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26/05/15

A CONTRA-MINA Nº 2: Cruzada dos Povos Contra a Maçonaria (I)

CONTRA-MINA
Periódico Moral, e Político,

por

Fr. Fortunato de S. Boaventura,
Monge de Alcobaça.

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Nº 2
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O medonho Fantasma se esvaece,
O dia torna, e a sombra se dissipa;
Os Insectos feíssimos de chofre
Entram no poço do afumado Inferno:
Eternamente a tampa se aferrolha.
No meio do clarão vejo no Trono,
Cercado de esplendor, MIGUEL PRIMEIRO.
(Macedo, Viagem Estática ao Templo da Sabedoria, pág. 141)
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Da Necessidade,e Próxima Existência de Uma Cruzada Geral dos Reis, e Dos Povos Contra a Maçonaria

Já no princípio do Séc. XVII se traçavam nos ajuntamentos da maçonaria os planos, que ele viu amadurecer, e que levou à execução nos Séc. XVIII, e XIX. Foi o Jesuíta Claudio Martin o primeiro, que os denunciou a Filipe IV da Espanha, e quando eu tiver as mãos soltas para fazer uma breve resenha dos serviços, que a Companhia de Jesus há feito aos Reis da Europa, farei ver claramente, que há duzentos anos havia um Frade Professor em Madrid, que anteviu todas as calamidades, que hoje se experimentam, e que por certo ameaçam o mais fatal, e pavoroso transtorno das Sociedades humanas. Naquele tempo eram havidas como visões, ou partos de um cérebro esquentado, essas importantíssimas descobertas, que se fossem tidas, ou levadas em conta, que elas mereciam, nem os cadafalsos teriam, como estemecido, de verem os Reis subindo os seus degraus, nem teriam corrido mais dilúvios, que correntes de sangue, na própria França, que tão cara pagou no Séc. XVIII a glória de o ter feito denominar o filosófico, e o ilustrado.


Sob a infaustíssima regência do Epícureu, e degenerado Duque de Orleans, na menoridade do Rei Luís XV, bracejou a Maçonaria, e trabalhou à sua vontade, fez grandes conquistas nas mais altas personagens, e escudada pelos grandes nomes de seus Grãos-mestres, não houve triunfo, que ela não se prometesse, nem obstáculo, que a fizesse retroceder, ou desistir de seus intentos.

Mas quem te disse, me tornará algum Leitor destes, que gostam de entrar no fundo das matérias, quem te disse, que a maçonaria já nesse tempo era mui poderosa e mui apadrinhada em França? Disseram-mo os escritos públicos desse Reino, em que se publicam Dicionários de Ateus, que é meio caminho andado, para se publicarem igualmente Dicionários ou Listas dos altos Dignatários da Maçonaria Francesa; e se os meus Leitores querem uma exactíssima dos Grãos-mestres, desde a referida época, até 1789, eu lha dou, e posso afiançar-lhes, que é verdadeira.

1725 Lord Deventer,
            Water =
         Lord d'Harnouester.
1738 Duque de Antin
1741 Conde de Clermont
1780 Um Príncipe de Sangue

Os primeiros dois passam como fundadores de uma Loja parisiense, que em breves dias contou 600 irmãos. As suas reuniões foram observadas pelo Governo, que fez prender alguns, mas bem prestes cessou todo o perigo de novas pesquisas; e os dois últimos Grãos-mestres fizeram desvanecer toda a ideia de serem novamente inquietados, ou perseguidos. Então mesmo as Bulas dos Sumos Pontífices, e nomeadamente a do grande Bento XIV, eram uns despertadores assaz fortes, e veementes para acordarem os Reis, e os Povos; mas que forças humanas puderam jamais desalojar a Maçonaria, quando ela chega a assentar-se nos últimos degraus do Trono? O francês estava minado, e quase em terra muito antes, que se ouvisse o estampido da sua queda; e por isso nunca saiu título mais bem achado para uma obra, do que este, que o Abade Proyart deu à sua História das últimas desgraças do seu Rei "Luís XVI desentronizado já antes de subir ao Trono". Assás conhecia esta verdade o próprio Luís XV, que mais de uma vez o deu a entender, como quem sabia os espantosos progressos, que já tinham feito, e iam fazendo todos os dias, o Maçonismo, e outras Seitas inimigas de Deus, e dos homens..... E como foi possível, que um Rei, conhecendo os perigos, que ameaçavam o seu Neto, e imediato Sucessor, não pusesse em obra todos os meios conducentes, para exterminar uma Seita, que jurou exterminar os Reis debaixo do ilusório pretexto de reivindicar a liberdade dos Povos?

Ainda mais, como foi possível, que o Rei, sobre cuja cabeça tinham passado as mais bravas ondas da Revolução francesa, se persuadisse, que à força de obséquios, de condecorações, e mercês, de amnistias, ou esquecimento do passado, chegaria a desarmar o incorrigível Maçonismo, e a fazer bons Vassalos, dos que resistem, quanto neles é, à mínima lembrança de sujeição ou de pendência? Reinar como reinaram os seus Maiores, é a primeira obrigação de um Rei. Não ceder aos Demagogos uma só polegada desse, como recinto Sagrado, de Autoridade Régia, é para os Reis uma espécie de necessidade, que se a desmentirem, ou dela se afastarem, não tardará muito, que sejam esbulhados do todo, já que tiveram a fatal condescendência, de exporem, ou sacrificarem uma parte, ainda que seja debaixo das aparências de conciliar ânimos discordes, ou servindo-me da frase Maçónica, para amalgamar partidos. Tinham estas ideias da Realeza, e bem firmes, e arraigadas em seus entendimentos, aqueles esforçados Portugueses, que nas Côrtes de Lamego dispuseram a Lei Fundamental deste Reino, quando se levantaram contra o reconhecimento de qualquer homenagem aos Reis de Leão.... e se estes grandes homens hoje ressuscitassem, que diriam eles da mais escravidão, que autoridade dos Reis Portugueses Constitucionais? mas que testemunhos vim eu trazer de um Século rançoso e escuro, para o Século das luzes? De boa vontade eu trocaria este por aquele, e há duas coisas, que eu muito lhe invejo, a saber: a Lealdade, e as armas, que se estas debelaram exércitos inumeráveis de Sarracenos, não teriam hoje que fazer com a mui dilatada, e orgulhosa Maçonaria, que sem véu, sem figuras, e sem o mais pequeno disfarce terá prometido abolir até o nome de Rei, e fazer de toda a Europa uma vasta República federativa, em que os Grandes Orientes sejam os únicos moderadores da Suprema Autoridade, e só tenha licença para viver, o que tenha dado o seu nome à Seita maçónica...

Quem lê os papeis Franceses, v. g. os Patriotas, e Constitucionais pasma, e benze-se de tantas, e tão sacrílegas ameaças aos Reis mais poderosos do Mundo. Com que audácia, e com que desenfreada impudência alardeiam eles de manter a ferro, e a fogo a Soberanaria do Povo?.. Estão em campo o Direito Divino, que favorece os Reis, e o Direito dos Povos, que é fundado na razão, e na justiça, veremos qual dos dois ficará vencedor? Com que insolentíssimo descaramento não auguram eles um incêndio geral, que debraze os Tronos, e restitua os Povos à sua antiga liberdade? Estomagão se da última Fala do Trono, em que o Rei de Inglaterra se abalançou a dizer, o meu Parlamento, os meus Súbditos, frases, que já se deviam proscrever, porque nada é dos Reis, e tudo é dos Povos.

Acho esta segunda Revolução em tudo mais abominável, que a primeira. Nos aziagos dias do fim de Julho passado mostrou ela, o que se devia temer do vertiginoso espírito, que a dirigia, e animava.... Haver em Paris tal Sociedade Maçónica, e tão ousada em seus planos, que já se enfeitava, para destruir tudo, quanto fosse propriedade, quanto fosse direitos hereditários, e para realizar o sonho de igual distribuição de bens..... e umas intimações como estas, que se fazem aos Reis, aos Grandes, aos Proprietários, e a todo o género de Corporações, devem ser tratadas e ouvidas com indiferença, e não se levantará por toda a Europa um grito geral "Acabe, pereça, e nunca mais respire o hediondo, e abominável, o Sacrílego Maçonismo"? Ah! se fosse possível, que a sonolência dos Reis fosse tão pesada, que nem acordassem aos incessantes brados do género humano, que os chama, que os insta, e aperta, que os convida, para que sejam os seus libertadores, como são os representantes de Deus sobre a Terra, não tardaria muito que caindo um Trono apôs outro, ficassem todos envolvidos numa só, e espantosa ruína. Em tais circunstâncias que seria dos Povos, entregues ao capricho de seus astutos, e refalsados Regeneradores? Aconteceria forçosamente o mesmo, que tem acontecido em toda a parte, onde tais monstros empolgam a Suprema Autoridade. Um vasto latrocínio.... a miséria pública no seu maior auge... toda a confiança perdida... a guerra civil ardendo em toda a sua fúria... os homens despedaçando-se uns aos outros, e o mais que já se viu na primeira Revolução da França, e que nós começámos a ver nesses tais, quais ensaios, que a Providência Divina, sempre desvelada pelo seu Portugal, não os deixou subir ao ponto, que os Orientes Lisboetas, Coimbrões, e Portuenses, haviam marcado em suas profundíssimas inteligências...

(a continuar)

19/12/14

CONTRA-MINA Nº 29: Valor da Lealdade dos Portugueses (II)

(continuação da I parte)

D. Afonso de Albuquerque
Que Nação da Europa nos deu Leis em quanto éramos pequenos em território? Nenhuma. E quantas auxiliámos, ou antes preservámos de iminente e completa ruína? Todas... A espada nua de Afonso de Albuquerque, lampejando em Ormuz, avassalando o Golfo Pérsico, e fazendo tremer a própria Meca.. já então salvou a Europa... mas para que buscar sucessos distantes de nós.. Quem senão o ferro Português abriu caminho em nossos dias ao salvamento da Europa? Seriam Jena, Austerlitz, e Friedland as primícias da Liberdade Europeia? E depois da invencível continência dos Hespanhóis, não competirá antes essa glória aos vencejantes louros, colhidos nos Arapiles, e em Victoria? Seriam por ventura mais frondosos os de Talavera, em que os Portugueses não tiveram parte? Se a Hespanha sucumbisse aos formidáveis Exércitos de Napoleão, quem teria forças para o deter na carreira de seus triunfos? Quem obstaria ao já mui adiantado cativeiro de toda a Europa? Como poderia a Inglaterra sempre infeliz, e mal sucedida nos seus desembarques Europeus, levantar um padrasto contra as agigantadas forças do mais célebre dos Conquistadores modernos? Era talvez um inepto; um fraco General, o que até é louvado; e tantas vezes aplaudido João Moore? Não o era por certo; mas faltaram-lhe dez mil Portugueses, que se os tivesse, por certo que seriam bem diferentes os resultados da Acção da Corunha, como foram bastantes uns 30$ Ingleses para defenderem Lisboa da agressão intentada por 110$ homens...

E para que trago eu estas memórias recentes, e geralmente sabidas, que por isso mesmo talvez sejam enfadonhas a uma boa parte dos meus leitores.... Trago-as porque estou cheio de confiança no valor, e na lealdade das nossas Tropas de terra... que não mudaram fisicamente, dentro de um espaço brevíssimo de tempo, e que devem reputar-se melhoradas, e adiantadas no moral, quando já não é um Chefe estrangeiro, quem as chama para a defesa de seu País, é sim um Rei natural, e legítimo quem as convida, para darem ao mundo novas lições de continência, e valor.

A Maçonaria, lisonjeou-se com a estulta opinião, de que já não há Portugueses como os de algum dia; aproveitou o descontentamento de certa classe de Fidalgos, (que pôde ser guardem nos seus Museus a Carta de Par, e as famigeradas [Pelles?], como testemunho eterno de que lhes parece honra, e não é senão perfídia, e fatuidade) fez valer a perícia, e a dexteridade de meia dúzia de franchinotes da Escola Coimbrã, espalhados por este Reino, e talvez empunhando nas suas mãos a balança de Astréa[?], que esquecidos de si, e dos seus deveres, e pode ser que aliciados com a esperança de uma Pasta, (só a dos meninos, que aprendem a ler, ficaria bem a este mentecaptos) fazem quanto neles é, para que o Sistema ressuscite, e prevaleça; pintou enfim a Loja Directora, que era chegado o momento favorável de sacudir-se o jugo imposto, e agravado pelo Senhor D. Miguel I....

Quanto se enganaram! E que vazio campo vai abrir-se à ingénita valentia, e lealdade dos Portugueses? Os Portugueses com o seu Rei à frente, e com o seu Rei dado claramente por Deus; para que não se acabasse a Fé em Portugal, serão invencíveis..... Parece-me, que estou vendo renascer os dias mais gloriosos do Exército Português.... Se um António Veloso, levando a Bandeira na tomada do Cabo de Gué, teve as mãos cortadas, e apesar disso segurou a Bandeira com os sangrentos cotos, e depois de lhe cortarem estes lhe agarrou com os dentes, e assim mesmo a plantou sobre as ameias da Fortaleza.... eu vejo tal ardor, e tal vontade de combater nos Soldados Portugueses, que já me parece estar vendo mais que uma heroicidade deste género. Se um D. Pedro de Menezes defendeu a Praça de Ceuta com um CACETE de Zimbro, facilmente aparecerá mais de um cento de imitadores de tão desusada valentia; se D. Lourenço de Almeida, estando numa Nau cheia de inimigos, somente com a sua espada lançou quatrocentos ao mar; e Duarte Pacheco só com 70 Portugueses combatia, e destroçava Exércitos numerosos; se D. Jorge de Castro se defendeu em Chale de 50$ Mouros com tal desproporção de forças, que a um dos nossos respondiam mil inimigos,e presumo que ainda haverá no Exército Português quem os imite no valor, e já poderia nomear um crescido número de briosos Oficiais, de quem espero outras semelhantes gentilezas de valor, mormente quando o seu Rei, (e que Rei!!!) lhes facilitar com os seus exemplos, e denodo, e lhes aplana os sempre [?]brosos, e árduos caminhos da heroicidade.

Vejo, (não me cansarei de o repetir) vejo em todos os Corpos do Exército Português uma cede, um empenho tal de combater, que me seria necessário ser o mais estúpido de todos os homens para deixar de conceber firmíssimas esperanças, de que se for indispensável correr às armas, por certo que nos será propícia a sorte dos combates. Esses veteranos, que mais de uma vez tem obedecido à voz do seu Rei, não os próprios, que militaram na guerra da Península, e que ainda não esqueceram a grande arte de vencer inimigos por mais numerosos, que eles sejam; esses veteranos formam num Exército já pronto, já adestrado para a guerra. E para que género de guerra? Para a mais sagrada de todas, em que será mui fácil cruzar as duas palmas da Lealdade, e do Martírio!!!

Parabéns, e mil parabéns à tão leal, como esforçada Guarnição de Lisboa, e aos Esquadrão Sagrado, que é no meu conceito a Guarda da Polícia, e aos Voluntários Realistas, e aos milhares de fiéis habitantes, que de súbito apareceram feitos Soldados, expondo-se, expondo-se, como se o fossem há largos anos, à maior força de um trabalho, que teria feito sucumbir os menos experimentados, se um princípio interior de coragem os não tornasse como de bronze, para mostrarem ao seu Rei, que nem se negam a defendê-lo, nem a morrer por ele.... Todos sem excepção parecem desde já prometer, afiançar, e até jurar, que não será menos o mui Alto e Poderoso Senhor D. Miguel I à testa dos seus Filhos, do que foram os Senhores D. João I, e D. Afonso V. É nestas circunstâncias, que o Reino de Portugal é para mim tão grande, e respeitável, que não posso consentir que lhe chamem pequeno. Muito embora sejamos pequenos em relação às grande Potências da Europa, que se nos avantajam em território seis, dez, e ainda mais vezes, e em forças navais, e terrestres, somos por certo demasiadamente grandes, para sermos escravos de qualquer Nação, por mais poderosa que seja, e que intente deprimir-nos, e agrilhoar-nos....

Representou-se-me agora estar ouvindo um como reparo, ou objecção dos meus leitores.... Pois não conheces o progresso horrível, e espantoso da gangrena interior, em que labora, e com que se definha todos os dias, e cada vez mais, e mais este desgraçado Reino? Não penetras o estado actual, e as forças do Maçonismo Português [melhor dizer "do Maçonismo em Portugal"]? Não tem ele abocanhado, ou empolgado nobres, e plebes, grandes e pequenos, sábios e ignorantes? De 1820 para cá tudo serve, e o que mais lhe importa é fazer crescer o número dos adeptos, para que no momento oportuno se desenvolva por tal arte, que nenhumas forças humanas o possam contrariar, ou vencer.... Nunca este infelicíssimo Reino de Portugal tratará de resistir a uma invasão estrangeira, sem que tome em contra, e ao mesmo passo outra invasão, qual é a dos seus próprios naturais, que hão-de metê-lo em dois fogos, e necessariamente lhe dividiram as forças, sem que muitas vezes saiba à qual deva resistir primeiro....

Confesso, que a objecção é forte, e seria fortíssima, e até indestrutível, se os Mações Portugueses [entenda-se antes "Mações em Portugal"] fossem os mais valentes, assim como são os mais cobardes de todos os homens. Dizia o Poeta Virgílio, que para as abelhas, quando mais assanhadas guerreiam entre si, não há remédio melhor do que atirar-lhes mãos cheias de poeira, e que logo todas essas rixas, e bulhas se desvanecem.

Pulueris exigui jactu compressa qui[?]unt

É igualmente simples, e fácil o remédio para os Mações, todas as vezes que se queiram rebanhar, e que zunindo levantem a grimpa contra os verdadeiros Realistas. É o CACETE, que anda tão impresso nas costas de uns, e na imaginação de outros, que já por vezes conseguiu pacificar este Reino.

Em S. Paulo de Frandes 7 de Agosto de 1831.

Fr. Fortunato de S. Boaventura.

21/02/14

O "FRIO" EUROPEU

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Este vídeo pertence a uma campanha. Contudo, visto estar numa língua indecifrável para os leitores, totalmente à margem da campanha publico-o pelo testemunho das imagens. Além do menino, todas as outras pessoas não estão a representar: se querem chamar "frios" aos europeus, pensem primeiro duas vezes.

06/01/14

VINDA PARA PORTUGAL, DA PRIMEIRA IMAGEM DA MÃE DE DEUS QUE FOI PARA INGLATERRA

A Vinda Para Portugal, da Primeira Imagem da Mãe de Deus que Foi Para Inglaterra

A grandeza de Portugal está vinculada ao maior florescimento do cristianismo na Península, como já tivemos ocasião de dizer, e por isso, parece que a Mãe de Deus, tem especial predileção pelo nosso povo, por esta Terra de Santa Maria. Há factos, que nos levam àquela conclusão, desde os tempos mais remotos da nossa história, até ao presente, como o que a seguir relatamos.

Quis o acaso que viesse cair sobre a nossa mesa de trabalho, há anos, um velho manuscrito, intitulado: "Notícia da Arrábida", datado de 7 de Novembro de 1762. Uma letra firme, lia-se facilmente, fazendo-nos pensar que tivesse sido escrita, aquela resenha histórica, por algum religioso do antigo convento da Arrábida, cuja mole de pedra se debruça altiva, sobre as cristalinas águas do Sado.

O documento, com as arestas a esboroarem-se, pela humidade, ou antes, pelo tempo que lhe pesava, relatava a história de Nossa Senhora da Arrábida, afirmando ter sido a primeira imagem da Mãe de Deus, que houve em Inglaterra.

Nossa Senhora da Arrábida

Foi o Pontífice Gregório I, esse espírito lídimo da cristandade, o grande impulsionador dos cânticos gregorianos, o promotor da evangelização da Inglaterra, que pelas suas virtudes ficou com o seu nome gravado, a letras de ouro, na História da Igreja e do Cristianismo, que mandara esculpir a referida imagem e a enviou para Inglaterra.

No ano de 590 os campanários romanos, com o repique dos sinos, festejavam a ascensão de Gregório I à cadeira pontifícia, mais tarde justamente cognominado "o Grande" e inscrito no catálogo dos Santos.


O novo Pontífice, dotado de invulgar elo apostólico, empreendeu a evangelização da Anglia, que tinha sido inválida pelos bárbaros, provenientes da Germânia, depois de ter visto à venda, em Roma, alguns escravos provenientes daquela ilha distante. Quando perguntou de onde provinham aqueles escravos e lhe responderam tratarem-se de anglo-saxões, disse: "Non angi, sed angeli." ["Não são anglos, são anjos."]

Quando subiu ao pontificado, tratou de chamar a Cristo aqueles povos. A Europa do sul estava em grande parte evangelizada, enquanto que os germânicos, se mantinham algemados pelo erro das falsas religiões.

Era contra este triste panorama religioso que o Santo Padre combatia, de cruz alçada nas mãos, e a sua palavra eloquente nos lábios.

Mandou para a Anglia, Santo Agostinho, o qual mais tarde foi Arcebispo de Cantuária, recomendando-lhe:
- "Não é preciso abater os templos dos ídolos, mas somente os ídolos que lá estão. Depois de aspergidos esses templos, com água benta, devem colocar-se aí altares e relíquias, porque se esses templos estão solidamente construidos, é necessário desviá-los do culto dos demónios e pô-los ao serviço do verdadeiro Deus, a fim de que essa nação, vendo que se não destroem os templos, se converta mais facilmente e venha a adorar o verdadeiro Deus nos lugares que lhe são conhecidos." (Arqueologia Litúrgica, pág. 12, por Mons. Augusto Ferreira).

No ano de 590, S. Gregório Magno, enviara para a Inglaterra, vários religiosos da Ordem de S. Bento, como missionários, a fim de, mais rapidamente, converterem o povo daquela nação ao cristianismo.

Segundo nos informa o mencionado manuscrito, os monges missionários, no cumprimento das ordens do Pontífice, mandaram esculpir, em pedra, uma imagem da Mãe de Deus, com o seu Filho nos braços, destinada àquele país a qual foi colocada num oratório, em belo local, e logo despertou nas almas a verdadeira fé, provocando diversas conversões.

Muitos dos habitantes do referido local pretendiam se o proprietário da imagem e do terreno onde ela se encontrava, cuja disputa motivou várias desavenças, até que o oratório e a piedosa imagem caíram em poder de um abastado comerciante, chamado Haildebrando.


Talvez porque os negócios lhe não corressem bem, naquele país, resolveu dirigir-se a Portugal, trazendo na sua companhia a célebre imagem da Mãe de Deus, a fim de o proteger na nova vida que encetara.

Decorria o ano de 1258, quando Haildebrando embarcou na companhia de alguns homens, em direcção a este país.

A poucos dias de viagem, as terras lusitanas alvejavam ao longe, como uma bandeira redentora, desfraldada ao vento.

Próximo da barra do Tejo, um violento temporal arrastou a pequena embarcação, com risco de vida dos seus tripulantes, para o largo do Oceano, de ondas encapeladas, até que foram lançados ao sabor das altas vagas, para além do Cabo Espichel, durante uma noite tempestuosa. Decorrido longo tempo, entre a vida e a morte, as margens do Sado, surgiram, como se fossem dois braços abertos, a receberem aqueles tripulantes, exausto de forças, mas afastados do perigo. Defronte deles, erguia-se com impressionante majestade, a verdejante e pedregosa Serra da Arrábida, que lhes pareceu oferecer-se para altar da célebre imagem.

Foi então que uma luz redentora, iluminou o espírito de Haildebrando e dos seus companheiros, ao conduzi-los às agrestes encostas daquela serra, para cumprirem um sonho tão impressionante convertido em realidade.

No ano de 1258, Haildebrando, que se amortalhara entre quatro paredes de uma pequena cela, junto a uma singela capelinha, construída por ele, onde venerava a histórica imagem de Nossa Senhora, pedia obediência ao Bispo e Cabido da Sé de Lisboa, para ali poder passar o resto da sua vida - afastados da humanidade, que parecia invadida por instintos ferozes, e tanto desânimo lhe causava - para viver entre as flores do campo que haviam de cobrir o seu corpo, quando entregasse a alma a Deus.

Assim sucedeu, e a imagem da Mãe de Deus, começou a ser venerada pelo povo que ali afluía em romaria até que, a razoira implacável do tempo fez diluir no esquecimento este curioso facto, que passaria desapercebido, caso o referido manuscrito não tivesse chegado ao nosso poder.

Depois de sabermos o que acabámos de relatar, logo tratámos de averiguar onde é que a referida imagem teria sido colocada, para a identificarmos, o que nos levou a muitas andanças pela escarpada Serra da Arrábida, sem que tivéssemos encontrado, desde logo, indícios daquela escultura medieval.

Decorrido algum tempo, já não andávamos ao acaso, visto o nosso plano basear-se já numa precisa informação do saudoso investigador e arqueólogo Joaquim Rasteiro, publicada no 3º volume da revista "O Arqueólogo Português", na qual se lê o seguinte, sobre a exploração de esculturas na região da serra da Arrábida:

"A que por aqui conheço digna de menção,acha-se na sacristia da Igreja paroquial de Sesimbra, e, não há muitos anos ainda estava exposta à veneração, no altar-mor da igreja, de que era orago, lugar e primazia de que foi deposta por outra imagem de madeira. Era no género bizantino, e achava-se pintada a cores".

É de notar como as ideias dos tempos influíram na maneira de apresentar a figura da Mãe de Deus, primeiramente sentada, depois de pé.

Já em Santiago de Compostela, contemplamos belas imagens sentadas, em pedra policromada, como em outros monumentos daqueles recuados tempos.

As primeiras reproduções da Mãe de Deus, provêm de épocas remotas, tanto mais que a festa de Conceição de Maria, data do século VIII, e era celebrada sob a invocação da Conceição de Santa Ana, a 8 de Dezembro. Esta festa, vulgarmente denominada das "Santas Mães" solenizava a Conceição pretéria de Maria, nas entranhas de sua Mãe.


Em regra, os artistas impressionados pela sublimidade de que Pio IX havia de definir, como dogma, representaram a Imaculada com luz radiante.

Seguindo a cronologia das representações da Virgem Imaculada, vamos encontrá-la já nas iluminuras do livro de horas de D. Manuel, sob a forma de virgem apocalíptica, porque esta invocação é a primeira apresentada na Península. No entanto, este tipo apocalíptico, assim denominado, por representar a Virgem Maria, segundo a descrição feita no Apocalipse, não tendo contudo grande expressão de culto no nosso país, no séculos XVI e XVII, reaparecendo mais tarde, em que a imagem da Virgem se vê com o Menino Jesus ao colo. Ao mesmo tempo, a Imagem de Nossa Senhora da Conceição representa-se como imaculada, calcando aos pés a serpente. O privilégio divino, com a primeira grande vitória sobre o inferno [Demónio ?].

Nossa Senhora do Ó, a Virgem pejada, também conhecida como da Esperança, é outro tipo de representação da Virgem, em que está implícito o mistério da faculdade miraculosa de Maria. Esta representação de Nossa Senhora é característicamente peninsular e medieval.

Existem muitas imagens esculpidas, sob aquele aspecto, deveras realista, por artistas de grande mérito,as quais pertenceram a diversas Sés e algumas igrejas de remota antiguidade.Este culto apagou-se com o Renascimento, pelo que se encontram, muitas daquelas imagens de Nossa Senhora do Ó, depositadas em Museus de Arte. As Santas Mães - Santana e Nossa Senhora com o Menino ao colo - foi também um tema cultivadíssimo em Portugal, em que se evoca o mistério da Conceição Imaculada.

Desde o século XV até fins do XVIII, os grupos das Santas Mães foram trabalhados pelos escultores e pintores.

Em pintura, a figura da Mãe de Deus, no século XVIII, era geralmente representada sobre fundos celestiais, em que a imagem se vê entre nuvens, sob uma luminosidade radiante. Naqueles tempos, apareceu a figura definitiva e representativa da Virgem Maria, sob o tipo genesíaco e do apocalíptico, admitindo símbolos de um e do outro: A lua, os Anjos, a serpente e as estrelas, além do Globo, e que a figura geralmente assenta.

Regressando ao assunto da imagem, que fora para Inglaterra, resta-nos dizer que, depois da referida informação e ao chegarmos ao altivo Castelo de Sesimbra, logo nos saltou à vista, sobre fundo branco de cal, num pequeno nicho aberto na parede e sobranceiro à porta da entrada da capelinha solitária, daquela remota fortaleza, uma imagem preciosa, da Mãe de Deus, que outrora devia apresentar-se sentada, com o Menino nos braços, mas que actualmente se encontra de pé. Certamente a cortaram a meio, colocando-a sobre um corpo esculpido em madeira.

A obra de arte em pedra, foi inspirada de facto, no estilo bizantino, como se refere o mencionado arqueólogo, e pertence ao séc. XI ou XII, podendo admitir que o colorido seja primitivo, apesar das intempéries e dos raios solares que todos os dias vão fazendo perder aquela já tão pálida nota de cor, o qual era tão vulgar, naqueles tempos, em esculturas de pedra.

Não há memória de ter existido naquela região, outra imagem de Nossa Senhora, sentada, com o Menino ao colo, tal como se apresentam as dos templos medievais.

Ficámos absolutamente convencidos de estarmos na presença da imagem, a que se refere o manuscrito velhinho, que nos narrou a curiosa história daquela obra decerto tantas almas na Inglaterra. Só os desígnios de Deus podem explicar porque é que aquela imagem de Nossa Senhora, veio, através dos mares, para a Terra de Santa Maria, deixando aquele povo, (...)." (José Dias Sanches)

30/12/13

MARTELO DAS FÁBULAS - Música e Protestantismo

Caros leitores, quase peço licença para redigir-vos este artigo. Apresento-vos o Coro de St. Tomás (de Leipzig, Alemanha). Acontece que o coro é luterano!

Ora, porque trago um coro luterano!?

Nós, europeus, estamos acostumados a ver "música culta" nas igrejas, durante e fora do culto, sejam templos católicos ou protestantes, ou ainda outros. Contudo, segundo sei, há em terras mais distantes a ideia de que os protestantes se caracterizam pela música corriqueira, e que seria protestante o mau exemplo dado pelos templos católicos que usam de música imprópria.

O que acontece é bem diferente: nos nossos dias os templos vão adaptando a música segundo o gosto dos "utentes", isso sim é uma falta de senso, tanto mais que ela sempre foi nos templos a mais alta referência que mantinha bem moldada musicalmente a comunidade. Nos templos, ao contrário do que nos acostumaram há séculos, começou a ser o reflexo da comunidade (argumento destrutivo), e está a começar a ser também o pior que a sociedade tem. Contudo, os locais que têm costumes antigos são menos abalados pela mudança, fenómeno que adia a decadência, ou até a trava, pelo menos em certos aspectos.

Esta pastagem é especialmente dedicada aos leitores das América do língua portuguesa e castelhana, par lhes dar alguns pontos de reflexão. É que o modernismo ou o liberalismo por vezes estão a níveis mais profundos, e por isso não se vêm sempre:

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TEXTOS ANTERIORES