Mostrar mensagens com a etiqueta Hispanidade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Hispanidade. Mostrar todas as mensagens

05/10/15

VERDADE E HISPANDIDADE

Caros leitores,

redijo-vos este texto em linha de continuidade com o artigo "Canonização de Isabel a Católica!" (recomendo esta leitura antes de continuarem no presente artigo). Estes e outros artigos formam um pequeno conjunto cuja tónica é: a certeza de que há lacunas na construção simbólico-histórica em torno daquilo que se tem designado por hispanidad, e que a permanência desses erros não podem trazer benefício verdadeiro (antes pelo contrário) e até têm feito danos. Portanto, espero assim dar a minha contribuição na eliminação de tais problemas e consequências.

Que os católicos de língua portuguesa estejam aqui atentos ao tratamento destas temáticas; que as cabeças militantes e pensantes da hispanidad reflictam desapaixonadamente nestes artigos (artigos que são fruto da constatação pessoal, amor à verdade, reflexão, tempo e rigoroso respeito às fontes antigas).


I - O Católico Quer Estar Firme, na Verdade e Não Sobre a Conveniência - Independentemente daquilo que se possa entender por hispanidad, todos concordarão que ela nada poderá ganhar se assentar em fantasias patrióticas. Os adeptos da hispanidad nada de bom poderiam alcançar com uma dogmatização desajustada da sua interpretação simbólico-histórica (fazendo dela cânon), dificultando ou excluindo a entrada de fontes credíveis que coloquem em causa a "infalibilidade" de tal "cânon". Também não se pode pretender fazer da interpretação simbólico-histórica uma medida pela qual se haveria de medir a realidade; é impensável tomá-la como um "Criador das essências" (coisa que parece ocorrer, como explicarei em seguida). O movimento pró hispanidad certamente prefere e sempre preferiu ser conhecido como servidor da verdade, coisa desejada pelos bons católicos.

Aqueles adeptos da hispanidad que foram martirizados na guerra civil, em Espanha, não tinham que estar certos em todas estas matérias nem ser conhecedores profundos delas. Ignorar e ser bom em tudo difere de ignorar culpavelmente, ou fingir que se ignora. Uma atitude católica será sempre incompactível com o consentimento de fuga à verdade, até mesmo à verdade histórica.


II - Não Só a Essência, Mas Também o Realismo - Curiosamente, a última vez que ouvir dizer que um Reino católico tem essência foi a um sacerdote tradicionalista, da hispanidad! A essência, claro está, não pode ser produto de vontades humanas, não pode resultar sequer do processo histórico, ela antecede. Fora de revelações divinas, é por meio dos factos históricos que conhecemos qual a essência de cada um dos Reinos Católicos.

Ilustre pessoa, como dizia, homem de intelecto, a este respeito usa do seguinte artifício mental: partindo daquilo que considera ser a essência da Espanha, avalia e mede por ela as demais coisas relacionadas à Espanha e aos demais Reinos. Assim avalia, depois julga, depois age de forma coerente; por isso, como seria de esperar: desvia tudo (e todos) aquilo (aqueles) que vá conta tal essência (com certa razão, porque a essência é a essência, e não se pode ir contra sem dano).

É realmente erro violar a essência de um reino católico, portanto, ou interpretar em sentido contrário a ela! Contudo, a posição tomada por aquele significativo militante é uma sólido e belo castelo armado sobre fina areia; pois esqueceu que a sua IDEIA a respeito da essência de Espanha não é a própria essência, e que a ideia pode corresponder bem ou mal à essência verdadeira. Tal ideia, de certo partilhada por muitos militados, deve pretender-se totalmente ajustada ao Ser. Toda aquela sistematização interpretativa a respeito da hispanidad, em suma, está sujeita a erro humano, porque é uma tentativa humana de interpretação.

Vejamos: quem desvendou tal essência, e quando? Foi ela revelada por Deus, ou ela tem-se revelado de forma menos linear, passando pelo olhar e interpretação dos homens? Onde e como se prova que ela é x e não é y?...

Evidentemente, os adeptos da hispanidad devem procurar conhecer a essência da Espanha não indo contra todo um conjunto de feitos históricos (os quais Deus quis ou permitiu), considerando também os feitos vizinhos (contexto), as características dos lugares, passado e presente, etc... . Também são factos o que da Espanha disse a Igreja e os Santos. Tudo deve ser visto com respeito das devidas importâncias, autoridades, e credibilidade das fontes, etc... .


III - Comparação ao Extremo? - Se a Espanha, na Europa e no mundo, fosse hoje uma "Alemanha", e se os  militantes da hispanidad estivessem no poder, seria pouco provável a criação de uma lei que proibisse a revisão do seu "cânon" histórico!?...

Alguns leitores, estarão com vontade de perguntar: "não será exagerado este tipo de comparação?". A comparação não é a melhor, seja porque a Alemanha criou leis que protegem uma versão histórica oficial, que nem abona em favor dela mesma, quer porque os espanhóis são menos preocupados com o assunto do que os americanos de língua espanhola. Mas, a reposta é: não... não é exagerada a comparação! Uma parte da militância da hispanidad anda hoje pelo fanatismo amável (discreto, mais perigoso), ou rude (explícito, ingénuo e apaixonado), está pronta a esforços para eliminar os obstáculos aos seu "cânon" (ou a Isabel de Castela, a quem tomam como "cara" do cânon).

"É mesmo assim?!", insistirá algum leitor mais admirado. Sim... é mesmo assim, e chega a mais quando homens discretos decidem e fazem planos segundo o tal "cânon".

(artigo incompleto...)

06/03/15

ENTREVISTA A CASTELA (I)

alegoricamente: o Rei vai nú
O blogue ASCENDENS deslocou-se a Castela para lhe fazer uma entrevista, e dar assim a conhecer aos leitores quem é quem.

ASCENDENS - Boa tarde Senhora Dona Castela.
CASTELA - "La Católica". Boa tarde.
A. - As minhas desculpas, Dona Castela La Católica. Há algumas repostas que os leitores de língua portuguesa gostariam de conhecer. Ao entrarmos nestas terras duvidámos se tínhamos vindo a Espanha, ou a Castela. O que é Espanha!?
C. - Espanha é tudo o que eu vejo.
A. - Não será exagero!?
C. - Há partes do mundo que não são Espanha, mas Deus nos abençoou, deu-nos as parte vantajosas do planeta.
A. - Mas Portugal tem um território muito bom, a todos os níveis!
C. - Pois... então é de Espanha!
A. - Mas, logo com o primeiro Rei do Reino de Portugal houve reconhecimento da Santa Sé por Bula papal dada para esse efeito! Logo, Portugal foi reconhecido desde então como Reino, cujo Rei e Senhor era D. Afonso Henriques! Portanto ... Portugal não é vosso!
C. - Uhmm... Então Portugal não é bom território, tem muitos ladrões e rebeldes às nossas leis, os portugueses são meio judeus! Viva España!
A. - Vamos ver se entendi: o que é bom é vosso, o que é bom mas não pode ser vosso, é mau...
C. - É que Deus nos elegeu sobre todas os outros Reinos. Quando Nosso Senhor morreu, morreu com a cabeça virada para Espanha! Viva España!
A. - Bem ... mas para que a Santa Cabeça tivesse ficado voltada apenas para Espanha, Nosso Senhor teria ido morrer ao sul do Egpito (algo assim), segundo nos mostram os bons mapas do séc. XXI!
C. - É que somos um Povo muito abençoado, temos uma essência que o mostra; Deus nos criou assim!
A. - E essa essência é assim tão evidente que a possamos ver, ou é uma interpretação vossa feita no séc. XIX, e acalorada na primeira metade do séc. XX?
C. - Se refere à "Hispanidad"!?
A. - Sim... mas esta questão é melhor lá mais adiante, talvez. Evidentemente que os Reinos católicos têm uma essência, mas onde estão para vós as evidências da essência de Castela, ou Espanha, ou .... sei lá...!?
C. - A Espanha é missionária, é LA CATÓLICA, ou seja, ela foi criada para representar a unidade de todos os povos católicos debaixo de um grande chefe espanhol. Ela é a que congrega e converte. A prova disso é que ela descobriu a América e foi a primeira evangelizadora dos descobrimentos.
A. - Quem deu o título de Los Católicos à coroa castelhana?
C. - Foi o Papa Alexandre VI...
A. - Espanhol!?
C. - Sim...
A. - Conhecido como o Papa mais corrupto da história, e que tinha realmente mulher e filhos a viverem tranquilamente no Palácio Apostólico?
C. - Bem ... sim... Mas, nisso há alguns exageros.
A. - Portanto, como sustenta a Espanha que o título dado é realmente coisa de Deus!? Não é isto sinal de Deus que mostrar que isso que é atribuído à Espanha é mais uma tendência vossa ao auto-favorecimento?
C. - O que prova que isso não é assim é que o título foi dado na ocasião da Digníssima e Santíssima Isabel de Castela, conhecida justamente por Isabel a Católica. Eis a prova, eis o sinal de Deus!
A. - Santíssima!? Então quem a canonizou!? A Igreja!?
C. - ... os espanhóis. A Igreja não a canonizou ainda porque o demónio não permite, temos muitos inimigos que invejam a nossa grandeza. A culpa é dos judeus, porque revoltados com a justa expulsão do nosso território, agora tentam todo o mal contra nós.
A. - E o vosso clero tem essa mesma versão dos factos!?
C. - Sim, claro, eles ensinam isto na formação aos sacerdotes, evidentemente de forma mais refinada e complementada com argumentos teológicos e canónicos.
A. - Mas não é estranho que Isabel a Católica tenha andado 400 anos apartada de uma beatificação, enquanto grandes santos espanhóis foram canonizados e elevados a Doutores da igreja!?
C. - Vocês portugueses sois muito judaizados! É nossa missão trazer-vos para junto de nós, e assim vos salvardes e abandonardes a vossa rebeldia e vício do roubo.
A. - Por falar em roubo... Porque motivo Isabel a Católica mandou ao Capitão Pedro de Covides assaltar os nossos territórios na Mina (África) com dezenas de embarcações castelhanas e algumas genovesas?
C. - Isso não pode ser verdade!... Blasfémias, heresias... Viva España!
A. - É que este acontecimento está registado nas Crónicas reais de Portugal ....
C. - Claro... DE PORTUGAL!
A. - ... e de Castela!...
C. - Ahmm!? Heresias... Meus pais e meus avós sempre me falaram de toda a história de Espanha, e nunca ouvi dizer nada disso. Portanto ...
A. - Portanto!? Eu também já ouvi dizer que os espanhóis são do tipo "como penso, assim existe". Esta também diz a respeito dos franceses "se penso, já o estou a fazer", e sobre os portugueses diz: "se penso.... uhmm interessante.. se penso... tenho que ir ver melhor como é que isso é, e como é que isso não é...!". Mas sim... as nossas, e as vossas crónicas, relatam esse facto, e as vossas ainda dão a desculpa de que o saque era apenas um amigável comércio com os NATIVOS dos nossos territórios, e queixam-se de que fomos tão malvados na nossa defesa que cortámos as mãos a alguns dos castelhanos, e os mandámos depois aos Reis de Castela. Isabel a Católica, não foi por vontade de Deus que mandou assaltar Portugal às escondidas, entrando em águas e território português protegidas por bulas papais...
C. - Cortar as mãos a castelhanos!? Isso é crueldade para punir o roubo!
A. - Como não foi o primeiro caso, embora tivesse sido o maior... Certamente Isabel a Católica pareceria menos cruel quando deu abrigo ao Conde de Penamacor que, depois deste atentar contra a vida do Rei D. João II de Portugal, fugiu para a Côrte da prima Isabel La Católica; e quando este Conde andou viajado pela Inglaterra, e disso foram informados os portugueses, o Rei D. João II escreveu ao Rei de Inglaterra para que mandasse prender o Conde por crime de lesa majestade. Lá foi o Conde de Penamacor encarcerado na Torre de Londres, até que, depois de meses, Isabel a Católica mandou ao Rei de Inglaterra uma pequena embaixada para pagar o resgate do Conde, o qual foi levado para Castela e colocado em liberdade. Muita generosidade...!
C. - Isso não é possível!
A. - Porque julga não ser!?
C. - Porque Roma deu o Título de Los Católicos a esses mesmos reis.
A. - Pois mas tinha dito "O que prova que isso não é assim é que o título foi dado na ocasião da Digníssima e Santíssima Isabel de Castela, conhecida justamente por Isabel a Católica. Eis a prova, eis o sinal de Deus!" .

(a continuar)

06/10/14

LEGITIMIDADE DOS FILIPES?

Os Filipes de Espanha não foram legítimos reis de Portugal. A afirmação de que estes teriam sido legítimos apareceu nos ambientes LIBERAIS (a corrente jurídica de inspiração iluminista basta-se com dizer que "legítimo" é tudo o que está dentro da lei emanada por uma "autoridade política"), foi assimilada pelos adeptos da hispanidad (devido às necessidades e situação mitigada da monarquia),  continuou a ser gradualmente aumentada pela maçonaria e república (para "legitimarem" os seus próprios desacatos).

Desculpe-se aos elementos do Integralismo Lusitano pela absorção do erro que aqui se avisa. Este movimento sempre portou deficiências de esperar pelo pensamento da época, e circunstâncias. Por melhor que pudesse ser a intenção, estes movimento e a militância da hispanidad acabam por reflectir determinados defeitos de doutrina, que guardam muito "religiosamente". Guardado e defendido o bem, ficam tais erros defendidos e guardados.

Infelizmente, os arautos da hispanidad julgam que os 3 Filipes foram legítimos em Portugal. Pior: chegam a acham que os Filipes regeram Portugal como integrado na Espanha. De vários adeptos da "hispanidade" tenho ouvido dizer que, nesse tempo, teria havido uma unidade (Portugal integrado na Espanha!), e que teria sido Portugal a quebrar a unidade por rebelião; e aplicam o mesmo a D. Afonso Henriques, como D. João I, e ainda D. João IV. Paremos aqui, que o delírio não é campo onde queiramos entrar de médicos, tratemos apenas de repor o conhecimento onde a ignorância fez estrago. Para alguns dos militantes da "hispanidad" estes reis portugueses não teriam sido legítimos; e para outros deles apenas D. Afonso Henrique foi legitimo, por não lhes permitir o riso dos sensatos contornarem a Bula Papal Manifestis Probatum (23 de Maio de 1179). Portanto... contas feitas, acharão talvez que os Filipes teriam sido os 3 legítimos, e que os outros 3 Reis de Portugal não o teriam sido, e com eles todos os restantes! Os liberais, depois a república e maçonaria, quase dizem o mesmo, com a diferença seguinte: louvam o que acreditam ser "rebelião" dos nossos 3 reis de Portugal, enquanto que os da hispanidad atacam essa inexistente "rebelião" (que parecem querer fazer existente). Por fim, muitos destes assim almejam que Portugal e Espanha sejam UM (excomungue-se o Santo Condestável!!), e mais: que Espanha comande! D. Afonso Henriques é Venerável da Santa Igreja (grau antes de Beato), apoiado pelo muito milagroso S. Teotónio; D. João I, Mestre de Ordem Religiosa de Cavalaria, apoiado pelo Santo Condestável de Portugal (D. Nuno Alvares Pereira, de onde nasceu depois a Casa de Bragança); D. João de Bragança (João IV) foi bem anunciado em visões celestiais (Venerável Irmã Leonor Rodrigues) por Sta. Teresa de Ávila, e quem coloca Portugal aos pés e guarda da Imaculada Conceição, a quem coroa. São estes os "ilegítimos" daqueles que querem fazer "legítimos" aos estrangeiros.

Ora bem.... em Portugal, antes do liberalismo roubar os Tronos da Cristandade (e Portugal foi o último entre todos os Reinos cristãos - 1834), sabia-se que aqueles nosso 3 ilustríssimos Reis não foram rebeldes, mas legítimos e heróis. Este conhecimento prevaleceu naqueles que foram conhecidos em Portugal chamados "absolutistas" (já quando o liberalismo "governava" por todo o lado).

Clarificando:

Como estrangeiros, e por mais sangue português que tivessem, os Filipes não podiam herdar o Trono de Portugal. Principalmente, resignámo-nos a estes reis, por termos gasto parte da Nobreza (batalha de Alcácer Quibir), outra parte em "venda".

D. Filipe, negociou (Côrtes de Tomar): respeitaria a independência de Portugal, ele ficaria à Coroa de Portugal (mantendo ao mesmo tempo a da Espanha), Portugal manteria a suas Côrtes, governação e autonomia. Enfim... um Rei com duas cabeças, em cada qual sua Coroa.

É legítimo aos portugueses tolerarem assim um rei ilegítimo, desde que se mantenha mais alto o dever de tentar devolver rei legítimo ao Trono. Não permite a nossa catolicidade de portugueses fazer propaganda ao tolerável, mas sim ao legítimo.

Filipe II de Espanha, ilegítimo Rei de Portugal
Com os 3 Filipes, houve gradual descontentamento: Portugal ia de inicialmente bem tratado a mal tratado, os espanhóis acabavam por interpretar o nosso como deles, e a situação chegou ao lastimável. A Nobreza há muito se tinha recuperado já das perdas de Alcácer Quibir, e os que se tinham deixado aliciar pelas promessas espanholas não queriam ficar com "cebolas do Egipto". A Casa de Bragança era a mais notável, e D. João, Duque de Bragança o maior dos Senhores, e cerca por sangue. Convergiam as condições para que a Nobreza devolvesse Rei legítimo ao Trono de Portugal - era a hora. Assim, reuniram-se os 40 Fidalgos, assim se orquestrou e fez, assim devolvemos Rei legítimo ao Trono de Portugal. Não houve uma revolução, houve uma REPOSIÇÃO.

Este acontecimento foi no séc. XX aproveitado pelos rebeldes, que o interpretam como revolução: com a finalidade de fazer entender que "agora sim há independência, tal como a tinha havido naqueles tempos de D. João IV", dizem; o mesmo fazem com a fundação de Portugal, e com a subida de D. João I aoTrono.

É verdade que nos tempos de D. João IV ouviu-se falar em "independência", como vemos em alguns escritos da época. Mas isto justifica-se por outros motivos que não os de revolução, ou sequer de suposta dependência oficial a Espanha. A "dependência" não sendo sequer oficial, como sabemos, foi gradual e circunstancial. Ao ripostarem militarmente, os espanhóis ameaçavam já colocar Portugal sob verdadeiro jugo; por isso, a vitória militar portuguesa tinha contado já com esta ameaça (a dependência apenas prática viesse depois a ser oficial, com duros castigos e possivelmente com alterações às Côrtes de Tomar). Por fim, há da nossa parte toda uma propaganda de exaltação depois da subida de D. João IV ao Trono: é notório certo uso dramático de "independência": quanto mais terrível é mostrado o perigo derrotado, mais alta fica pintada a vitória.

Não ousem alguns integralistas, não ousem os liberais-"monárquicos", não ousem os militantes da hispanidad usar o modelo daquela ilegitimidade. Olhai o que aconteceu sempre que fizemos tais unidades, e colocamos espanhóis no mando: qual armada invencível, vencida, onde forçados a lutar contra aliados antigos (camaradas na brilhante batalha de Aljubarrota, contra os castelhanos). Sempre que os espanhóis nos lideram, mais dia menos dia a derrocada dá-se, e é profunda. Por outro lado, quando somos convidados a auxilia-los a vitória é quase certa (veja-se o exemplo da batalha do Salado, ou o auxílio dado por D. Miguel I aos carlistas).

António Sardinha dizia que o nosso costume de ter muita atenção ao que vem de Espanha é exagerado. Mas é preferível o costume de séculos apoiado poe santa gente, e outras provas dadas, do que à opinião acidentada e passageira de um mal-convertido forjado em terra alheia.

15/06/14

CRISTANDADE DEPOIS DE ISABEL DE CASTELA !?

Demovam-se do equívoco aqueles militantes da "hispanidad" que difundem a ideia segundo a qual: depois de D. Isabel de Castela não há mais "cristandade".

"Cristandade" é uma palavra que continuou a ser aplicado depois do séc. XVI, aplicada a situações contemporâneas. Contudo, segundo consta, o conceito de "cristandade" no séc. XIX começa a ser deslocado. É neste século dominado pelas ideias liberais que surge o movimento restaurador da "hispanidad" em salvaguarda da identidade de Espanha (necessariamente católica), contudo o efeito do liberalismo numa Espanha já ocupada não permitiu guardar cada um dos conceitos menos fundamentais para o catolicismo: eis que o conceito de "cristandade" sofreu ligeiro deslocamento! Hoje será muito difícil devolver aos militantes da "hispanidad" a originalidade do conceito "cristiandad", visto que já rios de tinta gastaram para desenhar castelos sobre tão movediço solo. Eis o peso das instituições, eis o peso das manifestações conjuntas, eis o peso das obras publicadas e das famas feitas, coisa que nós, graças a Deus, cá na minha Pátria não teremos nunca de desmoronar para retirar a poeira à verdade arrecadada!

Encontramos "cristandade" e "cristandades" em tantos livros e documentos antes e depois do séc. XVI, todos eles aprovadíssimos pelas autoridades eclesiásticas ou régias, que admira. Assim pergunto-me, se os redactores da "hispanidad" militante estiveram sempre tão longe destes livros!

Trago apenas um exemplo, porque é o mais resumido e paradigmático que conheço: a Historia de La Entrada de La Christiandad en El Japon, y China, y en otras partes de las Indias Orientales: y de los hechos y admirable vida del Apostolico varon de Dios Padre Francisco Xavier de la Compañia de Jesus, y uno de sues primeros Fundadores (Valladolid, 1603) do Padre Horácio Turselino. Veja-se:


Pode dizer o leitor "o livro escreve sobre o que se tinha passado 50 anos antes". Sim, mas a cristandade, ou melhor, as mesmas "crintandades" a que o livro se refere continuaram a existir, e até com mais visibilidade ao tempo em que o livro foi escrito, e depois. Tal como em outros livros do género, e relativos à Índia portuguesa, dizem "cristandades" para apontar as diversas sociedades cristãs nascentes, e o seu desenvolvimento.

Como a Espanha não foi a última resistente ao poderio liberal (liberalismo que gradualmente tomou conta dos Tronos católicos, e foi tomando os Altares), os desenhadores da "hipanidad" retrocederam na história e transferiram a Espanha para as Américas, e nasce assim todo um conjunto de argumentações fantásticas que os leva ao momento dos "descobrimentos" de Colon e à "canonização" da Rainha Isabel de Castela. E de tal maneiras isto lhes agrada que não olham à fragilidade desta construção pueril! Portanto, já que a argumentação não a sujeitam à realidade, têm-se servido da propaganda, da repetição exaustiva, da acusação e calúnia aos outros povos cristãos de grandes feitos, e de todas as meras formas humanas que desde crianças conhecemos!

Há cristandade depois de D. Isabel de Castela!? Claro que sim, claro que houve cristandades várias, e provavelmente o maior exemplo é a criação da Santa Igreja Patriarcal de Lisboa, que foi extinta por exigência de Príncipe D. Pedro (irmão do Rei D. Miguel I de Portugal). Este Patriarcado, unificou todo o território espiritual cristão-luso, revelando-se o maior entre todos os Patriarcados, e o único que foi instituído pela Santa Igreja depois de tão distante ficar a fundação das primeiras comunidades cristãs. Esta unidade espiritual, cristã, e sob uma mesma coroa, é a mesma que os adeptos da hispanidad almejam mas que nunca tiveram. Lamento dizer...

Mas sim, não em todos os Reinos ao mesmo tempo, as cristandades existiram depois do séc. XVI até ao séc. XIX (com a queda do último Reino católico: monarquia tradicional).

12/04/13

RASCUNHOS ASCENDENS (III)

V RASCUNHO

O infante D. Miguel regressou a Portugal em 22 de Fevereiro de 1828 depois de uma passagem por Paris e Londres, onde foi recebido por Carlos X e Jorge IV. A 24 daquele mês era empossado na regência e a 26 jurava de novo a Carta. O ministério então constituído - duque de Cadaval, José António Leite de Barros, Luís de Paula do Rio de Mendonça, conde de Loulé e conde de Vila Real - Era quase todo formado por absolutistas. D. Miguel apercebeu-se do enorme apoio que granjeava nos mais diversos sectores da população portuguesa e que se traduziu, por exemplo, na sua aclamação como Rei de Portugal pelos senados das cidades de Coimbra, Lisboa e Aveiro. No mês seguinte, pressionado pelos seus partidários, dissolveu as câmaras (13/03/1828) e convocou Cortes (05/05/1828) à maneira antiga, com representantes dos três estados. Nelas foi aclamado Rei, título que assumiu a partir de 30 de Junho de 1828. A monarquia absoluta regressava, mas não sem alguma resistência [liberal].


VI RASCUNHO

Se em Portugal temos tudo deixado em armários fechados e muito discreta e raramente abertos, na Espanha os armários são lembrados para, discretamente, deixar esquecidas obras comprometedoras. O português tradicionalista que busque nos actuais movimentos espanhóis (da hispanidad) algum conforto acabará por encontrar o absurdos se se mantiver honesto. O brasileiro monárquico encontrará mais provavelmente contrariedades, dificuldades, e repugnará então o Carlismo por este assentar na legitimidade. Mas sobre a legitimidade assentam 

É louvável o Carlismo espanhol em toda a sua intenção... Em França acontece algo semelhante, em Portugal mais ou menos (o absolutismo- miguelismo). A bem ver, todo um fenómeno idêntico aconteceu na Europa com a enfermidade que alcançou as monarquias por se transformarem tradicionais em liberais. O liberalismo varreu as Américas e teve todo o espaço.

A hipanidad, tem um fim muito louvável e poderia ser imitada, caso se garantisse primeiro uma imunidade ao que de "estranho" tentar vir de fora.. Assim, infelizmente, a hispanidad foi absorvendo elementos "estranho", e criando outros entre si


VII RASCUNHO

O infante D. Miguel regressou a Portugal em 22 de Fevereiro de 1828 depois de uma passagem por Paris e Londres, onde foi recebido por Carlos X e Jorge IV. A 24 daquele mês era empossado na regência e a 26 jurava de novo a Carta. O ministério então constituído - duque de Cadaval, José António Leite de Barros, Luís de Paula do Rio de Mendonça, conde de Loulé e conde de Vila Real - Era quase todo formado por absolutistas. D. Miguel apercebeu-se do enorme apoio que granjeava nos mais diversos sectores da população portuguesa e que se traduziu, por exemplo, na sua aclamação como Rei de Portugal pelos senados das cidades de Coimbra, Lisboa e Aveiro. No mês seguinte, pressionado pelos seus partidários, dissolveu as câmaras (13/03/1828) e convocou Cortes (05/05/1828) à maneira antiga, com representantes dos três estados. Nelas foi aclamado Rei, título que assumiu a partir de 30 de Junho de 1828. A monarquia absoluta regressava, mas não sem alguma resistência [liberal].


VIII RASCUNHO

DA BÊNÇÃO PONTIFICAL DAS IMAGENS; CRUZES; PARAMENTO E CONVENTO; QUE SE FEZ NESTE DIA

"Pelas nove horas da manhã veio o Deão D. José Manuel à Igreja na qual o esperavam vários ministros deputados para assistirem a esta função. Estavam já preparados os Acólitos com turibulo, naveta e a caldeirinha de água benta. Revestiu-se de Pontifical com capa, e mitra encarnada, e benzeu as cruzes que estavam expostas sobre a credência com todas as cerimónias prescritas no Pontifical Romano.

Finalizada a bênção, genuflectiu para adorar e beijar uma das cruzes, o que também fez Sua Majestade e Altezas, que assistiram ao acto, depois dos dois Bispos de Patra e Nankim, que também estavam presentes: logo os Cavalheiros, e ultimamente o Provincial e Guardião do novo Convento.

Feita a bênção das cruzes, foi benzer os painéis dos Altares, dando princípio a esta cerimónia, começando pelo primeiro à entrada da igreja da parte do Evangelho e em que se veneram a imagem de Cristo crucificado, nossa Senhora, e S. João Evangelista. E para continuar a bênção dos mais painéis, paramentou-se de ornamentos brancos e foi benzer o Altar mor, cuja pintura ostenta a imagem de Maria Santíssima oferecendo o menino Deus a Santo António. Depois [seguiu-se] o do cruzeiro da parte do Evangelho, em cujo Altar se acha colocado o Santíssimo Sacramento, e continuou a bênção dos mais painéis distribuídos pelos Altares das capelas. Estando a cerimónia concluída, entrou na Sacristia e benzeu o cofre em que se haviam de expor as relíquias, os paramentos de todas as cores tal como as alvas, amictos e cordões que estavam postos em cima dos caixões e bancos por sua ordem [devida].

Concluído este acto, foram à capela mor buscar a cruz que no pavimento do Presbitério estava arvorada como já se disse, e a


 IX RASCUNHO

Estava eu a consultar e-mails antigos quando dei por parte da correspondência com o famigerado "Alef Tau", mais conhecido por "Alef", que continua a espalhar o erro no "Formum Paroquias".

Nesta correspondência aparece o tema do "apagão", assunto antigo em que o blogue ASCENDENS, em tempo, eliminou da caixa de comentários uma significativa quantidade de estagnes que não tinham sido sujeitas a aprovação ("moderador"). Tais comentários não se sujeitavam a qualquer tipo de regra, vinham em massa e em grupo

06/05/12

OUTRO ERRO QUE A HISPANIDADE TEM DE CORRIGIR

Mais uma vez, os erros que os adeptos da hispanidade veiculam fazem-se presente. Eles não param, e por isso cabe perguntar se a hispanidade na sua "militância" não se tornou um mal que mais aprisiona a verdade.

Não foi com surpresa, agora mesmo dei com uma dessas falsidades veiculadas pelos tais adeptos.  Um blogue da “tradição católica” acaba de publicar um texto do Pe. Jorge Maria Salvaire problemático. É pena, pois tratar-se de um texto que por outra parte tem valor, contudo não recomendável sem o alertar necessário (pelo menos, cortar-lhe o erro).

Eis a falsidade no meio da verdade:

“No reinado de Filipe IV, quando o reino de Portugal estava pacificamente sujeito à coroa de Castela, que por este motivo os portugueses e castelhanos comercializavam entre si livremente como vassalos de um mesmo Soberano..”

É verdade que portugueses e castelhanos eram “vassalos de um mesmo Soberano”, contudo é falso que “o reino de Portugal estava (…) sujeito à coroa de Castela".

São duas coisas distintas que a muitos dá manter confundidas: estar sob o mesmo Rei não é igual a estar sobre um dos reinos do mesmo Rei.

Espero que os adeptos da militante hispanidade leiam este artigo, e possam tranquilizar ânimos para assentirem à verdade histórica: Filipe II foi aceite como Reis de Portugal depois de uma crise dinástica originada pela morte prematura do jovem Rei de Portugal D. Sebastião, a quem sucedeu o Cardeal Rei D. Henrique, que não deixou descendentes. D. Filipe I de Portugal, e II da Espanha (e não de Castela como tinha dito o Pe. Jorge Maria Salvaire - a não ser que admita que Espanha é o Reino de Castela alargado… ) foi aceite pelas Côrtes portuguesas como Rei. Estas Côrtes continuaram independentemente da Espanha, Portugal manteve a autonomia e a independência, partilhando de um mesmo Rei (conferir as Côrte de Tomar 1581). Tal condição garantiu a Dinastia Filipina por três reinados.

Neste assunto, não falo da ilegitimidade da Dinastia Filipina, para não alargar desnecessariamente.

Também não houve nesse tempo uma passividade entre portugueses e espanhóis (ou castelhanos…) sendo que, pelo contrário, em Lisboa, passe o exemplo, um grupo de castelhanos foi brutalmente assassinado por lisboetas depois de uma pequeníssima discórdia (insignificante). Os ânimos populares estavam mais acesos que uma parte da Nobreza rendida, comprada, ou vigiada.

Evidentemente que uma Coroa para dois grandes “impérios” mostrou-se insuficiente. No meio da carestia governativa, gradualmente a Dinastia Filipina acabou por arrastar-se por dificuldades e pelos interesses da nobreza de Espanha em detrimento de Portugal. O somatório de negativos efeitos tornou-se inegável para aquela parte da Nobreza portuguesa que tinha inicialmente permitido tal dinastia; não só o caminho ficou totalmente desimpedido, como havia grande disposição geral em  afastar de vez o ilegítimo rei com a devolução do Trono a um legítimo; com a iniciativa dos 40 maiores fidalgos do Reino foi possível operar essa devolução ao legítimo sucessor: D. João, Duque de Bragança, futuro D. João IV de Portugal.

D. João IV, o Restaurador da legitimidade
Senhores adeptos da hispanidade, tenham a força e humildade de não mais alastrarem tais erros indelicados e pouco caridosos.

TEXTOS ANTERIORES