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07/02/17

BEATO REDENTO DA CRUZ (II)

(continuação da I parte)
 
II
 
Foi demorada a viagem. Os navios que iam à Índia ordinariamente partiam em Março e, se os ventos eram favoráveis, chegavam em Setembro ou Outubro. Como deviam transportar não só os soldados que se destinavam às expedições e os tripulantes - perto de mil homens às vezes - mas também os mantimentos necessários para os sustentar, e ainda o vinho, azeite e outras provisões de que a Índia carecia, eram de grandes dimensões. A bordo vivia-se como em terra: durante a semana, os artífices trabalhavam nos seus mestres, ao domingo cantava-se a Missa e o Ofício Divino, e em épocas de calmaria improvisavam-se folguedos que ajudassem a passar o tempo.

Basílica do Bom Jesus, Goa Velha (1594-1605)
 
Aos fim de seis ou sete meses de navegação chegaram à cidade que os seus habitantes apelidavam Goa de oiro, repetindo com ufania o provérbio: Quem viu Goa escusa de ver Lisboa. Repicaram festivos os sinos, e acudiu grande afluência de gente de todas as condições, como sempre acontecia quando aportava um destes navios, que traziam a muitos ocasião de lucro e a todos notícias da metrópole ansiosamente esperadas durante meses.

Se Tomás Rodrigues da Cunha tivesse chegada à Índia vinte anos mais cedo, teria encontrado ainda no seu apogeu o poderio português. Agora, começara a decadência. Já ia longe o dia em que Afonso de Albuquerque, ao desembarcar vitorioso em Goa, pusera o joelho em terra dando graças a Deus. Seguiu-se perto dum século de glória. O império de Portugal no Oriente fundou-se e desenvolveu-se rapidamente. Sucediam-se as conquistas. A fortaleza de Cochim, edificada por Francisco de Albuquerque, foi a primeira de 50 que dentro em pouco obrigavam os índios a respeitar o nome português. Vencidos, os príncipes africanos e asiáticos pagavam-nos tributo, e o comércio florescia porque o prestígio das nossas armas fizera desaparecer a má vontade com que ao princípio os indígenas se esquivavam a vender-se as suas mercadorias. Com as tropas iam para as conquistas religiosos que pregassem a verdadeira fé àqueles povos gentios: assim Portugal, consciente da sua vocação missionária, plantava a cruz de Cristo onde quer que entrava como senhor.

Goa, capital deste império, continha esplêndidos monumentos e era afamada pela sua magnificência. Ali residia o vice-rei com a sua côrte, e ali se juntavam as mercadorias que haviam de ser levadas para a Europa.

Afonso de Albuquerque
No começo do século XVII já ia declinando a fortuna dos portugueses na Índia. As causas foram múltiplas e complexas. Os vice-reis e governadores nem de longe seguiram a boa administração e a política sensata e justa de Afonso de Albuquerque. A opulência gerar o luxo e a moleza, princípios de corrupção. A ambição tornou-se desenfreada, relaxou-se a disciplina, e surgiram as intrigas e as desavenças. Os indígenas, tratados com despotismo, revoltavam-se, o que nos obrigava a guerras incessantes (deve salientar-se porém que Portugal trabalhou sempre pela Civilização cristã da Índia como ninguém mais soube fazê-lo). E, por cúmulo de infelicidade, foi então que os holandeses começaram a infestar os mares da Índia, tentando apoderar-se do comércio, e encontrando bom acolhimento entre os naturais, a quem habilmente persuadiam que os iam libertar do jugo de Portugal.

Animados pelo êxito das suas negociações, chegaram a bloquear Goa em 1603 e a atacar Malaca em 1606; e, embora fossem repelidos em ambas as tentativas, não perderam a esperança de se apoderarem ao menos de Malaca que sobre-modo ambicionavam pela sua excepcional posição. Ficava perto das colónias holandesas, e dali poderiam vigiar os mares, interceptando com maior facilidade as comunicações dos portugueses com a metrópole, e que lhes era muito vantajoso por se apoderarem do dinheiro e provisões que vinham de Lisboa ou das riquezas da Índia que para lá se transportavam. Nós estaleiros da Holanda constituíram-se à pressa navios sôbre navios. Por essa época fundava-se também a Companhia das Índias cujo poder se ia tornar considerável e que pouco depois enviava ao Oriente os mais cometentes dos seus directores, encarregados de estudarem a situação e de descobrirem a maneira de assegurar à Holanda o predomínio no comércio indiano.

(continuação, III parte)

27/08/15

DOM FR. ALEIXO DE MENESES - Anotações


D. Fr. Aleixo de Meneses (Lisboa, 1559 - Madrid, 1617), Frade da Ordem de S. Agostinho, foi Arcebispo de Goa (Primaz das Índias Orientais), Governador da Índia, Arcebispo de Braga (Primaz das Espanhas), e Governador de Portugal.

"... D. Frei Aleixo de Meneses, entretanto, seguiu a rota tradicional dos navegantes portugueses, pelo eixo do Atlântico e do Índico ocidental. Partiu em 13 de Abril de 1595. Como era comum, o novo metropolita atravessou um longo percurso marítimo, pontuado por doenças a bordo,[...]"

A trajectória (...) no Estado da Índia ocasionou a solidificação do projecto, germinado no reinado de D. Sebastião, de construção da missionação agostinha, quando Agostinho de Jesus foi Geral da Província de Portugal. [...]

D. Fr. Aleixo de Meneses, nome secular de Pedro de Meneses, pertencera igualmente a Casa de primeira nobreza do Reino. D. Aleixo de Meneses († c. 1569), seu pai, era o terceiro filho do segundo casamento de Pedro de Meneses, 1º Conde de Castanhede, com D. Beatriz de Soares, viúva do marechal d. Álvaro Coutinho. D. Aleixo foi morRdomo-mor da ainha D. Catarina, entre 1554 e 1559, e Aio de D. Sebastião em 1559. Porém, antes da fixação em ofícios cortesãos no Reino, fez carreira no norte da África e na Índia, o que favoreceu uma combinação de fama e notoriedade nos espaços reais de d. João III.

O amplo verbete sobre D. Aleixo de Meneses na Biblioteca lusitana, de Diogo Barbosa Machado, é eivado de elogios: "foi valoroso capitão, prudente embaixador, consumado político, e em tão diversos ministérios preferiu a honra ao interesse, a benevolência à severidade, e a verdade à lisonja".53 [...]


Por sua vez, a mãe de d. frei Aleixo de Meneses, D. Luiza de Noronha, era filha de D. Álvaro de Noronha, que fora Capitão de Azamor. Filho do segundo casamento de D. Aleixo de Meneses,55 Pedro de Meneses nasceu em 25 de Janeiro de 1559, na cidade de Lisboa.56 Professou no Convento da Graça na capital do Reino e recebeu-o D. Fr. Agostinho de Jesus, em 27 de fevereiro de 1575. Na nova identidade religiosa, mudou o nome para Aleixo de Jesus (...). Passou pela Universidade de Coimbra, entre 1582 e 1586, (...) primeiro por estudante corista e depois já na posição de Sacerdote. Contudo, não chegou a finalizar os estudos académicos.57 Na Província de Portugal dos agostinhos, foi eleito Prior dos Conventos de Torres Vedras, em 1588, de Santarém, em 1590, e de Lisboa, em 1592.

(...) foi elevado ao lugar de Pregador Real de Filipe II, distinção que supriu a ausência da formação formal em Teologia [falso], como [não] destacado nas provas reunidas ao processo consistorial de sua nomeação em Roma: "e embora não tenha nenhuma graduação em Direito Canónico, é insigne em Teologia Sagrada, é um grande teólogo e aplicou-se em letras sacras na Universidade de Coimbra, além de ser insigne pregador. Foi eleito e elevado entre os oradores, pelo Rei".58


Antes da partida para Goa, foi expedido um breve pela chancelaria papalina de Clemente VIII, que concedeu faculdades ministeriais a Fr. Aleixo de Meneses de absolver os religiosos agostinianos da Índia de qualquer pena de excomunhão, se porventura os Dominicanos declarassem algum decreto contra eles.59 Os frades da ordem dos pregadores de Portugal usufruíam, em solenidades públicas e procissões de uma antiga posse de precedência aos eremitas de Santo Agostinho, aos religiosos de Nossa Senhora do Monte do Carmo e da Santíssima Trindade, na capela do Sumo Pontífice, em Roma, e nos limites da cristandade.60 Ademais, entre os termos de praxe do juramento de fidelidade prestado quando da consagração episcopal, Aleixo de Meneses comprometeu-se a perseguir e impugnar hereges, cismáticos e rebeldes. A construção da monarquia católica universal, projecto acalentado por Roma, encontrou no Arcebispo goês um bastião, que aliou à política religiosa um "gosto" pela "conversão do infiel". A experiência do Estado da Índia projectara um universo de "ovelhas de várias cores" que o agostinho, um pastor de almas, comprometera-se a conduzir à obediência ao Papa na Ecclesia romana. Entretanto, não obteve legado apostólico ou a condição de Núncio, apesar de pedidos do Rei católico. Por fim, pelo Breve In specula summi apostolatus, de 22 de fevereiro de 1607,61 o Papa Paulo V, embora não concedesse legado de representação papal, permitiu faculdades diversas, entre as quais as de autorizar a dispensa nos graus proibidos para contrair matrimonio, com a justificativa da distância e da vastidão das regiões atendidas na Índia Oriental. Um segundo Breve, no mês seguinte, em 6 de março,62 acatou a realização do Sínodo Provincial a cada dez anos e não na prática instituída que seguia o intervalo de cinco anos, o que contemplou uma das súplicas do Arcebispo de Goa, que se justificava por causa da distância dos sufragâneos, dificuldades de navegação, ou pelos incómodos que sofriam aquelas "tenras ovelhas por causa de tão contínuas e longas ausências de seus pastores".63 

Fr. Aleixo é Sagrado Arcebispo de Goa
Apesar dos percalços com Roma - em época que sinalizava mudanças quanto à política missionária de Roma e o embate com o Padroado ibérico −, D. Fr. Aleixo de Meneses construiu uma trajectória única e fulgurante na carreira eclesiástica e administrativa no âmbito (...) dos Áustria: Arcebispo de Goa (1595-1610), a partir de 1606, (acrescenta-se) o título de Primaz do Oriente, acumulou a função de Governador do Estado da Índia;64 no retorno ao Reino, exerceu a mitra no Arcebispado de Braga (1612) em substituição ao pai espiritual D. Fr. Agostinho de Jesus e, nos últimos anos de vida, foi Vice-Rei de Portugal e Presidente do Conselho de Portugal.

Fr. Aleixo é Sagrado Arcebispo de Goa (pormenor)
Os vínculos entre as famílias de D. Fr. Agostinho de Jesus e de D. Fr. Aleixo de Meneses com o Estado da Índia são conhecidos (...). Uma breve exploração genealógica indica conexões de linhagem que explicam, em notas biográficas, a alusão de um vínculo familiar, através do emprego do termo "sobrinho" atribuído a Aleixo de Meneses com relação a Agostinho de Jesus. Embora não se confirme o parentesco em linha directa, os ramos maternos dos insignes metropolitas, por exemplo, remetem a um núcleo comum Noronha, de D. Afonso (1350-1395), Conde de Gijón, e Noronha, filho bastardo do Rei de Castela, D. Henrique, e de D. Isabel de Portugal (1364-1435), filha natural de D. Fernando I.

Fr. Aleixo é Sagrado Arcebispo de Goa (pormenor)
Dois agostinhos ocuparam simultaneamente Arcebispados centrais durante a monarquia dos Áustria. Uma combinação de acaso e virtude que consolidou o enraizamento da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho no Estado da Índia. O longo período de duração do arcebispado de Aleixo de Meneses acentuou a expansão e o fortalecimento dos agostinhos nos espaços do subcontinente indiano, na região denominada de províncias do norte, no Gujarate e Bengala, assim como na Pérsia, em áreas de presença de comunidades portuguesas fora da colonização formal do Estado da Índia. Durante o período de seu arcebispado, os agostinhos do Estado da Índia conduziram um movimento para o interior, deslocando-se das partes litorais. Tal configuração sinaliza o desenho da geografia religiosa anunciada por Trento, com ênfase na ampliação da malha diocesana nos territórios submetidos às jurisdições das monarquias ibéricas, e o deslocamento do clero regular para as missões de alargamento das fronteiras da cristandade.

Fr. Aleixo é Sagrado Arcebispo de Goa (pormenor)
No diapasão trentino, o célere metropolita conduziu visitas pastorais; promoveu o Sínodo de Diamper (1599) de romanização dos cristãos sírios de São Tomé do Kérala, na costa do Malabar; realizou o 5º Concílio Provincial de Goa em 1606 (...).

Fr. Aleixo é Sagrado Arcebispo de Goa (pormenor)
No período em que permaneceu na mitra goesa, Aleixo de Meneses deu cumprimento às orientações do Concílio de Trento de disciplinamento das ordens regulares e de expansão da rede diocesana.67 [...]

Fr. Aleixo é Sagrado Arcebispo de Goa (pormenor)
Entretanto, a morte por enfermidade de D. Martim Afonso de Castro, em seguida ao confronto com a armada holandesa, elevou à cabeça do Estado da Índia, com o título de Governador, D. Fr. Aleixo de Meneses. Primeiro Arcebispo de Goa até então a ocupar o governo do Estado da Índia, permaneceu no cargo por dois anos e meio. No exercício do mando temporal, acumulou experiência de governo, em período de crescente desestabilização das possessões portuguesas no Oriente com as singraduras de embarcações das companhias das Índias Orientais inglesa e holandesa, fundadas em 1600 e 1602 respectivamente. A prática de governança, unindo o trato dos dois poderes, seria reconhecida por Filipe III em futuro próximo, na nomeação a postos cimeiros da burocracia do Reino: Vice-Rei (6/7/1614 a 11/7/1615) e primeiro Presidente do Conselho de Portugal (1615-1617).74 Sem avançar no aprofundamento da trajectória político-administrativa de Aleixo de Meneses, cabe atentar para a relevância de um estudo da dimensão política e religiosa de sua actuação que escape ao relato edificante.

Fr. Aleixo é Sagrado Arcebispo de Goa (pormenor)
[...]

A abertura de um convento na capital da Pérsia, em Ispahan, envolveu a actuação dos agostinhos em um contexto político internacional que combinava [intervenientes] diversos − persas, turcos e europeus (representados no papado, monarquia Habsburgo e nas novas companhias orientais de comércio inglesa e holandesa). A região foi central na condução da política da Igreja, presente no intento explicitado em cartas por Aleixo de Meneses, de conquista das "almas perdidas" da Igreja da Arménia − cristianizadas, segundo a tradição registrara, pelo Apóstolo são Judas Tadeu −, e dos cristãos evangelizados pelo Apóstolo "São João", na região de Baçorá ocupada pelos otomanos. A actuação do metropolita na Pérsia de xá Abbas I colocava em acção o empreendimento de universalização da cristandade pela [conversão] dos cristãos cismáticos, entendidos por perdidos nos "erros nestorianos" das igrejas do Oriente. Um modelo da cristandade já perseguido por Aleixo de Meneses na realização do Sínodo de Diamper entre os cristãos do Kerala. O avanço dos agostinhos, iniciado no início do século XVII durante o arcebispado de Aleixo de Meneses, pelos espaços do golfo Pérsico, Arménia e Geórgia, nos diversos contextos de guerras na região, culminaria na abertura de conventos na década de 1620 (Baçorá e Xiraz, em 1624; na cidade de Gori, no Gorgistão, em 1624). Acrescente-se ao peso das guerras a crescente disputa entre as missões do Padroado de Portugal e os religiosos enviados pela Propaganda Fide.

Fr. Aleixo é Sagrado Arcebispo de Goa (pormenor)
Não obstante, pouco mais de um ano após a carta acima indicada, Aleixo de Meneses, no seu empenho pela introdução do Rito Latino à Igreja arménia, em nova epístola ao Arcebispo de Braga, em 2 de fevereiro de 1604, manifestava o desejo de pessoalmente empreender a redução dos "cismáticos" à autoridade de Roma: "ir-lhes eu fazer um synodo, como foi na Serra - com maior fundamento e clareza da confutação de seus erros, para isto ficar fixo".77 Nessa ocasião, em seu lugar, foi mandado pela segunda vez à Pérsia o agostinho Fr. António de Gouveia. Saliente-se, no contexto das guerras perso-turcas, a migração em massa de arménios para a Pérsia promovida por xá Abbas I. Uma área vizinha a Ispahan abrigara os contingentes de arménios, a Nova Julfá.

O estudo de John Flannery sobre a actuação dos agostinhos na Pérsia aponta as dificuldades e os percalços no plano diplomático da mediação entre Roma, Filipe III e xá Abbas I, como também o contexto da fixação da actuação missionária na região.78 Nesse panorama, localiza-se o malogro de romanização da Igreja arménia. Não obstante, a cronística agostinha retém a fabricação de uma memória edificante do ato de submissão do Patriarca arménio David IV (1587-1627) ao papa Paulo V em maio de 1607. A participação de ordens religiosas nas relações diplomáticas, como nesse exemplo dos agostinhos na Pérsia de xá Abbas I, encontra ainda, na experiência das embaixadas conduzidas pelos jesuítas na corte mogol de Akbar, indicadores de acções controversas, em que o proselitismo e a compulsão religiosa certamente assombreavam a dimensão cultural de compreensão da alteridade. Cabe assinalar, em ambos os casos, a valorização das disputas teológicas entre vertentes abraamicas no ambiente das côrtes persa e mogol, enredando-se as querelas políticas e as rivalidades comerciais entre impérios. (...) No nosso exemplo, a ilusão dos agostinhos na conversão do rei da Pérsia, xá Abbas I.

(...) Acrescente-se ademais a frustrada tentativa agostinha de evangelização da ilha de Socotorá mais um dos pontos vinculados ao (...) Apóstolo são Tomé. (...)" (Margareth Gonaçalves)

 D. Fr. Aleixo de Meneses foi o 7º Arcebispo de Goa Damão.

24/08/15

COMPÊNDIO ESPIRITUAL DA VIDA CRISTÃ (I)

COMPÊNDIO ESPIRITUAL DA VIDA CRISTÃ

Tirado de Muitos Autores,
pelo primeiro Arcebispo de Goa, e por ele pregado no primeiro ano a seus fregueses, pela glória e honra de JESUS Cristo nosso Salvador, e edificação de suas ovelhas.


COIMBRA
1600

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Informação do Padre Revedor:

Examinei este Compêndio da vida Espiritual, por mandado e autoridade do Supremo Conselho da Santa e geral Inquisição: e julgo por digno da Impressão. Frei Bartolomeu Ferreira.

Licença da Mesa Geral da Santa Inquisição:

Pode-se imprimir vista a informação, e um dos novamente impressos tornará a esta Mesa, para se conferir com o original antes de correrem. E este despacho se imprimirá no princípio com a dita informação. Em Lisboa, aos trinta de Outubro, Manuel Antunes Secretário do Conselho Geral o fez, de 1578. Dom Miguel de Castro, António Teles.

Licença do Ordinário:

Pode-se imprimir. Lemos.

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Tabuada do Que se Contem Neste Livro

Em dois Estados se divide esta obra, estado do pecado mortal, e estado da graça: o qual compreende quatro partes. A primeira trata da Doutrina Cristã, a segunda dos pecados, a terceira dos remédios conta eles, a quarta da oração e perfeição espiritual, com devotos exercícios.


Estado de Pecado Mortal
- Do estado do pecado mortal e suas condições
- Que na vontade está a salvação
- Consideração de que bens priva o pecado mortal
- Consideração dos males presentes que traz o pecado
- Consideração da vã esperança da vida
- Consideração dos juízos divinos
- Dos males que o pecado traz depois da vida
- Consideração dos juízos divinos
- Dos males que o pecado traz depois da vida
- Consideração das penas
- Consideração do nada e pouquidade do homem
- Da cegueira do pecado
- Epílogo do dito

Estado da Graça
- Do estado da graça, e sua obrigação
- Da ordem da penitência
- Que é negar a si mesmo
- Da mortificação da vontade
- Da mortificação do entendimento
- Da mortificação da sensualidade e sentidos exteriores
- Da Cruz da penitência
- Que a penitência é leve
- Da sequela de Cristo na sua doutrina
- Em que consiste seguir a Cristo

Primeira Parte da Doutrina
- Do "creio em Deus Pai"
- Do divisão do Credo
- Do primeiro artigo
- Do segundo artigo
- Do terceiro artigo
- Do quarto artigo
- Do quinto artigo
- Do sexto artigo
- Do sétimo artigo
- Do oitavo artigo, e dos sete dons do Espírito Santo
- Do nono artigo
- Do décimo artigo
- Do undécimo artigo
- Do último artigo, e da glória eterna
- Da benaventurança e glória dos justos

Segunda Parte da Doutrina Cristã
- Dos dez mandamento da lei de Deus
- Dos mandamentos em geral
- Do primeiro mandamento
- Do segundo mandamento
- Do terceiro mandamento
- Do quarto mandamento
- Do quinto mandamento
- Do sexto mandamento
- Do oitavo mandamento
- Do nono e décimo mandamento
- Dos seis mandamentos da santa madre Igreja
- Do primeiro mandamento da Igreja
- Dos dias de guarda, e jejum
- Dos segundo mandamento
- Do terceiro mandamento
- Do quarto mandamento
- Do quinto mandamento
- Do quinto mandamento da Igreja
- Dos pecados capitais
- Do pecado em geral
- Como se cometeu o pecado
- Da soberba
- Da luxúria
- Da ira
- Da inveja
- Da gula
- Da preguiça
- Dos pecados contra o Espírito Santo
- Dos pecados da participação, ou alheios
- Dos cinco sentidos
- Das sete circunstâncias dos pecados
- Dos que podem pecar

Terceira Parte da Doutrina Cristão
- Do primeiro remédio dos pecados, convém saber, das três virtudes teologais
- Da Fé
- Da Esperança
- Da Caridade
- Do segundo remédio dos pecados, convém saber, das quatro virtudes Cardeais
- Da Prudência
- Da Temperança
- Da Fortaleza
- Da Justiça
- Do terceiro remédio dos pecados, convém saber, das sete Virtudes Morais
- Da Liberdade
- Da Castidade
- Da Paciência
- Da Caridade
- Da Sobriedade e Temperança
- Da Diligência
- Do remédio geral dos pecados
- Dos remédios dos pecados veniais
- Do quarto remédio dos pecados convém a saber, dos sete Sacramentos
- Dos Sacramentos em gera
- Do Baptismo
- Da Confirmação
- Da penitência
- Da contrição
- Da Confissão e suas condições
- Do modo da Confissão
- Do modo da Confissão frequentada que comummente é de veniais
- Da Satisfacção
- Da Restituição
- Porque que coisas se dá a satisfacção da esmola
- Das obras de misericórdia
- Do jejum
- Do sacramento da ordem
- Do sacramento do matrimónio

Quarta Parte da Doutrina
- Da necessidade da oração
- Que é a oração
- Qual deve ser a oração
- Da oração do Pater noster em latim
- Da oração do Pai nosso em linguagem [vernáculo]
- Declaração dele
- Oração para pedir graças à Santíssima Trindade
- Oração para pedir graças ao Padre [Pai]
- Oração ao Filho
- Oração ao Espírito Santo
- Oração à Virgem, para alcançar ajuda e graça
- Da oração da saudação em latim e linguagem
- Da oração da Salve Regina em latim e linguagem
- Oração aos Santos para pedir a graça
- Oração para antes da Comunhão
- Oração a nossa Senhora antes da Comunhão
- Oração depois da Comunhão
- Oração a nossa Senhora depois da Comunhão
- Do fazimento de graças, depois da sagrada Comunhão
- Do modo que se deve ter no ouvir da Missa
- Oração a nossa Senhora antes da Missa
- De como se há de ouvir a primeira parte da Missa
- Da segunda parte da Missa
- Da terceira parte da Missa
- Do fazimento de graças de toda a vida de Cristo depois da Missa, ou em qualquer tempo
- Da perfeição da vida
- Dos graus da vida espiritual
- Da vida do amor pelo entendimento
- Da via unitária
- Das chagas para o amor unitivo
- Da vida unitiva
- Das achegas para o amor unitivo
- Do amor unitivo
- Do exercício das aspirações amorosas
- Dos quatro ramos da árore das aspirações
- Do oferecer, primeiro ramo das aspirações
- Do pedir
- Do conformar
- Do unir
- Do segundo exercício do nome de JESUS
- Do terceiro exercício do fazimento de graças
História da Vida de Cristo
- Anunciação do Anjo a nossa Senhora
- A visitação de S. Isabel
- Da prenhez da Virgem e da revelação feita a José da sua pureza
- O nascimento do Senhor
- A Circuncisão do Menino Jesus
- A vida e adoração dos Reis Magos
- A Purificação de Nossa Senhora
- Da morte dos Inocentes e fuga para o Egipto
- Quando se perdeu o Menino Jesus sendo de doze anos
- Do baptismo de Cristo
- Do jejum, e tentação de Cristo
- A Transfiguração de Cristo
- Dos mistérios da sagrada paixão
- Do lavatório dos pés, e mistério da Cruz
- A oração do horto
- A prisão do Senhor
- A apresentação diante dos juízes
- A coroação de espinhos
- Do lavar a cruz às costas
- De como o Senhor foi crucificado
- Das sete palavras que o Senhor falou na cruz
- O desentimento do Senhor da Cruz
- A ressurreição do Senhor
- De Como o Senhor apareceu aos discípulos
- A Ascenção de nosso Senhor Jesus Cristo
Exercício dos Dias da Semana
- Exercício de segunda feira
- Exercício de terça feira
- Exercício de quarta feira
- Exercício de quinta feira
- Exercício de sexta feira
- Exercício de sábado
- Exercício de domingo
- Exercício de cada dia, que compreende todos os exercícios para os que não têm tanto tempo
- Exercício de cada hora

Fim
(a continuar)

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