Mostrar mensagens com a etiqueta França Ocupada. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta França Ocupada. Mostrar todas as mensagens

22/02/17

CONTRA-MINA Nº 21: O Clero Constitucional de França (II)

(continuação do I parte)
 
Pondo agora de parte os casos lastimosos, e terríveis, já de um Fauché intruso de Calvados, desatinado pregador da Lei agrária, e até da indiferença em matérias de Religião, e blasfemo transtornador das Sagradas Letras; já de um Expilli intruso de Finisterae, sagrado pelo Bispo de Autun, sem licença do Ordinário, sem instituição Canónica, sem confissão, ou protestação de Fé, sem os juramentos do estilo, etc., etc., que foi o primeiro Pároco, que desertando de sua Ordem, passou a unir-se com o Braço Popular nos Estados Gerais, e depois de milhares mesmo, que tinham poste sobre as nuvens o seu raro Patriotismo, teve de sofrer a mesma pena; já de um Saives intruso de Poitiers, servido de morte súbita em o próprio acto de subscrever um interdito contra os Sacerdotes fiéis à voz de suas consciências; já de uma Jales, Pároco no Poitou, que fora dos mais ardentes Procuradores da observância da Constituição Civil do Clero, e que morreu de repente, e de um modo pavoroso; já de um Manjard, Paroco de Barajols, um dos que primeiro juraram aquela Jansenística, herética, cismática, e detestável Constituição, e que se deitou em Paris de uma janela abaixo; já de outros muitos, que por brevidade omitiu, demorar-me-hei um pouco, segundo as minhas promessas, com um dos mais façanhosos Bispos Constitucionais, a saber, Mr. Torné, que tinha adquirido seu nome em a República Literária, como se pode ver no Curso de Literatura de Mr. de la Harpe, e de que facilmente podem julgar muitos, dos que têm lido, e pode ser que aproveitado as suas Orações Sagradas, que se encontram em todas as Livrarias deste Reino. Deixarei falar a este propósito o já citado Bispo de Troyes, que é sem controvérsia um dos mais eloquentes Oradores deste Século XIX:
Já que nos ocupamos (diz ele) em remexer o lodo da Igreja Constitucional, digamos uma palavra a respeito de Pedro Torné, Bispo Constitucional, e chamado da parte de Camus (Letrado Jansenista, que fez a Constituição do Clero), Metropolita do Centro, a quem acharam morto na cama há poucos meses. De todos os fenómenos de perversidade, que nos oferece a Revolução, Torné é um dos mais incompreensíveis. Viu-se um homem, que fôra bem criado, fazer-se um tigre; e viu-se igualmente um Sacerdote, que vivera largo tempo em uma Congregação acreditada, arrastar-se vilmente por todas as cloacas do Sans-cultotismo; e um homem, que anunciará o Evangelho com tanta dignidade, fazer-se o pregador de assassínios, e do Ateísmo; um velho quase octogenário prostituir-se aos mais vergonhosos extremos de devassidão; e já com os pés na cova fazer grandes crimes em ar de brincadeira. Desde que apareceu a Constituição Civil, tão pouco se persuadiu, de que ela havia de regenerar a Igreja, que se aprontou logo para a defender, como que achava nela mais um meio para sinalar a sua impiedade, até aí reprimida pelo receio, e pejo. Casou muitos Sacerdotes, e ordenou de Sacerdotes muitos homens casados. Foi o primeiro, que na Assembleia Legislativa despiu o Traje Sacerdotal, e que à imitação de Caifás rasgou os vestidos, que não merecia trajar; foi o mais empenhado na profanação dos Templos, o mais desenvolto em abjurar o Sacerdócio, o mais ardente em perseguir os Sacerdotes, querendo ao mesmos servir-lhes de carcereiro, quando não podia exercer para com eles o mister de carrasco. É para confundir, e humilhar a vista de tal abatimento da natureza humana, e a certeza de que estamos todos sujeitos a cair em tão deplorável estado. É todavia necessário, que tudo isto se descubra para ensaio das idades futuras; é necessário, que se diga, para que o seu nome exarado no pelourinho da infâmia seja execrado, assim como a sua memória, até à mais remota posteridade. Debalde quererão objectar-nos a glória da Igreja, e o decoro da Religião... Que podem fazer contra a glória da Igreja as abominações de um homem, que tinha deixado a Igreja? Que perigo pode ter o decoro da Religião, se contarmos o opróbrio de um Sacrílego, que pôs de parte a Religião, ao passo que também se punha de parte a si mesmo? Ah! Só a Filosofia é que periga nestes lances, pois este miserável era Filósofo, e por isso é que saiu assim; que nem ele seria tão abominável, se nunca tivesse jurado as Bandeiras da Razão; e por certo, que nunca se abalançaria a tão horrendos excessos, se a Moral dominante, e os princípios monstruosos da Filantropia da moda, o não tivessem contaminado, e estragado. Prodígio de maldade, Pedro Torné foi também um prodígio assombroso da vingança Celestial. E quem deixará de conhecer, nesse género de morte, a Mão de Deus, que por efeitos de um juízo terrível não lhe deu tempo de cair em si? Muitas vezes se há de tornado, que os principais autores da Revolução na Ordem Política morreram desgraçadamente quase todos, e outro tanto se pode afirmar dos que figuram especialmente na História do Cisma... Ainda há certamente alguns Constitucionais mui criminosos, e que o Senhor ainda não castigou... mas tremam! O raio, que não cai hoje, pode estalar amanhã... tremerão, ou para melhor dizer, cheguem a cair em si, e a meditar seriamente na desgraça, que os espera, caso não se aproveitem de tão grandes, e terríveis exemplos."
Aqui têm os meus Leitores o belo ideal de uma Igreja construída, e governada pelos Jansenistas, e Pedreiros.  Da rebelião contra o Sumo Pontífice nasceu o desprezo das Leis mais santas, e respeitáveis, e das mais acertadas Providências do Chefe, e Pastor Supremo da Igreja Católica. O Jansenismo, que tinha ensinado, que a Bula Unigenitus não tinha força de Lei, que obrigasse as consciências dos fiéis, iludido facilmente os sábios, e fortíssimos Decretos do Santo Padre Pio VI, que proscrevera solenemente, como obra do engano e das trevas, a Constituição Civil do Clero Francês; o Jansenismo, digo, precipitou a Nação Francesa em todos os horrores da Anarquia Civil, e Eclesiástica; os Jansenistas  são campeões de toda a inovação Política, e Religiosa, nem eles vieram ao mundo para outra coisa; e possuídos de um orgulho próprio de Satanás cuidam, que só eles têm juízo, que só eles sabem revolver os Anais da História do Cristianismo; e tão ansiosos, como os seus bons camaradas, os Pedreiros Livres, acastelaram-se na mesma Praça, buscaram iguais meios para a sua defesa; e assim como estes disseram em Portugal por mais de trinta anos, que não havia Pedreiros, e que este nome era um espantalho para meter medo às crenças, assim também nada há mais vulgar neste Reino (e eu já o tenho ouvido a conspícuos, e abalizados Mestres) com o dizer-se, que os Jansenismo é um mero fantasma sonhado pelos Jesuítas... Sentido com os tais heróis... Nem um só desses Bispos, e Sacerdotes, até agora mencionados, deixou de ser a princípio Jansenista, que este é sempre o vestíbulo do alcáçar, ou masmorra da impiedade... Que tremendas explosões de Jansenismo foram vistas no Salão das NECESSIDADES!!... Quantos Impressos correram, e se divulgaram por Autores Jansenistas contra a Soberania Eclesiástica do Vigário de Jesus Cristo! Já se deitavam os alicerces de uma Igreja Constitucional Francesa, e que fosse o seu melhor, e mais fiel retrato... Não houve descuido em favorecer os impugnadores do Celibato Eclesiástico, que até saíram do próprio seio das chamadas Constituintes!! Um simples Bacharel Repetente Coimbrão ousou publicar em 1822, e nos prelos da Universidade, uma célebre Memória contra o Celibato Eclesiástico, oferecida a um Bispo da Igreja Lusitana, e que pela maior parte não era outra coisa mais, que uma quase servil cópia da Obra Francesa de Mr. Gaudin (Les inconveniens du Pelibat des Pretres). Acrescentou-lhe porém várias espécies, como, por exemplo, uma larga passagem do seu Gmeiner contra aquele Celibato, e outras que tais galantarias por extremo curiosas, e agradáveis aos que ainda hoje guardam em caixa de cedro, e o que ainda é mais, em seu próprio coração os sofismas, e embustes do sobredito, e nunca censurado Livrinho... Chamo-lhe nunca censurado, porque me não consta, que um tão desmedido arrojo fizesse dar um grito às sentinelas da Fé... O caso é que a edição gastou-se, a ponto de que me foi necessário suar, e trabalhar muito para haver à mão este documento irrefragável da íntima aliança dos Constitucionais Franceses, e Portugueses. Tenho para mim que um só Pároco amancebado causa mais graves danos à Igreja Lusitana, do que uma loja inteira, e bem recheada de Pedreiros; e sabendo como sei, que o sobredito Livro, ou Memória é uma espécie de broquel para muitos, que chamam verdade a tudo quanto possa lisonjear as suas paixões, lembro-me de contra-minar os principais fundamentos, em que se estribou aquele estouvado reformador; e apareceram juntamente com eles os Bemvindos, e os façanhosos Medrões, para reforçarem a prova, de que o silenciamento do Clero, e a destruição do Catolicismo são os fins principais, a que se endereçam as fadigas Literárias destes adeptos do Maçonismo, ou do Jansenismo.

Não me foge, que vou incorrer na mais agra, e mais violenta indignação, até dos próprios, que se alcunham defensores do Trono Português... Já estou ameaçado de gravíssimas perdas, e danos... Assim mesmo hei de expor-me de bom grado às incertezas de uma Campanha, em que um silêncio forçado poderá ser o menor castigo da minha temerária ousadia... Desenganem-se por uma vez os Zoilos emissários do grande Oriente de Lisboa, que ainda está em sessão permanente, e que ainda influi pelo menos indirectamente nos destinos de Portugal... Já consegui a maior felicidade, que podia ter neste mundo... Conservo a própria mortalha, de que me vesti na Profissão Religiosa, e com ela desejo, e espero descer à sepultura...

Colégio do Espírito Santo em Coimbra 7 de Maio de 1831

Fr. Fortunato de S. Boaventura

10/02/17

CONTRA-MINA Nº 21: O Clero Constitucional de França (I)

CONTRA-MINA
Periódico Moral, e Político,

por

Fr. Fortunato de S. Boaventura,
Monge de Alcobaça.

~~~~~~~
Nº 21
~~~~~~~
____________________________________________________________________________
O medonho Fantasma se esvaece,
O dia torna, e a sombra se dissipa;
Os Insectos feíssimos de chofre
Entram no poço do afumado Inferno:
Eternamente a tampa se aferrolha.
No meio do clarão vejo no Trono,
Cercado de esplendor, MIGUEL PRIMEIRO.
(Macedo, Viagem Estática ao Templo da Sabedoria, pág. 141)
_____________________________________________________________________________


Qual Foi a Sorte do Clero Constitucional de França?

"Já escrevi mais que o necessário para se conhecer pelo menos a abjecção, e ignominioso estado, em que aos olhos de seus próprios, ainda que momentâneos adoradores, ficam esses indignos Sacerdotes, que desertam das Bandeiras do Cristianismo, que os devia reputar como seus naturais apoios, e defensores; porém não expus ainda, o que mais pode assombrar os meus Leitores, e fazê-los entrar cada vez mais no conhecimento dos imensos bens, que Nosso Senhor Jesus Cristo, imediato Fundador da Monarquia Portuguesa, nos trouxe com o nosso Legítimo Soberano o Senhor D. MIGUEL I.

Bandeira antes da ocupação constitucionalista
Assaz tem reflectido, e considerado os ímpios, quais sejam os meios próprios, e conducentes, para que ao menos no conceito da multidão sempre cega, e pouco atilada em seus juízos, se envileça o Cristianismo, quando não seja possível, como certamente não é, destrui-lo, e aniquilá-lo. Há muitos séculos, que a sua boa, ou má fortuna lhes deparou o segredo, para eles mui apreciável, de fazerem brecha no Corpo Sacerdotal, sem com tudo parecerem atacar directamente a Santidade da Religião, ou a certeza indestructível de seus Dogmas.

Bem inteirados de que a abnegação própria, a mortificação dos sentidos, e a pureza de costumes préga melhor aos Fiéis, que as mais artificiais, e estudadas Orações; e de que mais vale para os auditórios vulgares uma exclamação do Missionário Bridaine, que toda a Pequena Quaresma das premissas antecedentes, que um Clero desonerado das obrigações do Celibato, é um Clero necessariamente desprezível, que por si mesmo deverá consumir-se em breves anos, visto que as suas chamadas pastorais diligências hão de ser todas languidas, frias, e antes capazes de arruinar, e perverter, que de instruir, ou edificar; o que não admira, sendo elas marcadas com o selo de reprovação, tanto da parte de Deus, como da parte dos homens; que até os idólatras, e pagãos, como adiante veremos, exigiam castidade nos Ministérios do seu Culto.

Nestes abomináveis intentos é que o Século XVIII produziu grande número de Tratados especiais, Dissertações, Memórias, e Artigos avulsos, contra a antiquíssima, e Santíssima Disciplina do Celibato Eclesiástico. De propósito exageraram, ou desfiguraram os procedimentos de S. Gregório VII (é Santo, meus Liberais, e Jansenistas Portugueses, e assim eu fosse!) para com os Soberanos do seu tempo, não porque lhes doesse, o que nunca lhes dói, e de que eles sempre folgam, quero dizer, a injúria feita aos Reis, mas porque esse vingador do Celibato Eclesiástico preparou contra eles uma trincheira insuperável... Daqui vem que não aparece, nem deita a cabeça fora das imundas cloacas, onde nascera, o infernal Maçonismo, que não pregue imediatamente a necessária, e indispensável, e inteira abolição do Celibato Eclesiástico. Assim o fez em 1790, e assim o faz em 1831, sempre debaixo do mesmo plano hostil, e subversivo, ou Nacional, e à face de mais de 700 Deputados essas nefandas apostasias, que cobriram de luto a França Cristã, e amedrontaram toda a Europa, ainda penetrada de sentimentos Religiosos. Continuaram, é certo, alguns Bispos, e Sacerdotes casados o exercício das suas funções, e pareceu aos menos dissolutos, que poderia conservar-se na França por tais meios o Culto Católico!! Não tardou muito, que se desenganassem à sua custa, pois ainda que lhe tinham arbitrado uma insignificante pensão (*) (que nisto veio a parar toda a opulência do Clero Francês destruída em breves horas, por indicação, e indústria de um Bispo, e de um Frade!!!) não tardou muito, que as pensões fossem reduzidas a metade, e que daí a pouco fossem tidas por meramente nominais, e como se nunca tivessem existido. Note-se que a Conversão, apesar do grande número de Sacerdotes emigrados, ou que preferiam todos os incómodos, maus tratamentos, e perigos, incluso o da morte, ao juramento da Constituição Civil do Clero, (o que fizera abater mais de dois terços a soma, que devia empregar-se nas pensões do Clero) assim mesmo tratou logo de as reduzir. Esta redução foi menos duradoura, que o primeiro arbítrio, pois não tardou um ano, que as tais pensões fossem inteiramente suprimidas...

Como se devia esperar de homens Juradores de uma Constituição ímpia, que se conservassem firmes no seu posto, mais quisessem perecer à fome, do que transgredir as suas essenciais obrigações? Os Sacerdotes casados foram preferidos aos que o não eram, e acenando-se-lhes com Empregos Civis rendosos, voava para eles a maioria dos Clero Constitucional; e ao desprezo das mais Sagradas Leis do Sacerdócio seguia-se a formal apostasia do Cristianismo...

Comparem-se agora todas essas misérias, que deixo referidas, com esses centos de milhões, que rendiam os bens Eclesiásticos em França, e teremos um argumento claro, e palpável da generosidade Maçónica para com os Sacerdotes Seculares, e Regulares. Ah! Clero Português, Clero Português, que já estarias há muito esbulhado de quantos possuis à sombra das Leis, se por acaso não viesse o teu Libertador! Abre os olhos, não creias em petas, em fraudes, e imposturas liberais; ninguém perderia mais do que tu, se as ideias liberais (quod absit) prevalecessem neste Reino; e ninguém é mais interessado na sua completa destruição.

Por fazerem Côrte aos malvados Filósofos, e Pedreiros é que tantos Bispos intrusos, e Clérigos Franceses pediram ao Maçonismo os punhais emprestados, para atravessarem o coração de sua própria Mãe a Igreja Galicana! Só este pequeno traço era de sobejo para entendermos, que não podia ser mais lamentável, nem mais desgraçada a sorte do Clero Francês Constitucional; porém eu aspiro a mais; conheço a força dos exemplos, e destes vou lançar mão, para que os Eclesiásticos Cidadãos deste Reino aprendam em cabeça alheia o triste fado, que mais de uma vez tem estado iminente às suas...

Deus pode tolerar a existência dos impios, e até conceder-lhes uma vida larga, para que daí mesmo os Fiéis tirem o argumento, de que não é forças humanas, que possam destruir a sua Igreja; e é isto, o que deve ocorrer a todos os Cristãos, quando se lembrarem, que o mais encarniçado de todos os impios antigos, e modernos guerreou mais de 60 anos a por ele chamada Superstição Cristã... Entretanto Deus Nosso Senhor também castiga neste mundo; e se por acaso nos parece pouco apressado em castigar, é porque se inclina mais ao perdão, e porque, sendo Eterno, demora quanto lhe apraz o castigo daqueles, que forçosamente lhe devem cair nas mãos. Lancemos pois um volver de olhos à desastrada sorte de alguns Bispos, e Sacerdotes Constitucionais, para nos demorarmos um pouco mais com aquele, que deu nos olhos a toda a França em razão de seus inauditos desvarios, e sacrilégios. Lomine de Brienne foi Arcebispo de Sens, e foi Cardeal da Santa Igreja Romana... tudo isto lhe pareceu nada, enquanto não fosse Ministro de Estado. Chegou com efeito a ser Ministro da Fazenda, sem embargo de todas as ponderações, embaraços, e repugnâncias de Luís XVI. Posto encima não tirou daí outra coisa mais, que o ver-se claramente a sua inépcia, e que nem era talhado para Bispo, nem para Ministro. Incensou devotamente a chamada Filosofia, ou Incredulidade; jurou a Constituição Civil do Clero; e para dar a prova mais solene do seu desinteresse, e puro amor à Igualdade Republicana, demitiu o Capelo de Cardeal nas mãos do Santo Padre Pio VI, que de bom grado se prestou a estes desejos, assim como se viu na triste necessidade de lhe intimar a suspensão do exercício das Funções Episcopais, bem merecida pena de tantos ateus heréticos, e cismáticos de obediência à sobredita Constituição. Quem esperaria que os seus amados Sans-cullotes, Liberais, e Pedreiros lhe não retribuíssem, ao menos com a segurança pessoal, tantos, e tão estremados obséquios? A paga, que teve, foi levarem-no à Cadeia pública de Sens, da própria Cidade, em que era Arcebispo! Se o deixaram recolher, passados alguns dias, ao seu Palácio, foi para lhe dobrarem daí a pouco os vilipêndios, os insultos, e as violências... O certo é, que apareceu morto na sua cama, deixando graves suspeitas de ter atentado contra si mesmo, e de pertencer por tão desastrosa maneira ao catálogo dos modernos Catões... Há todavia quem prove, (e não deixo de me incluir para esta boa parte) que os Soldados incumbidos de o tornarem a prender na Cadeia pública, levaram toda a noite em... e gritarias; fazendo levantar da cama o Arcebispo, e obrigando-o a comer, e beber com eles; e como lhes dissesse, que não costumava cear, usaram de direito da força, e pelo indecentismo, e sacrílego meio dos pontapés, e cronhadas, o fizeram comer sobre posse, o que tudo lhe produziu uma apoplexia fulminante. Ora ainda que esta narração seja verdadeira, e conseguintemente o caso menos feio, do que o pintam vários Historiadores Franceses, quem não verá com horror o triste exemplo de um Bispo Constitucional morto às mãos de outros Constitucionais!! Veja-se neste espelho o Clero Português, e demore-se algum espaço, e... não digo mais, porque sou uma formiguinha, sem embargo de que não invejo, nem quero a sorte dos Leões, ou dos Elefantes (Anonimo, que me escreves tantas vezes da parte do Grande Oriente de Lisboa, e que estafas o meu Colégio, e não a mim com os portes de Cartas, já que por teus pecados lês a Contra-Minha, arregala bem esses olhos fascinados com as nevoas Maçónicas, e repara bem ao que eu digo.) Suspendo-me às vezes no melhor da festa, e quando a pena quer voar... porque não tenho autoridade para dizer mais...

(continuação, II parte)

22/08/16

NOTÍCIA - GRANDES ATAQUES À FRANÇA

Caros leitores,

não somos muito de dar notícias, mas esta que vos trago agora, de tão dramática e simbólica ser, não pode ficar calada. A França, "Filha primogénita da Igreja" (ainda é, porque o é em essência - nunca deixará de ser), para Deus mostrar aos homens o estado de calamidade em que o mundo se encontra, mostra-nos agora um cenário muito terrível e muito visível. Do espanhol traduzo e transcrevo:


"França - De acordo com um informe do Senado francês, 2.800 templos serão demolidos na França, muitos deles com séculos. A decisão [desculpa apresentada] foi tomada pelos custos de restauro, pois são mais altos que os custos de demolição [eis o motivo porque em Portugal a Maçonaria está a iniciar o jogo do IMI contra a Concordata - estas iniciativas são programadas e internacionais, têm agenda...].

Em 2013, por exemplo, a igreja de St. Jacques em Abbeville, construída em 1868, foi demolida ao custo de 350.000€. Este valor é inferior ao início dos restauros [veja-se o ridículo de como se apresenta tudo com uma básica operação numérica de subtracção]. À medida que o número de crentes diminuiu nas últimas décadas, estes templos foram praticamente abandonados.

Para muitas cidades da França, a falta de interesse e o alto valor dos terrenos onde estão os templos não justificam o investimento no restauro [gastar dinheiro com uma bala fica mais em conta que sustentar um filho...]. Desde 2007 [lembro que neste ano, a Maçonaria de França emitiu uma declaração em reacção ao que lhe parecia ser uma tentativa da Igreja fazer um retorno em vários aspectos], quando foi tomada a decisão, várias igrejas foram substituídas por centros comerciais, lojas, edifícios para apartamentos ou estacionamentos.

A recente invasão da igreja de Sta. Rita, em Paris, que culminou com a expulsão do sacerdote e fiéis, durante a Missa [do grupo eclesiadeista IBP], reavivou [a indignação e] o debate. O terreno foi vendido e os novos proprietários necessitavam [é admirável a escolha do verbo "necessitar" um enquadramento destes...] que o edifício fosse derrubado.

A deputada Marine Le Pen lançou um desafio ao dizer que, em vez de destruírem igrejas, o governo deve "derrubar mesquitas". Ela foi porta-voz de uma causa que não tomada em conta pela maioria dos meios de comunicação. Uma parte dos terrenos está a ser vendido a grupos islâmicos que depois constroem ali mesquitas. [são da paz.. eles nem fizeram barulho para comprar.... são da paz..!!!]

Assim, centenas de mesquitas novas estão a ser construídas na Europa a cada ano que passa [e cada vez mais]. Têm capacidade para centenas de milhares de jovens muçulmanos, já os nascidos na Europa como "imigrantes" [aspas nossas], recém-chegados.

Situação idêntica para os outros países. 

A Igreja de Inglaterra, conhecida como episcopal anglicana no mundo, tem 16.000 igrejas no Reino Unido. Com o cristianismo entrando em declive, a decisão administrativa foi a de fechar pelo menos 2000 templos.

Nestes lugares, reúnem-se regulamente menos de dez fiéis. A maioria são de idade avançada, poucos e distantes entre si. Isto inviabiliza os custos de manutenção dos templos, assim que a "opção" [aspas nossas - mais valia terem escrito "decisão"] é convertê-los em "igrejas de férias", que só abrem nas semanas para o Natal e Páscoa, quando muitos cristão procuram ir à igreja só por costume.

Um programa de financiamento do governo através do Conselho de Artes de Inglaterra, está à procura de outros destinos para os edifícios da Igreja oficial do país. Os espaços podem ser alugados para uma ampla gama de eventos e actividades, como conferências, recepções de casamento, eventos de caridade, férias etc.. [se a Igreja é nacional, porque não apostaram em reevangelizar!? ... Claro ... reevangelizar sem ter de aceitar agora as limitações ideológicas maçónicas...]

The Guardian informa que 394 templos cristãos estão "disponíveis" para ser renovados, reformados e utilizados para outros fins. Em alguns casos, foram convertidos em mesquitas [ora cá está o "benefício" da política de ajudar os templos da Igreja nacional....].

Nas duas últimas décadas na Alemanha, mais de 350 igrejas foram encerradas. Agora, o projecto do conhecido político esquerdista Joachim Reining tem como objectivo "integrar mais rapidamente" os milhares de "imigrantes" [aspas nossas] muçulmanos que chegam à Europa a cada semana. [... tanta caridade... que nem se entende o motivo]. Segundo as propostas, as igrejas cristãs devem ser demolidas porque as mesquitas serão construídas naqueles mesmos espaços. [agora entende-se bem...]

O discurso de Reining, guiado pela ideologia multicultural baseia-se num documento de 2013 que ele mesmo ajudou a preparar, o qual identificou uma "necessidade urgente" para a construção de mesquitas na região.

Segundo o Senado de Hamburgo, que também produziu um documento sobre o tema, o ideal seria uma "mesquita em cada bairro". A razão principal disto é o importante "trabalho comunitário", promovido pelas mesquitas." (fonte: NoticiaCristiana)

Vejam, vejam, como a notícia começa por um drama terrível, torna-se uma questão de números, passa por uma oportunidade de negócio, e acaba na magnífica "solução" para todos os males... mas, pior : a "solução" requer que a destruição de igrejas passe a ser entendida como um bem! ... Repararam!? ... assim se faz, sem que os leitores notem!

02/08/16

O MASTIGÓFORO - PASTORAL DO BISPO DE TREGNIER

Fragmento da Pastoral do Bispo de Tergnier
"Quando o primeiro, e mais esclarecido trono do Universo, está comovido até aos seus alicerces, quando os movimentos convulsivos da Capital se fazem sentir nas províncias mais remotas dão Império Francês, será permitido a um Bispo o guardar silêncio?... Houve um tempo em que o amor dos Franceses aos seus Reis não conhecia limites; bem longe de procurarem discutir, ou contestar, ou ainda menos limitar os direito, e prerrogativas da Coroa, nossos pais folgavam de multiplicar os testemunhos de seu zelo, de sua obediência, e de sua devoção ao Monarca. Ah! meus caríssimos irmãos, quão diferente é agora do que já foi, essa Monarquia Francesa! Os príncipes de sangue Real, fugitivos nas nações estrangeiras, a disciplina militar enervada, o Cidadão armado contra o Cidadão, um sistema de independência, e de insurreição apresentado com arte, recebido com entusiasmo, sustido pela violência; todos os mananciais do  crédito nacional interceptados, ou secos, o Comércio definhando-se, as Leis sem força, e sem vigor, seus depositários dispersados, ou reduzidos a silêncio, o nervo da autoridade em poder da multidão; todas as classes de Cidadãos confundidas, a vingança sequiosa de sangue, aguçando os seus punhais, designando as suas vítimas, praticando os seus furores homicidas; tais foram os triunfos monstruosos desses homens perversos, que abusando dos talentos, que lhes dera a natureza para melhor uso, sopraram na França o espírito da independência, e da anarquia. Praza aos Céus, que essas produções internais, e que os planos de regeneração que aí se contêm, sejam sumidos no nada, donde nunca deveriam ter saído.
Conservamos as nossas leis antigas; são elas a salva-guarda de nossas propriedades, de nossas pessoas, e de nossa glória. O vício do Governo Francês não está nas Leis que são boas, está nos costumes públicos, que são depravados. Conservemos as nossas Leis, e reformemos os nossos costumes. Nada há mais perigoso que insultar as Leis antigas, referi-las à simplicidade gótica dos nossos antepassados, como princípios rançosos e bárbaros, e desprezá-las como frutos de ignorância, e de opressão.
Que felizes tempos eram aquele que precederam a actual anarquia, tempos em que os nossos dias corriam desassombrados de sustos, em que as nossas humildes queixas encontravam um fácil acesso ao coração de nossos Reis, em que os ricos gozavam sem temor, da sua opulência, e das suas heranças; em que o plebeu contente de sua sorte vivia satisfeito com o seu estado! Estes dias serenos já lá vão, e desapareceram como um sonho. A Igreja cai no aviltamento, e na escravidão; seus Ministros são ameaçados de condição de homens assalariados....
Pelo mais deplorável abuso da Liberdade, precioso mimo da natureza, querem que cada um possa pensar, e escrever segundo lhe agrada; que todos os cultos sejam indistintamente permitidos; que o discípulo obstinado de Moisés, que o fanático seguidor de Mafoma [Maomé], que o adorador insensato dos ídolos mais desprezíveis, que o artificioso Sociniano, que o cego e voluptuoso Ateu, que as Seitas as mais contrárias, e as mais absurdas, repousem de mistura com o Cristão Católico, debaixo das asas, e protecção do Governo Francês!...
Não é pois já tempo que o povo Francês acorde, e que do íntimo dos nossos corações se levante um grito geral para reclamar as nossas antigas Leis, e o restabelecimento da ordem pública?
Dizei aos Povos (continua o Prelado, dirigindo-se aos Párocos) que se enganam a si próprios, quando se lisonjeia de uma diminuição de tributos, em tempos desastrosos, quando o Estado exige os maiores sacrifícios. Dizei-lhe que os enganam quando lhes pintam os Chefes do Clero como sujeitos devorados de ambição, vendidos à intriga, e dados aos excessos de um luxo escandaloso. Dizei-lhes que a autoridade, ainda que seja legítima não pode exigir respeito, senão enquanto ela respeita as Leis recebidas; que fazer matar os cidadãos ainda que sejam criminosos, sem ouvir a sua defesa, roubar as Corporações, e aos particulares a existência, e os bens de que eles sempre gozaram, debaixo da protecção do governo, confundir os contratos que reuniram à Coroa as mais ricas, e as mais consideráveis províncias do Reino, é um Sistema de opressão e tirania, que despedaça todos os vínculos do pacto Social [ou este que luta do lado bom, está já contagiado de erros que para o caso não calham ser significativos - há que olhar este caso como o paradigma dos católicos da época liberal, que, mesmo quando lutaram do lado bom já transmitiam aos descendentes ideias que não sabiam serem más; ou este que luta, está a usar apenas do mesmo argumento da sua oposição para lhes fazer ver que nem o contrato social, crença deles, eles respeitam]. Dizei-lhes, que os enganam com esses infames libélos, que a filosofia emprestou com seus venenos, e paradoxos, quando lhes representam os membros das suas primeiras ordens da Monarquia, como aristocratas odiosos, conspirados contra o povo, e não procurando senão esmagá-lo debaixo do jugo da tirania, e do despotismo, etc..." 

(Tudo isto consta do Avant Moniteur, Paris 1805, a pág. CXLIII, e bem lastimado fiquei eu de não poder achar por inteiro este belo monumento de firmeza, e lealdade ao Trono de S. Luís!)

Quem falou tão denodada, e apostolicamente não podia agradar aos ímpios, que o taxaram de fanático, e sedicioso. Compareceu diante dos Tribunais, opôs-se à declaração de que os bens de Igreja eram nacionais, e só em última extremidade é que se retirou de França para levar à Grã-Bretanha o famoso espectáculo de suas virtudes.... Ah Bispo de Tregnier, Bispo de Tregnier!!! (nota: Não é fora de propósito referir aos meus Leitores o que felizmente achei escrito pela dourada pena do Abade Carron, que tenho citado mil vezes noutra parte [nos Arquivos da Religião Cristã] e que segundo se vê do contexto seguinte, assistiu deste virtuoso, e exemplaríssimo Bispo: "Sejais mil vezes bendito meu Senhor [Pensées Chretiennes, ou Entrtiens de láme fidelle avec le Seigneur pour touts les jours de l'anneé Tom. 4 da edição de País 1802 pág. 131 e seg.] hoje, sim hoje mesmo eu vi consumar a obra das vossas misericórdias. Oh que terníssimos espectáculos! Saíram eles nunca de minha lembrança? Ali, é um venerável Pontífice, a honra do Sacerdócio, e o primeiro de seus ilustres colegas, que confessou a fé perante os Tribunais. Honrado de um longo desterro, banido de sua pátria, modelo há dez anos do Clero perseguido e fiel, sinalou cada um dos seus dias por novos actos de virtude, ainda ontem, já com a última respiração nos beiços, e com os olhos amortecidos, voz moribunda, assentado tranquilamente à mesa, ele estava, e eu o vi nesse triste momento, ocupado todo na salvação da França, e nos meios de haver obreiros fiéis para essa vinha que ele amava com extremo. A noite passada, no leito de suas dores, quieto, e sossegado contava, com uma terna impaciência, as horas, que o chegavam ao seu último suspiro. Que horas são, perguntou ele com toda a paz, ao testemunho, e admirador da sua agonia. É uma hora, lhe respondem.... A esta palavra, o anjo visível pára, seus olhos se fecham, sua cabeça repousa docemente.... o anjo não vive já neste mundo, os Céus o possuem". Acrescenta o mesmo autor em nota: "Por estas feições quem deixará de conhecer-te, quem não há de nomear em continente o virtuoso le Mentier Santo Bispo de Tregnier? Que luto universal foi para nós a tua perda! Que sentida não foi pelas nossas lágrimas, e saudades!! Que consternadora a cerimónia da tua sepultura!! É na terra de teu glorioso desterro, e em lugar retirado e solitário, onde os teus modestos despojos descansam sem estrondo, sem pompa ao lado das cinzas de meus irmãos; porém tu não morreste todo.... Desde o interior do teu Sepulcro, ainda nos prégas todas as virtudes: e a tua memória nunca se há de apagar.) Ficarei neste gemido.... sem acrescentar milhares de reflexões, que me acodem a enxames.

[comentário ASCENDENS: na tentativa de encontrar documentação a respeito do Bispo de Tregnier, transcrevo: "Charles-Jean-Marie Alquier, membre de la convention national, avocat du roi, à la Rochelle, avant la révolution; il était maire lorsque l'assemblée du tiers-état de la sénéchausée de la Rochelle le nomma, em 1789, député de cet ordre aux états-généraux; il entra bientôt dans le comité des rapports, et fut chargé, le 22 octobre 1789, par ce comité, de faire léxposé de la conduite de l'evêque de Tregnier, qu'on accusait d'avoir provoqué, par un mandement, línsurrection de la Bretagne contre les décrets de lássemblée. Un décret rendu, à la suite de ce rapport, ordonna que cette affaire serait instruite devant le tribunal chargé de poursuivre les délits de lèse-nation." (Galerie Historique des Contemporains, ou Novelle Biographie - Tome I, pág. 81. Bruxelles, 1843). "ALQUIER, député de la Rochelle, fait le rapport du mandement de l'évêque de Treguier, et des circonstances qui l'ont accompagné. Il lit les différentés pièces d'une information fait par toutes les municipalités réunies du diocèse de Treguier. Il en résulte que non seulement ce prélat a excité le peuple que non-seulement ce prélat a excité le peuple à lá séduction par son mandement, mais encore qu'il a concouru, avec les nobles de son diocèse, à faire déserter de la milice nationale un nombre considérable de jeunes citoyens, qui, séduits par de l'argent et par des promesses, se sont engages à n'obéir qu'aux gentilshommes, et à les prendre pour leurs chefs." (Les Contemporains de 1789 et 1790, ou les Opinions Débattues Pendant La Premièr Législature; avec Les Principaux Événemens de La Révolution... Tome I, pág. 47. Paris, 1790). A Diocese de Tregnier, segundo parece, terá sido extinta, mais ou menos no tempo deste Bispo.]

(índice da obra)

29/02/16

NOTÍCIA - MAÇONARIA-EM-PORTUGAL INFILTRADA POR MAÇONARIA-EM-FRANÇA

Daniel Keller, Grão-mestre do Grande Oriente "de" França
Ontem, dia 28 de Fevereiro de 2016, o "Casa das Aranha" denunciou um significativo caso maçónico, do qual acabo de tomar conhecimento. Pela natureza, abrangência e significado (é este caso modelo de outros tantos), resolvi trazer aos leitores tal notícia:

(Casa das Aranhas) "Nota da Casa das Aranhas : Este texto foi submetido por um leitor da Casa das Aranhas, o qual é aqui reproduzido na integralidade. Existem vários elementos de interesse- para além de nos apercebermos de algumas das dinâmicas de competição e de conflito entre lojas e aglomerações maçónicas, existem sobretudo fortes provas de subserviência, pela parte de importantes estruturas maçónicas Portuguesas, a estruturas maçónicas Francesas. São aqui também divulgados documentos internos altamente sensíveis da maçonaria Francesa (os links para os documentos encontram-se no final do texto, sublinhados a azul). Uma breve análise dos documentos é suficiente para chegar à conclusão que a autenticidade dos mesmos é inquestionável, dando-nos uma valiosíssima oportunidade para espreitarmos para dentro do mundo secreto e altamente influente da Maçonaria." (continuar a ler, aqui)

30/09/15

VOCABULÁRIO DEMOCRÁTICO Nº3 (IV)

(continuação da III parte)

SUPERSTIÇÃO - Claramente significa em linguagem republicana todo o Culto Religioso, e por antonomásia a Religião Católica, Apostólica Romana. Segundo este significado, o vício, que mais deleita um republicano verdadeiro, é a Superstição: e não há homem mais religioso que um patriota democrático.

JURAMENTO - Em língua antiga significava: chamar a Deus por testemunha de uma coisa verdadeira, justa, e em caso de necessidade. Republicanamente tem diversos significado, e usos. O mais comum é o de espia para descobrir os homens de bem e persegui-los. Não faltam republicanos, que por juramento entendem condimento; e por isso o açúcar e o café tiveram a seu paladar um sabor muito mais agradável, depois de terem jurado não só tomarem toda a sua vida. É o mesmo que dizer: as bebidas de Constituição são algum tanto amargas; mas temperadas com o açúcar de juramento mais facilmente se poderão levar.

TOLERÂNCIA - Grandes trabalhos, e fadigas há custado aos Republicanos a introdução deste Vocábulo. A intolerância Religiosa foi acusada em milhares de escritos e livros, como um monstro, que pusera em combustão a terra, causando infinita efusão de sangue, e perturbando a quietação dos Povos. A tolerância filosófica devia pacificar todo o mundo, e remediar os danos, que aquela havia causado. Sancionou-se pois como lei Sacrossanta, e inviolável. E quem o duvida? Para logo pacificou ela o primeiro estado tolerante com as horrorosas matanças dos Carmelitas e da Abadia, com o desterro e a morte dos Bispos e Sacerdotes Católicos, e com a efusão de sangue de milhares de paisanos, todos vítimas da Consciência, e da Religião. Onde quer que chegou a pôr o pé a pacificante tolerância, houve desterros por dá cá aquela palha, matanças e roubos sem número. E não só não tolerou os Bispos, os Frades, Freiras, ou Sacerdotes, mas nem os Templos, Altares, Culto, e Religião. A tolerância foi de tal qualidade, que chegou a não tolerar nem ainda o mesmo Deus. Os que mais se distinguiram nesta tolerância foram os Clubs Constitucionais, compostos dos mais zelosos, e sobressalientes patriotas, inimigos jurados da crueldade intolerante. Não sabemos como explicar na língua antiga uma tolerância, que não tolera a Deus, que mata os Sacerdotes, que desterra os Bispos, e que rouba, e mete a saco todos os os bens da Igreja. Não sabemos como compor uma tolerância, que persiga de morte quantos professam a Religião, que violente as consciências a jurar contra o justo, e que nada perdoe para riscar dentre os homens quantas ideias podem recordar-nos os deveres para com Deus. Srs. Ateus! Srs. Ímpios! Srs. Tolerantes! Como estamos de Inquisição? A desumana intolerância antiga, por mais intolerante, que Vossas Senhorias a pintassem, jamais atacou senão a sedução e a apostasia; e devem-nos conceder ao menos, que o Católico tolerava o Católico, e o Turco o Muçulmano. Porém, que me quererão VV. SS. dizer de sua humaníssima Tolerância? Fogo com ela. Tolerância, que não tolera senão enquanto clandestina e atraiçoadamente pode arruinar o Trono, e o Altar! que leve milhões de diabos!...

Porém, apesar de tudo, ninguém poderá duvidar que o método filosófico de pôr em paz todas as Religiões e Cultos é excelente, e mui digno do agudo engenho dos Filósofos: em destruindo todos, acabada está a questão. Porque como há-de haver contendas nem litígios sobre Cultos, quando não há ficado um para remédio? Por este modo o específico é admirável. O que tem, é que para aplicá-lo em toda a extensão, é necessário a todo o custo não tolerar nem homens, nem razão, nem consciência; e cuidar em que não fique no mundo nem vestígios se quer de nenhuma daquelas obras Divinas, estupendas, e admiráveis, que obrigam o homem a reconhecer a existência de um Deus, adorá-lo, e respeitá-lo. Porém há coisa tão difícil para um Filósofo, como destruir o mundo inteiro, pôr de pernas para o ar os Céus, e a terra, e reduzir a nada a natureza, e a razão? Oh! Oh! Que esta empresa acobardaria, e desalentaria a um ignorante servil. Porém a um Filósofo inchado, como uma rã, de orgulho e de soberba, e cuja fibra tomou o gás conveniente nas lojas!! Ah! Ah! que para estes é a coisa tão fácil como beber-se uma botelha... Mas atendam: que inépcia?! Entre a gente rústica é um problema; de que é mais digno um Filósofo tão louco como ímpio, que vive persuadido que basta só um Vocábulo nada significante, para destruir e transtornar tudo, aniquilando a Deus, e as suas obras!! Uns dizem que é digno de rizo; ouros, de desprezo; outros, de compaixão; e alguns filosoficamente tolerantes asseveram que só é digno de um pau, (cacete é mais proveitoso) que manejado por mão hábil, lhe faça em estilhas a filosofante cabeça. O Vocábulo de que se fala é "Natura" (que logo se explicará).

(* O que aqui diz o Autor de um Estado o mais tolerante, é a respeito da França, onde amanheceu esta aurora da tolerância política e Religiosa, que os Regeneradores do mundo anunciavam como o presságio de um ameno, e claro dia, mas que em breve se converteu numa borrasca espantosa, que chegou a confundir os mesmos ateus; de tal guiza que o próprio Mirabeau, que por um Decreto mandou que não houvesse Deus no Universo; (que blasfémia ! e ao mesmo tempo que loucura!!) por outro ordenou que tornasse a havê-lo!! ... Para que mais se convençam os Povos sobre a tolerância proclamada pelos Filósofos, escutem o que diz o Abade Barruel na sua História da perseguição do Clero Francês, que em resumo é o seguinte:
"Cento e trinta e oiro Bispos, e Arcebispos, sessenta e quatro mil Curas foram condenados a evacuarem as suas Sedes: todos os Eclesiásticos, todos os Religiosos de um e outro sexo foram privados do património da Igreja, e expulsos de seus asilos: os Templos do Deus Vivo convertidos em vastas prisões de seus próprios Ministros: trezentos Sacerdotes ou decapitados nas guilhotinas, ou varados das baionetas, ou atravessados de punhais, ou consumidos dos opróbrios, e da inédia, e isto num só dia, e nenhuma só Cidade! Todos os Pastores fiéis ao seu Deus sacrificados pelo furor dos Jacobinos, ou banidos da sua Pátria, buscando através de mim perigos algum refúgio nas Nações estrangeiras, obrigados a mendigar o pão aquele, que dantes alimentavam milhares de pobres!... O próprio Rei, o infeliz Luís XVI, sentenciado pela voz da Nação soberana, arrancado do centro de seu Palácio, e do seio de sua família, arrastado a um cadafalso, e decapitado numa guilhotina!... A virtuosa Rainha condenada igualmente à morte, sua cabeça espetada num pau, e conduzida em triunfo pelas ruas de Paris!... A ideia do verdadeiro Deus derriscada da mente dos Franceses até por um Decreto da Nação Soberana; arrancada, e expulsa de seus anais a Era de Cristo, e substituída a Época fatal de sua rebelião!!!"
A pena recua, e o coração estremece quando quer progredir na descrição dos assassinatos, das matanças, e das proscrições, que se nos oferecem no sangrento quadro da França tolerante!... Atendei, Povos, a este quadro ainda mais recente para se entregar ao esquecimento: eis aqui a tolerância, que vos prepararam! sangue, morte, crueldade, sem respeito nem a Deus, nem aos homens, nem à razão, nem à natureza é a sua tolerância!! Nunca de suas proguentas bocas saiu palavra mais ímpia, mais blasfema, ardilosa, e traidora como esta!... Querem a tolerância, mas é enquanto estão debaixo: isto é: atendei; querem que os Povos, e os Governos os tolerem para que possam arranjar os seus planos; e, logo que se acham montados, começam a perseguição: eis aqui qual é a sua tolerância.

Julguemos digna de se acrescentar a este respeito mais uma reflexão bem atendível, para que os Povos se conversam de que estes flagelos, e esta cegueira são permitidos por Deus para castigar os maus Cristãos, os quais previamente tem sido anunciados por um espírito profético, a qual também serve para advertir os verdadeiros Crentes, a fim de que não chamem terroristas e fanáticos a alguns Pregadores verdadeiramente Religiosos, quando lhes ouvem ameaças, e castigos do Céu sobre os Povos corrompidos, que não escutam a voz de Deus, e que, aborrecem os Filósofos, não aborrecem os seus crimes: quem sabe se Deus quererá muitas vezes servir-se de um Ministro indigno para anunciar os males de um Povo, como outrora fez pela boca de Beauregard em França?! É atendível este sucesso, e nunca o folheamos, que se nos não sobressalte o espírito.

(continuação, V parte)

03/02/15

CONTRA-MINA Nº 12: Liberalismo Contra a Restauração de Luís XVIII ... (II)

(continuação da I parte)

Vê-se de um relatório exactíssimo, o qual se dirigiu ao Ministro dos Negócios do Reino, que o número total de obras ímpias, e licenciosas, estampadas em França desde 1817 até ao fim de 1824, deitava a 2.741.400 volumes!!! E que mais poderia trabalhar uma Fábrica de venenos, que se instituísse para se dar cabo da espécie humana! Descansamos todavia a certas particularidades, que não deixam de vir muito ao acaso, para se medirem, e calcularem exactamente as forças deste poderosíssimo agente, e derramador das luzes, ou das ideias Liberais. Dentro daquele breve período de sete anos, publicaram-se doze edições de Voltaire, e treze de Rousseau, e de cada uma se tiraram 2000 a 3000 exemplares; e note-se, que além destas edições completas das obras destes corifeus da Maçonaria, só avulsas do Emílio se fizeram seis, e do Contracto Social nove, entrando nestas umas cinco em castelhano, que se publicaram no intuito de "alumiar" a Península das Hespanhas; o que não admira, pois as versões portuguesas desta obra já são pelo menos três, uma abafada no nascedouro, e as outras duas impressas, uma em Paris, e outra em Lisboa. Contou no mesmo período sete edições o compêndio da obra grande sobre a origem dos Cultos, e oito edições o Systema da Natureza, e dez edições o Livro das Ruínas de Volney.... Deixou esta boa alma um legado de 30 a 40$ [40.000 ?] cruzados, para se divulgar, quando fosse possível, a dita obra, e por isso os executores desta última, e piedosa vontade, mais deram que venderam as tais Ruínas, e bem ruínas! Não devem ficar de parte as Novelas do Ministro do Rei Nerónimo, ou do Pigault-Lebrun, que nos dobreditos anos encheram um total de 128.000 volumes; que muitos destes vieram ter a Coimbra, e aí fizeram os estragos, que eu sei, e que eu deploro.....

"Que Estado, e que Sociedade (assim escrevia em 1825 um Francês Cristão) poderá resistir a uns tais elementos de discórdia, e de ruínas? Quando a revolução rebentou em 1789, o perigo se entoava menos terrível. Não havia nesse tempo mais que duas edições de Voltaire, e outras tantas de Rousseau, e estas edições só chegavam aos homens ricos, ainda não se tinham ideado as edições económicas, que derramam o veneno em todas as condições da Sociedade; ainda não era conhecido o Voltaire das pessoas menos abastadas, o Voltaire das choupanas; ainda não se tinham posto em venda as obras de outros ímpios em um tamanho, e preço, que as fizesse chegar a todos. Se estes livros pois, que ainda não eram vulgares, fizeram tais estragos, e contribuíram muito para o geral transtorno, efectuado naqueles dias, que deverá suceder agora, quando é tão desmedido o seu número, quando não há quem deixe de os ter, uma vez que os queira, e às obras antigas sucedem outras muito mais atrevidas; quando todas as barreiras estão arrombadas, todos os laços quebrados, todas as leis estão nulas, e sem força, quando os papeis volantes, e os periódicos trabalham todas as manhãs por exaltar, e irritar os ânimos; quando enfim tudo conspira para que se desencaminhar a mocidade, e serem os Povos iludidos? Como se há-de resistir a tantos agentes combinados para o mesmo fim, que é a dissolução da Sociedade? E tudo se cala, e olha-se friamente para os trabalhos do crime; e até se mostra um receio de o inquietar nas sua tarefa! Esta insensibilidade dos Governos, esta espécie de tranquilidade na própria boca do precipício, é um fenómeno, que mal se pode explicar humanamente. À vista de um estupor assim tão fora do ordinário, perguntar-se, acaso terão eles ouvido aquela voz, que anuncia às nações o seu fim "Nunc finis super te" (de Ezequiel) e esperamos a tremer aqueles sucessos, que este repouso de terror, e da cegueira nos pressagia?"

Luís XVIII, Rei de França
Ora estes grandes males, tão fielmente descritos, e pintados em 1825, caminharam progressivamente até 1830, a ponto de que neste ano já era mui fácil calcular, ou não tivessem existido as mui tardias providências de Julho passado, em todo o caso, havia de ter o seu complemento, e reduzir o sucessor de Luís XVIII à condição de um simples particular, e de um homem proscripto, e desterrado.

(a continuar)

16/10/14

"ROMA - ROMA ETERNA" (XIV)


"ROMA AETERNA"
Revista de La Tradición Católica
(ano 1986)
(nº 97)

Acção Católica, ou Comunista?
"A Action Catholique Ouvrire (ACO) é supostamente uma organização católica que goza da aprovação oficial e alento da hierarquia católica francesa.

A ACO, na sua congresso de Le Mans (9-11 de maio de 1986), substituiu o seu Comité Nacional inteiro. O novo comité está ainda mais dominado por comunistas que o anterior. Inclui 12 activistas da CGT (obediência moscovita na França), e 26 da CFDT, a confederação antigamente católica, que hoje se situa à esquerda da CGT.

Entre os novos dirigentes 7 são filiados no Partido Comunista e 8 são militantes socialistas.

No congresso anterior até Edmond Maire, dirigente da CFDT, de ultra-esquerda, declarou: "A ACO converteu-se numa corrente de transmissão do Partido Comunista". Deveria ter acrescentado: com a bênção explícita dos bispos católicos franceses, dois dos quais assistiram ao congresso de Le Mans." (APPROACHES, Saltcoats, nº 93-94)


Um Protestantes Privilegiado
"Marselha acaba de enterrar o seu cidadão mais proeminente, Gaston Defferre, o milionário socialista que conseguiu fazer ininterruptamente eleger-se Presidente da Câmara na segunda cidade de França durante os últimos 25 anos. Defferre era protestante, o seu funeral cívico decorreu normalmente segundo os ritos da Igreja Reformada de França. Como seria de esperar nestes tempos de falso ecumenismo, foi acompanhado das orações de representantes católicos, bizantinos, judeus, maometanos, etc. O serviço fúnebre teve lugar na Catedral católica.

O Arcebispo Mons. Coffy permitiu tal coisa, atendendo a uma solicitação do município e do pastor, e afirmou: "era o único templo suficientemente amplo para acomodar todas as personalidades convidadas... Cedi ao pedido, como um serviço ao povo de Marselha e à Igreja Reformada de França".

Recordamos que, justamente no mesmo momento, o Bispo de Chartres, Mons. Kuehn, não autorizou que na sua catedral se rezasse a Missa tradicional católica (Rito Romano codificado por S. Pio V) por ocasião da peregrinação anual do Pentecostes, que recorreria 88 Km, que separam Paris de Chartres. Os peregrinos eram, de longe, demasiado numerosos para caber noutro templo. Não se deve estranhar que Mons. Kuehn tenha emprestado a Catedral para o serviço protestante, visto que pouco depois também permitiu actos druidas na mesma." (do PRESENT, Paris, 14 de maio de 1986)

29/12/13

QUADRO CRONOLÓGICO DA REVOLUÇÃO FRANCESA (III)

(continuação da II parte)


Ano II da República (22 de Setembro de 1793)

A 4 de Vindimario, Ano II, a Junta de Governo toma a denominação de Junta de Salvação Pública.

A 12, 53 deputados são decretados de acusação pela Convenção; 66 outros deputados são detidos; e o Duque de Orleans é remetido ao Tribunal Criminal Revolucionário.

A 16 aparece o novo Calendário.

1794 

A 21 de Junho, decreto declarando que a cidade de Leão será destruída. 300 cidadãos leoneses foram espingardeados de uma só vez; e Fouche, hoje Ministro da Polícia em França, mandou no mesmo dia à guilhotina 213 dos mais nobres de Leão, fazendo a crueldade, que suas mulheres abrissem as covas onde se deviam sepultar os corpos de seus infelizes maridos.

A 20, declaração de guerra à França pelo Rei de Nápoles, e das Suas Sicílias. Neste mesmo dia a infeliz irmã de Luís XVI foi levada à guilhotina.

O mês de Novembro, ou de Brumário do ano II, vê levar ao cadafalso 21 deputados, o virtuoso Bailly, o Infante Duque de Orleans, a esposa do Ministro Rolland, Manuel, e os generais Houchard, e Brunet. Houchard tinha ganhado dois meses antes a famosa batalha de Hondscoot, que em Setembro de 1793 fez levantar o bloqueio de Dunkerque.

A 28 de Brumário as igrejas são profanadas, pois as transformam em "templos da razão".

O mês de Frimário vê levar ao casafalso Barnave, le Chapelier, Rabau-Saint-Etienne, Kersaint, deputados; Duport du Tertre, ex-Ministo da Justiça; o Duque do Chatelet, Coronel das Guardas-Francesas; e a famosa Dubarri. O Ministro Clavier se apunhala na sua prisão. O ex_Ministro Rolland é achado morto no caminho de Paris a Rouen; um dos corifeos da Revolução Condorcet se envenena.

A 16 de Vindimário precedente Leão se sujeitou às leis da República; Toulon foi retomado a 29 de Frimário seguinte. O sítio desta cidade era comandado por Barrás, que tinha deixado de seu comando a Bonaparte. As crueldades, que se seguiam à entrega de Toulon, foram começadas, ou cometidas pelo segundo. Por uma dolorosa proclamação de Bonaparte todos os habitantes, que tiveram algum emprego debaixo do governo inglês, ou que foram suspeitos de terem favorecido as sua entrada, e a capitulação daquela cidade, directa, ou indirectamente, tiveram ordem, debaixo de pena de morte, para se ajuntarem na grande praça, chamada o Campo de Marte em dia e hora prescrita. Para cima de 1500 homens, mulheres, e crianças, ajuntaram-se ali em consequência desta proclamação: Bonaparte determinou que todos os que quisessem escapar ao castigo, e à morte, gritassem "viva a República". Estes desgraçados víctimas gritaram a uma voz "Viva para sempre a República"! Este era o sinal dado para a sua morte. Uma descarga de metralha matou uns, feriu e mutilou outros, que acabaram nos fios das espadas, e pontas das baionetas. A contra oficial desta feroz execução consta da seguinte Carta de Bonaparte, que é datada de Toulon de 24 de Dezembro de 1793:

"Cidadãos Representantes.

No campo da glória, com os pés alagados no sangue dos traidores, eu vos anuncio com o coração transbordando de alegria, que estão executadas as vossas ordens, e a França vingada; não se poupou sexo, nem idade; os que escaparam ou ficaram somente mutilados pela descarga dos nossos canhões republicanos, acabaram nas espadas da Liberdade, e nas baionetas da Igualdade. Saúde, e admiração; Brutus Buonaparte, Cidadão Sans-Culotte"

No segundo trimestre do ano II há ainda que gemer de muitas prisões, e condenações à morte. Choram principalmente as do ex.Ministo Lebrun, do Duque de Biron, General; do filho do desditodo Custines; do Marcheal de Luckner; de Lamourette, Bispo de Leão; do Príncipe Talmont, do Conde de la Rochefoucault; etc.

Nivose do ano II, Hoche toma o comando dos exércitos reunidos de concerto em Pichegru.

A 4 de Germinal Rousin, Vicent, e Hebert, são levados ao cadafalso. Rousin era Comandante do Exército Revolucionário. Hebert era um diarista no género de Marat. Chaumette teve a mesma sorte.

A 16, 9 deputados são levados aos cadafalso, em cujo número se contam o ex-Capuchinho Chabot, o diarista Camille-Desmoulins famoso apóstolo de todas as Lojas Bavarezas, e maçónicas, o famoso Danton, e Fabre de Englantines. A esposa de Desmoulins teve pouco depois a mesma sorte. Eis como o leitor vai vendo a pouco e pouco todos os conjurados, que mataram seu Soberano Luis XVI, conduzidos ao mesmo lugar para receberem a punição de seu sacrílego atentado.

A 29 alguns financeiros são condenados à guilhotina, em cujo número entre Lavoisier, que fora Contador Geral.

Em Floreal, também do ano II, o Tribunal Revolucionário manda ao cadafalso d'Epremesnil o virtuoso Malsherbs, o Conde d'Estaing, Isabel de França, irmã de Luís XVI, e um grande número de Presidentes; e Conselheiros dos antigos Tribunais Soberanos.

A 22, decreto que pronuncia a reclusão de todos os sacerdotes refractários, ainda que enfermos, e sexagenários.

Em Prarial, Cecília Renaud é acusada de ter atentado aos dias de Robespierre, e condenada à morte.

A 20, "festa ao Ser Supremo".

No terceiro trimestre do ano II a desunião, acontecida entre Hoche, e Pichegru, faz dar ao primeiro o comando do Exército dos Alpes, e ao outro o do Exército do Norte. Mas Hoche não guardou muito tempo seu novo posto; uma ordem de prisão o obrigou vir a Paris, onde foi encarcerado. A Revolução de 9 de Thermidor lhe salvou a vida.

O Exército do Reno tem por General em Chefe Michaud. O de Mosella é desmembrado. Jourdan tem o mando de algumas divisões.

A 29 de Jourdan, é completamente derrotado, perto de Charleroi.

Em Messidor, também do ano II, o Tribunal Revolucionário continua a fartar-se de sangue, e manda ao suplício um número infinito de vítimas, em cujo número entram o Marcheal de Noailles-Mouchi, e sua mulher, ambos de oitenta anos, e 207 pessoas, Diques, Príncipes, magistrados, Financeiros, etc.

Os deputados Guadet, Salles, e o infame Barbaroux, são apanhados na sua fuga, e padecem em Bordeos o suplício do cadafalso. O execrado Pethion, e Burot foram achados mortos nos campos, nos arredores desta cidade.

Em Thermidor, ainda no ano II, o Tribunal "de Sangue", chamado Revolucionário, fez perecer no cadafalso 323 pessoas, entre as quais se notam sobre tudo as Duquezas de Noailles, e d'Ayen; a Duquesa de Noailles; Boucher d'Argis, e Relator de sucesso de 5 e 6 de Outubro de 1789: o marido de Josefina, primeira mulhera de Bounaparte, chamado Beauharnais, que tinha sido constituinte, e General em Chefe do Exército do Reno; e o Barão de Trenck.

A 9 de Thermidor, queda do poder dos Decemviros. Na noite de 9 para 10 Robespierre, e a maior parte de seus cúmplices, são presos na casa comum, e depois levados a receberem o prémio de suas crueldades na guilhotina.

(continuação, IV parte)

02/11/13

"DEFEZA DE PORTUGAL" (1831) - ORIGEM ... DO MAÇONISMO (II c)

(continuação da parte b)

Há na França, e tem havido sem interrupção, mais, ou menos, uma furiosa agitação, que atormenta os homens chamados "livres", quero dizer, aqueles, que não sujeitam as suas ideias senão aos seus desejos, e os ociosos, ou os que não têm que perder nas concessões do Estado, antes sempre têm a ganhar. Esta agitação cintilou no Reinado de Luís XIV, com a nímia efervescência dos estudos, e das artes; cresceu no Reinado de Luís XV do mesmo passo que decresceram as ciências; e apareceu formá-la em grande corpo no Reinado de Luís XVI. De todos os países, e em todas estas idades se reuniram a estes espíritos fortes, (assim se chamavam a si mesmos esses, que não reconheciam outros limites às suas ideias que os da sua razão, nem outra baliza aos seus desejos que a da força) outros espíritos audazes, e noveleiros, e bem assim essa chusma de ociosos, em que sempre abundam todos os países, e todas as ideias, especialmente em tempo, em que a profissão superficial das ciências se permite a todos,e a artificiosa indústria se exerce livremente com desprezo da necessária agricultura; sem que todavia deixe de dizer que a Prússia, a Suécia, a Inglaterra, e a Áustria davam as mãos ao turbilhão francês. Mas eu não trato hoje abertamente da origem,formação, e progresso do maçonismo.Esta agitação da França, depois que levou ao cadafalso o Monarca mais condescendente, e moderado, (lição, que não deve sair da memória de todos os soberanos) ainda não tem parado, por mais diques, que lhe tenham oposto os diferentes chefes de governo, que tem tido aquele país, à maneira de um rio caudaloso, e precipitado, que por mais que o reprezem, foge impetuosamente, ora por um lado, ora por outro, causando sempre estragos, por onde quer que rompa. Sucede a revolução de Julho de 1830, e a agitação move em turbilhão todos os indivíduos franceses; cada qual segue a sua direcção, e o seu impulso, sem que o Governo possa encaminhá-los a seu salvo pela veresa constitucional, e monárquica, que se adoptaram a seu aprazimento. O número dos espíritos fortes, direi mais claramente, o número dos inquietos, e dos ociosos aumentou-se infinitamente, e por consequência o número dos pobres, e dos indigentes, e por isso mesmo o dos descontentes e excessivo. Neste estado o Governo de França não pode fazer a fortuna de todos esses milhares de milhares de inquietos, ociosos, pobres, e descontentes: Precisa poiso Governo desfazer-se deles, ou lhe sejam aderentes, ou não. Porém como? hoc opus, hic labor. A guerra é o meio mais sumário, e menos conhecido dos que devem ser sacrificados: mas a guerra, ao menos a ofensiva, ou invasiva, não convém actualmente ao Governo da França na concussão furiosa, que de todos os lados abala. Perecerão pois os franceses inquietos, pobres, e descontentes às mãos uns dos outros? Então chegaria a fatal época da dissolução da França, e nenhum francês dormiria tranquilo uma só hora da noite. O Governo francês trata por ora cuidadosamente de evitar a guerra de invasão, e mais que tudo a sua dissolução. Porém a não aquietar-se a actual agitação francesa, seus exércitos, e seu povo devem inundar os outros países da Europa, para poderem subsistir, e fazer as suas fortunas.

A desgraça da Revolução Francesa
Eis o que há mais de um ano forma o objecto das discussões maçónicas da França nos seus ajuntamentos públicos, e ocultos. Os maçons franceses precisam desfazer-se do povo, que o ajudou nas suas empresas, e a quem eles levaram ao sumo grau de inquietação, de furor, de raiva, e de desespero; temem os maçons, e com razão, que esse mesmo povo em mãos de quem meteram as armas, as não volte contra eles, como as têm voltado contra as igrejas, e contra as cruzes sem autorização do Governo. Por isso o voto geral do maçonismo francês é a guerra; e o povo francês inspirado por ele, e mesmo por necessidade de subsistir, e de aumentar as suas fortunas, tem esses mesmos desejos de guerra, e guerra de conquista, ou de invasão. Repito que quando falo do maçonismo, e do povo francês, não falo do Governo da França, nem dos franceses, que respeitam a autoridade constituída; falo sim de maçonismo, que não quer soberano, e desse povo inquieto, que pretende sempre dar as leis ao chefe, que ele mesmo escolheu, e a quem os mesmos chefes têm muitas vezes de submeter-se bem a seu pesar, não sendo impossível que o Governo, se veja constrangido a seguir violentamente os impulsos, e a direcção desse numeroso povo posto em contínua agitação, e desse maçonismo inquieto, que ambiciona arrogar-se a ditadura do orbe inteiro. Eu disse que o maçonismo, e o povo francês desejam a guerra, ambos por necessidade; disse-o sim, porque assim o sei por notícias imparciais, e fidedignas; e as mesmas razões de necessidade, que expedi, mostram a veracidade desta proposição. Mas esta guerra, que os maçons da França desejam para conservarem as suas vidas, e outro sim para generalizar o maçonismo, e que o povo francês apetece para subsistir, e fazer a sua fortuna, se dirige especialmente à Península, quero dizer, à Espanha e a Portugal. Valeroso é o povo francês, eu não nego, ou seja na ofensa, ou na defesa da sua Religião, dos seus soberanos, das suas fortunas, das suas casas , famílias, bens, e propriedades, são leões, são inexpugnáveis, invencíveis, conquistáveis; são superiores a tudo, o que se pode dizer. Que o digam senão os romanos, os sarracenos, e os mesmos franceses comandados pelo maior conquistador, que jamais o universo conheceu. O maçonismo francês, como o de todos os países, é mui velhaco, mas mui tolo; só hábil para as traições; engenhoso para toda a maldade, astuto para toda a qualidade de crimes, ele não conhece o que é fidelidade, brio, honra, virtude, finalmente Realeza. Assim o tem mostrado a experiência em todos os tempos, e em todos os sucessões: jamais os pedreiros conseguiram alguma empresa, que não fossem auxiliados pelo povo, e pela tropa iludidos, fascinados, e corrompidos; porque na arte de enganar são verdadeiramente os pedreiros sagazes; mas logo que o povo, e a tropa perderam a ilusão, eles fogem, desaparecem, miram-se. O símbolo da cobardia, hieroglífico da pusilanimidade, o emblema do medo é um pedreiro livre.

(continuar: parte d)

"DEFEZA DE PORTUGAL" (1831) - ORIGEM ... DO MAÇONISMO (II b)

(continuação da parte a)

D.Miguel I, o Tradicionalista
Mas eu devo já entrar no exame do ataque maçónico feito a Portugal: não esperem porém os meus leitores que eu lhes fale dessa satisfação, que o governo francês exige do governo de Portugal, satisfação exigida com armas, e com armas recusada; e a final concedida só para poupar o sangue português, reservado para melhor ocasião. Os portugueses são generosos quando se lhes demanda sacrifícios de dinheiro; de tudo se desprendem eles, menos da sua honra, e do seu nome, que realçam sempre, em vencendo, ou morrendo. Não sou eu tão audaz que me atreva a examinar as operações do nosso Governo, nem tão impolítico que ouse repreender a marcha do Governo de outra qualquer nação. Um português sensato escrevendo para o público não se intromete no sistema do Governo de qualquer país, para não provocar o seu ódio, e até a discórdia entre governo e governo: submisso por dever, por honra, e por consciência ao governo do seu país, não move a sua pena contra outro governo, senão quando é mandado, ou quando o seu governo se declara: do contrário seria alarmar as nações, metê-las em guerra, pôr-lhes as armas nas mãos, quando ambas poderiam viver em paz, não obstante a diferença do sistema das suas governanças. Mas tal é a vertigem do século, que tem acometido as partes mais sãs do Corpo do Estado! Algumas vezes os mesmos que clamam pela reforma dos abusos, eles também abusam. Direi com este motivo uma palavra sobre a faculdade de publicar por escrito os pensamentos: esta faculdade não é uma liberdade licenciosa de dizer tudo o que vem à cabeça, seja sobre o que for: os escritores de um país devem ter por limites o mesmo país, em que escrevem, sem ofenderem jamais as instituições do outro. Cada estado, bem, ou mal, segue a sua direcção, e se governa como lhe apraz, ou como pode; se os regnicolas não devem reprovar a sua marcha por força da obediência, e da sujeição, os estranhos muito menos a devem increpar por amor da paz. Este é o meu parecer; mas como ele temas duas limitações, voltarei a ele em outro número. Direi somente de passo que os estouvados constitucionais da Espanha, de Portugal, e da Itália vomitaram a sua raiva contra as outras potências; e o que conseguiram com este desaforo, foi o seu extermínio. Deixemos pois viver a quem nos não ofende; e se um particular julga que o governo do seu país é ofendido pelo de outro, cale-se, até que o mesmo governo se declare, e então levante a sua voz em seu auxílio, tanto quanto for conveniente ao mesmo governo. Não é outra a razão do meu silêncio depois da Revolução Francesa de Julho de 1830: o Governo não me tinha autorizado para que falasse, nem ainda autorizou, que conste a alguém; pois que a Gazeta Ministrial não se explicou a este respeito. Eu observei que todas as nações reconheceram o governo actual de França: elas saberão, se obraram bem, ou mal: quando o Governo de Portugal levantar a sua voz, direi quais são os meus sentimentos. A minha pena portanto não se leva contra o Governo Francês, com quem o Governo de Portugal não está actualmente em guerra, nem contra outro qualquer Governo bem, ou mal constituído. Serei nesta parte mais político que os Constitucionais, que apoiam todo e qualquer Governo, que não seja Absoluto, insultando do mesmo passo a todos aqueles Estados, em que o povo não é soberano, nem se julgue destes meus sentimentos, que eu reconheço todo, e qualquer Governo de facto, como tem sido, e presentemente é o sistema da política, não obstante de que o Governo de Portugal ainda não recebeu de todos esta consideração: a mim nem a outro escritor qualquer não é dado o reconhecimento, ou não reconhecimento dos Governos uma vez instalados; eles se passam bem sem estes ductos da pena, e não se importam muito da guerra de tinteiro. Eis uma das mais fortes linhas da Defeza de Portugal: olhar para si, não se embaraçar com os outros.

Ataco porém o Maçonismo: mas dir-me-hão, que segundo os meus princípios eu reconheceria um qualquer Governo, que fizesse profissão aberta desta seita da impiedade; ao que respondo que é impossível que um Governo, que tivesse por base fazer a guerra a todo o Culto, e a toda a Soberania, fosse reconhecido por outro qualquer Governo: mas se por impossível esse Governo fosse reconhecido, eu seria na sociedade um ente meramente passivo, e preparar-me-ia para o martírio, não pela agressão, que eu lhe fizesse, mas porque jamais anuiria ao ateísmo, nem à rebelião. Vou por tanto debaixo desta salva-guarda seguir o meu intento da satisfação, que o Governo de Portugal exigiu o Governo francês, sem que as vistas do Governo francês fossem abertamente outras, que a dita satisfação, como tem patenteado as transações entre Governo, e Governo: ponho de parte as razões desta satisfação: julgou-se ofendido o Governo francês de o Governo de Portugal haver julgado pelas suas Leis a indivíduos nascidos na França: entendeu o Governo de Portugal que devia julgar pelas suas Leis a quaisquer, que o ofendessem, fosse qual fosse o país do seu nascimento; esta foi a questão: os franceses foram os autores; Portugal foi o demandado; o Tribunal forão as armas; agrediram as tropas francesas, e viu-se que elas são déstras na guerra: defenderam-se as tropas portuguesas, e achou-se o que sempre se achará, que são valorosas, e fiéis: entre a dexteridade, e a fidelidade, para não parecer aquela, nem sacrificar inutilmente esta, meteu-se de permeio um parlamentário francês, e a questão acabou em dois actos: primeiro, anuindo o Governo de Portugal às intânciasdo Governo francês: segundo, reconhecendo as tropas francesas que as portuguesas, longe de terem perdido o valor, e a fidalidade, com que pelejaram na Guerra Peninsular, elas o aumentaram à presença do seu chefe, e seu soberano o Senhor D. Miguel. No ensaio, e prova deste valor,e fidelidade do Exército, e do povo português consiste a agressão, que o maçonismo acaba de fazer a Portugal. Eu me explico em breves termos.

(continuação, aqui)

18/12/11

SOBE A IDEOLOGIA MAÇÓNICA A FRANÇA TRABALHA CONTRA SI MESMA

Mais uma vez, obrigado ao amigo "Funguito" pela informação:

A HISTÓRIA DO IMÃ BOUZIANE


O senhor Imã Bouziane não trabalha, por ser um sábio do culto muçulmano. É polígamo e declarou em 1993 a sua segunda esposa. A Prefeitura aceitou que a sua segunda esposa se juntasse a ele, em França, sem lhe emitir a autorização de residência. As crianças nascidas da segunda esposa são francesas.

Esta segunda esposa, portanto, não tem documentos e não pode ser expulsa.

O Imã Bouziane tem hoje 16 filhos, 8 de cada mulher.

1) A segunda esposa não é considerada como tal. Ela é considerada pela C.A.F. (Caisse d'Allocations Familiales) como um "parente isolado". Por essa razão ela passa a ter direito ao A.P.I. (Allocation de Parent Isolé), que atinge os 707,19€ para uma família monoparental com um filho, ao qual se soma mais 176,80€ por filho suplementar => (7x176,80€ mais).


TOTAL: 1.944,79€

16/09/11

"MADAME" DE STAËL

Filha de  Jaques Necker ministro das finanças nos últimos tempos da França do ancien régime (a um passo do drama), "madame" de Staël era embaixadora da Suécia em França. A sua tremenda falta de beleza era ofuscada pelo seu optimismo e extremada vivacidade. Escreveu algumas obras relacionadas com os acontecimentos do seu tempo aos quais assistiu e de certa forma esteve envolvida.

O século das luzes chegava à sua plenitude e estava perto do fim. A vida intelectual de França tinha debilitado as instituições sem destruí-las estruturalmente com as novas ideias que tinham então alimentado expectativas. Conservavam-se os privilégios e os atractivos do passado mas as mentes tinham-se voltado para outras aspirações futuras. A aristocracia libera tenta assim conciliar a herança e as novas aspirações que, ao fim e ao cabo eram incompatíveis. Sobre esta fase de transição tão irreal dizia Talleyrand "sacrificando-se a recordação desse breve período de luz e glória".

08/06/11

THÉROIGNE DE MÉRICOURT, a gaja DA REPÚBLICA

Quem é Théroigne de Méricourt? Não é uma senhora, é uma mulher francesa que acabou por personificar a fúria da revolução francesa. Nem o nome próprio é seu, o "de Méricourt" é somente o nome da aldeia onde nasceu. E da aldeia até Paris demorou um ano para se tornar tão conhecida. Não era propriamente uma desconhecida moçoila da aldeia, o velho marquês de Persan já a conhecia bem para lhe lhe dispensar uma casa bem localizada, perto do Palais Royal. O corte e costura não lhe bastavam e preferia os revoltosos debates apaixonados que foram tornando o Palais Royal em rival da Assembleia Nacional. 

Os historiadores republicanos (como Lamartine e Carlyle) colocaram-na como símbolo de uma "revolta popular", mas ela tinha afirmado nada ter a ver com isso e de não estar no assalto à Bastilha! Mas Lamartine insiste "ela desceu às ruas. Sua beleza foi como um estandarte para a multidão. Vestida com um traje de montador vermelho sangue, o sabre às costas, duas pistolas à cintura, e voava à frente da movimentação de gente. Esteve na vanguarda dos que forçaram a entrada das Tullerias e retiraram o canhão, e foi também a primeira no assalto que levou a escoltar as torres da Bastilha. Os vencedores concederam-lhe uma espada de honra." (assim escreve em História dos Girondinos)

TEXTOS ANTERIORES