Mostrar mensagens com a etiqueta Domingo de Ramos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Domingo de Ramos. Mostrar todas as mensagens

21/03/16

A SEMANA SANTA - Sto. AFONSO DE LIGÓRIO I (Domingo de Ramos)


DOMINGO DE RAMOS
Jesus faz a sua entrada triunfal em Jerusalém.
Ecce rex tuus venit mansuetus, sedéns super asinal et pullum filium subiugalis "Eis que o teu rei aí vem a ti cheio de mansidão, montado sobre um jumenta e um jumentinho, filho do que está sob o jugo" (Math. 21, 5).
SumárioImaginemos ver Jesus na sua entrada triunfal em Jerusalém. O povo em júbilo lhes vai ao encontro,  estende seus mantos na estrada  e juncam-na de ramos de árvores. Ah! quem teria dito então que o Senhor, acolhido agora com tão grande honra, dentro em poucos dias teria de passar por ali como réu, condenado à morte? Mas é assim: O mundo muda num instante o Hosana em Crucifige. E não obstante isso somos tão insensatos, que por um aplauso, por um nada nos expomos ao perigo de perdermos para sempre a alma, o paraíso e Deus.

I. Estando próximo o tempo da Paixão, o nosso Redentor  parte de Betânia para fazer a sua entrada em Jerusalém. Contemplemos a humildade de Jesus Cristo, que, sendo Rei do céu, quer entrar naquela cidade montado numa jumenta. — Ó Jerusalém, eis que o teu rei aí vem humilde e manso. Não temas que ele venha para reinar sobre ti ou apossar-se das tuas riquezas; porquanto vem a ti cheio de amor e piedade para te salvar e dar-te a vida pela sua morte.
Entretanto os habitantes da cidade, que, havia já tempos, o veneravam por causa de seus milagres, foram-lhe ao encontro. Uns estendem os seus mantos na estrada por onde passa, outros juncam o caminho, em honra de Jesus, com ramos de árvores. — Oh! quem teria dito que o mesmo Senhor, acolhido agora com tanta demonstração de veneração, havia de passar por ali dentro em poucos dias como réu condenado à morte, com a cruz aos ombros!
Meu amado Jesus, quisestes fazer a vossa entrada tão gloriosa, afim de que a vossa paixão e morte fosse tanto mais ignominiosa, quanto maior foi a honra então recebida. A cidade, ingrata, em poucos dias trocará os louvores que agora vos tributa, por injúrias e maldições. Hoje cantam: "Glória a vós, Filho de David; sede sempre bendito, porquê vindes para nosso bem em nome do Senhor". E depois levantarão a vos bradando: Tolle, tolle, crucifige eum"Tira, tira, crucifica-o". — Hoje tiram os próprios vestidos; então torarão os vossos, para Vos açoitar e crucificar. Hoje cortam ramos e estendem-nos debaixo de vossos pés; então tomarão ramos de espinheiro, para Vos ferir a cabeça. Hoje bendizem-Vos, e depois hão de cumular-Vos de contumélias e blasfémias. — Eia, minha alma, chega-te a Jesus e diz-lhe com afecto e gratidão:  Benedictus qui venit in nomine Domini — "Bendito o que vem em nome do Senhor".

II. Refere depois o Evangelista, que Jesus chegando perto da infeliz cidade de Jerusalém, ao vê-la, chorou sobre ela, pensando na sua ingratidão e próxima ruína. — Ah, meu Senhor, chorastes então sobre Jerusalém, mas chorastes também sobre a minha ingratidão e próxima perdição; chorastes ao ver a ruína que eu a mim mesmo causava, expulsando-Vos de minha alma e obrigando-Vos a condenar-me ao inferno. Peço-Vos, deixai que eu chore, pois que a mim compete chorar ao lembrar-me da injúria que Vos fiz ofendendo-Vos. Pai Eterno, pelas lágrimas que vosso Filho então derramou por mim, dai-me a dor de meus pecados, já que os detesto mais que qualquer outro mal e resolvido estou a amar-Vos para o futuro, de todo o coração.
Depois que Jesus entrou em Jerusalém, e se fatigou o dia todo na pregação e na cura de enfermos, quando chegou a noite, não houve quem o convidasse a descansar em sua casa; pelo que se viu obrigado a voltar para Betânia. — Santa Teresa considerando certa vez num Domingo de Ramos, naquela descortesia para com o seu divino Esposo, convidou-o humildemente a vir hospedar-se no seu pobre peito. Agradou-se o Senhor tanto do convite de sua esposa predilecta, que, ao receber a sagrada Hóstia, afigurava-se à Santa que tinha a boca cheia de sangue vivo e ao mesmo tempo gozava um doçura paradisíaca.

Também tu, meu irmão, dirige a Jesus, especialmente quando te aproximas da santa comunhão, o convite que venha hospedar-se em tua alma, afim de não sofrer mais. — E agora roga a Deus que, "tendo ele feito Nosso Senhor tomar carne sofrer a morte de cruz, para dar a género humano um exemplo de humildade para imitar, te conceda a graça de aproveitar os documentos de sua paciência e de alcançar a glória da ressurreição" — Recomenda-te também à intercessão da Virgem Maria. (*I 601.)

(continuação, Segunda Feira)

Sto. Afonso de Ligório - SERMÃO DO DOMINGO DE RAMOS (III)

(continuação da II parte)

III
O Costume de Pecado Enfraquece as Nossas Forças

10. Despedaçou-me com feridas sobre feridas, lançou-se a Mim como um um gigante (Job 16. 15). São Gregório parafraseia assim este texto: O primeiro golpe que recebe um homem assaltado por um inimigo, não o põe fora de combate, mas se recebe um segundo golpe, um terceiro, perderá as suas forças e enfim a sua vida. Tal é o efeito do pecado; na primeira ou na segunda vez que a alma está ferida, ainda lhe ficam algumas forças provenientes da graça Divina; mas se a alma continua a pecar, o mal tornado habitual é então para ela como um gigante ao qual não pode resisti. São Bernardo diz que o pecador de hábito parece um homem deitado debaixo de uma enorme pedra e que, não podendo sublevá-la, muito dificilmente se levantará: Dificilmente se levanta aquele que está debaixo da pedra dos maus hábitos.

11. S. Tomás de Vilanova escreveu que a alma desprovida da graça de Deus não pode ficar longo tempo sem cometer novos pecados (Conc. 4. dom. 4 Quadrag.). E S. Gregório, sobre esta passagem de David: Ó meu Deus, torna-os semelhantes às folhas levadas pelo torvelinho semelhantes à palheira diante do vento (Salm. 82. 14). Vede como a palha é levada pelo menor vento; assim o pecador, que, antes de contrair o costume do pecado podia resistir algum tempo, logo que este mau hábito está tomado, deixa-se arrastar pela menor tentação de pecado e cai em queda após queda. Os pecadores de costume, como escreveu S. João Crisóstomo, estão tão fracos contra os ataques do demónio, que muitas vezes são forçados a pecar mesmo contra a sua própria vontade, arrastados pela força do mau hábito: duro é o costume que obriga a cometer coisas ilícitas aos que nem sempre querem. E isso, porque no sentimento do mesmo Sto. Agostinho, o hábito de pecar torna-se com o tempo uma necessidade de pecar. Quando não se resiste a um costume, torna-se necessidade.

12. S. Bernardo de Siena acrescenta que o costume se torna uma natureza [como que segunda natureza]. E desde então o pecado torna-se, para o pecador de hábito, tão necessário como a respiração para a vida do corpo; e o pecador fica-lhe totalmente escravo. Há servidores que trabalham mas com um salário. Os escravos trabalham sem salário e até forçadamente. A este último grau chegam os pecadores de hábito, porque pecam muitas vezes sem nenhuma satisfação, apenas como escravos do demónio, sem salário. S. Bernardo compara-os aos moinhos de vento, que continuam a fazer girar a mó quando já não há grão para moer, quer, dizer, que os pecadores sem ocasiões presentes continuam a pecar, ao menos por maus pensamentos. Os desgraçados, diz S. João Crisóstomo, desprovidos do auxílio divino, já não agem conforme à sua vontade mas conforme à vontade do demónio: O Homem, perdendo a graça de Deus, não faz o que quer, mas o que o demónio quer.

13. Ouvi, acerca deste assunto, o que um autor narra ter acontecido numa cidade da Itália: Um jovem inclinado a um vício de costume, apesar de ter sido chamado muitas vezes pela voz discreta de Deus, e avisado por outras pessoas para mudar de vida, perseverava no pecado. Um dia o Senhor feriu de morte súbita uma das suas irmãs diante dos seus olhos. Ele foi comovido por algum tempo; mas mal ela foi sepultada, ele esqueceu a lição, e voltou à sua inclinação. Depois meses depois da morte de sua irmão, ele próprio caiu à cama, doente com uma febre lenta: mandou chamar um sacerdote para se confessar, mas apesar de tudo isso, exclamou um dia: ai de mim! Reconheço tarde demais todo o rigor da Justiça Divina! E dirigindo-se ao médico diz-lhe: não vos fatigueis mais com os remédios, porque o meu mal não tem cura e eu sinto que ele me leva ao túmulo. Depois, voltando-se para aqueles que o cercavam disse: Sabei que como não há remédio para o meu corpo, também não há para a minha alma, que está inclinada a uma morte eterna. Deus me abandonou, eu vejo isto ao endurecimento do meu coração. Alguns amigos tentaram reanimar a sua confiança na misericórdia de Deus, mas repetia sempre: Deus abandonou-me. Aquele que narra este facto acrescenta que ficando sozinho com este desgraçado jovem, lhe disse: Tomais coragem, uni-vos a Deus; tomai o Santo Viático, mas o doente respondeu-lhe: Amigo, falai a uma pedra; a confissão já a fiz e foi sem contrição; Não quero agora nem confessor, nem sacramento, não levai o Viático, porque isto seria dar-me uma ocasião de fazer um escândalo. O autor deixou-o todo aflito e pouco depois regressando para o ver, os parentes lhe disseram que morreu na noite precedente, sem nenhum auxílio espiritual, e perto do quarto do doente, se ouviam uivos tremendos.

14. Eis o fim do pecador de hábito. Pecadores, meus irmãos, se vos encontrais nos laços dum hábito culpável, fazei depressa uma confissão geral; porque as vossas até agora não foram boas. Saí rapidamente da escravidão ao demónio. Ouvi o que vos diz o Espírito Santo: Não dês a tua honra a estranhos, nem os teus anos a um cruel (Provérbios 5. 9). Porque quereis continuar a servir um mestre tão cruel como o demónio, o vosso inimigo, que os faz levar uma vida tão miserável, para vos conseguir uma vida ainda pior, no inferno durante toda a eternidade: Lázaro sai fora: sai dessa fossa do pecado; entregai-vos a Deus que vos chama e vos abre os braços para vos abraçar, se voltais aos seus pés: Ah! Tremei, que não seja a última chamada cujo desprezo acarrete a vossa danação.

15/04/14

Sto. Afonso de Ligório - SERMÃO DO DOMINGO DE RAMOS (I)

SERMÃO XX

2º DOMINGO DA PAIXÃO
DOMINGO DE RAMOS
(por Sto. Afonso Maria de Ligório)

[Tema]:
O HÁBITO DO PECADO

"Ide à aldeia que está defronte de vós, e logo encontrareis presa uma jumenta e o seu jumentinho com ela" (Mateus 21, 2)

Nosso Senhor determinado neste dia a entrar em Jerusalém, afim de ser reconhecido e proclamado como o Messias prometido e enviado por Deus para a salvação do mundo, mandou os seus ir para um castelo, onde haveria uma jumenta presa (logo encontrareis presa uma jumenta) que desatariam e levariam para Ele. S. Boaventura explica este trecho: Jumenta presa, designa o pecador; segundo o que diz o sábio, o ímpio é preso e encadeado pelo seu pecado mesmo: "O ímpio é presa das suas próprias iniquidades e é ligado com as cadeias dos seus pecados" (Prov. 5, 22). Ora como Jesus Cristo não podia sentar-se sobre a Jumenta enquanto ela estava presa, da mesma maneira não pode Ele demorar numa alma encadeada nos seus pecados. Se portanto, meus caros auditores, encontra-se dentro de vós uma alma encadeada pelo hábito do pecado; que ouça esta palavra do Senhor que lhe é dirigida hoje: "Desprendei-a e trazei-ma." (Mateus 21, 2). "Desata as cadeias do teu pescoço, cativa, filha de Sião." (Isaías 52.2). Desprende-te, minha filha, desta corrente do pecado que te torna escrava do demónio, e fá-lo depressa antes que o hábito do mal se apodere de ti e te impeça de te emendares e te conduza à tua perda eterna. Neste desígnio, vou demonstrar os maus efeitos do hábito do pecado; divido em três pontos o que vou explicar: 1.º O hábito cega o espírito, 2.º endurece o coração, 3.º enfraquece as forças.

I
O Hábito de Pecar Cega o Espírito

1. Sto. Agostinho fala assim do pecado habitual: O costume não permite ver o mal que os pecadores fazem. O costume de pecar cega os pecadores e impede-os de reparar, quer o mal que fazem, que a ruína que provocam; vivem então como se nem Deus, nem o Inferno, nem o Céu, nem a eternidade existissem. Os pecados mais horríveis quando são habituais, parecem pequenos ou nulos. Como então a alma poderá evitá-los, quando já não sente a gravidade deles e o mal que eles provocam?

2. S. Jerónimo diz que os pecadores de costume perderam toda a vergonha; uma certa vergonha acompanha naturalmente o pecado, mas perde-se pelo costume. S. Pedro compara o pecador de costume a um porco que se volta no seu estrume: Voltou o cão ao seu vómito e a porca lavada tornou a revolver-se no lamaçal (II Pedro 2. 22). A lama cobre logo os olhos e daí que aqueles que vivem assim, em vez de entristecer-se, e ruborizar das suas máculas, regozijam-se e gabam-se disso: "É um divertimento para o louco fazer o mal." (Prov. 10, 23). "Alegram-se por terem feito o mal e se regozijam na perversidade." (Prov. 2, 14). Assim os santos rogam a Deus sem cessar para os iluminar, sabendo que sem esta luz todo o homem se pode tornar o mais culpável do mundo. E como tantos cristãos, assegurados pela Fé, que há um inferno e um Deus justo, que não pode deixar de castigar o mal, continuam a viver no pecado até à morte, e condenam-se? Porque a malícia os cegou (Sabed. 2, 21) e por isso se danam.

3. Lemos em Job que o pecador costuma encher-se de vícios: Os seus ossos estavam cheios das suas iniquidades ocultas (Job. 20, 11). Todo o pecado leva consigo um degrau de cegueira no espírito e quando os pecados se multiplicam por hábitos, a cegueira cresce com eles. Um frasco [vidro] sujo de terra não pode receber o sol; assim também a luz de Deus não pode penetrar no coração cheio de vícios, e fazer conhecer o princípio para onde vai cair. O pecador habitual, desprovido da luz, vai de falta em falta, sem pensar emendar-se: "Os ímpios ao redor passeiam." (Salmo 11, 9). O desgraçado caído na fossa obscura do costume de pecar, apenas pensa no pecado, preocupa-se só com fazer algo pecaminoso e já não o considera como um mal. Torna-se afinal como os animais, desprovidos de razão, que nada conhecem senão os apetites dos sentidos. De facto o homem não permanecerá em opulência: "É semelhante às alimárias que perecem." (Salmo 48, 13). São João Crisóstomo aplica esta passagem ao pecador hábil, que, encerrado nesta fossa obscura, desenha as pregações, os avisos de Deus, as correcções, as censuras e o Inferno e até o próprio Deus: que torna a ser semelhante a abutres vorazes, azafamados sobre um cadáver, que devoram, prefere deixar-se matar pelo caçador do que largar a presa.

4. Tremamos, meus irmãos, como David quando dizia: "Não me afogem as ondas das águas, nem me absorva o abismo, nem a boca do poço de tantas misérias." (Salmo 68, 16). Se alguém cai no poço, enquanto a boca do poço fica aberta, ele tem a possibilidade de se salvar, mas se a boca do poço chega a ser tapada, está perdido. Também o pecador, caído no costume do pecado, vê os seus pecados repetidos fecharem-lhe continuamente a boca do abismo, que, uma vez completamente fechada, o separa de Deus, de que será então abandonado. Ó pecador se estás preso deste poço do Inferno, antes que a boca se feche, quero dizer, antes que Deus te retire a sua luz e te abandone, porque motivo este abandono determinará a tua danação!

(continuação, II parte)

13/04/14

MEDITAÇÃO DA DOMINGA DE RAMOS


MEDITAÇÃO XX
DA DOMINGA DE RAMOS

Veja-se a Meditação XIX da Quarta feira, a qual se pode aplicar à Sagrada Comunhão, ponderando o recebimento, que o Senhor teve este dia em Jerusalém com ramos, e aclamações, com o recebimento, que hoje tem em minha alma, quando nela entra Sacramentado; e acomodando as propriedades dos ramos, que aqueles lançavam para o Senhor passar, às virtudes, com que a alma deve estar adornada para o receber.

MEDITAÇÃO XIX
DA ENTRADA DE CRISTO EM JERUSALÉM COM RAMOS

I Ponto: Considerar como entra Cristo nosso Redentor em Jerusalém como triunfando, para dar princípio ao negócio da nossa Redenção. Pondera o gozo, e a alegria, com que Cristo caminha para as desonras, afrontas, e tormentos de sua Paixão, só porque é princípio de nosso remédio; a tristeza, e a repugnância, com que os homens tomam os trabalhos, que Deus lhes dá para seu bem. Pondera também a humildade do jumento, em que entra: para que aprendas, que o triunfo de Cristão é a humildade, e desprezo da glória mundana.

II Ponto: Considera o aplauso, festa, e alegria, com que o Senhor foi recebido: lançavam por terra suas roupas, cortavam ramos de palma, e de oliveira para passar; chamavam a altas vozes "Hossanna filio David, benedictus qui venit in nomine Domini". Pondera a devoção desta gente; a humildade de Cristo engrandecida, como se dispõem com estas glórias para as ignomínias da Cruz; para que tanto maior fosse então a ignomínia, quanto era a glória maior.

III Ponto: Considera como esta gente, que agora recebe a Cristo com tanta desta gente, que agora recebe a Cristo com tanta festa, e na mesma, que daí a cinco dias lhe há-de procurar a morte com muitas afrontas. Pondera a variedade dos corações humanos, cotejando as honras, vozes, e alaridos dos que depois lhe pedirão a morte, hoje o honram com suas vestiduras, depois o despojam das próprias, e o vestem com vestiduras de escárnio; agora com ramos, depois com espinhos; agora, Bendito Filho de David, depois maldito, e pior que Barrabás. (Meditações Para Todos os Dias da Semana, pelo Exercício Das Três Potências da Alma, Conforme Ensina Sto. Inácio...". Pe. Alexandre de Gusmão. Lisboa, 1689)

12/04/14

CURIOSIDADE - DOMINGO DE RAMOS E A UNIVERSIDADE DE COIMBRA

D. José
Entrada da Universidade de Coimbra

A Publicação dos Estatutos da Universidade de Coimbra (em M.DCC.LXXIII), dizem no Capítulo V, intitulado "Do número das lições, que há-de haver cada dias: Do tempo, que lerá cada Lente: e das horas, em que hão-de principiar, e acabar as lições de Teológicas":

"1. Haverá nas Escolas Teológicas cinco horas de lições em cada dia; três de manhã, e duas de tarde.

2. Todas estas Cadeiras serão de uma hora de lição.

3. A lições de manhã desde o primeiro de Outubro até à Véspera de Domingo de Ramos principiarão pelas oito horas, e acabarão pelas onze. Depois de passada a Páscoa da Ressurreição, começarão pelas sete horas, e se concluirão pelas dez. As lições de tarde desde o primeiro de Outubro até a dita Véspera de Ramos, terão princípio pelas duas horas depois do meio dia, e fim pelas quatro. E da Páscoa por diante começarão pelas três horas, e acabarão pelas cinco. Observando-se a todos estes respeitos o mesmo que Mando que se observe no Curso Jurídico."

30/03/12

DA BENÇÃO E PROCISSÃO DOS RAMOS (I)

DA BÊNÇÃO, DISTRIBUIÇÃO, E PROCISSÃO DOS RAMOS NO SEXTO DOMINGO DA QUARESMA

Igreja do Convento da Madre de Deus, Lisboa
"Neste dia se adornará o Altar mor com frontal roxo: e assim nele, como em todos os mais da Igreja, se colocarão entre os castiçais damos de palma, ou de oliveira, ou de outra árvore. No lado da Epístola junto do Altar estará segunda Credência, sobre a qual se hão de pôr os ramos, com os pés voltados para a porta da igreja, adornados com flores, e com pequenas cruzes, feitas das folhas dos mesmos ramos, (sendo sempre os mais preciosos para o Celebrante, Prelados, Diáconos, e Dignidades) tudo coberto com véu roxo, ou toalha branca até à hora de se benzerem.

Na Credência comum, além dos preparados para a Missa maior, se porá a caldeirinha com água benta, e um prato com miolo de pão. Da mesma parte da Epístola se porá a Cruz processional com véu appenso[?] roxo, sem que o dito véu tenha imagem.

Na Sacristia, além dos paramentos roxos, e Cotas para os Acólitos e Cantores ordinários, haverá mais duas, ou quatro para os Cantores do Glória laus, e mais três para os Acólitos que têm de acompanhar os três Diáconos da Paixão, para os quais estarão prontos Amictos, Alvas, Cíngulos, Manípulos, Manicas, Quadrados, Estolas comuns, Estolas largas, e o livro da Paixão com cobertura roxa, como também barretes para os Ministros do Altar, e para os três da Paixão.

Depois da Terça (para a qual se tocará os sino às nove horas) se fará a Aspersão da água benta pelo Celebrante, se este não for o Prelado, ou Padre da Província; porque em tal caso a fará o Padre da semana, usando de Cota, e Estola pendente sem Pluvial, acompanhado de um Acólito com a caldeirinha. E no mesmo tempo se fará no Coro alto pelo Hebdomadário, (também com Cota, e Estola) se ainda lá estiverem os Eclesiásticos.

O Prelado Celebrante com Pluvial, acompanhado dos Ministros com Manípulos, logo que chegar ao Altar, (feitas as consumadas reverências) o osculará; e passando para a Missa, rezará sem se benzer a Antífona Hosanna filio David, a qual cantará o Coro; e acabada ela, estendendo com as mãos levantadas, dirá (sem se voltar para o povo) Dominus vobiscum, e a Oração Deus quem diligere em tom ferial, que é em voz direita. Os do Coro estarão sempre em pé, voltados para o Altar, e só podem sentar-se em quanto se diz a Lição, cobrindo-se com os barretes, e não com os capelos. Os que cantarem o Gradual à estante, estarão em pé, e os [restantes] sentados, mas descobertos.

O Subdiácono, em quanto se diz a Oração, irá depor a Planeta na Credência; e tomando o livro, irá, feitas as devidas reverências, cantar a Lição em tom de Epístola, acompanhado do Credenciário, ou do segundo Mestre de Cerimónias, se o houver. Depois osculará a mão ao Celebrante, dará o livro, receberá a sua Planeta, e tornará a situar-se à esquerda do mesmo Celebrante, descendo ao plano entre o lado do Evangelho, e meio do Altar, onde esperará pelo Diácono."

(Terá continuação)

TEXTOS ANTERIORES