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31/08/17

LIVROS II - PEDRO OLIVEIRA

Seria uma perca não publicar aqui este vídeo LIVROS II


(continuação, 2ª parte)

26/12/16

COMENTÁRIOS IBÉRICOS (II)

(continuação da I parte)
 
Romão, Esp. - Não, não, não. Eu não falei de cruzadas proclamadas pela Igreja, só da invocação da cruz como legitimação para ocupar o território. Isso sucedeu na Península durante toda a Reconquista e continuou sendo utilizado para a posterior expansão territorial. Isabel soube desde cedo que necessitava recorrer à legitimação religiosa para ocupar os territórios aos quais chegavam os seus navegadores. Nem Inglaterra, nem EEUU recorreram a essa legitimação para a sua expansão, por muitos cristãos que fossem. Neste caso a autoproclamada "superioridade anglo-saxónica" legitimava a eliminação física dos indígenas. Nem sequer no séc. XIX os colonos de EEUU pararam para pensar se aqueles índios tinham ou não direitos, enquanto que na Espanha de Carlos V tinha havido intensos debates teológico-sociais sobre o tema e os choques entre a Igreja Católica e os colonos eram frequentes por isso.
 
José, Pt. - 1 - "España": "El salto a África y el posterior a lo que sería América no era más que la prolongación de aquel espíritu de Cruzada y los territorios también quedarían incorporados"... A intenção não era a de "cruzada", mas sim a da prosperidade económica. [José já tinha explicado que a ida à América foi intencionalmente uma ida à Índia asiática, onde se acreditava haver cristãos, a qual era conhecida pelas riquezas, e indo por ocidente]. Também é verdade que depois houve a acostumada preocupação com as almas do território [é uma obrigação], como era coisa normal de cristãos. Mas a iniciativa para África e Índia [asiática] era o ouro, as especiarias, etc.. Conhece as cartas de Isabel a Católica que pertenciam à colecção da Casa de Veragua, e que foram adquiridas pelo Estado espanhol no início do séc. XX? O "espírito de cruzada", a suposta santidade de Isabel de Castela são em parte composições dos grupos: a) daquele Clero e Nobreza que queriam legitimar Isabel, b) o patriotismo do séc. XIX, e depois séc. XX. O tradicionalismo espanhol é bom, mas há que expurgar-lhe algumas fantasias históricas e interpretações megalómanas.
2 - Que reinos cristãos "se limitan a explotar y hacer esclavos"!?
3 - "Isabel supo desde muy pronto que necesitaba recurrir a la legitimación religiosa para ocupar los territorios a los que sus navegantes llegaran."... mas transgrediu as bulas papais que protegiam os territórios portugueses em África... depois transgrediu o tratado de Alcáçovas-Toledo quando Colón chegou à "Índia", descobrimento feito em território português [segundo o tratado] que o Papa Alexandre VI "solucionou" em favor de Castela [olha quem, e olha como...]... Sim, obediência ao Papa Alexandre VI... mas não aos anteriores!
 
Romão, Esp. - Portugal bem poderia ter tido a sua grande oportunidade se tivesse confiado na palavra de Colón. [afinal admite que a proposta de Colón era a de ir para a Índia asiática por Ocidente...]. Deu-se a ocasião de que quem o fez foi Isabel. Os tratados americanos para com os territórios que se iriam conquistando durante finais de XV e XVI foram para evitar problemas com um Portugal ao que Castela, primeiro, e Espanha depois estavam muito unidos com laços de sangue real, mas se no lugar de Portugal fosse França a que se encontrasse no lugar deste tenha por certeza que jamais teria havido semelhantes concessões por parte dos Reis Católicos nem de Carlos V.

José, Pt. - 1 - "Portugal bien podría haber tenido su gran oportunidad si confiara en la palabra de Colón" ... Que grande oportunidade!? ... Colón acaso descobriu o caminho marítimo por ocidente para a Índia? O território português na América tinha poucas riquezas naturais!? O primeiro monarca a quem Colón explicou a localização da descoberta foi a Isabel, ou a Fernando!? Acaso a América pode ser cientificamente apenas UM continente, quando pela definição conhecida têm de ser três, ou pelo menos dois? [está indirectamente a dizer-lhe que com a chegada de Colón nem sequer a América foi descoberta, visto não ser a América um único continente, na realidade] Como existe um livro português com as MESMAS coordenadas que usou Colón para fazer a primeira viagem, sendo esse livro anterior a ela? Como Colón faz o "descobrimento" justamente na parte portuguesa segundo o Tratado de Alcáçovas? [o qual asseguraria a posse do território descoberto a Portugal, e não a Castela] Como foi possível que, finalmente, Portugal tivesse navegado a costa de África em direcção à verdadeira Índia sem encontrar impedimentos de corsários espanhóis, italianos, que agora estavam entretidos em seguir o "novo caminho" para a ´falsa Índia? Por fim... como o Rei de Portugal, trata a Colón por "especial amigo"!? ;)
2 - "jamás hubiera habido semejantes concesiones por parte ni de los Reyes Católicos " .... Concessões!? ... Quais!? ... a da filha mais velha [herdeira] de Isabel casar com o filho mais velho do Rei de Portugal!? ... A de D. Manuel de Portugal ter sido JURADO como legítimo pela Côrte de Castela em Toledo!? ...

Quase posso garantir que havia mais conversas assim, e que terão sido apagadas.

COMENTÁRIOS IBÉRICOS (I)

Em certo grupo auto-classificado "hispanófilo" até agora houve 55 comentários trocados entre gente de língua castelhana, portuguesa e italiana. Estes comentários formam um todo interessante, de certa forma resumem certos mitos dos militantes da "hispanidad" e a respectiva correcção. Nada mais didático que traduzir-vos estes diálogos.
 
Antes de mais, transcrevo e traduzo o início do artigo que foi depois comentado:
 
"As Falsas Crenças de Que Éramos Colónias
São muitos, muitíssimos, os académicos, letrados e investigadores que ao longo da Hispanidad assinalaram como erro a denominação "colónia", pelo qual pediram a eliminação desta designação, pois cria ideias equivocadas associadas a sentimentos de inferiorização e derrotismo na nossa Consciência Histórica.
Apesar disso, para estar em conformidade com a ideologia política republicana e oficialista que nos supõe uma liberdade social e nacional que até então nunca existira, nos programas oficiais do ensino continuam-nos a impor a palavra "colónia" ao longo da nossa escolarização.
Para esta reclamação documentarmos, nada melhor que ler a aprovação da Academia Nacional de História da Argentina, a qual fez 2 em Outubro de 1948 uma chamada de atenção para que fosse mudada a palavra "colónia" dos livros e da idiossincrasia popular:
"A investigação histórica moderna colocou em evidência os altos valores da civilização espanhola e sua influência para o Novo Mundo.
Como uma homenagem à verdade histórica, corresponde estabelecer o verdadeiro alcance da qualificação "colónia", em certo período da nossa História. (...)"
 
Passemos aos comentários que aqui foram surgindo já muito despegados do artigo, os quais são de proveito. Apenas passarei os comentários de importância dos dois lados da conversa, e traduzo-os. Usarei de nomes fictícios e colocarei de que língua é cada um dos intervenientes:
 
José, Pt. - Caros senhores, não conhecem a história de Espanha? Colón propôs-se em descobrir o caminho marítimo para a Índia, por Ocidente. As NOVAS terras que descobriu não eram verdadeiramente a Índia, equívoco mantido por bastantes anos. Os europeus sabiam que a Índia era uma região de grande civilização antiga e dizíamos então ter cristãos antigos. "A primeira dessas leis é de 1519, emitida para a ilha Espanhola" [aqui comenta o parágrafo do artigo, que é assim: La Recopilación de Leyes de Indias nunca hablaban de colonias, y en diversas prescripciones se establece expresamente que son Provincias, Reinos, Señoríos, Repúblicas o territorios de Islas y Tierra Firme incorporados a la Corona de Castilla y León, que no podían enajenarse. La primera de esas leyes es de 1519, dictada para la Isla Española, antes de cumplirse treinta años del Descubrimiento, y la de 1520, de carácter general, es para todas Islas e Indias descubiertas y por descubrir.] ...sim, para uma parte do território da Índia [ou seja, da Índia da qual se pensava ter descoberto o caminho, a Índia asiática] ... Seria IMPOSSÍVEL fazer de certa parte da Índia [asiática] uma colónia... Entendem!?

Página, Esp. - Na verdade a palavra índio significa habitante de terras longínquias, e destingua-se entre as Índias Orientais e as Índias Ocidentais. No livro " Los Viajes de Marcopolo" fala-se das índias também como territórios longínquos, mas esses territórios podia estar no oriente como no ocidente, contudo para ocidente era mais difícil chegar porque havia que ir navegando e Marcopolo fez a sua viagem por terra. Por fim há que dizer que o estado da Índia é uma invenção dos ingleses no séc. XX.
 
José, PT. - Ignorância!!! ... A proposta de Colón aos Reis foi a do descobrimento do caminho marítimo para a ÍNDIA, por Ocidente. Não existia o nome de "índia ocidental", portanto. Quando Colón chegou à América deu-se oficialmente como tendo chegado à ÍNDIA (na Ásia). Depois da primeira viagem, Colón informou também os reis de finalmente ter descoberto a ÍNDIA da Ásia.
Não ... em castelhano, até ao séc. XVI "índio" nunca significou mais que morador [nativo] da ÍNDIA da ÁSIA.
O nome "índias ocidentias" é uma forma agradável de não dizer a toda a Cristandade "nós, nossos reis de Castela, fomos enganados relativamente ao descobrimento do caminho ocidental marítimo para a Índia etc." ... mais fácil, mantiveram o nome "Índia", mas com necessidade de acrescentar "ocidental".

Página, Esp. - Procura o contrato que Isabel de Castela fez assinar a Colón antes da sua primeira viagem onde se lê "das terras já descobertas".
 
José, Pt. - "das terras"... "descobertas" ... África era conhecida e as Canárias descobertas depois! ... não!? ...
 
[...]
 
Romão, Esp. - Espanha vinha de 800 anos de reconquista contra os muçulmanos. Os territórios que recuperava incorporava-os aos seus Reinos. O salto à África e o posterior à América não era mais que prolongamento daquele espírito de Cruzada e os territórios também ficariam incorporados, neste caso a Castela, como terras da Coroa, mas não como colónias.
 
José, Pt. - Romão, não não ... reconquista de 800 anos!? ... Espírito de Cruzada em África!? ... O caminho marítimo para a Índia por Ocidentes ... era por espírito de Cruzada!? ......

Romão, Esp. - Reconquista (722, batalha de Covadonga - 1492, reconquista de Granada) = 770 anos. Espírito de Cruzada em África sim, assim o afirmou a Rainha Isabel a Católica quando faz ver aos seus sucessores a necessidade de recuperar o território norte-africano, a antiga Mauritânia romana, para a Cruz. E o caminho marítimo para a Índia não era espírito de Cruzada, mas quando os espanhóis chegam à América não se limitam a explorar e fazer escravos, ensinaram-lhes a religião, evangelizam, debatem sobre a alma do índio [melhor, "índio"], outorgam à Igreja um papel fundamental nas novas terras para denunciar os casos de abusos que se cometam... Sem espírito de cruzada a conquista teria sido igual que a britânica, uma campanha de extermínio contra os índios. [...] Pois se não sei história não sei se continuo a ser licenciado na mesma (em Espanha e México) e tendo mestrado em h. contemporânea de Latinoamérica... Suponho que na guerra de 1808-1814 contra os franceses também se recorreu à cruzada, nem a de 1833-1843, nem a de 1936-1939, não?

José, Pt. - Romão "800 años de reconsistas"!? ... ahah Isabel a Católica teve opiniões nem sempre muito católicas! "no se limitan a explotar y hacer esclavos" ... nem nenhum reino católico o fez! [...]
1 - Cruzadas: cruzadas oficiais da Santa Igreja com nome de "cruzadas" no séc. XIX!? Uhmm...
2 - Reconquista de 800 anos: a reconquista não foi feita durante 800 anos, senão que o seu intento ficou [apenas] completo [na Espanha] somente depois de 800 anos (menos de 100 anos em Portugal).
3 - Isabel a Católica manda roubar algumas vezes a Mina em África, em território português [duas Capitanias, uma de Mem Palha, e outra de Jorge Correia]. Até então [Isabel a Católica] não andava pelo continente africano a fazer apostolado.
4 - A intenção do descobrimento do caminho marítimo para a Índia (ásia) por Ocidente não era o da difusão da fé, porque nesse tempo acreditava-se que entre os nativos da Índia (Ásia) havia cristãos. Isabel a Católica tinha por certo que estes seriam CRISTÃO a ser súbditos iguais aos que tinha em Castela etc..
5 - Escravatura: a escravatura era em muitos casos a única forma justa de transferir a barbárie sem direitos territoriais às terras cristãs, para viver como cristãos, que assim teria de socialmente começar por viver por intermédio e responsabilidade de um Senhor (os filhos menores do Senhor, por exemplo, também não tinham direitos sociais territoriais sem ser por via de seus pais). O problema de como os espanhóis olham a escravidão relaciona-se com a crença de que não a praticaram largamente mas que fora praticada largamente pelos outros. Mas... a documentação recém descoberta mostra que Espanha foi a melhor cliente de Portugal e de Inglaterra na compra de escravos para a América.

(continuação, II parte)

14/08/16

SEM COMENTÁRIOS ...

Não há que comentar ... eis uma ilustração de um famigerado livro de Caramuel (anos depois refutado por Portugal, com Sousa Macedo, refutação reeditada até ao séc. XVIII.

07/08/15

MOMENTO DE HUMOR - TINHA QUE SER CASTELA!

Caros amigos... estou a ler uma certa obra do séc. XVIII. Durante a leitura, em dado momento ocorreu soltar uma gargalhada, rápida de mais para evitá-la a tempo. Em que momento me ri!? O que provocou o riso? ... O interessante motivo foi certo feito de Castela. Depois da gargalhada, de mim para comigo, comentei: "tinha que ser...!".

Antes de vos mostrar a piada, advirto às más línguas que me querem fazer anti-espanhol: travem a língua, demovam-se!

Pois bem, o capítulo que estava a ler versava sobre os lugares que os Embaixadores dos Reinos ocupam nos Concílios Gerais. Há uma ordem acostumada de distribuição de assentos por duas colunas: de um lado o Papa, em frente o Imperador; depois a França em frente da Inglaterra; depois Castela em frente de Portugal (e os que seguem não interessam agora para o caso). No Concílio de Basileia o Embaixador da Inglaterra faltou, e então: "compraram os Castelhanos ao Concílio o assento por 30000 florins, para assim ter o seu Embaixador melhor lugar nele.", neste caso em frente da França.

E que tal!?

13/03/15

CURIOSIDADES - DA DEFESA DE PORTUGAL

Hoje comecei a ler "Memoria Da Disposição das Armas Castelhanas, Que Injustamente Invadiram o Reino de Portugal no Anno de 1589. Despertadora do valor Portuguez para não temer; da prudencia, e conselho para ordenar o presente; da preenção, e cautela para dispôr o futuro, ..." (do Pe. Fr. Manuel Homem), obra publicada em 1763. Achei tão curioso o texto introdutório, chamado "A Quem Ler", que o ou transcrever:

"Também (benévolo Leitor) os ameaçados comem pão, e nem sempre se logram os intentos da vingança. Uma vez, o Imperador Carlos V empenhou-se tanto contra Francisco Rei de França, que, com indignação grande, prometeu que lhe havia de tomar o Reino. Ao sabê-lo, disse o Francês: Não prometa Carlos, o que não pode cumprir, que para tirara um homem morto de sua casa às vezes não bastam dois, quanto mais um vivo com a espada na mão, defendendo sua vida, a mulher, filho, fazenda, e a liberdade.

Se o inimigo nos buscar, lembra-mo-nos que é obrigação da alma, e da honra defender os penhores referidos. Costumado está vir a Portugal com as mãos nas barbas, mas voltando com elas na cabeça. Nesta Memória se mostra por onde nos sujeitaram, que foi falta de união nos ânimos, e nas vontades. Conheçamos os lanços de clemência, que com os Castelhanos usaram, são tiros fraudulentos, que nos fazem, e prévia disposição de seus enganos. E se no infausto ano de 1580 tão cruelmente nos trataram, sem termos sombra de culpa, (antes obrigação precisa de sustentar nosso Direito, e liberdade) hoje, que nos publicam traidores rebelados, (mas dizem mal) que mortes, que violências, que destruições, que tiranias não executaram nos Portugueses? Abrir os olhos importa, e a união de todos, que com ela se conservam os Impérios, e sem ela tudo perece, e arruína, diz a Verdade Eterna: Omne Regnum in se divisum desolabitur, etc.

O zêlo, e natural afecto da conservação de nossa liberdade nos obrigaram fazermos nestes escritos presente o cuidado, com que este inimigo nos buscou da outra vez, e o nosso grande descuido, com que nos deixámos achar, sem nos armar, e defender. E se então a ambição, e cobiça de uma herança mal entendida o fez contra Portugal tão apostado; hoje, que o arguem, e a criminação (mas falsamente) com espécie de traição, e esbulho, quem pode duvidar que lance não das armas com maior indignação, e fúria? O escudo, e o reparo dela é toda a necessária fortificação, assim na terra, como no mar. Esta segunda, que nos falta, deve efectivamente obrara a lembrança das Armadas contínuas deste Reino, as quais a este fim numeramos, esperando que possa mais conosco a necessidade, e aperto para as refazer, do que pode com os nossos Portugueses antigos a conveniência, e opinião para as conservar. Advertimos o conveniente, e necessário, para que se obre, e se no arbitrar houver erro, esperamos que o faça venial o fiel ânimo, com que escrevemos."

Trata-se de uma obra que está altamente aprovada pelas autoridades régias e eclesiásticas.

10/03/15

Notícia ASCENDENS: Interrupção da publicação CARAMUEL


Caros leitores,

a publicação da obra de Sousa Macedo, a qual refuta os erros difundidos por Caramuel, deixará de ser publicada no blog ASCENDENS.

Escrita em castelhano antigo, tal obra requer grande "malabarismo" na tradução, o que nem sempre é possível sem alguma perca de informação. Assim, aconteceu que, a respeito da primeira e única publicação aqui feita, alguns leitores sentiram dificuldade na leitura.

O original em Castelhano antigo não é acessível ao público em geral, mesmo aos conhecedores dessa língua. A tradução da obra revela-se quase tão acessível quanto o original. Mas, porque se trata de uma obra muito oportuna na defesa da nossa pátria, e contra as incensáveis tentativas e má-língua e da inveja, pondero resumir esta obra, ou aplicá-la num outro contexto.

Amar a Pátria e honrá-la por bons meios, é uma extensão do mandamento "honrar pai e mãe, e outros legítimos superiores".

06/03/15

ENTREVISTA A CASTELA (I)

alegoricamente: o Rei vai nú
O blogue ASCENDENS deslocou-se a Castela para lhe fazer uma entrevista, e dar assim a conhecer aos leitores quem é quem.

ASCENDENS - Boa tarde Senhora Dona Castela.
CASTELA - "La Católica". Boa tarde.
A. - As minhas desculpas, Dona Castela La Católica. Há algumas repostas que os leitores de língua portuguesa gostariam de conhecer. Ao entrarmos nestas terras duvidámos se tínhamos vindo a Espanha, ou a Castela. O que é Espanha!?
C. - Espanha é tudo o que eu vejo.
A. - Não será exagero!?
C. - Há partes do mundo que não são Espanha, mas Deus nos abençoou, deu-nos as parte vantajosas do planeta.
A. - Mas Portugal tem um território muito bom, a todos os níveis!
C. - Pois... então é de Espanha!
A. - Mas, logo com o primeiro Rei do Reino de Portugal houve reconhecimento da Santa Sé por Bula papal dada para esse efeito! Logo, Portugal foi reconhecido desde então como Reino, cujo Rei e Senhor era D. Afonso Henriques! Portanto ... Portugal não é vosso!
C. - Uhmm... Então Portugal não é bom território, tem muitos ladrões e rebeldes às nossas leis, os portugueses são meio judeus! Viva España!
A. - Vamos ver se entendi: o que é bom é vosso, o que é bom mas não pode ser vosso, é mau...
C. - É que Deus nos elegeu sobre todas os outros Reinos. Quando Nosso Senhor morreu, morreu com a cabeça virada para Espanha! Viva España!
A. - Bem ... mas para que a Santa Cabeça tivesse ficado voltada apenas para Espanha, Nosso Senhor teria ido morrer ao sul do Egpito (algo assim), segundo nos mostram os bons mapas do séc. XXI!
C. - É que somos um Povo muito abençoado, temos uma essência que o mostra; Deus nos criou assim!
A. - E essa essência é assim tão evidente que a possamos ver, ou é uma interpretação vossa feita no séc. XIX, e acalorada na primeira metade do séc. XX?
C. - Se refere à "Hispanidad"!?
A. - Sim... mas esta questão é melhor lá mais adiante, talvez. Evidentemente que os Reinos católicos têm uma essência, mas onde estão para vós as evidências da essência de Castela, ou Espanha, ou .... sei lá...!?
C. - A Espanha é missionária, é LA CATÓLICA, ou seja, ela foi criada para representar a unidade de todos os povos católicos debaixo de um grande chefe espanhol. Ela é a que congrega e converte. A prova disso é que ela descobriu a América e foi a primeira evangelizadora dos descobrimentos.
A. - Quem deu o título de Los Católicos à coroa castelhana?
C. - Foi o Papa Alexandre VI...
A. - Espanhol!?
C. - Sim...
A. - Conhecido como o Papa mais corrupto da história, e que tinha realmente mulher e filhos a viverem tranquilamente no Palácio Apostólico?
C. - Bem ... sim... Mas, nisso há alguns exageros.
A. - Portanto, como sustenta a Espanha que o título dado é realmente coisa de Deus!? Não é isto sinal de Deus que mostrar que isso que é atribuído à Espanha é mais uma tendência vossa ao auto-favorecimento?
C. - O que prova que isso não é assim é que o título foi dado na ocasião da Digníssima e Santíssima Isabel de Castela, conhecida justamente por Isabel a Católica. Eis a prova, eis o sinal de Deus!
A. - Santíssima!? Então quem a canonizou!? A Igreja!?
C. - ... os espanhóis. A Igreja não a canonizou ainda porque o demónio não permite, temos muitos inimigos que invejam a nossa grandeza. A culpa é dos judeus, porque revoltados com a justa expulsão do nosso território, agora tentam todo o mal contra nós.
A. - E o vosso clero tem essa mesma versão dos factos!?
C. - Sim, claro, eles ensinam isto na formação aos sacerdotes, evidentemente de forma mais refinada e complementada com argumentos teológicos e canónicos.
A. - Mas não é estranho que Isabel a Católica tenha andado 400 anos apartada de uma beatificação, enquanto grandes santos espanhóis foram canonizados e elevados a Doutores da igreja!?
C. - Vocês portugueses sois muito judaizados! É nossa missão trazer-vos para junto de nós, e assim vos salvardes e abandonardes a vossa rebeldia e vício do roubo.
A. - Por falar em roubo... Porque motivo Isabel a Católica mandou ao Capitão Pedro de Covides assaltar os nossos territórios na Mina (África) com dezenas de embarcações castelhanas e algumas genovesas?
C. - Isso não pode ser verdade!... Blasfémias, heresias... Viva España!
A. - É que este acontecimento está registado nas Crónicas reais de Portugal ....
C. - Claro... DE PORTUGAL!
A. - ... e de Castela!...
C. - Ahmm!? Heresias... Meus pais e meus avós sempre me falaram de toda a história de Espanha, e nunca ouvi dizer nada disso. Portanto ...
A. - Portanto!? Eu também já ouvi dizer que os espanhóis são do tipo "como penso, assim existe". Esta também diz a respeito dos franceses "se penso, já o estou a fazer", e sobre os portugueses diz: "se penso.... uhmm interessante.. se penso... tenho que ir ver melhor como é que isso é, e como é que isso não é...!". Mas sim... as nossas, e as vossas crónicas, relatam esse facto, e as vossas ainda dão a desculpa de que o saque era apenas um amigável comércio com os NATIVOS dos nossos territórios, e queixam-se de que fomos tão malvados na nossa defesa que cortámos as mãos a alguns dos castelhanos, e os mandámos depois aos Reis de Castela. Isabel a Católica, não foi por vontade de Deus que mandou assaltar Portugal às escondidas, entrando em águas e território português protegidas por bulas papais...
C. - Cortar as mãos a castelhanos!? Isso é crueldade para punir o roubo!
A. - Como não foi o primeiro caso, embora tivesse sido o maior... Certamente Isabel a Católica pareceria menos cruel quando deu abrigo ao Conde de Penamacor que, depois deste atentar contra a vida do Rei D. João II de Portugal, fugiu para a Côrte da prima Isabel La Católica; e quando este Conde andou viajado pela Inglaterra, e disso foram informados os portugueses, o Rei D. João II escreveu ao Rei de Inglaterra para que mandasse prender o Conde por crime de lesa majestade. Lá foi o Conde de Penamacor encarcerado na Torre de Londres, até que, depois de meses, Isabel a Católica mandou ao Rei de Inglaterra uma pequena embaixada para pagar o resgate do Conde, o qual foi levado para Castela e colocado em liberdade. Muita generosidade...!
C. - Isso não é possível!
A. - Porque julga não ser!?
C. - Porque Roma deu o Título de Los Católicos a esses mesmos reis.
A. - Pois mas tinha dito "O que prova que isso não é assim é que o título foi dado na ocasião da Digníssima e Santíssima Isabel de Castela, conhecida justamente por Isabel a Católica. Eis a prova, eis o sinal de Deus!" .

(a continuar)

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