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31/08/17

LIVROS II - PEDRO OLIVEIRA

Seria uma perca não publicar aqui este vídeo LIVROS II


(continuação, 2ª parte)

24/02/17

CARAVELAS E NAUS - Tecnologia dos Descobrimentos

Há neste vídeo interpretações erradas; não as seguimos, são ideologice recente. Os dados técnicos, os factos, sim são de aproveitar, foram realmente nossos.

01/12/16

DADOS ACTUALIZADOS SOBRE CRISTOVÃO COLON


A misteriosa origem do famoso navegador Cristóvão Cónon foi interrogação que comovera o seu filho Fernando Cónon na busca da origem paterna. A primeira biografia de Colon foi escrita por Fernando Colon, filho ilegítimo, espanhol; muito mais tarde foi publicada a famosa biografia italiana, a qual dá Colon por genovês. A tentativa de corrigir os vários erros desta biografia deram origem à tese do Crolon catalão, a qual também não consegue ver-se livre de incoerências significativas (e não consegue fazer prova do seu maior objectivo); para solucionar também esta tese surgiu a hipótese do Colon galego.

A tese do Colon português é a única que até ao momento subsiste e que consegue dar resposta aos enigmas anteriores. Cristóvão Colon era português de nascimento e criação mas pertencendo por sangue à Casa Real da Polónia (o ADN comprovam a sua origem caucasiana).

Resumidamente, actualizemos:

1 - Colon era filho bastardo da realeza Polaca com uma fidalga portuguesa;

3 - Foi instruído clericalmente (nas principais disciplinas da época) e adquiriu também a arte da navegação;

2 - Com autorização do Príncipe D. João II de Portugal, Colon casou-se com a fidalga portuguesa Dona Filipa Moniz de Perestrelo (filha do falecido Capitão de Porto Santo);

3 - Colon ficou ligado às terras do Sul (Alentejo) de Portugal, onde terá nascido (mais provavelmente na vila de Cuba);

4 - Conhecia as coordenadas de Canárias à América central, e o tempo de duração da viagem (na sua primeira viagem teria chegado dia 11 caso não tivesse feito propositadamente as conhecidas manobras "inexplicáveis" no final dessa viagem, que permitiu então chegar dia 12). Conhecia previamente o caminho de retorno até às ilhas portuguesas no Atlântico:

5 - Os portugueses conheciam as Américas, mas não havia concórdia que elas fossem uma extensão da Ásia; Colon estava convicto de que sim (daqui a sua proposta de ir à Índia, por Ocidente), e a opinião principal (a Régia) era diferente (e verificou-se mais acertada).

6 - No regresso da primeira viagem os primeiros reis com quem Colon privou foram os de Portugal;

Etc...

25/09/16

APÓSTOLO S. TOMÉ PATRIARCA DA ÍNDIA, E O FEITO DOS PORTUGUESES

"Foi, com efeito, a armada de Pedro Álvares Cabral que trouxe com a triste nova de que, afinal, os
habitantes da Índia eram gentios e não cristãos, a de que, para mais de Goa até Cochim havia mais mouros que em toda a costa de África, de Ceuta a Alexandria. Mas foi ela também qu, em Janeiro de 1501, embarcou em Cranganor dois cristãos locais, o Pe. José e seu irmão Matias, que queriam vir à Europa para visitar Roma, Jerusalém e a Mesopotâmia onde residiam os seus patriarcas. A D. Manuel traziam, como precioso dom, terra colhida sobre a tumba de S. Tomé Apóstolo, em Meliapor. Traziam igualmente informações sobre a Índia menos fantasiosas do que as que o piloto mouro e Gaspar da Gama haviam fornecido dois anos atrás. D. Manuel, que continuava a sonhar com a conquista de Jerusalém e a anelar pelo apoio dos cristãos do Oriente, folgou com a vida de José e de Matias; e, na sua Carta aos Reis Católicos, seus sogros, com cujo apoio contava igualmente reportou:
"Naquele reino [Cochim] há muitos cristãos verdadeiros da conversão de São Tomé, e os sacerdotes deles seguem a vida dos Apóstolos com muita estreiteza, nem tendo próprio senão o que lhe dão de esmola e guardando inteira a castidade; e têm igrejas em que dizem missas e consagram pão ásimo e vinho que fazem de passas secas com água, por [não] poderem [de] outro; e mais igrejas não têm imagens senão a cruz; e todos os cristãos trazem vestidos apostólicos com suas barbas e cabelos sem os nunca fazerem, E ali achou certa notícia donde jaz o corpo de São Tomé, que é cento e cinquenta léguas dali na costa do mar numa cidade que se chama Mailapur, de pouca povoação; e me trouxe terra de sua sepultura. E todos os cristãos e assim os mouros e gentios pelos grandes milagres que faz vão a sua Casa em romaria. E assim me trouxe dois cristãos, os quais vieram por seu prazer e por licença de seu prelado para os haver de mandar a Roma e Jerusalém e verem as coisas da Igreja de cá, porque têm que são melhor regidas por serem ordenadas por S. Pedro, e eles crêem que foi a cabeça dos Apóstolos, e serem eles informados delas. E também soube certas novas de grandes gentes de cristãos que são além daquele reino, os quais vão em romaria à dita Casa de São Tomé; e têm reis muito grandes que obedecem a um só e são homens brancos e de cabelo louros e verdes por fortes e chama-se a terra Malchina, donde vem a porcelana, almíscar e âmbar, e tenho leões que trazem do rio Ganges que é aquém deles; e das porcelanas há vasos tão finos que um só vale lá cem cruzados..."
Estas informações repetem-se em mais pormenores na relação pouco depois impressa em Itália com base no que aí referiu o mesmo Pe. José de Granganor, a Relação de José da Índia.

Ignorando-se quase tudo acerca da armada de João da Nova (1501-1502); não se sabe, portanto, se teve algum contacto com os cristãos do Malabar.

É na expedição seguinte - a segunda de Vasco da Gama - que se situa um episódio significativo. Estando o Almirante em Cochim, veio-lhe uma embaixada dos cristãos de Cranganor trazendo-lhe não só presentes, como a vara da justiça de que usavam - espécie de ceptro, vermelho, guarnecido de prata, com três campainhas desse metal - para que passasse a administrá-la aos cristãos locais em nome DelRei de Portugal; e ao mesmo tempo sugeria-lhe que os Portugueses erguessem em Cranganor uma fortaleza. Visivelmente, após os primeiros desaires infligidos aos mouros e ao seu protector, o Samorim, pelos capitães de D. Manuel, os cristãos de Cranganor entreviam uma hipótese de ver restaurados, quem o papel predominante outrora desempenhado pelo seu porto no grande comércio oceânico, antes da escápula da pimenta se ter transferido para Calicut, quer a situação de favor de que a comunidade gozava antes de os muçulmanos se terem tornado senhores do Índico. A entregar da vara da justiça não serviu, contudo, a longo prazo, os efeitos que se esperavam. Refere, de facto, o Pe. Francisco de Sousa que, mais tarde, muitos cristãos que entretanto haviam descido dos Gates a viver sob a protecção dos Portugueses se voltaram a retirar para o interior, não só por se não se quererem conformar com alguns usos litúrgicos ocidentais (...), como também por se não adaptarem à justiça portuguesa, (...) assaz rigorosa nas penas que aplicava.

No ano imediato a este encontro entre Vasco da Gama e os cristãos de Cranganor foi a vez de os de Coulão recorrerem igualmente à protecção dos Portugueses: Afonso de Albuquerque fora aí a assentar feitoria e a confirmar o acordo feito em Cochím com os representantes das autoridades locais; os cristãos da terra pediram-lhe então que interviesse para que lhes fosse restituída a administração do peso da cidade, que lhes cabia por antigo privilégio mas lhes fora recentemente retirada. E quiseram mandar a D. Manuel a cruz principal, de ouro, da sua igreja; mas Albuquerque apenas aceitou que mandassem uma menor, de prata. Passou-se isso em Janeiro de 1504. (...)

Nem em Cranganor nem em Coulão houvera, entretanto, contacto com a hierarquia, já que o único Bispo que então havia na Índia, Mar João, devia estar na sede habitual dos Bispado, Angamel, sita a certa distância da costa.

Foi só durante a monção desse mesmo ano de 1504 que se deu em Cananor, o primeiro encontro entre Portugueses e a hierarquia local. Vindos de Ormuz, eram aí chegados da Mesopotâmia quatro prelados, Mar Yabalah, Mar Tomé, Mar Jacob e Mar Denha; esperando, provavelmente, que passasse a força da monção para prosseguirem a jornada, detiveram-se junto da vintena de portugueses que aí tomava contra da feitoria DelRei dois meses e meio.

Curiosamente, não [se conhece] nas fontes portuguesas qualquer menção deste encontro, do qual subsistem dois relatos em siríaco; a Carta, que especialmente nos ocupa aqui, e uma breve notícia consignada por Mar Jacob no cílofon de um pequeno calendário litúrgico que copiou durante sua estadia em Cananor.

Eis as circunstâncias em que surgiu o texto que a seguir traduziremos e estudamos.

As relações amistosas entre Portugueses e a hierarquia da Igreja sírio-malabar então encetadas haviam de durar meio século, apenas toldadas de quando em vez por questiúnculas litúrgicas (...). Será preciso esperar pela segunda metade do séc. XVI, pela morte de Mar Jacob, (...) pela criação de uma hierarquia latina na Índia, (...); só então iniciará o Padroado Português uma espécie de guerrilha eclesiástica para fagocitar a velha cristandade de S. Tomé [opinião muito pessoal do autor], o que alcançará em 1599, no Sínodo de Diamper." (A Carta Que Mandaram Os Padres da Índia, da China e da Magna China - Um Relato Siríaco da Chegada dos Portugueses ao Malabar e Seu Primeiro Encontro com a Hierarquia Cristã Local. Luís Filipe F. R. Tomaz. Coimbra, 1991)

12/10/14

12 de OUTUBRO - E UMA DATA PROGRAMADA

Nossa Senhora do Pilar
Já por cá foi abordado o tema da chegada de Colon às Antilhas. O dia 12 de Outubro, dia de Nossa
Senhora do Pilar (referência importante), foi também o dia da chegada de Colon, em 1492.

Pedro Alvares Cabral, com 13 embarcações, chegou ao Brasil no redondo ano de 1500, e justamente na oitava da Pascoa (dia 22 de Abril).

Até há bem pouco tempo, todas estas datas podiam ser tomadas apenas por vontade divina. Hoje, perante os dados revelados por documentação original, tais datas não podem ser tomadas de forma tão simples. Portugal já tinha viajado ao Brasil em outras ocasiões, e as Antilhas onde Colon chegou já estavam cartografadas por Portugal, as coordenadas da primeira viagem de Colon já estavam documentadas em Portugal. O estudo da viagem de ida e volta demonstra que Colon conhecia tudo previamente, tanto que no regresso foi directamente para as nossas ilhas (o mesmo que encontrar "uma agulha num palheiro") sem desvio algum.

Tudo indica que as datas destas descobertas foram programadas, e mais: nenhuma delas indica realmente uma descoberta, e Portugal já antes tinha conhecimento do Brasil e das Antilhas (América Central).

Está comprovado que Colon era nobre de sangue, e casou com a Fidalga D. Filipa Moniz de Perestrelo, das comendadeiras da Ordem de S. Tiago. Para o casamento foi dada autorização do Mestre da Ordem, que era o próprio D. João II. Não há qualquer discordância entre os autores nesta matéria, porque se sabe que nunca o Rei poderia ter dado autorização para que uma Fidalga ao seu cuidado casasse com um plebeu. Ficam totalmente excluídas as teses do "Colmbo italiano", "Colon catalão", "Colon galego" e "Colon espanhol". Todas estas teses caídas apareceram como refutações das teses anteriores, e a primeira delas é da o "Colombo italiano". As tese contra a qual nenhum especialista se atreveu, é a do "Colon português", e que possui algumas variantes. Não há mais dúvidas de que Colon era português, e discute-se apenas quem era realmente. A maior das probabilidades aponta para que Colon fosse filho ilegítimo do Rei da Polónia com uma Fidalga portuguesa, o nascimento teria sido em Cuba (Alentejo -Portugal, nome com o qual vai depois baptizar uma das ilhas).

Um adepto ardente da "hispanidad", ao saber que Portugal tinha feito muito secretismo nos seus descobrimentos, teve o descaramento de dizer perante falantes da língua portuguesa e da língua espanhola que: aquela raça de gente que faz muitos secretismos é guiada pelo demónio, porque só o mal oculta o que faz. Mas, infeliz, nunca o ardente senhor perguntou o motivo do secretismo, nem me parece que algum dia nos tenha feito perguntas antes de atacar a civilização Lusa!

Porque Portugal fez tanto secretismo nos seus descobrimentos?!... A reposta é importantíssima, mas não cabe neste artigo, e merece ocasião especial.

Hoje, dia 12 de Outubro, foi o dia em que um português escolheu para Castela chegar à falsa Índia. Enquanto isso, enquanto andaram entretidos por lá, enquanto estava atraída a atenção dos piratas, os portugueses, agora sem perigos, puderam passar tranquilamente para a verdadeira Índia. Por isso, também nós, agradecemos a Nossa Senhora do Pilar que aceitou esta escolha por todos os benefícios obtidos. Sem a chegada de Colon, não teríamos podido ir à Índia nem defendido a África.

Escolheram que fosse este "el dia de la hispanidad"... Não tenho dúvida que é um dia que diz muito sobre Castela.

22/05/14

CIÊNCIA MODERNA NASCEU COM OS DESCOBRIMENTOS PORTUGUESES ...

Jornal O Público, Ciência P, 22/05/2014:

Walter Alvarez: Ciência Moderna Nasceu Com os Descobrimentos Portugueses, Antes de Copérnico e Galileu.

O geólogo, que em 1980 revolucionou a ciência ao descobrir que os dinossauros tinham sido extintos pelo impacto de um asteróide, acredita hoje que a ciência moderna nasceu em Portugal. Na conferência que dá esta quinta-feira à tarde no Porto, na Fundação de Serralves, explica porquê.


Ao propor, em 1980, que o desaparecimento dos dinossauros, há 66 milhões anos, foi acompanhado pela extinção de muitas outras espécies e se ficou a dever ao impacto de um asteróide, o geólogo norte-americano Walter Alvarez tornou-se um desses raros cientistas que alteraram radicalmente a nossa visão do passado. O cientista está no Porto e dará na tarde desta quinta-feira, no Auditório da Fundação de Serralves, pelas 17h30, uma conferência intitulada O Estudo da Grande História – Supercontinentes, e como Portugal Inventou a Ciência. A sessão, que incluirá também o lançamento da edição portuguesa do seu livro As Montanhas de São Francisco – À Descoberta dos Eventos Geológicos que Moldaram a Terra, um relato das suas investigações geológicas nos Apeninos italianos, é co-promovida pelo Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto, dirigido pelo biólogo Nuno Ferrand de Almeida, a quem se deve a tradução deste livro de Alvarez.

Professor na Universidade de Berkeley, na Califórnia, onde ensina Grande História, uma nova abordagem que procura quebrar barreiras disciplinares e propor uma narrativa coerente de todo o passado do planeta e do Universo, Walter Alvarez (deve o apelido espanhol aos seus antepassados asturianos) vai tentar demonstrar hoje em Serralves por que é que acredita que a ciência moderna nasceu em Portugal, com os Descobrimentos, e não com Copérnico ou Galileu, como geralmente se aceita. Nesta entrevista, avança alguns argumentos.

O título da conferência que vai apresentar em Serralves é O Estudo da Grande História – Supercontinentes, e como Portugal Inventou a Ciência. Presumo que a última parte se refira aos Descobrimentos, mas acha mesmo que marcam o início da ciência ou está a forçar o argumento para ser simpático?
Normalmente, as pessoas acham que a ciência moderna começou com Copérnico e Galileu, com Kepler e Newton. O cientista português Henrique Leitão e eu temos trabalhado juntos a partir da ideia de que talvez Portugal tenha sido o lugar onde a ciência moderna se iniciou. Escrevi com o Henrique – ele é um historiador da ciência, mas também um físico – um artigo razoavelmente extenso a defender essa perspectiva.

Uma hipótese séria, portanto?
Absolutamente. Não estou a brincar. Quer que o convença?


(...)

…mas voltando aos Descobrimentos, que conceitos é que as expedições atlânticas vieram pôr em causa ? 
(...) Antes dos navegadores portugueses, os europeus recuavam a Cláudio Ptolomeu e pensavam que o Oceano Índico era completamente fechado, como um lago enorme, ao qual não se podia chegar navegando. Os portugueses mostraram que era possível atingi-lo por mar contornando a costa africana. Ou seja, todos os mapas baseados em Ptolomeu estavam simplesmente errados [!?]. Como geólogo, interessa-me a Terra, e isto era uma grande descoberta acerca da Terra.

... (...) também se desenvolvem novos instrumentos e técnicas, e foi o que os portugueses fizeram, com as caravelas e outros barcos, ou com a invenção do astrolábio. E quer outro argumento? Todas as ciências têm uma base matemática forte, e no tempo dos Descobrimentos existiu um grande matemático, Pedro Nunes. Temos cartas de matemáticos ingleses da época que dizem que ele é o maior matemático vivo. O que Nunes fez foi calcular como se pode navegar no mar alto, no Atlântico. No Mediterrâneo era fácil, ninguém se perdia. Só Ulisses é que andou lá perdido uns 20 anos...

Há pouco dizia que viveu duas revoluções científicas na geologia…
Tive essa felicidade. A primeira foi a tectónica de placas, a outra teve a ver com impactos e extinções em massa. O que acontece numa revolução científica é que é tudo tão emocionante que mal se consegue suportar a excitação. As pessoas aprendem coisas novas e não conseguem esperar para partilhar o que descobriram. Há uma atmosfera eléctrica nos encontros científicos. Henrique Leitão convenceu-me de que foi isso que aconteceu em Portugal durante os Descobrimentos. Estive nos Jerónimos e vi aqueles extraordinários motivos decorativos, com animais, pássaros, cordas, esferas armilares. Deve ter sido tudo tão emocionante, sobretudo depois de uma Idade Média em que as coisas mudaram pouco e devagar. Estou convencido de que foi mesmo uma revolução científica, e como geólogo gosto de pensar que foi uma revolução geológica que inaugurou a ciência.


No seu caso, a expressão “vivi duas revoluções científicas” é um modo bastante modesto de pôr as coisas, tendo em conta a sua intervenção directa na segunda, a que trouxe uma nova explicação para a extinção dos dinossauros.
O ensaio em que eu e o meu pai [o físico Luis Walter Alvarez (1911-1988), prémio Nobel em 1968] avançamos a hipótese de que o impacto de um asteróide provocara uma extinção em massa saiu em 1980. Os geólogos estavam convencidos de que tudo o que se passara na história do planeta decorrera devagar e gradualmente. A ideia de que o impacto de um asteróide podia ter morto os dinossauros e extinguido muitas outras espécies de animais e de plantas era um anátema. Não gostavam mesmo nada dessa ideia e, na época, criticaram-me bastante severamente.

Admite que, para lá da controvérsia propriamente científica, possa ter havido uma espécie de relutância psicológica em aceitar que uma catástrofe dessas dimensões pudesse ter ocorrido? E que, consequentemente, poderia voltar a acontecer?
Pode bem ser que tenha alguma razão. O homem que convenceu os geólogos de que todas as mudanças tinham sido lentas e graduais foi um inglês chamado Charles Lyell, que escreveu o seu livro [Principles of Geology] por volta de 1830. É verdade que a maior parte das mudanças é lenta e gradual, mas ele afirmava que nada de catastrófico alguma vez ocorrera. Pensei muitas vezes que, sendo ele um inglês de classe alta a viver nos tempos da Revolução Francesa, não lhe deveria agradar muito a ideia de mudanças bruscas e de catástrofes. Mas Lyell não era só um geólogo, era também um advogado, era muito bom a convencer as pessoas.

Um momento decisivo no processo que levou à sua descoberta foi a constatação, quando estudava formações rochosas em Itália, de que havia uma presença invulgar de irídio – um metal raro que costuma encontrar-se em meteoritos – num estrato argiloso que dataria mais ou menos de há 66 milhões de anos. Passar da anomalia na concentração de irídio para a teoria de que um asteróide extinguira os dinossauros não foi um salto um bocado ambicioso, ainda que lógico?
Talvez pense que a ciência é muito lógica, mas a verdade é que andamos aos tropeções, procurando respostas que ninguém ainda deu. Mesmo após a descoberta do que se passava com o irídio, estivemos um ano inteiro a colocar diferentes hipóteses até chegarmos à ideia do asteróide.

(...)

27/04/14

PÁSCOA de 1500 - CHEGADA A TERRAS DE VERA CRUZ

Sem pedir autorização, tomo a liberdade de publicar um texto de um sacerdote brasileiro, amigo meu. Com esta publicação, dou também a minha parte de agradecimento ao Senhor Padre em questão:

"A primeira missa também foi um marco para o inicio da história do Brasil. No dia 22 de abril de 1500 chegaram as 13 caravelas lideradas por Pedro Alvares Cabral. Ao avistar um monte do mar, chamou de Monte Pascoal já que era o oitavo dia da Páscoa. Ao desembarcarem foram recebidos por aproximadamente dezoito índios e trocaram presentes. A bordo de suas caravelas novamente, subiram um pouco para um lugar mais protegido e foram parar na praia da Coroa Vermelha, em Porto Seguro, no litoral sul da Bahia.
 
 
Foi exatamente ali que foi celebrada a primeira missa em solo brasileiro, no dia 26 de abril. Segundo narra o escrivão Pero Vaz de Caminha em uma carta para o rei de Portugal, D. Manuel, depois 47 dias navegando pelo oceano Atlântico, ao chegarem na praia da Coroa Vermelha, dois carpinteiros fizeram uma cruz e a colocaram na areia. A missa foi celebrada pelo Frei Henrique com mais alguns clérigos.

Foram convocados mil homens, entre oficiais e marinheiros e havia cerca de duzentos índios que acompanhavam atentamente ao que acontecia, com muito respeito e adoração. Os índios seguiam os mesmos gestos dos portugueses, se eles levantavam, eles também levantavam, se eles ajoelhavam, eles também ajoelhavam. Depois de terminada a cerimônia o sacerdote fez uma pregação narrando a vinda dos portugueses. Vaz de Caminha acreditava também que a conversão dos índios não seria difícil, já que eles foram muito respeitosos quanto a religião.

Nos dias seguintes, os portugueses tentaram mostrar para os índios o respeito que tinham com a cruz, se ajoelharam um por um e a beijaram. Alguns índios fizeram o mesmo gesto, o que fez com que fossem considerados inocentes e fáceis de evangelizar. Vaz de Caminha pede ainda para o rei que venha logo o clérigo para batizá-los a fim de conhecerem mais sobre a fé deles.

A segunda missa foi celebrada no dia 1º de maio, na foz do rio Mutarí. E assim, deu-se início ao que hoje é considerado o maior país católico do mundo.

Obrigado Senhor!

Obrigado Portugal!"

31/03/14

RESPOSTA À ESPANHOLATRIA - A RESPEITO DA CRISTIANIZAÇÃO DA ÁFRICA

Ao "espanhoátrico", ou talvez apenas herdeiro da "espanholatria", dedico este artigo-resposta; pois o dito Senhor em lugar de responsabilidade, diante de alguns proferiu estas palavras: "antes do descobrimento da América não houve cristianização da África". Após esta estranha introdução, seguiram-se os elogios ao início dos descobrimentos cristãos "iniciados pelos espanhóis"!!!

Cabe-nos esclarecer e tentar parar aquele tipo de ignorância-activa, prejudicial, e que os exaltados calores espanhóis alentam para boa imagem sua e má imagem dos outros. Sei grandes demoras, para este caso dou remédio:


"Martinho V concedeu os benefícios dados aos cruzados da Terra Santa e mandou aos sacerdotes portugueses pregarem a cruzada quando os Reis portugueses quisessem (Bula Rex Regnum - 1418)... iniciou Portugal a prosseguir (Bula Super Gregem Dominicum - 3 de julho de 1418); ... continuassem a defender o Cristianismo (Bula Ab Eo Qui Humani - 26 de março 1419); instigou D. Henrique a proteger os cristãos (Bula In Apostolicae Dignitatis Specula - 1420). As bulas Romanus Pontifex (6 de setembro de 1420) e Romani Pontificis (5 de março de 1421) regularam a administração das regiões conquistadas pelos portugueses. ... Eugénio IV incitou os portugueses... (Romanus Pontifex - 15 de setembro de 1436) e deu o privilégio aos portugueses de comerciarem com os mouros (Bula Praeclari Tuae - 25 de Maio de 1437) ... concedendo privilégios aos povos que com os portugueses impedissem o avanço de islamismo. Nicolau V concedeu outros favores (Bula Romanus Pontifex - 8 de janeiro de 1450, 8 de janeiro de 1454, e 1455); Calisto III concedeu à Ordem de Cristo a jurisdição espiritual sobre as regiões conquistadas pelos portugueses, no presente e no futuro, desde os Cabos Bojador e Nao, por via da Guiné e mais além para o Sul, até às Índias (Bula Inter Caetera - 13 de março de 1456) ... Sisto IV confirmou o tratado de Toledo [Alcáçovas] e renovou os privilégios concedidos (Bula Aeterni Regis Clementia - 21 de junho de 1481)".

(Congresso Internacional, Bartolomeu Dias e a Sua Época, Actas, Volume I "D. João II e a Política Quatrocentista", pub. Universidade do Porto, 1989, pág. 107-115)

Assunto arrumado!

DESCOBERTA DE CANÁRIAS POR CASTELA !? UM EQUÍVOCO!

Transcrição da carta de D. Afonso IV de Portugal ao Papa Clemente VI, sobre a conquista de Canárias.
(Livro 138, pág. 148-149, Arquivo Secreto do Vaticano)
"Afonso Rei de Portugal e do Algarve com devida reverência.... Como reposta à vossa carta com a devida reverência respondemos que os primeiros descobrimentos daquelas ilhas foram habitantes do nosso Reino. Verdadeiramente esperávamos que as quais ilhas existiam para nós primeiro do que qualquer outro Príncipe vendo que estão mais perto de nós... Mandámos nossas gentes e navios àquele lugar para examinar a condição dessas terras os quais ao chegarem a essas ilhas capturaram homens e animais à força..."

Este documento é  uma cópia, da carta enviada pelo Rei de Portugal, D. Afonso IV, ao Papa Clemente VI, por motivo da entrega e conquista de Canárias terem sido equivocadamente atribuídas a Castela, sendo que Portugal tinha sido na verdade o primeiro Reino cristão a chegar ali.

15/02/14

LOUVORES A PORTUGAL - POR OLHOS ESTRANGEIROS (III)

(continuação da II parte)

- P. Chapelain de M. R. Grognard escreve sobre Portugal, em dedicatória ao enviado extraordinário de Portugal, D. Diogo de Carvalho Cerqueira, em 1682:

"Não custa a conhecer a nação portuguesa, se se reparar na história de suas empresas, nas suas victorias, glória e conquistas.

São os portugueses ordinariamente mais propensos à navegação, ao comércio, à guerra, do que as belas letras, apesar de serem eles dotados dum espírito subtil. O que para isso mais contribui, é o exemplo de seus avós, que por aqueles meios estabeleceram suas casas e serviram ao Rei para aumentar a glória e forças do estado. Tem-se visto que souberam fazer para as consolidar e conservar tão belas conquistas nas costas de África, Ásia e no novo mundo. Comerceiam com todos os povos do setentrião e enriquecem-se em pouco tempo."

São mais corteses que os castelhanos, cujo orgulho lhes pareceu sempre intolerável. São também homens muito espertos, civis e próprios para tudo.

As conquistas deste Reino estendem-se a mais de cinco mil léguas de costa, e como os portugueses têm querido tornar-se por toda a parte senhores do comércio, todas as quatro partes do mundo, todas as suas praças estão à borda do mar, onde seu Príncipe, que é conhecido em todas as quatro partes do mundo, tem vários Reis por vassalos e tributários com a comodidade de fazer vir para a Europa as mais raras e preciosas mercadorias do Oriente.

(...)

Pode-se dizer que não há nação na Europa que seja tão poderosa, tão rica e tão estimada como o é a portuguesa nas Índias orientais, quer isto provenha da pesca das pérolas, e das conquistas que soube ganhar e conservar tão gloriosamente, quer de sua maneira de proceder, mais afável que a dos espanhóis, e de sua habilidade admirável em todas as coisas.

Castela deve sua liberdade aos Reis de Portugal, cujas armas mais contribuíram do que as dela a expulsar os mouros dos Reinos de Granada e de Andaluzia, e a desviar as conquistas que seus miramolins poderiam empreender, se os portugueses não se tivessem oposto a seu furor, etc.

O Reino é muito povoado, e todos os portugueses aguerridos. Daqui saíram grandes exércitos, e a nação povoou colónias muito notáveis, mesmo antes da conquista da Índia, e apesar de ter disto Portugal em todos os séculos um campo de batalhas ou de revoluções. Seus Reis sustentaram só com as forças do país guerras contra os mouros e castelhanos, e outros vizinhos que tinham um número quase infinito de soldados. Ampliaram aos limites do país, o levaram a cabo empresas, que uma parte da Europa nem mesmo teria ousado empreender. Povoaram as costas de África, as Índias Orientais, o Brasil, e para ali continuaram a mandar anualmente mais de seis mil homens..... Enquanto a marinha, Portugal é a primeira nação no universo. os navios são tão bem construidos, e a habilidade dos marinheiros ajuda tão bem a coragem dos soldados e os projectos dos generais, que com justa razão a esquadra de Portugal é o terror das Índias, e por isso ali conserva praças afastadas umas das outras, e no meio de tantos Reis inimigos. A causa disto é que o número dos navios em serviço da Coroa é extraordinário; e se todas estas esquadras se unissem à frota que anda a cruzar por aqueles mares ás ordens de S. M. Portuguesa seria uma frota capaz de fazer tremer uma infinidade de povos."


- O autor é italiano, não sei quem é, e critica o que se escreveu sobre Portugal a respeito das invasões napoleónicas. Em 1816 escreve assim:

"Napoleão resolveu mandar em 1810 para Portugal um exército de 115.000 homens sob o comando de Massena. E se ele pôde destacar aquele número de soldados para fazer a conquista de Portugal, se durante os dez meses daquela invasão não houve algum outro acontecimento notável na Península, nem os espanhóis fizeram algum movimento para se aproveitarem da divisão do marcheal Massena e da de Soult, que tinha recebido ordem de se apossar de Badajoz e ocupar a parte meridional do Tejo em Portugal, era evidente ser Napoleão senhor da Espanha nos anos de 1809, 1810, 1811, como o era do resto do continente. por isso em vez de considerar debaixo dum ponto de vista secundário os acontecimento de Portugal, e dar toda a importância aos movimento da Alemanha, devia o autor considerar naquela época a causa de Portugal, como a causa do continente inteiro.

Por ocasião da batalha de Barrosa, dada perto de Cadix a 5 de março de 1811 desenganaram-se os ingleses da possibilidade de formar um exército hispano-inglês. Daquela época por diante não pensara os ingleses entrarem sozinhos na Espanha,e depois da retirada de Massena em maio de 1811 só houve o exército Anglo-Luso, que figurasse no referido país. A este de longe a longe se uniu algum pequeno e insignificante corpo espanhol, mas em geral os espanhóis operavam somente como guerrilhas; e depois de 1809 pode-se dizer que mui pequena parte tiveram nos brilhantes sucessos de guerra. Nenhuma, por exemplo, na batalha do Buçaco a 27 de setembro de 1810, e em todo o tempo da invasão Massena.
Nenhuma nos assaltos de Ciudad-Rodrigo, e de Badajoz no ano de 1811;
Muito pouca e débil na batalha de Albuera a 16 de maio de 1811;
Quase que nenhuma na de Salamanca a 21 de julho de 1812;
Muito pouca na de Victoria a 21 de julho de 1813;
Nenhuma no assalto de S. Sebastião;
Pouquíssima em diversas batalhas de Pamplona e dos Pirenéus;
Muito pouca em diferentes refregas em torno de Baiona;
Muito pouco na batalha de Orthez a 13 de fevereiro de 1814;
Pouca na de Tolosa a 10 de abril de 1814.

Por conseguinte o autor da história representa-a debaixo de falsas cores quando omite falar dos triunfos de lord Wellington em Portugal, e dos esforços dos portugueses, que foram o primeiro passo decisivo para o livramento do continente. Quando faz figurar um exército anglo-hispano, que nunca existiu, e passa em claro o exército anglo-luso.

Lord Wellington, quando chegou a Portugal, escreveu aos ministros ingleses, dizendo-lhes que lhe parecia surpreendente a insurreição de Portugal, pois aos espanhóis ainda restavam algumas tropas e todos seus arsenais, ao passo que aos portugueses nada que tal nome merecesse.

A história de Portugal em quanto a este ponto desafia o cálculo e a sagacidade dos mais hábeis políticos. Esta nação em todos os tempos se mostrou belicosa e propensa a defender sua pátria, e todas as vezes que tem sido bem dirigida, tem obrado prodígios na guerra; duas vezes esteve sem oferecer resistência em 1589 e 1807, e duas vezes se insurgiu contra o inimigo que a molestava, e em ambas foi bem sucedida."


- M. Guingret, chefe de batalhão francês, oficial da Ordem Real da Legion d'Honneur, em 1817 escreve:

"É Portugal um dos países mais montanhosos e mais pitorescos; regado e fecundado por alguns rios majestosos, ornado de bosques e florestas, sendo também cortado por pequenos ribeiros e torrentes, que engrossam prodigiosamente com as menores chuvas. nele se vêm lugares os mais pitorescos e risonhos junto de vistas da maior aridez.

Apesar da antiga reputação de bravura dos espanhóis, e de nos terem por bastante tempo causado muito mal, todavia não mostram contra nós uma coragem tão activa, como a dos portugueses. Nos últimos tempos as tropas deste rivalizavam em valor com a melhor infantaria inglesa."

Citarei o sangue frio de alguns artilheiro portugueses no cerco de Almeida, que tendo tido a felicidade milagrosa de sobreviverem à explosão, continuaram a disparar suas peças, em quanto os destroços da praça ainda voavam, e ameaçavam esmigalhá-los. Gostámos de admirar a coragem, mesmo em nossos inimigos.

Almeida
Em geral todos os chefes inimigos que comandaram praças na Espanha, ou em Portugal, adquiriram muita glória. Quase todos desenvolveram grande coragem, mostraram uma dedicação rara, e deram provas do mais nobre desinteresse durante suas defesas. Parecia que quanto menos esperavam socorro, tanto mais pertinácia mostravam. Um comportamento militar tão belo em nossos inimigos, realça a glória dos chefes franceses que foram encarregados de lhes tomar as praças.

Passámos por Mangualde, pequena, mas bonita povoação. As plantas e árvores indígenas, que embelezam este lugar, concorrem a torná-lo mais delicioso aos olhos do estrangeiro. Começamos aqui a encontrar monumentos de utilidade pública, monumentos muito raros na Espanha, onde ainda menos existiam antes do reinado de Carlos III.

Além dos monumentos de utilidade pública, as diversas fábricas, e as boas livrarias que se acham tão frequentemente nas cidades, e até nas vilas, onde os principais habitantes têm sempre porção de excelentes obras em várias línguas; os instrumentos de matemática, física, astronomia, marinha, que vemos frequentemente em Portugal e cuja forma se ignora mesmo na Espanha, tudo isto parece atestar que a nação portuguesa está muito mais adiantada que a Espanha. (...)

(...)

Avistámos então o convento do Buçaco, do qual tínhamos distinguido uma parte da torre no dia da acção. Os religiosos deste mosteiro tinham recolhido e tratado com a maior humildade os feridos do nosso exército que tinham ficado no campo de batalha, a distância fora do alcance do socorro, que nós lhes tivéssemos desejado dar. Em muitos lugares de Espanha os frades te-os-iam matado em vez de diligenciarem sua conservação.

(...)

É com injustiça que se atribui a expulsão dos franceses da Espanha aos espanhóis: devem principalmente o livramento de sua pátria às forças de Inglaterra, e ás de Portugal.

Estavam os espanhóis mergulhados num sono apático, quando uma perfídia inaudita lhes roubou Fernando VII. O despertamento foi terrível. A indignação transformou de repente na Península o espírito de fanatismo em furor guerreiro. Numerosos exércitos se formaram; fortificaram-se à pressa muitas cidades e conventos, por toda a parte ouviram-se cânticos patrióticos, misturavam-se com os hinos consagrados à Divindade. Com o sentimento profundo da justiça de sua causa todos os espanhóis levavam no coração a confiança da victoria. No entanto não puderam resistir à superioridade, que o hábito de vencer tinha dado a nossos soldados. Os exércitos espanhóis vencidos logo que eram atacados; desapareciam diante do nós como areias assopradas pelo vento. Sanguinolentas derrotas, a queda de Saragoça afrouxaram os enérgicos esforços dos povos de Espanha. Esta nação vilipendiada renunciou então em parte ao plano de defesa activa que tinha abraçado ao principio, e opôs sua inércia natural à invencibilidade dos franceses."

No entanto os destroços dos exércitos espanhóis, numerosos corpos milicianos comandados por generais patriotas; bandos de guerrilhas, à frente das quais se achavam contrabandistas, aventureiros e mesmo antigos chefes de salteadores conseguiram manter continuamente a maior parte das províncias num estado de guerra vantajoso à causa da nação. os espanhóis têm coragem, porém exagerou-se muito o valor que mostraram na última guerra. Os elogios excessivos que lhes prodigalizaram não são devidos mais que á sua perseverança, virtude inerente à sua vaidade."


- Da coleção de viagens de André Holben (1557):

"Encontrámos depois cinco navios que pertenciam ao Rei de Portugal: tinham ordem de esperarem junto das ilhas os navios que voltavam das Índias para os comboiarem para Portugal. Ficámos com eles, e os ajudámos a comboiar um navio que chegava da Índia até uma ilha chamada Terceira. Um grande número de navios, procedentes todos do novo mundo, se tinham reunido nesta ilha. Uns dirigiram-se para a Espanha, outros para Portugal. Deixámos pois a Terceira em companhia de perto de cem navios, e cheguei a Lisboa a 8 de outubro de 1548, depois de uma ausência de dezasseis meses.


- Victor Eugene Hardung, no "Cancioneiro d'Evora publié d'aprés le manuscrit original et accompagnè d'une notice litteraire-historique", 1875, diz:

"A memória, ou folhas volantes foram ao princípio os únicos arquivos nos quais os trovadores, os menestreis e os minnesingers alemães conservavam suas poesias e melodias. Quando o número sempre crescente já não permitia reter a memória delas desta sorte, e que alguns espíritos esclarecidos encontravam bastante interesse em ler e estudar as produções destes cantores populares, começaram a recolher os textos dispersos, e organizaram coleções mais ou menos vastas.

Assim se formaram, em quanto à poesia provençal, as célebres coleções do Vaticano, cod. 3206 e 5232, os manuscritos 7226, 7614, 7693, 7698 da Biblioteca nacional de Paris, e o cod. 42 da Biblioteca laurenziana em Florença. os cancioneiros de Heidelberg, de Benedictbeuren, de Wemgarten e do cavalheiro Manessi, que transmitiram à posterioridade grande número de canções dos minnesingers, deveram sua origem à mesma necessidade.

Em Portugal, estas coleções de poesia, a que dão o nome de cancioneiros são mais numerosas do que em nenhuma outra nação, e possuem uma importância fundamental para a história literária deste país.

(...)


- Em "Coup d'oeil sur Lisbone et Madrid en 1814 ...", Ch. V. D'Hautford escreve:

"O espetáculo de Lisboa, elevando-se em forma de anfiteatro na direita do Tejo, oferece os mais belos tipos de pincel dos Vernet, e ao buril dos Woolett. A baía, que se abre abaixo de Lisboa, ancoradouro excelente para todas as sortes de embarcações, é formada pelas águas do Tejo, que neste sítio contra três léguas de largura. A multidão de navios ali ancorados, o aspecto variado dos edifícios, que se desenhavam a meus olhos, os diversos acidentes deste quadro, produzidos pela natureza e pelas artes, cobertos por uma incomensurável cortina do mais belo azul, mergulharam minha alma num desses extasis, cuja força criadora tem produzido as primorosas telas dos Vanden-Velde, Vroom, Borzoni e Salvator-Rosa admirados pela Europa em suas galerias.

Merece especial menção a maneira como em Portugal trabalham na pedra produzida neste país. nenhum outro possui melhores materiais para as construções. Esta pedra é calcaria, e o mármore nobile de Linneo. A perícia dos habitantes para a lavrarem é pouco vulgar, e as obras que saem de suas mãos, são de umas perfeição admirável.

No centro da praça do Comércio admira-se a estátua equestre em bronze, de José I, obra de Joaquim Machado de Castro, e que assegura a este escultor uma reputação imortal. Troféus e grupos emblemáticos, colocados aos lados do pedestal, executados pelo mesmo artista dão a este monumento um ar de grandeza que eu não observei nas estátuas equestres dos grandes duques Cosme e Fernando, que vemos em Florença nas praças do Palácio velho, e da igreja da Anunciada, pertencentes ambas ao cinzel de João Bologna.

Estátua de D. José I de Portugal
Bartolomeu da Costa é o nome daquele que fundiu a estátua de um só jacto, operação que merece elogios, atendendo à dimensão da figura do Rei e do cavalo. As proporções desta estátua equestre são as mesmas que as da estátua de Luís XIV na praça de Vendome; mas a figura do Rei José I é de onde polegadas mais, o que provém do capacete.

Não tendo podido ver o mosteiro de Belém, nada posso fazer para satisfação de meus leitores senão reportar-me ao elogio, que dele fazem Fregier e Aviler: o primeiro na sua obra de Stereotomia (tom. 3º, livro 4º, parte 2ª, pag. 28); e o segundo no seu Diccionário de Architectura, na palavra Haedi.

Hautefort teve o talento raro de descrever melhor Lisboa depois de uma residência somente de duas semanas, do que o fizeram outros viajantes de pois de a terem habitado por muito tempo."


- O Autor de "Revelations of Spain", T. M. Hughes, inglês, diz:

"Se o Infante D. Henrique não tivesse existido, é muito provável que também nunca tivesse havido um Cristóvão Colombo"

(...)

"É uma nação que nunca teve mais de três milhões de habitantes e reinou por algum tempo sobre metade do mundo."


- O londrino Illustred Travels, no nº25:

"A entrada do Tejo, as vistas nobres e majestosas em alguns respeitos, e sempre belas, que se gozam ao navegar pelo Tejo até Lisboa, e a primeira vista da Côrte de Portugal são aqueles objectos, que por muito tempo, uma das mais pitorescas e interessantes cidades europeias."

(a continuar)

18/12/13

LOUVORES A PORTUGAL - POR OLHOS ESTRANGEIROS (II)

(continuação da I parte)

D. Afonso de Albuquerque

- Em "Anedoctes Espagnoles et Portugauses depuis l'origine de la nation jusqu'a nos jours" (a Paris. Chez Vicent. 1773), descrevem-se factos engraçados da história de Portugal e Espanha. Aqui vai:

"Em 1641 começa a guerra entre os portugueses e espanhóis. Estes [espanhóis] são os primeiros a entrar em campanha, assolam o país [Portugal], saqueiam igrejas, fazem prisioneiros, e retiram-se sem ordem, tocando instrumentos. "Vós cantais cedo de mais", dizia-lhes o comandante, "nunca há certeza da vitória, enquanto se está nas terras dos inimigos". Daí a pouco, avistando os portugueses: "Largais vossas guitarras e flautas: não se trata de cantar, é necessário combater: mostrai-vos bravos e animosos". Não tarda em serem atacados, derrotados e postos em debandada; e para ocultarem sua vergonha, cortando as orelhas aos soldados que tinham perdido, mostraram-nas asseverando serem as dos portugueses que tinham punido. Um Cónego de Badajoz diz-lhes: "era melhor trazer as armas de vossos inimigos, do que suas orelhas; pois não é possível diferenciá-las das dos castelhanos".

---//

"Imediatamente depois da conclusão de paz com a França, Filipe IV tinha fixado toda a sua atenção sobre Portugal; mas as forças reunidas da Espanha não eram suficientes para executar o que se chamava castigo de um corpo de rebeldes. Uma batalha só parecia dever decidir da sorte dos portugueses: deu-se a 8 de julho. Os castelhanos perderam a victoria, depois de se terem batido de lado a lado com uma fúria quase incrível. Doze mil homens foram mortos ou prisioneiros, e seis grandes de Espanha levados como troféus para Lisboa. Este desastre acabou de alterar a saúde do Rei de Espanha, a quem o receio de um triste futuro para seus povos assustava sobre modo. Mas novas derrotas causadas pelos portugueses, que em vez de se conservarem na defensiva, acometiam à força de armase de intrigas secretas (...)"

- Em "Aperçu Noveau sur les campagnes de François en Portugal, en 1807, 1808, 1810, 1811; ..." (a Paris, Chez Delaunay), a respeito das campanhas dos franceses em Portugal:

"As tentativas infructuosas dos exércitos franceses para se apoderarem de Portugal, foram o mais interessante episódio da guerra peninsular. A primeira, que sem motivo arrogou a si o título de expedição, conduzida e consumada pela perfídia, e não pela força das armas, teve um começo próspero, que dentro em pouco se desvaneceu. As duas outras, tentadas de mão armada por dois generais célebres, à frente das mais belas tropas do exército francês, falharam completamente. A falta de bom resultado destas operações imprudentes contribuiu poderosamente para o livramento da Espanha, se é que não foi ela a única causa eficaz, porém até mesmo atraiu mais tarde o exército anglo-hispano-português às províncias meridionais do este e norte deste império pelas potências aliadas; circunstância, cujo concurso simultâneo trouxe a queda do terrível colosso do poder imperial, que, alguns meses antes dava a lei à maior parte da Europa, e ameaçava a liberdade de todas as nações."

- Adrien Balbi:

"Os portugueses distinguem-se entre todos os outros povos por seus desvelos para com os estrangeiros, e fazem reviver aquela hospitalidade, que os povos antigos punham no número dos deveres e virtudes mais sublimes."

(...)

"Pode-se dizer sem sermos acusados de exageros, que não há talvez um só país na Europa, que conte um maior número de más descrições feitas por estrangeiros, e sobre o qual a ignorância ou a maledicência tenham espalhado mais inexatidões e falsidades. Qual não foi o nosso espanto ao acharmos um país, que nos tinham pintado como mais atrasado do que a Turquia, um balanço geral do comércio feito anualmente desde 1755 até à actualidade por Maurício Teixeira Morais, por um plano e com uma exactidão que dificilmente se encontra nos países mais civilizados da Europa? Que surpresa não foi a nossa ao acharmos espalhados em diferentes secretárias uma grande parte dos materiais necessários para a redacção de uma estatística, e alguns ensaios muito felizes feitos já sobre a província do Minho, sobre a de Traz-os-Montes, sobre o Algarve, e a respeito de algumas comarcas da Estremadura e Alentejo? Não ficámos menos pasmados, quando soubemos que alguns portugueses, dirigidos pelo seu compatriota, o hábil astrónomo Ciera, tinham desde 1793 até 1802 medido duas grandes bases na Estremadura com todo o rigor da geodesia moderna, para determinar com exactidão o comprimento de um grau do meridiano, e tinham feito a triangulação da maior parte de Portugal; que alfuns sábios portugueses tinham viajado por toda a Europa à custa de seu governo com o fim de examinarem os estabelecimentos literários mais importantes, e de se aperfeiçoarem no estudo das ciências naturais; que alguns tinham percorrido em diferentes direcções seus vastos estabelecimentos na América e na África meridionais, e tinham feito recrutar as balizas da mineralogia, da botânica e da zoologia por causa das novas espécies que ali tinham descoberto: que alguns governadores instruidos haviam redigido memórias mais ou menos sábias a respeito das capitanias gerais de Cabo Verde, Angola, Moçambique, e possessões portuguesas na Índia, China, Oceânia? Que o valor só dos produtos das fábricas portuguesas, exportados para além mar,se tinha elevado anualmente de 1795 a 1807 até oito e dez milhões de cruzados? Que esta nação possuía jornais com artigos tão interessantes, e escritos com tanta eloquência, que daria honra aos Malte-Brun, Gentz, Benjamin Costant, e aos mais célebres publicados da Europa.

Todos quanto falaram relativamente a Portugal até este dia, escreveram muito, e citaram poucos factos. É verdade que escrevendo uma época em que a nação é bem diferente do que era outrora, por causa das circunstâncias políticas em que se tem achado,há anos para cá, o quadro que apresentamos deve só para este motivo diferir muito daqueles traçados por Dumouriez, Châtelet, Bourgoing, Carrèr, Robert Southey, Murphy, Link, Costigan, Ruders e Ebeling. As três invasões dos franceses em Portugal, a longa residência das tropas inglesas e o grande número de oficiais desta nação amalgamados no seu exército, as ligações íntimas e multiplicadas destas duas nações entre si, o grande número de jornais políticos e liteterários, publicados desde 1807 em Espanha e Portugal, e principalmente alguns jornais políticos e literários, dados à luz em português fora do país, tem como os sábios trabalhos da Academia Real das Ciências, os dos professores da Universiade de Coimbra, e de algumas escolas especiais, instituidas ultimamente em Lisboa e Porto, contibuiram muito para das aos portugueses o desenvolvimento manifestado nos últimos acontecimentos. Qualquer nação pode ter grandes faladores, porque basta só a natureza para os formar, mas émistér uma longa instrução para ter oradores. Os que brilham actualmente nas Côrtes por sua eloquência e profundo saber nas mais altas teorias da economia política, e nos mais complicados ramos da administração, demonstram victoriosamente aos detractores da nação portuguesa que esta possuia muitas pessoas, que se prparavam no silêncio, ecujo mérito só aguardava a ocasião para se patentear."

[...]

"Nós não hesitamos em dizer, sem receio de sermos acusados de parcialidade, que as ciências matemáticas, em toda a sua extensão, e em todo seu aperfeiçoamento actuais são perfeitamente conhecidas dos portugueses, e muito mais do que seriamos inclinados a acreditar à vista do pequeno número de obras publicadas sobre este assunto há 38 anos.

Todavia, se alguma coisa mais positiva fosse necessária para convencer os incrédulos, pedir-lhe-iamos tão somente que quisessem considerar que todos os matemáticos, que fazem o orgulho e a alegria dos portugueses, se formaram no país: que os 6 volumes das Memórias de Mathematica e Physica da Academia Real das Ciências de Lisboa contêm algumas memórias, que provam, até à evidência, os profundos conhecimentos dos matemáticos portugueses; e que as Ephemerides Astronomicas para uso do observatório da Universidade de Coimbra, e para o da navegação portuguesa disso dão outra prova. Estas efemérides, que se publicam todos os anos desde 1804, bem longe de serem (como diz certo viajante) uma redução, ou uma cópia do Almanack do Observatório de Greenwich, são pelo contrário cálculadas imediatamente sobre as tábuas astronómicas. A distribuição engenhosa de seus numerosos artigos, os novos métodos, que apresentam para o cálculo das longitudes sobre o mar, e para o dos eclipses, bem como vários outros métodos particulares para a formação e verificação de alguns assuntos astronómicos, deram a esta obra uma justa superioridade sobre a maior estima dos matemáticos mais distintos da Europa, que tiveram ocasião de a verem e examinarem.

[...]

Nunca povo algum, apertado por limites tão estreitos, estendeu num mais crutos espaço de tempo seu domínio por paises tão vastos e tão distantes. Desde a gloriosa conquista de Ceuta (1415) até à atrevida expedição de Barreto e Homem (1573) às minas de oiro de Manica e de Botuano Monomatopa, este povo, animado de uma actividade sem exemplo, descobre a Madeira, Açores, Canárias, ilhas de Cabo Verde, e as do golfo de Guiné, e naquelas paragens se estabeleceu. Explora e assenta numerosas feitorias ao longo da costa ocidental da África.Dobra o terrível cabo das Tormentas, e submete a seu domínio, ou faz tributários os principais mouros da costa oriental de África. Arranca das mãos dos árabes a navegação e o comércio da índia e do mar Vermelho, em poder deles havia séculos. E assombrando os povos orientais com prodígios de audácia e de valor, conseguiu estabelecer-se em Ormuz, Dio, Damão, Goa, Bombaim, Cochim, Ceilão, Meliapor, Malaca; e daqui rompe um caminho através do casto arquipélago das Índias para Java, Borneo, Timor, Molucas, China, Japão, ao passo que outros navegantes tão intrépidos como hábeis formam o que se chama actualmente Oceânia."

(continuação, III parte)

14/12/13

PORTUGAL EM OMAN (Muscat, Pérsia)

DESCOBERTA DA AUSTRALIA E NOVA ZELÂNDIA

VÍDEO - TECNOLOGIA NOS DESCOBRIMENTOS




É CONCLUSVO - PORTUGAL REALMENTE DESCOBRIU A AUSTRÁLIA

Se já havia evidências, agora nem a oposição levanta dúvidas:


(por: Fernando Tavares)

"Segundo a agência de notícias Reuters, foi encontrado um novo mapa que prova que não foram os ingleses nem holandeses que descobriram a Austrália... Mas antes navegadores portugueses!



Este mapa do século XVI, com referências e informação pertinentes escrito em português, foi encontrado numa biblioteca de Los Angeles e prova que foram navegadores portugueses os primeiros europeus a descobrir a Austrália.

O mapa assinala com detalhe e acuidade, várias referências da costa Este Australiana, tudo relatado em português, provando que foi a frota de quatro barcos liderada pelo explorador Cristóvão de Mendonça quem efectivamente descobriu a Austrália no longínquo ano de 1522.

Desta forma, os factos são agora invertidos, pois foi o navegador português a fazer tão importante descoberta, cerca de 250 anos antes do Capitão James Cook a ter reclamado junto da coroa inglesa, em 1770.
 
Na altura a descoberta de Cristóvão de Mendonça, agora suportada por um rol de historiadores, graças aos vários descobrimentos lusos que ocorreram ao longo das costas Neozelandesa e Australiana durante o século XVI, foi mantida em segredo (...)."

14/10/13

ROMANUS PONTIFEX - Bula de Nicolau V a Portugal, (1454) (I)

Nicolau, Bispo, Servo dos servos de Deus.
Para a perpétua memória.

Papa Nicolau V
O Romano Pontífice, sucessor daquele que tem as chaves do reino celestial, e vigário de Jesus Cristo, debruçando-se com paternal cuidado sobre todas as regiões do mundo, e sobre as qualidades dos diversos povos que nelas vivem, procurando e desejando alcançar a salvação de cada um destes, ordena e dispõe salutarmente com deliberação propícia, coisa que estima ser do agrado da Divina Majestade, a fim de que as ovelhas que do alto lhe foram confiadas sejam reduzidas ao único redil do Senhor e obtenham para si o prémio da felicidade eterna, e empetre o perdão às almas.

Com a ajuda do Senhor, isto acreditamos provir se ajudarmos com favor condigno e graças especiais àqueles reis e príncipes católicos que, como campeões da Fé cristã e lutadores intrépidos, não só reprimem a crueldade dos sarracenos e restantes infiéis inimigos do nome cristão, mas também os combatem, a eles e seus reinos e lugares - em partes remotíssimas, e por Nós desconhecidas - para a defesa e aumento da mesma Fé e os submetem ao seu domínio temporal, não olhando a trabalhos e gastos, como sabemos pela evidência dos factos. E assim o fazemos, para que os ditos reis e príncipes, suportando qualquer gasto, se animem a prosseguir e ampliar esta obra tão digna de louvor e saudável.

Recentemente, chegou aos Nosso ouvidos, não sem grande regozijo e alegria para o Nosso espírito, que o nosso dilecto filho e nobre varão, o Infante D. Henrique de Portugal, tio do nosso queridíssimo filho em Cristo, D. Afonso, ilustre Rei de Portugal e Algarve, seguindo as pegadas do seu pai D. João, de clara memória, Rei dos mencionados Reinos, abrasado no ardor da Fé e em zelo pela salvação das almas, como católico e verdadeiro soldado de Cristo criador de todas as coisas, e como acérrimo e fortíssimo defensor da sua Fé e lutador intrépido, aspira ardentemente desde tenra idade a que o nome do mesmo glorioso Criador seja difundido, exaltado e venerado, em todas as terras, da orbe até aos lugares mais remotos e desconhecidos, assim como aqueles inimigos da milagrosa Cruz na qual somos redimidos, quer dizer, os pérfidos sarracenos e todos os outros infiéis, para que sejam trazidos ao grémio da sua Fé.

D. Afonso V (ilustração alemã)
Depois que o dito Rei D. João submeteu ao seu domínio a cidade de Ceuta, na África, aquele Infante em nome do dito Rei fez muitas guerras contra os mesmos inimigos e infiéis, às vezes com sua própria pessoa, com grandes trabalhos e gastos, com muitos perigos e perca de pessoas e coisas, com muitas mortes dos seus naturais, não se deixando vencer nem aterrar por tão grandes privilégios, trabalhos e danos, antes enobrecendo-se cada vez mais com maior ardor a prosseguir este piedoso e louvável propósito, povoou de fiéis o mar Oceano, certas ilhas desabitadas, e mandou fundar e construir nelas igrejas e outros lugares piedosos em que se celebrassem os Ofícios Divinos. E pela louvável obra e indústria do Infante, muitos naturais e habitantes das várias ilhas do referido mar, vindo ao conhecimento do Deus verdadeiro, receberam o sacramento do baptismo para louvor e glória do mesmo Deus, salvação de muitas almas, propagação da Fé ortodoxa e aumento do culto divino.

Ademais, como chegasse a notícia deste Infante que nunca, ou pelo menos não havia memória humana de que se tinha negado por este mar Oceano até às costas meridionais e orientais e que tal coisas era tão desconhecida para nós ocidentais que nenhuma notícia certa tínhamos da gente daquelas partes, querendo prestar nisto um serviço a Deus, pelo seu esforço e indústria fazia navegável o referido mar até aos índios que, segundo se diz, adoravam o nome de Cristo, de maneira que pudessem entrar em contacto com eles e movê-los em auxílio dos cristãos contra os sarracenos e os outros inimigos da Fé, assim como fazer guerra contínua aos povos gentios ou pagãos que por ali existem profundamente incutidos da seita do nefandíssimo Maomé, e prégar e fazer prégar entre eles o santíssimo nome de Cristo, que desconhecem. Por isso, sempre sob autoridade real, de vinte e cinco anos a esta parte, com grandes trabalhos, perigos e gastos, não cessou de enviar quase todos os anos em navios muito ligeiros, os quais se chamam caravelas, um exército de gentes dos ditos reinos a descobrir o mar e as províncias marítimas às partes meridionais e pólo atlântico.

Assim foi que, depois destas naves terem avistado e descoberto muitos portos e ilhas e mares, ocorreu que chegaram logo à província da Guiné. Foram então ocupadas algumas ilhas, portos e mares adjacentes à mesma província, continuando a navegação chegaram à boca de certo rio, que habitualmente julga-se ser o Nilo. E contra os povos daqueles lugares, em nome deste Rei Afonso e do Infante, durante alguns anos foi feita guerra, e nela foram subjugadas e possuídas pacificamente muitas ilhas vizinhas, que todavia são possuídas com o mar adjacente. Depois disto, muitos guineenses e outros negros, capturados pela força, e também alguns por troca com coisas não proibidas ou por outro contrato legítimo de compra, foram trazidos aos mencionados reinos; dos quais, neles, um grande número converteu-se à Fé católica, esperando-se que, com a ajuda da divina clemência, se entre eles desta forma o progresso continuar, estes povos converter-se-ão à Fé ou pelo menos muitas almas deles hão de ser salvas em Cristo.

Infante D. Henrique, tio do Rei D. Afonso V
Segundo sabemos, também os referidos Rei e Infante, com tantos e tão grandes privilégios, trabalhos e gastos, tal como grande perca de naturais destes reinos (dos quais muitos nele também morreram) e contando apenas com o auxílio dos seus naturais fizeram recorrer aquelas províncias, desta maneira adquiriram e possuíram portos, ilhas e mares, como se disse, como verdadeiros senhores. Mas, temendo que alguns levados pela cobiça navegassem a estas partes e tratassem de usurpar para si o remate, fruto e glória desta obra, ou ao menos impedi-la, desejando, com fins de lucro ou com malícia, levar ou entregar aos infiéis ferro, armas, cordas e outras coisas e bens que se proíbem dar-lhes, ou que ensinassem as estes infiéis o modo de navegar, o que os tornaria inimigos mais fortes e resistentes, e desta maneira se entorpeceria e acaso cessasse a continuidade da empresa, não sem grande ofensa a Deus e grande humilhação para toda a Cristandade; para evitar tudo isso, e para a conservação dos seus direitos e posses, sob certas penas gravíssimas então declaradas, proibiram e estabeleceram com carácter geral que ninguém, salvo com os seus navegadores e naves e pagando certo tributo e obtendo antes expressa licença do mesmo Rei e Infante se atrevesse a navegar a estas províncias, contratar nos seus portos ou pecar nos seus mares.

Mas, movidos pela inveja, malícia ou cobiça, contrariando a citada proibição e sem licença nem pagamento de tributo, poderia ocorrer a outras pessoas, reinos ou nações, chegarem assim à dita província e pretender navegar, contratar e pescar nas províncias, portos, ilhas e mares adquiridos; e disso, entre o rei Afonso e o Infante, que de modo algum sofreram a ofensa, os que se atrevessem a tal poderiam seguir e derivar verosimilhantemente em muitos ódios, rancores, dissensões, guerras e escândalos, com a maior ofensa a Deus e perigo das almas.

Nós, pensando com a devida meditação em todas e em cada uma das coisas indicadas, e atendendo a que, anteriormente ao citado rei Afonso foi concedido por outras nossas epístolas, entre outras coisas, plena e livre faculdade para a quaisquer sarracenos e pagãos, e outros inimigos de Cristo, em qualquer parte que estejam, e aos reinos, ducados, principados, senhorios, possessões e bens móveis e imóveis, tidos e possuídos por eles,

(a continuar)

08/04/13

PORTUGAL NA CAPELA SIXTINA - O RESGATE DOS ESCRAVOS E O ROSÁRIO

"Os dois homens pendurados no rosário do fresco mais famoso da Capela Sixtina,
O Juízo Final, de Miguel Ângelo, simboliza a evangelização portuguesa na Índia e em África."
Os feitos portugueses causaram muita admiração em Roma; e Deus quis que Miguel Ângelo desse testemunho disso, para os que haveriam de vir, no painel principal da Capela Sixtina (sobre o altar mor), pintando a cena "o resgate dos escravos" (na qual Portugal com um longo rosário faz subir a África e a Índia).

Portugal lançando um rosário
"Entre as dezenas de figuras desenhadas por Miguel Ângelo na famosa pintura "Juízo Final" - almas perdidas, anjos, demónios, apóstolos e santos - destacam-se dois homens pendentes num Rosário, em movimento ascendente de salvação.

Eles estabelecem uma relação simbólica com Portugal. São um negro e um indiano agarrados a um terço. O primeiro representa o continente africano, o segundo o mundo oriental e o rosário a oração.

Falta um índio da América - facto que talvez se possa atribuir à animosidade que então reinava contra os espanhóis. Mas a mensagem é clara: levado pelos missionários portugueses, o Evangelho salvaria o novo mundo do fim dos tempos." (Vera Moura - blogue Cavalo Selvagem)

Será que foi aqui respeitada a ordem cronológica e o índio é aquela figura na nuvem, de mãos postas, que olha para Portugal mas ainda não está a ser puxado?

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