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26/03/17

DUAS HORAS DE LIXADURA

O Pe. Mário Oliveira (mais conhecido como Pe. Mário da Lixa), a ovelha mais negra do rebanho em Portugal, despeja o seu baú doutrinal em entrevista. No  programa "Maluco Beleza" Rui Unas faz a entrevista durante quase duas horas, esta quarta-feira (22/03/2017).
 
Em princípio, não deveríamos dar espaço a estas coisas, algumas delas bem fortes. Contudo, como poderão ver, há necessidade de dar a entender certas fenomenologias e tendências crescentes.
 
Duas horas.... duas horas disto... de "ateísmo católico"!
 

03/11/16

PAPA FRANCISCO - em modo anti-papas...!?


“Pela autoridade do Deus Todo-Poderoso, dos santos apóstolos Pedro e Paulo, e de nossa própria autoridade, nós condenamos, reprovamos, e rejeitamos completamente cada uma dessas teses ou erros como heréticosescandalososfalsosofensivos aos ouvidos piedosos ou sedutores das mentes simples, e contra a verdade católica. Listando-os, nós decretamos e declaramos que todos os fiéis de ambos os sexos devem considerá-los como condenados, reprovados e rejeitados [...] Nós os proibimos a todos em nome da santa obediência e sob as penas de uma automática excomunhão.“Ainda mais, por causa dos precedentes erros e de muitos outros contidos nos livros ou escritos e sermões de Martinho Lutero, nós do mesmo modo condenamos, reprovamos e rejeitamos completamente os livros e todos os escritos e sermões do citado Martinho, seja em Latim seja em qualquer outra língua, que contenham os referidos erros ou qualquer um deles; e desejamos que sejam considerados totalmente condenadosreprovados e rejeitados. Proibimos a todos e a qualquer um dos fiéis de ambos os sexos, em nome da santa obediência e sob as penas acima em que incorrerão automaticamente, de ler, sustentar, pregar, louvar, imprimir, publicar ou defendê-los”.

( Bula Exurge Domine, de 15 de Junho de 1520, o Papa Leão X)

12/06/15

O PUNHAL DOS CORCUNDAS Nº 16 (I)

O PUNHAL DOS CORCUNDAS

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Nº. 16
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Ostendam gentibus nuditatem tuam

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EDUCAÇÃO PÚBLICA

Assunto é este que desde a chamada reforma de Lutero há merecido os cuidados e atenções de toda a espécie de sectários. Julgaram eles, e mui sensatamente, que se chegassem a dominar o coração e o espírito da sempre incauta mocidade, poderiam contar de certo que seus erros teriam voga, e mui dificultosamente chegariam a desarraigar-se. Já no séc. XVI foram as línguas mortas uma das capas com que se cobriram os malévolos intentos das novas seitas, para melhor propagarem as suas doutrinas; e foi um rasgo visível da Providência que ao mesmo passo em que a heresia lançava mão deste fatal expediente, começassem a existir os filhos de Santo Inácio, cujo principal intento era a direcção dos estudos da mocidade, para que saísse das escolas preparada com o auxílio das sãs doutrinas, a fim de se precaver das seduções que tão frequentes eram naquele desgraçado século. Por mais que se tenha clamado entre nós contra o Senhor D. João III, que removeu do ensino as aulas menores os Buchanans, os Grouchys, os Vinetos, e outros abalizados cultores das letras humanas, nem por isso ajudarei essas pouco reflectidas e mui desassisadas invectivas. Um Rei Católico antes quer que uma dúzia de seus vassalos fiquem menos instruídos em Grego ou Hebraico, do que, sob o pretexto de se adiantarem neste estudos, beba toda a mocidade do seu Reino pelas taças envenenadas da heresia e da incredulidade; além de que para se condenar, com alguma justiça, aquele Soberano, era necessário que me convencessem de que os Jesuítas Padres - João Baptista Perpinhão, Manuel Alvares, e Cipriano Soares eram inábeis para ensinarem Latim, Retórica, e Grego à mocidade destes Reinos.

Manifestou-se pois, desde o berço da Companhia de Jesus, uma figadal aversão aos novos Mestres destinados para a educação da mocidade, e não foram as decantadas máximas sobre o regicídio, e as sonhadas associações com os Chatels, e outros inimigos dos Reis; mas principalmente a sua preponderância no Reino de França (por assumirem os cuidados da instrução pública), que suscitaram contra eles a perseguição que lhes foi movida pelos Hugonotes, em extremo aflitos e desesperados de se lhes contrariarem as suas ideias e os seus projectos. Grande número de provas tiradas dos escritos do fim do séc. XVI, e de todo o século XVII poderia eu trazer em confirmação destas verdades, se o meu intento não fosse deliberar apenas esta matéria, a fim de chegar, o mais cedo possível, à desastrosa influência daqueles princípios neste Reino.

É sabido que os Pseudo-Filósofos do séc. XVIII, já para se fazerem senhores da educação pública, intrigaram e minaram tudo para conseguirem a extinção dos Frades da Companhia, cujo maior delito era certamente o de lesa-filosofia; porque obstavam denodada e valorosamente aos seus progressos de tal maneira, que nunca o estandarte da irreligião se arvoraria na capital da França, nem se chegaria a perpetrar o regicídio de Luís XVI, se a Côrte de França, por extremo corrompida, não desse as mãos aos Filósofos para se conseguir aquela extinção. Sobejas vezes o tenho ponderado, e não me cansarei de o repetir, que é bem digno de lástima esse indiferentismo ou desleixo, com que depois da extinção dos Jesuítas foi tratada a educação religiosa pelos Soberanos, que, desconhecendo os seus verdadeiros interesses, coadjuvaram pela maior parte, e sem o advertirem, a causa da impiedade. A conservação da Fé, no meio das tormentas que têm ameaçado por vezes submergir a barca de S. Pedro, é sem dúvida um milagre fixo e permanente, e para mim tão admirável como se eu visse a passagem do mar vermelho ou a ressurreição de Lázaro. Era impossível que forças humanas guardassem puro e ilibado o sacrossanto depósito das verdades católicas, sem que ele tivesse o menor perigo durante a guerra, ora encoberta ora descoberta, que lhe têm feito os ímpios há cem anos a esta parte. E o que me robora ainda mais nesta persuasão é o ver a suma diligência e actividade com que os Filósofos se meteram a seu salvo na direcção dos primeiros estudos da mocidade, fazendo imprimir livros recheados de heresias e obscenidades para serem o primeiro objecto das leituras da infância. Mete dó considerar-se que a impiedade tivesse sobejas forças para imprimir tais livros, e para os disseminar por todo um reino tão vasto e populoso como a França, e os distribuir gradualmente, a fim de segurar melhor as suas infernais conquistas, e que não prevalecesse ao mesmo tempo o contrário sistema de fazer imprimir e espalhar gratuitamente os bons livros, ainda que estes desejos de alguns Pastores talvez desmaiassem perante os esforços da autoridade civil, que, pouco ou nada escrupulosa na eleição dos Mestres, fechava de todo as portas à esperança de que homens indignos e imortais quisessem servir-se dos bons livros em pró dos seus ouvintes.

Desta perseguição ao Cristianismo se deriva o malfadado sistema de remover os Frades a todo o custo de educação da mocidade, e por isso neste últimos tempos em que mais de uma vez se têm renovado essas odiosas contestações, só o nome de Frades tem consternado, e feito mudar de côr alguns Ministros, secretos agentes da maçonaria, como se viu há pouco tempo na França, quando se tratou de admitir ao ensino público os Padres das escolas cristãs, que só este nome é uma declaração de guerra aos ímpios do século, que não receiam coisa alguma tanto como a propagação do Cristianismo.

Futuro D. José I
Da mesma envenenada fonte procederam as instruções dadas neste Reino, em tempos do Senhor D. José I, para que os Frades se excluíssem do magistério, visto que apenas sabiam ler o seu breviário, e já modernamente, nos anúncios de oposição às cadeiras menores, se afixou nas portas da Universidade, e nos outros lugares onde convinha, a famosa excepção dos Frades, que por mais que soubessem, e acompanhassem de excelente morigeração os seus bons estudos, acharam um veto absoluto, que tantas vezes escandalizou os homens probos e assisados.

Apenas se instalaram as Côrtes Lusitanas começou de manifestar-se algum cuidado pela instrução pública, e logo se viu que a maçonaria tratava de ser fiel aos princípios e doutrinas de seus Mestres Franceses, e não desperdiçava este meio de fazer prosélitos; e como até para ser Bispo se recomendou uma virtude exótica, peregrina e de novo cunho, que não tinha lembrado ao Apóstolo S. Paulo, a saber, adesão ao sistema, ainda mais se exigia nos cultivadores das tenras plantas, que se as fizessem crescer no espírito maçónico teriam ainda mais valor para os Pedreirões, do que se fossem Bispos, que nunca foram nem hão de ser pessoas de grande monta no conceito dos Pedreiros, que só os querem lá, ou para espantalhos ou para agentes da propagação da seita, e preenchido que fosse o seu fim os indemnizaria depois com dinheiro, ou empregos civis, do que tivessem perdido em honras e privilégios... Devem tratar-se com alguma extensão estes dois artigos, Livros e Mestres, em que apareceram factos mui curiosos, e mui dignos de chegarem à notícia do público, e de fixarem toda a atenção do Governo sobre um dos assuntos de maior consideração, em que o simples descuido, não digo somente de meses, mais de dias e horas, acarretará males gravíssimos sobre este Reino. Comecemos.

(continuação, II parte)

20/06/14

HEREGES COMO ESTE ...

"Uma coisa é a Eucaristia enquanto ágape, que era uma refeição em memória de Jesus, como aqueles banquetes que Jesus fazia com as pessoas e no princípio era isso que havia. Lembrava-se a memória de Jesus e quem presidia à Eucaristia... e era uma revolução porque se um senhor se convertesse sentava-se à mesa com o escravo. Houve mulheres que presidiram às Eucaristias, porque eventualmente era alguém que possuía uma casa maior e eram elas que presidiam. Se foi possível no início, porque não é possível agora?"

"No início os cristãos eram acusados de ser ateus porque não ofereciam sacrifícios à Divindade. Então interpreta-se a Eucaristia como Sacrifício. Há aqui duas coisas tremendas para a Igreja. Se realmente Deus precisa do Sacrifício do próprio Filho para aplacar a Sua ira e estar reconciliado com a humanidade então esse não é o Deus de Jesus em primeiro lugar. Isso é contraditório com a afirmação de Jesus de que Deus é amor."

Palavras do Reverendo Padre Anselmo Borges (
Sociedade Missionária Portuguesa), publicamente proferidas no programa televisivo (RTP1) "Pós e Contras" sobre o tema "Igreja e Sexualidade"  ...

Não há Santa Inquisição, não há Santo Ofício ... e estes são os pastores a quem foram entregues ovelhas ...

Até quando Senhor!? Os hereges deixaram de estar fora há muitíssimo tempo. Depois passaram a estar dentro e ocultados. Hoje estão na dianteira!

Senhor ... abreviais este tempo, antes que não sobre nada!

01/11/13

"DEFEZA DE PORTUGAL" (1831) - O MAÇONISMO (I b)

(continuação da  parte a)

Maçonismo

O Maçonismo [maçonaria] é um sistema de impiedade [ímpios] geral; ou um colossal agregado de todas as maldades, que reúne em si todas as depravações, todos os erros, todas as discórdias dos séculos passados; ele se parece àquela árvore que viu Plínio, na qual estavam enxertados dos frutos de todas as árvores; ou aquela estátua de Baco, como diz Ausónio, que tinha uma parte de todos os Deuses, a qual por isso chamaram Pantheon. Mas não se contentou o maçonismo em reunir todas as maldades, assim como quer; ele as reuniu em grau heroico,tomando as de maior quilate, e peso, e desprezando aquelas, que são de medíocre vulto, desprezando aquelas, direi mais claramente, que menos ofendem a sociedade: não quer o maçonismo, o que é meramente mau; ele ama, o que é altamente péssimo. As durezas do Judaísmo, as grosserias do maometismo,as discórdias do hereticismo, as porcarias do epicurismo, as barbaridades do ateísmo, os absurdos, e delitos do filosofismo, tudo o maçonismo chamou a si, e de tudo formou um monstruoso corpo, com o qual quer meter debaixo de si tudo o que Deus criou, tudo o que a Religião aperfeiçoou, tudo o que a sociedade conserva. Ele no seu maior grau envergonha-se de ser judeu, peja-se de ser maometano,aborrece-se de ser herege; somente lhe agrada ser porco com os epicúreos, ser bárbaro com os ateus, ser louco com os filósofos: para ele é o crer, seja no que for, uma baixeza da razão; ser pacífico uma humilhação da dignidade do homem; todavia ele afecta ser virtuoso, e olha para a virtude como para um crime; finge ser religioso, e na Religião vê um monstro; parece aborrecer a guerra, e somente odeia a paz; tolerante de todos os erros, só a verdade não tolera; indulgente com todos os crimes, só a virtude não perdoa: ele se fez um sistema de aquietar-se com todos os cultos, e a todos eles têm um ódio figadal. Esta definição, ou descrição do maçonismo parecerá a alguns, que nasce só da minha imaginação; pois que os mais experientes, e versados neste sistema das traficâncias da incredulidade sabem que ele agrega a si, alista, e adopta pessoas, não só de todos os países, mas de todos os cultos; e por isso se o ateísmo fosse o seu elemento, esta sociedade agrega de profissões, e de doutrinas tão diversas não poderia ter tanta permanência, e universalidade, nem se haveria ramificado tão longa, e largamente. Por isso mesmo, digo eu, esse sistema atura tanto tempo, e se tem estendido tão infinitamente: da mistura de pessoas, e da diversidade de cultos nasce a confusão, e da confusão o engano, enganando-se uns a outros, e todos a si mesmos, sem que saibam onde vão, ou por onde caminham, mas querendo cada um a sua causa, que é a liberdade absoluta, e completa de todas as paixões; e prometendo-lha assim, os que os dirigem, ou os que estão em alto grau, sem que esses mesmos tenham ânimo de lho cumprirem, nem possam; daí, dessa falta de cumprimento das promessas nasce entre eles tanta divergência, e discórdia, pelejando muitas vezes entre si, dividindo-se, e dando lugar ao seu desbarato, e ruína, o que mais de uma vez tem sucedido, e eu farei ver mais adiante.


Porém, agora, insta que, guardando alguma ordem nestas ideias avulsas, diga o modo, porque o maçonismo se formou, quais foram as suas vistas, ou tensões, se bem que ele cambiou de face sucessivamente; que instrumentos ele escolheu, quais os meios, que aproveitou, que é o que ele quer, e por que vias se encaminha ao seu fim. Eu falo aos povos, e duvido muito que me acreditem sobre a minha palavra, porque os sábios bebendo as suas ideias da sua fantasia, e não das mesmas coisas, se tem persuadido que o maçonismo é o mesmo Judaísmo, sendo assim que há muitos judeus alistados no maçonismo, mas também há muitos mais mações, que não são judeus, sendo muito piores que eles: Porém os mações de alto grau, digo, os mestres, chefes, ou directores do maçonismo, sabem que eu não minto, dizendo que eles não dão um real por um judeu, ainda que se aproveitam dos seus reais; dizendo outro sim que eles nada querem do turco, do apóstata, e do herege, senão os seus serviços; que eles nada pretendem dos cristãos de nome, senão que eles não pelejem pela Religião; que eles dos Povos só desejam empobrecê-los, e aniquilá-los, para que lhes não possam ser contrários. Se me perguntarem, por onde sei o que os mais não sabem? Não responderei como o Abade Barruel "porque sou apóstata do maçonismo", responderei sim que quiseram, quando ainda não contava quatro lustros, perverter-me, o que não conseguiram, graças a Deus, e à educação que me davam entre os monges Bentos, onde me alistei por minha livre vontade; e foi então que estudei a sua linguagem, sem aprender as duas ideias; e com a sua linguagem soube muitas vezes o que eles querem, o que eles projectam, e o porquê pelejam, que é: nada de Deus, nada de Rei. Mas então me dirá alguém: Que é o que eles querem? Respondo que este século o vai dizendo, e dirá, e que também o direi; mas, para não deixar os povos em jejum, digo em princípio que os mações de alto grau não querem culto algum, nem soberano, ou governo, ou sociedade, seja qual for a sua forma, ainda mesmo que republicana seja, que proteja o Culto. E querem agora os povos saber porque os mações não querem o Culto? Eu lhes o digo; porque os povos, que têm Culto, pois sem ele não podem existir os povos, dão assim cabo dos mações logo que os conheçam. Assim que, se o turco, se o judeu, se o herege, se o mau cristão se persuadissem desta verdade, a saber que os pérfidos mações não querem algum culto, eles mesmos se reuniriam com todos os que o queremos, e já o maçon não existiria. Mas entre os mações há alguns que querem o Culto, replicar-me-á alguém: eu o confesso, entre os mações de baixo grau, quero dizer entre os de 1º, 2º, 3º e 4º, porque os do 5º duvidam de todos os cultos; os de 6º toleram algum culto por necessidade, e os do 7º, que são os mestraços do maçonismo, sofrem, os que assim pensam, com raiva, e desespero: e esta discordância, divergência, e desunião entre eles é, o que me induz a persuadir-me, que eles a não levam avante, se é que não chegou o fim do mundo. Prova desta minha persuasão é que eles mil vezes, e por mil formas a têm tentado; e no melhor da festa a sua alegria se voltou em lágrimas; o decurso deste Semanário oferecerá os factos passados à recordação dos presentes,para que os vindouros tomem a lição, de que o passado é a regra do presente, e que o que uma vez aconteceu há-de acontecer mais; a saber, a impotência do maçonismo contra Deus, e contra o Rei [o Altar e o Trono..]. Isto acontecerá sempre em Portugal, enquanto adorarmos a Deus dos nossos pais, e avós, e enquanto amarmos, como devemos, o Rei, que peleja por Deus, e por nós; é a dizer, enquanto formos portugueses: nisto está toda a defesa de Portugal contra as agressões estranhas, e domésticas; em invocarmos os auxílio de Deus, que nunca faltou aos Portugueses, e em apelidarmos a voz d'ElRei, que entre portugueses cristãos só é, e pode ser o Muito Alto, o Muito Magnífico, o Muito Poderoso Senhor S. MIGUEL I a quem Deus enviou a estes Reinos, para Senhor, e pai deles, protector da Religião, Coluna da Igreja, terror dos inimigos, e admiração do Mundo.

Rebolosa 16 de Julho de 1831.

Alvito Buela Pereira de Miranda

25/06/13

FOI O MEXERICO (I)



Joaquim Mexia Alves

Nova empreitada: crítica fechada a Joaquim Mexia Alves, aqui denominado "Mexerico".

O Mexerico tem um blogue chamado “Que É A Verdade?”, mau blogue. Entre tantos outros blogues perigosos, porque escolhi alertar sobre este!? Na verdade é um como tantos outros, não é sequer o pior. A escolha deve-se a que o autor, por determinadas razões nada louváveis, chamou a minha atenção. É ao autor a quem critico, na esperança de melhoras.

Haverá certamente na obra do Mexerico coisas que não estão erradas, algumas delas até são poéticas e revestidas de sentimentos bem intencionados. Contudo, todo esse bem se perde no meio de erros, entre eles as heresias. Como explica S. Tomás de Aquino, o erro é pior quanto mais convincente for, o erro tem que ter sempre algo de verdade.

O Mexerico redigiu o “”Diálogo” com o Diabo”. Diz assim ele ao Diabo:

Tu gostas muito da lei, pelos vistos! Percebo-te, porque se cumprimos apenas a lei, acabamos por cair na rotina, sem chama nem alegria. Mas para a Igreja a lei só tem sentido vivida no amor, e o amor vive-se todos os dias, não tem dia nem hora marcada, muito menos o amor d’Ele por nós e o nosso amor por Ele.” (Marinha Grande, 21 de Janeiro de 2013)

A Lei divina é estrita, clara e fundamental. Ora, a Lei de Deus é verdade que não passa, vale como Deus vale, independentemente de ser ou não praticada com ou sem amor, e por quem quer que seja. É falso que a Igreja tivesse ensinado que a Lei só tem sentido praticada desta ou daquela forma, porque é objectiva. O Mexerico faz depender a Lei divina da subjectividade, submetendo a Lei ao uso da Lei.

Assim disse o Mexerico ao Diabo:

“Essa é boa! Irritou-te profundamente que o próprio Deus tenha nascido como homem e de uma mulher em tudo igual às outras.” (Marinha Grande, 14 de Junho de 2013)

Deus o perdoe pela blasfémia e heresia. Nossa Senhora é em TUDO igual às outras!? … O Mexerico não sabe que é Ela a “Imaculada concepção”? Não sabe que é Ela a “Cheia de Graça”, a “Porta do Céu”, a “Arca da Aliança”, a rainha de todos os anjos, não foi Nossa Senhora mais que todas as mulheres!? Não foi Nossa Senhora a única mulher a ser concebida sem pecado original!?

Para o Mexerico Nossa Senhora é em tudo igual a qualquer uma...! Valha-nos Deus!

Mas isto não foi um mero equívoco, não foi uma distracção, caros leitores! O Mexerico, logo depois, diz a verdade, mas coloca-a na boca do Diabo... sim, coloca-a na boca do Diabo: “Não, nem por isso” (é o Diabo que diz, embora parcialmente, que Nossa Senhora não é uma mulher em tudo igual às outras).
Entretanto, próprio dos espíritos confusos, o Mexerico manifesta uma prudência relativamente ao culto mariano... não vá alguém cair em exageros:

"Parecia até, por vezes, que tínhamos preferências, (ou gostos, como quiserem), mais pelo Pai, ou pelo Filho e às vezes até por Maria, (que alguns infelizmente continuam ainda hoje a “endeusar”, o que não é certamente do Seu agrado). – (Marinha Grande, 15 de maio de 2013)”

Interessante!?...

Todas as opiniões acatólicas, daninhas, vão-se misturando com aparentes verdades que poderiam até convencer quem não estivesse já avisado da "mariana" doutrina herética transcrita. Afirma o Mexerico no mesmo texto do 15 de Maio:

“E fez-me perceber muito melhor a missão de Maria, a «cheia de graça», aquela que aponta o Filho e se recolhe na humildade.”
–  Dado a crença de que Maria é em tudo igual às outras, fica alterado o entendimento a respeito da “cheia de graça” e esta “missão” que o autor diz agora entender "muito melhor". São estas construções diferentes daquelas que a Igreja sempre ensinou... a FORMA mantém-se mas o sentido é-lhe aqui todo alterado, fenómeno próprio do herético modernismo.

Uma frases depois, o autor "evangeliza" com outra doutrina contrária à da Santa Igreja:

A consciência da presença do Espírito Santo em mim desde o Baptismo, (uma luzinha ténue que teimava em não se apagar), levou-me a perceber que Lhe devia pedir que saísse do “cantinho escondido” onde eu O tinha colocado e viesse tomar conta de mim, e que em vez de luzinha ténue, fosse um farol sempre aceso, apontando-me o caminho em cada dia, em cada momento.”.

O Mexerico, que em outro lado conta que em tempos tinha abandonado os caminhos da graça e voltado a ela (sua história de vida), acredita que desde o baptismo o Espírito Santo permaneceu nele, negando assim que o Espírito Santo é expulso de nós com o pecado mortal, e construiu uma outra doutrina segundo a qual o Espírito Santo permaneceu nele sempre mas tenuemente (“luzinha”). Ora, isto contradiz abertamente toda a doutrina católica relativa à vida da graça, mas converge para aquela heresia de "Maria em tudo como as outras", pois retira a Maria a graça desde o nascimento e quase coloca a si mesmo a graça permanente (se bem que não desde o nascimento mas sim do baptismo). O Espírito Santo teria permanecido sempre depois do baptismo na alma do Mexerico se até hoje não tivesse cometido pecado mortal algum.

(a continuar).

19/05/13

ERGUE-TE TU SE AINDA FORES A TEMPO - Pe. MÁRIO OLIVEIRA... o do costume


Caros leitores, publicarei durante estes dias algumas coisas do Pe. Mário Oliveira (da Lixa), não com a finalidade de as promover mas com uma finalidade que ainda não revelo, mas revelarei mais tarde.

Este homem, alma perdida, sacerdote, é uma ofensa a Deus de tal forma que até é vergonha reconhecida pelos mais progressistas. Este caso tem de ser resolvido: que o Bispo do Porto proceda à caridosa confrontação feita com a verdade doutrinal e o converta, ou o excomungue. Se o Pe. Mário apostatou, ou cismou, que o Bispo proceda então oficialmente e o dê a conhecimento.

Trago-vos do famigerado e maléfico autor um herético e blasfemo poema que, logo atingido o meu objectivo, será apagado:



ERGUE-TE Ó COMPANHEIRO, ERGUE-TE Ó COMPANHEIRA


Vamos ser outro Jesus
Sempre contra o deus-dinheiro
E o seu império da cruz.

Vamos ser outro Jesus
Contra o império da cruz.


Neste mundo louco
Pensa um pouco
sem medo nenhum

Quem vive no medo
é degredo
É vala comum

Salta dessa tumba
Que te afunda
Dá-me a tua mão

Trata o deus-dinheiro
embusteiro
Como um deus cabrão

Nunca como agora
sem demora
vamos dar as mãos

Se ficares sozinho
no caminho
Corre aos teus irmãos

Olha-o nos olhos
Sem escolhos
Sê corpo de amor

Liberta-os do medo
Do degredo
Com o teu calor

Antes de mais nada
Põem-te em guarda
Contra a tentação

Porque o deus-dinheiro
cão matreiro
É sedução

Para resistires
não traíres
Sê Jesus videira

Faz-te pão e vinho
Sê caminho
Vida companheira

Igrejas e missas
São premissas
Para a alienação

Quem as frequenta
Alimenta
Mais a opressão

Sê os dois ou três
Que Jesus fez
Tereis em vós

Todo o seu conforto
Todo o sopro
Toda a sua voz

Essa vossa mesa
E com certeza
De conspiração

Quem a frequenta
Alimenta
A insurreição

A palavra é fogo
Como o povo
Com fome de pão

Quem escuta e come
Sai com fome
de mais, mais missão

missão com duelos
e [?]elos
Contra a idolatria

Porque o deus-dinheiro
traiçoeiro
Mata a autonomia

E até de esmola
Faz escola
de inumanidade

Mata o profeta
Que liberta
para a liberdade

Ireis desarmados
Carregados
De muita ternura

De olhos bem abertos
E afectos
Fonte de cultura

Confortais oprimidos
Excluídos
Dias a vossa mão

Despertai os tolos
Sem engodos
Para a insurreição

Ergue-te ó companheira
Ergue-te ó companheiro
Vamos ser outros Jesus

Sempre contra o deus-dinheiro
E o seu império da cruz

Vamos ser outro Jesus
Contra o império da cruz.

18/05/13

CÂNTICOS DE HEREGE - Pe. MÁRIO OLIVEIRA (da Lixa)

O herético e blasfemo Pe. Mario Oliveira
com o seu tom avermelhado.
A diocese do Porto tem o padre mais herege de que temos conhecimento: o Pe. Mário Oliveira (da Lixa), director do jornal Fraternizar, autor de livros, e propagador de vários vídeos seus no Youtube. Tem ouvido e canta mal, pois adaptou a cantiga popular "Ó Mulher",dotando-a de herética letra.







Ó Mulher! (6 tentações, 2 propostas):

- Ó mulher agarra-te ao poder!
M: Isso não meu irmão,
isso não que o poder corrompe e mata!
Pela política é que vou
até dar a minha vida.
Isso sim meu irmão.
até dar a minha vida.
Isso sim meu irmão.

- Ó mulher agarra-te à riqueza!

M: Isso não meu irmão,
isso não que a riqueza faz-nos monstros!
Pela partilha é que vivemos,
é que somos bem humanos
Isso sim meu irmão
é que somos bem humanos
isso sim meu irmão.

- Ó mulher, agarra-te à Virgem!

M: Isso não meu irmão,
Isso não que a Virgem é falsa deusa!
Pelo amor é que seremos
comapnheiros de verdade
Isso sim meu irmão
Companheiros de verdade
Isso sim meu irmão.

- Ó mulher, agarra-te à família!

M: Isso não meu irmão
Isso não que família é toda a gente!
Pela abertura aos mais pequenos
É que somos mais felizes
Isso sim meu irmão
É que somos mais felizes
Isso sim meu irmão

- Ó mulher, agarra-te ao marido!

M: Isso não meu irmão
Isso não que o marido é um opressor!
O que eu quero é um companheiro
Que partilhe as minhas lutas
Isso sim meu irmão
Que partilhe as minhas lutas
Isso sim meu irmão

- Ó mulher agarra-te à casa!

M: Isso não meu irmão
Isso não que a casa nos domestica
Só sendo mulher de causas
É que sou realizada
Isso sim meu irmão
É que sou realizada
Isso sim meu irmão

- Ó mulher, agarra-te ao Deus vivo!

M: Isso sim meu irmão!
Isso sim que com ele somos gente solidária e [?]
e enfrentamos todo o mal!
Isso sim meu irmão
Isso sim meu irmão
Isso sim meu irmão

- Ó mulher agarra-te aos mais pobres!

M: Isso sim meu irmão!
Isso sim que os mais pobres são Jesus
a quem temos que arrancar da pobreza e da cruz
Isso sim meu irmão
Isso sim meu irmão
Isso sim meu irmão
Isso sim meu irmão...

Cumprimentos do autor: "O meu abraço e o meu beijo a todas as mulheres, e a todos os homens que recusam ser maridos, isto é, chefes, donos das mulheres, autoritários, machos. Que confraternizem com "Deus". É com muita alegria que vos dou este canto-poema.



21/03/13

FUNDAMENTAÇÃO DO PAPADO

Esta semana cruzei-me com um antigo meu professor, dos meus tempos de aluno de teologia. Ele progressista, e eu, hoje, um mero tradicional católico. Este simpático sacerdote diocesano, relativamente a "Papa" e "Papado", acredita em oposição ao que eu acredito.

Como podem dois católicos acreditar diferentemente a respeito de conteúdos da Fé? Ou um está errado ou os dois estão errados, como mostra S. Tomás de Aquino: os dois não podem estar certos ao mesmo tempo em opiniões que se contradizem - porque uma mesma coisa não pode ser e não ser ao mesmo tempo.

Enquanto fui aluno de teologia, naqueles tempos, acreditei sempre que o Papado e o Papa eram o que este meu antigo professor acredita. Muitos outros acreditam nestas novas ideias que hoje penetraram gradualmente a vida dos católicos como parte do "pensamento dominante". São erros de época, não são coisas enunciadas pela Santa Igreja (pelo contrário, são enunciadas contrariamente à Santa Igreja, e levadas em andas por boa parte do clero que, por sua vez, foi já formado pelos introdutores, ou alunos dos introdutores). Quanto mais longe estamos dos primeiros tempos de introdução das terríveis ideias na sociedade católica mais probabilidades há de os seus "portadores" não serem culpáveis.

Como acho muito perigosas essas e outras ideias, e como católicos cabe-nos repetir o que a Igreja ensinou para os outros venham a dar-lhe proveito, para que realmente todos sejam um.

Aquelas teses da moda, a respeito do Papa e do Papado, podem ser agrupadas em duas ideias:

- O poder do Papa adviria da Diocese de Roma perante as dioceses do Rito Romano;
- O Papa seria um "primus inter pares" (seria o primeiro entre iguais).

Estas duas crenças são postas ao catolicismo que diz justamente o contrário:

- O poder do Papa foi dado directamente por Nosso Senhor Jesus Cristo a Pedro;
- O Papa não é um igual aos outros Bispos porque a Igreja é fundada nele e foi apenas a ele que lhe foi confiado o rebanho.

A primeira Constituição Dogmática sobre a Igreja, IV sessão do Concílio Vaticano I, não deixa qualquer dúvida a quem a leia com boa-vontade:

"1823. Se, pois, alguém disser que o Apóstolo S. Pedro não foi constituído por Jesus Cristo príncipe de todos os Apóstolos e chefe visível de toda a Igreja militante; ou disser que ele não recebeu direta e imediatamente do mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo o primado de verdadeira e própria jurisdição, mas apenas o primado de honra – seja excomungado. "

No tempo em que Pedro recebe a chefia da Igreja de Nosso Senhor ainda nem sequer havia comunidade em Roma, logo fica reforçada também pela lógica a impossibilidade do poder do Papa advir da Diocese de Roma. Continuando...

"1824. Porém o que Nosso Senhor Jesus Cristo, que é o príncipe dos pastores e o grande pastor das ovelhas, instituiu no Apóstolo S. Pedro para a salvação eterna e o bem perene da Igreja, deve constantemente subsistir pela autoridade do mesmo Cristo na Igreja, que, fundada sobre o rochedo, permanecerá inabalável até ao fim dos séculos. "Ninguém certamente duvida, pois é um fato notório em todos os séculos, que S. Pedro, príncipe e chefe dos Apóstolos, recebeu de Nosso Senhor Jesus Cristo, Salvador e Redentor do género humano, as chaves do reino; o qual (S. Pedro) vive, governa e julga através dos seus sucessores".
1825. Se, portanto, alguém negar ser de direito divino e por instituição do próprio Cristo que S. Pedro tem perpétuos sucessores no primado da Igreja universal; ou que o Romano Pontífice é o sucessor de S. Pedro no mesmo primado – seja excomungado
1826. Por isso, apoiados no testemunho manifesto da Sagrada Escritura, e concordes com os decretos formais e evidentes, tanto dos Romanos Pontífices, nossos predecessores, como dos Concílios gerais, renovamos a definição do Concílio Ecuménico de Florença, que obriga todos os fiéis cristãos a crerem que a Santa Sé Apostólica e o Pontífice Romano têm o primado sobre todo o mundo, e que o mesmo Pontífice Romano é o sucessor de S. Pedro, o príncipe dos Apóstolos, é o verdadeiro vigário de Cristo, o chefe de toda a Igreja e o pai e doutor de todos os cristãos; e que a ele entregou Nosso Senhor Jesus Cristo todo o poder de apascentar, reger e governar a Igreja universal, conforme também se lê nas atas dos Concílios Ecuménicos e nos sagrados cânones.

Portanto, não é um bispo como os outros a quem se dá preferência. Pedro Apóstolo recebeu uma vocação e encargo de naturezas próprias que o diferenciam em relação aos outros bispos. Continuando...

1827. Ensinamos, pois, e declaramos que a Igreja Romana, por disposição divina, tem o primado do poder ordinário sobre as outras Igrejas, e que este poder de jurisdição do Romano Pontífice, poder verdadeiramente episcopal, é imediato. E a ela [à Igreja Romana] devem-se sujeitar, por dever de subordinação hierárquica e verdadeira obediência, os pastores e os fiéis de qualquer rito e dignidade, tanto cada um em particular, como todos em conjunto, não só nas coisas referentes à fé e aos costumes, mas também nas que se referem à disciplina e ao regime da Igreja, espalhada por todo o mundo, de tal forma que, guardada a unidade de comunhão e de fé com o Romano Pontífice, a Igreja de Cristo seja um só redil com um só pastor. Esta é a doutrina católica, da qual ninguém pode se desviar, sob pena de perder a fé e a salvação.

Aqui está! O Cânon 1827 é muito importante porque é por Roma ser a comunidade de Pedro que ela tem o primado sobre as outras, e não o contrário: o poder de Pedro advir do primado de Roma. Noutras palavras, este cânon conta com todos os outros formando um conjunto coerente. Aproveito para dizer que o Rito Romano é também aquele que veio da tradição de S. Pedro e, por isto, considerado por nós o rito central e indispensável. Alerto ainda para o "seja um só redil porque pode parecer que se diz que não é um só redil mas que virá a sê-lo. Continuando...

1828. Estamos, porém, longe de afirmar que este poder do Sumo Pontífice acaba com aquele poder ordinário e imediato de jurisdição episcopal, em virtude do qual os bispos, constituídos pelo Espírito Santo [cf. At 20,28] e sucessores dos Apóstolos, apascentam e regem, como verdadeiros pastores, os seus respectivos rebanhos; pelo contrário, este poder é firmado, corroborado e reivindicado pelo pastor supremo e universal, segundo o dizer de S. Gregório Magno: "A minha honra é o vigor dos meus irmãos. Sinto-me verdadeiramente honrado, quando a cada qual se tributa a honra que lhe é devida".
1829. Além disso, do supremo poder do Romano Pontífice de governar toda a Igreja resulta o direito de, no exercício deste seu ministério, comunicar-se livremente com os pastores e fiéis de toda a Igreja, para que estes possam ser por ele instruídos e dirigidos no caminho da salvação. Pelo que condenamos e reprovamos as máximas daqueles que dizem poder-se impedir licitamente esta comunicação do chefe supremo com os pastores e os fiéis, ou a subordinam ao poder secular, a ponto de afirmarem que o que é determinado pela Sé Apostólica em virtude da sua autoridade para o governo da Igreja, não tem força nem valor, a não ser depois de confirmado pelo beneplácito do poder secular.
1830. E como o Pontífice Romano governa a Igreja Universal em virtude do direito divino do primado apostólico, também ensinamos e declaramos que ele é o juiz supremo de todos os fiéis, podendo-se, em todas as coisas pertencentes ao foro eclesiástico, recorrer ao seu juízo; [declaramos] também que a ninguém é lícito emitir juízo acerca do julgamento desta Santa Sé, nem tocar neste julgamento, visto que não há autoridade acima da mesma Santa Sé. Por isso, estão fora do recto caminho da verdade os que afirmam ser lícito apelar da sentença do Pontífices Romanos para o Concílio Ecumênico, como sendo uma autoridade acima do Romano Pontífice.
1831. Se, pois alguém disser que ao Romano Pontífice cabe apenas o ofício de inspeção ou direção, mas não o pleno e supremo poder de jurisdição sobre toda a Igreja, não só nas coisas referentes à fé e aos costumes, mas também nas que se referem à disciplina e ao governo da Igreja, espalhada por todo o mundo; ou disser que ele só goza da parte principal deste supremo poder, e não de toda a sua plenitude; ou disser que este seu poder não é ordinário e imediato, quer sobre todas e cada uma das igrejas quer sobre todos e cada um dos pastores e fiéis – seja excomungado.

Ao Papa Francisco, por exemplo, Deus ter-lhe-a dado plenos poderes de Papa. Se o Romano Pontífice resolve expressar-se apenas a um nível mais modesto como um "primus inter pares"... hum...

Estamos a viver os efeitos da infiltração lenta de doutrinas heréticas, de tal forma que hoje já são o "ar que se respira". O próprio erro é veiculado pelos instrumentos da Santa Igreja... Devido a uma ignorância possivelmente não culpável (depende dos casos) pouco mais se pode fazer do que rezar e difundir a doutrina entre os próprios católicos.

E mais não digo... por hoje.

16/09/12

OS ERROS DE LUTÉRO E O ESPÍRITO DO MUNDO ACTUAL (IV)


(continuação da III parte)


OS ERROS DE LUTERO E O ESPÍRITO DO MUNDO ACTUAL
Pe. Franz Schmidberger

B - Existe uma analogia entre a Fé e as obras, por uma parte, e a natureza humana, composta de corpo e espírito, por outra. O espírito expressa-se pelo corpo e o corpo é o instrumento do espírito; entre os dois há mútua relação, uma influência recíproca. Por exemplo se eu faço uma genuflexão ente o Santíssimo Sacramento, expresso assim (exteriormente) a minha Fé (interior) na presença real. Por outro lado, cada gesto exterior, cada sinal da cruz, cada inclinação, fortalece a própria Fé. Assim a alma é nutrida interiormente mediante signos exteriores.

Não há que esquecer que depois da separação da alma e do corpo, não acontecerá mais que um estado provisório até o dia do juízo final quando a alma e o corpo recuperam a sua unidade complementando-se mutuamente.

Por analogia vemos a relação que existe entre a Fé e as obras. Por uma parte, a Fé expressa-se através das suas obras e as obras aparecem como um prolongamento da Fé; e as boas obras animam e fortalecem a Fé. Sem a Fé as obras estão mortas, como está morto o corpo sem a alma, A ausência de boas obras conduz à uma debilidade da Fé ou à sua morte. Como depois da morte, a alma espera o seu respectivo corpo, a Fé pede boa obra. Podemos dizer que a Fé e as boas obras juntas determinam o mérito perante Deus, como a alma e o corpo constituem juntos a natureza humana. O Corpo humano está chamado também à glória, e a sua glorificação faz parte da felicidade eterna do homem.

À luz desta analogia chegamos a entender que as boas obras contribuem para a nossa justificação, santificação e glorificação.

C - O Logos (o Verbo) encarnou, tomou uma alma e um corpo humano visível. Pela mesma analogia, a Fé tende a encarnar. Nossas catedrais, santuários, igrejas, peregrinações e procissões, os nossos seminários e conventos, instituições cristãs, são a visibilidade da Fé, a Fé expressa por por meio da pedra ou no corpo social visível, como a família católica, o mosteiro, ou o Estado católico.

(terá continuação, se Deus quiser) 

30/05/12

OBRIGATÓRIO PARA ESTES TEMPOS

Neste momento é fundamental que os católicos tenham claros certos pontos do Catolicismo:

- DOUTRINA: tudo o que entre os católicos não esteja em conformidade com a Doutrina, a moral e os bons-costumes (católicos), não é realmente católico (não é da Igreja Católica, nomeadamente os pecados privados de cada um que são eles mesmos condenados por Ela e contra as Virtudes que ela ensina como remédio).

- HIERARQUIA CATÓLICA: Se algum membro da católica hierarquia, afirmar algo que diminua ou contrarie a Doutrina da Igreja, ou a moral, ou os bons-costumes, independentemente da intenção que tal membro tenha, com isso não faz vincular realmente tais acções ou afirmações como coisa da Igreja. Tais afirmações ou acções, ou até mando, só sairiam da responsabilidade meramente individual.

- JUSTIÇA: Se em algum ponto de algum Direito Canónico não estiver totalmente conformado à Doutrina, moral, e bons-costumes católicos, tal ponto, na realidade, teria valor nulo na Santa Igreja. Pois o Direito Canónico surge da necessidade de ordenar e possibilitar no campo da justiça os ensinamentos Divinos que são eles mesmos a Vontade revelada por Deus.

- PASTORAL: A pastoral legítima é uma humilde serva da Doutrina (não pode ser de outro modo), e nasce do esforço prático de encaminhar as almas aos mesmos Divinos ensinamentos para a santificação e a salvação da alma. O PASTOR guia as ovelhas (daqui vem o nome de "pastoral"). Se, em algum ponto uma Pastoral diminuir, obscurecer, contrariar a Doutrina ou a Moral e os bons-costumes católicos é uma má pastoral que pouco ou nada pode ser chamada de Católica.

- RITO ROMANO: Por Tradição este é o coração do Rito Católico, referência pela qual se examinaram todos os restantes Ritos católicos. Ele provêm da Tradição unicamente, a do Apóstolo S. Pedro, e todo o seu desenvolvimento tem como única finalidade a força de afirmar o edifício que é o próprio Rito e o que ele contêm.

- MISSAL ROMANO: O Missal Romano (não confundir com Rito Romano), é a codificação do Rito Romano (da Missa). Para segurança da Fé, teve de ser codificado infalivelmente (assim o declara o Concílio Ecuménico de Trento) por autoridade de S. Pio V. Está protegido por Bula sobe pena de excomunhão (visto que a Missa é assunto muito especialmente inseparável da Fé, - Doutrina -). Por identificação, hoje é conhecido como Missal de S. Pio V, ou seja, o único Missal Romano propriamente dito. É importante saber que ele não resultou de uma construção de gabinete, pois é uma codificação (uma fotografia) ritual legada pela Tradição. Já o Missal de Paulo VI é uma composição baseada ora no Rito Romano ora no rito luterano de forma a eliminar os elementos que no Rito Romano choquem a doutrina protestante, (o Cardeal Ratzinger dele disse que é um "missal fabricado" - o responsável pela elaboração de tal missal foi Monsenhor Annibale Bugnini que explicou ser esta uma tentativa de aproximação ao protestantismo). Ao contrário do que se espalhou, o missal de Paulo VI é um projecto que não vêm do Concílio Vaticano II, mas foi rejeitado pelo próprio Concílio.

- MISSAL DE PAULO VI: Doutrinalmente, todos aqueles elementos que ao longo de séculos afirmaram a Fé e eram contrários à heresia protestante, foram retirados ou diluídos nesta composição e, em alguns casos, foram até introduzidos elementos que reforçam as heresias protestantes contrárias à Doutrina contida na Santa Missa. A igreja luterana emitiu um comunicado que dizia que essa composição era compactível com o Luteranismo.

- CONCÍLIO VATICANO II: É um caso ambíguo por três motivos fundamentais: 1) Há teses não refutadas, e ignoradas, que apontam no sentido de uma quebra de legitimidade no decurso do mesmo Concílio. 2) Caso o Concílio tivesse sido realmente legítimo até à sua conclusão, há ainda a questão de não ter havido outro na Igreja que tivesse reunido com todo o vigor apenas para se pronunciar a nível pastoral (não confundir os títulos, como o de "Constituição Dogmática", com pronunciamento dogmático). Paulo VI e o Cardeal Ratzinger tinham-se pronunciado a respeito disto explicando que afinal tal Concílio se quis apenas pronunciar num nível mais modesto (pastoral). 3) Há ainda quem julgue que o Concílio se pronunciou infalivelmente e, por isso, o tome com valor de lei, de tal forma que a Doutrina de sempre deveria submeter-se-lhe. Toda a Doutrina, portanto, teria de ser interpretada à luz do Concílio Vaticano II. Nesta linha, há ainda (cada vez menos) quem  ache que não só a Doutrina de sempre teria de ser interpretada à luz deste Concílio como ele mesmo teria de ser interpretado à luz de um "espírito do Concílio". O Novo Catecismo, por sua vez, em vez de corrigir estes problemas, acentua-os e parte do próprio problemático Concílio na tentativa de reformular uma parte significativa da Doutrina de sempre magistralmente codificada no Catecismo de Trento (ele sim obrigatório e não dispensável - há várias adaptações fundadas no Catecismo, uma das mais famosas é o Catecismo de S. Pio X pela formulação didáctica).

- PAPA: O Papa pode gozar de infalibilidade em certas ocasiões e dentro de certas condições rigorosamente estabelecidas infalivelmente (Dogma da Infalibilidade Papal) no Concílio Vaticano I. O Papa está obrigado a guardar a Doutrina de sempre e a não aceitar novidades doutrinais (explico: a desviar, diminuir, obscurecer, inventar, introduzir etc...). A Santa Igreja, pela boca autorizada de Doutores da Igreja, e santos (e aprovando-lhes as seguintes conclusões), tem como certo que: se um Papa ou Bispo ensinar ou mandar fazer algo contrário à Doutrina (e a moral e bons-costumes)  católicos) - independentemente da intenção pessoal - devem ser desobedecidos nesse ensinamento ou mando pontual porque o católico está obrigado à obediência absoluta a Deus que expressa a sua Vontade na Doutrina (etc..). O novo argumento que tem corrido hoje é de que o Espírito Santo não abandonaria a sua Igreja permitindo a confusão na hierarquia... contudo, como já se deve ter entendido neste parágrafo, a Vontade de Deus expressa-se inequivocamente na Santa Doutrina de sempre a qual todos os católicos estão obrigados (sejam eles da hierarquia ou não). Esta condição é,  portanto, regra obrigatória e referência máxima pela qual os grandes santos foram pautados e por isso canonizados. Esta condição é a mesma que tem de estar satisfeita para num acto (pronunciamento) que se queira fazer como Infalível (por exemplo, na infalibilidade Papal).

- HERESIA: Esta existe unicamente quando há uma afirmação que não esteja em acordo com a Santa Doutrina (que é imutável e infalível). Contudo, tal heresia pode não estar formalizada como tal: seria o exemplo de além ter feito a afirmação de que Deus não é trino sem que as autoridades da Igreja o saiba ou sem que elas se tenham pronunciado a respeito do indivíduo. A heresia passa a ser formal quando o indivíduo, depois de ter afirmado a heresia, a continua a sustentar depois de ter sido confrontado com as explicações da Doutrina por parte de um representante da Autoridade da Igreja. Ninguém, portanto, é dado como herege formalmente (e fica assim claramente rompido o vínculo com a Santa Igreja), por mera ignorância e sem vontade. Hoje a heresia nunca esteve tão propagada, e até estabelecida e todas as suas formas, sem que a Autoridade a afronte (por isso não tem havido "heresia formal" nem oficialmente hereges - na minha opinião é a prova mais frontal de uma Apostasia Geral, curiosamente "silenciosa").

- IGREJA: Deus, pessoalmente, na Pessoa do Filho (Jesus Cristo), fundou uma comunidade (Ecclesia - que traduzimos à nossa língua por Igreja e que significa Comunidade). A Igreja é constituída de: Igreja Militante (aquela que militamos aqui na Terra), Igreja Purgante ou Padecente (purgatório, onde as almas com custo de dor se vão libertando e purificando para alcançarem o Céu), Igreja Triunfante (o que costumamos chamar Céu). Por excelência esta é a Comunidade (letra maiúscula), portanto Igreja, e APENAS depois d'Ela foram inventadas outras igrejas (comunidades) que, ao longo de séculos e milénios, tentam de várias formas reclamar-se como sendo aquela que Deus fundou (ou, segundo algumas, que Deus teria hoje fundado...enfim). Uma das verdades doutrinais transmitidas pela Santa Igreja é de que fora d'Ela não há salvação possível (contando com os casos extraordinários do "baptismo de sangue" e "baptismo de desejo"). A Igreja é imaculada (não tem mancha), santa (dela não provêm qualquer pecado), inerrante (não tem erro)... contudo muitos católicos hoje, por não terem sido já doutrinados na Doutrina de sempre, não sabendo sequer o que é a Igreja (confundem-na) ficam chocados com uma Doutrina que sempre os seus antepassados conheciam, tinham como certa, e transmitiam. É famoso o caso de um degenerado teólogo pós-conciliar, hoje muito repetido, que disse que a Igreja seria santa MAS também pecadora - o que é uma corrupção do significado de "ser santa" que sempre foi transmitido  e abunda em grandes escritos sumamente aprovados ao longo de dois milénios - e por isto quando certos católicos rezam o Credo, chegados à parte do "Creio na Igreja, una, santa...", é como se estivesse a rezar com uma OUTRA crença (porque dão outro significado), ao mesmo tempo que as palavras se mantêm as mesmas (uma das características do modernismo).

28/04/12

OS ERROS DE LUTÉRO E O ESPÍRITO DO MUNDO ACTUAL (III)

(Publicação anterior, aqui)

OS ERROS DE LUTERO E O ESPÍRITO DO MUNDO ACTUAL
Pe. Franz Schmidberger


A Igreja não tem uma tradição, mais sim ela mesma é essencialmente Tradição, ou seja, prolongamento do Verbo feito carne.

De tal forma que a Igreja não é quem baptiza e quem ensina, mas sim propriamente e em definitivo é Cristo quem sacrifica, baptiza e ensina como "Pontífice Máximo", servindo-se do sacerdote humano, e do papa como instrumentos para outorgar a salvação.

Portanto, a Igreja é Cristo vivente, provida de magistério vivo, que possuiu sempre a capacidade de definir verdades (não de inventá-las), de tomar posição relativamente aos problemas da actualidade; de distinguir e refutar, de argumentar e condenar. "Quem a vós escuta, a mim escuta, quem vos despreza a mim despreza, mas quem me despreza, despreza Aqueles que me enviou" disse o Senhor aos seus apóstolos". (Luc. 10:16)

A posição protestante, equivocada, tenta valorar a "palavra", mas não é mais que frio racionalismo. Não quer reconhecer o Verbo feito carne, e que Nosso Senhor se tenha feito um Sacrifício e continua-o no tempo e no espaço para a nossa salvação. Recusa o altar e coloca em seu lugar uma cátedra; o sermão, o canto, constituem o centro em vez do Cordeiro imolado e o Tabernáculo de Deus vivo.

O católico nos nossos dias não pode senão sentir-se afectado dolorosamente por isso que é essencialmente a repetição, no interior da Igreja, da "reforma" protestante, sob as influências denunciadas: negação do magistério da Igreja, negação da continuação e comunicação de Cristo, negação do mistério e a passagem a um frio racionalismo, ou seja, o naturalismo.

Quando no séc. XVI a cidade de Stuttgart passou-se para o protestantismo, no dia fixado para a adopção da nova "religião", os clérigos celebraram pela última vez o Santo Sacrifício de honra de "Hofkirch". Logo o celebrante retirou o Santíssimo Sacramento do tabernáculo, e a luz do santuário, que indica a presença real, foi apagada. O edifício continua ali, mas Ele, o Emanuel, foi embora.

II - "SOLA FIDES"

Lutero pretende que a Fé por si seria suficiente para a Salvação e que as boas obras como a esmola, e o jejum, as obras de mortificação e o caminho da perfeição na vida monástica, não são meritórios; chega a dizer que o homem peca em toda a boa obra.

A - Podemos tomar da própria Sagrada Escritura de forma clara afirmações que refutam tal erro protestante.

Na carta de S. Tiago (2:26) lemos que "a Fé sem obras está morta"; no Apocalipse, são chamados bem-aventurados os mortos "porque as suas obras os seguem" (Ap. 14:3) e no Segundo livro dos Macabeus, o valente guerreiro Judas faz uma colecta para os defuntos a fim de que se ofereça um sacrifício expiatório, "pois pensava correcta e piedosamente a respeito dos mortos" 8II Macc. 12:45).

Lutero estava consciente da dificuldade que encontrava apra defender a sua tese da "sola fides" (só a Fé). Por isso foi drástico e directamente negou a epístola de S. Tiago como uma "epístola de palha", o Apocalipse como duvidoso e ao livro dos Macabeus como apócrifo.

(Continuação, aqui)

25/04/12

"JESUS DE NAZARÉ II" - PROBLEMÁTICO LIVRO DE BENTO XVI e A DOUTRINA CATÓLICA (I)


O livro de Bento XVI "Jesus de Nazaré II" é um monumento à ortodoxia católica? Será que repete as mesmas linhas de verdade ensinadas e transmitidas pela Igreja, ou segue o caminho de estranhas e recentes teologias?

É esperado que o livro de um Papa seja um monumento à ortodoxia que ele mesmo deve representar, e nada contrário a isso.

Como é absurdo que um Papa transmita uma doutrina contrária à da Igreja opondo-se aos próprios Apóstolos, aos Evangelhos, aos Padres da igreja, aos Doutores da Igreja e ao Magistério, é natural que os leitores católicos partam da ideia de um Papa ortodoxamente católico, e assim deve ser.

Antes de irmos ao livro, é preferível fazer alguma catequese.

A INSPIRAÇÃO DAS ESCRITURAS

"(...)Todos os livros que a igreja recebe como Sagrados e Canónicos, estão escritos total e completamente, em todas as suas partes, sob ditado do Espírito Santo, e visto que é impossível que qualquer erro possa coexistir com a divina inspiração, sendo a inspiração não só esencialmente incompatível com o erro, senão que exclui e afasta, absoluta e necessariamente, como impossível, que o mesmo Deus, Verdade suprema, possa enunciar o que não é certo. Está é a antiga e imutável Fé da Igreja, solenemente definida nos Concílios de Florência e Trento, e finalmente confirmada e mais expressamente formulada no Concílio Vaticano. Estas são as palavras do último deles: "Os livros do Antigo Testamento, e Novo Testamento da Vulgata latina, todos, com todas as suas partes, como foi indicado no decreto do mesmo Concílio [Trento], devem ser recebidos por sagrados e canónicos. E a Igreja os sustêm como sagrados e canónicos, não porque, depois de terem sido compostos pelo engenho humano, tenham sido aprovados depois pela sua autoridade, nem só porque contenham a revelação sem erro, senão porque, tendo sido escritos sob a inspiração do Espírito Santo, têm a Deus por seu autor. Assim, como o Espírito Santo usou os homens como instrumentos seu, não se pode dizer que tais instrumentos inspirados, porventura, caíram no erro, e não o seu autor principal. Porque foram movidos e impulsionados a escrever pela acção sobrenatural do Espírito Santo. Ele esteve presente para que eles escrevessem as coisas que Ele lhes ordenou, e só essas, de maneira que, entendidas por eles em primeiro lugar, logo quiseram firmemente escrevê-las fielmente, e, finalmente, expressaram, apta e inteligivelmente a verdade. Pelo contrário, não se poderia dizer que Deus tivesse sido o autor de toda a Escritura. Tal foi sempre a presunção dos PadresDisto se deduz que aqueles que sustêm que seja possível o erro em alguma passagem das Sagradas Escrituras, pervertem a noção católica da inspiração e fazem de Deus o autor do erro." (Proventissimus Deus - Leão XIII (20 a 21))

"(...) Também aqueles, que sustêm que a parte histórica da Escritura não descansa na absoluta verdade dos factos senão que se limita, como gostam de dizer, à verdade relativa, ou seja, o que a gente comummente pensava, não estão - como também não estão os critérios anteriormente mencionados - em harmonia com o ensinamento da Igreja, que está avalada pelo testemunho de Jerónimo e outros Padres".

Isto é exemplar do que se repete ao longo dos tempos na Igreja, faz parte da Tradição da Igreja, contudo as recentes teologias infiltradas nos seminários e cursos de teologia ensinam diferente e mais em conformidade com o protestantismo. Para que se veja, tomemos um dos manuais adoptados num instituto de Teologia (que goza até de fama de prudente e comedido, portanto, bem considerado) para a cadeira de Sagrada Escritura, e que é "Bíblia Palavra de Deus" de Valério Mannucci, para dar a entender que a Sagrada Escritura não é inspirada mas sem dizer literalmente tal coisa (reparem no tipo de palavreado mistificador, quase esotérico, que mais esconde do que aclara):

"Concluindo - Portanto, existe um mistério de inspiração que age no presente, dentro de nós, em torno de nós, sob os olhos da nossa fé: é a misteriosa, mas real, presença e acção do Espírito Santo, do Espírito do Senhor ressuscitado e vivo, sem o qual não se dá nem a fé nem a Igreja.

Viver e compreender este mistério diário de inspiração é a melhor premissa para compreender a inspiração da Bíblia com todas as suas consequências." (Caro leitor, conhece a tese protestante da inspiração presente daquele que está interpretando a Bíblia?...)

E com esta conclusão fica todo o capítulo resumido:

"Concluindo - O NT pronuncia-se formalmente sobre a inspiração divina das Sagradas Escrituras, isto é, sobre a origem divina não só do conteúdo dos livros da Bíblia, a Revelação de Deus, mas também do instrumento privilegiado que a conserva e a transmite. O próprio Deus está na origem dos livros sagrados, porque o seu Espírito infundiu neles. Este fato pertence ao ditado bíblico, especialmente neotestamentário, independentemente do como possa e deva ser compreendido (sobre a natureza da inspiração bíblica ver cap. 10). De outro lado, ele não deve ser separado da multiforme acção e moção do Espírito de Deus na história da salvação e na sua proclamação profética: "A inspiração escriturística nada tem a temer se for colocada no conjunto da inspiração bíblica da qual é uma parte, depois das inspirações pastoral e oratória. Mais ainda, só pode ganhar pelo realismo que a completa. Antes de ser escrita, a mensagem foi vivida e falada: esta experiência vital e esta palavra concreta ainda vibram no texto escrito, no qual são apresentadas como um maravilhoso condensado querido por Deus. Mas elas o precedem, o acompanham, o seguem, o superam e o comentam. Toda esta riqueza vem sempre do mesmo Espírito ... Vista nesta luz, a inspiração escriturística deixa de ser o carisma de uma pessoa particular que trabalha no absoluto e confia o papel "verdades" sugeridas a seu ouvido. Ela é, pelo contrário, o último tempo de uma longa acção do Espírito que, depois de ter preparado um plano divino-humano no qual a vida do Filho constitui o vértice, e depois de ter feito ouvir por todos os modos a voz do Pai até os últimos apelos do Herdeiro (Hb 1,1) confia tudo isto aos livros sagrados, destinados a alcançar todos os homens de todos os lugares".

Certamente que este tipo de texto baralhista, ocultista, dificulta a alguns leitores contemplarem o horror destes textos em oposição àqueles outros do Magistério da Santa Igreja Católica. Tomando ainda por referência os bons textos da Igreja, os dois iniciais, vamos agora ouvir Bento XVI no referido livro:

"A implicação (...) que encontramos no relato de Mateus (27:25), fala-nos de "todo o povo" e atribui-lhe o clamor pedindo a crucifixão de Jesus."

Segundo o Papa o "todo o povo" não tem como autor o Espírito Santo, e colocando-se nas teses da teologia protestantizada (já mostrada) e indo contra a teologia católica expressa tão claramente pelo magistério Papal anterior. Segundo Bento XVI, este "todo o povo" não pode querer dizer "todo o povo" e atribui tal falha não a Deus (claro que não), mas ao Apóstolo Mateus. Logo, rejeita a doutrina católica da Inspiração das Escrituras. Por outro lado, não há um único caso na história da Igreja onde um Papa, Padres da Igreja, Apóstolo, Doutor da Igreja, tenha interpretado como Bento XVI, e todos estes têm interpretado segundo o que Bento XVI tenta contrariar.

14/03/12

O NATURALISMO (2)

(continuação)
"Além de que, as leis da natureza, única existência que reconheceis, e declarais imutáveis, são tão simples, claras e compreensíveis? Como as definis) Em que consistem? Acaso as entendeis? Quanto principiam e quando acabem? Onde está a causa íntima e razão de suas funções? Que regra seguides, quando saís de objectos puramente materiais? Se admitis a inteligência, dizei-nos o que ela é? Acaso a calculais, matemáticos? Já a pesastes, físicos? Dissecaste-la, fisiologistas? Como distinguis a alma da animalidade? Que é a vida? E o instinto? E o sentimento? E o pensamento? Questões que não podem ser resolvidas com o aprumo das afirmativas e subtilezas das distinções.

No que respeita à essência de Deus, figura-se-nos grandíssima temeridade marcar-lhe leis, e eternos limites; declarar todas a ordem, acto e fenómeno, está fora da vontade e poder dos soberano ser; que ele não pode querer nem obrar diversamente daquilo que nos entendemos; que as leis gerais lhe bastam, e que ele não tem direito nem poder de entrar ao alcance de nossa vista, na ordem do miraculoso e sobrenatural.

É certo que ele é o ente necessário e imutável; mas esta imudável necessidade está em sua substância e atributos, e não no exercício de seu poder; por quanto, se fosse variável em sua essência, seria imperfeito; se necessitado em suas obras, seria limitado em poder. Deus, por si mesmo independente, não pode se limitado nem depsendente em seus actos. É imudável; mas pode modificar suas obras, objectos estranhos à sua ciência. 

Ele que, no seio da eternidade criou o mundo, sem dúvida o mais espantoso dos prodígios, a mais maravilhosa mutação [mudança], como é possível que depois, regendo o mundo, se haja limitado a uma só ordem imudável e natural, e se faça escravo das regras que impôs e leis que fez? 

Estranha pretensão, quando o sobrenatural é necessário para explicar tantas coisas, quando o mais racional e verosímil nos está afirmando que o sobrenatural faz parte do plano divino! Quando o incompreensível, o invisível, o maravilhoso nos cercam por toda a parte! Quando, perante a razão e consciência, são tantos os factos que não podem naturalmente entender-se! Quando o presente, passado e o futuro são enigmas e abismos, sem o sobrenatural! Quando a criação é impossível, se o rejeitam! Quando a imortalidade é gravemente predicada se o repelem!

Efectivamente, a vida futura está em grave risco de nada ser para os doutrinários do naturalismo, sem excepção daquele que se honram de espreitar os grandes princípios da lei moral. Em verdade, Deus é o fim do homem; notem porem, que é o fim sobrenatural. O homem, que nasce e vive este mundo, aqui deve cumprir naturalmente seu fim, material e inteligente, preenchendo com o duplo meio de razão e corpo. Que haverá para além da vida? Se falhais de recompensas futuras, que sabeis vós disso? Como podereis entender o invisível, o incompreensível e insondável por ilações que tirais do que vedes, sentis e compreendais? Quantas leis declarais imutáveis [o mesmo que “immudáveis”], o incompreensível e insondável por ilações que tirais do que vedes, sentis e compreendeis? Quantas leis declarais imutáveis e necessárias, para este mundo foram feitas. Transportai-as a outra parte: como serão elas aí aplicadas? Segundo vós, deste mundo nada sai. No mundo de ver um grande número dos vossos, o instinto religioso não passa de uma faculdade natural do homem. Convencei-vos de que os futuros prémios nada tem comum com as leis da terra. Da vida além não há naturalismo: reina o sobrenatural."

(AQUI, a continuação)

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