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10/02/17

CONTRA-MINA Nº 21: O Clero Constitucional de França (I)

CONTRA-MINA
Periódico Moral, e Político,

por

Fr. Fortunato de S. Boaventura,
Monge de Alcobaça.

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Nº 21
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O medonho Fantasma se esvaece,
O dia torna, e a sombra se dissipa;
Os Insectos feíssimos de chofre
Entram no poço do afumado Inferno:
Eternamente a tampa se aferrolha.
No meio do clarão vejo no Trono,
Cercado de esplendor, MIGUEL PRIMEIRO.
(Macedo, Viagem Estática ao Templo da Sabedoria, pág. 141)
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Qual Foi a Sorte do Clero Constitucional de França?

"Já escrevi mais que o necessário para se conhecer pelo menos a abjecção, e ignominioso estado, em que aos olhos de seus próprios, ainda que momentâneos adoradores, ficam esses indignos Sacerdotes, que desertam das Bandeiras do Cristianismo, que os devia reputar como seus naturais apoios, e defensores; porém não expus ainda, o que mais pode assombrar os meus Leitores, e fazê-los entrar cada vez mais no conhecimento dos imensos bens, que Nosso Senhor Jesus Cristo, imediato Fundador da Monarquia Portuguesa, nos trouxe com o nosso Legítimo Soberano o Senhor D. MIGUEL I.

Bandeira antes da ocupação constitucionalista
Assaz tem reflectido, e considerado os ímpios, quais sejam os meios próprios, e conducentes, para que ao menos no conceito da multidão sempre cega, e pouco atilada em seus juízos, se envileça o Cristianismo, quando não seja possível, como certamente não é, destrui-lo, e aniquilá-lo. Há muitos séculos, que a sua boa, ou má fortuna lhes deparou o segredo, para eles mui apreciável, de fazerem brecha no Corpo Sacerdotal, sem com tudo parecerem atacar directamente a Santidade da Religião, ou a certeza indestructível de seus Dogmas.

Bem inteirados de que a abnegação própria, a mortificação dos sentidos, e a pureza de costumes préga melhor aos Fiéis, que as mais artificiais, e estudadas Orações; e de que mais vale para os auditórios vulgares uma exclamação do Missionário Bridaine, que toda a Pequena Quaresma das premissas antecedentes, que um Clero desonerado das obrigações do Celibato, é um Clero necessariamente desprezível, que por si mesmo deverá consumir-se em breves anos, visto que as suas chamadas pastorais diligências hão de ser todas languidas, frias, e antes capazes de arruinar, e perverter, que de instruir, ou edificar; o que não admira, sendo elas marcadas com o selo de reprovação, tanto da parte de Deus, como da parte dos homens; que até os idólatras, e pagãos, como adiante veremos, exigiam castidade nos Ministérios do seu Culto.

Nestes abomináveis intentos é que o Século XVIII produziu grande número de Tratados especiais, Dissertações, Memórias, e Artigos avulsos, contra a antiquíssima, e Santíssima Disciplina do Celibato Eclesiástico. De propósito exageraram, ou desfiguraram os procedimentos de S. Gregório VII (é Santo, meus Liberais, e Jansenistas Portugueses, e assim eu fosse!) para com os Soberanos do seu tempo, não porque lhes doesse, o que nunca lhes dói, e de que eles sempre folgam, quero dizer, a injúria feita aos Reis, mas porque esse vingador do Celibato Eclesiástico preparou contra eles uma trincheira insuperável... Daqui vem que não aparece, nem deita a cabeça fora das imundas cloacas, onde nascera, o infernal Maçonismo, que não pregue imediatamente a necessária, e indispensável, e inteira abolição do Celibato Eclesiástico. Assim o fez em 1790, e assim o faz em 1831, sempre debaixo do mesmo plano hostil, e subversivo, ou Nacional, e à face de mais de 700 Deputados essas nefandas apostasias, que cobriram de luto a França Cristã, e amedrontaram toda a Europa, ainda penetrada de sentimentos Religiosos. Continuaram, é certo, alguns Bispos, e Sacerdotes casados o exercício das suas funções, e pareceu aos menos dissolutos, que poderia conservar-se na França por tais meios o Culto Católico!! Não tardou muito, que se desenganassem à sua custa, pois ainda que lhe tinham arbitrado uma insignificante pensão (*) (que nisto veio a parar toda a opulência do Clero Francês destruída em breves horas, por indicação, e indústria de um Bispo, e de um Frade!!!) não tardou muito, que as pensões fossem reduzidas a metade, e que daí a pouco fossem tidas por meramente nominais, e como se nunca tivessem existido. Note-se que a Conversão, apesar do grande número de Sacerdotes emigrados, ou que preferiam todos os incómodos, maus tratamentos, e perigos, incluso o da morte, ao juramento da Constituição Civil do Clero, (o que fizera abater mais de dois terços a soma, que devia empregar-se nas pensões do Clero) assim mesmo tratou logo de as reduzir. Esta redução foi menos duradoura, que o primeiro arbítrio, pois não tardou um ano, que as tais pensões fossem inteiramente suprimidas...

Como se devia esperar de homens Juradores de uma Constituição ímpia, que se conservassem firmes no seu posto, mais quisessem perecer à fome, do que transgredir as suas essenciais obrigações? Os Sacerdotes casados foram preferidos aos que o não eram, e acenando-se-lhes com Empregos Civis rendosos, voava para eles a maioria dos Clero Constitucional; e ao desprezo das mais Sagradas Leis do Sacerdócio seguia-se a formal apostasia do Cristianismo...

Comparem-se agora todas essas misérias, que deixo referidas, com esses centos de milhões, que rendiam os bens Eclesiásticos em França, e teremos um argumento claro, e palpável da generosidade Maçónica para com os Sacerdotes Seculares, e Regulares. Ah! Clero Português, Clero Português, que já estarias há muito esbulhado de quantos possuis à sombra das Leis, se por acaso não viesse o teu Libertador! Abre os olhos, não creias em petas, em fraudes, e imposturas liberais; ninguém perderia mais do que tu, se as ideias liberais (quod absit) prevalecessem neste Reino; e ninguém é mais interessado na sua completa destruição.

Por fazerem Côrte aos malvados Filósofos, e Pedreiros é que tantos Bispos intrusos, e Clérigos Franceses pediram ao Maçonismo os punhais emprestados, para atravessarem o coração de sua própria Mãe a Igreja Galicana! Só este pequeno traço era de sobejo para entendermos, que não podia ser mais lamentável, nem mais desgraçada a sorte do Clero Francês Constitucional; porém eu aspiro a mais; conheço a força dos exemplos, e destes vou lançar mão, para que os Eclesiásticos Cidadãos deste Reino aprendam em cabeça alheia o triste fado, que mais de uma vez tem estado iminente às suas...

Deus pode tolerar a existência dos impios, e até conceder-lhes uma vida larga, para que daí mesmo os Fiéis tirem o argumento, de que não é forças humanas, que possam destruir a sua Igreja; e é isto, o que deve ocorrer a todos os Cristãos, quando se lembrarem, que o mais encarniçado de todos os impios antigos, e modernos guerreou mais de 60 anos a por ele chamada Superstição Cristã... Entretanto Deus Nosso Senhor também castiga neste mundo; e se por acaso nos parece pouco apressado em castigar, é porque se inclina mais ao perdão, e porque, sendo Eterno, demora quanto lhe apraz o castigo daqueles, que forçosamente lhe devem cair nas mãos. Lancemos pois um volver de olhos à desastrada sorte de alguns Bispos, e Sacerdotes Constitucionais, para nos demorarmos um pouco mais com aquele, que deu nos olhos a toda a França em razão de seus inauditos desvarios, e sacrilégios. Lomine de Brienne foi Arcebispo de Sens, e foi Cardeal da Santa Igreja Romana... tudo isto lhe pareceu nada, enquanto não fosse Ministro de Estado. Chegou com efeito a ser Ministro da Fazenda, sem embargo de todas as ponderações, embaraços, e repugnâncias de Luís XVI. Posto encima não tirou daí outra coisa mais, que o ver-se claramente a sua inépcia, e que nem era talhado para Bispo, nem para Ministro. Incensou devotamente a chamada Filosofia, ou Incredulidade; jurou a Constituição Civil do Clero; e para dar a prova mais solene do seu desinteresse, e puro amor à Igualdade Republicana, demitiu o Capelo de Cardeal nas mãos do Santo Padre Pio VI, que de bom grado se prestou a estes desejos, assim como se viu na triste necessidade de lhe intimar a suspensão do exercício das Funções Episcopais, bem merecida pena de tantos ateus heréticos, e cismáticos de obediência à sobredita Constituição. Quem esperaria que os seus amados Sans-cullotes, Liberais, e Pedreiros lhe não retribuíssem, ao menos com a segurança pessoal, tantos, e tão estremados obséquios? A paga, que teve, foi levarem-no à Cadeia pública de Sens, da própria Cidade, em que era Arcebispo! Se o deixaram recolher, passados alguns dias, ao seu Palácio, foi para lhe dobrarem daí a pouco os vilipêndios, os insultos, e as violências... O certo é, que apareceu morto na sua cama, deixando graves suspeitas de ter atentado contra si mesmo, e de pertencer por tão desastrosa maneira ao catálogo dos modernos Catões... Há todavia quem prove, (e não deixo de me incluir para esta boa parte) que os Soldados incumbidos de o tornarem a prender na Cadeia pública, levaram toda a noite em... e gritarias; fazendo levantar da cama o Arcebispo, e obrigando-o a comer, e beber com eles; e como lhes dissesse, que não costumava cear, usaram de direito da força, e pelo indecentismo, e sacrílego meio dos pontapés, e cronhadas, o fizeram comer sobre posse, o que tudo lhe produziu uma apoplexia fulminante. Ora ainda que esta narração seja verdadeira, e conseguintemente o caso menos feio, do que o pintam vários Historiadores Franceses, quem não verá com horror o triste exemplo de um Bispo Constitucional morto às mãos de outros Constitucionais!! Veja-se neste espelho o Clero Português, e demore-se algum espaço, e... não digo mais, porque sou uma formiguinha, sem embargo de que não invejo, nem quero a sorte dos Leões, ou dos Elefantes (Anonimo, que me escreves tantas vezes da parte do Grande Oriente de Lisboa, e que estafas o meu Colégio, e não a mim com os portes de Cartas, já que por teus pecados lês a Contra-Minha, arregala bem esses olhos fascinados com as nevoas Maçónicas, e repara bem ao que eu digo.) Suspendo-me às vezes no melhor da festa, e quando a pena quer voar... porque não tenho autoridade para dizer mais...

(continuação, II parte)

08/07/16

CONTRA-MINA Nº 48: Anti Aurora (a)

CONTRA-MINA
Periódico Moral, e Político,

por

Fr. Fortunato de S. Boaventura,
Monge de Alcobaça.

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Nº 48
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O medonho Fantasma se esvaece,
O dia torna, e a sombra se dissipa;
Os Insectos feíssimos de chofre
Entram no poço do afumado Inferno:
Eternamente a tampa se aferrolha.
No meio do clarão vejo no Trono,
Cercado de esplendor, MIGUEL PRIMEIRO.
(Macedo, Viagem Estática ao Templo da Sabedoria, pág. 141)
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Anti Aurora

Houve  tempo, com que os E[?] do Grande Oriente de Lisboa me regalavam de preciosos mimos, como eram sem dúvida os Papeis incendiários contra este Reino, e o seu Príncipe, que em tanta profusão, e só para benefício da estampa, há feito gemer, há três anos a esta parte, os prelos de Londres, e Paris. Um dos tais Papeis chamava-se Palinuro, que me pareceu digno de levar uma tunda. Assim o fiz, para dissipar as névoas, de que ele podia cercar o entendimento de alguns Leitores, tendo-se-me seguido a mais dolorosa de todas as perdas. Nunca mais fui brindado com os ditos Papelinhos; nem Palinuros, nem Pilotos, nem Chavecos me tornaram a aparecer, ficando eu assim como o espargo no monte, e sem aquela consolação, que sempre me trazia a leitura de uns Papeis, tão fáceis de analisar, e combater. Já eu tinha perdido quase de todo as esperanças de haver à mão os meus encantos, os meus caros Papelinhos da Fábrica já Parisiense, já Londrina, que além de outros bens me faziam o de instruir-me dos gigantescos progressos da Literatura Constitucional, a que os Medrões, e os Girões do Ex-Soberano Congresso deram o impulso mais forte, quando imprevistamente me luziu certa Aurora, não aquela, que costuma abrir com os seus dedos de rosa as portas do Oriente; porém outra mais baixa, que foi trazida num barco de vapor, e que muito lhe convinha, por ser um agregado informe de vapores, e miasmas revolucionários, tendentes a seduzir, e perverter a Nação Portuguesa, e nomeadamente os Chefes, e Soldados, que se empenham na Justa, e Santa defesa do Trono, e do Altar; e que vista a qualidade dos agentes autorizados, e invulneráveis, que se incumbiram de a espalhar, talvez cause gravíssimos danos em uma, ou outra cabeça oca, e das que vulgarmente se chamam cabeças de minhocas: e já que estas luzes Maçónicas devem apagar-se a todo o custo, onde quer que despertem, julguei acertado opor as luzes verdadeiras, que são as do raciocínio, e da experiência, aos fogos fatuos, que de contínuo, porto que badaladamente, emprega a Seita Maçónica, que até moribunda, e ao ponto de exalar o último suspiro, fingirá, mentirá, e caluniará, por ser esta a sua índole, que o berço lhe deu, e que somente a sepultura lhe roubara, ou destruirá completamente.

Aurora! Que formoso título! Que bem achado nas presentes circunstâncias! Quase dá a entender, que é precursora do nascer do Sol, quando somente o é de um Eclipse total da honra, da fama, e da legislação, da felicidade, e da antiga Crença dos Portugueses, que felizmente abriram os olhos por uma vez, para conhecerem o que é o Sistema Constitucional, e os seus péssimos resultados. E haverá ainda quem se esmere, e quem se canse, e forceje por mostrar, que o tal Sistema, já por duas vezes prostigando, e expulso com infâmia, mudou a pele, e vem agora feito um Satarrão, para nos edificar, e instruir com os seus bons exemplos, e doutrinas...

Tirano o Senhor D. MIGUEL I!! E de mais a mais insaciável de sangue! É certamente a mais atroz de quantas imputações falsas, e caluniosas se tem excogitado, para fazer odioso um Príncipe, que se fosse justiceiro, como D. Pedro, chamado o Cru, já teriam caído, pelo menos, 40$ [40 mil?] cabeças de traidores... É desnecessário todavia procurar, ou insistir nestes exemplos de Justiça, a que outros chamam crueza; bastaria que hoje reinasse D. João I, para terem caído, pelo menos, 20$ cabeças; que se reinasse D. João II, que não era parenteiro, e que não perdoava nem a Duques, nem a Bispos, quando os achava traidores, já não apareceriam neste Reino os mais pequenos restos da Maçonaria, que o tem flagelado, e reduzido à última decadência Moral, e Política... Levanta-se um Regimento infame, desenrola as Bandeiras da Sedição, e assassina de passagem os Cidadãos tranquilos, e que nem presumiram a cruel sorte, que os aguardava... Que Rei da Europa deixaria os seus membros? Fizesse um Regimento da Prússia, ou da Rússia uma galantaria destas, e eu prometo, que nenhum escaparia, ou de ser fuzilado, ou de ser enterrado na Sibéria, castigo talvez superior ao da morte.

Tirano, a quem já perdoou a um Réu convencido do mais punível, e horroroso dos crimes políticos que só esperava algumas horas de vida... que já tinha entrado no Oratório, que pode ser que já estivesse vestido de alva, para caminhar ao suplício!! Tirano, quem no primeiro impulso de coibir os excessos de uma Revolução, que por bem pouco não arruinou para sempre a Monarquia Portuguesa, não duvidou contentar-se apenas com o suplício de dez criminosos... Quando talvez fosse necessário castigar, pelo menos 500 pela então rigorosa necessidade de dar um exemplo terrível; e que sem um ou mais deste jaez, aumenta-se o número dos criminosos, e periga consideravelmente o repouso, e a prosperidade dos inocentes... São impreteríveis as sagradas máximas da justiça; quando se absolvem os maus, castigam-se os bons; porque aqueles tornam ao vómito, e aguilhoados pela impunidade abalançam-se a cometer novos, e cada vez mais atrozes crimes; e estes, quero dizer, os bons são forçados a viver em contínuo sobressalto, a guardarem-se continuamente de ciladas, e perigos, e a esmorecerem... no seu amor à Pátria, pois vêm declaradas à face do mundo as suas verídicas asserções, e inconstatáveis depoimentos, o que os põe na dura necessidade de se esquivarem, quanto neles seja, a comparecerem diante dos Juízes, e a contibuírem para o bem da Monarquia, por ser um acto não só inútil, porém danoso, e prejudicialíssimo...

Universidade de Coimbra
Acaso deverá ele chamar-se tirano, porque tem castigado severamente os assassinos de Condeixa? E poderia ele haver-se de outra maneira? Perdoar a semelhantes facinorosos, vinha a ser o mesmo, que dar por acabado o exercício da Justiça, e desterrá-la para sempre da Monarquia Portuguesa. Mil vidas, que tivessem aqueles parricidas seriam uma fraca expiação do seu crime, que foi o primeiro desta classe, que se perpetuou neste Reino, e que somente os Reinos empestados da Maçonaria pode ter lugar... O estudante Sand, assassino de Notsebue não corre parelhas com os Estudantes Pedreiros de Coimbra: aquele desfez-se de um Escritor, que impugnava a Seita, estes desfizeram-se de seus Mestres, sem haver a mais pequena antecedência de ódio, ou má vontade. Decretou a Seita, que fossem mortos, nada mais foi preciso: a obediência cega os levou a cometer o parricídio, que até o propriamente dito eles cometeriam, se a própria Seita lho determinasse; o que é tão certo, que não faltam receios, ou suspeitas, de que um filho sabedor da morte, que havia de infligir.se a seu Pai, teve a constância de guardar segredo, de o ver partir com olhos enxutos, e talvez de receber com a mesma frieza os primeiros anúncios da sua morte!

Porém estes mancebos eram de grandes esperanças para a Seita... Neste primeiro lance de obediência mostraram claramente, que seriam outros tantos Brutos, e Cássios.... e como os interesses da Seita são os que devem regular o mundo, é claro, que foi um tirano, quem não deixou crescer à vontade estas plantas venenosas, e veio atalhar por este modo os progressos da Maçonaria "Lusitana"...

(continuação, parte b)

12/06/16

CONTRA-MINA Nº 44: Estranhas Multidões, e Gabinetes de Duas Caras

CONTRA-MINA
Periódico Moral, e Político,

por

Fr. Fortunato de S. Boaventura,
Monge de Alcobaça.

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Nº 44
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O medonho Fantasma se esvaece,
O dia torna, e a sombra se dissipa;
Os Insectos feíssimos de chofre
Entram no poço do afumado Inferno:
Eternamente a tampa se aferrolha.
No meio do clarão vejo no Trono,
Cercado de esplendor, MIGUEL PRIMEIRO.
(Macedo, Viagem Estática ao Templo da Sabedoria, pág. 141)
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Estranha Multidão de Homens, Cidades, e Gabinetes de Duas Caras

Não se publicou até hoje uma Obra, que tanto azedasse, incomodasse, e ferisse o Protestantismo, como foi a de Bossuet sobre as Variações dessa chamada Igreja Verdadeira; e se lhe juntarmos a situação actual do Protestantismo, que saiu incorporada na moderna História das Seitas Religiosas do século XIX, não há mais que desejar nesta matéria; e sem que seja necessário possuir grandes erudicções teológicas, bastará que o Leitor seja entendido, para que tire daquele inexausto armazém, não só cópia de lanças, e dardos, com que atrevesse o próprio coração do Luteranismo, e Calvinismo, porém a clava de Hércules, com que, abatendo-o de um só golpe, o deixe morto, e sem esperanças de nunca mais renascer.... Tal costuma ser o maravilhoso efeito da evidência dos factos que, não se podendo negar, forçosamente hão de concorrer para a destruição da Seita, que não se envergonha de andar com todos os ventos, a fim de captar a benevolência dos Grandes, e especialmente dos Soberanos do Norte. Estava um destes já enfadado de sua legítima Consorte; e desejando por isso contrair novo matrimónio, que seria, exactamente falhado, um verdadeiro concubinato, faz uma Petição aos novos Reformadores, que presavam de seguir o puro Evangelho; e, não é nada, concedem-lhe um despacho favorável; e por este modo tão adulatório, como escandaloso, e ofensivo dos princípios Religiosos, autorizam a Bigamia simultânea, e já desde o berço da pretensa Reforma se dão a conhecer por homem de duas caras, que nunca poderiam chamar ao seu partido, senão outros que tais como eles.... Já por vezes me tem lembrado escrever uma História sucinta das Variações dos nossos grandes Políticos modernos, em que apareceriam tantos homens, não só de duas caras, porém de meia dúzia de caras, à proporção de seus interesses, que é a mola real, até das chamadas grandes virtudes cívicas, ou patrióticas... Um destes Galões de água doce, enfurecido contra os Reis propõe hoje, por exemplo, que nos livremos dessa raça maldita, e amanhã quer, insta, forceja porque se levantem Estátuas a um Rei, ou Imperador; e assim Republicano desenfreado em 1822, apareceu um advogado pertinaz da Realeza em 1826! Se por ventura quisermos apontar um Unicáristas de 1822, que se fizeram Biscamaristas em 1826, seria uma lista de nomes tão prolixa, como enfadonha, e o mais é, que na primeira destas datas, só a lembrança de que se instituíssem duas Câmaras fez das tais badaladas ao sino grande das Côrtes, que parecia vir abaixo a Sala das Conferências; e nessa parte lhe fizeram boa companhia as mais sinetas, e garridas do Congresso, que na de 1826 tocaram diferentemente em aplauso das duas Câmaras, que era um dos mais bem traçados alçapões da Divinal Cartilha.

Estes perversos, que a fim de guardarem os seus poleiros estão sempre como à primeira das duas, tem muito que agradecer aos Escritores, que defendem os interesses de Portugal, e que têm usado para com eles de uma contemplação, respeito, e caridade, que eles por certo não merecem.... Que trabalho mais fácil do que extractar desses montões de papeis da Era Constitucional os respectivos serviços de muitos, agora zelosíssimos, e mui ardentes Realistas? Scripta manent.... Os Diários de Côrtes gritam contra a segunda cara de muitos Empregados Civis; e os Boletins do Exército Constitucional são outros tantos corpos de delito para muitos Empregados Militares, que são hoje muito fiéis ao Senhor D. MIGUEL I, porque assim lhes faz conta, e é necessário conservar, ao todo o custo, a Influência, o Saldo e a P[?]. Não é pois tão d[?] esturro de certos Escritores, que perturbe as cabeças, ou desmanche prazeres.... Ah! se o fosse, e se algum deles escrevesse um Dicionário dos Grimpas Lusitanos, à imitação do Dicionário dos Grimpas de Franceses, que gritarias, que lástimas não iriam pôr essas ruas, indignados de que houvesse entre nós pessoas tão falta de caridade Cristã, que reimprimisse as falas contraditórias dos mais ilustres Corifeus da Liberdade Portuguesa! Continuemos a pôr o ramo em outra parte; e já que assim comecei, assim também hei de concluir a minha tarefa... Que Liberal, e que Realista haverá nas quatro partes do Mundo, que não conheça o nome, e as relevantes prendas de Mr. Canning? Pois este mesmo foi homem de duas caras, e por isso já em outro Número lhe chamei versátil, como quem esperava ser mais largo para outra vez na explanação, ou desenvolvimento de tão amarga, e aparentemente insultadora frase... Em 1794 era ele um esturrado inimigo, não só da Revolução Francesa, porém até dos próprios Franceses. Em 1796, quando saiu sub-Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, requintou em ódio à França; e tal era o seu azedume contra esta Nação perturbadora do repouso, e tranquilidade das outras, que em 1798 se fez parceiro de Mrs. Frer, e Ellis na redacção do Periódico intitulado "Anti Jacobino". Daí a pouco despejou toda a sua cólera sobre o que ele chamou "Ídolo de três dias, ou Bonaparte" e em 1801 tão pouco lhe agradava a Paz de Amiens, que não duvidou apelidá-la "O Suicídio da Inglaterra". Quando chegou ao que ele mais desejava, que era o Ministro dos Negócios Estrangeiros, foi ele quem dirigiu as Expedições contra Copenhague, e Flessinga, o que ainda não prova, que tivessem franqueado, ou minguado os seus primeiros sentimentos de aversão à França.... Porém lá chega o ano de 1816, que na própria França, e numa das suas principais Cidades, (Bordeaux) (e por sinal, que regressava de Lisboa, onde fez um papel de Comédia) depois de um jantar lauto, sem que lhe tivessem encomendado o Sermão, fez um para mostrar, que a boa harmonia entre França, e a Inglaterra era necessária para o sossego da Europa; e o mais é que tinha razão às carradas, pois os mortos não falam, nem brigam; e que melhor, e menos alterável sossego pode haver, que o dos túmulos? Não se opôs à Invasão das Espanhas em 1823, porque, dizia ele, seria mui dispendiosa para a França, quando realmente foi outro o motivo da sua inacção, qual foi contar demasiadamente com o valor dos Patriotas Castelhanos, e talvez assentando, que é o mesmo palrar na Tribuna, que brandir a espada no campo. Só não deu nada pelo valor dos Patriotas Lusitanos, e por isso mandou apressadamente um Corpo de seis mil Ingleses, às Ordens do General Clinton, para defender Portugal de uma Invasão Estrangeira, que nem se quer se premeditava, quando realmente só vinha para defender, e salvar da guerra aberta, que faziam à Constituição os próprios Nacionais deste Reino, e sobre todos o exemplar da lealdade, o ínclito Marquês de Chaves, que, se por acaso não chegasse o socorro Britânico, não se esperaria pelo tão desejado regresso do Senhor D. MIGUEL I, para se desfazerem as Câmaras, as Côrtes, e todas essas armadilhas de embustes, de falsidades, e de traições. Ora aqui têm os meus Leitores mais uma prova, de que até os homens grandes, e os próprios Corifeus do Liberalismo já tiveram cara primeira, e cara segunda, e cara terceira, e contariam até milhares, se as vicissitudes, ou mudanças políticas chegassem a este número. E quantos exemplos do mesmo jaez me oferece, e, para assim o dizer, mete pelos meus olhos a História novíssima deste Reino?.... Seria necessário, pelo menos, um cento de Contra-Minas, só para um Repertório das falas, já em sentido Monárquico, já favoráveis a Pompeu, já favoráveis a César, já de Brutes, já de Marcos Aurélios, de que vêm cheias as numerosas páginas de tantas Colecções in folio, que para mim não têm estado em folha, porque as tenho esquadrinhado, e compilado, para desfazer em tempos conveniente certos Edifícios de lealdade, e patriotismo, que do presente ameaçam tocar as nuvens, mas que, bem examinada a coisa, lá tem no alicerce bastante areia; uma felicitaçãosinha às Côrtes, uma assinatura em papeis Revolucionários, um papel, que correu anónimo, sobre a pretensa Legitimidade de D. Pedro, (o inimigo mais furibundo, que nunca teve este Reino, deve ser apeado até das mais vulgares decências.... Chamei-lhe já muitas vezes Senhor, por obséquio ao Verdadeiro Senhor desta Coroa; porém d'ora em diante só lhe chamarei D. Pedro, em obséquio à justiça, e à verdade) são por certo, são estes homens de duas caras, aqueles com quem D. Pedro conta, para levar ao fim a sua tresloucada empresa; e como ele bem sabe, que são muitos, por isso é que se fortalece cada vez mais em seus propósitos... Mas, felizmente para nós, esse desgraçado Príncipe não sabe ainda o que são os Portugueses.... Deixou-me, quando apenas contava nove anos de idade, e mal podia então conhecer, e avaliar a ingénita coragem, e lealdade dos Portugueses... Esses muitos, com que ele conta, são homens devassos de costumes, homens brutais, e destituídos de sentimentos Religiosos, são homens tão abatidos no moral, como no físico, são verdadeiros paninhos de armar, são esqueletos vivos, são a imagem da fraqueza, e da cobardia, são, direi tudo por uma vez, são Pedreiros Livres; e um Pedreiro Livre é essencialmente cobarde; não é afoito, nem destemido, antes, logo que lhe cheira a combate sério, volta as costas, foge com a ligeireza dos Gamos, encerra-se num Barco de Vapor, e nem sequer espera a notícia de que se possam defender as mais fortes posições.... Ora o Povo Lusitano, a cuja imprevista resistência protestaram eles, que se devia atribuir àquela precipitada fugida, é todavia o mesmo, ou, para melhor dizer, é mais alguma coisa; dobrou em forças, em vigilaneia, em actividade, e no mais que pode constituir um Povo naquela situação, em que se espera somente uma das duas, ou vencer, ou morrer.... Estamos quase reduzidos à própria condição, a que o intrépido Fernão Cortez levou os seus companheiros de armas. Não há Marinha suficiente para resistir a forças Navais muito poderosas, quando estas se lembrassem de coadjuvar a Esquadrilha de D. Pedro; porém há peças de artilharia, há braços robustos, há baionetas bem afiadas, e é quanto nos basta; e no meio de tudo isto, temam, e tremam os homens de duas caras..... que são apontados..... que são geralmente conhecidos..... Vejam lá como fazem a sua, pois os melhores cálculos podem falhar; e, quando menos se cuide, volta-se o feitiço contra o feiticeiro. Deixemos o futuro, e voltemos ao passado.

Pois também há Cidades de duas caras? Há certamente, e eu as conheço por dento, e por fora. Citarei o exemplo de uma, que já não perde o crédito, porque já o não tem, e só por estes sinais parecerá ocioso nomeá-la, o que só faço, por temer, que outras deste Reino, e que não passam de duas, cheguem a presumir, que as denuncio de traidoras ao Senhor D. MIGUEL I. É a Cidade do Porto; mas diga-se primeiro, em obséquio da verdade, que aí mesmo se encontram não poucos verdadeiros Realistas, que apurados nesta espécie de crisol, merecem uma particular distinção; e que assim como se dizia outrora "É Grego, e não é mentiroso" também se diga presentemente "É do Porto, e é afeiçoado ao Senhor D. MIGUEL I" pois dizendo-se isto, chega a dizer-se, que este Portuense já tocou os últimos ápices da lealdade Portuguesa. Ora essa mui famosa Cidade das Revoluções, que noutras eras fez outro papel bem diferente, ainda em 1799 fazia cunhar, para memória do dia, em que o Senhor D. João VI começou a Governar estes Reinos em Seu Real Nome, uma excelente Medalha, onde se lia esta breve, porém expressiva, e bem adequada inscrição:

"Joanni Portug. et Algarb. Principi
Suscepto inter procellas imperii clavo
Civit. Potuc.
D.

Foi apresentada esta Medalha ao Príncipe Regente pelo Desembargador Vicente José Ferreira Cardoso, que fez nesta ocasião arenga do estilo, a qual rematou com estas frases "Se eu não puder contá-los todos, (os benefícios, que o Príncipe fizera à Cidade, e por sinal que os empregou muito bem) posso ao menos afiançar isto a Vossa Alteza Real, e ouso segurar-lhe, que a minha fiança será abonada para com a posteridade a par desta Medalha com a História do Respeito, Amor, e Fidelidade, que à Vossa Alteza Real, e à Real Família há de tributar sempre a Cidade minha Constituinte, em nome da qual tenho a honra de beijar muito reverente a Vossa Alteza Real a sua Real Mão."

Assim dizia o Orador; e já nesse tempo o Grão Tomás, e a Sociedade dos Beneméritos da Pátria se dispunham para serem algum dia os principais pagadores da tal dívida, o que efectuou a 24 de Agosto de 1820, em que a Cidade do Porto abonou solenemente o Profeta, que anunciara de tão longe os heroísmo da sua lealdade à Coroa Portuguesa.... Mais outra vez (quero dizer em 1828) se abonou a veracidade da Profecia, e pode ser que então mais solenemente, que da primeira, Nesta conspirou tudo para se consumar felizmente a projectada rebelião; porém da segunda vez era notável a dissidência de muitas pessoas, e das mais autorizadas; porém nada obstou, para que se realizassem os nefandos intentos da revolução, e do crime... Até as formosas Damas, à força de Vivas à Constituição, enrouqueciam, e ficavam sem voz, e desengonçavam os braços a bandearem os lenços Constitucionais.

Seguia-se falar um pouco dos Gabinetes de duas Caras, que tem sido a peste das Sociedades humanas; porém que Leitor haverá, que não conheça a fraudulência, e traição constante de certos Gabinetes para com os seus mais antigos, e fiéis Aliados.... Ah! Filipe de Macedónia, Filipe de Macedónia, se passaste largos Séculos por modelo, ou tipo dos negociadores pérfidos, e atraiçoados... Já perdeste essa odiosa qualificação.... Eras um Santinho em comparação do que se tem feito nos Séculos modernos, e no tempo da civilização, e das luzes.... Quando poderei eu aliviar o meu coração de um pezo, que o traz comprimido, e como esmagado... Nunca me será lícito definir o que é "A não Intervenção" que se entende somente com os Grandes, que podem voltar dente, e não com os pequenos, que impunemente são maltratados, e espezinhados? Já houve quem ousou escrever uma História dos Conclaves, e que por sinal é um tecido perpétuo de absurdos, e calúnias; e quando haveria um Escritor, que somente com olhos fitos na verdade ponha em pratos limpos a verídica História das patifarias dos Gabinetes de duas Caras, que facilmente se reduzem à História dos Pedreiros Livres, influentes nos Gabinetes da Europa?

É bem natural que os meus Leitores me acompanhem neste momento, e participem comigo da viva mágoa, a que me reduz a necessidade de observar o mais rigoroso silêncio então delicados assuntos; mas para me reanimar juntamente com eles, direi que Portugal tem ainda muitos homens de um só rosto, e que ainda os tem desde as Classes médias até às mais altas condições da Sociedade; e posto que não seja excessivo o seu número, só a lembrança de os possuirmos me reanima, e consola. Homem de um só rosto chamo eu, por exemplo, àquele, que durante o maior, e o mais activo furor da tempestade revolucionária, ousou imprimir a Bula do Santíssimo Cardeal Patriarca desterrado em Baiona, as várias Apologias do procedimento da Senhora D. Carlota Joaquina, e que antes quis ser encerrado nos Segredos do Limoeiro, e ser expulso deste Reino, do que transigir, ou capitular com os mais infames de todos os rebeldes. Este homem, seja qual for a sua presente condição, é para mim, tão respeitável, ou mais, do que se fosse Marquês, Duque, ou Príncipe....

Homem de um só rosto é aquele, que enrostando não só com as vozerías aterradoras de um Congresso ímpio, e malévolo, ergueu a voz para defender a inocência da Rainha mais vilipendiada, que nunca houve em Portugal; e que vendo luzir os punhais, com que devia ser atravessado ao sair da Conferência, nem por isso balbuciou, ou mudou de voz; antes cada vez mais a levantou para defender a maior nódoa, que tem caído sobre o crédito da Nação Portuguesa: homem de um só rosto é aquele, que tem seguido invariavelmente a voz da sua consciência, e que por mais que o acompanhe o glorioso ferrete da maldição Maçónica, antes quisera uma vida pobre, e obscura, do que unir-se a Pedreiros Livres, ou mendigar deles o prémio assaz merecido de seus incessantes, e heróicos trabalhos...

Oxalá que este Reino de Portugal tivesse ao menos quatro ou cinco mil destes, outrora chamados Portugueses velhos!..... Desgraçadamente não os tem, e pode lembrar a este propósito a engraçada anedota do Religioso Francisco, que ao ver meia dúzia de grãos de bico flutuantes numa grandiosa tigela de caldo, exclamou:

Apparent rari nantes in gurgite vasto.

E com efeito, que Corporação há, que menos interessem na intentada ressurreição do Sistema Constitucional, do que os Tribunais, que ele trata de ociosos, e supérfluos, e dá por extintos; do que os Cabidos, para os quais reserva igual tratamento; do que as Ordens Religiosas, que devem ser as vítimas de seus primeiros, e terríveis golpes? Assim mesmo (que tal é o excesso da cegueira humana!) em todas estas Classes há muitos desejosos das Cebolas do Egipto, e que antes querem a mendicidade Constitucional, do que a opulência Monárquica!!! O maior brasão, que pode ter actualmente auqleuqe Ordem Religiosa é este. Quantos Malhados [maçons] tem esta Ordem? Ao que responde afoitadamente qualquer dos Observantes Filhos da Santa Teresa.... Nenhum! Oxalá que todos os mais pudessem responder outro tanto! Porém a grande maioria está sã, e alguns há, que nesta hora estão fazendo os mais assinalados Serviços à Causa do Muito Alto e Poderoso Senhor D. MIGUEL I, ora imprimindo à sua custa os Escritores, que favorecem a boa Causa, ora traduzindo, e ampliando Obras primas de Autores Estrangeiros, como sucede com o Novo Vocabulário Filosófico-Democrático, que devia espalhar-se neste Reino, o mais que fosse possível, para aumentar o justo, e implacável ódio, que os bons Portugueses já professam, e devem professar à tortuosa, e refalçada linguagem, com que os Pedreiros Livres trataram sempre de nos embaçar, e de nos iludir....

E não haverá entre nós alguma Cidade unifronte, ou de um só rosto? Custa muito a aparecer quem mereça esta mui honrosa denominação; pois quando a Maçonaria bebida nas Lojas Coimbrãs, por certo as mais daninhas, e fatais de todo o Reino, há conseguido, por indústria dos seus aprendizes, estender-se, e propagar-se nas mais pequenas Aldeias, como será possível designar uma Povoação grande, uma Cidade, onde não haja Pedreiros em grande número? As Cidades Camaleoas, que mostram igual prazer, ou alvoroço, quer seja aclamado Rei o Senhor D. MIGUEL I, quer se proclame à ponta da espada o intruso S. Pedro de Alcantara, não devem lembrar a um Escritor público, senão para serem amaldiçoadas, e confundidas com o pó da terra, a que as tem feito descer a estranha vilania dos seus Moradores.... Porém torno a dizer, nem só quer para mezinha das minhas dores, e amarguras, haverá neste Reino pelo menos uma Cidade, que possa jactar-se de um só rosto? Não vai a ofender nenhuma, pois não é do mesmo ânimo ultrajar-las, ou deprimi-las, nem ainda levemente. Grandes notícias tenho da lealdade da maioria dos habitantes da Guarda, de Leiria, e de Évora, e outras; porém como a própria avidez do Filósofo antigo, que procurava um homem, procuro eu uma Cidade, não menos antiga, do que a todas as luzes respeitável, quero dizer, à Cidade de Braga.... Ao menos esta, quando sucedeu levantar-se, ou sublevar-se a força armada, para fazer a aclamação de um Rei intruso, a despeito dos solenes Juramentos, que prestára ao Legítimo Sucessor da Coroa, portou-se heroicamente, guardando o silêncio próprio dos Tumultos, não rompendo das suas janelas um só Viva, nem à Constituição, nem a D. Pedro, e somente quebrando aquele rigoroso silêncio à prima noite, quando prosseguia em seu louvável exercício da Reza pública do Terço de Nossa Senhora, alternado de umas para outras janelas.... Apesar de tudo isto ficarei ainda perplexo, e indeciso... Talvez a Maçonaria tenha actualmente em Braga um bom trintário de adeptos.... E o tão douto, como virtuoso Bispo de Charres, se ainda vivesse, não me deixaria mentir... [como perdeu ele a vida?]


Lamego, Santuário de N. Senhora dos Remédios

Acaso estará limpa de Mações a Cidade de Lamego? Não sei, porque não tenho, nem uso, nem experiência de tratar com os Moradores desta Cidade, à qual, ou a foice da morte, ou o desterro voluntário tem arrancado uns certos, e não vulgares Agentes da Maçonaria; porém o Batalhão dos seus Voluntários Realistas, recém-chegado a esta Capital, fez amarelecer de tal modo os Pedreiros Livres, que se torna um índice favorável das excelentes disposições daquela Cidade, e de toda a sua Comarca.... Desde que se encetou em 1828 a profusa luta, em que estamos envolvidos, nunca se me tira da memória o denodo, e coragem dos Realistas da Vila de Taboaço, que dirigidos, e capitaneados pelo seu Juiz de Fora (hoje Corregedor de Tomar) apareceram nas margens do Vouga, e na posição do Marnel, e apareceram na Vanguarda e nos Postos avançados, disparando tiros, e fazendo estragos a um inimigo, consideravelmente superior em forças. Mal sabem os da Esquadrilha formada de toda a carta de animal, que sorte os aguarda neste Reino! Ah grande Oriente de Lisboa, grande Oriente de Lisboa, a quem espero chamar ainda em meus dias "Grande Poente de Lisboa", adveria, e repara bem, que já te carrega sobre o espinhaço o Batalhão dos Voluntários Realistas de Lamego, e o Regimento de Caçadores da Beira Baixa.... Faltam-me ainda os Batalhões de Vila Real, Mangualde, e Castro Daire; porém já se colocaram nos lugares, que mais convinham, para o fim de se guardar bem uma Costa dilatada, e em vários pontos acessível.

Desterro, 5 de Janeiro de 1832

Fr. Fortunato de S. Boaventura

02/01/15

CONTRA-MINA Nº 30: Os Novos Estóicos ... (III)

(continuação da II parte)

O respeito e veneração, que devo ter a umas Personagens tão conjuntas a ElRei Nosso Senhor é que me cortam os fios à bem oportuna série de pensamentos, que me ocorriam neste particular, digno por certo de ser tratado extensamente. Cumpre observar por ora um silêncio respeitoso. Enquanto ele não se quebra, desafogarei ao menos numa apóstrofe ao Grande Oriente de Lisboa.

Grande Oriente, refúgio certo de todas as maldades, e de todos os crimes, receptáculo imundo de toda a casta de animal bípede, e quadrúpede, supremo arquitecto de Revoluções, e Constituições, sumidouro imenso, em que se perderia dentro em poucos anos toda a riqueza, toda a indústria, e toda a esperança deste Reino... aguça bem os teus punhais, faz quanto couber nas duas forças, e no grande número dos teus adeptos, que ainda conservas nos Lugares Públicos, e quiçá nos mais eminentes deste Reino, faz, torno a dizer, por segurar, e assestar bem os teus golpes; que ainda no caso de obteres algum efémero, ou momentâneo triunfo na Capital do Reino, eu posso afirmar-te, que não fizeste nada, e que ainda te resta quase tudo por fazer. Eu te dou um exemplo Histórico, que deverá servir-te de norma e direcção. Bem seguro se considerava em Nápoles o Grande Oriente desta Capital em 1799. As Lojas eram sem conto, deliberavam de porta aberta, e à hora do meio dia, e eram tão povoadas, que só uma (a dos Amigos das leis) constava de mil sócios. As Fidalgas Napolitanas faziam, quanto nelas era, a fim de excitarem os ânimos contra o Rei legítimo. A Princesa Belmonte levou a sua impudência ao auge de figurar num Teatro, onde pronunciou a mais violenta sátira contra os seus próprios Soberanos. A Marquesa de Fonseca redigia um Periódico Revolucionário, (o Monitor Napolitano) e esta mulher autora inflamava os ânimos, e multiplicava o número dos inimigos do seu Rei..... Levantaram-se púlpitos nas ruas, onde os Sacerdotes Constitucionais, e Jansenistas declararam, não as verdades Evangélicas, mas os princípios demagógicos os mais exagerados... Tão seguros estavam da Capital, que não aparecia um só Realista, pois caso aparecesse era logo assassinado conforme o aresto humano, e filantrópico dos Clubs Directores. No meio de tudo isto lembram-se dois a três Eclesiásticos de se porem à testa dos justamente queixosos, e lastimados de tal ordem de coisas... O amor da Pátria é um excelente Mestre de Tactica, e às vezes ensina em três dias as mais dificultosas operações de guerra. Uma Cruz branca é o sinal de reunião, e o melhor incitamento para os combates... O Cardeal Rufo já desbaratou os Franceses Protectores do Jacobinismo Italiano, Fra Diavolo, e o Cura Rinaldi limpam de inimigos as duas Calábrias... Nápoles é entrada pelos Cristãos vencedores.... Os Sacerdotes Belloni e Putiei, e a Princesa Belmonte, e a Marquesa de Fonseca, são todos enforcados; e desde Junho até Dezembro do próprio ano de 1799 não passa um só dia, em que não sejam pendurados alguns réus; que se não fossem estes actos de justiça, por certo que se aumentaria consideravalmente o Partido Liberal, e neste caso a invasão do Reino de Nápoles em 1821 teria sido mais alguma coisas, que um passeio militar do General Frimont...

Concelhos da região da Serra da Estrela
Santuário de Nossa Senhora da Estrela (Serra da Estrela)
Penhas Douradas, na Serra da Estrela
Posto o ramo só falta vender-se o vinho... Lisboa não é Nápoles, e tem mais alguma coisa do que Pedreiros e Carbonários, que para se desfazer desta boa gente, não seria preciso convidar ninguém de fora. Portugal tem duas Calábrias, e tem Rinaldins, que se derem um grito, por exemplo, na Serra de Estrela podem reunir em vinte e quatro horas trinta mil homens armados, e tem um Rei, a quem sobejam a intrepidez e o sangue frio, que tantas vezes faltaram ao Rei de Nápoles Fernando IV.

Louriçal, 13 de Agosto
de 1831.
Fr. Fortunato de S. Boaventura

19/12/14

CONTRA-MINA Nº 30: Os Novos Estóicos ... (I)

CONTRA-MINA
Periódico Moral, e Político,

por

Fr. Fortunato de S. Boaventura,
Monge de Alcobaça.

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Nº 30
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O medonho Fantasma se esvaece,
O dia torna, e a sombra se dissipa;
Os Insectos feíssimos de chofre
Entram no poço do afumado Inferno:
Eternamente a tampa se aferrolha.
No meio do clarão vejo no Trono,
Cercado de esplendor, MIGUEL PRIMEIRO.
(Macedo, Viagem Estática ao Templo da Sabedoria, pág. 141)
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Os Novos Estoicos, ou Desprezadores da Glória.

"Tirana paixão, é esta paixão da Glória! Uma vez que se chegou a apoderar de um coração, onde não penetrem os sentimentos Religiosos, nunca mais largou a preza; e se de quando em quando se faz semblante de não forcejar, nem trabalhar pela Glória, tudo isto é sobreposto, e ilusório, porque se houver ocasião favorável romperá tão estrondosamente a demanda paixão da Glória, que se dá logo a conhecer, que ela dormia como fogo debaixo das cinzas, e que todo o empenho contrário não foi mais, que uma estudada, e formalíssima hipocrisia. Esta paixão é tão ardilosa, que às vezes é tanto mais absoluta dominadora, quanto mais se afecta desprezá-la.... e não é estranho, que os aparentemente fugitivos desta paixão, e que mais longe parecem estar do alcance de seus tiros, devam reputar-se as suas principais, e mais escolhidas vítimas.

Quem parecia fugir mais de tudo quanto era Opulência, e Glória, que o Cínico Diogenes? Quem não diria, que ele encerrado na sua pipa era o mais eloquente Censor de todos os amantes da Glória? Pois não era assim. Diogenes mostrou-se neste lances o mais ardente procurador da Glória, o que é tão certo, que o próprio Alexandre magno, que tanto almejava pela Glória, achou que sem renunciar esta paixão, o que mais lhe ficaria bem era o ser Diogenes, caso dado que não fosse Alexandre....

Que era a insensibilidade Estoica, senão um desenfreado apetite da Glória? Nem o próprio suicídio de Catão argue outra coisa mais, que uma repugnância invencível a ser prisioneiro de César, e as mui viva representação, de que era mais glorioso sacrificar a vida por suas próprias mãos, que o conservá-la por benefício do seu maior inimigo. Ora os nossos Pedreiros Livres não pareciam talhados para estas virtudes Estoicas, mas visto que eles tem homens para tudo (porque os talentos militares, e políticos lá se acumularam todos, sem ficar a mais pequena dose de senso comum para os malfadados Realistas) instituiriam recentemente um esquadrão de novos Estoicos, ou desprezadores da Glória... Não há presentemente, dizem eles, nada que temer, nem da parte do Senhor D. Pedro ex-Imperador do Brasil, nem da Senhora Princesa do Grão-Pará.... o medo a estes papões é medo infantino, é ressuscitar em certo modo a Seita Sebástica, pois é necessário uma credulidade mais que Sebástica, para se acreditar, que se façam novas tentativas para ser colocada no Trono Português a Senhora D. Maria da Glória..... Tão pequena foi a lição do Brasil, que já lhe esquecesse, ou lhe deixasse algumas saudades dos Reinos Constitucionais? Tomaram eles viver quietos, e sossegados em algum cantinho da Europa!!.."

D. Maria da Glória, neta de D. João VI, e Sobrinha de D. Miguel I
Ora aqui temos um novo ardil Maçónico dos mais subtis, e quase imperceptível, para quem não esteja habituado a conhecê-los, e desmascara-los. Sabem que a lealdade Portuguesa acabou de tomar grandes alturas, que desconcentraram os formosos planos do Grande Oriente Lusitano, e por isso é necessário, quando se não consiga o destruí-la, ao menos fazê-la quebrar,ou esfriar; e não há, nem pode haver cousa tão conducente para este fim, como espalhar-se, que não haja o mais leve receio de tentativas por parte da Senhora D. Maria da Glória, e que seu Augusto pai, depois da renúncia espontânea, e solene, que fez das Coroas Real, e Imperial nunca mais tomará calor porque vinguem os Direitos de sua Filha; e que todo engolfado nas delícias de vida particular olhará com absoluta indiferença para os dois Ceptros, que jazem a seus pés, e que não merecem a pena, de que ele se abaixe para os levantar, e resumir.... O caso é, que assim deveria ser, e o mesmo Senhor, que pôde ler de cadeira sobre a firmeza, e estabilidade dos Reinos Constitucionais, deveria agora imitar a Ecuba do Trágico Latino, e falar à sua desgraçada filha, pouco mais ou menos neste sentido: "Quem se fiar nas promessas dos Mações, e tiver por seguros aqueles Tronos, que a Maçonaria, ou ergue, ou desmancha a seu sabor, olhe para mim, e para o Brasil....

Me videat, et te Troia.

Lançar-te, minha querida filha, nesse turbilhão Constitucional, será o mesmo, que preparar-te uma sorte a mais equivoca, e a mais desgraçada.... o total dos Portugueses não te ama, nem te quer; deixemos para sempre a ideia de Reinar sobre uma Nação entusiasmada pelo seu Príncipe, e temerosa de perder a sua Religião; pois caso dado, que por auxílio das Potências Europeias chegássemos a vencer a porfiosa resistência, que nos espera, e que tão insolentemente nos ameaça, que glória terias tu de Reinar sobre montões de cadáveres, e ruínas? E que glória teria eu de sacrificar ao ídolo da Maçonaria o Trono, onde Reinou meu Pai, onde luziram os meus Antepassados, e onde eu poderia estar hoje assentado, se me não deixasse arrastar de pérfidos conselhos? Obediente ao meu Pai, teria eu sido o melhor de todos os filhos, nunca se teria quebrado o laço, que unia os dois Reinos de Portugal, e do Brasil, nunca eu teria abdicado, e nenhum de nós teria de mendigar o pão estrangeiro..."

Cautela, e vigilância, meus amados Realistas, e verdadeiros Portugueses; nada disto assim é..... Os próprios, que para vos adormecerem, e para vos apanharem totalmente desprevenidos vos dizem no meio das Praças, que não há que temer de uma aspirante à Coroa de Portugal, que se nunca a obteve quando seu Augusto pai era Imperador, menos a poderá obter quando seu Pai desceu à condição de um simples particular... só querem iludir-vos, e atraiçoar-vos, porque são os mesmos, que dizem ao ouvido dos que pertencem à Confraria, que nem todos sabem guardar tais segredos: lá chegou a Brest a Senhora D. Maria da Glória, que foi recebida com honras de Soberana....... temos ainda muito que ver....

(continuação, II parte)

17/09/13

MAÇONARIA NO PODER - Notícia

as badalhocas
Hoje trago aos leitores um artigo, do Diário de Notícias, intitulado "81 maçons "atacam" cargos autárquicos em 43 municípios". Não quero passar ao artigo sem fazer um IMPORTANTÍSSIMO aviso: a mentalidade dominantes do nosso tempo é praticamente maçónica. Parece-me que, cada dia mais, está em veiculação a CORROSIVA ideia de que o mal da maçonaria é exclusivamente, ou principalmente, o secretismo. O mal da maçonaria é FUNDAMENTALMENTE um dinamismo montado sobre uma ideologia que vai contra o catolicismo nos seus fundamentos doutrinais (portanto, é uma operação de anti-civilização). É impossível retirar definitivamente a maçonaria de dentro de um sistema republicano, porque, na verdade, um acaba sempre por levar ao outro.

Eis o artigo:

"As duas maiores obediências maçónicas nacionais têm mais candidatos do que várias forças políticas inscritas no Tribunal Constitucional. Há 24 "candidatos irmãos" à presidência de autarquias, 20 a vereadores, 31 à assembleia municipal e seis a juntas de freguesia.

Por muito que os grão-mestres insistam que a maçonaria não se intromete na política, o que é certo é que há forças políticas com menos candidatos às próximas eleições autárquicas do que as duas principais obediências nacionais. São mais de 80 os maçons que vão tentar conquistar cargos autárquicos em 43 autarquias um pouco por todo País (incluindo ilhas) entre candidatos a presidentes de câmara, vereadores, deputados municipais e presidentes de junta.

Há 24 maçons que concorrem mesmo à presidência de autarquias maioritariamente em listas do PS e do PSD, mas também como independentes. Existem igualmente casos em que "irmãos" da mesma loja se enfrentam em listas contrárias dos partidos do "centrão" e favoritas à vitória. Ou seja: PS e PSD podem não ter representantes na gestão da autarquia, mas é quase garantido que a loja maçónica local terá.

A solidariedade maçónica até já fez uma baixa, e logo ao mais alto nível, durante o período eleitoral: levou à demissão do presidente do Conselho Nacional de Eleições (CNE). Tudo começou com a tentativa de impugnação da candidatura de Francisco Moita Flores - que pertence à Loja Acácia do Grande Oriente Lusitano (GOL) - à Câmara Municipal de Oeiras. Os seus opositores alegavam que havia atingido o limite de mandatos e o caso foi - como muitos outros - parar a tribunal.

Até aqui tudo normal, não fosse Moita Flores contratar Nuno Godinho de Matos - advogado de profissão e "irmão" do GOL - para o defender, tendo este confidenciado ao DN que aceitou o pedido sem pensar duas vezes. O problema é que Godinho de Matos (Loja Liberdade e Justiça) era também presidente da CNE e, como não podia deixar de representar o seu amigo e cliente, demitiu-se da presidência da CNE. Godinho de Matos sofreu críticas do seu partido (o PS) por defender e pôr-se em xeque pelo candidato do PSD.

Porém, a solidariedade maçónica e a amizade falaram mais forte. Ao DN, Godinho de Matos admite que "o facto de sermos os dois irmãos da maçonaria e sermos amigos há muitos anos pesou muito na minha decisão de o defender". Mas prontamente acrescenta: "A principal razão que me levou a representar Moita Flores foi ver que ele tinha carradas de razão e que alguém estava a querer ganhar eleições na secretaria. Achei incrível e reagi epidermicamente. Decidi defendê-lo sem pensar no problema ético que daí advinha."

10/10/12

MAÇONARIA - colecção de artigos do DN

 Foi com boa surpresa que dei com uma coleção de artigos do DN (Diário de Notícias) sobre a maçonaria. Temo que, em tempo de crise económica, estes artigos acabem por aliciar alguns, em vez de repelir...

"Conheces alguém da maçonaria no desemprego?" (Oscar Mascarenhas) - não esquecer de virár a página do artigo.

"A maçonaria exposta" (anónimo) - não esquecer de virar a página do artigo.

""Não é compatível" ser católico e maçom"

"Políticos, gestores e juízes entre os 1438 maçons expostos" (Rui Pedro Antunes)

"Uma sociedade pouco secreta" (Alberto Gonçalves) - não esquecer de virar as páginas do artigo.

"O poder da maçonaria portuguesa" (Video)

"Grande Oriente Lusitano corta relações com GLLP" (Rui Pedro Antunes)

"Maçonaria e espiões na direcção do Observatório de Segurança hoje a votos"

"Símbolos maçónicos comprados com dinheiro público"

"Secretas estrangeriras desconfiam de espiões portugueses"

"Patriarca critica influência de maçons na política" (2011)

MAÇONARIA - ÁUDIO ASCEDENS (I)

Caros leitores, é a 3ª ou 4ª vez que reponho no blogue os dois áudios da conversa entre Fr. Bento Domingues e o Grão-mestre António Reis. Não sei, vão-se estes áudios do blogue, não sou eu que os tiro, não os vejo mais por cá. Portanto, fui buscar novamente os áudios à fonte online, e toca de refazer aqui a ligação com eles em nova postagem.

Há alguns anos a Rádio Clube Português proporcionou e transmitiu uma conversa em directo entre o o dominicano Fr. Bento Domingues e António Reis, Grão-mestre da loja Grande-Oriente-Lusitano (maçonaria):



António Reis
Fr. Bento Domingues

(continuação, aqui)

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