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24/06/17

NA SERRA ALTA - FIDELISSIMOS


"De todas as maravilhas que a Santa Igreja encontrou na fértil ceara dos Reinos Cristãos, a FIDELIDADE achou-se em maior constância e brilho em Portugal; característica esta nossa, tão própria e admirável que o Príncipe dos Apóstolos fez com ela coroa lusa (*). Assim, perante os Reinos Cristãos, e o mundo, Deus preparou Portugal para exemplo de Fidelidade, e da grande fidelidade que é a Fé. (...)  Embora Portugal seja de si mesmo desconhecido, não se entenderia o motivo de tal virtude demorar 600 anos em tornar-se oficiosa aos olhos do mundo, caso não fosse a muita discrição pública outra característica nossa, que nos tem protegido providencialmente tantas e tantas vezes. (...) para que cá os humildes possam assegurar-se que a Fé não é incompactível com a Fidelidade aos legítimos (...)"
(na serra alta - J. Antunes)

13/08/16

NA SERRA ALTA - PORTUGAL QUE REZA

ano 2016, em alguma aldeia do interior de Portugal, duas velhinhas a conversar e a apanhar um pouco de sol

"A minha avó reza vários rosário ao dia; a minha falecida avó, que no Céu esteja, para não deixar cair os terços usava anel de dezena (que lhe vi eu pelos menos gastar as contas a dois, pelo uso constante). Quando com disfarçado gosto alguns me dizem que em Portugal acabou a fé, perco o gosto e obrigação de lhes mostrar "onde" e "como" encontrar aquilo negam. Estes não entenderão por não estarem dispostos a abdicar de prévias teimas, apêgos, interesses, comprometimento com teses contrárias; e outros costumam andar longe, apenas! Se quem tanto reza em privado não tivesse fé, como querem alguns, o que dirão daqueles que rezam muito em público!?"

(na serra alta - J. Antunes)

15/12/15

MEMÓRIAS ECLESIÁSTICAS DO REINO DO ALGARVE (Cap. XV, II parte)

(continuação da I parte do Cap. XV)

Viviam os nossos Portugueses, e Mouros Africanos no Algarve sujeitos àquele Império Árabe, quando no porto de Lisboa arribou uma grossa armada de belicosas gentes, que iam em socorro da Cidade Santa de Jerusalém, a qual Guido de Lusigiano perdera no ano de 1186 (é tão diversa a lição dos Autores em pontos de Cronologia, que não me atrevo a deduzir a verdade, dando mais valor ao cuidado, e diligência daquele, ou deste Escritor. Como é impossível deixar muitas vezes de firmar os anos, em que algumas acções, se fizeram, sigo já a uns, e já a outros, segundo a persuasão de que me convenço, lendo os Autores, de cujas notícias me aproveito, em quanto o Cl. Pereira de Figueiredo não faz públicas as grandes aplicações que tem escrito da nossa Chronologia Portugueza), tomando posse dela Saladino no ano seguinte. uma furiosa, e rija tempestade de duros ventos, e grossos mares obrigou ao Imperador Frederico, chamado Barbaroxa (Luíadas de Camões, Canto III, oitava LXXXVI), a fazer a arribada àquele porto. As graças que o Papa Inocêncio III concedeu aos soldados que ajudassem aquela conquista, tinham excitado o espírito, e esforço das gente que adoravam a Cruz, e Insígnias do Salvador, a derramarem seu sangue, e restaurarem aqueles lugares, onde se completou a nossa Redenção.

Silves
ElRei D. Sancho, que então governava o Reino, estava naqueles dias em Santarém; e acudiu a fazer prestes os refrescos, e víveres para a armada, distinguida a todos os oficiais com aquelas honras, que a autoridade sofre. Continuaram os ventos a serem ponteiros, e rijos, e os mares agitados feriam as serras, não dando lugar àquelas naus a prosseguirem a viagem, e derrota do seu destino. ElRei lembrado do grande benefício, que de outra semelhante armada conseguira seu valoroso pai na tomada de Lisboa, não perdia ocasião de tentar os ânimos daqueles capitães para fazerem alguma empresa entre os Mouros nas conquistas deste Reino; e como a causa era tão semelhante aos intentos, e interesses com que empreendiam a glória, e honra do Senhor; e os exemplos da vitória, e prémios, que a outra armada estrangeira tinha conseguido sobre Lisboa, estavam ainda frescos, e excitavam a ambição da sua honra, facilmente deram o seu consentimento.

Ajustou-se em conselho, que se dirigisse a guerra sobre a Cidade de Silves, antigo porto, e asilo dos Africanos, que feitos piratas infestavam os mares, causando algumas ruínas nas nossas possessões, donde cativavam muitas almas, que às vezes perdiam a Fé pela liberdade, conseguindo estes roubos a glória de atrevidos, e ricos.

(a continuar)

07/09/15

IMITAÇÃO DE CRISTO - Thomas de Kempis (CIII)

(continuação da CII parte)

A IMITAÇÃO DE CRISTO

Thomas de Kempis

IV Livro
O Augustíssimo Sacramento do Altar


Cap. XVIII
Não Se Deve Aprofundar Acerca do Mistério da Eucaristia, mas Sujeitar à Fé os Sentimentos e a razão

1. Cristo – Guarda-te do desejo curioso e inútil de sondar este profundíssimo mistério, se não queres submergir-te num abismo de dúvidas. Aquele que quiser sondar a majestade do Altíssimo será oprimido de sua glória.
Deus pode obrar mais do que o homem pode compreender. Porém, não se proíbe o devoto e humilde desejo de alcançar a verdade, àqueles que sempre estão prontos a ser instruídos e a seguir a doutrina dos santos padres.
2. Bem-aventurada a singeleza que deixa a vereda das questões difíceis para caminhar na estrada larga e segura dos mandamentos de Deus.
Se tu não compreendes o que está debaixo de ti, como compreenderás o que está acima da esfera de teu alcance?
3. Alguns padecem graves tentações sobre a fé neste sacramento; porém, isto não se deve amputar a eles, mas ao seu inimigo. Não te perturbes nem disputes com os teus pensamentos; não respondas às objecções que o demónio te sugere; mas crê firmemente na palavra de Deus, nos oráculos dos profetas e na autoridade dos santos e, assim, fugirá de ti o malvado inimigo.
É muitas vezes útil ao servo de Deus ser tentado desta sorte. O demónio não tenta assim os infiéis e os pecadores, porque já os possui com segurança; mas tenta e vexa de mil modos os que são fiéis a Deus e que O servem com devoção.
4. Não te detenhas, pois, nestas coisas, mas chega à santa mesa com uma fé firme e simples e uma piedade cheia de respeito.
Comete a Deus tudo o que não compreendes neste mistério e descansa no seio grandioso de Deus, que tudo pode.
Deus não engana a quem Nele confia, mas o homem engana-se a si mesmo, se confia em si.
Deus anda com os simples, manifesta-se aos humildes, dá inteligência aos pequenos, descobre o sentido às almas puras e oculta a Sua graça aos curiosos e soberanos.
A razão humana é fraca e pode emanar-se, mas não a fé verdadeira.
5. A razão e a luz natural devem seguir a fé, e não precedê-la nem diminui-la.
A fé e o amor mostrarão neste mistério a sua excelência e, para isso, agem de modo oculto e inefável.
Deus eterno, cujo poder não tem limites, opera maravilhas incompreensíveis no Céu e na Terra; e a grandeza das suas obras é impenetrável ao espírito do Homem. Se o Homem pudesse facilmente compreendê-las, pela luz da sua razão, elas não poderiam dizer-se maravilhosas inefáveis.

FIM DA OBRA

23/07/14

A VERDADEIRA NOBREZA (II)

(continuação da I parte)

PRÓLOGO

Com grande diligência, e cuidado se trabalhou neste livro; queira Deus que logre algum acerto; sai hoje ao público teatro do mundo; onde cada um vota segundo sua inclinação, e entendimento; não pode contentar a todos: só peço ao benigno, e douto leitor, que lhe emende as faltas que nele achar com ânimo sincero, e desapaixonado, com que ficará corrigido, e eu avisado, advertindo que tudo o que ele contém se sujeita à correcção da Santa madre Igreja Católica Romana, cujo obediente filho sou.

PREFACÇÃO DO QUE SE CONTEM NESTA OBRA

Supondo eu que é certo, como é, não consistir em outra coisa a verdadeira nobreza de um homem, que em viver virtuosamente; tomo por principal fundamento desta obra o amor de Deus, como firme alicerce da vida Cristã, e fonte donde dimanam as caudalosas ribeiras de excelentes virtudes: com que divido este volume em três livros. No primeiro trato com a brevidade que levo em todos, e por maior, do que pertence à Religião Cristã, que sempre tem o primeiro lugar em tudo, por capítulos distintos, para que instruído um homem nela, e obrando conforme a isso vá adquirindo o mais, que nos seguintes se aponta. No segundo se fala das três virtudes Cardeais, Justiça, Prudência, e Fortaleza, e das que a elas se reduzem. E no terceiro se declaram a virtude da temperança, e as outras da sua jurisdição; ainda que algumas não vão postas por sua ordem no lugar que lhe pertencia; com tudo as fui pondo em outros, porque me pareceu, ficaram nelas acomodadas, e lhes cabiam melhor para o meu intento; como se vê que depois de se declarar a preciosa virtudes da Castidade, e dizer-se dos prejuízos da torpeza, ponho logo o capítulo seguinte do Matrimónio, segundo o parecer do Apóstolo, que melhor é casar-se, que abraçar segundo que vou discorrendo por tudo o que pertence à obrigação de um pai de família, e à sua dela; acabo com as duas virtudes da humildade, e amor do próximo; aquela com tão necessária para tudo, e esta para remate de todo este edifício, como o verdadeiro Mestre Cristo Redentor Nosso disse por S. Mateus: "In his duobus mandatis [?]versa lex pendet, et Prophetae.". Com isto se dá o fim, e conclusão a este meu trabalho, o qual com seu autor humildemente se submete à correcção da S. madre Igreja Católica Romana.


LIVRO I
DA VERDADEIRA NOBREZA


Capítulo I
Da Fé Católica

Os Artigos, e mistérios da nossa santa Fé Católica, todos os fiéis em chegando aos anos de discrição estão obrigados a saber uns clara e distintamente, e outros em comum, como a Santa igreja Católica Romana os confessa, da maneira que se contêm no Credo: que é a porta da casa onde mora Deus, dizem Eusébio e S. Cirilo Alexandrino, para cuja confirmação trás S. Pedro Crisologo aquele verio de David, Introite portas eius in confessione. Depois da ascensão do Senhor (como afirmam muitos Santos) ajuntando-se os Apóstolos para dividir as províncias do mundo, onde cada um havia de prégar, para que todos publicassem uma mesma confissão, e fossem a uma, compuseram entre si o Símbolo que chamamos "Credo": no qual está cifrada toda a substância de nossa Religião que dividido em pontos mais ao largo se dizem "Artigos da Fé", como ensina S. Paulo, é substância das coisas que se devem esperar, e argumento das que não se vêm. Explica Sto. Anselmo estas palavras, dizendo, que substância é o mesmo que fundamento, e argumento uma luz com que se manifestam mistérios escondidos, que por lume natural se não podiam conhecer. Basta a todo o fiel render seu juízo ao da Santa Madre Igreja, sem se dar a escodrinhar segredos de Deus, nem por-se em argumentos, e subtilezas impertinentes. Vindo a Arca do Testamento da terra dos Filisteus, e chegando à dos Betsamitas quiseram eles olhar com atrevida curiosidade o que nela estava, pelo que matou Deus setenta varões principais, e cinquenta mil homens. Sirva-lhe isto de aviso, e escarmento para com vã curiosidade de não escodrinhar com razão humana as coisas que vão sobre toda a razão. Quando algum dos discípulos de Pitágoras referia alguma das opiniões que aprendera, se lhe perguntavam, como era aquilo, não dava outra resposta senão: "Nosso Mestre o ensina assim". Se esta reverência se tinha a um homem cheio de mil ignorâncias quanta maior se deve a um eterno Deus, sabedoria infinita, e verdade imensa? Basta-nos sua autoridade para confirmação dos mistérios que a Fé nos ensina: ele é o princípio donde ela nasce; ao que devemos abaixar as asas do nosso entendimento, como o faziam aqueles animais, que viu o Profeta Ezequiel, quando soava a voz do Céu. Se bem os que olham as grandezas de Deus com humilde sentimento delas, como homem de razão, sujeitando seu entendimento às traças divinas, causam-lhes contentamento, saúde, e vida. Bem-aventurados os que não viram, e acreditaram, disse Cristo por S. João, descobrindo ele aos homens muitas coisas que excediam todo o entendimento humano; e porque sua publicação não fosse em balde, nem o homem se fizesse tão em jejum delas, como se as não tivera ouvido, ajudou-os a Divina Majestade com o dom da Fé para crê-las, que é uma virtude sobrenatural, plantada na alma pela mão do mesmo Deus. Quem crê em Mim, disse o Salvador do mundo, não crê em Mim, mas naquele que Me há mandado, porque com a Fé penetramos até as coisas invisíveis de Deus; e em outro lugar: Quem crê em Mim, sairão de seu ventre rios de água viva; o que declara o Evangelista dizendo do Espírito disse, que aqueles que crescem Nele haviam de receber. E a Fé a primeira luz do mundo espiritual, como a outra que criou Deus no princípio do material. É a coluna de fogo, que de noite alumiava ao povo de Deus pelo deserto, e de dia sendo a mesma (segundo Philo Hebreo) lhe servia de sombra, e nuvem. E o primeiro grão de bem-aventurança: de sorte que todos devemos crer o que ela nos ensina, sem outra curiosa inquirição de como é. E por haver faltado a este firmíssimo fundamento estão arruinados os Reinos de Inglaterra, Alemanha, e Flandres, e alguma parte do de França, e os antigos solares de África, e Ásia, e Grécia. E nós com este fundamento e lume daremos princípio a este livro, começando com o amor e temor de Deus; que são as duas colunas de formosíssimo metal, que Hyran famoso artífice lavrou para o grande Salomão, e a suma felicidade do homem, e sua verdadeira nobreza.

(continuação, III parte)

21/08/13

20 de Agosto de 2013 - OPINIÕES DO BISPO CONDE DE COiMBRA (II)

D. Virgílio, Bispo Conde de Coimbra
(continuação da I parte)

Estamos no "ano da fé", e até agora não encontrei jovens oficialmente "bem formados" que conseguissem dizer por palavras suas o que é "fé" tendo por base o "Catecismo da Igreja Católica"! Nem no "ano da fé"...!? Mas igualmente os sacerdotes, no geral, não sabem definir "fé", e os que tentam não definem, "explicam". Como não hão-de haver preconceitos relativamente a "fé"? A fé é virtude (teologal) pela qual cremos em todas e cada uma das verdades reveladas (doutrina)...; mas quem sabe isto hoje!?... Onde está a eficácia do aumento sucessivo dos anos de catequese, quando não se sabem os conceitos básicos? O preconceito relativo a fé, hoje, pelo que vejo, coincide com o conceito à protestante, mas não tenho visto o clero a usar o conceito tradicional (o único verdadeiro). Porque estranhar os resultados!?... Dar o Brasil como um bom exemplo a este respeito é ainda mais estranho, porque lá o drama é maior, lá o conceito é esmagadoramente de índole protestante. Será que D. Virgílio, afinal, tem interesse em apoiar um conceito não católico que não coincide com o Catecismo Romano e Catecismo de S. Pio X e todos os que deles se desdobram?

No "ano da fé" todos festejam e celebram, sem que da hierarquia se veja promover a definição de fé. Cada um que imagine, ou retire um único sentido entre as linhas não convergentes apresentadas pelo "Catecismo da Igreja Católica", ou, na falta de definição que seja o mundo a guiar o conceito dos católicos!

Há dois anos, uma familiar minha fez a "primeira comunhão". Mesmo sendo uma pessoa inteligente e empenhada, a minha familiar não soube minimamente dizer o que é a Missa e o que acontece na Consagração da Hóstia. Nesse mesmo dia tive a oportunidade de falar com o pároco, e aproveitei para apalpar o terreno que ele andava a semear. Afirmei-lhe que a Missa é o Santo Sacrifício, ao que ele respondeu que sim, que "também é Sacrifício". Perguntei-lhe então porque é que na catequese as crianças não aprendem que a Missa é Sacrifício, ao que ele não soube responder. Disse-lhe que se elas não aprendem na catequese não irão aprender nunca por "vias oficiais". Perante a vergonha dele, ilustrei com uma expressão de João Paulo II: "apostasia silenciosa".

Senhor Bispo Conde de Coimbra, não só se ignora o que é a Fé como também a Missa (Santo Sacrifício). E como resultado temos uma população católica que foi formando falsos conceitos que, por acaso, coincidem na maioria, ou na totalidade, com os do protestantismo, afastando-se muitíssimo dos do catolicismo. Os catecismos básicos há muitos anos, gradualmente, têm vindo a retirar elementos fundamentais da Fé. Dou o caso da Missa: os catecismos foram-na reduzindo à Ceia, logo a população, gradualmente, vai ganhando falsos conceitos que, por consequência, despistam a Fé. No Brasil!?... Não... no Brasil a euforia não é Fé, é a mesma euforia que faz proliferar as ceitas e outras "religiões"... essa euforia, na verdade não pode ser "fé viva", é sim FOME viva.

19/08/13

PRÁTICA DOS MANDAMENTOS DA LEI DE DEUS (I)

1 - "Amar a Deus sobre todas as coisas":

a) Guardai-vos dos discursos contra a religião que Deus nos impõe pelo primeiro mandamento. - Ponderai que a prática da religião é o máximo dever, porque Deus é o supremo Senhor de tudo e de todos. Praticai por isso, rigorosamente todos os deveres religiosos sem respeito humano.

b) Para não ignorardes culpavelmente as verdades da Fé, estudai o catecismo com diligência, frequentais as instruções e ouvi a palavra de Deus. Quando tiverdes dificuldades e as não souberdes resolver, exponde-as ao catequista ou ao confessor para terdes uma resposta satisfatória, e reflecti até conseguirdes compreender bem a resposta.

c) Há uma espécie de superstição, de que também se tornam culpados alguns cristãos, e vem a ser amar-se tão desordenadamente uma criatura que se considere quase como seu Deus, antepondo-a inteiramente a Deus. Por exemplo, são culpados de tal delito o avarento, o ambicioso, o vicioso, que fazem do ouro, da vanglória, do prazer, etc. como que um Deus; amam como a Deus estas coisas, e por elas, que não por Deus, estarão dispostos a sacrificar tudo. Procurai, pois, que o vosso coração seja sempre de Deus; e não levanteis nele nenhum altar a qualquer paixão má, que se tornaria vosso Deus em oposição ao Criador. - Quem confia em Deus não coloca a sua esperança em actos supersticiosos, e não teme consequências de coisas ou factos, que naturalmente não deve temer. Não deis ouvidos ao que alguns dizem a favor ou contra certas coisas ou factos, de que esperam efeitos sobrenaturais: dispensai como indignas de cristãos, a superstição que alguns têm com o número 13, com as sextas-feiras, com certos encontros usuais, etc.

d) Fugi de todas estas faltas graves contra Deus. - Lembrai-vos particularmente de que Deus detesta de modo especial o sacrilégio, nunca o cometais. - Fugi do que não é também sacrilégio no sentido rigoroso da palavra, como toda a falta de respeito à Igreja, ao sacerdote e às coisas destinadas ao culto divino.

e) Celebremos devotamente as festas dos Santos. Estudemos a sua vida, para imitarmos as suas virtudes. - Roguemos-lhes que intercedam por nós. - Sejamos particularmente devotos do Anjo da Guarda e do Santo do nosso nome: honremo-los com o nosso procedimento bom e virtuoso.

f) Destinados a estarmos com os Santos no Céu, sejamos na terra seus fiéis imitadores, praticando, como eles, a virtude, segundo a doutrina e os exemplos de Jesus Cristo, quais no-los ensinam o Evangelho e a Igreja.

g) Tende sempre grande respeito pelas sagradas relíquias. - Respeitai igualmente o vosso corpo como membro do corpo místico de Jesus Cristo e templo vivo do Espírito Santo, e porque ele é destinado à glória do Paraíso.

h) Tende grande respeito pelas sagradas imagens e com o vosso espírito representai-vos ao vivo a pessoa que elas figuram.  - Em sinal de respeito às sagradas imagens conservai puros os vossos olhos, e não olheis, portanto, para imagens, fotografias, ilustrações, ou bilhetes postais maus. E quem possuir estas coisas más, hoje mesmo as lance fora e as destrua.

(II parte)

23/11/11

A FÉ - TAL COMO A COMPROVA A HISTÓRIA (IV)

(Ler partes III e III)

Com o uso alargadamente abusivo e impróprio que hoje se faz da palavra "Fé" cria-se uma vil barreira ao entendimento dos textos e usos ao longo dos séculos. Se perguntarmos a um desses ignorantes usuários o significado de "Santa Fé", como nome dado antigamente a localidades e cidades, serão obrigados a uma resposta errada, ou ao silêncio. Segundo a "ignorância religiosa" desses ateus ou até católicos processar-se-ia em suas inteligências o seguinte: "ora, "fé" = "crença irracional", portanto o nome de tal cidade é um memorial ao crer irracional". Como não concluir depois que os homens daquele tempo eram irracionais? Como não concluir depois que todos os rebeldes teria de estar certos em seus raciocínios? Na verdade, uma coisa é certa: a "ignorância religiosa" de quem conclui tais coisas não difere muito de tais rebeldes, com a grande diferença de que antes eram uma minoria e hoje são a maioria. O que inventam hoje sobre o "ensinar a Fé"? O que pensa o católico-anti-católico que querem dizer os nossos antepassados com o "ensinar a Fé"? A honestidade de muitos obrigaria no máximo a concluir que se trata do "ensinar a acreditar sem ver". Um católico que saiba realmente o que é a Fé entenderá perfeitamente o significado de "ensinar a Fé" tão naturalmente que entre si e os antigos não há nisso distância alguma: significa ensinar os conteúdos da Fé que são as verdades reveladas, a Doutrina. O mesmo seria para "pregar a Fé", "conhecer a Fé" e, agora sim, entender que "Santa Fé" é um louvor às verdades doutrinais reveladas por Deus e transmitidas ao longo dos tempos pela Santa Igreja de Nosso Senhor.

18/11/11

A FÉ - TAL COMO A COMPROVA A HISTÓRIA (III)

(Ler partes I e II)

É lastimável como hoje está tão difundida a mentira. A Wikipedia (Enciclopédia Global da Ignorância) diz que Fé é tudo menos aquilo que é e sempre foi. Os vários "autores" da dita intervêm colocando suas opiniões baseadas nas recolhas do pensar dominante (ou seja, não sabendo, sondam os usos maioritários na actualidade). Concluem assim que "Fé" tem vários conceitos, com a agravante de que a hierarquia da Santa Igreja acabou por abandonar em massa o conceito próprio da palavra católica bimilenar e a difundir um outro conceito do pensar dominante. Todas as referências feitas a "Fé", na dita Burropédia, são usos alargados da palavra que abafam e contradizem o sentido próprio.

Continuemos então, agora com o livro "Sermões das Festas dos Santos" de Francisco Fernandes Galvão, LISBOA (1613):

"Diz S. Agostinho; vemos em uma Cruz o ladrão que se salvou por sua ..." (pág. 49)

"... porque a sorte caiu em S. Matias para ser lançado ao deserto da gentilidade pregar a ..." (pág. 49)

"Homem inimigo da verdade e contrário à Religião e santa , porque não leu nele coisa que confortasse com sua danada intenção, e já temia a espada..." (pág. 74)

"Nem deixam de ornar a coroa deste Santo [S. Tiago] os que seus Discípulos trouxeram à , e ainda hoje se convertem com a pregação do Evangelho. Os leões bravos da Hispanha não subjugados por ferro, renderam-se por sensatez à pregação do Evangelho, e aqueles que faziam abaixar a seu jugo as cabeças dos Reis, esses as abaixaram aos Discípulos do glorioso Santiago, e ainda hoje os novos povos que reduzem à Fé em suas conquistas, servem de ornar a sua coroa no Céu onde o nosso intercessor nos alcançara graça e glória." (pág 200)

07/11/11

A FÉ - TAL COMO A COMPROVA A HISTÓRIA (II)

(ler a parte I aqui)

Seria muito proveitosa a análise a todos os trechos apresentados. Contudo, também por saber que não terei tempo necessário, quero que, pelo menos, fique a ideia de que as obras da civilização católica reflectem-na e falam da Doutrina e do pensamento Católicos. E toda esta incontável produção civilizacional, obviamente, não se restringe aos livros e pelos livros.

Os católicos bem intencionados, e não só os católicos, encontrarão nos livros antigos um grande apoio para a interpretação da Santa Doutrina hoje tão abandonada, confundida, obscurecida por modos de pensamento nada católicos. Este método será suficiente para que os descrentes bem intencionados possam vir a corrigir ou a questionar o mau uso que hoje se faz da palavra "fé".

Ler estes trechos antigos, é uma forma bastante directa de contacto com o uso do conceito "Fé" no seu sentido próprio. Estou convencido que, em pouco tempo, ficara periclitante aquela retorcido uso da palavra "fé" com que hoje a maioria usa para designar "o mero acreditar" ou a "esperança numa coisa", ou ainda a miscelânea de coisas que o novo catecismo alimenta. O uso de "Fé", feito nos livros antigos, corresponde com o que dizem os catecismos antigos e de grande autoridade na Igreja (como é o Catecismo de Trento - Catecismo Romano.)

Peguemos no cultivado jesuíta Pe. António Vieira que diz no livro "Sermões do P. António Vieira da Companhia de Jesu - Parte XI" (1696):

"Estava ali Catarina cheia de entre os infiéis, estava cheia de sabedoria entre ignorantes, estava cheia de luz entre cegos, estava cheia de piedade entre tiranos. E que fariam dentro daquele generoso coração, e como rebentando nele todas estas heróicas virtudes, e cada uma delas? A o incitava a converter a infidelidade, a sabedoria a ensinar à ignorância, a luz a alumiar a cegueira, a piedade a abrandar e amansar a tirania, (...)" (pág 21)

26/10/11

A FÉ - TAL COMO A COMPROVA A HISTÓRIA (I)

Há meses lancei um repto para um levantamento sobre os conceitos de Fé. O conceito de Fé, o próprio, ou seja, o conceito católico que foi usado correctamente durante dois milénios, e que é o próprio da Santa Igreja, é hoje estranho à ignorância predominante. Mais uma vez, e tenho batalhado em dizê-lo, os conceitos católicos estão as ser todos corrompidos em vez de simplesmente ficarem esquecidos (o que já seria mau).

Na tentativa de mostrar a alguns "católicos anti-católicos" (também chamados por alguns de "católicos modernistas") o que a Igreja entende por "Fé", o espanto foi tal que foi praticamente sugerido que tal conceito apresentado não poderia ser o da Igreja mas uma interpretação minha. Ora, se perante os catecismos do passado (os que foram promulgados com a mais alta autoridade expressa e com obrigatoriedade de serem acreditados) os "católicos modernistas" tentam ingenuamente contrapor o novo catecismo sugerido e promulgado sem carácter de obrigatoriedade, e como confundem de tal foram o conceito "Igreja" como se fora um associação democrática que deveria expressar o pensamento dos membros associados, nada melhor que aproveitar para contribuir já para o tal levantamento por mim proposto.

16/09/11

"CATECISMO CATÓLICO DA CRISE NA IGREJA" (14)





II
A FÉ


14. A Fé é necessária para a salvação?
- A santa Escritura ensina que a Fé é absolutamente necessária para obter a salvação eterna. "Aquele que acredita e que for baptizado será salvo, aquele que não acredita será condenado", disse Nosso Senhor (Marcos 16, 16). S. Paulo ensina: "Sem a Fé, é impossível agradar a Deus" (Heb 11, 6).

a) Qual é a Fé necessária para a salvação?
- A Fé necessária para a salvação não é qualquer crença, mas a Fé verdadeira, aquela que adere de maneira sobrenatural à verdadeira doutrina revelada por Deus.

b) Esta necessidade da verdadeira doutrina é visível na Sagrada Escritura?
- A necessidade de conservar a verdadeira doutrina é bem manifesta nas advertências reiteradas dos Apóstolos no que respeita aos descrentes e aos hereges: "Um tempo virá em que os homens já não suportarão a sã doutrina, mas pelo contrário, conforme às suas paixões e ao prurido de ouvir, escolherão mestres em quantidade e desviar-se-ão da verdade para se dirigir às fábulas" (2 Tim. 4,3)

c) Aquele que, sem culpa da sua parte, não aderem às verdades reveladas são necessariamente condenados?
- Deus dá a todos os homens a possibilidade de salvar-se. Aquele que desconhece as verdades da Fé sem culpa da sua parte obterá de Deus, num momento ou num outro, a possibilidade de receber a graça santificante. Mas é evidente que aquele que pela sua própria culpa não professa a verdadeira religião, perder-se-á.

d) A verdadeira Fé é portanto importante de maneira soberana?
- Sim efectivamente. Não se trata, nesta questão duma vã controvérsia entre teólogos, mas trata-se da salvação ou da desgraça eterna das almas imortais.

15/09/11

"CATECISMO CATÓLICO DA CRISE NA IGREJA" (13)



II
A FÉ

13. Como podemos reconhecer que a Fé católica seja a verdadeira?

- Cristo provou a verdade da sua missão pelos milagres que operou. É por isso que diz: "Não acreditais que Eu estou no meu Pai e que o meu Pai está em mim? Acreditai nisso ao menos por causa das minhas obras" (João 14, 11). Os Apóstolos também se manifestaram pelos seus milagres: "Foram em todo lado prégando, o Senhor obrando com eles e confirmando a palavra pelos milagres que os acompanharam" (Marcos 16, 20). Os milagres são portanto a prova da missão divina da Igreja.

a) Podemos ter a certeza que existem milagres?
- Sempre houve milagres na Igreja, e a existência deste milagres não foram mais certos de que hoje, onde podemos, graças ao conecimento e meios de investigação científicos, excluir as explicações naturais com muito mais facilidadedo que nunca. A autosugestão e alucinção não têm lugar aqui. Por exemplo uma multiplicação de alimento constatado por várias pessoas que não foram influenciadas, a ressurreição dum morto ou a cura dum membro quase inteiramente destruído não pode encontrar tais explicações. A Igreja não reconhece um milagre quando permanece a possibilidade, mesmo mínima, duma explicação natural. A Igreja manda ou deixa a ciência investigar o caso antes de considerá-lo milagre tal como aconteceu para os factos milagrosos de Lourdes, por exemplo.

b) Todos os milagres são de ordem física?
- Ao lado dos milagres chamados "físicos" (os factos que são fisicamente inexplicáveis pelas únicas forças da natureza), há também os que se chamam milagres "morais" (factos que são moralmente inexplicáveis pelas únicas forças da natureza).

12/09/11

"CATECISMO CATÓLICO DA CRISE NA IGREJA" (12)



II
A FÉ

12. A Verdadeira Fé Pode Estar em Várias Religiões?


- No facto de que as diversas religiões se contradizem entre si nos pontos fundamentais, não pode haver várias que sejam verdadeiras. Uma única religião pode ser a verdadeira, e essa é a religião católica. Deus revelou-se em Jesus Cristo, não em Buda, ou Maomé, e Cristo apenas fundou uma única Igreja que deve comunicar aos homens até ao fim do mundo o seu ensinamento e a sua Graça. A Fé em Deus, trinitário, a Fé em Cristo e na Igreja forma portanto uma unidade indivisível.

a) As diversas religiões contradizem-se realmente?
- Ou Deus é Trindade ou não. Se é Trindade, todas as religiões não cristãs são falsas. Mas as confissões cristãs também se contradizem mutuamente: algumas não acreditam na divindade de Nosso Senhor, muitas não acreditam na presença real do corpo e do sangue de Cristo no sacramento da Eucaristia, etc. Crenças opostas não são compatíveis.

06/09/11

"CATECISMO CATÓLICO DA CRISE NA IGREJA" (11)



II
A FÉ

11. A FÉ PODE MUDAR?

Para os modernistas a Fé pode mudar, porque os dogmas são reduzidos a expressão dum sentimento de necessidade religiosa. Haveria então de ser adaptados e reformulados quando mudam os sentimentos e as necessidades religiosas.

Inversamente, se os dogmas exprimirem de maneira infalível as verdades da Fé, como a Igreja ensina, é evidente que não podem ser trocados, porque o que era verdade ontem, não pode ser falso hoje e é imutável. É por isso que S. Paulo escreve: "Se nós mesmos ou um anjo do céu vos anunciasse um outro Evangelho além daquele que nós vos anunciámos, seja anátema!" (Gal. 1, 8). "Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e nos séculos [sempre]" (Cristo heri, et hodie, ipse et in secula) (He. 13, 8).

a) Haveria assim um progresso da Fé?
- Um progresso da doutrina da Fé é possível unicamente no sentido em que as verdades de Fé sejam melhor entendidas e explicadas. Um tal desenvolvimento foi predito por Jesus Cristo à sua Igreja, quando disse: "O Advogado, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á tudo e lembrar-vos-a tudo o que eu vos disser" (João 14, 26)

b) O Espírito Santo não pode ensinar à Igreja novas verdades?
- A revelação está encerrada desde a morte dos apóstolos (22). Desde então, o Espírito Santo não ensina novas verdades, mas introduziu a Igreja, cada vez mais profundamente, nas verdades já reveladas por Jesus Cristo. Certas verdades reveladas que, até um certo momento, desempenharam um papel de segundo plano na Igreja, podem passar ao primeiro plano numa outra época. As controvérsias que opuseram a Igreja contra os heréticos obrigaram a mesma Igreja a expor de maneira sempre mais preciosa e mais clara até então implícitas - mas sem nunca nada acrescentar ao depósito revelado aos apóstolos.

08/06/11

"CATECISMO CATÓLICO DA CRISE NA IGREJA" (10)

II
A FÉ

10. A FÉ NÃO SERIA SOBRE TUDO UM SENTIMENTO?

É um erro do modernismo, condenado por S. Pio X, em 1907, na Encílica Pascendi, o dizer que a Fé é um sentimento oriundo da subconsciência que exprime a necessidade do divino. Em verdade, o acto de Fé não é um sentimento, mas a aceitação consciente e voluntária da revelação divina, tal como se apresenta ao Homem na Sagrada Escritura e da Tradição.

a) O que é a Revelação para os ditos modernistas?
- Para a convicção modernista a Revelação produz-se quando o sentimento religioso passa da esfera do subconsciente à da consciência. A Fé seria então algo de sentimental e subjectivo. A Revelação não seria dada do exterior (de cima), mas mostraria mais o interior do homem.

02/05/11

"CATECISMO CATÓLICO DA CRISE NA IGREJA" (9)

II
A FÉ

9. QUAL É A CONSEQUÊNCIA DA NEGAÇÃO DUM DOGMA?

Aquele que nega nem que seja apenas um só dogma, pois perdeu a Fé, não recebe a Revelação de Deus. Ele mesmo arvora-se em juiz do que é necessário crer.

a) Não podemos renegar um dogma e continuar a acreditar nos outros restantes, e portanto conservar, ao menos parcialmente, a Fé?
- Como já vimos, a Fé não se assenta no nosso juízo pessoal, mas na autoridade de Deus que se revela e que não pode errar nem enganar-nos. Assim, devemos aceitar tudo o que Deus revelou, e não escolher unicamente o que nos agrada. Aquele que recusa aceitar tudo, que pratica uma escolha no depósito da Fé, impõe a Deus um limite (reservas, condicionantes), pois atribui a última palavra às capacidades do seu próprio juízo particular. Actuando assim, já não tem a Fé sobrenatural, mas apenas uma crença humana, apesar de concordar em muitos pontos com a Fé sobrenatural.

01/05/11

"CATECISMO CATÓLICO DA CRISE NA IGREJA" (8)

II
A FÉ

8. QUEM PODE DIZER-NOS COM AUTORIDADE O QUE PERTENCE À REVELAÇÃO?

Unicamente o Magistério da Igreja, que reside principalmente no Papa, pode dirimir uma questão disputada e dizer com certeza no que devemos acreditar e o que está errado. É a Pedro de facto - e nele, aos seus sucessores - que Cristo disse: "Tu é Pedro, e sobre esta pedra que és fundarei a minha Igreja, e as portas do Inferno não prevalecerão contra ela" (Mat 16, 18). A Pedro igualmente, deu a missão de confirmar os Irmãos na Fé: "Rezei por ti, para que a tua Fé não falhe, mas tu uma vez convertido, confirma os teus irmãos." (Lc 22, 32). Chamamos dogma a uma doutrina que a Igreja definiu infalivelmente como fazendo por fazer parte da Revelação divina.

a) Diz a Santa Escritura alguma coisa sobre a forma como ela deve ser interpretada?
- São Pedro diz na sua segunda Epístola: "Entendo, primeiro, isto: que nenhuma profecia da escritura se faz por interpretação pessoal. Porque em nenhum tempo foi dada a profecia pela vontade dos homens, mas os homens santos de Deus é que falaram, inspirados pelo Espírito Santo." (II Pedro 1, 20-21). Esta passagem manifesta simultaneamente que não podemos interpreta-la cada um à sua vontade. É entretanto o que fazem os protestantes: cada qual interpreta a Bíblia; e naturalmente, cada um a entende de maneira diferente.

"CATECISMO CATÓLICO DA CRISE NA IGREJA" (7)

II

A FÉ



7. SERÁ A SANTA ESCRITURA A ÚNICA FONTE DA REVELAÇÃO?

Dizer que a Escritura Santa é a única fonte da Revelação é erro próprio do protestantismo. O ensinamento transmitido oralmente pelos Apóstolos, que se chama Tradição apostólica, é também, ao lado da Santa Escritura, uma verdadeira fonte da Revelação.(15)

a) Podemos encontrar na própria Sagrada Escritura a menção duma outra fonte de Revelação?
- Nem tudo o que Jesus disse e mandou se encontra na Sagrada Escritura. A própria sagrada Escritura o diz: "há muitas outras coisas que Jesus fez; se as quiséssemos contar em pormenores, penso que o mundo não poderia conter todos os volumes que seria necessário escrever" (João 21, 25). Nesta época, escrevia-se muito menos do que hoje; assim a Tradição oral tinha um lugar maior.

"CATECISMO CATÓLICO DA CRISE NA IGREJA" (6)

II 
A FÉ


6. O QUE É A FÉ?

A Fé é uma virtude sobrenatural pela qual, apoiados sobre a própria autoridade de Deus, atraídos e ajudados pela Graça, mantemos a convicção que tudo o que foi revelado é absolutamente verdade.(14) (Crença nas verdades reveladas, com a assistência de Deus pela Graça)*

a) Logo, a Fé pressupõe uma revelação?
- Sim, a Fé é adesão do homem à Revelação de Deus.

b) Como Deus se revelou aos homens?
- Deus falou aos homens por Moisés, os profetas e sobretudo pelo seu Filho único (Deus Filho), Nosso Senhor Jesus Cristo.

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