(continuação da IV parte)
"A ciência deve, portanto, começar com a crítica aos mitos" (Karl Popper)
Ainda que logo hajam retractações e refutações, é facto que na história da Antropologia abundam os exemplos de "hominídeos" inventados criados daquela forma. Basta recordar, por exemplo, o famoso Homem de Nebrasca, "criado" em 1922 com base num molar, que logo depois se descobriu que pertencia a um javali.
Nas ilustrações da época apareciam o senhor e a senhora Homem de Nebrasca, com os seus dois filhos, menino e menina - a família tipo, digamos -; indumentária: tanga, evidentemente; habitação: caverna, pois claro; ela amamentando, etc. Tudo isto com base no molar de javali selvagem americano.
A partir de 1960 e durante vinte anos, o antropólogo David Pilbeam susteve que o Ramapiteco era um "hominídeo", baseado-se num par de dentes e alguns pedacinhos de mandíbula. Em 1984 mudou de conclusão e acredita agora que é são partes de um simples macaco. Contudo, entretanto, aquela "descoberta" ramapitesca valeu a Pilbeam passar de professor de Antropologia da Universidade de Yale à Universidade de Harvard (nem mais nem menos)! Isto, não demonstrando a evolução do Ramapiteco, demonstra a evolução de Pilbeam.
Em 1980, o famoso antropólogo americano Noel Boaz chamou de clavícula de um "hominídeo" ao que logo se viu ser uma costela de golfinho! [Tudo o que é objecto animal não identificado prova a existência de supostos terrestres, em vez de provar a ignorância do explorador a respeito do objecto que tem em mão!]. Segundo este antropólogo, a forma da clavícula sugeria que o ser em questão era de um chimpanzé que caminhava erecto. "Blooperpiteco" teria sido um nome adequado ao seu novo "hominídeo"!...
Em 1984 teve que ser cancelada apressadamente um congresso internacional de antropologia na Espanha, onde iria ser apresentado em sociedade o achado recente Homem de Orce (Andaluzia, Espanha), por ter-se descoberto que o fragmento de crânio encontrado pertencia, na realidade, a um burro. ["Burropiteco" seria um belo nome para a "descoberta"].
Enfim, a lista é longa. É talvez por isto que Sir Solly Zuckerman, uma das máximas autoridades mundiais em anatomia, no seu livro Beyound the Ivory Tower nega o carácter científico de todas estas especulações sobre os fósseis, comparando o estudo dos supostos antepassados fósseis do homem com a percepção extra-sensorial, no sentido de estas actividades estarem ambas fora do rigor da verdade objectiva, e onde qualquer coisa é possível ao crente nas ditas actividades.
(continuação, VI parte)

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