Mostrar mensagens com a etiqueta Igreja Patriarcal de Lisboa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Igreja Patriarcal de Lisboa. Mostrar todas as mensagens

07/09/15

LIXEIRADA MAÇÓNICA-LIBERAL PELA DEMOLIÇÃO DO PATRIARCADO DE LISBOA (I)

A ala liberal-maçónica, com apoio internacional constituiu um ilegítimo "poder" e fez leis que impôs ao Reino de Portugal.

O que segue é tirado das "Côrtes Gerais" que essa gente fez para exigir a extinção da Santa Igreja Patriarcal de Lisboa:

Ordem das "Côrtes", para o Governo impetrar da Sé Apostólica uma Bula para a extinção da Patriarcal, e restabelecimento da antiga Igreja Metropolitana de Lisboa, e da Capela Real.

João Baptista Felgueiras
Para José da Silva Carvalho:

"Ill.mo e Ex.mo Senhor: As Côrtes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa mandam dizer ao Governo, que trata de impetrar, quanto antes, da Sé Apostólica uma Bula para a extinção da Santa Igreja Patriarcal, e restabelecimento da antiga Igreja Metropolitana de Lisboa, e da Capela Real; cometendo-se a alguém o prévio exame sobre o modo por que se deve fazer esse estabelecimento, a fim de que vá expresso na súplica. O que Vossa Excelência levará ao conhecimento de Sua Majestade.
Deus guarde a Vossa Excelência. Paço das Côrte em 15 de Novembro de 1821. João Baptista Felgueiras."

A portaria do Governo nomeando as Pessoas, que haviam de aprontar o determinado exame sobre o modo do restabelecimento: no Diar. do Gove. N. 282.

--- ///---

Na Sessão de 22 de Agosto de 1821, pág. 1936, o Sr. Macedo expôs haver bastante tempo que a comissão Eclesiástica fora encarregada de apresentar o Plano a respeito da reforma da Patriarcal, e que requeria ao Sr. Presidente que dissesse à Comissão, que apresente o Parecer. Ao que o Sr. Presidente satisfez, recomendando à Comissão, que tomasse em lembrança aquela Indicação, e apresentasse o mais breve que pudesse esse Parecer.

Manuel Borges Carneiro
Na Sessão de 27 do dito mês, o Sr. Borges Carneiro fez uma Indicação, pág. 2028, em que depois de expor a origem da Patriarcal, e a despesa, que ela faz, propôs: 1ª) Que se revogue o Beneplácito Régio concedido ao famoso Motu próprio de Clemente XI, para o fim de se instaurar o antigo Arcebispado de Lisboa, e se reduzir a Capela Real ao que antes era, derrogados todos os Alvarás, Decretos e mais Disposições relativas a esta matéria. 2.ª) Quanto aos actuais Prelados, Beneficiados e Empregados da dita Igreja Patriarcal, que se peça ao Governo uma relação deles e de seus vencimentos, para se designar quais devam ser, em quanto não o forem ocupados em outros empregos. Cuja Indicação, pág. 2029, ficou reservada para segunda leitura.

Na Sessão de 25 de Outubro de 1821 se fez segunda leitura de referida Indicação, e logo, pág. 2794, houve alguma discussão, e o Sr. Presidente, pág. 2795, propôs a votos, se a Indicação devia ser admitida à discussão. Decidiu-se, que sim. Se devia pedir ao Governo as informações das despesas da Patriarcal, e uma relação de todos os Empregados com a maior brevidade. Decidiu-se, que sim, e que o Autor da Indicação a redigisse na forma de Projecto para se imprimir. Expediu-se a Ordem, pág. 2804, para o Governo dar aquela relação.

Na Sessão de 6 de Novembro de 1821 o Sr. Borges Carneiro, pág. 2956, apresentou o Projecto do Decreto, ali logo principia a discussão, onde se expedem gravíssimas reflexões de muitos dos Srs. Deputados, e pedindo votos o Sr. Presidente, pág. 3093, diz: "Não tenho dúvida em que esta matéria em geral está discutida, tenho sim uma dúvida, que devo propor ao Congresso. Há uma questão interessante, que na minha opinião não me parece essa discutida, e é, quem deva agora continuar a exercitar a Jurisdição Espiritual. Se o Congresso o julga conveniente, peço licença para sair do meu lugar, quando chegar a este Artigo, para expor a minha opinião. (era o Sr. Trigoso o Presidente)

O mesmo Sr., dita pág. 3090, propôs: Se a matéria em geral estava suficientemente discutida? Resolveu-se, que sim. Se se deveria extinguir a Santa Igreja Patriarcal? Resolveu-se, que sim. Se se imperaria uma Bula para a extinção da Patriarcal e restituição da antiga Igreja Metropolitana, e da Capela Real, no estado em que se achava antes da fundação daquela, cometendo previamente a alguém o exame do modo porque se pode fazer esse restabelecimento, a fim de que isso vá expresso na súplica? Venceu-se, que sim. Se em quanto ao presente se dariam providências relativamente à Santa Igreja Patriarcal, antes que chegue a Bula de sua supressão? Decidiu-se, que se deem estas providências. Sendo estas providências relativas ou ao Ofício Sagrado, ou aos bens e rendimentos destinados a esta Igreja, se se hão-de desde já fazer reformas sobre estes bens e rendimentos, que depois se especificaram quais hão de ser? Resolveu-se, que sim. "Antes de se propor quais hão-de ser especificamente estas reformas, seria necessário discutir primeiro outra questão, de que esta depende, que vem a ser" Se se devam dar algumas providências a respeito do Ofício Sagrado? Neste ponto é que o mesmo Sr. Trigoso pediu licença para deixar a cadeira, e expor a sua dúvida, e tendo-lha concedido o Soberano Congresso, deixou-a: passou a ocupar seu lugar o Sr. Margiochi, Vice-Presidente, e foi-se colocar entre os Srs. Deputados. Expôs, pág. 3093, os seus sentimentos sobre a questão; e os mais Srs., pág. 3094 - 3096, em que por Parecer do Sr. Vaz Velho, que pediu o adiamento do negócio, posto a voto pelo Sr. Vice-Presidente, foi aprovado. Expediu-se com tudo a Ordem deste número, como matéria já vencida e determinada. Continuou a discussão antecedente, pág. 3128, ficou adiada. Continuou a discussão, pág. 3128, ficou adiada. Continuou a discussão, pág. 3161, na Sessão de 20 do dito mês, e, pág. 3165, tornou a ficar adiada; e se determinou que viessem as Bulas da Patriarcal.

Na Sessão de 22 do dito mês continuou, pág. 3179, a discussão adiada, sendo longo o debate, até pág. 3191, onde o Sr. Presidente propôs, se a matéria estava suficientemente descuidada? E venceu-se, que sim. Pôs a votos as seguintes questões: 1.ª) Se inteiramente tudo ou parte da Patriarcal se há-de conservar na Capela Real da Ajuda, ou se se há-de trasladar para a Basílica de Santa Maria da Sé? Resolveu-se, que ficasse na Capela Real da Ajuda. 2.ª) Se interinamente há de ficar a Santa Igreja Patriarcal reduzida ao Colégio dos Principais, e aquele número de Ministros, que o mesmo Colégio designar de acordo com o Congresso? Vendeu-se, que sim. "Venceu-se igualmente, que se mande ao Colégio Patriarcal, que não só consulte o Congresso sobre o número dos Ministros colados, com que há de interinamente formar a Santa igreja Patriarcal; mas também consulte o número de empregos e ofícios, que devem subsistir interinamente na mesma Igreja; e o ordenado, que cada um deles deve conservar: assim como o orçamento de despesa necessária para o guisamento da Igreja; tendo entendido, que é da mente do Congresso, que por uma parte se não falte ao essencial, e ainda à decência do Culto, e que por outra parte se extingam todos os ofícios, e se cortem todas as despesas, que para aquele fim não forem absolutamente necessárias." Em consequência do que se expediu a Ordem, que vai no n. 399 desta Colecção. E porque o Colégio Patriarcal se demorou na execução dela, se expediu outra Ordem, pág. 3598, suspendendo-lhe o pagamento dos seus ordenados, cuja Ordem se mandou executar por Portaria do Governo, que se acha no Diar. do Gov., de 1822, n. 9 pág. 66, e n. 10. E como tivesse cumprido o que lhe fora determinado, se lhe mandou continuar com os respectivos pagamentos, pelas Portarias do Governo, no dito Diar. N. 47.

No Diar. do Gov. n. 203, 254 pág. 654, n. 264 pág. 718 e 719, n. 272 pág. 776-778, n. 282, 276 pág. 809, e n. 278 pag. 818.

---/---

Ordem das Côrtes para o Colégio patriarcal da Santa Igreja de Lisboa consultar com a maior brevidade sobre os objectos na mesma Ordem declarados.

José da Silva Carvalho
Para José da Silva Carvalho

"Ill.mo e Ex.mo Senhor:As Côrtes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa Ordenam, que o Colégio Patriarcal da Santa Igreja Patriarcal de Lisboa consulte com a maior brevidade este Soberano Congresso não só sobre o número dos Ministros colados de que há de interinamente formar-se a Santa Igreja Patriarcal, mas também sobre o número de Empregos e Ofícios, que na mesma Igreja devem subsistir interinamente, e o ordenado, que cada um deles deve conservar: assim como o orçamento das despesas necessárias para o guisamento da Igreja: tendo entendido, que é da mente do Augusto Congresso, que por uma parte se não falte ao essencial, e ainda à decência do Culto, e que por outra se extingam todos os Ofícios, e se cortem todas as despesas, que para aquele fim não forem absolutamente necessárias. O que V. Excelência levará ao conhecimento de Sua Majestade.
Deus guarde a V. Excelência. Paço das Côrtes em 22 de Novembro de 1821. João Baptista Felgueiras."


(continuação, II parte)

01/03/14

APONTAMENTOS A RESPEITO DO PATRIARCADO E PATRIARCAL DE LISBOA

D. Tomás de Almeida,
I Cardeal Patriarca de Lisboa
Depois de uns dias de desaparecimento, volto de novo.

Como me acabam de pedir informação histórica sobre o Patriarcado de Lisboa, e do Patriarca, ao que respondi que não lembro nenhum livro que trate do assunto (embora haja), comecei a procurar alguma coisa aqui nos meus arquivos... Encontrei unas páginas curiosas que, embora não sejam bem o que procurava, achei merecerem dá-las a vós leitores.

"No I de março do referido ano [1710]erigiu por constituição do pontífice Clemente XI a sua Real Capela em insigne Colegiada, com o título de S. Tomé Apóstolo, e condecorada com grandes prerrogativas, instituindo-lhe 6 Dignidades, 18 Cónegos, 12 Beneficiados, além de outros ministros subordinados ao Capelão mor, como seu próprio Ordinário, e lhes estabeleceu para côngrua e sustentação 12:550$560 réis, de forma que ao Deão competia 400$000 réis, a cada uma das Dignidades 300$000 réis, a cada um dos 18 Cónegos 300$000 réis, a cada um dos doze Beneficiados 150$000 réis e a cada um dos Mansionários 80$000 réis; assim tomaram posse a 16 de Maio de 1710." (Fr. Cláudio da Conceição: Gabinete Histórico, vol. X. pag. 137)

"Construida a insigne Colegiada de S. Tomé, passou ElRei a condecorar os seus Ministros com um habito coral distinto do antigo, ordenando que os Cónegos pudessem trazer sobre o roquete capa magna roxa com capelo forrado de peles brancas de arminho em tempo de inverno, isto é - desde véspera de Todos os Santos até Sábado de Aleluia; e no verão usariam das mesmas capas forradas de seda encarnada: e os Beneficiados trariam também capa roxa com capelo forrado de peles cinzentas, no tempo do inverno, e no verão andariam com a mesma capa, e capelo forrado de seda roxa, acrescentando mais a cada Cónego 100$000 réis, e a cada um dos Beneficiados 50$000 réis."

"Toda esta abundância de graças e honras, com que o magnânimo Rei D. João V engrandeceu a sua Real Capela, ainda se não proporcionava com o dilatado do seu pio e régio coração, e assim obtendo da Santidade de Clemente XI a Bulla Aurea [bula de ouro], que começa: In supremo Apostolatus solio, expedida em 7 de novembro de 1716, fez exaltar a sua insigne Colegiada em Catedral Metropolitana e Patriarcal com a invocação de Nossa Senhora da Assumpção, dividindo para este efeito esta cidade e seu Arcebispado em duas partes [Lisboa Ocidental, e Lisboa Oriental], estabelecendo na parte ocidental um Patriarca, a quem uniu a dignidade de Capelão mor com distinta jurisdição da metropolitana, o qual como Patriarca ficou superior a todos os Arcebispos, e Bispos do Reino, e ainda ao de Braga [Arcebispo Primaz das Espanhas]. (... ao Patriarca de Lisboa cabia andar vestido assim:) em habito purpúreo à maneira de Arcebispo salisburgense, Primaz da Alemanha, e outros tantos privilégios e proeminências, unindo-lhe também as honras e tratamento de Cardeal, que lhe mandou dar por decreto de 17 de fevereiro de 1717. (...) o Papa Clemente XII não só o elevasse àquela dignidade [de Cardeal], como elevou por bula de 27 de dezembro de 1737, que começa Inter praecipuas Apostolici ministerii; mas pela mesma estabeleceu para sempre que a pessoa que fosse preconizada Patriarca de Lisboa, fosse logo criada Cardeal no consistório imediatamente seguinte. Para tal fim conseguiu do património Real e do rendimento das quintas das Minas-Geais para sustentação magnífica do Patriarca e seus sucessores, em perpétua doação, todos os anos 220 marcos de ouro, e o grande rendimento da Lezíria da Foz de Almonda, para que sem prejuízo dos pobres, pudesse luzir com esplendor em tão alta dignidade. E prosseguindo na aplicação da nova Catedral, criou nova Dignidade e Cónegos para formarem um respeitoso Cabido, enchendo-os de grandes autoridades e honras, além das que o papa Clemente XI lhes outorgou pela constituição Gregis Dominici, de 3 de janeiro de 1718. Continua a exercitar novas grandezas que já pareciam impossíveis à imaginação, e somente sondáveis e factíveis à dilatada esfera da sua ideia. Tornou a unir as duas cidades [Lisboa Ocidental, Lisboa Oriental] numa só, e por constituição do Papa Bento XIV passada em 13 de dezembro de 1740, e que principia Salvatoris nostri, fez abrogar e extinguir a antiga Sé de Lisboa Oriental, incorporando e estabelecendo uma só Igreja Patriarcal com omnimoda jurisdição metropolitana; e para que as suas dignidades se distinguissem mais especificamente, erigiu um excelentíssimo Colégio de 24 Principais com hábito cardinalício, e 72 Prelados ou Ministros de habito prelatício, divididos em várias hierarquias, a saber - prelados Presbíteros com insígnias episcopais, e exercício de pontifical, Protonotários, Subdiáconos e Acólitos, 20 Cónegos, 12 Beneficiados de 700$000 réis, 32 Beneficiados, 32 clérigos Beneficiados e outros mais ministros da Igreja Patriarcal." (Pe. João Baptista de Castro em Mapa de Portugal, vol. III. pag 183. Lisboa 1763)

"O Rei doou ao Patriarca, além das rendas eclesiásticas, outras muitas para a mantença de seu estado com lustre e grandeza. Quando ainda o Patriarca era Bispo do Porto, deu-lhe D. João V 24 criados de sala, que se apelidavam da sua guarda, com vestidos de pano roxo, guarnecidos pelas costuras e agaloados de ricos passamanes de veludo lavrado carmesim, os quais, quando o Patriarca saia do Estado, levavam umas capas compridas do mesmo pano, abandadas e agaloadas de veludo carmesim, cabeleiras grandes, e voltas: tinha mais 24 creiados das cavalariças, que também acompanhavam o Estado, mas sem capas, vestidos do mesmo pano roxo, guarnecido e agaloado, e todos com meias encarnadas: e mais 2 criados chamados da Cruz, que acompanhavam o Cruciferário, um a cada estibo da mula branca, um estribeiro e um viador. Tinha mais ao seu serviço 12 clérigos, que se apelidavam Capelães, e 12 gentis-homens seculares, os quais entravam de serviço às semanas, e vestiam de seda roxa, loba e sotaina de mangas caídas, e ainda havia mais 24 de ambas estas classes supra numerários, os quais só tinham obrigação de esperarem o Patriarca, ou na Patriarcal, ou assistir às funções patriarcais. E além deste pessoal ainda tinha um secretário do expediente, um esmoler, e muitas mais pessoas do seu serviço. Com estes familiares numerosos saia do estado no seu coche riquíssimo de veludo carmesim, agaloado de ouro por dentro, e tendo no tejadilho, na parte interna, o Espírito Santo, fabricado de ouro, à imitação do que usa o Papa. Os cocheiros eram também como os do Papa, vestidos com calções largos cobertos de ouro, vestias encarnadas todas tecidas de ouro, e por cima destas outras de mangas perdidas, com vários cachos de ouro pelos ombros, volta bordada, cabeleiras grandes, botas encarnadas, e as joelheiras cacheadas com umas rendas finíssimas; montados em selas encarnadas, e os arreios da mesma cor e tecidos de ouro. Seguia-se a liteira do Estado, também muito rica, e depois quatro coches conduzindo os seus familiares, puxados cada um deles por seis cavalos russos bem ajeazados, levados pela rédea por outros tantos criados. E num coche iam sempre nestas ocasiões quatro Desembargadores da Relação Patriarcal." (Ribeiro Guimarães, Summario)

"E para que não só as obras, mas as vozes chegassem ao céu com pura e suave harmonia, sem mistura de sinfonias profanas, mandou vir de várias províncias da Itália os melhores músicos com grosso estipêndios, de que formou um coro especial e grave dos mais selectos cantores. Fez também guarnecer a torre da igreja de muitos e harmoniosos sinos. Constava ela de dois andares de sineiras: o primeiro tinha duas em cada lado, em que havia 8 sinos; no segundo andar havia quatro sineiras; porém o sino grande tomava todo o vão do meio, de sorte que se via por todas as quatro partes, e se sustinha em madeiras, que não tocavam nas paredes da torre. O primeiro sino pesa 800 arrobas, e toca nas festas de I classe e nas exéquias das Pessoas Reais, Patriarcais, Cardeais e Principais: o segundo pesa 152 arrobas; toca nas de II classe e dobra aos Fidalgos titulares, Monsenhores e Cónegos; o terceiro tem 110 arrobas, e toca nas exéquias dos Beneficiados; o quarto, 87 arrobas e toca pelos Capelães; o quinto 77 arrobas e toca pelos Sacristas; o sexto, 35 arrobas; o sétimo, 29 arrobas; o oitavo, 25 arrobas; o nono, 22 arrobas; a garrida, 2 arrobas. Havia outra torre chamada do Relógio, separada da Igreja Patriarcal, cujos sinos tocavam nos seguintes dias: Dia de Reis, S. Vicente [padroeiro de Lisboa], Sábado e Domingo do Espírito Santo, Corpo de Deus, (só à procissão), Conceição e Natal. Era ténue para este monarca toda a profusão que se empregava no culto da Igreja, para cujo ornato mandou também fazer e conduzir de todas as partes do mundo os adornos, adereços e alfaias mais preciosas. Entre elas são dignos de especial memória os nove riquíssimos castiçais, e maravilhosa cruz de exequista e nova invenção, que mandou fabricar a Roma e a Florença, no ano de 1732, pelo desenho e artifício do famoso António Arrighi Romano, cuja primorosa e incomparável arquitetura excedeu a importância de 300 mil cruzados. Toda a máquina de prata excelentemente dourada, que formava a grande cruz se levantava na altura de 17 palmos desde a planta do pé, de figura quadrangular, que tinha três palmos e meios de diâmetro. Viam-se distribuídos com admirável simetria pelas bases e balaústres, assim da cruz como dos castiçais, muitos símbolos, hieroglíficos e génios, querubins e estátuas, umas de vulto, outras de meio relevo, com diferentes acções, que aludiam com propriedade aos mistérios de Cristo e de Maria SS., outros caracterizavam a magnificência da Santa Igreja Patriarcal, outros o Império da Majestade Portuguesa no Reino e suas conquistas; porém tudo guarnecido com muitos e polidos festões da mesma prata dourada, com muitas tarjas e quartelas de perfeitíssimo laizs lazuli, com muitos engraçados esmaltes e embutidos de epigrafes e diamantes preciosíssimos. (Pe. João Baptista de Castro em Mapa de Portugal)

28/09/13

PAPA e PATRIARCA DE LISBOA: CADEIRA GESTATÓRIA (III)

(Continuação da II parte)

Outra das honras do Patriarca de Lisboa é o uso de Sede Gestatória. Esta é uma das honras só reservada ao Patriarca de Lisboa, depois do Papa. Quanto ao uso, podemos dizer que está suspenso sem qualquer obrigação de tal: por motivo dos últimos Papas não se terem servido da sua, por uma questão de justa hierarquia também os últimos patriarcas de Lisboa não têm usado este símbolo tão marcado. Haveria que ter muita coragem e submissão humilde para vencer os preconceitos do mundo e retomar este uso.



Posteriormente adicionarei outras mais fotografias.

(continuação, "Missalete Patriarcal")

08/03/12

D. JOÃO V COMUNICA O NASCIMENTO DE D. JOSÉ À SÉ PATRIARCAL


"Aos Reverendos Deão, Dignidades, Cónegos, Cabido da Sé de Lisboa Ocidental Patriarcal, do seu Conselho. 

Reverendos Deão, Dignidades, Cónegos, Cabido da Sé de Lisboa Ocidental, Patriarcal, amigos. Eu El-Rei vos envio muito saudar. Hoje foi Deus servido por sua Divina bondade dar a estes Reinos mais um Infante; e porque estou certo recebereis grande contentamento com esta tão alegre notícia vo la participo, para que nãos somente me acompanheis em gosto, mas também em dar graças a Deus Nosso Senhor por tão particular merecê como usou comigo, e com todos os meus Vassalos, e terei entendido que esta felicidade se há-de celebrar com todas aquelas demonstrações de alegria costumadas em semelhantes ocasiões.

Escrita em Lisboa Ocidental, a 5 de Julho de 1717."

REI
(D. João V)

14/01/12

CUIDADO COM AS IMITAÇÕES

Há um projecto de desenho 3D (Lisbon Pre 1755) que tem por fim mostrar como era Lisboa antes do terremoto de 1755. Acontece que o resultado de tal projecto é algo disparatado, pois, sem aviso algum, leva a crer que ali está uma representação aproximada da realidade. Dou como exemplo a Patriarcal antiga que sobre ela faltam muitos registo visuais, e que é representada agora em 3D até contra os registos visuais sobejamente conhecidos dos lisboetas. Será que os novos artistas da era digital exageraram os adornos e as formas por excesso de patriotismo? Não, pelo contrário:

Desenho 3D da porta lateral da antiga Igreja Patriarcal
Uma das portas laterais da antiga Igreja Patriarcal, que depois do terremoto de 1755 está a servir de porta principal da igreja de S. Domingos em Lisboa. Portanto, veja-se a o irrealismo da representação 3D.
 

TEXTOS ANTERIORES