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24/04/18

O CONCEITO DE "CRISTANDADE" QUE NOS FOI LEGADO (II)

(continuação da I parte)

Sarracenos
"Vice-rei amigo, Eu ElRey vos envio muito saudar, etc. Tenho por muito serviço de Deus e meio o modo em que se procedeu com o Arcebispo de Amgamale, quando veio ao sínodo de Goa, e ir emendado em alguns abusos usados naquela cristandade da Serra, e assim de mandardes acudir as afrontas que ElRey de Paru fez às Igrejas dela, e aos padres da companhia de Jesus, que naquelas partes residem, e vos encomendo que trabalheis por se de todo quietar aquela cristandade, e se por em efeito o seminário de Amgamale pelo muito fruto que espero que com ele se faça nesta cristandade.
Escrita em Lisboa a 21 de Janeiro de 1588 (Rivara, Archivo portuguez-oriental, fascículo 3º, pag. 112)

"Conde Almirante, Vice-rei amigo, Eu ElRey vos envio muito saudar como aquele que amo.
Pelas três naus que o ano passado de 98 vieram dessas partes da Índia, em que de qual foi por capitão mor D. Afonso de Noronha, e veio o Vice-rei Matias de Albuquerque recebi as vias de vossas cartas, etc.
Tive contentamento de que me dizeis sobre o bom procedimento do Arcebispo de Goa D. Fr. Aleixo de Menezes, como já o tinha entendido de todos os anos passados depois que de qual foi, e assim o recebi de saber como tinha visitado todo o seu arcebispado, e que à partida destas naus ficava para ir visitar a cristandade da serra de Angamale; e por que tenho entendido que tem despendido muito, e que também havia de fazer despesas na visitação que ia fazer, hei por bem por todos estes respeitos de lhe fazer mercê de 5000 pardáos por uma vez, e vos encomendo lhos façais logo pagar com efeito.
Escrita em Lisboa a 21 de novembro de 1598 (Rivara, Archivo portuguez-oriental, fascículo 3º, pag. 612)

"Neste ano [861], ou no anterior padeceu Álvaro uma perigosa enfermidade, e pediu a penitência, como costumavam alguns naquele tempo. Já melhorado escreveu ao Bispo Saulo, que lhe enviasse um Sacerdote, para que o absolvesse. Saulo respondeu, que não podia até que determinasse o Concílio a questão, que estava pendente: e assim, que recorresse, para ser absolvido aos mesmos, que o ligaram; porque havendo tido faculdade para ligar, também a teriam para absolver; e que havia comunicado com um Pseudo-Episcopo, com quem ia absolto, voltaria a comunicar; e assim o aconselhava, que se apartasse de tal comunicação contagiosa, não temendo o mal, que lhe podiam fazer os homens. Álvaro sentiu esta resposta do Bispo Saulo, e com bastante acrimónia disse-lhe, entre outras coisas: que lhe aconselha bem no temer aos homens; mas admira-se, que aconselhando fortaleza, esteja escondido, separado dos seus, e vago pelo temos mesmo dos homens, que despreza. Ponderámos estas cartas, como estão no livro Gótico, por conterem vários pontos de disciplina Eclesiástica, e da notícia da turbação, que padecia a Cristandade de Córdoba; pois colacionadas com outros instrumentos poderão dar alguma luz entre tanta obscuridade da História". (Catálogo de los obispos de cordoba ... tomo I - cap.V. Ano 1778, Córdoba [tradução nossa])

"Servando foi descendente de Escravos da Igreja; e ainda que baptizado, saiu tão soberbo, cruel, avaro, estólido, e atrevido, que conseguiu a dignidade de Conde, (que costumava dar-se aos nobres, e principalmente Cristãos) à força de obséquios, e regalos, que fez aos Palatinos. Casou com uma prima do Bispo de Hostigésio, e ambos se coligaram para fazer Escravas as Igrejas, Hostigésio à de Málaga, e Servando à de Córdoba sua Senhora. Antes pagavam seus pesantes, e Servando obrigou-as a contribuir de todos os Emolumentos, e obrigações. Hostigésio vendia os Sacerdotes do seu Bispado, e Servando, usurpando o Bispo Valêncio da faculdade de provê-los, vendia os de Córdoba, aos que ofereciam mais dinheiro. A todos os Cristãos carregou de tais contribuições, que muitos miseráveis deixaram a Religião Cristã por livrar-se de tributos tão pesados; e os que foram constantes, padeceram a última miséria: e assim se cumpriu na Igreja, e Cristandade de Córdoba o que chorou Jeremias (cap.5) Servi dominati sunt nostri: non fuit, que redimeret de manu erorum. Não contente com destruir aos vivos; perseguiu também aos defuntos; pois desenterrando os corpos dos Cristãos, que haviam sido ajustiçados pela Religião, manifestava-os aos Juízes, para persuadi-los, que os Cristãos tinham por inocentes àqueles, que haviam condenado justamente a padecer morte; e assim eram dignos de morte, os que lhes haviam dado sepultura; Corpora, ut fuerant sub aris Dei posita, ex suis loculis insignis Vespilio traxit. Em que parece, que só desenterrava os corpos dos Mártires para parecer maior o delito dos Cristãos, que não só tinham por inocentes, senão também por Mártires, os que tinham condenado os Juízes; pois enterravam-nos nas Basílicas debaixo das aras. E desde este tempo achamos, que os Mártires se enterravam não nas Basílicas, senão nos Cemitérios, como os restantes Cristãos: antes lhes davam sepultura dentro das Basílicas, como consta de São Eulógio: mas este sacrílego Conde obrigou a enterrarem-nos, como aos restantes para não incorrer na calúnia, que lhes imputou; e por evitar outros ultrajes, que os Maometanos pudesse executar com os corpos dos Mártires. Disto se colige, que depois do Martírio de São Eulógio, e Santa Leocricia, padeceram outros por este tempo, e que desenterrou os corpos destes para mostrá-los aos Juízes, e acusar aos Cristãos, por que os veneravam como inocentes." (Catálogo de los obispos de cordoba ... tomo I - pag. 167. Ano 1778, Córdoba [tradução nossa])

"Com tão iníqua, e barvara sentença (até na língua latina) e condenação de Sansão, e sua doutrina, ficaram todos os Católicos pasmados, e temerosos, de que a Cristandade de Andaluzia, e ainda de todo o Reino de Maomé, se tornasse Hostigessiana: e assim uns se retiraram ao Reino de D. Ordonho, fugindo as violências de Hostigésio patrocinado pelo seu parente o Conde Dervando. Outros estiveram firmes nas verdades Católicas, que ensinava Sansão; e se apartaram de comunicar com Hostigésio, e seus sequazes. Outros rendidos ao temor comunicavam com eles: como que se viu a Cristandade de Córdoba num cisma pernicioso. Hostigésio envio esta sentença à Igreja de Martos, que por essa altura devia estar vacante; para que entendesse o que havia determinado o Concílio. Valencio deu quanta a outros Bispos; e lhes remeteu a confissão de fé, que havia feito Sansão, e a condenação do Concílio: para que explicassem seu sentir. Ariulpho Matropolitano de Mérida, e Saro Bispo de Baeza, que não assistiram ao Concílio, aprovaram com suas cartas a fé de Sansão, e lhe declararam inocente condenando a sentença do Conciliábulo." (Catálogo de los obispos de cordoba ... tomo I - pag. 174. Ano 1778, Córdoba [tradução nossa])

"Maomé rei de Córdoba morreu a 4 de Setembro de 886, deixando trinta e quatro filhos, e vinte filhas. Foi cruel inimigo dos Cristãos, e no seu tempo padeceu muito a Cristandade de Córdoba. S. Eulógio disse dele, que não foi menor em maldade, que havia sido seu falso Profeta, de quem tomou o nome: Non illo inferior meritir apparuit, cujus nomine insignitus ostenditur (Lib. 2 cap. 16). Com os Maometanos, e desertores da Religião Cristã foi muito humano; e em seus fins parece, que moderou sua ira cruel com os Cristãos, pois voltou a servir-se deles nas milícias, e ofícios públicos. No seu tempo floresceu em Córdoba o Moro Rasis, que escreveu a história de Espanha. Outro Rasis insigne Médico houve em Córdoba no século seguinte: de ambos tratou D. Micolás António (lib. 6 cap. 12)." (Catálogo de los obispos de cordoba ... tomo I - pag. 197. Ano 1778, Córdoba [tradução nossa])

"Os Maometanos de Córdoba e seus vizinhos tão irritados ficavam por estas fugas dos Mozárabes, que determinaram extingui-los. A muitos tiraram cruelmente a vida, e outros castigaram atrozmente, e colocaram em prisões muito apertadas. A todos despojaram de seus bens, e aos que ficaram com vida, depois de muitas injúrias os deportaram a África. Esta catástrofe teve-a Cristandade de Córdova. Escute-se Orderico: Porro Cordubenses, aliique Sarracenorum populi valde irati sunt, ut Mucerianos cum familiis, et rebus suis discesisse viderunt. Qua propter communi decreto contra resíduos insurrexerunt, rebus ominibus eos crudeliter expoliaverunt, verberibus, et vinculis, multisque in juriis crudeliter vexaverunt, multos eorum horrendis supliciis interemerunt, et omnes alios in Africam ultra fretum atalanticum relegaverunt, exilioque turci pro Christianorum odio, quibus magna pars eorum comitata fuerat, condemnaverunt. Sucedeu esta lamentável tragédia no ano de 1125, em que Orderico a escreve." (Catálogo de los obispos de cordoba ... tomo I - pag. 237. Ano 1778, Córdoba [tradução nossa])

Esta entrada dos Almoades na Hispania foi a fatal ruina da Cristandade, que havia ficado no Reino de Sevilha: porque era o ponto principal da seita, não permitir aos que adoravam muitos Deus, ou num Deus muitas pessoas: e assim extinguiram a Religião Cristã na África, e agora na Andaluzia. Clemente último Sevilhano pôde retirar-se para Talavera, donde morreu; e a Toledo passaram-se os Bispos de Médina-Sidonia, Marchena, e Niebla, ou Penhaflor com um santíssimo Arcediano chamado em árabe Archiquez, como escreve o Arcebispo D. Rodrigo (lib. 4 hist. cap. 3)

(continuação, III parte)

22/12/16

ESPANHA NO SEU MELHOR ...

Em conversa com um antigo colega, ambos conhecedores do viver entre gente de língua castelhana, chegámos à mais simbólica caracterização do pensamento de um "espanhol":
 
"Se é do vizinho e é bom, é meu. Se é meu mas é mau, é do vizinho. Se é bom e do vizinho, e está provado que é do vizinho, é mau."
 
Em Portugal não temos desprezo por espanhóis, embora os nossos antepassados nos avisem a ter cautela com eles (o que é de prudência dado aos factos e experiência histórica, posicionamento geográfico, etc...). Historicamente somos conhecidos por receber bem, e não temos piadas contra espanhóis, nem falamos deles.
 
Neste contexto, continuando serenos na nossa sobriedade, basta que lhes divulguemos os "altos argumentos":


 
Pergunta: se rir de um coitado nunca fez rir ninguém, porque se riu esta gente? ;)

11/12/16

BOLOS NATALÍCIOS NA MESA DA EUROPA

ALEMANHA:
Na mesa de natal os alemães costumam ter o delicioso "Christstollen", bolo muito rico em sabores e aromas, feito à base de frutos secos e cristalizados, compacto, tem forma de um rolo achatado e é coberto de açúcar fino. Originalmente era menos agradável, devido à limitação de uso de ingredientes no Advento.  Atendendo ao pedido do Príncipe Ernesto de Saboia, o Papa Inocêncio VIII,  pela chamada "carta da manteiga" (1491) possibilita aos nobres a inclusão da manteiga na receita, desde que fosse excluído dela o azeite e se desse esmola para as obras da construção da Catedral de Freiberg. Depois da Catedral construída, esta licença foi generalizada à população, não havendo já obrigações esmolares. Também fica na história que, pela primeira vez, um Papa escreve e publica a receita de um bolo.
 
FRANÇA:
O "Bûche de Noël" é por nós também conhecido como "tronco de natal" (seu nome traduzido), já bastante divulgado por cá. Este costume terá tido início no séc. XIX.
 
INGLATERRA:
o "Christmas Pudding" é um pudim aparecido na Idade Média, típico da Grã-Bretanha, e também utilizado para o Ano Novo. São comuns pequenas variantes que em cada família se vão guardando e transmitindo. Esta curiosa receita integra uma combinação dos ingredientes que eram considerados caros. É composto maioritariamente de frutos secos, 13 ingredientes, e demora 13 dias a ser confecionado. Este símbolo do 13 é homenagem a Cristo reunido com os Apóstolos, da mesma forma, durante os 13 dias de preparação: "... todos os membros da família devem mexê-lo durante a preparação no sentido Léste- Oeste também em memória dos Reis Magos durante o seu trajecto".

ESPANHA:
Também por nós sobejamente conhecido como "torrão", o "Turrón" não costuma faltar na mesa de "nuestros hermanos". Dispensamos grandes apresentações, porque já todos conhecemos a versão de Alicante, por cá muito visto nas feiras e festas populares.
 
PORTUGAL:
Em Portugal o "Bolo Rei" tornou-se o bolo comum, tanto na aldeia como na cidade, independendo da região. Se bem que este é directamente alusivo ao Dia de Reis, o Bolo Rei antecipa-se. O que diferencia este de todos os outros bolos é o "brinde" e a "fava" que estão contidos no seu interior: originalmente feito de metal mole (chumbo), o brinde embrulhado em papel aparece na fatia de algum contemplado, ao contrário da fava (seca) que calha a quem tiver de comprar o próximo bolo. Curiosamente, o Bolo Rei parece ter nascido em algum palácio de Luís XIV (França) para as Festa do Dia de Reis. Com a Revolução-em-França (que francesa de verdade ela não é) o bolo foi proibido. No ano de 1870 começa em Portugal a ser produzido o Bolo Rei, pela Confeitaria Nacional (Lisboa), segundo uma receita parisiense. Com a imposição de uma República em Portugal o Bolo Rei foi proibido (que engasgava os republicanos só de lhe ouvirem o nome...), mas tratou-se logo de dar a volta pelo nome... Não se sabe bem o motivo, mas o "Bolo Presidente" não conseguia vender tanto, outros tentaram "ex-bolo-rei", etc... Quanto à sua composição, o bolo leva frutos secos (sobretudo passas), e fruta cristalizada; tem forma de coroa. (vídeo)
 
BELGICA:
O "Cougnou", ou melhor, o "Pão de Jesus" é um suave pão (considerando a sua antiguidade, trata-se de um pão festivo para a população em geral) decorado com a figura do Menino Jesus ao centro.

15/02/16

DESTRUINDO MITOS CONTRARIOS À INQUISIÇÃO ESPANHOLA

Tomás de Torquemada
É pena que este documentário apenas trate da inquisição espanhola, e não de outras católicas iqnuisições! É um documentário da BBC que tem alguns erros preservados pelos adeptos da hispanidad... mas enfim, siga o documentário, porque do resto já estamos acostumados.



06/08/15

GAZETA DE LISBOA - retalhos (I)

A Gazeta de Lisboa teve início em 1715 e traz notícias de todo o mundo. Iremos recortar apenas a parte dedicada a Portugal e Espanha:

1715
(10 e Agosto)

Espanha - Por ordem da Côrte de Madrid chegada 24 de Julho a Barcelona se fez logo partir a armada destinada à expedição de Malhorca, o que se executou dentro de sete dias, sendo composta de 300 embarcações, em que entram os navios de guerra, e seis Galés. Embarcaram-se nelas doze batalhões franceses, doze Castelhanos, e mil cavalos com artilheiros, e minadores; e no caso que sejam necessários, se mandarão embarcar mais dez batalhões franceses, e dez castelhanos que ficarão prontos. Os Cabos desta empresa são o castelhano de Hasfeld Mestre de Campo General, com os Marqueses de Queclus, de Lecheraine, Conde de Ribadeo, e Mons. de Guerchois Sargentos mores de Batalha. Os Malhorquinos têm feito todas as disposições possíveis para se defender, havendo levantado redutos guarnecidos de artilharia, e retratamentos nas partes onde parecia possível o desembarque. Diz-se que tem 800 cavalos, ou Dragões alemães, e ingleses, 2000 Infantes de tropas pagas, e há grande número de ordenanças, que hão tomado as armas. Esta expedição se aprestou para lhe evitar outros maiores socorros que podiam receber. Por cartas de Paris se sabe que ElRei Cristianíssimo [França] teve já a notícia de que havendo-se feito a armada á vela, havia achado as costas de Malhorca em com estado de [?] que sobrevindo um grande vento os lançou para uma parte daquela ilha, onde os Malhorquinos não tinham tropas; e que assim fizeram ali o desembarque sem nenhuma oposição. Acrescenta-se que S. Majestade Cristinaíssima dera esta notícia [?] à meia dizendo: "Já o Rei meu neto não tem mais [?] nos teus Estados."]

Portugal - Suas Majestades que Deus guarde possuem boa saúde [?] Principe nosso Senhor está com alguma melhora, com que nos [?] de um grande cuidado. O Bipos de Miranda D. João Franco de Oliveira, que fora Bispo de Angola, e Arcebispo da Bahia, morreu em Condeixa sua pátria em 2 do corrente. O Arcebispo de Évora D. Simão da Gama faleceu nesta Cidade a 5 na madrugada, e a 6 foi conduzido à Cidade de Évora para ser sepultado na sua Catedral. Todos os Oficiais de guerra que se achavam em grande número nesta Côrte, receberam ordem para dentro de três dias se recolherem às suas Províncias, e [?].

(17 de Agosto)

Espanha - escrever-se de Madrid, que o Marquês Marique havia partido de Malhorca a 16 de Junho, [etc. números de guerra]. Por aviso de Pais de 8 de Julho se acrescenta, que havendo-se feito este desembarque sem oposição, o General Hasfeld havia ganhado uma praça chamada Alcudia, que o Governador queria defender ao princípio, mas que os moradores o haviam obrigado a render-se: que ali se haviam feito 400 prisioneiros, e achado 50 peças de artilharia, cuja nova se havia mandado por expresso a Sua majestade Cristianíssima que ao presente se entendia estar reduzida toda a Ilha á obediência de Sua Majestade Católica; os últimos avisos dizem, que as tropas que reduziram Malhorca voltaram já a Catalunha; porém esperam-se ainda com individuão as notícias deste sucesso.

Portugal - Suas majestades logram saúde perfeita: o Príncipe N. Senhor continua na sua melhora com grande satisfação da Côrte. D. Pedro Alvares da Cunha Senhor de Tábua, e Tinchante de S. majestade chegou da Ilha da madeira onde esteve por Governador com uma viagem de 28 dias, e na mesma embarcação chegou o Bispo do Funchal D. José de Sousa de Castelo-Branco. Por cartas de Cadiz se tem aviso, que o Brigadeiro D. Luís José da Gama, irmão do marquês de Nisa, chegou àquela Cidade livre do cativeiro do Rei de Mequinez, tendo alcançado a liberdade antes de lhe chegarem as letras para a satisfação do seu resgate, havendo-a o Capitão de um navio francês, que se achava no porto Salé, abonado generosamente, obrigando a ela a sua pessoa, e o seu navio: este Cavaleiro vindo já liberto foi novamente apresado por um corsário de Tanger, e levado àquele porto; donde havendo escrito a Salé, e provando o ajuste do seu resgate foi mandado livre a Cadiz.

(24 de Agosto)

Espanha - Madrid 9 de Agosto: As cartas de Alicante, dizem haver entrado naquele porto um navio Português de 54 peças de artilharia, e 140 homens de guarnição, o qual havia sustentado um combate de 5 horas conra três corsários de Tunes, os quais foram obrigados a retirar mui mal tratados, ficando mortos só 10 homens da parte dos Portugueses. Das notícias de Madrid se diz que S. majestade Católica vai reformando os novos Regimentos dos Tribunais, repondo-os na mesma forma em que se achavam dispostos, no reinado do defunto Rei Carlos II, e se acham já restituidos àsua primeira forma os Conselhos da Fazenda, e Índias; e se dá que chegara à dita Côrte Mons. Aldobrandi por ordem de S. Santidade, para nela tratar de negócios da Santa Sé.

Portugal - Lisboa 14 de Agosto: D. Tobias de Boura Cavalheiro Irlandês, a quem S. majestade Católica escolhei para passar à Suécia com o carácter de seu Enviado extraordinário, e se achava há dias nesta Côrte por não ter ocasião pronta de embarcação para Estocolmo, se há embarcado com efeito num navio Inglês, que o há de conduzir até Hamburgo. O Conde de Óbidos Meirinho mór do Reino, e Aio de Suas Altezas os Senhores Infantes Dom António, e Dom Manuel, deu infelizmente uma grande queda ao sair da sua carruagem, em tal soma, que quebrou uma perna; mas na moléstia desta cura, cuja primeira operação sucedeu com o mais constante valor, teve também a honra de ser visitado por estes dois Príncipes. O Brigadeiro D. Luís José da Gama de quem numa das precedentes se há falado, é sobrinho deste Conde, na atenção deste parentesco havia já o Senhor Infante D. Manuel oferecido todo o dinheiro, que fosse necessário para o seu resgate; e efectivamente o houvera feito, se a generosa grandeza de S. Majestade, não tivesse tomado por sua conta a liberdade deste Cavalheiro, fazendo passar logo todos os créditos necessários para a sua satisfacção.

(31 de Agosto)

Espanha - Madrid 16 de Agosto: As cartas de Malhorca referem, que havendo a armada feito desembarque naquela Ilha a 16 de Julho em Cala-Longa, marchara logo o Conde de Asfeld com todo o Exército sobre a cidade de Palma, que é a capital, fortificada com 15 baluarte, e guarnecida com 3000 homens de tropas pagas, à ordem do Marquês de Buby, e fez notificar aos moradores, que lhes faria toda a boa passagem se quisessem entregar-se na obediência de seu verdadeiro Soberano, porque de outra sorte experimentariam o último rigor. O General Marquês de Ruby resoluto a defender fez marchar as tropas para as muralhas, porém os moradores tomando as armas, fizeram uma espécie de túmulo, que o obrigou a capitular as condições seguintes. [seguem as "Condições, em que Conviveram os Comandantes das Tropas dos Dois Partidos para a Evacuação das Ilhas de Malhorca, e Ibiza"].

Portugal - Lisboa 31 de Agosto: Mons. Firrao Núncio Extraordinário de S. Santidade, que em 25 do passado apresentou a S. majestade em audiência pública as faixas, de que o Papa fez presente ao Príncipe nosso Senhor, recebeu ordem para ficar continuando a sua assistência nesta Côrte, e tratar nela alguns negócios da Santa Sé, e em 17 do corrente teve a primeira audiência de S. Majestade. A grande aplicação que S. Excelência tem às letras lhe fez erigir no seu palácio uma doutíssima Academia de conferências literárias sobre história, e Cânones sagrados. Sábado 24 do corrente: se fez primeira conferência, em que se discorreu sobre a história, Cânones, e Dogmas do Sagrado Concílio Neceno, assistindo a ela o Eminentíssimo Senhor Cardeal da Cunha, e Mons. Bicht Núncio Apostólico Ordinário nesta Côrte, alguns Senhores da primeira qualidade, e os Religiosos mais doutos dos Conventos desta Côrte. Abriu a conferência com uma muito erudita, e eloquente oração o Exc. Senhor Conde da Ericeira; fazendo-se digno acredor do aplauso de todos os Académicos, como sempre o tem sido em todos os actos literários. Os sujeitos a quem coube por sorte por bilhetes o discorrer nesta primeira sessão, foram o Doutor João da Mota Cónego Magistral da Capela Real; o Pe. João Tavares da Companhia de Jesus, Resultor dos casos de S. Roque; o Pe. Mestre Fr. José da Purificação religioso da Ordem de S. Domingos, Lente de Prima de Teologia. O primeiro discorreu sobre os Sagrados Cânones; o segundo sobre os Dogmas; o terceiro sobre a história do  dito Concílio: todos doutra, e eruditamente com aprovação do auditório.

REFORMA DO EXÉRCITO: Sua majestade, que Deus guarde, querendo aliviar aos povos de alguns dos tributos que lhes havia imposto com a ocasião da guerra, foi servido ordenar por Decreto de 20 do presente mês de Agosto, que se reformasse o seu exército, ficando aquele número de Infantaria, e Cavalaria que fosse preciso para guarnição das Praças fronteiras, e que dos 34 Regimentos de Infantaria de lotação de 600 praças cada um que havia no Reino, se formassem neste Regimentos de 500 homens cada um, repartidos em dez companhias de 10 [50?, 60?,80?] praças cada uma, in[?]os os Oficiais delas, além dos dois Regimentos da Armada Real, e da [?] do Comércio, que são da lotação de 1000 homens cada um, e do da cidade do Porto, os quais por não serem pagos pela repartição das Fronteiras, ficam na mesma forma em que se acham, importando por este modo toda a Infantaria em 12600 homens.
Em quanto à Cavalaria foi também o dito Senhor servido, que dos 20 Regimentos de Cavalaria que havia de lotação de 480 cavalos cada um, se escolhessem 3000, e deles se formassem 10 Regimentos de 300 cavalos, repartidos em dez companhias, tendo cada uma 30, inclusos os Oficiais dela, e assim mais dos Soldados desmontados para suprimirem as faltas dos que adoecerem.
Os Regimentos de Cavalaria se hão de formar pela maneira seguinte dos dois, que há na Corte, se hão de escolher doze companhias, e do Alentejo hão de vir oito para complemento das vinte, que nesta Província da Estremadura hão de ficar perfazendo dois Regimentos.
Dos da Província do Alentejo, e dos Reinos do Algarve se hão de formar 48 tropas, as 8 que hão de vir para a Côrte, e as 40 que hão de ficar naquela Província em 4 Regimentos.
Dos dois Regimentos que há na Província da Beira, se hão de escolher 10 tropas, que com 8 que hão de ir da Província do Minho, fazem 20 para os dois Regimentos de Cavalaria, que ficam na dita Província.
Na de Trás-os-Montes há 3 Regimentos de Cavalaria, dos quais se hão de escolher 16 tropas, e da Província do Minho hão de ir 4 para também fazem o computo de dois Regimentos que naquela Província hão de ficar.
No Reino do Algarve, e na sobredita Província do Minho não fica Cavalaria alguma.
ENQUANTO À INFANTARIA: Ficarão 5 Regimentos em Lisboa, e Província de Estremadura.
No Alentejo 7; Na Beira 2, Na de Trás-os-Montes 2; Na do Minho 2; No Reino do Algarve 2; Foi também S. Majestade servido fazer meter a todos os Oficiais, que ficam reformados de que vençam a metade dos 6 soldos enquanto não forem acomodados nos postos, que vagarem das mesmas graduações, para o que hão de ter preferência a outros quaisquer opositores.
OS OFICIAIS QUE SUA MAJESTADE NOMEOU PARA os ditos Regimentos, são os seguintes: [etc...]

Faz-se aviso às pessoas curiosas da língua Francesa haver chegado a esta Côrte há pouco tempo, um estrangeiro apelidado De Ville Francês de nascimento, natural da Cidade de Paris, o qual fala língua Latina, Alemão, Italiano, Castelhano, e Português; e tem um método muito fácil para ensinar em pouco tempo a toda a sorte de pessoas, ainda às de cinco para seis anos, as que quiserem servir-se do seu préstimo se podem encaminhar a casa de Manuel D[?] Livreiro na rua da Cordoaria velha.

(5 de Setembro)

Espanha - Madrid 23 de Agosto: Tem-se ffeito aviso de Nápoles aos Senhores Castelhanos, que têm estado naquele Reino, para que mandem cuidar deles; e fazer a cobrança dos seus rendimentos, de que se infere que a paz entre esta Coroa, e o Império se acha muito adiantada. Sua Majestade confirmou ao Marquês de Monteleon o seu ordenado de Embaixador no assento dos negros; o mesmo fez a D. Luís de Miraval nosso Embaixador na Holanda; e agora se mandaram dar no mesmo assento 8000 dobrões ao Duque de Osluna para a despreza da sua jornada; porém os Ingleses não querem aceitar estas livranças, de que se mande que a guerra com Inglaterra está mui vizinha. Por cartas de Cadiz se sabe, que um pataco Francês de 50 toneladas chamado a Galé de Cadiz, montado de 4 canhões com 12 homens de equipagem, pelejou à vista daquele porto por tempo de duas horas contra uma galeota de Tanger, da qual se livrou pelo muito valor, de destreza de M[?] Louzier seu Capitão, que estava resoluto a vender cara a sua liberdade, e que um navio Inglês chegado dois dias depois aquele porto refere, que antes de sair de Tanger, vira recolher a dita galeota tão mal tratada, que logo se mandara desarvorar, e encalhar em terra, que não tinha mais que 5 peças de artilharia, mas que era guarnecida de 140 homens, de que levava 40 mortos, e muitos feridos.

Portugal - Lisboa 7 de Setembro: Sua majestade que Deus guarde, foi servido nomear a Sebastião Pessanha de Andrade Promotor do Santo Ofício de Évora, para Arcebispos de Goa. Também nomeou Ministros para o Tribunal da Junta do Tabaco, para Deputados ao Doutor Belchior da Cunha Brochado Conselheiro da Fazenda, António de Beja de Noronha Desembargador do paço. Para procurador da Fazenda Real no dito Tribunal o Doutor Lopo Tavares de Araújo Desembargador doas Agravos; e para Confessor o Doutor Manuel Fernandes Varges Desembargador da Casa da Suplicação desta Cidade, Auditor que foi do Exército em Catalunha. D. José Maria Leonardo de Castro filho único José de Castro faleceu em ado com pouco mais de um ano de idade, e sentimento geral de toda a Corte, por ser mui desejado há muito tempo, e não terem outro sucessor na sua casa, havia nascido a 26 de Julho do ano de 1714 e foi sepultado na Inglaterra de S. Francisco num dos jazigos de seus Avós. No mesmo dia pariu a Excelentíssima Condessa da Galheta com bom sucesso uma filha.
Por aviso de Salé de 12 de Agosto se sabe haverem saído daquele porto dois navios armados de 16 peças e de 250 homens cada um, para andarem a corso nos nossos mares, e que ainda se estavam aprestando outros. Um navio Inglês chegado de Hamburgo a 28 do passado refere, que arribando a Po[?]moath, donde saiu há 15 dias, vira estar aquele porto 48 horas fechado para fazer marinheiros para as naus de guerra, que a toda a pressa se estão armando em Inglaterra.
Na Gazeta passada se fez relação dos Oficiais maiores, que S. que Deus guarde nomeou para haverem de ficar na reforma geral do seu exército; e como nela se declaravam as Províncias em que haviam de ficar somente os Coronéis, por se não ter ainda feito repartição dos Oficiais subalternos, que pertencem a cada Coronel, se dá agora notícia na forma seguinte: [etc..]

Na Oficina Real Deslandesiana se imprimiram este ano de 1715 os livros seguintes:
- Tratado Analítico, e Apologético, sobre os provimentos dos Bispados da Coroa de Portugal, livro de folha, Autor Manuel Rodrigues Leitão, Colegial, que foi no Colégio Real de S. Paulo na Universidade de Coimbra; e Lente de Cadeira de Decreto na mesma Universidade, Desembargador da Casa da Suplicação, e Deputado da Fazenda, e Estado da Rainha nossa Senhora, e depois Fundador, e Propósito da Congregação do Oratório da Cidade do Porto; vende-se na Portaria da mesma Congregação desta Cidade;


- Mathaeus Explanatus, livro de folha quarto tomo fim da obra; Autor Fr. Manuel da Encarnação Pontevel, Religioso da Ordem de S. Domingos. Vende-se na Portaria do mesmo Convento;
- Cirurgia Reformada, dois tomos num só volume de folha, Autor o Licenciado Feliciano de Almeida Cirurgião do número da Casa de S. Majestade. Vende-se em casa do mesmo Autor na rua da Atalaia, e na rua Nova em casa de Manuel Vaz Tagarro;
- Expurgatório Theologiae Moralis, livro de quarto. Autor o Pe. Manuel Sanches Clérigo Presbítero do hábito de S. Pedro. Vende-se em casa do mesmo Autor na sua dos Odreiros;
- Tácito Português, livro de quarto, Autor Luís de Caito Feliz. Vende-se na mesma Oficina na rua da Figueira;
- Rosa de Nazaré nas Montanhas de Hebron, livro de quarto, Autor o Padre Alexandre de Gusmão da Companhia de Jesus. Vende-se na rua nova de Almada em casa de Feliz Zorita. Vende-se também no Colégio em casa de Manuel Gomes;
- Fortificação Moderna, livro de quarto, traduzido de Francês no idioma Português;
- Cirurgia Completa, livro de quarto, Autor Mons. Le Clerc, traduzido de Francês em Português por João Vigier; vende-se em sua casa, e em casa de Feliz Zorita.

(14 de Setembro)

Espanha - Madrid 27 de Agosto: Ante ontem se celebrou o dia do nascimento de S. Alteza o Príncipe de Astúrias, que entrou em 9 anos: passando todos os Cavalheiros, e Ministros a beijar as mãos a SS. MM. e AA.. O Duque de Saint-Agnant Abaixador de França, infinou o seu festejo com um magnífico jantar, a que foram convidadas as primeiras pessoas de distinção desta Corte. Ordenou S. Majestade Católica que as Damas casadas, que servem a Rainha sua Esposa, não morem, como até agora dentro no Paço; e assim se pôs logo em execução. Estas Damas são a Senhora Duquesa de Havre sobrinha da Princesa dos Urfinos. D. Teresa de Cordova Marquesa de la Casta mulher de D. Alexandre Lanti Sobrinho da mesma Princesa. A Princesa de Robecque filha do Príncipe de Solre que vive em França, e a Marquesa de Crevecoeur filha do Príncipe de S. Buono.

Portugal - Lisboa 14 de Setembro: A 7 do corrente se celebrou em palácio o dia de anos da Sereníssima Rainha N. Senhora beijando as mãos a Suas Majestades toda a Nobreza, e Ministros da Côrte: No mesmo dia beijaram também a mão a ElRei N. Senhor que Deus guarde, o Conde de Valadares D. Miguel Luís de Meneses, o Conde de Santiago Aposentador mór, o Conde de Val dos Reis, o Conde de Coculim, e D. José Manuel Deão da Capela Real, e Sumilher de Cortina, pela mercê que S. Maj. lhes fez de os nomear Deputados da junta dos três Estados. Também S. Maj. fez mercê ao Duque D. Jaime da Presidência da mesa da Consciência e Ordens Militares em 9 do corrente; o Marquês de Marialva Gentil-homem da Câmara de S. Majestade baptizou a 7 um filho, a quem deu o nome de Pedro relativo ao de ambos seus avós os Marqueses de Marialva, e de Angeja; e no dia seguinte baptizou o Conde de Vila Verde seu irmão uma filha, a quem puseram o nome de Maria, e é a sua primogénita.

(a continuar)

23/09/14

ESPANHÓIS AO ATAQUE - Querendo o Que Não é Deles!

Rádio Renascença (23-09-2014 15:37) "Um dia agitado nas Selvagens, território habitualmente silencioso. Um grupo de militantes [espanhóis] desembarcou na ilha, hasteou a bandeira espanhola e quer falar com as autoridades portuguesas. A Marinha na Madeira já enviou um navio para controlar a situação.

"Está lá. Fala das Selvagens?" 


Um grupo de militantes espanhóis da Alternativa Nacionalista Canária (ANC) está nas Ilhas Selvagens desde segunda-feira num protesto pela reivindicação de soberania sobre o arquipélago português e contra as possíveis explorações petrolíferas na zona.

O alerta foi dado pelos vigilantes do parque natural da Madeira, que comunicaram às autoridades marítimas que os espanhóis içaram a bandeira das Canárias no local, disse à Renascença o porta-voz da Armada, Paulo Rodrigues Vicente.

"Esta é uma acção de protesto. É um grupo que se auto-intitula Alternativa Nacionalista Canária. Chega ao local, cerca das 22h00, o navio patrulha da Marinha Portuguesa que tem a bordo também dois agentes da Polícia Marítima e que se dirigem para o local para tomar conta da ocorrência, perceberem o que se está a passar e falarem com as pessoas que lá estão”, adiantou o porta-voz da Armada.

O grupo exige falar com autoridades portuguesas. "Somos independentistas. O tema das Selvagens tem que ser resolvido com Portugal. Temos que aplicar a lei do mar e traçar uma linha mediana com a Madeira, o que colocaria as Selvagens em águas das Canárias. Tal como o fazemos com as linhas medianas com Marrocos", afirmou Pedro Gonzalez, porta-voz da ANC, à agência Lusa.

Gonzalez explicou, contudo, que a acção não pretende “abrir qualquer conflito com Portugal” - que tem a soberania sobre as Selvagens - mas antes “sensibilizar os portugueses para o problema das prospecções petrolíferas.”

Espanhóis fugiram "ao controlo" dos vigilantes
O comandante da Capitania do Porto do Funchal confirma o envio de um navio patrulha para as ilhas Selvagens.

Félix Marques acrescenta que os vigilantes da natureza, que estão ao serviço do Parque Natural da Madeira, naquele território, "comunicaram a presença de dois espanhóis das Canárias que terão efectuado uma acção de protesto, içando a bandeira de Espanha no local". O comandante adianta que já comunicou a situação ao chefe de Estado-Maior da Armada.

O responsável salienta que "nada impede, com autorização do Parque Natural, que as pessoas possam desembarcar e visitar a ilha", mas que neste caso o desembarque aconteceu na segunda-feira. Os espanhóis fugiram "ao controlo" dos vigilantes.

Discórdia entre Portugal e Espanha
O facto de estas ilhas se encontrarem mais próximas do arquipélago das Canárias do que do da Madeira (165 quilómetros a norte das Canárias e a 250 quilómetros a sul da cidade do Funchal) tem provocado alguma discórdia entre Portugal e Espanha.

Em Setembro do ano passado o Governo espanhol enviou uma carta às Nações Unidas, na qual questionava a jurisdição do arquipélago e considerava as Selvagens não como ilhas, mas como rochedos, o que significaria uma redução substancial da Zona Económica Exclusiva portuguesa.

Uma semana depois Portugal contestou o documento, explicando que a "plataforma continental portuguesa além das 200 milhas náuticas na região Leste, para Oeste do arquipélago da Madeira, constitui o natural prolongamento do território da ilha da Madeira e do território de Portugal Continental", portanto, assim assumindo que as Selvagens são portuguesas."

06/03/14

PORTUGUESES - "REDENTORES DOS LUGARES SANTOS" (II)

(continuação da I parte)

Peças e paramentos, que existem nos lugares da
Terra Santa mandados do Reino de Portugal

"No Santo Sepulcro - Quatro lâmpadas de prata, que estão continuamente com luz na pedra do Anjo, junto ao Santo Sepulcro, e têm por título "Príncipe de Portugal".
Mais uma lâmpada de ElRei de Portugal no Santo Sepulcro.
Mais outra lâmpada dourada, que serve nas funções de ElRei de Portugal, dentro do Santo Sepulcro.
Mais duas lâmpadas de prata dos Reis de Portugal, que servem no Santo Monte Calvário.
Mais outras duas lâmpadas de prata do mesmo senhor em quanto príncipe, que estão na capela do Santo Sepulcro.
Uma bacia de prata, que leva três almudes de água, em que esta se benze no Sábado Santo, dádiva de ElRei de Portugal.
uma preciosa armação, com que se adorna o Santo Sepulcro, dádiva de ElRei D. João V.
Um pontifical, que serve com a dita armação, e é do mesmo género e preciosidade.
Um pontifical roxo com ricas alvas, que mandou o cardeal da Cunha.
Uma armação de damasco carmesim com galões de oiro, que mandou o mesmo Cardeal para a capela do Anjo.
Finalmente mais um relógio de parede, que mandou um benfeitor de Portugal.

No Conveito de S. Salvador em Jerusalém - Uma alva riquíssima, de que se serve o padre guardião nos pontificais, dádiva do Cardeal da Cunha.
Várias casulas e outros sagrados paramentos, que mandaram particulares benfeitores.

No Convento de Belém - Uma lâmpada, que arde continuamente na gruta do Sacro Presépio, dádiva de ElRei de Portugal.
Uma custódia de prata doirada, que serve na novena da festa da Expectação, dádiva de ElRei de Portugal.
Quatro lâmpadas de latão, que servem no mesmo templo.
Dois candeeiros de prata, que servem nas funções do Natal.
Um ornamento branco bordado de oiro, que serve no pontifical da noite de Natal e na festa da Epifania, com as armas de Portugal na capa, casula, dalmáticas, frontal, pano de estante, e véu de ombros.
Dpois livros grandes de coro, que mandou ElRei de Portugal no ano de 1732.

No Convento da Santa Casa da Nazaré - Um turíbulo e uma naveta de prata com as armas de Portugal; o sobredito foi mandado no ano de 1730, com um pasteiro para o coro.
Três casulas e cinco frontais de brocado com galões e franjas de oiro, e com trajas do mesmo, em que se vêm debuxadas as armas de Portugal.
Mais uma capa, dalmáticas, pano de estante e véu de ombros, tudo do mesmo brocado, e com os mesmos escudos. Foi obra de esmolas de várias pessoas particulares de Portugal, e levado no ano de 1732.
Três lâmpadas de prata para a mesma Santa Casa com as armas de Portugal.
Há ali mais oitenta cóvados de damasco para uma armação da Santa Gruta, que mandaram vários devotos de Portugal no ano de 1733.
Três casulas de damasco com galões de oiro; uma para o convento de Chipre, outra para o hospício de Safa, e outra para o de Roma.

CONTA DAS ESMOLAS REMETIDAS PARA JERUSALÉM

Desde 1757 até 10 de fevereiro de 1775 (300.640$000)
Pela Rainha D. Maria I, desde 5 de setembro de 1777 até 19 de agosto de 1796 (274.680$000)
Total (575.320$000)

A Alemanha, ainda que não mandava aos religiosos do Santo Sepulcro subsídios pecuniários, lhes subministrava contudo alfaias e adornos para os santuários, aliviando os religiosos destas necessárias despesas. Porém a filosofia do tempo, tão abundante em especulações destruidoras da piedade, filosofia, que no governo do Imperador José II tantos progressos fez naquele Império, decidiu que fossem privados destas esmolas os santuários de Jerusalém.

Os Estados Pontifícios, e outros Principados e ilhas concorriam com o que podiam. Reduzidos, porém, ao estado de pobreza em consequência de uma guerra assladora, nada podem contribuir; e apenas podem dispensar alguma coisa de sua pobreza para a manutenção de seus teatros.

A França, esse Reino tão piedoso debaixo do domínio de seus Reis legítimos, socorria não pouco os santos lugares; os seus Reis Cristianíssimos se excediam uns aos outros em enviar a Jerusalém monumentos de sua real magnificência.  Mas desde que alguns de seus filhos perpetravam por um fernesim de impiedade o mais escandaloso regicídio, e sentaram no Trono dos Bourbons um estrangeiro, desde então até agora se perdeu a lembrança dos santos lugares nos vastos domínios daquela nação.

A Espanha, que noutros tempos enviava a Jerusalém avultadas somas, agora, que acaba de surgir de entre as ondas de uma prolongada guerra, guerra tão assoladora, como injusta, gemendo ainda sobre as suas ruínas, não concorre, nem pode concorrer para a manutenção dos cultos dos lugares santos.

Portugal somente, este Reino abençoado de Deus, que tem volvido sobre ele os olhos da sua misericórdia, somente Portugal tem sido o redemptor, e o sustentáculo dos santos lugares; e tanto que nem ainda no tempo da guerra faltaram em Jerusalém as suas conductas, que foram remediar as maiores necessidades dos religiosos. Em 1811 tendo saido de Jerusalém pr falta de substância alguns religiosos, se achavam no porto de Jaffa para embarcar para as suas respectivas pátrias, quando os foi deter a conducta de Portugal. Reconhecendo nisto um rasgo visível da Providência, bendizendo a Deus, voltaram outra vez para os seus respectivos conventos. Finalmente quase toda a subsistência dos religiosos da Terra Santa desde que Bonaparte principiou a abalar com as armas os Tronos da Europa, é devida aos portugueses, segundo a confissão dos mesmos religiosos.

D. João VI
As dádivas magníficas, que os nossos soberanos têm oferecido particularmente para o Santo Sepulcro, são o objecto da admiração das nações. D. Maria I além de outras dádivas preciosíssimas, enviou a Jerusalém em 1782 uma lâmpada para o Santo Sepulcro. Sempre que de Lisboa saiam as conductas para Jerusalém se dignava escrever aos religiosos, representantes daquela Custódia, a quem incumbia que fizessem por si e seus vassalos deprecações a Deus; em testemunho do que ainda ali se conservam as suas cartas.

Em gratidão a tanta piedade se oferecia a Deus todos os anos por ela em Jerusalém no dia 17 de Dezembro uma festa solene além dos sufrágios comuns. Esta festa se faz agora a 13 de maio por D. João VI. A notícia de sua morte, quem eu anunciei o primeiro em Jerusalém, foi recebida pelos religiosos com visíveis sentimentos de tristeza, e na igreja do Santo Sepulcro lhe fizeram sumpruosas exéquias, às quais assistiu grande parte da cidade." (Notícia das Recordações e Monumentos Ainda Existentes Nas Diferentes Partes do Mundo Feitos Pelos Portugueses, ou Erigidos em Honra D'Elles - Manuel Bernardes, Lisboa 1879)

15/02/14

LOUVORES A PORTUGAL - POR OLHOS ESTRANGEIROS (III)

(continuação da II parte)

- P. Chapelain de M. R. Grognard escreve sobre Portugal, em dedicatória ao enviado extraordinário de Portugal, D. Diogo de Carvalho Cerqueira, em 1682:

"Não custa a conhecer a nação portuguesa, se se reparar na história de suas empresas, nas suas victorias, glória e conquistas.

São os portugueses ordinariamente mais propensos à navegação, ao comércio, à guerra, do que as belas letras, apesar de serem eles dotados dum espírito subtil. O que para isso mais contribui, é o exemplo de seus avós, que por aqueles meios estabeleceram suas casas e serviram ao Rei para aumentar a glória e forças do estado. Tem-se visto que souberam fazer para as consolidar e conservar tão belas conquistas nas costas de África, Ásia e no novo mundo. Comerceiam com todos os povos do setentrião e enriquecem-se em pouco tempo."

São mais corteses que os castelhanos, cujo orgulho lhes pareceu sempre intolerável. São também homens muito espertos, civis e próprios para tudo.

As conquistas deste Reino estendem-se a mais de cinco mil léguas de costa, e como os portugueses têm querido tornar-se por toda a parte senhores do comércio, todas as quatro partes do mundo, todas as suas praças estão à borda do mar, onde seu Príncipe, que é conhecido em todas as quatro partes do mundo, tem vários Reis por vassalos e tributários com a comodidade de fazer vir para a Europa as mais raras e preciosas mercadorias do Oriente.

(...)

Pode-se dizer que não há nação na Europa que seja tão poderosa, tão rica e tão estimada como o é a portuguesa nas Índias orientais, quer isto provenha da pesca das pérolas, e das conquistas que soube ganhar e conservar tão gloriosamente, quer de sua maneira de proceder, mais afável que a dos espanhóis, e de sua habilidade admirável em todas as coisas.

Castela deve sua liberdade aos Reis de Portugal, cujas armas mais contribuíram do que as dela a expulsar os mouros dos Reinos de Granada e de Andaluzia, e a desviar as conquistas que seus miramolins poderiam empreender, se os portugueses não se tivessem oposto a seu furor, etc.

O Reino é muito povoado, e todos os portugueses aguerridos. Daqui saíram grandes exércitos, e a nação povoou colónias muito notáveis, mesmo antes da conquista da Índia, e apesar de ter disto Portugal em todos os séculos um campo de batalhas ou de revoluções. Seus Reis sustentaram só com as forças do país guerras contra os mouros e castelhanos, e outros vizinhos que tinham um número quase infinito de soldados. Ampliaram aos limites do país, o levaram a cabo empresas, que uma parte da Europa nem mesmo teria ousado empreender. Povoaram as costas de África, as Índias Orientais, o Brasil, e para ali continuaram a mandar anualmente mais de seis mil homens..... Enquanto a marinha, Portugal é a primeira nação no universo. os navios são tão bem construidos, e a habilidade dos marinheiros ajuda tão bem a coragem dos soldados e os projectos dos generais, que com justa razão a esquadra de Portugal é o terror das Índias, e por isso ali conserva praças afastadas umas das outras, e no meio de tantos Reis inimigos. A causa disto é que o número dos navios em serviço da Coroa é extraordinário; e se todas estas esquadras se unissem à frota que anda a cruzar por aqueles mares ás ordens de S. M. Portuguesa seria uma frota capaz de fazer tremer uma infinidade de povos."


- O autor é italiano, não sei quem é, e critica o que se escreveu sobre Portugal a respeito das invasões napoleónicas. Em 1816 escreve assim:

"Napoleão resolveu mandar em 1810 para Portugal um exército de 115.000 homens sob o comando de Massena. E se ele pôde destacar aquele número de soldados para fazer a conquista de Portugal, se durante os dez meses daquela invasão não houve algum outro acontecimento notável na Península, nem os espanhóis fizeram algum movimento para se aproveitarem da divisão do marcheal Massena e da de Soult, que tinha recebido ordem de se apossar de Badajoz e ocupar a parte meridional do Tejo em Portugal, era evidente ser Napoleão senhor da Espanha nos anos de 1809, 1810, 1811, como o era do resto do continente. por isso em vez de considerar debaixo dum ponto de vista secundário os acontecimento de Portugal, e dar toda a importância aos movimento da Alemanha, devia o autor considerar naquela época a causa de Portugal, como a causa do continente inteiro.

Por ocasião da batalha de Barrosa, dada perto de Cadix a 5 de março de 1811 desenganaram-se os ingleses da possibilidade de formar um exército hispano-inglês. Daquela época por diante não pensara os ingleses entrarem sozinhos na Espanha,e depois da retirada de Massena em maio de 1811 só houve o exército Anglo-Luso, que figurasse no referido país. A este de longe a longe se uniu algum pequeno e insignificante corpo espanhol, mas em geral os espanhóis operavam somente como guerrilhas; e depois de 1809 pode-se dizer que mui pequena parte tiveram nos brilhantes sucessos de guerra. Nenhuma, por exemplo, na batalha do Buçaco a 27 de setembro de 1810, e em todo o tempo da invasão Massena.
Nenhuma nos assaltos de Ciudad-Rodrigo, e de Badajoz no ano de 1811;
Muito pouca e débil na batalha de Albuera a 16 de maio de 1811;
Quase que nenhuma na de Salamanca a 21 de julho de 1812;
Muito pouca na de Victoria a 21 de julho de 1813;
Nenhuma no assalto de S. Sebastião;
Pouquíssima em diversas batalhas de Pamplona e dos Pirenéus;
Muito pouca em diferentes refregas em torno de Baiona;
Muito pouco na batalha de Orthez a 13 de fevereiro de 1814;
Pouca na de Tolosa a 10 de abril de 1814.

Por conseguinte o autor da história representa-a debaixo de falsas cores quando omite falar dos triunfos de lord Wellington em Portugal, e dos esforços dos portugueses, que foram o primeiro passo decisivo para o livramento do continente. Quando faz figurar um exército anglo-hispano, que nunca existiu, e passa em claro o exército anglo-luso.

Lord Wellington, quando chegou a Portugal, escreveu aos ministros ingleses, dizendo-lhes que lhe parecia surpreendente a insurreição de Portugal, pois aos espanhóis ainda restavam algumas tropas e todos seus arsenais, ao passo que aos portugueses nada que tal nome merecesse.

A história de Portugal em quanto a este ponto desafia o cálculo e a sagacidade dos mais hábeis políticos. Esta nação em todos os tempos se mostrou belicosa e propensa a defender sua pátria, e todas as vezes que tem sido bem dirigida, tem obrado prodígios na guerra; duas vezes esteve sem oferecer resistência em 1589 e 1807, e duas vezes se insurgiu contra o inimigo que a molestava, e em ambas foi bem sucedida."


- M. Guingret, chefe de batalhão francês, oficial da Ordem Real da Legion d'Honneur, em 1817 escreve:

"É Portugal um dos países mais montanhosos e mais pitorescos; regado e fecundado por alguns rios majestosos, ornado de bosques e florestas, sendo também cortado por pequenos ribeiros e torrentes, que engrossam prodigiosamente com as menores chuvas. nele se vêm lugares os mais pitorescos e risonhos junto de vistas da maior aridez.

Apesar da antiga reputação de bravura dos espanhóis, e de nos terem por bastante tempo causado muito mal, todavia não mostram contra nós uma coragem tão activa, como a dos portugueses. Nos últimos tempos as tropas deste rivalizavam em valor com a melhor infantaria inglesa."

Citarei o sangue frio de alguns artilheiro portugueses no cerco de Almeida, que tendo tido a felicidade milagrosa de sobreviverem à explosão, continuaram a disparar suas peças, em quanto os destroços da praça ainda voavam, e ameaçavam esmigalhá-los. Gostámos de admirar a coragem, mesmo em nossos inimigos.

Almeida
Em geral todos os chefes inimigos que comandaram praças na Espanha, ou em Portugal, adquiriram muita glória. Quase todos desenvolveram grande coragem, mostraram uma dedicação rara, e deram provas do mais nobre desinteresse durante suas defesas. Parecia que quanto menos esperavam socorro, tanto mais pertinácia mostravam. Um comportamento militar tão belo em nossos inimigos, realça a glória dos chefes franceses que foram encarregados de lhes tomar as praças.

Passámos por Mangualde, pequena, mas bonita povoação. As plantas e árvores indígenas, que embelezam este lugar, concorrem a torná-lo mais delicioso aos olhos do estrangeiro. Começamos aqui a encontrar monumentos de utilidade pública, monumentos muito raros na Espanha, onde ainda menos existiam antes do reinado de Carlos III.

Além dos monumentos de utilidade pública, as diversas fábricas, e as boas livrarias que se acham tão frequentemente nas cidades, e até nas vilas, onde os principais habitantes têm sempre porção de excelentes obras em várias línguas; os instrumentos de matemática, física, astronomia, marinha, que vemos frequentemente em Portugal e cuja forma se ignora mesmo na Espanha, tudo isto parece atestar que a nação portuguesa está muito mais adiantada que a Espanha. (...)

(...)

Avistámos então o convento do Buçaco, do qual tínhamos distinguido uma parte da torre no dia da acção. Os religiosos deste mosteiro tinham recolhido e tratado com a maior humildade os feridos do nosso exército que tinham ficado no campo de batalha, a distância fora do alcance do socorro, que nós lhes tivéssemos desejado dar. Em muitos lugares de Espanha os frades te-os-iam matado em vez de diligenciarem sua conservação.

(...)

É com injustiça que se atribui a expulsão dos franceses da Espanha aos espanhóis: devem principalmente o livramento de sua pátria às forças de Inglaterra, e ás de Portugal.

Estavam os espanhóis mergulhados num sono apático, quando uma perfídia inaudita lhes roubou Fernando VII. O despertamento foi terrível. A indignação transformou de repente na Península o espírito de fanatismo em furor guerreiro. Numerosos exércitos se formaram; fortificaram-se à pressa muitas cidades e conventos, por toda a parte ouviram-se cânticos patrióticos, misturavam-se com os hinos consagrados à Divindade. Com o sentimento profundo da justiça de sua causa todos os espanhóis levavam no coração a confiança da victoria. No entanto não puderam resistir à superioridade, que o hábito de vencer tinha dado a nossos soldados. Os exércitos espanhóis vencidos logo que eram atacados; desapareciam diante do nós como areias assopradas pelo vento. Sanguinolentas derrotas, a queda de Saragoça afrouxaram os enérgicos esforços dos povos de Espanha. Esta nação vilipendiada renunciou então em parte ao plano de defesa activa que tinha abraçado ao principio, e opôs sua inércia natural à invencibilidade dos franceses."

No entanto os destroços dos exércitos espanhóis, numerosos corpos milicianos comandados por generais patriotas; bandos de guerrilhas, à frente das quais se achavam contrabandistas, aventureiros e mesmo antigos chefes de salteadores conseguiram manter continuamente a maior parte das províncias num estado de guerra vantajoso à causa da nação. os espanhóis têm coragem, porém exagerou-se muito o valor que mostraram na última guerra. Os elogios excessivos que lhes prodigalizaram não são devidos mais que á sua perseverança, virtude inerente à sua vaidade."


- Da coleção de viagens de André Holben (1557):

"Encontrámos depois cinco navios que pertenciam ao Rei de Portugal: tinham ordem de esperarem junto das ilhas os navios que voltavam das Índias para os comboiarem para Portugal. Ficámos com eles, e os ajudámos a comboiar um navio que chegava da Índia até uma ilha chamada Terceira. Um grande número de navios, procedentes todos do novo mundo, se tinham reunido nesta ilha. Uns dirigiram-se para a Espanha, outros para Portugal. Deixámos pois a Terceira em companhia de perto de cem navios, e cheguei a Lisboa a 8 de outubro de 1548, depois de uma ausência de dezasseis meses.


- Victor Eugene Hardung, no "Cancioneiro d'Evora publié d'aprés le manuscrit original et accompagnè d'une notice litteraire-historique", 1875, diz:

"A memória, ou folhas volantes foram ao princípio os únicos arquivos nos quais os trovadores, os menestreis e os minnesingers alemães conservavam suas poesias e melodias. Quando o número sempre crescente já não permitia reter a memória delas desta sorte, e que alguns espíritos esclarecidos encontravam bastante interesse em ler e estudar as produções destes cantores populares, começaram a recolher os textos dispersos, e organizaram coleções mais ou menos vastas.

Assim se formaram, em quanto à poesia provençal, as célebres coleções do Vaticano, cod. 3206 e 5232, os manuscritos 7226, 7614, 7693, 7698 da Biblioteca nacional de Paris, e o cod. 42 da Biblioteca laurenziana em Florença. os cancioneiros de Heidelberg, de Benedictbeuren, de Wemgarten e do cavalheiro Manessi, que transmitiram à posterioridade grande número de canções dos minnesingers, deveram sua origem à mesma necessidade.

Em Portugal, estas coleções de poesia, a que dão o nome de cancioneiros são mais numerosas do que em nenhuma outra nação, e possuem uma importância fundamental para a história literária deste país.

(...)


- Em "Coup d'oeil sur Lisbone et Madrid en 1814 ...", Ch. V. D'Hautford escreve:

"O espetáculo de Lisboa, elevando-se em forma de anfiteatro na direita do Tejo, oferece os mais belos tipos de pincel dos Vernet, e ao buril dos Woolett. A baía, que se abre abaixo de Lisboa, ancoradouro excelente para todas as sortes de embarcações, é formada pelas águas do Tejo, que neste sítio contra três léguas de largura. A multidão de navios ali ancorados, o aspecto variado dos edifícios, que se desenhavam a meus olhos, os diversos acidentes deste quadro, produzidos pela natureza e pelas artes, cobertos por uma incomensurável cortina do mais belo azul, mergulharam minha alma num desses extasis, cuja força criadora tem produzido as primorosas telas dos Vanden-Velde, Vroom, Borzoni e Salvator-Rosa admirados pela Europa em suas galerias.

Merece especial menção a maneira como em Portugal trabalham na pedra produzida neste país. nenhum outro possui melhores materiais para as construções. Esta pedra é calcaria, e o mármore nobile de Linneo. A perícia dos habitantes para a lavrarem é pouco vulgar, e as obras que saem de suas mãos, são de umas perfeição admirável.

No centro da praça do Comércio admira-se a estátua equestre em bronze, de José I, obra de Joaquim Machado de Castro, e que assegura a este escultor uma reputação imortal. Troféus e grupos emblemáticos, colocados aos lados do pedestal, executados pelo mesmo artista dão a este monumento um ar de grandeza que eu não observei nas estátuas equestres dos grandes duques Cosme e Fernando, que vemos em Florença nas praças do Palácio velho, e da igreja da Anunciada, pertencentes ambas ao cinzel de João Bologna.

Estátua de D. José I de Portugal
Bartolomeu da Costa é o nome daquele que fundiu a estátua de um só jacto, operação que merece elogios, atendendo à dimensão da figura do Rei e do cavalo. As proporções desta estátua equestre são as mesmas que as da estátua de Luís XIV na praça de Vendome; mas a figura do Rei José I é de onde polegadas mais, o que provém do capacete.

Não tendo podido ver o mosteiro de Belém, nada posso fazer para satisfação de meus leitores senão reportar-me ao elogio, que dele fazem Fregier e Aviler: o primeiro na sua obra de Stereotomia (tom. 3º, livro 4º, parte 2ª, pag. 28); e o segundo no seu Diccionário de Architectura, na palavra Haedi.

Hautefort teve o talento raro de descrever melhor Lisboa depois de uma residência somente de duas semanas, do que o fizeram outros viajantes de pois de a terem habitado por muito tempo."


- O Autor de "Revelations of Spain", T. M. Hughes, inglês, diz:

"Se o Infante D. Henrique não tivesse existido, é muito provável que também nunca tivesse havido um Cristóvão Colombo"

(...)

"É uma nação que nunca teve mais de três milhões de habitantes e reinou por algum tempo sobre metade do mundo."


- O londrino Illustred Travels, no nº25:

"A entrada do Tejo, as vistas nobres e majestosas em alguns respeitos, e sempre belas, que se gozam ao navegar pelo Tejo até Lisboa, e a primeira vista da Côrte de Portugal são aqueles objectos, que por muito tempo, uma das mais pitorescas e interessantes cidades europeias."

(a continuar)

06/05/12

OUTRO ERRO QUE A HISPANIDADE TEM DE CORRIGIR

Mais uma vez, os erros que os adeptos da hispanidade veiculam fazem-se presente. Eles não param, e por isso cabe perguntar se a hispanidade na sua "militância" não se tornou um mal que mais aprisiona a verdade.

Não foi com surpresa, agora mesmo dei com uma dessas falsidades veiculadas pelos tais adeptos.  Um blogue da “tradição católica” acaba de publicar um texto do Pe. Jorge Maria Salvaire problemático. É pena, pois tratar-se de um texto que por outra parte tem valor, contudo não recomendável sem o alertar necessário (pelo menos, cortar-lhe o erro).

Eis a falsidade no meio da verdade:

“No reinado de Filipe IV, quando o reino de Portugal estava pacificamente sujeito à coroa de Castela, que por este motivo os portugueses e castelhanos comercializavam entre si livremente como vassalos de um mesmo Soberano..”

É verdade que portugueses e castelhanos eram “vassalos de um mesmo Soberano”, contudo é falso que “o reino de Portugal estava (…) sujeito à coroa de Castela".

São duas coisas distintas que a muitos dá manter confundidas: estar sob o mesmo Rei não é igual a estar sobre um dos reinos do mesmo Rei.

Espero que os adeptos da militante hispanidade leiam este artigo, e possam tranquilizar ânimos para assentirem à verdade histórica: Filipe II foi aceite como Reis de Portugal depois de uma crise dinástica originada pela morte prematura do jovem Rei de Portugal D. Sebastião, a quem sucedeu o Cardeal Rei D. Henrique, que não deixou descendentes. D. Filipe I de Portugal, e II da Espanha (e não de Castela como tinha dito o Pe. Jorge Maria Salvaire - a não ser que admita que Espanha é o Reino de Castela alargado… ) foi aceite pelas Côrtes portuguesas como Rei. Estas Côrtes continuaram independentemente da Espanha, Portugal manteve a autonomia e a independência, partilhando de um mesmo Rei (conferir as Côrte de Tomar 1581). Tal condição garantiu a Dinastia Filipina por três reinados.

Neste assunto, não falo da ilegitimidade da Dinastia Filipina, para não alargar desnecessariamente.

Também não houve nesse tempo uma passividade entre portugueses e espanhóis (ou castelhanos…) sendo que, pelo contrário, em Lisboa, passe o exemplo, um grupo de castelhanos foi brutalmente assassinado por lisboetas depois de uma pequeníssima discórdia (insignificante). Os ânimos populares estavam mais acesos que uma parte da Nobreza rendida, comprada, ou vigiada.

Evidentemente que uma Coroa para dois grandes “impérios” mostrou-se insuficiente. No meio da carestia governativa, gradualmente a Dinastia Filipina acabou por arrastar-se por dificuldades e pelos interesses da nobreza de Espanha em detrimento de Portugal. O somatório de negativos efeitos tornou-se inegável para aquela parte da Nobreza portuguesa que tinha inicialmente permitido tal dinastia; não só o caminho ficou totalmente desimpedido, como havia grande disposição geral em  afastar de vez o ilegítimo rei com a devolução do Trono a um legítimo; com a iniciativa dos 40 maiores fidalgos do Reino foi possível operar essa devolução ao legítimo sucessor: D. João, Duque de Bragança, futuro D. João IV de Portugal.

D. João IV, o Restaurador da legitimidade
Senhores adeptos da hispanidade, tenham a força e humildade de não mais alastrarem tais erros indelicados e pouco caridosos.

29/03/12

HÁ QUE PURIFICAR A HISPANIDAD

Há "hispanidad" e "hisspanolatria" (este é o nome que um amigo argentino usa para designar aqueles adeptos que rebaixam a hispanidad ao nível de certos erros exaltados e equivocadamente patrióticos). Muitos sem culpa e outros com culpa, os adeptos da hispanidad transmite o que lhes ensinam. Há destes alguns que até chegam a Cardeais:

"A América é a obra da Espanha. Esta obra de Espanha é essencialmente de catolicismo. Logo há relação de igualdade entre hispanidad e catolicismo, e é loucura qualquer tentativa de hispanização que o repudie [ao catolicismo]... A história da nossa velha hispanidad é essencialmente católica, e nem hoje nem nunca poderá fazer-se verdadeira hispanidad de costas para o catolicismo." (Card. Gomá, a 12 de Outubro de 1934)

Card. Gomá

Todo o raciocínio do Card. Comá está certo... contudo assenta sobre premissas nada verosímeis ao dizer que a América é obra da Espanha (é um erro tão óbvio que não me parece que haja leitor com dificuldade em entender). Por outro lado, é certo que a hispanidad tem de estar sujeita ao catolicismo, ou seja, ela tem de ser regulada pelo pensamento católico, e Doutrina como sua grande Lei. É por isso que o Card. Gomá diz "... é loucura a tentativa de hispanização que o repudie [ao catolicismo]". É por isso que todos devemos dizer que, não sendo verdade que a América seja obra da Espanha, os adeptos da hispanidad (sobretudo os seus guias) devem por obrigação moral retirar este equívoco em vez de o propagarem cada vez mais.


Já vi e ouvi muito defensor da hispanidad sussurrando, declarando, cantando, gritando, e explodindo que a América central e do sul é a América Hispânica no sentido de "América Espanhola". Legitimando a usurpação que Isabel de Castela fez do nome de todo o território da Península Ibérica (Hispania, Hespanhas...etc.), atribuem erradamente ao nome "Hispânica" o significado de "espanhola" (de Espanha, nação, e não de Espanhas ou Hispania no sentido de toda a península). Esta gente cai no mesmo erro usurpador da própria rainha a qual elevam incrivelmente como santa e mãe de quase todas as maravilhas... (sobre isto já ouvi puro fanatismo que levaria à repugnância a qualquer desavisado).


Ouvi dizer a um desses inflamados da hispanidad inverosímil, e era um sacerdote, que os Jesuítas são uma obra espanhola (tentando justificar que, tendo o Brasil sofrido uma parte significativa da Evangelização por mão jesuíta, seria o Brasil praticamente castelhano...eles bem tentam...). Este muito instruído sacerdote espanhol não sabia qual tinha sido o primeiro Rei a promover o Jesuítas e a possibilitar o seu grande desenvolvimento, pois a hispanidad afinal tem ocultado todos os "inconvenientes" na instrução que dá, não fosse tal Rei português.


Apoio a ideia de hispanidad e até um determinado programa seu. Contudo, como católico, faço saber que é de MORAL que tal hispanidad não pode dizer-se católica ao mesmo tempo que não exclui de si aqueles erros que a estragam e só têm servido o vão orgulho de adeptos mais eufóricos. Tais erros não podem ser vistos como "dogmas da hispanidad" por serem uma contradição com os fundamentos católicos, e que foram referidos pelo Cardeal Gomá... há que excluir-los.

Em frente...

12/10/11

12 de OUTUBRO - CHEGADA DE COLOMBO À UMA PARTE DA AMÉRICA POR ELE JÁ CONHECIDA

Estátua levantada a Cristóvão Colon na vila de Cuba (Portugal) pelos seus conterrâneos.
Local de nascimento deste grande navegador.
Felizmente que há pessoas informadas que não mais festejam o chamado "descobrimento da América" dia 12 de Outubro. A América não foi descoberta nessa data, Colombo não descobriu a América, Colombo conhecia exactamente as coordenadas da viagem de ida e da viagem de volta do dito "descobrimento". A evangelização da América não começou nesta data, e assim o testemunharam os relatos dos Jesuítas em obras publicadas. Os primeiros povos a ser evangelizados na América foram os da região média do Brasil.

É uma pena que, perante os avisos já aqui feitos, os devotos da espanholatria insistam na mesma publicidade e na mesma falta de coragem em debater o assunto com a honestidade merecida. É lamentável que todas estas mentiras só tenham por finalidade coisas nada católicas e que se sirvam do catolicismo para aparente engrandecimento próprio. A todo este fenómeno de recusa e de lendas dogmatizadas chamo-lhe eu "castelhanismo" ou, como disse "espanholatria" (parafraseando um antigo colega argentino).

Que Deus abra o coração aos espanholátricos para, de forma franca, corajosa, e honesta, se abram à factualidade e coloquem as cartas sobre a mesa. Não adianta usarem a "opinião colectiva" lançando-lhe sistematicamente a mesma má propaganda, não adianta que denigram a verdade chamando-lhe "opinião particular".

Com isto não me dirijo às vítimas, de certa forma inocentes, da espanholatria que apenas conhecem o que lhe foi dado por ela e nada mais fazem que transmitir com boa intenção e orgulho saudável toda essa fantasia hegemónica.

03/09/11

JMJ 1011 - OS VESTÍGIOS

A Jornada Mundial da Juventude 2011 produziu frutos..................... mas podres:

Boa observação, sim senhor. Finalmente alguém com juízo!


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