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04/04/14

MIGUELISMO - UMA PEQUENA PARTE DO TODO - Testemunho

Ilha Terceira - Açores - Portugal
"Li com reverência, e a atenção de quem sempre aprende com os seus escritos, o perfil pouco laudatório do "pequeno" grande Alexandre Herculano. Entre várias cogitações, a propósito dos “Bravos do Mindelo”, ocorreu-me esta leitura que a seguir transcrevo:“D. Pedro e a sua expedição desembarcaram na Praia dos Ladrões, cerca do Mindelo, a 8 de Julho. As forças liberais – que foram chamadas os “7 500 Bravos do Mindelo!” – eram constituídas por 2 300 franceses, 2 130 ingleses, 900 belgas, 500 polacos, 400 irlandeses e 370 escoceses; portugueses eram apenas 900; quanto à esquadra, comandavam-na e tripulavam-na ingleses. Lê-se nas Memórias do Conde de Lavradio, D. Francisco de Almeida Portugal (Imprensa da Universidade de Coimbra 1933, vol II) coevo dos acontecimentos, que quase todos os mercenários estrangeiros “saíram das classes menos estimáveis da sociedade, isto é, dentre os homens que, por sua imoralidade e vícios, estão dispostos a cometer toda a espécie de crimes”, sendo “muitos dos soldados ratoneiros e homens saídos das prisões, e os oficiais, com poucas excepções, são uma corja de beberrões” (pp. 337-387).” (Portugalidade – biografia duma Nação – Domingos Mascarenhas). Como se vê os “Bravos do Mindelo”, saídos daqui do Relvão em Ponta Delgada , mais não eram do que um corpo expedicionário misto de soldados da fortuna, gente de baixa extracção social e alguns revolucionários disfuncionalmente românticos.

Nas poucas horas vagas que tenho dedico-me também a ler sobre a nossa História e depois de um “mergulho” estival sobre a época de oitocentos registei, sem espanto, que subitamente a minha ilha que era Miguelista recebeu em prostração servil D.Pedro ! Como sabe este acidentalmente teve de aportar a Ponta Delgada depois do barco onde seguia ter sido desviado do rumo à Terceira por razões climatéricas. Muito antes da República já tínhamos entre nós o costume dos “adesivos” e num ápice fervorosas famílias Miguelistas viraram a casaca e deram Real estada a D. Pedro. Muito interessante de se lerem são os relatos de época de piqueniques, burricadas e bailes da sociedade ! Confesso que li o que pude sobre o assunto e no final acabei com uma simpatia emocional e racional pela causa Miguelista!

Um outro facto histórico que me importava também pesquisar foi o desembarque aqui em São Miguel de um contingente liberal que na célebre Batalha da Ladeira da Velha deu um derradeiro golpe nas aspirações das forças Miguelistas na Ilha de São Miguel. Fui ao local do desembarque na Freguesia da Achadinda onde, em 1 de Agosto de 1831, desembarcaram tropas vindas da ilha Terceira para manietar o último reduto do Miguelismo nos Açores : a ilha de São Miguel. Tenho pena de não ter feito um levantamento fotográfico pois o local é de acesso absolutamente alucinante. Uma praia mínima de calhau periclitante, uma ravina escarpada e sujeita e fácil emboscada, e um relevo daí em diante sempre acidentado. Espantou-me que no dia seguinte tais tropas já estivessem a confrontar-se na Ladeira da Velha, a uns bons quilómetros, e também num local de topografia bastante acidentada e irregular. Enfim, curiosidades menores mas ainda assim interessantes.

No meio destas leituras fiquei também com uma convicção reforçada sobre a dúbia nobreza de carácter de heróis da revolução como Saldanha e outros. Porém, uma figura gostaria de conhecer melhor : Vila Flor ou Duque da Terceira. Se tiver bibliografia sobre esse Senhor que agora repousa indiferente à revisitação da História no pedestal do Cais do Sodré ficaria-lhe muito agradecido.

Com os meus melhores cumprimentos e Saudações Açorianas,

João Nuno Almeida e Sousa"

(Fonte: Combustões) - NOTA: o blogue ASCENDENS não se identifica com o COMBUSTÕES, nem com um LEGITIMISMO, ou MIGUELISMO apartado do TRADICIONALISMO ou, enfim, CATOLICISMO.

30/01/14

O DESENGANO (Nº 25) - Agostinho de Macedo (II)

(continuação da I parte)

D. Miguel I
Temos na Europa o Senhor D. Pedro; agora falará um papel impresso em Inglaterra, o seu autor como testemunha oculta merece atenção, e muito crédito, depois tornarei às minhas reflexões, porque por achar meios de suspender a torrente do Liberalismo, que leva, e arrebata em si os Estados todos, com trabalho, ou dificuldade acreditam, que um Príncipe como o Senhor D. Pedro, um ramo,ou vergontea dos Bourbons, e de Bragança, seja o gato-sapato de um partido, que já deitou a terra quatro Tronos em menos de um ano. O Ex-Imperador do Brasil devia conhecer melhor os homens que o rodeiam. São os irmãos, e os antigos dos que o expulsaram do Brasil. Com palavras adocicadas na boca escondem no coração a raiva, e ódio partido contra todas as testas coroadas. Festejam-no muito na estalagem de Clarendon, porque o julgam necessário, e útil a seus danados projectos; mas quando ele concorresse para se realizarem, supondo por hum instante só, que isto lhe fosse possível, bem depressa se renovaria a cena do Rio, e ver-se-ia obrigado com toda a sua condescendência a deixar o Trono,ou trocá-lo pela presença de um Senhor Presidente, e de lá passar para as mãos de um Algoz, e para o repouso de um patíbulo. Quando vemos nesta estalagem, onde está o Príncipe D. Pedro, a solene recepção que se faz a quantos refugiados portugueses mendigos em Londres, podemos dizer, que o filho dos Reis, esquecendo-se do seu braço, dá a sua mão a beijar aos assassinos dos Reis." Muitas ideias ocorrem ao espírito dos que pretendem descortinar o futuro no horizonte político. Pergunta-se que meios são os de D. Pedro para obter a Coroa de Portugal!? O Ex-Imperador do Brasil perdeu o Império, e com esta perda perdeu os amigos; desfez-se o prestígio, e para fins bem sabidos, os que nele falam, ou mostram que nele esperam, são os foragidos em Londres, esfarrapados, famintos, com caras de ladrões da charneca; alguns não se podem ter de pé com o peso dos anos, e da extrema debilidade; na procissão dos cem estropiados; que foram à Estalagem visitar o Senhor D.  Pedro (me disse quem viu) que ia Luís de Vasconcelos, que tanto engordou no Terreiro, e onde adquiriu aquela pança vasta, e proeminente, com que de lés a lés enchia a rua, reduzida a uma espécie de badana, que volteava com o vento, e que, como se fosse um capacho, lhe chegava aos joelhos. Depois destes, tem para formar o seu exército outros quejandos em Paris, e a terceira Divisão, os levantados, ou rebelados da Ilha Terceira. Comecemos pelos palhaços de Paris, molho de heterogéneos, ou quadrilha de todas as castas; poucos em número, pequenos em corpo, tugidos de miolo, fortes como aboboras para a guerra, porque só a fazem de dente; e de pena, poucas esperanças dão ao partido do desamparado Senhor D. Pedro, mas pode este Senhor contar com ele para fazerem aparecer no periódico "O Constitucional" alguma correspondência fabricada em Paris,e datada de Lisboa, em que se afirme, e dê por certo, que S. majestade o Senhor D. Miguel é um monstro de uma nova espécie, que em Lisboa há em cada mês uma revolução, e às vezes duas, que os enforcados são aos milhares, (sendo pedreiros, se lhe devia fazer o dito verdadeiro, e em quanto se não fizer, não estaremos seguros, e viveremos sempre em sobressalto) com outras sandices desta natureza, que os mesmos papa-moscas de Paris já não engolem, porque são de mui difícil digestão.

Custa na verdade a ouvir, e aos milheiros por opiniões políticas. pois nestes últimos três anos, diz um papel de Inglaterra, se tem executado mais gente na Terceira, que em todo o Portugal pelo mesmo espaço de tempo. Não confundamos estas execuções com a matança dos oficiais realistas, que ficaram prisioneiros na desgraçadíssima jornada da Vila da Praia em 1829, nem a barbaridade manifestada ultimamente na ilha de S. Jorge, onde a sangue frio mataram, para provar as espadas, mais de duzentas pessoas, sem consideração, e sem respeito a sexo, a idade, a hierarquia; e todo o crime destes desgraçados sra a sua fidelidade, e amor ao Senhor Rei D. Miguel I, delito que os liberais costumam punir por mão do verdugo. Que me dizem à filantropia destes moralistas políticos? São estes filósofos marmanjos os que se preparam para nos trazerem a ventura a casa, a opulência, as artes, e antiga grandeza, e representação a este Reino, com a cláusula expressa,de que as seis Pastas juntas não conheçam outro sovaco,que não seja o do pastel Calhariz, única fonte de todas as desventuras.

(continuação, III parte)

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