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10/12/13

"SOBRE A TOLERÂNCIA"

 LIÇÃO XX
SOBRE A TOLERÂNCIA

 A Virtude da tolerância não é virtude por si mesma, mas parte da paciência, com a qual sofrem os vassalos os trabalhos que lhes motivam seus Príncipes, os súbditos os que lhes ocasionam seus superiores, os filhos os que lhes fazem seus pais, e finalmente os criados os que lhes granjeiam seus amos. O conselho é do famoso António Peres, que com os Príncipes se hão-de haver os inferiores em suas queixas, como os galões de pouco merecimento com damas grandes, de quem receberam alguma sem razão, que em só ver-lhe a cara dão sua queixa e lhes fazem o cargo só agravo; que com Reis não há que porfiar, senão sofrer, calar e retirar-se; porque é gente que se não vence senão fugindo, e deixando à natureza o juízo e satisfação, e a poucos a fortuna, que por tirana, e desconcertada, que é também a poucos, é verdugo da natureza, que em fim serva sua é. Não sofre ninguém por mais bem a cavalo, ou por mais alto, que se ache; porque com mais força tropeça, e caio mais forte, que o mais fraco. O concelho é de Séneca, que todo o homem sábio deve fugir à ira do mais poderoso, e procurar por todos os meios evitá-la: Sapiens numquam iram potentioris provocavit, imo declinavit. Louco é o que com o superior contende; porque aonde é seguro ser vencido, é loucura entrar na contenda; de que nos aconselham fugir os seguintes versos:

Contra maiorem nemo praesuinat honorem,
Nulli cum superis homini contendere fas est.
Pro jure hanc litem nemo probare velet.

Não menos excelente é o conselho de Epíteto, que dando regras para se tratarem os grandes, diz que quando falares a algum grande, imagina, que não o acharás em casa, ou que estará encerrado, ou que as portas não estarão abertas para ti, ou que te desprezará; e se cuidando tu isto, achares, que te importa que vás, convém, que também tenhas tolerância para tudo o que te poderá suceder, que não murmures em ti mesmo, e enfim, que não digas: Este homem se faz muito grande Senhor. Tal discurso pertence ao Povo, e não a ti, a quem não toca o por-lhe leis a teu modo, senão seguir as que eles te puserem; se os hás mister, busca-os, e se os não necessitas, venera-os, e respeita-os: para maior harmonia pôs Deus a desigualdade em todas as coisas, e não desaproves as obras de Deus. Se o grande for mau, reverencia-o como maior que a ti, a quem não pertenceu o julgá-lo, mas rogar a Deus por sua emenda, e tolera-o voluntario, para que assim te seja mais suave a dor, que te causa o seu desabrimento, ou a sua soberba; seguindo o conselho, que nos dois versos seguintes dá um poeta:

Ferre decet patientier onus, quod ferre necessum,
Qui jacet invitus, durius ille jacet.

Usa dos grandes, como usas do fogo; o fogo, que está muito distante, não aquenta; o que muito perto, queima; e o que está em proporção, sobre não queimar, aquenta. não te chegues tanto aos grandes, que te abrasem, que são como o Sol, que não permite vizinhanças; nem te afastes tanto, que te não possas valer do seu amparo, que são como a árvore, que não abriga os que se afastam do copado de seus ramos. Procura que estejam de ti a distância possível, ou pelo menos, que se te não avizinhem muito; foge de suas inimizades, trata de os ter benévolos, mas não amigos, que sua conversação não é companhia, para em servidão, quando não é inimizade conhecida. As figuras de estatura maior se hão-de alargar da vista, porque delas se goza melhor em do que na distância.

Não te deves confiar muito em nos que reconheceres grandes, e superiores, porque não é segura a protecção, e amparo, pois sempre querem ser servidos, e adorados, como superiores, e para servirem sempre têm embaraços, como escreve Francisco de Sá de Miranda na sua Egloga dos Pastores, n 36.37.38.39 e 40:

Andei daquém para além,
Terras vi, e vi lugares,
Tudo seus avessos tem,
O que não experimentares,
Não cuides que o sabes bem.
E às vezes quando cuidamos,
Que alguma coisa entendemos,
A cabra cega jogamos:
Achei-vos cá fortes amos,
Querem que os adoremos.

Para as coisas que acontecem,
Quando os bufais, ora o sono,
Ora achaques mil te empecem,
Ao tosquiar achas dono,
Nas pressas não te conhecem:
Tudo lhes o demo deu,
Têm razões más que nos dão,
Quando te hão mister, es seu,
Quando os hás mister, és teu,
Que não tem amos então.

Essa vez que saiém à rua
Estremece toda aldeia,
Eles bebem, e homem sua;
Dói-lhes pouco a dor alheia,
Querem que nos doa a sua,
Inda que o dano é me grosso,
Pudera-o dissimular,
Isto parceiro, não posso,
O entendimento que é nosso,
Não no-lo querem deixar.

Pelo qual com meu fardel
Fugi das vossas aldeias,
Não trago nos beiços mel,
Que não sou eresta colmeias,
Nem posso ser ministrel:
A saudade não se esrece,
Mas caiu-me um coração
Em sorte, que muito empece,
Que outro Senhor não conhece,
Salvo justiça, e razão.

Então queixo-me a ti logo,
Que em casos que aconteceram,
Vi-me por eles no fogo,
Bradei, e não me valeram
Brados, queixumes, nem rogos;
Assim me saí, mui quêdo,
E quêdo, e fará um dia
O que outro não fez, e hei medo
De ver mór vingança cedo
Do que já agora queria.

Porém faz sempre muito para tê-los favoráveis, porque senão servem de ordinário para amigos, para inimigos são muito poderosos; e assim procura por todas as vias merecer-lhe o agrado, em quanto senão atravessar entre eles, e tia tua consciência; porque não deves temer perder aos homens por mais poderosos que sejam, quando conservares amizade com Deus, como verdadeira, e piamente cantou certo poeta:

Si placeas Christo, facilis jactura potentum est,
Latius imperium Caesare Christus habet.
Nam, si placeas mundo, facilis jactura salutis,
Quem diligit mundus, displicet ille Deo.


Porque Deus tomará à sua conta a tua defesa, pois nunca desamparou os justos perseguidos; e por isso cantou certo poeta na forma seguinte:

Vide egojactos varios discrimine justos,
Et vidi nullum deseruisse Deum.


Muita paciência é necessária para tolerar poderosos, cujos rogos são mandados, como sentiu Ausónio, quando escreveu:

Scribere me Augustus jubet, et mea carmina poscit,
Pene rogans blando vix latet imperium.


Porque quando pedem, é já quase coma espada nua, como canta outro poeta:

Est rogare Ducum species violenta jubendi.
Et quasi nudato supplicat ense potens.


Sendo a razão para se fazer, e obrar o que pedem, de ordinário nenhuma outra mais, que a sua vontade, como chorou outro poeta:

Sic volo, sic jubeo, sit pro ratione voluntas,
Natura sequitur semina quisque suae.
--------------- Pro lege voluntas
Principis esse jolet, quidquid decreverit ille,
Est ratum, mos est, et legis habere vigorem.


E a razão deste desconcerto está, porque a prudência, e poder raras vezes vivem juntas, como disse Carlos Scribanos: Nisi quis credat potentiam, et prudentiam justim stabulare non posunt. E daqui procede, que são mais prontos para o mal, que poderosos para o bem, como escreveu Ovídio, aconselhando, que se fuja deles:

Vive tibi, quantumque potes praelustria vita,
Saevum praelustri fulmen ab arce venit.
Nam quamquam soli possunt prodesse potentes,
Non prosunt, potius plurium obesse solet.


E o mesmo cantou outro, com não menos elegância:

Vive, et amicitias Regum fuge; pouca monebras,
Maximus hic scopulus, non tamen unus erat:
Vive, et amicitias nimio splendore nitentes,
Et quid quid colitur, perspicuum fugitio.
Ingentes Dominos, et famae nomina clarae,
Illustrique graves nobilitate domos,
De vita, ex alto magna ruina venit.


O remédio deste dano consiste em afastar de poderosos com tão proporcionada distãncia, que nem se viva com eles, nem sem eles; porque ainda quando eles franqeiam a entrada, e abrem as portas a toda a hora, sempre é perigosa a sua familiaridade, como escreveu num elegante epigrama Thomaz Moro, e depois o experimentou o mesmo:

Saepe mihi jactas faciles te ad Principis aures
Liberi, et arbitrio ludere sape tuo.
Sic inter domitos sine noxe saepe leones
Luditur, atnoxae non sine saepe metu.
Infremit in certa crebra indignatio causa,
Et subito mors est, qui modo ludus erat:
Tuta tibi non est, ut sit secura voluptas:
Magna tibi est, mihi sit, dummodo certa, minor.


Bem poderão estes poderosos do mundo, que tudo querem governar ao seu arbítrio, viver lembrados da morte, e acabar de entender, que hão-de os seus corpos ser sustento de imundos bichos, para fugirem às vaidades do mundo, e cuidarem só em contentar a Deus, como lhe aconselha certo poeta:

Vive memor mortis, pascendis vermibus esca,
Vana fuge, et soli quaere placere Deo.


Bem poderão também advertir, que por mais poderosos que sejam em quanto vivem, poderosos, e não poderosos, no fim da vida, todos são iguais, como fazendo semelhança do jogo do xadrez, os admoesta Sebastião Covas Rubias (centúria I Emblema 23).

ElRey, la Dama, Arsil, Roque, Cavallo,
Cada qual destos tiene en el tablero
Su casa, su poder, e en el mudallo
Se guarda orden, y concierto entero.
Al fin del juego, por mi cuenta hallo,
Que en el facto el Peon entra primero,
Y al rematar los biens, y los males
De aquesta vida, todos son iguales.


Mas se eles esquecidos de si, pedem o que não devem, faz tu o que deves, sem receio de que te possam fazer mal, ainda que o queiram fazer, segundo o que te aconselha certo poeta:

Tu, quod jura petunt, facies pietatis amore,
Nec metuas quemquam, quisquis obesse velit.

Pondo toda a tua esperança em Deus, porque este é o único bem do homem, como escreve Santo Agostinho (lib. 10 de Civitate Dei cap. 4 ibi: "Bonum nostrum, de quo inter Philosophos magna contentio est, nullum esse aliud, quam illi cobaerere, cujus anima intellectialis in corporeo, si dici potest, amplexu, veris impletur, faecundaturque virtutibus".) E o disse também certo poeta do nosso século:

Discite virtutem juvenes; não solabeatos
Nosfacit, et dirae non timet armanecis.
Fortunaeminas, aut saevi spicula fati,
Quaeque facit tremula cura senecta manu.
Imbibe virtutes, et inania gaudia vera boni:
Nec quemquam placidis adeo complectitur ulnis
Sors, ut non aliqua parte molesta premat.


(Cap. XX da Escola Moral, Política, Christã, e Jurídica, Diogo Guerreiro, LISBOA M.DCC.LIX)

11/02/13

DA OBEDIÊNCIA (IV)

(continuação da III parte)



 


LIÇÃO XIV
Da Obediência

Não só aos pais se deve obedecer mas aos mestres, aos velhos, tal como cantou Wem nos seguintes versos:

Ne saeva canos Juvenis convitia fundens,
Sed subito assurges, te reverent, senem.

Especialmente deve-se obedecer aos supremos Pontífices, ao soberano Rei com grande resignação da própria vontade em suas mãos, e de seus ministros segundo a superioridade de cada um, de maneira que, aplicando a obediência aos espiritual, os fregueses obedeçam aos Párocos, aos Bispos, e seus ministros; os Bispos ao Núncio, e o Núncio ao Pontífice: e aplicando-a ao Político, os moradores obedeçam aos Juízes, os Juízes aos Corregedores, e Ouvidores, os Corregedores aos Desembargadores, e os Desembargadores ao Rei: e aplicando-a à milícia os soldados obedeçam aos Cabos e estes aos Sargentos, os Sargentos aos Capitães, os Capitães aos Mestres de Campo, os Mestres de Campo aos Governadores, os Governadores aos Generais, e os Generais ao Rei: e aplicando-o ao estado Religioso, os Frades obedeçam a seus Prelados, e estes aos seus Provinciais ou Gerais, os Gerais ao Papa, e com a pontualidade desta obediência florecerá a Religião, crescerá o Reino, viverão todos em paz e unidos pela obediência, serão invencíveis tanto no temporal como no espiritual.

A obediência deve ser cega (Ex I Regnum cap. 3 e ibi Mendonç. n. 1 e 5), e por isso tem ouvidos mas não tem olhos, porque o verdadeiro obediente suporta que ouça as vozes de quem o manda, não deve especular a razão porque manda (Ex cap. 4 Regum lib I e ibi Mendonç. lib. I cap 14), e por este princípio, João Clímaco na escada do paraíso, grau 4, chama á obediência Inexaminado e indiscutído movimento; por quanto se profere para se executar e não para se examinar, à qual se deve sujeitar não só à vontade mas ainda o entendimento, dando-se mais crédito às palavras de quem manda do que à própria experiência, como fez Samuel chamado pelo Sacerdote Eli, como se lê no lib. I dos Reis cap. 3 n. 5 e o ensina S. Gregório nos comentos que sobre ele fez: do que se segue que os súbditos devem obedecer e executar tudo o que lhes mandam seus superiores, sem examinar se é justo ou não o que lhes mandam, por que não são juízes da justiça com que mandam mas executores do que se lhes ordena, e a estes não pertence o conhecimento mas sim a execução: e este a deve fazer com toda a celeridade, porque o verdadeiro obediente corta ainda pelos vagares necessários; Ex Theodoreto, e Mendonç. citado, e faz com os olhos o que não pode com os pés, e à primeira voz acorda, e ainda dormindo deve ouvir a voz de quem o manda, e se deve aplicar à obra posto que contrária à natureza: (Ex Divo Basilio in constit. Monasticis cap. 23) porque toda a tardança na obediência é perigosa, como considera Mendonç. cap. 3 n. 5, e o experimentou bem à sua custa a esposa dos Cantares, porque, batendo-lhe à porta o Esposo lhe respondeu que se tinha despojado da sua túnica, e que tinha lavado os pés, o que visto pelo esposo se foi, e quando a esposa lhe quiz obedecer o não achou e lhe foi forçoso buscá-lo pelas ruas da cidade e, encontrando-o, as guardas a feriram e maltrataram toda: Canticorum 5 n. 3 ibi. Theodoreto. Morto estava Lazaro de quatro dias, e chamado pelo Senhor, diz o texto sagrado, que acudira logo de sepultura atado de pés e mãos Joannes cap. II n. 44 e reparando S. Crisostomo porque não saira logo Lazaro solto, respondeu que, não saiu solto para que mais prontamente obedecesse à voz do Senhor, e não tardasse aquela demora que lhe era necessária para se desatar.

A obediência não só há de ser pronta nas coisas pequenas e fáceis como também nas árduas e difíceis, e quanto maior for a dificuldade tanto maior será o merecimento. Mendonç. no cap. 3 n. 10 sect. 12 e 5 onde larga, e doutamente mostra que a obediência, se é ilustre nas coisas fáceis, é ilustríssima nas difíceis; e muito mais floresce quando se obedece a um superior injusto e despreocupado, a quem sem murmuração ou calúnia se deve obedecer como a Deus, porque a obediência que se tem ao homem por respeito a Deus merece o mesmo que a obediência que imediatamente se tem a Deus. Não deve o verdadeiro obediente fazer reparo a que o superior seja humilde ou nobre, áspero ou brando, moço ou velho, incipiente ou prático, justo ou injusto, mas a olhos cerrados deve obedecer a tudo o que lhe manda quando manifestamente não vá contra a lei de Deus; porque só quando é manifesto o pecado não só não está obrigado a obedecer mas de nenhum modo o deve fazer: Ex cap. Non semper II quaest. 13. Mas quando está na dúvida se é ou não pecado, ainda neste caso deve obedecer por autoridade do superior que manda que execute esta dúvida: Mendonç. in I Regum cap. 3 anotatione 2 sess. I.

10/11/12

A DESOBEDIÊNCIA DA MODA, deve TERMINAR

Por conversas que se vão tendo, reparo que devo alertar para a obediência à legítima hierarquia; pois temo que esteja a haver actitudes de cisma-material (não formal), por parte de certas pessoas, não por um grupo ou entidade. Este problema, por sua vez, assenta em erros interpretativos a respeito do estado de necessidade na Igreja (parece-me evidente).

É talvez moda recente, e crescente, achar que não se deve obediência alguma à legítima hierarquia da Santa Igreja. Mas esta posição parece agora ter aparecido entre alguns daqueles que se dizem "tradicionalistas", erro que de outra forma menor já reside entre o "sedevacantismo militante", e reside noutra versão entre os modernistas progressistas.

Dizem aqueles poucos tradicionalistas (e longe de ser dito por todos os tradicionalistas) que a incentivada rejeição à autoridade se deve aplicar por causa dos erros doutrinais difundidos entre os membros da hierarquia católica. Dizem ainda não serem sedevacantistas e ter a Bento XVI por legítimo Papa, tal como  à hierarquia católica em geral.

Eu, muito preocupado com estas ressurgidas modas, recordo-lhes que devemos obediência aos legítimos superiores da hierarquia católica, e que tal é regra indispensável. Há excepções à regra? Sim, caso não contássemos a Cristo como o topo da hierarquia da Igreja: desobedecer a um superior legítimo deve acontecer APENAS para não cair em desobediência a Deus.

"Hierarquia", no caso que observamos, implica uma "arrumação" em graus e dependências. Não há poder organizado hierarquicamente sem tal ordenamento de obediências, dependências, mando e sujeição. Logo, daqui se infere que, no caso de uma ordem dada por um superior, ordem que diminua ou vá contra a ordem dada por um superior ainda maior, se proceda hierarquicamente obedecendo ao maior. O maior de todos é o próprio Deus, é inquestionável!

Dentro da legítima hierarquia católica, quem obedece ao maior quando a ordem do menor lhe é contrária, não é realmente desobediente, é realmente obediente.

Em suma:
1 - Obedecer sempre aos legítimos superiores;
2 - Obedecer pela sequência certa (por isso o nome de "hierarquia" - colocar o superior dos superiores mais alto que o simples superior);
3 - Deus é o superior dos superiores, o único a quem se deve obediência absoluta.
4 - Só em caso de uma ordem dada por um menor em contradição com um maior, devemos resolver-nos pela do maior.

Ora, aquela dita moda que repugno diz que a hierarquia presente é legítima (portanto, "legítimos superiores"), contudo NEGA em TUDO obedecer, alegando o "estado de necessidade"! Com a boca dizem "são nossos legítimos superiores", mas na pratica negam-se em todas as coisas a obedecer-lhes como se tal hierarquia tivesse sido destituída ou, pelo menos, suspensa. Acontece que, assim procedendo, faltam contra o que Deus lhes ordena pelo mandamento "honrar pai e mãe e legítimos superiores", e cometem então pecado mortal.

Em caso de meu pai perder a Fé, eu continuarei a dever-lhe obediência por amor a Deus. Apenas quando meu pai me ordena algo contra o que é da Fé, da moral, ou dos bons-costumes, deverei ignorar tal ordem por obediência a Deus que nos mandou ou ensinou outra coisa. Esse ordem má dada por meu pai não invalida a obediência que sempre lhe devo, invalida sim aquela tal ordem, ou ensinamento, mas não TODAS e quaisquer ordens ou ensinamentos presentes e/ou futuros.

Como proceder perante a legítima hierarquia católica? Simples:

A - A regra é a da obediência (Deus assim o quer);
B - Apenas quando um superior dá uma ordem (ou ensinamento) contrária/o a/ao de Deus, ou nos sujeita a algo que diminui ou vai contra o que Deus manda eensina, devemos não a receber como sendo da Igreja e nos teremos de mantermos no que Deus quis, por obediência hierárquica ao mais alto da hierarquia(o próprio Deus).

Há ainda quem não saiba se a hierarquia católica é ou não legítima. Se a hierarquia católica sempre foi legítima, e se em algum momento se desconfia que o não seja, a desconfiança não justificaria que tomemos partido de afastamento total como se ela não fosse mais legítima. A desconfiança não é razão para precipitar num mal ainda maior... tal seria uma loucura.

Espero que este artigo tenha ajudado algumas pessoas.

30/05/12

OBRIGATÓRIO PARA ESTES TEMPOS

Neste momento é fundamental que os católicos tenham claros certos pontos do Catolicismo:

- DOUTRINA: tudo o que entre os católicos não esteja em conformidade com a Doutrina, a moral e os bons-costumes (católicos), não é realmente católico (não é da Igreja Católica, nomeadamente os pecados privados de cada um que são eles mesmos condenados por Ela e contra as Virtudes que ela ensina como remédio).

- HIERARQUIA CATÓLICA: Se algum membro da católica hierarquia, afirmar algo que diminua ou contrarie a Doutrina da Igreja, ou a moral, ou os bons-costumes, independentemente da intenção que tal membro tenha, com isso não faz vincular realmente tais acções ou afirmações como coisa da Igreja. Tais afirmações ou acções, ou até mando, só sairiam da responsabilidade meramente individual.

- JUSTIÇA: Se em algum ponto de algum Direito Canónico não estiver totalmente conformado à Doutrina, moral, e bons-costumes católicos, tal ponto, na realidade, teria valor nulo na Santa Igreja. Pois o Direito Canónico surge da necessidade de ordenar e possibilitar no campo da justiça os ensinamentos Divinos que são eles mesmos a Vontade revelada por Deus.

- PASTORAL: A pastoral legítima é uma humilde serva da Doutrina (não pode ser de outro modo), e nasce do esforço prático de encaminhar as almas aos mesmos Divinos ensinamentos para a santificação e a salvação da alma. O PASTOR guia as ovelhas (daqui vem o nome de "pastoral"). Se, em algum ponto uma Pastoral diminuir, obscurecer, contrariar a Doutrina ou a Moral e os bons-costumes católicos é uma má pastoral que pouco ou nada pode ser chamada de Católica.

- RITO ROMANO: Por Tradição este é o coração do Rito Católico, referência pela qual se examinaram todos os restantes Ritos católicos. Ele provêm da Tradição unicamente, a do Apóstolo S. Pedro, e todo o seu desenvolvimento tem como única finalidade a força de afirmar o edifício que é o próprio Rito e o que ele contêm.

- MISSAL ROMANO: O Missal Romano (não confundir com Rito Romano), é a codificação do Rito Romano (da Missa). Para segurança da Fé, teve de ser codificado infalivelmente (assim o declara o Concílio Ecuménico de Trento) por autoridade de S. Pio V. Está protegido por Bula sobe pena de excomunhão (visto que a Missa é assunto muito especialmente inseparável da Fé, - Doutrina -). Por identificação, hoje é conhecido como Missal de S. Pio V, ou seja, o único Missal Romano propriamente dito. É importante saber que ele não resultou de uma construção de gabinete, pois é uma codificação (uma fotografia) ritual legada pela Tradição. Já o Missal de Paulo VI é uma composição baseada ora no Rito Romano ora no rito luterano de forma a eliminar os elementos que no Rito Romano choquem a doutrina protestante, (o Cardeal Ratzinger dele disse que é um "missal fabricado" - o responsável pela elaboração de tal missal foi Monsenhor Annibale Bugnini que explicou ser esta uma tentativa de aproximação ao protestantismo). Ao contrário do que se espalhou, o missal de Paulo VI é um projecto que não vêm do Concílio Vaticano II, mas foi rejeitado pelo próprio Concílio.

- MISSAL DE PAULO VI: Doutrinalmente, todos aqueles elementos que ao longo de séculos afirmaram a Fé e eram contrários à heresia protestante, foram retirados ou diluídos nesta composição e, em alguns casos, foram até introduzidos elementos que reforçam as heresias protestantes contrárias à Doutrina contida na Santa Missa. A igreja luterana emitiu um comunicado que dizia que essa composição era compactível com o Luteranismo.

- CONCÍLIO VATICANO II: É um caso ambíguo por três motivos fundamentais: 1) Há teses não refutadas, e ignoradas, que apontam no sentido de uma quebra de legitimidade no decurso do mesmo Concílio. 2) Caso o Concílio tivesse sido realmente legítimo até à sua conclusão, há ainda a questão de não ter havido outro na Igreja que tivesse reunido com todo o vigor apenas para se pronunciar a nível pastoral (não confundir os títulos, como o de "Constituição Dogmática", com pronunciamento dogmático). Paulo VI e o Cardeal Ratzinger tinham-se pronunciado a respeito disto explicando que afinal tal Concílio se quis apenas pronunciar num nível mais modesto (pastoral). 3) Há ainda quem julgue que o Concílio se pronunciou infalivelmente e, por isso, o tome com valor de lei, de tal forma que a Doutrina de sempre deveria submeter-se-lhe. Toda a Doutrina, portanto, teria de ser interpretada à luz do Concílio Vaticano II. Nesta linha, há ainda (cada vez menos) quem  ache que não só a Doutrina de sempre teria de ser interpretada à luz deste Concílio como ele mesmo teria de ser interpretado à luz de um "espírito do Concílio". O Novo Catecismo, por sua vez, em vez de corrigir estes problemas, acentua-os e parte do próprio problemático Concílio na tentativa de reformular uma parte significativa da Doutrina de sempre magistralmente codificada no Catecismo de Trento (ele sim obrigatório e não dispensável - há várias adaptações fundadas no Catecismo, uma das mais famosas é o Catecismo de S. Pio X pela formulação didáctica).

- PAPA: O Papa pode gozar de infalibilidade em certas ocasiões e dentro de certas condições rigorosamente estabelecidas infalivelmente (Dogma da Infalibilidade Papal) no Concílio Vaticano I. O Papa está obrigado a guardar a Doutrina de sempre e a não aceitar novidades doutrinais (explico: a desviar, diminuir, obscurecer, inventar, introduzir etc...). A Santa Igreja, pela boca autorizada de Doutores da Igreja, e santos (e aprovando-lhes as seguintes conclusões), tem como certo que: se um Papa ou Bispo ensinar ou mandar fazer algo contrário à Doutrina (e a moral e bons-costumes)  católicos) - independentemente da intenção pessoal - devem ser desobedecidos nesse ensinamento ou mando pontual porque o católico está obrigado à obediência absoluta a Deus que expressa a sua Vontade na Doutrina (etc..). O novo argumento que tem corrido hoje é de que o Espírito Santo não abandonaria a sua Igreja permitindo a confusão na hierarquia... contudo, como já se deve ter entendido neste parágrafo, a Vontade de Deus expressa-se inequivocamente na Santa Doutrina de sempre a qual todos os católicos estão obrigados (sejam eles da hierarquia ou não). Esta condição é,  portanto, regra obrigatória e referência máxima pela qual os grandes santos foram pautados e por isso canonizados. Esta condição é a mesma que tem de estar satisfeita para num acto (pronunciamento) que se queira fazer como Infalível (por exemplo, na infalibilidade Papal).

- HERESIA: Esta existe unicamente quando há uma afirmação que não esteja em acordo com a Santa Doutrina (que é imutável e infalível). Contudo, tal heresia pode não estar formalizada como tal: seria o exemplo de além ter feito a afirmação de que Deus não é trino sem que as autoridades da Igreja o saiba ou sem que elas se tenham pronunciado a respeito do indivíduo. A heresia passa a ser formal quando o indivíduo, depois de ter afirmado a heresia, a continua a sustentar depois de ter sido confrontado com as explicações da Doutrina por parte de um representante da Autoridade da Igreja. Ninguém, portanto, é dado como herege formalmente (e fica assim claramente rompido o vínculo com a Santa Igreja), por mera ignorância e sem vontade. Hoje a heresia nunca esteve tão propagada, e até estabelecida e todas as suas formas, sem que a Autoridade a afronte (por isso não tem havido "heresia formal" nem oficialmente hereges - na minha opinião é a prova mais frontal de uma Apostasia Geral, curiosamente "silenciosa").

- IGREJA: Deus, pessoalmente, na Pessoa do Filho (Jesus Cristo), fundou uma comunidade (Ecclesia - que traduzimos à nossa língua por Igreja e que significa Comunidade). A Igreja é constituída de: Igreja Militante (aquela que militamos aqui na Terra), Igreja Purgante ou Padecente (purgatório, onde as almas com custo de dor se vão libertando e purificando para alcançarem o Céu), Igreja Triunfante (o que costumamos chamar Céu). Por excelência esta é a Comunidade (letra maiúscula), portanto Igreja, e APENAS depois d'Ela foram inventadas outras igrejas (comunidades) que, ao longo de séculos e milénios, tentam de várias formas reclamar-se como sendo aquela que Deus fundou (ou, segundo algumas, que Deus teria hoje fundado...enfim). Uma das verdades doutrinais transmitidas pela Santa Igreja é de que fora d'Ela não há salvação possível (contando com os casos extraordinários do "baptismo de sangue" e "baptismo de desejo"). A Igreja é imaculada (não tem mancha), santa (dela não provêm qualquer pecado), inerrante (não tem erro)... contudo muitos católicos hoje, por não terem sido já doutrinados na Doutrina de sempre, não sabendo sequer o que é a Igreja (confundem-na) ficam chocados com uma Doutrina que sempre os seus antepassados conheciam, tinham como certa, e transmitiam. É famoso o caso de um degenerado teólogo pós-conciliar, hoje muito repetido, que disse que a Igreja seria santa MAS também pecadora - o que é uma corrupção do significado de "ser santa" que sempre foi transmitido  e abunda em grandes escritos sumamente aprovados ao longo de dois milénios - e por isto quando certos católicos rezam o Credo, chegados à parte do "Creio na Igreja, una, santa...", é como se estivesse a rezar com uma OUTRA crença (porque dão outro significado), ao mesmo tempo que as palavras se mantêm as mesmas (uma das características do modernismo).

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