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04/11/15

CARTAS DO Pe. ANTÓNIO DA CONCEIÇÃO (I)

Da biografia, dada na "Saphia Veneziana e Jacinto Portuguez - Vida e Morte, Heroycas Virtudes, & Maravilhas Raras do Gloriosíssimo Protopatriarcha S. Lourenço Justiniano, e do Venerável Padre António da Conceiçam ..." (Lisboa, 1677), transcrevo as cartas do Pe. António da Conceição:


Carta ao Arcebispo de Évora D. Teotónio de Bragança; na qual o exorta à paciência, e lhe aconselha que não renuncie ao Arcebispado.

PAX CHRISTI

Diz S. Bernardo, que a lição boa e santa reforma o espírito pelo fruto e doutrina que dela se recebe. Lembra-me, que disse o Senhor a Sta. Teresa, não estar a perfeição em gozar, senão em obrar, padecer, e amar: e como V. S. Ilustríssima se aproveitou deste conselho nas muitas obras de caridade que fez, e faz pelo seu amor, quis ele, que para maior perfeição de V.S. Ilustríssima, padecesse esta enfermidade, que lhe deu; para com ela crescer nos prémios da glória no Céu: mas confio na sua grande misericórdia, não durará muito, e lhe dará perfeita saúde, com que o sirva, e acuda às necessidades dos seus pobres. A terceira condição de amar se manifesta claro nas obras de amor, que V. S. Ilustríssima tão de contínuo faz: e assim se fica aproveitando de toda esta doutrina de Cristo: ao qual cá nas minhas pobres orações peço sempre a saúde, e vida de V. S. Ilustríssima, para crescer sempre em merecimentos diante Dele. À Senhora Dona Maria sua parenta mandei mostrar a carta de V. S. Ilustríssima, para nela ver as suas encomendas. Respondeu, que lhe beijava as mãos pela lembrança que dela tinha nas suas orações: a quem não escrevia por lhe não ocupar o tempo, que V. S. Ilustríssima tão bem emprega. Ela procede muito bem na obrigação de seu estado com muita edificação, e bom exemplo, que dá a todas. Cá se diz, que V. S. Ilustríssima quer renunciar ao Arcebispado: e não se recebe bem, por todos afirmarem que ninguém lhe sucederá no lugar que mostre a sua caridade; e assim padecerão grande detrimento suas ovelhas, e os pobres de Cristo. Com o qual se aconselhe muitas vezes postrado de joelhos, não sem muitas lágrimas, porque dele há de nascer o acertado. Pois não acerta ouvimos, que confessava o Arcebispo de Braga D. Fr. Bartolomeu dos Mártires, em renunciar ao Arcebispado, pelas necessidades, que ouvia, e via, que padecia a gente pobre. Deste de merecimentos faz V. S. Ilustríssima grande caridade em se lembrar em suas orações; porque por elas espero que me fará nosso Senhor muitas mercês. Ele enriqueça a V. S. Ilustríssima com os dons de sua graça, para em tudo fazer sua santa vontade neste desterro, e merecer coroa de grande glória no seu Reino. Ámen, Ámen. Na santa bênção de V. S. Ilustríssima me encomendo, e todos estes Padres nossos. De S. Bento de Xabregas de Fevereiro 15 de 1601.

Servo, e Orador de V. S. Ilustríssima
António da Conceição

(a continuar)

27/09/10

SÃO MANÇOS - D. TEOTÓNIO DE BRAGANÇA

Onde estão hoje as boas referências a S. Manços? " - Não vende...!" Como assim!?

Os alfarrabistas não lucram com ortodoxos livrinhos do catolicismo (obras menores, ou difusão religiosa). Retirados das casas, acabam por ir estes livros parar a antiquários, ou alfarrabistas, no meio de outros tantos, ao lote, ou ao quilo. São os outros escolhidos para venda ao público, entram em circulação. Mas, geralmente, o pequeno livro ortodoxo do catolicismo, o qual, melhor que muitos outros é testemunho daquilo que em Portugal sempre antecedeu as leis e a vida social e política (antes do tempos das ideologias conturbantes), desaparece... (nem registos ficam para poupar a historiografia de intermináveis mediocridades interpretativas, de que as gerações pós Liberalismo estão destinadas).

“Quem é S. Manços, mãe?”. Em 2013 a jovem mãe responderá “vai ao Google”, ou “é uma terra lá no Alentejo”. No Google não encontrará, ninguém sabe já, o alfarrabista colocou fora livros que tinham a resposta, mas que o mercado não conhece sequer.

Que fazer? Colocar na internet os sábios textos antigos de Portugal, claro, de Portugal católico, porque não há outro Portugal real, é uma das soluções.


PASTORAL
Pelo Regresso das Relíquias de S. Manços
(13 de Outubro de 1591)

"Dom Teotónio de Bragança por mercê de Deus, e da Santa Igreja de Roma Arcebispo de Évora [Portugal], etc. A todas as pessoas Eclesiásticas e Seculares deste nosso Arcebispado, Saúde em Jesus Xpo nosso Salvador. Fazemos saber que

11/09/10

D. TEOTÓNIO DE BRAGANÇA E SANTOS JESUÍTAS

Carta Aos Bemaventurado Padres Francisco Xavier e Simão Rodrigues, Companheiros do Padre Inácio de Loyola Fundador da Religião da Companhia de Jesus

26/03/1598



"Teotónio filho do Duque de Bragança dom James, indigno Arcebispo de Évora.

Havendo Vossas Reverências, vindo a este Reino (Portugal) para passar ambos às Indias Orientais a trabalhar na conversão daquelas grandes Províncias por mandado do Paulo Papa terceiro de boa memória, à instância do Cristianíssimo Rei dom João o terceiro (de Portugal) que Deus tem, e depois por ordenação divina, e com particular devoção do dito rei, tendo dividida entre vós esta missão, embarcando-se um, e ficando neste reino outro, com correspondência entre ambos para criar no real Colégio de Coimbra primeiro da vossa religião, Religiosos perfectíssimos, e desapegados das cousas da terra, e apostados a todos os trabalhos, e perigos, e martírios (a que andam sempre arriscados os que andam naquelas partes) para seguirem a mesma conquista com um mesmo espírito, e com um mesmo zelo da salvação das almas. A Deus se deve a glória disso, e do grande fruto, que se tem colhido na conversão de tão diferentes nações à nossa santa fé católica: e assim como a ambos foi causa de grandes merecimentos, assim tenho por certo que estareis colhendo o primeiro deles, gozando de sua divina visita. E para que eu em parte satisfizesse ao grande amor, e devoção, que a ambos tive para vos acrescentar alguma glória ocidental, e por a afeição que tenho àqueles grandes reinos de Japão, e em particular ao padre Alexandre Valignano Apóstolo verdadeiramente daquele Oriente, e aos padres dom Mantio, dom Miguel, dom Julião, e dom Martinho, primícias do Ilustríssimo sangue de Japão, fiz imprimir estas cartas, umas com que vossas Reverências se comunicaram, e outras de outros padres, que vos sucederam, e em todas se enxerga bem o grande ânimo com que tomastes à vossa conta tão dificultosa, e gloriosa empresa, e a vão agora prosseguindo vossos verdadeiros sucessores, rompendo por a grandes dificuldades, que se lhes oferecem em todas as partes por aquelas brenhas da infidelidade, de que se pode esperar maiores efeitos, aproveitando-se estes dos avisos que nelas se acham, seguindo-vos os que têm esta empresa agora nas mãos, e a tirarem ao diante, e continuando o caminho, que lhes mostrastes e já que não fui tão ditoso com eles, recebei este ofício de filho, e rogai a Deus, me dê graça para que esta parte que me coube em sua sagrada igreja, se supra com ela o muito que me falta para ser bom pastor, e que possa com os trabalhos que me afligem, respirar com ele, e dar a vida por seu amor, e ser predestinado por esta via para sua glória.

Em Évora a vinte e seis de março, de 1598."

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