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| Dom Lambert Beauduin |
Caros leitores, eu já nem me admirava se o Papa Francisco convocar um Concílio Vaticano III, ou talvez um Concílio de Buenos Aires. É nestes momentos que me vejo quase forçado a usar a tola expressão: "tudo é possível", porque estamos em dias do quase inverosímil.
Como surgiu a ideia de convocar o Concílio Vaticano II? Muitos católicos nunca ouviram ou leram nada a este respeito, se bem que não é um assunto da Fé, mas é da Fé gostar de conhecer as coisas da Igreja, mesmo as mais singelas, sem que se invertam prioridades.
Há dois registos, se assim podemos dizer, a respeito de como nasceu a ideia do Concílio Vaticano II. Um nos foi dado antes da eleição de João XXIII, e outro nos foi dado por João XXIII. E começamos por transcrever um e depois outro:
1 - Escreve Fr. Bouyer: "Eu estava em Chevetongne, o novo Amay, convidado para pregar o retiro aos monges (...) A morte de Pio XII foi-nos anunciada inesperadamente. Com um zelo que podia parecer intempestivo, dando crédito ao que tinha anunciado a rádio italiana, creio que para o repouso da sua alma até cantámos um "panykhide" umas boas doze horas antes da sua morte. Essa noite, na cela onde tinha tornado, no final da sua caminhada, o ancião Dom Lambert Beauduin, tivemos com ele uma dessas conversas do final intercalada com silêncios, na qual o torpor interrompia, sem jamais abortá-lo, a linha do seu pensamento: Se elegerem Roncalli, disse-nos "tudo se salvará. Ele seria capaz de convocar um concílio e consagrar o ecumenismo..." O silêncio voltou novamente, logo retomou à velha malícia com um olhar relampejantes: "Tenho confiança", disse, "temos a nossa chance: a maioria dos cardeais não sabem o que têm de fazer. São capazes de votar nele. (...) Viveria bastante para saudar em João XXIII o começo das realizações das suas mais inconvencíveis esperanças." (L. BOUYER: Dom Lambert Beauduin, un homme d´Église, Casterman, 1964, pp. 180-181.)
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| Fr. Louis Bouyer |
2 - Escreve João XXIII: "Em 1956, enquanto se prosseguiam os estudos preparatórios para a reforma geral da liturgia, o Nosso predecessor quis escutar a opinião dos bispos a respeito de uma futura reforma litúrgica do breviário romano. Então depois de ter examinado atentamente as respostas dos bispos, decidiu que se devia encarar a reforma geral e sistemática das rúbricas do breviário e do Missal e confiou a dita tarefa à comissão especial de peritos, à qual tinha sido pedido o estudo da reforma geral da liturgia. Logo, Nós, depois de ter decidido, segundo uma inspiração divina, convocar o Concílio Ecuménico, pensámos mais de uma vez o que convinha fazer com respeito a esta iniciativa do Nosso predecessor. E, depois de ter examinado bem a questão, chegámos à decisão de que se deviam apresentar, aos Padres do futuro concílio, os princípios fundamentais concernentes à reforma litúrgica, e que não se devia definir mais a reforma das rúbricas do Breviário e do Missal Romano." (Motu proprio "Rubricarum Instructum", in "Liturgie I" de Solesmes, nº 891 a 892).
Enfim... registos históricos enigmáticos...

