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07/12/16

O "ESTADO NOVO" não foi "REPÚBLICA NOVA"


Retirada de uma entrevista televisiva ao Prof. António de Brito (Dezembro 2009 - projecto "Direitas Radicais em Portugal"), a transcrição que se segue não significa uma subscrição de outras afirmações do Professor. Sirva este material como testemunho:

"[No Estado Novo] os "republicanos" eram "republicanos em banho-maria". Aí é que pode dizer que havia bastantes indiferentes... indiferentes. Que também nunca poriam resistência a uma restauração monárquica a sério, evidentemente, não a monarquia depois que os integralistas deram... a monarquia do Couceiro, e tal.; a uma monarquia autêntica, com uma certa indiferença não se oporiam. (...)

Salazar dizia que o grande apoio do Estado Novo são os monárquicos, são os católicos e alguns republicanos sidonistas. Os republicanos tinham o peso todo da tradição republicana, que era democrática, liberal, etc...  Eles lá iam fazer apelo ao governo de um só!? Eles eram [em geral] contra o regime que estava, exactamente por ser próximo de monarquia: ser o regime de um só, Salazar, mandar.
 
Nós gritávamos quando estávamos na Mocidade Portuguesa: "Quem manda? - Salazar, Salazar, Salazar! Quem vive? - Portugal, Portugal, Portugal!". Sempre o apelo a um chefe, ou a um ícone. Evidentemente que um republicano genuíno, como é que ele ia a... [apoiar]? Só se tivesse, como por exemplo agora... pode admitir-se porque um pretendente ao Trono não é pretendente a coisa nenhuma (...), não é monárquico, ele não é monárquico! Como dizia o [Alfredo] Pimenta, e muito bem: "eu sou monárquico sem Rei, temos que proclamar a excelência dos princípios e a cadência das pessoas".
 
Ideias a salientar:

- A Monarquia assenta no princípio do "mono" poder (poder de um);
- O Estado Novo não é nem se identifica com a república, e sim com a monarquia;
- A tradição republicana é democrática e liberal (ao ponto de nisto se apresentar como representante perante os outros sistemas e regimes)...

(outra parte da transcrição aqui, em VERITATIS)

22/11/16

A CUSTO DO GONÇALVES - ARRUMEMOS A CASA (I)

A pessoa que em caixa de comentários assina por S. Gonçalves deu-me ali ocasião para explanar alguns assuntos oportunos (dos quais as respostas, mais que pelo interesse histórico, valem pelo conteúdo doutrinal, de Tradição, justiça, clareza, objectividade, memória de certas verdades e valores hoje muito esquecidos.

Pego agora naqueles comentários feitos por S. Gonçalves (no blog VERITATIS) e coloco-os em perguntas, e dou as repostas.


1 – Salazar manteve a república?

R: A prova de que Salazar não manteve a república está na descaracterização desta, ao ponto de uns lhe darem rótulo de “ditadura”, ao ponto do próprio Salazar lhe chamar apenas “Estado Novo”, e não “nova república” (sem qualquer escrúpulo ou hesitação, elimine-se dos manuais escolares a seriação de 1ª, 2ª e 3ª república). Essa desfiguração, desmantelamento, como sabemos resulta de actos propositados, não acidentais. Ao contrário de Franco, Salazar (mais instruído nas coisas de Deus, da Pátria e da nossa Monarquia, conhecedor dos círculos monárquicos e integralistas) sabia da impossibilidade da devolução da nossa Monarquia (a qual fica em 1834, e não em 1910 - além do problema da ilegitimidade da linha de D. Pedro IV, e da imposição artificiosa de um regime “monárquico” liberal). Ao contrário do que vimos com os republicanos, no Estado Novo não era o regime, ou ideologia própria aqueles que interessavam alcançar, mas sim o uso das ferramentas disponíveis para proteger Portugal do assalto internacional (autodefesa), e possibilitar a vida dos portugueses, preservar os territórios, restaurar a identidade ferida, e esperar melhores tempos nos quais fosse possível devolver Portugal à normalidade: a sua monarquia própria (anterior a 1834), enfim, a Cristandade.


2 – Salazar infundiu os valores cristãos à república?

R: Livrando esta pergunta das acostumadas amarras verbais: Salazar infundiu os valores cristãos no Estado Novo? A intenção do Golpe Militar de 1926 não foi implantar um regime determinado, mas sim de expulsar os republicanos que, ilegitimamente, desde 1910 oprimiam Portugal (por exactidão devemos dizer que nunca houve uma "república portuguesa", mas sim uma "república em Portugal"). Depois do golpe militar tentou-se acordar alguma forma de sustentar e desembaraçar Portugal (não de sustentar e desembaraçar a república...) com o máximo de celeridade possível. O Estado Novo também se foi-fazendo e aproximando da nossa Monarquia e na modalidade de “rei ausente” (na falta de melhor designação)! Como provinciano de recta intenção Salazar vai seguindo as sendas da nossa civilização. Em demasia, os inimigos internos de Portugal atribuíram a este homem todos os acontecimentos (com intenção oposta o mesmo costumam fazer os exagerados da banda oposta); na verdade, Salazar não inventou nada que Portugal não tivesse guardado. O Portugal profundo, na ausência ou incapacitação dos seus maiores (a Monarquia verdadeira, etc.), depois da desocupação do inimigo republicano, sobe à governação de Portugal, aplicando ali a sabedoria prática, prudência, modos, costumes, coisas já perdidas em vários lugares onde o inimigo tinha feito obra. É necessário aclarar o "Portugal profundo" não é tanto o "populuxo" mais típico das cidades, mas sim aquele mais sóbrio, de pequenos proprietários (e outros), mais característicos do interior. Os valores cristãos, ou ainda melhor, o bom costume, a piedade, sobriedade, a prática da virtude, o sacrifício proveitoso, a honestidade, a recta intenção, o Culto a Deus, aos Anjos e Santos, a devoção Mariana, o pensamento cristão sintetizado, da opressão que o inimigo lhes tinha feito desde 1834 (oficiosamente), transpareceram finalmente no poder, em Salazar (e outros). Salazar portou-se como um bom exemplar do Povo português, em cargo e em tempo extraordinários.
(a continuar)

22/09/12

18/09/12

SALAZAR DÁ O EXEMPLO

SALAZAR CORTA 25% AO VENCIMENTO PARA DAR EXEMPLO
29/04/1928

"Abril, pelos vistos, era o mês em que Salazar costumava aparecer na crista da onda, até porque era a ocasião escolhida para as grandiosas homenagens ao mentor da Ditadura nacional. Dois dias depois de tomar posse do cargo de Ministro das Finanças, a doutrina perfilhada por Salazar continuava a oferecer pano para mangas nas colunas dos jornais. Como aconteceu no JN, que afirmava que "enquanto se não fizer uma reforma geral de vencimentos, tudo o que se legislar terá por único efeito multiplicar ainda mais as injustiças existentes". Era, assim, tempo de "vacas magras" e, portanto, de avançar com o "imposto de salvação pública", com vista ao saneamento das finanças. A situação apresentava-se tão delicada que, no seu entender, para lhe valer "seria preciso um grande milagre e eu duvido que Deus o tenha feito em favor do Governo ou do funcionalismo público". Assim, Salazar achou por bem apresentar-se como um exemplo: "Pelo que pessoalmente me respeita, hei-de carregar com uma redução de cerca de 25% na totalidade dos meus vencimentos, e não posso por isso dizer que a Ditadura me tenha ficado barata. Há-de haver funcionários mais gravemente lesados e alguns também possivelmente menos, mas o que é impossível é saber, no sistema do decreto, a justiça deste "mais" ou deste "menos" e a razão de ser daquelas deduções".

Ora bem... resta dizer que aqueles 25% a mais vinham dos tempos da "primeira república", ou seja,  a república maçónica que tornou a ocupar Portugal depois do 25 de Abril de 1974. O caos económico que a Ditadura teve de resolver parece também ter voltado.

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