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24/05/14

CONGAR - A NOVA ECLESIOLOGIA (II)

(continuação da I parte)


2. Do "ecumenismo protestante" ao ecumenismo dito católico.
Este espírito "ecuménico" espalhou-se rapidamente nos meios protestantes: teve como resultado a fundação do Conselho Ecuménico das Igrejas, nascido em 1936 da fusão de dois movimentos: Life and Work, marcado pela influência do "catolicismo" liberal, e Faith and Order, de tendência anglicana conservadora. A Igreja Católica rejeitou sempre a ideia de se juntar a estas solicitações "ecuménicas" (3). Mas a unidade da Igreja, fundada sobre a unidade da Fé, permanece para os protestantes, como uma eterna censura. Por este motivo, nunca tiveram descanso, enquanto não conseguiram fazer penetrar o espírito "ecuménico protestante" entre os católicos e de forma aparentemente autorizada.

Papa Leão XIII
Conscientes deste problema, os papas manifestaram-se ensinando que a unidade apenas se pode concretizar pela Verdade, e portanto com o regresso dos tresmalhados à Fé verdadeira. Dentro deste espírito, no dia 5 de Maio de 1895, Leão XIII pediu que se consagrasse os nove dias da preparação do Pentecostes, rezando pelo regresso dos "irmãos tresmalhados" e, na Encíclica "Divinum Illud Munus", sobre o Espírito Santo (9 de Maio de 1897) estabeleceu à perpetuidade esta novena de orações.

Uma semana de orações "para a unidade" foi lançada em 1899 por dois ministros anglicanos (os Reverendos Watson e Jones); estes sentiam a necessidade de se unirem à Igreja fundada sobre Pedro, e consagraram para esta semana de oração os dias que unem as duas festas da Sede Apostólica em Roma e da Conversão de S. Paulo (18-25 Janeiro). Por desejo de ajudar estas almas a dar o paço decisivo e assim reencontrarem a unidade católica, os Papas autorizaram os católicos a rezarem eles próprios nestas mesmas datas, para a conversão dos "irmãos tresmalhados" (a aprovação é de S. Pio X, em 1909, e foi confirmada por Bento XV e Pio XI).

Infelizmente, alguns usaram estas permissões legítimas para transformar a tradicional preocupação católica da conversão dos heréticos e dos cismáticos, numa mentalidade "ecuménica" protestantizante. Três correntes de pensamento deste tipo de "ecumenismo" trabalharam nesse sentido:
- a do Pe. Couturier, ou o "ecumenismo" na oração;
- a de D. Lambert Beauduin, ou o "ecumenismo" na liturgia;
- ado Pe. Congar, ou o "ecumenismo" teológico.

A pessoa de D. Beauduin será objecto de outro artigo, mas pode se interessante, antes de voltarmos ao Pe. Congar, dizermos algumas palavras acerca da obra do Pe. Couturier.

(continuação, III parte)

15/04/13

O MOVIMENTO LITÚRGICO - LIVRO, (IV)

Dom Beauduin

O MOVIMENTO LITÚRGICO
Pe. Didier Bonneterre

(continuação)

CAPÍTULO I
Desde as Origens Até aos Anos 20

Definiremos o "Movimento Litúrgico" tal como Dom O. Rousseau:

"renovação do fervor do clero e dos fiéis pela liturgia." (1)

Esta renovação tem como principal autor um monge beneditino célebre: Dom Guéranger.

[...]

CAPÍTULO II
O "Movimento Litúrgico" nos Diferentes Países da Europa
Aparecimento de Desvios Teológico em Simultâneo com a Tendência Reformista

No primeiro capítulo expusemos as origens do "Movimento Litúrgico". Nascido do génio de DomGuéranger, da vontade de S. Pio X, e do zelo de Dom Beauduin, esta "renovação do fervor pela liturgia" conheceu um desenvolvimento prodigioso, e produziu os magníficos frutos que já mencionámos. Igualmente sublinhámos as sementes das desvios futuros que Dom Beauduin já tinha no início do "Movimento". Mas, prosseguindo o nosso estudo, tetenha-mo-nos também um pouco na personalidade de Dom Beauduin, pai do "Movimento" belga, antes de irmos à Alemanha para encontrar Dom Casel.

Tínhamos deixado o célebre monge do Mont-César em vésperas da guerra de 1914-1918: com zelo infatigável dirigia o "Movimento Litúrgico" belga. A guerra e uma série de encontros inesperados vão por um tempo arrastá-lo para as esferas turvas do "ecumenismo" e para longe da liturgia. Homem de confiança do Card. Mercier, que no geral dava provas de um melhor discernimento, Dom Lambert Beauduin representa um papel capital na resistência belga contra o invasor alemão. Não somente redacta quase por inteiro a famosa carta pastoral do Card. Mercier, apelando à Béligica fazer resistência, mas também se encarga de a difundir recorrendo à ajuda de seu irmão (das famosas fábricas de açúcar de Tirlemont. (2) Depois de uma série de aventuras rocambolescas, Dom Lambert Beauduin vê-se obrigado a refugiar-se na Inglaterra; e aí faz amizade com numerosas personalidades do anglicanismo, facto determinante.

Depois do armistício, D. Beauduin pôde regressar ao Mont-César, onde se encontrou com Mons. Szepticki (3), chefe da Igreja Ucraniana, que lhe transmitiu a paixão pelo Oriente e a sua concepção da vida monástica. O nosso monge, que se achava já apertado no mosteiro, demasiado "beuroniano", demasiado "guérangeriano" (4), ou seja, demasiado conservador, ou demasiado católico, parece que não sonhará já senão numa nova fundação monástica que restauraria a vida dos monges originalmente chagados do Oriente.

D. Robert de Kerchove, que estimava muito a este seu monge um tanto "movimentado" acabaria por dar-lhe a possibilidade de ir "tomar ar". E assim D. Bauduin é enviado como professor ao colégio de Sto. Anselmo em Roma.(5)

O Abade de Sto. Anselmo, Dom Fidèle de Stotzingen, monge bastante conservador, não pôde dominar o seu novo professor que entusiasmava os seus alunos com o Oriente. Esta paixão qe D. Beauduin pela Igreja oriental apenas fez crescer os seus encontros com Cirilo Korolevsky e, principalmente, com o Pe. Michel d'Herbigny (6) que pouco depois se tornou Monsenhor.

04/04/13

A MISTERIOSA IDEIA DE FAZER UM CONCÍLIO

Dom Lambert Beauduin
Caros leitores, eu já nem me admirava se o Papa Francisco convocar um Concílio Vaticano III, ou talvez um Concílio de Buenos Aires. É nestes momentos que me vejo quase forçado a usar a tola expressão: "tudo é possível", porque estamos em dias do quase inverosímil.

Como surgiu a ideia de convocar o Concílio Vaticano II? Muitos católicos nunca ouviram ou leram nada a este respeito, se bem que não é um assunto da Fé, mas é da Fé gostar de conhecer as coisas da Igreja, mesmo as mais singelas, sem que se invertam prioridades.

Há dois registos, se assim podemos dizer, a respeito de como nasceu a ideia do Concílio Vaticano II. Um nos foi dado antes da eleição de João XXIII, e outro nos foi dado por João XXIII. E começamos por transcrever um e depois outro:

Fr. Louis Bouyer
1 - Escreve Fr. Bouyer: "Eu estava em Chevetongne, o novo Amay, convidado para pregar o retiro aos monges (...) A morte de Pio XII foi-nos anunciada inesperadamente. Com um zelo que podia parecer intempestivo, dando crédito ao que tinha anunciado a rádio italiana, creio que para o repouso da sua alma até cantámos um "panykhide" umas boas doze horas antes da sua morte. Essa noite, na cela onde tinha tornado, no final da sua caminhada, o ancião Dom Lambert Beauduin, tivemos com ele uma dessas conversas do final intercalada com silêncios, na qual o torpor interrompia, sem jamais abortá-lo, a linha do seu pensamento: Se elegerem Roncalli, disse-nos "tudo se salvará. Ele seria capaz de convocar um concílio e consagrar o ecumenismo..." O silêncio voltou novamente, logo retomou à velha malícia com um olhar relampejantes: "Tenho confiança", disse, "temos a nossa chance: a maioria dos cardeais não sabem o que têm de fazer. São capazes de votar nele. (...) Viveria bastante para saudar em João XXIII o começo das realizações das suas mais inconvencíveis esperanças." (L. BOUYER: Dom Lambert Beauduin, un homme d´Église, Casterman, 1964, pp. 180-181.)

2 - Escreve João XXIII: "Em 1956, enquanto se prosseguiam os estudos preparatórios para a reforma geral da liturgia, o Nosso predecessor quis escutar a opinião dos bispos a respeito de uma futura reforma litúrgica do breviário romano. Então depois de ter examinado atentamente as respostas dos bispos, decidiu que se devia encarar a reforma geral e sistemática das rúbricas do breviário e do Missal e confiou a dita tarefa à comissão especial de peritos, à qual tinha sido pedido o estudo da reforma geral da liturgia. Logo, Nós, depois de ter decidido, segundo uma inspiração divina, convocar o Concílio Ecuménico, pensámos mais de uma vez o que convinha fazer com respeito a esta iniciativa do Nosso predecessor. E, depois de ter examinado bem a questão, chegámos à decisão de que se deviam apresentar, aos Padres do futuro concílio, os princípios fundamentais concernentes à reforma litúrgica, e que não se devia definir mais a reforma das rúbricas do Breviário e do Missal Romano." (Motu proprio "Rubricarum Instructum", in "Liturgie I" de Solesmes, nº 891 a 892).

Enfim... registos históricos enigmáticos...

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