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16/01/15

HARMONIA POLÍTICA DOS DOCUMENTOS DIVINOS (III)

(continuação da II parte)



Parágrafo II
Recta Intenção ["Boa Tençam"]

A recta intenção é anexa à Religião; quer dizer que o Príncipe deve encaminhar [ordenar] as suas acções a bom fim. Isto é o que mostra a Divina Política no Evangelho, quando ensina que:

1. O bem e o mal saem [partem] do coração. Porque nas obras da indústria [esforços empregues a um fim] se louva a destreza, nas da virtude [se louva] a intenção que lhes dá forma. O edifício não perde a excelência pela má vontade do arquitecto, mas o acto de justiça veste-se de malícia pelo ruim intento do juiz; é logo [por isso] o coração princípio da vida da virtude, como da do corpo. As generosas acções dos mais dos gentios degeneraram em vícios, porque tomaram por fim uns o interesse, outros o gosto, e os mais célebres a vaidade, ou a ambição. Aristóteles Ethico o entendeu quando disse que toda a acção louvável era composta de duas partes: prudência, para escolher bom sujeito, e virtude moral, para procurar legítimo fim.

2. O verdadeiro do homem é Deus, mas dos Príncipes por especial obrigação [o é]; porque, procedendo os Estados da instituição divina, a administração se deve oferecer a Sua glória. A Ele pois dirija o coração as acções, expressamente é melhor; mas bastará implicitamente obrando por amor da virtude, porque aquilo que assim se obra, é bom: o que é bom, agrada a Deus; o que agrada a Deus, é segundo Sua vontade, ou revelada por Sua Lei, ou gravada pela natureza: e no que é segundo sua vontade consiste a vida. Donde ["disto"] inferiram graves ["sérios"] teólogos que as excelentes obras dos infiéis feitas puramente por respeito da virtude se encaminham de sua natureza a Deus, posto que a infidelidade as faz descair; porque tudo o que pertence à recompensa eterna não é suficiente para alcançá-la se não é acompanhado da graça ["graça divina", sentido sobrenatural] e outras qualidades; causa pela qual só a fé não leva ao Céu o Cristão que morre em pecado ["pecado mortal" - entenda-se que mesmo sem a graça a inteligência pode guardar a lucidez suficiente para manter as verdades reveladas e lhes dar certo reconhecimento do que são, contudo já não seria esta a Fé assistida pela graça mas sim o efeito prolongado que esta virtude teologal tinha operado na ordenação da inteligência], como o direito de suceder ao pai fica inútil pela culpa do filho.

MEIO PRINCIPAL
Pelo Qual se Conhece a Recta Intenção do Príncipe

3. A Política Divina exclama por David. Entendei Reis, aprendei vós que julgais a terra, servi ao Senhor. Esta é a prova da recta intenção [bom propósito]. Príncipes há que com capa religiosa cobrem a ambição, mas como não há coisa tão encoberta que não se revele nem tão oculta que não se saiba, vem finalmente a conhecer-se que levantaram altar aos interesses, e converteram  o culto Divino em negociação, fazendo sacrilégio, e não sacrifício. Quem reina para servir a Deus o mostra principalmente em três efeitos:

4. Primeiro, tratar só da utilidade do povo [não a classe Povo, mas a população, a grei] que Deus lhe encomendou.

5. O santo Rei D. Afonso Henriques na sua gloriosa visão pediu ao Senhor que convertesse contra sua pessoa os castigos que aparelhasse pesso os castigos que aparelhasse contra sua gente. O grande Rei D. João II no pelicano com a letra célebre "pela lei e pela grei" tomou esta obrigação por empresa [esforço empreendido]. Sendo aconselhado que mandasse despovoar um lugar das conquistas, porque assim convinha ao bem de sua fazenda, respondeu "e que farei a tantos filhos quantos aí tenho?"; mais insigne foi seu exemplo quando na morte do Príncipe seu filho, a quem amava sumamente, se consolava dizendo que fizera Deus mercê a Portugal, porque seu filho (por afeiçoado a regalos) não era [adequado] para Rei de portugueses; assim antepunha o bem do Reino à conservação de sua descendência, da qual saía a coroa para transversais [linha transversal de sucessão no Trono]: finalmente todos os nossos reis mostraram nisto tanto afecto, que por ele foram chamados país dos Vassalos.

6. O segundo é: adquirir domínios só para dilatar o Evangelho.

7. O douto Bossio confessa que aqueles que o dilataram mais foram os reis portugueses; e com prerrogativa (acrescenta o insigne João de Barros) que foram os primeiros que da parte da Europa que lhes coube em sorte, lançaram os Mouros, os primeiros de Hispanha [Península Ibérica] que lhes fizeram guerra em África, os primeiros que os perseguiram no mais remoto da Ásia tendo assim as primícias gloriosas desta dilatação da Fé.

8. Terceiro efeito se vê em que o possuir estados, seja não só para conservar os bens das igrejas, mas também para os aumentar com novas doações, nas quais (diz um texto civil) a imensidade é a melhor medida; nas de dinheiro não se pode considerar inconveniente da república [entenda-se "o que é publicamente comum"] em tirar as terras dos seculares; e aos que argumentam que os tesouros reais são melhor empregados em outros gastos comuns, respondeu Filipe Augusto Rei da França: "Se soubereis quão contínuas mercês fez Deus aos reis, e quanto necessitamos de que não cessem, conheceríeis que Lhe demos mui pouco os que parecemos com Ele mais liberais [entenda-se "mais generosos"]".

9. Tão contínuos eram os reis de Portugal em edificar e enriquecer os templos, que só D. Afonso Henriques fundou e dotou 150 (não fazendo para si casa), e D. Manuel mais de 50, muitos tão grandiosos que requeriam largas vidas e grandes tesouros de diversos reis.

(continuação, IV parte)

02/01/14

CATECISMO DOS DIREITOS DIVINOS NA ORDEM SOCIAL (I)

Irei publicar uma parte da obra "Jesus Cristo Mestre e Rei das Nações" (Pe. Philippe, C. SS. R.), para comover alguns companheiros ao pensamento que forjou a Europa com os seus Reinos Cristãos.



CATECISMO DOS DIREITOS DIVINOS NA ORDEM SOCIAL
JESUS CRISTO, MESTRE E REI


I Lição
O Soberano Domínio de Deus Sobre a Sociedade

1 - Recitai o primeiro artigo do Símbolo dos Apóstolos!
R: Creio em Deus, Pai todo poderoso, Criador do céu e da terra, e em Jesus Cristo o seu Filho único, Nosso Senhor.

2 - Como se exprime a Santa Igreja Sobre este ponto no credo da Missa?
R: Creio num só Deus, Pai todo poderoso, Criador do Céu e da Terra, e de todas as coisas visíveis e invisíveis. Creio num só Senhor, Jesus Cristo, Filho únigênito do Pai.

3 - O que entendeis por estas palavras: Criador do Céu e da Terra, e de todas as coisas visíveis e invisíveis?
R: Entendo, que tudo o que existe fora de Deus, foi feito por Deus, que todas as coisas visíveis e invisíveis foram feitas por Ele.

4 - Que diferença colocais entre as coisas visíveis e invisíveis?
R: Há coisas que caiem sob os sentidos da vista, do ouvido, ou de todos os outros sentidos, que podemos apalpar de qualquer maneira: são as coisas visíveis. Ao lado, há coisas que existem realmente, coisas cuja existência se pode perceber, mas que ficam fora do alcance dos sentidos.

5 - Enumerai exemplos de coisas invisíveis.
R: Por exemplo, são invisíveis: os anjos, a alma humana, o pensamento humano, a vontade humana, o poder e a autoridade humanos.

6 - A sociedade dos homens não será uma coisa invisível?
R: Não é visível no sentido em que não pudéssemos tocar nela com o dedo, mas fica perfeitamente perceptível, no sentido em que podemos reparar na sua existência. Assim vê-se muito bem e dá-se conta que tal sociedade pública ou privada é distinta das restantes sociedades.

7- Será a sociedade considerada no que nela há de visível e de invisível, uma criatura?
R: Sim, e quando no meu credo digo: creio em Deus, Pai todo poderoso, que criou o Céu e a Terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis, professo solenemente que toda a sociedade, bem como o homem, foi criada por Deus, e por consequência, depende d'Ele, com uma relação de dependência absoluta.

8 - Podeis dar algumas provas da condição de criatura da sociedade?
R: Além do testemunho de Deus e do Espírito Santo nas Sagradas Escrituras, além do testemunho da Santa Igreja, vamos fornecer provas de razão. Toda a sociedade está composta de homens. Todo o homem é criatura. Logo então, as relações entre os homens são coisa criada. Além disso, toda a sociedade, bem como toda a nação, constitui uma realidade verdadeiramente existente. Esta realidade é um todo moral, que existe verdadeiramente fora de Deus. Consequentemente o que não é Deus, é criatura de Deus, de quem não pode senão depender absolutamente e de maneira soberana, tal como toda a criatura depende do Criador.
Há uma outra ideia fundamental. Não só o homem depende de Deus porque é criatura, mas também depende de Deus, porque Deus é o seu fim supremo e último. É de toda a evidência que o objectivo é último. É de toda a evidência que o objectivo final de todas as coisas criadas é Deus. Mais particularmente, Deus é o escopo final, supremo e infinito de toda a criatura inteligente. O homem foi criado para alcançar a Deus. Ele deve compreender que foi criado neste desígnio e deve querê-l'O alcançar. Ora, Deus colocou o homem em condições tais, que não pode senão viverem sociedade. Portanto, enquanto ser sociável, o homem deve ter como propósito final e supremo: Deus. Sustentar a posição contrária seria afirmar que o homem encontra o fim da sociedade na sociedade mesma, o que seria uma idolatria.

(continuação,II parte)

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