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13/02/17

A VERDADEIRA NOBREZA (V)

(continuação da V parte)



Capítulo IV
Dos Mandamentos
 
Dava o Profeta David muitas graças ao Senhor porque anunciava sua palavra a Jacob, eseus juízos, e justiça a Israel, e todo Cristão lhes deve render pela mercê de o tirar das trevas da gentilidade, e error dos infiéis, para lhe dar uma lei tão santa, amorosa, boa, e toda conforme a razão, e verdade, como saída da mesma fonte dela. Sendo de tanta estima nos olhos de Isaías, que senão fora por ela (dizia ele) formamos tão bestiais, como os de Sodoma, e tão desenfreados brutos como os de Gomorra. Muitas leis celebra a Antiguidade dadas por muitos varões famosos Licurgo, Sólon, e outros, homens enfim; mas a que professamos escrever, e deu o mesmo Criador e Senhor do mundo, que não pôde errar. Três houve nele, a da natureza, escrita, e a da graça, em que vivemos depois da vida à terra do Filho de Deus, Dez são os seus Mandamentos: os primeiros três pertencem ao culto, e honra sua, chamados da primeira tábua; os outros sete poem em ordem, em como se há de haver cada um com seu próximo, e se dizem da segunda pela divisão, que deles fez Deus, quando tratando com Moisés lhe deu a lei escrita em duas tábuas de pedra, feitas com tal artifício, e engenho, que claramente se via nelas ser obra da mão divina, como diz Abulense. Destes dez Mandamentos, uns são afirmativos, como amarás a Deus, honrarás a teu pai, etc. e outros negativos, como, não mantarás, não furtarás, etc. e todos se cifram em dois, amarás a teu Deus, e Senhor sobre todas as coisas, e a teu próximo como a ti mesmo; porque quando as leis são breves se guardam melhor, e sendo a de Deus tão suave, quis que lhe não faltasse esta condição: e se ainda estes dois preceitos te parecem muitos (diz S. Agostinho) adverte que muitas vezes a divina Escritura em um só Mandamento compreende os dez da lei nova, e seiscentos da velha; porque quem ama a Deus, é certo que há de cumprir suas ordens pontualmente. E tudo quanto ele ordenou na lei antiga em preceitos morais, e cerimónias se cifra em um ponto, que é amá-Lo sobre todas as coisas, e a todos nele. Quem pudera com todo o interior de sua alma mostrar a bondade, e suavidade deste santíssima lei, fundada toda em amor, como diz S. Gregório, e tão posta em razão. Todo o homem como criatura racional a deve estimar, e abraçar, porque havendo Deus feito à sua imagem, e semelhança, e criado o mundo todo para seu serviço, e regalo, e sobretudo da do seu próprio Filho, para como o seu precioso sangue o libertar do cativeiro do pecado, e abrir as portas do Céu, para que foi criado, de razão o há de amar agradecido, e servir por tão grandes benefícios. Deste amor nasce o do próximo, porque conforme S. Tomás, o mesmo hábito de caridade, que o Senhor infunde nas almas, para quem com ele ame a seu Deus, esse mesmo é o que os inclina, e move para que ame a seu próximo, nem se compadece um amor sem o outro. Do que próximo, que quem tem não lhe faz dono, como não quer que se lhe faça, e faz o bem que pode da maneira que deseja se lhe façam outros. Assim que se reduzem estes dez Mandamentos todos ao amor, porque sendo o Deus a mesma caridade, lhe parece qualquer libré deste precioso bocado mui bem. Debaixo deste preceito se compreendem todos os homens do mundo, como nota S. Próspero, ainda que Gentio, Mouro, e outros bárbaros; podemos bem ser diferentes no trato, e polícia; mas a natureza nos fez tão irmão, como os que nasceram das nossas portas a dentro: porque todo o animal ama o outro a si semelhante (como diz o Eclesiastes) e um homem a outro homem também como semelhança sua. E esta lei é mui digna de Deus, pelo que concluem os Santos, Agostinho, Crisóstomo, Basílio, e Jerónimo, que não são discutidos, nem impossíveis os preceitos do amor, em que mui bem cabe o que diz o Senhor: Meu jugo é a suave, e a minha carga leve. Nestes dez Mandamento, neste precioso bálsamo de amor, com que ficamos preservados da corrupção, deve todo homem estar instruído, e procurar ser constante na observação deles, porque a Fé (segundo S. Agostinho) aviventado do amor, é de verdadeiro e Católico Cristão. Além destes dez há outros cinco, que se dizem da Igreja, que pela autoridade, e poderes que têm de seu Esposo, pode, como nota S. Crisóstomo, não só absolver, atar, desatar, e ligar os pecadores, porém tem faculdade para ordenar leis, estatuir cânones, e estabelecer preceitos, que obriguem, como se o mesmo Deus os ordenara, e mandara; e em virtude deste privilégio pôs aos fiéis estes cinco Mandamentos de bom governo que são: Ouvir Missa nos Domingos, e festas de guarda, confessar ao menos uma vez cada ano, comungar pela Páscoa, jejuar quando ela manda, e pagar dízimos, e primícias. Quem quiser saber o tempo, e concílios, em que se foram assentando, leia o Catolicismo do Padre Pero Canisio. Finalmente o que verdadeiramente ama a Deus, não deixará de guardar uns, e outros, com que alcançará a verdadeira nobreza, que só neste amor consiste.
 
(a continuar)

24/08/15

COMPÊNDIO ESPIRITUAL DA VIDA CRISTÃ (I)

COMPÊNDIO ESPIRITUAL DA VIDA CRISTÃ

Tirado de Muitos Autores,
pelo primeiro Arcebispo de Goa, e por ele pregado no primeiro ano a seus fregueses, pela glória e honra de JESUS Cristo nosso Salvador, e edificação de suas ovelhas.


COIMBRA
1600

- -- -o- -- -

Informação do Padre Revedor:

Examinei este Compêndio da vida Espiritual, por mandado e autoridade do Supremo Conselho da Santa e geral Inquisição: e julgo por digno da Impressão. Frei Bartolomeu Ferreira.

Licença da Mesa Geral da Santa Inquisição:

Pode-se imprimir vista a informação, e um dos novamente impressos tornará a esta Mesa, para se conferir com o original antes de correrem. E este despacho se imprimirá no princípio com a dita informação. Em Lisboa, aos trinta de Outubro, Manuel Antunes Secretário do Conselho Geral o fez, de 1578. Dom Miguel de Castro, António Teles.

Licença do Ordinário:

Pode-se imprimir. Lemos.

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Tabuada do Que se Contem Neste Livro

Em dois Estados se divide esta obra, estado do pecado mortal, e estado da graça: o qual compreende quatro partes. A primeira trata da Doutrina Cristã, a segunda dos pecados, a terceira dos remédios conta eles, a quarta da oração e perfeição espiritual, com devotos exercícios.


Estado de Pecado Mortal
- Do estado do pecado mortal e suas condições
- Que na vontade está a salvação
- Consideração de que bens priva o pecado mortal
- Consideração dos males presentes que traz o pecado
- Consideração da vã esperança da vida
- Consideração dos juízos divinos
- Dos males que o pecado traz depois da vida
- Consideração dos juízos divinos
- Dos males que o pecado traz depois da vida
- Consideração das penas
- Consideração do nada e pouquidade do homem
- Da cegueira do pecado
- Epílogo do dito

Estado da Graça
- Do estado da graça, e sua obrigação
- Da ordem da penitência
- Que é negar a si mesmo
- Da mortificação da vontade
- Da mortificação do entendimento
- Da mortificação da sensualidade e sentidos exteriores
- Da Cruz da penitência
- Que a penitência é leve
- Da sequela de Cristo na sua doutrina
- Em que consiste seguir a Cristo

Primeira Parte da Doutrina
- Do "creio em Deus Pai"
- Do divisão do Credo
- Do primeiro artigo
- Do segundo artigo
- Do terceiro artigo
- Do quarto artigo
- Do quinto artigo
- Do sexto artigo
- Do sétimo artigo
- Do oitavo artigo, e dos sete dons do Espírito Santo
- Do nono artigo
- Do décimo artigo
- Do undécimo artigo
- Do último artigo, e da glória eterna
- Da benaventurança e glória dos justos

Segunda Parte da Doutrina Cristã
- Dos dez mandamento da lei de Deus
- Dos mandamentos em geral
- Do primeiro mandamento
- Do segundo mandamento
- Do terceiro mandamento
- Do quarto mandamento
- Do quinto mandamento
- Do sexto mandamento
- Do oitavo mandamento
- Do nono e décimo mandamento
- Dos seis mandamentos da santa madre Igreja
- Do primeiro mandamento da Igreja
- Dos dias de guarda, e jejum
- Dos segundo mandamento
- Do terceiro mandamento
- Do quarto mandamento
- Do quinto mandamento
- Do quinto mandamento da Igreja
- Dos pecados capitais
- Do pecado em geral
- Como se cometeu o pecado
- Da soberba
- Da luxúria
- Da ira
- Da inveja
- Da gula
- Da preguiça
- Dos pecados contra o Espírito Santo
- Dos pecados da participação, ou alheios
- Dos cinco sentidos
- Das sete circunstâncias dos pecados
- Dos que podem pecar

Terceira Parte da Doutrina Cristão
- Do primeiro remédio dos pecados, convém saber, das três virtudes teologais
- Da Fé
- Da Esperança
- Da Caridade
- Do segundo remédio dos pecados, convém saber, das quatro virtudes Cardeais
- Da Prudência
- Da Temperança
- Da Fortaleza
- Da Justiça
- Do terceiro remédio dos pecados, convém saber, das sete Virtudes Morais
- Da Liberdade
- Da Castidade
- Da Paciência
- Da Caridade
- Da Sobriedade e Temperança
- Da Diligência
- Do remédio geral dos pecados
- Dos remédios dos pecados veniais
- Do quarto remédio dos pecados convém a saber, dos sete Sacramentos
- Dos Sacramentos em gera
- Do Baptismo
- Da Confirmação
- Da penitência
- Da contrição
- Da Confissão e suas condições
- Do modo da Confissão
- Do modo da Confissão frequentada que comummente é de veniais
- Da Satisfacção
- Da Restituição
- Porque que coisas se dá a satisfacção da esmola
- Das obras de misericórdia
- Do jejum
- Do sacramento da ordem
- Do sacramento do matrimónio

Quarta Parte da Doutrina
- Da necessidade da oração
- Que é a oração
- Qual deve ser a oração
- Da oração do Pater noster em latim
- Da oração do Pai nosso em linguagem [vernáculo]
- Declaração dele
- Oração para pedir graças à Santíssima Trindade
- Oração para pedir graças ao Padre [Pai]
- Oração ao Filho
- Oração ao Espírito Santo
- Oração à Virgem, para alcançar ajuda e graça
- Da oração da saudação em latim e linguagem
- Da oração da Salve Regina em latim e linguagem
- Oração aos Santos para pedir a graça
- Oração para antes da Comunhão
- Oração a nossa Senhora antes da Comunhão
- Oração depois da Comunhão
- Oração a nossa Senhora depois da Comunhão
- Do fazimento de graças, depois da sagrada Comunhão
- Do modo que se deve ter no ouvir da Missa
- Oração a nossa Senhora antes da Missa
- De como se há de ouvir a primeira parte da Missa
- Da segunda parte da Missa
- Da terceira parte da Missa
- Do fazimento de graças de toda a vida de Cristo depois da Missa, ou em qualquer tempo
- Da perfeição da vida
- Dos graus da vida espiritual
- Da vida do amor pelo entendimento
- Da via unitária
- Das chagas para o amor unitivo
- Da vida unitiva
- Das achegas para o amor unitivo
- Do amor unitivo
- Do exercício das aspirações amorosas
- Dos quatro ramos da árore das aspirações
- Do oferecer, primeiro ramo das aspirações
- Do pedir
- Do conformar
- Do unir
- Do segundo exercício do nome de JESUS
- Do terceiro exercício do fazimento de graças
História da Vida de Cristo
- Anunciação do Anjo a nossa Senhora
- A visitação de S. Isabel
- Da prenhez da Virgem e da revelação feita a José da sua pureza
- O nascimento do Senhor
- A Circuncisão do Menino Jesus
- A vida e adoração dos Reis Magos
- A Purificação de Nossa Senhora
- Da morte dos Inocentes e fuga para o Egipto
- Quando se perdeu o Menino Jesus sendo de doze anos
- Do baptismo de Cristo
- Do jejum, e tentação de Cristo
- A Transfiguração de Cristo
- Dos mistérios da sagrada paixão
- Do lavatório dos pés, e mistério da Cruz
- A oração do horto
- A prisão do Senhor
- A apresentação diante dos juízes
- A coroação de espinhos
- Do lavar a cruz às costas
- De como o Senhor foi crucificado
- Das sete palavras que o Senhor falou na cruz
- O desentimento do Senhor da Cruz
- A ressurreição do Senhor
- De Como o Senhor apareceu aos discípulos
- A Ascenção de nosso Senhor Jesus Cristo
Exercício dos Dias da Semana
- Exercício de segunda feira
- Exercício de terça feira
- Exercício de quarta feira
- Exercício de quinta feira
- Exercício de sexta feira
- Exercício de sábado
- Exercício de domingo
- Exercício de cada dia, que compreende todos os exercícios para os que não têm tanto tempo
- Exercício de cada hora

Fim
(a continuar)

21/08/15

MORTIFICAÇÃO DO ENTENDIMENTO

Cap. V
DA MORTIFICAÇÃO DO ENTENDIMENTO


Quando a porta da fortaleza está bem guardada, seguro podes dormir: assim o que tem boa guarda na vontade e coração forte de todos os males, e origem de todos os bens, seguro pode andar. Todavia para maior facilidade da guarda é necessário vigiar sobre os escravos, criados, e gente de casa, porque sendo estes mal criados, e desmandados, senão tiveres cuidado sobre eles dar-te-hão trabalho, e inquietação. De semelhante maneira, além da mortificação da vontade, e para mais facilmente seres senhor dela, deves ter vigia sobre o entendimento, que é um rapaz vagabundo demasiadamente desmandado e trabalhoso, e de todo desobediente.

Três maneiras há de pensamentos uns que em si não são maus nem pecados mortais, como são os castelos de vento, que o entendimento faz, que não aproveitam estes, dado caso que de sua colheita não sejam pecado mortal, fazem porém grande dano, porque se os consentes, é sinal que tens o coração vazio, e acabado de fazeres um castelo de vento, ficarás triste, e a cabeça esvaída, e tu cansado como se trabalharas com pedra e cal sendo tu vento, e facilmente virás a cair em pecados mortais, e torpes desejos, pela qual razão não deves consentir tais imaginações.

A segunda maneira de pensamentos danosos são, quando trazes à memória pensamentos de pecados mortais, ou de algumas pessoas com deleitação da carne, ainda que não consintas no pecado nem na deleitação. Estes tais pensamentos são muito prejudiciais. Porque deves com diligência enxotar estas molcas e maus pensamentos de teu entendimento, e em nenhuma maneira lançar mão deles. porém se viverem contra tua vontade, e forem importunos, não canses em os lançar de ti; porque esta contenda te fica em gloriosa coroa. Estes dois modos de imaginações deves mortificar e não dar lugar que o entendimento ande vagabundo por ela pois facilmente podem levar a pecado mortal, não te poderás muito tempo conservar no estado da graça.

A terceira maneira, são os pensamentos bons; como do cuidado da casa, da família e fazenda e dado que sejamos bons, em tempo podem vir que te danem e te impeçam de ter a vontade com Deus. Como estando na igreja à Missa, e em oração e recolhimento, e ocupado nas coisas de tua alma; porque assim como então não são necessários, podem distrair-te e tirar-te do negócio espiritual em que estás ocupado: porque em tal tempo mais servem a imagem de JESUS crucificado, e os pensamentos dessa morte e paixão, e teus pecados, que não os da sua casa, e se quiseres aproveitar na virtude recolhendo-te um pedaço de tempo com Deus, sabe que qualquer pensamento pode impedir a devoção, como se dirá na quarta parte. O que agora é necessário para te conservares no estado da graça, e não pecar mortalmente é, não consentir nas vagabundas e torpes imaginações, mortificando o entendimento. (Compendio Spiritual da Vida Christam ... Coimbra, 1600)

19/08/15

PUBLICAÇÃO DA DOUTRINA - Sinodo de Miranda (1565) (I)

Título Primeiro
DA FÉ E DOUTRINA CRISTÃ

Constituição Primeira: Que todos saibam a Doutrina Cristã, e nenhuma pessoa tenha livro algum defeso: e que denunciem de qualquer que o tiver, ou sentir mal da Fé.

Porque o princípio da vida Cristã consiste no conhecimento das coisas que JESUS CRISTO nosso Senhor e Redentor nos ensina, e a santa madre Igreja, alumiada pelo Espírito Santo nos propõe. Amoestamos colocá-la presente da parte de Deus todo poderoso a todos os nossos súbditos, que aprendam e saibam a Doutrina Cristã, que a santa madre Igreja católica professa. por que todo aquele que tem algum erro contra a santa Fé católica, ou dúvida, ou não sente bem dela, além de lhe faltar o princípio de sua salvação, está excomungado de excomunhão Papal, posta contra os hereges na Bula da Ceia do Senhor. E os que têm ou lêem algum livro dos reprovados, ou dos defesos pela santa Inquisição, estão outro sim por esse mesmo feito excomungados. Pelo que lhe mandamos em virtude de obediência, que sabendo que alguma pessoa de qualquer qualidade ou condição que seja, por alguma via mostrasse ter algum erro contra nossa Fé, ou duvidasse dela, ou que tem, ou lê algum dos ditos livros, ou faça logo a saber a nós, ou a nosso Provisor, para provermos como for justiça.

Constituição Segunda: Que em todas as Igrejas haja uma tábua em que estê posta a Doutrina Cristã.

E por que temos visto por experiência, que muitos ignoram a Doutrina Cristã, que todos os Cristãos são obrigados a saber: querendo neste parte em alguma maneira prover:: Mandamos a todos os Abades, Priores, Reitores, Curas, Capelães deste nosso Bispado [de Miranda], que cada um em suas igrejas, assim nas matrizes como nas anexas, ponham numa tábua bem concertada, uma folha que agora mandamos imprimir, em que se contém a Doutrina Cristã: a qual estará pendurada de uma cadeia posta nas grades ou paredes das ditas igrejas em altura conveniente: para que todos os que quiserem possam nela ler e aprender a dita Doutrina: e pela mesma tábua a possam os ditos curas ensinar. E a Doutrina é a seguinte:

Doutrina Cristã

Per signum + santae crucis: de inimicis  + nostris libera nos + Deus noster. In nomine Patris, e Filii, + et Spiritus sancti. Amen.

Pater noster, quei es in coelis, santificetur nomen tuum. Adveniat regnum tuum. Fiat voluntas tua, sicut in coelo et in terra. Pabem nostrum quotidianum da nobins hodie. Et dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimitimus debitoribus nostris. Et ne nos inducas in tentationem. Sed libera nos a malo. Amen.

Ave maria gratia plena, dominus tecum. Benedicta tu in mulieribus, et benedictus frutos ventris tui Iesus. Sancta Maria Mater Dei ora pro nobis pecatoribus. Amen 

Credo in Deum patrem omnipotentem, creatorem coeli et terrae. Et in Iesum Christum filium eius unicum dominum nostrum. Qui conceptus est de Spiritu sancto. Natus ex maria virgine. Passus sub Pontio Pilato, Cruxifixus, mortuus, et sepultos. Decendit ad infernos, tertia die resurrexit a mortuis. Acendit ad coelos Sedet ad dexteram Dei patris omipotentis. Inde venturus est iudicare vivos et mortuos. Credo in Spiritum Sanctum, Sanctam Ecclesiam catholicam, Sanctorum communionem, remissionem pecatorum, carnis ressurectionem, vitam eternam. Amen.

Salve regina mater misericordiae, vitae dulcedo, et spes nostra salve. Ad te clamamus exules filii Evae. Ad te suspiramus gementes et flentes in hac lacrymarum valle. Eya ergo advocata nostra illos tuos misericordes oculos ad nos converte. Et Iesum benedictum fructum ventris tui nobins post hoc exilium ostende. O clemens, o pia, o dulcis virgo sempre Maria. Ora pro nobins sanca Dei genetrix, ut dignifficiamur promissionibus Christi.

Segue a bênção e Orações em linguagem:

Pelo sinal da santa Cruz, +
livre-nos Senhor Deus nosso, +
De nossos inimigos, +
Em nome do Padre, e do Filho, e do Spiritu santo. Amen Iesus.

Padre nosso que estás nos ceus, santificado seja o teu nome, Venha a nós o teu reino. Seja feita a tua vontade assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. E perdoa-nos nossas dívidas assim comonós perdoamos aos nossos devedores. E não nos permitas entrar em tentação, mas lira-nos do mal. Amen.

Avé maria cheia de graça, o Senhor é contigo. Bendita és tu entre as mulheres, e bento é o fruto do teu ventre, Jesus. Santa maria madre de Deus, roga pornós pecadores. Ámen.

Creio em Deus padre todo poderoso criador do céu e da terra, e em Jesus Cristo seu filho único nosso Senhor. O qual foi concebido pelo Espírito Santo. Nasceu de Maria virgem. padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos. Foi crucificado, morto e sepultado. Desceu aos infernos. Ao terceiro dia ressurgiu dos mortos Subiu aos céus, e está assentado à dextra de Deus padre todo poderoso. Donde há-de vir julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo, e na Santa Igreja católica, na comunhão e ajuntamento dos Santos, na remissão dos pecados, e na ressurreição da carne, na vida eterna. Ámen.

Salve Rainha madre de misericórdia, doçura da vida, esperança nossa, Salve. A ti bradamos os degradados filhos de Eva. A ti suspiramos gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia pois advogada nossa, aqueles tens misericórdiosos olhos a nós volte. E a Jesus bento fruto do teu ventre nos mostra depois deste resterro. Ó clemente, ó pia, ó doce sempre virgem Maria.


Os artigos de Fé são catorze. Sete pertencem à divindade, e sete à humanidade de Jesus Cristo nosso Senhor.

Os sete que pertencem à divindade são:

1º - Crer em um só Deus todo poderoso;
2º - Creio que Deus é Padre [Pai];
3º - Creio que Deus é Filho;
4º - Creio que Deus é Espírito Santo;
5º - Creio que Deus é o Criador;
6º - Creio que é o Salvador;
7º - Creio que é glorificador.

Os sete que pertencem à santa humanidade:

1º -  Creio que o mesmo filho de Deus em quanto homem foi concebido pelo Espírito Santo;
2º - Creio que nasceu da virgem Maria, sendo ela sempre virgem;
3º - Creio que recebeu morte e paixão para salvar os pecadores;
4º - Creio que desceu aos infernos, e tirou as almas dos santos padres que ali estavam, os quais esperavam sua santa vinda;
5º - Creio que ressurgiu ao terceiro dia;
6º - Creio que subiu aos ceus, e se assentou à dextra de Deus Padre todo poderoso.
7º - Creio que há de vir julgar os vivos e os mortos, e dará a cada um segundo seus merecimentos. Aos bons que guardam seus mandamentos dará glória e salvação. Aos maus que seus preceitos quebrantaram, dará condenação para sempre.
 

Os mandamentos da Lei de Deuos são dez. Os três primeiros pertencem à hora de Deus; os outros sete pertencem ao proveito do próximo:

1º - Honrarás um só Deus;
2º - Não jurarás o nome de Deus em vão;
3º -Santificarás as festas;
4º -Honrarás teu pai e mãe;
5º - Não matarás;
6º - Não fornicarás;
7º - Não furtarás;
8º - Não alevantarás falso testemunho;
9º - Não desejarás a mulher do teu próximo;
10º - Não cobiçarás as coisas alheias.


Os mandamentos da madre Santa Igreja, são cinco:

1º - Ouvir missa aos domingos e festas de guarda;
2º - Confessar ao menos uma vez, na quaresma, ou antes se espera perigo de morte;
3º - Comungar pela Pascoa da Ressurreição;
4º - Jejuar quando o manda a Igreja;
5º - Pagar dízimo e premícias;

Pecado:

Pecado, é dito, ou feito, ou desejo contra ou fora da lei de Deus. Pode ser mortal, ou venial.

Os pecados capitais, e as virtudes contra eles, são sete:

1º - Soberba / Humildade
2º - Avareza / Liberalidade
3º - Luxúria / Castidade
4º - Ira / Paciência
5º - Inveja / Caridade
6º - Gula / Temperança
7º - Preguiça / Diligência


Os Sacramentos da santa madre Igreja, são sete:

1º - Baptismo;
2º - Confirmação, que é crisma;
3º - Penitência, que é confissão;
4º - Comunhão;
5º - Extrema unção;
6º - Ordem;
7º - Matrimónio.


As virtudes são sete. As três são Teologais, e as quatro Cardeais. As Teologais são:

1ª - Fé;
2ª - Esperança;
3ª - Caridade (esta é a melhor).

As virtudes Teologais chamam-se assim porque encaminham a alma para Deus.

As outras quatro se chamam Cardeais, porque encaminham os homens a bons costumes, e são estas:

1ª - Justiça;
2ª - Prudência;
3ª - Fortaleza;
4ª - Temperança.


As obras de misericórdia são catorzes. Sete corporais, e sete espirituais.

As corporais são:

1ª - Visitar os enfermos;
2ª - Dar de comer aos que têm fome;
3ª - Dar de beber aos que têm sede;
4ª - Remir os cativos;
5ª - Vestir os nus;
6ª - Dar pousada aos peregrinos;
7ª - Enterrar os mortos.

As espirituais são:

1ª - Dar bom conselho;
2ª - Repreender e castigar os que erram;
3ª - Consolar os tristes desconsolados;
4ª - Perdoar as injúrias por amor de Deus;
5ª -Sofrer com paciência as fraquezas de nossos próximos, como queríamos que eles sofressem as nossas;
6ª - Ensinar os ignorantes;
7ª -Rogar a Deus nosso Senhor por aqueles que nos fazem mal.


Os Dons do Espírito Santo, são sete:

1º - Sapiência;
2º - Entendimento;
3º - Conselho;
4º - Fortaleza;
5º - Ciência;
6º - Piedade;
7º - Temor de Deus.

(a continuar)

11/07/14

CATECISMO DE MONTPELLIER

 

Conhecido como Catecismo de Montpellier, foi adoptado largamente para combater desvios que alguns outros tinham introduzido. Por nós, os de língua portuguesa, a mando do Rei D. José, foi adoptado largamente. Até ao início do séc. XX, foi este o catecismo mais adoptado como fiel expositor do Catecismo Romano junto da população, só depois veio o chamado Catecismo de S. Pio X (que passa a ser a referência do Catecismo Romano adaptado à população).

Este catecismo, ordenado pelo Bispo da diocese de Montpellier, surgiu naquele tempo para combater dois outros catecismos de influência jesuítica.

Não posso tecer qualquer comentário ao Catecismo de Montpellier, para lá do que já disse, contudo partilho-o em formato PDF, AQUI.


06/11/13

DA UNIDADE DA VERDADEIRA RELIGIÃO (III)

(continuação da II parte)


18. O terceiro caracter da Divindade: é o testemunho dos profetas, que anunciaram o nascimento do seu legislador, e os principais sucessos da sua vida; uma longa, e perpétua sucessão de oráculos mais claros uns que outros. Estes profetas apareciam em diferentes idades, como correios enviados por intervalo da parte do grande Rei para anunciar aos homens a chegada de seu Filho. As nações o esperam, e o desejam. Ele chegou em fim no meio dos tempos, e no seu nascimento, diz Sto. Agostinho, na sua vida, nos seus discursos, nas suas acções, nos seus sofrimentos, na sua morte, na sua ressurreição, e na sua ascensão se completam todos os oráculos dos profetas. ("Venit et Christus, complentur in ejus ortu, vita, dictis, factis, passionibus, morte, ressurectione, ascensione, omnia praeconia prophetarum." S. August. Liter. a voculo c. 37 n 16 Ed Beacd.) Quem se pode vangloriar de ter um legislador prtognosticadoantes da sua chegada pelos órgãos da mesma Divindade? Quem senão aquele, a quem são presentes, todos os tempos, podia revelar o que pertence a Jesus Cristo muitos séculos antes do seu cumprimento?

19. O quarto caracter da Divindade, brilha nos milagres, que Deus obrou para autorizar a pregação do Evangelho; milagres assinalados pela mão poderosíssima do Deus Omnipotente, como da mesma verdade, milagres que abateram o orgulho dos filósofos, dissiparam os prejuízos dos povos, reformaram os costumes; abriram os olhos à luz, dando à palavra dos pregadores do Evangelho aquela força, e eloquência, que Roma, e Atenas mas nunca conheceram, e que consiste em persuadir não por períodos, e figuras, mas por prodígios. Finalmente parecia natural que aqueles que eram testemunhas, discorressem deste modo. A natureza não obedece aos impostores: ora vejamos, como ela obedece a estes pregadores sem lhes opor nunca nenhuma persistência: nós não devemos considerá-los, como embaixadores, mas como enviados de Deus para nos fazer conhecer a verdade. Sim, senhores, se o que nós cremos é erro, vós sois o que nos enganastes, porque o que cremos estar autorizado por sinais, e prodígios, que vós só podeis obrar ("Domine, siquod credimus error est, a te decepti sumus; nam ea quae credimus, confirmata signis, et prodigiis fuere, quae non nisi per te facta sunt". S. Vict. lib. 2 de Trin c. 2. "Illi [Apostoli] autem profecti praedicaverunt ubique, Domino cooperante, et sermonem confirmante sequentibus signis". Marc. c. 16 v. 20)

20. O quinto caracter da Divindade é a vil, a desprezível condição dos homens, de quem Deus se serviu para estabelecer o Evangelho ("Quae stulta sunt mundi elegit Deus, et ea quae non sunt, ut ea quae sunt destrueret, ut nonglorietur omnis caro in conspectus ejus." I Corinthc 1 v 27-29 S. Aug. epist. ad Volus. Ed. Bened. n 16 Carta Sophistas quoque saeculi, et sapientes mundi Petrus, et Joannes piscatores mittuntus. E. Nicron. lib I Epist 6 ad. Ant. de Modest.). Havia muitos séculos, em que os filósofos ensinavam, que disputavam sobre ponto de Religião sem converter a ninguém: a superstição, e a liberdade altivamente grassavam. Jesus Cristo veio, escolheu não oradores, não filósofos, não grandes, mas doze homens dos mais ordinários, pescadores quase todos, sem nascimento, sem educação, sem ciência, sem bnes. Enviou-os a anunciar a sua doutrina por todas as nações, sem disputar, sem arrazoar, sem argumentar: eles dobraram ao partido da Fé os maiores espíritos, os mais eloquentes, os mais súbtis, os mais sábios do mundo; fizeram não só sequazes, mas ainda pregadores da doutrina, da salvação, e verdadeira piedade ("Ex impentissimus, ex abjectissimis, ex paucissimis illuminantur, nobillitantur, multiplicantur, preclarissima ingenia, cultissima eloquia: mirabilesque peritias acutorum, facundorum atque doctorum subjugant Cristo et ad praedicandum viam pietatis, salutisque convertunt." S. Aug. epist. 137 ad Volus. n 16 Ed. Ben). Quem pode deixar de reconhecer o dedo de Deus? Os homens, que querem enganar o universo, devem ter maor espírito que os outros. Está completo este antigo oráculo: eu destruirei a sabedoria dos sábios, eu não farei caso da ciência dos prudentes. Onde estão os sábios, os doutos, os mestres do século? Deus não convenceu de loucura a sabedoria do mundo? ("Digitus Dei est hic." Exod. c 3 v. 19)

21. O sexto caracter da Divindade é a grandeza dos obstáculos, que se opuseram ao Evangelho. Ó santa Religião! Quanto me pareceu maravilhosa no vosso nascimento! O vosso autor nasceu numa manjedoura, educou-se na loja de um carpinteiro [principe], crucificaram-no, como a um impostor entre dois ladrões: os seus discípulos foram presos como iludidores; e com tudo no centro de tantos embaraços, capazes de fazer cair por terra todas as forças humanas, vós, fos estabeleceis, e cada dia continuais com maior vigor. As origens parecem pequenas, mas delas dimanam caudalosos rios. A ciência de alguns pescadores convenceu de loucura a ciência dos filósofos, a fraqueza triunfou a força. O lenho do Crucifixo se tornou em cadeira de doutro ("Lignum pendentis, cathedra factum este docentis." S. Aug. serm. 234 indich. Pasc. Ser. 5 n 2 p. 981 Tom 5 Edit Bened.). Sim ,esta é a obra do Senhor; e ele é admirável aos nossos olhos. Se anbtes da vinda do Messias algém tivesse intentado fazer no mundo a mudança, que ele fez, já pelos mesmos pregadores, e no centro dos mesmos embaraços, havia de custar a crer, a que conseguisse este intento outro qualquer poder, não sendo um Deus. Com efeito fez-se esta mudança por Jesus Cristo, e o deísta não se move. Que cegueira!

(continuação, na IV parte)

05/11/13

DA UNIDADE DA VERDADEIRA RELIGIÃO (II)

(continuação da I parte)

11. A verdadeira Religião deve pois anunciar-se por caracteres divinos. Ora nós não notamos no mundo, mais de quatro religiões; o paganismo, o judaísmo, o cristianismo e o maometismo. Qual é a que traz os finais da divindade? Entremos no exame.

12. O paganismo não me oferece mais que um caos de ilusões, de mentira, e de iniquidades; criaturas colocadas no trono da divindade para nele receber as nossas adorações; deuses culpáveis de maiores crimes, um Júpiter adultero, uma Vénus impúdica, um Mercúrio ladrão... honras divinas tributadas a Imperadores famosos pelas suas desenvolturas; o homem prostrado diante das obras das suas mãos; enfim, festas celebradas por jogos profanos, e muitas vezes sanguinosos, ou por desenvolturas. Uma religião tão favorável à corrupção dos costumes, não podia ser a Religião verdadeira, que procuramos aqui.

13. O maometismo nada me mostra que não seja digno de desprezo; tanto pelo seu autor, como pelo seu código, e pelos seus fins.
Maomé, seu fundador, começa com um impostor, continua como um tirano, acaba como um malvado. E como este embaiador, não podendo provar a sua missão de profeta por milagres, persuade a sua mulher, e por ela a muitos outros, que os acidentes de epilepsia, a que era sujeito, eram extases causados pelo comércio extraordinário, que fingia ter com o Anjo Gabriel. Acreditada assim a sua autoridade, se levantou como um homem inspirado, propaga a sua religião pelos caminhos os mais violentos; os seus apóstolos são, não mártires, mas soldados, que anunciam as suas loucuras com a espada na mão. Finalmente morreu, não pela sua doutrina, mas empeçonhado por uma mulher, que havia embaiado, e que por este meio quis saber se ele era na verdade um impostor, ou um profeta.
O Alcorão, que é o código das suas leis, está cheio de fábulas pueris, de ignorância, e de contradições. Nele confunde a Santa Virgem com Maria irmão de Aaron: diz que os judeus quiseram matar Jesus Cristo; mas que Deus o livrára milagrosamente, e que outro foi crucificado em seu lugar; Acredita a Moisés, a Jesus Cristo, e a Bemaventurada Virgem. Ora se o Evangelho é verdadeiro, Maomé é um ímpio pelo mesmo Evangelho. Se o Evangelho é falso, porque causa diz ele que é necessário dar-lhe crédito, e que ele seio a confirmá-lo? Toda a sua religião consiste a orar com o semblante voltado para a parte, aonde está Meca, a sacrificar uma camela aos seus pés, a matar os infiéis, a ter tantas mulheres, quantas se podem sustentar, a se lavarem muitas vezes, a abster-se de alguns animais, e a crerem Maomé seu grande profeta.
O fim, a que esta religião se encaminha, é revoltante. A Bemaventurança, que ela promete, é infame; cuja lembrança basta para amedrontar todas as pessoas castas. O estabelecimento pronto, e rápido desta religião é todo humano: ele é o triunfo do apetite, da violência, da política, da desordem, da ignorância; e de todos os vícios. nada admira que o coração humano, corrompido como está, lhe seja favorável. não; uma relegião tão grosseira não pode ser a verdadeira.

14. Volto-me para o judaísmo: Eu descubro muitos caracteres da divindade, uma doutrina sublime, uma moral pura, leis sábias, um seguimento de grandes homens distintos pela virtude, taumaturgos, e profetas. mas eu ao mesmo tempo descubro sinais não equívocos de reprovação. Eu vejo sequazes depois de dezassete séculos sem templo, sem Altares, sem Sacerdotes, sem Sacrifícios; dispersos no meio das nações, sem se confundir com povo algum. Eu creio de ver concluir uma maldição espantosa, que os persegue por um grande delito de seus pais ("Et respondendens universus populus dixit: sanguis ejus super nos, et super filios nostros". Mat. 6 27 v. 25). É necessário, digo eu a mim mesmo, que Deus escolha outro povo para entre ele estabelecer o seu culto. Mas quem é este povo?

15. São os cristãos. Que caracteres de divindade não brilham no cristianismo? A incompreensibilidade de seus mistérios, cujo conhecimento é infinitamente superior aos espírito humano; a pureza, e a severidade de sua moral, que revolta todas as paixões; as profecias claras, precisas, e evidentemente completas, que o tem anunciado; os milagres multiplicados, públicos, e incontáveis, pelos quais seus fundadores têm provado sua missão; o estado vil, e desprezível daqueles, que o  tem feito conhecer; a força incrível de uma infinidade de mártires de todo o sexo, de toda a idade, de toda a condição, que o têm testemunhado pela efusão do seu sangue, sua proporção com as necessidades do homem.... Que provas, que devem subjugar a razão de todo o homem que pensa!


16. Primeiro caracter da divindade do cristianismo: É a incompreensibilidade de seus mistérios. O que é infinitamente superior à razão, não pode ser o objecto das suas indagações. Ora os Mistérios da Religião cristã são infinitamente superiores à razão. Tais são uma natureza simples, e única, existente em três pessoas realmente diferentes; umFilho tão antigo como o Pai; um Deus feito homem no ventre de uma Vírgem; um Deus morto pelos pecadores; e que por si mesmo resuscitou; uma Ressureição geral, que há-de abrir todos os túmulos no fim do mundo; um pecado cometido por um só e comum a todos. O Plano da Religião cristã não é uma obra humana, em quanto à sua invenção, e muito menos enquanto à usa execução. Um ajuntamento de dogmas incompreensíveis não pode ser persuadido a homens por homens; se Deus não coopera para isso.

17. Segundo caracter da divindade: É a pureza, e autenticidade da sua moral. Ela nos impõe as obrigações mais severas, e as mais extremas, pelo que respeita a Deus, ao próximo, e a nós mesmos.
- A respeito de Deus: nós prescreve que o amemos sobre todas as coisas; que o adoremos; que lhe dirijamos todas as nossas acções, que prefiramos a sua glória aos nossos interesses, que renunciemos tudo, até a mesma vida, antes que violar o menor preceito deste Soberano legislador.
- A respeito do próximo: manda que o amemos como a nós mesmos, que tratemos a todos os homens, como quereríamos que nos tratassem; que não façamos a outrem o que esperaríamos que se nos não fizesse; que sejamos para com todos humildes, agradáveis, oficiosos, caritativos; que lhe suportemos os seus defeitos; que de bom grado lhes perdoemos as injúrias, que deles receberíamos; que amemos até aos nossos mais cruéis inimigos; que respeitemos os superiores; que demos a César o que é de César; que obedeçamos, como ao mesmo Deus, aos soberanos, ainda aos mais cruéis; que antes consintamos que se nos tire tudo, que nos revoltemos contra os soberanos.
- A respeito de nós mesmos: manda-nos que sejamos sóbrios, temperados, castos; proíbe-nos até o pensamento do crime, os desejos impuros, as imaginações desonestas, os discursos licenciosos; ordena-nos que renunciemos a nós mesmos, que combatamos as nossas inclinações; lutemos de contínuo contra nossas paixões; desprezemos os bens terrestres, que os possuamos sem afinco; e estejamos sempre prontos a deixá-los. Põe-nos diante dos olhos a humilhação, a obscuridade, os desprezos, os sofrimentos, todos os trabalhos da vida, como meios, que conduzem à verdadeira felicidade, que é toda espiritual. Felizes, diz ela, os que choram, porque serão consolados! ("Beati qui lugent, quoniam ipsi consolabuntur." Mat. 6 5 v. 5)
Que moral! Quanto é sublime! Quanto é pura! Quanto é santa? Mas também quanto é dura! Quanto é austera! E que! Contrafazer-se sempre, violentar-se, refrear sempre as paixões, e isto debaixo de pena de ser eternamente desgraçados? Homens poderiam persuadir esta moral ao mundo? Não; isto não é a obra dos homens, é só de Deus!

(continuação, III parte)

16/10/13

TUDO ISTO ACONTECEU... e continúa

"Os pais ao enviarem os seus filhos à catequese verificam que não lhes ensinam mais as verdades da fé, mesmo as mais elementares: a Santíssima Trindade, o mistério da Encarnação, a Redenção, o pecado original, a Imaculada Conceição. Origina-se assim um sentimento de profunda confusão: isto tudo não é mais verdade, caducou, está "ultrapassado"!? As próprias virtudes cristãs já não são mencionadas; em que manual de catequese, por exemplo, se fala da humildade, da castidade, da mortificação? A fé tornou-se um conceito flutuante, a caridade uma espécie de solidariedade universal, e a esperança é sobretudo a esperança num mundo melhor."

[...]

"Chegaram a qualificar certas pessoas de "lefebvristas", como se se tratasse de algum partido ou de uma escola. É um abuso de linguagem. Não tenho doutrina pessoal em matéria religiosa. Toda a vida ative-me ao que me foi ensinado nos bancos do seminário francês em Roma, a saber, a doutrina católica segundo a transmissão que dela fez o Magistério de século em século, desde a morte do último Apóstolo, que marca o fim da Revelação." (da Carta Aberta Aos Católicos Perplexos - Arcebispo D. Marcel Lefebvre)

13/08/13

DO "NOVO MANUAL DO CATEQUISTA" (XVII)


§ 2º Mandamentos da Lei de Deus em Particular 
NONO MANDAMENTO 

209. Que é que nos proíbe o nono mandamento não desejar a mulher do próximo? 
R: O nono mandamento não desejar a mulher do próximo proíbe-nos os pensamentos e desejos maus.

210. Que é que nos ordena o nono mandamento?
R: O nono mandamento ordena-nos a perfeita pureza da alma e o máximo respeito, aindamesmo no íntimo do coração, pelo santuário da família.

DÉCIMO MANDAMENTO

211. Que é que nos proíbe o décimo mandamento não cobiçar as coisas alheias?
R: O décimo mandamento não não cobiçar as coisas alheias proíbe-nos aambição desregrada das riquezas, sem respeito pelos direitos e pelo bem do próximo.

212. Que é que nos ordena o décimo mandamento?
R: O décimo mandamento ordena-nos que sejamos justos e moderados no desejo de melhorara própria condição, e que soframos com paciência a pobreza e as outras misérias permitidas pelo Senhor para nosso merecimento, por isso que "por muitas tribulações nos é necessário entrar no reino de Deus." (Acto dos Apóstolos XIV, 21.)

11/08/13

"BEATI MUNDI CORDE" - Pe. ANTÓNIO VIEIRA



"Beati mundi corde"

143. (I§)
"A Festa mais universal, e a festa mais particular: a festa mais de todos, e a festa mais de cada um, é a que hoje celebra, e nos manda celebrar a Igreja. É a festa mais universal, e mais de todos; porque começando pela fonte de toda a Santidade, que é Cristo, e pela Rainha de todos os Santos, que é a Virgem Santíssima, fazemos festa hoje a todos as hierarquias dos Anjos, fazemos festa aos Patriarcas, e aos Profetas; aos Apóstolos, e aos Mártires; aos Confessores, e às Virgens, E não há Bemaventurado na Igreja Triunfante, ou Canonizado, ou não Canonizado, ou conhecido, ou não conhecido na Militante, que não tenha a sua parte, ou o seu todo neste grande dia. E este mesmo dia tão universal, e tão de todos, é também o mais particular, e mais próprio de cada um; porque hoje se celebram os Santos de cada Nação, os Santos de cada Reino, os Santos de cada Religião, os Santos de cada Cidade, os Santos de cada Família. Vede quão nosso, e quão particular é este dia. Não só celebramos os Santos desta nossa Cidade, senão cada um de nós os Santos da nossa Famílias, e do nosso sangue. Nenhuma família de Cristãos haverá tão desgraçada, que não tenha muitos ascendentes na Glória. Fazemos pois hoje festa a nossos pais, a nossos avós, a nossos irmãos, e os que tendes filhos no Céus, ou inocentes, ou adultos, fazeis também festa hoje a vossos filhos, Ainda é mais nosso a esta festa; porque se Deus nos fizer mercê de que nos salvemos, também virá tempo, e não fará muito tarde, em que nós entremos no número de todos os Santos, e também será nosso este dia. agora celebremos, e depois seremos celebrados: agora nós celebramos a ele, e depois outros nos celebraram a nós. Esta ultima consideração, que é tão verdadeira, foi a que fez alguma devoção à minha tibieza neste dia tão santo, e quisera tratar nele alguma matéria, que nos ajude a conseguir tão grande felicidade. Dividirei tudo o que disser em dois discursos, fundados nas duas palavras que tomei por tema, e nas duas do título da festa. Pois a festa é de todos os Santos, no primeiro discurso veremos quão grande coisa é ser Santos; e no segundo, quão facilmente o podemos ser todos. O primeiro nos dá a primeira palavra do tema: Beati: o segundo nos dará a segunda: Mundo corde. Digamos à Virgem Santíssima: Rogina Sanctorum omnium ora pro nobis, e ofereçamos-lhe a costumada Avé Maria". (do sermão de Todos os Santos pregado em Lisboa no Convento de Odivelas - 1643 - Pe. António Vieira).

24/07/13

DO "NOVO MANUAL DO CATEQUISTA" (XI)


SEGUNDA PARTE

Mandamentos da Lei de Deus
Mandamentos da Santa Madre Igreja
Virtudes

ou

Moral Cristã

I CAPÍTULO
Mandamentos da Lei de Deus

§ 2º Mandamentos da Lei de Deus em Particular
PRIMEIRO MANDAMENTO

 
169. Que é que nos ordena o primeiro mandamento Amara Deus sobre todas as coisas?
R: O primeiro mandamento Amar a Deus sobre todas as coisas ordena-nos que havemos de ser religiosos, isto é, crer em Deus e amá-Lo, adorá-Lo e servi-Lo, como único verdadeiro Deus, Criador e Senhor de tudo.

170. Que é que nos proíbe o primeiro mandamento?
R: O primeiro mandamento proibe-nos a impiedade, a superstição, e irreligiosidade, e também a apostasia, a heresia, a dúvida e a ignorância culpável das verdades da Fé.

171. Que é a impiedade?
R: Impiedade é a negação de todo o culto a Deus.

172. Que é a superstição?
R: Superstição é o culto divino, ou da latria, prestado a quem não é Deus, ou ainda a Deus, mas de modo não conveniente: e por tanto a Deus, mas de modo não conveniente; e por tanto a idolatria ou o culto de falsas divindades e de criaturas; o recurso ao demónio, aos espíritos e a todos os meios suspeitos para obter coisas humanamente impossíveis; o uso de ritos inconvenientes, vãos ou proibidos pela Igreja.

173. Que é a irreligiosidade?
R: Irreligiosidade é a irreverência a Deus e às coisas divinas, como a tentação de Deus, o sacrilégio ou profanação de pessoas ou de coisas sagradas, a simonia ou compra e venda de coisas espirituais ou que digam respeito ao espiritual.

174. Se o culto das criaturas é superstição, como não é superstição o culto católico dos Anjos e dos Santos?
R: O culto católico dos Anjos e dos Santos não é superstição, porque não é culto divino ou de adoração devida só a Deus: nós não os adoramos como a Deus, mas venera-mo-los como amigos de Deus e pelos dons que têm d'Ele, e portanto para honrado mesmo Deus, que nos Anjos e nos Santos opera maravilhas.

175. Quem são os Santos?
R: Os Santos são aqueles que, tendo praticado heróicamente as virtudes segundo os ensinamentos e os exemplos de Jesus Cristo, mereceram especial glória no Céu e também na terra, onde, por autoridade da Igreja, são publicamente honrados e invocados.

176. Porque é que veneramos também o corpo dos Santos?
R: Veneramos também o corpo dos Santos, porque lhes serviu para praticarem virtudes heróicas, foi com certeza templo do Espírito Santo, e há de ressurgir glorioso para a vida eterna.

177. Porque é que veneramos também as relíquias mínimas e as imagens dos Santos?
R: Veneramos também as relíquias mínimas e as imagens dos Santos para sua memória e honra, referindo a eles a veneração, absolutamente ao invés dos idólatras, que prestam às imagens ou ídolos um culto divino.

178. Deus no Antigo Testamento não proibiu severamente as imagens?
R: Deus no Antigo Testamento proibiu severamente as imagens para adorar, e até quase todas as imagens, como ocasião próxima de idolatria para os judeus que viviam entre os idólatras e eram muito inclinados à superstição.

22/06/13

DO "NOVO MANUAL DO CATEQUISTA" (V)



(da primeira parte)

IV CAPÍTULO
Incarnação, Paixão e Morte do Filho de Deus

76. De que maneira se fez homem o Filho de Deus?
R: O Filho de Deus fez-se homem tomando um corpo e uma alma, como nós temos, no seio puríssimo de Maria Virgem, por obra do Espírito Santo.

77. O Filho de Deus, fazendo-se homem, deixou de ser Deus?
R: O Filho de Deus, fazendo-se homem, não deixou de ser Deus; mas, continuando a ser verdadeiro Deus, começou a ser também verdadeiro homem.

78. Em Jesus Cristo há duas naturezas?
R: Em Jesus Cristo há duas naturezas: a natureza divina e a natureza humana.

79. Em Jesus Cristo com as duas naturezas há também pessoas?
R: Em Jesus Cristo com as duas naturezas não há duas pessoas, mas uma só, a pessoa divina do Filho de Deus.

80. Jesus Cristo como foi conhecido por Filho de Deus?
R: Jesus Cristo foi conhecido por Filho de Deus, porque como tal o proclamou Deus Padre no Baptismo e na Transfiguração, dizendo: "Este é o meu Filho muito amado, no qual tenho postas todas as minhas complacências";

81. Jesus Cristo existiu sempre?
R: Jesus Cristo enquanto Deus existiu sempre; enquanto homem começou a existir desde o momento da Incarnação.

82. De quem nasceu Jesus Cristo?
R: Jesus Cristo nasceu de Maria sempre Virgem, a qual por isso se chama e é verdadeira Mãe de Deus.

83. S. José foi pai de Jesus Cristo?
R: S. José não foi pai verdadeiro de Jesus Cristo, mas pai legal e putativo; isto é, como esposo de Maria e guarda d'Ele, foi tido por seu pai sem o ser.

84. Onde nasceu Jesus Cristo?
R: Jesus Cristo nasceu em Belém, num estábulo e foi reclinado em um presépio.

85. Porque é que Jesus Cristo quis ser pobre?
R: Jesus Cristo quis ser pobre para nos ensinar a ser humildes e a não colocar a felicidade nas riquezas, nas honras e nos prazeres do mundo.

86. Que fez Jesus Cristo na sua vida terrena?
R: Jesus Cristo, na sua vida terrena, ensinou-nos com o exemplo e com a palavra a viver segundo Deus, e confirmou com milagres a sua doutrina; finalmente, para apagar o pecado, para reconciliar-nos com Deus a reabrir-nos o paraíso, sacrificou-se na Cruz, "único Mediador entre Deus e os homens." (I Timot., II 5)

87. Que é o milagre?
R. Milagre é um facto sensível, superior a todas as forças e leis da natureza e por isso tal que só pode vir de Deus, Senhor da natureza.

88. Com que milagres é que, especialmente, Jesus Cristo confirmou a sua doutrina e demonstrou que era verdadeiro Deus?
R: Jesus Cristo confirmou a sua doutrina e demonstrou que era verdadeiro Deus, especialmente com dar num momento a vista aos cegos, o ouvido aos surdos, a fala aos mudos, a saúde a toda a sorte de enfermos, a vida aos mortos; com mandar como Senhor aos demónios e às forças da natureza, e sobertudo com a sua ressurreição da morte.

89. Jesus Cristo morreu enquanto Deus ou enquanto homem?
R: Jesus Cristo morreu enquanto homem, porque enquanto Deus não podia padecer nem morrer.

90. Depois da morte, que foi feito de Jesus Cristo?
R: Depois da morte, jesus Cristo desceu com a alma ao Limbo, onde se encontravam as almas dos justos que tinham morrido até então, para as conduzir consigo ao paraíso; depois ressuscitou, retomando o seu corpo que fôra sepultado.

91. Quanto tempo esteve sepultado o corpo de Jesus Cristo?
R: O corpo de Jesus Cristo esteve sepultado três dias incompletos, desde a tarde de sexta-feira até à madrugada do dia que agora se chama domingo de Páscoa.

92. Que fez Jesus depois da sua ressurreição?
R: Jesus Cristo, depois da sua ressurreição, viveu na terra quarenta dias, depois subiu ao céu, onde está sentado à mão direita de Deus Padre Todo Poderoso.

93. Porque é que jesus Cristo, depois da sua ressurreição, viveu na terra quarenta dias?
R: Jesus Cristo, depois da sua ressurreição, viveu na terra quarenta dias para mostrar que tinha ressuscitado verdadeiramente, para confirmar os discípulos na sua fé e instruí-los mais fundamente na sua doutrina.

94. Agora Jesus Cristo está somente no Céu?
R: Agora jesus Cristo não está somente no céu, mas com Deus está em toda a parte, e como Deus e homem está no céu e no santíssimo Sacramento do altar.

(a continuar)

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