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21/10/12

O QUE É UM "TRONO"?

O que resta do trono real português que por cá mais conhecemos
Abundam pela internet imagens de cadeiras às quais alguns chamam "trono". Criou-se a ideia, e moderníssima ideia, de que o trono seria uma cadeira. Venho então partilhar algumas noções a respeito do que é verdadeiramente um "trono".
Armação de um trono na Academia Real de Ciências (Lisboa)
em tempo de D. Carlos

O trono é formado por dois elementos: degraus cobertos por docel ou cúpula. Simplesmente!

No trono pode haver cadeira, banco, sofá, ou coisa alguma para sentar ou deitar. Pode armar-se um trono provisoriamente, e depois desarmar e guardar.

Trono do Palácio Real em Buckingham
Tantas e tantas vezes os Reis receberam em pé no trono, sem que no momento houvesse qualquer assento.

Nas casas principais dos nobres (restrinjo-me ao que é português e tradicional, pelo menos) há que ter Sala de trono (com trono armado ou não armado). Evidentemente, a esmagadora maioria dessas nobres casas nunca receberam o Rei. Contudo, a sala do trono é requisito próprio de tais casas.

Pontifical na Sé de Évora (Portugal, 1946)
O mesmo acontece quanto ao clero: há nas casas principais trono para o Papa, melhor dizendo, para e seus representantes. A regra, na verdade, é mais extensa que estes apontamentos principais.


Sala do trono em casa nobre, em uma vila,
aquando da visita de D. Manuel II
Trono, na Turquia onde o Sultão costuma usar sofá
Trono do Palácio Real do Prado (Madrid - Espanha)
D. Carlos por ocasião das Cortes
Palácio de S. Bento (Lisboa - Portugal) - fotografia

Hoje, mais que nunca, é importe recordar os tronos dos altares, que é coisa muito própria em Portugal (e é uma rara concessão) e que se tornou uma quase marca própria dos portugueses. O trono é colocado no retábulo, é formado por uma "escadaria" coberta com cúpula (que muitas vezes imita panos, porque imita o docel), situa-se no centro do retábulo logo acima do sacrário (sobre estas matérias ainda haveria várias outras considerações a fazer, e serão feitas em tempo oportuno). Estes tronos devem ter nunca menos de 20 velas (incluindo as da banqueta e tocheiros).

Trono ao centro do altar da igreja de S. Victor (Braga - Portugal)
Papa Pio XII
Cadeira de trono usada pelo Papa Leão XIII


Não mais se confunda "trono" com as cadeiras adornadas que foram usadas em tronos. Há também cadeiras feitas unicamente para os tronos "cadeira de trono", ou feitas para usar no trono e fora dele (em certas ocasiões).

Sala do Trono do Palácio Real de N. Sra. da Ajuda (Lisboa - Portugal)

O trono não tem que abrigar apenas a Real pessoa, podendo abrigar a Alteza Real, e mais.

Brasil - montagem museológica.
Trono napoleónico no Castelo de Fontaine Bleau (França)

Curiosamente, e é caso para um estudo mais aprofundado, há sinais de que aos monarcas revolucionários (liberais e "republicanos") lhes ficou ocultada a tradição, ou não a entenderam nunca. Vemos isso, por exemplo, na pouca altura dos doceis e pelo uso de longos cetros.Com isto ri-se a monarquia tradicional da presunção da "monarquia" liberal!

08/09/12

BRASILEIROS, SALVAI A MONARQUIA MAS ATIRAI COM O LIBERALISMO

Há dias, um jovem brasileiro empolgado pelos dourados das coroas manifestou-me que D. Pedro I de Brasil não era liberal coisa nenhuma! Ora pois pois Manuel: "D. Pedro recorreu a um oficial estrangeiro, Solignac, antigo general de Napoleão, o qual assumiu em Dezembro de 1832 o comando das forças liberais. No entanto, as acções de 23 de Janeiro de 1833 sobre o Crasto e o Castelo do Queijo, não abonaram a favor do novo chefe militar." O francês não "comeu" o Queijo talvez porque D. Pedro, já não-português, esqueceu de fazer pão.

O mesmo jovem já me disse mais de uma vez que D. Pedro do Brasil e D. Pedro de Portugal, sendo a mesma pessoa, não são a mesma "coisa"... Algo assim... Nunca entendi bem isso dos heterónimos... mas quem sabe D. Pedro tenha em si a unidade de duas pessoas, quase uma trindade, ou uma "divindade imperial" autocrática. Enfim... certamente D. Pedro tinha uma só pessoa tanto em Portugal como no Brasil; e ponto. Se há outras razões também não as conheço, porque o jovem brasileiro publicitou, mas por algum motivo não explicou.

Todas estas confusões, voltas e reviravoltas de alguns jovens no Brasil adeptos das coroas e arminhos, devem-se ao facto de acreditarem que, para defender a monarquia terão de apoiar a "sua monarquia" (seja ela qual for). Na verdade é isso que passa: apoiam a "sua monarquia" mas pouco ou nada se importam com a Monarquia, tentando baixar e torcer os implicados princípios ao movimento político que militam. A "sua monarquia" já é de si uma concepção muito limitada e selectiva. Como conseguirão estes iludidos deitar fora o liberalismo e defender a verdadeira Monarquia (como seria próprio de católicos) se ainda estão presos a uma ideia de "identidade nacional" que não está pronta para admitir a existência dos factos ideológicos errados que foram cometidos? Preferem assim, nem olhando muito o pouco mas nobre que resta, sonhar com os timbres que a palavra "império" emite, contra toda a realidade. Mais valeria a esses uma nobre e pura realidade, que muitos malabarismos brilhantes.

Ao jovem brasileiro exaltado dei o exemplo português: eu não nego que a "monarquia" que D. Pedro veio "fundar" em Portugal seja liberal, não a louvo nem a proponho e antes a dou como um exemplo a não seguir. Eis o exemplo de um português que não canonizou a "monarquia" em sua Pátria depois de 1834, antes a expõe, a lamenta, e a recusa. Ora, os brasileiros, e entendo o motivo, estão a fazer o contrário: 

1 - Monarquicamente, cortam a sua identidade no que está antes de D. João VI (fazem disso um "pré-Brasil, e não o Brasil);
2 - Saltam a medo o Reinado que tiveram com D. João VI, como se fosse um tempo de transição;
3 - Exaltam o "império" nascido com D. Pedro, como se fosse uma fundação do Brasil, e não uma corrupção com usurpação ao legítimo Rei D. João VI.

Fazem convergir e reduzem na prática a sua experiência e defesa ao Império (que na verdade foi todo ele liberal).

Assim, ao invocarem o império brasileiro, arrastam com ele todo o peso do liberalismo e da forma nada santa e revoltosa que está na origem do mesmo.

Há solução? Sim, a verdade:

1 - Defender a Monarquia por consequência de ser-se católico;
2 - Não confundir a defesa da Monarquia com: a defesa da história, acontecimentos, pessoas reais da "nossa monarquia", mas sim primeiramente o Princípio e o grau mais elevado que dela Deus facultou ao Brasil: a monarquia tradicional, antes de D. Pedro I (o que na prática pode ser hoje impossível, e há que admitir tal);
3 - Louvar os bons feitos que a Monarquia fez no Brasil, mas condenar os maus e, nomeadamente o sistema liberal (o que costumam chamar de "poder moderador", e "constitucionalismo");

Possivelmente, os jovens brasileiros, ao verem o que estes 3 pontos implicam de bater na vaidade e orgulho desmedido, com maior teima colar-se-ão à velha posição para onde andam arrastados ou, a abandonarão lentamente, ou por um minuto que seja farão numa reformulação geral...

RECOMENDAÇÃO:

- Já que há Casa Real, aproveitem;
- Já que há sucessores legítimos, aproveitem;
- Já que tiveram experiência histórica (em muito séculos) com a Monarquia tradicional, aproveitem;
- Já que são católicos, aproveitem a oportunidade para expurgar da causa todo o liberalismo e o sistema liberal imperial.

Depois destes 4 pontos, digo ao jovem brasileiro exaltado que, se assim não for, a incompatibilidade com o catolicismo é profunda: NUNCA haverá restauração acarinhada por Deus sem que seja deitada fora liberalice. Compete APENAS aos representantes da Casa brasileira voltar o olhar à Monarquia (a tradicional, e que o Brasil conheceu também) e propor tal regresso, condenado o sistema liberal do Império e os desvaires de D. Pedro. SEMPRE, em qualquer o tempo, defender as desobediências e as revoltas é pecado (ou encostar-se a elas).

Salvai a Monarquia e atirai fora o liberalismo em todas as suas formas.

VIVA CRISTO REI

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