10/09/17

RESUMO DA ILUMINISTA NOMENCLATURA "ABSOLUTISMO" (I)

Juan Prada
Alguns dias antes da publicação completa do artigo "El Legado de Lutero" troquei rápida informação com o seu autor, Juan Manuel de Prada. Logo depois o artigo foi publicado na íntegra (na página de Facebook o autor tinha perviamente publicado duas metades do artigo, uma após a outra). Portugueses (na melhor das hipóteses, distraídos) que nunca divulgaram bons textos dos nossos grandes nomes do anti-liberalismo e anti-maçonaria (Fr. Fortunato de S. Boaventura, Pe. Agostinho de Macedo, Pe. Alvito de Miranda, etc.) desataram a difundir o malabarístico artigo, o qual tinham também recebido por mail (correspondendo a algum pedido de divulgação?). Portanto, estava a coisa muito organizada, que em dois ou três dias já várias páginas tradicionalistas de língua espanhola estavam com a divulgação feita. Na associação Causa Tradicionalista houve gente bastante empenhada e animada, que por todo o lado fez difusão (como se de água para o maior dos desertos se tratasse)! Mas... para qual tão enorme fim todas estas forças convergiram, e assim tão especialmente?

Com grande artifício e linguagem cativante o artigo esforça-se por ensaiar uma ponte entre o "absolutismo" e o Luteranismo; certamente não serviu para fazer ver o quão mau é o Luteranismo... [se tiver tempo e ânimo, e achar que vale ainda a pena, tentarei fazer uma análise ao artigo em questão, e darei o contexto em que tal obra nasceu], nem para fazer ver a inegável relação do Luteranismo com o Liberalismo. Certamente seria sonha esperar a inegável e abundantemente documentada oposição dos "absolutistas" aos "liberais", e, pelo menos em Portugal a oposição dos "absolutistas" aos liberais, maçons, e heterodoxos.

Que tinha eu falado àquele autor? Apresentei-lhe em caixa de comentários alguns factos históricos portugueses, suficientes para fazer ver que a palavra e conceito "absolutismo" não são historicamente fiáveis etc.. Dei-lhe então boa sugestão que lhe permitisse no caso melhorar o artigo, sem ter que retirar coisa alguma ao texto original. Com um público que com os livros comprados ao autor seguem, Juan Manuel de Prada terá tido motivos redobrados para dar a curta reposta que deu (e não a apresento aqui), e não fazer melhoria ao artigo.

DR. Miguel Ayuso
Ontem revimos um vídeo de um outro espanhol agora mui recrutado (na tentativa de maquiarem a associação Causa Tradicionalista); seu nome: Miguel Ayuso. Especificamente, nos pontos em que o Carlismo discorda da Tradição lusa fiquei com a sensação de que o malabarismo talvez seja um talento espanhol. Com as boas e certas afirmações de Miguel Ayuso há também de outra coisa, portanto. O que diz ser o "absolutismo"? Em suma, responde mais ou menos que é tudo aquilo que os Carlistas consideravam mau, e atribuível na época! [outro assunto que merecerá especial atenção e publicação].

Não pretendemos desagradar a estas duas figuras públicas espanholas (saudações cordeais para ambos). Está em causa a Tradição lusa, nossa, que não depende das linhas intelectualistas nascidas no séc. XIX/XX, em parte com orientação activista, modernista, historicista, etc.. Compete a cada qual defender o que lhe pertence defender, e isso temos feito.

O assunto "absolutismo" não é da responsabilidade daqueles ou de outros autores e palestrantes: é algo muito abrangente, transversal, que se torna bastante simples quando desamarrado dos interesses de grupos, correntes, e movimentos vencedores ou sobreviventes. Aos anos que fazemos a  desmistificação do conceito e palavra "absolutismo", criação primeira dos ciclos Iluministas-liberais-maçónicos. A linha tradicionalista espanhola tem esta palavra/conceito trocados a meio percurso. Ao contrário dos activistas desargumentados quiseram sobre nós difundir, quem nos tem lido sabe que nunca defendemos o "absolutismo", tanto que os próprios autores que recomendámos aceitaram ser chamados "absolutistas", "corcundas", por oposição ao Liberalismo, sendo que davam o "absolutismo" como não existente; nada de novo que em Portugal não tenham dito desde o séc. XIX.

Quando no blog ASCENDENS costumamos dizer coisas que pouco agradam aos espanhóis, é naquilo que toca às interpretações menos correctas relativamente a Portugal. É estranho que na associação Causa Tradicionalista não se procure fazer o mesmo. Mas, estamos a falar de uma OBRIGAÇÃO; não é facultativo aos portugueses que seguem o mandamento de "honrar pai e mãe, e outros legítimos superiores", do qual por extensão se retira o dever pátrio, não defender Portugal quando os dados históricos o possibilitam. Mas, verdade seja dita, são raros os que se encontram preparados nestas matérias, o que desculpa. Por outro lado nós operamos quando temos certeza (caso contrário apresentamos aviso) e estamos seguros em provas (ex: isso mesmo faço no vídeo LIVROS II (parte A), o qual publiquei a 30/08/2017, ao apresentar o segundo livro, e sei que a exposição de provas não agradou aos tradicionalistas espanhóis, aos quais conheço de um modo geral - nem houve motivos para grande agrado).

(a continuar)

2 comentários:

Anónimo disse...

Bom dia a todos. Alguém reparou que o Padre da Fraternidade sacerdotal aproveitou logo para atiçar os reactivos contra o Ascendens? Na pagina do facebook FSSPX-Portugal foi logo publicar um vídeo de Miguel Ayuso a falar do concílio Vat. II. Acho que é claro que a Fraternidade persegue o Ascendens, a não ser que seja apenas coisa deste Padre. Mas nem um nem outro se atreve a explicar o que existe realmente. Porque o Ascendens não abre o jogo? Uma das pessoas cerca do Padre da Fraternidade explicou antes tinham a capela cheia, mas depois de 2009 ela terá começado a ficar menos concorrida, porque as pessoas não se dariam bem e começaram a virar costas. Que sabe a este respeito? Outro assunto é o ataque aos bispos e a polémica da capela da diocese do Porto usada pela Fraternidade sacerdotal. Porque o dono do Ascendens parou bruscamente de comentar na página FSSPX-Portugal no facebook, e todos os seus comentários foram apagados pelo Padre? Porque o Ascendens não costuma fazer publicações a queixar-se dos bispos, nem sobre a Fraternidade, nem sobre os outros padres que vão saindo e se agrupam em torno do bispo inglês? Porque defende apenas a versão da missa antiga, mas não a divulga mais frontalmente? Porque motivo o Ascendens é lido mas não comentado? Porque as pessoas da capela da Fraternidade defendem e e toleram mudanças, mas os argumentos são aparentes? Porque anda escondido, Pedro? Fale.

Cordialmente,
daquele que lhe enviou correspondência hoje.

ASCENDENS ASCENDENS disse...
Este comentário foi removido pelo autor.

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