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12/07/18

"ONDE ESTAVAS EM 2009?"


É por vezes impossível transmitir mensagens sem pisar o que não queremos, ou não podemos. Para evitar isso, a esmagadora maioria dos leitores terá de perdoar-nos este artigo, que é escrito só para alguns entenderem. Finuras da comunicação.


Diálogo Imaginado Entre Duas Pessoas Não Existentes

Pablo - Onde estava ele em 2009?

João - Estava na Argentina, em La Reja.

Pablo - Pois, é verdade. Agora lembro-me. Ele estava em 2009. Foi o ano em que Mons. De Galarreta foi para o Seminário de La Reja. Portanto, devem ter chegado os dois no mesmo mês.

João - Era então Superior do Distrito da América do Sul o Pe. Bouchacurt. Lembras?

Pablo - Sim, claro. Morava cá na Argentina.

João - Nesse tempo era também seminarista em La Reja o Pe. José Maria Jiménez, que agora é auxiliar em Portugal do Pe. Samuel Bon, embora raramente ande por cá.

Pablo - Sim. E o Pe. Samuel também por essas alturas estava na Argentina. Foi Prior em Mendoza.

João - Curioso…

11/07/18

FSSPX ELEGE REITOR DO SEMINÁRIO DE LA REJA SUPERIOR GERAL


Há momentos, a FSSPX elegeu o seu novo Superior Geral ao Pe. David Pagliarani, Reitor do Seminário de La Reja. (fonte)


16/04/18

REPOSIÇÃO DA VERDADE - A CLERESIA EM PORTUGAL; A UNS E A OUTROS!

Num mesmo artigo, eis dois assuntos com temas associados merecedores de futura explanação (assim seja).

Foi-nos mostrada uma publicação do Senhor Padre Samuel Bon (FSSPX-Portugal Facebook) a respeito de Bispos portugueses no assunto dos "recasados", junto com um comentário que este Sacerdote fez ao "dogma da Fé" e Portugal. Como os assuntos nos importam, pois são da nossa alçada, e como neste sentido tínhamos até material preparado (ainda não publicado), é agora nossa obrigação oferecer ao público a informação em falta, e tão pertinente.

I
Fora do Magistério Ordinário há Papa ou Bispo que mande ou ensine?

A quem tenta colocar mais verdade e mais bom senso onde os haja em falta, não devemos taxar de intrometido. Pelo contrário, é dever católico dar sinal, queixa, advertência até, sugestão, quanto mais de importância e urgência é o caso, e lugar; e não haja melindres do outro lado com estas iniciativas que, a bem ver, devem ser agradecidas até, e encorajadas.

Perante o Estado de Necessidade, parte dos católicos mais avisados tem reconhecido que o Magistério pós-conciliar não pode ser tomado à margem do contexto anómalo, por isso o deixam em suspenso. Enquanto isto, outros dizem que estão suspensas ad tempus as próprias Autoridades eclesiásticas.

É normal que, os primeiros (para efeitos de agilidade do discurso chamaremos agora "contextualistas") ao receberem lamentáveis novidades emitidas pelos Bispos situem-nas dentro do mesmo desenvolvimento anómalo, não confundindo-as nem misturando com aquilo que sempre foi ordinário na Igreja milenar. Já os "autoritaristas" (chamemos agora aos segundos), mesmo acreditando que tais autoridades estão suspensas, agitam-se bastante perante as novas directrizes vindas das mesmas autoridades que "suspenderam".

Ora, sendo o nosso entendimento "contextualista" é normal que não andemos colados às novelas daquele magistério e disposições da nova "tradição anómala" (pós-conciliar), e que tais lamentáveis novidades pouco mais nos sirvam que de termómetro da crise.

O que dizer da recente decisão de maior parte dos Bispos portugueses, a respeito dos "recasórios"? O mesmo que para outros casos anteriores, e outros que virão: enquanto não entenderem que o Concílio Vaticano II não é regra de interpretação, e que a Fé está claramente expressa por aquilo que a Igreja sempre ensinou com a mesma interpretação que sempre foi ... não poderão sair das amarras, não poderão sair do contexto anómalo em que vivem, consideram, e operam.

Certamente, os blogs que usam os amigos do ASCENDENS estão em conformidade com aquilo que é acreditado, ferramentas simples de partilha das coisas que cada autor ache conveniente. Quanto a este caso dos Bispos e dos "recasados", da parte do responsável do blog ASCENDENS, por exemplo, em cooperação com leitores que aqui não são muito antigos, foram e estão a ser feitos esforços para ajudar Bispos a olhar, ou recordar a doutrina milenar no seu cerne, quanto a estas questões, e  encorajar. Infelizmente, temos falta das ferramentas dos autoritaristas, os quais se colocam à partida fora e inexplicavelmente "alérgicos" a estes esforços!

Nos nossos blogues um outro motivo da ausência da repetição do criticismo autoritarista, é o de não adiantar estarmos todos a difundir o que todos estão a difundir ao mesmo tempo; e como não estamos assim tão dento das "novelas", damos vez a quem as segue e mais talento tenha para notícias.

II
Nem hereges, nem imorais, nem cismáticos. Sim, guardemos o Dogma da Fé

O Senhor Pe. Samuel Bom publicou na página da FSSPX, no Facebook (FSSPX-Portugal), uma notícia do Expresso ("Bispos do centro defendem integração de recasados "em pleno direito"") juntando o seguinte introito:  "Em Portugal, conservar-se-á o dogma da Fé... apenas nas capelas da FSSPX" (12-03-2018, 06:16h).


É normal que cada qual queira colocar louros ao seu partido, e ver reconhecido o esforço pessoal. Mas, não tendo havido qualquer declaração oficiosa da FSSPX, ou que D. Marcel Lefebvre tivesse dito, resta desdramatizar as declarações do Senhor Padre sobre os portugueses. A respeito da interpretação daquelas palavras de Nossa Senhora do Rosário de Fátima (13 de Julho de 1917) a FSSPX sempre manteve a linha, realidade confirmada pelas inúmeras publicações, palestras, acções patrocinadas directamente da alta cúpula da Instituição, durante décadas: Nossa Senhora anunciou que em outros países católicos desaparecerá completamente o Dogma da Fé, mas que em Portugal sempre ele será conservado. Transcrevemos então uma publicação difundida em várias línguas pela FSSPX, e vendida nas livrarias da mesma instituição; o autor é o Pe. Fabrice Delestre, então Prior da FSSPX em Portugal, era o ano 2000, dia 18 de Julho:

"(...), duas frases da maior importância: "Em Portugal se conservará sempre o dogma da Fé, etc.. Isto não o digais a ninguém. A Francisco, sim, podeis dizer-lho." (cf. "Memórias de Lúcia", op. cit., pág. 172-173).
Estas duas frases transmitidas pela Irmã Lúcia são capitais e dão-nos a chave do conteúdo principal e da natureza do terceiro segredo.
1º) Lúcia faz-nos primeiro conhecer a primeira frase da terceira parte do segredo: "Em Portugal se conservará sempre o dogma da fé, etc.". Ora bem, um dia de 1943, falando desta mesma frase, disse ela ao Bispo de Leiria, que não era absolutamente necessário que redigisse o texto do terceiro segredo, "já que, de certo modo, o tinha dito" (cf. Padre Alonso: "Lá verdade sobre el secreto de Fátima" Madrid 1974, p. 64). Esta frase dá-nos, efectivamente a chave que nos permite descobrir o conteúdo principal da terceira parte do segredo:
- Ela refere-se a um tema espiritual, sobrenatural, que se relaciona com a fé, algo muito diferente dos castigos temporais e materiais anunciados na segunda parte do segredo, que haveriam de chegar caso o mundo católico não se submetesse aos pedidos formulados por Nossa Senhora: a comunhão reparadora dos primeiros sábados do mês [ver aqui artigo importante] e o acto de reparação e consagração da Rússia ao seu Coração Imaculado.
- No âmbito geral do segredo do 13 de Julho de 1917, que tem de ponta a ponta alcance mundial (a palavra "mundo" aparece quatro vezes nas vinte e duas linhas manuscritas da segunda parte do segredo), Portugal não pode ser mencionado nesta frase mais que por uma excepção, contrastando com a situação geral da fé católica no resto do mundo [geral da fé, no resto do mundo...], noutras partes da Igreja. O que se anuncia na terceira parte do segredo é uma perca da verdadeira fé em grande escala." [sublinhado e o blod não são nossos]

A FSSPX está hoje espalhada por todo o mundo (estabelecida em 37 países, dando assistência regular em mais 35; 167 priorados mais 772 oratórios/capelas [dados oficiais - La Porte Latine]).

Nossa Senhora de Fátima asseguravam que em muitos outros países o dogma da Fé se extinguiria (incluindo países onde a FSSPX se encontra); esta mesma conclusão também coincide com outras entidades reconhecidas na matéria, como a Cruzada de Fátima e o falecido Pe. Nicholas Gruner [a quem as cerimónias fúnebres foram feitas pelo Superior Geral da FSSPX, em 2015].

Posto isto, se dermos crédito à opinião pós-2017 "Em Portugal, conservar-se-á o dogma da Fé... apenas nas capelas da FSSPX", seremos forçados também a concluir que em boa parte das capelas da FSSPX fora de Portugal o dogma da fé não se manterá, ou não se mantém! Como não apoiamos, nem por razão podemos apoiar aquela opinião, não nos compete o desembaraço da conclusão a que ela obriga. 

(01-02-2018, 09:59h)
Por outro lado, a afirmação de que o dogma da Fé apenas se mantem em Portugal nas capelas da FSSPX, é uma afirmação estranha, visto que é inacessível a qualquer mortal sondar todos os corações, de velhos e novos, de citadinos e aldeães, de civis e religiosos, de eremitas e gente recolhida, de gente muito social... a não ser que tal informação tenha vindo de fonte sobrenatural (veremos que também não é possível, neste caso). Fora disto, a forma de alguém em consciência achar que tal coisa é assim, é  crer que fora da FSSPX não é possível a Fé, nem a conversão (e se for este o caso, o qual nunca vimos explicitado, que venha à luz).

Por fim, podemos assegurar que fora das capelas da FSSPX existe Fé em Portugal, e podemos assegurar que nelas a Fé também existe.

Com algum receio publicamos este artigo, e pedimos a quem se achar discorde pela razão se manifeste aqui. Aceitamos a conversação destes temas apenas no nível que lhes pertence: desapaixonadamente, academicamente, e partindo da recta intenção do oponente. Este é um artigo de certa urgência, que não conseguimos contornar nem achar-lhe melhor alternativa. Esperamos não irritar, não queremos irritar nem causar inimizades; continuamos de portas abertas a todos os que vierem por bem.

Pelas Cinco Chagas de Nosso Senhor,
a equipe ASCENDENS

04/11/17

"LEVEBVRIANOS" E OUTRAS ACTUALIDADES EM PORTUGAL 2017

Com a aproximação deste findar de 2017 resta-nos dar já notícias conjuntas de alguns acontecimentos significativos em Portugal. Eis que se tem notado uma corrida de grupos tradicionalistas e conservadores etc. a Portugal, este ano (principalmente na segunda metade que ainda não findou). 


FSSPX - (19 e 20 de Agosto)


A Fraternidade Sacerdotal S. Pio X deslocou-se a Portugal, em peregrinação ao nosso Santuário de Fátima, à qual se foram juntando católicos das várias partes do mundo (ao todo 10 mil). O Superior Geral Mons. Bernard Fellay celebrou Missa Solene, assistindo nela os outros dois Bispos da instituição, os quais todos se juntaram no final para renovar a simbólica consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria, feita pelo Arcebispo D. Marcel Lefebvre, 30 anos antes (com a manifestação de esperança de que, um dia, o Vigário de Cristo a faça finalmente como Nossa Senhora a pediu). Ainda que sem demora, o sermão sublinhou com especial força a relação entre a necessidade da salvação e a devoção dos 5 Primeiros Sábados (todas as matérias, aqui). Ainda que por motivos meramente logísticos tudo tivesse ocorrido no espaço do parque 14, o que não é raro em outros eventos oficiosos, nada ficou fora de solo do Santuário; possibilitando assim maior recolhimento, preparativo, e uso pleno do arborizado espaço. O acontecimento teve visibilidade no órgãos de comunicação social portugueses.


USML - (28 e 29 de Outubro)


A União Sacerdotal Marcel Lefebvre deslocou-se a Portugal com os seus 4 Bispos, para celebrar a Festa de Cristo Rei, em Fátima, como Missa solene. Foi feita uma declaração conjunta destes Bispos sobre a comemoração do centenário das aparições de Nossa Senhora em Fátima. À ocasião era privada, mas a ela juntaram-se católicos oriundos de vários países. Segundo inesperada informação que recebemos esta semana, do seminário europeu (França) da instituição estiveram presentes um seminarista português, e um seminarista goês ("índia portuguesa").


ICRSS - (1 a 5 de Novembro)


O Instituto Cristo-Rei Sacerdote encontra-se em peregrinação a Fátima. Dia de Fiéis Defuntos o Superior da instituição Mons. Gilles Wach celebrou Missa solene, com assistência do Cardeal Burke, na Basílica de Fátima. Houve também Missa Pontifical votiva ao Sagrado Coração de Jesus e em intenção pelo Papa Francisco, celebrada em Fátima na Basílica da Santíssima Trindade.


Cardeal Burke - Mafra (4 de Novembro)


Durante estes dias de estada do Cardeal Burke em Portugal, haverá hoje Pontifical na Real Basílica de Nossa Senhora e Sto. António de Lisboa, em Mafra; por ocasião das comemorações do terceiro centenário da primeira pedra deste Real Convento de Mafra, símbolo da Cristandade Lusa (e tricentenário da victória naval de Matapam, em que, em defesa da Santa Sé Portugal se coloca como o último vencedor cristão contra os Mouros). A Missa ocorrerá também com a respectiva solenidade adjacente: tocada pelos 6 órgãos, com o Coro Gregoriano de Lisboa, etc.. (mais informação no DN)


08/04/17

CARTA DA COMISSÃO ECCLESIA DEI SOBRE MATRIMÓNIOS NA FSSPX

Muitos daqueles que leram a notícias a respeito da Carta da Comissão Ecclesia Dei para os Matrimónios relativos à FSSPX não leram o documento integral emitido aprovado pelo Papa Fransico. Achámos por bem traduzir todo o documento e deixar uma ligação ao original na página do Vaticano.

Antes de mais, manifestamos o nosso desconforto para com a expressão "fiéis da FSSPX", é um pouco mais claro é empregar aquela outra do documento "fiéis que seguem a actividade pastoral da FSSPX", porque actualmente revela-se pouco esclarecedora a primeira, ou nada esclarecedora.
 

Eminência:
Excelência Rev.mª:

Como se sabe, faz já algum tempo que se realizam encontros e iniciativas para conseguir a plena comunhão com a Igreja da FSSPX. Em concreto, recentemente o Santo Padre decidiu conceder a todos os sacerdotes da mencionada instituição as faculdades para confessar (cf. Carta Apostólica Misericordia et misera, n. 12), assegurando a possibilidade de que a absolvição sacramental dos pecados por eles administrados seja recebida válida, e licitamente.

Na mesma linha pastoral, a qual pretende tranquilizar a consciência dos fiéis - não obstante, que a situação canónica da FSSPX continua sendo, por enquanto, objectivamente ilegítima - o Santo Padre, à proposta da Congregação para a Doutrina da Fé e da Comissão Ecclesia Dei, decidiu autorizar aos Reverendíssimos Ordinários [Bispos Diocesanos] conceder assistência aos matrimónios de fieis que sigam a actividade pastoral da FSSPX, conforme as indicações seguintes.

Sempre que seja possível, o Bispo [da respectiva diocese] delegará num sacerdote da Diocese para que este assista aos matrimónios (ou ainda, com as devidas licenças a um sacerdote de outra circunspecção eclesiástica) para que este receba o consentimento dos cônjuges no rito do sacramento que, na liturgia do Vetus Ordo, se realiza ao início da Santa Missa. A esta celebra-a depois um sacerdote da FSSPX.

Onde isto não for possível, ou não haja sacerdotes diocesanos que possam receber o consentimento das partes, o Ordinário pode conceder directamente as faculdades necessárias a um sacerdote da FSSPX que celebrará também a Santa Missa, advertindo-o da obrigação de fazer chegar quanto antes à Cúria diocesana o documento do matrimónio celebrado.

Esse Dicastério confia em Sua colaboração com a convicção de que com estas indicações não somente se poderão remover os escrúpulos de consciência de alguns fiéis unidos à FSSPX e a falta de certeza sobre a validez do sacramento do matrimónio, senão que ao mesmo tempo, se avançará em direcção à plena regularização institucional.

O Sumo Pontífice Francisco, a 24 de Março de 2017, na audiência concedida ao Cardial Presidente, aprovou a presente Carta e ordenou a sua aplicação.

Dada em Roma, na Sede da Congregação para a Doutrina da Fé,

27 de Março de 2017.

Gerhard Card. L. Muller (Presidente)
+ Guido Pozzo, Arcebispo tit. de Bangnoregio (Secretário)

17/03/17

DUBIA DUBIA DUBIA DUBIA DUBIA ...


- Dia 5 de Fevereiro publicámos o "Diálogo Com o Cardeal Burke" que estabelece uma ponte entre a colocação da "dubia" e aquele contrastado argumento relativo à suposta incorrecção de pedir a Roma o reconhecimento do engano ao aplicar as excomunhões aos 4 Bispos da FSSPX: "Roma não se retrata", dizia-se fora de Roma (portanto, que não valeria apenas pedir ou esperar tal de Roma).
 
- Três dias depois o Instituto Bento XVI publicou um artigo que dizia que o Card. Burke tinha desistido da "dubia", dando o motivo: não haver real necessidade, que outras coisas mais  importantes havia a tratar (creio que La Stampa o mesmo tinha publicado). Na caixa de mensagens do nosso artigo, um anónimo comentou: "3 dias depois deste artigo [ascendens] sair, o Card. Muller veio dizer que não haverá correcção ao Papa. É estranho, parece que andaram a ler aqui o artigo."
 
- A Ecclesia Dei quer juntar a FSSPX sem mudança de certas condições...; as suas gentes por todo o lado publicam antecipadas notícias da eminência da Prelatura, tudo farão para evitar um recuo ou demora desta "integração", supostamente.
 
A "dubia" ...!? Oh... era doutrinal...

14/02/17

ASCENDENS - Notícia a respeito do tal perfil

Caros leitores,

decidimos retirar aqueles dois artigos que mostram a notícia, levantamento, conclusão do caso do falso perfil no facebook. Não fomos coagidos de forma alguma, mas fomos levados pela incerteza de continuar a ser ou não ser um bem manter tais artigos depois da remoção daquela primeira alheia notícia, a qual tinha dado origem à nossa investigação.

07/12/15

PALAVRAS BEM SONANTES - D. Bernard Fellay

Justiça seja feita!

Segundo a STAT VERITAS a RORATE CAELI esqueceu uma parte fundamental das palavras proferidas a 21 de Novembro, por D. Bernard Fellay (Superior Geral da FSSPX), numa entrevista. Creio que este esquecimento seja realmente um esquecimento...

Traduzo e transcrevo o coração da parte "esquecida", por justiça, e porque é a mais importante:

"... Mas, que é a Missa nova, senão uma protestantização da Missa de sempre? E que pensar do Papa que, como seus predecessores, visita um templo luterano? Como não ficar confusos ao ver como está sendo preparado o V centenário da "Reforma" protestante no ano de 2017, e como está sendo louvada agora a figura do Lutero, que foi um dos maiores heresiarcas e cismáticos da história, ferozmente oposto à Igreja Católica e Romana? Realmente Mons. Lefebvre estava a ver bem ao dizer que "a única actitude de fidelidade à Igreja e à Doutrina católica, para nossa salvação, é a rejeição categória à aceitação da "Reforma"", porque entre a reforma empreendida pelo Concílio Vaticano II e a de Lutero há mais de um ponto em comum. E seguindo-o, repetimos que "sem nenhuma rebelião nem amargura nem ressentimento algum, prosseguimos nossa obra de formação sacerdotal à luz do Magistério de sempre, convencidos de que não podemos render serviço à Santa Igreja Católica, ao Sumo Pontífice e às gerações futuras".

Estas palavras soam muito bem!

02/10/15

A RESPEITO DA CARTA DO PAPA FRANCISCO E DO SACRAMENTO DA PENITÊNCIA

Depois de um mês passado, contemplada a carta (1 de Setembro de 2015) do Papa Francisco, olhados
os comentários a ela feitos, chegámos ao momento do silêncio. Tudo isto nos mostra um todo do fenómeno: desde o que o Papa disse, à forma como foi entendido e recebido, as reacções diversas, o esquecimento e lembrança posteriores (o que foi retido, o que não foi retido).

Sem comentar o que já tantas outras pessoas bem ou mal comentáram, venho agora notar o que passou mais desapercebido. Recordemos o assunto:

"Por uma disposição minha estabeleço que quem durante o Ano Santo da Misericórdia se acerque aos sacerdotes da Fraternidade S. Pio X para celebrar o Sacramento da Reconciliação, recebam válida e licitamente a absolvição dos seus pecados."

Eis agora a interpretação textual (segundo as académicas regras da boa hermenêutica do texto):

1 - A quem se dirige directamente esta disposição papal? Sem dúvida alguma, destina-se aos fiéis da Santa Igreja ("...que quem durante...").

2 - Com "válida e licitamente", ao contrário de alguns comentários que li, não se está a pretender atribuir validade ou licitude, mas sim a informar os fiéis. Não se pode interpretar o que o texto não permite: que a disposição teria pretendido atribuir validade e licitude aos sacramentos administrados pelos sacerdotes da FSSPX. Obviamente, a validade dos sacramentos administrados pela FSSPX nunca esteve em causa antes, nem agora, contudo raros no mundo são os fiéis que já sabiam disso (e ficam agora tranquilizados).

3 - A autorização do Papa:
- é dada aos fiéis católicos;
- para poderem receber o Sacramento da Penitência administrado por sacerdotes da FSSPX (os quais estão em situação irregular);
- autorização dada para o espaço de tempo que vai desde o primeiro dia do Ano Santo da Misericórdia até ao último dia do mesmo ano.

Lembro que isto, nada mais nada menos,  é a hermenêutica do texto!

Comento agora, para que algum leitor mais distraído não caia em erro: os fiéis católicos que, pelo estado de necessidade se têm valido do serviço dos Sacerdotes e Bispos da FSSPX, assim fazem supostamente com intenção de fugir de violações maiores. O estado de necessidade que cada fiel da Santa Igreja invoque, não desculpa toda e qualquer infracção, mas apenas as mínimas verdadeiramente "obrigatórias", respeitando e promovendo o inviolável. Ou seja, para lá das disposições que o Papa possa dar aos fiéis relativamente a recorrerem à FSSPX, existe também um estado de necessidade que autoriza, e noutros casos obriga todos os fiéis católicos em não poucas coisas.

19/03/15

SAGRAÇÃO DE D. JEAN FAURE, e TODO O ACOMPANHAMENTO

Ontem recebi com alguma surpresa a notícia de que, hoje, dia 19 de Março, dia de S. José, o Senhor Pe. Jean Faure iria ser sagrado Bispo pelas mãos de D. Richard Williamson. E assim foi.

Sagração episcopal de D. Jean Faure
Pelas notícias que têm corrido, o movimento auto-denominado "Resistência" parece satisfeito com a escolha de D. Richard. Pelo crescimento deste movimento, e pela idade de D. Jean Faure, crê-se que está em projecto a sagração de outros bispos para este movimento, num futuro próximo.

Brasão episcopal de D. Jean
Tudo indica que a Santa Sé fará notar a excomunhão (desta vez verdadeiras ou falsas, quem sabe, visto serem elas fruto de um procedimento para o qual a Santa Sé nem sequer foi chamada ao caso).

Sagração episcopal de 1988
Os actuais dirigentes da FSSPX, hoje, a respeito da ocorrência, publicaram um comunicado, onde dizem que aqueles dois Bispos não fazem mais parte da FSSPX devido às críticas que infundadamente terão feito a Roma. No parágrafo maior, diz-se, entre outras coisas, que há diferenças entre estas e aquelas sagrações de 1988: a de agora não contou para nada com a autoridade da Santa Sé (e esta é realmente a única diferença que importa ter em conta). É realmente este um caso significativo e, na minha opinião, preocupante: porque D. Marcel Lefebvre contou com a autoridade, e D. Richard parece tê-la ignorado por prever uma negação de Roma (que é o óbvio), como que agindo apenas movido por efeitos, e não pelos princípios... talvez. Contudo, não há uma entidade criada pela Igreja que equivalha à FSSPX e que permita a D. Richard fazer um pedido com enquadramento aceitável a Roma! Complicada a situação... (mas vamos esperar o desenvolvimento dos próximos dias).

Pe. Régis Cacqueray, antigo superior do Distrito da França da FSSPX
Curiosamente, também hoje o anterior Superior do Distrito de França da FSSPX, o Senhor Padre Régis Cacqueray, retirou-se em permanência ao silêncio da clausura fazendo vida de Capuchinho (Couvent Saint-Antoine à Aurenque).


A Rádio Cristiandad, depois de alguns dias de luto pela morte do seu principal agente, Fabián Vazquéz, retomou a emissão, hoje, dia do seu 11º aniversário.

Também hoje, o blog ASCENDENS comemora S. José, um dos padroeiros do blog.

25/09/14

FSSPX em ROMA - Notícias


(BOLLETTINO - VATICAN INFORMATION SERVICE - Comunicação da Sala de Imprensa, 32/09/2014):

"Desde as 11 às 13 horas desta manhã de terça-feira, 23 de setembro, nos gabinetes da Congregação Para a Doutrina da Fé, ocorreu um cordial encontro entre o Card. Gerhard Ludwig Müller, Prefeito da Congregação Para a Doutrina da Fé, e Sua Excelência Mons. Bernad Fellay, Superior-geral da Fraternidade Sacerdotal S. Pio X. Foram também participantes: Mons. Luís Francisco Ladaria Ferrer, SJ, secretário da mesma congregação, Joseph Augustin Di Noia, OP, Secretário -adjunto, e Guido Pozzo, Secretário da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, e ainda os assistentes da FSSPX, Revs. Niklaus Pfluger e Alain-Marc Nély.

Durante o encontro foram examinados alguns problemas de natureza doutrinal e canónica, e combinou-se proceder gradualmente, e dentro de um período de tempo razoável, com a finalidade de superar as dificuldades e alcançar a plena reconciliação."

23/02/14

D. BERNARD FELLAY - UM ACTO DE JUSTIÇA

Neste momento, pelo que tenho visto de perto, há bastantes tradicionais católicos que tecem considerações injustificadas a respeito da situação actual da FSSPX. Lembro a todos que o estado de necessidade em que se encontram os católicos é universal e transversal: não haverá talvez quem lhe escape e, por isso, as imperfeições, os equívocos, aparecerão também nos sítios mais preservados.

Depois de ver certos ataques a Mons. Fellay, que passaram do limite do exagero, acho-me na obrigação de recomendar desapaixonamento e mais prudência nos comentários que se tecem. Não é para menos, porque certas almas estão mergulhadas no vício da maledicência, perdendo mais tempo em procurar o mal alheio que a própria perfeição. Esse vício anda cada dia mais generalizado e ganha contornos da mais tosca futilidade, por vezes disfarçado de racionalidade sob a qual se oculta a falta de verdade e do desprendimento.

Assim, acho oportuno deitar "água na fervura" recordando a:

(Tradução: Carlos Wolkartt)

Durante o congresso da Angelus Press, realizado nos dias 11 e 12 de outubro de 2013, Mons. Bernard Fellay, Superior Geral da Fraternidade São Pio X, deu uma conferência e um sermão dominical. Nesta ocasião, falou da situação da Igreja e do Papa Francisco. No portal Catholic Family News, John Vennari fez um resumo destas intervenções sob o seguinte título: “Mons. Fellay fala do Papa Francisco: «Temos diante de nós um verdadeiro modernista!»”. Apresentamos a seguir a tradução em português desta síntese da conferência de 12 de outubro, cuja gravação integral está disponível em inglês no site DICI.

Mons. Bernard Fellay alertou, em 12 de outubro: “A situação da Igreja é uma verdadeira catástrofe, e o atual Papa faz que seu estado seja dez mil vezes pior”. Declarou isto em uma alocução durante o Congresso da Angelus Press, que aconteceu nos dias 11 e 12 de outubro passado, em Kansas City.

Mons. Fellay, Superior Geral da Fraternidade São Pio X, deu uma longa conferência sábado à tarde, dedicada ao Terceiro Segredo de Fátima e à profecia que parece encontrar-se nele, relativa a um castigo material e uma grande crise na Igreja.

Nosso sumário retomará alguns dos aspectos mais importantes de sua conferência de sábado, dia 12.

Monsenhor Fellay citou detalhadamente a Irmã Lúcia, os que leram o Terceiro Segredo e os que o conheceram. Observou que Irmã Lúcia havia dito que se quiséssemos conhecer o conteúdo do Terceiro Segredo, bastava ler os capítulos 8 a 13 do Apocalipse.

A referência de Irmã Lúcia aos capítulos 8 a 13 do Apocalipse causa calafrios de uma maneira particular, pois o final do capítulo 13 fala da vinda do Anticristo.

Mons. Fellay recordou que o Papa São Pio X havia dito, nos primeiros anos de seu pontificado, que o “filho da perdição” já podia estar sobre a terra. Notou também que a oração original do Papa Leão XIII a São Miguel menciona que Satanás procura estabelecer sua sé em Roma.

O Superior Geral citou o Cardeal Luigi Ciapi, teólogo de todos os papas desde Pio XII até João Paulo II, que disse: “No Terceiro Segredo lemos, entre outras coisas, que a grande apostasia na Igreja começa pela cúpula”.

Comentou também a famosa e espetacular entrevista do Padre Fuentes com Irmã Lúcia em 1957, durante a qual ela reafirmou que “as diversas nações desaparecerão da face da terra”, e que “o diabo fará o possível para vencer as almas consagradas a Deus”.

Uma vez que esta confusão e desordem afetam os ministros de Deus, os fiéis estão abandonados a si mesmos quanto à sua salvação. A ajuda que normalmente deve ser proporcionada pelos eclesiásticos não existe. É “a maior tragédia que se pode imaginar para a Igreja”.

Os tempos são muito graves. Devemos realmente preocupar-nos com nossa salvação “e, para alcançá-la, estamos privados de um elemento muito importante, que é o apoio das autoridades [da Igreja]. Que tragédia!”.

Falou das palavras reconfortantes de Irmã Lúcia, que dizia que Deus nos deu os dois últimos remédios: o Santo Rosário e a devoção ao Coração Imaculado.


Roma e a Fraternidade São Pio X

Mons. Fellay aludiu à difícil situação de 2012, quando das relações entre a Fraternidade São Pio X e o Vaticano: “Quando vemos o que acontece agora [com o Papa Francisco], damos graças a Deus, damos graças a Deus por havermos sido preservados de qualquer gênero de acordo no ano passado. Podemos dizer que um dos frutos da cruzada [do Rosário] que fizemos foi a preservação de semelhante desgraça. Graças a Deus. Certamente, não se trata de que nós não queiramos ser católicos; queremos ser católicos e somos católicos, temos o direito de sermos reconhecidos como católicos. Porém, não vamos arriscar nossos tesouros por isso. Claro que não”.

Prosseguiu: “Como imaginar que algumas pessoas continuem pretendendo que tenhamos a intenção de alcançar um acordo com Roma! Coitados! Faço-lhes um desafio: que me provem! Alegam que penso diferente do que faço. Não estão em minha cabeça”.

Sobre as discussões com Roma: “Qualquer género de procedimento que visa um reconhecimento terminou quando as autoridades romanas me entregaram o documento de 13 de junho de 2012 para assinar. Nesse dia, disse-lhes: «Não posso aceitar este documento». Disse-lhes desde o começo, em setembro do ano anterior, que não podíamos aceitar aquela «hermenêutica da continuidade», uma vez que não é verdade, não corresponde com a realidade. Vai de encontro à realidade. Por isso, não a aceitamos. O Concílio não está em continuidade com a Tradição. É assim. Então, quando o Papa Bento XVI pediu que reconhecêssemos que o Concílio é parte integrante da Tradição, dissemos: «Desculpe, mas não é assim, portanto não vamos assinar. Não vamos reconhecer isso».

“O mesmo em relação à missa. Querem que reconheçamos não só que a [nova] missa é válida com a condição de que seja celebrada corretamente etc., mas também que é lícita. Eu lhes disse: não usamos esta palavra. É um pouco confusa. Nossos fiéis já estão um pouco confundidos em relação à sua validade, por isso lhes dissemos: «A missa nova é má, é má. Ponto final!». Provavelmente as autoridades romanas não estavam muito contentes”.

Acrescentou: “Mesmo assim, jamais foi nossa intenção pretender que o Concílio seja considerado como bom, ou que a missa nova seja «legítima».

“O texto [de 15 de abril de 2012] que apresentamos a Roma era, digamos, um texto delicado que devia ser bem compreendido, devia ser lido à luz de um grande princípio que o dirigia por completo. Esse grande princípio não era nada novo na Igreja: «o Espírito Santo não foi prometido aos sucessores de S. Pedro para que estes, sob Sua revelação, pregassem uma nova doutrina, mas para que, com a Sua assistência, conservassem santamente e expusessem fielmente o depósito da fé, ou seja, a revelação herdada dos Apóstolos». É um extrato da definição da infalibilidade [definida pelo Vaticano I]. Este era o princípio, a base de todo o documento, o qual exclui desde o início qualquer género de novidade.

“Deste modo, tomar qualquer proposição do texto excluindo este princípio corresponde a tomar frases que nunca foram nosso pensamento nem nossa vida. Estas frases, em si mesmas, são ambíguas, e por esta razão, a fim de dissipar essa ambiguidade, queríamos introduzir este princípio. Lamentavelmente, talvez era demasiado subtil e por isso retiramos esse texto, porque tal como estava escrito não era suficientemente claro.

“Por conseguinte, está muito claro que nosso princípio continua sendo o mesmo: permanecer fiéis! Recebemos um tesouro. Este tesouro não nos ‘pertence’. Recebe-mo-lo e devemos entregá-lo à próxima geração. O que nos é pedido é a fidelidade. Não temos o direito de pôr em perigo estes tesouros. São tesouros que temos em nossas mãos e não vamos pô-los em perigos”.
O Papa Francisco

Depois, Mons. Fellay voltou a falar da declaração de Irmã Lúcia, em 1957, recordando que o Rosário e a devoção ao Coração Imaculado são os dois últimos remédios entregues por Deus à humanidade.

Explicou que “seguramente, um castigo «material» do mundo nos espera. Estamos diante de algo grave. Como? Quando? Não sei. Porém, se reunimos todos os elementos, está claro que Deus está cansado dos pecados cometidos pelo homem”.

Fez alusão neste momento aos pecados que clamam ao céu, como o aborto e os pecados contra a natureza, o qual se referia à “redefinição” contra natureza do matrimónio e dos pecados consequentes. Falou também da perseguição dos cristãos que parece aproximar-se.

“Que devemos fazer? Não entrem em pânico, pois o pânico não serve para nada. Vocês devem fazer seu trabalho, seu dever quotidiano. Esta é a melhor maneira de preparar-se”.

Continuou dizendo que atravessamos “tempos muito espantosos”, mas que podemos fazer alguma coisa. Observou que “a situação da Igreja é uma verdadeira catástrofe, e o atual Papa faz que seu estado seja dez mil vezes pior”.

“No início do pontificado de Bento XVI, eu disse: «a crise da Igreja vai continuar, porém o Papa tentará apertar os freios». Em outros termos, a Igreja vai continuar caindo, porém com um paraquedas. E desde o início do atual pontificado [o do Papa Francisco], digo: «ele corta os cordões, e amarra um foguete [orientado para baixo]».”

“Se o atual Papa continuar como começou, vai dividir a Igreja. Então, alguns dirão: «é impossível que seja papa, não o aceitamos». Outros dirão [esta é a posição de Mons. Fellay]: «Esperem, considerem-no como papa, porém não o sigam. Ele provoca cólera. Muita gente vai desanimar por causa de tudo o que se faz na Igreja» e serão tentados a «pendurar a toalha».”

Porém, Deus – recordou ele – é “muito, muito maior que nós. Deus é capaz de permitir à Igreja continuar” e pode agir ainda por meio destes ministros imperfeitos. “Porém, repito, não o sigam. Sigam quando dizem a verdade, porém quando dizem tolices, não os sigam nesses pontos. A obediência, para ser verdadeira, deve ser unida a Deus. Quando dizemos que obedecemos a uma pessoa, ela deve ser um «espelho de Deus». Mas, quando o espelho me diz o contrário do que Deus diz, já não é espelho e então não o sigo mais”.

Mons. Fellay notou que não podemos obedecer simples e cegamente aos atuais Papas, pois isto seria o mesmo que destruir-nos, seria pôr nossa fé em perigo.

Recorrendo à Irmã Lúcia e aos Papas Leão XIII e São Pio X, Mons. Fellay advertiu com mais força ainda que “talvez estejamos entrando no tempo do Anticristo, mas não podemos conhecer com precisão o lugar, nem dentro de quanto tempo isto possa suceder”.

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Extratos do sermão de Mons. Fellay em Kansas City, em 13 de outubro de 2013

Apresentamos a seguir os extratos mais importantes do sermão dado por Mons. Bernard Fellay, Superior Geral da Fraternidade São Pio X, durante a Missa pontifical celebrada domingo, 13 de outubro, na igreja de São Vicente de Paulo, em Kansas City, durante o Congresso da Angelus Press.

A gravação completa deste sermão está disponível em inglês no site DICI.


Mons. Fellay desenvolveu certos pontos relativos à Fátima, ao segredo, às relações entre a Fraternidade e Roma em 2012, e depois mencionou alguns dos numerosos problemas relacionados com o Papa Francisco.

“Desde o começo”, disse, “temos a impressão de que algo está errado com este papa. Desde o início quis distinguir-se, ser diferente dos demais”.

“Devemos observar”, declarou Mons. Fellay, “qual é sua visão da Igreja, sua visão do Concílio, e quais são suas perspectivas”.

No momento das Jornadas mundiais da juventude, até fins de julho deste ano, Francisco iniciou uma série impressionante de discussões, entrevistas, chamadas telefónicas etc. “Por ora, não podemos ter uma ideia precisa, mas temos com o que aterrorizar-nos”.

Declarações contraditórias do Papa

Como é característico do modernista, sobre o qual São Pio X nos avisa na Pascendi, o modernista falará às vezes de forma herética, e depois de maneira ortodoxa. Mons. Fellay deu um exemplo de uma dessas contradições. Mencionou a entrevista de início de outubro que o Papa concedeu ao jornalista ateu Eugénio Scalfari, no diário romano La Repubblica. Francisco parece promover ali um perigoso relativismo.

Scalfari: Santidade, existe uma visão única do Bem? E quem a estabelece?

Papa Francisco:
Cada um de nós tem uma visão do Bem e do Mal. Temos que encorajar as pessoas a proceder de acordo com o que elas pensam ser o Bem.

Scalfari:
Santidade, o senhor escreveu isso em sua carta para mim. A consciência é autónoma, o senhor disse, e todos devem obedecer a sua consciência. Creio que esta seja uma das palavras mais corajosas ditas por um Papa.

Papa Francisco:
E repito aqui. Cada um tem sua própria ideia do Bem e do Mal e deve escolher seguir o Bem e combater o Mal como concebe. Isso bastaria para melhorar o mundo.

Muito emocionado, Mons. Fellay comentou sobre a resposta do Papa: “Isto não é nada católico! Porque o que penso não tem nenhum valor se não corresponde com a realidade. A primeira realidade é Deus!... Deus é a única bondade e a referência para tudo o que é bom!...”.

Temos uma consciência, porém só nos dirigimos ao céu se nossa consciência é um espelho de Deus. A consciência deve ser formada segundo a lei de Deus. “Por conseguinte”, disse, “afirmar que cada um pode seguir suas próprias ideias é uma loucura. Não está em nada de acordo com o ensinamento católico. É um relativismo absoluto”.

Entretanto, alguns dias depois, o Papa Francisco falou da necessidade de combater o diabo, da batalha final contra o diabo, que ninguém pode lutar pela metade contra o demónio e que devemos combater o relativismo.

“Francisco declarou o contrário do que disse ao La Repubblica”.

Qual é a visão do Papa Francisco sobre o Vaticano II?

Mons. Fellay afirma que o Papa Francisco “está convencido de que o Concílio foi um êxito completo. Qual era a finalidade principal do Concílio? Reler a fé à luz da cultura moderna”. Poderíamos dizer: “Encarnar o Evangelho no mundo moderno”. Francisco “se alegra muito disso...” e estima que “o Concílio deu muitos bons frutos. O primeiro exemplo que proporciona é a liturgia – a liturgia reformada. É o belo fruto do Concílio. É isso que ele disse. E está muito satisfeito disso”.

Francisco afirma que “aquela releitura do Evangelho na cultura moderna é irreversível, e por isso não vamos voltar atrás. Como querem que estejamos de acordo com ele? Estamos diante de um combate maior”.

O Papa Francisco e a Missa

Em relação à liturgia e à Missa antiga, Francisco fala do “Vetus Ordo” (a antiga ordem). Aprecia que Bento provavelmente tenha contribuído para restaurar a Missa antiga, como uma medida prudencial para aqueles que ainda estão aficionados a ela. “Porém, não esperem que Francisco volte à Missa antiga. Talvez permita que seja celebrada em paz. Só Deus sabe”.

Porém, Francisco “vê que há um problema com esta Missa antiga. Porque há gente que ideologiza esta Missa. Adivinhem a quem ele se refere... não é necessário falar. Então, o que será de nós?...”. O que vejo, é que nele há uma obsessão por quem se orienta ao passado. Escutem as palavras do Papa:

Papa Francisco (em sua entrevista com os jesuítas): “O que considero preocupante é o perigo da ideologização, da instrumentalização do Vetus Ordo... Um cristão restauracionista, legalista, que quer tudo claro e seguro, não vai encontrar nada. A tradição e a memória do passado têm que nos ajudar a reunir o valor necessário para abrir novos espaços a Deus. Aquele que hoje busca sempre soluções disciplinares, que tem a «segurança» doutrinal de modo exagerado, que busca obstinadamente recuperar o passado perdido, possui uma visão estática e não evolutiva. E assim, a fé se converte em uma ideologia entre tantas outras. Por minha parte, tenho uma certeza dogmática: Deus está na vida de toda pessoa”.

Mons. Fellay prossegue: “A impressão que temos do atual Papa, é que lhe agradam as expressões mitigadas, aproximadas: quer a todo custo evitar o que é demasiado claro e certo. Porém, a fé é assim, porque Deus é assim. Mas não é o que ele pensa”.

Outra citação inquietante do Papa Francisco (na entrevista com os jesuítas):

“Se uma pessoa diz que encontrou Deus com total certeza e sem margem a qualquer dúvida, algo está errado. Eu tenho isto como uma importante chave. Se alguém tem respostas a todas as perguntas, estamos diante de uma prova de que Deus não está com esta pessoa. Quer dizer que é um falso profeta que usa a religião para o bem próprio. Os grandes guias do povo de Deus, como Moisés, sempre deram espaço à dúvida”.

Como resposta, Mons. Fellay exclama: “Qual é seu Evangelho, então? Que Bíblia tem para dizer semelhantes coisas? É espantoso. O que tem a ver com o Evangelho? Com a fé católica? É puro modernismo, queridos fiéis. Estamos diante de um verdadeiro modernista...”.

“Quanto tempo será necessário para que as pessoas investidas de autoridade na Igreja se levantem e digam: «Não podemos aceitar [este novo ensinamento]!»? Espero que isso aconteça, e rezo por esta intenção. Porém, isto significa que haverá uma imensa divisão na Igreja”.

Francisco nos diz também que é um grande admirador do cardeal jesuíta ultraliberal Martini (já falecido). Martini escreveu um livro convocando uma revolução total na Igreja. “É isto o que quer Francisco. E disse que os oito cardeais que elegeu para ajudar-lhe a reformar a Igreja pensam como ele!”.

Mencionando como último exemplo o ecumenismo, Mons. Fellay disse que o Papa Francisco sustenta que “muitas poucas coisas foram feitas neste sentido”. É incrível, admira o Superior da Fraternidade, uma vez que o ecumenismo originou uma catástrofe indizível na Igreja, levando as nações cristãs à apostasia. “Entretanto, o atual Papa disse que «muito pouco, quase nada se fez neste sentido»... e acrescenta: «porém, tenho a humildade e a ambição de fazer algo!»”.

Aferrar-se à Tradição e ao Rosário!

Como conclusão, Mons. Fellay declarou: “O mistério do eclipse da Igreja nunca foi maior. Apresentam-se para nós momentos duríssimos. Não podemos iludir-nos. Está claro que a única solução é manter fortemente o que temos, conservá-lo, não deixar que se perca de nenhuma maneira...

“O Papa São Pio X disse que a essência de todo católico é aferrar-se firmemente ao passado, e que neste sentido todo católico é tradicional. O atual Papa disse exatamente o contrário: «Esqueçam-se do passado, marchem em direção à incerteza do futuro... ».

“Certamente, necessitamos do Coração Imaculado de Maria. Estamos vivendo o Segredo de Fátima. Sabemos o que devemos fazer: rezar, rezar, rezar e fazer penitência, penitência, penitência. Rogar ao Coração Imaculado de Maria, meio que nos foi dado precisamente para estes momentos difíceis... e rezar o rosário”.

“Podem estar seguros”, disse Mons. Fellay, “que se aproxima uma nova Cruzada do Rosário. Volte-mo-nos para o Rosário. Rezemo-lo todos os dias. Vivemos em uma época muito perigosa para a fé, e precisamos desta proteção celestial que nos foi prometida e outorgada. A nós, corresponde usá-la! Devemos avançar na intimidade com a Virgem Maria e com Deus”.

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Fontes

DICI. Compte-rendu de la conférence de Mgr Fellay lors du congrès de l’Angelus Press, aux Etats-Unis: http://goo.gl/t8Vrve.

DICI. Extraits du sermon de Mgr Fellay à Kansas City, le 13 octobre 2013: http://goo.gl/864qcX.

17/11/12

A OBEDIÊNCIA - DOIS CASOS

 Dois casos venho tentar resolver:

1 - O de quem disse que a hierarquia da Igreja continua a ser legítima, mas nega-lhe totalmente obediência em tudo;
2 - O de quem disse que só devemos obedecer ao Papa quando fala Ex Cathedra.

Estes erros são a convicção de pessoas reais.

A pessoa que se posiciona agora no primeiro erro, dizia há tempos que a hierarquia continua a ser legítima mas que não lhe deveríamos obedecer enquanto não se convertesse ao catolicismo (portanto, à Doutrina de sempre da Santa Igreja). Acontece que, por motivos de aperto, essa mesma pessoas quis fundamentar a sua posição não na Doutrina mas sim em discursos de Mons. Lefebvre (como se eles pudessem dispensassem a Doutrina). Acontece ainda que esses textos com que foi feita a "defesa" estão apresentados de forma a fazer crer que a hierarquia não seria mais legítima. Portanto, a mesma pessoa enrola-se, não aclara, não afirma por si, de certa forma "manda-me ler" o que os outros dizem. Com este passo a sua própria posição fica ambígua: aceita aos da hierarquia como legítimos superiores? Se SIM: terá de obedecer a Deus pelos seus mandamentos a respeito dos legítimos superiores.

No segundo caso, dado com uma outra pessoa, recentemente, pareceu-me que se nega igualmente ao que Deus manda na sua Lei. Segundo tal pessoa só deveríamos obediência ao Papa quando ele falasse Ex Cathedra. Portanto, negar-lhe obediência SEMPRE com esta exepção e violar assim o mandamento.

É curioso que ambas as pessoas, depois de avisadas e informadas, tiveram agora mais recentemente estas posições diabólicas reforças, quase em simultâneo. Não tenho dúvida que estão a ser desorientadas por certas ideias que correm entrem os dissidentes da FSSPX, e temo que se percam irremediavelmente, quando é tão fácil até entender estas matérias a quem tenha boa-fé e não esteja a ser mal influenciado.

Tais posições colocam as pessoas num cisma-material, diria eu.

Assim faço votos de que se apartem de certas más influências e ódios alheios, e se coloquem no bom caminho.

01/11/12

CEGOS QUE GUIAM CEGOS, FALAM DA FSSPX


Na entrevista da Rádio Renascença (31/10/12) a D. Nuno Brás (bispo auxiliar de Lisboa) e a Aura Miguel, sendo o tema principal o Halloween e o "pão por Deus", falou-se da FSSPX e de Mons. Williamson. Vou guardar-me de fazer comentários por agora, e deixo-vos a parte do áudio, e respectiva transcrição, retirados de tal entrevista.


RR - "Penso que também é oportuno comentarmos esta semana o que se passa relativamente à Fraternidade Sacerdotal S. Pio X. Esta Fraternidade expulsou, há dias, por rebeldia e desobediência aquele bispo que, há alguns anos, causou polémica por ter negado a existência do "holocausto". Este afastamento pode ajudar a reaproximação deste grupo à Santa Sé, na questão das negociações?

Aura Miguel - É bom recordar, porque tem havido diálogo, há 3 anos, durante o qual uma comissão reuniu-se 8 vezes para estudar e discutir vários assuntos, alguns controversos... Várias tentativas foram realizadas pelo Papa, pela Santa Sé nomeadamente, portanto, estendendo à Igreja universal a Forma Extraordinária do Rito Romano (esta maneira de celebrar missa, maneira extraordinária como os seguidores de Lefebvre, digamos assim, gostam), mas...

RR - E convém relembrar que este grupo não aceita as alterações que surgiram com o Concílio Vaticano II.

Aura Miguel - Não... Vem de terem sido excomungados. Alem disso havia imensas resistências, e a separação veio com o facto de Mons. Lefebvre ter ordenado alguns bispos sem a autorização do Papa. Este papa levantou-lhes a excomunhão, estendeu-lhes a mão, permitiu que seja possível, de maneira extraordinária, celebrar missa segundo o rito que gostam, portanto aboliu essas excomunhões. E no dia 13 de Junho, deste ano, a comissão criada pelo Papa apresentou à FSSPX uma declaração doutrinal e a proposta para normalização canónica para esta, finalmente, se resolver ou não. E tem havido algum impasse... e um dos passos, creio eu, foi a expulsão Williamson da FSSPX. Não é de imediato, a essa expulsão, nem é o único obstáculo.

Gostava de sublinhar o que saiu, o que saiu como comunicado. Tem havido imensas especulações: disseram que "não", que afinal eles nunca irão aceitar o Concílio Vaticano II, ainda para mais agora que foi sublinhada a importância e actualidade do Concílio, o que ainda os terá, diziam alguns, irritado mais sendo aprofundada essa clivagem... De qualquer modo, as últimas notícias que sabemos é que eles pediram mais tempo para pensar. E da Santa Sé saiu um comunicado muito interessante que diz que, após 30 anos de separação 8são 30 anos de separação... imaginem se um casal se divorcia e separa e 30 anos depois se querem reconciliar, o quão será difícil com tanta coisa e tantos obstáculos a superar, imagine-se então neste caso - isto é uma comparação um tanto desajeitada). Diz a Santa Sé "após 30 anos de separação, é compreensível que haja necessidade de tempo para absorver o significado destes recentes desenvolvimentos, e o Papa Bento XVI, pretende é promover e preservar a unidade da Igreja atravez da reconsciliação tão esperada. É preciso - conclui a nota - paciência, serenidade, perseverança e confiança".

RR - D. Nuno...

D. Nuno Brás - Sim... creio que não seria de todo mau que os próprios "lefebvrianos" dessem um sinal de boa-vontade! Não é?... E portanto, não estivessem sempre a dizer "esperem mais um bocadinho, esperem mais um bocadinho, esperem mais um bocadinho... depois logo se vê...". Depois de tantos sinais que o Santo Padre tem dado, depois de tudo aquilo que ele tem feito, que dessem um sinal positivo (eventualmente não o deram ainda porque há divisões internas... e portanto o próprio Superior da FSSPX será objecto de imensas, imensas pressões internas - não sabemos muito mais que isto).

26/10/12

CARTA A MONS. FELLAY (em portugês internacional)


Pediram-me simpaticamente que traduzisse a carta que Mons. Williamson enviou a Mons. Fellay no dia 19 de Outubro de 2012. Assim fiz com dificuldade, tanto que na nossa língua e bons-costumes há situações que se desdobram e têm as suas distinções necessárias. É principalmente o caso do tratamento pessoal que em outras línguas ou não existe ou existe com menor clareza e grau. É de notar que a parte da carta em que Mons. Williamson se apresenta como "réu" é feita na 3ª pessoa do singular (apropriadamente, e tal como no original). Trata-se de uma carta longa e histórica e que deveria ser lida pela hierarquia da Santa Igreja e pelos fiéis, independentemente das opiniões. O esforço central da tradução foi a conservação do sentido:
Londres, 19 de Outubro de 2012.

Excelência Reverendíssima:

Agradeço a carta de 4 de Outubro na qual me é comunicado da parte de V. Ex.ª Revma., da parte do Conselho Geral e do Capítulo Geral, a "constatação", "declaração" e "decisão" de que já não sou membro da Fraternidade S. Pio X. As razões apresentadas para V. Ex.ª Revma. ter afastado a este vosso súbdito são: que ele continuou a publicação dos "Comentários Eleison"; que atacou as autoridades da Fraternidade; que fez um apostolado independente; que causou confusão entre os fiéis; que apoiou os sacerdotes rebeldes; que desobedeceu formalmente, de forma obstinada e "pertinaz"; que se separou da Fraternidade; que não se submete a nenhuma autoridade. Todas estas razões não podem resumir-se simplesmente em desobediência? Sem dúvida, ao longo dos últimos doze anos, este vosso servidor teve problemas e acções que, diante de Deus, foram impróprias e excessivas, mas creio que bastaria que lho tivessem assinalado em particular para ele poder desculpar-se, segundo a verdade e a justiça. Contudo, não haja dúvida, nós concordamos que o problema essencial não reside nos detalhas, que se resumem a uma palavra apenas: desobediência.

Para iniciar, notemos então quantas ordens mais ou menos desagradáveis o súbdito recebeu do seu Superior Geral, as quais cumpriu sem falta.

Em 2003, deixou um importante apostolado nos U.S.A. para ir para a Argentina. Em 2009 deixou o cargo de director do Seminário e foi-se da Argentina para emudecer-se num refúgio em Londres, sem palavra nem ministério episcopal, porque estava proibido. Não lhe restava mais que, virtualmente, exercer o ministério com os "Comentários Eleison", cujo o recuso em suspendê-los constitui a maior parte desta "desobediência" que se lhe aponta. Desde 2009, foi permitido aos Superiores da Fraternidade desacreditá-lo e injuriá-lo tanto quanto quisessem, e em todo mundo alentaram a todo e qualquer membro da Fraternidade que o desejasse fazer também.

O vosso súbdito pouco reagiu, preferindo o silêncio às confrontações escandalosas. Poderíamos dizer igualmente que se obstinou em não desobedecer. Mas adiante, porque nem está nisto o verdadeiro problema.

Em que radica então o verdadeiro problema? Para dar resposta, permita-se ao acusado olhar rapidamente a história da Fraternidade da qual pretendem separá-lo.

Pelo que parece, o problema central vem de longe.

CATOLICISMO E LIBERALISMO

Desde a Revolução Francesa dos finais do séc. XVIII, em muitos daqueles que tinham sido Estados cristãos, começou-se a desenvolver um novo ordenamento mundial, concebido pelos inimigos da Igreja para assim expulsarem Deus da sua criação. Começou-se por substituir ao Ancien Regime, ou ao Trono que sustinha o Altar, por meio da separação da igreja e do Estado. Disto resultou uma estrutura social que é radicalmente nova e difícil para a Igreja, porque o Estado, ateu a partir de então, terminou por opor-se com todas as forças à religião de Deus.

Assim, os mações quiseram substituir o verdadeiro culto de Deus pelo culto da liberdade da qual o Estado neutro em religião não é mais que um instrumento.

Nos tempos modernos começa assim uma guerra implacável entre a religião de Deus, defendida pela Igreja Católica, e a nova religião do homem, liberado de Deus, e liberal.  Estas duas religiões são de tal forma inconciliáveis como Deus com o demónio.

Há que escolher entre o catolicismo e o liberalismo.

Mas o homem não quer ter de optar [entre duas coisas]. Quer as duas. No rastro da Revolução encontramos a Felicité de Lamennais que inventou o catolicismo liberal, e, a partir desse momento, a conciliação do inconciliável converte-se em moeda corrente no interior da Igreja.

Durante 120 anos, a misericórdia de Deus deu à sua Igreja uma série de papas, de Gregório XVI a Pio XII, os quais em sua maioria viram claramente e se mantiveram firmes, mas um número crescente de fiéis inclinavam-se a essa independência relativamente a Deus e dados mais aos prazeres materiais que o catolicismo liberal lhe ia facilitando gradualmente. Uma corrupção progressiva chegou aos bispos e sacerdotes, e então Deus terminou por permitir-lhes escolher o tipo de papas que preferissem, a saber, os que parecem ser católicos mas que na realidade sejam liberais, os que falam à direita mas actuam pela esquerda, que se caracterizam então pela contradição, a ambiguidade, a dialéctica hegeliana e, em breve, a mentira.

Esta é a Neo-Igreja do Vaticano II.

Não poderia ser de outra maneira.

Não é mais que um sonho aquele de reconciliação entre realidades inconciliáveis.

Mas Deus - palavra de Sto.Agostinho - não abandona as almas que não querem abandoná-l'O, e assim Ele vem em auxílio das poucas almas católicas restantes que se negam a seguir a acomodatícia apostasia do Vaticano II. Ele suscita um arcebispo que resistirá à traição dos prelados conciliares. Respeitando a realidade, não buscando conciliar o inconciliável, negando-se a sonhar, este arcebispo fala com claridade, coerência e verdade que faz que as ovelhas reconheçam a voz do divino Mestre. A Fraternidade sacerdotal que ele funda para formar sacerdotes autênticamente católicos começa em pequena escala, mas rejeitando visivelmente os erros conciliares e o seu fundamento que foi o catolicismo liberal, atrai aos verdadeiros católicos em todo o mundo, e constitui assim a coluna vertebral de todo um movimento na Igreja que lhe chamaram de Tradicionalismo.

Mas esse movimento é insuportável aos homens da Neo-Igreja, que querem substituir o catolicismo pelo catolicismo liberal.

Auxiliados pelos meios de comunicação e governos, eles fizeram tudo para desacreditar, desonrar e desterrar ao valente arcebispo. Em 1976, Paulo VI suspendeu-o  a Divinis, em 1988, João Paulo II o "excomungou". Este arcebispo exasperava soberanamente aos papas conciliares, porque sua voz efectivamente elevava a verdade mais alto e arruinava o role de falsidades, o que os colocava em perigo de traição. E sob perseguição, e "excomunhão", manteve-se firme e com ele muitos sacerdotes da sua Fraternidade.

Esta fidelidade à verdade obtém de Deus para a Fraternidade 12 anos de paz interior e de prosperidade exterior. Em 1991 o grande arcebispo morre mas, todavia, durante nove anos, a sua obra continua também na fidelidade dos princípios antiliberais, sobre os quais ela ele a fundou.

Então que farão os romanos conciliares para superar esta resistência? Eles eles trocaram paulada por cenoura.

DESDE 2000, A FRATERNIDADE MUDOU DE DIRECÇÃO

No ano 2000, uma grande peregrinação da Fraternidade para o Ano Jubilar, mostra nas basílicas e nas ruas de Roma a piedade e o poder da Fraternidade. Apesar disso, os romanos ficaram impressionados. Um cardeal convida os bispos a um pequeno-almoço sumptuoso em sua casa, convite que foi aceite por três deles. Imediatamente depois deste pequeno-almoço de aparência fraternal, os arrefecidos contactos entre Roma e a Fraternidade, depois de 12 anos passados, foram retomados e começa assim a poderosa sedução dos botões escarlate e  pisos marmóreos, por assim dizer.

Os contactos acendem-se tão rapidamente que lá para o final do ano muitos sacerdotes e fiéis da Tradição clamavam já por uma conciliação entre a Tradição católica e o Concílio liberal. Esta conciliação não tem êxito no momento, mas a linguagem do quartel general da Fraternidade, em Menzingen, começa a mudar, e nos 12 anos seguintes se mostrará cada vez menos hostil a Roma, e é mais acolhedora para as autoridades da igreja conciliar, aos meios e seu mundo.

Na medida em que a conciliação dos inconciliáveis se prepara à cabeça da Fraternidade, no seu corpo de sacerdotes e laicos a atitude manifesta-se cada vez mais benigna para com os papas e a Igreja conciliar, a tudo o que é mundano e liberal. Afinal, o mundo moderno que nos rodeias é tão mau como no-lo faziam crer?

Este avançar do liberalismo no interior da Fraternidade, percebido por uma minoria de sacerdotes e de fiéis mas aparentemente imperceptível para a grande maioria, apanhou a muitos, na primavera deste ano, logo após o fracasso das discussões doutrinais na primavera de 2011, a política católica do "não ao acordo prático sem acordo doutrinal" converteu-se, de um dia para o outro, na política liberal de "não ao acordo doutrinal, logo, sim a um acordo pratico". Então em meados de Abril o Superior Geral ofereceu a Roma, como base de um acordo prático, um texto ambíguo abertamente favorável a esta "hermenêutica da continuidade" que é a bem amada receita de Bento XVI para conciliar, precisamente, o Concílio com a Tradição! "É necessário um novo pensamento" diria o Superior Gera em meados de Maio aos sacerdotes da Fraternidade do distrito de Áustria. Noutras palavras, o chefe da Fraternidade fundada em 1970, para resistir às novidade do Concílio, propõe conciliação com o Concílio.

Hoje em dia, ela é já conciliante. Amanhã, deverá fazer-se plenamente conciliar!

Apenas se pode concluir que a obra de Mons. Lefebvre foi conduzida a colocar entre parêntesis os próprios princípios sobre os quais ele a fundou, qual sedução fantasiosa do nosso mundo sem Deus, modernista e liberal.

Contudo, a realidade não se deixa dobrar pelas fantasias, e faz parte da realidade que não se possam deixar os princípios de um fundador sem desfazer sua fundação. Um fundador tem as graças particulares que nenhum de Deus sucessores tem. Como escreveu o Padre Pio quando os superiores da sua Congregação desataram a "renová-la" em conformidade com o novo pensamento do Concílio recém encerrado:

"Que fazem vocês da Fraternidade?" O Superior Geral, o Conselho Geral e o Capítulo Geral da FSSPX quiseram reter a Mons. Lefebvre como mascote, contudo têm um novo pensamento que passa ao lado das razões gravíssimas pelas quais ele  fundou a Fraternidade. Eles a conduzem à ruína por causa da traição pelo menos objectiva, totalmente paralela à do Vaticano II. Mas sejamos justos e sem exageros. Desde o princípio desta queda lenta da Fraternidade, sempre houve sacerdotes e fiéis que viram claramente e que fizeram o que puderam para resistir. Na primavera deste ano, esta resistência tomou uma certa consistência e amplitude, de modo que o Capítulo Geral do mês de Julho colocou pelo menos um entrave no percurso do ralliement. Mas este entrave fará parar? Teme-se que não. Diante de cerca de quarenta sacerdotes da Fraternidade reunidos em retiro sacerdotal em Ecône, no mês de Setembro, o Superior Geral, referindo-se à política romana confessou: "Enganei-me", de quem é a culpa?, "Os romanos enganaram-me". igualmente, desta grave crise de primavera, resultou "uma grande desconfiança na Fraternidade", disse ele, que haveria que "reparar com actos e não apenas com palavras", mas de quem é a culpa? Até agora, as suas acções desde Setembro, incluindo esta carta do 4 de Outubro, indicam que se desenvolve contra os sacerdotes e laicos que não tiveram confiança nele, seu chefe. Depois do Capítulo, como antes, parece que não suporta nenhuma oposição à sua política conciliadora e conciliar.

A TRADIÇÃO CATÓLICA E O VATICANO II SÃO INCONCILIÁVEIS

Eis a razão pela qual o Superior Geral deu várias vezes ordem formal para encerramento dos "Comentários Eleison". Assim, estes "comentários", em várias ocasiões, criticaram a política conciliadora em direcção a Roma por parte das autoridades da Fraternidade, e por tais comentários foram implicitamente atacados. Por isso, nessa crítica e ataques houve faltas à norma do respeito ao seu ofício ou à sua pessoa, peço perdão com todo o gosto a quem o deva, mas creio que basta percorrer os números concernentes aos "Comentários" para constatar que a crítica e ataques permaneceram regularmente impessoais, porque se dirigem muito alem do meramente pessoal.

Quanto ao grande problema que em muito ultrapassa as pessoas, consideremos a confusão que reina actualmente na Igreja e no mundo, e que ameaçando a salvação eterna de uma quantidade inumerável de almas. Não é dever de um bispo identificar as verdadeiras raízes de tal confusão e denunciá-las publicamente?

Quantos mais bispos no mundo viram claramente como Mons. Lefebvre e dão um ensinamento que corresponde com tal clareza? Quantos deles ensinam ainda a doutrina católica tal como é ela?

Não são pouquíssimos? Então? É este o momento de tentar silenciar um bispo que o faz, como o prova o número de tantas almas que recebe o "Comentário" como uma tábua de salvação? Como outro bispo pode querer encerrá-los, ele mesmo que, diante dos seus sacerdotes, e a respeito das mesmas grandes questões admite ter-se deixado enganar por muitos anos?

Da mesma forma, com efeito, se ao bispo refractário se lhe permitiu - por primeira vez em quase quatro anos - fazer  um apostolado independente, como podem contestá-lo por ter aceite um convite, independentemente da Fraternidade, para confirmar e pregar uma palavra de verdade? Não é a função  de um bispo? As suas palavras no Brasil não foram de "confusão" senão para os que seguem o erro reconhecido e supracitado.

É justo se parece que ele, depois de tantos anos, se separa da Fraternidade, mas separa-se sim da Fraternidade conciliadora e não daquela fundada por Mons. Lefebvre. E se aparenta mostrar-se insubordinado a qualquer exercício da autoridade dos chefes da Franternidade, é também justo [que pareça], mas só relativamente às ordens contrárias aos objectivos pelos quais ela foi fundada. Portanto, fora do mando de encerramento dos "comentários", quais foram as ordens a respeito das quais se pode dizer dizer que ele foi culpável por desobediência "formal, obstinada e pertinaz"? Há outra mais? A desobediência de Mons. Lefebvre, que não foi senão para aqueles actos da autoridade dos chefes da Igreja que eram iam no sentido de destruição da Igreja, a sua desobediência era mais aparente que real. Igualmente, a "desobediência" daquele que não quis fechar os "Comentários" é mais aparente que real.

Portanto, a história repete-se, e o diabo sempre volta à carga. Tal como anteriormente quando o Concílio conciliar tentou conciliar a Igreja Católica com o mundo moderno, assim hoje se diria que Bento XVI e o Superior Geral querem, os dois, conciliar a Tradição católica com o Concílio; assim amanhã, se Deus não impedir, os chefes da Resistência católica buscarão reconciliá-la com a Tradição já conciliar.

MONS. FELLAY È QUEM DEVE RENUNCIAR!

Dado isto, Senhor Superior Geral, V. Ex.ª Revma. poderá certamente proceder à expulsão, porque os meus argumentos obviamente não o irão persuadir, mas esta expulsão será mais aparente que real. Eu sou membro da Fraternidade de Mons. Lefebvre pelo meu compromisso perpétuo. E sou um dos seus sacerdotes desde à 36 anos. Eu sou um dos seus bispos, como vós, e tendo passado quase um quarto de século. Isto não poderá ser anulado por tracejar de caneta, e por isso, permaneço membro da Fraternidade, em espera.

Se V. Ex.ª Revma. tivesses sido fiel à herança e eu tivesse sido notavelmente infiel, eu reconheceria com gosto tal direito de expulsão. Mas dada a situação, espero não faltar ao respeito do vosso cargo oa sugerir que, pela glória de Deus, pela salvação das almas, pela paz interior da Fraternidade, e pela eterna salvação de V. Ex.ª Revma., V. Ex.ª Revma. faria melhor em renunciar ao cargo de Superior Geral que expulsando-me. A V. Ex.ª Revma. que Deus dê a graça, a luz e as forças necessárias para cumprir com tal acto insigne de humanidade e de devoção ao bem comum.

Terminam assim as cartas que com frequência lhe tenho dirigido desde há anos.

Dominus tecum,

+ Richard WILLIAMSON

23/10/12

MONS. WILLIAMSON FOI EXPULSO PELO FELLAYSMO

Mons. Richard Williamson
Mons. Richard Williamson, pedra no sapato do fellaysmo, foi expulso da FSSPX

Cumpre-se o desígnio político que um dos superiores dirigentes tinha afirmado: haveria que colocar fora da FSSPX todos os que concordassem com Mons. Williamson e ao próprio Williamson.

Que dizer?!...
Mons. Bernard Fellay

22/05/12

CORRENTE MUNDIAL DE ORAÇÕES PELO CONCÍLIO VATICANO II

Antes e durante o Concílio Vaticano II o próprio Papa (João XXIII) mandou que se rezasse pelo novo Concílio ecuménico, tanto a adultos como a crianças. Quantos milhares de milhões de orações não teriam sido feitas ao Espírito Santo... Mas o que adianta pedir a Deus se recusarmos os meios directos que ele nos deu?

Aqui está um dos exemplos que testemunham o esforço feito por toda a Igreja Católica antes e durante do Concílio:

"ORAÇÃO PELO CONCÍLIO ECUMÉNICO(Com aprov. Ecles.) 
Divino Espírito Santo que, enviado pelo Pai em nome de Jesus, estais presente na Igreja e infalivelmente a governais, pedimo-Vos a plenitude dos vossos dons para o Concílio Ecuménico.
Mestre e Consolador suavíssimo, iluminai as mentes dos Sagrados Pastores que, em obediência ao Romano Pontífice w juntamente com Ele, celebram as reuniões do Santo Concílio.
Concedei-nos a graça de que sejam abundantes os seus frutos e de que cada vez mais se difundam pelo género humano a luz e a força do Evangelho. Concedei-nos também que floresçam, com renovado vigor, a religião católica e os ardorosos trabalhos dos missionários a fim de que cheguemos a um conhecimento mais perfeito da doutrina da Igreja e a vida cristã progrida salutarmente.
Ó doce Hóspede das almas, confirmai as nossas inteligências na verdade e dirigi os nossos corações na obediência exacta para que recebamos submissos e jubilosos cumpramos as determinações do Concílio.
Pedimo-Vos também por aquelas ovelhas que já não são do único redil de Cristo para que também elas, que se gloriam do nome cristão, cheguem à unidade da igreja sob o governo dum só Pastor.
Renovai hoje, em novo Pentecostes, os vossos prodígios e fazei que a Santa Igreja, preseverando unida em oração constante, com Maria, Mãe de Jesus, e sob a invisível direcção do Apóstolo S. Pedro, dilate o reino de Cristo, nosso Salvador, reino de verdade e de justiça, reino de amor e de paz. Assim seja.

(Indulto de 10 anos por cada vez, plenária uma vez por mês para quem a rezar todos os dias.)"
O movimento contava com as crianças católicas de todo o mundo que rezaram uma oração composta pelo Papa:

 
"EM UNIÃO COM O SANTO PADRE, AS CRIANÇAS DO MUNDO INTEIRO REZAM PELO CONCÍLIO
ORAÇÃO DAS CRIANÇAS PELO CONCÍLIO ECUMÉNICO 
Divino Espírito Santo, vós que descestes outrora sobre a Virgem Santíssima e os Apóstolos quando estavam reunidos em oração no dia de Pentecostes, derramai agora a plenitude dos vossos dons sobre o Santo Padre e sobre os Bispos do mundo inteiro reunidos com Ele em Concílio Ecuménico.
Porque habitais nas nossas almas, fortificai o nosso espírito e os nossos corações; enchei-os da vossa luz e do vosso amor; tornai-os dóceis a aceitar e a pôr em prática as decisões do Concílio.
Ó Espírito de Verdade, Ensinai a todos os homens o caminho que leva a Casa do pai Comum para que, segundo o desejo de Jesus, não haja em breve mais do que um só rebanho e um só pastor!

Assim seja! 
O texto desta oração foi composto por Sua Santidade o Papa João XXIII para fomentar entre as crianças um intenso movimento de oração pelo Concílio. (Carta de S. Exciª Mgr. Dell'Acqua a Raoul Delgrange, Presidente da Comissão Internacional Católica da Infância, em 3 de Fevereiro de 1962.)"

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