Mostrar mensagens com a etiqueta Irmã Lúcia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Irmã Lúcia. Mostrar todas as mensagens

23/06/17

OS BONS PRINCÌPIOS E A ESTRANHA PASTORINHA (I)


Submetamos a alguns dos nossos princípios uma passagem atribuída à Irmã Lúcia, do livro "Um Caminho Sob o Olhar de Maria". Tentativa arrojada esta, como verão, e contracorrente; a alguns leitores desagradará que desmontemos tal trecho, o submetamos, e voltemos depois a ordena-lo fazendo conclusão não coincidente com o seu sentir.
A passagem em questão:

"Se Portugal não aprova o aborto, ficará a salvo; se o aprovar, terá muito que sofrer. Pelo pecado da pessoa paga a pessoa que dele é responsável; mas pelo pecado da Nação paga todo o povo. Porque os governantes que promulgam as leis iníquas fazem-no em nome do povo que os elegeu."
Antes de mais, segundo dados que posteriormente daremos, não garantimos que estas sejam realmente palavras da Irmã Lúcia, nem asseveramos que a Irmã Lúcia não tenha dito algo parecido (anteriormente, já nos tinha parecido haver motivos para colocar algumas reservas ao livro de onde transcrevemos).

Atenção primeira a cada um dos pontos seguintes, contendo princípios antigos que defendemos, para melhor ir depois ao assunto (as notas serão colocadas  na caixa de comentários, e poderão ali aparecer outros complementos posteriormente):
- Cremos terem essência própria cada um dos Reinos Católicos (que a Cristandade coloca por ordem: Sacro Império, França, Inglaterra, Castela, Portugal, Catalunha etc.). [1]
- É público que falamos de Portugal pelo Reino Católico que É, o qual ESTÁ hoje ocupado por meio de uma República (antes por meio de uma "monarquia" constitucional, desde de 1834, a 1910 - no séc. XVII a nossa Monarquia tinha ela mesma ficado ocupada pelos ilegítimos reis Filipe). Reino de Portugal por vontade de Deus, com permissão de Deus hoje ocupado (à imagem do que sucede com os restantes Reinos Cristãos). Portanto, quanto ao SER: Portugal é um Reino; quanto ao ESTAR: Portugal está ocupado; e é justamente sob estas distinções que os nossos antigos não confundiram a rebelião com o dever de restituição daquilo que é devido. [2]

- Sabe-se que estamos firmemente com aquela verdade segundo a qual, nos referidos reinos cristãos, uma "lei" que fira aquilo que Deus ordena é violação, ofensa grave, coisa ilegítima (neste nível de consideração não pode haver licitude que seja ilegítima, ou legitimidade que seja ilícita), não seria verdadeira lei.  Tal não seria também coisa de Portugal, portanto, nem dos reinos cristãos, sim contra Portugal, ou contra qualquer um dos reinos cristãos onde aquilo fosse, contra a Europa, conta a cristandade e a Cristandade, [3] contra a Igreja. [4]
- Quem tomar para si estas verdades só poderá dizer: "afinal, Portugal não aprovou leis abortistas, nem aprova, nem aprovará".  E diz bem. É a Lei de Deus e a natural (ambas do mesmo Divino Autor) aquelas que, uma vez tomadas honestamente pelo Rei, ao Reino se aplicam, e estendem, desdobrando-se em várias leis e ordenações, à medida que a realidade clame, aqui e a li. [5]
- Temos usado a designação "República-em-Portugal", que o vulgo por enganado costuma chamar "República Portuguesa". Não pode essa tal república falar verdadeiramente em nome de Portugal [6] (atenção: não sugerimos ignorar ao ponto de ignorar os impostos etc... - assunto que não cabe aqui agora). Com ou sem culpabilidade (que a ignorância não culpável também não culpa), foram os republicanos os responsáveis pelas suas leis abortistas, para impô-las aos portugueses.

O leitor que não aceita estes princípios, provavelmente não lhe adiantará continuar a leitura.
Vamos agora submeter aos mesmos princípios aquelas palavras atribuídas à Irmã Lúcia:

1 - "Se Portugal não aprovar o aborto, ficará a salvo." - Portugal não aprova, não aprovou, nem aprovará (já vimos como). Adaptando: "Portugal não aprovará o aborto, e por isso ficará a salvo".

2 - "se o aprovar [ao aborto], terá muito que sofrer." - como não o aprova, mas como houve "aprovação" republicana, adaptemos: "quem o "aprovar", terá muito que sofrer".

3 - "Pelo pecado da pessoa paga a pessoa que dele é responsável;" - Assim é.

4 - "mas pelo pecado da Nação paga todo o povo." - Sim, o princípio está certo, embora requeira trocar "nação" por "Portugal". Acontece tal pecado não é da Nação (como já vimos), é contra Portugal e a culpa recai em quem "aprovou" tal ataque aos portugueses: a "República-em-Portugal". Não há que adaptar que não seja necessário, e por isso apenas suprimamos esta parte.

5 - "Porque os governantes que promulgam as leis iníquas fazem-no em nome do povo que os elegeu." - esta explicação não é necessária agora, mas será depois comentada. Por isso também não há daqui coisa que adaptar.

["Adaptando: "Porque os falsos governantes que forjam as "leis" iníquas fazem-no usando o nome do povo que " ... > vestígio do nosso texto primitivo]
Montando as partes:

"Portugal não aprova o aborto, e fica a salvo; mas quem em Portugal o quer aprovar terá muito que sofrer; pois, pelo pecado da pessoa paga a pessoa que dele é responsável."

Aqueles que dizem "vamos exercer o nosso direito de voto" terão contas a prestar [7], isso sim, porque tal "direito" lhes veio do conjunto republicano de leis que os obriga às leis abortistas. É a esses que cabe ter muito que sofrer pelo negócio de usufruírem de falsos direitos em troca de dar falsa legitimidade à República. Como nós, todos aqueles que se têm negado a dar força de legitimidade à República-em-Portugal", não cabe sofrer nem muito nem pouco como seu povo; somos PORTUGUESES verdadeiros e suportamos o peso que hoje isso representa e exige.

Mas enfim, em Portugal mais legítimo é o poder temporal-territorial de um Bispo que o de um republicano; a Igreja em Portugal esteve sempre declaradamente contra o aborto. Nem sequer o aborto foi aprovado em Portugal ... continuou a ser crime nas leis republicanas, mas, em dadas condições tal crime é despenalizado (despenalizar um crime em dadas condições é diferente de legalizar o crime ou removê-lo dessa classe). Por fim, não foram os governantes republicanos a votar a despenalização: um referendo popular, cuja pergunta tinha várias deficiências, levou com uma abstenção de 56% (a maioria), e tendo havido um anterior, em 1998 o "não"ganhou.

(a continuar)

21/06/17

ASCENDENS - INFORMAÇÃO DE ÚLTIMA HORA


A 20 de Junho (2017) a página FSSPX-Portugal (Facebook) fez uma pequena postagem a respeito do trecho "Se Portugal não aprova o aborto, ficará a salvo; se o aprovar, terá muito que sofrer. Pelo pecado da pessoa paga a pessoa que dele é responsável; mas pelo pecado da Nação paga todo o povo. Porque os governantes que promulgam as leis iníquas fazem-no em nome do povo que os elegeu." atribuindo-o à Irmã Lúcia. (partimos de indícios que a pequena postagem é independente da FSSPX).
O blog ASCENDENS informa que:

- em certo site, o autor do blog ASCENDENS tinha já comentado aquele trecho, expondo-lhe falhas e problema;

- depois, dia 25 de Maio (2017), iniciámos no blog ASCENDENS a redacção de uma análise ao mesmo trecho (redacção mantida só na memória interna do blog);

- a delicadeza da matéria, a vastidão de conteúdos desacostumados dos católicos em geral, a dificuldade de tornar tudo resumido e claro acabou por ir demorando a conclusão, e a nossa análise manteve-se "na gaveta";

- ontem ponderámos desistir da conclusão e publicação desse trabalho, mas, tornou-se evidente a maior necessidade em completá-lo, e publicá-lo;

- publicaremos então a parte já adiantada como "I parte", e ficará a "II parte" para depois (o artigo tem notas de rodapé na caixa de mensagens);

- para que esta informação tenha tempo de ser conhecida, publicaremos a tal I parte depois de passar um dia da publicação deste artigo que agora ledes.

25/05/17

A CONSAGRAÇÃO DA RÚSSIA - TESTEMUNHO


Caros leitores,
Há anos, para combater as teses da "Irmã Lúcia falsa", referi num artigo ter uma prova que me foi dada (nos anos 90). Nunca referi qual tal prova, pois está em causa certa pessoa.
Estamos em 2017, um Cardeal veio agora insistir com a Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria (como Nossa Senhora tinha pedido em Fátima), e achei por bem contar-vos:

Sim, aquela Irmã Lúcia velhinha era a verdadeira, não era uma "actriz contratada por Roma" (como dizem os da teoria conspiratória). A Irmã Lúcia disse que a Consagração da Rússia não tinha sido feita como Nossa Senhora pediu (referindo-se à consagração que o Papa João Paulo II tinha feito). Quem mo disse? Disse-o alguém que tinha autorização eclesiástica para com ela falar (facto que é do domínio público). E como o sei? Nos anos 90 era eu aluno dessa pessoa, justamente no ano em que certo evento (do domínio público) ocorreu e a envolveu no assunto que vos trago. Que mais vos posso dizer? Posso contar que tudo o que ouvi foi dito num grupo de uns 10 jovens, tal pessoa sofreu algum tipo de pressão forte (andando inquieto e nervoso por um período de tempo), e outras coisas.

Agora peço aos leitores que usem o importante da informação (que a Rússia não foi consagrada como Nossa Senhora pediu, e que a Irmã Lúcia era a verdadeira), e que esqueçam a pessoa que propositadamente tento omitir. É o nosso trato. Ok?

Como disse que a Irmã Lúcia é a verdadeira, quero também dizer-vos que, segundo dados bem objectivos, tenho o livro "Um Caminho Sob o Olhar de Maria" (do Carmelo de Coimbra) como pouco fiável para análises mais literais, e outras coisas. Neste momento estamos a finalizar um artigo que faz a análise de uma passagem deste livro, artigo demorado por necessidade de encontrar a melhor forma de apresentar o conteúdo.

16/10/13

CONSAGRAÇÃO DA RÚSSIA - Comentário ao artigo de Taylor Marshall

Um amigo mostrou-me agora um artigo publicado por João Silveira a respeito da consagração da Rússia. Na verdade é uma tradução, cujo original é de Taylor Marshall.

No artigo é criado o artifício de duas opiniões que se degladiam: os que dizem que a consagração da Rússia não foi feita, os que dizem que a consagração da Rússia foi feita. Achei graça porque Taylor Marshall às tantas chama aos primeiros aqueles que dizem que a consagração da Rússia "não foi bem feita", mas esqueceu de chamar aos outros aqueles que dizem que a consagração da Rússia "foi bem feita"... De qualquer das formas, há que aclarar que NUNCA houve tal disputa realmente, porque em sede própria isso nunca foi uma dúvida que merecesse debate ou maior cuidado. Nunca um Papa disse que a consagração pedida por Nossa Senhora foi satisfeita, e pelo contrário, aquela que levou alguns senhores a supor que ela já estaria realizada (a de 1984) foi dada como não satisfatória pelo próprio consagrante: João Paulo II. Portanto, embora seja didático e faça boa figura, o método do lado a lado escolhido por João Silveira já é um injusto reforço à opinião dos que dizem que a consagração foi feita.

Transcrevo do dito artigo:
"Como lembrete, aqui fica o texto das palavras de Nossa Senhora relativamente à consagração da Rússia ao seu coração: "Para evitar isto, virei pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração e a Comunhão reparadora nos Primeiros Sábados. Se os meus pedidos forem ouvidos, a Rússia converter-se-á e haverá paz; se não, ela irá espalhar os seus erros pelo mundo fora, causando guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados; o Santo Padre vai ter muito que sofrer; várias nações serão destruídas [Nossa Senhora não disse "destruídas" mas sim "aniquiladas"]. No fim, o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre vai consagrar a Rússia a mim e ela converter-se-à e um período de paz será concedido ao mundo."

"Virei pedir a consagração..."!?...Faltou no artigo acrescentar quando e como Nossa Senhora faz o prometido pedido. Eis o que falta:

“É chegado o momento em que Deus pede para o Santo Padre fazer, em união com todos os Bispos do mundo, a Consagração da Rússia ao Meu Imaculado Coração.” (13 de Junho de 1929)

Retemos indubitavelmente que:
1 - É Consagração;
2 - Da Rússia;
3 - Feita pelo Papa;
4 - Em união com todos os Bispo do mundo;
5 - Ao Imaculado Coração de Maria.

O Taylor faz uma lista de consagrações papais ao Imaculado Coração de Maria. De todas as consagrações listadas nenhuma reúne o conjunto dos 5 pontos do divino pedido. Isso é claríssimo sem discussões: o pedido não foi bem ou mal satisfeito, o pedido nunca foi satisfeito porque nunca estiveram satisfeitos os 5 pontos. Não andemos aqui a engonhar, nem a brincar com coisas sérias!... Mas Taylor deu a volta... veremos...


O autor encosta-se à "opinião" (desculpem, mas eu não acredito que se este tema fosse a debate com pena de 5000€ ao perdedor Teylor ariscasse - eu arrisco e convidaria a tal) de que a consagração foi feita realmente! Isso mesmo... Mas como, se nunca foram reunidos os 5 pontos do PEDIDO DIVINO!? Simples... o autor faz passar Deus por um ente relativo, evita comparar o que Deus pede com aquilo que os Papas fizeram ou não fizeram, e vai à periferia recolher migalhas com as quais constitua "evidências" de infalível humanidade. Mas, sim senhor, vamos então entrar no mesmo método para convencer a fundo as mentes mais imaginativas! Eis as migalhas periféricas:

- Diz que a Irmã Lúcia afirmou que a consagração da Rússia tinha sido feita por João Paulo II a 25 de Março de 1984. Dá um argumento de autoridade "se alguém sabia era a Irmã Lúcia, ela é que recebeu a mensagem de Maria". Pois sim, portanto, se a Irmã Lúcia tivesse dito que o pedido não foi satisfeito embora será que Taylor mudaria de opinião? Não, porque aqueles 5 pontos condicionais dados por Deus foram transmitidos pela mesma Irmã Lúcia, ou seja, Taylor retira autoridade à Irmã Lúcia num dia e dá-lha noutro dia seguinte! O próprio João Paulo II, a 25 de Março de 1984, no momento da consagração, interrompeu o texto escrito e improvisou o seguinte "iluminai especialmente aqueles povos cuja consagração e confiada entrega Vós ESPERAIS DE NÓS."! A 27 de Março (2 dias e 2 horas depois da consagração), na Basílica de S. Pedro, perante 10000 pessoas, o Papa pediu a Nossa Senhora que abençoasse "aqueles povos para quem Vós mesma estais à espera do nosso acto de consagração e de confiada entrega". Mas isto são palavras de um Papa que não recebeu a mensagem de Nossa Senhora, é certo. Em Setembro de 1985 a revista Sol de Fátima, publicou a entrevista onde a Irmã Lúcia diz que a consagração da Rússia ainda não tinha sido feita, explicando que a Rússia não foi o objecto expresso da consagração de 1984 e que os Bispos do mundo inteiro não participaram nela. A revista Visão, não tenho presente o mês nem o ano, publicou uma entrevista onde um sacerdote do convívio da Irmã Lúcia diz que ela lhe contou que a consagração como Deus a tinha querido ainda não fora feita (isto foi depois da consagração de 1984);

- Taylor conta-nos que "a Santa Sé, na revelação do Terceiro Segredo a 26 de Julho de 2000, indicou que a consagração foi feita." É falso, o segredo nunca foi revelado. No ano 2000 estava anunciado que o segredo iria ser revelado, e no dia em que João Paulo II veio a Fátima (todos esperávamos ansiosamente) aconteceu algo estranho. Para a missa o Papa tinha escolhido a leitura do Apocalipse (a passagem do dragão que varre um terço das estrelas, e da mulher vestida de Sol ...etc.), fez o sermão sobre este mesmo tema, mas quando depois tocou ao Cardeal Sodano a parte esperada... todos nos sentimos enganados (e sabe-se hoje que fomos enganados): o Cardeal leu um resumo do que Lúcia tinha escrito sobre a visão, dizendo que um Bispo Vestido de Branco "cai como morto", e que esse Bispo era João Paulo II. Esta mesma versão foi a que a Santa Sé passou, dando por encerrado e cumprido o caso de Fátima. Acontece que depois, a muito pedido de bastantes fiéis, o Card. Ratzinger acedeu em publicar uma cópia do escrito da Irmã Lúcia, pelo qual ficámos a saber que o Cardeal Sodano tinha falseado a visão (não há outra possibilidade) trocando o "caiu morto" do texto por um "caiu como morto" com o qual fez a lamentável ligação ao atentado a João Paulo II (que caiu, mas não morreu). Esta foi a versão oficial da Santa Sé, e não do Papa João Paulo II que escolheu para o dia em que destinou revelar o segredo verdadeiro aquela leitura apocalíptica sobre a qual fez todo o sermão! O autor diz que foi revelado o segredo, mas já deveria saber a esta altura que aquilo que foi muito mal revelado no ano 2000 foi o texto da VISÃO, e não do segredo. Eu já expliquei isto aqui no blogue, mas resumo: A Irmã Lúcia escreveu o segredo que enviou para Roma, e mais tarde, a pedido do Bispo de Leiria, escreveu o resto, ou seja, a visão, que o Bispo lhe pediu para enviar para Roma. Portanto, a Roma chegaram duas cartas em datas bastante distantes, uma contendo o segredo e a outra contendo a visão (por isso se explica o "etc." do texto da visão, porque o restante estava já contido no texto do segredo enviado antes). Em suma, Nossa Senhora apareceu aos pastorinhos e dava-lhes visões, tal como segredos, e neste caso Lúcia enviou o segredo apenas (primeira carta) e mais tarde a visão correspondente. Hoje apenas conhecemos a visão escrita pela mão da irmã Lúcia para dano do Cardeal que ajudou ao que tentou ser a versão oficial que colocaria fim a Fátima. A Santa Sé tinha dado o caso "Fátima" por encerrado, e no pacote incluiu a consagração feita e tudo mais. Mas se a Santa Sé falou infalivelmente, porque motivo Bento XVI em Portugal afirmou o contrário? O Papa disse-nos que Fátima não é um caso encerrado, não está cumprido ainda, e fez uma alusão a 2017 por motivos de ser o centenário. Mas se João Paulo II admitiu que a consagração da Rússia em 1984 não correspondeu àquela que Deus pediu, qual teria sido então a consagração que a Santa Sé em 2000 considerava satisfatória!?... De 1984 a 2000 não houve mais consagrações!? ... e agora !? Se Taylor Marshall dá força de verdade a algumas destas afirmações tem obrigatoriamente pela moral de dar como falsas todas as afirmações contrárias! Já colocou a Irmã Lúcia contra ela mesma, e agora coloca o Cardeal Sodano e a Santa Sé contra Bento XVI e João Paulo II. Tem lógica ?! ... Nada.... nada aqui tem lógica...não é hora de passar sobre a verdade explícita para andar a recolher migalhas e arranjar argumentos de autoridade em contradição com a autoridade. Não vale...

Pego nas mesmas palavras do autor alterando o necessário: "Como podem ver, aqueles que dizem que a Rússia [foi consagrada como Deus quer] têm que dizer que a Irmã Lúcia, a receptora da mensagem de Maria, ou se enganou ou estava a fazer algum tipo de reserva mental para enganar todas as pessoas nesse assunto [quando transmitiu a forma como havia de ser feita a consagração]. É preciso dizer também que o Cardeal Ratzinger, o futuro Papa Bento XVI, teria usado uma discrição enorme para enganar o mundo [se nos tivesse deixado a sós com a deturpação do Card. Sodano e não tivesse feito publicar a cópia da carta onde a Irmã Lúcia revela a visão]."

Repito, Taylor Marshall, desde o início preferiu deitar fora a vontade de Deus levada por Nossa Senhora e guardada e transmitida a nós pela Irmã Lúcia, vontade que nos dá 5 pontos a cumprir, relativamente à consagração. Preferiu contrapor a isto umas migalhas contraditórias e um enganado recurso à autoridade contra a autoridade.

A consagração da Rússia, com os 5 pontos revelados à Irmã Lúcia, nunca aconteceram, unicamente porque nunca aconteceram! Basta olhar!...

13/10/13

13 de OUTUBRO de 1917 - IRMÃ LÚCIA

13 de Outubro de 1917 - Milagre do Sol
"Memórias da Irmã Lúcia"

"Dia 13 de Outubro de 1917 – Saímos de casa bastante cedo, contando com as demoras do caminho. O povo era em massa. A chuva, torrencial. Minha Mãe, temendo que fosse aquele o último dia da minha vida, com o coração retalhado pela incerteza do que iria acontecer, quis acompanhar-me. Pelo caminho, as cenas do mês passado, mais numerosas e comovederas. Nem a lamaceira dos caminhos impedia essa gente de se ajoelhar na atitude mais humilde e suplicante. Chegados à Cova de Iria, junto da carrasqueira, levada por um movimento interior, pedi ao povo que fechasse os guarda-chuvas para rezarmos o terço. Pouco depois, vimos o reflexo da luz e, em seguida, Nossa Senhora sobre a carrasqueira.

– Que é que Vossemecê me quer?

– Quero dizer-te que façam aqui uma capela em Minha honra, que sou a Senhora do Rosário, que continuem sempre a rezar o terço todos os dias. A guerra vai acabar e os militares voltarão em breve para suas casas.

– Eu tinha muitas coisas para Lhe pedir: se curava uns doentes e se convertia uns pecadores, etc.

– Uns, sim; outros, não. É preciso que se emendem, que peçam perdão dos seus pecados.

E tomando um aspecto mais triste:

– Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor que já está muito ofendido.

E abrindo as mãos, fê-las reflectir no sol. E enquanto que se elevava, continuava o reflexo da Sua própria luz a projectar (-se) no sol.

Eis, Ex.mo e Rev.mo Senhor Bispo, o motivo pelo qual exclamei que olhassem para o sol. O meu fim não era chamar para aí a atenção do povo, pois que nem sequer me dava conta da sua presença. Fi-lo apenas levada por um movimento interior que a isso me impeliu.

Desaparecida Nossa Senhora, na imensa distância do firmamento, vimos, ao lado do sol, S. José com o Menino e Nossa Senhora vestida de branco, com um manto azul. S. José com o Menino pareciam abençoar o Mundo com uns gestos que faziam com a mão em forma de cruz. Pouco depois, desvanecida esta aparição, vi Nosso Senhor e Nossa Senhora que me dava a ideia de ser Nossa Senhora das Dores. Nosso Senhor parecia abençoar o Mundo da mesma forma que S. José. Desvaneceu-se esta aparição e pareceu-me ver ainda Nossa Senhora em forma semelhante a Nossa Senhora do Carmo."

10/06/13

ORAÇÃO POR PORTUGAL - IRMÃ LÚCIAS. Miguel

Arcanjo S. Miguel, custódio de Portugal

ORAÇÃO POR PORTUGAL

Majestade Divina,
Senhor da vida e da morte,
dos que Vos amam e dos que Vos perseguem!

Por intercessão da Santíssima Virgem de Fátima,
Rainha da Paz e nossa Mãe,
Vos pedimos que não deixeis a nossa Pátria onde Maria ergueu o Seu trono,
venha a ser dominada e destruída por obra dos Vossos inimigos.

Enviai os Vossos Santos Anjos a todos os locais da nossa terra
e permiti que eles possam desenvolver as suas potências
em todos os seus recantos,
para que o inimigo não venha a triunfar na nossa Pátria.

Nós queremos formar um exército de almas que rezam para que Vós,
Deus Uno e Trino,
estendais a Vossa Mão poderosa sobre este povo que é de Maria Vossa Mãe.

Permiti, ó Deus, que as nuvens tempestuosas que pairam sobre a humanidade
e tendem a espalhar-se e a submergir a nossa Pátria, sejam afastadas.

Só Vós podeis salvar-nos!

Pela Vossa graça e especial protecção da nossa Padroeira Maria Imaculada
e do Anjo Custódio de Portugal,
permiti, ó Deus,
que a nossa terra nunca seja aniquilada pelo inimigo.

Deus Santo, Deus Forte, Deus Todo-Poderoso, Deus Imortal,
em união com todos os Santos Anjos,
pedimo-Vos auxílio e Bênção para a nossa Pátria,
por Jesus Cristo Nosso Senhor. Ámen.

(Oração que a Irmã Lúcia pedia que se rezasse, continuamente, por Portugal)

20/12/12

A LENDA NEGRA DA "LÚCIA CATIVA" (II)

(Continuação da I parte)

Segundo os teóricos da conspiração, o documento que dizem ser uma carta da Irmã Lúcia revelando o 3º segredo foi dado a conhecer recentemente; não temos como saber quando foi escrito, embora esteja datado de 1 de Abril (dia das mentiras) de 1944, em Tuy (Galiza).

Faço agora uma análise textual ao documento, linguagem (usada no final da segunda metade do séc. XX, tendo em vista as origens da Irmã Lúcia). Abordo também o conteúdo.

Do início ao fim, o documento apresenta vocabulário suspeito... e o conteúdo é repleto de contradições. Por fundo, fica a impressão de haver um rosto, uma personagem, um perfil psicológico.

Eis o documento comentado frase a frase:

"Agora vou revelar o terceiro fragmento do segredo; Esta parte é a apostasia na igreja!"

Nossa Senhora mostrava aos pastorinhos uma visão seguida de explicação. Nesta primeira frase do documento em análise o redactor anuncia que irá revelar o segredo. Contudo, segue a descrição de uma suposta visão e suposto segredo e ainda um suposto aviso. Este documento, caso não seja falso, acaba por inutilizar aquele outro publicado pelo Vaticano, no qual Lúcia revelou a visão correspondente ao terceiro segredo - e obteríamos assim: duas visões, um segredo e um novo aviso condicional! Mas isto é "irregular", como veremos...

"Nossa Senhora mostrou-nos uma vista de um indivíduo que descreveu como o "santo Padre", em frente de uma multidão que estava louvando-o."

"Individuo"!? "Santo Padre" entre aspas!? Teria dito certamente "homem", não "indivíduo", teria escrito "Santo Padre" sem a sofisticação marcada das aspas. É notória a intencionalidade no entender que aquele não era o verdadeiro Santo Padre. De seguida, o redactor vai dizer explicitamente que aquele não era o verdadeiro Santo Padre, assim, demasiadamente focado nesta ideia chamando-lhe "indivíduo" e colocando as aspas em "Santo Padre". Diria que, caso este documento seja fraude, o seu redactor é um militado sedevacantista. Alguém como a Irmã Lúcia teria feito uma descrição simples, sem essas duas finuras reforçadas necessárias e acostumadas nos meandros e disputas sedevacantistas de hoje (por exemplo).

Considerações secundárias: Na frase aparece uma omissão: "em frente de uma ..."em vez de "que estava em frente de uma...". Daquilo que conheço das pessoas simples, antigas de Portugal, diriam preferencialmente: "Nossa Senhora mostrou-nos uma vista de um homem que descreveu como [sendo] o Santo Padre, que estava em frente de uma multidão ...". Nada posso dizer do uso de "uma vista", embora me pareça um recurso incomum (nunca ouvir dizer dessa forma, embora faça certo sentido).

"Mas havia uma diferença com um verdadeiro santo Padre, o olhar do demónio, este tinha o olhar do mal".

Desde 2005, certos grupos sedevacantistas e grupos protestantes, outros mais difundiram pela internet duas ou três desfavorecidas fotografias de Bento XVI. Estas imagens têm em comum certo olhar desfavorecido do Papa, com olheiras mais acostumadas nos nórdicos. A juntar ao olhar, salientaram também o sorriso tímido  de Bento XVI, e começaram a espalhar fotos do "sorriso demoníaco" do Papa, servindo isto para alentar certas teorias da conspiração. Bento XVI está hoje mais acostumado com as multidões (menos tímido, portanto),  já ninguém lhe vê olheiras - logo a rede virtual se foi esquecendo das famigeradas fotos e não houve mais matéria nova para "provar" como o "olhar demoníaco" de Bento XVI era um facto inegável. Havemos de ouvir dizer que será o próximo Papa que vier, ou o outro, ou o outro... e hão-de ser escolhidas duas ou três fotografias do próximo Papa que sirvam à tese conspiratória do "olhar do diabo".

"Então depois de alguns momentos vimos o mesmo Papa entrando a uma Igreja, mas esta igreja era a Igreja do inferno, não há modo para descrever a fealdade d'êsse lugar, parecia como uma fortaleza feita de cimento cinzento com ângulos quebrados e janelas semelhantes a olhos, tinha um bico no telhado do edifício."

Esta forma simbólica de escrever "Igreja" quando se trata visualmente de uma "igreja", é uma subtileza curiosa. Este refinamento intelectual já usado de forma tão suspeita anteriormente acaba por coincidir com o "vício intelectualista" dos ambientes da tese conspiratória. Não é uma coincidência com a argumentação mas sim coma FORMA, o gosto próprio desse ambiente.

Em 1944 a Irmã Lúcia, a respeito de algo que visse, diria "ângulos quebrados"? O leitor consegue imaginar o que é um "ângulo quebrado" numa construção? Talvez sim... mas por algum motivo sempre chamámos "casa dos bicos" àquela casa que tem a parede revestida de ângulos (piramidais). Porque motivo? Porque "pico" (como é o nome da serrado Pico) e "bico" são os nomes mais comuns para dizer "ângulos" em determinadas circunstâncias, como esta. A "Irmã Lúcia" avançou no tempo, saltou as palavras óbvias do uso comum e do seu meio. Mas há outra possibilidade menor: "ângulos quebrados" podem ainda ser linhas quebradas, portanto, paredes não planas formando concavidades e/ou largas saliências. Neste caso "ângulos quebrados" não seria nem mais expressivo nem uma escolha mais provável do que simplesmente "paredes tortas". De qualquer maneira, o redactor sofisticou e complicou.

"Em seguida levantamos a vista para Nossa Senhora que nos disse Vistes a apostasia na Igreja, esta carta pode ser aberta por O santo Padre, mas deve ser anunciada depois de Pio XII e antes de 1960."

É de salientar que há realmente bastantes elementos da forma de dizer antigo, e de dizer simples e claro. Contudo damos conta também de excepções reveladoras.

Caros leitores, esta frase é como aquela piada de um devedor que, ao escrever uma carta, em nota de rodapé, diz "desculpa não te enviar também os 20€ que te devo porque só me lembrei deles depois de ter fechado este envelope". Nossa Senhora, mal acaba de mostrar a suposta visão aos pastorinhos, fala-lhes logo "nesta carta"! Como se não bastasse o autor do documento coloca Nossa Senhora, em Portugal do início do séc. XX, a referir-se ao Papa apenas por "Pio XII". Mentalidade actual...


"No reinado de João Paulo II a pedra angular da tumba de Pedro deve ser removida e transportada para Fátima."

Tal seria impossível, visto que até hoje não se descobriu no túmulo de S. Pedro uma "pedra angular". Para quem não sabe, "pedra angular" é o nome técnico na arquitectura dado à pedra central de um arco e que é ponto de união entre as duas partes curvas do arco. Costuma ser uma pedra menor cortada em cunha. Portanto, caros leitores, sem arco não há "pedra angular", e sem tal pedra tal pedido é impossível... Certamente o autor do texto pensa que "pedra angular" é alguma pedra retirada de um qualquer ângulo de uma construção em pedra.

Em 2004, João Paulo II ofereceu um fragmento de pedra do túmulo de S. Pedro (ver pedra aqui) ao Santuário de Fátima para servir de fundação aquela que agora é a Basílica da Santíssima Trindade (a 2º Basílica de Fátima). Esta, claro está, não é uma "pedra angular", e João Paulo II já partiu...

"Porque o Dogma da fé não é conservado em Roma, sua autoridade será removida e entregada a Fátima."

"A catedral de Roma deve ser destruída e uma nova construida em Fátima".

"Deve"!? Digam-me, caros leitores, o ÚNICO significado deste "deve" é o de ordem ou sugestão, ou ainda de possibilidade (gramaticalmente não há mais saídas), não é assim? Deus mandaria destruir a Basílica de S. Pedro quando há profecias de santos que dizem que viram os inimigos da Santa Igreja a tentar destruir a Basílica mas que felizmente não conseguiram chegar ao altar? Esta tentativa de destruição da Basílica tem sido ainda tomada como símbolo da destruição da própria Igreja.

"Se 69 semanas depois de que esta ordem é enviada Roma continuar na abominação, a cidade será destruída."

Portanto, a destruição da Basílica de S. Pedro na frase 8ª, e agora a possibilidade da destruição do resto de Roma caso não se acabe com a abominação. Estou estarrecido!... Deus mandaria destruir a basílica, e colocaria condições para que se poupe o resto da cidade! Incrível!...

Se este fosse realmente o segredo dado por Nossa Senhora ele seria o suficiente para dar todas as aparições como fraude! Portanto, resta apenas a possibilidade de interpretar de outra forma o "deve" da 8ª frase... E eu aceito sugestões!

10ª "Nossa Senhora disse-nos que isto está escrito, Daniel 9 24-25 e Mateus 21 42-44"

Pronto...

Parece-me que os leitores ficarão agora um pouco mais cientes de quão perigosa pode ser esta farsa.

Caberia aos defensores desta carta provarem que ela é genuína, como dizem. Apresentam a caligrafia como prova, contudo, de facto, a caligrafia não prova, da mesma forma que na universidade um colega meu falsificava as assinaturas de dois ou três amigos para que constassem nas folhas de presenças das aulas (e o aprumo era tanto que ninguém conseguia distinguir as verdadeiras das falsas assinaturas, nem mesmo os próprios).

Estranho é que os adeptos da tese da "Lúcia cativa" se achem tão aptos a distinguir nas fotos Lúcias falsas e verdadeiras e não lhes apeteça duvidar tanto de uma falsa "Lúcia" que redige o texto. Os motivos parecem ser:

1 - O das fotos é dado a superficialidades, é mais dado a publicidades bombásticas e devaneios (como ver castelos nas nuvens), o outro requer um estudo geral das possibilidades de falsificação e só depois um aplicado estudo ao texto;
2 - Por outro lado aos adeptos da teoria da conspiração parece assentar como luva esta carta, pois em grande parte são adeptos de certas posições que a "carta" vem coroar perante os olhos do mundo.

Adianto já que a análise caligráfica é mais reveladora ainda, e que iremos depois a ela, e que a análise de fotos muitíssimo mais.

11/10/12

ASCENDENS - NOTÍCIA SOBRE A LENDA NEGRA DA "LÚCIA CATIVA"

 

Caros leitores, tinha previsto para este dia 13 de Outubro, dia em que se hão de comemorar as aparições de Nossa Senhora do Rosário (Fátima - Portugal), publicar mais um artigo sobre a louca teoria da "Lúcia cativa" em continuação do que já foi dito. Acontece que contava com a colaboração de uma especialista médica, "tradicionalista", que teve interesse em participar desta causa e que, por motivos que desconheço, tem-se mantido incontactável para o efeito. Assim sendo, farei a prometida publicação mais tarde quando chegarem algumas informações que me faltam vindas por esta ou outra via.

Esta publicação é muito aguardada e é de suma importância, tanto que a publicação já feita bateu record de visitas nestes últimos tempos.

Assim que tiver mais notícias farei saber de uma data para a tão esperada publicação.

23/09/12

A LENDA NEGRA DA "LÚCIA CATIVA" (I)

Em Portugal, os inimigos da Igreja, ateus e mações etc. tinham andado a deitar mão ao fenómeno Fátima. Depois daqueles atentados bombistas e coisas do género, em tempos recuados, como não impediram a difusão, tentaram a descredibilizar a única vidente viva (Lúcia). Já não se tratava de impedir o correr da informação mas sim de "colaborar" com a difusão... colocando nela a mentira descredibilizadora. Depois de alguns anos, Lúcia foi levada para Tui (território fronteiriço com Portugal). Tinha corrido por cá que os discretos inimigos andavam a tramar algo mais (coisa que fez redobrar a protecção à vidente). Começaram a espalhar que as aparições eram uma mentira, que por isso Roma teria levado a Irmã Lúcia para longe, teriam-na fechado no convento, para manter a "farsa". Não foi tudo: mais tarde, introduziram que  Roma tinha enviado depois uma falsa Irmã Lúcia a Portugal e que a verdadeira havia sido morta ou desaparecida em Espanha.

Agora, não poucos dos que não são maçons nem comunistas parecem ter lido pela mesma cartilha dos antigos inimigos de Fátima!

Acabo de ler uma lamentável construção erguida pelo Reverendo Pe. Méramo. Tais berros que lhe saíram ultrapassam certamente a do "anão dos assobios", de quem no séc. XIX falou o nosso ilustre Pe. Agostinho de Macedo. O Reverendo Pe Méramo repete o badalado até à exaustão do famigerado Pe. Mário Oliveira (o da Lixa - Portugal). Este Pe. Mário Oliveira, que escreve barbaridades contra os santos, em especial contra Nossa Senhora, difunde a tese da "Lúcia raptada"!
 
Como se entende que o Rev. Pe. Méramo tenha escorregado na apreciação (ou depreciação) Fátima e Irmã Lúcia!? Ao contrário do Pe. Mário Oliveira, o Pe. Méramo é defensor público da ortodoxia católica. Será que apenas foi um simples equívoco? Qual a dificuldade!? Fez uma onda de suposições, em vez de provar verdadeiramente assenta-se em "provas" mais fracas que as do evolucionismo (nenhuma delas é verdadeiramente prova). Mas o exemplo dos evolucionistas serve-nos muito bem para ilustrar o mesmo erro da escorregadela do Reverendo Pe.: também não dá NENHUMA prova real do que diz, porque cada "prova" sua é afinal outra nova suposição, na qual crê como verdade inabalável, pelos vistos.

Quais são as pseudo-provas do Pe. Méramo, afinal? Tirando aquilo que o mesmo denominou de "suposições", usa da pseudo-prova da comparação fotográfica (algumas fotografias da Irmão Lúcia ao longo da vida) e pseudo-prova da comparação da escrita da irmã Lúcia ao longo dos anos. Nos dois casos a comparação (uma vez mais, lembra o erro dos evolucionistas nas suas pseudo-provas: usam a semelhanças entre duas coisas, querendo que por isso uma tenha que vir de outra). O Pe. Méramo pega nas diferenças em tempos diferentes, situações diferentes, para concluir que a mesma Irmã Lúcia afinal eram DUAS. Teriam sequer de ser duas? Tal erro é semelhante a dizer que a água em estado liquido é outra diferenta da mesma em estado gasoso... algo assim!

Em traços muito gerais, digo ainda daquelas duas pseudo-provas:

1 - O meu conhecimento PESSOAL, por fonte directa, de que a Irmã Lúcia foi sempre UMA.
2 - Que sendo assim, as tais "provas" conspiratórias são falsas obrigatoriamente e que se são falsas podem ser provadas como falsas. Acresce que a falsidade delas é ÓBVIA a qualquer espírito que não esteja atormentado por estúpida teoria conspiratória.

Mais uma vez me desculpem se a linguagem esta a ser adequada.

Quanto ao ponto 1, nem pensar... Aqui não será revelado nem muito menos numa ocasião como esta. Quanto ao ponto 2 posso já adianto algumas pistas:

A) A LETRA

A grafologia dedica-se a analisar o carácter humano por meio da grafia. A sua metodologia é bastante rigorosa e das mais fiável em psicologia. Contudo, ao longo de décadas, têm vindo a alterar-se um pouco. O CONTEXTO da escrita tem vindo a ser tomado também em conta: se antes a escrita do mesmo individuo era tomada como algo estável, hoje ela é considerada cada vez mais considerando o contexto do momento em que se escreve (emoções, cuidado e preocupação de quem escreve) ou mesmo o conteúdo do texto.
 
Atalhando, perguntemos aos "crentes conspiratórios" porque motivo compararam os textos SEM linhas-de-apoio com o texto que querem rejeitar (o da descrição da VISÃO) o qual TEM linhas-de-apoio!?

Dica por dica, já ajuda esta que dou, a quem quiser. O resto ficará para uma oportunidade posterior (em breve, se Deus quiser).

Portanto, ter em conta as linhas de apoio ou a ausência delas; pois faz bastante diferença!

B) AS FOTOGRAFIAS

Uma única dica: comparar o mais possível das fotos da irmã Lúcia, por DATAS, em vez de seleccionar APENAS aquelas que servem à teoria conspiratória. Bastará então que UMA única fotografia que não sirva, para que a teoria conspiratória caia por terra!

Mais virá; algumas demonstrações com suporte médico, estudo anatómico e de imagem (teoria de percepção).

Ainda, os "iluminados" dizem haver uma carta verdadeira com o "verdadeiro segredo", escrita pela "Irmã Lúcia verdadeira" em Tuy, aparecido apenas agora. São tão distraídos que nem olharam bem a caligrafia do documento e sequer colocado por hipótese a sua falsificação (sobre isto tentarei fazer um artigo à parte para podemos rir um pouco, no meio de tanta desgraça).

(Ao lado, uma cópia da dita carta da "Irmã Lúcia raptada" com o "verdadeiro" segredo).

Desejo que os tolos se recuperem rapidamente.

Deus nos ajude.

Continuação (aqui)

22/09/12

ACLARAÇÕES SOBRE O 3º SEGREDO DE FÁTIMA

Selos comemorativos da visita de Bento XVI a Portugal. No fundo vemos a Basílica do Santuário vista da nova Basílica da Santíssima Trindade. A branco, a Cruz da Ordem de Cristo, ao fundo e ao alto de cada um dos selos. Apresentam-se por ordem os três Papas que visitaram o Santuário, e com a indicação de cada ano das visitas, sendo que João Paulo II lhe fez três visitas, e os restantes Papas uma, cada.


Fora de Portugal corre a lamentável opinião de que houve um 3º segredo de Fátima falso promovido por Roma. Tal opinião faz passar a descrição da VISÃO relativa ao 3º segredo como próprio segredo.

Vamos aclarar, e rapidamente, sem mistérios nem enredos.

A Irmã Lúcia tinha escrito num pequeno papel o terceiro segredo, que foi então enviado a Roma. Mais tarde, a pedido do Bispo de Leiria, foi enviado um outro escrito mais extenso com a visão mostrada por Nossa Senhora, e que antecedeu a revelação do segredo. Ou seja, Nossa Senhora teve por "método", nas várias aparições, fazer ver uma sequência de imagens (visão) às quais fazia seguir de um segredo.

Portanto, houve dois documentos escritos e enviados a Roma separadamente e em anos diferentes: um com a visão, outro com o segredo correspondente. Isto não é mistério algum, pois sempre se soube, sempre esteve escrito, mas agora confunde-se muito.

No ano 2000, Roma decidiu revelar o segredo. Veio então o Papa João Paulo II a Portugal acompanhado do Cardeal Sodano. As expectativas eram muitas, Portugal e o mundo estavam atentos à transmissão da Missa desde no recinto do Santuário de Fátima. O Papa escolheu para essa missa uma leitura do Apocalipse (o dragão e a Mulher que lhe esmagou a cabeça...), fez o sermão onde reforçou a mesma ideia. Lembro-me bem destes momentos e pelo que vi e ouvi, todos esperávamos algo condizente com tal leitura e com tal sermão... até que entrou em cena o Cardeal Sodano.

Coube ao Cardeal ler o segredo (assim pelo menos pensámos...) mas, acabou por fazer um comentário a um escrito da Irmã  Lúcia (que julgámos ser o texto do segredo) citando algumas linhas. Hoje, depois de Roma anos mais tarde ter publicado uma cópia do escrito da Irmã Lúcia, sabemos que o Cardeal cometeu o grave erro de omissão textual, inclusivamente trocou o "cair morto" por "cair como morto". Por meio deste "cair como morto" foi-lhe possível dizer que o tal bispo vestido de branco (portanto, aquela figura do texto original) era afinal o Papa João Paulo II na ocasião do atentado em Roma a 13 de Maio. Fez ainda menção a todo o contexto histórico que atravessou Portugal e a Europa no séc. XX, onde a Igreja sofreu e foi perseguida.

Portugal inteiro indignou-se. Lembro-me do comentador da transmissão televisiva, o Cónego Rego, ter ficado depecionado e de manifestá-lo em directo. Eu fiquei um tanto confuso... não porque as palavras do Cardeal me tivessem parecido ilógicas mas porque tais palavras não condiziam com um "sentir" de gerações: era como se a montanha tivesse parido um rato (passe o ditado popular). Muitos ignoraram toda esta questão desde então, outros começaram rapidamente a descrer nas próprias aparições, surgiram as mais tolas teorias psicologistas, parapsicológicas, UFOlógicas... enfim, toda o tipo de "lógicas" lamentáveis.

Mas o que aconteceu naquele dia com o Papa João Paulo II e com o Cardeal Sodano? Simples: o Papa parecia ter preparado uma leitura e um sermão como introduções mas que acabaram por não coincidir com daquilo o Cardeal veio "revelar". Esta discrepância era afinal mais grave, porque, anos mais tarde, quando Roma publicou a cópia do tal texto escrito pela irmã Lúcia, a descrição da VISÃO, o Cardeal Sodano ficou exposto por se saber que não só aldrabou palavras fundamentais desse texto (que o público desconhecia então) como fez passar o texto da VISÃO pelo texto do SEGREDO.

Há agora gente estranha que se refere ao texto da VISÃO como uma "falsificação do segredo". Errado... são duas coisas distintas. Ora, onde pára o pequeno texto do SEGREDO?... Não se sabe. O que é certo é que os textos do SEGREDO e o da VISÃO nunca foram o mesmo.

Em língua portuguesa, e não noutra, o nome SODANO soa a "só" + "dano" (em espanhol seria SOLO+DAÑO). Deste Cardeal testemunhou Mons. Fellay que, depois daquele ter-se "aposentado", ficou a residir numas espaçosas instalações atrás da Basílica de S. Pedro tendo requisitado 5 secretários (muito activo...!!!)

13/10/11

ESCRITOS DA IRMÃ LÚCIA - 13 de Outubro

A pastorinha Lúcia
"Estamos, pois, Ex.mo e Rev. mo. Senhor Bispo, em 13 de Outubro. Neste dia, já V. Ex.ª Rev. ma. sabe tudo o que se passou (23). Desta aparição, as palavras que mais se me agravam no coração foi o pedido da Nossa Santíssima Mãe do Céu:

- Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor, que já está muito ofendido.

Que amorosa queixa e que terno pedido! Quem me dera que ele ecoasse pelo mundo fora e que todos os filhos da Santa Mãe do Céu ouvissem o som da Sua Voz!

Tinha-se espalhado o boato que as autoridades haviam decidido fazer explodir uma bomba junto de nós, no momento da aparição. Não concebi, com isso, medo algum; e falando disto a meus primos, dissemos:

- Mas que bom, se nos for concedida a graça de subir dali com Nossa Senhora para o Céu!

No entanto, meus Pais assustaram-se e, pela primeira vez, quiseram acompanhar-me, dizendo:

- Se a minha filha vai morrer, eu quero morrer a seu lado.

Meu Pai levou-me, então, pela mão, até ao local das aparições. mas, desde o momento da aparição, não o voltei mais a ver, até que me encontrei, à noite, no seio da família.

A tarde deste dia passei-a com meus primos, como se fôssemos algum bicho curioso que as multidões procuravam ver e observar! Cheguei à noite verdadeiramente cansada de tantas perguntas e interrogatórios. Estes nem com a noite acabaram. Várias pessoas, por não terem podido interrogar-me, ficaram para o dia seguinte, à espera de vez. Quiseram ainda, algumas, falar-me ao serão; mas eu, vencida pelo cansaço, deixei-me cair no chão a dormir. Graças a Deus, o respeito humano e o amor próprio, em aquela altura, ainda os não conhecia; e, por isso, estava à vontade diante de qualquer pessoa, como se estivesse com meus pais, No dia seguinte, continuaram-se os interrogatórios ou, para melhor dizer, nos dias seguintes, porque, desde então, quase todos os dias iam várias pessoas implorar a protecção da Mãe do Céu à Cova da Iria e todos queriam ver os videntes, fazer-lhes as suas perguntas e rezar com eles o seu Terço. Às vezes, sentia-me tão cansada de tanto repetir o mesmo e de rezar, que procurava um pretexto para me escusar e escapar. Mas essa pobre gente tanto insistia, que eu tinha de fazer um esforço, por vezes não pequeno, para os satisfazer. Repetia, então, a minha oração habitual, no fundo do meu coração: É por Vosso amor, meu Deus, em reparação dos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria, pela conservação dos pecados e pelo Santo Padre." ("Memórias da Irmã Lúcia", FÁTIMA, 2000. Pág. 81)

18/05/11

POR FAVOR... ISSO COM FÁTIMA NÃO!...

Vou mostrar-vos alguns textos escritos pela mão da Irmã Lúcia e publicados no livro "Memórias da Irmã Lúcia" (8ª edição, Agosto de 2000 - Secretariado dos Pastorinhos - Fátima), livro que me foi oferecido pelo próprio Santuário de Fátima, por vontade de Mons. Luciano Guerra, então Reitor do mesmo Santuário. Portanto. É credível a publicação dos documentos, e por isso reveladora. Mostrarei primeiro vários textos para que se tome noção da caligrafia da Irmã Lúcia.

TEXTOS ANTERIORES