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22/04/18

Blog SANTO ZELO - Surpresa!

O SANTO ZELO, um dos nossos blogs amigos está a publicar diariamente artigos alusivos às festividades dentro da Civilização lusa (necessariamente católica). Mais de 80% têm sido festividades de santos, beatos, veneráveis, gente de virtudes por esse mundo luso fora. Quase 20%, diria, têm sido comemorações de figuras sociais de valor, e acontecimentos marcantes.

A dona do SANTO ZELO já veio agradecer o rápido e assinalado interesse dos leitores nestes últimos tempos.

Quem se lembra de Frei Gonçalo Valbom, que sugeriu a Duns Escoto o dogma da Imaculada Conceição? Quem se lembra de São Silvestre, Bispo de Braga, martirizado no ano 70? Quem se lembra que Papa Beatificou em 1516 a Rainha Santa Isabel? Quem sabe que reis foram testemunhos da santidade de Frei João da Assunção? Quem sabe que São Ataulfo era lusitano e foi Bispo de Compostela? Quem recorda que Gregório VIII foi um antipapa que tinha sido Arcebispo de Braga? Quem sabe que a ordem do Concilio de Trento para que se tenham nas paróquias livros de registo era uma medida portuguesa tomada pelo Infante Cardeal D. Afonso? Quantos sabem que o rei D. Manuel foi jurado em Toledo como sucessor das coroas de Isabel e Fernando, Los Católicos?

Entre estes belos e marcantes acontecimentos a doçura e gravidade das coisas santas tão próprias da nossa Civilização, da nossa Cristandade, dos nossos antigos.

Força blog SANTO ZELO; parabéns.

17/01/17

ISABEL A CATÓLICA e O CONTRIBUTO ASCENDENS


Caros leitores,
 
em 2009 tive conhecimento vago da não canonibilidade de Isabel a Católica; mais ou menos por acaso, em Janeiro de 2010 apareceram-me as provas: documentos do séc. XV/XVI de credibilidade régia nas Côrtes de Castela e de Portugal.

A este respeito, desde 2010, discretamente, uma ou outra vez coloquei informação no blog ASCENDENS; no ano passado a informação foi mais explícita, e finalmente em 2017 será definitiva: em breve as provas serão enviadas à Santa Sé, com elas uma pequena denúncia de uma parte da argumentação do Processo para a pretensa beatificação.

Vou dando notícias.

P. Oliveira

26/12/16

COMENTÁRIOS IBÉRICOS (I)

Em certo grupo auto-classificado "hispanófilo" até agora houve 55 comentários trocados entre gente de língua castelhana, portuguesa e italiana. Estes comentários formam um todo interessante, de certa forma resumem certos mitos dos militantes da "hispanidad" e a respectiva correcção. Nada mais didático que traduzir-vos estes diálogos.
 
Antes de mais, transcrevo e traduzo o início do artigo que foi depois comentado:
 
"As Falsas Crenças de Que Éramos Colónias
São muitos, muitíssimos, os académicos, letrados e investigadores que ao longo da Hispanidad assinalaram como erro a denominação "colónia", pelo qual pediram a eliminação desta designação, pois cria ideias equivocadas associadas a sentimentos de inferiorização e derrotismo na nossa Consciência Histórica.
Apesar disso, para estar em conformidade com a ideologia política republicana e oficialista que nos supõe uma liberdade social e nacional que até então nunca existira, nos programas oficiais do ensino continuam-nos a impor a palavra "colónia" ao longo da nossa escolarização.
Para esta reclamação documentarmos, nada melhor que ler a aprovação da Academia Nacional de História da Argentina, a qual fez 2 em Outubro de 1948 uma chamada de atenção para que fosse mudada a palavra "colónia" dos livros e da idiossincrasia popular:
"A investigação histórica moderna colocou em evidência os altos valores da civilização espanhola e sua influência para o Novo Mundo.
Como uma homenagem à verdade histórica, corresponde estabelecer o verdadeiro alcance da qualificação "colónia", em certo período da nossa História. (...)"
 
Passemos aos comentários que aqui foram surgindo já muito despegados do artigo, os quais são de proveito. Apenas passarei os comentários de importância dos dois lados da conversa, e traduzo-os. Usarei de nomes fictícios e colocarei de que língua é cada um dos intervenientes:
 
José, Pt. - Caros senhores, não conhecem a história de Espanha? Colón propôs-se em descobrir o caminho marítimo para a Índia, por Ocidente. As NOVAS terras que descobriu não eram verdadeiramente a Índia, equívoco mantido por bastantes anos. Os europeus sabiam que a Índia era uma região de grande civilização antiga e dizíamos então ter cristãos antigos. "A primeira dessas leis é de 1519, emitida para a ilha Espanhola" [aqui comenta o parágrafo do artigo, que é assim: La Recopilación de Leyes de Indias nunca hablaban de colonias, y en diversas prescripciones se establece expresamente que son Provincias, Reinos, Señoríos, Repúblicas o territorios de Islas y Tierra Firme incorporados a la Corona de Castilla y León, que no podían enajenarse. La primera de esas leyes es de 1519, dictada para la Isla Española, antes de cumplirse treinta años del Descubrimiento, y la de 1520, de carácter general, es para todas Islas e Indias descubiertas y por descubrir.] ...sim, para uma parte do território da Índia [ou seja, da Índia da qual se pensava ter descoberto o caminho, a Índia asiática] ... Seria IMPOSSÍVEL fazer de certa parte da Índia [asiática] uma colónia... Entendem!?

Página, Esp. - Na verdade a palavra índio significa habitante de terras longínquias, e destingua-se entre as Índias Orientais e as Índias Ocidentais. No livro " Los Viajes de Marcopolo" fala-se das índias também como territórios longínquos, mas esses territórios podia estar no oriente como no ocidente, contudo para ocidente era mais difícil chegar porque havia que ir navegando e Marcopolo fez a sua viagem por terra. Por fim há que dizer que o estado da Índia é uma invenção dos ingleses no séc. XX.
 
José, PT. - Ignorância!!! ... A proposta de Colón aos Reis foi a do descobrimento do caminho marítimo para a ÍNDIA, por Ocidente. Não existia o nome de "índia ocidental", portanto. Quando Colón chegou à América deu-se oficialmente como tendo chegado à ÍNDIA (na Ásia). Depois da primeira viagem, Colón informou também os reis de finalmente ter descoberto a ÍNDIA da Ásia.
Não ... em castelhano, até ao séc. XVI "índio" nunca significou mais que morador [nativo] da ÍNDIA da ÁSIA.
O nome "índias ocidentias" é uma forma agradável de não dizer a toda a Cristandade "nós, nossos reis de Castela, fomos enganados relativamente ao descobrimento do caminho ocidental marítimo para a Índia etc." ... mais fácil, mantiveram o nome "Índia", mas com necessidade de acrescentar "ocidental".

Página, Esp. - Procura o contrato que Isabel de Castela fez assinar a Colón antes da sua primeira viagem onde se lê "das terras já descobertas".
 
José, Pt. - "das terras"... "descobertas" ... África era conhecida e as Canárias descobertas depois! ... não!? ...
 
[...]
 
Romão, Esp. - Espanha vinha de 800 anos de reconquista contra os muçulmanos. Os territórios que recuperava incorporava-os aos seus Reinos. O salto à África e o posterior à América não era mais que prolongamento daquele espírito de Cruzada e os territórios também ficariam incorporados, neste caso a Castela, como terras da Coroa, mas não como colónias.
 
José, Pt. - Romão, não não ... reconquista de 800 anos!? ... Espírito de Cruzada em África!? ... O caminho marítimo para a Índia por Ocidentes ... era por espírito de Cruzada!? ......

Romão, Esp. - Reconquista (722, batalha de Covadonga - 1492, reconquista de Granada) = 770 anos. Espírito de Cruzada em África sim, assim o afirmou a Rainha Isabel a Católica quando faz ver aos seus sucessores a necessidade de recuperar o território norte-africano, a antiga Mauritânia romana, para a Cruz. E o caminho marítimo para a Índia não era espírito de Cruzada, mas quando os espanhóis chegam à América não se limitam a explorar e fazer escravos, ensinaram-lhes a religião, evangelizam, debatem sobre a alma do índio [melhor, "índio"], outorgam à Igreja um papel fundamental nas novas terras para denunciar os casos de abusos que se cometam... Sem espírito de cruzada a conquista teria sido igual que a britânica, uma campanha de extermínio contra os índios. [...] Pois se não sei história não sei se continuo a ser licenciado na mesma (em Espanha e México) e tendo mestrado em h. contemporânea de Latinoamérica... Suponho que na guerra de 1808-1814 contra os franceses também se recorreu à cruzada, nem a de 1833-1843, nem a de 1936-1939, não?

José, Pt. - Romão "800 años de reconsistas"!? ... ahah Isabel a Católica teve opiniões nem sempre muito católicas! "no se limitan a explotar y hacer esclavos" ... nem nenhum reino católico o fez! [...]
1 - Cruzadas: cruzadas oficiais da Santa Igreja com nome de "cruzadas" no séc. XIX!? Uhmm...
2 - Reconquista de 800 anos: a reconquista não foi feita durante 800 anos, senão que o seu intento ficou [apenas] completo [na Espanha] somente depois de 800 anos (menos de 100 anos em Portugal).
3 - Isabel a Católica manda roubar algumas vezes a Mina em África, em território português [duas Capitanias, uma de Mem Palha, e outra de Jorge Correia]. Até então [Isabel a Católica] não andava pelo continente africano a fazer apostolado.
4 - A intenção do descobrimento do caminho marítimo para a Índia (ásia) por Ocidente não era o da difusão da fé, porque nesse tempo acreditava-se que entre os nativos da Índia (Ásia) havia cristãos. Isabel a Católica tinha por certo que estes seriam CRISTÃO a ser súbditos iguais aos que tinha em Castela etc..
5 - Escravatura: a escravatura era em muitos casos a única forma justa de transferir a barbárie sem direitos territoriais às terras cristãs, para viver como cristãos, que assim teria de socialmente começar por viver por intermédio e responsabilidade de um Senhor (os filhos menores do Senhor, por exemplo, também não tinham direitos sociais territoriais sem ser por via de seus pais). O problema de como os espanhóis olham a escravidão relaciona-se com a crença de que não a praticaram largamente mas que fora praticada largamente pelos outros. Mas... a documentação recém descoberta mostra que Espanha foi a melhor cliente de Portugal e de Inglaterra na compra de escravos para a América.

(continuação, II parte)

25/09/16

APÓSTOLO S. TOMÉ PATRIARCA DA ÍNDIA, E O FEITO DOS PORTUGUESES

"Foi, com efeito, a armada de Pedro Álvares Cabral que trouxe com a triste nova de que, afinal, os
habitantes da Índia eram gentios e não cristãos, a de que, para mais de Goa até Cochim havia mais mouros que em toda a costa de África, de Ceuta a Alexandria. Mas foi ela também qu, em Janeiro de 1501, embarcou em Cranganor dois cristãos locais, o Pe. José e seu irmão Matias, que queriam vir à Europa para visitar Roma, Jerusalém e a Mesopotâmia onde residiam os seus patriarcas. A D. Manuel traziam, como precioso dom, terra colhida sobre a tumba de S. Tomé Apóstolo, em Meliapor. Traziam igualmente informações sobre a Índia menos fantasiosas do que as que o piloto mouro e Gaspar da Gama haviam fornecido dois anos atrás. D. Manuel, que continuava a sonhar com a conquista de Jerusalém e a anelar pelo apoio dos cristãos do Oriente, folgou com a vida de José e de Matias; e, na sua Carta aos Reis Católicos, seus sogros, com cujo apoio contava igualmente reportou:
"Naquele reino [Cochim] há muitos cristãos verdadeiros da conversão de São Tomé, e os sacerdotes deles seguem a vida dos Apóstolos com muita estreiteza, nem tendo próprio senão o que lhe dão de esmola e guardando inteira a castidade; e têm igrejas em que dizem missas e consagram pão ásimo e vinho que fazem de passas secas com água, por [não] poderem [de] outro; e mais igrejas não têm imagens senão a cruz; e todos os cristãos trazem vestidos apostólicos com suas barbas e cabelos sem os nunca fazerem, E ali achou certa notícia donde jaz o corpo de São Tomé, que é cento e cinquenta léguas dali na costa do mar numa cidade que se chama Mailapur, de pouca povoação; e me trouxe terra de sua sepultura. E todos os cristãos e assim os mouros e gentios pelos grandes milagres que faz vão a sua Casa em romaria. E assim me trouxe dois cristãos, os quais vieram por seu prazer e por licença de seu prelado para os haver de mandar a Roma e Jerusalém e verem as coisas da Igreja de cá, porque têm que são melhor regidas por serem ordenadas por S. Pedro, e eles crêem que foi a cabeça dos Apóstolos, e serem eles informados delas. E também soube certas novas de grandes gentes de cristãos que são além daquele reino, os quais vão em romaria à dita Casa de São Tomé; e têm reis muito grandes que obedecem a um só e são homens brancos e de cabelo louros e verdes por fortes e chama-se a terra Malchina, donde vem a porcelana, almíscar e âmbar, e tenho leões que trazem do rio Ganges que é aquém deles; e das porcelanas há vasos tão finos que um só vale lá cem cruzados..."
Estas informações repetem-se em mais pormenores na relação pouco depois impressa em Itália com base no que aí referiu o mesmo Pe. José de Granganor, a Relação de José da Índia.

Ignorando-se quase tudo acerca da armada de João da Nova (1501-1502); não se sabe, portanto, se teve algum contacto com os cristãos do Malabar.

É na expedição seguinte - a segunda de Vasco da Gama - que se situa um episódio significativo. Estando o Almirante em Cochim, veio-lhe uma embaixada dos cristãos de Cranganor trazendo-lhe não só presentes, como a vara da justiça de que usavam - espécie de ceptro, vermelho, guarnecido de prata, com três campainhas desse metal - para que passasse a administrá-la aos cristãos locais em nome DelRei de Portugal; e ao mesmo tempo sugeria-lhe que os Portugueses erguessem em Cranganor uma fortaleza. Visivelmente, após os primeiros desaires infligidos aos mouros e ao seu protector, o Samorim, pelos capitães de D. Manuel, os cristãos de Cranganor entreviam uma hipótese de ver restaurados, quem o papel predominante outrora desempenhado pelo seu porto no grande comércio oceânico, antes da escápula da pimenta se ter transferido para Calicut, quer a situação de favor de que a comunidade gozava antes de os muçulmanos se terem tornado senhores do Índico. A entregar da vara da justiça não serviu, contudo, a longo prazo, os efeitos que se esperavam. Refere, de facto, o Pe. Francisco de Sousa que, mais tarde, muitos cristãos que entretanto haviam descido dos Gates a viver sob a protecção dos Portugueses se voltaram a retirar para o interior, não só por se não se quererem conformar com alguns usos litúrgicos ocidentais (...), como também por se não adaptarem à justiça portuguesa, (...) assaz rigorosa nas penas que aplicava.

No ano imediato a este encontro entre Vasco da Gama e os cristãos de Cranganor foi a vez de os de Coulão recorrerem igualmente à protecção dos Portugueses: Afonso de Albuquerque fora aí a assentar feitoria e a confirmar o acordo feito em Cochím com os representantes das autoridades locais; os cristãos da terra pediram-lhe então que interviesse para que lhes fosse restituída a administração do peso da cidade, que lhes cabia por antigo privilégio mas lhes fora recentemente retirada. E quiseram mandar a D. Manuel a cruz principal, de ouro, da sua igreja; mas Albuquerque apenas aceitou que mandassem uma menor, de prata. Passou-se isso em Janeiro de 1504. (...)

Nem em Cranganor nem em Coulão houvera, entretanto, contacto com a hierarquia, já que o único Bispo que então havia na Índia, Mar João, devia estar na sede habitual dos Bispado, Angamel, sita a certa distância da costa.

Foi só durante a monção desse mesmo ano de 1504 que se deu em Cananor, o primeiro encontro entre Portugueses e a hierarquia local. Vindos de Ormuz, eram aí chegados da Mesopotâmia quatro prelados, Mar Yabalah, Mar Tomé, Mar Jacob e Mar Denha; esperando, provavelmente, que passasse a força da monção para prosseguirem a jornada, detiveram-se junto da vintena de portugueses que aí tomava contra da feitoria DelRei dois meses e meio.

Curiosamente, não [se conhece] nas fontes portuguesas qualquer menção deste encontro, do qual subsistem dois relatos em siríaco; a Carta, que especialmente nos ocupa aqui, e uma breve notícia consignada por Mar Jacob no cílofon de um pequeno calendário litúrgico que copiou durante sua estadia em Cananor.

Eis as circunstâncias em que surgiu o texto que a seguir traduziremos e estudamos.

As relações amistosas entre Portugueses e a hierarquia da Igreja sírio-malabar então encetadas haviam de durar meio século, apenas toldadas de quando em vez por questiúnculas litúrgicas (...). Será preciso esperar pela segunda metade do séc. XVI, pela morte de Mar Jacob, (...) pela criação de uma hierarquia latina na Índia, (...); só então iniciará o Padroado Português uma espécie de guerrilha eclesiástica para fagocitar a velha cristandade de S. Tomé [opinião muito pessoal do autor], o que alcançará em 1599, no Sínodo de Diamper." (A Carta Que Mandaram Os Padres da Índia, da China e da Magna China - Um Relato Siríaco da Chegada dos Portugueses ao Malabar e Seu Primeiro Encontro com a Hierarquia Cristã Local. Luís Filipe F. R. Tomaz. Coimbra, 1991)

03/07/15

CANONIZAÇÃO DE ISABEL A CATÓLICA!

Isabel, La Católica

(texto experimental)


Caros leitores,

Isabel de Castela, mais conhecida por Isabel a Católica (título de Católicos atribuído pela Santa Igreja à Coroa castelhana, à perpetuidade), desde o tempo em que reinou, tem tido grupos promotores; a saber:

- O primeiro grupo é principalmente constituído por nobres rebelados contra o rei Henrique IV de Castela, os quais tentaram levar ao trono Isabel de Castela (da forma mais legítima que lhes fosse possível - eis uma preocupação que se deve à irregularidade da sucessão de Isabel ao trono);
- Os restantes grupos, adeptos da "hispanidad", que começaram a formar-se desde o séc. XIX por necessidade de defesa interna de Espanha  (durante e depois da conquista liberal). A criação de uma resistência interna requeriu o esforços de convergência interna (para este efeito era necessário um projecto e modelo de identidade comum, apresentável e simples, digno e que inspirasse. A palavra hispanidad nasce antes da definição do conceito (foi dado para substituição do "dia da raça"). Alguns intelectuais reuniram e interpretaram aquilo que poderíamos chamar de elementos históricos-simbólicos, produziram obras em torno deste conceito; todos os esforço foram feitos na busca dos fundamentos para aquilo que se tinha  como "essência de Espanha". Novos intelectuais surgiram já na linha desta "militância", ou aderiram a ela pela aceitação do seu legado. Como ocorrida a maior parte dos maiores feitos da Espanha em tempo de Isabel a Católica, e como a militância vive em torno do processo de exaltação nacional, nada mais esperado que a gradual "dogmatização" do corpo teórico-sibólico, o qual clama pela canonização da "cara" dos mesmos feitos: Isabel a Católica. Têm sido muitas as tentativas para retomar a beatificação de Isabel, tema que anda impresso em muitas e muitas páginas, difundido em muitas horas em palestras, e espelhado num sem fim de outros esforços.

Em tempos de Isabel a Caótica os acontecimentos de grande destaque estão dentro do que é da providência divina, obviamente! O Papa da época era Alexandre VI, espanhol, tratou das principais disputas relativas às descobertas por mar (e sempre favorável a Castela e Aragão), e atribuiu à Coroa de Castela o título de Católicos, que significa "universais". A documentação dos feitos deste período, depois de selecionada, tem sido o alicerce daquela interpretação simbolica-histórica promovida pelos adeptos da hispanidad, os quais chegam a afirmar que Espanha "é a filha predileta da Igreja".

Isabel a Católica é a cara desses feitos espanhóis, por estar à frente do Reino.

Com uma elevação de Isabel a Católica aos altares os militantes esperam consequentemente uma a "oficialização" da sua interpretação historico-simbólica (ou seja, a confirmação do conceito de "hispanidad" com a sua versão histórico-simbólica, tornar heróis aqueles antigos nobres da  facção, tornar inquestionável a legitimidade da subida de Isabel a Católica ao Trono de Castela, retirar algum peso na má fama do Papa Alexandre VI, e entre tantas outras coisas assegurar como definitivo título de descobridores e evangelizadores da América etc.).

A Santa Igreja tinha já feito Venerável a Isabel a Católica. No entanto o processo de Beatificação foi-lhe encerrado, e nunca mais se voltou ao assunto (como deve ser). Séculos passaram, e eis que os adeptos militantes da "hispanidad" tentam agora abrir novo processo montados em dois argumentos: que o título de Venerável já é confirmação de "virtudes heroicas" (nem todos usam este debilíssimo argumento), e que a Santa Igreja tinha já permitido certo culto não privado a Isabel a Católica, o qual se tem mantido, e que isto dá passo à reabertura do processo. Só alguma matéria credível em contra de Isabel a Católica poderia frustrar as mais acalentadas expectativas.

O desgaste muito tem feito e desfeito, tanto é o empenho dos adeptos da "hispanidad" por elevar a "Espanha" (conceito que usam com contradição, porque o usam conforme as conveniências de momento). Elevando a Espanha, se elevam a si mesmos. Têm uma visão histórica engrandecedora da Espanha, no passado, no presente, e até no futuro. Estas certezas futuras sobre uma missão histórica da Espanha também no futuro, tem reunido os esforços para eliminar todos os elementos que criem dificuldades, ou sejam alternativa à ideia de "Espanha redentora" (que sob si levará os povos à restauração do Cristianismo).

Já muito escreveram, debateram, gastaram capital, sofreram e fizeram sofrer para colocar Isabel a Católica num pedestal que nunca a Igreja lhe atribuiu até agora. Por isso, nenhum de nós acharia justo calar alguma prova a respeito de Isabel la Católica, tanto para a sua beatificação como para a secessão completa e definitiva destas tentativas.

(incompleto)

06/03/15

ENTREVISTA A CASTELA (I)

alegoricamente: o Rei vai nú
O blogue ASCENDENS deslocou-se a Castela para lhe fazer uma entrevista, e dar assim a conhecer aos leitores quem é quem.

ASCENDENS - Boa tarde Senhora Dona Castela.
CASTELA - "La Católica". Boa tarde.
A. - As minhas desculpas, Dona Castela La Católica. Há algumas repostas que os leitores de língua portuguesa gostariam de conhecer. Ao entrarmos nestas terras duvidámos se tínhamos vindo a Espanha, ou a Castela. O que é Espanha!?
C. - Espanha é tudo o que eu vejo.
A. - Não será exagero!?
C. - Há partes do mundo que não são Espanha, mas Deus nos abençoou, deu-nos as parte vantajosas do planeta.
A. - Mas Portugal tem um território muito bom, a todos os níveis!
C. - Pois... então é de Espanha!
A. - Mas, logo com o primeiro Rei do Reino de Portugal houve reconhecimento da Santa Sé por Bula papal dada para esse efeito! Logo, Portugal foi reconhecido desde então como Reino, cujo Rei e Senhor era D. Afonso Henriques! Portanto ... Portugal não é vosso!
C. - Uhmm... Então Portugal não é bom território, tem muitos ladrões e rebeldes às nossas leis, os portugueses são meio judeus! Viva España!
A. - Vamos ver se entendi: o que é bom é vosso, o que é bom mas não pode ser vosso, é mau...
C. - É que Deus nos elegeu sobre todas os outros Reinos. Quando Nosso Senhor morreu, morreu com a cabeça virada para Espanha! Viva España!
A. - Bem ... mas para que a Santa Cabeça tivesse ficado voltada apenas para Espanha, Nosso Senhor teria ido morrer ao sul do Egpito (algo assim), segundo nos mostram os bons mapas do séc. XXI!
C. - É que somos um Povo muito abençoado, temos uma essência que o mostra; Deus nos criou assim!
A. - E essa essência é assim tão evidente que a possamos ver, ou é uma interpretação vossa feita no séc. XIX, e acalorada na primeira metade do séc. XX?
C. - Se refere à "Hispanidad"!?
A. - Sim... mas esta questão é melhor lá mais adiante, talvez. Evidentemente que os Reinos católicos têm uma essência, mas onde estão para vós as evidências da essência de Castela, ou Espanha, ou .... sei lá...!?
C. - A Espanha é missionária, é LA CATÓLICA, ou seja, ela foi criada para representar a unidade de todos os povos católicos debaixo de um grande chefe espanhol. Ela é a que congrega e converte. A prova disso é que ela descobriu a América e foi a primeira evangelizadora dos descobrimentos.
A. - Quem deu o título de Los Católicos à coroa castelhana?
C. - Foi o Papa Alexandre VI...
A. - Espanhol!?
C. - Sim...
A. - Conhecido como o Papa mais corrupto da história, e que tinha realmente mulher e filhos a viverem tranquilamente no Palácio Apostólico?
C. - Bem ... sim... Mas, nisso há alguns exageros.
A. - Portanto, como sustenta a Espanha que o título dado é realmente coisa de Deus!? Não é isto sinal de Deus que mostrar que isso que é atribuído à Espanha é mais uma tendência vossa ao auto-favorecimento?
C. - O que prova que isso não é assim é que o título foi dado na ocasião da Digníssima e Santíssima Isabel de Castela, conhecida justamente por Isabel a Católica. Eis a prova, eis o sinal de Deus!
A. - Santíssima!? Então quem a canonizou!? A Igreja!?
C. - ... os espanhóis. A Igreja não a canonizou ainda porque o demónio não permite, temos muitos inimigos que invejam a nossa grandeza. A culpa é dos judeus, porque revoltados com a justa expulsão do nosso território, agora tentam todo o mal contra nós.
A. - E o vosso clero tem essa mesma versão dos factos!?
C. - Sim, claro, eles ensinam isto na formação aos sacerdotes, evidentemente de forma mais refinada e complementada com argumentos teológicos e canónicos.
A. - Mas não é estranho que Isabel a Católica tenha andado 400 anos apartada de uma beatificação, enquanto grandes santos espanhóis foram canonizados e elevados a Doutores da igreja!?
C. - Vocês portugueses sois muito judaizados! É nossa missão trazer-vos para junto de nós, e assim vos salvardes e abandonardes a vossa rebeldia e vício do roubo.
A. - Por falar em roubo... Porque motivo Isabel a Católica mandou ao Capitão Pedro de Covides assaltar os nossos territórios na Mina (África) com dezenas de embarcações castelhanas e algumas genovesas?
C. - Isso não pode ser verdade!... Blasfémias, heresias... Viva España!
A. - É que este acontecimento está registado nas Crónicas reais de Portugal ....
C. - Claro... DE PORTUGAL!
A. - ... e de Castela!...
C. - Ahmm!? Heresias... Meus pais e meus avós sempre me falaram de toda a história de Espanha, e nunca ouvi dizer nada disso. Portanto ...
A. - Portanto!? Eu também já ouvi dizer que os espanhóis são do tipo "como penso, assim existe". Esta também diz a respeito dos franceses "se penso, já o estou a fazer", e sobre os portugueses diz: "se penso.... uhmm interessante.. se penso... tenho que ir ver melhor como é que isso é, e como é que isso não é...!". Mas sim... as nossas, e as vossas crónicas, relatam esse facto, e as vossas ainda dão a desculpa de que o saque era apenas um amigável comércio com os NATIVOS dos nossos territórios, e queixam-se de que fomos tão malvados na nossa defesa que cortámos as mãos a alguns dos castelhanos, e os mandámos depois aos Reis de Castela. Isabel a Católica, não foi por vontade de Deus que mandou assaltar Portugal às escondidas, entrando em águas e território português protegidas por bulas papais...
C. - Cortar as mãos a castelhanos!? Isso é crueldade para punir o roubo!
A. - Como não foi o primeiro caso, embora tivesse sido o maior... Certamente Isabel a Católica pareceria menos cruel quando deu abrigo ao Conde de Penamacor que, depois deste atentar contra a vida do Rei D. João II de Portugal, fugiu para a Côrte da prima Isabel La Católica; e quando este Conde andou viajado pela Inglaterra, e disso foram informados os portugueses, o Rei D. João II escreveu ao Rei de Inglaterra para que mandasse prender o Conde por crime de lesa majestade. Lá foi o Conde de Penamacor encarcerado na Torre de Londres, até que, depois de meses, Isabel a Católica mandou ao Rei de Inglaterra uma pequena embaixada para pagar o resgate do Conde, o qual foi levado para Castela e colocado em liberdade. Muita generosidade...!
C. - Isso não é possível!
A. - Porque julga não ser!?
C. - Porque Roma deu o Título de Los Católicos a esses mesmos reis.
A. - Pois mas tinha dito "O que prova que isso não é assim é que o título foi dado na ocasião da Digníssima e Santíssima Isabel de Castela, conhecida justamente por Isabel a Católica. Eis a prova, eis o sinal de Deus!" .

(a continuar)

15/06/14

CRISTANDADE DEPOIS DE ISABEL DE CASTELA !?

Demovam-se do equívoco aqueles militantes da "hispanidad" que difundem a ideia segundo a qual: depois de D. Isabel de Castela não há mais "cristandade".

"Cristandade" é uma palavra que continuou a ser aplicado depois do séc. XVI, aplicada a situações contemporâneas. Contudo, segundo consta, o conceito de "cristandade" no séc. XIX começa a ser deslocado. É neste século dominado pelas ideias liberais que surge o movimento restaurador da "hispanidad" em salvaguarda da identidade de Espanha (necessariamente católica), contudo o efeito do liberalismo numa Espanha já ocupada não permitiu guardar cada um dos conceitos menos fundamentais para o catolicismo: eis que o conceito de "cristandade" sofreu ligeiro deslocamento! Hoje será muito difícil devolver aos militantes da "hispanidad" a originalidade do conceito "cristiandad", visto que já rios de tinta gastaram para desenhar castelos sobre tão movediço solo. Eis o peso das instituições, eis o peso das manifestações conjuntas, eis o peso das obras publicadas e das famas feitas, coisa que nós, graças a Deus, cá na minha Pátria não teremos nunca de desmoronar para retirar a poeira à verdade arrecadada!

Encontramos "cristandade" e "cristandades" em tantos livros e documentos antes e depois do séc. XVI, todos eles aprovadíssimos pelas autoridades eclesiásticas ou régias, que admira. Assim pergunto-me, se os redactores da "hispanidad" militante estiveram sempre tão longe destes livros!

Trago apenas um exemplo, porque é o mais resumido e paradigmático que conheço: a Historia de La Entrada de La Christiandad en El Japon, y China, y en otras partes de las Indias Orientales: y de los hechos y admirable vida del Apostolico varon de Dios Padre Francisco Xavier de la Compañia de Jesus, y uno de sues primeros Fundadores (Valladolid, 1603) do Padre Horácio Turselino. Veja-se:


Pode dizer o leitor "o livro escreve sobre o que se tinha passado 50 anos antes". Sim, mas a cristandade, ou melhor, as mesmas "crintandades" a que o livro se refere continuaram a existir, e até com mais visibilidade ao tempo em que o livro foi escrito, e depois. Tal como em outros livros do género, e relativos à Índia portuguesa, dizem "cristandades" para apontar as diversas sociedades cristãs nascentes, e o seu desenvolvimento.

Como a Espanha não foi a última resistente ao poderio liberal (liberalismo que gradualmente tomou conta dos Tronos católicos, e foi tomando os Altares), os desenhadores da "hipanidad" retrocederam na história e transferiram a Espanha para as Américas, e nasce assim todo um conjunto de argumentações fantásticas que os leva ao momento dos "descobrimentos" de Colon e à "canonização" da Rainha Isabel de Castela. E de tal maneiras isto lhes agrada que não olham à fragilidade desta construção pueril! Portanto, já que a argumentação não a sujeitam à realidade, têm-se servido da propaganda, da repetição exaustiva, da acusação e calúnia aos outros povos cristãos de grandes feitos, e de todas as meras formas humanas que desde crianças conhecemos!

Há cristandade depois de D. Isabel de Castela!? Claro que sim, claro que houve cristandades várias, e provavelmente o maior exemplo é a criação da Santa Igreja Patriarcal de Lisboa, que foi extinta por exigência de Príncipe D. Pedro (irmão do Rei D. Miguel I de Portugal). Este Patriarcado, unificou todo o território espiritual cristão-luso, revelando-se o maior entre todos os Patriarcados, e o único que foi instituído pela Santa Igreja depois de tão distante ficar a fundação das primeiras comunidades cristãs. Esta unidade espiritual, cristã, e sob uma mesma coroa, é a mesma que os adeptos da hispanidad almejam mas que nunca tiveram. Lamento dizer...

Mas sim, não em todos os Reinos ao mesmo tempo, as cristandades existiram depois do séc. XVI até ao séc. XIX (com a queda do último Reino católico: monarquia tradicional).

02/04/14

O ASSALTO CASTELHANO À MINA, e outras coisas mais.

CAPÍTULO CIII
No qual sumariamente se trata das pazes, que se fizeram entre Castela, e Portugal, e do que depois de serem feitas se trata nestes Reinos até ao falecimento de ElRei D. Afonso.

D. João II
"Em nenhuma das Crónicas que li, nem em quantas memórias juntei para coligir esta, se acha que o Papa Sisto [IV], que então presidia na Igreja de Roma, mandasse Núncios, nem Legados, nem outros mensageiros a ElRei D. Afonso, nem a ElRei D. Fernando, para darem algum remédio a tantos males, mortes, e roubos, quantos de um Reino ao outro se cada dia faziam, o que na verdade se não deve crer, nem é de cuidar que tamanho negócio passasse por descuido a um tal Pontífice, e ao Colégio dos Cardeais, e se assim foi, seria por oculto mistério Divino: mas Deus que por sua suma bondade após os castigos que nos dá, manda o remédio dele, não se quis de todo esquecer das suas ovelhas, e no tempo em que as coisas estavam mais turvadas, e em que quase de novo se começavam a revolver tratos, e inteligências entre ElRei D. Afonso, e alguns Senhores de Castela, contra ElRei D. Fernando, do que se a guerra houvera de atear com maior chama de fogo, neste tempo houve por seu serviço, por meio, e exortação de pessoas virtuosas, e principalmente da Infanta D. Beatriz tia da Rainha D. Isabel, mandar a santa paz, dom que ele só pode dar, a qual foi assentada, e concluída no lugar das Alcáçovas, mandando-se logo apregoar por todos os lugares, Vilas, e Cidades de ambos os reinos, nas capitulações das quais se trataram casamentos do Infante D. Afonso filho do Príncipe D. João, com a Infanta D. Isabel filha mais velha de ElRei D. Fernando, e da Rainha D. Isabel, que depois sendo eles em idade, foram celebrados, e consumados na Cidade de Évora, e porque o Cronista que fez a Crónica de ElRei D. Afonso escreve assaz por extenso os concertos destas pazes, e casamentos, me pareceu escusado de referir aqui mais deles, que a triste mudança da Rainha D. Joana, de seu Real, estado a Freira Professa do Mosteiro de Santa Clara de Coimbra, vida que ela tomou com tanta paciência, quanto foi o desgosto que ElRei D. Afonso seu esposo teve de lhe ver forçadamente fazer tamanha mudança, da qual o autor foi o Príncipe D. João, pelo que se pôde crer que lhe pôs Deus termo à vida com tanta tristeza, quanta teve por carecer à hora de sua morte de filho legítimo herdeiro destes Reinos, por cujo respeito ordenou esta profissão, constrangendo ElRei D. Afonso a consentir em coisa, de que manifestamente se conheceu lhe antecipar a paixão que disso tomou os limites da vida. Esta profissão da Rainha D. Joana se fez em Novembro do ano do Senhor de 1480 no qual tempo a maior parte do Reino era tocada de peste, com tudo depois que o Príncipe D. João reinou lhe permitiu que viesse fora da Religião, e teve nestes Reinos, até que morreu, casa, e Estado de Rainha. Neste ano mandaram ElRei D. Afonso, e o Príncipe, Jorge Correia Comendador do Pinheiro, e Mem Palha, bons, e esforçados Cavaleiros correr a costa da Guiné, cada um em sua Capitania, os quais juntos na paragem da Mina desbarataram trinta e cinco naus, e navios de Castela, de que era Capitão Pedro de Covides, que do tempo da guerra lá andava refregado por mandado de ElRei D. Fernando, e da Rainha D. Isabel, e trouxeram todas estas naus, e gente a este Reino com muito ouro, que já tinham resgatado, mas por respeito das capitulações das pazes foram logo soltos, e as naus, e navios entregues, da maior parte do qual ouro fez o Príncipe mercê aos Embaixadores de Castela, e a outros Senhores, que então andavam na Côrte. No mesmo ano mandou ElRei D. Afonso o Bispo de Évora D. Garcia de Menezes socorrer a Cidade de Hotrento, que os Turcos então tomaram, situada na Província da Apulha, mas pela grande detença que fez em Roma, e todos os portos da Itália, não chegou a esta Cidade, porque no caminho lhe deram recado certo que D. Afonso Duque de Calábria, filho de ElRei D. Fernando de Nápoles, a tinha cobrada por partido que fez com os Turcos,  pelo que se tornou ao Reino, sem fazer coisa digna de memória, nem que de contar seja." (Chroninca do Príncipe D. Joam, Rei que foi destes Regnos segundo do nome, etc.. Damião de Goes, Lisboa Ocidental, M.DCC.XXIV)

19/04/13

RASCUNHOS ASCENDENS (VI)

RASCUNHO XIX

PORTUGAL E CASTELA - A VERDADE DO TRATADO DE ALCÁÇOVAS-TOLEDO

Ouvi dizer que hoje comemora-se o aniversário do Tratado de Alcáçovas-Toledo. Contudo, este tratado data de 4 de Setembro de 1479 (Alcáçovas, Portugal) e foi rectificado a 6 de Março de 1480 (Toledo, Castela). Assim é...

D. Joana de Castela, a Excelente Senhora
Portugal protegeu a amizade com Castela e à legítima herdeira do seu trono, D. Joana (filha do Rei D. Henrique IV), contra a princesa D. Isabel que governava com o apoio da nobreza rebelde (que já antes antes tinha "coroado" seu irmão, Afonso de Ávila, reinando ainda D. Henrique IV legítimo Rei de Castela). Afonso de Ávila morreu imberbe deixando a nobreza rebelde sem "rei". Ao lado de Afonso permanecera Isabel que os rebeldes quiseram depois "coroar" como rainha de Castela, intento que esta princesa aceitou logo que falecido D. Henrique IV, rompe assim o juramento que tinha feito à legítima sucessora de D. Henrique, D. Joana, (que o escárnio dos rebeldes cognominou de "a beltraneja"). D. Joana tinha sido jurada como sucessora legítima, juramento feito pela nobreza castelhana (incluindo Isabel). A nobreza fiel ao Rei D. Henrique IV de Castela dividiu-se depois em lutas, uns pela legítima sucessora D. Joana, e outros pela princesa Isabel que já tinha o caminho preparado pela facção rebelde (estes rebeldes, ao vencerem, trataram de assentar na história que os fieis ao Rei legítimo fossem conhecidos por "rebeldes", fenómeno muito repetido na história, como vieram a ser o golpe liberal e o republicano em Portugal).

D. Afonso V de Portugal, o Africano.
Os nobres fieis de Castela, aliançaram-se com Portugal (D. Afonso V) contra os apoiantes de D. Isabel.

Sentada no trono, D. Isabel assaltou os territórios portugueses em África, várias vezes, por ouro e outras riquezas. A defesa do território português em África era um pesado fardo para os portugueses. Vários Papas tinham emitido Bulas para proteger esses territórios, e respectiva costa marítima, fazendo assim justiça ao Reino de Portugal. Estes territórios ficavam a sul de Canárias, ilhas usadas pelos portugueses antes da sua "descoberta". Portanto, quando Castela reclamou a descoberta de Canárias os portugueses já usavam tais ilhas há bastante tempo, tendo nelas feito algumas instalações de auxílio à navegação. Na verdade, Canárias era um ponto já conhecido dos navegadores do Atlântico ao longo de muito séculos, faziam parte da tradição marítima atlântica. Os povos que não tinham tradição de navegação no Atlântico ignoravam bastante o Atlântico e, portanto, ignoravam a existência das já conhecidas Canárias. Foi assim que Castela julgou-se descobridora de novidade, e foi assim que em Roma o Papa também não teve conhecimento impeditivo para não aceitar ou suspeitar da "descoberta". Quando correu a notícia da nova "descoberta", D. Afonso IV de Portugal escreve assim ao Papa Clemente VI:
"Afonso Rei de Portugal e do Algarve com devida reverência.... Como resposta à vossa carta com a devida reverência respondemos que os primeiros descobridores [entenda-se "descobridores católicos"] daquelas ilhas foram habitantes do nosso Reino. Verdadeiramente esperávamos que as quais ilhas existiam para nós... Mandámos nossas gentes e navios àquele lugar para examinar a condição dessas terras os quais ao chegarem a essas ilhas capturaram homens e animais à força..."
As Canárias tinham habitantes não cristãos quando os portugueses começaram a usá-las (antes do "descobrimento" castelhano). Contudo, o acto já estava consumado, o Papa tinha acedido à reclamação de "descobrimento" levado a cabo por Luís de La Cerda. Portugal tinha adiado assim a colonização por estar envolto em guerra com Castela e contra os muçulmanos em Marrocos. Em 1436, para remediar o acidente, o Papa dá a Portugal os direitos de conquista e governação de qualquer ilha das Canárias que ainda não estivesse habitada por cristãos, contudo Isabel de Castela não respeitou as ordens papais.

As guerras marítimas em torno das Canárias, entre Portugal e Castela, foram então inevitáveis. Se as Bulas papais não demoviam os castelhanos nem a vontade da sua rainha, nem a legítima ocupação de ilhas nas Canárias pelos Portugueses ao abrigo de tais bulas, como seria possível continuar a missão portuguesa dos descobrimentos tendo constantemente pelo caminho aquela rebeldia castelhana?

D. João II
Para Portugal, a importância das Canárias era fundamentalmente geográfica. Mas dar passo ao projecto da Índia tendo atrás os castelhanos não respeitadores de mares, nem de territórios, nem de Coroas, nem de Papas? Valeria a pena ou seria possível? Como afastar os Castelhanos!?...

D. João II de Portugal tinha uma orientação diferente de seu pai, D. Afonso IV, que tinha levado a peito o fazer justiça na questão da legitimidade de D. Joana como verdadeira herdeira de Castela. D. João II via tal causa como desgastante e perdida, preferindo livrar-se do acumulado de problemas num golpe só: o Tratado de Alcáçovas.

À Princesa Isabel de Castela, rainha dos rebeldes, Portugal propôs no mundo uma linha divisória HORIZONTAL separando  os territórios a conquistar (o Sul para Portugal e o Norte para Castela, com excepção das ilhas que Portugal já tinha descoberto e conquistado - Madeira e Açores). Em troca Castela ficaria com as Ilhas Canárias. Por consequência necessária e óbvia a aceitação do acordo coloca automaticamente a Princesa Isabel com estatuto de Rainha de Castela por parte de um Reino católico: Portugal. Com o tratado faz-se também uma aliança matrimonial significativa: a filha maior de Isabel é dada em casamento ao herdeiro do trono de Portugal.


Portugal não só tinha conhecimento das Canárias antes de La Cerda:  La Cerda entrou nas Canárias no momento em que Portugal estava a organizar a colonização destas ilhas, e o Rei D. Afonso IV tinha mandado fazer os preparativos. Pois claro, os historiadores falam de "fuga de informação", a qual serviu de muito grande lição para aos portugueses, como veremos. O secretismo de navegação tornou-se de tal forma vital à sobrevivência portuguesa que se deu início a um período de criação de mapas falsos, pena de morte para os infractores dos segredos de navegação, viagens fingidas com rótas de despiste, a queima das próprias embarcações, etc... etc... Tudo para evitar que a cobiça castelhana pudesse repetir desonestas e mais graves proezas que aquelas que já tinha cometido em poucas décadas.

Esta é a história pela qual se introduziu no mundo a divisão das conquistas entre Portugal e Castela. Tudo se deve à tentativa de Portugal proteger-se da maldita cobiça de um reino vizinho usurpado por meia nobreza e que iniciou a sua tradição de navegação atlântica desta triste forma. O Tratado de Tordesilhas surge logo depois, porque Castela nem o Tratado de Alcáçovas cumpriu. Mas, desta vez, estávamos bem precavidos!

D. Joana (herdeira de Castela) permaneceu em Portugal, foi tratada como Rainha de Castela pelos Portugueses com todas as honras devidas, em palácio que a ela destinámos, mas, para dar mais proveito à dor fez os votos religiosos e fez do palácio o seu claustro. Sempre assinou como Rainha de Castela até à sua morte, sempre foi respeitada e admirada em Portugal como o cognome de "a excelente Senhora".

19/10/12

PORTUGAL FANTASTIC



Leia-se bem... com muito cuidado. Está aqui resumida uma boa parte de alguns assuntos que tratámos  a respeito dos descobrimentos, Isabel a Católica, Colon, etc... Confirmo em 95% a versão deste vídeo (as imagens menos importam).

07/10/12

ISABEL "A CATÓLICA" - ARGUMENTO DOS JUDEUS

D. Afonso Henriques
Os que se dizem "defensores da Espanha", relativamente a Isabel "a Católica" por vezes usam um argumento totalitário no que respeita à fundação legítima do Reino de Portugal. Dizem alguns deles, não me assegurei que o opinam todos, que o Reino de Portugal teria constituido um roubo de D. Afonso Heriques aos domínios "espanhóis", e que, por outros quaisquer motivos, tinha a Igreja acabado por ceder e legitimar tal feito. Valha-nos Deus...

Os mesmos aguerridos dizem que Isabel "a Católica" é, incontestavelmente, uma mulher santa, e que outra coisa não se poderia dizer, porque a Santa Igreja a fez Venerável...

Ora, esquecem que tão proclamada foi aquela sua Senhora como, muito antes, foi proclamado Venerável o nosso Fundador do Reino, el-Rei D. Afonso Henriques! Valha-lhes Deus...

Nestes últimos anos tenho escutado um argumento pelo qual se pretende justificar que a Santa Igreja, durante séculos, nunca tivesse elevado Isabel "a Católica" à dignidade dos altares. Dizem eles que tal se deveu e deve ao ódio que os judeus ganharam à expulsão na "Espanha". Curiosamente, nunca ouvi àqueles dizer que o mesmo tivesse passado com nosso D. Afonso Henriques, relativamente à Reconquista, e consequente expulsão do domínio muçulmano (nem os portugueses algum dia se serviram de tal desculpa). Contudo, são os mesmos "espanhóis" que, no séc. XVIII se interpuseram para que D. Afonso Henriques não tivesse passado de Venerável. Isto não é bonito...

É bonito notar que D. Afonso Henriques foi fundador do Reino de Portugal e que Isabel "a Católica" foi fundadora daquilo ao qual chamou de "Espanha". E se entre estes dois há séculos de separação, também é verdade que, durante todos os séculos posteriores a Isabel "a Católica" a Igreja nunca temeu ameaças judaicas (apenas agora Roma as teme,e antes nem parece terem existido). Por isto, o argumento "judaico" não serve.

Um Venerável, não é um Santo. Ao Venerável reconhecem-se virtudes heróicas, mas não o suficiente para fazê-lo modelo proponível à Igreja Militante. Podemos então achar sem erro que um Venerável, enquanto católico, cometeu erros significativos. É também aqui que há que situar as acções de Isabel "a Católica", em vez de julgá-la Santa e, com isso, tentar imacular todos os seus feitos agradáveis aos tais aguerridos adeptos.

27/09/12

ISABEL "A CATÓLICA" - PEQUENAS NOTAS

Sua Majestade Fidelíssima, El-Rei D. João V
Como é sabido, o espanhol Papa Alexandre VI deu aos Reis de Castela, e para todo o sempre, o honorífico título de "Católicos". O mesmo aconteceu em várias épocas, para com várias Coroas. À Coroa de Portugal a Igreja atribuiu, para todo o sempre, o título honorífico de "Fidelíssimos".

A respeito disto disse alguém, em registo de humor, que se pode ser católico com pouca fidelidade, mas que não se pode ser fiel com pouca catolicidade.

Ouvi dizer numa conferência regada de "espanholatria" que o título "Católicos" era já um reconhecimento da santidade de Isabel de Castela, estando ela viva. Passou-me pela cabeça que o conferencista fosse dizer também que aquele título provava que toda a corrupção do autor dele, Alexandre VI, não tinha sido afinal corrupta, que a mulher e filhos do Papa não representaram qualquer embaraço histórico, e que o conjunto de patranhas diplomáticas para servir os interesses políticos dos castelhanos foram coisas mandadas por Deus. Por pouco, mais fácil seria imaginar o conferencista chama "Deus" ao demónio.

Os espanholátricos são a única "espécie" do planeta que roubam para uma só figura aquilo que a Igreja atribuiu à Coroa. Por isso dizem "Isabel a católica" e não "Isabel, Católica". Raramente dizem o Rei "Fernando, o católico", nem dizem "Juan Carlos el católico".

Dou então o exemplo limpo de qualquer um dos outros Reinos face ao uso destes títulos, e dou o caso onde melhor me movo: Portugal. Dizemos, por exemplo, "D. João V, Sua Majestade Fidelíssima", ou "D. Maria I, Fidelíssima Rainha", ou "Sua Majestade Fidelíssima" para qualquer um dos monarcas portugueses posterior a D. João V, inclusive. Raramente se diz de D. João V "o Fidelíssimo", visto tratar-se de um título da Coroa Portuguesa e não de uma pessoa específica. Ora, se fosse como dizia o tal conferencista, teríamos em Portugal razões para mandar então beatificar D. João V que, apesar de ter dado um fantástico exemplo de Reinado Católico, colocando a Igreja na frente de tudo, não foi exemplar depois na vida privada no que respeita à fidelidade conjugal!

Dizer que os castelhanos são "Os Católicos" já não estaria mal, já que o título dado pela Igreja à Coroa é de certo modo um reconhecimento ao Reino (e o motivo pelo qual foi atribuído deve-se ao papel desempenhado por todo os do Reino). Por esta ordem de ideias, os lusitanos são "Os Fidelíssimos", outros os "Apostólicos", outros os "Cristianíssimos", e outros à espera de se recuperarem como "os Defensores da Fé"  etc... etc... Mas, como é costume, onde há igualdade, o castelhano acha a dele mais igual que a dos outros, e vai de ser alarve e ruidoso, e grita entre os irmãos "É MEU". Assim o slogan de "a Católica" tem sido.

Agora, como há espanholátricos fora da Europa, em países que julgam ser Republicanos de essência, retiram a Castela o título de "Católicos", que a Igreja deu apenas a Monarquias (Coroas), e deslocam-no para a pessoa de Isabel quem dizem ser "Mãe das Américas" (... livra!!!). Nada disso passaria de uma insignificante tolice caso a ideia não contivesse os mesmos vícios castelhanos benzidos por um tom profético e messiânico.

Caro leitor... temo começar a achar que os espanholátricos, na verdade, sejam "Los Tontos".

22/04/12

EM 1500 FOI A DESCOBERTA DO BRASIL?


Hoje comemora-se o descobrimento do Brasil. Pois comemore-se, e da melhor forma possível: dizendo a verdade.

Resumidamente, descobrimento do "Brasil" foi reclamado com a chegada de Pedro Alvares Cabral, a 22 de Abril de 1500. Mas, na verdade, o território era já conhecido dos portugueses: tinha estado perdido, depois mal achado até que mais tarde foi efectuada a localização precisa a mando de D. João II. Só depois então foi feita a viagem de Cabral e feito o que chamamos de "descobrimento do Brasil".

Se Portugal tinha tinha anterior conhecimento daqueles territórios, porque motivo não o deu logo ao conhecimento público!? Pelo motivo das Bulas papais que protegiam os nossos territórios e mares na África terem sido desrespeitadas por Castela. Se os nossos descobrimentos tinham até então sido discretos, depois dos muitos problemas com os castelhanos (sobretudo o caso de Canárias), as nossas navegações passaram ao mais alto secretismo, ao ponto da criação de falsas pistas para desviarem toda a tentativa alheia.

Enquanto os Castelhanos andaram entretidos com a sua falsa Índia, os portugueses passaram finalmente sem serem seguidos à verdadeira Índia, e puderam chegar e operar tranquilamente no Brasil também. Enquanto isso, o mundo todo sabia já da notícia da descoberta da falsa Índia por Colon. A pirataria, concentrou as energias remando à "Índia" por Ocidente. Enquanto isso os portugueses puderam viajar e operar já sem os castelhanos à espreita e pirataria por perto.

Ou seja, as nossas descobertas tornaram-se "encobertas" até que houvessem garantias contra amigos do alheio.

Com muita certeza, acho que Portugal não levou a Fé àquelas terras da América do Sul! Portugal levou sim a civilização católica-lusa. Creio ainda que, tal como o testemunharam os jesuítas, o primeiro portador da Fé às américas foi o Apóstolo S. Tomé. Mas, como sem a civilização a Fé perde suporte, Deus preparou a gente lusa para a missão posterior.

Muitos admiram-se do ouvir que no tempo dos Apóstolos alguém pudesse conhecer territórios da América. Sem fazer grandes demonstrações de que sim, recorro ao argumento singelo: atrever-se-iam os mui cultos e inteligentes jesuítas em afirmar tal, caso nesse tempo se achasse nisso uma impossibilidade? Se eles que eram cultos e experimentados, se estavam ali naquele tempo, se conheciam melhor que nós a civilização do seu tempo, quem somos nós para dizer que estes jesuítas acreditaram e transmitiram uma impossibilidade ou uma fantasia, tanto mais a respeito da evangelização Apostólica?!

Sobre estes assuntos já se disse bastante no blogue, mas não tudo, e queira Deus que mais venha a ser escrito.

Hoje comemora-se a reclamação pública da descoberta do "Brasil" com a chegada de Cabral.

01/03/12

PROBLEMAS DA DEFESA A SUA MAJESTADE CATÓLICA D. ISABEL DE CASTELA (I)

Ilustração do livro "El Español y Los Siete Pecados Capitales"
A promoção que se tem feito a "Isabel la Católica" acaba por incluir maus ataques a outros Reinos, sobretudo a Portugal, colocando-nos como maus agentes em várias e significativas ocasiões da história. Mas que haveria em aceitar tudo isso caso seja realmente verdade que tais Reinos foram desastrosos perante a impecabilidade castelhana? Ora, como a justiça não pode ser feita sem a verdade, ditos Reinos teriam de resignar-se e aceitar humildes. A verdade esteja no alto, doa a quem doer.

Durante um ano e meio fiz perguntas, muitas até, a ilustrados seguidores e "patrocinadores" de "Isabel la Católica" dentro do que têm considerado como "hispanidad". Estes, e outros que depois encontrei, imbuídos da paixão, mais que movidos por tranquila claridade, quando desatam em louvores a "La Católica Madre de La America" (e já ouvi dizer "del Mundo") chegam ao ponto de  autêntico espectáculo circense. Eu vi e ouvi, em sóbria palestra, o orador que, elevado nos vapores e calores de deliciosas exaltações, referiu-se a D. Isabel como "Santa Rainha virgem" [faltaria o "mártir"]... Depois de um engasgar e dois segundos de arrasto de sílaba (como eco desagradável do erro dito) este sacerdote repetiu como castigo de emenda "Santa Rainha... Santa Rainha...". Enfim, seria necessária outra emenda já não tanto para aqueles "saltos mortais" de bela pirueta mas sim para a realidade mais crua, pois convém primeiro que a piscina tenha água para aparar o salto.

O fundo de tal quadro é muitas vezes o nacionalismo descontrolado à prova de verdade e que tem "acarinhado" os sonhadores mais persistentes dando-lhes ninho a todo o tipo de hipérbole. Dos meus indagados mais louvável foi a atitude de uns poucos que fugiram (atitude compreensível), e muito louvável a de outros menores em quantidade e maiores em valor que, não abdicando da verdade, ganharam em confrontar certas contradições e assumir que há realmente que rever certos enunciados do "catecismo" dos actuais e acostumados adeptos da "hispanidad".

Se a hispanidad é católica, não pode ela querer que o conjunto de enunciados históricos sejam herméticos, tanto mais quando o universo de provas faça levantar suspeitas sobre alguns desses enunciados. Um absoluto hermetismo, uma "canonização" de autores, não podem ser método católico de estudar a história. Creio que a verdadeira hispanidad requer um compromisso constante com a Verdade e a verdade, e uma actitude mais humilde.

Os defensores da hispanidad estão dispostos a reconsiderar as suas conclusões caso haja factos históricos que apontem noutra direcção? Estão dispostos a bem considerar os dados históricos que não coincidem com a sua versão nacionalista?

(terá continuação)


Versión castellana:

La defensa y promoción a "Isabela la Católica" ataca a otros Reinos, principalmente a Portugal, colocando a nosotros como malos agentes de algunas señaladas ocasiones históricas. Pero, que mal hay en aceptar todo esto si estos Reinos fueran verdaderamente infelices delante de la impecabilidad castellana? Pues, como no puede haber  justicia sin verdad, esos Reinos tendrían que resignarse y aceptar humildemente. La verdad está por arriba, duela a quien doler.

Durante un año y medio indagué, bastante, a ilustres seguidores y "patrocinadores" de "Isabela la Católica" a dentro de lo que se considera como "hispanidad". Estos, y otros posteriores, imbuidos de pasión, más que movidos por calma claridad, cuando hacen alabanzas a "La Católica Madre de La América" (y asta escuché  "del Mundo") van al punto de verdadero espectáculo circenses. Yo vi y escuché, en una sobria palestra, el orador que, subido en los vapores y calores de deliciosas exaltaciones, se refirió a D. Isabela como "Santa Reina virgen" [faltaría "mártir"]... Después de dos segundos de arrastro de la última silaba (como eco desagradable del error emitido) el cura palestrante  repitió la enmienda "Santa Reina.... Santa Reina....". Bueno..., seria necesario otra enmienda no tanto por los "saltos mortales" de hermosa acrobacia pero si para la mas cruda realidad, es que convine antes todo que la pileta de natación tenga la agua para el salto.

El hondo del panorama es muchas de las veces el nacionalismo desordenado, resistente a la verdad ,  y tiene "cariñado" los soñadores más persistentes dándoles nido a todo el tipo de hipérbole. De los que indagué, mas alabable fue la actitud de unos que huyeran (actitud comprensible), y mucho mejor fue la actitud de otros, menores en cantidad pero mayores en valor, que, no abdicando de la verdad, ganaran en confrontarse con algunas contradicciones asumiendo que hay que revisar ciertos enunciados del "catecismo" de los actuales e acostumbrados adeptos de la "hispanidad".

Si la hispanidad es católica su conjunto de enunciados históricos no puede ser transformado en cosa hermética, tanto más que, mirando el universo de los datos históricos, se levantan dudas a respecto de  la veracidad de algunos de tales enunciados. Un absoluto hermetismo y la "canonización" de autores por parte del general de los aficionados de la "hispanidad", no pueden ser el método histórico de la hispanidad. Creo que la verdadera hispanidad resulta de un compromiso constante con la Verdad y verdad.

Los defensores de la hispanidad son favorables en reconsiderar sus conclusiones si los hechos históricos apuntaren en una otra dirección? Estarán dispuestos en aceptar otros datos históricos opuestos a los que asta hoy tienen consagrados?

(tendrá continuación)


08/06/11

TRATADO DE TORDESILHAS - 7 de junho de 1494

Isabel a Católica, cognominada em Portugal
como Isabel a usurpadora.
O mundo castelhanizado está acostumado a defender e propagar falsidades contra tudo o que não é Castela. Repete, mancha a honra dos vizinhos, exagera grandezas a um extremo incrível, e na hora da verdade, de colocar as cartas na mesa: foge. Quantas vezes os Castelhanos rectificaram as histórias que inventam conta os outros!?

Eis que escutei a vítimas do castelhanismo a propagação duma dessas acostumadas lendas negras. Diziam que Portugal não teria respeitado o Tratado de Tordesilhas e que, por consequência, teria ido contra Bula Papal. Isto equivale a acusar Portugal de roubo, e de desobediência ao Papa e desonra da palavra dada com o tratado.

Em primeiro lugar, relativamente ao suposto desrespeito de Portugal para com o Tratado, não há um único registo de queixa por parte de Castela ao Papa, coisa que deveria fazer supor que os castelhanos nem sabiam que a "sua" parte do território nas Américas estava a ser "roubada"! Certamente que a calúnia de roubo é então bem mais recente.

Os tratados posteriores mostram a impossibilidade prática de cumprimento do tratado de Tordesilhas na totalidade antes do séc. XVIII. Portanto os propagadores daquelas falsidades, HOJE, deveriam supor então, por boa fé, que também os portugueses não sabiam ter passado passar a linha do tratado. Mas aqueles que se gabam de ter Reis com título de "Católicos", título dado por Papa também castelhano (conhecido pela corrupção moral), devem então sentir ainda maior obrigação em conter tais acusações, pelo menos, dar o benefício da dúvida. É lamentável que se difundam tais falsidades, com a atenuante da ignorância (que não culpa a quem já assim aprendeu dos seus antepassados, e nunca a razão lhe abriu os olhos neste tema).

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