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06/03/18

NA SERRA ALTA - Quando a Pureza da Fé Deixa de Estar na Frente


"O Concílio Vaticano II é reflexo de um período anterior característico, em que pensamento católico mitigado, modernismo, liberalismo, activismo crescente, voluntarismo etc. coabitaram no mesmo espaço dos Sacramentos tradicionais, Magistério,etc.. Isto pode ser melhor considerado quanto mais atendermos à diferença de situações de cada região no mundo católico. (...) Com o anúncio do Concílio, os Bispos desejaram uma ampla reforma que travasse a propagação de erros, apurando e definindo. Contudo, estava também armado o aggiornamento, quer por forças externas, quer internas não oficiais eclesiásticas, e leigas."

(na serra alta - J. Antunes)

30/04/17

ENTREVISTA - CARD. BURKE

Do Jornal FOLHA DE S. PAULO (30 de Abril, 2017)

Veja aqui em PDF

04/09/16

NA SERRA ALTA - A RESPEITO DA CHAMADA "FALSA IGREJA"

do filme "X-Men: Apocalipse" - tentando encontrar os mutantes no mundo, mentalmente. (alegoria)
"Dizem os menos exigentes que essa "falsa Igreja" [das revelações e visões] é muito fácil identificá-la. Não convence! Certamente as posições de moral relativa, ou errada, as posições de doutrina relativa, ou errada, e outras coisas que tal, não são da verdadeira Igreja de Cristo. É mais prudente dizer que essa "falsa Igreja" não é um posicionamento tão colectivo, quanto individual!"
(na serra alta - J. Antunes)

18/06/15

O PUNHAL DOS CORCUNDAS Nº 13 (II)

(continuação da I parte)


APPENDIX

Extrato de um projecto da Revolução, composto pelo Conde de Mirabeau, apanhado em casa de Madame Grai, por Le Grande seu doméstico, e vendido a Mr. Houle, Oficial no regimento de Dragões da Rainha, impressos depois com os outros escritos do mesmo género com o título Mistérios da Conspiração.

"Uma nação junta não se muda; só tem em vista o interesse comum para o estabelecer. Deve destruir toda a resistência: e atendei bem para isto. Nada pode ofender a justiça quando se trata do bem geral. Eis aqui o princípio. Trata-se agora de saber qual seja o caminho que é preciso tomar para chegar à restauração geral. É preciso destruir toda a ordem, suprimir todas as leis, anular o poder, e deixar o povo em anarquia. As leis que fizermos não terão logo todo o vigor, não o terão talvez depois; mas é preciso restituir a força ao povo: ele resistirá por sua liberdade, persuadido que a pode conservar. É preciso lisonjear seu amor próprio, e sua esperança, e prometer-lha a felicidade depois dos nossos trabalhos. É preciso iludir seus caprichos, e os sistemas que ele tem feito à sua vontade, porque o povo legislador é muito perigoso, só estabelece leis que coalisam com suas paixões. E como não haja mais que uma alavanca, que os legisladores movem à sua vontade, é preciso que nos sirvamos dele, fazendo-lhe odioso tudo o que quisermos destruir. É preciso semear a ilusão em todos os seus passos; comprar todas as penas mercenárias, que propagarão os nossos meios, e lhe farão ver que nós não atacamos mais que os seus inimigos.
O Clero, sendo o mais poderoso na opinião, não pode ser destruído, senão metendo-se a ridículo a Religião, tornados odiosos seus Ministros, e dando-os a conhecer como outros tantos monstros hipócritas; porque Mafoma, para estabelecer a sua Religião, começou por infamar o Paganismo, que os Árabes, os Sarmatas, e os Seytas professavam. É preciso que a todos os instantes os Libelos abram um novo caminho ao ódio contra o Clero: é preciso exagerar suas riquezas, tornar gerais os crimes, e os erros dos particulares, atribuir-lhe todos os vícios, a calúnia, o assassínio, a irreligião, e o sacrilégio. Nada de delicadeza, tudo é permitido nas Revoluções.
Venhamos à Nobreza. É preciso evitá-la, e dar-lhe uma origem odiosa. É preciso estabelecer um gérmen de igualdade, que não pode existir; mas que lisonjeará o povo.É preciso sacrificar os mais preocupados, incendiar, e destruir suas propriedades, para intimidar os outros. Senão pudermos destruir inteiramente a preocupação da Nobreza, no menos a enfraquecermos, e o povo vingará seu amor próprio, e seu ciume, com todos os excessos, que obrigam os Nobres a fazer o que nós quizermos.
Enquanto à Côrte, é preciso eclipsá-la aos olhos do povo, anulando todas as leis, que a protegem. O Duque de Orleães não omitirá causa alguma para dar explosão à sua vingança. É preciso degradar a Corte até tal ponto, e com tanto excesso, que em lugar de veneração, o povo não tenha mais que ódio, e aversão a seus Soberanos. É preciso que os considere como seus inimigos, e que esteja pronto a se vingar. É preciso lisonjear o soldado, levantá-lo contra a autoridade legítima, fazer-lhe odiosos seus Oficiais, e os Ministros: aumentar seu soldo, fazendo-o o homem da Nação, e não do Rei: enviar-lhe emissários, que o instruam nos nossos projectos, e fazê-lo patriota. E não vedes vós que sem isso nossos inimigos iludiriam todas as nossas vistas, todas as nossas combinações, todos os nossos meios, pela força das armas? Passemos aos Parlamentos.
É preciso representar ao povo sua venalidade, que recaiu sempre sobre o mesmo povo. É preciso mostrar-lhe os Magistrados como déspotas altivos, que vendem até os seus mesmos crimes. O povo ignorante e bruto só vê o mal, e não o bem das coisas. Não digo nada dos Financeiros. Será infinitamente fácil convencer o povo que tudo são abusos na administração da fazenda, e que só merecem indignação os que a ela presidem. Notai bem que o Rei, e os Grandes procurarão frustrar a nossa Revolução com guerras intestinas, ou com as Estrangeiras. É preciso pois para que isto tenha um completo êxito levar o espírito de independência a todos os povos circunvizinhos. Isto não será coisa muito difícultosa. O Espanhol é muito inflamável, e geme há muito tempo debaixo do jugo tirânico do Despotismo, e da Inquisição. Os Italianos são tão arrebatados como os Franceses, e depois que começou a lavrar entre eles o espírito Filosófico, desprezam a Tirania. O Alemão é mais difícil de se mover; porém sua escravidão o indigna contra seus déspotas. É preciso espalhar ouro em Alemanha. Todos os que se deixarem corromper, propagarão a insurreição. O Brabante se inflamará com o mais leve assopro. A Holanda é toda nossa. A Inglaterra nutrirá, e sustentará nossas desordens. Seu ódio natural contra os Franceses não lhe deixará tomar um partido generoso para defender nossos direitos, se neste partido não divisar seu próprio interesse. Quando o Gabinete de S. Jaime nos queira fazer guerra, opor-se-hão os Comuns, porque nós lhes diremos que o que pretendemos é destruir o Despotismo, e a Hidra feudal, e fazermô-nos livres, como eles são. A Prússia tem vistas, que poderão  prejudicar; este Reino não nos deve meter medo; não é uma Potência, que possa afrontar um grande povo ardente, e impetuoso como são os Franceses. É preciso aguerrir este povo. É preciso mais que tudo fixa-lo na defesa das fronteiras, e para isto cumpre nutrir e acender seu furor, alentar suas esperanças com a supressão dos impostos: intimar-lhe surdamente a matança, e extermínio dos inimigos da Revolução, como um dever útil ao Estado. Nós devemos exigir o juramento a todos aqueles, que se juntarem a nossos projectos, e formar diversas sociedades, que em suas sessões tratem o mesmo assunto, discordando (para disfarçar) de opinião.
Enfim importa admitir o povo nos estabelecimento, que devemos criar, concedendo-lhe a voz deliberativa nas Assembleias gerais; isto lhe dará um veículo de honra, que lhe fará andar a cabeça a roda. Mas é preciso não deixar às Cameras mais do que um poder limitado. Se lhes deixarmos muita força, seu Despotismo será muito perigoso. Lisonjeemos o povo com uma justiça gratuita; prometa-mos-lhe uma diminuição de impostos, e uma repartição mais igual. Estas vertigens o hão de fanatizar, e removerão toda a resistência.
Ah! Que importam as vítimas e seus números, as espoliações, as destruições, os incêndios, e todos os efeitos necessários de uma Revolução? nada nos deve ser sagrado!" (Tirado da Refutação dos Princípios Metafysicos, pág. 222).

Este Documento original e autêntico contêm em si todos os princípios de irreligião, e imoralidade: os Pedreiros Livres o pertenderão negar; mas o que eles praticaram na França, na Itália, em Espanha, e em Portugal, manifesta bem a sua autenticidade, e que este é o seu Cresto, ou Cartilha, por onde se governam, e querem deste modo arrancar de entre os homens a Religião, e os bons costumes, e precipitá-los no abismo de todos os males: são portanto os maiores inimigos do género humano. Só poderemos ser felizes pela Religião, e pelos bons costumes; e como esta infernal seita trabalha por destruir estes dois princípios, somente com o extermínio dela poderemos aspirar à nossa felicidade.

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LISBOA: NA IMPRESSÃO RÉGIA. 1823
Com licença da Real Comissão de Censura.

O PUNHAL DOS CORCUNDAS Nº 16 (III)

(continuação da II parte)

Os Mestres

Ninguém suspeita que a nossa Religião favorece a ignorância como sua aliada. A nossa Religião que desde o seu berço sustentou os mais renhidos combates com a sabedoria humana, e cantou a vitória sobre os Celsos, Porfírios, e Julianos, como há de temer o bando de petimetres, e de ignorantes, que têm querido mais insultá-la, e vilipendiá-la, que combatê-la nestes últimos tempos? Quer, e deseja ardentemente a nossa Religião, que seus filhos sejam, ainda mais que nas ciências humanas, instruídos na ciência dos Santos; nem a que acompanhou os Justinos, os Atenágoras, os Crisóstomos, e os Agostinhos, foi jamais exclusiva de toda a variedade de conhecimentos humanos, que fazem parte das coisas que Deus entregou à livre discussão dos Sábios. Tudo o mais que se divulga sobre esta matéria, como se a Religião Cristã fosse inimiga do crescimento das luzes, quando ela só é inimiga das trevas, e do que se gera e inculca no seio das trevas, procede ou de ignorância, ou de malícia, e importa que este aleive se desminta por todos os modos, que estiverem ao alcance dos sinceros amigos da sua Pátria, e se declare à face dos Ceus e da terra o que são os Mestres devassos de costumes, e seguidores de perversas doutrinas. E como se há de haver com seus discípulos um mestre que só considera nas tenras plantas, que lhe foram entregues, uma coisa bem pouco acima dos vegetais, que nasceu para viver e morrer, e que não deve ter esperanças de uma vida futura? E desgraçadamente há cópia de dais mestres no Reino de Portugal!!! Daqui vem, que no ensino da Filosofia racional e moral se omite por muitos Professores, como desnecessária, e supérflua a terceira parte da Metafísica, que trata de Deus, e nem uma só palavra se estuda dos últimos capítulos da Ética de Heinécio, que são os mais importantes, visto que se trata neles dos meios para se conseguir a felicidade. Tenho presenciado muitas vezes a decadência dos estudos, sem lhe poder acudir, nem dar remédio!!! Não pára aqui o arrojo de tais Mestres, que demais a mais inábeis e incipientes, nem os seus pecados são meramente de omissão, sobem de ponto os de comissão por certo mais agravantes, e mais escandalosos! Que há de fazer um pobre Discípulo, que escuta o seu mestre, como se fosse um oráculo, se este oráculo anuncia nas aulas menores os princípios de um refinado materialismo (é inizivel a astúcia com que os próprios mestres de Latim podem insinuar a seus ouvintes os mais errados e perversos documentos. Queixa-se um sábio escritor Francês (Mennais) de que os sobredictos Mestres são traduzirem a passagem de Virgílio Auri sacra fames, o faziam deste modo: Sacra fames, a fome Sacerdotal auri do ouro, e assim começavam de acender as primeiras faiscas do incêndio com que eles queriam abrasar a Igreja de Deus), e nas maiores, que é desnecessária a revelação, que o Catolicismo tem sido sempre o mantenedor, e a capa do despotismo, e que o Concílio Tridentino apertou as cadeias, que os Reis tinham lançado ao género humano; que este Concílio não foi ecuménico, que os Sacerdotes não carecem de jurisdição para confessarem, e absolverem validamente, que a doutrina vulgar das Indulgências é um tecido de erros, e de superstições, etc. etc.? Pois que diremos dos Sapientíssimos Lentes, e Professores infectos do maçonismo? E dos aspirantes ao Magistério, seduzidos com a esperança de suplantarem, e fazerem depor seus mestres, cujo maior erro tinha sido habilitar para o magistério estas crianças na ciência, e nos anos? Estamos para ver se ainda continuam a ensinar os Mestres conhecidamente Pedreiros Livres, que será este o final extremo... e se as providências tomadas sobre o exame do liberalismo dos mestres se reduzem a simples formulário, e temos justiça de compadres, sairá brevemente do exercício das aulas uma nova geração, quase toda Maçónica, e por conseguinte desafeiçoadíssima ao Trono, e inimiga do Altar...


Para que os meus Leitores não fiquem assentando que eu sou exagerado nos meus receios, devem saber que em algumas casas de educação já se ia abolindo de facto o Sacramento da Penitência, e que era necessário aos alunos, que ainda professavam o Catolicismo, saírem como a furto, ou darem outros pretextos da saída; e eu mesmo encontrei alguns nestas louváveis empresas, durante os poucos dias de Junho, que residi na Capital do Reino; e era voz constante que nesta última Quaresma, e já na antecedente ficaram por desobrigar muitos alunos, porque não só os não mandavam, mas até os arguiam de que se quisessem confessar. Notei igualmente que o Método de Lencaster, ou Ensino mútuo, que se plantou modernamente em Lisboa, ainda prossegue, e com aplauso; o que me fez pensar que talvez ainda se ignore neste Reino que ele já foi proibido em muitos lugares, onde reina o Catolicismo, e tem contra si alguns dos mais abalisados, e religiosos escritores do nosso tempo. Oxalá que os Portugueses, e nomeadamente os Pais de Família se resolvam de uma vez a abrir os olhos, e se convençam de que uma barquinha lançada a um mar tormentoso, sem direcção, e sem leme, forçosamente há de padecer naufrágio. Que importa que seus filhos sejam umas águias, que adornem os seu espírito de muitos e variados conhecimentos, se é quase inevitável perderem as almas!!! Que tesouros, e dignidades podem ressarcir os mancebos de tão lastimosa perda!!! Carecemos de uma inteira reforma de estudos em Mestres, e em Livros, e já é tempo de seguirmos o exemplo da Áustria, e Nápoles, e do Piemonte; e se estes reinos se antolharem a certos Leitores, como possuídos de fanatismo, dignem-se ao menos de imitarem Frederico II Rei da Prússia, e Catarina II da Rússia, que sendo o primeiro Ateu, e a segunda Cismática, não temeram confiar a Frades Católicos a direcção dos estudos da mocidade de seus reinos. 

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LISBOA: NA IMPRESSÃO RÉGIA. 1823

Com licença da Real Comissão de Censura

15/06/15

NOVO CONCEITO DE "SANTO" (I)

Os procedimentos pelos quais a Santa Igreja apura as beatificações e Canonizações sempre foram alvo do maior critério e rigor. Contudo, hoje surge um diferente estilo de santos, à medida de um recente conceito de “santidade” . Na Igreja, os rigores e cuidados de sempre estão hoje relaxados. O rigor que havia, não o há mais; a segurança que havia nestas matérias será a mesma então?

Na segunda metade do séc. XX os rigores e critérios até então usados nas canonizações sofreram repentinamente alteração. O argumento foi o da celeridade nos processos (tal se deve à quantidade de processos iniciados, os quais poderiam ter sido evitados se respeitados os primeiros critérios e cuidados - Basta que que estivesse acostumado apenas a ler a vida de santos por edições antigas, seus escritos, leia depois uma biografia e escritos de um canonizado recente, para se dar conta de que umas e outras não vão na mesma linha. Dirão alguns “os santos são os mesmos, mas os épocas mudam”… mas não: se as “épocas mudam” e os santos são os mesmos, porque motivo os critérios se mantiveram durante séculos até há bem pouco tempo, e, de repente, “os tempos” começaram a ser argumento para o câmbio? E mais… há contradição entre o modelo tradicional e os feitos dos novos canonizados, sendo alguns destes feitos tradicionalmente impedimentos!

Entre os fiéis, onde antes havia apenas um, há hoje três formas de ver a “santidades”: o modelo tradicional (milenar); o novo critério (portado por aqueles que não conhecem realmente o modelo tradicional); os que tinham conhecimento do modelo tradicional e que foram assimilando o novo, acabando por relativizar o tradicional, tentando não achar contradição no novo que se lhes foi impondo. Na verdade, catolicamente, só o tradicional se pode chamar “modelo de santidade”, pois sem este a Igreja estaria sem pedra de assento para avaliar o que viesse em diante; talvez por se saber isto se faça tanta questão em lançar o novo modelo dizendo que é também o tradicional, ou que é uma evolução do tradicional, por mais contraditório que isso seja.

A par disto, e tomando como referência os anteriores processos, os processos para beatificação e canonização de hoje carecem de seriedade. Os dados que antes eram suficientes para impedir um processo de beatificação, hoje não são levados em conta. O prazo de 50 anos de espera, padrão que só em casos especiais podia ser superado, é hoje desrespeitado como se todos os casos fossem especiais (S. Teotónio e Sto. António, foram dois santos portugueses canonizados pouco tempo depois da sua morte, não tinham passado ainda dois anos – mas são estes dois casos especiais). S. Pio X, por exemplo, por ser de universal conhecimento de não haver matéria de oposição, foi uma dessas excepções; mas… João Paulo II, com tanta oposição, tanta matéria oposta, passar a beato em 6 anos, e ser canonizado poucos anos depois é evidentemente estranho… a não ser que os critérios e as regras tenham entretanto mudado significativamente e ficado como que assentes com a beatificação e canonização de Mons. Escrivá de Balaguer (o qual chegou a ter contestações ao processo que não foram sequer consideradas).

Nestes casos recentes, houve testemunhos e outros manifestos feitos chegar à Santa Sé, antes e depois das beatificações e canonizações. Além destes testemunhos voluntários, conveio sempre à própria Igreja quem sondar as opiniões contrárias nos ditos processos. Havia, sim havia, o “advogado do diabo”, o qual procurava fazer objecções à canonização (elemento importante que dificultava a defesa, fazendo com que ela unicamente se pudesse guiar argumentos irrefutáveis), e juntava os testemunhos contrários, fazendo uso das objecções que tinham sido entregues pelos fiéis à Santa Sé. O advogado do diabo hoje “anda de férias”, e parece que ninguém está mais interessado em “contratá-lo”.

O Padre José-Maria Escrivá de Balaguer
João XXIII, Edith Stein, Madre Teresa de Calcutá, João Paulo II, Mons. Escrivá de Balaguer, etc., tiveram os processos sempre contestados. Ou seja, além de processos impeditivos, os processos foram contestados e seguiram um diferente modelo de “santidade”. Se sempre a Santa Igreja foi interessada em receber os testemunhos contrários, agora eles são afastados se “conveniente”, e não chegam sequer a ser analisados.

O Santo é um modelo que a Santa Igreja coloca para imitação de todos, e é um intercessor nosso perante Deus. E para que a Santa Igreja o coloque como “cânon”, têm que estar provadas as virtudes em grau heróico. Como veremos, as virtudes hoje são tocadas por supostas virtudes, como se isto fosse coisa de inovar o conteúdo ao mesmo tempo que se lhe conserva o rótulo (isto é tipicamente e fundamentalmente “modernismo”).

Há uma novidade legítima, se assim se pode dizer, que é a recente descoberta da santidade em crianças. Pois, ao longo da história da Igreja, nunca aconteceu considerar que as crianças pudessem praticar as virtudes em grau heroico (tirando o caso do martírio). Os pastorinhos de Fátima são os primeiros neste aspecto (não quer isto dizer que fica assim provada a matéria necessária para uma beatificação ou canonização; refiro-me apenas à pratica de virtudes em grau heróico por crianças, e nada mais). Os santos mais jovens que nos acostumámos a ter eram adolescentes e jovens, mas nunca crianças: isto não constitui uma obrigatoriedade futura, porque nunca se declarou que as crianças eram inaptas para tal, apenas nunca se proporcionou e é difícil constatar. No caso das crianças de Fátima o caso está muito contextualizado e autorizado pelo contexto das aparições.

A prática das virtudes em grau heróico, portanto, sempre teve de ser provada, coisa que requereu sempre exame minucioso e com provas INCONTESTÁVEIS (por meio de processos que proporcionasse francamente a manifestação da vontade de Deus).

Dois são os critérios pelos quais se sabe se algo foi revelado por Deus: profecias e milagres. No caso da prova das virtudes praticadas em grau heróico, Deus dá garantia por meio de milagres.

(a continuar)

16/10/14

"ROMA - ROMA ETERNA" (XIV)


"ROMA AETERNA"
Revista de La Tradición Católica
(ano 1986)
(nº 97)

Acção Católica, ou Comunista?
"A Action Catholique Ouvrire (ACO) é supostamente uma organização católica que goza da aprovação oficial e alento da hierarquia católica francesa.

A ACO, na sua congresso de Le Mans (9-11 de maio de 1986), substituiu o seu Comité Nacional inteiro. O novo comité está ainda mais dominado por comunistas que o anterior. Inclui 12 activistas da CGT (obediência moscovita na França), e 26 da CFDT, a confederação antigamente católica, que hoje se situa à esquerda da CGT.

Entre os novos dirigentes 7 são filiados no Partido Comunista e 8 são militantes socialistas.

No congresso anterior até Edmond Maire, dirigente da CFDT, de ultra-esquerda, declarou: "A ACO converteu-se numa corrente de transmissão do Partido Comunista". Deveria ter acrescentado: com a bênção explícita dos bispos católicos franceses, dois dos quais assistiram ao congresso de Le Mans." (APPROACHES, Saltcoats, nº 93-94)


Um Protestantes Privilegiado
"Marselha acaba de enterrar o seu cidadão mais proeminente, Gaston Defferre, o milionário socialista que conseguiu fazer ininterruptamente eleger-se Presidente da Câmara na segunda cidade de França durante os últimos 25 anos. Defferre era protestante, o seu funeral cívico decorreu normalmente segundo os ritos da Igreja Reformada de França. Como seria de esperar nestes tempos de falso ecumenismo, foi acompanhado das orações de representantes católicos, bizantinos, judeus, maometanos, etc. O serviço fúnebre teve lugar na Catedral católica.

O Arcebispo Mons. Coffy permitiu tal coisa, atendendo a uma solicitação do município e do pastor, e afirmou: "era o único templo suficientemente amplo para acomodar todas as personalidades convidadas... Cedi ao pedido, como um serviço ao povo de Marselha e à Igreja Reformada de França".

Recordamos que, justamente no mesmo momento, o Bispo de Chartres, Mons. Kuehn, não autorizou que na sua catedral se rezasse a Missa tradicional católica (Rito Romano codificado por S. Pio V) por ocasião da peregrinação anual do Pentecostes, que recorreria 88 Km, que separam Paris de Chartres. Os peregrinos eram, de longe, demasiado numerosos para caber noutro templo. Não se deve estranhar que Mons. Kuehn tenha emprestado a Catedral para o serviço protestante, visto que pouco depois também permitiu actos druidas na mesma." (do PRESENT, Paris, 14 de maio de 1986)

26/03/14

A FREIRA DESMIOLADA...

"é a força da fé" ...
É tão absurdo que não sei que dizer.... não sei mesmo... Vejam onde as coisas andam! Já há humor e ridicularizarão espalhada com base nesta trista aventura da Irmã Cristina Scuccia (siciliana), que fez esta "linda evangelização":

06/03/14

HISTÓRIA DOS "ILUMINADOS" (IV)

(continuação da III parte)

Por estas qualidades do mais íntimo adepto de Weishaupt, é fácil julgar as que exigia dos outros candidatos para deles se fiar. Além das que descreve em sua carta a Tibério, acham-se outras nos escritos originais, que nos põem no estado de apreciar o zelo. Tal é entre outros, o Marquês de Constança, que debaixo do nome de Diomede, desde os primeiros anos da seita, tinha viajado o Tirol e Milão como apóstolo do Iluminismo. Tais o Conde de Savioli, o Barão de Magenhoff, de quem Weishaupt fezz seu Bruto, e seu Sila; e o Conde Pappenhem com o nome de Alexandre. Tais, sobre tudo, foram diferentes professores de colégios ou mostres de escolas, a quem o fundador preferia, como os mais aptos para seduzir a mocidade, e corromper desde a infância o coração do homem.Os progressos desta Ordem, na primeira época, e os meios de que Weishaupt se serviu para aumentar o número de seus adeptos, se pode ajuizar pelo extracto seguinte achado entre os papeis do Catão Zawck:

"Nós temos em Atenas (Munich) 1º uma loja regular de Iluminados Maiores, própria para o nosso objecto; 2º uma grande loja maçónica; 3º duas consideráveis igrejas, ou academias do Grau Minerval.
Também temos em Tebas (Freysinga) uma loja Minerval, assim como em Mégara (Landsberg) em Burghausen, em Straubing; e em Éfeso [Inglstadt). Em pouco tempo estabeleceremos uma em Coríntio (Ratisbona).
Nós comprámos (em Munich) uma casa; e tomámos também nossas medidas, que os profanos não só não falam de nossas assembleias; mas nos dão mostras de grande estima, quando nos veem ir publicamente isto é muito para uma cidade como Munich.
É nesta casa, ou loja que temos um gabinete de história natural, instrumentos físicos, uma biblioteca, e tudo isto se vai aumentando pelos donativos dos irmãos.
O jardim é destinado à botânica.
A Ordem procura para os irmãos todos os jornais científicos. - Por diferentes brochuras impressas, temos excitado a atenção dos Principais, e do Povo sobre certos abusos mais notáveis. Todos os dias empregamos novas forças contra os Religiosos, e temos visto bons frutos de nossos trabalhos. (Um dos coriseos da Revolução da França gritavam no meio da assembleia: "Se quereis destruir o Trono, começai pelos Religiosos." Parece não termos necessidade de maior prova, para conheceremos o que são úteis às Monarquias, onde se acham estabelecidos; e que seus inimigos são os conspiradores contra o Trono, e discípulos do ímpio Weishaupt.)
É absolutamente proibido alistar os R. C. (Rosa-Cruz) e devemos da-los por suspeitos.
Já sabereis a íntima aliança que fizemos com a loja de ... e com a Loja Nacional de Polónia ..."


Outra nota da mesma mão sobre os progressos políticos da Ordem:

"Pelas intrigas dos irmãos, todos os Religiosos foram banidos das Cadeiras da Universidade de Ingolstadt.
A Duquesa viuvava para a educação dos seus filhos, segue o plano feito pela nossa Ordem, e segundo nossos princípios. Esta Casa está debaixo de nossa inspecção; todos os professores são membros da Ordem. Cinco destes membros foram bem providos, e todos os seus discípulos serão nossos candidatos.
Pela protecção dos irmãos, Pylade está feito Conselheiro fiscal Eclesiástico: procurando-lhe este lugar, nós pusemos à disposição da Ordem o dinheiro da Igreja. - Também temos pelo uso deste dinheiro reparado já a má administração de nossos ... e o tiramos das mãos dos usurários.
Os irmãos da igreja têm sido por nossos cuidados promovidos em Benefícios, Curados, e Cadeiras de Professores. Arminio, e Cortez já estão professores de Ingolstadt.
É pelos nossos cuidados, e protecção, que a Côrte mandou vigiar dois de nossos adeptos, que já estão em Roma.
As escolas germânicas são governadas pela nossa Ordem, e têm por Perfeitos nossos irmãos.
Também governamos a Sociedade da Caridade.
A Ordem tem procurado a grande número de irmãos os primeiros lugares da Magistratura, e administrações.
Quatro Cadeiras Eclesiásticas são ocupadas por nossos irmãos.
Em pouco tempo, nós seremos mestres das casas destinadas para a educação dos nossos eclesiásticos. As medidas estão tomadas, e por isso poderemos munir toda a Baviera de sacerdotes convenientes ao nosso objecto.
Pelos nossos esforços, e por diversas maneiras, chegamos ao fim não comente de manter o Conselho Eclesiástico, mas de o sujeitar aos colégios, a quem se deu todos os bens, que administravam os Religiosos. Nossos Iluminados Maiores fizeram sobre este objecto seis Assembleias, muitas das quais ocuparam uma noite."


Quantos problemas ou enigmas, esta nota do adepto Catão não prepara à solução na história da Revolução Francesa? Com que cuidado não vemos aqui a seita embrenharse no mesmo Santuário! Que meios não emprega para penetrar nos Conselhos, na Magistratura, e na administração pública! Ela nãoo só faz servir os tesouros da Igreja e do Estado; mas também se apodera da tenra mocidade, educando seus noviços com despezas da fundação pública; faendo subsistir seus viajantes á custa dos Príncipes, de quem meditam a ruina. - Ainda há nestanota enigma do outro género. Vê-se Catão Zwack aplaudir-se de ter fundado em Munich uma loja de pedreiros-livres, e os triunfos que tem conseguido os Iluminados sobre os maçons Roza-Cruz. - Donde nasce pois este desejo de imitar os pedreiros-livres, e a guerra declarada que fazem aos mais famosos adeptos da maçonaria? Suas questões nos conduz a expor o meio profundamente concebido por Weishaupt, a fim de propagar suas conspirações. Sua intrusão nas lojas ma´nicas nos levam à segunda época dos pedreiros-livres-iluminados. Desde os primeiros dias do Iluminismo, Weishaupt julgou tirar grande partido para suas conspirações, se ele fizesse uma aliança com o grande número de pedreiros-livres, espalhados por toda a Europa. Escrevia ele ao adepto Ajax em 1777:

"Eu vos participo que antes do Carnaval vou para Munich, onde me farei receber pedreiro-livre. Não vos admireis deste passo que dou: nosso sistema em nada diminuirá; pois por este meio aprenderemos a conhecer um novo segredo, e por ele nos faremos mais fortes que os outros."


Com efeito, ele recebeu os primeiros graus maçónicos na loja de Munich, chamada de S. Teodoro. Weishaupt viu nesta loja entre momices a igualdade e a liberdade fazerem as delicias dos irmãos. Suspeitando mistérios ulteriores, os pedreiros-livres lhe diziam, ainda que inutilmente, que toda a discussão religiosa e política era banida das lojas; porque outro tanto dizia ele aos seus noviços sobre o objecto de sua Ordem; pois conhecia o quanto era útil semelhante afirmação. O adepto Zwack, instituído por um maçon chamado Marotti, recebeu conhecimentos mais profundos, e foi iniciado nos supremos graus da Maçonaria. Weisaupt, escrevendo ao mesmo adepto, lhe diz ter adquirido sobre este objecto outros conheciments, de que faria uso em seu plano, mas que os reserva para os graus superiores. Seguro para futuro de suas novas descobertas, e do uso que delas poderia fazer, para baralhar seus mistérios com os dos maçons, e adquirir por este meio tantos milhões de irmãos, derramados desde o Septentrião até ao Meio-dia, isto é, segundo sua frase, por todo o Universo, ele ordenu a seus areopagitas, que se fizessem pedreiros-livres, fazendo todas as disposições para ter as mesmas vantagens em suas diversas Colónias. O fundador bávaro possuía os segredos dos maçons; e os maçons ignoravam os segredos dos Iluminados. - Tal foi a época, em que os Rosa-Cruz viram com susto elevar-se uma nova sociedade em prejuízo das antigas maçónicas, pois que os Iluminados não poupavam a injúria (uso dos propagadores do erro) para desacreditarem os maiores discípulos dos maçons, assoalhando que só o Iluminismo é que possuía os verdadeiros segredos da Ordem. Weishaupt imaginou todos os meios de triunfar do combate e da intriga, excitada entre seus adeptos e os pedreiros-livres. Indeciso do uso que faria de sua vítima, escrevia a Zwack nestes termos: 
 
"Eu queria mandar vir de Londres uma Constituição para os nossos irmãos; e ainda agora seria este o meu voto, se estivéssemos seguros do Capítulo (maçónico) de Munich. - Eu não posso escrever nada fixo sobre isto, sem que primeiro veja a face, que tomam os negócios [assuntos]. Pode ser que ainda me resolva a fazer um novo sistema maçónico, ou que ligue os pedreiros-livres a nossa Ordem, fazendo um só Corpo destes dois sistemas." (Cart. 57, A Catão. Março 1778)

(Philon Knigge):
Para o determinar nestas incertezas, era necessário a Weishaupt um homem, que desse menos tempo apesar as dificuldades, e que as resolvesse apenas imaginadas. O demónio das Revelações e da impiedade lhe enviou um Barão hanoveriano, chamado Knigge. Ao ouvir este nome, os mesmos pedreiros-livres alemães reconheciam o perverso, que tinha empestado suas lojas maçónicas, e a que nada poupava para consumar a depravação de seus ímpios e sacrílegos rosa.cruz. Em sua cólera e indignação, eles chegavam a perdoarem, e terem para com Weishaupt uma espécie de indulgência; fazendo cair sobre Knigge todo o seu ódio, e todo o opróbrio de sua sociedade, infernal viveiro do Iluminismo. Porém a veracidade dos factos só mostram que nesta intrusão, Philon Knigge foi um digno instrumento, de que se serviu Spartacus-Weishaupt. O que um executou, o outro tinha meditado havia longo tempo. Estes dois homens, um para dar leis ímpias e revolucionárias, outro para propagar os mistérios da seita, e para arranjar em suas conspirações legiões de adeptos.

Adolph von Knigge
(Paralelo de Knigge e de Weishaupt):
Se Weishaupt em suas ferozes meditações parece qual Satanás ocupado dos projectos, que concebeu contra o género humano; Knigge nos fazlembrar um desses génios malfazejos, que com a rapidez da peste corre a toda a parte, que o rei dos infernos lhemostra para contaminar, e semear a maldade. Em suas meditações, Weishaupt combinava vagarosamente suas conspirações, comparava seus princípios, calculava tudo; e para assegurar seu golpe, às vezes deferia a execução de seu sistema.  Porém Knigge com sua ligeireza faz mais, que delibera: apenas vê que se pode fazer mal, nada o suspende para o fazer. Um prevê os obstáculos que poderia encontrar, e procura evitá-los; o outro só teme perder o tempo, que é necessário para reflectir. Um não quer ver causa que retarde seus passos; o outro nada julga capaz de suster.


(continuação, parte V)

12/01/14

TERCEIRA OFENSA DIRECTA DE FRANCISCO A PORTUGAL - Os Cães Mudos

Francisco tinha nomeado para nossa Patriarca de Lisboa, mas sem cumprir com o que está estipulado: nomeá-lo logo Cardeal. Esta ofensa a Portugal, foi abafada por tolos modernistas-conservadores que, sujeitos à heresia da "super infalibilidade" começaram a  assobiaram mentiras como esta:

"O Patriarca de Lisboa é nomeado Cardeal no consitório seguinte à sua nomeação desde que o consistório seja convocado para esse efeito, ou seja, nomear cardeais..." (1/10/2013)

Fechemos os olhos, e vamos adiante.

Passou o tempo. Estamos a 12 de Janeiro, eis que o Francisco anuncia a nomeação de novos Cardeais, para 22 de Fevereiro de 2014... e o Patriarca de Lisboa não consta da lista!

O que dizem a isto os modernistas-conservadores!? Logo que acharam brecha mediante o aperto, emitiram a notícia:

"D.Manuel Clemente não está entre os eleitos, talvez porque o antigo Patriarca de Lisboa, D.José Policarpo, ainda não cumpriu os 80 anos e portanto continua a ser um cardeal eleitor." (fonte, aqui)

(D. José Policarpo, fará 80 anos dia 26 de Fevereiro de 2015)

Ora... não está aqui em causa confusão em que a Hierarquia nos tem metido pelas suas inovações desautorizadas, não está aqui em causa sequer a forma e o motivo de Francisco nem se ter dado ao trabalho de dar humildes e justas explicações aos portugueses! Está agora em causa o comportamento cobarde e infiel desses "cães mudos" que são os modernistas-conservadores: sempre prontos a arranjar desculpas e, em nome do conforto e dos "respeitos humanos", com falsa prudência e toda a manha, serpentearem como serpenteiam. Ora inventam regras, mesmo contra as evidências, ora se medicam com "talvezes"... sobre o facto de Francisco NADA ter explicado a Portugal, nem ao próprio Patriarca de Lisboa: nada dizem, como se isso não fosse contra a moral e contra a justa e legítima dignidade da nossa Católica fundação!

Em tempos foi o liberal D. Pedro I (do Brasil) a exigir à Santa Sé que extinguisse o Patriarcado, e então o Papa com esforço tentou conservar tudo o que do Patriarcado foi possível. Hoje é o próprio Papa junto com os seus "cães mudos" que contribuem para abanar o que resta do resto do Patriarcado. Em outros tempos o liberalismo e a maçonaria subiu ao Trono ... hoje ... já vai mais longe e não aflige quase ninguém!

Onde está a voz do Patriarca!?

09/11/13

FRASE "MARAVILHAS"

"O CIRCO ACABOU." (frase de destaque, à qual se contrapões a foto seguinte:)

08/11/13

"Os desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização" - PERDOAI-LHES SENHOR ...

Este dia 5 de Novembro (2013) o Papa Francisco emitiu mais um documento... Trata-se de uma preparação para um sínodo extraordinário de bispos (III Assembleia geral extraordinária do sínodo dos bispos) que irá decorrer entre 5 a 19 do Outubro próximo. Deste documento faz parte um questionário de 38 perguntas dirigidas aos fiéis, nas paróquias.

AVISO: Para que não venha algum leitor acusar de "pecado de omissão" ao publicarmos um documento do Papa sem fazer a crítica, fica já o aviso: será colocado o documento lhe adicionar -lhe crítica, e depois o leitor verá se a crítica será feita ou não noutro dia, ou nunca! Para já, este parágrafo é a única crítica ao artigo.

Neste novo documento papal, intitulado "Os Desafios Pastorais Sobre a Família no Contexto da Evangelização", repare-se na doutrina de fundo e na facilidade com que vai sendo transmitida:

“Os desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização”


I – O Sínodo: família e evangelização

A missão de pregar o Evangelho a cada criatura foi confiada directamente pelo Senhor aos seus discípulos, e dela a Igreja é portadora na história. Na época em que vivemos, a evidente crise social e espiritual torna-se um desafio pastoral, que interpela a missão evangelizadora da Igreja para a família, núcleo vital da sociedade e da comunidade eclesial.

Propor o Evangelho sobre a família neste contexto é mais urgente e necessário do que nunca. A importância deste tema sobressai do fato que o Santo Padre decidiu estabelecer para o Sínodo dos Bispos um itinerário de trabalho em duas etapas: a primeira, a Assembleia Geral Extraordinária de 2014, destinada a especificar o “status quaestionis” e a recolher testemunhos e propostas dos Bispos para anunciar e viver de maneira fidedigna o Evangelho para a família; a segunda, a Assembleia Geral Ordinária de 2015, em ordem a procurar linhas de ação para a pastoral da pessoa humana e da família.

Hoje perfilam-se problemáticas até há poucos anos inéditas, desde a difusão dos casais de fato, que não acedem ao Matrimónio e, às vezes, excluem esta própria ideia, até às uniões entre pessoas do mesmo sexo, às quais não raro é permitida a adopção de filhos. Entre as numerosas novas situações que exigem a atenção e o compromisso pastoral da Igreja, será suficiente recordar: os matrimónios mistos ou inter-religiosos; a família monoparental; a poligamia; os matrimónios combinados, com a consequente problemática do dote, por vezes entendido como preço de compra da mulher; o sistema das castas; a cultura do não-comprometimento e da presumível instabilidade do vínculo; as formas de feminismo hostis à Igreja; os fenómenos migratórios e reformulação da própria ideia de família; o pluralismo relativista na noção de Matrimónio; a influência dos meios de comunicação sobre a cultura popular na compreensão do Matrimônio e da vida familiar; as tendências de pensamento subjacentes a propostas legislativas que desvalorizam a permanência e a fidelidade do pacto matrimonial; o difundir-se do fenómeno das mães de substituição (“barriga de aluguel”); e as novas interpretações dos direitos humanos. Mas, sobretudo no âmbito mais estritamente eclesial, o enfraquecimento ou abandono da fé na sacramentalidade do Matrimónio e no poder terapêutico da penitência sacramental.

A partir de tudo isto, compreende-se como é urgente que a atenção do episcopado mundial, “cum et sub Petro”, enfrente estes desafios. Se, por exemplo, pensarmos unicamente no fato de que, no contexto actual, muitos adolescentes e jovens, nascidos de matrimónios irregulares, poderão nunca ver os seus pais aproximar-se dos sacramentos, compreenderemos como são urgentes os desafios apresentados à evangelização pela situação actual, de resto difundida em todas as partes da “aldeia global”. Esta realidade encontra uma correspondência singular no vasto acolhimento que tem, nos nossos dias, o ensinamento sobre a misericórdia divina e sobre a ternura em relação às pessoas feridas, nas periferias geográficas e existenciais: as expectativas que disto derivam, a propósito das escolhas pastorais relativas à família, são extremamente amplas. Por isso, uma reflexão do Sínodo dos Bispos a respeito destes temas parece tanto necessária e urgente quanto indispensável, como expressão de caridade dos Pastores em relação a quantos lhes são confiados e a toda a família humana.

II – A Igreja e o Evangelho sobre a família

A boa nova do amor divino deve ser proclamada a quantos vivem esta fundamental experiência humana pessoal, de casal e de comunhão aberta ao dom dos filhos, que é a comunidade familiar. A doutrina da fé sobre o Matrimónio deve ser apresentada de modo comunicativo e eficaz, para ser capaz de alcançar os corações e de transformá-los segundo a vontade de Deus manifestada em Cristo Jesus.

A propósito das fontes bíblicas sobre o Matrimónio e a família, nesta circunstância apresentamos somente as referências essenciais. Também no que se refere aos documentos do Magistério, parece oportuno limitar-se aos documentos do Magistério universal da Igreja, integrando-os com alguns textos emanados pelo Pontifício Conselho para a Família e atribuindo aos Bispos participantes no Sínodo a tarefa de dar voz aos documentos dos seus respectivos organismos episcopais.

Em todas as épocas e nas culturas mais diversificadas nunca faltou o ensinamento claro dos Pastores, nem o testemunho concreto dos fiéis, homens e mulheres que, em circunstâncias muito diversas, viveram o Evangelho sobre a família como uma dádiva incomensurável para a sua própria vida e para a vida dos sues filhos. O compromisso a favor do próximo Sínodo Extraordinário é assumido e sustentado pelo desejo de comunicar esta mensagem a todos, com maior incisividade, esperando assim que “o tesouro da revelação confiado à Igreja encha cada vez mais os corações dos homens” (DV 26).

O projeto de Deus Criador e Redentor
A beleza da mensagem bíblica sobre a família tem a sua raiz na criação do homem e da mulher, ambos criados à imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1, 24-31; 2, 4b-25). Ligados por uma vínculo sacramental indissolúvel, os esposos vivem a beleza do amor, da paternidade, da maternidade e da dignidade suprema de participar deste modo na obra criadora de Deus.

No dom do fruto da sua união, eles assumem a responsabilidade do crescimento e da educação de outras pessoas, para o futuro do género humano. Através da procriação, o homem e a mulher realizam na fé a vocação de ser colaboradores de Deus na preservação da criação e no desenvolvimento da família humana.

O Beato João Paulo II comentou este aspecto na “Familiaris consortio”: “Deus criou o homem à sua imagem e semelhança (cf. Gn 1, 26 s.): chamando-o à existência por amor, chamou-o ao mesmo tempo ao amor. Deus é amor (1 Jo 4, 8) e vive em si mesmo um mistério de comunhão pessoal de amor. Criando-a à sua imagem e conservando-a continuamente no ser, Deus inscreve na humanidade do homem e da mulher a vocação e, assim, a capacidade e a responsabilidade do amor e da comunhão (cf. “Gaudium et spes”, 12). O amor é, portanto, a fundamental e originária vocação de cada ser humano” (FC 11).

Este projeto de Deus Criador, que o pecado original deturpou (cf. Gn 3, 1-24), manifestou-se na história através das vicissitudes do povo eleito, até à plenitude dos tempos, pois mediante a encarnação o Filho de Deus não apenas confirmou a vontade divina de salvação, mas com a redenção ofereceu a graça de obedecer a esta mesma vontade.

O Filho de Deus, Palavra que se fez carne (cf. Jo 1, 14) no seio da Virgem Mãe, viveu e cresceu na família de Nazaré, e participou nas bodas de Caná, cuja festa foi por Ele enriquecida com o primeiro dos seus “sinais” (cf. Jo 2, 1-11). Ele aceitou com alegria o acolhimento familiar dos seus primeiros discípulos (cf. Mc 1, 29-31; 2, 13-17) e consolou o luto da família dos seus amigos em Betânia (cf. Lc 10, 38-42; Jo 11, 1-44).

Jesus Cristo reestabeleceu a beleza do Matrimónio, voltando a propor o projecto unitário de Deus, que tinha sido abandonado devido à dureza do coração humano, até mesmo no interior da tradição do povo de Israel (cf. Mt 5, 31-32; 19.3-12; Mc 10, 1-12; Lc 16, 18). Voltando à origem, Jesus ensinou a unidade e a fidelidade dos esposos, recusando o repúdio e o adultério.

Precisamente através da beleza extraordinária do amor humano – já celebrada com contornos inspirados no Cântico dos Cânticos, e do vínculo esponsal exigido e defendido por Profetas como Oseias (cf. Os 1, 2-3,3) e Malaquias (cf. Ml 2, 13-16) – Jesus confirmou a dignidade originária do amor entre o homem e a mulher.

O ensinamento da Igreja sobre a família
Também na comunidade cristã primitiva a família se manifestava como “Igreja doméstica” (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 1655): nos chamados “códigos familiares” das Cartas apostólicas neotestamentárias, a grande família do mundo antigo é identificada como o lugar da solidariedade mais profunda entre esposas e maridos, entre pais e filhos, entre ricos e pobres (cf. Ef 5, 21-6, 9; Cl 3, 18-4, 1; 1 Tm 2, 8-15; Tt 2, 1-10; 1 Pd 2, 13-3, 7; cf., além disso, também a Carta a Filémon). Em particular, a Carta aos Efésios identificou no amor nupcial entre o homem e a mulher “o grande mistério”, que torna presente no mundo o amor de Cristo e da Igreja (cf. Ef 5, 31-32).

Ao longo dos séculos, sobretudo na época moderna até aos nossos dias, a Igreja não fez faltar um seu ensinamento constante e crescente sobre a família e sobre o Matrimónio que a fundamenta. Uma das expressões mais excelsas foi a proposta do Concílio Ecuménico Vaticano 2º, na Constituição Pastoral “Gaudium et spes” que, abordando algumas problemáticas mais urgentes, dedica um capítulo inteiro à promoção da dignidade do Matrimónio e da família, como sobressai na descrição do seu valor para a constituição da sociedade: “A família – na qual se congregam as diferentes gerações que reciprocamente se ajudam a alcançar uma sabedoria mais plena e a conciliar os direitos pessoais com as outras exigências da vida social – constitui assim o fundamento da sociedade” (GS 52). Particularmente intenso é o apelo a uma espiritualidade cristocêntrica dirigida aos esposos crentes: “Os próprios esposos, feitos à imagem de Deus e estabelecidos numa ordem verdadeiramente pessoal, estejam unidos em comunhão de afeto e de pensamento e com mútua santidade, de modo que, seguindo a Cristo, princípio da vida, se tornem pela fidelidade do seu amor, através das alegrias e dos sacrifícios da sua vocação, testemunhas daquele mistério de amor que Deus revelou ao mundo com a sua morte e a sua ressurreição” (GS 52).

Também os Sucessores de Pedro, depois do Concílio Vaticano II, enriqueceram mediante o seu Magistério a doutrina sobre o Matrimónio e a família, de modo especial Paulo VI com a Encíclica “Humanae vitae”, que oferece ensinamentos específicos a níveis de princípio e de prática. Sucessivamente, o Papa João Paulo 2º, na Exortação Apostólica “Familiaris consortio”, quis insistir na proposta do desígnio divino acerca da verdade originária do amor esponsal e familiar: “O ‘lugar’ único, que torna possível esta doação segundo a sua verdade total, é o Matrimónio, ou seja o pacto de amor conjugal ou escolha consciente e livre, com a qual o homem e a mulher recebem a comunidade íntima de vida e de amor, querida pelo próprio Deus (cfr. “Gaudium et spes”, 48), que só a esta luz manifesta o seu verdadeiro significado. A instituição matrimonial não é uma ingerência indevida da sociedade ou da autoridade, nem a imposição extrínseca de uma forma, mas uma exigência interior do pacto de amor conjugal que publicamente se afirma como único e exclusivo, para que seja vivida assim a plena fidelidade ao desígnio de Deus Criador. Longe de mortificar a liberdade da pessoa, esta fidelidade põe-na em segurança em relação ao subjetivismo e relativismo, tornando-a participante da Sabedoria criadora” (FC 11).

O Catecismo da Igreja Católica reúne estes dados fundamentais: “A aliança matrimonial, pela qual um homem e uma mulher constituem entre si uma comunidade íntima de vida e de amor; foi fundada e dotada das suas leis próprias pelo Criador: Pela sua natureza, ordena-se ao bem dos cônjuges, bem como à procriação e educação dos filhos. Entre os baptizados, foi elevada por Cristo Senhor à dignidade de sacramento [cf. Concílio Ecuménico Vaticano II, Gaudium et spes, 48; Código de Direito Canónico, cân. 1055 § 1](CCC, n. 1660).

A doutrina exposta no Catecismo refere-se tanto aos princípios teológicos como aos comportamentos morais, abordados sob dois títulos distintos: O sacramento do matrimónio (nn. 1601-1658) e o sexto mandamento (nn. 2331-2391). Uma leitura atenta destas partes do Catecismo oferece uma compreensão atualizada da doutrina da fé, em benefício da atividade da Igreja diante dos desafios contemporâneos. A sua pastoral encontra inspiração na verdade do Matrimónio visto no desígnio de Deus, que criou varão e mulher, e na plenitude dos tempos revelou em Jesus também a plenitude do amor esponsal, elevado a sacramento. O Matrimónio cristão, fundamentado sobre o consenso, é dotado também de efeitos próprios, e no entanto a tarefa dos cônjuges não é subtraída ao regime do pecado (cf. Gn 3, 1-24), que pode provocar feridas profundas e até ofensas contra a própria dignidade do sacramento.

“O primeiro âmbito da cidade dos homens iluminado pela fé é a família; penso, antes de mais nada, na união estável do homem e da mulher no Matrimónio. Tal união nasce do seu amor, sinal e presença do amor de Deus, nasce do reconhecimento e aceitação do bem que é a diferença sexual, em virtude da qual os cônjuges se podem unir numa só carne (cf. Gn 2, 24) e são capazes de gerar uma nova vida, manifestação da bondade do Criador, da sua sabedoria e do seu desígnio de amor. Fundados sobre este amor, homem e mulher podem prometer-se amor mútuo com um gesto que compromete a vida inteira e que lembra muitos traços da fé: prometer um amor que dure para sempre é possível quando se descobre um desígnio maior que os próprios projetos, que nos sustenta e permite doar o futuro inteiro à pessoa amada” (LF 52). “A fé não é um refúgio para gente sem coragem, mas a dilatação da vida: faz descobrir uma grande chamada — a vocação ao amor — e assegura que este amor é fiável, que vale a pena entregar-se a ele, porque o seu fundamento se encontra na fidelidade de Deus, que é mais forte do que toda a nossa fragilidade” (LF 53).

III – Questionário

As seguintes perguntas permitem às Igrejas particulares participar activamente na preparação do Sínodo Extraordinário, que tem a finalidade de anunciar o Evangelho nos actuais desafios pastorais a respeito da família.

1 - Sobre a difusão da Sagrada Escritura e do Magistério da Igreja a propósito da família
a) Qual é o conhecimento real dos ensinamentos da Bíblia, da “Gaudium et spes”, da “Familiaris consortio” e de outros documentos do Magistério pós-conciliar sobre o valor da família segundo a Igreja católica? Como os nossos fiéis são formados para a vida familiar, em conformidade com o ensinamento da Igreja?
b) Onde é conhecido, o ensinamento da Igreja é aceite integralmente. Verificam-se dificuldades na hora de o pôr em prática? Se sim, quais?
c) Como o ensinamento da Igreja é difundido no contexto dos programas pastorais nos planos nacional, diocesano e paroquial? Que tipo de catequese sobre a família é promovida?
d) Em que medida – e em particular sob que aspectos – este ensinamento é realmente conhecido, aceite, rejeitado e/ou criticado nos ambientes extra-eclesiais? Quais são os factores culturais que impedem a plena aceitação do ensinamento da Igreja sobre a família?

2 - Sobre o matrimónio segundo a lei natural
a) Que lugar ocupa o conceito de lei natural na cultura civil, quer nos planos institucional, educativo e académico, quer a nível popular? Que visões da antropologia estão subjacentes a este debate sobre o fundamento natural da família?
b) O conceito de lei natural em relação à união entre o homem e a mulher é geralmente aceite, enquanto tal, por parte dos baptizados?
c) Como é contestada, na prática e na teoria, a lei natural sobre a união entre o homem e a mulher, em vista da formação de uma família? Como é proposta e aprofundada nos organismos civis e eclesiais?
d) Quando a celebração do matrimónio é pedida por baptizados não praticantes, ou que se declaram não-crentes, como enfrentar os desafios pastorais que disto derivam?

3 – A pastoral da família no contexto da evangelização
Quais foram as experiências que surgiram nas últimas décadas em ordem à preparação para o matrimónio? Como se procurou estimular a tarefa de evangelização dos esposos e da família? De que modo promover a consciência da família como “Igreja doméstica”?
Conseguiu-se propor estilos de oração em família, capazes de resistir à complexidade da vida e da cultural contemporânea?
Na actual situação de crise entre as gerações, como as famílias cristãs souberam realizar a própria vocação de transmissão da fé?
De que modo as Igrejas locais e os movimentos de espiritualidade familiar souberam criar percursos exemplares?
Qual é a contribuição específica que casais e famílias conseguiram oferecer, em ordem à difusão de uma visão integral do casal e da família cristã, hoje credível?
Que atenção pastoral a Igreja mostrou para sustentar o caminho dos casais em formação e dos casais em crise?

4 – Sobre a pastoral para enfrentar algumas situações matrimoniais difíceis
a) A convivência ad experimentum é uma realidade pastoral relevante na Igreja particular? Em que percentagem se poderia calculá-la numericamente?
b) Existem uniões livres de facto, sem o reconhecimento religioso nem civil? Dispõem-se de dados estatísticos confiáveis?
c) Os separados e os divorciados recasados constituem uma realidade pastoral relevante na Igreja particular? Em que percentagem se poderia calculá-los numericamente? Como se enfrenta esta realidade, através de programas pastorais adequados?
d) Em todos estes casos: como vivem os baptizados a sua irregularidade? Estão conscientes da mesma? Simplesmente manifestam indiferença? Sentem-se marginalizados e vivem com sofrimento a impossibilidade de receber os sacramentos?
e) Quais são os pedidos que as pessoas separadas e divorciadas dirigem à Igreja, a propósito dos sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação? Entre as pessoas que se encontram em tais situações, quantas pedem estes sacramentos?
f) A simplificação da praxe canónica em ordem ao reconhecimento da declaração de nulidade do vínculo matrimonial poderia oferecer uma contribuição positiva real para a solução das problemáticas das pessoas interessadas? Se sim, de que forma?
g) Existe uma pastoral para ir ao encontro destes casos? Como se realiza esta actividade pastoral? Existem programas a este propósito, nos planos nacional e diocesano? Como a misericórdia de Deus é anunciada a separados e divorciados recasados e como se põe em prática a ajuda da Igreja para o seu caminho de fé? 

5 - Sobre as uniões de pessoas do mesmo sexo
a) Existe no vosso país uma lei civil de reconhecimento das uniões de pessoas do mesmo sexo, equiparadas de alguma forma ao matrimónio?
b) Qual é a atitude das Igrejas particulares e locais, quer diante do Estado civil promotor de uniões civis entre pessoas do mesmo sexo, quer perante as pessoas envolvidas neste tipo de união?
c) Que atenção pastoral é possível prestar às pessoas que escolheram viver em conformidade com este tipo de união?
d) No caso de uniões de pessoas do mesmo sexo que adoptaram crianças, como é necessário comportar-se pastoralmente, em vista da transmissão da fé? 

6 - Sobre a educação dos filhos no contexto das situações de matrimónios irregulares
a) Qual é nestes casos a proporção aproximativa de crianças e adolescentes, em relação às crianças nascidas e educadas em famílias regularmente constituídas?
b) Com que atitude os pais se dirigem à Igreja? O que pedem? Somente os sacramentos, ou inclusive a catequese e o ensinamento da religião em geral?
c) Como as Igrejas particulares vão ao encontro da necessidade dos pais destas crianças, de oferecer uma educação cristã aos próprios filhos?
d) Como se realiza a prática sacramental em tais casos: a preparação, a administração do sacramento e o acompanhamento?

7 - Sobre a abertura dos esposos à vida
a) Qual é o conhecimento real que os cristãos têm da doutrina da Humanae vitae a respeito da paternidade responsável? Que consciência têm da avaliação moral dos diferentes métodos de regulação dos nascimentos? Que aprofundamentos poderiam ser sugeridos a respeito desta matéria, sob o ponto de vista pastoral?
b) Esta doutrina moral é aceite? Quais são os aspectos mais problemáticos que tornam difícil a sua aceitação para a grande maioria dos casais?
c) Que métodos naturais são promovidos por parte das Igrejas particulares, para ajudar os cônjuges a pôr em prática a doutrina da Humanae vitae?
d) Qual é a experiência relativa a este tema na prática do sacramento da penitência e na participação na Eucaristia?
e) Quais são, a este propósito, os contrastes que se salientam entre a doutrina da Igreja e a educação civil?
f) Como promover uma mentalidade mais aberta à natalidade? Como favorecer o aumento dos nascimentos?

8 - Sobre a relação entre a família e a pessoa
a) Jesus Cristo revela o mistério e a vocação do homem: a família é um lugar privilegiado para que isto aconteça?
b) Que situações críticas da família no mundo contemporâneo podem tornar-se um obstáculo para o encontro da pessoa com Cristo?
c) Em que medida as crises de fé, pelas quais as pessoas podem atravessar, incidem sobre a vida familiar?
9 - Outros desafios e propostas
Existem outros desafios e propostas a respeito dos temas abordados neste questionário, sentidos como urgentes ou úteis por parte dos destinatários?

Papa Francisco
(5 de Novembro de 2013)

01/11/13

"DEFEZA DE PORTUGAL" (1831) - O MAÇONISMO (I b)

(continuação da  parte a)

Maçonismo

O Maçonismo [maçonaria] é um sistema de impiedade [ímpios] geral; ou um colossal agregado de todas as maldades, que reúne em si todas as depravações, todos os erros, todas as discórdias dos séculos passados; ele se parece àquela árvore que viu Plínio, na qual estavam enxertados dos frutos de todas as árvores; ou aquela estátua de Baco, como diz Ausónio, que tinha uma parte de todos os Deuses, a qual por isso chamaram Pantheon. Mas não se contentou o maçonismo em reunir todas as maldades, assim como quer; ele as reuniu em grau heroico,tomando as de maior quilate, e peso, e desprezando aquelas, que são de medíocre vulto, desprezando aquelas, direi mais claramente, que menos ofendem a sociedade: não quer o maçonismo, o que é meramente mau; ele ama, o que é altamente péssimo. As durezas do Judaísmo, as grosserias do maometismo,as discórdias do hereticismo, as porcarias do epicurismo, as barbaridades do ateísmo, os absurdos, e delitos do filosofismo, tudo o maçonismo chamou a si, e de tudo formou um monstruoso corpo, com o qual quer meter debaixo de si tudo o que Deus criou, tudo o que a Religião aperfeiçoou, tudo o que a sociedade conserva. Ele no seu maior grau envergonha-se de ser judeu, peja-se de ser maometano,aborrece-se de ser herege; somente lhe agrada ser porco com os epicúreos, ser bárbaro com os ateus, ser louco com os filósofos: para ele é o crer, seja no que for, uma baixeza da razão; ser pacífico uma humilhação da dignidade do homem; todavia ele afecta ser virtuoso, e olha para a virtude como para um crime; finge ser religioso, e na Religião vê um monstro; parece aborrecer a guerra, e somente odeia a paz; tolerante de todos os erros, só a verdade não tolera; indulgente com todos os crimes, só a virtude não perdoa: ele se fez um sistema de aquietar-se com todos os cultos, e a todos eles têm um ódio figadal. Esta definição, ou descrição do maçonismo parecerá a alguns, que nasce só da minha imaginação; pois que os mais experientes, e versados neste sistema das traficâncias da incredulidade sabem que ele agrega a si, alista, e adopta pessoas, não só de todos os países, mas de todos os cultos; e por isso se o ateísmo fosse o seu elemento, esta sociedade agrega de profissões, e de doutrinas tão diversas não poderia ter tanta permanência, e universalidade, nem se haveria ramificado tão longa, e largamente. Por isso mesmo, digo eu, esse sistema atura tanto tempo, e se tem estendido tão infinitamente: da mistura de pessoas, e da diversidade de cultos nasce a confusão, e da confusão o engano, enganando-se uns a outros, e todos a si mesmos, sem que saibam onde vão, ou por onde caminham, mas querendo cada um a sua causa, que é a liberdade absoluta, e completa de todas as paixões; e prometendo-lha assim, os que os dirigem, ou os que estão em alto grau, sem que esses mesmos tenham ânimo de lho cumprirem, nem possam; daí, dessa falta de cumprimento das promessas nasce entre eles tanta divergência, e discórdia, pelejando muitas vezes entre si, dividindo-se, e dando lugar ao seu desbarato, e ruína, o que mais de uma vez tem sucedido, e eu farei ver mais adiante.


Porém, agora, insta que, guardando alguma ordem nestas ideias avulsas, diga o modo, porque o maçonismo se formou, quais foram as suas vistas, ou tensões, se bem que ele cambiou de face sucessivamente; que instrumentos ele escolheu, quais os meios, que aproveitou, que é o que ele quer, e por que vias se encaminha ao seu fim. Eu falo aos povos, e duvido muito que me acreditem sobre a minha palavra, porque os sábios bebendo as suas ideias da sua fantasia, e não das mesmas coisas, se tem persuadido que o maçonismo é o mesmo Judaísmo, sendo assim que há muitos judeus alistados no maçonismo, mas também há muitos mais mações, que não são judeus, sendo muito piores que eles: Porém os mações de alto grau, digo, os mestres, chefes, ou directores do maçonismo, sabem que eu não minto, dizendo que eles não dão um real por um judeu, ainda que se aproveitam dos seus reais; dizendo outro sim que eles nada querem do turco, do apóstata, e do herege, senão os seus serviços; que eles nada pretendem dos cristãos de nome, senão que eles não pelejem pela Religião; que eles dos Povos só desejam empobrecê-los, e aniquilá-los, para que lhes não possam ser contrários. Se me perguntarem, por onde sei o que os mais não sabem? Não responderei como o Abade Barruel "porque sou apóstata do maçonismo", responderei sim que quiseram, quando ainda não contava quatro lustros, perverter-me, o que não conseguiram, graças a Deus, e à educação que me davam entre os monges Bentos, onde me alistei por minha livre vontade; e foi então que estudei a sua linguagem, sem aprender as duas ideias; e com a sua linguagem soube muitas vezes o que eles querem, o que eles projectam, e o porquê pelejam, que é: nada de Deus, nada de Rei. Mas então me dirá alguém: Que é o que eles querem? Respondo que este século o vai dizendo, e dirá, e que também o direi; mas, para não deixar os povos em jejum, digo em princípio que os mações de alto grau não querem culto algum, nem soberano, ou governo, ou sociedade, seja qual for a sua forma, ainda mesmo que republicana seja, que proteja o Culto. E querem agora os povos saber porque os mações não querem o Culto? Eu lhes o digo; porque os povos, que têm Culto, pois sem ele não podem existir os povos, dão assim cabo dos mações logo que os conheçam. Assim que, se o turco, se o judeu, se o herege, se o mau cristão se persuadissem desta verdade, a saber que os pérfidos mações não querem algum culto, eles mesmos se reuniriam com todos os que o queremos, e já o maçon não existiria. Mas entre os mações há alguns que querem o Culto, replicar-me-á alguém: eu o confesso, entre os mações de baixo grau, quero dizer entre os de 1º, 2º, 3º e 4º, porque os do 5º duvidam de todos os cultos; os de 6º toleram algum culto por necessidade, e os do 7º, que são os mestraços do maçonismo, sofrem, os que assim pensam, com raiva, e desespero: e esta discordância, divergência, e desunião entre eles é, o que me induz a persuadir-me, que eles a não levam avante, se é que não chegou o fim do mundo. Prova desta minha persuasão é que eles mil vezes, e por mil formas a têm tentado; e no melhor da festa a sua alegria se voltou em lágrimas; o decurso deste Semanário oferecerá os factos passados à recordação dos presentes,para que os vindouros tomem a lição, de que o passado é a regra do presente, e que o que uma vez aconteceu há-de acontecer mais; a saber, a impotência do maçonismo contra Deus, e contra o Rei [o Altar e o Trono..]. Isto acontecerá sempre em Portugal, enquanto adorarmos a Deus dos nossos pais, e avós, e enquanto amarmos, como devemos, o Rei, que peleja por Deus, e por nós; é a dizer, enquanto formos portugueses: nisto está toda a defesa de Portugal contra as agressões estranhas, e domésticas; em invocarmos os auxílio de Deus, que nunca faltou aos Portugueses, e em apelidarmos a voz d'ElRei, que entre portugueses cristãos só é, e pode ser o Muito Alto, o Muito Magnífico, o Muito Poderoso Senhor S. MIGUEL I a quem Deus enviou a estes Reinos, para Senhor, e pai deles, protector da Religião, Coluna da Igreja, terror dos inimigos, e admiração do Mundo.

Rebolosa 16 de Julho de 1831.

Alvito Buela Pereira de Miranda

25/10/13

SERMÃO LIBERAL - Contributo Para o Estudo do Liberalismo (II)

Ceptro do dragão (que segura a constituição)
feito para a aclamação de
D. Maria II, filha de D. Pedro IV
(continuação da I parte)

"Senhores: Nesta luta gigantesca, tão felizmente sucedida, verão os que com imparcialidade e justiça analisarem a grandeza de tantos sacrifícios e a heroicidade de tantos feitos, que, para cimentar o alteroso edifício da nossa regeneração liberal, as lágrimas de rei caíram misturadas com as lágrimas do povo no cálice dos infortúnios da pátria; e nas horas do combate, em que cada peito foi baluarte inexpugnável e um raio cada braço, aparecia, e nos pontos mais arriscados, o Senhor D. Pedro IV, o magnânimo caudilho da causa santa da luz, do amor e da verdade, aquele vulto heroico, onde brilhava a prudência do sábio a par do valor do guerreiro, a perspicácia do legislador junto da autoridade do monarca, o amor de pai e a dedicação sublime de libertador do seu povo. Foi, guiados por tal campeão, que conseguimos debelar o despotismo; foi como seu auxílio que despedaçámos os ferros de cativos e entoámos os hossanas de livres; foi ele quem fez vingar os princípios mais civilizadores. As visões que na tela do futuro nos esfumavam incertezas, trocaram-se em esplêndidas realidades, quando o brado ingente da victoria desanuviuou as fontes tanto tempo sombreadas por mil receios, sacudiu o pó da luta e desfraldou entre soleníssimos triunfos o estandarte liberal, que nas cores - azul e branca - mostrava que a liberdade, ao descer do seio de Deus, trouxe a cândida veste dos anjos e o anil dos vastos céus!
Quando, porém, entre os prazeres da paz principiávamos a fruir os apetecidos gostos da verdadeira fraternidade, a morte veio vazar todo o seu fel na taça das nossas melhores venturas."

"Senhores: Conheço que não devo abusar por mais tempo da vossa obsequiosa atenção; mas antes de terminar, tenho um pedido a fazer-vos: - Amai sempre a liberdade, que custou o sacrifício de tantos mártires, as lágrimas de tantos exilados e a vida de tantos combatentes! Não consintais que ela seja prostituída nos excessos da anarquia; considerai-a, como a tendes considerado até hoje, o melhor elemento da ordem, a mais segura garantia da justiça e o mais poderoso incentivo do progresso. Felizmente, que a liberdade está de tal modo arreigada no coração dos bons filhos deste século, que, por maiores que sejam os esforços dos que conspiram nas trevas por darem vida aos passado já putrefacto na sua mortalha e que, ora se envolvem na capa de Tartufo, ora ateiam o facho incendiário das mil discórdias da guerra civil, - a liberdade é o seguro património duma grande família e há de ser herança da futura geração!...
Agora vós, venerandos companheiros do Rei Soldado: - recontai, junto do lar, que outrora esteve frio e nu, à geração que embalais para vos suceder, a epopeia gloriosa em que o rei e o povo tanto se engrandeceram; no lar, onde as tenras crianças se aproximam dos velhos para escutá-los; no lar, onde se unem as rosas da primavera às folhas já secas dos vossos invernos, os dois crepúsculos da vida - aurora e o ocaso; aí no lar, é preciso que façais conhecer os sacrifícios que custou a implantação do sistema liberal e quanto ele deve ser apreciado e estremecido. E se receais que os gelos da velhice vos tenham arrefecido um pouco o calor dos entusiasmos, falai-lhes com toda a convicção das vossas crenças, depuradas no crisol de tantos trabalhos e privações, e vós persuadireis!
Oh memória augustíssima do nosso libertador! revivifica-te entre as nossas fervorosas orações e saudosas lágrimas! eterniza-te nos dois tesouros que ele nos legou - a liberdade e o coração! -"

16/10/13

CONSAGRAÇÃO DA RÚSSIA - Comentário ao artigo de Taylor Marshall

Um amigo mostrou-me agora um artigo publicado por João Silveira a respeito da consagração da Rússia. Na verdade é uma tradução, cujo original é de Taylor Marshall.

No artigo é criado o artifício de duas opiniões que se degladiam: os que dizem que a consagração da Rússia não foi feita, os que dizem que a consagração da Rússia foi feita. Achei graça porque Taylor Marshall às tantas chama aos primeiros aqueles que dizem que a consagração da Rússia "não foi bem feita", mas esqueceu de chamar aos outros aqueles que dizem que a consagração da Rússia "foi bem feita"... De qualquer das formas, há que aclarar que NUNCA houve tal disputa realmente, porque em sede própria isso nunca foi uma dúvida que merecesse debate ou maior cuidado. Nunca um Papa disse que a consagração pedida por Nossa Senhora foi satisfeita, e pelo contrário, aquela que levou alguns senhores a supor que ela já estaria realizada (a de 1984) foi dada como não satisfatória pelo próprio consagrante: João Paulo II. Portanto, embora seja didático e faça boa figura, o método do lado a lado escolhido por João Silveira já é um injusto reforço à opinião dos que dizem que a consagração foi feita.

Transcrevo do dito artigo:
"Como lembrete, aqui fica o texto das palavras de Nossa Senhora relativamente à consagração da Rússia ao seu coração: "Para evitar isto, virei pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração e a Comunhão reparadora nos Primeiros Sábados. Se os meus pedidos forem ouvidos, a Rússia converter-se-á e haverá paz; se não, ela irá espalhar os seus erros pelo mundo fora, causando guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados; o Santo Padre vai ter muito que sofrer; várias nações serão destruídas [Nossa Senhora não disse "destruídas" mas sim "aniquiladas"]. No fim, o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre vai consagrar a Rússia a mim e ela converter-se-à e um período de paz será concedido ao mundo."

"Virei pedir a consagração..."!?...Faltou no artigo acrescentar quando e como Nossa Senhora faz o prometido pedido. Eis o que falta:

“É chegado o momento em que Deus pede para o Santo Padre fazer, em união com todos os Bispos do mundo, a Consagração da Rússia ao Meu Imaculado Coração.” (13 de Junho de 1929)

Retemos indubitavelmente que:
1 - É Consagração;
2 - Da Rússia;
3 - Feita pelo Papa;
4 - Em união com todos os Bispo do mundo;
5 - Ao Imaculado Coração de Maria.

O Taylor faz uma lista de consagrações papais ao Imaculado Coração de Maria. De todas as consagrações listadas nenhuma reúne o conjunto dos 5 pontos do divino pedido. Isso é claríssimo sem discussões: o pedido não foi bem ou mal satisfeito, o pedido nunca foi satisfeito porque nunca estiveram satisfeitos os 5 pontos. Não andemos aqui a engonhar, nem a brincar com coisas sérias!... Mas Taylor deu a volta... veremos...


O autor encosta-se à "opinião" (desculpem, mas eu não acredito que se este tema fosse a debate com pena de 5000€ ao perdedor Teylor ariscasse - eu arrisco e convidaria a tal) de que a consagração foi feita realmente! Isso mesmo... Mas como, se nunca foram reunidos os 5 pontos do PEDIDO DIVINO!? Simples... o autor faz passar Deus por um ente relativo, evita comparar o que Deus pede com aquilo que os Papas fizeram ou não fizeram, e vai à periferia recolher migalhas com as quais constitua "evidências" de infalível humanidade. Mas, sim senhor, vamos então entrar no mesmo método para convencer a fundo as mentes mais imaginativas! Eis as migalhas periféricas:

- Diz que a Irmã Lúcia afirmou que a consagração da Rússia tinha sido feita por João Paulo II a 25 de Março de 1984. Dá um argumento de autoridade "se alguém sabia era a Irmã Lúcia, ela é que recebeu a mensagem de Maria". Pois sim, portanto, se a Irmã Lúcia tivesse dito que o pedido não foi satisfeito embora será que Taylor mudaria de opinião? Não, porque aqueles 5 pontos condicionais dados por Deus foram transmitidos pela mesma Irmã Lúcia, ou seja, Taylor retira autoridade à Irmã Lúcia num dia e dá-lha noutro dia seguinte! O próprio João Paulo II, a 25 de Março de 1984, no momento da consagração, interrompeu o texto escrito e improvisou o seguinte "iluminai especialmente aqueles povos cuja consagração e confiada entrega Vós ESPERAIS DE NÓS."! A 27 de Março (2 dias e 2 horas depois da consagração), na Basílica de S. Pedro, perante 10000 pessoas, o Papa pediu a Nossa Senhora que abençoasse "aqueles povos para quem Vós mesma estais à espera do nosso acto de consagração e de confiada entrega". Mas isto são palavras de um Papa que não recebeu a mensagem de Nossa Senhora, é certo. Em Setembro de 1985 a revista Sol de Fátima, publicou a entrevista onde a Irmã Lúcia diz que a consagração da Rússia ainda não tinha sido feita, explicando que a Rússia não foi o objecto expresso da consagração de 1984 e que os Bispos do mundo inteiro não participaram nela. A revista Visão, não tenho presente o mês nem o ano, publicou uma entrevista onde um sacerdote do convívio da Irmã Lúcia diz que ela lhe contou que a consagração como Deus a tinha querido ainda não fora feita (isto foi depois da consagração de 1984);

- Taylor conta-nos que "a Santa Sé, na revelação do Terceiro Segredo a 26 de Julho de 2000, indicou que a consagração foi feita." É falso, o segredo nunca foi revelado. No ano 2000 estava anunciado que o segredo iria ser revelado, e no dia em que João Paulo II veio a Fátima (todos esperávamos ansiosamente) aconteceu algo estranho. Para a missa o Papa tinha escolhido a leitura do Apocalipse (a passagem do dragão que varre um terço das estrelas, e da mulher vestida de Sol ...etc.), fez o sermão sobre este mesmo tema, mas quando depois tocou ao Cardeal Sodano a parte esperada... todos nos sentimos enganados (e sabe-se hoje que fomos enganados): o Cardeal leu um resumo do que Lúcia tinha escrito sobre a visão, dizendo que um Bispo Vestido de Branco "cai como morto", e que esse Bispo era João Paulo II. Esta mesma versão foi a que a Santa Sé passou, dando por encerrado e cumprido o caso de Fátima. Acontece que depois, a muito pedido de bastantes fiéis, o Card. Ratzinger acedeu em publicar uma cópia do escrito da Irmã Lúcia, pelo qual ficámos a saber que o Cardeal Sodano tinha falseado a visão (não há outra possibilidade) trocando o "caiu morto" do texto por um "caiu como morto" com o qual fez a lamentável ligação ao atentado a João Paulo II (que caiu, mas não morreu). Esta foi a versão oficial da Santa Sé, e não do Papa João Paulo II que escolheu para o dia em que destinou revelar o segredo verdadeiro aquela leitura apocalíptica sobre a qual fez todo o sermão! O autor diz que foi revelado o segredo, mas já deveria saber a esta altura que aquilo que foi muito mal revelado no ano 2000 foi o texto da VISÃO, e não do segredo. Eu já expliquei isto aqui no blogue, mas resumo: A Irmã Lúcia escreveu o segredo que enviou para Roma, e mais tarde, a pedido do Bispo de Leiria, escreveu o resto, ou seja, a visão, que o Bispo lhe pediu para enviar para Roma. Portanto, a Roma chegaram duas cartas em datas bastante distantes, uma contendo o segredo e a outra contendo a visão (por isso se explica o "etc." do texto da visão, porque o restante estava já contido no texto do segredo enviado antes). Em suma, Nossa Senhora apareceu aos pastorinhos e dava-lhes visões, tal como segredos, e neste caso Lúcia enviou o segredo apenas (primeira carta) e mais tarde a visão correspondente. Hoje apenas conhecemos a visão escrita pela mão da irmã Lúcia para dano do Cardeal que ajudou ao que tentou ser a versão oficial que colocaria fim a Fátima. A Santa Sé tinha dado o caso "Fátima" por encerrado, e no pacote incluiu a consagração feita e tudo mais. Mas se a Santa Sé falou infalivelmente, porque motivo Bento XVI em Portugal afirmou o contrário? O Papa disse-nos que Fátima não é um caso encerrado, não está cumprido ainda, e fez uma alusão a 2017 por motivos de ser o centenário. Mas se João Paulo II admitiu que a consagração da Rússia em 1984 não correspondeu àquela que Deus pediu, qual teria sido então a consagração que a Santa Sé em 2000 considerava satisfatória!?... De 1984 a 2000 não houve mais consagrações!? ... e agora !? Se Taylor Marshall dá força de verdade a algumas destas afirmações tem obrigatoriamente pela moral de dar como falsas todas as afirmações contrárias! Já colocou a Irmã Lúcia contra ela mesma, e agora coloca o Cardeal Sodano e a Santa Sé contra Bento XVI e João Paulo II. Tem lógica ?! ... Nada.... nada aqui tem lógica...não é hora de passar sobre a verdade explícita para andar a recolher migalhas e arranjar argumentos de autoridade em contradição com a autoridade. Não vale...

Pego nas mesmas palavras do autor alterando o necessário: "Como podem ver, aqueles que dizem que a Rússia [foi consagrada como Deus quer] têm que dizer que a Irmã Lúcia, a receptora da mensagem de Maria, ou se enganou ou estava a fazer algum tipo de reserva mental para enganar todas as pessoas nesse assunto [quando transmitiu a forma como havia de ser feita a consagração]. É preciso dizer também que o Cardeal Ratzinger, o futuro Papa Bento XVI, teria usado uma discrição enorme para enganar o mundo [se nos tivesse deixado a sós com a deturpação do Card. Sodano e não tivesse feito publicar a cópia da carta onde a Irmã Lúcia revela a visão]."

Repito, Taylor Marshall, desde o início preferiu deitar fora a vontade de Deus levada por Nossa Senhora e guardada e transmitida a nós pela Irmã Lúcia, vontade que nos dá 5 pontos a cumprir, relativamente à consagração. Preferiu contrapor a isto umas migalhas contraditórias e um enganado recurso à autoridade contra a autoridade.

A consagração da Rússia, com os 5 pontos revelados à Irmã Lúcia, nunca aconteceram, unicamente porque nunca aconteceram! Basta olhar!...

01/10/13

PAPA FRANCISCO OFENDE A PORTUGAL


Entre as várias não susjeições do Papa Francisco ao cargo pontifício, coube agora a Portugal ver em si reflectido mais um dos não cumprimento, com danos acrescidose sem nos ser dada qualquer desculpa ou justificação: é primeira vez na história que o Papa desrespeita a palavra dada pelos seus sucessores no que toca à Bula de Ouro, segundo a qual os Patriarcas de Lisboa são elevados a Cardeais no primeiro consistório depois de eleitos. O Papa Francisco fez saber que elevará o Patriarca de Lisboa a Cardeal apenas no segundo consistório (Fevereiro de 2014).

Imaculada Conceição, Rainha de Portugal (Santuário Nacional - Vila Viçosa)
 Nos tempos em que Portugal era governado pelos seus legítimos, teria havido uma declaração de descontentamento junto com um pedido de esclarecimentos. Mas hoje.... nada. Os liberais "monárquicos" em seus tempos de "glória" ruíram com a estrutura da Santa Igreja Patriarcal de Lisboa, desrespeito para com Deus e com a Pátria. Hoje a républiqueta achará que este assunto nacional não lhe diga respeito algum (e não é mesmo... o único tem de tratar urgentemente é sair porta fora).

S. Miguel Arcanjo, anjo custódio de Portugal
 Mas os homens da Igreja? Onde estão os homens da Igreja?! Uma parte dos nosso legítimos da Santa Hierarquia, em Portugal, há muito se relaxam no respeito à Bula de Ouro: "vamos lá ver se o Santo Padre quer ou não elevar a Cardeal o Patriarca" ou "a elevação a Cardeal é o Santo Padre que vai decidir, se quiser"... assim diziam publicamente nos tempos do Card. Patriarca D. José Policarpo, e já antes o diziam mais discretamente (evolução que deu no que deu... mal pensar > mal dizer > mal acontecer).

Se alguns Senhores Bispos falaram nestes temas, porque de fazê-lo com indiferença ou até desprezo? É certamente consequência do catolicismo ter Bispos que digam justamente o contrário e que se sintam obrigados a defender o que é católico e português. Os portugueses de hoje alegram-se de termos tido 3 Cardeais residentes e em funções em Portugal, junto ao Rei (o Cardeal Patriarca e dois Cardeais Nacionais)? Não vemos quem hoje se alegre minimamente nestas coisas recordando com alegria quanto fomos ou somos grandes para a Santa Igreja. Pelo contrário, há discreto e "católico" ranger dos dentes juntos, que quando separados deixam passar frases destas: "... ainda bem, ainda bem que todas essas futilidades acabaram"! Mas nem tanto... porque cada vez menos se ouvirá tal coisa, pois os católicos vão sabendo cada vez menos disto, a sua alegria foi transferida, a hierarquia, por sua vez, tende a ser gradualmente entendida como um adereço de farrapos (ouvem-se aplausos a isso), ou então é vista como uma elite que deva supera a verdade ou que deva existir independentemente da verdade (das mãos de outros ouvem-se aplausos a isso) - tendências gerais entre o progressismo e o conservadorismo! Nns há fobia em olhar a superficial mitificação que têm relativamente ao passado (seja qual for o motivo, o passado parece-lhes mal), e outros, olhando o passado com a mesma superficialidade, encontram nele matéria discreta para alimentar a concupiscência.

Bula de Ouro
Estando obrigado à Bula de Ouro, tal como os seus antecessores estiveram e deram sinal de cumprimento e sujeição humilde à palavra dada, o Papa Francisco parece agora colocar-se mais alto que todos eles, como se lhe tivesse sido dado o poder para agir sem qualquer tipo de sujeição aos antecessores. Se tivesse sido para dar de comer a criancinhas famintas a transgressão da bula teria sido uma ofensa até certa medida tolerável, mas, pelo contrário, a transgressão é uma ofensa gratuita a Portugal.

Começa a ser quase impossível HONRAR um Papa que, além de tudo o que tem dito e feito, dá provas de de despreocupação!

S. Pedro (pintura: Grão Vasco, Portugal, Sec. XVI)
Hoje, perante o crescente estado de necessidade da Igreja, não estranha que nos governem aqueles que são fruto de doutrinas corrompidas, e que o mesmo estado de necessidade desculpe parcialmente a confusão reinante e a ausência de fé nos mesmos! Mas este agravo de agora é básico: ir abertamente contra a palavra dada assente num documento que não tem dificuldade interpretativa e foi seguido a preceito por todos os Papas, é uma mudança de actitude incompreensível onde não coube uma explicação sequer pelas suas consequências morais... Isso é algo tão básico que ateus não admitiriam a um governante ateu!

Sempre há "católicos" dispostos a não ver, sempre há quem caia na tentação de dizer: "não houve qualquer irregularidade, porque o Patriarca vai receber o chapéu cardinalício no primeiro consistório de 2014"? Vamos aclarar, a elevação do Patriarca de Lisboa a Cardeal, segundo a bula, e como sempre tem acontecido, tem que ser feita no primeiro consistório logo depois de ser nomeado Patriarca.


Neste domingo, dia 29 de Setembro, dia de S. Miguel Arcanjo, Anjo Custódio de Portugal... vimos ofendida a nossa pátria por mãos do Papa Francisco. Que grande contradição... que grande afronta... Já que o Papa se demite de nos defender, e antes nos ataca... que esperar!?

Levanta-te Portugal, por Deus, pela Santa Igreja e pela Pátria, rezai 5 e falai 1... é hora!

Deus converta o Papa.

Viva Nosso Senhor e as suas cinco chagas,
Viva a Imaculada Conceição, Nossa Senhora Santa Maria,
Viva S. Miguel Arcanjo, anjo custódio de Portugal,
Viva Portugal.

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