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06/03/17

VISITAR PORTUGAL - Guimarães (II)

(anterior, Idanha-a-Velha)

Conhecida como "berço de Portugal", ou seja do Reino de Portugal, Guimarães é uma das nossas antigas cidades:



(a continuar)

29/09/16

BIBLIOTECA ASCENDENS - difusão (X)

(continuação da IX parte)

[requisição gratuita das obras: ver aqui]

656 - História da Vida, Morte, Milagres, Canonização, e Trasladação de Santa Isabel Sexta Rainha de Portugal. ... (D. Fernando Correia Delacerda, Bispo do Porto. Lisboa Ocidental, ano 1735) [Pt. - 490 páginas]

611 - Portugal Antigo e Moderno - Dicionário Geográfico, Estatístico, Corográfico, Heraldíco, Arqueológico, Histórico, Biográfico e Etimológico de Todas as Cidades, Vilas e Freguesias de Portugal, de Grande Número de Aldeias (se estas são notáveis por serem pátria de homens célebres, por batalhas ou outros factos importantes que nelas tiveram lugar por serem serem solares de famílias nobres, ou por monumentos de qualquer natureza, ali existentes), Notícia de Muitas Cidades e Outras Povoações da Lusitânica de que Apenas Restam Vestígios ou Somente a Tradição. (Augusto Soares de Azevedo Barbosa de Pinho Leal. Lisboa, ano 1874) [Pt. - 510 páginas]

617 - Gabinete Histórico, que A Sua Majestade Fidelíssima, o Senhor Rei D. João VI, no Dia de Seus Felicíssimos anos, 13 de Maio de 1818 - Oferece Fr. Cláudio da Conceição, .... - II Tomo desde 1325 até 1580 (Lisboa, ano 1818) [Pt. - 440 páginas]

618 - Galeria das Ordens Religiosas e Militares, Desde a Mais Remota Antiguidade Até Nossos Dias, adornada com muitas estampas - I Tomo (? .Porto, ano 1843) [Pt. - 580 páginas]

619 - História Anual, Cronologia, e Política do Mundo, e especialmente da Europa, onde se faz memória dos nascimentos, desposórios, e mortes de todos os Imperadores, Reis, Príncipes, e pessoas consideráveis pela sua qualidade, ou empregos; encontros, sítios de Praças, e Batalhas terrestres, e navais; vistas, e jornadas de Principais, Tratados de Aliança, trégua, e paz.... - IX Parte (? .Lisboa Ocidental, ano 1723) [Pt. - 430 páginas]

623 - Guimarães - Apontamentos Para a Sua História - I Volume (Pe. António José Ferreira Caldas. Porto, ano 1881) [Pt. - 400 páginas]

626 - História da Vida, Conquistas, e Religião de Maomé, e do Governo Civil, e Militar do Império Otomano.... (João José Pereira. Lisboa, ano 1791) [Pt. - 390 páginas]

629 - História da Feliz Aclamação do Senhor Rei D. João o Quarto dom uma série cronológica dos Reis de Portugal; ....  (Roque Ferreira Lobo. Lisboa, ano 1803) [Pt. - 390 páginas]

633 - Crónica dos Feitos, Vida, e Morte do Infante Santo D. Fernando que Morreu em Fez ...(Fr. Jerónimo de Ramos. Lisboa Ocidental, 1730) [Pt - 185 páginas de cor]

634 - Verdadeira Informação das Terras do Preste João das Índias (Pe. Francisco Alvares. Lisboa, ano 1889) [Pt. - 240 páginas de cor; é uma reedição recente do antigo livro]

638 - Golpe de Vista em que em Compêndio, Mas em Luz Clara, e Brilhante se Propõem as Razões, e Fundamento, que Demonstram, a Ponto de Evidência, a Legitimidade dos Direitos DelRei o Senhor D. Miguel I ao Trono de Portugal, de que se acha de posse para felicidade deste Reino... em 10 de Março de 1829 (? .Lisboa, ano 1829) [Pt. - 20 páginas]

639 - Relação Dos Gloriosos Sucessos, que Conseguiram as Armas DelRei Católico Carlos Terceiro e os mais Aliados desta Coroa, no sítio da Praça de Barcelona, sitiada por terra pelo Duque de Anjou com os exércitos de França, e Castela, e por mar, pelo Conde de Tolosa. Publicada em 9 de Junho de 1706. (? . Lisboa, ano 1706?) [Pt. 16 páginas]

640 - Ao Muito Alto, e Poderoso Senhor D. Miguel I, Rei de Portugal, e dos Algarves, Oferece o seu humilde Vassalo Manuel Correia de Morais, o seguinte Elogio. (Lisboa, ano 1829) [Pt. - 24 páginas]

643 - Oração Fúnebre, que nas Esquias do Excelentíssimo e Reverendíssimo Senhor D. Francisco de Lemos de Faria Pereira Coutinho, Bispo de Coimbra, Conde de Arganil, Reformador Reitor da Universidade, Celebradas pela Mocidade Académica Recitou o Dr. Fr. António José da Rocha, Lente da Faculdade de Teologia, a 24 de Maio de 1822 na Igreja Catedral de Coimbra. (Coimbra, ano 1822) [Pt. - 20  páginas]

644 - Essai Sur la Manière Vèridique de Jouer d'un Instrument à Clavier - I Partie (C. P. E. Bach. 2005) [Fr.. - 108 páginas]

648 - Vida de D. João de Castro, Quarto Vice-rei da Índia... (Jacinto Freire de Andrade. Lisboa, ano 1671) [Pt. - 400 páginas]

655 - História das Lutas com os Holandeses no Brasil - Desde 1624 a 1654 ... (Barão do Porto Seguro. Lisboa, ano 1874) [Pt. - 490 páginas]

(continuação, XI parte)

08/10/15

PORTUGAL, AGRICULTURA, E MOUROS (I)

MEMÓRIAS DE LITERATURA PORTUGUESA,
Publicadas
pela
ACADEMIA REAL DAS CIÊNCIAS DE LISBOA

Tomo II

LISBOA
Na Oficina da Mesma Academia
ano 1792
Com licença da Real Mesa da Comissão Geral sobre o Exame,
e Censura dos Livros.


[...]
§ I
DO TEMPO DO CONDE D. HENRIQUE ATÉ ElREI D. PEDRO I

O Terreno que chamamos Portugal, no tempo do Conde D. Henrique era, grande parte, senhoreado de Mouros, inimigos irreconciliáveis dos Nacionais, com que viviam quase sempre em crua guerra. O carácter da guerra daqueles tempos era principalmente de corridas, de falto, e de pilhagem, a ordem de parte a parte se roubavam os frutos, e os rebanhos. Os Lavradores, destas contínuas inquietações sempre assustados, apenas cultivavam as terras mais vizinhas às casas fortes, e povoações muradas, donde facilmente pudessem ser auxiliados das irrupções dos inimigos. Com a mão, hora nos instrumentos da cultura, outra hora nos da guerra pela maior parte colhiam, e pelejavam.

Nas Províncias do Minho, Trás-os-Montes, e uma parte da Beira se vivia com mais repouso. Aí mais a salvo os Lavradores, semeavam, e colhiam. as colheitas eram principalmente de trigo, centeio, cevada, e legumes. As frutas, e hortaliças eram abundantes à proporção do povo. O azeite era raríssimo no Minho; havia suficiente na Beira, e Trás-os-Montes (vemos isto por algumas escrituras, e doações daquele tempo, que se guardam nos respectivos cartórios, e também pelos forais; muitos nos refere Fr. António Brandão na Monarchia Lusitana, e o P. D. António Caetano de Sousa nas Provas das memórias Genealógicas da Sereníssima Casa de Bragança): do mesmo modo era o vinho. Os mais géneros floresciam medianamente.

Ainda então se não tinham introduzido tantas diferenças de qualidades na Ordem política. Um Lavrador era um homem bom, um homem honrado, que rodava com todos os bons Patriotas, e ocupava os honrosos cargos públicos do Lugar em que vivia.

O Conde vendo, que havia bastantes terras incultas, que era necessário cultivarem-se para a subsistência do Estado, e que por outra parte os cuidados da guerra lhe não deixavam empregar-se de propósito neste empenho, buscou modo, com que, sem faltar ao ministério das armas, promovesse a Agricultura. Repartiu largamente as terras incultas por alguns corpos de mão morta, com às Catedrais de Braga, e outras, e aos Monges Benedictinos; e também por muitos Senhores da sua Côrte, que as fizessem cultivar (que fez doações a vários Senhores da sua Côrte, prova-se pelos testemunhos apontados nos referidos AA. "Deus a Alberto Tibão, e a seu Irmão, e aos mais Franceses o campos de Guimarães junto ao seu Paço." Sousa T. I das prov. nº 2 "Também deu a Egas Moniz o sítio de Britiande, que logo pobrou, e fez aí quinta e morada." consta do liv. das doações do Mosteiro de Salzedas, referido por Brandão Part. III liv. VIII cap. 20; aí mesmo se leem estas palavras "e D. Henrique.... deixou-lhes haver quanto filhavam e contava-lho, e assim fez a D. Garcia Rodrigues e a D. Paião seu irmão, que lhes contou o Couto de Leomil etc..."; no mesmo lugar se acham outros muitos testemunhos; também o Conde fez fundar novas povoações de Lavradores, para multiplicar os homens, honrados a estes novos povoadores com graças e privilégios; para prova disto basta ver o foral da Vila de Constantins de Panoias, que refere Sousa no tom. I das Provas nº 1). A Catedral de Braga repartiu estas terras, aforando umas, dando outras aos Lavradores com a convenção de certas partilhas na colheita dos frutos.

Os Monges em parte fazendo o mesmo que a Catedral, em parte dando ainda melhor exemplo, também promoveram a cultura. Viviam ainda estes respeitáveis Monges em todo o rigor dos trabalhos Monásticos. Multiplicaram, com o favor do Conde, os Mosteiros, onde se recolhiam nas horas do repouso, e Oração. O mais tempo empregavam em cultivar por suas próprias mãos as terras que lhes foram doadas, dando testemunho público da sua observância, e do amor ao trabalho honesto, e proveitoso, fundando ao mesmo tempo muitas povoações, e Freguesias para cómodo daqueles seculáres, que por algum modo se agravam às suas lavouras, donde veio ser a Província do Minho a mais povoada, e por consequência a mais abundante.

Mosteiro do Lorvão
Estas Comunidades de Monges lavradores se aumentaram tanto, que além dos Mosteiros Lorvaniense, e Bubulense serem muito povoados, o Palumbário, segundo escrevem alguns, chegou a ter 900 Monges (Que os Monges Beneditinos viviam do seu trabalho manual, já desde as suas fundações em Portugal, e antes do tempo em que falamos, além de ser conforme à sua regra, e testificado pelos seus anais, se deduz da doação, que fez ElRei D. Ramiro aos Monges de Lorvão, que não querendo eles possuir herdades, e sustentando-se como Lavradores jornaleiros, o Rei lhes dá uma herdade, e os obriga a aceitar "quoniam inter istos montes non habetis campos ad laborandum" prova de que eles trabalhavam nos campos para se sustentarem. Que os Monges deste Mosteiro trabalhavam por suas mãos nas herdades que já depois possuíam, prova-se porque as suas lavouras eram muito grandes. Tais, como se colhe de doação que lhe fez ElRei D. Sancho de Leão, que contendo, como quisera levantar o cerco de Coimbra por falta de víveres, acrescenta: "os frades me deram de tudo o que tinham para comer, ovelhas, bois, porcos, cabras, aves, pescados, e muitos legumes, pão, e vinho sem conto que.... tinham guardado etc."; tais eram as suas colheitas que sustentaram um Rei, e um exército - estas não podiam ser feita senão pelas suas mãos; porque tendo sido, depois de expugnação de Coimbra por Almansor, levadas cativas a Sevilha "todas as pessoas que eram de trabalhar"; e algumas poucas que ficaram, constrangidas pela escravidão, a servir aos Mouros, que dominavam a terra, como podiam ter os Monges tanta cópia de criados para tão grandes lavouras? nem os Mouros lhos consentiam, principalmente tendo tão perto o Mosteiro Bubulense, ou da Vacariça, que unindo-se seriam temíveis aos inimigos; além disso "Os Mouros deixavam trabalhar aos Monges pagando-lhes certo tributo, e ainda sim os vexavam."; são palavras de um monumento antigo referido por Fr. Manuel da Rocha no Portugal Renascido - Que o mosteiro Paumbário, ou de Pombeiro, tivesse 900 Monges, diz Fr. Leão de S. Tomás nos prolómen, às Constituições Beneditinas; outros duvidam do número; como quer que fosse, sempre era grande; o mesmo A. refere uma passagem do Livro dos usos do dito Mosteiro, que determina, que "na 5.ª feira Maior se chamem para o Lava-pés tantos pobres, quanto Monges houver: e no caso de se não acharem tantos pobres Curet Soliem (o Abade) quos centum et viginti minime deficiant."). A utilidade intrínseca de Agricultura, os exemplos destes virtuosos Monges, o favor do Príncipe, e dos poderosos, para o aumento da povoação, e por consequência da Cultura, tudo animou os homens, e começaram a empregar-se com mais gosto nos trabalhos da lavoura.

Neste tempo ainda não era cultivada por nós, mais que uma pequena parte da Estremadura. A Beira nem toda era cultivada, o Além-Tejo era ocupado de Mouros, que não deixavam trabalhar os naturais, oprimindo-os ou com a escravidão, ou com a guerra.

Entrou o governo DelRei D. Afonso Henriques, em cujo tempo já nas três Províncias havia muita colheita de grãos, vinhos, e azeite, principalmente nas vizinhanças de Coimbra. Duarte Galvão, e Duarte Nunes de Leão nos contam, que estando este Príncipe em Guimarães vieram os Mouros cercar Coimbra, e destruíram "pães, hortas, vinhos, e olivais, com tudo era tanta a abundância destes géneros na Cidade, que davam cinco quarteiros de trigo per um meravidy de ouro e dois moros de vinho por outro maravidy" são formais palavras por que Duarte Galvão se explica (Duarte Galv. Crónica Cap 7).

As armas Portuguesas conduzidas por este Príncipe foram correndo pela Estremadura, entrando por Além-Tejo, e compelindo os Mouros até aos fins da Monarquia. Novas terras conquistadas pediam novos povoadores, e colonos. Ele todo ocupado na reparação da Pátria, vendo que os trabalhadores da guerra lhe não deixavam pôr todos os esforços no aumento da Cultura, seguiu os vestígios de seu Pai, já em cuidar, que se fizessem novas povoações, já em repartir as terras pelos Corpos de mão morta; deu muitas às Catedrais de Viseu, e Coimbra, que fizeram fundar inumeráveis povoações (consta das nossas Crónicas, da Monarquia Lusitana, e de infinitos documentos dos referidos cartórios; fez das terras de Coja outro, e Senhorio dos Bispos de Coimbra, que as fizeram cultivar - Brand. Part. III liv. 9 Cap.18), outras muitas ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra (o livro das doações de S. Cruz está cheio de provas "Fez o couto de Verida a esta Casa, na Era de 1204 e deu suas terras para se fazerem abrir", "deu também o Castelo de S. Olaia"; A doação deste Castelo traz Brand. Part. III Liv. II Cap. 7; também lhe deu Leiria, da qual o Rei diz "Quod castruns in terra deserta ego primitus edificavi" Id. Part. III Liv. 9 Cap. 25). Estas corporações repartiram também as terras pelos seus colonos com foros, ou por convenções de partilhas na colheita, por terço, quarto, e oitavo; e esta foi a origem dos direitos que este Mosteiro ainda hoje tem nos campos de Cadima, Tocha, Antuzede, Reveles, Ribeira de Frades, Condeixa a nova, e Vetride povoações, que aquela Comunidade ou fundou, ou reedificou para cómodo dos seus Lavradores.

(a continuar)

04/08/14

NOSSA SENHORA DA OLIVEIRA de GUIMARÃES e SÃO TORCATO

Segundo sempre nos foi transmitido, S. Tiago Apóstolo andou pela Península Ibérica convertendo. Segundo o que nos conta Enliano, tal se deu no ano 36 d.C. na região que vai do Douro (Portugal) e se avança por Galiza. Nos livros da Sé de Braga e de Évora, e outras, tal como S. Isidoro e S. Bráulio, entre outros,  isto fica confirmado. Também o Papa Calisto II confirma esta data, contando que a S. Tiago se juntaram nove discípulos nomeadamente da região de Entre Douro e Minho (hoje Portugal): o primeiro foi S. Pedro de Rates (primeiro Bispo de Braga); o segundo foi S. Torcato, que foi Bispo de Citânia (que ficava a norte de Guimarães, hoje quase sem vestígios). Nesta cidade, que ainda naquele tempo tomou o nome de Gaudis, houve depois da partida de S. Torcato (a 15 de Maio) uma sua relíquia que, no meio de muitas tribulações, foi parar ao Mosteiro de Cela Nova, na Galiza.

Com a invasão dos mouros os cristãos escondiam as coisas santas como podiam, para as livrar de profanação e destruição. Tal como em tantas outras épocas posteriores, escondíamos estes objectos muito bem, grande parte das vezes enterrando-os, e depois apareceram muitos deles de forma miraculosa. Assim foi que esconderam o corpo de Sto. Eufrázio na Galiza. O achamento do corpo de S. Torcato, foi a poucas léguas de Guimarães e com sinais extraordinários: sobre o local, um mato, caíram como que umas estrelinhas do céu, e viram as gentes como numa cova escondida estava o corpo do Santo que transmitia um odor muito agradável. Depois de desenterrado brotou água em abundância, que passou a ser fonte abençoada onde nela se curaram muitas doenças de alma e de corpo. Aqui foi construída uma ermida, onde se venerava a imagem de S. Torcato (chamada S. Torcato o Velho), corria a bendita água, e se guardava o santo corpo (até que foi levado para o mosteiro beneditino construindo para sua invocação). Este real mosteiro foi doado à Condessa D. Mumadona por D. Fernando (o Magno, imperador), era Colegiada, tinha Prior, Dignidades, Cónegos, até que D. Afonso Henriques o deu à Ordem dos Agostinhos, como se vê na carta das calendas de 6  Maio da era de 1111 (ou seja, 20 de Abril de 1173): "Em nome do Padre, e do Filho, e do Espírito Santo, amen. Esta é a Carta do couto, ou do testamento, que eu Afonso Rei dos Portugueses juntamente com meu filho RlRei D. Sancho, e minha filha a Rainha D. Teresa, e de S. Torcato, e de outros Santos, cujas relíquias estão na mesma igreja; e a vós D. Pelaio Prior da mesma igreja; e aos mais Frades vossos, assim presentes, como futuros, que na dita igreja bem viverem, e perseverarem em santa conversação conforme a Regra de Santo Agostinho: dou-vos, e concedo-vos, e por virtude da presente escritura vos confirmo a mesma igreja com as suas quintas adjecentes." (1). As alterações não deram prejuízo à devoção a S. Torcato.

O corpo de S. Torcato tinha então sido trasladado para o seu mosteiro onde foi depositado com vestes pontificais. Mas, muito mais tarde, D. Manuel achou que as relíquias dos nossos que andavam ali por lugares de menor dimensão, deviam ser reunidas em templos e centros maiores. Foi assim que as de S. Torcato foram parar a Guimarães, com toda a solenidade e gravidade apropriadas pelos Cónegos da referida Colegiada. Mas.... foi necessária a milícia, porque os devotos do Povo, dizendo que não havia motivos para que entre católicos houvesse traslado, não queriam de modo algum que as relíquias mudassem de casa, e fizeram vários requerimentos nesse sentido, sem deixar de fazer guarda às relíquias dia e noite, porque desconfiaram de que os queriam enganar. Eis que certa vez, lá para 1597, D. Fr. Agostinho de Jesus, então Arcebispo de Braga, fez-se acompanhar de muitos fiéis e respectivo estado para uma visita ao túmulo do santo varão (dizia que tinha que fazer averiguações)... mas não demorou que os sinos repicassem em sinal de alarme e que se juntasse ali a população das periferias, armada com armas de seus ofícios, que assim impediram um disfarçado traslado do corpo para a Sé de Braga.

S. Torcato
Os Cónegos da Colegiada de Guimarães, no ano de 1512 dão notícia de que o corpo de S. Torcato se encontrava não só incorrupto como incorruptas estavam suas vestes. O Cónego responsável pela comitiva feita ao sepulcro relata que saiu sangue claro ao tentar remover um calcanhar, sangramento que se verificou também séculos depois num outro experimento. O calcanhar foi colocado num relicário de prata dourada com vidros por onde se vê o sangramento vivo; relicário que ficou então na Colegiada de Guimarães.

S. Torcato
Mas outras relíquias foram dadas a conhecer, pois diz um certo documento que nas paredes do Mosteiro de S. Torcato há muitas escondidas, e foram então achadas com base no dito escrito. Assim, em 1685, com autorização de D. Luís de Sousa, Arcebispo Primaz das Espanhas (Braga), foi feita uma cuidadosa busca para achar no Mosteiro todas as relíquias e corpos santos escondidos, não apenas tendo por base o referido documento, mas também usando a tradição e memórias antigas: depois de Missa rezada, com toda a seriedade e devoção do acto a que estavam propostos, abriram o Altar-mor e avançaram até uma pedra rectangular betumada que escondia várias relíquias. De longe a tudo isto assistiu muita gente, e havia muito povo espectante e devoto, e todos sem excepções se colocaram de joelhos ao aparecimento das relíquias, e se cantou um Te Deum laudamus. Logo ali as relíquias foram colocadas sobre dois bancos ladeados de duas tochas acesas. Eis o conteúdo:

- 8 caixinhas de pau tosco, dentro de uma desta havia outra caixa de madeira trabalhada:

1ª) havia dois papeis com a inscrição seguinte "Dedicata est Ecclesia ista a Domino Pelagio Bracharensi Archiepiscopo in honore Sancti Salvatoris, Sancta Mariae, S. Michaelis, Sancti Petri Apostoli, Sancti Torcati anno ab Incarnatione Domini millesimo centesimo trigesimo secundo", havia ainda uns fios de ceda já descolorados, havia pedacinhos de osso;
2ª) Esta continha um pape com a inscrição seguinte "Reliquiae Sancti Cosmae, et Samiani", e uns ossinhos atados em ceda preta, que pertenciam a estes santos;
3ª) Havia dento desta o escrito seguinte "Reliquiae de Ligno Domini, et Cosme, et Damiani, et Sancti Torcati", havia ainda uma cedas com cores (vertes e amarelas) que pertenceram a estes santos, um pedaço de tecido em seda, outro ainda em preto com fita verde;
4ª) Esta caixa dividia-se em três partes. Numa parte lia-se somente "Sancti Joannis ..." (e outros nomes não legíveis), e um outro repartimento onde dizia "Sancti Jacobi Apostoli" onde estavam uns pedacinhos de ossos enrolados a um pano e fechado com um ponto.
5ª) Aqui havia um escrito "Reliquiae Sancti Pelagii", e outros nomes ilegíveis, um pedaço de seda com outros fios de cor diferente.
6ª) Do lado de fora da caixa não se conseguia ler com certeza o que parecia ser "São Maxencio". No interior havia uma ceda vermelha com fios brancos dentro.
7ª) Continha um escrito que dizia "Hic sunt Reliquiae Santae Mariae Virginis", e dentro estava um pedaço de seda carmesim, e nela outra mais vermelha provavelmente de lã.
8ª) Nesta havia um escrito a dizer "Reliquiae Sancti Stephani martyris, et Sanctae Eulaliae Virginis, et martyris". Havia dois pequenos ossos um um pouquinho de tecido em seda com outro de lã atado com um fio de retroz vermelho.

Ora bem, o Apóstolo S. Tiago levantou o primeiro altar nas Espanhas, em Saragoça, com a sagrada imagem que conhecemos pelo título de Nossa Senhora do Pilar. Depois, em Braga, numa gruta junto ao templo de Iris, fez o mesmo; logo depois o mesmo fez em Guimarães onde a imagem é venerada com o título de Nossa Senhora da Oliveira (assim o vão repetindo a Tradição venerável e os textos antigos, como é o escrito gótico referido por Fr. Bernardo de Braga e Fr. João do Apocalipse, entre outros). Diz assim Fr. Bernardo de Braga: "No Rossio; ou Praça de Guimarães está um templo, que foi da gentilidade, é de obra mosaica, majestoso, e antiquíssimo, e nas notícias, que tenho, foi dedicado a Ceres: a este destruiu S. Tiago vindo a esta terra, onde baptizou a S. Torcato, e lançado por terra aos falsos ídolos, colocou no Altar a Virgem Senhora nossa, cuja imagem é hoje a Senhora de Oliveira; e bem se colhe, diz o autor, de um letreiro, que vi, e se achou no interior da parede junto à torre, quando esta se começou a arruinar pelos anos do Senhor de 1559. Caiu uma pedra, e porque se partiu, se fez juntar, para se lerem as letras que diziam "in hoc simulacro Cereris collocavit Jacobus filius Zebedaei Germanus Joannis imaginem Sanctae Mariae IIIS.CISX". Era o letreiro Gótico, e em breves, mas a substância era esta; e também se acharam medalhas, por onde alguns escritores tomaram motivo para dizerem que o templo fora de Minerva; e continua, dizendo, que no Cartório do Cabido daquela Real Colegiada achará claras notícias, donde se infere esta verdade. Foi esta Igreja dedicada a N. Senhora, e depois a dedicou o povo a Santiago, por ele ser o primeiro, que nela levantou Altar. Teve esta igreja Raçoeiros, como consta dos pleitos, com que a Real Colegiada teve, que se vê dos papeis, que se guardaram em seu Cabido: num se acha notícia em que tempo se desanexaram; só sei que a dignidade de Mestre-escola se intitula Abade de Santiago, e recolhe os foros, que a esta Igreja se pagam. A imagem da Senhora se conservou até o ano do senhor de 417, em que entráram Alanos, e Suevos na Galiza, e outras nações bárbaras, que queimaram os corpos, e imagens dos Santos. O Arcebispo de Braga Pancrácio mandou esconder esta, conforme uma memória confusa, que achei no Arquivo Bracarense: "o lugar, onde foi depositada, foi poucos passos fora de Guimarães em um pequeno monte, que se chamava Latito.""(1)

E onde é este monte!? Parte foi chamado "Monte de Santa Maria" (por lá ter a tão venerável imagem), e parte foi chamada "Largo" (que é em português o nome "Latito")

Segundo os levantamentos documentais, o Padre Fr. Gil de São Bento encontrou no Mosteiro de Santa Maria da Costa (Ordem de S. Jerónimo, ao lado de Guimarães), provas de que a actual imagem de Nossa Senhora da Oliveira é aquela que o Apóstolo S. Tiago colocou no templo de Ceres.

(1) - "Corografia Portugueza, e Descripçam Topografica...", Tomo II.

01/06/12

TAMBÉM NO PRIMEIRO de JUNHO...

D. Manuel I, Rei de Portugal
D. Manuel I - "D. Manuel, único do nome, e décimo quarto Rei de Portugal, nasceu em Vila de Alcochete situada na Província Transtagana no primeiro de junho de 1469, podendo justamente gloriar-se para inveja das mais famosas Cidades do mundo de ter sido berço de tão augusto Monarca." (Bibliotheca Lusitana, Vol. 3., pag 161) - "Neste próprio ano de 1521 (em que foi Dominical a letra F), aos 13 de Dezembro, dia de Santa Luzia, (que calhou então à sexta feira) pelas nove horas da noite, nos Paços da Ribeira em Lisboa, faleceu ElRei D. Manuel de uma febre, espécie de letargo, (doença, de que na mesma Cidade morria muita gente) tendo de idade cinquenta e dois anos, seis meses, e dois dias, contados desde o primeiro de Janeiro do ano de 1469 em que nasceu; dos quais reinou vinte e seis anos, um mês, e dezoito dias, contados desde 25 de Outubro de 1495 em que herdou a Coroa. Jaz no Real Mosteiro de Nossa Senhora de Belém extra muros de Lisboa, que ele edificou para ter nele seu jazigo, e ser habitado de Monges Jerónimos." (Colecçam dos Documentos Estatutos e memórias da Academia Real da História Portuguesa..., pág. 468)

D. Paio Galvão - Foi natural de Guimarães, filho único de Pedro Galvão e de D. Maria Pais. Foi Cónego Regrante de Santa Cruz de Coimbra. Foi Mestre em Teologia pela Universidade de Pais. Foi Mestre-Escola de Guimarães, Embaixador de Obediência a Roma, mandado por ElRei D. Sancho I. Pelo Papa Inocêncio III foi nomeado Cardeal Diácono no título de Santa Maria in Septisolio no ano de 1206. No ano de 1211 foi Cardeal Bispo Albanense. O Papa Honório III nomeou-o Legado Apostólico para a Cruzada à Conquista da Terra Santa no ano de 1219. No ano de 1225 foi Legado ao Imperador Frederico II. Morreu no primeiro de Junho de 1228. Dele falam todos os que escreveram as vidas dos Cardeais, e as Histórias das Cruzadas. O Padre António de Macedo na Lusitania Purpurata, O Padre D. Nicolau de Santa Maria escreveu-lhe a vida na Chronica dos Conegos Regrantes, tom.2 lib. II, cap. II." (Catálogo Histórico dos Summos Pontifices, Cardeaes, Arcebispos, e Bispos Portuguezes..., D. Manuel Caetano de Sousa. pág. 11)

Três Estados - "Auto do Juramento, que os Três Estados destes Reinos fizeram em presença de ElRey Nosso Senhor ao primeiro de junho de M.D.LXXIX." (Dedução Chronológica e Analytica, Vol. , pág 117) - "No dia primeiro de Junho foi lavrado o Auto formidável de Juramento, que na presença do Rei deram os Três Estados, cuja substância era: Que por morte do actual Soberano, eles obedeceriam aos Governadores nomeados, e teriam por natural, e verdadeiro Rei aquele, que os mesmos Governadores, e Juízes declarassem,que o era. Aos quatro dias do mesmo mês jurou a Cidade de Lisboa, e nele o Duque de Bragança; aos três do dito jurou o Senhor D. António, que para isso foi chamado à Corte do lugar do seu extermínio. Mas ele sem perder  tempo reclamou logo o juramento na presença do Núncio, protestando não lhe prejudicar o acto, que fizera em reverência ao Rei seu Tio, por temor que caia em Varão constante, que se via face a face com o Soberano de longos tempos até agora seu declarado inimigo. Para não defraudar aos Leitores com a falta de instrução da formalidade destes juramentos, eu os transcrevo pelas próprias palavras." (História Geral de Portugal e Suas Conquistas... Tomo XVII, Pág.233)

Martirológio Romano - "Em Roma, de S. Juvêncio Mártir. Em Cesareia da Palestina, de S. Pándilo Sacerdote, e doutrina, e liberalidade para com os pobres; o qual, na perseguição de Galério Maximiáno, atormentado primeiramente pela Fé de Cristo, e metido num cárcere por mandado do Presidente Urbano; depois posto segunda vez a tormentos por mandado de Firmiliano, consumou juntamente com outros seus o martírio. Padeceram também nesta mesma ocasião Valente Diácono, e Paulo, com outros nove; cuja festa se celebra em outros dias. Em Autum, dos Santos Mártires Reveriano Bispo, e Paulo Presbítero, com outros dez, os quais foram coroados de martírio, em tempo do Imperador Auréliano. Em Capadócia, de S. Teófilo Mártir, o qual em tempo do Imperador Alexandre, e do Prefeito Simplício, depois de outros tormentos, foi degolado. No Egipto, dos Santos Mártires Isquirion Capitão, e dos outro cinco soldados; os quais em tempo do Imperador Dioclesiano foram mortos pela Fé de Cristo com diversos géneros de martírios. Também de S. Firmo Mártir, o qual, na preseguição de Maximiáno, foi gravemente açoitado, depois apedrejado, e ultimamente degolado. Em Perósa, dos Santos Mártires Felino, e Graciano Soldado, os quais, em tempo do Imperador Décio, atormentados com vários tormentos, alcançaram com gloriosa morte a palma do martírio. Em Bolonha, de S. Próculo Mártir, o qual padeceu em tempo do Imperador Maximiano. Em Amélia, de S. Secundo Mártir, o qual, em tempo do Imperador Dioclesiano, sendo lançado no Tibre, deu fim a seu martírio. Em Tiférno na Umbria, de S. Fortunato Presbitero, esclarecido com virtudes, e milagres. No Mosteiro de Lirins, de S. Caprásio Abade. Em Treveris, de S. Simeão Monge; a quem o papa Bento Nono pôs no número de Santos. (Martyrologio Romano Dado a  Luz Por Mandado do Papa Gregório XIII ...LISBOA, M.DCC.XLVIII. pág. 134)

Forais - Vila de Meda: "A Vila de Meda fica a noroeste de Marialva a uma légua, e de Trancoso quatro para norte, situada em lugar alto com sua torre de Relógio: é fértil de pão, vilho, azeite, gado e caça. Tem 330 vizinhos com uma Igreja paroquial da invocação de S. bento, com Vigário, Coadjutor, e Tesoureiro da Ordem de Cristo, que apresenta o Comendador desta Vila, a quem pertencem os dizimos, que é o Conde da Castanheira. Tem mais estas Ermidas, S. Franciso, N. Senhora da Assunção, S. Domingos, N. Senhora das Tábuas, S. Sebastião, o Espírito Santo, e S. João. É do Bispado, e Provedoria de Lamego. ElRei D. manuel lhe deu foral em Évora no primeiro de junho de 1519." (Corografia Portuguesa, e Descriçãm Topográfica do Famoso Reyno de Portugal... Pe. António Carvalho da Costa. Tomo II, LISBOA M.DCCVIII.  pág. 310). Vila Ruiva : "Entre as Vilas de Alvito e Vila Alva, uma légua de Alvito para o Sul, na ladeira de um monte tem seu assento Vila Ruiva, a quem deu foral o Convento de Mancelos, e o confirmou ElRey D. Manuel estando em Lisboa no primeiro de Junho de 1512." (pág.491). Vila da Vidigueira - "A esta vila deu foral ElRey D. manuel achando-se em Lisboa no primeiro de Junho de 1512; e dela fez Conde ao mesmo D. Vasco da Gama, a quem honrou com outras merecês dignas dos seus grandes merecimentos. Nesta ilustríssima casa se conserva o domínio da dista villa, cujos Condes são juntamente Marquezes de niza. Com o tempo se foi aumentando a mesma vila de tal modo que actualmente consta de 656 fogos, em que se compreendem pouco menos de três mil pessoas; pois havendo curiosidade em se examinar este número, consta, que só as pessoas que chegam à Sagrada Mesa da Comunhão, vem a ser duas mil e trezentas e vinte e seis. É cercada de largos, e formosos rocios, num dos quais está fundada a Igreja Matriz que é a terceira das que se tem destinado para se administrarem nela os Sacramentos aos Fiéis." (Chronica dos Carmelitas de Antiga e Regular Observância.. Tomo II, Parte IV. Pág. 309)

Fortaleza de Mombaça - "Matias de Albuquerque foi logo ao outro dia, que foram vinte e três de Maio, visitar o Conde Almirante com todos os Oficiais da justiça, e fazenda; e querendo logo nesta visita fazer entrega da governação da Índia, a não quis o Conde aceitar, senão aos vinte e cinco do mesmo mês, que foi dia do Espírito Santo, donde a fez na forma costumada. Os Vereadores foram logo visitar o Conde, e pediram-lhe que se detivesse ali alguns dias até que prepararem o seu recolhimento; o que lhe ele concedeu até ao primeiro de Junho, dia da Santíssima Trindade, em que fez sua entrada com grande pompa, e aparato, e regozijo de todo o povo, de que as ruas por onde havia de passar estavam toldadas, e com muitas invenções. Foi recebido com fala de parabéns de sua vinda, e levado de baixo do Pálio até à Sé, passando por baixo de muitos, e mui formosos arcos ornados com muitas riquezas, e galantarias, indo à sua ilharga o Arcebispo Primaz D. Fr. Aleixo de Menezes; e depois de fazer sua oração, se recolhei aos passos, em cujo terreiro lhe correram muitas carreiras, e fizeram muitas festas, e regozijos, em que o dia se gastou. E há de aqui notar-se, que no mês de Junho, em que o Conde Almirante tomou posse da Índia, se cumpriram cem anos que seu bisavô a descobriu." (Da Asia de João de Barros e de Diogo de Couto, Vol. 23, pág. 14)

Escravidão - "(c) No primeiro de Junho o Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor Bispo de Elvas leu um Capítulo de uma, em que mostra, que não se contradizem as leis que permitem as escavidão dos pretos da África e proibem a dos Índios do Brasil." (Memórias, Academia das Ciências de Lisboa. Vol.3 - Discurso Histórico (...) de João guilherme Christiano Müller a 24 de Julho de 1810, pág.10)

16/08/11

NOTÍCIAS LONGÍNQUAS DO MOSTEIRO E CASTELO DE GUIMARÃES

De uma escritura de que consta haver um burgo junto ao mosteiro, e da fundação do Castelo de Guimarães

Castelo de Guimarães

"1. O traslado da escritura da fundação do Castelo em seu latim bárbaro é o seguinte: Post in multo u tempis pd hunc feries testamentti in et spectu multo [… etc…]

A sentença é esta: Pouco tempo depois que este testamento se confirmou em presença de muitos, os gentios entraram furiosamente no burgo deste nosso mosteiro e antes disso, com o medo deles, edificamos o Castelo chamado S. Mamede no monte latito, lugar sobredito que está encima deste mosteiro e concedemo-lo para sua defesa aos frades, e freiras, que nele moraram de tal maneira que se acontecer que meus filhos, Gonçalo e Oneca, quiserem entrar nele o não possam alhear do mosteiro. E os ditos meus filhos o tenham em sua vida debaixo do seu amparo e protecção. E depois de sua morte o tenha por parte do santo mosteiro qualquer dos seus netos que os frades e freiras elegerem. E se (o que Deus não queira) como já encima dissemos, meus filhos, netos, irmão ou qualquer de minha geração alhear o dito Castelo de modo que seja impedimento ao mosteiro para não usar dele, esta confusão, que de cima vem, venha sobre ele nesta presente vida, e depois de sua morte seja lançado no inferno. E este feito tenha sempre vigor e firmeza. Foi notório aos quatro de Dezembro Era de mil e seis, Mumadona de boa e livre vontade confirmo outra vez este meu voto. Os que fomos presentes e concedemos esta confirmação. Gonçalo Mendes, e os mais acima escritos. Àquela Era responde o ano do senhor 968.


2. Que gentios fossem os que entraram no burgo da Condessa não muito tempo depois de fazer o seu testamento, ou doação, não me consta expressamente, mas no ano do Senhor 965, que são 30 anos depois, Alcoraxi Mouro Rei de Sevilha destruiu Portugal e entrou por Galiza até Compostela assolando tudo, de que trata Vaseo em sua história. E temendo a Condessa estas entradas, e outras muitas que fez Almanzor, se preveniu edificando o Castelo que dotou ao mosteiro para sua defesa depois de entrar Alcoraxi três anos, e é credível que naquela entrada as freiras e frades se salvaram nele."

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