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07/07/14

sobre o CRESCIMENTO SOBRENATURAL, E AS BOAS OBRAS

"..., a fé coopera nas nossas obras, e assim progredimos na graça que nos torna justos aos olhos de Deus. Pois está escrito: Que o justo (isto é, aquele que possui, pela graça santificante, a amizade de Deus) se torne cada vez mais justo. E ainda: "Avançai no estado de justiça até à morte". É este aumento da graça que a Igreja pede quando diz a Deus (XIII domingo depois do Pentecostes): "Dai-nos um aumento de fé, de esperança e de caridade".

Como vêdes, o santo Concílio indica-nos que, juntamente com as nossas obras, o exercício das virtudes, principalmente das virtudes teologias, é a fonte do nosso progresso, do nosso crescimento na vida espiritual de que é princípio a graça.

Como se realiza isto? Primeiramente, pelas boas obras. Já vos disse que toda a boa obra feita em estado de graça, sob o impulso da caridade divina é meritória; "toda a obra meritória é uma fonte de aumento da graça em nós": Quolibet actu meritorio meretur homo augmentum gratiae. As boas acções da alma em estado de graça não são apenas frutos ou manifestações da nossa qualidade de filhos de Deus; são também, diz o Concílio de Trento, causa de aumento dessa justificação, que nos torna agradáveis a Deus. Por isso, à medida que se multiplicam as nossas obras, a graça aumenta; torna-se mais forte, mais poderosa; e com ela aumenta a caridade; aumenta também a glória futura, que não é senão o desabrochar no céu do nosso grau de graça neste mundo. Por esta razão o santo Concílio nos repete a palavra de S. Paulo: "Sêde firmes e constantes, trabalhando sempre cada vez mais na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é inútil ao Senhor".

Mas é sobretudo pela prática das virtudes que cresce a vida da graça.

Sabeis que no homem a natureza faz surgir certas faculdades, - inteligência, vontade, sensibilidade, imaginação, que são em nós princípios de acção, fôrças de operação, que nos permitem obrar inteiramente como homens; sem elas, um homem não é perfeito na sua completa realidade de homem.

Coisa análoga se passa na vida sobrenatural. A graça santificante informa a nossa alma, e, dando-nos como que um novo ser, Nova criatura, torna-nos filhos de Deus. Mas Deus, que tudo faz com sabedoria e difunde os seus dons com munificência, deu a este ser faculdades que, proporcionadas à sua nova condição, dão-lhe capacidade para obrar em conformidade com o fim sobrenatural a atingir, isto é, como filho de Deus, que espera a herança de Cristo na bem-aventurança eterna. Essas faculdades são as virtudes sobrenaturais infusas.

Chamam-se virtudes (do latim virtus, "força"), porque são aptidões da acção, princípios de operação, energias que subsistem em nós como hábitos estáveis, e que, actuando no momento oportuno, fazem-nos produzir prontamente, com facilidade e alegria, obras agradáveis a Deus. Como essas forças de operação não têm a sua origem em nós e tendem a fazer-nos obrar para um fim que ultrapassa as exigências e excede as forças da nossa natureza, chamam-se sobrenaturais. Enfim, a palavra infusas, indica que o próprio Deus as deposita directamente em nós no dia do Baptismo com a graça santificante.

Pela graça somos filhos de Deus; pelas virtudes sobrenaturais infusas, podemos obrar como filhos de Deus, produzir actos dignos de nosso fim sobrenatural.

Devemos distinguir as virtudes infusas das virtudes naturais. Estas são qualidades, "hábitos", que o homem, mesmo incrédulo, adquire e desenvolve em si por esforços pessoais e actos reiterados; tais são a coragem, a força, a prudência, a justiça, a doçura, a lealdade, a sinceridade. São siposições naturais que cultivamos e que se tornaram, pelo nosso exercício, hábitos adquiridos. Aperfeiçoam e embelezam o nosso ser natural no domínio intelectual ou simplesmente moral.

Uma comparação vos fará compreender a natureza da virtude natural adquirida. Conheceis diferentes línguas estrangeiras; essa ciência não a recebestes ao nascer; exercícios e esforços reiterados vô-la fizeram adquirir; uma vez adquirida, está em vós como hábito, como força, prestes a declarar-se à menor ordem da vontade. O mesmo se dá com aquele que aprendeu a arte da música; pode não praticar constantemente essa arte; mas possui-a como um hábito; quando o artista quiser, tomará o arco ou colocar-se-á diante do teclado, e tocará com a mesma facilidade como que outros abrem os olhos, andam, etc. Compreendeis igualmente que a virtude natural adquirida, como todo o hábito adquirido, deve, para não se perder, ser mantida e cultivada; e isto, pelo mesmo princípio que a fêz surgir, isto é, pelo mesmo princípio que a fêz surgir, isto é, pelo exercício.

São doutra essência as virtudes sobrenaturais infusa. Primeiramente, elevam-se acima da nossa natureza. Sem dúvida, praticamo-las pelas faculdades com que a natureza nos dotou, (inteligência e vontade), mas essas faculdades são ainda mais elevadas, são levantadas, se assim me posso exprimir, até ao nível divino, de sorte que os actos dessas virtudes atingem a proporção indispensável para obter o nosso fim sobrenatural. Depois, não é por esforços pessoais que as adquirimos; mas o seu gérmen é deposto em nós com liberalidade por Deus, com a graça de que formam o cortejo: Simul infunduntur." (Jesus Cristo Vida da Alma. Dom Columba Marmion, Livraria Litúrgica Editora (Braga), 1939. pag. 314)

23/08/13

NATUREZA DA GRAÇA ACTUAL


A graça actual é um socorro passageiro que Deus nos oferece para cada acção sobrenatural, ou uma moção sobrenatural de Deus, transitória, que dispõe a alma para obrar ou receber algo em ordem à vida eterna. Pode consistir numa luz que ilumina o entendimento, ou num impulso que incita à vontade. Pode ser interior, e apresentar-se directamente à alma sob a forma de bom pensamento, propósito ou afecto; o exterior, e obrar desde fora, por meio de uma instrução, um conselho, uma leitura, um bom exemplo, um acontecimento providencial.

A graça actual tem várias diferenças relativamente à graça habitual ou santificante: 

A graça habitual ou santificante é um hábito, isto é, uma qualidade permanente que produz efeito de forma contínua; enquanto que a graça actual é um acto, isto é, uma moção transitória, que tem um efeito passageiro, e pode incluso não produzir o seu efeito se aquele que o recebe opõe resistência; 

A graça santificante só se encontra nas almas justas, enquanto que Deus concede graças actuais incluso às almas em pecado, pois sem elas não podiam converter-se; 

A graça santificante não é imediatamente operativa, porque se nos concede na ordem do ser sobrenatural; enquanto que a graça actual é essencialmente operativa, porque se nos concede na ordem da acção, e produz a própria acção sobrenatural.

(Pe. José Maria Mestre - sebenta. Tradução ASCENDENS)

NATUREZA DA GRAÇA SANTIFICANTE

A graça santificante define-se como um dom de Deus inerente à alma, "que a torna partícipe da natureza divina" (II Ped. 1, 4) e a eleva assim a um estado sobrenatural e divino. Chama-se "graça" porque é uma realidade que Deus nos comunica à alma graciosamente ("gratis"), e porque a torna grata a seus olhos, concedendo-lhe algo da sua beleza divina. E chama-se "santificante", porque nos santifica ao comunicar-nos a justiça e santidade divinas.

1º À luz da Revelação, a graça nos é apresentada:
- como uma qualidade divina, pela qual Deus renova e transforma a nossa alma e a deifica, ou seja, a torna semelhante a Ele;
- como um princípio de vida divina, como uma semente divina (I Jn. 3, 9), como um enxerto feito ao nosso ser natural; por isso a justificação, que é a acção pela qual Deus nos confere a graça santificante no Baptismo, é chamada de regeneração, um novo nacimento, que nos confere um novo ser, o ser da graça, que é um ser divino;
- Como um título, que nos dá um direito rigoroso à bemaventurança própria de Deus, e nos concede ao mesmo tempo a aptidão para esta bemaventurança.

2º Igualmente, os Padres da Igreja comparam a acção de Deus presente e operante em nossas almas pela graça santificante para fazê-las deiformes:
- à acção de um pintor, que reproduz uma tela (a nossa alma) seu próprio retrato;
- à acção de um selo, que deixa a sua marca sobre a cera a que se aplica;
- à acção do fogo, que faz partícipe de sua natureza e de suas propriedade ígneas ao ferro submergido nele;
- A acção da luz, que faz resplandecer com a sua claridade o ar, os prismas, o diamante que inunda com seus raios.

(Pe. José Maria Mestre, apontamentos; tradução: ASCENDENS)

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