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04/09/15

IMITAÇÃO DE CRISTO - Thomas de Kempis (CI)

(continuação da C parte)

A IMITAÇÃO DE CRISTO

Thomas de Kempis

IV Livro
O Augustíssimo Sacramento do Altar


Cap. XV
Pedir, Esperar, Receber e Conservar a Graça

1. Cristo – Deves procurar a graça da devoção com perseverança, pedi-la com ardor, espera-la com paciência e confiança, recebê-la agradecido, conservá-la com humildade, e ter grande cuidado de obrar com ela, cometendo a Deus o tempo e o modo em que lhe agradar visitar-te.
Humilha-te, quando em ti sentires pouco ou nada de devoção, sem que entretanto, desanimes ou te entristeças excessivamente.
Muitas vezes dá a Deus, em um breve movimento, o que durante muito tempo parecia ter negado, e muitas vezes concede no fim da oração o que recusou dar no principio.

2. O homem é tão fraco nesta vida que, se alcançasse sempre a graça e, em pouco tempo, na medida do seu desejo, não poderia suportá-la. Por isso deves esperar a graça da devoção com segura confiança e humilde paciência; ou, quando não te for concedida ou te for tirada secretamente, lança a culpa em ti mesmo e nos teus pecados.
Algumas vezes é bem pequena a coisa que impede ou enfraquece a graça, se, todavia se puder chamar coisa pequena o que prova de tão grande bem. Se removeres este obstáculo, seja ele grande ou pequeno, e o venceres, certamente terás o que pedires.

3. Porque logo que te entregares a Deus de todo o teu coração, e não buscares coisa alguma por teu próprio gosto, mas de todo te puseres nas Suas mãos, tu te acharás recolhido e sossegado, pois nada te será tão grande e tão jucundo como o beneplácito da divina vontade.
Aquele, portanto, que elevar a sua intenção pura ao Senhor, e tiver a sua alma desocupada de todo o afecto desordenado às criaturas, estará em condições de receber a graça e será digno de receber o dom da devoção.
O Senhor derrama as suas bênções onde acha vasos desocupados e, à proporção que o homem renuncia às coisas terrenas, e morre mais para si, pelo desprezo de si mesmo, a graça mais prontamente e em maior abundância se lhe comunica e a sua alma se eleva a uma mais alta liberdade de coração.

4. Então, transportado de admiração, verá o que não tinha visto, estará na abundância e o seu coração se dilatará, porque o Senhor está com ele e ele mesmo se pôs inteiramente nas mãos de Deus.
Deste modo, será abençoado o homem que busca a Deus, de todo o coração, e que fecha a entrada da alma a tudo o que é inútil e ilusório.
Este discípulo fiel, quando recebe a sagrada comunhão, merece a graça singular de uma união mais íntima, com o Senhor, porque não considera tanto a sua devoção ou a sua consolação particular; é a glória de Deus que ele prefere a todo o fervor e alegria espiritual que recebe neste sacramento.

23/07/15

IMITAÇÃO DE CRISTO - Thomas de Kempis (LXXXIX)

(continuação da LXXXVIII parte)

A IMITAÇÃO DE CRISTO

Thomas de Kempis

IV Livro
O Augustíssimo Sacramento do Altar


Cap. III
A Grande Utilidade de Comungar Frequentemente

1. Alma – Senhor, eu chego à Vossa presença com o fim de participar das Vossas bênçãos e das Vossas graças e para que me encha de alegria no banquete sagrado, que tendes preparado para o pobre, na abundância da Vossa doçura. Em Vós se acha tudo o que posso ou devo desejar. Vós sois a minha salvação , a minha redenção, a minha esperança, a minha fortaleza, a minha honra, a minha glória.
Derramai, pois, hoje, a Vossa alegria na alma do Vosso sereno, porque a Vós, Ó Jesus, meu Senhor, levanto o meu espírito.
desejo de receber-Vos com devoção e respeito. Desejo que entreis na minha casa, para que mereça, como Zaqueu, a Vossa bênção e seja posto no número dos filhos de Abraão.
A minha alma suspira por alimentar-se do Vosso corpo e o meu coração deseja unir-se a Vós.
 
2. dai-Vos a mim, Senhor, e isto me basta. Fora de Vós, todas as consolações são falsas. Não posso estar sem Vós; sem Vós não posso viver. Por este motivo, convém que eu me chegue a Vós muitas vezes e Vos receba como remédio da minha salvação, para que não desfaleça no caminho por falta deste alimento celeste.
Isto mesmo nos ensinastes, misericordioso Jesus, quando, pregando aos povos e curado-os das suas diferentes enfermidades, dissestes, aos Vossos discípulos: "Não quero que vão em jejum para suas casas, pois temo que desfaleçam no caminho."
Fazei, agora, o mesmo comigo, já que Vós deixastes ficar entre nós, no sacramento instituído para consolo dos que Vos seguem.
Sois o delicioso sustento da alma e quem Vos receber dignamente torna-se participante e herdeiro da glória eterna. Caindo eu em pecando tantas vezes e, por insignificantes dificuldades, lanço-me no desânimo e no relaxamento, é necessário que me renove, e purifique, e me reanime de novo, por meio de orações, confissões e comunhões frequentes, pois receio que, abstendo-me por muito tempo destes santos exercícios, venha a esfriar nos meus bons propósitos.
 
3. Todos os sentidos do homem tendem para o mal, desde os verdes anos, e o homem irá cada vez pior, se a Vossa graça o não socorrer. A Santa Comunhão, portanto, nos aparta do mal e nos fortifica no bem.
Se agora, que eu comungo, ou, se sou sacerdote, celebro, tantas vezes me sinto frouxo ou negligente, que seria se eu não tomasse um tal remédio e não recorresse a tão grande protecção? Ainda que eu, se for sacerdote, não celebre todos os dias por qualquer indisposição, deverei, pelo menos receber a Santa Comunhão, para ter parte em tão grande graça.
A principal e quase única consolação da fiel, durante a sua peregrinação neste mundo, é lembrar-se muitas vezes do seu Deus e receber, como todo o fervor, o dilecto do seu coração.
 
4. Ó bondade prodigiosa! Vós, que sois o Criador e a vida original de todos os espíritos, dignai-Vos de vir a uma pobre alma e empregar todas as riquezas da Vossa Divindade e da Vossa humanidade, para enchê-la de bens, na sua indigência! Ó feliz alma, que tens a dita de receber devota e santamente o teu senhor e teu Deus e que, recebendo-O, te enches de uma alegria espiritual! Quando é grande o Senhor que te visita! Quanto é amável o hóspede que recebes! Quanto é doce aquele que vem fazer-te companhia! Quanto é fiel o amigo que te vem ver! Quanto é belo o Esposo que vem unir-se a ti! Quanto é grande e digno de ser amado, pois que excede infinitamente tudo o que se pode amar ou desejar nesta vida!
Emudeçam, diante de Vós, dulcíssimo amado meu, o Céu e a Terra, com todos os ornatos de que os vestistes, porque tudoo que ele têm, de glória e de beleza, foi por munificiência da Vossa liberalidade, nunca chegando a igualar a formosura do nome daquele cuja sabedoria é infinita.

09/05/15

IMITAÇÃO DE CRISTO - Thomas de Kempis (LXXXII)

(continuação da LXXXI parte)

A IMITAÇÃO DE CRISTO

Thomas de Kempis

III Livro
A Fonte Das Consolações
 

Cap. LV
Da Corrupção Da Natureza E Da Eficácia Da Graça Divina

1. Alma - Meu Deus e meu Senhor, que me criastes à Vossa imagem e semelhança, dai-me essa graça, que me mostrastes ser tão poderosa e tão necessária para a salvação, a fim de que eu vença as más inclinações da minha natureza corrompida, que me arrasta para o pecado e para a perdição.
Eu sinto na minha carne a lei do pecado oposta à lei do meu espírito e que me leva cativo a dar obediência à sensualidade. Confesso que não posso resistir a tamanhas paixões, sem a assistência da Vossa graça santíssima ardentemente infundida no meu coração.

2. Eu necessito da Vossa graça poderosa para vencer a minha natureza inclinada ao mal desde os meus mais tenros anos.
Essa natureza decaída no primeiro homem e viciada pelo pecado, transmite a todos os homens a pena de um crime; de sorte que a mesma natureza, que criastes boa e recta, deve ser considerada fraca e enferma, visto que, entregue a si mesma, os seus movimentos nos arrastam para o mal e para as coisas da Terra. Na verdade, a pouca força, que lhe ficou, é como uma pequena brasa coberta de cinzas.
Essa faísca é a razão natural envolta em densas trevas, possuindo ainda o discernimento do bem e do mal e fazendo a distinção do verdadeiro e do falso. Todavia, sente-se incapaz de cumprir o que aprova, pois já não possui a plena luz da verdade nem a pureza dos seus afectos.

3. Daqui vem, meu Deus; que eu, considerado segundo o homem interior, que em mim habita, me deleito na Vossa lei, reconhecendo-a por boa e tão justa que condena todo o mal e ensina a fugir do pecado.
Mas ao mesmo tempo sirvo a lei do pecado, segundo a carne, obedecendo mais à sensualidade do que à razão, de modo que, achando eu em mim a vontade de fazer o bem, não encontro o meio de o executar. Muitas vezes me proponho fazer o bem, mas, faltando-me a graça para ajudar a minha fraqueza, deixo tudo à menor resistência que encontro e desfaleço. Resulta daí que, conhecendo o caminho da perfeição e vendo claramente o que devo fazer, mas oprimido sob o peso da minha própria corrupção, não me elevo ao que é mais perfeito.

4. Quanto, Senhor, me é necessária a Vossa graça para começar o bem, para nele prosseguir e para o aperfeiçoar!
Eu nada posso fazer sem ela; mas tudo posso em Vós, com o socorro da Vossa graça.
Ó graça verdadeiramente celeste, sem ti não há algum merecimento próprio e até os mesmos dotes da natureza não são dignos de consideração. As artes, a riqueza, a formosura, o valor, o espírito e a eloquência, nada são diante de Vós, ó meu Deus, sem a Vossa graça.
Os dotes da natureza são comuns aos bons e aos maus; porém, a graça, ou a caridade, é dom próprio dos escolhidos, e aqueles que a possuem são julgados dignos da vida eterna. A excelência desta graça é tanta que nem o dom da profecia, nem o poder de obrar milagres, nem a mais alta contemplação valem alguma coisa sem ela.
A mesma fé e esperança, e todas as outras virtudes, não são agradáveis sem a graça e a caridade.

5. Ó beatíssima graça, que do pobre espírito fazeis rico de virtudes e ao opulento converteis em humilde de coração, vinde, descei sobre mim, enchei-me das vossas consolações, para que a minha alma não desfaleça entre a fadiga e as angústias do meu espírito.
Peço-Vos, Senhor, que eu ache a graça diante dos Vossos olhos; ela só me basta, ainda que me falte tudo o que a natureza deseja.
Por mais tentado e molestado com muitas tribulações, não temerei mal algum, enquanto a Vossa graça me assistir. Ela é a minha força, o meu conselho, o meu fundamento. E mais poderosa do que todos os inimigos, mais sábia do que todos os sábios.

6. Ela é a mestra da verdade, a regra da disciplina, a luz do coração, a consolação dos males, o inimigo da tristeza, a dissipadora do temor, o sustento da devoção e a mãe das santas lágrimas.
Que sou eu, sem ela, senão lenha seca, tronco inútil, próprio para ser lançado no fogo?
Preveni-me, pois, Senhor, da Vossa graça, e fazei que ela me acompanhe sempre e me conserve continuamente na prática das boas obras, por Vosso Filho Jesus Cristo.  

07/03/15

IMITAÇÃO DE CRISTO - Thomas de Kempis (LXII)

(continuação da LXI parte)

A IMITAÇÃO DE CRISTO
Thomas de Kempis

III Livro
A Fonte Das Consolações

Cap. XXX 
Como Pedir o Socorro Divino e a Confiança de Recuperar a Graça 

1. Cristo - Filho, eu sou o Senhor que conforta as almas no dia da atribulação. Vem a mim quando te achares aflito. O que mais te impede de receberes as consolações celestes é o recorreres tarde à oração. Antes que ores deveras, procuras consolar-te recreando-te com divertimentos externos. Daqui vem que tudo te aproveita pouco, até que reconheças, por experiência, que eu sou quem livra dos perigos os que esperam de mim, e que fora de mim não há auxílio poderoso, nem conselho útil, nem remédio durável. Mas, recuperando um bom espírito, depois de aplacada a tempestade, reforça-te com a luz da minha misericórdia, entendendo que estou perto de ti para te estabelecer na tua primeira paz e para te encher de novas e abundantes graças.

2. Há porventura alguma coisa que me seja dificultosa? Acaso sou semelhante aos que prometem assistir e não assistem? Tem firmeza e perseverança. Sê homem de grande ânimo e valor, e a consolação te virá a tempo. Espera, espera um pouco, e eu virei curar-te.
O que te aflige é uma tentação que passará; o que te atemoriza é um vão horror. Que ganhas, atormentando o espírito sobre futuros incertos, senão acrescentar tristezas sobre tristezas?
A cada dia basta o seu mal. É pensamento vão e inútil ir buscar no futuro motivos de tristeza ou de alegria, que talvez nem aconteçam.

3. Mas é um efeito da fragilidade humana deixar-se possuir dessas falsas imaginações e é sinal de fraqueza deixar-se o homem enganar tão facilmente pelas persuasões de seu inimigo.
O demónio não se embaraça, se os pensamentos que propõe à alma são ou não verdadeiros, contanto que eles sirvam para enganá-la. Para ele é indiferente enchê-las de um vão amor das coisas presentes, ou de uma vã apreensão das futuras. O que pretende é arruiná-la por um desses caminhos.
Que o teu coração não se perturbe nem tema. Crê em mim e confia na minha misericórdia.
Quando te julgas distante de mim, é quando, muitas vezes, estou mais perto de ti. Quando te parece que a tua perda é inevitável, então, muitas vezes, é tempo de adquirires mais merecimentos.
Não imagines que tudo está perdido quando te ocorrem aflições e males.
Não deves julgar o teu estado pela inquietação presente em que te achas, nem entregar-te, de modo algum, à aflição, de qualquer parte que ela venha, pondo-te em desespero.

4. Não te julgues inteiramente destituído do meu socorro, quando te aflijo por algum tempo, ou te privo da doçura das minhas consolações.
Para entrar no reino do Céu, é necessário passar por este caminho.
É sem dúvida mais útil a ti e a todos os que me servem ser exercitados na adversidade do que suceder-lhes tudo segundo os seus desejos.
Eu conheço a fundo os teus mais ocultos pensamentos e sei que muito convém à tua salvação que algumas vezes não sintas o gosto da minha graça.
Se tudo achasses fácil e sempre te sucedesse bem, era para temer que te enchesses de soberba e presumisses de ti o que não és na realidade.
Eu posso tirar o que dei e tornar a dá-lo quando quiser.

5. Tudo o que dou é meu, e é meu quando tiro a quem o tenho dado; porque de mim é que vem toda a dádiva excelente e todo o dom perfeito.
Se permito que te suceda algum mal ou alguma adversidade, não te entristeças nem percas o ânimo, porque posso aliviar-te depressa e mudar em alegria tudo o que te aflige.
Portando-me deste modo contigo, sou justo e mereço que me louvem todos os homens.

6.
Se julgas das coisas solidamente e as vês à luz da minha verdade, nunca deves entristecer-te ou desanimar-te com os trabalhos, mas antes alegrar-te e dar-me acção de graças.
A tua única alegria deveria estar em que eu te enviasse dores e te afligisse sem reservas. Eu disse aos meus amados discípulos: "Eu vos amo do mesmo modo que o Pai me amou." Entretanto, não os mandei gozar as delícias temporais, mas sustentar grandes combates, não usufruir as honras do mundo, mas sofrer os seus últimos desprezos; não viver na ociosidade, mas trabalhar de contínuo e oferecer-me a conversão do mundo como avultado fruto da sua caridade e da sua paciência.
Grava, filho meu, estas palavras no teu espírito e no teu coração.

19/12/14

IMITAÇÃO DE CRISTO - Thomas de Kempis (XLIV)

(continuação da XLIII parte)

A IMITAÇÃO DE CRISTO
Thomas de Kempis

III Livro
A Fonte Das Consolações

Cap.VII
Ocultar a Graça Debaixo da Humildade

1. Cristo - Filho, é muito útil e seguro para ti ocultares a graça não te desvanecendo de a ter, nem falando muito dela, nem presumindo de ti porque a possuis.
O melhor é desprezares a ti mesmo, considerando a graça recebida como dada a uma pessoa que a não merece.
Não deves fiar-te muito na presente disposição do teu espírito, pois facilmente podes mudar-te em disposição contrária.
No tempo em (que) possuis a graça, considera a grande pobreza e miséria em que ficas se ela se retira da tua alma.
A perfeição da vida espiritual não consiste somente em teres a graça da consolação, mas em sofreres com humildade, paciência e abnegação, que ela te seja retirada; em não deixares de orar, nem de fazeres os exercícios do costume, antes executá-los do melhor modo que puderes e entenderes; e em não te descuidares de ti por causa da secura e das inquietações que sentes no teu interior.

2. Muitos se deixam levar da impaciência e da preguiça, logo que as coisas não correm a seu jeito. Mas o caminho do homem não depende sempre do homem. A Deus pertence dar a graça e o gosto dela a quem lhe parece, do modo que lhe parece e seguindo a medida que lhe parece.
Algumas pessoas imprudentes se arruinaram por um calor de devoção que as levou a empreender mais do que podiam, sem se advertirem de que os seus projectos eram improporcionados à sua fraqueza. Consultaram mais o zelo do seu espírito do que a luz da sua razão.
Tendo a presunção de aspirar a coisas de que não eram capazes diante de Deus, perderam a graça que tinham recebido. Caíram repentinamente na pobreza e no abatimento, no momento em que, como águias, queriam pôr o seu ninho no Céu.
Humilhados e abatidos, aprenderam que não podem voar até mim com suas próprias asas, mas que devem esperar, acolhendo-se à minha protecção.
Os que ainda são novos e inexperientes no caminho de Deus e não têm Dele os devidos conhecimentos, facilmente se perderão, não se deixando aconselhar por aqueles que têm a luz da prudência por serem experimentados.

3. Se tais principiantes preferirem seguir os seus próprios pareceres, dispensando os das pessoas às quais o tempo facultou o conhecimento das realidades, correm eles grande perigo, a menos que Deus os socorra com a graça de renunciarem o aferro aos seus próprios sentimentos.
Aqueles que se presumem de sábios raramente se deixam conduzir por outros. É melhor ser humilde com pouca ciência do que ser muito sábio com desvanecimento de si mesmo.
Um menor dom é muito melhor do que um grande, quando este serve de ensoberbecedor a quem o possui.
Não procede discretamente quem se entrega de todo à alegria, esquecendo-se  de sua anterior miséria e do puro temor de Deus, que sempre receia perder a graça recebida.
É também falta de virtude perturbar-se e desfalecer nos sucessos tristes e penosos e não ter, então, firme confiança no meu patrocínio e na minha bondade.

4. Aquele que se considera muito seguro na paz, achar-se-à na guerra tímido e covarde.
Se soubesses viver sempre humilde e pequeno no teu conceito, contendo-te nos limites de uma justa moderação, não estarias tantas vezes na tentação e no pecado.
Quando te achares penetrado de um grande fervor, deves meditar sobre o que será de ti, se retirada for essa graça.
Se a graça se ausentar de ti, considera que ela pode vir outra vez. Dela não te privei por algum tempo, senão para que te acauteles e dessa ausência possas tirar proveito para teu bem e glória minha.

5. Mais útil te é esta prova do que uma paz perpétua e imutável.
O merecimento de uma alma não se deve medir pelas visões e consolações divina, nem pelo conhecimento das Escrituras, nem pelos graus de honra e dignidade.
Para se conhecer o valor de alguém, deve-se verificar se está fundada em verdadeira humildade e se vive cheio de amor de Deus; se procura a glória do Senhor com a mais pura e recta intenção; se sabe desprezar-se a si próprio; e se gosta mais de ser desprezado e esquecido do que estimado e louvado pelos homens.

31/05/14

A GRAÇA DE DEUS NÃO SE COMUNICA AOS QUE GOSTAM DO MUNDANO

Do Cap. LIII da Imitação de Cristo, e intitulado "A Graça de Deus não se comunica aos que gostam do mundano" :

1 - M. Filho, preciosa é a minha graça; não sofre misturas de coisas estranhas, nem de consolações terrenas.
Por isso importa que lances fora todos os impedimentos da graça, se desejas receber a sua confluência na tua alma.
Busca lugar apartado e gosta de viver só contigo; não busques a conversação dos outros, mas faz devota oração a Deus, para que te dê compunção de espírito e pureza de consciência.
Não faças caso do mundo e antepõe a todas as coisas exteriores a vocação de Deus; porque não poderás conversar comigo e juntamente deleitar-te com o transitório.
Convém afastar-te dos conhecidos e amigos, e ter a alma despojada de toda a consolação temporal.
O Apóstolo S. Pedro (Epíst. 1ª, 2, 11) recomenda aos fiéis cristãos que vivam com tal sobriedade, que pareçam estrangeiros e peregrinos neste mundo.

2 - Oh! quanta confiança terá na morte aquele cujo afecto não está preso a coisa alguma do mundo!
O nosso fraco entendimento não alcança que coisa seja ter o coração apartado de todas as coisas; nem o homem sensual conhece a liberdade do homem interior.
Se porém quiser ser verdadeiramente espiritual convém que deixe os estranhos e os parentes, e de ninguém se guarde mais que de si mesmo.
Se te venceres a ti perfeitamente, tudo o mais sujeitarás com facilidade.
Triunfar de si mesmo é a mais perfeita vitória.
Porque aquele que se domina a ponto de sujeitar os sentidos à razão, e a razão a Deus, esse verdadeiramente é vencedor de si mesmo, e senhor do mundo.

3 - Se aspiras a subir a esta altura, importa que comeces verdadeiramente e ponhas o machado à raiz, para que arranques e destruas a desordenada e escondida, inclinação que tens a ti mesmo a todo o bem próprio e material.
Deste amor desordenado, com que o homem se ama, depende quase tudo o que de raiz se há-de vencer; e vencido e sujeito isto, logo haverá grande paz e tranquilidade.
Mas porque poucos trabalham perfeitamente por morrerem a si mesmos; e não saem de todo seu próprio parecer, por isso ficam enbaraçados com os seus afectos, e não se podem levantar sobre si mesmos em espírito.
Entretanto, quem deseja andar comigo livremente é necessário que mortifique todas as suas más e desordenadas afeições, e que não se apegue a criatura alguma com amor de concupiscência.

23/08/13

NATUREZA DA GRAÇA SANTIFICANTE

A graça santificante define-se como um dom de Deus inerente à alma, "que a torna partícipe da natureza divina" (II Ped. 1, 4) e a eleva assim a um estado sobrenatural e divino. Chama-se "graça" porque é uma realidade que Deus nos comunica à alma graciosamente ("gratis"), e porque a torna grata a seus olhos, concedendo-lhe algo da sua beleza divina. E chama-se "santificante", porque nos santifica ao comunicar-nos a justiça e santidade divinas.

1º À luz da Revelação, a graça nos é apresentada:
- como uma qualidade divina, pela qual Deus renova e transforma a nossa alma e a deifica, ou seja, a torna semelhante a Ele;
- como um princípio de vida divina, como uma semente divina (I Jn. 3, 9), como um enxerto feito ao nosso ser natural; por isso a justificação, que é a acção pela qual Deus nos confere a graça santificante no Baptismo, é chamada de regeneração, um novo nacimento, que nos confere um novo ser, o ser da graça, que é um ser divino;
- Como um título, que nos dá um direito rigoroso à bemaventurança própria de Deus, e nos concede ao mesmo tempo a aptidão para esta bemaventurança.

2º Igualmente, os Padres da Igreja comparam a acção de Deus presente e operante em nossas almas pela graça santificante para fazê-las deiformes:
- à acção de um pintor, que reproduz uma tela (a nossa alma) seu próprio retrato;
- à acção de um selo, que deixa a sua marca sobre a cera a que se aplica;
- à acção do fogo, que faz partícipe de sua natureza e de suas propriedade ígneas ao ferro submergido nele;
- A acção da luz, que faz resplandecer com a sua claridade o ar, os prismas, o diamante que inunda com seus raios.

(Pe. José Maria Mestre, apontamentos; tradução: ASCENDENS)

25/06/13

FOI O MEXERICO (I)



Joaquim Mexia Alves

Nova empreitada: crítica fechada a Joaquim Mexia Alves, aqui denominado "Mexerico".

O Mexerico tem um blogue chamado “Que É A Verdade?”, mau blogue. Entre tantos outros blogues perigosos, porque escolhi alertar sobre este!? Na verdade é um como tantos outros, não é sequer o pior. A escolha deve-se a que o autor, por determinadas razões nada louváveis, chamou a minha atenção. É ao autor a quem critico, na esperança de melhoras.

Haverá certamente na obra do Mexerico coisas que não estão erradas, algumas delas até são poéticas e revestidas de sentimentos bem intencionados. Contudo, todo esse bem se perde no meio de erros, entre eles as heresias. Como explica S. Tomás de Aquino, o erro é pior quanto mais convincente for, o erro tem que ter sempre algo de verdade.

O Mexerico redigiu o “”Diálogo” com o Diabo”. Diz assim ele ao Diabo:

Tu gostas muito da lei, pelos vistos! Percebo-te, porque se cumprimos apenas a lei, acabamos por cair na rotina, sem chama nem alegria. Mas para a Igreja a lei só tem sentido vivida no amor, e o amor vive-se todos os dias, não tem dia nem hora marcada, muito menos o amor d’Ele por nós e o nosso amor por Ele.” (Marinha Grande, 21 de Janeiro de 2013)

A Lei divina é estrita, clara e fundamental. Ora, a Lei de Deus é verdade que não passa, vale como Deus vale, independentemente de ser ou não praticada com ou sem amor, e por quem quer que seja. É falso que a Igreja tivesse ensinado que a Lei só tem sentido praticada desta ou daquela forma, porque é objectiva. O Mexerico faz depender a Lei divina da subjectividade, submetendo a Lei ao uso da Lei.

Assim disse o Mexerico ao Diabo:

“Essa é boa! Irritou-te profundamente que o próprio Deus tenha nascido como homem e de uma mulher em tudo igual às outras.” (Marinha Grande, 14 de Junho de 2013)

Deus o perdoe pela blasfémia e heresia. Nossa Senhora é em TUDO igual às outras!? … O Mexerico não sabe que é Ela a “Imaculada concepção”? Não sabe que é Ela a “Cheia de Graça”, a “Porta do Céu”, a “Arca da Aliança”, a rainha de todos os anjos, não foi Nossa Senhora mais que todas as mulheres!? Não foi Nossa Senhora a única mulher a ser concebida sem pecado original!?

Para o Mexerico Nossa Senhora é em tudo igual a qualquer uma...! Valha-nos Deus!

Mas isto não foi um mero equívoco, não foi uma distracção, caros leitores! O Mexerico, logo depois, diz a verdade, mas coloca-a na boca do Diabo... sim, coloca-a na boca do Diabo: “Não, nem por isso” (é o Diabo que diz, embora parcialmente, que Nossa Senhora não é uma mulher em tudo igual às outras).
Entretanto, próprio dos espíritos confusos, o Mexerico manifesta uma prudência relativamente ao culto mariano... não vá alguém cair em exageros:

"Parecia até, por vezes, que tínhamos preferências, (ou gostos, como quiserem), mais pelo Pai, ou pelo Filho e às vezes até por Maria, (que alguns infelizmente continuam ainda hoje a “endeusar”, o que não é certamente do Seu agrado). – (Marinha Grande, 15 de maio de 2013)”

Interessante!?...

Todas as opiniões acatólicas, daninhas, vão-se misturando com aparentes verdades que poderiam até convencer quem não estivesse já avisado da "mariana" doutrina herética transcrita. Afirma o Mexerico no mesmo texto do 15 de Maio:

“E fez-me perceber muito melhor a missão de Maria, a «cheia de graça», aquela que aponta o Filho e se recolhe na humildade.”
–  Dado a crença de que Maria é em tudo igual às outras, fica alterado o entendimento a respeito da “cheia de graça” e esta “missão” que o autor diz agora entender "muito melhor". São estas construções diferentes daquelas que a Igreja sempre ensinou... a FORMA mantém-se mas o sentido é-lhe aqui todo alterado, fenómeno próprio do herético modernismo.

Uma frases depois, o autor "evangeliza" com outra doutrina contrária à da Santa Igreja:

A consciência da presença do Espírito Santo em mim desde o Baptismo, (uma luzinha ténue que teimava em não se apagar), levou-me a perceber que Lhe devia pedir que saísse do “cantinho escondido” onde eu O tinha colocado e viesse tomar conta de mim, e que em vez de luzinha ténue, fosse um farol sempre aceso, apontando-me o caminho em cada dia, em cada momento.”.

O Mexerico, que em outro lado conta que em tempos tinha abandonado os caminhos da graça e voltado a ela (sua história de vida), acredita que desde o baptismo o Espírito Santo permaneceu nele, negando assim que o Espírito Santo é expulso de nós com o pecado mortal, e construiu uma outra doutrina segundo a qual o Espírito Santo permaneceu nele sempre mas tenuemente (“luzinha”). Ora, isto contradiz abertamente toda a doutrina católica relativa à vida da graça, mas converge para aquela heresia de "Maria em tudo como as outras", pois retira a Maria a graça desde o nascimento e quase coloca a si mesmo a graça permanente (se bem que não desde o nascimento mas sim do baptismo). O Espírito Santo teria permanecido sempre depois do baptismo na alma do Mexerico se até hoje não tivesse cometido pecado mortal algum.

(a continuar).

15/06/13

DO "NOVO MANUAL DO CATEQUISTA" (IV)



(da primeira parte)

III CAPÍTULO
Criação do Mundo - Origem e Queda do Homem

51. Porque se diz Deus Criador do céu e da terra?
R: Diz-se Deus Criador do céu e da terra, isto é, do mundo, porque o fez do nada, e fazer do nada é criar.

52. O mundo é todo obra de Deus?
R: O mundo é todo obra de Deus; e na grandeza, beleza maravilhosa, mostra-nos o poder, a sabedoria e a bondade infinita d'Ele.

53. Deus criou somente aquilo que é material no mundo?
R: Deus não criou somente aquilo que é material no mundo, mas também os puros espíritos, e cria a alma de cada homem.

54. Quem são os puros espíritos?
R: Os puros espíritos são seres inteligentes sem corpo.

55. Como sabemos que existem puros espíritos criados?
R: Sabemos que existem puros espíritos criados sabemo-lo pela Fé.

56. Quais são os puros espíritos criados que a Fé nos faz conhecer?
R: A Fé faz-nos conhecer os puros espíritos bons, isto é, os Anjos, e os maus, isto é, os demónios.

57. Quem são os anjos?
R: Os anjos são os ministros invisíveis de Deus, e também nossos Guardas, tendo Deus confiado cada homem a um deles.

58. Temos alguns deveres para com os Anjos?
R: Para com os Anjos temos o dever da veneração, e para com o Anjo da Guarda temos também o dever de lhe ser gratos, de seguir as suas inspirações e de nunca ofender a sua presença com o pecado.

59. Os demónios quem são?
R: Os demónios são anjos que se rebelaram contra Deus por soberba e foram precipitados no inferno, os quais por ódio contra Deus tentam o homem para o mal.

60. Quem é o homem?
R: O homem é um ser racional, composto de alma e corpo.

61. Que é a alma?
R: A alma é parte espiritual do homem, pela qual ele vive, entende e é livre, e por isso capaz de conhecer, amar e servir a Deus.

62. A alma do homem morre com o corpo?
R: A alma do homem não morre com o corpo, mas vive eternamente, porque é espiritual.

63. Que cuidado devemos ter com a alma?
R: Com a alma devemos ter o máximo cuidado, porque ela é em nós a parte melhor e imortal, e só salvanso a alma seremos eternamente felizes.

64. Como é que o homem é livre?
R: O homem é livre, enquanto pode fazer uma coisa e não fazer, ou fazer uma de preferência a outra, como muito bem sentimos em nós mesmos.

65. Se o homem é livre, pode também fazer mal?
R: O homem pode, quer dizer, é capaz de fazer também o mal; mas não o deve fazer, precisamente porque é mal; a liberdade deve usar-se só para o bem.

66. Quem foram os primeiros homens?
R: Os primeiros homens foram Adão e Eva, criados imediatamente por Deus: todos os outros descendem destes que, por isso, são chamados os progenitores dos homens.

67. O homem foi criado fraco e cheio de misérias, como nós agora somos?
R: O homem não foi criado fraco e cheio de misérias, como nós agora somos, mas num estado feliz, com destino e com dons superiores à natureza humana.

68. O homem que destino recebeu de Deus?
R: O Homem recebeu de Deus o altíssimo destino de o ver e gozar eternamente, a Ele Bem infinito; e porque isto é absolutamente superior à capacidade da natureza, recebeu juntamente para o conseguir uma potência sobrenatural que se chama graça.

69. Além da graça, que mais dera Deus ao homem?
R: Além da graça Deus dera ao homem a isenção das fraquezas e misérias da vida e da necessidade de morrer, contando que não pecasse, como infelizmente fez Adão, cabeça da humanidade, comendo do fruto proibido.

70. Que pecado foi de Adão?
R: O pecado de Adão foi um pecado grave de soberba e de desobediência.

71. Que danos causou o pecado de Adão?
R: O pecado de Adão privou-se a ele e a todos os homens da graça e de qualquer outro dom sobrenatural, deixando-os sujeitos ao pecado, ao demónio, à morte, à ignorância, às más inclinações e a todas as outras misérias, e excluindo-os do paraíso.

72. Como se chama o pecado ao qual Adão sujeitou os homens com a sua culpa?
R: O pecado ao qual Adão sujeitou os homens com a sua culpa chama-se original, porque, cometido no princípio da humanidade, se transmite com a natureza a todos os homens na sua origem.

73. Em que consiste o pecado original?
R: O pecado original consiste no privação da graça original, que, segundo a disposição de Deus, deveríamos ter, mas não temos, porque a cabeça da humanidade com a sua desobediência se privou dessa graça a si e a todos nós, ses descendentes.

74. Como é que o pecado original é voluntário e portanto culpa para nós?
R: O pecado original é voluntário e portanto culpa para nós, só porque voluntariamente o cometeu Adão como cabeça da humanidade; e por isso Deus não castiga, mas simplesmente não premeia com o paraíso aquele que tenha só o pecado original.

75. O homem, por causa do pecado original, devia ficar excluído para sempre do paraíso?
R: O homem, por causa do pecado original, devia ficar excluído para sempre do paraíso, se Deus para o salvar, não houvesse prometido e mandado do céu o próprio Filho, isto é, Jesus Cristo.

(a continuar)

05/11/12

OS ERROS DE LUTÉRO E O ESPÍRITO DO MUNDO ACTUAL (V)

(continuação da IV parte)


OS ERROS DE LUTERO E O ESPÍRITO DO MUNDO ACTUAL
Pe. Franz Schmidberger


D - Assim, a Igreja é a prolongação, a extensão e a continuidade de nosso senhor jesus Cristo. Tem uma Hierarquia visível e sacramentos, sinais visíveis que expressam e contêm a graça invisível e a transmitem.

É como um recipiente que contem a fé e a graça. Desta forma as boas obras contêm e guardam a fé. não são uma consequência da fé a longo ou curto prazo, mas sim a fé vivida.

E - O mistério cristão não é unicamente um mistério de iluminação do espírito senão um mistério que toca absolutamente todas as faculdades da alma e também do corpo. A inteligência é iluminada pela fé, a vontade é inflamada pela caridade divina, o coração é inundado pela beleza eterna, o corpo é espiritualizado. Como se manifesta a caridade? Pelas obras!

Se considerarmos as obras como sinal e fruto da caridade cristã, a doutrina da "sola fide" se apresenta então como o verdugo da maior das virtudes, aquela que, segundo S. Paulo, ultrapassa e sobrevem à fé e à esperança: a caridade, que é a única que permanece porque é eterna.

III
"Sola Gratia"

Lutero não quis aceitar a ideia da colaboração do homem na obra da sua justificação e da sua santificação. Para ele a graça de Deus faz tudo, ela obra absolutamente sozinha.

Chegou a esta negação pelo falso conceito de pecado original e suas consequências: segundo ele, na queda, a natureza humana não só foi ferida gravemente, tal como ensina a Santa Igreja, mas foi completamente destruída, incluindo e principalmente o livre arbítrio. De tal forma que o homem já não possuisse nenhuma capacidade para receber as mensagens divinas, nem receptáculo para receber a graça, chegando assim a ser surdo ao chamamento de Deus e absolutamente incapaz de cooperar de qualquer maneira com a sua cura e salvação. É lógico, portanto, que Lutero considere a justificação como um processo puramente extrinseco: Deus lança sobre o pecador o manto dos méritos de jesus cristo e o delcara justificado, enquanto o pecador permanece interiormente no mesmo estado, sem a menor transformação.

Para os católicos, a justificação é uma verdadeira passagem interior do estado de pecador ao estado de justo, e a sua manifestação exterior vai a par desta transformação da sua alma por meio da graça. S. Paulo chama os primeiros cristãos com estes nomes: purificados, justificados, santificados, bem-amados de Deus.

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