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19/11/14

IMITAÇÃO DE CRISTO - Thomas de Kempis (XXIX)

(continuação da XXVIII parte)

A IMITAÇÃO DE CRISTO
Thomas de Kempis

II Livro
O Mundo Interior
Cap. IV
Pureza e Simplicidade do Coração 

1. O homem tem duas asas com que se pode elevar acima da Terra. São elas a simplicidade e a pureza. A simplicidade deve residir na intenção e a pureza no afecto. A simplicidade aspira a Deus, a pureza O alcança e frui. Nenhuma boa acção te causará embaraço se interiormente estiveres livre de afeições desordenadas. Se procuras somente agradar a Deus e ser útil ao teu próximo, gozarás dessa liberdade. Sendo recto o teu coração encontrarás em todas as criaturas um espelho em que verás a grandeza do Criador e um livro aberto onde encontrarás doutrinas santas. Pois não há criatura tão vil que não represente a bondade de Deus.

2. Se fosses puro, entenderias tudo. O coração limpo penetra o Céu e o Inferno. Cada um julga as coisas externas segundo as suas disposições interiores. Se há alegria no mundo, só o homem de coração puro pode gozá-la; se há tribulações, é a consciência má que as experimenta. Assim como o ferro, metido no fogo, perde a ferrugem e se faz todo resplandecente, assim o homem que se converte a Deus fica livre de todas as tibiezas e se transforma em outro homem.

3. Quando o homem começa a afrouxar, começa a temer os menores dissabores e recebe de boa vontade a consolação exterior. Porém, quando começa a vencer-se com firmeza e a andar com fervor no caminho de Deus, logo tem por leves as coisas que anteriormente lhe pareciam pesadas.

14/07/14

A VIDA DO CAMPO - ODE

A VIDA DO CAMPO

Não formam, discreta Márcia,
A nossa felicidade
Os ilusórios tesouros,
Que busca o luxo, e vaidade.

Esses cristais de Golconda,
Que os homens chamam diamantes,
São, entre as classes das pedras,
Pedras que são mais brilhantes.

Se a mesma terra que as cria
Não for por nós cultivada,
Será teatro da fome,
Será do luto a morada.

Não é, por certo, escondido
Metal, a que chamam ouro,
Ao homem da natureza
Um verdadeiro tesouro:

É mais proficuo um arado,
A foice é mais preciosa;
Só estes nos livres campos
Tornam a vida gostosa.

Ao nosso amor que é preciso
Mas que do campo a cultura,
A lã de ingénuas ovelhas,
As águas da fonte pura?

Vivamos, Márcia, no campo,
Nele esperemos o Céu,
Até que a Morte desdobre
Sobre meus olhos o véu.

(Rev. Padre José Agostinho de Macedo)

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