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02/08/16

O MASTIGÓFORO - PASTORAL DO BISPO DE TREGNIER

Fragmento da Pastoral do Bispo de Tergnier
"Quando o primeiro, e mais esclarecido trono do Universo, está comovido até aos seus alicerces, quando os movimentos convulsivos da Capital se fazem sentir nas províncias mais remotas dão Império Francês, será permitido a um Bispo o guardar silêncio?... Houve um tempo em que o amor dos Franceses aos seus Reis não conhecia limites; bem longe de procurarem discutir, ou contestar, ou ainda menos limitar os direito, e prerrogativas da Coroa, nossos pais folgavam de multiplicar os testemunhos de seu zelo, de sua obediência, e de sua devoção ao Monarca. Ah! meus caríssimos irmãos, quão diferente é agora do que já foi, essa Monarquia Francesa! Os príncipes de sangue Real, fugitivos nas nações estrangeiras, a disciplina militar enervada, o Cidadão armado contra o Cidadão, um sistema de independência, e de insurreição apresentado com arte, recebido com entusiasmo, sustido pela violência; todos os mananciais do  crédito nacional interceptados, ou secos, o Comércio definhando-se, as Leis sem força, e sem vigor, seus depositários dispersados, ou reduzidos a silêncio, o nervo da autoridade em poder da multidão; todas as classes de Cidadãos confundidas, a vingança sequiosa de sangue, aguçando os seus punhais, designando as suas vítimas, praticando os seus furores homicidas; tais foram os triunfos monstruosos desses homens perversos, que abusando dos talentos, que lhes dera a natureza para melhor uso, sopraram na França o espírito da independência, e da anarquia. Praza aos Céus, que essas produções internais, e que os planos de regeneração que aí se contêm, sejam sumidos no nada, donde nunca deveriam ter saído.
Conservamos as nossas leis antigas; são elas a salva-guarda de nossas propriedades, de nossas pessoas, e de nossa glória. O vício do Governo Francês não está nas Leis que são boas, está nos costumes públicos, que são depravados. Conservemos as nossas Leis, e reformemos os nossos costumes. Nada há mais perigoso que insultar as Leis antigas, referi-las à simplicidade gótica dos nossos antepassados, como princípios rançosos e bárbaros, e desprezá-las como frutos de ignorância, e de opressão.
Que felizes tempos eram aquele que precederam a actual anarquia, tempos em que os nossos dias corriam desassombrados de sustos, em que as nossas humildes queixas encontravam um fácil acesso ao coração de nossos Reis, em que os ricos gozavam sem temor, da sua opulência, e das suas heranças; em que o plebeu contente de sua sorte vivia satisfeito com o seu estado! Estes dias serenos já lá vão, e desapareceram como um sonho. A Igreja cai no aviltamento, e na escravidão; seus Ministros são ameaçados de condição de homens assalariados....
Pelo mais deplorável abuso da Liberdade, precioso mimo da natureza, querem que cada um possa pensar, e escrever segundo lhe agrada; que todos os cultos sejam indistintamente permitidos; que o discípulo obstinado de Moisés, que o fanático seguidor de Mafoma [Maomé], que o adorador insensato dos ídolos mais desprezíveis, que o artificioso Sociniano, que o cego e voluptuoso Ateu, que as Seitas as mais contrárias, e as mais absurdas, repousem de mistura com o Cristão Católico, debaixo das asas, e protecção do Governo Francês!...
Não é pois já tempo que o povo Francês acorde, e que do íntimo dos nossos corações se levante um grito geral para reclamar as nossas antigas Leis, e o restabelecimento da ordem pública?
Dizei aos Povos (continua o Prelado, dirigindo-se aos Párocos) que se enganam a si próprios, quando se lisonjeia de uma diminuição de tributos, em tempos desastrosos, quando o Estado exige os maiores sacrifícios. Dizei-lhe que os enganam quando lhes pintam os Chefes do Clero como sujeitos devorados de ambição, vendidos à intriga, e dados aos excessos de um luxo escandaloso. Dizei-lhes que a autoridade, ainda que seja legítima não pode exigir respeito, senão enquanto ela respeita as Leis recebidas; que fazer matar os cidadãos ainda que sejam criminosos, sem ouvir a sua defesa, roubar as Corporações, e aos particulares a existência, e os bens de que eles sempre gozaram, debaixo da protecção do governo, confundir os contratos que reuniram à Coroa as mais ricas, e as mais consideráveis províncias do Reino, é um Sistema de opressão e tirania, que despedaça todos os vínculos do pacto Social [ou este que luta do lado bom, está já contagiado de erros que para o caso não calham ser significativos - há que olhar este caso como o paradigma dos católicos da época liberal, que, mesmo quando lutaram do lado bom já transmitiam aos descendentes ideias que não sabiam serem más; ou este que luta, está a usar apenas do mesmo argumento da sua oposição para lhes fazer ver que nem o contrato social, crença deles, eles respeitam]. Dizei-lhes, que os enganam com esses infames libélos, que a filosofia emprestou com seus venenos, e paradoxos, quando lhes representam os membros das suas primeiras ordens da Monarquia, como aristocratas odiosos, conspirados contra o povo, e não procurando senão esmagá-lo debaixo do jugo da tirania, e do despotismo, etc..." 

(Tudo isto consta do Avant Moniteur, Paris 1805, a pág. CXLIII, e bem lastimado fiquei eu de não poder achar por inteiro este belo monumento de firmeza, e lealdade ao Trono de S. Luís!)

Quem falou tão denodada, e apostolicamente não podia agradar aos ímpios, que o taxaram de fanático, e sedicioso. Compareceu diante dos Tribunais, opôs-se à declaração de que os bens de Igreja eram nacionais, e só em última extremidade é que se retirou de França para levar à Grã-Bretanha o famoso espectáculo de suas virtudes.... Ah Bispo de Tregnier, Bispo de Tregnier!!! (nota: Não é fora de propósito referir aos meus Leitores o que felizmente achei escrito pela dourada pena do Abade Carron, que tenho citado mil vezes noutra parte [nos Arquivos da Religião Cristã] e que segundo se vê do contexto seguinte, assistiu deste virtuoso, e exemplaríssimo Bispo: "Sejais mil vezes bendito meu Senhor [Pensées Chretiennes, ou Entrtiens de láme fidelle avec le Seigneur pour touts les jours de l'anneé Tom. 4 da edição de País 1802 pág. 131 e seg.] hoje, sim hoje mesmo eu vi consumar a obra das vossas misericórdias. Oh que terníssimos espectáculos! Saíram eles nunca de minha lembrança? Ali, é um venerável Pontífice, a honra do Sacerdócio, e o primeiro de seus ilustres colegas, que confessou a fé perante os Tribunais. Honrado de um longo desterro, banido de sua pátria, modelo há dez anos do Clero perseguido e fiel, sinalou cada um dos seus dias por novos actos de virtude, ainda ontem, já com a última respiração nos beiços, e com os olhos amortecidos, voz moribunda, assentado tranquilamente à mesa, ele estava, e eu o vi nesse triste momento, ocupado todo na salvação da França, e nos meios de haver obreiros fiéis para essa vinha que ele amava com extremo. A noite passada, no leito de suas dores, quieto, e sossegado contava, com uma terna impaciência, as horas, que o chegavam ao seu último suspiro. Que horas são, perguntou ele com toda a paz, ao testemunho, e admirador da sua agonia. É uma hora, lhe respondem.... A esta palavra, o anjo visível pára, seus olhos se fecham, sua cabeça repousa docemente.... o anjo não vive já neste mundo, os Céus o possuem". Acrescenta o mesmo autor em nota: "Por estas feições quem deixará de conhecer-te, quem não há de nomear em continente o virtuoso le Mentier Santo Bispo de Tregnier? Que luto universal foi para nós a tua perda! Que sentida não foi pelas nossas lágrimas, e saudades!! Que consternadora a cerimónia da tua sepultura!! É na terra de teu glorioso desterro, e em lugar retirado e solitário, onde os teus modestos despojos descansam sem estrondo, sem pompa ao lado das cinzas de meus irmãos; porém tu não morreste todo.... Desde o interior do teu Sepulcro, ainda nos prégas todas as virtudes: e a tua memória nunca se há de apagar.) Ficarei neste gemido.... sem acrescentar milhares de reflexões, que me acodem a enxames.

[comentário ASCENDENS: na tentativa de encontrar documentação a respeito do Bispo de Tregnier, transcrevo: "Charles-Jean-Marie Alquier, membre de la convention national, avocat du roi, à la Rochelle, avant la révolution; il était maire lorsque l'assemblée du tiers-état de la sénéchausée de la Rochelle le nomma, em 1789, député de cet ordre aux états-généraux; il entra bientôt dans le comité des rapports, et fut chargé, le 22 octobre 1789, par ce comité, de faire léxposé de la conduite de l'evêque de Tregnier, qu'on accusait d'avoir provoqué, par un mandement, línsurrection de la Bretagne contre les décrets de lássemblée. Un décret rendu, à la suite de ce rapport, ordonna que cette affaire serait instruite devant le tribunal chargé de poursuivre les délits de lèse-nation." (Galerie Historique des Contemporains, ou Novelle Biographie - Tome I, pág. 81. Bruxelles, 1843). "ALQUIER, député de la Rochelle, fait le rapport du mandement de l'évêque de Treguier, et des circonstances qui l'ont accompagné. Il lit les différentés pièces d'une information fait par toutes les municipalités réunies du diocèse de Treguier. Il en résulte que non seulement ce prélat a excité le peuple que non-seulement ce prélat a excité le peuple à lá séduction par son mandement, mais encore qu'il a concouru, avec les nobles de son diocèse, à faire déserter de la milice nationale un nombre considérable de jeunes citoyens, qui, séduits par de l'argent et par des promesses, se sont engages à n'obéir qu'aux gentilshommes, et à les prendre pour leurs chefs." (Les Contemporains de 1789 et 1790, ou les Opinions Débattues Pendant La Premièr Législature; avec Les Principaux Événemens de La Révolution... Tome I, pág. 47. Paris, 1790). A Diocese de Tregnier, segundo parece, terá sido extinta, mais ou menos no tempo deste Bispo.]

(índice da obra)

26/07/16

PORTUGUESES E ESPANHA - O REI REQUIÁRIO

Rei Requiário
O título deste artigo esteve para ser "Portugal e Espanha ...", mas não seria certo. O que têm os portugueses e a Espanha que ver com o rei Requiário? Os castelhanos tanto o querem que, nos jardins do palácio real do Prado (Madrid), edificaram uma belíssima estátua em honra deste rei suevo, o qual sempre viveu e reinou em terras de Portugal.

Vou meter-me com os franceses: Requiário é o primeiro rei com reino cristão, no orbe latino! Calma.... calma.... darei uma fatia de bolo a cada um... A conversão do reino dos suevos (aqui em Portugal), e de seu rei Requiário, data de 499 d.C (antes de Clovis). Parte dos portugueses de hoje são este mesmo povo. O reino suevo foi ocupado, e a sua monarquia dissolvida; o reino dos francos foi por isso o segundo, contudo o primeiro que, como reino durou, enquanto que dos suevos apenas permaneceu o povo (mesmo que sempre tenham mantido uma nobreza rural, uma identidade familiar unificadora).

E os "Estados Unidos de Castela" (a actual Espanha), porque erguem estátuas a Requiário!? Direi:
a) porque lhe reconhecem o valor; b) porque, como dirá um amigo brasileiro, o castelhano tende a achar que: tudo o que é teu e é bom, é dele... tudo o que é teu e é mau, é mesmo teu... e tudo o que é mau e dele, do qual não se consegue livrar, é "complexamente bom"; c) finalmente, porque há alguns motivos sérios: independentemente dos povos, e donos das terras, o território pertencia-lhes politicamente (nisto há dúvidas). Neste último ponto perdem alguma razão, visto que um dos motivos pelo qual a Santa Igreja reconheceu tão facilmente o Reino de Portugal foi a existência, e a permanência dos povos e senhores anteriores, que nunca tinham podido ou querido eleger um monarca comum, os quais nunca integraram ou aprovaram reis de fora [fica isto bastante resumido].

A história, é linda!

No título disse "Portugueses", porque somos nós, a população, os filhos dos filhos dos filhos, a descendência, a identidade; e disse apenas "Espanha", e não "espanhóis", por se tratar somente duma demarcação política, que alguém lhe apeteceu inventar...

Alguma vez rezou pela alma deste nosso ilustre e antiquíssimo Rei? Experimente... (reze por ele uma Avé-Maria, agora mesmo).

27/12/15

SAIBA A ORDEM DE ASSENTO DOS 5 PRIMEIROS REINOS NA IGREJA

I
SACRO IMPÉRIO
(Alemanha)




II
FRANÇA




III
INGLATERRA




IV
CASTELA




V
PORTUGAL


18/01/15

CONTRA-MINA Nº 12: Liberalismo Contra a Restauração de Luís XVIII ... (I)

CONTRA-MINA
Periódico Moral, e Político,

por

Fr. Fortunato de S. Boaventura,
Monge de Alcobaça.

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Nº 12
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O medonho Fantasma se esvaece,
O dia torna, e a sombra se dissipa;
Os Insectos feíssimos de chofre
Entram no poço do afumado Inferno:
Eternamente a tampa se aferrolha.
No meio do clarão vejo no Trono,
Cercado de esplendor, MIGUEL PRIMEIRO.
(Macedo, Viagem Estática ao Templo da Sabedoria, pág. 141)
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Esforços da Impiedade, ou Liberalismo Para Anular os Efeitos da Milagrosa Restauração de Luís XVIII

"Luís XVIII, restituído por 700 mil homens armados ao Trono de seus Maiores, só deveria Reinar como tinham Reinado os seus antepassados, e nunca deveria ter sacrificado ao gosto inglês das suas Câmaras o interesse da sua Família, e a prosperidade da nação ["Reino"] da França. Quando ele sancionou com a sua aprovação a Liberdade de Imprensa, descarregou o primeiro golpe de machado sobre o tronco da Legitimidade, e apressou, quanto nele era, a sua própria desentronização, e a dos seus mais próximos Sucessores. Se toda a Europa em armas ditou leis à França, e humilhou as Águias do Império Francês, não menos temerosas, e formidáveis para as nações, de que tinham sido as Romanas, é certíssimo, que poderia levar ao fim a obra mui felizmente começada, se por acaso não prevalecesse em certo Gabinete a influência das doutrinas Liberais, e o desejo, a meu ver insensato, de se cumprir a ideia primordial do Ministro Pitt; como se fôra possível, que todas as nações da Europa se amoldassem à Constituição Inglesa!

Fosse porém muito embora, ou político, ou necessário, que não se exasperassem os ânimos de uma povoação de trinta milhões de habitantes, e que uma Família até esse tempo errante, e vagabunda, e talvez sem outra esperança, que não fosse a de imediatos auxílios do Céu, houvesse de ceder uma boa porção de suas essenciais prerogativas, para melhor, e mais facilmente se assegurar a paz do mundo; porém logo que raiaram os cem dias, e que o Trono de S. Luís tornou a ficar vago, quase sem o menor indício de resistência desses milhões de habitantes, que até ai juravam morrer em defesa do Rei Legítimo, parece que esta nova, e cada vez mais persuasiva lição da adversidade deveria abrir os olhos de Luís XVIII, e das Potências da Europa, outra vez influentes na própria Capital, e destinos da França. Para que deixar tão cheio de vida, e forças um corpo, que nem cede, nem cederá nunca senão a outras maiores? Deviam contar, que a França acharia em si própria mui fáceis remédios, não só para estancar o sangue, que lhe tiravam, mas também para adquirir, em menos anos do que foram os da sua ocupação pelos Exércitos inimigos, muito maior cópia de santue, do que fôra o perdido. Esta tão boa ocasião, já não digo de se coarctar, ou reprimir, mas de se cortar pela raiz a Liberdade de imprensa! Sofram os meus leitores, que eu me explique nesta grande questão, mais como religioso do que como político. Não entendo que seja possível, que um Rei Cristianíssimo, ficando tal, como efectivamente soa este glorioso título, possa admitir a Liberdade de Imprensa, que de necessidade traz consigo as horrorosas consequências, de que abaixo tratarei... Não me armo com isto em Juiz, ou Árbitro dos Soberanos: expresso, sem os ofender, o que sinto em minha consciência, e já agora assim espero acabar os meus dias.

E que direi da suma indulgência de Luís XVIII para com os rebeldes?Concede-lhes uma inteira amnistia.... (nunca se gastou melhor cera com defuntos mais ruins!) e pela sua vontade quisera perdoar mais outra vez aos que tinham condenado à pena última o desgraçado Luís XVI!.... Foram as Câmaras, e não ele quem exceptuou os Regicidas!! Ah! dispensem-me os leitores certa ordem, que eu me proponha seguir em minhas ideias, pois aqui não é fácil, que eu resista a um súbito, e fortíssimo desejo de lhes interromper o fio.... Um Decreto de amnistia geral concedida no séc. XIX, e concedida a Liberais, ou Pedreiros, faz um sentido equivalente a estas clausulas.... Vendo que não fostes bem sucedidos na vossa empresa, e lastimando a vossa desgraça, eu vos concedo agora o tempo necessário, para que restaureis as vossas perdas, torneis a concentrar as vossas perdas, torneis a concentrar as vossas forças, e vos prepareis ocultamente para algum dia cairedes de chofre em cima dos defensores do Altar, e do Trono, nem podem fazer senão à voz do Soberano. Não obstante a prova antecedente, e claríssima de que todas as amnistias, que até hoje vos foram concedidas, somente vos fizeram cada vez mais atrevidos, e pertinazes em o vosso sistema, hei-de esquecer-me de todo o mal, que tendes feito, porque desta vez chorareis de arrependimentos, e nunca mais tornareis a fazer outra... Basta, basta, que já foi corte demasiado (já, digo, nas minhas ideias, que nos Pedreiros tudo é pouco.)

A estas beneficentíssimas providências de Luís XVIII seguiu-se aquele dizer "o amalgamento dos partidos" Ficarão à testa das Repartições, ou tendo nelas uma parte não secundária, mas principal, as mesmas figuras, que tinham representado os mais hediondos papeis nos diversos Governos da França; e com estes elementos assim disparatados, e heterogeneos é que se pretendeu consolidar o Trono de S. Luís! Os Liceus, e Colégios, em que não basta renovar o toque dos sinos, ou campainhas, e desterrar os tambores, que isso é o menos, ficarão quase sem a mais leve diferença do que antes eram. Trabalhou-se incessantemente por desviar as Corporações Religiosas do ensino da mocidade, desfechando a tormenta sobre os Padres das Escolas Pias, e ainda com mais força sobre os Jesuítas...... Ao ver estes em França trepidou o já triunfante Liberalismo, e arrancando um gemido ab imo pectore, chamou às armas toda a Confraria, à qual pertenceu o segredo, que o trazia perplexo, confuso, e atormentado, como se lhe dissera.... "Se os Jesuítas vão educar a mocidade Francesa temos Cristãos inumeráveis em França, consguintemente adversários nossos também inumeráveis... É necessário acudir-lhes a tempo, se não, choraremos sem remédio a queda total do sistema."

É um Rei, que os chamara, que os protegia, e que neles considerava um dos esteios principais do seu Trono, viu-se obrigado a expulsá-los da França! Respirou por certo o Liberalismo com esta desejada expulsão, e como senhor, que era de todas as molas, que sustentam, e dirigem a máquina do Estado, e principalmente de todos os corações da estudiosa mocidade, fez todos os dias novos prosélitos, e achou-se em 1830 com uma força respeitável à sua disposição, e pronta a investir à primeira voz, e derrubar o Trono de S. Luís. Em vão o famoso Abade La Mennais, a quem os Pedreiros Franceses chamam "Santo Padre dos Molinistas e Ultramontanos", avisou a França inteira do preciício, em que fatalmente se despenhava; em vão alguns Prelados Franceses, com o Cardeal de Clermont à sua frente, expuseram humildemente ao Rei Cristianísssimo, em 1828, os seus bem fundados temores; nem aquele, nem estes defensores da boa Causa foram atendidos; pois o Liberalismo em tais circunstâncias sabe o como, e quando há de impingir a nota de rebeldes, e atentadores contra as Liberdades Galicanas aos Sacerdotes, e Bispos, que mais acatamento, e submissão professarem à Sagrada Pessoa do seu Monarca.

Lamennais
Assim mesmo desatendidos não esmoreceram, antes faziam sem diferença do passado, o que neles era, para manterem o Trono de S. Luís; porém tudo era baldado, e só lembraria o remédio heroico, e decisivo, quando havia de trazer a morte... Pareceu coisa estranha, e mui desusada, que uma Nação aparecesse quase toda Liberal.... que surdissem como debaixo da terra milhares de esquadrões armados, que soubessem enrostar as mais bem disciplinadas tropas; mas quem olhar imparcialmente para a ocasião, que tiveram os Liberais Franceses de minarem o edifício, de trabalharem a coberto de inquietações, e surpresas, no espaço de quinze anos, em que mais de uma vez aprenderam nas concessões, que se lhes faziam, quando era o medo, que eles inspiravam, e quão pouco disputada seria a victoria, quando encetassem a peleja, só terá de admirar, que esta segunda revolução se demorasse até 1830. Ora neste empenho, que era sabido em França, que nem se atalhava, nem já se podia atalhar, foi o Liberalismo poderosamente auxiliado pela sua íntima, e poderosíssima Aliada a "Liberdade de Imprensa" e aqui mesmo vou dar uma noção breve de seus serviços à Revolução de 1830.

(continuação, II parte)

19/10/14

DE REQUIÁRIO A D. AFONSO HENRIQUES

Requiário
"(...) tem Portugal outra antiguidade muito nobre, e de estimar na Religião, que é ter sido o primeiro Reino do mundo que de forma geral recebeu a Fé Católica, o qual se prova, porque os reis Suevos da Galiza e grande parte de Portugal, e que na cidade de Braga tiveram sua Côrte, aos quais ainda antes dos Godos receberam perfeitamente a Fé Católica com todos os restantes portugueses, e Reino universalmente, sendo seu Rei Requiário, no ano de 448 como o afirma S. Isidoro e como se lê em Fr. Bernardo de Brito, e no autor Madera (o qual prova que nesse tempo não havia reino no mundo que todo em geral fosse cristão, porque o Rei de França Ludovico Clodoveu converteu-se depois no ano de 499. E ainda que Inglaterra pudesse fazer contradição pelos seus antigos britanos, tornou-se ela por muitos anos idólatra nos anglos, que a conquistaram, perdendo-se de todo a nossa Sagrada Religião, que foi mister, que S. Gregório Magno enviasse prégadores àquela ilha, que de novo lhe dessem notícias da Fé, pelo qual foi chamado Apóstolo daquela província; (...) mas Portugal na antiguidade da origem, e continuação da Fé excede todos." ("Flores de España, Excelencias de Portugal...A La Magestad del Rey Catholico de las Españas Don Philippe IV" - Parte I. António de Sousa de Macedo. Coimbra, 1737)

Moeda sueva (ente 410 a 500 d. C)

Acrescento: se a Fé continuou dos Suevos até D. Henrique de Borgonha, Leão não tinha prioridade sobre nós. Não cabe o mais dentro do menos. D. Afonso Henriques, Venerável da Santa Igreja, tentou devolver o corpo a estes antigos cristãos, e para tal orientou-se pelos Suevos e Lusitanos. Assim se explicam as tentativas de recuperação dos territórios mais a norte! 88

Moeda sueva (entre 469 a 500 d.C.)

23/01/14

TESTAMENTO DE LUÍS XVI, REI DE FRANÇA


Testamento de Luís XVI, Rei de França (aqui o original)

"Em nome da Santíssima Trindade, do Pai, do Filho e do Espírito Santo, hoje no vigésimo dia de Dezembro de 1792, eu, de nome Luís XVI, Rei da França, estando com a minha família encerrado há mais de quatro meses na Torre do Templo de Paris, por aqueles que me estiveram sujeitos, e privado de toda a comunicação com outros, mesmo depois do 11 do decorrente com a minha família, e ademais implicado num processo cujo desenlace é impossível prever devido às paixões dos homens, e para o qual não se encontra pretexto e causa algumas segundo a lei existente, e não tendo mais testemunha dos meus pensamentos a Deus e a quem possa dirigir-me, declaro aqui em Sua presença as minhas últimas vontades e meus sentimentos.

Eu deixo a minha alma a Deus, meu criador; eu rogo-Lhe que a receba em Sua misericórdia, não julgá-la por méritos meus, mas sim pelos de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual, por nós homens, ofereceu-Se em sacrifício a Deus Seu Pai, por mais indignos que fossemos, a começar por mim.

Eu morro em união com a nossa Santa Madre Igreja Católica, Apostólica e Romana, detentora dos seus poderes provenientes de uma sucessão ininterrupta de S. Pedro, a quem Jesus os tinha confiado; firmemente eu creio e confesso tudo o que está contido no Símbolo dos Apóstolos e mandamentos de Deus e da Igreja, Os Sacramentos e os Mistérios tal como a Igreja Católica ensina e ensinou sempre. Não pretendi jamais fazer-me juiz nas diferentes maneiras de explicar os dogmas que desgarram à Igreja de Jesus Cristo; mas confiei e sempre confiarei, se Deus me prestar vida, nas decisões que os superiores Eclesiásticos unidos à Santa Igreja Católica, dão e deram conforme a disciplina da Igreja, seguida desde Jesus Cristo. Compadeço-me de todo o coração dos nossos irmãos que podem estar no erro, mas não pretendo julgá-los, e a todos eles em Jesus Cristo não amo menos, tal como a caridade cristã ensina. Rogo a Deus que me perdoe de todos os meus pecados; eu tentei conhecê-los escrupulosamente, detestá-los, humilhar-me na sua presença, e ao não poder servir-me do Ministério de um Sacerdote católico rogo a Deus receber a confissão que Lhe fiz e sobretudo o arrependimento profundo que tenho de ter colocado o meu nome (ainda que tivesse sido contra a minha vontade) em actos que podem ser contrários à disciplina e à crença da Igreja Católica à qual sempre permaneci sinceramente unido de coração, rogo a Deus receber a resolução firme na que me encontro se me outorga vida, servir-me prontamente como me seja possível do Ministério de um Sacerdote Católico para acusar-me de todos os meus pecados, e receber o sacramento da Penitência.

Eu rogo a todos aqueles a que possa ter ofendido por inadvertência (porque não recordo ter ofendido ninguém deliberadamente) ou àqueles a quem possa ter dado mau exemplo ou escândalo, que me perdoem o mal que creiam poder ter-lhes feito.

Eu peço a todos aqueles que têm Caridade unirem as suas às minhas orações, para obter de Deus o perdão dos meus pecados.

Eu, de todo o coração, perdoo àqueles que se fizeram meus inimigos, sem que eu lhe tenha dado razão alguma; e rogo a Deus que os perdoe, igualmente àqueles que por um falso zelo, ou por zelo mal entendido, muito mal me fizeram.


Eu encomendo a Deus minha mulher, meus filhos, minha irmã, minhas tias, ao meus irmãos, e a todos aqueles cujos laços de sangue me unem, e de qualquer outra maneira que seja; eu rogo a Deus que, em particular, olhe com olhos de misericórdia minha mulher, os meus filhos e minha irmã, os quais sofrem comigo já há bastante tempo, que com a Sua graça os sustenha se chegarem a perder-me, e enquanto sigam neste mundo transitório.

Eu encomendo os meus filhos à minha mulher; jamais duvidei da sua ternura maternal para com eles, encomendo-lhe principalmente tudo o que deles faça bons Cristãos e homens honestos, que os faça ver as grandezas deste mundo terreno (caso os condenem a vivê-las) apenas como bens perigosos e passageiros e que voltem o seu olhar para a glória da Eternidade, a única solida e perdurável,à minha irmã rogo que continue terna para com os meus filhos, e que lhes faça as vezes de mãe caso tivessem a desgraça de perdê-la.

Eu rogo à minha mulher que me perdoe todos os males que por mim sofre, e as penas que pude ter-lhe causado no percurso da nossa união, pode também estar segura de que nada guardo em contrário, caso pensasse que eu tenha algo de que queixar-me.

Eu recomendo muito encarecidamente aos meus filhos, depois do que lhes é devido a Deus, o qual hão-de transmitir a todos, que permaneçam unidos entre si, submissos e obedientes para com a sua mãe, e agraciados por todos os cuidados e trabalhos que ela tem para com eles, e em minha memória rogo-lhes que olhe para a minha irmã como uma segunda mãe.

Eu recomendo ao meu filho, caso tenha a desdita de tornar-se Rei, que pense que deve dar-se por inteiro à felicidade dos seus concidadãos, que deve esquecer todo o ódio e todo o ressentimento e especialmente todo o que tem relação com as desditas e sofrimentos pelos quais agora passo, que não pode fazer a felicidade dos povos mais que reinando pelas Leis, mas ao mesmo tempo que um Rei não pode fazer respeitar, e fazer o bem que há no seu coração, mais que na medida que tem a autoridade necessária, e que de outra maneira ao estar ligado nas suas operações e ao não inspirar respeito, acaba por ser prejudicial que útil.

Eu recomendo ao meu filho cuidar de todos aqueles que me estimaram, tanto quanto as circunstâncias nas que se encontre o facultem para tal, pense que é uma dádiva sagrada que deve aos filhos e familiares daqueles que morreram para mim, e, em seguida, àqueles que estão descontentes comigo. Eu sei que há várias pessoas entre as que me tinham apreço, que não se comportaram comigo como deveriam, e que até mesmo mostram ingratidão, mas eu perdoo-os (muitas vezes nos momentos de turbulência e efervescência, não há controlo de si mesmo), e peço ao meu filho, se se der ocasião, deles não tenha em mente mais que o seu infortúnio.


Eu quisera poder dar aqui o testemunho do meu reconhecimento aos que me mostraram um verdadeiro e desinteressado apreço, ainda que por um lado só me tivesse afectado a ingratidão e deslealdade da gente à qual nunca manifestei mais que bondades, a eles, a seus pais e amigos; por outro lado tive o consolo de ver o apareço e interesse gratuito que muitas pessoas me mostraram; eu rogo-lhes que por isso recebam todo o meu agradecimento, na situação em que vemos que as coisas estão, dar-me-ia temor comprometê-los sem se falar mais explicitamente; mas a meu filho recomendo-lhe especialmente que procure as ocasiões de lhes dar reconhecimento.

Eu acreditaria estar a caluniar os sentimento da nação, se ao meu filho não recomendasse abertamente, os Senhores De Chamilly y Hue, cujo verdadeiro apreço por mim os levou a encerrarem-se comigo nesta triste morada, os quais pensaram em ser seus infelizes vitimas; também lhe recomendo a Clery, de cujos cuidados tantas vezes pude mostrar-me satisfeito desde que está comigo; e como é ele quem permaneceu comigo até ao fim rogo aos Senhores da Comuna que lhe entreguem a minha roupa, os meus livros, o meu relógio, o meu porta-moedas e os restantes pequenos efeitos que ficaram depositados no Conselho da Comuna.

Eu perdoo àqueles que me guardaram, também eles de muito boa disposição, dos maus tratos e os tormentos que cogitaram usar comigo; encontrei algumas almas sensíveis e compassivas, que seja elas as que gozem no seu coração a tranquilidade que deve dar-lhe o seu modo de pensar.

Eu rogo aos Senhores de Malesherbes, Tronchet e Deseze que recebam aqui todo o meu agradecimento e expressão da minha sensibilidade, por todos os cuidados e enfado que tiveram a meu respeito.

Eu termino declarando perante Deus, e disposto a comparecer diante d'Ele, que não assumo qualquer um dos crimes dos quais me apontam. Feito em dois exemplares, na torre do templo, no dia 25 de Dezembro de 1792."

(assinado: LOUIS; e escrito por Baudrais, funcionário Municipal)

07/03/13

APARIÇÕES DE S. MIGUEL ARCANJO

Todos os meus patronos são patronos do blogue, e o Arcanjo S. Miguel é um deles.

Recordo 6 aparições de S. Miguel Arcanjo e quero fazer notar a curiosa disposição:

492 e 423, Itália - S. Miguel Arcanjo apareceu a S. Lourenço depois deste o ter invocado na proteção do exercito a quem milagrosamente S. Miguel deu a vitória aparecendo. Depois disto aparece novamente para pedir a S. Lourenço a consagração da gruta da aparição como templo. Assim ficou mais tarde do dia 29 para a festividade de S. Miguel Arcanjo.

Séc. VI,  Itália - Durante a procissão de Nossa Senhora (cuja imagem foi feita por S. Lucas), para motivos de sanação da peste, S. Miguel Arcanjo apareceu no alto de um castelo (ao que se passou a chamar castelo de Sant'angelo) embainhando a espada (em sinal de que o pedido estava satisfeito).

Séc. VIII, França  - O Arcanjo apareceu a Sto. Alberto ordenando-lhe a fundação de uma capela a si dedicada. Por motivos de dúvidas do santo, S. Miguel aparece-lhe três vezes. O pedido foi executado e se tornou um dos mais belos lugares da cristandade: Mont Saint-Michael.

Séc. XV, França - S. Miguel aparece a Sta. Joana d'Arc, e assim é iniciado o conhecido percurso de Joana e França.

1750, Portugal - A Coroa Angélica (também chamado "terço de S. Miguel Arcanjo") foi entregue a Antónia d'Astónaco pelo próprio Arcanjo S. Miguel. Esta é  única devoção a si que o Arcanjo entregou ao mundo. A Coroa Angélica e a aparição foram aprovadas pelo Papa Pio IX (1851).

1916, Portugal - Aos pastorinho apareceu o Arcanjo S. Miguel, Anjo de Portugal (identificado ora com um nome ora com o outro), para prepará-los, dando-lhes a comunhão e ensinando-lhes orações. É o período de preparativos para as aparições que se seguiram de Nossa Senhora do Rosário em Fátima.

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