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04/09/16

NA SERRA ALTA - A RESPEITO DA CHAMADA "FALSA IGREJA"

do filme "X-Men: Apocalipse" - tentando encontrar os mutantes no mundo, mentalmente. (alegoria)
"Dizem os menos exigentes que essa "falsa Igreja" [das revelações e visões] é muito fácil identificá-la. Não convence! Certamente as posições de moral relativa, ou errada, as posições de doutrina relativa, ou errada, e outras coisas que tal, não são da verdadeira Igreja de Cristo. É mais prudente dizer que essa "falsa Igreja" não é um posicionamento tão colectivo, quanto individual!"
(na serra alta - J. Antunes)

20/06/14

HISTÓRIA DA FUNDAÇÃO DA REAL BASÍLICA E MOSTEIRO DO SANTÍSSIMO CORAÇÃO DE JESUS DA CIDADE DE LISBOA (IX)

(continuação da VIII parte)

Explicação Histórico-Litúrgica da Bênção dos Sinos


A Bênção dos sinos (como adverte o Catecismo de Montepellier) não é mais antiga na Igreja, porque também os sinos o não são; por quanto uns julgam que eles tiveram o seu princípio no séc. VII, outros no X; o certo, é que a Igreja instituiu muitas cerimónias para esta bênção, e são elas muito edificantes, como se podem ver no Pontifical Romano, e foram as que vimos executadas nesta solene acção, que acabamos de descrever.

200 anos depois, o sino de Sto. António, pronto para ir ao restauro
De todas estas cerimónias se pode fazer uma certa aplicação alegórica aos pastores da Igreja; por quanto os sinos estão postos num lugar alto; e assim mesmo estão os pastores para o exemplo: Os fiéis são advertidos pelos sinos, das suas obrigações, e os juntam na igreja, e esta é também a obrigação dos pastores.

Vimos que quando estes sinos se sagraram foram lavados por dentro e por fora; e isto depois do canto dos Salmos, pelos quais se rogou a Deus nos protegesse; o que faz lembrar que antes de ser algum elevado à Dignidade de pastor da Igreja, deve ser totalmente purificado de seus pecados, e manchas.

Foram os sinos ungidos com óleo sagrado sete vezes, o que pode figurar os sete dons do Espírito Santo: dons que os pastores devem ter recebido para os poderem comunicar aos outros; e assim se pode dizer das outras quatro unções que se fizeram na parte inferior dos sinos; o que também significa o quanto os pastores devem estar penetrados do Espírito Divino: Depois se queimaram perfumes debaixo dos sinos, o que significa que os pastores devem trazer em seu coração as necessidades, os votos e orações dos fiéis, para as apresentarem a Deus Omnipotente.


No fim se cantou o Evangelho, no qual ouvimos que Maria ouvia a Palavra Divina aos pés de Cristo; onde podemos entender, que uma das principais funções dos pastores é a de juntar o Povo na Igreja, para ali escutar a Divina palavra.

Vulgarmente a esta cerimónia da benção dos sinos, se dá o nome de Baptismo, não por que o seja, mas pela muita semelhança que há entre os ritos de Baptismo, e os da benção dos sinos; como V. g. a acção de lavar, as unções, impozição do nome e outras.


Antigamente só os sacerdotes tocavam os sinos; e por isso em muitas igrejas estão os mesmos junto do coro; presentemente porém se reputa esta obrigação dos Ostiários, ainda que comummente os leigos são os que fazem as duas vezes: finalmente os sinos, que são postos nas igrejas para fins santos, não devem servir a usos profanos; neles pois se não devem tocar árias profanas, e nunca se devem os sinos tocar sem regra, e sem discrição na forma que ordenar o Bispo respectivo.

(continuação, X parte)

05/05/14

BREVE NOTÍCIA DA SAGRAÇÃO DA REAL BASÍLICA DE MÁFRA (II)

(continuação da I parte)

Real Convento de Mafra
No 4º pertenceu ao Bispo de Pátara a sagração das capelas da Senhora do Rosário e dos Santos Confessores Pontífices da Ordem da Ordem Seráfica, e prégou o Fr. António de Santa Maria, da província de Sto. António.

No 5º celebrou o Bispo de Nankim. Foram sagradas as capelas de Nossa Senhorae dos Santos Mártires da Ordem Seráfica, prégando Fr. Manuel de Penamacor, da província da Soledade.

Nave Norte da Basílica
Neste dia realizou-se mais a trasladação do S. S. do altar-mór para a capela própria.

No 6º sagraram-se as capelas de nossa Senhora e dos Santos Confessores não pontífices da Ordem Seráfica, voltando a sagrar o Bispo de Leiria. Prégador foi Fr. Manuel de S. José, da venerável ordem Terceira da Penitência.

No 7º sagrou o Bispo de Portalegre a capela de Cristo Crucificado, Nossa Senhora e S. João e prégou o arrábido Fr. João das Neves.

No 8º coube ao Bispo de Pátala a sagração da capela de Nossa Senhora e das Santas Virgens da Ordem Seráfica e foi pregador Fr. Afonso da Conceição, vigário do hospício real de Lisboa. Neste dia o Rei, à saída do refeitório, deu beija-mão aos frades; os noviços, porém, lançaram-se-lhe aos pés para lhos beijar, mas o Rei recebeu-os nos braços.

Tribunas Régias da Sala da Benedictione (Basílica de Mafra)
Em todos estes dias os serviços começavam ás 8 horas da manhã e acabavam às 3 da madrugada, com permanente assistência do Rei, da Família Real e da Côrte, que comiam nas tribunas da igreja, largas como compartimentos.

Com tão extenuante e contínuo sacrifício Sua Majestade garantiu à sua alma a bem-aventurança eterna [tal como diz Fr. Cláudio da Conceição, no seu Gabinete Histórico]."

27/04/14

PÁSCOA de 1500 - CHEGADA A TERRAS DE VERA CRUZ

Sem pedir autorização, tomo a liberdade de publicar um texto de um sacerdote brasileiro, amigo meu. Com esta publicação, dou também a minha parte de agradecimento ao Senhor Padre em questão:

"A primeira missa também foi um marco para o inicio da história do Brasil. No dia 22 de abril de 1500 chegaram as 13 caravelas lideradas por Pedro Alvares Cabral. Ao avistar um monte do mar, chamou de Monte Pascoal já que era o oitavo dia da Páscoa. Ao desembarcarem foram recebidos por aproximadamente dezoito índios e trocaram presentes. A bordo de suas caravelas novamente, subiram um pouco para um lugar mais protegido e foram parar na praia da Coroa Vermelha, em Porto Seguro, no litoral sul da Bahia.
 
 
Foi exatamente ali que foi celebrada a primeira missa em solo brasileiro, no dia 26 de abril. Segundo narra o escrivão Pero Vaz de Caminha em uma carta para o rei de Portugal, D. Manuel, depois 47 dias navegando pelo oceano Atlântico, ao chegarem na praia da Coroa Vermelha, dois carpinteiros fizeram uma cruz e a colocaram na areia. A missa foi celebrada pelo Frei Henrique com mais alguns clérigos.

Foram convocados mil homens, entre oficiais e marinheiros e havia cerca de duzentos índios que acompanhavam atentamente ao que acontecia, com muito respeito e adoração. Os índios seguiam os mesmos gestos dos portugueses, se eles levantavam, eles também levantavam, se eles ajoelhavam, eles também ajoelhavam. Depois de terminada a cerimônia o sacerdote fez uma pregação narrando a vinda dos portugueses. Vaz de Caminha acreditava também que a conversão dos índios não seria difícil, já que eles foram muito respeitosos quanto a religião.

Nos dias seguintes, os portugueses tentaram mostrar para os índios o respeito que tinham com a cruz, se ajoelharam um por um e a beijaram. Alguns índios fizeram o mesmo gesto, o que fez com que fossem considerados inocentes e fáceis de evangelizar. Vaz de Caminha pede ainda para o rei que venha logo o clérigo para batizá-los a fim de conhecerem mais sobre a fé deles.

A segunda missa foi celebrada no dia 1º de maio, na foz do rio Mutarí. E assim, deu-se início ao que hoje é considerado o maior país católico do mundo.

Obrigado Senhor!

Obrigado Portugal!"

06/04/14

REGIMENTO DOS OFICIAIS DA CASA REAL DelRei D. JOÃO IV (II)

(continuação da I parte)


XIX
Se ElRei for à oferta sendo dia disso, estará prestes um Reposteiro com uma Almofada de veludo, e beijando-a a dará ao Reposteiro-mor, e ele tomando-a em ambas as mãos, e beijando-a a porá aos pés do Celebrante que disser a Missa, que estará no derradeiro degrau do Altar; e se a Rainha estiver presente, lhe porá a Almofada para ela na mesma forma o seu Vedor. Ali irá ElRei com a Rainha, e o Celebrante lhe dará a Imagem a beijar, e lhe deitará a bênção, e se for Bispo lhe dará também o anel beijar, e o Esmoler que estará diante do Subdiácono lançará a oferta no prato, com que se tornará ElRei à cortina; e quando sair, se sairá o Príncipe e Infantes, e estarão em pé fora da cortina, até que S. Majestade volte; e quando passar lhe farão mesuras, e se tornarão a seus lugares; e isto mesmo usarão com o Príncipe, excepto ElRei, e a Rainha, que hão-de ficar nos seus lugares; e os Embaixadores, Duques, e mais pessoas em pé afastados dois passos dos seus lugares; e o mesmo farão ao Príncipe: depois dele irão os Infantes, cada um por sua idade, e em quanto forem e vierem, se não sairá ninguém da cortina; e os Infantes se porão os joelhos fora do altar.

XX
Se a oferta for em dia da Cruz, ou de missa nova, irão primeiro oferecer os Prelados por suas antiguidades, e toda a Capela depois deles; e então ElRei, Príncipe, Infantes, Embaixadores, Duques, Marqueses, Condes, e Fidalgos.

XXI
Em dia de Reis se fará a oferta nesta mesma forma, e só difere em que o Esmoler dará oferta ao Príncipe, e ele a ElRei que a lançará por sua mão no prato; e ao Príncipe dará a oferta um Infante havendo-o, e em todos os outros dias lançará sempre a oferta o Esmoler.

XXII
Em dia da Conceição em que S. Majestade vai à oferta, sai o Príncipe da cortina, e fora dela em pé, espera que S. Majestade volte, e com ele se torna a recolher.

XXIII
Em dia de Nossa Senhora das Candeias vão primeiro tomar as velas os Prelados e Capela, e depois vai ElRei, e estando a Rainha e Infantes, se faz tudo na forma referida. As velas dá quem faz o Ofício, e depois que ElRei vem do Altar a entrega ao Capelão-mor, e ele a dá a um moço fidalgo; e quando quiser sair a Procissão a torna a dar o moço fidalgo ao Capelão-mor acesa, e ele a dá a ElRei; e nesta forma se há-de fazer sempre que S. Majestade levar vela; e se estiverem presentes Rainha, Príncipe, e Infantes se fará o mesmo. A vela que se dá a ElRei será de uma vara e duas terças de cumprimento, e de cinco arrateis de peso. A da Rainha de uma vara e duas terças de cumprimento, menos um terço de uma sesma ["sesma", ou "sesmo", é a 6ª parte de algo], e quatro arretéis e meio de peso. A dos Infantes de vara e meia e de três arretéis e meio de peso. A dos Embaixadores e Duques de vara e terço e de três arretéis. A dos Arcebispos e Marqueses de vara e sesma e de dois arreteis e meio. A dos Bispos e Condes de uma vara e de dois arretéis. A do Conselho de uma vara menos uma sesma e arretel e meio; e assim a da Camareira-mor da Rainha não sendo Título, e sendo-o conforme ao título que tiver. A das Damas, Fidalgos, e Desembargadores de duas terças de vara e de três quartas; e para as outras pessoas de meia vara de cumprimento, e de quatro em arretel de peso.

XXIV
Na Procissão de dia das Candeias detrás do Bispo irá S. Majestade com os Comendadores com seus Mantos; e havendo alguns Prelados irão no coise dos Capelães diante do Celebrante; e os Fidalgos que não tiverem hábito ou Manto irão depois das pessoas que têm lugar detrás de ElRei.

XXV
Em dia de Cinzas a vai S. Majestade tomar ao Altar mor na mesma forma em que vai às Ofertas, e com as mesmas cerimónias; e depois que o Bispo a dá às Pessoas Reais, para o que lhe tiram a Mitra, a torna a pôr, e a dá aos Embaixadores, Duques, Marqueses, e Condes estando em pé; e depois se assenta, ea dá aos Oficiais da Casa, Fidalgos, e mais gente.

XXVI
Em dia de Ramos vão as Pessoas Reais tomar a Palma ao Altar, que lhe dá o Celebrante, e depois que se recolhe à cortina a dá ao Capelão-mor; e depois vão os Embaixadores e mais Corte na forma referida.

XXVII
Em dia de Páscoa dá o Mordomo-mor a vela a ElRei para ir com ela na Procissão; e quando se recolhe a torna a dar ao Mordomo-mor, e ele a entrega a um moço fidalgo; e isto mesmo se faz todas as vezes que ElRei leva vela que não vai tomar ao Altar, e o comprimento, e peso das velas nas festas que as há, sempre será o mesmo, que as de dia das Candeias. ElRei vai na Procissão com o Manto; e porque vai nela o Santíssimo, não lhe leva o Camareiro-mor a fralda, e a põe sobre os cabos da espada deixando-os porém desembaraçados; e o mesmo faz em todas as Procissões em que for o Santíssimo. Os Comendadores vão com seus Mantos do Pálio para traz e S. Majestade no couse de todos, seguindo-se junto a ele de uma e outra parte as Dignidades da Ordem, e depois os mais por suas antiguidades. Depois da Ordem de Cristo se seguirá a Ordem de Santiago, e depois dela a de Avis, ambas na mesma forma. Os Oficialis da Casa não terão nesta Procissão lugar, senão conforme a antiguidade do hábito que tiverem; e os da Cana, a não levarão, e se algum não tiver hábito, irá detrás delRei depois dos Criados que têm ali lugar.

(a continuar)

05/04/14

REGIMENTO DOS OFICIAIS DA CASA REAL DelRei D. JOÃO IV (I)


REGIMENTO DOS OFICIAIS DA CASA REAL DelRei D. JOÃO IV

I
"Pela manhã tanto que S. Majestade se acaba de vestir, vai à Missa acompanhado do Camareiro-mor, que virá atrás, até que S. majestade saia da porta da Câmara para fora; e logo que S. Majestade sair da porta para fora, tomará lugar diante com os restantes oficiais da Casa, e mais fidalgos que ali se acharem; e como este acompanhamento é retirado, não se cobre nele ninguém, mas cada um acompanha, na forma que abaixo se aponta.

II
Nos dias Santos, e mais Festas em que S. majestade vai em público à Capela, ou Tribuna, tanto que estiver acabada a reza da Capela, saberá o Capelão-mor se está tudo prestes para S. Majestade pode ir; e tanto que o estiver, irá dar recado a S. Majestade, e o pajem da campainha terá cuidado quando o Capelão-mor quiser dar recado de bater à porta, e não entrar até que S. Majestade lhe responda com a campainha, e não o fazendo a primeira vez, e baterá a segunda, até que S. Majestade faça sinal com a campainha, e então entrará dento, e dará o recado de estar ali o Capelão-mor, e ele entraria a dizer a S. Majestade como está prestes para poder ir; e estando o Capelão-mor por qualquer via impedido, se guardará isto mesmo com quem vier em seu lugar, e todos os dias que S. majestade descer à Capela, terá o Secretário de Estado avisado aos Embaixadores que houver na Côrte para o acompanharem, e o Porteiro da Câmara aos Títulos.

III
Tanto que o Capelão-mor der recado sairá S. Majestade do seu aposento acompanhado dos Títulos, Oficiais da Casa, e mais fidalgos, que ali se acharem que o devem fazer. Os Títulos irão da parte direita, e esquerda por suas precedências, distância de três ou quatro passos diante de S. Majestade, e diante da pessoa de S. Majestade o Mordomo-mor com sua cana na mão que tomará antes que S. Majestade saia, e ainda que não seja Título irá neste mesmo lugar, e nesta mesma forma, e será o último de todos os que acompanham diante que saia pela porta, ainda que acompanhem Duques, que sairão primeiro, excepto os Infantes diante dos quais há o Mordomo-mor de passar.

IV
Onde acabarem os Títulos, irão os três Oficiais da Cana, que são Porteiro-mor no meio, o Vedor da banda direita, e o Mestre Sala da esquerda, e havendo dois Vedores, o que não for de semana irá também da parte direita, mas no meio com o Porteiro mor: os de mais Oficiais da Casa, e moços fidalgos irão diante destes sem precedência, e diante deles os mais fidalgos que ali se acharem. Os Oficiais da Casa são Mordomo-mor, Porteiro-mor, Camareiro-mor, Estribeiro-mor, Guarda-mor, Reposteiro-mor, Copeiro-mor, Vedor, Mestre Sala, Trinchantes, Capitães da Guarda, Capelão-mor, Sumilhares da Cortina; Aposentador-mor, Monteiro-mor, Armador-mor, Esmoler-mor, e os mais, ainda que tenham título de móres, ou são Oficiais da Corte, ou Criados, e não Oficiais da Casa.

V
De traz de S. Majestade irão os Cardeais, e depois deles os Embaixadores, e logo os Arcebispos, e Bispos, e Capelão-mor com eles, se for Bispo, e não o sendo, irá com os mesmos Oficiais da Casa, advertindo que se S. Majestade levar fralda, lha há-de ir levando atrás o Camareiro-mor mais junto à pessoa de S. Majestade que todos e em quanto a levar, irá descoberto, ainda que seja Título. Os Oficiais da Casa que não forem Títulos acompanham com os outros Títulos, e não poderão acompanhar com os Oficiais da Casa por não fazer ofensa à dignidade do Título, que é maior; mas isto não terá lugar nos Oficiais da Cana, porque este ainda que sejam Títulos, hão sempre de acompanhar com sua cana no lugar de Oficiais, e como tais se não hão de cobrir, ainda que sejam Títulos, salvo o Mordomo-mor, que sempre se cobre.

VI
Nesta forma baixa S. majestade à Capela, e à parte que está no fim da escada que desce da Galaria da banda de fora por uma e outra parte, estarão as Guardas em ala uma da mão direita, e outra da esquerda; e a que for da banda direita há-de ficar da banda esquerda, quando S. Majestade voltar, e a outra da direita; e desta maneira ficam as Guardas iguais na precedência, posto que não havendo meio haja de preceder sempre a Guarda Portuguesa à Alemã, e hão-de ir governadas por seus Capitães, que irão no meio delas em corpo com suas Insígnias, e os Tenentes nos seus lugares.

VII
O Corregedor do Crime da Corte, e Casa irá diante de todos, levando consigo o Meirinho da Côrte.

VIII
Antes de S. Majestade chegar à porta da Capela o Arcebispo, e não o havendo o Bispo mais antigo que ali se achar, se adiantará para dar água benta a S. Majestade; e não havendo Bispo presente, o fará o Capelão-mor, ainda que não seja Bispo, e sendo-o, a dará só no caso de ser mais antigo.

IX
Logo que S. Majestade entrar na cortina, lhe chegará o Reposteiro-mor a Cadeira ou Almofada, e o mesmo fará aos Infantes filhos legítimos de ElRei, e aos filhos e filhas dos Infantes nomeará S. Majestade pessoa que lhes haja de chegar as Almofadas; e o mesmo Reposteiro-mor chegará a Almofada quando S. Majestade por ao Altar, e em ausência do Reposteiro-mor, toca fazer isto ao Vedor da Casa; e logo que S. Majestade se assentar, saíram todos os que acompanharam para os seus lugares.

X
Os Cardeais têm seus lugares da parte do Evangelho mais chegados ao Altar em Cadeiras de Espaldas, e logo abaixo em banco coberto de Rãs os Arcebispos e Bispos por suas antiguidades, começando a precedência do Altar. O Capelão-mor sendo Bispo se senta numa Cadeira rasa, que há-de estar da cortina para cima entre elas, e os degraus que sobem para a parte do Evangelho; e quando S. Majestade não vai à Capela se senta no banco dos Bispos, precedendo a todos ainda que seja mais moderno por Diocesano da Casa Real, e não sendo Bispo, está em pé abaixo da cortina com os Sumilhares, indo S. Majestade à Capela, e não indo, parece que não tem outro lugar senão o seu de coro; e advirta-se que não sendo Bispo, não pode fazer função alguma na Capela sem sobreplis. (Nota: Por resolução de S. majestade tomada em assento do Conselho de Estado de 8 de Março de 1687 se ordenou, que o Cardeal de Alencastre tivesse o seu assento da parte da Epístola acima dos Embaixadores em Cadeira de espaldas por ser assim conforme ao tratamento que em Madrid se dá aos Cardeais, cujo Cerimonial resolveu S. Majestade se usasse em tudo a respeito dos Cardeais.)

XI
Os Embaixadores se assentaram de grade para dentro em Cadeiras rasas de veludo com Almofadas do mesmo defronte da cortina de S. Majestade alguma coisa mais para baixo, e diante de cada um se porá um banquinho coberto com um pano de veludo.

XII
Os Duques da mesma grade para dentro junto à cortina de S. majestade em Cadeiras rasas de veludo com suas Almofadas do mesmo, e uma Alcatifa debaixo das Cadeiras não muito larga em que ponha os joelhos.

XIII
Da grade para fora em primeiro lugar se porá o assento do Mordomo-mor, e ainda que não seja Título por proeminência do Ofício, há-de ter sempre o mesmo lugar, e se há sempre de cobrir; mas no caso de não ser título, há-de ser a Cadeira rasa de couro preto. Depois dele se seguirão os assentos dos Marqueses que são Cadeiras rasas de veludo com Almofadas do mesmo, e logo abaixo o dos Condes, que é um banco coberto com espaldeira de Rãs.

XIV
O Sumilher da semana junto ao canto da cortina da banda de baixo.

XV
Os três Oficiais da Cana Porteiro-mor, Vedor, e Mestre Sala em pé com suas canas de grade para dentro em fileira defronte da cortina de S. Majestade, e dois até três moços fidalgos, dos que têm Ofício também em pé, e defronte da cortina alguma coisa por cima do lugar dos Embaixadores.

XVI
Dentro da cortina se assenta S. Majestade em Cadeira de espaldas, e logo abaixo o Príncipe, e os Infantes depois dele em Cadeiras iguais, e em igual fileira e os filhos dos Infantes mais abaixo em Almofadas duas a cada um em lugar de Cadeiras. O abrir da cortina toca ao Sumilher da semana, e ele sempre se procurará pôr de maneira que de dentro possa S. Majestade ver o púlpito, e a Tribuna da Rainha; e advirta-se que se os Duques quiserem estar dentro da cortina em pé o podem fazer.

XVII
Depois de ElRei estar na cortina, iria logo o Capelão-mor ao asperges os dias que o houver, e fazendo primeiro sua inclinação a ElRei lhe deitará água benta, e do mesmo lugar fazendo a mesma inclinação a deitará à Rainha, se estiver na cortina, e logo ao Príncipe, e logo aos Infantes, que quando lha deitarem, a virão receber um passo fora da Cadeira, e os filhos dos Infantes, a quem também a há-de deitar, a irão receber dois passos; e aos Infantes, e seus filhos não fará o Bispo inclinação; e se o Capelão-mor não for Bispo deitará água benta ao Prelado mais antigo, e fará as demais funções; e neste caso toca só ao Capelão-mor purificar o texto do Evangelho e instrumento da paz; e se se não achar na Capela o Capelão-mor, nem Prelado algum, toca o sobredito ao Deão.

XVIII
Começada a Missa irá o Capelão-mor dizer a Confissão, o Glória, e o Credo com S. Majestade dentro da cortina, e se ElRei houver de rezar o Ofício divino o rezará também com ele dentro da cortina, e em sua ausência o Deão da Capela. Tirará o mesmo Capelão-mor o Evangelho, e incenso, e o porta-paz, e uma e outra coisa limpará, o Sumilher da semana antes que S. Majestade o beije, e S. Majestade estará sentado, e o Capelão mor lhe fará sua inclinação, e logo fará o mesmo ao Príncipe, e se assentará um pouco; e ali irão os Infantes por suas idades beijar, fazendo à ida e à vinda mesuras a S. majestade, e a Suas Altezas, e a eles não fará o Capelão-mor inclinação. Se na cortina estiverem os Infantes filhos DelRei estarão em Cadeiras como seus Irmãos, e as filhas dos Infantes em Almofadas de Rãs, como se disse acima dos filhos.

(Continuação, II parte)

15/02/14

LIBERALISMO EM PORTUGAL - O MODELO DA CRISE

Qual o motivo pelo qual se tem falado tanto, no blogue ASCENDENS, a respeito da luta antiliberal em Portugal. Uns pensam, e sei que pensam, que este blogue anda a confundir causas, outros pensam que não entendi que a crise da Igreja é outra muito mais adiantada que a do antiliberalismo, outros pensam que este é um blogue dedicado ao absolutismo português e a curiosidades históricas e patrióticas! Não, senhores!

Caros leitores, escutai: Portugal é o último Reino católico a ter em operação a sua Monarquia tradicional, portanto, a ser governado com total legitimidade dentro de estruturas legítimas, dentro dos fundamentos da única Igreja fundada por Deus. Já o Sacro Império não era, e Portugal ainda tinha D. Miguel I no Trono governando. Este Rei, tal como seu pai D. João VI e seus antepassados, era Rei da "Monarquia Tradicional" à qual os liberais quiseram difamar e empregar-lhe o neologismo de absolutismo. O absolutismo, como está mais que provado, não é nenhum sistema, já a "monarquia liberal" implicou a mudança de sistema por imposição de princípios contrários às virtudes, costumes, e doutrina sempre fundamentais entre os portugueses necessariamente católicos. A propriedade é de Deus, é dada por Ele a governar segundo a sua Lei e para Si.

A última luta do liberalismo, da maçonaria, e de todo o mais tipo de porcarias, contra o "único regime próprio" dos filhos de Deus, totalmente católico, não se deu contra o Sacro Império, mas sim contra Portugal. Presumo ter havido um imprevisto na agenda programática de "alguém", que tinha simbolicamente deixado o Sacro Império para último... mas, Portugal, D. Miguel I, terá atrapalhado. De outra forma não se explica que D. Pedro I do Brasil tenha operado tão satanicamente contra Portugal, contra a Santa Igreja, sem verdadeira escravatura da sua alma, manipulada a todo o vapor.

Em Portugal o Liberalismo vinha armado de fora com toda a experiência acumulada, e a resistência católica que se lhe fez cá, a última (o último Reino visivelmente católico), ganhou uma dimensão especial, embora se tivesse visto sozinha relativamente aos outros Reinos já ocupados. Ainda nos valeu o Papa, o quanto pôde.

Como é possível que os católicos que hoje lutam por conservar a pureza da Fé, que lutam pela defesa da Doutrina imutável (fundamento e lei dos estados católicos), que lutam pela preservação do Rito Romano (rito dos ritos da Santa Igreja), que lutam pela não corrupção preservação do catolicismo, que dão exemplos ilustrados com a história da civilização católica não conheçam o Portugal!? Conhecem eles este caso derradeiro da luta das forças do mal contra o último Reino visivelmente católico!? O que se conhece de Portugal é aquilo que os inimigos da Cristandade, hoje vencedores, nos contaram ou deixaram passar. Como é possível que os tradicionais católicos hoje no Brasil, em maior parte, ainda sejam vítimas da desfiguração que a maçonaria e o liberalismo fizeram do seu passado e das suas raízes (poderá vicejar a planta com raízes curtas, em terreno de fantasias?... será inútil não ter orgulho nos bons feitos dos antepassados fazendo muito curto o mandamento de "honrar pai e mãe ..."!?)

Eis os dois motivos fundamentais pelos quais falo da luta de Portugal contra o Liberalismo: é um paradigma, é uma peça que falta por ter sido tão providencialmente ocultada, ou melhor, que Deus permitiu que o inimigo a ocultasse e que todos a fossem esquecendo!

Agora quero dar um exemplo de como em 1821 o liberalismo em confrontação com o que restava do "Reinado Social de Nosso Senhor" já tinha todas as bases que hoje os tradicionais católicos imputam aos "modernistas":

"Paulo - Parabéns, amigo Emílio: temos a liberdade de imprensa! Parabéns à nossa Pátria, que já vai subindo ao grau de excelência, e dignidade, em que se acham as Nações mais ilustradas. Já o raciocínio, e a língua condenados, ainda antes de ser criminosos, a perpétua homenagem no estreito espaço do aflitivo silêncio, podem estender-se livremente por toda a superfície do Globo, e romper as tenebrosas barreiras da estupidez, que circunda os singelos, e miserandos Povos.

Emílio - Digna, e gostosamente devemos congratular-nos. Quando se abrem prudentemente os Diques à liberdade de pensar, escrever, e falar, que abundosa torrente de benefícios se derrama sobre os corações humanos para os fertilizar, desfazendo em uns o gelado terror, que os cobria; refrigerando outros quase mirrados pelos raios do Despotismo abrasador! Quanto é cruel, e bárbaro exigir obediência às Leis, respeito às virtudes, negando-se o conhecimento da utilidade, e da suave precisão de observá-las; do uso dos Direitos naturais, da necessidade, e da pureza da Religião, e da autoridade suprema das Leis da Conservação, e do Bem público!

(...)

Paulo - (...) Os desejos, interesses, e o empenho de cada Cidadão devem gravitar com centripta tendência para a Filantropia, de que essencialmente procedem, e que é o foco natural do bem comum." (...) o Governo nem tolerava, nem perseguia expressamente a Maçonaria; e quando chegou a persegui-la severo, foi numa época infanda, em que esse facto confundido com outras produções da intriga, e da perfídia dos Conselheiros, que abusam da Régia Bondade, não serve para argumentar da inocência, ou da malícia da sociedade Maçónica.
(...)

Emílio - Quanto à origem da S. M :. [sociedade maçónica] são diversas as opiniões, que omito referir. O certo é que as Sociedades secretas foram precisas, e tiveram princípio logo quando o Despotismo, o vício, as paixões, e a força se concordaram para fazer guerra às virtudes; porque estão os amantes, e protectores destas, sendo perseguidos, se viram obrigados a formar uma reunião oculta, onde, exercitando-as, se consolassem, e socorressem. (...) É inquestionável, que somente à ignorância (porque dela somente procede) são preciosos o Despotismo, a Prepotência, a Tirania: ser sábio, e querer Déspota; ser virtuoso, e ser cruel são impossíveis morais. [isto é referência à monarquia tradicional a quem eles resolveram dar nome de "absolutismo" com a intenção de atrair má conotação geral].

Caros leitores, isto é uma pequeníssima mostra do que vos disse. Aquilo que aconteceu mais recentemente com a Igreja já tinha sido conseguido com os Reinos católicos. O modernismo, condenado por S. Pio X, não é mais que um liberalismo aplicado ao SER, portanto, totalitário. Portugal foi o último Reino a resistir por INTEIRO ao Liberalismo: tanto por parte dos Bispos (Clero), Rei (Nobreza), e o Povo. Uma luta que vinha de fora e já tinha agentes colocados dentro (em minoria). O que se sabe hoje da resistência do Reino de Portugal ao Liberalismo!? ...

Aqueles que tentam dissociar o liberalismo dos seus efeitos e "cultura", curiosamente são os mesmos que apontam o dedo ao "modernismo" apenas pelo seu aspecto mais exterior! Esta atitude, estranhamente, é por si modernista! O liberalismo e o modernismo, não podem ser separados dos seus efeitos, como se fossem coisas independentes. Uma sociedade forjada pelo liberalismo é estruturalmente liberal, e, por isso, o tradicional católico que aí nasça começará dessa base e ficará condicionado por essa circunstância até que a identifique e a repudie. Com o repúdio ficará numa ausência civilizacional e tenderá a procurar nas civilizações europeias modelos. Contudo, como não se orgulha nem conhece as suas gloriosas raízes católicas, ignorância infundida pela "civilização liberal", procurará em povos mais distantes, com os quais nada tem que ver, alguma referência que, como tal, será sempre artificial e interpretada artificialmente. O caminho mais próprio para a pessoa que se encontra nesta situação será o de recuperar as suas raízes civilizacionais mais próximas à medida que avança na Fé.

23/01/14

TESTAMENTO DE LUIS XVI, REI DE FRANÇA (áudio, escrita)


Este dia 21 de Janeiro, oram os 221 anos da morte de Luís XVI Rei de França.

(texto em francês, aqui)

Eis a leitura do comovente testamento:

22/01/14

21 de Janeiro - No AGIOLÓGIO LUSITANO

- "No mesmo dia, na Igreja Catedral do Porto, a festa do mesmo S. Vicente Mártir, a quem a dita cidade muitos anos reconheceu padroeiro; por gozar do rico depósito de um braço deste insigne Diácono, que o céu milagrosamente lhe quis dar; porque levando-o por mandado del Rei D. Afonso Henriques para a Sé de Braga, a mula em que ia, parou na dita Igreja do Porto, sem ninguém a poder fazer dar mais passo, nela, prostrada diante do altar maior, tanto que lhe tiraram o sagrado penhor, acabou subitamente. Não permitindo o céu, que servisse mais em profanos vasos, a que havia trazido sobre si as relíquias deste Santo Mártir."

- "Na cidade de Beja, o triunfo glorioso dos santos Mártires Vicente, e Orêncio, que inflamados no fogo do divino amor, desejosos de sacrificarem as vidas por Cristo, com grande fervor, e ousadia (sem serem buscados) espontaneamente se foram oferecer a Rufino, legado de Daciano. E porque em sua presença confessaram publicamente a Fé Católica, foram por seu mandado mortos, e coroados de martírio. A cujos santos corpos deu religiosa sepultura um santo Diácono por nome Vicente, que era bem na morte fizesse este pio ofício, que pouco antes na vida havia feito outro de caritativo, hospedando-os em sua casa. Mas como isto chegasse a notícia do cruel Rufino, o mandou degolar, no próprio lugar em que os santos haviam padecido; cujo sacrílego mandato, antes que os algozes o executassem, usaram com o Santo Diácono de estranha crueldade, que foi decepar-lhe ambas as mãos, em castigo de serem instrumento de tão santa obra. Sabendo o pai de Victor, do martírio de seu filho, temendo outro semelhante, fugiu à perseguição. O que entendido por sua mulher Aquilina com grande pressa foi em seu alcance, e com abrasado fervor, e eficácia o persuado que tornasse,e assim ambos firmes, e constantes em confirmação da Fé, que no Baptismo professaram, ofereceram as gargantas ao agudo fio da espada. Depois de largo tempo (por divina revelação) achadas suas relíquias pelo Bispo Paulino, levando-as num carro para Itália (pátria sua) tanto que chegaram à cidade de Ebruduno junto aos Alpes, por ministério de Anjos ou bois, que o guiavam ficaram imóveis, sem poderem dar passo, por mais que os picassem. Vendo o bom Prelado sucesso tão maravilhoso, e a disposição da divina vontade com decência, e veneração devida a tantos méritos, foram na mesma cidade depositados."


- "No sumptuoso mosteiro de Alcobaça, cabeça da família de S. Bernardo neste Reino, a deposição de S. Domingos Matriz, Abade daquela real casa, que depois de viver alguns anos na Ordem com religiosa conversação, grande reforma, e singular pureza de vida, sendo a seus companheiros vivo exemplar de virtudes, qualificadas com acções miraculosas, crescendo cada vez mais sua fama foi com geral beneplácito de todos os monges,promovido àquela insigne Abadia. Mas o santo varão, que estimava mais a quietação de sua cela, que todas as dignidades, temendo que esta lhe fosse causa de algum humano fausto, e altivez, não consentiu na eleição, até ser obrigado por obediência. Aceitando o cargo, celebrando-se Concílio em Compostela (em que se tratava da restauração da Terra Santa) convocado pelo Arcebispo D. F. Rodrigo Gonçalves, se achou nele (a causa que para isso teve ignoramos) onde porque o queriam obrigar, e a outros Eclesiásticos que contribuíssem para certos gastos que haviam de fazer os Procuradores, que o Concílio mandava a Roma ao sumo Pontífice, ele pugnou valorosamente pela isenção, e liberdade de sua Ordem. Vindo de lá, partiu logo para França a Capítulo geral, nele avançou licença para a erecção do convento de Odivelas, em cuja solenidade depois assistiu. E assim mesmo na de Almoster, benzendo o sítio, e sagrando a Igreja (como Abade que era) com grande autoridade. Em seu governo trasladou o corpo de S. D. Pedro Afonso (irmão del Rei D. Afonso Henriques) do claustro de Alcobaça para a capela maior da Igreja. Havendo finalmente governado esta Abadia santamente quase sete anos, desejando recolher-se, à renunciou no V. D. Pedro Nunes, cuja acertada eleição,foi como de tão prudente, e santo Prelado. Livre do cargo, e recolhido ao retiro da cela, viveu alguns mais, como verdadeiro religioso, continuando os actos da comunidade com admirável exemplo, e prerrogativa de milagres, os quais continuaram ainda depois de sua morte, a qual (sem dúvida) foi preciosa no divino conspecto, pois afirmam graves autores estar seu nome no catálogo dos Santos, e que se rezava dele antigamente na Igreja Eboracense em Inglaterra, enquanto aquele Reino dava obediência aos Vigários de Cristo."

30/12/13

ORDEM DE AVIS - OBRIGAÇÃO DE REZAR DOS CAVALEIROS (III)

(continuação da II parte)

 
Segue-se o Ofício Divino
que conforme as Regras propostas hão de rezar os
Comendadores e Cavaleiros da Ordem


MATINAS

Domine labiamea aperies: et os meum annunciabit laudem tuam.
Deus in adiutorum meum intende: Domine ad adiuvandum me festina.
Deus in adiutorum meum intende: Domine ad adiuvandum me festina.
Deus in adiutorum meum intende: Domine ad adiuvandum me festina.
Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto: Sicut erat in principio, et nunc, et semper, et in secula seculorum, Amen.

Kyrie eleison. Christe eleison. Kyrie eleison.

Pater Noster... (etc.)
Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto: Sicut erat in principio, et nunc, et sempre, et in secula seculorum, Amen. (se repetirá 20 vezes o Pater Noster [e sendo duples se repetirá 40 vezes], cada um com Gloria Patri.)

Per Dominum Nostrum Iesum Christum Filium tuum, qui tecum vivit et regnat in unitate Spiritus Santi, Deus, per omnia saeculla seculorum, Amen.

Domine exaudi orationem meam: et clamor meus ad te veniat. Benedicamus Domine: Deo Gratias.


LAUDES

Deus in adiutorum meum intende: Domine ad adiuvandum me festina.
Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto: Sicut erat in principio, et nunc, et semper, et in secula seculorum, Amen.

Kyrie eleison. Christe eleison. Kyrie eleison.

Pater Noster... (etc.)
Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto: Sicut erat in principio, et nunc, et sempre, et in secula seculorum, Amen. (se repetirá 10 vezes o Pater Noster, cada um com Gloria Patri.)

Per Dominum Nostrum Iesum Christum Filium tuum, qui tecum vivit et regnat in unitate Spiritus Santi, Deus, per omnia saeculla seculorum, Amen.

Domine exaudi orationem meam: et clamor meus ad te veniat. Benedicamus Domine: Deo Gratias.


PRIMA

Deus in adiutorum meum intende: Domine ad adiuvandum me festina.
Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto: Sicut erat in principio, et nunc, et semper, et in secula seculorum, Amen.

Kyrie eleison. Christe eleison. Kyrie eleison.

Pater Noster... (etc.)
Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto: Sicut erat in principio, et nunc, et sempre, et in secula seculorum, Amen. (se repetirá 5 vezes o Pater Noster, cada um com Gloria Patri.)

Per Dominum Nostrum Iesum Christum Filium tuum, qui tecum vivit et regnat in unitate Spiritus Santi, Deus, per omnia saeculla seculorum, Amen.

Domine exaudi orationem meam: et clamor meus ad te veniat. Benedicamus Domine: Deo Gratias.

 
TERÇA
(igual a Prima)


SEXTA
(igual a Prima)


NOA
(igual a Prima)


VÉSPERAS
(igual a Laudes)


COMPLETAS

Converte nos Deus salutaris Noster: et averte iram tuam a nobis.
Deus in adiutorum meum intende: Domine ad adiuvandum me festina.
Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto: Sicut erat in principio, et nunc, et semper, et in secula seculorum, Amen.

Kyrie eleison. Christe eleison. Kyrie eleison.

Pater Noster... (etc.)
Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto: Sicut erat in principio, et nunc, et sempre, et in secula seculorum, Amen. (no fim, comonas demais horas e se repetirá 5 vezes. E acabado o último Gloria Patri. Se remete a hora e o ofício dizendo:)

Per Dominum Nostrum Iesum Christum Filium tuum, qui tecum vivit et regnat in unitate Spiritus Santi, Deus, per omnia saeculla seculorum, Amen.

Domine exaudi orationem meam: et clamor meus ad te veniat. Benedicamus Domine: Deo Gratias.

- // -


De mais que comeste Ofício satisfazem os Cavaleiros com sua obrigação: se no fim dele rezarem cada dia o Salmo Miserer mei Deus, ou o de Profundis, ou em seu lugar um Pater Noster, e uma Avé Maria ficam cumpridos com os mais que tem de obrigação rezar por comutações de jejuns e de outras obrigações semelhantes. E quando assim o não caçam; com rezarem às segundas feiras de cada semana sete vezes o Pater Noster, e Avé maria, com Requiem aeternam dona eis Domine: et Lux perpetua luceat eis, no fim de cada uma das orações referidas: e as sextas feiras com Gloria Patri fiquam livres de todas as obrigações comutadas de qualquer qualidade que sejam.

E porque não haja descuido no cumprimento desta obrigação, que os Cavaleiros têm de rezar cada dia, ou na forma proposta, ou em outra qualquer das apontadas em suas simissórias. Ordenamos que contra quaisquer Cavaleiros, e Comendadores que deixarem de rezar cada dia como são obrigados, se possa proceder ante o Mestre em o seu tribunal das Ordens. E constando que não rezam e que são nisso remetidos, lhes darão as penas regulares convenientes à culpa. E sendo obstinados poderão ser privados de seus privilégios, e lançados da Ordem, se a obstinação for tal quão mereça.
 
E dado que o intento e tenção absoluta de nunca rezar as obrigações impostas pela Ordem, seja pecado mortal: com tudo o deixar de rezar setas obrigações cada dia o não é. O que declaramos para maior segurança das consciências dos professores desta Milícia. Aos quais lembramos ser culpa mui digna de castigo o não cumprirem com esta obrigação. E lhes encomendamos santificação com ela, pelo que devem a Deus e a seu estado.

(fonte: Regra da Cavalaria e Ordem Militar de S. Bento de Avis)

01/11/13

"DEFEZA DE PORTUGAL" (1831) - O MAÇONISMO (I b)

(continuação da  parte a)

Maçonismo

O Maçonismo [maçonaria] é um sistema de impiedade [ímpios] geral; ou um colossal agregado de todas as maldades, que reúne em si todas as depravações, todos os erros, todas as discórdias dos séculos passados; ele se parece àquela árvore que viu Plínio, na qual estavam enxertados dos frutos de todas as árvores; ou aquela estátua de Baco, como diz Ausónio, que tinha uma parte de todos os Deuses, a qual por isso chamaram Pantheon. Mas não se contentou o maçonismo em reunir todas as maldades, assim como quer; ele as reuniu em grau heroico,tomando as de maior quilate, e peso, e desprezando aquelas, que são de medíocre vulto, desprezando aquelas, direi mais claramente, que menos ofendem a sociedade: não quer o maçonismo, o que é meramente mau; ele ama, o que é altamente péssimo. As durezas do Judaísmo, as grosserias do maometismo,as discórdias do hereticismo, as porcarias do epicurismo, as barbaridades do ateísmo, os absurdos, e delitos do filosofismo, tudo o maçonismo chamou a si, e de tudo formou um monstruoso corpo, com o qual quer meter debaixo de si tudo o que Deus criou, tudo o que a Religião aperfeiçoou, tudo o que a sociedade conserva. Ele no seu maior grau envergonha-se de ser judeu, peja-se de ser maometano,aborrece-se de ser herege; somente lhe agrada ser porco com os epicúreos, ser bárbaro com os ateus, ser louco com os filósofos: para ele é o crer, seja no que for, uma baixeza da razão; ser pacífico uma humilhação da dignidade do homem; todavia ele afecta ser virtuoso, e olha para a virtude como para um crime; finge ser religioso, e na Religião vê um monstro; parece aborrecer a guerra, e somente odeia a paz; tolerante de todos os erros, só a verdade não tolera; indulgente com todos os crimes, só a virtude não perdoa: ele se fez um sistema de aquietar-se com todos os cultos, e a todos eles têm um ódio figadal. Esta definição, ou descrição do maçonismo parecerá a alguns, que nasce só da minha imaginação; pois que os mais experientes, e versados neste sistema das traficâncias da incredulidade sabem que ele agrega a si, alista, e adopta pessoas, não só de todos os países, mas de todos os cultos; e por isso se o ateísmo fosse o seu elemento, esta sociedade agrega de profissões, e de doutrinas tão diversas não poderia ter tanta permanência, e universalidade, nem se haveria ramificado tão longa, e largamente. Por isso mesmo, digo eu, esse sistema atura tanto tempo, e se tem estendido tão infinitamente: da mistura de pessoas, e da diversidade de cultos nasce a confusão, e da confusão o engano, enganando-se uns a outros, e todos a si mesmos, sem que saibam onde vão, ou por onde caminham, mas querendo cada um a sua causa, que é a liberdade absoluta, e completa de todas as paixões; e prometendo-lha assim, os que os dirigem, ou os que estão em alto grau, sem que esses mesmos tenham ânimo de lho cumprirem, nem possam; daí, dessa falta de cumprimento das promessas nasce entre eles tanta divergência, e discórdia, pelejando muitas vezes entre si, dividindo-se, e dando lugar ao seu desbarato, e ruína, o que mais de uma vez tem sucedido, e eu farei ver mais adiante.


Porém, agora, insta que, guardando alguma ordem nestas ideias avulsas, diga o modo, porque o maçonismo se formou, quais foram as suas vistas, ou tensões, se bem que ele cambiou de face sucessivamente; que instrumentos ele escolheu, quais os meios, que aproveitou, que é o que ele quer, e por que vias se encaminha ao seu fim. Eu falo aos povos, e duvido muito que me acreditem sobre a minha palavra, porque os sábios bebendo as suas ideias da sua fantasia, e não das mesmas coisas, se tem persuadido que o maçonismo é o mesmo Judaísmo, sendo assim que há muitos judeus alistados no maçonismo, mas também há muitos mais mações, que não são judeus, sendo muito piores que eles: Porém os mações de alto grau, digo, os mestres, chefes, ou directores do maçonismo, sabem que eu não minto, dizendo que eles não dão um real por um judeu, ainda que se aproveitam dos seus reais; dizendo outro sim que eles nada querem do turco, do apóstata, e do herege, senão os seus serviços; que eles nada pretendem dos cristãos de nome, senão que eles não pelejem pela Religião; que eles dos Povos só desejam empobrecê-los, e aniquilá-los, para que lhes não possam ser contrários. Se me perguntarem, por onde sei o que os mais não sabem? Não responderei como o Abade Barruel "porque sou apóstata do maçonismo", responderei sim que quiseram, quando ainda não contava quatro lustros, perverter-me, o que não conseguiram, graças a Deus, e à educação que me davam entre os monges Bentos, onde me alistei por minha livre vontade; e foi então que estudei a sua linguagem, sem aprender as duas ideias; e com a sua linguagem soube muitas vezes o que eles querem, o que eles projectam, e o porquê pelejam, que é: nada de Deus, nada de Rei. Mas então me dirá alguém: Que é o que eles querem? Respondo que este século o vai dizendo, e dirá, e que também o direi; mas, para não deixar os povos em jejum, digo em princípio que os mações de alto grau não querem culto algum, nem soberano, ou governo, ou sociedade, seja qual for a sua forma, ainda mesmo que republicana seja, que proteja o Culto. E querem agora os povos saber porque os mações não querem o Culto? Eu lhes o digo; porque os povos, que têm Culto, pois sem ele não podem existir os povos, dão assim cabo dos mações logo que os conheçam. Assim que, se o turco, se o judeu, se o herege, se o mau cristão se persuadissem desta verdade, a saber que os pérfidos mações não querem algum culto, eles mesmos se reuniriam com todos os que o queremos, e já o maçon não existiria. Mas entre os mações há alguns que querem o Culto, replicar-me-á alguém: eu o confesso, entre os mações de baixo grau, quero dizer entre os de 1º, 2º, 3º e 4º, porque os do 5º duvidam de todos os cultos; os de 6º toleram algum culto por necessidade, e os do 7º, que são os mestraços do maçonismo, sofrem, os que assim pensam, com raiva, e desespero: e esta discordância, divergência, e desunião entre eles é, o que me induz a persuadir-me, que eles a não levam avante, se é que não chegou o fim do mundo. Prova desta minha persuasão é que eles mil vezes, e por mil formas a têm tentado; e no melhor da festa a sua alegria se voltou em lágrimas; o decurso deste Semanário oferecerá os factos passados à recordação dos presentes,para que os vindouros tomem a lição, de que o passado é a regra do presente, e que o que uma vez aconteceu há-de acontecer mais; a saber, a impotência do maçonismo contra Deus, e contra o Rei [o Altar e o Trono..]. Isto acontecerá sempre em Portugal, enquanto adorarmos a Deus dos nossos pais, e avós, e enquanto amarmos, como devemos, o Rei, que peleja por Deus, e por nós; é a dizer, enquanto formos portugueses: nisto está toda a defesa de Portugal contra as agressões estranhas, e domésticas; em invocarmos os auxílio de Deus, que nunca faltou aos Portugueses, e em apelidarmos a voz d'ElRei, que entre portugueses cristãos só é, e pode ser o Muito Alto, o Muito Magnífico, o Muito Poderoso Senhor S. MIGUEL I a quem Deus enviou a estes Reinos, para Senhor, e pai deles, protector da Religião, Coluna da Igreja, terror dos inimigos, e admiração do Mundo.

Rebolosa 16 de Julho de 1831.

Alvito Buela Pereira de Miranda

23/10/13

PORTUGAL - Por Esse Mundo Fora ...



Um destaque para a última imagem do vídeo...

31/08/13

LIÇÃO XIII - DA VERDADE (I)


"É a verdade, segundo Aristóteles (lib. 2 Metb.) uma adequação da causa como entendimento; ou segundo Santo Tomás (2. 2. quaest. 110) uma parte da justiça, que ordena nossas acções a satisfazer as obrigações que temos à humana sociedade; ou segundo outros, uma qualidade essencial das coisas, que divinamente caiem sobre o ânimo, que de si mesma profere valor, aonde indefinidamente as forças do ânimo se propagam; ou segundo Epiménedes, é a que rege os Céus, alumia a terra, sustenta a justiça, governa a República, confirma o que é claro, aclara o que é duvidoso, e com ela todas as virtudes tem sua perfeição; ou segundo Chilo, uma homenagem, que nunca cai, um escudo, que se não passa, um tempo, que não se muda, uma frota que não perece; uma flor, que não se murcha, um mar, que não se altera, um porto donde nada periga; ou segundo Platão, um centro donde repousam todas as coisas, um norte por donde todo o mundo se governa, um antídoto com que todos se curam, uma sombra onde todos descansam, um terreiro donde todos tiram, um alvo donde poucos acertam; ou segundo Equines [Echines], uma força sem a qual a fortaleza é fraca, à prudência é malícia, a temperança é miséria, a justiça é sanguinolenta, a humildade é traidora, a paciência é fingida, a castidade é vã, a riqueza é perdida, a piedade é supérflua; ou segundo Anaxágoras, uma vida, que nunca morre, um electuário, que a todos fará, uma lua que nunca se eclipsa, uma porta que a nada se cerra, um caminho, que a ninguém cansa, É finalmente a verdade um dos maiores atributos de Deus, que disse por Zacarias no cap. 8 num. 8 falando com os moradores de Sião, e Jerusalém,que se a seus olhos lhe pareceram poucas as relíquias, que lhe ficavam, não seria difícil aos poderosos ajuntar outros do Oriente, e Ocidente, trazendo-os a habitar em meio de Jerusalém, constituíndo-se por Deus da verdade, e da justiça, que são os atributos, de que mais se preza nosso verdadeiro Deus; e por acreditar mais a verdade, disse Cristo de si mesmo, como refere S. João no cap. I 4 n.6: "Eu sou o caminho, a verdade, e a vida, e ninguém pode chegar aos olhos de meu Pai se não é por mim"; e o mesmo São João na Epístola I num, 6 querendo dar a conhecer a Cristo Senhor nosso, escolheu por melhor meio para conseguir o intento dizer: Cristo é a verdade. Não se contentou o Eterno Padre [Eterno Pai] com declarar-se por Deus da verdade em Sacarias, nem que o mesmo Filho se chamasse verdade, e que São João dissesse que Cristo e a verdade eram uma mesma coisa; mas também quis que o Espírito Santo, que procede de ambos, ficasse conhecido também por Deus da verdade; e assim mandou ao Filho, como escreveu S. João no c. 16 num. 3 dizendo aos Apóstolos com a ternura que lhe causava o falar em apartar-se deles para ir-se para o Pai, vendo seus corações afligidos, e dizendo-lhes grandes mistérios, rematou que tinha mais coisas que dizer-lhes, porém que não estavam capazes de entendê-las até que o Espírito da Verdade viesse a ensinar-lhes toda a verdade; e quase todo o Evangelho de S. João no cap. 4 está semeado de apoios da verdade; referindo o mistério da Encarnação, diz, que habitou com os homens o Filho de Deus, que verão sua gloria, que como filho Unigénito do Pai está cheio de graça, e de verdade, e David (Salmo 118 num, 142) chama verdade à lei de Deus; e o maior tesouro, que o professor dela pode ter, é a verdade, como ensina o Espírito Santo no cap. 23 dos Provérbios num 23. É a verdade em suma um licor suavíssimo, que se talvez deixa humilhar-se das águas da falsidade, torna a sair em no crespo de suas ondas mais resplandecentes: com a lei se descobriu a verdade, com o escreve Platão: Lex est veritas inventrix, porque com a falta desta se ia já perdendo o conhecimento dela no mundo, que com a lei, imitadora da verdade, segundo o mesmo Platão: Lex est veritatis imitatrix, a conserva no coração dos homens.

(continuação, II parte)

08/08/13

FORA DA IGREJA NÃO HÁ SALVAÇÃO (I)

Tem havido uma súbita preocupação com a fórmula "fora da Igreja não há salvação". Tinha surgido a necessidade de relembrar, ou ensinar, aos católicos esta doutrina. Mas agora, surge uma falsa reposta: a "interpretação" da fórmula, e apresentada como se estivesse em risco a fé dos católicos que têm usado esta fórmula tal como sempre foi usada!

Ontem vi que alguém difundiu a "interpretação" do Pe. Paulo Azevedo (Brasil). Resolvi então escutar este vídeo interpretativo deste sacerdote (é o segundo vídeo que faz deste tema, e o segundo substituiu o primeiro).

O Pe. Paulo não explicou mais do que complicou, por um único motivo: leva numa mão a formulação católica, e na outra os conteúdos da nova teologia... água e azeite! Não fez uma exposição breve e inteira com 3 frases, que depois tivesse aprofundado; confundiu o auditório que, certamente, não pôde juntar a "conclusão" à formulação.

 Desde a concepção de "Igreja" à omissão de designações fundamentais (tais como "baptismo de desejo" e "baptismo de sangue" como formas do mesmo baptismo), a "interpretação" de "rigorismo" seguida de um documento que refere o "rigorismo" real (não o da "interpretação" do Pe. Paulo), um uso difuso do "incorporar" .. etc, o Pe. Paulo, tranquilamente, com um tom de clareza, convenceu certamente muitos ouvintes.
 

Neste artigo não farei mais que compilar o que foi dito com maior autoridade que as "interpretações" do Pe. Paulo e da "nova teologia". Espero que isto ajude:

Séc. III
- São Cipriano: “Não há salvação fora da Igreja”.

Séc. IV
- Credo de Santo Atanásio: ”Todo aquele queira se salvar, antes de tudo é preciso que mantenha a fé católica; e aquele que não a guardar íntegra e inviolada, sem dúvida perecerá para sempre (…) esta é a fé católica e aquele que não crer fiel e firmemente, não poderá salvar-se”.

Séc. XII
- Papa Inocêncio III: “De coração cremos e com a boca confessamos uma só Igreja, que não de hereges, só a Santa, Romana, Católica e Apostólica, fora da qual cremos que ninguém se salva”.

Séc. XIII
- IV Concílio de Latrão [infalível], Cânon I: “…Existe apenas uma Igreja universal dos fiéis, fora da qual absolutamente ninguém é salvo…”. Cânon III: “Nós excomungamos e anatematizamos toda a heresia erguida contra a santa, ortodoxa e Católica fé sobre a qual nós, acima, explanamos…”.
- Papa Bonifácio VIII: “Por apego da fé, estamos obrigados a crer e manter que há uma só e Santa Igreja Católica e a mesma apostólica e nós firmemente cremos e simplesmente a confessamos e fora dela não há salvação nem perdão dos pecados (…) Romano Pontífice, o declaramos, o decidimos, definimos e pronunciamos como de toda necessidade de salvação para toda criatura humana".

Séc. XV
- Concílio de Florença: “Firmemente crê, professa e predica que ninguém que não esteja dentro da Igreja Católica, não somente os pagãos, mas também, judeus, os hereges e os cismáticos, não poderão participar da vida eterna e irão para o fogo eterno que está preparado para o diabo e seus anjos, a não ser que antes de sua morte se unirem a Ela(…)".

Séc. XVI
- O Concílio de Trento [infalível]: “… nossa fé católica, sem a qual é impossível agradar a Deus…” [Condenou também os protestantes].

- Papa Pio IV: “… Esta verdadeira fé católica, fora da qual ninguém pode salvar-se…” (Profissão de fé da Bula “Iniunctum nobis” de 1564)

Séc. XVIII
- Papa Benedito IV (1740-1758): “Esta fé da Igreja Católica, fora da qual ninguém pode se salvar…”.

Séc. XIX
- Papa Gregório XVI - Mirari Vos: “Outra causa que tem acarretado muitos dos males que afligem a Igreja é o indiferentismo, ou seja, aquela perversa teoria espalhada por toda a parte, graças aos enganos dos ímpios e que ensina poder-se conseguir a vida eterna em qualquer religião, contanto que se amolde à norma do recto e honesto. Podeis com facilidade, patentear à vossa grei esse erro tão execrável, dizendo o Apóstolo que há um só Deus, uma só fé e um só baptismo (Ef. 4,5): entendam, portanto os que pensam poder-se ir de todas as partes ao Porto da Salvação que, segundo a sentença do Salvador, eles estão contra Cristo, já que não estão com Cristo (Luc. 11,23) e os que não colhem com Cristo dispersam miseravelmente, pelo que perecerão infalivelmente os que não tiverem a fé católica e não a guardarem íntegra e sem mancha (Simb. Sancti Athanasii).(…) Desta fonte lodosa do indiferentismo promana aquela sentença absurda e errónea, melhor digo "disparate", que afirma e que defende a liberdade de consciência. Esse erro corrupto que abre alas, escudado na imoderada liberdade de opiniões que, para confusão das coisas sagradas e civis, se estende por toda parte, chegando a imprudência de alguém asseverar que dela resulta grande proveito para a causa da religião. Que morte pior há para a alma do que a liberdade do erro?, dizia Santo Agostinho (Ep. 166)”.

- Papa Pio IX - Syllabus (teses condenadas):
15ª “É livre a qualquer um abraçar o professar aquela religião que ele, guiado pela luz da razão, julgar verdadeira”.
16ª “No culto de qualquer religião podem os homens achar o caminho da salvação e alcançar a mesma eterna salvação”.
17ª “Pelo menos deve-se esperar bem da salvação eterna daqueles todos que não vivem na verdadeira Igreja de Cristo”.
18ª “O protestantismo não é senão outra forma da verdadeira religião cristã na qual se pode agradar a Deus do mesmo modo que na Igreja Católica”.
21ª “A Igreja não tem poder para definir dogmaticamente que a religião da Igreja Católica é a única religião verdadeira”.

- Pio IX: “(…) não temem fomentar a opinião desastrosa para a Igreja Católica e a salvação das almas, denominada por Nosso Predecessor, de feliz memória, de "loucura" (Encíclica "Mirari Vos") de que a liberdade de consciência e de cultos é direito próprio e inalienável do indivíduo que há de proclamar-se nas leis e estabelecer-se em todas as sociedades constituídas; (…) Portanto, todas e cada uma das opiniões e perversas doutrinas explicitamente especificadas neste documento, por Nossa autoridade apostólica, reprovamos, proscrevemos e condenamos; queremos e mandamos que os filhos da Igreja as tenham, todas, por reprovadas, proscritas e totalmente condenadas”. (Encíclica"Quanta Cura")

Séc. XX
Papa Pio XI - Encíclica "Mortalium Animus": ” Os esforços [do falso ecumenismo] não tem nenhum direito à aprovação dos católicos porque eles apoiam-se sobre esta opinião errónea de que todas as religiões são mais louváveis naquilo que revelam, e traduzem todas igualmente, se bem que de uma maneira diferente, o sentimento natural e inato que nos leva para Deus e inclina-nos ao respeito diante de seu poder(…) Os infelizes infestados por esses erros sustentam que a verdade dogmática não é absoluta, mas relativa, e deve pois, adaptar-se às várias exigências dos tempos e lugares às diversas necessidades das almas”.(…) “Os artesãos dessas empresas não cessam de citar ao infinito a Palavra de Cristo: "Que todos sejam um. Haverá um só rebanho e um só pastor"( Jo XVII,21; X,16), e eles repetem este texto como um desejo e um voto de Cristo que ainda não teria sido realizado. Eles pensam que a unidade da fé e de governo, característica da verdadeira e única Igreja de Cristo, quase nunca existiu no passado e que não existe hoje… Eles afirmam que todas (as igrejas) gozam dos mesmos direitos; que a Igreja só foi Una e Única, no máximo da época apostólica até os primeiros Concílios Ecuménicos(…). Tal é a situação. É claro, portanto, que a Sé Apostólica não pode por nenhum preço tomar parte nos seus congressos, e que não é permitido, por nenhum preço, aos católicos aderir a semelhantes empreendimentos ou contribuir para eles; se eles o fizerem dariam autoridade a uma falsa religião cristã completamente estranha à única Igreja de Cristo”.

-Papa S. Pio X - Catecismo da Doutrina Cristã ("Catecismo de S. Pio X"):
149- Que é a Igreja Católica?
R: A Igreja Católica é a sociedade ou reunião de todas as pessoas baptizadas que, vivendo na terra, professam a mesma fé e a mesma lei de Cristo, participam dos mesmos sacramentos, e obedecem aos legítimos Pastores, principalmente ao Romano Pontífice.


153- Então não pertencem à Igreja de Jesus Cristo as sociedades de pessoas baptizadas que não reconhecem o Romano Pontífice por seu chefe?
R: Todos os que não reconhecem o Romano Pontífice por seu chefe , não pertencem à Igreja de Jesus Cristo.


156- Não poderia haver mais de uma Igreja?
R: Não pode haver mais de uma Igreja, porque, assim com há um só Deus, uma só fé e um só Baptismo, assim também não há nem pode haver senão uma só Igreja verdadeira.


168- Pode alguém salvar-se fora da Igreja Católica, Apostólica, Romana?
R: Não. Fora da Igreja Católica, Apostólica, Romana, ninguém pode salvar-se, como ninguém pôde salvar-se do dilúvio fora da arca de Noé, que era figura desta Igreja.


- Papa S. Pio X - Encíclica "Pascendi Dominici Gregis" (condenaçãodo modernismo): “Toda religião, não exceptuada sequer a dos idólatras, deve ser tida por verdadeira [dizem](…). E os modernistas de fato não negam, ao contrário, concedem, uns confusa, e outros manifestamente, que todas as religiões são verdadeiras(…). Quando muito, no conflito entre as diversas religiões, os modernistas poderão sustentar que a Católica tem mais verdade, porque é mais viva e merece mais o título de Cristã, porque mais completamente corresponde o título de Cristã, porque mais completamente corresponde às origens do cristianismo”.

06/08/13

HOSPITAL CATÓLICO EM JERUSALÉM - DESCOBERTAS

(Fonte: Ciência e Saúde) "Arqueólogos israelitas descobriram na Cidade Velha de Jerusalém uma estrutura de grandes dimensões que pertencia a um hospital do período das Cruzadas, há cerca de mil anos.

O local era muito movimentado e abrigava até 2 mil pacientes em situações de emergência, segundo um comunicado divulgado nesta segunda-feira (5) pela Autoridade de Antiguidades de Israel (AAI), que fez as escavações e encontrou uma galeria de arcos, de até 6 metros de altura, do período de 1099 d.C (chegada dos cruzados às muralhas de Jerusalém) até 1291 d.C.


O edifício é de propriedade do Waqf, autoridade de bens inalienáveis islâmicos, e está situado no coração do bairro cristão da Cidade Velha de Jerusalém, em uma área conhecida como Muristan. Há cerca de dez anos, o lugar era ocupado por um movimentado mercado de frutas e verduras, mas desde então está em desuso.

De acordo com a pesquisa, a estrutura descoberta é apenas uma pequena parte do que foi um grande hospital, que parece abranger uma área que compreende 15 mil metros quadrados.

A arquitectura do prédio é caracterizada por vários pilares e abóbadas de mais de 6m de altura, o que sugere que esse foi um amplo lugar, composto por pilares, quartos e pequenas salas.

Os coordenadores da escavação, Renee Forestany e Amit Reem, também pesquisaram documentos da época para conhecer a história do centro ambulatório.


"Aprendemos sobre o hospital por documentos históricos contemporâneos, a maior parte em latim", contam. Eles ainda explicam que os textos mencionam a existência de um sofisticado hospital construído por uma ordem militar cristã chamada "Ordem de San Juan do Hospital em Jerusalém". Seus integrantes prometiam cuidar e atender peregrinos na Terra Santa, e, quando necessário, somar-se aos combatentes cruzados como "unidade de elite".

Assim como nos modernos hospitais, o edifício estava dividido em diferentes asas e departamentos, segundo a natureza das doenças e a condição dos pacientes. Os integrantes da ordem atendiam homens e mulheres de diferentes religiões e também acolhiam recém-nascidos abandonados em Israel. Os órfãos eram atendidos com grande dedicação e, quando adultos, passavam a integrar a ordem militar, segundo o comunicado.

A AAI destaca, no entanto, que os cruzados eram ignorantes em relação à medicina e à higiene, e como exemplo cita um depoimento da época relatando que um médico amputou a perna de um cavaleiro por uma pequena ferida infectada, levando o paciente à morte.

Grande parte do edifício desmoronou durante um terremoto em 1457 d.C., e suas ruínas ficaram sepultadas até o período do Império Otomano (1299-1922 d.C.). Na Idade Média, parte da estrutura foi usada como estábulo, onde foram encontrados ossos de cavalos e camelos."

19/07/13

ORAÇÃO POR PORTUGAL

Anda difundida pela internet esta oração:



ORAÇÃO POR PORTUGAL

Senhor Pai santo, confiamos o nosso Portugal à vossa misericórdia e protecção. Vós sois a rocha sobre a qual a nossa nação se fundou. Só Vós sois a fonte da verdade e do amor. Reclamai esta terra para a vossa glória e habitai no meio do vosso povo. Enviai o vosso Espírito e tocai os corações dos líderes da nossa nação. Abri os seus corações ao grande valor da vida humana e às responsabilidades que acompanham a liberdade humana. Relembrai o vosso povo que a verdadeira felicidade está enraizada na procura e no cumprimento da vossa vontade. Por intercessão de Maria Imaculada, Padroeira da nossa terra, concedei-nos a coragem de levar o Evangelho do vosso Filho Jesus a todos aqueles com quem convivemos e de o testemunhar com uma vida santa. Por Cristo Nosso Senhor. Ámen.

17/07/13

DO "NOVO MANUAL DO CATEQUISTA" (VII)


(da primeira parte)

VI CAPÍTULO
Igreja Católica - Comunicação dos Santos.

Creio... na santa Igreja, na comunicação dos Santos.
 
105. Que é a Igreja?
R: Igreja é a sociedade dos verdadeiros cristãos, isto é, dos baptizados, que professam a fé e a doutrina de Jesus Cristo, participam dos seus sacramentos e obedecem aos Pastores constituídos por Ele.

106. Por quem foi fundada a Igreja?
R: A Igreja foi fundada por Jesus Cristo, o qual congregou os seus fiéis numa sociedade, a sujeitou aos Apóstolos com S. Pedro por cabeça, e lhe deu o sacrifício, os sacramentos e o Espírito Santo que a vivifica.

107. Qual é a Igreja de Jesus Cristo?
R: A Igreja de Jesus Cristo é a Igreja Católica Romana, porque é una, santa, católica e apostólica, como Ele a quis.

108. Porque é que a Igreja é una?
R: A Igreja é una porque todos os seus membros tiveram, têm e hão de ter sempre uma única fé, o Sacrifício, os sacramentos e a cabeça visível, o Romano Pontífice, sucessor de S. Pedro, formando assim todos um só corpo, o corpo místico de Jesus Cristo.

109. Porque é que a Igreja é santa?
R: A Igreja é santa, porque são santos Jesus, sua cabeça invisível, e o Espírito Santo que a vivifica; porque nela são santos a doutrina, o Sacrifício e os sacramentos, e todos são chamados a santificar-se; e porque muitos foram, são e serão realmente santos.

110. Porque é que a Igreja é católica?
R: A Igreja é católica, isto é, universal, porque é instituída e adaptada para todos os homens e difundida por toda a terra.

111. Porque é que a Igreja é apostólica?
R: A Igreja é apostólica, porque foi fundada sobre os Apóstolos e sobre a sua pregação, e governada pelos seus sucessores, os Pastores Legítimos, os quais, sem interrupção e sem alteração, continuam a transmitir a doutrina e o poder dos mesmos apóstolos.

112. Quem são os legítimos Pastores da Igreja?
R: Os legítimos pastores da Igreja são o Papa ou Sumo Pontífice e os Bispos em união com ele.

113. Quem é o Papa?
R: O Papa é o sucessor de S. Pedro na sé de Roma e no primado, a saber no apostolado e episcopado universal; portanto o chefe visível, Vigário de Jesus Cristo, chefe invisível de toda a Igreja, a qual por isso se chama Católica-Romana.
Para os "primeiros elementos da doutrina cristã", a resposta é esta: O Papa é o sucessor de S. pedro; e portanto o chefe visível de toda a Igreja, Vigário de Jesus Cristo, chefe invisível.

114. O Papa e os Bispos em união com ele que coisa constituem?
R: O Papa e os Bispos em união com ele constituem a Igreja docente, chamada assim porque tem de Jesus Cristo a missão de ensinar as verdades e as leis divinas a todos os homens, os quais só dela recebem o conhecimento pleno e seguro que é necessário para viver cristãmente.

115. A Igreja docente pode errar ao ensinar-nos as verdades reveladas por Deus?
R: A Igreja docente não pode errar ao ensinar-nos as verdades reveladas por Deus, ela é infalível, porque como prometeu Jesus Cristo, "o espírito de verdade" a assiste continuamente. (S. Lucas, 1, 28).

116. O Papa, só por si, pode errar ao ensinar-nos as verdades reveladas por Deus?
R: O Papa, só por si, não pode errar ao ensinar-nos as verdades reveladas por Deus, quer dizer, é infalível, como a Igreja, quando, como Pastor e Mestre de todos os cristãos, define doutrinas a respeito da Fé e dos costumes.

117. Pode outra Igreja, fora a Católica-Romana, ser a Igreja de Jesus Cristo, ou ao menos parte dela?
R: Nenhuma Igreja, fora da Católica-Romana, pode ser Igreja de Jesus Cristo ou parte dela, porque não pode ter juntamente com aquela as qualidades distintivas singulares, una, santa, católica e apostólica; como de facto as não tem nenhuma das outras Igrejas que se dizem cristãs.

118. Para que é que jesus Cristo instituiu a Igreja?
R: Jesus Cristo instituiu a Igreja para que os homens encontrassem nela o guia seguro e os meios de santidade e de salvação eterna.

119. Quais são os meios de santidade e de salvação eterna que se encontram na Igreja?
R: Os meios de santidade e de salvação eterna que se encontram na Igreja são a verdadeira fé, o Sacrifício [missa] e os sacramentos, e os auxílios espirituais recíprocos, como a oração, o conselho, o exemplo.

120. Os meios de santidade e de salvação eterna são comuns a todos os homens?
R: Os meios de santidade e de salvação eterna são comuns a todos os homens que pertencem à Igreja, isto é, aos fiéis, os quais nos escritos apostólicos são chamados santos; por isso a união e participação deles nestes meios é comunicação dos santos em coisas santas.

121. Porque é que são chamados santos os fiéis que se encontram na Igreja?
R: Os fiéis que se encontram na Igreja são chamados santos, porque são consagrados a Deus, justificados ou santificados pelos sacramentos e obrigados a viver como santos.

122. Que quer dizer comunicação dos santos?
R: Comunicação dos santos quer dizer que todos os fiéis, formando um só corpo em Jesus Cristo, participam de todo o bem que existe e se faz no mesmo corpo, quer dizer na Igreja universal, uma vez que não sejam impedidos pelo afecto ao pecado.

123. Os bem-aventuradosdo paraíso e as almas do purgatório estão na comunicação dos santos?
R: Os bem-aventurados do paraíso e as almas do purgatório estão também na comunicação dos santos, porque, unidos entre si e comnosco pela caridade, recebem uns as nossas orações e outros os nossos sufrágios, e todos nos retribuem com a sua intercessão junto de Deus.

124. Quem é que está fora da comunicação dos santos?
R: Está fora da comunicação dos santos aquele que está fora da Igreja, isto é, os condenados, os infiéis, os judeus, os hereges, os apóstatas, os cismáticos e os excomungados.

125. Quem são os infiéis?
R: Os infiéis são os não baptizados que não crêem no Salvador prometido, isto é, no Messias ou Cristo, como os idólatras e os maometanos.

126. Quem são os judeus?
R: Os judeus são os baptizados que professam a lei de Moisés e não crêem que Jesus é o Messias ou Cristo prometido.

127. Quem são os hereges?
R: Os hereges são os baptizados que se obstinam em não crer alguma verdade revelada por Deus e ensinada pela Igreja, como, por exemplo, os protestantes.

128. Quem são os apóstatas?
R: Os apóstatas são os baptizados que renegam, com acto externo, a fé católica, que dantes professavam.

129. Quem são os cismáticos?
R: Os cismáticos são os baptizados que recusam obstinadamente submeter-se aos legítimos Pastores, e por isso estão separados da Igreja, ainda mesmo que não neguem verdade alguma de fé.

130. Quem são os excomungados?
R: Os excomungados são os baptizados excluídos por culpas gravíssimas da comunhão da Igreja, a fim de não perverterem os outros e de serem punidos e corrigidos com este remédio externo.

131. É dano grave estar fora da Igreja?
R: Estar fora da Igreja é dano gravíssimo, porque estando fora dela não se tem nem os meios estabelecidos nem a guia segura para a salvação eterna, a qual para o homem é a única coisa verdadeiramente necessária. 

132. Quem está fora da Igreja salva-se?
R: Quem está fora da Igreja por culpa própria e morre sem dor perfeita, não se salva; mas quem se encontrar fora dela sem culpa própria e viver bem pode salvar-se com o amor de caridade, que une Deus, e, em espírito, também à Igreja, isto é, à alma dela.

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