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25/09/16

APÓSTOLO S. TOMÉ PATRIARCA DA ÍNDIA, E O FEITO DOS PORTUGUESES

"Foi, com efeito, a armada de Pedro Álvares Cabral que trouxe com a triste nova de que, afinal, os
habitantes da Índia eram gentios e não cristãos, a de que, para mais de Goa até Cochim havia mais mouros que em toda a costa de África, de Ceuta a Alexandria. Mas foi ela também qu, em Janeiro de 1501, embarcou em Cranganor dois cristãos locais, o Pe. José e seu irmão Matias, que queriam vir à Europa para visitar Roma, Jerusalém e a Mesopotâmia onde residiam os seus patriarcas. A D. Manuel traziam, como precioso dom, terra colhida sobre a tumba de S. Tomé Apóstolo, em Meliapor. Traziam igualmente informações sobre a Índia menos fantasiosas do que as que o piloto mouro e Gaspar da Gama haviam fornecido dois anos atrás. D. Manuel, que continuava a sonhar com a conquista de Jerusalém e a anelar pelo apoio dos cristãos do Oriente, folgou com a vida de José e de Matias; e, na sua Carta aos Reis Católicos, seus sogros, com cujo apoio contava igualmente reportou:
"Naquele reino [Cochim] há muitos cristãos verdadeiros da conversão de São Tomé, e os sacerdotes deles seguem a vida dos Apóstolos com muita estreiteza, nem tendo próprio senão o que lhe dão de esmola e guardando inteira a castidade; e têm igrejas em que dizem missas e consagram pão ásimo e vinho que fazem de passas secas com água, por [não] poderem [de] outro; e mais igrejas não têm imagens senão a cruz; e todos os cristãos trazem vestidos apostólicos com suas barbas e cabelos sem os nunca fazerem, E ali achou certa notícia donde jaz o corpo de São Tomé, que é cento e cinquenta léguas dali na costa do mar numa cidade que se chama Mailapur, de pouca povoação; e me trouxe terra de sua sepultura. E todos os cristãos e assim os mouros e gentios pelos grandes milagres que faz vão a sua Casa em romaria. E assim me trouxe dois cristãos, os quais vieram por seu prazer e por licença de seu prelado para os haver de mandar a Roma e Jerusalém e verem as coisas da Igreja de cá, porque têm que são melhor regidas por serem ordenadas por S. Pedro, e eles crêem que foi a cabeça dos Apóstolos, e serem eles informados delas. E também soube certas novas de grandes gentes de cristãos que são além daquele reino, os quais vão em romaria à dita Casa de São Tomé; e têm reis muito grandes que obedecem a um só e são homens brancos e de cabelo louros e verdes por fortes e chama-se a terra Malchina, donde vem a porcelana, almíscar e âmbar, e tenho leões que trazem do rio Ganges que é aquém deles; e das porcelanas há vasos tão finos que um só vale lá cem cruzados..."
Estas informações repetem-se em mais pormenores na relação pouco depois impressa em Itália com base no que aí referiu o mesmo Pe. José de Granganor, a Relação de José da Índia.

Ignorando-se quase tudo acerca da armada de João da Nova (1501-1502); não se sabe, portanto, se teve algum contacto com os cristãos do Malabar.

É na expedição seguinte - a segunda de Vasco da Gama - que se situa um episódio significativo. Estando o Almirante em Cochim, veio-lhe uma embaixada dos cristãos de Cranganor trazendo-lhe não só presentes, como a vara da justiça de que usavam - espécie de ceptro, vermelho, guarnecido de prata, com três campainhas desse metal - para que passasse a administrá-la aos cristãos locais em nome DelRei de Portugal; e ao mesmo tempo sugeria-lhe que os Portugueses erguessem em Cranganor uma fortaleza. Visivelmente, após os primeiros desaires infligidos aos mouros e ao seu protector, o Samorim, pelos capitães de D. Manuel, os cristãos de Cranganor entreviam uma hipótese de ver restaurados, quem o papel predominante outrora desempenhado pelo seu porto no grande comércio oceânico, antes da escápula da pimenta se ter transferido para Calicut, quer a situação de favor de que a comunidade gozava antes de os muçulmanos se terem tornado senhores do Índico. A entregar da vara da justiça não serviu, contudo, a longo prazo, os efeitos que se esperavam. Refere, de facto, o Pe. Francisco de Sousa que, mais tarde, muitos cristãos que entretanto haviam descido dos Gates a viver sob a protecção dos Portugueses se voltaram a retirar para o interior, não só por se não se quererem conformar com alguns usos litúrgicos ocidentais (...), como também por se não adaptarem à justiça portuguesa, (...) assaz rigorosa nas penas que aplicava.

No ano imediato a este encontro entre Vasco da Gama e os cristãos de Cranganor foi a vez de os de Coulão recorrerem igualmente à protecção dos Portugueses: Afonso de Albuquerque fora aí a assentar feitoria e a confirmar o acordo feito em Cochím com os representantes das autoridades locais; os cristãos da terra pediram-lhe então que interviesse para que lhes fosse restituída a administração do peso da cidade, que lhes cabia por antigo privilégio mas lhes fora recentemente retirada. E quiseram mandar a D. Manuel a cruz principal, de ouro, da sua igreja; mas Albuquerque apenas aceitou que mandassem uma menor, de prata. Passou-se isso em Janeiro de 1504. (...)

Nem em Cranganor nem em Coulão houvera, entretanto, contacto com a hierarquia, já que o único Bispo que então havia na Índia, Mar João, devia estar na sede habitual dos Bispado, Angamel, sita a certa distância da costa.

Foi só durante a monção desse mesmo ano de 1504 que se deu em Cananor, o primeiro encontro entre Portugueses e a hierarquia local. Vindos de Ormuz, eram aí chegados da Mesopotâmia quatro prelados, Mar Yabalah, Mar Tomé, Mar Jacob e Mar Denha; esperando, provavelmente, que passasse a força da monção para prosseguirem a jornada, detiveram-se junto da vintena de portugueses que aí tomava contra da feitoria DelRei dois meses e meio.

Curiosamente, não [se conhece] nas fontes portuguesas qualquer menção deste encontro, do qual subsistem dois relatos em siríaco; a Carta, que especialmente nos ocupa aqui, e uma breve notícia consignada por Mar Jacob no cílofon de um pequeno calendário litúrgico que copiou durante sua estadia em Cananor.

Eis as circunstâncias em que surgiu o texto que a seguir traduziremos e estudamos.

As relações amistosas entre Portugueses e a hierarquia da Igreja sírio-malabar então encetadas haviam de durar meio século, apenas toldadas de quando em vez por questiúnculas litúrgicas (...). Será preciso esperar pela segunda metade do séc. XVI, pela morte de Mar Jacob, (...) pela criação de uma hierarquia latina na Índia, (...); só então iniciará o Padroado Português uma espécie de guerrilha eclesiástica para fagocitar a velha cristandade de S. Tomé [opinião muito pessoal do autor], o que alcançará em 1599, no Sínodo de Diamper." (A Carta Que Mandaram Os Padres da Índia, da China e da Magna China - Um Relato Siríaco da Chegada dos Portugueses ao Malabar e Seu Primeiro Encontro com a Hierarquia Cristã Local. Luís Filipe F. R. Tomaz. Coimbra, 1991)

09/02/15

EVANGELIZAÇÃO PELOS PORTUGUESES - AGIOLÓGIO LUSITANO (II)

(continuação da I parte)

Advirto de passo, que os primeiros pregadores, que anunciaram a luz do sagrado Evangelho nas Canárias (depois de descobertas) foram portugueses, que lá passou logo o Beato Tadeu, frade agostinho, que pelo admirável fruto que fez na conversão e doutrina de seus moradores adquiriu o nome de Canário, com que é intitulado (como Cipião o de Africano pelas vitorias que alcançou em África) sendo o santo natural de Lisboa. Nelas havia já prégado, e padecido martírio S. Avito há mais de 1540 anos, pois foi no de Cristo 105. Estas ilhas se largaram depois da concordata a Castela, por cairem na sua demarcação.

Ilhas Canárias
Temos mais em confrontação da consta de África os bispados da ilha da Madeira, e Terceira, que sendo desertas, os nossos povoaram de Cristandade; daquela foi primeiro Bispo D. Diogo Pinheiro, Vigário de Tomar, nomeado por ElRei D. Manuel, e a sua instância, confirmado por Leão X, ano de 1514. Desta o Pe. Agostinho Ribeiro, frade loio, designado por ElRei D. João III, e confirmado por Paulo III, ano 1534. Uma, e outra Diocese tem de seu princípio Religiosos menores; os da Madeira, que são três de frades, e um de freiras, sujeitos à Província de Portugal; os da Terceira (que ano 1639 se desmembrou da dos Algarves) formam uma dilatada Província, intitulada de S. João Evangelista, compreende hoje 14 conventos de frades, e 6 de freiras (de mais de outros tantos sujeitos ao Ordinário) a cabeça de todos é N. Senhora da Guia na cidade de Angra. Nela, em S. Miguel, e Madeira têm colégios a Companhia de Jesus, onde estes religiosos exercitam seus santos ministérios, em ordem à salvação das almas.

Seguem-se as de Cabo Verde com seu primeiro Bispo D. Brás Neto, erecto no ano 1533. Nelas prégou o Pe. Baltasar Barreira da Companhia com admirável fruto, pois trouxe ao grémio da Igreja Católica inumeráveis gentios, que converteu, e baptizou, e entre eles a dois Reis: o da Serra Leoa e o de Tora. Após este o de S. Tomé eleito muito antes, na pessoa de D. Digo Ortiz de Vilhegas, cuja jurisdição por muitos anos se estendeu a todo o Reino do Congo, e como o principal fim dos descobrimentos dos Sereníssimos Reis de Portugal foi a conversão da gentilidade, e propagação do sagrado Evangelho, tanto que os nossos descobriram este Reino, mandaram logo pregadores, que o instruíssem nos mistérios de N.S. Fé; e seu Rei (movido por divina inspiração) foi as primícicias, que os nossos converteram naquele Reino no ano 1491. Em prova de sua conversão mandou este, D. Henrique, seu filho, com alguns vassalos seus, que aprenderam a doutrina Cristã e sagradas letras no mosteiro de S. Eloi de Lisboa, onde residiram 13 anos com grande exemplo e louvor. E feitos Sacerdotes, renunciou D. Diogo Ortiz o Bispado de S. Tomé no dito Príncipe D. Henrique. Tornado à pátria, seu pai o mandou a Roma no ano 1513 acompanhado de outros senhores, e fidalgos de seu Reino a dar obediência ao papa Leão X esujeitar à Sé Apostólica ceptro e coroa. E por ser Bispado de S. Tomé mui dilatado, e constar ao Papa Clmente VIII que havia 128 anos, que em Congo se conservava a Fé, depois que os nossos ali a pregáram, à instância o Prudente no ano de 1590 se desmembrou daquele Bispado o de Congo (que hoje separado se chama de Angola) em que o primeiro eleito foi D. Fr. Miguel Rangel, Capucho da província de Sto. António. Todos estes Bispados ultramarinos são sufragâneos à Metrópole de Lisboa. E tornando aos primeiros prégadores, que foram a S. Tomé, e Congo, achamos serem Monges de S. Bernardo do convento de Alcobaça, depois os Franciscanos, e Dominicanos, seguiram-se os Loios, e Gracianos, e os Padres da Companhia, e Carmelitas descalços, e ultimamente os Terceiros de S. Francisco, que todos têm feito copiosa sementeira para os celeiros da Igreja na conservação das almas, acabando os mais deles gloriosamente nesta santa empresa.

(a continuar)

10/11/14

FR. MIGUEL CONTREIRAS (I)

"O Venerável Prior Mestre Fr. Miguel Contreiras, Confessor da Sereníssima Rainha de Portugal, D. Leonor, instituidor da Irmandade da Misericórdia de Lisboa. Faleceu em 1520."
"Fr. Miguel Contreiras nasceu em Valência de Espanha, ou em Segóvia, como querem outros, a 29 de setembro de 1431. Passados os primeiros anos, começou de cursar os estudos, revelando desde logo singular talento, e uma decidida inclinação para a solidão e o recolhimento, inclinação, ou antes aspiração ardentíssima, que tão fundo se lhe enraizou na alma, que apesar de descender da nobre casa dos Contreiras, de que foi progenitor o famoso Conde Fernam Gonçalves, donde procedem muitos monarcas da Espanha, e porventura contra a vontade de seus pais, que sem dúvida folgariam que ele abraçasse uma carreira brilhante e condigna da sua ilustre prosápia, preferiu, depois de concluídos aqueles estudos, a obscura vida monástica, entrando na ordem da Santíssima Trindade, onde professou.

Já Sacerdote e adiantado em anos, pediu licença para vir residir no convento da sua ordem em Lisboa, e obtendo-a passou a Portugal em 1481.

O motivo que Fr. Miguel Contreiras tivera para abandonar a sua pátria é mui difícil de averiguar, nem vale a pena fazê-lo: o que é certo é que soube em Portugal sustentar dignamente a reputação que lá fora havia granjeado, e que o povo, concorrendo em multidão a escutar os seus sermões, repassados de verdadeira unção cristã, começou de apelidá-lo o apóstolo.

E era de feito um verdadeiro apóstolo. No templo a sua palavra eloquente convertia os impiedosos, roborava a fé aos tíbios, mostrava aos justos o caminho do céu; e se sabia distribuir com mão generosa o alimento do espírito, a sua caridade não era menos fervorosa, menos sincera, e menos solícita em promover o bem temporal de todos os desvalidos.

Conhecia Fr. Miguel por essa capital muita viúva sem pão, muito enfermo abandonado, muito órfão sem amparo, muitas donzelas que a miséria expunha de contínuo às mais perigosas seduções; abrasou-o um santo zêlo, e tomado da compaixão de tantos infortúnios, que a sociedade descuidosa não só não curava de evitar, mas nem sequer forcejava por diminuir, deitou-se a pedir pelas ruas e casas para os pobres.

Deus abençoou a sua obra; e fez largamente frutificar os seus esforços; não só a Côrte, e mormente a virtuosa Rainha a Senhora D. Leono, de quem fôra nomeado confessor, e cujo nome anda vinculado à fundação dae alguns dos nossos principais estabelecimentos de caridade, mas também o povo concorreram a ajudar com suas esmolas o venerando sacerdote, que assim pôde, pobre e humilde frade, enxugar muitas lágrimas, atenuar muito infortúnio, acabar com muita miséria.

Entretanto o seu zêlo, com quanto fervoroso e ardente, não podia acudir com a necessária regularidade a muitos enfermos, que ou por serem estrangeiros, ou por não terem quem os recebesse em casa, andavam recolhidos pelos adros das igrejas e pelos arcos do Rossio.

Incansável no serviço dos pobres, e não recuando perante qualquer dificuldade, pediu instantemente à Câmara de Lisboa que lhe quisesse dar uma casa que estava junto a Santo António da Sé, onde antigamente se faziam as audiências do civel; a Câmara não pôde resistir ás solicitações de Fr. Miguel, que obteve a concessão pedida, e entendeu imediatamente em mandar fazer nas referidas casas as acomodações necessárias e indispensáveis; recolhendo ali pouco depois os enfermos, e assistindo-lhes com todos os socorros corporais e espirituais.

É tradição corrente que ElRei D. Manuel, tendo notícia desta caridosa fundação, entrara um dia, sem que fosse esperado, pela enfermaria dentro.

Como é natural os devotos que andavam curando os doentes, e fazendo-lhes as camas, perturbaram-se com a presença do Rei, e largaram tudo para o receber, porém este disse-lhes: "Fazei a vossa obrigação", e continuando eles o Rei, pegando num cobertor pela ponta,disse: "Eu também."

(continuação, II parte)

06/11/14

1514 - EMBAIXADA DE D. MANUEL AO PAPA LEÃO X

Papa Leão X
A duas maiores embaixadas de Reis a Papas são feitas por reis portugueses. A maior de todas, depois da qual durante muitos anos não se atreveram outros reis a enviar embaixadas alguma a Roma, foi a de D. João V (séc. XVIII). A segunda maior embaixada tinha sido a de D. Manuel (séc. XVI). É esta de D. Manuel que vou transcrever do "Os Portuguezes em África, Ásia, América, e Occeania" (... Volume III, 1849, pag. 99-101):

ElRei D. Manuel Manda um Rico Presente ao Papa Leão X

D. Manuel, Rei de Portugal
"(...) No Monarca [D. Manuel] sobresaia a piedade a par das outras virtudes e dotes grandiosos de alma, e não deslembrava as coisas do Céu pelas da terra; por isso o Pntífice Leão X, Vigário de Cristo, não esqueceu ao Soberano, que fez a ventura destes Reinos.

[...]

Tinha o dia 12 de Março [dia de S. Gregório Magno] de 1514 sido escolhido para Tristão da Cunha dar Embaixada pública em Roma, e foi ela pelo seguinte modo: Às duas horas da tarde um luzidio cortejo saía do palácio de sua habitação segundo o Embaixador extraordinário, e dois Fidalgos, a quem ElRei dera também o carácter de Embaixadores; grande número de trombetas, charamelas, pífaros, e atabaldes de ElRei, acompanhavam o cortejo luzidamente vestidos, e a cavalo: seguiam-se muitas azemulas, que homens com várias e ricas librés levavam de rédea, as quais iam cobertas de ricos panos de seda de várias cores, e insígnias: seguia-se o Rei de Armas de Portugal, vestido de roupa de pano de ouro, com as Armas do Reino coroadas, e cercadas de pérolas, e rubis. Logo mais de cinquenta nobres, vestidos de peles, e brocados, com chapéus ornados, e cobertos de pérolas, e aljofares, e a tiracolo talabartes de ouro e pedraria, montados em cavalos, com selas, peitorais, e mais arreios de ouro maciço, ou de lavor esmaltado de pérolas, e pedras preciosas. Cada um destes Cavaleiros levava grande número de criados com ricas librés. Seguia-se um elefante índio, sobre o qual ia um rico cofre com o presente, coberto de um pano tecido de ouro com as Armas de Portugal, que não só cobria o cofre, mas também o elefante até arrastar pelo chão; ia também sobre ele um Naire que o mandava, vestido de roupa de ouro e seda; ia mais um cavalo pérsico, que ElRei de Ormuz mandára a ElRei D. Manuel, e uma onça, com um caçador também pérsico, que a levava nas ancas do mesmo cavalo. Este brilhante trem, a que se juntaram os Embaixadores de todas as Côrtes, que se achavam em Roma, e todas as grandes personagens daquela Côrte, fazia a mais aparatosa comitiva que jamais se viu em semelhantes acções. Logo que o elefante avistou o Papa, que no castelo de S. Ângelo estava com todos os Cardeais admirando a magnificência deste brilhantissimo acompanhamento, ao sinal que lhe fez o Naile, se humilhou três vezes, e tomando na tromba grande quantidade de água de cheiro, que estava preparada, rociou com ela ao Papa, e Cardeais, e depois a todos em circuito. A onça também executou vários movimentos, que admiraram a todos. O presente para o Papa constava de um Pontifical completo bordado a ouro, guarnecido de riquíssima pedraria, em que se viam muitas romãs de ouro maciço, cujos bagos eram finíssimos rubis. Foram também mitra, bago [báculo], anéis, cruzes, cálices, e turíbulo, tudo em ouro batido, coberto de pedraria, e muitas moedas de ouro de quinhentos cruzados cada uma. O Pontífice dirigiu aos Embaixadores as mais distintas expressões em louvor de ElRei, e do Reino de Portugal. Este presente não só espantou a Itália, mas também a Europa, pois se estimou em mais de um milhão da nossa moeda (Esta soma era reputada nesta época de grande consideração)."

11/10/14

MUITOS JUDEUS SE CONVERTERAM, OUTRO NÃO, E OUTROS TRAIRAM

Com a transcrição do prólogo que segue quero salientar que:
1 - Houve cristãos novos exemplares;
2 - Houve judeus que se fingiram conservos por apego, e de forma disfarçada quiseram viver entres os cristãos;
3 - D. Manuel não foi "coagido" à expulsão, como hoje muitos querem fazer acreditar;
4 - Antes de Castela, já Portugal tinha anteriores exemplos de significativas conversões de cristãos novos.

Aqui vão as palavras de D. Fernão de Aragão, Arcebispo de Braga, Primaz das Espanhas, no séc. XVII:

"Parecendo-me que para acabar de se extinguir este tão grande mal da heresia, e pravidade judaica que anda neste Reino, bastava a piedade e vigilância ordinária da Igreja, e que assim ficava servindo mais o remédio da dissimulação e do tempo que o de canteiros de doutrinas: não tratarei de tomar a pena contra ele: esperando que o mesmo tempo em breve o consumisse, como havia feito em toda a outra parte, em semelhantes conversões: mas vendo agora que em lugar de se acabar com o tempo o mal; tomou mais força e penetrou, e calou; destruindo não somente o enfermo, e fraco, mas o são, e forte, e que estava já quase seguro; acho-me obrigado da trompeta que me soa cada hora nos ouvidos, e chama a juízo: a que ponha o peito ao maior mal, e acuda ao Reino, a quem sou mais obrigado com o talento que recebi de Deus, assim do conhecimento do mal, como do remédio fundamental dele.

Mas antes de entrarmos nesta obra se há-de advertir, que entrando ElRei D. Manuel de boa memória no governo deste Reino no ano de 1495, e achando nele uma cópia de gente do povo hebreu que ElRei D. João seu predecessor havia metido nele; desejando ganhar aquelas almas para Deus; movido de santo zelo buscou traças, e modos para levar ao fim seu intento; e favorecendo Deus alcançou ver baptizar-se uma grande parte dela, e receberam a fé com grande alegria e fervor, e fazerem muito fruto nela. Mas porque a ordem de ElRei, foi que os que não recebessem a fé fossem lançados fora do Reino, sucedeu como bem se deixou ver pelo efeito ao diante, que alguns que estavam duros em sua cegueira, estando afeiçoados à terra tomaram baptismo fingidamente, e não de coração, e como a tais pela vigilância dos Prelados no princípio e depois pela da Santa Inquisição descobriram-lhes com o tempo suas maldades, e sempre se foi achando depravação entre eles, e mau zelo, e ruins intentos; ficando por outra parte os que haviam tomado a Fé de verdade assim nesta conversão, como nas mais antigas, luzindo como estrelas no meio da geração prava sem se achar mácula neles em nenhum tempo: Mas não lhes valendo sua inocência, o mal dos maus lhe fazia dano, tomando ânimo o povo para os morder, e chamar contra eles, pelo mal que viam nos maus; cumprindo-se de alguma maneira neles aquilo dos figos do Profeta Jeremias que os bons eram óptimos, e os maus péssimos, como costuma ser onde haja emulações em religiões contrárias. Esta conversão que ElRei D. Manuel fez no ano de 1497, não foi a primeira que se fez do povo judaico à Fé Católica neste Reino, e muito menos em Espanha, porque antes dela se haviam feito muitas outras, como é notório e consta pelos Concílios antigos da Hispanha, onde se trata delas, e nas Ordenações velhas deste Reino está declarado, que das famílias que descendiam de conversões mais antigas que a de 1497 não fossem chamados com nome de Cristãos novos, senão de Cristãos velhos, e que aquele nome ficasse com os da conversão de 1497. Assim foram passando uns e outros largo tempo, os bons de cada vez mais alegres e constantes na Fé, e os maus com indiferença: porque houve tempo que o mal não andava senão em gente baixa e inculta, e era de tão pouca força que havia esperanças que em breve fosse extinto; e outras vezes ressuscitou, e levantou chama de modo que os ifcionados e os fracos pediram perdão por três vezes, e dando-se indulto geral para todo o passado, a última delas que foi no ano de 1605 encheu o Reino de gente de fora corrupta, e ensinada, e destra em seus erros, e desatinos: e a entrada destes foi causa do grande incêndio que depois se achou em muitos lugares do Reino, como estava antevisto: tendo eles como matreiros arte, e mancha com que não somente corromperam os de suas famílias inficionadas, e outros muitos de famílias limpíssimas, mas a muitas outras pessoas nobres e quase sem raça e que haviam tido limpa criação de seus passados: tão danoso é o trato destes lobos; principalmente quando vêm cobertos com pele de ovelhas, como o são quase todos os penitenciados. Pois o zelo de remediar tão grandes males, assim o da heresia, que tão vergonhosa e injustamente vai por diante, como o do mui grave dano que com a mesma injustiça se perpetua e cresce com a errada linguagem do vulgo contra infinita gente limpa e de mui Católico, de e honrado procedimento, e conhecida por essa: foram os dois motivos que me obrigaram a romper pelas dificuldades contrárias de minha pouca saúde, e as mais, e por o peito à empresa: pondo os olhos no prémio que posso esperar de Deus: Ele que só dá incremento aos bons, ponha sua virtude no que disser para que frutifique, e cresça." (Prólogo do "Doutrina Catholica Para Instrucção, firmação dos fiéis: Extincção das seitas supersticiosas, em particular do judaísmo", de D. Fernando Ximenes de Aragão - Arcebispo Primaz das Espanhas. Lisboa, 1630)

27/04/14

PÁSCOA de 1500 - CHEGADA A TERRAS DE VERA CRUZ

Sem pedir autorização, tomo a liberdade de publicar um texto de um sacerdote brasileiro, amigo meu. Com esta publicação, dou também a minha parte de agradecimento ao Senhor Padre em questão:

"A primeira missa também foi um marco para o inicio da história do Brasil. No dia 22 de abril de 1500 chegaram as 13 caravelas lideradas por Pedro Alvares Cabral. Ao avistar um monte do mar, chamou de Monte Pascoal já que era o oitavo dia da Páscoa. Ao desembarcarem foram recebidos por aproximadamente dezoito índios e trocaram presentes. A bordo de suas caravelas novamente, subiram um pouco para um lugar mais protegido e foram parar na praia da Coroa Vermelha, em Porto Seguro, no litoral sul da Bahia.
 
 
Foi exatamente ali que foi celebrada a primeira missa em solo brasileiro, no dia 26 de abril. Segundo narra o escrivão Pero Vaz de Caminha em uma carta para o rei de Portugal, D. Manuel, depois 47 dias navegando pelo oceano Atlântico, ao chegarem na praia da Coroa Vermelha, dois carpinteiros fizeram uma cruz e a colocaram na areia. A missa foi celebrada pelo Frei Henrique com mais alguns clérigos.

Foram convocados mil homens, entre oficiais e marinheiros e havia cerca de duzentos índios que acompanhavam atentamente ao que acontecia, com muito respeito e adoração. Os índios seguiam os mesmos gestos dos portugueses, se eles levantavam, eles também levantavam, se eles ajoelhavam, eles também ajoelhavam. Depois de terminada a cerimônia o sacerdote fez uma pregação narrando a vinda dos portugueses. Vaz de Caminha acreditava também que a conversão dos índios não seria difícil, já que eles foram muito respeitosos quanto a religião.

Nos dias seguintes, os portugueses tentaram mostrar para os índios o respeito que tinham com a cruz, se ajoelharam um por um e a beijaram. Alguns índios fizeram o mesmo gesto, o que fez com que fossem considerados inocentes e fáceis de evangelizar. Vaz de Caminha pede ainda para o rei que venha logo o clérigo para batizá-los a fim de conhecerem mais sobre a fé deles.

A segunda missa foi celebrada no dia 1º de maio, na foz do rio Mutarí. E assim, deu-se início ao que hoje é considerado o maior país católico do mundo.

Obrigado Senhor!

Obrigado Portugal!"

04/10/12

ALGUMAS MEMÓRIAS DA CAPELA REAL DO PAÇO DA RIBEIRA (I)

 “Visto, pois, faltarem cicerones coevos e autênticos, que nos descrevam o palácio da Ribeira, os seus salões, os seus eirados, os seus jardins, o seu estilo arquitetónico, a sua planta, a sua sumptuosa mobília, estudarei agora, como puder e souber, uma das melhores joias da casa: a Capela.

Já no outro livro (Lisboa antiga, II parte, tomo III), a propósito do paço da Alcáçova, esmiucei a fundação dela, e as suas várias vicissitudes até ao séc. XVI. Aqui direi que, transferindo el-Rei D. Manuel a sua residência para este novo paço à beira-mar, para ele transferiu com todas as suas antigas prerogativas as Capela Real, mudando-lhe contudo o orago, que será S. Miguel, e ficou sendo. S. Tomé, o padroeiro da Índia; intenção oculta do augusto Fundador.

Na segunda das visitas de Braunio, observo a capela indicada sob. O nº 119.

Consultado o já ouvido Padre Sande, responder-nos-á que o palácio “tem de mais uma capela, com numerosas colegiadas composta de respeitabilíssimos Eclesiásticos, presididos quase sempre por um Bispo. Fazem.se ali os divinos ofícios, com tal ordem, tão excelente e variada música, vocal e instrumental que mais se lhe pode chamar uma catedral, que não uma capela.”

Neste templo se representou, na noite das Endoenças de 1508, por ordem da viúva del-Rei D. João II, o Auto da alma, composição de Gil Vicente (notícia tirada das rubricas das obras do próprio Poeta). Esse uso absurdo acabou; (…)

Capelão mor era um Bispo. Vi na Torre do Tombo a nomeação do Bispo de Lamego D. Fernando de Vasconcelos em 1 de Setembro de 1516, e vi também uma carta, em que el-Rei D. Manuel nomeia substituto a esse Prelado, ainda então simples adayam da Real Capela, e que, segundo parece, não dava vasão ao muito trabalho que lhe incumbia com o expediente dos avlaraaes das confissões dos moradores da Casa. O substituto ficara sendo para esse fim, desde 29 de Fevereiro de 1515, João Riminha, Capelão cantor.

E observo outra circunstância: não era só el-Rei que tinha capela; o Príncipe herdeiro também tinha a sua. Vi na Torre do Tombo uma quitação do Soberano a Diogo Fernandes Cabral, Deão da Capela do Príncipe, pelas despesas nos anos de 1509 a 1513, e pelas alfaias pouquíssimas de que era depositário o dito Deão. (…)

Em Janeiro de 1512, nasceu aqui o Infante D. Henrique, futuro Cardeal-Rei. (…)

Aqui recebeu em 1516 o Infante D. Afonso, com sete anos apenas, o barrete cardinalício da parte do Santo Padre leão X. Trouxe-lho de Roma D. Manuel de Noronha da Câmara, Bispo de Lamego”

15/09/12

AS 3 ESTÁTUAS DESAPARECIDAS

Faço breve memória as 3 estátuas desaparecidas, uma misteriosa e destruída por acidente, uma nada misteriosa e destruída como monumento à estupidez humana.

A primeira estátua é a de um cavaleiro montado, com umas inscrições em linguagem desconhecida, e que foi encontrada na ilha do Corvo. O Rei D. Manuel I mando-a levar para a Corte, em vão. Da estátua pouco sobrou e perdeu-se o rasto aos restos.

A segunda estátua e a terceira, são de um muito conhecido português do séc. XX, chamado António de Oliveira Salazar! Uma delas estava no centro da sua terra natal (Sta. Comba Dão), e a outra estava em frente de um ícone da maçonaria (o palácio da Foz -Lisboa).

Para melhor esclarecimento, leia-se o artigo do Blogue Monumentos Desaparecidos


10/06/12

10 de Junho de 2012 - ANJO CUSTÓDIO DE PORTUGAL

Fico surpreendido por ser este o tema mais consultado na história deste blogue. A meu ver é bom sinal. Pois pouco se sabe hoje de tão importante e significativa realidade: o Anjo Custódio de Portugal.

Eis o muito lido artigo: "10 de JUNHO - SANTO ANJO CUSTÓDIO DE PORTUGAL". Convêm ainda a consulta ao artigo "LUÍS VAZ DE CAMÕES - TAMBÉM no 10 de JUNHO".

O que se segue é um complemento algo alargado.

O nome da Ilha de S. Miguel (Portugal) e a sua descoberta devem-se à aparição do Arcanjo S. Miguel. É curiosa a relação de "Santa Maria" (nome religioso de Portugal) e "S. Miguel" (Arcanjo, custódio de Portugal), e que da primeira ilha se passou apenas depois à segunda:

"Mas deixando estas fábulas, a verdade é, que vindo desta segunda vez o ditoso Frei Gonçalo Velho Cabral, e pondo a popa no Norte da Ilha de Santa Maria, foi dar directamente na ilha que buscava a 8 de Maio de 1444 dia da Aparição de S. Miguel o Anjo: e assim o descobridor lhe chamou logo Ilha de S. Miguel, governando então já em Portugal o Infante D. Pedro, filho de el-Rei D. João I, e irmão de el-Rei D. Duarte, que também já era falecido, e tinha deixado de só seis anos a D. Afonso V, a quem o dito D. Pedro seu tio entregou o governo do Reino em 1448, e aqui chegaram então a estas duas ilhas, de Santa Maria, e S. Miguel, Ilhas dos Açores, ou por se verem alguns nelas que de fora vinham, ou por nelas haver muitos milhafres, que no pilhar se parecem com os Açores, e ultimamente Ilhas Terceiras, como em seu lugar veremos. (pág. 172). [...] " Foi esta segunda vinda dos descobridores, e povoadores Portugueses da Ilha de S. Miguel no ano de 1445 do Nascimento de Cristo, a 29 de Setembro, dia da Dedicação de S. Miguel o Anjo, tendo já sido a primeira vinda, a aparição do mesmo S. Miguel a 8 de Maio do ano antecedente de 1444, que parece que quis Deus denotar, que até então andavam diabos naquela Ilha, veio o Anjo S. Miguel lançá-los dela, como no princípio do mundo lançou do Céu aos diabos; e que se de todo o género humano um Divino Guarda-mor, um S. Miguel o Anjo, quis ser desta Ilha seu especial Anjo da Guarda; vejam agora lá os moradores dela, quanto devem como Anjos proceder, ou seguir a S. Miguel, lançando fora de si o pior do pecado, e quanto devem celebrar um seu tão grande Anjo. (pág. 175) - (História Insular das ilhas a Portugal Sugeitas no Oceano Occidental (Volume I) - Pe. António Cordeiro, 1866)

O Agiológio Lusitano regista esta festa em Julho:

"O Anjo Custódio do Reino de Portugal se festeja em todo ela na terceira Dominga do mês de Julho, com solene Procissão, em todas as Cidades, e Vilas, que são cabeças de Comarcas, a que o Senado das suas Câmaras com o Cabido, são obrigados a assistir. Foi estabelecida esta Festa pela devota piedade do invicto Rei D. Manuel, para a qual alcançou Breve da Sé Apostólica, e se celebra com Ofício de Rito Duplex maius, em todo o Reino, e nas Ordens do seu governo incorporou a obrigação desta solenidade por Lei a seus vassalos." (pág. 213). "D. Manuel, em quem a piedade da Religião Católica, tinha tanto lugar, que não sei, quando leio a sua Vida, se foi a maior de todas as suas virtudes. Para fazer perpétua esta Festa, alcançou da Sé Apostólica um Breve, para a celebrar na terceira Dominga do mês de Julho ao Anjo Custódio do Reino, que com ofício particular se reza no Arcebispado de Lisboa. Ordenou também, que com Procissão solene seja esta Festa celebrada, o que mandou incorporar por Lei na Ordenação do Reino, liv. I tit. 66§ 48. O Senado da Cidade de Lisboa, em obséquio desta Lei, faz Procissão, acompanhada do Cabido, e de todas as Comunidades, Clero, e das Bandeiras dos Ofícios, e se juntam, como no dia de Corpo de Deus, e correm as ruas, naquele dias; porque assim o determinou ElRei D. manuel, querendo, que fosse este dia tão solene, como o do Corpo de Deus. Desta piedosa acção se lembra Gois na Chronica do dito Rey, part. 4 cap. 86; e Mariz Dial 4 cap. 19; Faria na Europa Port. tomo 2 part. 4 cap. I num. 104; o Padre António Vasconcelos no Tratado do Anjo da Guarda, liv. I cap. I part I pag. 2; e Pagas no Tit. 5 ad Ord, lib. I tit. 66 n 48. Na Vila de Guimarães, se leva em Procissão um Anjo grande de prata dourada, que foi tomado na célebre batalha de Aljubarrota, que o invicto Rei D. João I deu à Igreja Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira, a quem deveu esta insigne vitória." (pág.217) - (Agiologio Lusitano, Dos Santos, e Varões Illustres em Virtude Do Reino de Portugal, e Suas Conquistas; Consagrado à Imaculada Conceição da Virgem Maria Senhora Nossa (Tomo IV) - D. António Caetano de Sousa, 1744).

01/06/12

TAMBÉM NO PRIMEIRO de JUNHO...

D. Manuel I, Rei de Portugal
D. Manuel I - "D. Manuel, único do nome, e décimo quarto Rei de Portugal, nasceu em Vila de Alcochete situada na Província Transtagana no primeiro de junho de 1469, podendo justamente gloriar-se para inveja das mais famosas Cidades do mundo de ter sido berço de tão augusto Monarca." (Bibliotheca Lusitana, Vol. 3., pag 161) - "Neste próprio ano de 1521 (em que foi Dominical a letra F), aos 13 de Dezembro, dia de Santa Luzia, (que calhou então à sexta feira) pelas nove horas da noite, nos Paços da Ribeira em Lisboa, faleceu ElRei D. Manuel de uma febre, espécie de letargo, (doença, de que na mesma Cidade morria muita gente) tendo de idade cinquenta e dois anos, seis meses, e dois dias, contados desde o primeiro de Janeiro do ano de 1469 em que nasceu; dos quais reinou vinte e seis anos, um mês, e dezoito dias, contados desde 25 de Outubro de 1495 em que herdou a Coroa. Jaz no Real Mosteiro de Nossa Senhora de Belém extra muros de Lisboa, que ele edificou para ter nele seu jazigo, e ser habitado de Monges Jerónimos." (Colecçam dos Documentos Estatutos e memórias da Academia Real da História Portuguesa..., pág. 468)

D. Paio Galvão - Foi natural de Guimarães, filho único de Pedro Galvão e de D. Maria Pais. Foi Cónego Regrante de Santa Cruz de Coimbra. Foi Mestre em Teologia pela Universidade de Pais. Foi Mestre-Escola de Guimarães, Embaixador de Obediência a Roma, mandado por ElRei D. Sancho I. Pelo Papa Inocêncio III foi nomeado Cardeal Diácono no título de Santa Maria in Septisolio no ano de 1206. No ano de 1211 foi Cardeal Bispo Albanense. O Papa Honório III nomeou-o Legado Apostólico para a Cruzada à Conquista da Terra Santa no ano de 1219. No ano de 1225 foi Legado ao Imperador Frederico II. Morreu no primeiro de Junho de 1228. Dele falam todos os que escreveram as vidas dos Cardeais, e as Histórias das Cruzadas. O Padre António de Macedo na Lusitania Purpurata, O Padre D. Nicolau de Santa Maria escreveu-lhe a vida na Chronica dos Conegos Regrantes, tom.2 lib. II, cap. II." (Catálogo Histórico dos Summos Pontifices, Cardeaes, Arcebispos, e Bispos Portuguezes..., D. Manuel Caetano de Sousa. pág. 11)

Três Estados - "Auto do Juramento, que os Três Estados destes Reinos fizeram em presença de ElRey Nosso Senhor ao primeiro de junho de M.D.LXXIX." (Dedução Chronológica e Analytica, Vol. , pág 117) - "No dia primeiro de Junho foi lavrado o Auto formidável de Juramento, que na presença do Rei deram os Três Estados, cuja substância era: Que por morte do actual Soberano, eles obedeceriam aos Governadores nomeados, e teriam por natural, e verdadeiro Rei aquele, que os mesmos Governadores, e Juízes declarassem,que o era. Aos quatro dias do mesmo mês jurou a Cidade de Lisboa, e nele o Duque de Bragança; aos três do dito jurou o Senhor D. António, que para isso foi chamado à Corte do lugar do seu extermínio. Mas ele sem perder  tempo reclamou logo o juramento na presença do Núncio, protestando não lhe prejudicar o acto, que fizera em reverência ao Rei seu Tio, por temor que caia em Varão constante, que se via face a face com o Soberano de longos tempos até agora seu declarado inimigo. Para não defraudar aos Leitores com a falta de instrução da formalidade destes juramentos, eu os transcrevo pelas próprias palavras." (História Geral de Portugal e Suas Conquistas... Tomo XVII, Pág.233)

Martirológio Romano - "Em Roma, de S. Juvêncio Mártir. Em Cesareia da Palestina, de S. Pándilo Sacerdote, e doutrina, e liberalidade para com os pobres; o qual, na perseguição de Galério Maximiáno, atormentado primeiramente pela Fé de Cristo, e metido num cárcere por mandado do Presidente Urbano; depois posto segunda vez a tormentos por mandado de Firmiliano, consumou juntamente com outros seus o martírio. Padeceram também nesta mesma ocasião Valente Diácono, e Paulo, com outros nove; cuja festa se celebra em outros dias. Em Autum, dos Santos Mártires Reveriano Bispo, e Paulo Presbítero, com outros dez, os quais foram coroados de martírio, em tempo do Imperador Auréliano. Em Capadócia, de S. Teófilo Mártir, o qual em tempo do Imperador Alexandre, e do Prefeito Simplício, depois de outros tormentos, foi degolado. No Egipto, dos Santos Mártires Isquirion Capitão, e dos outro cinco soldados; os quais em tempo do Imperador Dioclesiano foram mortos pela Fé de Cristo com diversos géneros de martírios. Também de S. Firmo Mártir, o qual, na preseguição de Maximiáno, foi gravemente açoitado, depois apedrejado, e ultimamente degolado. Em Perósa, dos Santos Mártires Felino, e Graciano Soldado, os quais, em tempo do Imperador Décio, atormentados com vários tormentos, alcançaram com gloriosa morte a palma do martírio. Em Bolonha, de S. Próculo Mártir, o qual padeceu em tempo do Imperador Maximiano. Em Amélia, de S. Secundo Mártir, o qual, em tempo do Imperador Dioclesiano, sendo lançado no Tibre, deu fim a seu martírio. Em Tiférno na Umbria, de S. Fortunato Presbitero, esclarecido com virtudes, e milagres. No Mosteiro de Lirins, de S. Caprásio Abade. Em Treveris, de S. Simeão Monge; a quem o papa Bento Nono pôs no número de Santos. (Martyrologio Romano Dado a  Luz Por Mandado do Papa Gregório XIII ...LISBOA, M.DCC.XLVIII. pág. 134)

Forais - Vila de Meda: "A Vila de Meda fica a noroeste de Marialva a uma légua, e de Trancoso quatro para norte, situada em lugar alto com sua torre de Relógio: é fértil de pão, vilho, azeite, gado e caça. Tem 330 vizinhos com uma Igreja paroquial da invocação de S. bento, com Vigário, Coadjutor, e Tesoureiro da Ordem de Cristo, que apresenta o Comendador desta Vila, a quem pertencem os dizimos, que é o Conde da Castanheira. Tem mais estas Ermidas, S. Franciso, N. Senhora da Assunção, S. Domingos, N. Senhora das Tábuas, S. Sebastião, o Espírito Santo, e S. João. É do Bispado, e Provedoria de Lamego. ElRei D. manuel lhe deu foral em Évora no primeiro de junho de 1519." (Corografia Portuguesa, e Descriçãm Topográfica do Famoso Reyno de Portugal... Pe. António Carvalho da Costa. Tomo II, LISBOA M.DCCVIII.  pág. 310). Vila Ruiva : "Entre as Vilas de Alvito e Vila Alva, uma légua de Alvito para o Sul, na ladeira de um monte tem seu assento Vila Ruiva, a quem deu foral o Convento de Mancelos, e o confirmou ElRey D. Manuel estando em Lisboa no primeiro de Junho de 1512." (pág.491). Vila da Vidigueira - "A esta vila deu foral ElRey D. manuel achando-se em Lisboa no primeiro de Junho de 1512; e dela fez Conde ao mesmo D. Vasco da Gama, a quem honrou com outras merecês dignas dos seus grandes merecimentos. Nesta ilustríssima casa se conserva o domínio da dista villa, cujos Condes são juntamente Marquezes de niza. Com o tempo se foi aumentando a mesma vila de tal modo que actualmente consta de 656 fogos, em que se compreendem pouco menos de três mil pessoas; pois havendo curiosidade em se examinar este número, consta, que só as pessoas que chegam à Sagrada Mesa da Comunhão, vem a ser duas mil e trezentas e vinte e seis. É cercada de largos, e formosos rocios, num dos quais está fundada a Igreja Matriz que é a terceira das que se tem destinado para se administrarem nela os Sacramentos aos Fiéis." (Chronica dos Carmelitas de Antiga e Regular Observância.. Tomo II, Parte IV. Pág. 309)

Fortaleza de Mombaça - "Matias de Albuquerque foi logo ao outro dia, que foram vinte e três de Maio, visitar o Conde Almirante com todos os Oficiais da justiça, e fazenda; e querendo logo nesta visita fazer entrega da governação da Índia, a não quis o Conde aceitar, senão aos vinte e cinco do mesmo mês, que foi dia do Espírito Santo, donde a fez na forma costumada. Os Vereadores foram logo visitar o Conde, e pediram-lhe que se detivesse ali alguns dias até que prepararem o seu recolhimento; o que lhe ele concedeu até ao primeiro de Junho, dia da Santíssima Trindade, em que fez sua entrada com grande pompa, e aparato, e regozijo de todo o povo, de que as ruas por onde havia de passar estavam toldadas, e com muitas invenções. Foi recebido com fala de parabéns de sua vinda, e levado de baixo do Pálio até à Sé, passando por baixo de muitos, e mui formosos arcos ornados com muitas riquezas, e galantarias, indo à sua ilharga o Arcebispo Primaz D. Fr. Aleixo de Menezes; e depois de fazer sua oração, se recolhei aos passos, em cujo terreiro lhe correram muitas carreiras, e fizeram muitas festas, e regozijos, em que o dia se gastou. E há de aqui notar-se, que no mês de Junho, em que o Conde Almirante tomou posse da Índia, se cumpriram cem anos que seu bisavô a descobriu." (Da Asia de João de Barros e de Diogo de Couto, Vol. 23, pág. 14)

Escravidão - "(c) No primeiro de Junho o Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor Bispo de Elvas leu um Capítulo de uma, em que mostra, que não se contradizem as leis que permitem as escavidão dos pretos da África e proibem a dos Índios do Brasil." (Memórias, Academia das Ciências de Lisboa. Vol.3 - Discurso Histórico (...) de João guilherme Christiano Müller a 24 de Julho de 1810, pág.10)

23/02/12

OS "DISTANTES" FACE A D. MIGUEL (I parte)

Vieram-me dizer convictamente que eu não existo. Explico... vieram-me dizer que os miguelistas (absolutistas) não existem, pois D. Miguel nunca teria apoiado o absolutismo. Portanto, não só não existo como Portugal não existe, como veremos. Quem afirmou generosamente tais "realidades" gritou-as lá do Brasil aqui para Portugal. Gritou-as a um Portugal que julga não existir e a mim que, portanto, não existo. Não é caso para rir, pois o tom foi muito sério... Jurava-se ainda a "constituição de António Sardinha" que dita que o absolutismo é mau e outras coisas que se perdoam aos jovens de educação liberal e republicana acabados de converter (não se retire o mérito devido a António Sardinha, mas apenas o devido).

Não me acostumei nunca com o uso de autores, por viciar: é mais fácil repetir o que dizem os outros do que assumir a responsabilidade pelo que dizemos e observamos. Os autores sim, mas com moderação e apenas como complementaridade, visto que não estamos assim em séculos tão recuados.

D. Miguel é tão absolutista quantos os Reis anteriores, e nunca ouvi dizer o contrário. Mas diz 
agora o amigo brasileiro o contrário do que eu sempre ouvi e me ensinaram na escola, igualmente aos meus pais avós, bisavós e todos os do meu sangue que até ao Senhor D. Miguel existiram. 

Até hoje os republicanos e liberais, ambos inimigos de Portugal, ensinam isso às crianças, mas nestes modos:
Tratam D. Miguel absolutista como rebelde, e como o clero o apoiava era tratado como interesseiro de regalias a manter.


"EL-REI D. MIGUEL - Chronica Popular do Absolutismo", Faustino da Fonseca. 1905:


Estas imagens que escolho são insuspeitas até aos desconfiados mais distantes. São imagens recolhidas apenas da internet sem grande demora, e não resultam sequer dos actuais miguelistas.

Quando nos ajuntamentos de portugueses mais portugueses por consciência, os monárquicos, sempre se descobrem algumas bandeiras de Portugal de fundo branco. E todos os presentes costumam referir-se aos das bandeiras de fundo branco como "os miguelistas" ou "os absolutistas". Mas, segundo pessoa mais "distante", talvez haja nestes ajuntamentos fenómenos de ilusão óptica, e o fundo de tais bandeiras não seja realmente branco... Enfim, não existimos, não existo, Portugal não existe, as imagens que aqui publico não existem!?...


Olhemos a revista "Ilustração Portuguesa" de 1908:









O ABSOLUTISTA JOSÉ ACÚRCIO DAS NEVES - DISCURSO NAS CORTES DE 1828)

D. Miguel I de Portugal. Família Real no exílio

Parte central do discurso, nas Cortes de 1828, do grande defensor de D. Miguel, José Acúrcio das Neves:

"Os ilustres fundadores da Monarquia estabeleceram em Lamego como fundamento da ordem da sucessão do reino que a coroa nunca passasse a pessoa estrangeira - quia nunquam volumus nostrum Regnum ire for de Portugalensibus, qui nos sua fortitudine Reges fecerunt Bine adjutorio alieno per suam fortitudinem, et cum sanguine suo.

Os ilustres restauradores de 1640, para corroborarem ainda mais esta lei fundamental, propuseram outra nas Cortes de 1641 para que não só a coroa nunca passasse a príncipe estrangeiro, nem filhos seus, ainda que fossem os parentes mais chegados do último rei, mas que aquele que houvesse de suceder no reino, além de ser nascido fosse também criado nele, palavras do capítulo do estado da Nobreza, para conhecer seus vassalos e os amar como tais, e tivesse obrigação de residir dentro dele, e acrescentaram que acontecendo suceder o rei em algum outro reino ou senhorio maior, fosse obrigado a residir sempre no de Portugal; e tendo dois ou mais filhos varões, o maior sucedesse no estranho e o segundo no de Portugal.

Toda esta doutrina foi aprovada pelo senhor rei D. João IV, nas suas respostas aos respectivos capítulos dos três estados, e colectivamente ratificada na sua carta patente de 12 de Setembro de 1642, e por consequência também constitui uma lei fundamental do Estado, que o próprio rei não podia alterar sem o consenso da nação.

Que diriam, pois, os fundadores e os restauradores desta monarquia, se fossem presentes, vendo a injúria com que se tem querido tirar a coroa a Vossa Alteza Real para se entregar com tão manifesto prejuízo e repugnância da nação a um príncipe não só estrangeiro, porém residente e estabelecido com um império além do Atlântico?

O direito à coroa não se devolveu para o legítimo sucessor senão no momento fatal em que expirou o senhor D. João VI, porque esta é a regra em todas as sucessões. E a este momento não estava já reconhecida, bem ou mal, a independência do Brasil e o senhor D. Pedro investido no império por sua livre escolha e vontade?

Aquela previdente cláusula de que se usou nas cortes de Lamego - nunquam volumus nostrum Regnum ire for de Portugalensibus - entendida no seu sentido natural e não segundo os ápices de direito de que de certo não cogitavam os fundadores da monarquia, que não eram letrados, exprime bem a sua intenção. Quiseram que nunca tivéssemos rei que não fosse do reino e não estivesse entre nós e que a coroa jamais saísse de Portugal, e eis aqui bem claramente excluído o senhor D. Pedro e nele toda a sua descendência e a coroa devolvida ao imediato, que é Vossa Alteza Real. Porém, ainda entendida a mesma cláusula no rigor jurídico, o seu efeito é sempre o mesmo.

A qualidade de nacional ou estrangeiro, segundo o direito público universal e o particular do nosso reino, deriva-se mais do estabelecimento do que do nascimento, à maneira do que se acha determinado a respeito dos direitos de vizinhança pela Ordenação, liv. 2.º, tit. 56 – todo aquele que se estabelece em país estrangeiro e nele aceita empregos públicos (quanto mais um império!) fica sendo estrangeiro ao país em que nasceu. Neste caso se acha o senhor D. Pedro que não podia ser imperador do Brasil sem ser brasileiro nem ser brasileiro e ao mesmo tempo português, residente e estabelecido no Brasil e ao mesmo tempo em Portugal, pois são qualidades repugnantes.

Logo o senhor D. Pedro nunca chegou a ter direito à coroa de Portugal, e não o tendo, não o podia transmitir a sua augusta filha, a senhora Dona Maria da Glória, nem por cessão nem por direito hereditário. Não por cessão, porque ninguém pode ceder a outrem uma propriedade que não é sua, e muito menos um reino, que não é propriedade alodial de que se possa dispor livremente contra a ordem regular da sucessão. Não por direito hereditário, porque as Cortes de 1641 excluíram da sucessão da coroa não só a qualquer príncipe estrangeiro, mas conjuntamente os filhos dele.Interrompida no pai a linha, interrompida fica para toda a sua descendência.

Somente a lógica revolucionária poderia achar na sua falaz verbosidade argumentos que opor à simplicidade deste raciocínio; mas não é de seus paralogismos que dependem os direitos de Vossa Alteza Real e os destinos da heróica nação portuguesa, que depois de constituída em monarquia jamais recebeu leis de país algum estrangeiro senão compelida por força maior no tempo dos Filipes.

Se se levantassem de seus túmulos aqueles varões assinalados que à custa do seu sangue tanto engrandeceram esta monarquia, conquistando reinos e colonizando regiões imensas, que dor, que indignação seria a sua, vendo entre os seus descendentes alguns desses, portugueses degenerados que têm a baixeza e o servilismo de requerer sujeitar a metrópole, esta rainha dos mares, a receber as leis de uma das suas colónias! A uma colónia que se rebelou, que lhe fez a guerra, que lhe tem apresado seus navios, usurpado as suas propriedades e tratado os portugueses com tanta ignomínia como trataria os seus escravos! Oh! tempos! Oh! costumes!

Porém outros são os seus fins. Eles não querem rei, nem natural nem estrangeiro; não querem leis, nem da metrópole nem da colónia. O que eles querem é um rei nominal que esteja a duas mil léguas de distância, que não tenha força para obstar às suas maquinações e de que se possam descartar num momento. O que querem primeiro do que tudo é desviar do trono a Vossa Alteza Real, porque conhecem os sentimentos e as virtudes de que se adorna e já provaram o valor do seu braço; pois esta facção é a mesma e até surgiu dos mesmos subterrâneos que a de 1820.

Eis aqui a razão porque eles tanto se têm esforçado para evitar a reunião dos três estados, prevendo que lhes havia de ser fatal. Proclamadores sempiternos dos direitos do povo e da representação nacional, logo que o povo manifesta os seus desejos por aclamações espontâneas tratam de o sufocar e sujeitar a seus caprichos. Logo que se cogita de reunir a legítima representação nacional, segundo as leis e usos da monarquia, não há meio que não empreguem para obstar a esta reunião, como fizeram em 1820. Invocam hoje a Carta como naquele tempo invocaram as Cortes e afectaram chorar a perda de nossas antigas instituições, porque lhes serviria de degrau para proclamarem amanhã a república, como então proclamaram a soberania do povo.

Veja, porém, o mundo como a nação portuguesa já os conhece e abomina. É uma facção puramente militar, o que muito agrava o seu crime, e como os chefes são militares, arrastou às suas bandeiras uma parte do exército, ou seduzida ou obrigada pela força; mas nem uma só povoação entrou no seu partido senão aquelas que têm ocupado militarmente."

20/02/12

A CUSTÓDIA DE BELÉM (OU DE GIL VICENTE)

Com o primeiro ouro D. Manuel I mandou fazer uma custódia, e para tal encargou o desenho a Gil Vicente.

Rei D. Manuel I, o Afortunado


O grande restauro
Pormenor
Vista à custódia de Belém depois do restauro



Gil Vicente, o home dos 7 ofícios,  pai do teatro português
A rádio TSF tem um programa bastante interessante sobre a custódia de Belém e o seu restauro. Nele há bastantes ilustrações e até se escuta a música que acompanhou a primeira adoração ao Santíssimo Sacramento na ocasião em que também a custódia foi usada pela primeira vez. É muito recomendável a quem queira saber sobre o valor desta custódia escutar o dito programa AQUI




16/09/11

A INQUISIÇÃO EM PORTUGAL (I)


Mais uma vez me sirvo do opúsculo "Algumas Questões da História da Igreja", mandado publicar em 1946 para complemento da formação dos seminaristas do Seminário maior da Guarda.

Antes de ir ao assunto, o da inquisição em Portugal, dou a ler o prefácio deste livrinho:

"Não dando, ordinariamente, os compêndio de História Eclesiástica - por isso mesmo que são compêndio - grande desenvolvimento a certas questões que, pela sua excepcional importância, bem o merecem, vê-se o professor forçado a suprir, por meio das suas prelecções, essas deficiências e a preencher essas lacunas, para que os alunos, obtendo um conhecimento geral de toda a matéria, o adquiram mais completo acerca dos referidos assuntos, de maior e mais reconhecido interesse. Essas prelecções, porém, perder-se-ão em grande parte, se não forem escritas. Este o motivo por que o humilde professor que coligiu, de várias fontes, alguns apontamentos adequados ao citado fim, os quais já por mais duma vez mandou dactilografar, resolve agora fazê-los imprimir, para uso e comodidade dos seus discípulos, do Seminário da Guarda, aos quais, gratamente, tem dado uma grande parte da sua vida e do seu melhor esforço.

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