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18/06/15

O PUNHAL DOS CORCUNDAS Nº 13 (II)

(continuação da I parte)


APPENDIX

Extrato de um projecto da Revolução, composto pelo Conde de Mirabeau, apanhado em casa de Madame Grai, por Le Grande seu doméstico, e vendido a Mr. Houle, Oficial no regimento de Dragões da Rainha, impressos depois com os outros escritos do mesmo género com o título Mistérios da Conspiração.

"Uma nação junta não se muda; só tem em vista o interesse comum para o estabelecer. Deve destruir toda a resistência: e atendei bem para isto. Nada pode ofender a justiça quando se trata do bem geral. Eis aqui o princípio. Trata-se agora de saber qual seja o caminho que é preciso tomar para chegar à restauração geral. É preciso destruir toda a ordem, suprimir todas as leis, anular o poder, e deixar o povo em anarquia. As leis que fizermos não terão logo todo o vigor, não o terão talvez depois; mas é preciso restituir a força ao povo: ele resistirá por sua liberdade, persuadido que a pode conservar. É preciso lisonjear seu amor próprio, e sua esperança, e prometer-lha a felicidade depois dos nossos trabalhos. É preciso iludir seus caprichos, e os sistemas que ele tem feito à sua vontade, porque o povo legislador é muito perigoso, só estabelece leis que coalisam com suas paixões. E como não haja mais que uma alavanca, que os legisladores movem à sua vontade, é preciso que nos sirvamos dele, fazendo-lhe odioso tudo o que quisermos destruir. É preciso semear a ilusão em todos os seus passos; comprar todas as penas mercenárias, que propagarão os nossos meios, e lhe farão ver que nós não atacamos mais que os seus inimigos.
O Clero, sendo o mais poderoso na opinião, não pode ser destruído, senão metendo-se a ridículo a Religião, tornados odiosos seus Ministros, e dando-os a conhecer como outros tantos monstros hipócritas; porque Mafoma, para estabelecer a sua Religião, começou por infamar o Paganismo, que os Árabes, os Sarmatas, e os Seytas professavam. É preciso que a todos os instantes os Libelos abram um novo caminho ao ódio contra o Clero: é preciso exagerar suas riquezas, tornar gerais os crimes, e os erros dos particulares, atribuir-lhe todos os vícios, a calúnia, o assassínio, a irreligião, e o sacrilégio. Nada de delicadeza, tudo é permitido nas Revoluções.
Venhamos à Nobreza. É preciso evitá-la, e dar-lhe uma origem odiosa. É preciso estabelecer um gérmen de igualdade, que não pode existir; mas que lisonjeará o povo.É preciso sacrificar os mais preocupados, incendiar, e destruir suas propriedades, para intimidar os outros. Senão pudermos destruir inteiramente a preocupação da Nobreza, no menos a enfraquecermos, e o povo vingará seu amor próprio, e seu ciume, com todos os excessos, que obrigam os Nobres a fazer o que nós quizermos.
Enquanto à Côrte, é preciso eclipsá-la aos olhos do povo, anulando todas as leis, que a protegem. O Duque de Orleães não omitirá causa alguma para dar explosão à sua vingança. É preciso degradar a Corte até tal ponto, e com tanto excesso, que em lugar de veneração, o povo não tenha mais que ódio, e aversão a seus Soberanos. É preciso que os considere como seus inimigos, e que esteja pronto a se vingar. É preciso lisonjear o soldado, levantá-lo contra a autoridade legítima, fazer-lhe odiosos seus Oficiais, e os Ministros: aumentar seu soldo, fazendo-o o homem da Nação, e não do Rei: enviar-lhe emissários, que o instruam nos nossos projectos, e fazê-lo patriota. E não vedes vós que sem isso nossos inimigos iludiriam todas as nossas vistas, todas as nossas combinações, todos os nossos meios, pela força das armas? Passemos aos Parlamentos.
É preciso representar ao povo sua venalidade, que recaiu sempre sobre o mesmo povo. É preciso mostrar-lhe os Magistrados como déspotas altivos, que vendem até os seus mesmos crimes. O povo ignorante e bruto só vê o mal, e não o bem das coisas. Não digo nada dos Financeiros. Será infinitamente fácil convencer o povo que tudo são abusos na administração da fazenda, e que só merecem indignação os que a ela presidem. Notai bem que o Rei, e os Grandes procurarão frustrar a nossa Revolução com guerras intestinas, ou com as Estrangeiras. É preciso pois para que isto tenha um completo êxito levar o espírito de independência a todos os povos circunvizinhos. Isto não será coisa muito difícultosa. O Espanhol é muito inflamável, e geme há muito tempo debaixo do jugo tirânico do Despotismo, e da Inquisição. Os Italianos são tão arrebatados como os Franceses, e depois que começou a lavrar entre eles o espírito Filosófico, desprezam a Tirania. O Alemão é mais difícil de se mover; porém sua escravidão o indigna contra seus déspotas. É preciso espalhar ouro em Alemanha. Todos os que se deixarem corromper, propagarão a insurreição. O Brabante se inflamará com o mais leve assopro. A Holanda é toda nossa. A Inglaterra nutrirá, e sustentará nossas desordens. Seu ódio natural contra os Franceses não lhe deixará tomar um partido generoso para defender nossos direitos, se neste partido não divisar seu próprio interesse. Quando o Gabinete de S. Jaime nos queira fazer guerra, opor-se-hão os Comuns, porque nós lhes diremos que o que pretendemos é destruir o Despotismo, e a Hidra feudal, e fazermô-nos livres, como eles são. A Prússia tem vistas, que poderão  prejudicar; este Reino não nos deve meter medo; não é uma Potência, que possa afrontar um grande povo ardente, e impetuoso como são os Franceses. É preciso aguerrir este povo. É preciso mais que tudo fixa-lo na defesa das fronteiras, e para isto cumpre nutrir e acender seu furor, alentar suas esperanças com a supressão dos impostos: intimar-lhe surdamente a matança, e extermínio dos inimigos da Revolução, como um dever útil ao Estado. Nós devemos exigir o juramento a todos aqueles, que se juntarem a nossos projectos, e formar diversas sociedades, que em suas sessões tratem o mesmo assunto, discordando (para disfarçar) de opinião.
Enfim importa admitir o povo nos estabelecimento, que devemos criar, concedendo-lhe a voz deliberativa nas Assembleias gerais; isto lhe dará um veículo de honra, que lhe fará andar a cabeça a roda. Mas é preciso não deixar às Cameras mais do que um poder limitado. Se lhes deixarmos muita força, seu Despotismo será muito perigoso. Lisonjeemos o povo com uma justiça gratuita; prometa-mos-lhe uma diminuição de impostos, e uma repartição mais igual. Estas vertigens o hão de fanatizar, e removerão toda a resistência.
Ah! Que importam as vítimas e seus números, as espoliações, as destruições, os incêndios, e todos os efeitos necessários de uma Revolução? nada nos deve ser sagrado!" (Tirado da Refutação dos Princípios Metafysicos, pág. 222).

Este Documento original e autêntico contêm em si todos os princípios de irreligião, e imoralidade: os Pedreiros Livres o pertenderão negar; mas o que eles praticaram na França, na Itália, em Espanha, e em Portugal, manifesta bem a sua autenticidade, e que este é o seu Cresto, ou Cartilha, por onde se governam, e querem deste modo arrancar de entre os homens a Religião, e os bons costumes, e precipitá-los no abismo de todos os males: são portanto os maiores inimigos do género humano. Só poderemos ser felizes pela Religião, e pelos bons costumes; e como esta infernal seita trabalha por destruir estes dois princípios, somente com o extermínio dela poderemos aspirar à nossa felicidade.

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LISBOA: NA IMPRESSÃO RÉGIA. 1823
Com licença da Real Comissão de Censura.

09/06/14

VIOLÊNCIA FÍSICA e a SOCIEDADE PROGRAMADA - Vídeo



A mesma situação mas trocando os papeis, dá resultados assustadores. Se uma mulher exerce HOJE violência sobre um homem, corremos o risco de ver tolos aplaudi-la. Contudo se HOJE um homem exercer essa violência para com uma mulher, é altamente reprovado e ameaçado pela sociedade.

É estranho .... não ?! .... uhmmm



06/03/14

HISTÓRIA DOS "ILUMINADOS" (IV)

(continuação da III parte)

Por estas qualidades do mais íntimo adepto de Weishaupt, é fácil julgar as que exigia dos outros candidatos para deles se fiar. Além das que descreve em sua carta a Tibério, acham-se outras nos escritos originais, que nos põem no estado de apreciar o zelo. Tal é entre outros, o Marquês de Constança, que debaixo do nome de Diomede, desde os primeiros anos da seita, tinha viajado o Tirol e Milão como apóstolo do Iluminismo. Tais o Conde de Savioli, o Barão de Magenhoff, de quem Weishaupt fezz seu Bruto, e seu Sila; e o Conde Pappenhem com o nome de Alexandre. Tais, sobre tudo, foram diferentes professores de colégios ou mostres de escolas, a quem o fundador preferia, como os mais aptos para seduzir a mocidade, e corromper desde a infância o coração do homem.Os progressos desta Ordem, na primeira época, e os meios de que Weishaupt se serviu para aumentar o número de seus adeptos, se pode ajuizar pelo extracto seguinte achado entre os papeis do Catão Zawck:

"Nós temos em Atenas (Munich) 1º uma loja regular de Iluminados Maiores, própria para o nosso objecto; 2º uma grande loja maçónica; 3º duas consideráveis igrejas, ou academias do Grau Minerval.
Também temos em Tebas (Freysinga) uma loja Minerval, assim como em Mégara (Landsberg) em Burghausen, em Straubing; e em Éfeso [Inglstadt). Em pouco tempo estabeleceremos uma em Coríntio (Ratisbona).
Nós comprámos (em Munich) uma casa; e tomámos também nossas medidas, que os profanos não só não falam de nossas assembleias; mas nos dão mostras de grande estima, quando nos veem ir publicamente isto é muito para uma cidade como Munich.
É nesta casa, ou loja que temos um gabinete de história natural, instrumentos físicos, uma biblioteca, e tudo isto se vai aumentando pelos donativos dos irmãos.
O jardim é destinado à botânica.
A Ordem procura para os irmãos todos os jornais científicos. - Por diferentes brochuras impressas, temos excitado a atenção dos Principais, e do Povo sobre certos abusos mais notáveis. Todos os dias empregamos novas forças contra os Religiosos, e temos visto bons frutos de nossos trabalhos. (Um dos coriseos da Revolução da França gritavam no meio da assembleia: "Se quereis destruir o Trono, começai pelos Religiosos." Parece não termos necessidade de maior prova, para conheceremos o que são úteis às Monarquias, onde se acham estabelecidos; e que seus inimigos são os conspiradores contra o Trono, e discípulos do ímpio Weishaupt.)
É absolutamente proibido alistar os R. C. (Rosa-Cruz) e devemos da-los por suspeitos.
Já sabereis a íntima aliança que fizemos com a loja de ... e com a Loja Nacional de Polónia ..."


Outra nota da mesma mão sobre os progressos políticos da Ordem:

"Pelas intrigas dos irmãos, todos os Religiosos foram banidos das Cadeiras da Universidade de Ingolstadt.
A Duquesa viuvava para a educação dos seus filhos, segue o plano feito pela nossa Ordem, e segundo nossos princípios. Esta Casa está debaixo de nossa inspecção; todos os professores são membros da Ordem. Cinco destes membros foram bem providos, e todos os seus discípulos serão nossos candidatos.
Pela protecção dos irmãos, Pylade está feito Conselheiro fiscal Eclesiástico: procurando-lhe este lugar, nós pusemos à disposição da Ordem o dinheiro da Igreja. - Também temos pelo uso deste dinheiro reparado já a má administração de nossos ... e o tiramos das mãos dos usurários.
Os irmãos da igreja têm sido por nossos cuidados promovidos em Benefícios, Curados, e Cadeiras de Professores. Arminio, e Cortez já estão professores de Ingolstadt.
É pelos nossos cuidados, e protecção, que a Côrte mandou vigiar dois de nossos adeptos, que já estão em Roma.
As escolas germânicas são governadas pela nossa Ordem, e têm por Perfeitos nossos irmãos.
Também governamos a Sociedade da Caridade.
A Ordem tem procurado a grande número de irmãos os primeiros lugares da Magistratura, e administrações.
Quatro Cadeiras Eclesiásticas são ocupadas por nossos irmãos.
Em pouco tempo, nós seremos mestres das casas destinadas para a educação dos nossos eclesiásticos. As medidas estão tomadas, e por isso poderemos munir toda a Baviera de sacerdotes convenientes ao nosso objecto.
Pelos nossos esforços, e por diversas maneiras, chegamos ao fim não comente de manter o Conselho Eclesiástico, mas de o sujeitar aos colégios, a quem se deu todos os bens, que administravam os Religiosos. Nossos Iluminados Maiores fizeram sobre este objecto seis Assembleias, muitas das quais ocuparam uma noite."


Quantos problemas ou enigmas, esta nota do adepto Catão não prepara à solução na história da Revolução Francesa? Com que cuidado não vemos aqui a seita embrenharse no mesmo Santuário! Que meios não emprega para penetrar nos Conselhos, na Magistratura, e na administração pública! Ela nãoo só faz servir os tesouros da Igreja e do Estado; mas também se apodera da tenra mocidade, educando seus noviços com despezas da fundação pública; faendo subsistir seus viajantes á custa dos Príncipes, de quem meditam a ruina. - Ainda há nestanota enigma do outro género. Vê-se Catão Zwack aplaudir-se de ter fundado em Munich uma loja de pedreiros-livres, e os triunfos que tem conseguido os Iluminados sobre os maçons Roza-Cruz. - Donde nasce pois este desejo de imitar os pedreiros-livres, e a guerra declarada que fazem aos mais famosos adeptos da maçonaria? Suas questões nos conduz a expor o meio profundamente concebido por Weishaupt, a fim de propagar suas conspirações. Sua intrusão nas lojas ma´nicas nos levam à segunda época dos pedreiros-livres-iluminados. Desde os primeiros dias do Iluminismo, Weishaupt julgou tirar grande partido para suas conspirações, se ele fizesse uma aliança com o grande número de pedreiros-livres, espalhados por toda a Europa. Escrevia ele ao adepto Ajax em 1777:

"Eu vos participo que antes do Carnaval vou para Munich, onde me farei receber pedreiro-livre. Não vos admireis deste passo que dou: nosso sistema em nada diminuirá; pois por este meio aprenderemos a conhecer um novo segredo, e por ele nos faremos mais fortes que os outros."


Com efeito, ele recebeu os primeiros graus maçónicos na loja de Munich, chamada de S. Teodoro. Weishaupt viu nesta loja entre momices a igualdade e a liberdade fazerem as delicias dos irmãos. Suspeitando mistérios ulteriores, os pedreiros-livres lhe diziam, ainda que inutilmente, que toda a discussão religiosa e política era banida das lojas; porque outro tanto dizia ele aos seus noviços sobre o objecto de sua Ordem; pois conhecia o quanto era útil semelhante afirmação. O adepto Zwack, instituído por um maçon chamado Marotti, recebeu conhecimentos mais profundos, e foi iniciado nos supremos graus da Maçonaria. Weisaupt, escrevendo ao mesmo adepto, lhe diz ter adquirido sobre este objecto outros conheciments, de que faria uso em seu plano, mas que os reserva para os graus superiores. Seguro para futuro de suas novas descobertas, e do uso que delas poderia fazer, para baralhar seus mistérios com os dos maçons, e adquirir por este meio tantos milhões de irmãos, derramados desde o Septentrião até ao Meio-dia, isto é, segundo sua frase, por todo o Universo, ele ordenu a seus areopagitas, que se fizessem pedreiros-livres, fazendo todas as disposições para ter as mesmas vantagens em suas diversas Colónias. O fundador bávaro possuía os segredos dos maçons; e os maçons ignoravam os segredos dos Iluminados. - Tal foi a época, em que os Rosa-Cruz viram com susto elevar-se uma nova sociedade em prejuízo das antigas maçónicas, pois que os Iluminados não poupavam a injúria (uso dos propagadores do erro) para desacreditarem os maiores discípulos dos maçons, assoalhando que só o Iluminismo é que possuía os verdadeiros segredos da Ordem. Weishaupt imaginou todos os meios de triunfar do combate e da intriga, excitada entre seus adeptos e os pedreiros-livres. Indeciso do uso que faria de sua vítima, escrevia a Zwack nestes termos: 
 
"Eu queria mandar vir de Londres uma Constituição para os nossos irmãos; e ainda agora seria este o meu voto, se estivéssemos seguros do Capítulo (maçónico) de Munich. - Eu não posso escrever nada fixo sobre isto, sem que primeiro veja a face, que tomam os negócios [assuntos]. Pode ser que ainda me resolva a fazer um novo sistema maçónico, ou que ligue os pedreiros-livres a nossa Ordem, fazendo um só Corpo destes dois sistemas." (Cart. 57, A Catão. Março 1778)

(Philon Knigge):
Para o determinar nestas incertezas, era necessário a Weishaupt um homem, que desse menos tempo apesar as dificuldades, e que as resolvesse apenas imaginadas. O demónio das Revelações e da impiedade lhe enviou um Barão hanoveriano, chamado Knigge. Ao ouvir este nome, os mesmos pedreiros-livres alemães reconheciam o perverso, que tinha empestado suas lojas maçónicas, e a que nada poupava para consumar a depravação de seus ímpios e sacrílegos rosa.cruz. Em sua cólera e indignação, eles chegavam a perdoarem, e terem para com Weishaupt uma espécie de indulgência; fazendo cair sobre Knigge todo o seu ódio, e todo o opróbrio de sua sociedade, infernal viveiro do Iluminismo. Porém a veracidade dos factos só mostram que nesta intrusão, Philon Knigge foi um digno instrumento, de que se serviu Spartacus-Weishaupt. O que um executou, o outro tinha meditado havia longo tempo. Estes dois homens, um para dar leis ímpias e revolucionárias, outro para propagar os mistérios da seita, e para arranjar em suas conspirações legiões de adeptos.

Adolph von Knigge
(Paralelo de Knigge e de Weishaupt):
Se Weishaupt em suas ferozes meditações parece qual Satanás ocupado dos projectos, que concebeu contra o género humano; Knigge nos fazlembrar um desses génios malfazejos, que com a rapidez da peste corre a toda a parte, que o rei dos infernos lhemostra para contaminar, e semear a maldade. Em suas meditações, Weishaupt combinava vagarosamente suas conspirações, comparava seus princípios, calculava tudo; e para assegurar seu golpe, às vezes deferia a execução de seu sistema.  Porém Knigge com sua ligeireza faz mais, que delibera: apenas vê que se pode fazer mal, nada o suspende para o fazer. Um prevê os obstáculos que poderia encontrar, e procura evitá-los; o outro só teme perder o tempo, que é necessário para reflectir. Um não quer ver causa que retarde seus passos; o outro nada julga capaz de suster.


(continuação, parte V)

03/03/14

HISTÓRIA DOS "ILUMINADOS" (III)

(continuação da II parte)

Apenas havia dois anos que Weishaupt consagrava ao seu Iluminismo esta tenebrosa escola, quando já seus discípulos, dignos de seus projectos, propagavam suas conspirações por outros subterrâneos. Para julgar a importância dos meios pelos sucessos, façamos uma pequena meditação sobre o que ele diz na carta seguinte [a Areopagitas, Catão e Mario]:

"Para o futuro tratareis de outra maneira com Timon e Hohenheicher. Eu lhe revelei todo o segredo, e me mostrei, como fundador da nossa Ordem; e isto fiz por muitas razões.
I. Porque é necessário que eles sejam fundadores de uma nova colónia em Freysinga, sua pátria; e por este motivo é bom aproveitar-me do tempo que estão em minha casa, dando-lhes lições mais particulares de nosso sistema, e sua marcha; o que seria perigoso e dilatado por via dos correios.
II. Porque é necessário que eles me adquiram o Barão de E... e alguns outros de seus colegas, de muita utilidade para os nossos últimos fins.
III. Porque Hohenheicher, conhecendo meu modo de pensar, cedo ou tarde adivinharia, que o Iluminismo era obra minha.
IV. Porque de todos os meus académicos do ano passado, ele era o único, a quem nada se tinha revelado.
V. Porque se ofereceu de contribuir para a nossa biblioteca secreta de Munich, e de nos dar diversas relações muito importantes do Capítulo de Freysinga.
Finalmente, depois de os intruir, os três meses que faltam, um e outro ficarão em estado de nos fazer grandes serviços." (Escript. orig. t. I. Cart. 12 a Catão e a Mar)

Desta carta segue-se com evidência, 1º que de todos os pensionistas de Weishaupt desde o primeiro ano de sua conspiração, nem um só escapou ao seu laço; 2º que antes de lhe ter dado suas últimas lições, servia-se deles para alistarem o resto dos académicos, que não pôde atrair ao seu colégio; 3º que o momento, em que os mandava a seus parentes, como tendo acabado o estudo das leis da pátria; eles os enviavam munidos de todos os princípios, e de todos os artifícios de sua conspiração contra estas mesmas leis, contra a sociedade, contra a Religião, e contra toda a propriedade.

Os adeptos de Munich seguiam tão fielmente suas lições, e seus exemplos em propagar a Ordem, que Weishaupt, comparando seus sucessos, não hesitava em falar desta sorte: "Se vós continuais com o mesmo zelo, em pouco tempo seremos senhores de nossa pátria, isto é, de toda a Baviera" (Escript. orig. t. I. Cart. 26).

Como suas visitas não se limitavam somente ao eleitorado, ele mandava aos seus aeropagistas, que alistassem entre os estrangeiros, que habitavam em Munich, algum mais apto a receber instruções, a sim de ir plantar colónias em Ausburg, Ratisbona, Saltzburg, Landsbur, e em Francónia. Ainda em Ingolsadt nada se suspeitava; quando já Baviera contava cinco lojas em Munich; outras lojas, e outras colónias estabelecidas em Freysinga, Landsberg, Burghausen, Straubing, começando-se outras em Ratisbona, e Viena. Seus apóstolos corriam de um e outro lado; e semelhante à peste, tinham já inficcionado o Tirol, Milão, Holanda, e Francónia. Aos três anos da fundação do Iluminismo, já se contavam para mais de mil iniciados (cart. 25 a Catão 13 de Novembro de 1778).

A multiplicidade e a variedade de figuras, que Weishaupt fazia em Ingolstadt para conseguir seus fins, não é fácil explicá-las; pois só a pequena ideia, ou o esboço, que de si faz, quando se propõe por modelo em suas cartas a Catão; é que nos pode fazer acreditar tanta hipocrisia:

"Fazei como eu, apartai-vos das grandes companhias. - Mas esperai só, a hora virá em que tereis muito a faer. Lembrai-vos de Sejano, que parecia nada fazer, e que debaixo de uma aparente indolência fazia muitas coisas. Erat autem Sejanus otiso simillimus, nihil agendo multa agens."

Não houve no mundo um conspirador, que mais fielmente desse o preceito e o exemplo. Porém a pezar disto, Weishaupt devia também huma parte de seus sucessos ao zelo e à actividade, que sabia inspirar a seus adeptos.

O mais notável deles, era sem dúvida Xavier Zwack, a quem chamava o adepto incomparável. Ele foi sempre o adepto íntimo, a quem se dirigiam a maior parte das cartas, que se acham impressas debaixo do título de Escriptos Originais; e a quem o fundador dizia:

"Vós só me tendes superior, porque estais elevado sobre todos os irmãos. Um vasto campo se abre ao vosso poder, e à vossa influência, se acaso nossos sistemas se propagam". (Cart. 27, t. I)

Xaver von Zwack
 Tantos favores e distinções supõem bastantes títulos. Para apreciar os deste adepto favorito, bastará lançar os olhos sobre o extracto que dele faz o irmão alistador, anunciando a Weishaupt a conquista, que tinha feito. Conforme este extracto; Xavier Zwack, filho de um comissário, nasceu em Ratisbona. Foi iniciado a 29 de Maio de 1776, tendo 20 anos de idade. Nesta idade, "sua altura era de cinco pés [pouco mais de 1,50m], todo o seu corpo defecado pelo deboxe de um temperamente melancólico. Seus olhos fracos e languidos, sua tez pálida; olhando de contínuo para a terra. Seu caracter moral é pintado nestes termos: Coração sensível, e em extremo filantrópico; Estoico nos acessos da melancolia. Amigo do verdadeito, circunspecto, etremamente amador do segredo. Falando muito de si, invejoso das perfeições dos outros; voluptuoso. Incapaz para as grandes sociedades; colérico e arrebatado; fácil em moderar-se- Dizendo voluntariamente suas opiniões, e quando as louvam, ele as contradiz. Sua religião, e sua consciência é afastada da opinião comum, isto é, pensa da maneira que a Ordem manda aos seus adeptos. Possui no maior grau a arte de se contrafazer, e dissimular. Cioso em conhecer os homens."

Este retrato do adepto favorito de Weishaupt pode reduzir-se a estes termos: deboche imoderado, grande orgulho, amor próprio e fatualidade; inveja, dissimulação, e negra melancolia. Zwack era como Weishaupt, um ateu com todos os dotes característicos dos conjurados revolucionários. isto bastava para o banir das sociedades honestas: era um desses filantropos, que dizem amar o género humano, para arruinar as leis que o governa, e o autor que as deu. Tais são os vícios, que a seita indagava, e procura achar em seus alunos, e que fez de Xavier Zwack o Catão de Weishaupt. (Tais os vícios de todos esses, que no meio de nossos século se dizem ilustradores do género humano, e que debaixo do nome de amigos da humanidade, a nada poupam para quebrantar o freio dos malvados, a segurança dos bons; para, digo, destruir todos os códigos, que governam as nações civilizadas, substituindo-lhe as leis das paixões mais baixas, e avaliando desta maneira a natureza humana.)

Apesar disto por pouco que as lições do irmão alistador iam privando o Iluminismo dos grandes serviços, que tinha a esperar do novo Catão. Apenas soube que a morte para o sábio só devia se um sono eterno, embriagado deste princípio, e aborrecido de sua existência; ele se persuade que morrer por suas próprias mãos, era morrer como grande filósofo, e por este motivo dava parte a seu irmão alistador, dizendo-lhe a resolução que tinha tomado:

"... amigo eu tomei o melhor partido. Não duvides de minha probidade, nem deixes duvidar a Ordem; confirma os sábios nos juízos, que fizerem da minha morte; chora com piedade os que me incriminarem, pois que ainda vivem no erro. Tuas lágrimas a meu respeito injuriaram minha memória, teus princípios, e o resto dos irmãos."

Uma carta do mesmo género escreveu também de sua mão, convidando os irmãos a honrar suas cinzas, e abençoá-las, em quanto a superstição as amaldiçoasse:

"às bordas da minha sepultura, continuava o moderno Catão, eu desço com reflexão, pois tenho escolhido a morte por conversão, por demonstração, como a minha felicidade."

Não se sabe o que persuadiu a este mancebo insensato esta espécie de felicidade; com tudo Zwack escolheu viver, e hoje continuando a propagar as conspirações da seita, achou seu protector no Sereníssimo Príncipe de Salmkirbourg. Seus pensamentos sobre o suicídio tiveram todo o efeito na sua cunhada. Ela procurou a morte como filósofa; e aprveitando-se das lições de Catão, precipitou-se do alto de uma torre. Catão Zwack preferindo a vida à morte, veio a ser Conselheiro íntimo da Côrte da Baviera com vinte mil florins anuais; e o primeiro Conselheiro de Weishaupt em seu aerópago; grande director de todas as conspirações da seita, contra todos os soberanos e suas Côrtes.

(continuação, IV parte)

20/12/12

CONTRA A SUBVERSÃO


"O livrete “Subversão & Restauração” (Milão, Edições Centro de Estudo Joana D’arc, 2012) é um manual de base para a formação dos militantes, que hoje se encontram no dever de combater contra a Subversão e pela Restauração.

A ‘Subversão’ é o naufrágio, a derrubada e a perturbação da ordem individual e social. A “Restauração” é tornar a conseguir a ordem perdida e então consiste em restaurar a ordem individual, familiar e social. Para poder restaurar a ordem na Sociedade civil é preciso antes de tê-la em si (“ninguém da aquilo que não tem”), depois na família e enfim se pode leva-la ao Estado, que é um conjunto de famílias unidas, com a finalidade de conseguir o bem comum temporal subordinado ao espiritual. A ordem é a submissão da alma a Deus e o senhorio da alma sobre o corpo e seus instintos. A “Subversão” é o rompimento desta ordem. A vida espiritual consiste no restabelecimento desta ordem na alma do homem individual; a vida política consiste em leva-la para a Sociedade civil. Pela qual o homem não deve e não pode parar apenas na vida espiritual individual, mas não pode não fazer política, sendo, por natureza, e, então, por vontade de Deus um animal social e político. O liberalismo e o catolicismo liberal quiseram trancar a religião na sacristia e fazer-lhe uma questão puramente individual e assim também, alguns sacerdotes falsos místicos ou pseudo-espiritualistas, desencarnados e modernizantes. A doutrina católica, ao invés, fala do Reino social de Jesus Cristo e não apenas de Reino individual.

A “Subversão” nasceu com o pecado de Adão, mas, a partir da Cristandade, que é a época em que o espírito do Evangelho informava as leis da Sociedade, ela conheceu várias etapas: o Humanismo e o Renascimento (1400-1500), que buscaram substituir o Evangelho com a Cabala ou o esoterismo hebraico no nível das elites intelectuais ou Académicas e culturais; depois veio o Protestantismo (1517), que submergiu o subjetivismo e o relativismo na Religião tornando-a uma pura experiência subjetiva e sentimental, essencialmente anti-hierárquica e subvertedora da ordem querida por Jesus quando fundou a Sua Igreja sobre uma pessoa que é o Papa, o qual é na terra o Rei do Corpo Místico; enfim, veio a Revolução Francesa (1789), que levou a desordem da Sociedade, na ciência e na ação Política. O Comunismo (1917) piorou a desordem da Revolução Francesa – buscando destruir a própria sociedade privada, a família e a religião – e conheceu o seu vértice com o 1968 desposando o freudismo, que levou a desordem ao interior do homem excitando ao paroxismo da inclinação para o pecado com as três Concupiscências e os sete Vícios capitais, tornado assim o homem um animal selvagem e impulsivo. Hoje nos encontramos na última fase da Subversão, o Mundialismo, que a partir de 11 de setembro de 2011 busca assenhorar-se do mundo inteiro e edificar um único Tempo e uma só República universal para tornar escrava a quase totalidade da humanidade sob o julgo de Israel e da América, os dois Estados dominados pelos principais agentes da Subversão: o judaísmo e a maçonaria.

Como não é correto reduzir apenas a maçonaria o agente principal da “Subversão” omitindo o judaísmo pós-bíblico, que perseguiu Jesus, os Apóstolos e os primeiros cristãos, é igualmente errado reduzir os motores da Subversão pessoal a apenas dois: “orgulho e sensualidade”, enquanto a Sagrada Escritura nos fala também de um terceiro motor: a avareza e a vã curiosidade, que é o apego desordenado aos bens terrenos e o frívolo desejo de saber aquilo que acontece no mundo (“Concupiscência dos olhos”). “O a-judaísmo” e “a a-Avareza” (alfa privativo) são as duas deficiências do livro “Revolução e Contra-revolução” de Plínio Correia de Oliveira (São Paulo, Brasil, 1949) que busquei remediar em “Subversão e Restauração”.

Segundo a doutrina católica (definida “de Fé divina” e infalivelmente pelo Concílio de Trento, sessão 5, DB 788, 792 e 815 ss.) o Pecado original de Adão deixou no homem a privação da Graça Santificante, o ofuscamento do espírito e o desarranjo na harmonia do seu ser, fazendo-lhe experimentar a rebelião dos sentidos ao espírito e a insubordinação do espírito a Deus (cfr. S. Th., II-II, qq. 164-165). A Incitação ao pecado ou a inclinação desordenada para o mal, não é invencível e pecaminosa em si; o torna apenas se a livre vontade humana a faz passar da potência ao ato do pecado. Em breve a concupiscência não é pecado, mas inclina a esse (cfr. Concílio de Trento, DB 792; S. Th., I-II, q. 82, a. 2). As Concupiscências são três segundo a Revelação (1a Jo., II, 16): “Tudo aquilo que é do mundo, a Concupiscência da Carne, a Concupiscência dos olhos e a Soberba da vida, não vem do Pai”

A “ Concupiscência dos olhos” tende a fazer das riquezas e das vaidades desta vida o Fim ultimo. A tríplice Concupiscência é a fonte do mal e da subversão pessoal; dessa tem origem os sete Vícios capitais, más tendências que nos impulsiona ao pecado atual e são “chefes” ou fonte de inumeráveis desordens. Se da Concupiscência da Soberba nascem três Vícios capitais (orgulho, inveja e cólera) e da Concupiscência da Sensualidade nascem outros três Vícios Capitais (luxuria, gula e preguiça), não é necessário esquecer que da Concupiscência dos Olhos (avareza e curiosidade) nasce o apego desordenado a esta vida, como se fosse aquela eterna (S. Th., I-II, q. 84, aa. 3-4; De Malo, q. 8, a. 1): essa tende a fazer nos trocar o meio pelo fim (S. Th., II-II, q. 118; De Malo, q. 113), é uma espécie de idolatria, é “o culto do bezerro de ouro; não se vive mais que para o dinheiro. Não se dá nada ou quase nada aos pobres e as boas obras: capitalizar, eis o fim supremo ao qual incessantemente se mira. [...]. A civilização moderna desenvolveu uma forma paroxística de amor insaciável das riquezas, a plutocracia, para adquirir aquela autoridade dominadora que vem das riquezas, afim de comandar os Soberanos, os Governos e os povos. Esta senhoria do ouro, degenera muitas vezes em intolerável tirania” (A. TANQUEREY, Compêndio di Teologia Ascética e Mistica, Roma-Parigi, Desclée, 1924, pp. 556-557).

O erro, que mutila a fonte da “Subversão pessoal”, é encontrado – como antecipei acima – em PLÍNIO CORREA DE OLIVEIRA (Revolução e Contra-revolução, São Paulo Brasil, 1949, tr. It, Cristianità, 1977) junto a mutilação do motor da “Subversão social” enquanto salta de pé juntos o Judaísmo talmúdico para falar só en passant de Maçonaria. Não por a acaso os teoconservadores ítalo-americanos se referem a esta obra do pensador brasileiro suscitado para transferir a “Restauração” da ordem pessoal, familiar e social do plano filosófico, espiritual e político, para aquele crematístico ou especulativo e latifundiária.

A “Subversão” é a desordem que o homem experimente em si depois do pecado original, atrás do impulso das três concupiscências (orgulho, avareza e luxúria); a “Restauração” é a procura do retorno a ordem turvada pelas três concupiscências no individuo, na família e na Sociedade civil.

A Restauração comporta a Hierarquia. Não é necessário cair no vício do farisaísmo calvinista e liberal, o qual troca hierarquia por prepotência, desfrutamento e opressão do fraco. Hierarquia significa que existe uma diferença acidental entre os homens (quem é melhor do que os outros, quem é mais inteligente que os outros, quem trabalha mais que os outros), a qual faz com que o melhor esteja acima e comande, sem desprezar e maltratar quem se encontra abaixo e obedece. São Paulo por sua vez ensina: «Muitos são os membros, mas um só é o corpo. Nem o olho pode dizer a mão: “Não preciso de ti”; nem a cabeça aos pés [...]. Ao invés disso, aqueles membros que parecem mais humildes são os mais necessários. [...]. Deus assim formou o corpo, de modo que não haja divisão nele, mas antes, para que os vários membros cuidassem um dos outros. “Então, se um membro sofre, todos os membros sofrem juntos; e se um membro esta bem, todos os outros se alegram com ele» (1 Cor., XII, 4-20).

É importante que o militante se habitue a viver bem, respeitando a Lei divina e natural, porque “é preciso viver como se pensa, de outro modo se termina por pensar mal e se viver mal”. Não podemos restaurar a Sociedade se tivermos a desordem ou a Subversão em nós (“se age como se é, o modo de agir é o modo de ser”). Os conselhos práticos para restaurar a si mesmo, a família e a Sociedade, são os seguintes: 1º) reformar a si mesmo (monástica), depois a família (economia) e então a Sociedade (política); 2º) retornar ao bom senso, ao realismo que conforma o pensar a realidade e possivelmente estudar a filosofia perene de Santo Tomás que elevou a ciência o senso comum e a reta razão que todo homem normal possuí; 3º) vencer o ócio, que é o “pai dos vícios”, e encorajar o esforço físico, intelectual e moral; 4º) recorrer a Deus omnipotente, porque só Ele pode debelar o Leviatã mundialista que atualmente esmaga os homens como animais.

Todavia – no presente artigo “Entrego aos militantes” – ocorre completar o discurso feito em “Subversão & Restauração”, com algumas considerações para os militantes, que se encontram a fazer “política” (isto é a virtude da Prudência na Sociedade Civil) diretamente, aplicando a vida quotidiana e concreta os princípios estudados no primeiro livro. Tal integração a uso sobretudo, mas não exclusivo, dos militantes leigos diz respeito: 1º) a teoria e especialmente a prática da Restauração do Reino social de Cristo, evitando os dois erros por excesso e por defeito do Angelismo super-espiritualista e do Liberalismo laicista. Como o homem é composto de alma e corpo e não é só espírito ou só matéria, assim ele não é ordenado apenas ao estado laical (laicismo liberal) ou hiper-clerical (super-espiritualismo angelista), mas as duas esferas se integram na cooperação subordinada de corpo e alma e de laicato e sacerdócio. 2º) O não misturar o plano da verdade e dos princípios perenes e imutáveis com os casos práticos (plano do mutável agir humano) para diluir os primeiros baixando lhes do nível imutável da verdade teórica a contingência da vida prática. 3º) A verdade que o homem é uma criatura, a qual diz respeito ao Criador; além disso o homem é um animal social, não um “individuo absoluto” (idealismo) nem um animal sacerdotal por natureza (se confundiria a natureza e a graça), evitando assim os dois erros no individualismo liberal e idealista, que leva a anarquia e o erro do angelismo híper-espiritualista, que tornaria o mundo um convento (pan-vocacionista), confundindo os Preceitos com os Conselhos. 4º) Em política a verdade e os princípios não devem ser confundidos com o campo da ação prudencial, mas é preciso aplicar o princípio imutável aos casos práticos diversos e mutáveis. Por princípio o Estado deve se subordinar a Igreja, este princípio é imutável embora deva ser aplicado as várias épocas com discrição, bom senso e prudência sobrenatural, tendo em conta as circunstâncias na qual se esta vivendo."



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