanidad", com ou sem culpa, acreditam que os portugueses são ladrões, rebeldes e desobedientes. Evidentemente que muitos destes militantes são simpáticos e até caridosos, e nunca nos quererão sequer chamar aquilo que acham que somos; estes, pelo contrário, sentem-se na obrigação de nos "encaminhar" para bem longe dos nossos "vícios" (ou da raça).

Na base dessa falsa crença generalizada que portam, os militantes da "hispanidad" têm 3 "exemplos" de nós, por eles deturpados (igualmente divulgados em Portugal pelo liberalismo, maçonaria, e república):

- D. Afonso Henriques teria roubado o território ao seu avô, Rei de Leão, território ao qual gostam de indicar como "Condado Portucalense";

- D. João I teria sido ilegítimo Rei de Portugal. D. João I de Castela teria sido o legítimo Rei de Portugal - portanto o nosso teria usurpado o Trono de Portugal ao Rei de Castela;

- D. João IV teria tomado o Trono de Portugal ilegitimamente. Os Filipes teriam sido legítimos reis de Portugal. Nova usurpação ao Rei Filipe, e roubo feito pelos portugueses de Portugal a Castela, acham!

Antes de continuar, gostaria de lembrar pelo menos aos carlistas que foram eles colaboradores, amigos, apoiantes, de que D. Miguel I de Portugal como legítimo Rei de Portugal, e que os princípios nos quais assenta tal legitimidade são na verdade os mesmos onde está suportada a legitimidade dos três reis acima mencionados.

Repito que a interpretação histórica dos "militantes da hispanidad", interpretação deles que nos coloca muitíssimo mal, à partida não é necessariamente fruto da maldade, mas é sim da herança. O próprio conceito de "hispanidad" está comprometido com a construção que, aparentemente foi iniciada no séc. XIX, antes da criação deste significante, mas que, na realidade, vem sendo construído desde o séc. XVI. Reapareceu e revigorou mais tarde, em tempos da guerra civil em Espanha. No fundo é sempre uma afirmação perante a ameaça que se faça sentir.
 
Não quero deixar de alertar para o facto de que António Sardinha, inicialmente não-católico, não tendo à partida nada a ver com os Tradicionalistas do séc. XIX em Portugal, veio a converter-se ao catolicismo, tentando depois encontrar o Portugal autêntico. Ao cruzar-se com a "hispanidad" dela recebeu algumas luzes, mas também uma versão que não era tão nossa (isto implica vários problemas). António Sardinha chega a negar alguns pontos do movimento tradicionalista português (não confundir com o grupo fechado e restrito depois formado com esse nome), como é exemplo a forma como trata o tema "absolutismo" (nisto limitou-se a copiar a opinião de Espanha, e contrariar o legado Português, tal como outros o tinham feito e continuaram afazer - o conceito espanhol é, pasme-se, a trasladação íntegra dos inventores do conceito: sociedades iluministas e lojas maçónicas em contacto com Benjamin Franklin). É oportuno dizer isto, visto que António Sardinha pode ser infelizmente usado como que para fazer um ponto de unidade entre o Tradicionalismo Português e a militância da "hispanidad" (tentativa assente em fantasias). Sem dúvida, muito de António Sardinha está bem, mas nem tudo.

A visão que muitos militantes da "hispanidad" têm sobre a fundação de Portugal é a mesma que em Portugal os liberais do séc. XIX afirmaram, e que os republicanos e maçons continuaram e propagaram - especialmente por conveniência. Ambos descrevem a fundação de Portugal como um acto de rebelião. Grande parte dos da "hispanidad" hoje, como eu ouvi indirectamente a um Senhor Padre, dizem que foi um roubo de D. Afonso Henriques ao Rei de Leão, seu avô, e a sua mãe D. Teresa. A liberalice, maçonaria, e repúblicanismo, como lhes convêm legitimar a rebeldia e a revolução popular, aproveitam estas raras infelicidades dos da "hispanidad" para se escudarem e para parecer que a rebelião está também legitimada pelos nossos antepassados (seria rebelde a fundação, seria rebelde a subida de D. João I, seria rebelde a subida de D. João IV, e por fim seria até legítima a usurpação de D. Pedro IV, e depois a imposição republicana, e por aí fora).

É demorado tratar agora da questão da legítima fundação de Portugal. Darei apenas algumas notas necessárias.

A legitimidade do intento de D. Afonso Henriques assenta na questão da Reconquista e do seu significado. Uma reconquista requer a devolução dos territórios aos seu, e não o reagrupamento territorial assim, sem mais, por este ou aquele Senhor. Não que a população seja eleitora de reis, contudo um novo rei neste caso deve perguntar à população se o reconhece como Rei (o reconhecimento não pode ser confundido com a legitimação, mas é a confirmação operacional de um direito que se adquiriu previamente - o sentido das aclamações régias em Portugal não são o da eleição popular, mas sim reconhecimento daquele a quem cabe o Trono por direito). Outra é a questão da divisão territorial da Igreja, outra é a questão da etnia e territórios defendidos mais a sul. Por fim, D. Afonso VII de Leão reconhece ao neto D. Afonso Henriques, reconhece não verdadeiramente seus os territórios que tentara manter baixo a forma de Condado (contudo faz-se Imperador deste ... Reino!?) Portanto, vai dar ao mesmo! O Papa Alexandre II reconheceu Portugal como Reino, e como Vassalo da Santa Sé (o suficiente contra qualquer pretensão de Afonso VII). Dizer que D. Afonso Henriques foi rebelde, é dizer que o Papa Alexandre II o foi, e que a Igreja o tem continuado a ser. Para mais, D. Afonso Henriques tornou-se depois Venerável da Santa Igreja (o processo de beatificação não levou a melhor por oposição de Castela) e a seu lado teve aquele que foi o primeiro santo do Reino de Portugal: S. Teotónio. (Curiosamente, também um santo homem esteve ao lado do Rei D. João I para defender a nossa independência frente a Castela, sendo este mesmo santo homem o próprio Chefe das milícias de Portugal, o Santo Condestável D. Nuno Alvares Pereira. Onde os rebeldes procuram encontrar famosos rebeldes para a própria rebeldia, a realidade mostra Santos para que vejam ali a Justiça e a mais serena ordem.

D. João I de Leão e Castela, por casamento com a Princesa de Portugal D. Beatriz, julgou-se com direito ao Trono de Portugal depois da morte de D. Fernando. D. Beatriz ao casar com D. João I de Leão e Castela, torna-se assim rainha estrangeira. Segundo as Cortes de Lamego (da fundação de Portugal - bem sei que muitos não aceitam como verdadeiras umas Côrtes que dizem aquilo que depois foi sempre a nossa tradição), a Coroa não pode ir parar a Rei estrangeiro (nada mais lógico mas não usado em tantas outras monarquias onde a usurpação do Trono sempre existiu desde sempre), e este princípio esteve sempre presente ao longo da nossa história, na nossa tradição, repito. Outro perigo que incomodou a todos foi o apoio de D. João I de Leão e Castela ao antipapa Clemente VII, e que consideraram um cisma prático, argumento que por si dispensaria qualquer outro de maior complexidade. A legitimidade do Rei de Portugal, portanto, depende da ortodoxia católica e da sua vinculação ao Trono de Pedro Apóstolo. Ao contrário do que dizem hoje muitos dos militantes da "hispanidad", não houve qualquer ilegitimidade em recusar D. Beatriz e D. João I de Leão e Castela. Depois desta justa rejeição sobraram pouquíssimos possibilidades, de tal maneira que, imagine-se: a legitimidade passa para um ilegítimo filho de D. Pedro I de Portugal, D. João I Mestre da Ordem de Avis. Caso interessante que nos dá algum apoio no conhecimento a propósito dos filhos ilegítimos. Se D. Afonso Henriques teve a S. Teotónio ao lado, D. João I teve a D. Nuno Alvares Pereira, como disse antes. Mas, segundo os militantes da "hispanidad", o nosso D. João I foi ilegítimo Rei, homem defendido por beatificado cavaleiro, e que defendeu o verdadeiro Papa, mas teria sido legítimo o estrangeiro D. João I de Leão e Castela, que nem teve católico discernimento para defender verdadeiro Papa!

D. João IV de Portugal é igualmente pintado como ladrão, um rebelde que teria roubado aos Filipes o Trono de Portugal. Ora, os Filipes eram reis estrangeiros, e foram tolerados porque, principalmente, tínhamos perdido grande parte da Nobreza militar em Alcácer Quibir. Houve trato: manteríamos a independência como Reino e manteríamos as nossas Côrtes. É verdade que desta vez não tivemos santo a apoiar a verdadeira legitimidade, mas já estavam mais que apoiados e transmitidos os princípios sobre os quais podemos dizer sem dúvida que é legítima a expulsão do rei estrangeiro, e legítima a aclamação de D. João IV.

Volto aos Carlistas para lembrar que o mesmo D. Miguel I de Portugal que os apoiou, e com o qual eles concordavam e apoiavam também, era legítimo Rei de Portugal contra a tentativa de usurpação de seu irmão D. Pedro, e que os princípios nos quais a legitimidade deste rei assenta são os mesmos que eles NEGAM em todos os casos anteriores aqui tratados!

Não .... não somos ladrões, não somos rebeldes, não somos desobedientes, como dizem aqueles que sempre tentam contra o nosso! A caridade que os da "hispanidad" nos querem fazer, é de, à nós "ladrões", "desobedientes", rebeldes" converter a... eles!

12/10/14

12 de OUTUBRO - E UMA DATA PROGRAMADA

Nossa Senhora do Pilar
Já por cá foi abordado o tema da chegada de Colon às Antilhas. O dia 12 de Outubro, dia de Nossa
Senhora do Pilar (referência importante), foi também o dia da chegada de Colon, em 1492.

Pedro Alvares Cabral, com 13 embarcações, chegou ao Brasil no redondo ano de 1500, e justamente na oitava da Pascoa (dia 22 de Abril).

Até há bem pouco tempo, todas estas datas podiam ser tomadas apenas por vontade divina. Hoje, perante os dados revelados por documentação original, tais datas não podem ser tomadas de forma tão simples. Portugal já tinha viajado ao Brasil em outras ocasiões, e as Antilhas onde Colon chegou já estavam cartografadas por Portugal, as coordenadas da primeira viagem de Colon já estavam documentadas em Portugal. O estudo da viagem de ida e volta demonstra que Colon conhecia tudo previamente, tanto que no regresso foi directamente para as nossas ilhas (o mesmo que encontrar "uma agulha num palheiro") sem desvio algum.

Tudo indica que as datas destas descobertas foram programadas, e mais: nenhuma delas indica realmente uma descoberta, e Portugal já antes tinha conhecimento do Brasil e das Antilhas (América Central).

Está comprovado que Colon era nobre de sangue, e casou com a Fidalga D. Filipa Moniz de Perestrelo, das comendadeiras da Ordem de S. Tiago. Para o casamento foi dada autorização do Mestre da Ordem, que era o próprio D. João II. Não há qualquer discordância entre os autores nesta matéria, porque se sabe que nunca o Rei poderia ter dado autorização para que uma Fidalga ao seu cuidado casasse com um plebeu. Ficam totalmente excluídas as teses do "Colmbo italiano", "Colon catalão", "Colon galego" e "Colon espanhol". Todas estas teses caídas apareceram como refutações das teses anteriores, e a primeira delas é da o "Colombo italiano". As tese contra a qual nenhum especialista se atreveu, é a do "Colon português", e que possui algumas variantes. Não há mais dúvidas de que Colon era português, e discute-se apenas quem era realmente. A maior das probabilidades aponta para que Colon fosse filho ilegítimo do Rei da Polónia com uma Fidalga portuguesa, o nascimento teria sido em Cuba (Alentejo -Portugal, nome com o qual vai depois baptizar uma das ilhas).

Um adepto ardente da "hispanidad", ao saber que Portugal tinha feito muito secretismo nos seus descobrimentos, teve o descaramento de dizer perante falantes da língua portuguesa e da língua espanhola que: aquela raça de gente que faz muitos secretismos é guiada pelo demónio, porque só o mal oculta o que faz. Mas, infeliz, nunca o ardente senhor perguntou o motivo do secretismo, nem me parece que algum dia nos tenha feito perguntas antes de atacar a civilização Lusa!

Porque Portugal fez tanto secretismo nos seus descobrimentos?!... A reposta é importantíssima, mas não cabe neste artigo, e merece ocasião especial.

Hoje, dia 12 de Outubro, foi o dia em que um português escolheu para Castela chegar à falsa Índia. Enquanto isso, enquanto andaram entretidos por lá, enquanto estava atraída a atenção dos piratas, os portugueses, agora sem perigos, puderam passar tranquilamente para a verdadeira Índia. Por isso, também nós, agradecemos a Nossa Senhora do Pilar que aceitou esta escolha por todos os benefícios obtidos. Sem a chegada de Colon, não teríamos podido ir à Índia nem defendido a África.

Escolheram que fosse este "el dia de la hispanidad"... Não tenho dúvida que é um dia que diz muito sobre Castela.

06/10/14

LEGITIMIDADE DOS FILIPES?

Os Filipes de Espanha não foram legítimos reis de Portugal. A afirmação de que estes teriam sido legítimos apareceu nos ambientes LIBERAIS (a corrente jurídica de inspiração iluminista basta-se com dizer que "legítimo" é tudo o que está dentro da lei emanada por uma "autoridade política"), foi assimilada pelos adeptos da hispanidad (devido às necessidades e situação mitigada da monarquia),  continuou a ser gradualmente aumentada pela maçonaria e república (para "legitimarem" os seus próprios desacatos).

Desculpe-se aos elementos do Integralismo Lusitano pela absorção do erro que aqui se avisa. Este movimento sempre portou deficiências de esperar pelo pensamento da época, e circunstâncias. Por melhor que pudesse ser a intenção, estes movimento e a militância da hispanidad acabam por reflectir determinados defeitos de doutrina, que guardam muito "religiosamente". Guardado e defendido o bem, ficam tais erros defendidos e guardados.

Infelizmente, os arautos da hispanidad julgam que os 3 Filipes foram legítimos em Portugal. Pior: chegam a acham que os Filipes regeram Portugal como integrado na Espanha. De vários adeptos da "hispanidade" tenho ouvido dizer que, nesse tempo, teria havido uma unidade (Portugal integrado na Espanha!), e que teria sido Portugal a quebrar a unidade por rebelião; e aplicam o mesmo a D. Afonso Henriques, como D. João I, e ainda D. João IV. Paremos aqui, que o delírio não é campo onde queiramos entrar de médicos, tratemos apenas de repor o conhecimento onde a ignorância fez estrago. Para alguns dos militantes da "hispanidad" estes reis portugueses não teriam sido legítimos; e para outros deles apenas D. Afonso Henrique foi legitimo, por não lhes permitir o riso dos sensatos contornarem a Bula Papal Manifestis Probatum (23 de Maio de 1179). Portanto... contas feitas, acharão talvez que os Filipes teriam sido os 3 legítimos, e que os outros 3 Reis de Portugal não o teriam sido, e com eles todos os restantes! Os liberais, depois a república e maçonaria, quase dizem o mesmo, com a diferença seguinte: louvam o que acreditam ser "rebelião" dos nossos 3 reis de Portugal, enquanto que os da hispanidad atacam essa inexistente "rebelião" (que parecem querer fazer existente). Por fim, muitos destes assim almejam que Portugal e Espanha sejam UM (excomungue-se o Santo Condestável!!), e mais: que Espanha comande! D. Afonso Henriques é Venerável da Santa Igreja (grau antes de Beato), apoiado pelo muito milagroso S. Teotónio; D. João I, Mestre de Ordem Religiosa de Cavalaria, apoiado pelo Santo Condestável de Portugal (D. Nuno Alvares Pereira, de onde nasceu depois a Casa de Bragança); D. João de Bragança (João IV) foi bem anunciado em visões celestiais (Venerável Irmã Leonor Rodrigues) por Sta. Teresa de Ávila, e quem coloca Portugal aos pés e guarda da Imaculada Conceição, a quem coroa. São estes os "ilegítimos" daqueles que querem fazer "legítimos" aos estrangeiros.

Ora bem.... em Portugal, antes do liberalismo roubar os Tronos da Cristandade (e Portugal foi o último entre todos os Reinos cristãos - 1834), sabia-se que aqueles nosso 3 ilustríssimos Reis não foram rebeldes, mas legítimos e heróis. Este conhecimento prevaleceu naqueles que foram conhecidos em Portugal chamados "absolutistas" (já quando o liberalismo "governava" por todo o lado).

Clarificando:

Como estrangeiros, e por mais sangue português que tivessem, os Filipes não podiam herdar o Trono de Portugal. Principalmente, resignámo-nos a estes reis, por termos gasto parte da Nobreza (batalha de Alcácer Quibir), outra parte em "venda".

D. Filipe, negociou (Côrtes de Tomar): respeitaria a independência de Portugal, ele ficaria à Coroa de Portugal (mantendo ao mesmo tempo a da Espanha), Portugal manteria a suas Côrtes, governação e autonomia. Enfim... um Rei com duas cabeças, em cada qual sua Coroa.

É legítimo aos portugueses tolerarem assim um rei ilegítimo, desde que se mantenha mais alto o dever de tentar devolver rei legítimo ao Trono. Não permite a nossa catolicidade de portugueses fazer propaganda ao tolerável, mas sim ao legítimo.

Filipe II de Espanha, ilegítimo Rei de Portugal
Com os 3 Filipes, houve gradual descontentamento: Portugal ia de inicialmente bem tratado a mal tratado, os espanhóis acabavam por interpretar o nosso como deles, e a situação chegou ao lastimável. A Nobreza há muito se tinha recuperado já das perdas de Alcácer Quibir, e os que se tinham deixado aliciar pelas promessas espanholas não queriam ficar com "cebolas do Egipto". A Casa de Bragança era a mais notável, e D. João, Duque de Bragança o maior dos Senhores, e cerca por sangue. Convergiam as condições para que a Nobreza devolvesse Rei legítimo ao Trono de Portugal - era a hora. Assim, reuniram-se os 40 Fidalgos, assim se orquestrou e fez, assim devolvemos Rei legítimo ao Trono de Portugal. Não houve uma revolução, houve uma REPOSIÇÃO.

Este acontecimento foi no séc. XX aproveitado pelos rebeldes, que o interpretam como revolução: com a finalidade de fazer entender que "agora sim há independência, tal como a tinha havido naqueles tempos de D. João IV", dizem; o mesmo fazem com a fundação de Portugal, e com a subida de D. João I aoTrono.

É verdade que nos tempos de D. João IV ouviu-se falar em "independência", como vemos em alguns escritos da época. Mas isto justifica-se por outros motivos que não os de revolução, ou sequer de suposta dependência oficial a Espanha. A "dependência" não sendo sequer oficial, como sabemos, foi gradual e circunstancial. Ao ripostarem militarmente, os espanhóis ameaçavam já colocar Portugal sob verdadeiro jugo; por isso, a vitória militar portuguesa tinha contado já com esta ameaça (a dependência apenas prática viesse depois a ser oficial, com duros castigos e possivelmente com alterações às Côrtes de Tomar). Por fim, há da nossa parte toda uma propaganda de exaltação depois da subida de D. João IV ao Trono: é notório certo uso dramático de "independência": quanto mais terrível é mostrado o perigo derrotado, mais alta fica pintada a vitória.

Não ousem alguns integralistas, não ousem os liberais-"monárquicos", não ousem os militantes da hispanidad usar o modelo daquela ilegitimidade. Olhai o que aconteceu sempre que fizemos tais unidades, e colocamos espanhóis no mando: qual armada invencível, vencida, onde forçados a lutar contra aliados antigos (camaradas na brilhante batalha de Aljubarrota, contra os castelhanos). Sempre que os espanhóis nos lideram, mais dia menos dia a derrocada dá-se, e é profunda. Por outro lado, quando somos convidados a auxilia-los a vitória é quase certa (veja-se o exemplo da batalha do Salado, ou o auxílio dado por D. Miguel I aos carlistas).

António Sardinha dizia que o nosso costume de ter muita atenção ao que vem de Espanha é exagerado. Mas é preferível o costume de séculos apoiado poe santa gente, e outras provas dadas, do que à opinião acidentada e passageira de um mal-convertido forjado em terra alheia.

15/06/14

CRISTANDADE DEPOIS DE ISABEL DE CASTELA !?

Demovam-se do equívoco aqueles militantes da "hispanidad" que difundem a ideia segundo a qual: depois de D. Isabel de Castela não há mais "cristandade".

"Cristandade" é uma palavra que continuou a ser aplicado depois do séc. XVI, aplicada a situações contemporâneas. Contudo, segundo consta, o conceito de "cristandade" no séc. XIX começa a ser deslocado. É neste século dominado pelas ideias liberais que surge o movimento restaurador da "hispanidad" em salvaguarda da identidade de Espanha (necessariamente católica), contudo o efeito do liberalismo numa Espanha já ocupada não permitiu guardar cada um dos conceitos menos fundamentais para o catolicismo: eis que o conceito de "cristandade" sofreu ligeiro deslocamento! Hoje será muito difícil devolver aos militantes da "hispanidad" a originalidade do conceito "cristiandad", visto que já rios de tinta gastaram para desenhar castelos sobre tão movediço solo. Eis o peso das instituições, eis o peso das manifestações conjuntas, eis o peso das obras publicadas e das famas feitas, coisa que nós, graças a Deus, cá na minha Pátria não teremos nunca de desmoronar para retirar a poeira à verdade arrecadada!

Encontramos "cristandade" e "cristandades" em tantos livros e documentos antes e depois do séc. XVI, todos eles aprovadíssimos pelas autoridades eclesiásticas ou régias, que admira. Assim pergunto-me, se os redactores da "hispanidad" militante estiveram sempre tão longe destes livros!

Trago apenas um exemplo, porque é o mais resumido e paradigmático que conheço: a Historia de La Entrada de La Christiandad en El Japon, y China, y en otras partes de las Indias Orientales: y de los hechos y admirable vida del Apostolico varon de Dios Padre Francisco Xavier de la Compañia de Jesus, y uno de sues primeros Fundadores (Valladolid, 1603) do Padre Horácio Turselino. Veja-se:


Pode dizer o leitor "o livro escreve sobre o que se tinha passado 50 anos antes". Sim, mas a cristandade, ou melhor, as mesmas "crintandades" a que o livro se refere continuaram a existir, e até com mais visibilidade ao tempo em que o livro foi escrito, e depois. Tal como em outros livros do género, e relativos à Índia portuguesa, dizem "cristandades" para apontar as diversas sociedades cristãs nascentes, e o seu desenvolvimento.

Como a Espanha não foi a última resistente ao poderio liberal (liberalismo que gradualmente tomou conta dos Tronos católicos, e foi tomando os Altares), os desenhadores da "hipanidad" retrocederam na história e transferiram a Espanha para as Américas, e nasce assim todo um conjunto de argumentações fantásticas que os leva ao momento dos "descobrimentos" de Colon e à "canonização" da Rainha Isabel de Castela. E de tal maneiras isto lhes agrada que não olham à fragilidade desta construção pueril! Portanto, já que a argumentação não a sujeitam à realidade, têm-se servido da propaganda, da repetição exaustiva, da acusação e calúnia aos outros povos cristãos de grandes feitos, e de todas as meras formas humanas que desde crianças conhecemos!

Há cristandade depois de D. Isabel de Castela!? Claro que sim, claro que houve cristandades várias, e provavelmente o maior exemplo é a criação da Santa Igreja Patriarcal de Lisboa, que foi extinta por exigência de Príncipe D. Pedro (irmão do Rei D. Miguel I de Portugal). Este Patriarcado, unificou todo o território espiritual cristão-luso, revelando-se o maior entre todos os Patriarcados, e o único que foi instituído pela Santa Igreja depois de tão distante ficar a fundação das primeiras comunidades cristãs. Esta unidade espiritual, cristã, e sob uma mesma coroa, é a mesma que os adeptos da hispanidad almejam mas que nunca tiveram. Lamento dizer...

Mas sim, não em todos os Reinos ao mesmo tempo, as cristandades existiram depois do séc. XVI até ao séc. XIX (com a queda do último Reino católico: monarquia tradicional).

08/06/14

PORQUE NO SE CALLAN!?

Alguém se queixou e mostrou, e eu resolvi partilhar...

A comunidade "Bardos de México" (no FB), entre muitíssimas outras comunidades de língua castelhana, difundem continuamente as acções e as ideias orientadas pela cartilha da "hispanidad" (interpretação composta no séc. XIX, e que pretende agregar a civilização espanhola católica - mas não deixa de ser uma recolha humana, falível, com erros que dificilmente serão identificados e assumidos pelos seus adeptos, pelos vistos).

Eis uma das publicações da referida comunidade de adeptos da espanidad:


1 - Abordando os erros mais directos:

O termo "América Latina" deve-se ao denominador comum entre as línguas existentes nas Américas ao tempo de Napoleão III: o português, o francês, e o castelhano. Na América do Norte, a língua inglesa (predominante).

Como a língua francesa estava também na América do Sul, nunca com razão poderíamos aplicar designações como "América Hispânica" ou "Hispanoamérica".


2 - Vícios ideológicos:

a) A eterna polémica de Espanha com tudo o que não seja dela, assim com os vizinhos também. Neste caso, nota-se um atirar de culpas à França por algo inexistente: e há cegueira para com a própria posição da hispanidad (segundo vemos nesta publicidade);
b) Também nos toca, a nós portugueses, e sempre da mesma forma. Se à França atacam assim, a Portugal ignoram e fazem Espanha. Para eles chamar "latino", tomando o nome da língua de origem das três línguas, seria um atentado francês à Espanha, mas colocam Portugal e suas antigas colónias dentro da "Espanha" e do "Hispânico" sem medidas nem consideração à Civilização Lusa.
c) A condizer com as ideologias da hispanidad, nem sequer entendem verdadeiramente "hispânicas" as civilizações de Portugal e Castela, separadamente, e por isso esta publicidade vai pintada apenas com as cores da Espanha!

O meu comentário é: Porque no se callan!?

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Por sugestão de um jovem mexicano que leu este artigo, procederei à tradução do artigo:

(versión castellana)

La comunidad "Bardos de México" (en el FB), entre muchísimas otras comunidades de lengua castellana, divulgan continuadamente las acciones y las ideas proprias de la "catequesis" de la hispanidad (la hispanidad es una interpretación echa en el siglo XIX, una revisión,  a respecto de el conjunto civilizacional español en todos los tiempos - pero no deja de ser un trabajo interpretativo humano, falible, con sus errores y limitaciones: con problemas que difícilmente serán identificados y asumidos por sus adeptos).


Esta es una de las publicaciones de la referida comunidad de adeptos de la hispanidad:(imagen)

1 - Los errores más frontales:

El término "América Latina" se debe al denominador común entre las lenguas existentes en las Américas al tiempo de Napoleón III: el castellano, el francés, y el portugués. Al Norte, la lengua inglesa. Como la lengua francesa estaba también en Sur-América, nunca con razón podrían aplicar designaciones tales como: "Hispanoamérica" o "América Hispánica".


2 - Vicios ideológicos:

a) Parece eterna la cultura polémica, de inspiración castellana, con todos y todas las cosas que no son suyas. Mirando el imagen, vemos como se ponen culpas (en realidad inexistentes) a Francia, y la ceguera e esfuerzo de los adeptos de la hispanidad en la argumentación;
b) Si con Francia atacan de frente con oposición, a Portugal lo publicitan como parte de España. Para los militantes de la hispanidad es una ofensa francesa el término de "latina" (punto común entre 3 lenguas), pero no toman la ofensa real que hacen en usar "hispano" (quitando el francés del grupo de las 3 lenguas);
c) Los adeptos de la hispanidad usan "hispánico" con ambigüedad. Dicen que Portugal hace parte de Hispania, pero los colores y los símbolos usados en el imagen no son colores de Portugal ni símbolos de Portugal, porque hacen como creen: Portugal seria un Reino de la corona castellana!

A todo esto, a ellos, mi comentario es: Porque no se callan!?

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