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11/06/14

FERNANDO DE BULHÕES - PRIMEIROS PASSOS DE Sto. ANTÓNIO

Igreja de Sto. António, construida no lugar da casa onde Sto. António nasceu, em Lisboa junto à Sé.
"Assistia o bendito Fernando mais na igreja que em casa, e também fazia desta igreja. Vendo os pais tanta virtude em tão tenros anos, pressagiavam que lhe havia dado Deus naquele filho um grande servo seu, e discorriam prudentemente, porque os virtuosos prelúdio da primeira idade, são indícios certos de grandes progressos no decurso dela. Exercitava-se em afectuosas orações, mortificações, e penitências, pondo todavia o maior empenho em esconder o seu tesouro; para que lhe não roubasse suas riquezas as subtilezas do amor próprio, ou as astúcias da vaidade, que costuma forjar dos aplausos chaves mestras para fazer os roubos. Invejoso Satanás dos progressos do nosso menino, e provendo a guerra, que lhe faria na idade provecta, procurava estorvar-lhe o passo ao monte da perfeição.

Sé Patriarcal de Lisboa, e igreja de Sto. António de Lisboa.
Numa ocasião lhe saiu ao encontro ao subir pela torre dos sinos da Sé, e conhecendo-o o bendito menino, fez o santo sinal da nossa Redenção com o dedo numa pedra da mesma torre, à vista do qual, e do imperio com que repreendeu o seu atrevimento, fugiu para as estigias lagoas. Para memória do triunfo do bendito Fernando, permitiu a bondade de Deus que ficasse na mesma pedra esculpido o sinal da Cruz, que hoje se vê, e se venera entre grades na mesma torre, e ali o vi no ano de 1742. Naquela ocasião, e em outra mais venceu Fernando ao inimigo universal das almas com a graça do Senhor, porque andava sempre armado de prudência contra a sua crueldade, dos sete dons do Espírito Santo contra as duas sete cabeças, da observância dos divinos preceitos, e conselhos contra as suas dez pontas, em cuja espantosa figura o viu S. João.

Torres da Sé
Assim passava Fernando, sendo homem uma vida de anjo, andando no mundo já parecia do Céu, vivendo na carne todo era espírito, sendo menino dava exemplo aos velhos, sendo secular podia confundir aos religiosos. Mas não satisfeita a sede insaciável que tinha da virtude, hidropico da maior perfeição; a tempo que a galhardia da sua juventude, a nobreza das suas prendas, o luzido do seu saber o haviam de fomentar, e inclinar à pretensão de postos, e honras; determinou fugir de todas as ocasiões de vaidade da vida, e a fazer uma tão justificada, que não pudesse temer a morte.

Interior da igreja de Sto. António de Lisboa
Tendo pois quinze anos de idade, se resolveu a sair do ostentativo de sua casa, do regalo paternal, e das delícias maternas; e a tomar a murça dos Cónegos Regrantes de Sto. Agostinho, no Convento de S. Vicente de Fora, que naqueles tempos era eminente palestra de mais exemplar observância. Oh acção maravilhosa! Oh que agradável vítima! E oh que grande excelência de Fernando! Pois apenas tem conhecido o mundo, quando o despreza, e foge a Deus escassamente experimenta as delícias, e deleites, quando os aborrece, e abraça a penitência." (de Cuidados da Morte e Descuidos da Vida ... 900 Santos e Santas ... Igreja Lusitana - Tomo I. Maciel Aranha Boaventura, Lisboa, 1761)

Convento de S. Vicente de Fora (Lisboa)

16/05/14

REPOSIÇÃO - VIDA DE S. TEOTÓNIO (II)

(continuação da I parte)

- Do capítulo XII da II parte, ponto 2, e "Aditamento" :

"2. Movidos com esta exortação, todos os religiosos permaneciam diante do Senhor, fazendo suas súplicas públicas, e particularmente. Mas o Prior depois de continuar as súplicas, e deprecações devotas a Deus, as quais seria mui dilatado respeito agora; com todo o coração mais fervorosamente orava, para que pela mizericórdia do Redentor merecessem ser consolados no livramento de velho, os que por seu cativeiro estavam tão tristes. E de um modo admirável, enquanto isto passou no Mosteiro, eis que sem ser esperado o velho se prezentou são ao dia décimo quinto de seu cativeiro, livre, e absoluto, com grande glória, sem detrimento, e diminuição das coisas que levava, com o mesmo número de soldos; entregues também com confiança na sua palavra doze cativos. Deixo de contar o modo porque Deus todo poderoso o livrou do cativeiro pela fraude salubérrima de certo pagão, por não estender a grandeza do livro, principalmente numa coisa que está divulgada na boca de todo o povo. Vedes pois de quanto merecimento foi este santo, quanto fosse o pio desvelo que tinha dos seus, e cuja oração foi tão poderosa diante do Senhor?

Aditamento

Ano de 1147, cercando a cidade de Lisboa o santo Rei [D. Afonso Henriques], fez voto de erigir dois templos, se alcançava victoria dos mouros, um a S. Vicente Mártir, outro com o título de S. Maria; para a erecção do primeiro mandava ir de S. Cruz ao santo velho Honório, ao qual sucedeu o que fica referido. Por sua demora entregou o fundador seu mosteiro aos Cónegos Regrantes Premonstratenses alemães; mas tendo sua diferença com eles, fez que S. Teotónio lhe enviasse outros de S. Cruz, dos quais foi em S. Vicente, Câmara Real, o primeiro Prior o Venerável D. Godinho. Em quanto à milagrosa liberdade que conseguiu o velho D. Honório, nos podíamos queixar do anónimo omitir as circunstâncias, que diz andavam na boca de todos; mas hoje se ignoram, constando só ser prodígio das orações de S. Teotónio, e o mais que referes o anónimo.

- Do capítulo XIII, chamado "Sua diserção em admitir, e tratar os religiosos", da II parte, o ponto 1 :

"1.  Tinha também este costume, de não admitir mas religiosos na Congregação, do que parecia justo, e que pudessem ser sustentados pelas rendas do Mosteiro. E aqueles que recebia cuidava em assistir com abundância com toda a consolação da alma, e corpo. Imitava o que faz o médico peritíssimo, que pondo grande diligência na cura, aplica a cada um dos enfermos o que lhe é mais conveniente, e isto com toda a diligência. Assim em corrigir os costumes ponderava muito, que segundo a quantidade das chagas, se dessem os lenitivos da cura; para nem dar a um o que fosse nocivo, nem negar a outro o que podia aproveitar: e era sempre benigno, e clemente com os humildes."

(a continuar)

07/05/13

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