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20/09/16

BIBLIOTECA ASCENDENS - difusão (IX)

Armas do Cardeal Patriarca de Lisboa D. Tomás de Almeida
(retirado de um dos livros)
(continuação da VIII parte)

[requisição gratuita das obras: ver aqui]

500 - Dedução Cronológica, e Analítica, na qual se manifesta o que sucessivamente passou nas diferentes épocas da Igreja sobre a censura, proibição, e impressão dos livros - Demonstrando-se os intoleráveis prejuízos, que com o abuso delas se têm feito à mesma Igreja de Deus, a todas as Monarquias, a todos os estados soberanos, e ao sossego público de todo o universo... - II Parte (José de Seabra da Silva. Lisboa, ano 1748) [Pt. - 390 páginas]

501 - Dedução Cronológica, e Analítica, e Petição de Recurso ... - I Parte (José de Seabra da Silva. Lisboa, ano 1748) [Pt. - 424 páginas]

507 - Descrição Geral e Histórica das Moedas Cunhadas em Nome dos Reis, Regentes a Governadores de Portugal - II Tomo (A. C. Teixeira de Aragão. Lisboa, ano 1877) [Pt. - 580 páginas]

508 - Do Sítio de Lisboa, Sua Grandeza, Povoação, e Comércio, e Diálogos de Luís Mendes de Vasconcelos, Reimpressos conforme a Edição de 1608. Novamente correctos, e emendados. (Lisboa, ano 1786) [Pt. - 230 páginas]

510 - Diário da Navegação da Armada que Foi à Terra do Brasil em 1530, sob a Capitania-mor de Martim Afonso de Sousa, escrito pelo seu irmão Pero Lopes de Sousa... (Lisboa, 1839) [Pt. - 184 páginas]

511 - Diário da Navegação de Pedro Lopes de Sousa pela costa do Brasil até ao Rio Uruguai (de 1530 a 1532), acompanhada de vários documentos e notas: e Livro de Viagem da Nau "Bretoa" ao Cabo Frio (em 1511) por Duarte Fernandes... (Rio de Janeiro, ano 1867) [Pt. - 137 páginas]

514 - Dicionário Geográfico Abreviado das oito províncias dos Reinos de Portugal e Algarves .... (Pedro José Marques. Porto, ano 1853) [Pt. - 319 páginas]

522 - Divindade de Jesus e Tradição Apostólica... (Camilo Castelo-Branco. Porto, ano 1883) [Pt. - 210 páginas]

523 - Documentos Arábicos Para  História Portuguesa Copiados dos Originais da Torre do Tombo ... (Fr. João de Sousa. Lisboa, ano 1790) [Pt. - 214 páginas]

525 - Documentos Àcerca do Trafico da Escravatura Extraídos dos Papeis Relativos a Portugal Apresentados ao Parlamento Britânico (Lisboa, ano 1840) [Pt. - 115 páginas]

526 - Cartas do Padre António Vieira da Companhia de Jesus... - III Tomo (Lisboa, ano 1746) [Pt. - 480 páginas]

532 - Documentos Relativos a Mem de Sá, Governador Geral do Brasil (Rio de Janeiro, ano 1906) [Pt. - 177 páginas]

536 - O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha - II Tomo (Miguel de Cervantes. Lisboa, ano 1794) [Pt. - 330 páginas]

537 - Reys de Portugal Desde 1035 (Deliniavit - Ignacio de Oliveira: Sculptor - G. M. Rosseau - ano 1736) (Lisboa) [Pt. - 27 páginas coloridas]

540 - Elementos da Civilidade e da Decência, Para Instrução da Mocidade de Ambos os Sexos... (Lisboa, ano 1801) [Pt. - 350 páginas]

542 - Elogios dos Reis de Portugal, em Latim e em Português, Ilustrados de Notas Históricas e Críticas... (António Pereira de Figueiredo. Lisboa, 1785) [Pt. - 330 páginas]

544 - Eneida Portuguesa, que contém os últimos seis livros de Virgílio - II Parte (João Franco Barreto. Lisboa, ano 1761) [Pt. - 430 páginas]

545 - Enganos do Bosque, Desenganos do Rio, em que a Alma entra perdida, e sai desenganada... (Pe. Francisco da Costa. Lisboa Ocidental, ano 1736) [Pt. - 330 páginas]

565 - [mapa do Brasil; séc. XVIII]

566 - [mapa de Portugal e Espanha; ano 1808; 12 páginas coloridas]

574 - O Bom Dia Para os Homens de Bem, .... ao Muito Alto e Muito Poderoso Senhor D. Miguel I ... (José Daniel Rodrigues da Costa. Lisboa, ano 1828) [Pt. - 16 páginas]

578 - A Legitimidade da Exaltação do Muito Alto, e Muito Poderoso Senhor D. Miguel Primeiro, Ao Trono de Portugal, Demonstrada por Princípios de Direito Natural, e das gentes. (Filipe Neri Soares de Avelar. Lisboa, ano 1828) [Pt. - 48 páginas]

579 - Fala do Bispo de Viseu no Auto do Juramento, que ElRei Nosso Senhor D. Miguel I Prestou e Recebeu dos Três Estados do Reino, na Cidade de Lisboa. aos 7 dias de Julho de 1828. [Pt. - 3 páginas]

580 - El Judio en el Misterio de la História - Stat Veritas (Pe. Júlio Meinevielle) [Esp. - 60 páginas]

585 - Revolución y Contra-Revolucioón (Plínio Correia de Oliveira) [Esp. - 233 páginas]

588 - En Qué Quedamos? Son o no Son Deicidas los Judios? (David Nuñez. Buenos Aires, ano 1967) [Esp. - 157 páginas]

591 - A biblioteca perdida de Jorge Cardoso (+1669) e a biblioteca do Agiológio Lusitano. (1997) [Pt. - 28 páginas]

596 - Esmeraldo de Situs Orbis (Duarte Pacheco Pereira. Lisboa, ano 1892) [Pt. - 188 páginas; este é um documento reeditado, e que Duarte P. Pereira tinha entregue a D. Manuel]

610 - Crónica DelRei D. João I de Boa Memória e dos Reis de Portugal ... - I Parte (Fernão Lopes. Lisboa, ano 1644) [Pt. - 400 páginas de cor]

(continuação, IX parte)

28/02/16

D. TOMÁS DE ALMEIDA, I CARDEAL PATRIARCA DE LISBOA (27 de Fevereiro de 1754)

Túmulo de D. Tomás de Almeida (igreja de S. Roque - Lisboa)
"Há 262 anos, a 27 de Fevereiro de 1754, morreu D. Tomás de Almeida, primeiro Cardeal-Patriarca de Lisboa.
Para além deste importante cargo, D. Tomás de Almeida foi igualmente deputado do Santo Ofício, cavaleiro professo da Ordem de Cristo, chanceler-mor, secretário de Estado, Bispo de Lamego, escrivão da puridade e Bispo do Porto.
Devido à proximidade que manteve ao longo da vida com a Companhia de Jesus, em testamento deixou escrita a sua vontade de ser sepultado junto da ordem. Foi sepultado na Igreja de São Roque, em lugar de destaque, frente ao altar-mor." (Museu de S. Roque)

17/04/14

BREVE NOTÍCIA DA SAGRAÇÃO DA REAL BASÍLICA DE MÁFRA (I)

D. João V
"No dia 18 de Outubro chegaram a Mafra os cardeais da Cunha e da Mota, os bispos de Leiria, Portalegre, Pará e Nankim, em coches de aparato, seguidos de larga criadagem e de muitas azémolas carregadas e cobertas com reposteiros bordados.

A 19 chegaram o Rei, o Príncipe do Brasil D. José e o Infante D. António, em coches sumptuosos, acompanhados pelos criados da Casa Real. A 20 entrou na vila o Patriarca num coche riquíssimo, ao qual seguiam o de estado e mais quatro com os seus criados.

No dia 21, de manhã, o deão da Sé Patriarcal, revestido de capa de asperges e com mitra encarnada, entre o Rei e a Família Real, realizou a benzedura dos paramentos e das peças litúrgicas, assim como dos paineis dos altares laterais. A seguir, benzeu o convento com todas as suas dependências - noviciado, refeitórios, dormitórios, celas, etc.

À tarde na capela do Hospício, fizeram os arrábidos, com a presença do Rei e da Côrte, as Vésperas da dedicação da basílica, às quais se seguiu uma procissão até à mesma; ao seu desfile assistiu o Rei e a Família Real da varanda De Benedictione.

À noite, numa sala do palácio régio armada em capela, sigilou o Patriarca as relíquias dos Apóstolos e Evangelistas que no dia seguinte devia colocar no altar-mór. Depois, cantaram-se as Matinas dos Apóstolos, com a presença do Rei e da Família Real, que a seguir foram ouvir as do Hospício, cantadas desde a maia noite até às três da madrugada. Este diligentíssimo e fervoroso zelo devoto do monarca deu provas de admirável resistência durante os oito dias seguintes.

Real Convento de Mafra
No dia 22, o 1º da sagração, as funções religiosas começaram às 7 horas da manhã e só às 3 da madrugada tiveram fecho.

No terreiro, cortado por uma rua toldada com panos de brim para passar a procissão, postrou-se em forma, às 5 horas da manhã, a tropa, composta de cavalaria e infantaria. às 6 horas ingressaram os frades no seu convento, onde já estava o Rei com os Príncipes, os quais assistiram à Missa rezada na Sala de Benedictione, depois da qual João V deu beija-mão à Côrte por ser esse dia o seu natalício. Pelas 7 horaschegaram a Rainha, a Princesa, os Infantes D. Pedro e D. Fransicso. Daí a meia hora surgiu a procissão, debaixo de cujo pálio ia o Patriarca com magnífico pluvial branco e mitra recamada de pedras preciosas, seguido pelo Rei, pelas altezas e pelos difalgos da Côrte, cobertos de galas custosas, à compita. Primeiro, o Patriarca deu beija-mão; depois, cantadas uma antífona e a Ladainha de todos os santos, benzeu o sal e a água.

Enquanto fez a aspersão em si próprio, nas pessoas reais, nos eclesiásticos e no povo, cantou-se a antífona Asperges Me.

A disposição do vestíbulo, cujo pavimento estava alcatifado, era esta: À esquerda, sobre 4 degraus, o trono patriarcal com cadeira e docel de tela branca e o do Rei e das altezas com cadeiras e docel de veludo carmesim guarnecido de oiro. Defronte, encostados aos arcos, bancos de espaldares, cobertos de razes, para os cónegos e bancos razes, cobertos também de razes, para os beneficiados. Ao fundo, lado meridional, a tribuna da Rainha, da Princesa do Brasil e das suas damas, À direita uma credência com várias peças: caldeirinha, isope, aspersórios, jarros e pratos, de prata doirada, e sal moido, sobre um escabélo um grande vaso de prata, em concha, com água. Junto dos degraus da porta e sobre uma credência ficava o cerimonial e defronte, o faldistório.

Findo o sobredito acto, ordenou-se novamente a procissão, levando cada beneficiado um castiçal com vela acesa. Durante o rodeio da basílica aspergiu o Patriarca as suas paredes com água benta. Chegada à porta nela bateu o mesmo três vezes com o báculo dizendo "Attolite portas principes vestras...", ao que o diácono do interior respondeu "Qui est iste Rex gloriae?". Retorqui o Patriarca "Dominus fortis et potens inpraelio."


Por mais duas vezes andou a procissão à volta da igreja e bateu à sua porta o Patriarca. À terceira, porém, respondeu ele e todo o clero: "Dominus virtutum ipse est Rex gloriae", dizendo depois em triplicado "Aprite". Então se abriu a porta. Antes do ingresso fez o Patriarca uma cruz com o báculo acompanhada da frase "Ecce crucis signum, fugiat fantasmata cuncta".

Pela nave estavam distribuidos, a distâncias iguais e formando cruz, montículos de cinza, sobre os quais o Patriarca gravou os alfabetos grego e latino, com as letras recortadas em papelão, com o báculo.

Na capela-mór estavam dois tronos, à esquerda, um para o Rei e a Rainha, o outro para o Patriarca. Fronteiras, do lado da epístola, ficavam duas grandes credências - uma com incenso em grão e moído, e sal, em pratos de prata doirada, aspersórios, uma garrafa de prata com vinho branco, duas bandejas com cal e pó de pedra, outra vazia para nela se fazer as argamassa, pratos de prata com o avental para o Patriarca, toalhas para limpar o altar e três velas pequenas, uma taça de prata para a água benta, algodão para limpar os óleos das sagrações; a outra com os castiçais do altar, turíbulos e navetas, caldeirinhas e isopes, de prata, tudo disposto segundo as rúbricas do pontifical romano.

Chegado ao altar-mór o Patriarca benzeu a àgua, a cinza, o vinho e o sal, desceu depois até à porta da basílica e nela com o báculo riscou duas cruzes. Voltando ao altar-mór por sete vezes o rodeou enqaunto cantava o salmo Miserere e o aspergia de água benta. Passou depois a rodear três vezes a basílica, como fizera no exterior, aspergindo-lhe as paredes com a dita água. Aspergiu também o pavimento, em cruz, desde o altar-mór até à porta.

Cantada a antífona Vidit Jacob, de novo aspergiu o chão e o ar, lançando a água na direcção das quatro partes do mundo.

A seguir, pôs o avental e fez o cimento.

Todas estas cerimónias acompanhou atentamente o Rei por um pontifical romano, verificando, como entendido namatéria, que não lhe faltava um gesto, uma palavra.

Posto isto, formou-se novamente a procissão para ir buscar à capela do palácio as relíquias lá depositadas. Assentes estas pelo Patriarca em andor, outra volta à igreja executou o préstito. Depois, todos a póstos nos seus lugares, pronunciou o Patriarca uma elegante e piedosa prática àcerca das excelências dos templos sagrados, lembrando ao Rei, como fundador deste, a obrigação de o dotar a preceito para sua conservação e para subsistência dos seus ministros, os bons frades arrábidos, e lembrando a estes o dever de rogar a Deus pela saúde e pelo feliz aumento de Sua Majestade. Tal pratica foi a meio interrompida pelo 1º diácono com a leitura adequada de dois decretos do concílio tridentino, os quais proibiam, sob graves penas, defraudar os bens eclesiásticos e ordenavam o pagamento dos dízimos à Igreja. Respeitosamente, o Rei de pé ouviu toda a pia exortação.


Fez-se, depois, o benzimento do altar-mór, acto de grande complexidade de cerimónias: antífonas, salmos, unções de óleos santos, aspersões de água benta, incensções, et. Sagrou, também, o Patriarca, as cruzes do altar-mór, do cruzeiro e da nave, e no meio do altar meteu uma caixa de prata dourada com as relíquias dos Apóstolos.

Eram cinco horas da tarde quando acabou esta parte da sagração. Mas ninguém arredava de cansado.

Começou, então, a Missa de Pontifical, que foi cantada com extraodinária imponência, quer pelo precioso dos paramentos quer pela qualidade de sacerdotes e qualidade de cantores. Estes eram os da Patriarcal, vindos de Roma por escolha. O acompanhamento musical era feito pelos seis órgãos. no exterior, os sinos das torres repicavam estrondosamente.

No seu final, o Patriarca subiu à varanda De Benedictione e dali lançou ao povo, que enchia o terreiro, a benção. Depois, eram 7 1/2 horas, retirou-se para descançar, mas o Rei continuou firme no seu posto.


Àquela hora entram no coro os frades para cantar Sexta e Noa, depois do que passaram ao refeitório (não era sem tempo) seguidos pelas Pessoas Reais e pela Côrte. Aí, a iluminação era feita por 30 candieiros de latão de 4 lumes cada um. Antes de se sentarem, cantaram a benção da mesa. Quando sentados, entoou o leitor o 1º ponto da leitura oportuna, depois da qual o Provincial deu o sinal para se servir. Então se viu um espetáculo tanto mais admirável e assombroso de piedosa humildade quão menos esperado. O Rei, o Príncipe D. José e o Infante D. António, depostos chapeus e espadins, começaram a servir os frades, conduzindo os pratos em tábuas redondas apropriadas. À ordem régia, para rápido despacho do serviço, imitaram-nos os Condens de Assumar, de Aveiras, de S. Miguel e de Povolide. Isto causou grande perturbação nos espíritos dos frades, pois ao abatimento da soberania em tão grande acto de humildade se juntava o da mortificação no distribuir tantos pratos, porque eram 320 os convivas.

Acabado o repasto, voltou a comunidade ao coro, cujos cadeirais tinham sido colocados durante esse intervalo, apezar de tal trabalho, a que deu seguro despacho o engenho do italiano Tadeu Luís, mestre da carpintaria, ser considerado quase impossível. Neles também se sentaram as Pessoas Reais. E aí, em descanso, estiveram todos desde as 9 às 11 horas, que este foi o tempo gasto por Frei Fernando da Soledade, ilustre cronista franciscano da Província de portugal, com o seu erudito e substancioso sermão, alumiado por 320 velas. Seguiu-se ao mesmo as Vésperas da dedicação da basilica e, depois, as Completas. À função, porém, ainda faltava o coroamento, que lhe foi dado pelas Matinas de S. João Capistrano, cantadas pela comunidade desde a meia hora às três da madrugada. Só então o Rei e os seus familiares regressaram ao palácio para dormir.

No 2º dia do oitavário ou da sagração foi celebrante o Bispo de Leiria, que sagrou as capelas da Coroação da Virgem e da Conceição. A Fr. José de Beringel, da província da Piedade, coube o sermão.


No 3º sagrou o Bispo de Portalegre as capelas da Sagrada Família e de S. Pedro de Alcântara. Foi pregador o Rev. Fr. Manuel de S. Nicolau, da Província dos Algarves.

(continuação, II parte)

15/04/14

SAGRAÇÃO DA BASÍLICA DE MÁFRA - OS ASSISTENTES


FAMÍLIA REAL

"D. João V - Rainha Maria Ana de Áustria - D. José, Príncipe do Brasil - D. Mariana Victoria, Princesa do Brasil - Infantes D. Pedro, D. Francisco e D. António.


CLERO SECULAR

Cardeal Patriarca de Lisboa e Capelão-mór do Rei D. Tomás de Almeida - Cardeal Inquisidor-mór D. Nuno da Cunha e Ataíde - Cardeal D. João da Mota - Bispos de Leiria, Portalegre, Pátara, Nankim - Nuno da Silva Teles, ex-Reitor da Universidade de Coimbra - D. José Francisco de Sales da Câmara, D. Gonçalo de Sousa Coutinho, - D. Cristóvão de Melo, D. Lázaro Leitão Aranha, D. Pedro de Menezes, D. António de Lencastre, Cónegos Presbíteros.

Acompanhou este clero o seguinte pessoal: 3 diáconos, 4 sub-diáconos, 9 mestres de cerimónias, 4 penitenciários, 12 acólitos patriarcais, 22 cantores, 6 organistas, 14 moços de sacristia, 8 porteiros da massa, 26 músicos italianos, 8 cursores, 12 armadores, 6 varredores, 10 fachinas, além dos capelães, estribeiros, pajens, criados, guarda-roupas e ajudantes da câmara dos Cardeais.

A maioria deste clero secular, contavam-se copiosos priores, reitores e vigários, com suas comitivas.


NOBREZA

Duque de Cadaval,Estribeiro-mór - Marquês de Marialva, Cascais, Abrantes, Camaristas - Condes de Assumar e Povolide, Camaristas - Diogo de Mendonça Corte Real, Secretário de Estado servindo de Mordomo-mór - Conde de Santiago, Aposentador-mór - D. Francisco Xavier Pedro de Sousa e Rodrigo de Sousa Coutinho, Védores - José de Melo, Porteiro-mós - Conde de Castelo Melhor, Resposteiro-mór - O Conde Copeiro-mór - Fernão Teles da Silva, Monteiro-mór - Conde de Pombeiro, Capitão da Guarda Real - D. Abade de Alcobaça, Esmolér-mór - D. António Alvares de Cunha, Trinchante-mór - João Gonçalves da Câmara, Almotacé-mór - Duque de Lafões - Marqueses de Nisa, Almirante-mór, e de Monsanto, de Santiago (filho), de S. Vicente, da Ribeira Grande, de Óbibos, de Val dos Reis, da Calheta, de Tarouca, dos Arcos, de Villa Flor (filho), de Unhão, das Galveias, de Soure (pai e filho), de Catanhede, da Ericeira - Conde-barão de Alvito - Viscondes da Barbacena e de Ponte de Lima (avó, genro e neto) - Nuno da Silva Teles - D. Rodrigo de Noronha - Rodrigo César de Menezes - Carlos Carneiro de Faro - D. Sancho Manuel de Vilhena - D. Jorge de Menezes - D. João da Costa - D. António da Silveira - D. Luís Botelho - Luís Gonçalves da Câmara - Manuel Freire de Andrade, Coronel de Peniche - Gomes Freire de Andrade, Sargento-mór de cavalaria - Gonçalo Pires Bandeira, Coronel de cavalaria - Álvaro José de Serpa e Manuel Nunes Leitão, Tenentes-coroneis, etc.

Acompanhou a Côrte o seguinte pessoal: moços da Câmara, moços da Guarda-roupa, Reposteiros, criados particulares, porteiros da cana, varredores, moços da prata e de estribeira, das ucharias e coisinhas e das cavalariças, cujo número foi de 742.


CLERO REGULAR

Da Ordem Seráfica: 6 membros da província de Portugal, 4 da da Piedade, 5 da dos Algarves, 4 da de Santo António, 4 da de Soledade, 4 da da Conceição, 2 da Ordem Terceira, 350 da Arrábida. Dos Cónegos Regulares de Sto. Agostinho, 2 membros; da Congregação de S. João Evangelista, 2; do Oratório, 2; da Divina Providência, 2; dos Ermitas de Sto. Agostinho, 6; dos Agostinhos descalços, 3; de S. Bento, 2; de S. Bernardo, 4; de S. Bruno, 4; dos carmelitas calçados, 2; de S. Domingos, 3; de S. Jerónimo, 5; de S. Paulo Ermita, 2; da Santíssima Trindade, 6. Fora este mais 10 religiosos sem província em Portugal."

(Monumentos de Portugal - Mafra. João P. F.. Porto, 1933)

01/03/14

APONTAMENTOS A RESPEITO DO PATRIARCADO E PATRIARCAL DE LISBOA

D. Tomás de Almeida,
I Cardeal Patriarca de Lisboa
Depois de uns dias de desaparecimento, volto de novo.

Como me acabam de pedir informação histórica sobre o Patriarcado de Lisboa, e do Patriarca, ao que respondi que não lembro nenhum livro que trate do assunto (embora haja), comecei a procurar alguma coisa aqui nos meus arquivos... Encontrei unas páginas curiosas que, embora não sejam bem o que procurava, achei merecerem dá-las a vós leitores.

"No I de março do referido ano [1710]erigiu por constituição do pontífice Clemente XI a sua Real Capela em insigne Colegiada, com o título de S. Tomé Apóstolo, e condecorada com grandes prerrogativas, instituindo-lhe 6 Dignidades, 18 Cónegos, 12 Beneficiados, além de outros ministros subordinados ao Capelão mor, como seu próprio Ordinário, e lhes estabeleceu para côngrua e sustentação 12:550$560 réis, de forma que ao Deão competia 400$000 réis, a cada uma das Dignidades 300$000 réis, a cada um dos 18 Cónegos 300$000 réis, a cada um dos doze Beneficiados 150$000 réis e a cada um dos Mansionários 80$000 réis; assim tomaram posse a 16 de Maio de 1710." (Fr. Cláudio da Conceição: Gabinete Histórico, vol. X. pag. 137)

"Construida a insigne Colegiada de S. Tomé, passou ElRei a condecorar os seus Ministros com um habito coral distinto do antigo, ordenando que os Cónegos pudessem trazer sobre o roquete capa magna roxa com capelo forrado de peles brancas de arminho em tempo de inverno, isto é - desde véspera de Todos os Santos até Sábado de Aleluia; e no verão usariam das mesmas capas forradas de seda encarnada: e os Beneficiados trariam também capa roxa com capelo forrado de peles cinzentas, no tempo do inverno, e no verão andariam com a mesma capa, e capelo forrado de seda roxa, acrescentando mais a cada Cónego 100$000 réis, e a cada um dos Beneficiados 50$000 réis."

"Toda esta abundância de graças e honras, com que o magnânimo Rei D. João V engrandeceu a sua Real Capela, ainda se não proporcionava com o dilatado do seu pio e régio coração, e assim obtendo da Santidade de Clemente XI a Bulla Aurea [bula de ouro], que começa: In supremo Apostolatus solio, expedida em 7 de novembro de 1716, fez exaltar a sua insigne Colegiada em Catedral Metropolitana e Patriarcal com a invocação de Nossa Senhora da Assumpção, dividindo para este efeito esta cidade e seu Arcebispado em duas partes [Lisboa Ocidental, e Lisboa Oriental], estabelecendo na parte ocidental um Patriarca, a quem uniu a dignidade de Capelão mor com distinta jurisdição da metropolitana, o qual como Patriarca ficou superior a todos os Arcebispos, e Bispos do Reino, e ainda ao de Braga [Arcebispo Primaz das Espanhas]. (... ao Patriarca de Lisboa cabia andar vestido assim:) em habito purpúreo à maneira de Arcebispo salisburgense, Primaz da Alemanha, e outros tantos privilégios e proeminências, unindo-lhe também as honras e tratamento de Cardeal, que lhe mandou dar por decreto de 17 de fevereiro de 1717. (...) o Papa Clemente XII não só o elevasse àquela dignidade [de Cardeal], como elevou por bula de 27 de dezembro de 1737, que começa Inter praecipuas Apostolici ministerii; mas pela mesma estabeleceu para sempre que a pessoa que fosse preconizada Patriarca de Lisboa, fosse logo criada Cardeal no consistório imediatamente seguinte. Para tal fim conseguiu do património Real e do rendimento das quintas das Minas-Geais para sustentação magnífica do Patriarca e seus sucessores, em perpétua doação, todos os anos 220 marcos de ouro, e o grande rendimento da Lezíria da Foz de Almonda, para que sem prejuízo dos pobres, pudesse luzir com esplendor em tão alta dignidade. E prosseguindo na aplicação da nova Catedral, criou nova Dignidade e Cónegos para formarem um respeitoso Cabido, enchendo-os de grandes autoridades e honras, além das que o papa Clemente XI lhes outorgou pela constituição Gregis Dominici, de 3 de janeiro de 1718. Continua a exercitar novas grandezas que já pareciam impossíveis à imaginação, e somente sondáveis e factíveis à dilatada esfera da sua ideia. Tornou a unir as duas cidades [Lisboa Ocidental, Lisboa Oriental] numa só, e por constituição do Papa Bento XIV passada em 13 de dezembro de 1740, e que principia Salvatoris nostri, fez abrogar e extinguir a antiga Sé de Lisboa Oriental, incorporando e estabelecendo uma só Igreja Patriarcal com omnimoda jurisdição metropolitana; e para que as suas dignidades se distinguissem mais especificamente, erigiu um excelentíssimo Colégio de 24 Principais com hábito cardinalício, e 72 Prelados ou Ministros de habito prelatício, divididos em várias hierarquias, a saber - prelados Presbíteros com insígnias episcopais, e exercício de pontifical, Protonotários, Subdiáconos e Acólitos, 20 Cónegos, 12 Beneficiados de 700$000 réis, 32 Beneficiados, 32 clérigos Beneficiados e outros mais ministros da Igreja Patriarcal." (Pe. João Baptista de Castro em Mapa de Portugal, vol. III. pag 183. Lisboa 1763)

"O Rei doou ao Patriarca, além das rendas eclesiásticas, outras muitas para a mantença de seu estado com lustre e grandeza. Quando ainda o Patriarca era Bispo do Porto, deu-lhe D. João V 24 criados de sala, que se apelidavam da sua guarda, com vestidos de pano roxo, guarnecidos pelas costuras e agaloados de ricos passamanes de veludo lavrado carmesim, os quais, quando o Patriarca saia do Estado, levavam umas capas compridas do mesmo pano, abandadas e agaloadas de veludo carmesim, cabeleiras grandes, e voltas: tinha mais 24 creiados das cavalariças, que também acompanhavam o Estado, mas sem capas, vestidos do mesmo pano roxo, guarnecido e agaloado, e todos com meias encarnadas: e mais 2 criados chamados da Cruz, que acompanhavam o Cruciferário, um a cada estibo da mula branca, um estribeiro e um viador. Tinha mais ao seu serviço 12 clérigos, que se apelidavam Capelães, e 12 gentis-homens seculares, os quais entravam de serviço às semanas, e vestiam de seda roxa, loba e sotaina de mangas caídas, e ainda havia mais 24 de ambas estas classes supra numerários, os quais só tinham obrigação de esperarem o Patriarca, ou na Patriarcal, ou assistir às funções patriarcais. E além deste pessoal ainda tinha um secretário do expediente, um esmoler, e muitas mais pessoas do seu serviço. Com estes familiares numerosos saia do estado no seu coche riquíssimo de veludo carmesim, agaloado de ouro por dentro, e tendo no tejadilho, na parte interna, o Espírito Santo, fabricado de ouro, à imitação do que usa o Papa. Os cocheiros eram também como os do Papa, vestidos com calções largos cobertos de ouro, vestias encarnadas todas tecidas de ouro, e por cima destas outras de mangas perdidas, com vários cachos de ouro pelos ombros, volta bordada, cabeleiras grandes, botas encarnadas, e as joelheiras cacheadas com umas rendas finíssimas; montados em selas encarnadas, e os arreios da mesma cor e tecidos de ouro. Seguia-se a liteira do Estado, também muito rica, e depois quatro coches conduzindo os seus familiares, puxados cada um deles por seis cavalos russos bem ajeazados, levados pela rédea por outros tantos criados. E num coche iam sempre nestas ocasiões quatro Desembargadores da Relação Patriarcal." (Ribeiro Guimarães, Summario)

"E para que não só as obras, mas as vozes chegassem ao céu com pura e suave harmonia, sem mistura de sinfonias profanas, mandou vir de várias províncias da Itália os melhores músicos com grosso estipêndios, de que formou um coro especial e grave dos mais selectos cantores. Fez também guarnecer a torre da igreja de muitos e harmoniosos sinos. Constava ela de dois andares de sineiras: o primeiro tinha duas em cada lado, em que havia 8 sinos; no segundo andar havia quatro sineiras; porém o sino grande tomava todo o vão do meio, de sorte que se via por todas as quatro partes, e se sustinha em madeiras, que não tocavam nas paredes da torre. O primeiro sino pesa 800 arrobas, e toca nas festas de I classe e nas exéquias das Pessoas Reais, Patriarcais, Cardeais e Principais: o segundo pesa 152 arrobas; toca nas de II classe e dobra aos Fidalgos titulares, Monsenhores e Cónegos; o terceiro tem 110 arrobas, e toca nas exéquias dos Beneficiados; o quarto, 87 arrobas e toca pelos Capelães; o quinto 77 arrobas e toca pelos Sacristas; o sexto, 35 arrobas; o sétimo, 29 arrobas; o oitavo, 25 arrobas; o nono, 22 arrobas; a garrida, 2 arrobas. Havia outra torre chamada do Relógio, separada da Igreja Patriarcal, cujos sinos tocavam nos seguintes dias: Dia de Reis, S. Vicente [padroeiro de Lisboa], Sábado e Domingo do Espírito Santo, Corpo de Deus, (só à procissão), Conceição e Natal. Era ténue para este monarca toda a profusão que se empregava no culto da Igreja, para cujo ornato mandou também fazer e conduzir de todas as partes do mundo os adornos, adereços e alfaias mais preciosas. Entre elas são dignos de especial memória os nove riquíssimos castiçais, e maravilhosa cruz de exequista e nova invenção, que mandou fabricar a Roma e a Florença, no ano de 1732, pelo desenho e artifício do famoso António Arrighi Romano, cuja primorosa e incomparável arquitetura excedeu a importância de 300 mil cruzados. Toda a máquina de prata excelentemente dourada, que formava a grande cruz se levantava na altura de 17 palmos desde a planta do pé, de figura quadrangular, que tinha três palmos e meios de diâmetro. Viam-se distribuídos com admirável simetria pelas bases e balaústres, assim da cruz como dos castiçais, muitos símbolos, hieroglíficos e génios, querubins e estátuas, umas de vulto, outras de meio relevo, com diferentes acções, que aludiam com propriedade aos mistérios de Cristo e de Maria SS., outros caracterizavam a magnificência da Santa Igreja Patriarcal, outros o Império da Majestade Portuguesa no Reino e suas conquistas; porém tudo guarnecido com muitos e polidos festões da mesma prata dourada, com muitas tarjas e quartelas de perfeitíssimo laizs lazuli, com muitos engraçados esmaltes e embutidos de epigrafes e diamantes preciosíssimos. (Pe. João Baptista de Castro em Mapa de Portugal)

19/03/13

PARTICULARIDADES DO BRASÃO DO PAPA FRANCISCO (I)

Peço desculpa aos leitores pela carência de artigos mais importantes nestes últimos dias. Em breve voltaremos à "normalidade".

Saiu hoje o brasão do Papa Francisco, brasão com particularidades que não serão explicadas pela Santa Sé.

Até ao momento, Bento XVI foi o primeiro e único Papa que havia substituído a tiara papal por uma mitra de três níveis no seu brasão. Contudo, a mitra de três níveis é própria apenas para o uso do Patriarca de Lisboa (não como mero símbolo de brasão).

O Cardeal Patriarca de Lisboa António Cerejeira
Mitra dos Patriarcas de Lisboa
Para além dos Patriarcas de Lisboa terem esta "mitra do Patriarca de Lisboa", "mitra tiara", ou "mitra patriarcal de Lisboa", o seu brasão têm tiara e é ladeado de uma palma e um ramo de carvalho (os três símbolos do Patriarcado de Lisboa:

Brasão de D. Tomás de Almeida, I Patriarca de Lisboa (séc. XVIII)
Em 1963, o Papa Paulo VI abandonou a tiara papal, e em 2005 Bento XVI cria o seu brasão sem tiara papal mas com a mitra de três níveis. A actitude de Paulo VI não foi uma forma de negar aos pontificados vindouros a coroação papal, porque diz na Constituição Apostólica "Romano Pontifici Eligendo":  "o Romano Pontífice será coroado pelo Cardeal Proto-diácono e, no momento oportuno, irá tomar posse na Arquibasílica Patriarcal de Latrão, de acordo com o ritual prescrito" (Romano Pontifici Eligendo, Paulus VI, 1975).

Certo é que, desde Paulo VI, ainda nenhum Papa se submeteu ao uso da tiara. Bento XVI ainda foi encorajado com a oferta de uma tiara, oferta que muito dificilmente se repetirá no pontificado do Papa Francisco. É que depois do Concílio Vaticano II a linha de orientação é a de fragilizar certos pontos da doutrina fundamental da Igreja, neste caso o significado do Papado, e o Papado em si mesmo. Tende toda esta linha para uma certa democratização do poder, transformando uma monarquia "absoluta" numa monarquia parlamentar, ou até numa república.

O Papa Francisco nega-se até hoje a conotar-se como Papa, afirmando-se como mero Bispo de Roma, um "primus inter pares", portanto: isto dá ainda mais corpo às condenadas doutrinas que vão contra o sentido católico de "Papa", em outras palavras, uma anulação prática do Concílio Vaticano I (reforçada pela mediática e suposta "humildade" ao gosto do mundano.

Apresentação do brasão de Francisco
Os leitores não tenham dúvidas: a corrente de pensamento do pós-concílio está a operar lentamente as suas ideologias a respeito do Papado já condenadas pela Igreja.
Basta de dizer por todos os lados que "é por humildade".

"1823. Se, pois, alguém disser que o Apóstolo S. Pedro não foi constituído por Jesus Cristo príncipe de todos os Apóstolos e chefe visível de toda a Igreja militante; ou disser que ele não recebeu directa e imediatamente do mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo o primado de verdadeira e própria jurisdição, mas apenas o primado de honra – seja excomungado." (Concílio Vaticano I)

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