(anterior, Lisboa a)
Antiga cidade do Sul de Portugal, cujo herói lendário que a conota é Giraldo Sem Pavor. Foi capital de Portugal; quem passa nas suas ruas perde a noção do tempo, dos séculos e dos milénios.
(continuação, Elvas a)
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25/03/17
01/08/16
A COINCIDÊNCIA - Sto. INÁCIO DE LOYOLA e D. JOÃO V
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| St. Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus |
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| Igreja do Colégio do Espírito Santo (Évora - Portugal) |
Como o próprio Santo dizia a respeito de um antepassado de D. João V, o seu mais alto patrocinador na terra, "D. João III de Portugal, é o verdadeiro pai dos Jesuítas"; e explicam os da Companhia de Jesus que: tal se dizia, porque foi este Rei quem apostou nos Jesuítas, e os sustentou no seu crescimento e difusão. Os primeiros colégios e edifícios jesuítas são patrocinados e edificados por Portugal, e é o Rei que inicialmente amplifica o universo dos iniciais planos da Companhia de Jesus. O primeiro templo de estilo jesuítico, coisa que muitos não sabem, foi construído por patrocínio da Coroa Portuguesa, em Portugal (Igreja do antigo Colégio do Espírito Santo - Évora). A capela mais cara da história, foi planeada e edificada por D. João V dentro da Igreja de S. Roque, em Lisboa, templo dos Jesuítas que o próprio Rei frequentava (D. João V também foi muito protector dos Jesuítas).
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| Pormenor da capela do Divino Espírito Santo e S. João Baptista, na Igreja de S. Roque (Lisboa) |
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| D. João V Rei Fidelíssimo, o Magnânimo |
Colocar lado a lado um Santo e um Rei, pode não parecer seguro, caso não fosse D. João V aquele que recebe de Roma, para a Coroa Lusitana, o título de Reis Fidelíssimos ("Já mui antes que o Santo Padre Bento XIV concedesse aos Reis de Portugal a sobremaneira honrosa denominação de Reis Fidelíssimos, o Santo Padre Eugénio IV havia concedido aos nossos Reis, que depois da sua Exaltação ao Trono fossem Sagrados à maneira dos Reis de França, e que o Ministro desta Cerimónia Religiosa fosse o Arcebispo de Braga; e não se apontara em nenhum dos séculos da existência destes Reinos algum intervalo notável de anos, em que a Sé Apostólica deixasse de outorgar-lhes as mais exuberantes graças, e privilégios" - D. Fr. Fortunato de S. Boaventura, no "A Contra-Mina", nº42, pag. 2). Em termos simbólicos, D. João V está para o título "Rei Fidelíssimo", como Isabel de Castela está para o título "Rainha Católica", o que ajuda a valorizar esta coincidência do dia da morte, que Deus quis conferir ao Rei e ao Santo.
Em 1717, no mesmo ano da fundação da Maçonaria, D. João V vence a última batalha marítima contra os muçulmanos junto com a Santa Sé, a Batalha de Matapam.
19/05/16
I PROCISSÃO DO SANTÍSSIMO NA PARÓQUIA DE S. MAMEDE (ÉVORA), em 1564
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| Igreja de S. Mamede, Évora |
"Jhus+. No ano de 1564, no quarto Domingo depois do Pentecostes, a 18 de junho nesta cidade de Évora e Igreja de S. Mamede: sendo Cura dela António Roiz natural da vila de Viana, Beneficiado Diogo Miz, Ecónomo Domingos Ferreira e Tesoureiro André Dias; na Confraria do Santíssimo Sacramento situada na dita Igreja, sendo Juiz e Escrivão Baltazar fragoso, Mordomos Domingos Fernandes Pombro e Adão Fernandes. (...), se fez e ordenou a primeira procissão da dita Confraria concedida pelo Reverendo Senhor Marcos Ferreira e provisor deste Arcebispado à instância e petição dos ditos mordomos e fregueses da dita igreja.
Saíram pela porta principal tomando a rua Direita da mouraria acima, dobrando à direita pela rua D'Avis abaixo até ao cabo da rua das Fontes, entrando por ela toda até se recolherem à rua de S. Mamede. Tornaram a entrar pela mesma porta principal, depois da pregação que fez o Doutor Jorge Serrão, da Companhia de Jesus. Levou nela o Santíssimo Sacramento o dito Cura. Levavam o pálio seis clérigos com suas capas de borcado, outros muitos diante com suas sobrepelises e cinquenta e duas tochas ardendo, e muita outra cera, quatro cruzes das freguesias maiores. Diante do pálio, à direita, o dito Provisor Marcos Ferreira, e da outra banda o Visitador Mestre João Sardinha e Mestre André de Resende. Detrás acompanhava muita gente honrada.
Houve charamelas e trombetas, as ruas todas paramentadas de ricas tapeçarias de Raaz, stofa, veludo e borcado. Além de serem todas espadanadas enramadas e embandeiradas todas as portas, becos e janelas, algumas cheias de altares de ricas invenções e custos grandes. Havendo em cada um novas coisas que ver e considerar, (...). De maneira que sendo a primeira procissão (...) foi dos fregueses com tanto alvoroço festejada que foi a mais solene e sumptuosa que até agora se fez nesta cidade, tanto em aparato como de invenções e gente. Disto se fez aqui assento para que se soubesse o princípio desta solenidade feita em glória do nosso Deus, e seu preciosíssimo corpo, para que com seu favor, se aumente e veja em crescimento a devoção de seus fiéis fregueses desta sua Igreja, com a qual confundam os danados heréticos ânimos pela qual mereçam sua santa glória. Ámen." (o original pertence à Confraria do Santíssimo da paróquia de S. Mamede)
02/11/13
O ÓRGÃO - O INSTRUMENTO DA IGREJA, EM PORTUGAL (XVIII)
Eis uma pequena maravilha da organaria: em Évora, na Igreja do Espírito Santo (a primeira igreja verdadeiramente jesuítica), existe um órgão do séc. XIX, que foi oferecido por um nobre que o tinha num palácio em Sintra. A oferta, se não me engano, foi feita ao Seminário maior de Évora a quem esta igreja pertence (por falta de seminaristas que a encham, está empregue para a "pastoral universitária").
Este instrumento é-me muito caro, conheço-o como a palma das minhas mão (melhor dizer "com a pontas dos meus dedos"), e dele tenho um levantamento técnico informal mas que nunca ficou totalmente concluído (apontamento das medidas de cada registo, etc..). É admirável pela sua qualidade de construção e equilíbrio sonoro. Foi construido pelo "rei dos organeiros românticos", Aristid Cavallé-Coll (info.), provavelmente o maior génio da história da organaria, e que eu também em tempos muito admirei.
Trata-se de um órgão de média-pequena dimensão (4 registos para cada um dos dois teclados manuais, e um registo de 16' para o teclado pedal), com pedal de expressão e pedal de "trémulo". As dimensões da igreja estão bem para este instrumento, que, por ser romântico, dá-se mais à acústica de reverberação.
Já que no blog ASCENDENS tem sido tocado o património organístico português, não podia fazer excepção a um dos meus mais estimados.
Encontrei este vídeo "deitado" (que desafia os leitores...)
02/02/13
SERMÃO DO ACTO DE FÉ - EVORA - 1615
SERMÃO DO ACTO DA FÉ
Que se Celebrou Na Cidade
de
ÉVORA
na Dominga infra octava de
CORPUS CHRISTI
Que se Celebrou Na Cidade
de
ÉVORA
na Dominga infra octava de
CORPUS CHRISTI
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21/03/12
ANTIGUIDADE DA ORDEM DE AVIS
DO PRINCÍPIO E ANTIGUIDADE DA CAVALARIA E ORDEM MILITAR DE S. BENTO DE AVIS
"
raziam as guerras de Hespanha [Peninsula Ibérica, ou Espanhas] tão embaraçados aos Príncipes Cristãos e a[os] seus vassalos na reparação dela [da península Ibérica], que parece [que] lhes não dava a ocupação lugar para que (deixando por um pouco as armas) tomassem na mão a pena a fim de nos deixarem algumas memórias - posto que breves, das muitas coisas que então sucediam indignas do esquecimento em que para sempre ficaram sepultadas.
raziam as guerras de Hespanha [Peninsula Ibérica, ou Espanhas] tão embaraçados aos Príncipes Cristãos e a[os] seus vassalos na reparação dela [da península Ibérica], que parece [que] lhes não dava a ocupação lugar para que (deixando por um pouco as armas) tomassem na mão a pena a fim de nos deixarem algumas memórias - posto que breves, das muitas coisas que então sucediam indignas do esquecimento em que para sempre ficaram sepultadas.
Destas [coisas], foi uma (e não menos principal daqueles tempos) a criação da nobre Cavalaria a que hoje vulgarmente chamam de Avis, a qual não sabemos dar Autor nem princípio certo: mas entendemos que não carecia de mistério permiti-lo Deus assim; para que o tenhamos a Ele somente por imediato Autor de uma obra tão santa. E, no averiguar dúvidas sobre sua antiguidade, remetemos [em] dizer que é tão antiga que se lhe não sabe o princípio. E, quando lho queiramos dar sem determinação de ano certo (pois não se alcança) viremos a dizer, movidos por eficazes conjecturas, que há na matéria, que como o Príncipe D. Afonso Henriques por morte do Conde seu pai D. Henrique tomasse posse de Portugal e se dispusesse com um fervorosíssimo zelo de Príncipe Cristão (que professava a perseguir os inimigos da Fé), quis Deus favorecer tão santos propósitos, com mover os ânimos de certos Cavaleiros principais da sua Corte, à que debaixo de voto, e juramento professem para com Deus, e se obrigassem para consigo a morrer uns por outros na defesa da bandeira de Cristo. Incitou logo o novo modo de Religião a outros muitos aventureiros prodígios das vidas, e cobiçosos de honra, que se incorporam na mesma milícia; e todos juntamente começaram a dar à execução seus institutos Militares em companhia do Príncipe D. Afonso, cujos vassalos eram. E assim pela lealdade, que como tais lhe deviam: como também pela obrigação de sua nova cavalaria, se achavam sempre com ele nos mais árduos encontros, e dificultosas empresas, que com os Mouros tinha. Ao que tudo quis dar alcance Frei Jerónimo Romão na sua República Cristã: mas acham tão apagados os vestígios, que não chegou mais que pela tomada de Lisboa: onde diz que se acharam os Cavaleiros da nova Milícia, que foi no ano de 1147. No qual lhe dá princípio Frei Manuel Rodrigues no tomo primeiro das questões Regulares na questão quinta no artigo último. Porém o mesmo Frei Jerónimo Romão acrescenta mais que elRei a instituiu pouco depois da batalha do campo de Ourique, que foi no ano de 1139 movido por ventura de alguma notícia, que as memórias antigas deste Reino começam a dar dela desde aquele tempo: mas não que de certo afirme ser então criada; antes supõe que o estava de antes: porque nunca elRei interpusera sua autoridade na instituição de uma coisa tão nova jamais vista na Hespanha [Península Ibérica, ou Espanhas], sem ter visto por experiência sua utilidade. Na prova disto fizéramos mais força com razões eficazes, que para isso não faltam; se para provar que esta Cavalaria é mais antiga de todas as da Hepanha [Península Ibérica, ou Espanhas] não basta somente que tivesse princípio no ano de 1147 que foi o do cerco, e tomada de Lisboa, onde se acharam os novamente professos: sem fazermos caso dos mais anos de antes, em que lá floresciam. Pois se alguma outra Milícia se podia opor com esta ao mais antigo lugar, era a de Santiago, que começou muito de antes do tempo de elRei D. Afonso Henriques: porém inabilitou-se com tomar por seu primeiro Mestre ao Diabo, cujos Cavaleiros se chamavam os professos nela, tendo por instituto da sua Milícia, não deixarem de cometer caso por abominável que fosse contra a lei de Deus, e em prejuízo da Cristandade; como no princípio de sua Regra se refere, e é coisa sem dúvida. Depois do que vieram a ser inspirados pela graça divina; e deixando o abominável trato em que andavam propuseram fazer de seu ajuntamento um muro, (como em efeito fizeram) com que a Cristandade se defendesse da multidão de Mouros, que andavam por Hespanha [Península Ibérica, ou Espanhas]. E logo que vieram nisto, foram instituídos em Cavaleiros Regulares, com autoridade do Legado de Later Dom Jacinto Diácono Cardeal [Cardeal Diácono], que naquela ocasião viera a Hespanha [Península Ibérica, ou Espanhas]. O que foi em tempo de Alexandre III no ano de 1175. No qual se há-de dizer, que teve princípio a Ordem à que por seus estatutos obrigava a viver desordenadamente aos que a professavam. E fazendo agora deste ano de 1175 com o de 1147 em que já muito havia se tinha dado princípio à nossa Milícia; fica sendo notória a vantagem que lhe fez na antiguidade. Do que vendo-se convencido Radez de Andrade na Crónica que fez das Milícias de Castela, chega a constar ser a Cavalaria e Ordem de Avis das mais antigas de Hespanha [Península Ibérica, ou Espanhas]. A qual honra lhe concedeu com tanta escassez, que lha pôs debaixo de condição, dizendo ("se as Crónicas de Portugal nos não enganam"). Ao que se referiu também Argote de Molina na primeira parte da nobreza de Antaluzia: posto que (conformando-se mais alguma coisa com a verdade) confesse ter esta Milícia seu princípio no ano de 1147 que foi o que fazemos a computação. Mas cada um deles se quis mostrar afeiçoado à sua Pátria, em lhe não tirar essa honra de todo, dando-no-la a nós por entre aquelas dúvidas. Todas as quais se tiram com o que diz Rezende no tratado que fez da antiguidade de Évora àcerca desta Milícia, fazendo-a mais antiga de todas as da Hespanha; conforme ao que falam já hoje todos os modernos, que escrevem sobre as coisas deste Reino."
("Regra da Cavallaria e Ordem Militar de S. Bento de Avis", folha I. 1631)
("Regra da Cavallaria e Ordem Militar de S. Bento de Avis", folha I. 1631)
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