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12/02/15

EVANGELIZAÇÃO PELOS PORTUGUESES - AGIOLÓGIO LUSITANO (III)

(continuação da II parte)

Portugal na Etiópia
Para concluirmos o que nos falta da África, nos restam o Patriarcado de Etiópia, e os dois Bispados de Niceia, e Hierapoli; e para in perpetuum tirar prelados para eles, fez ElRei D. João III eleição da religião [refere-se a ordem religiosa] da Companhia, apresentando logo ao Papa Júlio III o Pe. João Nunes Barreto por Patriarca, e os padres Belchior Carneiro, e Andrade de Oviedo para Bispos, que o primeiro sucedesse naquela dignidade por morte do Patriarca, e o segundo ao companheiro na mesma contingência, os quais a Companhia aceitou com a devida submissão posto que repugnavam a seus estatutos; por constar manifestamente, que as honras, e rendas deles haviam de ser até morte excessivos trabalhos, largas peregrinações, e conhecidos perigos da vida. Contudo o Pe. João Nunes não aceitou sem consentimento de Sto. Inácio. De uma e outra coisa se edificou muito Sumo Pontífice, que logo expediu as letras com beneplácito do santo. E no mosteiro da Trindade desta cidade foram sagrados os Patriarca, e Andrade de Oviedo no ano 1555, assistindo a este solene acto o mesmo Rei, e toda a Corte, que o Pe. Carneiro foi sagrado na Índia. os frutos, que destas dignidades, e missões tirou a Companhia foram os mesmos que no princípio prometiam, e mui avantajados, pois amplificaram grandemente a glória de Cristo, e de sua Igreja naquelas dilatadas regiões, e na conversão de muitas almas, até finalmente alguns darem as vidas, como o ilustre Pe. Gonçalo da Silveira, que depois de baptizar ao Imperador da Etiópia, a Rainha sua Mãe, e 300 fidalgos de sua côrte, enganados pelos mouros, deram cruel morte, a quem com tanto zelo lhes tinha mostrado o caminho da salvação. Tem nossos dias o Pe. Apolinario de Almeida, Bispo de Niceia, conseguiu na mesma Etiópia igual aureola (pois testemunhou com o próprio sangue a verdade de nossa Fé, que prégava àquela cismática, e inconstante gente com um prolongado martírio. Porque depois de estar algumas horas no patíbulo despido, e à vergonha (trazendo ditosa companhia outros padres da própria família) antes de expirar, conspiraram contra ele os cismáticos, descarregando tremenda chuva de pedras sobre seus santos corpos, que todos ficaram debaixo sepultados. Esta breve digressão, devemos à boa memória deste bemaventurado padre, pois temos por grande felicidade haver gozado, alguns anos sua santa conversão, e familiaridade; que seus devidos louvores reservamos para o próprio dia.

(a continuar)

26/01/15

DO LIVRO DA EMBAIXADA DO PRESTE JOÃO DAS ÍNDIAS (I)

Segue uma série de transcrições do livro "Esta he hua breve relação da embaixada q o Patriarcha dom João Bermudez touxe do Emperador da Ethiopia, chamado vulgamente Preste João, ao christianissimo, e zelador da fee de Christo Rey de Portugal dom João o terceiro deste nome: dirigida ao muy alto & poderoso, de felicissima esperança, Rey também de Portugal dom Sebastião o primeiro deste nome. Em a qual também conta a morte de dom Chrsitovão da Gama: & dos sucessos que aconteceram as Portugueses que forão em sua companhia", (ano de 1565 - Lisboa, em casa de Francisco Correia, Impressor do Cardeal Infante):

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Carta do Patriarca D. João Bermudez a ElRei Nosso Senhor

Muito alto e muito poderoso Rei, vossa Alteza me disse os dias passados que folgaria de saber a verdade do que acontecera a um Capitão e gente que me ElRei vosso amo que está em glória deu para levar em socorro do Imperador da Etiópia Onadinguel chamado preste João, por desfazer os erros que algumas pessoas disto escrevem, em tanto que até o nome do dito Capitão erram, chamando-lhe D. Paulo, sendo ele D. Cristóvão seu irmão: e outros escrevem, e dizem algumas coisas que passaram na verdade, nem eles as viram. Portanto eu que tudo vi, lhe contarei brevemente o que passou nesta pequena escritura. Nosso Senhor guarde sua pessoa, acrescente sua nova idade, e prospere seu real estado. Ámen.

Foi examinada por o R. P. F. Manuel da Veiga, examinador dos livros: por o sereníssimo Cardeal Infante D. Henrique Inquisidor-geral nestes Reinos e Senhorios de Portugal.


Cap. I
Como D. João Bermudez foi Eleito Patriarca do Preste e Foi Enviado a Roma a Dar a Obediência ao Santo Padre.

Sendo Imperador nos reinos da Etiópia, a quem vulgarmente chamam do Preste João é fiel e bom Cristão chamado Onadinguel: e estando em passamento de morte um Patriarca daquela terra de nome Abunamarcosino, ano de 1535 de nossa redenção: o dito Imperador disse aquele Patriarca, que lhe rogava, que conforme ao seu costume ele antes de falecer me instituísse em seu sucessor e Patriarca daquela terra como ele até então fôra. E o dito Patriarca o fez assim, ordenando-me primeiro de todas as ordens sacras. o que eu aceitei com tal condição que havia de ser confirmado pelo Sumo Pontífice Romano sucessor de S. Pedro, ao qual todos haviam de dar a obediência. o dito Imperador me respondeu que era muito conveniente: e mais me rogava que por mim, e por ele, e todos seus reinos fosse a Roma a dar a obediência ao Santo Padre: e daí viesse a Portugal a dar conclusão a uma embaixada que tinha mandado por um homem daquela terra chamado Tegazauo, em cuja companhia veio o Padre Francicalvarez. Depois de passados pelo caminho muitos trabalhos, cheguei a Roma presidindo na Sá Apostólica o Papa Paulo III, o qual me recebeu com muita clemência e favor, e me confirmou tudo o que de lá trazia feito, a meu requerimento tornou a retificar tudo, e me mandou assentar na cátedra de Alexandria, e que me intitulasse Patriarca, e Pontífice daquela Sé.

(a continuar)

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