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11/08/22

A APOSTASIA NA IGREJA, O LIBERALISMO ETC... E A COMUNHÃO NA MÃO

Haveria que dar um título mais justo, é certo! Mas, para curto e conciso não ocorre melhor! Mais vale o artigo.

Recentemente, vários católicos da linha "conservadora" preocuparam-se com a negação que lhes foi feita da comunhão directa por mão do sacerdote! Não recebemos mais informação sobre o caso, por isso não se sabe se os fiéis em causa aceitaram comungar indirectamente pela sua própria mão!

Outro católico de linha liberal-conservadora, pretendendo vir em reposição da coisa em falta, muniu-se do "argumento": Em 2009, a A Congregação Para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos comunicou que receber a comunhão directamente da mão do Sacerdote é um direito; entre outras coisas acrescenta a tal "direito" "poder receber Nosso Senhor com o maior respeito possível!".

Que a Congregação tenha dito assim é muito grave. Que o referido fiel também não tenha dado por nada, é problemático!

Ora, aquilo que tem sido "padrão" na Santa Igreja não é nada disso! Ou seja, nada tem que ver com isso, é outra coisa. Vejamos.

O comungatório (mesa da comunhão) é aquela balaustrada separar e distinguir o espaço das capelas e onde os fiéis se ajoelham para comungar, sem com a própria mão tocarem na Hóstia Consagrada. Em dadas circunstâncias é usada uma toalha grande, segura por acólitos que a levam para aparar partículas consagradas que possam cair no momento da comunhão.


Hoje, recentemente, sem razão suficiente, na Igreja foram quase na totalidade removidos os comungatórios. Posteriormente disseram aos fiéis para comungar apenas em pé. Mais recentemente incentivaram os fiéis a comungar com a própria mão, assim, sem mais!

Em todas as etapas desta decadência observámos sinais hoje muito esquecidos: assim que começou a ser incentivada a comunhão indirecta (na mão) advertiu-se com rigor que não havia de ficar na pele fragmento de Hóstia Consagrada. Após a comunhão, era ver alguns fiéis adeptos da modalidade colocarem o dedo indicador na boca para humedecê-lo, abrir a mão oposta, "catar" nela cada partícula encontrada (parece não se terem lembrado de quem tem falta de visão). A patena da comunhão ainda se manteve e era purificada depois pelo Sacerdote. Eis os novos ensinamentos aos fiéis de então, pois fazia todo o sentido preservar da novidade a profanação e sacrilégio! Antes destas inovações eram outras: dificultar e proibir a comunhão de joelhos, parecendo que não mais fazia sentido estarem a comungar o Senhor dos Senhores, o Rei dos Reis! Anteriormente, a remoção dolorosa dos comungaórios, havendo nisso autênticas batalhas entre a população e o Clero local!

Deus Nosso Senhor foi desautorizado dos seus divinos direitos, gradualmente, até ao ponto do seu Corpo poder ser desrespeitado, esquecido e profanado!

Agora, os liberais-conservadores (a quem aqui chamámos sempre de "modernistas- conservadores", transferem a obrigação dos fiéis para com Deus (amá-lo sobre todas as coisas) para um direito seu: ter direito a comungar directamente das mãos CONSAGRADAS do Sacerdote!

Sempre que o Sacerdote tocava na Hóstia Consagrada não mais tocava com a ponta dos dedos o cálice ou outro objecto. Contudo, na referida decadência, os sacerdotes passaram a ignorar esse preceito grave! Assim, os cálices devem ser estreitos na parte mais alta do pé, para que possam ser facilmente agarrados na parte posterior dos dedos indicador e anelar. Hoje os cálices são adquiridos e fabricados sem qualquer juízo devidamente instruído.

01/09/15

OS NOTÁVEIS DESACATOS OCORRIDOS EM PORTUGAL (VI)

(continuação da V parte)

Custódia da Santa Igreja Patriarcal de Lisboa
Ó Fé Divina! Fé Augusta! Autoridade infalível do meu Deus, exercita sobre mim todo o teu império, desvanece, dissipa toda a viva impressão que em mim fazem tais sucessos! Ou de outro modo, tirai deles, Senhor, a justa vingança que merecem! As mãos sacrílegas, que vos tocaram, sêcas, áridas, nunca mais se movam! A terra as trague, como a Coré, e Abirão! E então, Senhor, mais, e até visivelmente vos reconhecerei nesse Sacramento de Amor; porque então de outro modo os vossos mesmos inimigos, insultando a minha crença, poderão perguntar-me: onde, ó simples, onde está aqui o teu Deus neste Sacramento, se eu dele mesmo zombo, e escarneço? Ubi est Deus tuus?


Porém, C. O., não se assuste, nem vacile por isso a vossa Fé, nem o escândalo, que vos dão os vossos inimigos, chegue a pôr em dúvida a vossa crença àcerca da Real presença de Jesus Cristo no Augusto Sacramento dos nossos Altares. Não permitiu ele que os pérfidos Judeus o insultassem por mil nodos, até tirar-lhe inocentemente a vida sobre uma Cruz infame? Não lhe disse ele mesmo, que somente o poder, ou permissão do Alto é que o sujeitava ao seu bárbaro poder? Non haberes in me potestatem, nisi tibi datum esset desuper?


Ali pois, C. O., naquele Augusto Sacramento, Jesus Cristo, e só diferente no diferente modo de existir, ele conserva a mesma paciência no meio dos mais vivos ultrajes que lhe fazem; reduzido à humilde fórma de alimento do mesmo homem, despojado de toda a sua glória, e grandeza, não ostenta de alguma fórma o seu poder, permite não só estes, mas outros quaisquer ultrajes, que lhe façam os seus inimigos, de que ele tirará uma severa, e eterna vingança.


Estes ultrajes, ainda que excitem vivamente a sua cólera, e justiça, atacam menos a sua Divina Majestade, do que nos preparam a nossa desgraça. Jesus Cristo firme, imóvel, e imperturbável no centro da sua mesma felicidade, a qual nada pode nem levemente alterar, ele olha nestes ultrajes, ainda mais a fatal cegueira e desgraça, que o homem com eles se prepara a si mesmo, do que a sua mesma ofensa; por isso as tolera, sofre, e até mesmo chega a perdoar, quando se lhe dá a digna e competente reparação.

Não vos inquieteis pois, ó almas pouco firmes, não vos inquiete o silêncio, e sofrimento, com que o mesmo Deus se há no meio da indignidade, com que o tratam: ali existe, e existia então mesmo, que tão sacrílegamente o tratavam. Tanto é o seu Amor para com os homens, e tanto quer ostentá-lo naquele Adorável Sacramento! os mesmos pérfidos, e bárbaros, que assim o ultrajam, entrarão ainda em sua amizade, se a graça obrar neles, o que obrar pode.

Não vacile pois, ó Fiéis de Jesus Cristo, a vossa Fé, fazei-lhe antes repetidos sacrifícios das vossas luzes, e razão, para reconhecê-lo ali existente, apesar da mesma indignidade com que o vedes profanado. nem por isso também, ó ímpios, triunfa a vossa incredulidade!

Seria este, C. O., um novo mal para temer-se, se destas sacrílegas profanações, cometidas contra o Divino Sacramento, pudesse a impiedade dos nossos dias alcançar algum triunfo, como com efeito pretende alcançar.


Ninguém de vós ignora até que ponto se tem estendido o fatal império da irreligião, da impiedade, e da Filosofia do século, e que desde o passado ela parecia ter conseguido o mais assinalado triunfo sobre a Religião do Evangelho. Chegou a atacar-se a existência do mesmo Deus, e a dogmatizar-se em público o mesmo Ateísmo. Admirou-se sim a sublimidade da doutrina do Evangelho, fez-se dela o mais pomposo elogio, fazendo ver a sua superioridade a tudo que a filosofia tem produzido de melhor: mas a sua Divindade tem sido positivamente atacada por infames e nas, que sabem ajuntar a eloquência, e a impiedade, e que se tem servido de toda a espécie de argumentos para destruírem o Evangelho, e o seu Autor. Os Mistérios tratam-se de fábulas, as práticas mais edificantes do Cristianismo de superstição, as suas Leis de impraticáveis, e até opostas às Leis da decantada natureza, e enfim, Senhores, a filosofia do século tenta, e esforça-se em reduzir o homem ao estado dos brutos, e das feras, sem relações algumas com Deus, nem a algum fim eterno, para que o homem houvesse sido criado.

Ora; neste estado de furor, e quase frenética raiva contra a Religião, sobretudo porque ela põe um estreito freio à liberdade, e licença dos costumes; no estado de perseguição, e pavor, a que se acha reduzida a Esposa de Jesus Cristo nas suas mesmas Verdades, e Moral, quando a impiedade pretende já contar victória sobre ela; que maior ocasião para seus triunfos, do que estas profanações e insultos, livremente, e com tanta frequência, cometidos contra aquilo, que a Religião nos oferece de mais Santo, que é o Divino e Augusto Sacramento dos nossos Altares?

Esta espécie de pretendidos filósofos, guiados somente pelos sentidos, e pela sua razão, e querendo sujeitar a ela todas as demonstrações, nos desafiam muitas vezes para esta sorte de combates; e tratam de convencer-nos de loucos, ou de fanáticos, quando acreditamos verdades, que ou a razão não compreende, ou os sentidos contradizem. É para eles uma destas verdades aquela, que fielmente acreditamos: a existência Real de Jesus Cristo no Augusto Sacramento dos nossos Altares.

(continuação, VII parte)

09/06/15

CONVERSAS "BONITAS" - O PADRE E O LEIGO

Nuns comentários duma publicação de rede social, houve reveladora conversa entre um sacerdote e um leigo, os quais comentaram as fotos da publicação. Transcrevo a conversa, usando nomes fictícios, e transposto as fotos:


Eduardo Pereira - Igreja e estado não precisam ser inimigos, afinal, os dois querem o bem das pessoas.

José Cerejeira - Está mal, é sacrilégio [referência às fotos]. O que poderia ter feito: colocar a mão em concha aberta sobre a Hóstia, com os dedos no chão, para protege-la do vento e evitar tocar-lhe.

Em tempo em que os sacr
ilégios e profanação das Sagradas Formas são até recomendados no Clero, acontece disto. Cabe fazer a pergunta: a Hóstia que acabou por cair não teria sido largada com a intenção de colocá-La na mãozinha de alguém!?

Francamente...  hoje o Clero promover sacrilégios e indiferenças para com Nosso Senhor, e nem sem dá conta disso, por ideologia entranhada, que receberam ,e contrária ao que sempre a Igreja acreditou e praticou!

Eduardo Pereira - Bem, José Cerejeira, vc. estava nessa celebração? Viu se a hóstia caiu das mãos dele? Pelas imagens, isso não é possível perceber. Minha postagem foi: 1) acompanhei meu amigo [Padre] João Coelho e [Padre] Marcelista Finalino; 2) tenho liberdade para promover esse ou aquele sem lhe pedir licença; 3) essa não é a primeira nem será a última que o vento leva uma hóstia consagrada, mesmo no interior de nossas igrejas isso ocorre; 4) é muito feio julgar os sacerdotes porque acolhem políticos nas celebrações que têm direito de celebrar nosso senhor tanto quanto vc. ou eu. Assim, seja mais tolerante com os erros dos outros. Atire a primeira pedra não. Bom dia e que Deus te abençoe.


[Padre] João Coelho - Bravo!

Andrzej Duda, presidente da Polónia, esteve presente na Missa do dia de Acção de Graças celebrada pelo Cardeal Kazimierz Nycz, arcebispo de Varsóvia. Num dado momento, já depois da consagração, o vento forte fez com que uma Hóstia consagrada voa
sse do altar e fosse parar ao chão. Nesse momento, o presidente polaco levantou-se, genuflectiu e apanhou a Hóstia.
De todas as autoridades presentes nos primeiros bancos, o presidente polaco foi o único a reagir. Os seus guarda-costas, que no princípio não entenderam o que se passava, aproximaram-se para ver o que fazia o presidente.
Além de apanhar a Hóstia do chão, tapou-a com as mãos e entregou-a ao Cardeal Nycz, que A recebeu com a reverência devida a Jesus sacramentado.
Aos 42 anos de idade, Andrzej Duda acabou de ganhar as eleições na Polónia, defendendo uma política de apoio à família e à natalidade, através de medidas sociais. Isto enquanto declara guerra aos contraceptivos, ao aborto e à fecundação in vitro.
in infocatolica

Eduardo Pereira - Obrigado pelo esclarecimento. Eu não estava na celebração e não conheço o presidente polonês, porém imaginei que jamais ele deixaria Jesus consagrado cair ao chão.

José Cerejeira 1 - As mão profanas não devem tocar em Nosso Senhor;
2 - Existem o meios próprios para retirar a Hóstia do chão;
3 - A profanação cometida pela dita pessoa, certamente é de pecado não culpável;

4 - O que o profanador deveria ter feito era AVISAR RAPIDAMENTE o Sacerdote para que ele procedesse à remoção devida da Hóstia. No caso de haver vento, como parece ter sido o caso, podia o presidente tê-la protegido, e VELÁ-LA (de joelhos), cobrir com algum lenço limpo, ou até colocar a mão sem tocar e da forma que eu já indiquei, etc... Assim, sim.

João Coelho, já que não ensinaste aqui como se trata nestes casos da queda das Sagradas Formas, pelo menos que me colocasses um "gosto". Como não colocaste, até gostaria de saber o motivo!

Alzira Rocha Varela Diogo - Mas que polémica!

Eduardo Pereira - Desnecessária, não é?! Cada um olha de um ponto e vê de uma forma diferente. A questão é: tolerância com o ponto de vista do outro.

José Cerejeira -
Ou seja... por séculos o Sacerdote mantém o polegar e indicador juntos depois de tocarem na Hóstia consagrada, para que não caia nenhuma Partícula. Agora os Senhores padres nada disto sabem, ou porque lhes dá na veneta e abandonam isso com indiferença sacrílega. Como se não fosse pouco, incentivam a comunhão na mão e ficam assustadíssimos se conhecerem alguém que  comungue de joelhos! ... É, ou não é assim!? Vamos lá saber afinal.

"... SACRILÉGIOS E INDIFERENÇAS COM QUE ELE HOJE É OFENDIDO..."

Senhor Padre Eduardo, a doutrina é "ponto de vista" na Igreja!? Para os sacrilégios e profanações deve haver "tolerância"!? O erro não tem direitos, recordo-lhe, nem há liberdade no erro; parece que o Senhor Padre quer dar direitos onde a Igreja os proíbe, e tolerância para o que tem de ser condenado.

A VERDADE existe, todos os católicos estamos sujeitos a ela. Fora dela nenhum poder lhe foi dado para ensinar ou agir, muito menos em nome de Deus. Relativismos não, Senhor Padre. Não pode tolerar o erro ... Não?

Já agora, qual é o seu Bispo, e em que Seminário foi formado? Agradecido.

Eduardo Pereira - Olha, senhor José Cerejeira, não o conheço o suficiente, mas arrisco um palpite: o senhor tem uma cabecinha de ervilha! Acho que o senhor está muito equivocado com a Igreja que está despontando nesse novo horizonte com o pastoreio do Papa Francisco. Saia de Trento e venha para o Vaticano II; 

Puebla; Aparecida... por sermos uma Igreja mais aberta aqui no Brasil, não quer dizer que temos menos amor ou respeito a Deus ou às Suas coisas.

José Cerejeira - Senhor Padre Eduardo Pereira, espero que não esteja assim tão inovado que tenha mudado de moral. Sabe que estão aqui em causa as crenças, doutrinas, e não as pessoas com cabeça de ervilha, ou com penteado bonito. [referência ao muito aprumado penteado do Pe. Pereira]

O Senhor Padre diz: "A
cho q o senhor está muito equivocado com a Igreja que está despontando nesse novo horizonte com o pastoreio do papa Francisco." O que quer dizer realmente? Quer dizer que a doutrina de sempre não é mais ou não será mais a mesma!? Que os dogmas não são mais os mesmos e com o mesmo entendimento!? Que a moral não é mais a mesma!? Que a filosofia não é mais a mesma!? Que o Pensamento da Igreja não está mais sintetizado em S. Tomás de Aquino!? Quer dizer que os Papas têm poder para inovar em Fé, Moral e Costumes, afinal!? Quer dizer que, por exemplo, os rigorosos critérios para as beatificações e canonizações não têm de ser os mesmos!? Quer dizer que o conceito de santidade não tem de ser o de sempre!? Que coisa o Senhor Padre quer dizer exactamente com essa "abertura" e "novos pastoreios" relativamente a pontos que na Igreja ensinou IMUTÁVEIS? .... Pode explicar, por favor?

"Saia de Trento e venha pra Vaticano II". Não sabia que podemos ignorar um ou outro, visto um e outro trataram das questões importantes com os graus de autoridade com que cada qual se quis pronunciar: o Ecuménico Concílio de Trento não pode ser desobedecido, porque está promulgado com Infalibilidade nas coisas que manda. Quanto ao Concílio Vaticano II, tendo tido poder para se pronunciar infalivelmente, e definir dogmas, apenas se quis pronunciar a um nível mais modesto, pastoral, e nada nele há que seja NOVO OBRIGATÓRIO; o que neste é novo, portanto, não obriga, nem da Tradição! O que Vossa Reverência propõe, é novidade: desobedecer a Deus, por desautorização da Sua Santa Igreja (contrariando os pronunciamentos infalíveis de um concílio), ao mesmo tempo que parece estar a querer DOGMATIZADO um concílio que apenas se pronunciou pastoralmente, e não definiu nada de novo. É isto que está propondo realmente!?

"por sermos uma Igreja mais aberta aqui no Brasil, não quer dizer que temos menos amor ou respeito a Deus ou às Suas coisas." O Senhor acabou de mandar os Concílios anteriores ao Vaticano II "para o lixo"! Ou é impressão minha!? E lá adiante, pelo que me pareceu, rejeitou o dogma da Infalibilidade Papal, promulgado por um Concílio anterior ao "meramente pastoral" Vaticano II, o Vaticano I, o qual, na dita definição explica que: ao Papa foi dada a assistência do Espírito Santo para nas matérias da Fé (doutrina), Moral, e Costumes, CONSERVAR, DEFENDER, e TRANSMITIR; e diz ainda, veja bem: NENHUM PODER lhe foi prometido para nestas matérias (doutrina e costumes) INOVAR. Ora, o Senhor Padre apoia o Papa Francisco PELAS INOVAÇÕES, e manda "para o lixo" os CONCÍLIOS TODOS (incluindo o Vaticano II TAL COMO foi promulgado, embora faça dele um DOGMA como ele não ousou fazer de si mesmo). Acha que a VONTADE DE DEUS está apenas nas excepções, e não na ORDINARIEDADE e na VERDADE IMUTÁVEL, que a Igreja sempre transmitiu sem contradição? É isso!? Como se ama a Deus seguindo o que Deus não ensinou pela boca da Igreja, e rejeitando o que Deus ensinou como verdade, pela boca da Igreja!?

Senhor Padre.... ou eu não tenho entendido muito bem suas palavras, ou devo concluir: o senhor parece não tem fé, porque para ter fé há que professar a mesma doutrina ,tal como a Igreja sempre a ensinou (e não de outra forma)... Parece-me pelo que diz, não ter fé!

Queira desculpar, mas é isto que parece tomando em conta o que a Igreja sempre ensinou.

Eduardo Pereira -
Obrigado pelo penteado bonito. Gosto também da beleza exterior... hehehe. Qeu o Deus que eu professo, te abençoe. Pensei que vc. fosse um padre ou um bispo, embora um pensamento tão arcaico e conservador... Não é comum leigos serem tão intolerantes com a doutrina engessada da Igreja. Que pena! Não se assuste, mas o tempo da cristandade já passou! O Vaticano II está sendo posto em prática aqui no Brasil. E aí em Portugal, está? 

José Cerejeira - Pe. Eduardo, mais vale a correcção de um leigo, que o silêncio de um Bispo!

"um pensamento tão arcaico e conservador." ... Não diria pensamento arcaico, mas sim intemporal: o que era, o que é, e o que há-de vir. O pensamento de V. Rev., pelo que aqui escreve, era erro, é erro (nunca está aprovado verdadeiramente), e será erro no futuro, porque não tem apoio no passado e o contradiz, porque é um pensamento não encontrado na Sagrada Escritura, nem do Magistério Infalível da Santa Igreja etc.. . O meu é um pensamento conservador!? Eu não diria conservador... diria  tradicional. O conservador tenta manter o passado; o tradicionalista mais que tudo é aquele que se orienta pela Verdade Católica, e segundo ela transmite o que herdou, segundo ela aplica no presente, e transmite para o futuro. O conservador, conserva; o tradicionalista conserva apenas o que não fere a Verdade, e transmite tal e os frutos disso. O Papa Pio XII disse que o católico é obrigatoriamente um tradicionalista! Mas, o que sugere afinal  V. Rev. ?! Sugere que sejamos o contrário, que deitaremos fora o passado!? O Concílio Vaticano II já passou, e o Senhor Padre insiste com ele, embora não segundo a modesta autoridade com que ele se quis pronunciar (essa parte já não quer)! Qual é o critério, afinal?! Afinal o critério é o de sermos conservadores do último dos concílios!? Qual o motivo para que isso fosse assim!? Onde estão inscritas essa regra ou crença que nos levariam a ter de fazer assim!? ...


V. Reverência tenha coragem de dizer perante todos, respondendo: Aceita realmente o Magistério Ordinário da Igreja e todos os Concílios!? É verdade que não está em cisma com a Santa Igreja quem cortado com o Magistério Ordinário Papal e com todos os Concílios anteriores!?

"Não é comum leigo tão intolerante com a doutrina engessada da Igreja." Eu que aceito todos os concílios com os graus de autoridade com que os mesmos se pronunciaram, sou "intolerante com a doutrina", e o Senhor que não aceita nenhum concílio, se acha tolerante!? ... Repare: se um ladrão rouba, estará a ser tolerante com a lei que proíbe o roubo!?... É tolerância arrasar com todos os concílios, e com todo o Magistério Ordinário, inclusivamente o Magistério Extraordinário Infalível (o caso do Dogma da Infalibilidade Papal).!? Como podemos ser tolerantes para as obrigações que temos? Isso não é tolerância, isso é indiferença ou desobediência, ou até cisma! Portanto, achará também intolerante o contrário: a ortodoxia com que a Santa Igreja agiu tão cuidadosamente por cumprimento da Vontade de Deus!

" Não se assuste, mas o tempo da cristandade já passou! " Passou sim; eis que em 1834 caiu o último Reino Católico às mãos do Liberalismo, o que prova que a Cristandade não pode existir estando todos nós governados pelos ilegítimos, em regimes impróprios, por leis anti-católicas que não foram talhadas à imagem do Magistério da Igreja nem da Lei divina. O Senhor Padre também aplaude a queda da Cristandade, em vez de lamentar a sua queda e a dá-la como modelo.  Implicitamente, nega assim a doutrina do Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo, a qual nos mostra como devemos lutar para que Cristo Reine nas nações! V. Reverência tem então muito por onde festejar: veja os estados antes católicos, hoje desfeitos e ocupados aprovando hoje leis do aborto, leis do "putimónio", concubinatos e divórcio, veja quanta "alegria" lhe poderão proporcionar assim os ocupantes actuais dos nossos Reinos Católicos! Se assim é, se não é ilusão aquilo que vi nas suas palavras, todos os que pensam igual então activa ou passivamente a trabalhar para edificação do Reinado Social do Anticristo; faça-o às claras, para que saibamos quem é quem!


Pai "venha a nós o vosso REINO"... Mas... o Senhor Padre regozija-se porque a Cristandade terminou! ... Vinde Senhor Jesus!

"O Vaticano II está sendo posto em prática aqui no Brasil e aí em Portugal, está?" Para saber aplicar um concílio que não definiu nada doutrinalmente, e tudo de novo o que tem não obriga, portanto, requer que a referência sejam todos os outros concílios, a Doutrina imutável, a Tradição! A PASTORAL, ferramenta falível, tem que ser uma serva fiel da Doutrina, caso contrário não seria católico aplicar uma ferramenta que ferisse, diminuísse, ou contrariasse a coisa veiculada, a Doutrina, moral, costumes, Liturgia, a Tradição... Logo, os senhores estão muito mal, porque invertem a autoridade documental: fazem do Concílio Pastoral um Concílio Dogmático, e fazem da Doutrina imutável um pormenor histórico que passou, ou que serve hoje para decoração. Para que serve tal concílio!? Boa pergunta ... É caso para dizer que não foi Deus que o quis, mas sim PERMITIU.

O que diria S. Tomás de Aquino!... Ele que reconheceu verdade em algum do pensamento clássico (que coisa antiquada...), como é o caso do "argumento ad hominem". Este tipo de argumento falso, por exemplo, também não ficando esquecido no tempo de S. Tomás, atravessou todos os tempos até hoje, e é ensinado, nos Seminários e formação do Direito. Não porque seja moda, não porque seja novidade, nem porque seja antiguidade, mas sim porque é uma constatação verdadeira e transversal a todos os tempos. Por acaso, também o argumento ad hominem é aquilo que V. Reverência tem usado até ao momento: em vês de considerar a coisa disputada, considera a pessoa que considera, como se isso fizesse desaparecer tudo e refutasse o oponente! A verdade aguenta cosméticos por muito tempo. Padre, repare na sua falta de argumentos, repare no desconhecimento destas matérias que são obrigatórias na formação de um Sacerdote; e é por isso que só lhe resta mal apostar no ad homeniem! Eis os frutos do "pos-concílio"!

Rogo a Deus que o converta. 



Eduardo Pereira - Vc acha mesmo que vou ler esses textos longos, enfadonhos, chatos..? Tenho mais o que fazer. Passar bem, sr. cabeça de ervilha. 


José Cerejeira - Senhor Padre, os meus comentários são também para quem os ler. As coisas de Deus e da Igreja são-lhe enfadonhas; aqui as poucas linhas, e muito resumidas, lhe parecem pesadas, enquanto que, para outros, até a versão descompactada é leve e saborosa.

"Onde está o teu pensamento aí está o teu coração; onde está o teu coração, aí está o teu tesouro." ... quem será o divino Autor?! [o Senhor Padre Eduardo bloqueou José Cerejeira antes desta última resposta]

15/04/15

OS NOTÁVEIS DESACATOS OCORRIDOS EM PORTUGAL (III)

(continuação da II parte)


Sé do Porto
Aconteceu na Sé da Cidade do Porto (Refere este caso Gabr. Per. de Carv. De Man. Reg. P 2ª Cap. 53 n. 24 fol. 331) em 11 de Maio de 1614. Foi roubado do Sacrário o Sagrado Vaso com as Sagradas Fórmulas. Nunca pôde ser descoberto o executor do delito.

Fez-se por este motivo uma grande Procissão de Penitência de noite, em que foram descalços o Bispo D. Gonçalo de Morais, e o Governador, que então era das Justiças, Diogo Lopes de Sousa 4ª da Relação daquela Cidade (ó tempos, ó costumes). Semelhantes demonstrações de desagravo se fizeram em Lisboa, Coimbra, e por todo o Reino.


Sucedeu em Lisboa, na Freguesia de Santa Engrácia, na noite de 15 de Janeiro de 1630. Foi arrombado o Sacrário, e roubadas as Sagradas Formas de um Cofre de tartaruga guarnecido de prata, e de um Vaso também de prata sobre-dourado; e roubados também alguns ornatos dos Altares.

O réu, que se supôs deste delito, foi sentenciado a ir arrastado pelas ruas públicas até ao lugar, onde cometeu o crime, a serem-lhe ali cortadas as mãos, e queimadas à sua vista; e depois ser ele queimado vivo, e as cinzas lançadas ao mar.

Por este motivo se instituiu uma Irmandade composta de cem Irmãos, da principal Nobreza da Côrte, com o título de Escravos do Santíssimo Sacramento, que costumam fazer todos os anos um Tríduo na Real Capela da Ajuda, e costuma também ElRei assistir à Festa do primeiro, e último dia.


Aconteceu na Igreja da Freguesia do Santíssimo Nome de Jesus de Odivelas, na madrugada do dia 11 de Maio de 1671, tempo da Regência de ElRei D. Pedro II (Refere este caso o Advogado, que foi nomeado para defender o réu, Manuel Alves Pegas, no seu Tratado Histórico, e Jurídico).

Foi arrombado o Sacrário, e foram roubados dois Vasos Sagrados, um de prata sobre-dourada, com as Fórmulas consagradas, e outro de prata lisa. Foram roubadas outras muitas coisas, e ornamentos das Imagens dos Santos, e Altares.

Por Decreto do Príncipe Regente, foi nomeado para Juiz da devassa deste delito o Regedor das Justiças, Conde de Vilar maior, e Escrivães os Desembargadores Diogo Marcão Temudo, Corregedor do Crime da Côrte, e João Leitão de Andrade. Descobriu-se o delinquente, e foi condenado a ser arrastado pelas ruas públicas até à Praça do Rossio, e ali depois de cortadas as mãos em vida, e queimadas à sua vista, morrer de garrote, e seu corpo reduzido a cinzas.

Por este motivo se fizeram muitas demonstrações públicas, e Procissões de Penitência, e Desagravo. A primeira foi desde a Sé até à Freguesia de Santa Engrácia, em que foi o Príncipe Regente, toda a Côrte, o Clero, e todas as Comunidades Religiosas. Seguiram-se Procissões semelhantes em todas as Freguesias de Lisboa, e outros muitos actos públicos de piedade, e Religião.

E 16 de Junho do mesmo ano foram achados casualmente no caminho de Odivelas para Lisboa, no silvado de uma vinha os dois Vasos Sagrados embrulhados num lenço, e um embrulho com muitos dos ornamentos roubados, o que tudo foi levado ao Juiz da devassa.

Fizeram-se novas diligências, tendo-se já feito muitas, e prometido o Príncipe Regente grandes prémios a quem descobrisse o delinquente; mas tudo em vão, até que na noite de 16 de Outubro, sentindo uma criada do Mosteiro de Odivelas andar gente na cerca, pelas dez para as onze horas da noite, deu parte, chamaram-se os Religiosos, e criados do Mosteiro, que fica contíguo ao das Religiosas, entraram na cerca, e encontraram um homem, que declarou ter entrado com intento de furtar galinhas, como já tinha feito mais vezes. Foi preso, e sendo buscado pela Justiça, entre outras coisas que se lhe acharam, foi dentro de uma bolsa com algum dinheiro, uma Cruz de prata dourada, embrulhada num papel, que, sendo reconhecida, achou-se ser aquela, que fôra quebrada do Vaso do Sacrário.

O que tudo sendo levado ao Conde Regedor, e fazendo-se exame judicial da Cruz com o Vaso por dois Ourives, se achou ser a mesma que ali faltava; e por este indício se presumiu ter sido este preso o autor do roubo. Acharam-se depois num embrulho de fato do mesmo réu o resto dos ornamentos roubados, que ainda faltavam; e fazendo-se-lhe perguntas, suposto negou ao princípio, veio por fim a confessa ter sido o autor, e perpetrador daquele roubo, por cuja confissão foi condenado na forma que já se disse.

Em 1744 um devoto, chamado António dos Santos, erigiu um Oratório, em memória deste acontecimento, no sítio onde apareceram os Vasos Sagrados, cujo se chama hoje o Senhor Roubado.


Sucedeu na Vila de Palmela, na Igreja da Freguesia de Nossa Senhora do Castelo, que hoje existe na Ermida de S. João Baptista, extra muros da mesma Vila.

Eis aqui o caso, conforme a conta, que deu o Presidente do Real Convento, e Ordem de Palmela, Clemente Monteiro Bravo, à Rainha Fidelíssima a Senhora D. Maria I:

"Senhora,
na noite de 13 do corrente mês de Maio, dia da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo, para o dia 14, a Ermida denominada de S. João Baptista, fronteira a este Convento, e contígua a esta Vila, que há muitos anos serve de Freguesia de Santa Maria, Matriz da mesma; se achou roubada, segundo dizem, por três ladrões, que espoliando-a quase de toda a prata, e alfaias, e por ela difundindo os Santos Óleos, deixando as Âmbulas com as bocas em terra, passaram ao horrendo atentado de abrirem o Sacrário, donde levaram um Cofre com uma Hóstia, e cinco Fórmas consagradas, nele depositadas, e uma Pixide com cento e três Partículas consagradas, deixando além disso muitas dispersas pelo altar do mesmo Sacramento. Peço a V. Majestade a sua Real Resolução, com a brevidade que o caso pede, para a minha última, e acertada determinação. Convento Real de S. Tiago da Espada de Palmela 15 de Maio de 1779.
O Presidente do Real Convento da Ordem de S. Tiago: Clemente Monteiro Bravo."

(continuação, IV parte)

14/04/15

OS NOTÁVEIS DESACATOS OCORRIDOS EM PORTUGAL (II)

(continuação da I parte)

BREVE NOTÍCIA

Dos desacatos e roubos do Sacrário, cometidos em Portugal desde a sua fundação até ao ano 1779.

A Religião é a base, de que depende a segurança do Trono, e a tranquilidade dos povos: ela é o freio moral do coração do homem, onde não podem chegar as Leis civis, que somente podem regular, e punir as acções externas. Destruída ela, ou desprezada, serão relaxados todos os vínculos da sociedade, todos os deveres, toda a Moral; perder-se-ia a civilização, e os homens seriam reduzidos ao estado da barbaridade, e quase ao dos brutos, e das feras.

É portanto do maior interesse público, e particular de cada Reino, que a Religião seja respeitada, conservada, e defendida. É isto o que fizeram sempre todos os Políticos, e todos os Legisladores, estabelecendo, e autorizando um Culto público, e uma Religião de Estado, honrando-a, consagrando-a com sábias Leis, e defendendo-a de todos os ataques e insultos, com severas penas, que se acham estabelecidas nos Códigos de todas as Nações civilizadas.

Pela Lei das doze Tábuas todo o sacrilégio indistintamente era punido com pena capital. Esta se ficou sempre conservando entre os Romanos, no tempo da República; porém no tempo dos Imperadores se modificou nos casos menos graves, ficando conservada só nos outros.

Este sistema se tem seguido nas Legislações modernas de todas as nações, e sobretudo na nossa de Portugal, que nesta parte [neste tema] é muito severa e rigorosa (Vejam-se os primeiros cinco Títulos da Ordem. do L. 5º, e nos Títulos 14, 15, 40, e no § 4º do Tit. 60 do mesmo L. 5º).

Embora diga Montesquieu que a Divindade deve ser honrada, e não vingada, esta máxima nunca foi seguida na prática pelos Legisladores de todas as Nações; e quando tratamos de questões em Direito, devemos regular-nos pelas disposições das Leis positivas, e não pelas máximas arbitrárias dos Filósofos; e muito menos em matérias de Religião.

À vista do exposto já se vê que os crimes, que ofendem a Religião, e contêm sacrilégio, são por esta circunstância muito mais graves, tanto por sua natureza, e considerados em si mesmos, como politicamente, em relação à Sociedade Civil. São crimes de Lesa majestade Divina, que atacam o respeito que devemos à Santidade, majestade, e Real presença de Deus; mostram um indigno desprezo daquilo, que todos os homens mais respeitam, e até dos primeiros ofícios da Lei natural.

Todo o homem pois, penetrado dos sentimentos de Religião, se horroriza naturalmente com estes crimes, principalmente quando são atrozes; e o mais atroz de todos é sem dúvida o desacato, roubo, e violação dos Divinos Sacrários, chegando os agressores a profanar com ímpias e sacrílegas mãos o Augusto e Divino Mistério da Eucaristia.

A Nação Portuguesa, e os nossos Maiores, olharam sempre com horror estes sacrilégios, e deram nestes casos as maiores e mais públicas demonstrações de sentimento; distinguindo-se entre todos os nossos Augustos e Fidelíssimos Monarcas, cuja piedade e respeito para com a nossa Santa Religião formou sempre o seu distinto carácter, e de toda a Real Família Portuguesa; dando não só públicas demonstrações do seu sentimento nos actos religiosos que praticaram, mas manifestaram no maior zelo no descobrimento, e castigo dos delinquentes.

Assim mesmo estes atentados contra o Augusto Mistério da Eucaristia eram tão raros nos antigos tempos, que se passavam séculos, sem que acontecesse um só; pois desde a origem de Portugal até ao Reinado da Senhora D. Maria I contam-se os sete mais notáveis.


Em Santarém viviam uns casados pelos anos de 1266, e pela má vida que o marido dava à mulher, se queixou esta a uma sua amiga de Nação Hebreia, a qual lhe levasse a Partícula Consagrada, porque com ela lhe faria um especial remédio, com o qual obrigaria o marido a querer-lhe bem: assim o fez a pobre mulher, escondendo a Sagrada Partícula numa toalha na ocasião, em que fingiu que comungava; mas milagrosamente, quando caminhava pela rua, lhe viram correr sangue do seio, onde levava o Sacrossanto Depósito; e assustada com a novidade, em que todos reparavam, voltou para casa, e meteu o Corpo de Cristo numa arca.

Na noite seguinte viu-se a casa toda iluminada, respirando suaves aromas, e suando Angélico Cânticos. Divulgou-se o caso, e então a Santa Partícula foi levada para a Paróquia de Santo Estêvão, onde depois se achou metida numa Âmbula de cristal por mão Superior.

Até hoje se conserva incorrupta, obrando prodígios tão frequentes e públicos, que a devoção dos fiéis lhe chama por toda a parte o Santo Milagre.


(Refere este caso Jorge Cardoso no Agiológio Lusitano Tom. 3º) Aconteceu no ano de 1362 na Cidade de Coimbra, no Reinado do Senhor D. Pedro I, suposto o Autor citado o atribua ao Senhor D. João I, o que se deve reputar erro de imprensa, por que ElRei D. Pedro I reinou até ao princípio do ano de 1367, seguindo-se o Senhor D. Fernando, e depois o Senhor D. João I (Mestre de Avis), que foi aclamado Rei nas Côrtes de Coimbra em 1385.

O Vaso Sagrado foi roubado do Sacrário da Catedral da dita Cidade, com cinco Formas Consagradas, por um mancebo induzido, e comprado por um Judeu. Descobriu-se o delinquente, e foi punido com a morte. [o punido com morte foi o cristão, e não o judeu]

Fez-se por este motivo uma solene Procissão, em que o Bispo levou para a Sé as Sagradas Formas, tiradas do lugar onde tinham sido enterradas pelo Judeus. Uma Portuguesa rica, chamada Ana Afonso, fundou ali uma Capela, com uma Irmandade, e Hospital; e, para ficar em memória, lhe deu a invocação do Corpo de Deus (Ficava esta Capela nas costas do Mosteiro de Santa Cruz).


Aconteceu em Lisboa a 11 de Dezembro de 1552. Estando um Sacerdote a celebrar Missa, na Real Capela, na presença DelRei D. João III, entrou um Inglês herege, e tanto que o Sacerdote Consagrou a Hóstia, se arremessou ao Altar, e a tirou das mãos do Sacerdote, vertendo o Vinho do Cálice, que ainda estava por consagrar.

Apenas isto se observou, desembainharam os Fidalgos, e Criados do paço as espadas para matarem ao herege; mas ElRei os suspendeu, ordenando que unicamente lhe tirassem das mãos sacrílegas o Santíssimo Sacramento. Foi o réu preso, e castigado como merecia tão horrendo atentado. A Côrte, e o Reino se cobriram de luto, fizeram-se penitências, e muitas demonstrações públicas de sentimento: ElRei mandou fechar todas as janelas do Paço, e todos os Tribunais da Côrte, e até à sua morte sempre ficou conservando o luto.

(continuação, III parte)

OS NOTÁVEIS DESACATOS OCORRIDOS EM PORTUGAL (I)

BREVE NOTÍCIA
DOS
DESACATOS MAIS NOTÁVEIS ACONTECIDOS EM
PORTUGAL DESDE A SUA FUNDAÇÃO
ATÉ AGORA, E O
SERMÃO DE DESAGRAVO
PELOS ÚLTIMOS,
COMETIDOS NESTE MESMO ANO
.

Prégado na Igreja Paroquial de Santa Isabel
Rainha de Portugal,

E OFERECIDO
AO EMINENTÍSSIMO E REVERENDÍSSIMO SENHOR
D. CARLOS DA CUNHA
CARDEAL PATRIARCA DE LISBOA

POR
Fr. JOÃO DE S. BOAVENTURA
Monge de S. Bento, Mestre em Teologia,
Pregador DelRei Nosso Senhor nas Reais Capelas da Santa Igreja Patriarcal, e Real Paço da Bemposta, e Examinador Sinodal do Patriarcado.




LISBOA,
Na Impressão Régia, ano 1825.
Com Licença.



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"Erit enim tempus, cum sonam doctrinam non sustinebunt, sed ad sua desideria coacervabunt sibi magistros, purientes auribus: et a veritate quidem auditum avertent, ad fabulas autem convertentur. Tu vero vigila, in oministerium tuum imple."

Epist. II S. Paul. ad Timot. C. IV

"Virá tempo, em que muitos homens não sofrerão a sã doutrina; e não querendo ouvir a verdade, acumularão para si mestres conforme aos seus desejos, e desta sorte apartam os ouvidos da verdade, e os aplicarão às fábulas. Tu porém vigia, trabalha, préga o Evangelho, cumpre o teu Ministério."

Epístola 2ª de S. Paulo a Timóteo Cap. IV



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Eminentíssimo e Reverendíssimo Senhor,

alguns Portugueses honrados, a quem o zelo da Religião inflama, e que com verdadeiras lágrimas de amargura têm ouvido a história de tantos, e tão repetido desacatos, cometidos contra o Santíssimo e Diviníssimo Sacramento dos nossos Altares, me instáram que publicasse pela imprensa o Discurso, que preguei em desagravo à Divina Majestade ofendida na sua mesma Real e Adorável Presença. À vista do que me resolvi desde logo a dedicá-lo a V. Eminência, a quem cordialmente respeito e venero, e a quem os Portugueses, amantes da Religião e do Rei, reconhecem, e adoram como contraste da impiedade, modelo dos Bispos, exemplo da firmeza e constância Pastoral, e um Prelado digno dos primeiros séculos da Igreja.

Se Jesus Cristo foi desacatado e ofendido na sua mesma Divina e Real Presença por malvados e iníquos profanadores; V. Eminência, como verdadeiro Pastor, e Defensor da Igreja, foi ofendido e ultrajado pela mão da impiedade, e falsa filosofia do século.

Para desagravar a Jesus Cristo nós lhe ofereceremos nossos corações cheios de Fé, nossas lágrimas, nossas adorações, nossos cultos, e protestamos reconhecê-lo, e adorá-lo realmente presente no Augusto Sacramento dos nossos Altares: para desagravar a V. Eminência basta o testemunho público, com que o mundo Católico reconhece a firmeza de V. Eminência; e para dar-lhe uma pequena prova do cordial afecto que lhe consagro, e do quanto me interesso no bem da Religião, e no extermínio da impiedade, respeitosamente ofereço a V. Eminência uma breve notícia dos desacatos mais notáveis, cometidos contra a Divina Pessoa de Jesus Cristo, desde a fundação de Portugal até ao presente, e igualmente o Discurso que preguei em desagravo do mesmo Divino Senhor, pelos últimos e nefandos atentados que neste mesmo ano se perpetuaram contra os Senhor Sacramentado.

Na história dos desacatos verá V. Eminência quanto a Fé dos Portugueses, comparada com os antigos tempos, ter enfraquecido e vacilado, pelo império quase absoluto que a impiedade, e filosofia do século tem estabelecido no meio de nós: e no Discurso de Desagravo, conhecerá com verdade que com tantas, e tão repetidas profanações dos Lugares Santos, e do mesmo Deus, nem a Fé dos Portugueses pode vacilar, nem a filosofia do século triunfar.

Queira pois, Eminentíssimo Senhor, receber benignamente esta pequena oferta, que, não sendo uma pena eloquente, é dedicada por um coração (ainda que pecador) com tudo fervoroso, e cheio de Fé. Deus conserve a vida de V. Eminência por dilatados anos para honrar a glória de Deus, e satisfazer dos verdadeiros Portugueses, como cordialmente lhe deseja, quem é

de V. Eminência

Súbdito e Orador constante

Fr. João de S. Boaventura.

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(continuação, II parte)

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