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11/08/13

"BEATI MUNDI CORDE" - Pe. ANTÓNIO VIEIRA



"Beati mundi corde"

143. (I§)
"A Festa mais universal, e a festa mais particular: a festa mais de todos, e a festa mais de cada um, é a que hoje celebra, e nos manda celebrar a Igreja. É a festa mais universal, e mais de todos; porque começando pela fonte de toda a Santidade, que é Cristo, e pela Rainha de todos os Santos, que é a Virgem Santíssima, fazemos festa hoje a todos as hierarquias dos Anjos, fazemos festa aos Patriarcas, e aos Profetas; aos Apóstolos, e aos Mártires; aos Confessores, e às Virgens, E não há Bemaventurado na Igreja Triunfante, ou Canonizado, ou não Canonizado, ou conhecido, ou não conhecido na Militante, que não tenha a sua parte, ou o seu todo neste grande dia. E este mesmo dia tão universal, e tão de todos, é também o mais particular, e mais próprio de cada um; porque hoje se celebram os Santos de cada Nação, os Santos de cada Reino, os Santos de cada Religião, os Santos de cada Cidade, os Santos de cada Família. Vede quão nosso, e quão particular é este dia. Não só celebramos os Santos desta nossa Cidade, senão cada um de nós os Santos da nossa Famílias, e do nosso sangue. Nenhuma família de Cristãos haverá tão desgraçada, que não tenha muitos ascendentes na Glória. Fazemos pois hoje festa a nossos pais, a nossos avós, a nossos irmãos, e os que tendes filhos no Céus, ou inocentes, ou adultos, fazeis também festa hoje a vossos filhos, Ainda é mais nosso a esta festa; porque se Deus nos fizer mercê de que nos salvemos, também virá tempo, e não fará muito tarde, em que nós entremos no número de todos os Santos, e também será nosso este dia. agora celebremos, e depois seremos celebrados: agora nós celebramos a ele, e depois outros nos celebraram a nós. Esta ultima consideração, que é tão verdadeira, foi a que fez alguma devoção à minha tibieza neste dia tão santo, e quisera tratar nele alguma matéria, que nos ajude a conseguir tão grande felicidade. Dividirei tudo o que disser em dois discursos, fundados nas duas palavras que tomei por tema, e nas duas do título da festa. Pois a festa é de todos os Santos, no primeiro discurso veremos quão grande coisa é ser Santos; e no segundo, quão facilmente o podemos ser todos. O primeiro nos dá a primeira palavra do tema: Beati: o segundo nos dará a segunda: Mundo corde. Digamos à Virgem Santíssima: Rogina Sanctorum omnium ora pro nobis, e ofereçamos-lhe a costumada Avé Maria". (do sermão de Todos os Santos pregado em Lisboa no Convento de Odivelas - 1643 - Pe. António Vieira).

02/07/12

ALMAS DO PURGATÓRIO - PADRE PIO - DOIS CASOS

Padre Pio
Fr. Alberto d'Apolio de S. Giovanni Rotondo passou a texto o que o Pe. Pio, em maio de 1922, declarou ao Bispo de Melfi, D. Alberto Costa, e ao Pe. Lorenzo de S. Marcos superior do convento:

Depois de uma invernosa tarde de muita neve, estando no convento nos aposentos, à noite, sentado perto da lareira e recolhido em oração, apareceu-lhe um ancião que vestia uma capa antiga ainda usada pelos camponeses do sul da Itália, que se sentou junto dele. A respeito deste homem disse o Pe. Pio: "Não fazia ideia de como ele tinha podido entrar no convento a essa hora da noite já que todas as portas estavam fechadas. Então perguntei-lhe: Quem és? O que queres?". O ancião disse-lhe: "Padre Pio, sou Pietro Di Mauro, filho de Nicolá, alcunhado de Precoco". E continuou "eu morri neste convento a 18 de setembro de 1908, na cela número 4, quando o convento era ainda abrigo de pobres. Uma noite, enquanto estava na cama, adormeci com um cigarro aceso que incendiou o colchão, e morri asfixiado e queimado. Ainda estou no Purgatório. Necessito uma Missa para ser finalmente liberto. Deus permitiu-me vir pedir a sua ajuda."

Conforme o Pe. Pio: "Depois de ouvir isto, respondi-lhe: sem falta, amanhã cedinho celebrarei uma Missa pela sua libertação. Levantei-me e acompanhei-o até à porta do convento, para que pudesse sair, e dei-me conta que a porta estava fechada à chave. Abri-lhe a porta e despedi-me dele. A luz da Lua iluminava a praça coberta com neve. Quando eu não o vi mais diante de mim, fui tomado por um sentimento de receio, fechei a porta, voltei a entrar no quarto de hóspedes, e senti-me debilitado."

Uns dias mais tarde, o Pe. Pio também contou a história ao Pe. Paolino, e os dois decidiram ir à cidade, onde procuraram o registo de óbitos do ano 1908, e encontraram a 18 de setembro desse ano um Pietro Di Mauro. Este tinha morrido realmente queimado num incêndio na sua cela do então abrigo de pobres.

Na mesma época o Pe. Pio contou a Fr. Albert uma outra aparição de outra alma do purgatório: 

Numa noite, quando estava absorto em oração no coro da pequena igreja, fui sacudido e perturbado por um ruído de passos, e velas e jarrões de flores que se moviam no altar mor. Pensei que alguém devia estar ali, e gritei: Quem anda aí? Como não houve resposta voltei à oração, mas voltaram a incomodar-me os mesmos ruídos. Agora pareceu-me que uma das velas, que estava em frente à imagem de Nossa Senhora da Graça, estava caída. Para ver o que estava a acontecer no altar, coloquei-me em pé, acerquei-me à grade e vi pela sombra feita com a luz de presença do Sacrário, um jovem Irmão fazendo algumas limpezas. Pensei ser o Pe. Leone que estava compondo o altar; e como já era hora da ceia, acerquei-me e disse-lhe "Pe. Leone, vá cear, não é tempo para limpar o pó nem arranjar o altar." Mas uma voz diferente da do Pe. Leone respondeu: "eu não sou o Pe. Leone". Perguntei-lhe, "então quem é?", ao que me respondeu "sou um Irmão seu que fiz o noviciado aqui, e a minha função era limpar o altar durante o ano de noviciado. Infelizmente, durante todo esse tempo não reverenciei a Jesus Sacramentado, Deus Todo Poderoso, como deveria sempre que passei diante do altar. Causando grande aflição ao Santo Sacramento por minhas irreverências; visto que o Senhor estava no Sacrário para ser honrado, louvado e adorado. Por este sério descuido ainda estou no Purgatório. Agora, Deus, por sua misericórdia infinita, enviou-me aqui para que vós, padre, cuideis de mim e decidais desde quando eu poderei desfrutar do Paraíso. Eu acreditei ter sido generoso com essa alma no seu sofrimento, pelo que exclamei: "amanhã cedo celebrarei a Missa e estarás no Paraíso". Essa alma chorou dizendo "Cruel de mim, que malvado fui". E assim desapareceu. "Essa queixa produziu em mim uma ferida tão profunda no coração, a qual senti e sentirei durante toda a vida. De facto eu poderia ter enviado directamente essa alma ao Céu, mas condenei-o a permanecer uma noite nas chamas do Purgatório."

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