04/04/18
CÔRTES de 1641 - D. João IV - com comentários (I)
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| D. João IV, por herança Rei Legítimo (e assim reconhecido em Côrtes - depois, como tal aclamado pela população) |
FEITO EM CÔRTES
PELOS TRÊS ESTADOS
Dos Reinos de Portugal, da aclamação, restituição, e juramento dos mesmos Reinos, ao muito Alto, e muito poderoso Senhor Rei
Dom João Quarto
deste nome
(1641)
(1641)
Transcrição do original,
acrescida de comentários ASCENDENS
Os Três Estados destes Reinos de Portugal, juntos nestas Côrtes, onde representam os mesmos Reinos (1), e tendo o poder, que neles há, resolveram que, por princípio delas deveriam fazer assento por escrito, assinado por todos, como o direito de ser Rei (2), e Senhor deles, pertencia, e pertence (3), ao muito alto, e muito poderoso Senhor D. João IV deste nome, filho do Sereníssimo Senhor Dom Teodósio Duque de Bragança, e neto da Sereníssima Senhora Dona Catarina, Duquesa do mesmo Estado (3), filha do Infante D. Duarte, e neta do muito alto, e muito poderoso Senhor Rei D. Manuel (4). [Comentário - o texto desta época oferece algumas dificuldades aos leitores hodiernos. Entenda-se que foi assentado que era realmente verdade que D. João IV sempre tinha tido o direito de ser Rei e Senhor, por motivo de sangue. Portanto, não se entenda como querem alguns, que D. João IV tivesse recebido das Côrtes direito algum, mas sim o reconhecimento e constatação, pós apuramento.]
Por quanto, depois que no primeiro dia de Dezembro do ano próximo de 1640 em que primeira vez (5) foi aclamado por Rei nesta cidade de Lisboa, e em todos os seguintes, em todo o mais Reino, e jurado (6), e levantado, nesta mesma cidade, no quinze do mesmo mês. Ajuntando-se depois nestas Côrtes os três Estados, e celebrando-as, solenemente, aos 28 de Janeiro de 1641. [Comentário - a mentalidade liberal, tem insistido em fazer querer que a aclamação fosse uma nomeação, e não uma manifestação pública de se reconhecer súbdito daquele rei. O rei foi jurado, ou seja, foi-lhe feito o juramento de reconhecimento e fidelidade, etc..]
Assentaram, seria conveniente, para maior perpetuidade, e solenindad de sua feliz aclamação, e restituição ao Reino, que sendo agora juntos, tornem, em nome do mesmo Reino, fazer este assento por escrito, em que o reconhecem, e obedecem, por seu legítimo Rei, e Senhor, e lhe restituem o Reino, que era de seu Pai, e Avô, usando nisto, do poder, que o mesmo Reino tem, para assim o fazer, determinar, e declarar de justiça.
E seguindo também a forma, e ordem, que no princípio do mesmo Reino, se guardou, com o Senhor Rei D. Afonso Henriques, primeiro Rei dele. Ao qual tendo já os Povos levantado por Rei no Campo de Ourique, quando venceu a batalha contra os cinco Reis Mouros, e tendo-lhe passado Bula do título de Rei, o Papa Inocêncio II no ano de 1142. Contudo, nas primeiras Côrtes, que logo subsequentemente celebrou, na cidade de Lamego (7), pelo fim do anos de 1143, sendo juntos nelas, os três Estados do Reino, tornaram outra vez, em nome de todo ele, ao aclamar, e levantar (8) por Rei, com assento por escrito, do que nelas se fez, para memória, e perpetuidade de seu título.
E pressupondo por coisa certa em direito, que ao Reino somente compete julgar, e declarar, a legítima sucessão do mesmo Reino, quando sobre ela há dúvida (9), entre os pretensores, por rezão do Rei último possuidor falecer sem descendentes, e eximir-se também de sua sujeição, e domínio, quando o Rei por seu modo de governo, se fez indigno de Reinar (10). Por quanto este poder lhe ficou, quando os Poucos a princípio, transferiram o seu no Rei, para os governar. Nem sobre os que não reconhecem superior, há outro algum a quem possa competir, senão aos mesmos Reinos, como provam largamente os Doutores, que escreveram na matéria, e há muitos exemplos nas Repúblicas do mundo, e particularmente neste Reino, como se deixa ver das Côrtes do Senhor Rei D. Afonso Henriques, e do Senhor Rei D. João I.
Com este pressuposto, os fundamentos, e razões, que o Reino teve, para aclamar por Rei ao Senhor Rei D. João IV e para agora nestas Côrtes, o tornar a aclamar, determinar, e declarar, que o legítimo Senhorio dele lhe pertence, e lhe devia ser restituído, posto que os Reis Católicos de Castela estivessem em posse dele, são os seguintes:
(a continuar)
Com este pressuposto, os fundamentos, e razões, que o Reino teve, para aclamar por Rei ao Senhor Rei D. João IV e para agora nestas Côrtes, o tornar a aclamar, determinar, e declarar, que o legítimo Senhorio dele lhe pertence, e lhe devia ser restituído, posto que os Reis Católicos de Castela estivessem em posse dele, são os seguintes:
(a continuar)
JUSTIÇA Nos Mecanismo Da Justiça, em Portugal - Contributos (II)
(continuação da I parte)
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| Um dos contributos da Inquisição católica para justiça foi a da estruturação e critérios claros e justos, que afastassem a possibilidade de equívocos, ou manipulação. |
3. E quando se houverem de tirar inquirições judiciais sobre casos de morte, ou de aleijão, ou de ferimento de rosto com deformidades dele, ou de furto, que provado mereça pena de morte, os Julgadores das ditas coisas, se nos Lugares, onde se os feitos tratarem, se tirarem as ditas inquirições, as tiraram por si. E não se tirando nos mesmos Lugares, a onde se os feitos tratarem, e havendo-se de passar Cartas para outros Lugares, para neles se tirarem, os Julgadores a que forem dirigidas as tiraram por si. E o mesmo será nos casos civis, de quantidade, ou valia de cem cruzados, ou daí par cima, pedindo-o alguma das partes, ou seu Procurador. E se as partes forem contentes, ou não contrariarem, que as inquirições nos ditos casos civis se tirem por Inquiridores, tirar-se-hão por eles, e serão valiosas, como se fossem tiradas pelos ditos Julgadores. E em cada um dos sobreditos casos, em que os Julgadores perguntarem por si às testemunhas, levarão o salário, que adiante diremos, que levem os Inquiridores.
4. E os Inquisidores não tiraram as inquirições, sobre Jugadas, Rendas, e Direitos Reais, porque havemos por bem, que as tirem os Juízes dos ditos Direitos, ou os Almoxarifes, onde eles dos ditos Direitos conhecerem, nos feitos que perante eles se tratarem, posto que seja sobre pequena quantia, quer os ditos Direitos e tirem para Nós, quer para quem da nossa mão os tiver. Os quais as tiraram por si com os Escrivães dos feitos, e não as cometerão aos Inquiridores. E se as tais inquirições se não houverem de tirar nos Lugares, onde eles forem Juízes, dirigirão as Cartas para os Juízes dos Direitos Reais, ou Almoxarifes, se os houver nos Lugares, onde se hão de tirar as inquirições. E não os havendo, irão para os Juízes de fora, ou ordinários, aos quais mandamos que as tirem por si, sem as cometerem aos Inquiridores, para mais segurança da Justiça das partes. E a mesma maneira se terá nas Cartas de inquirições sobre Direitos Reais, e Jugadas, que se passarem nas Relações das Casas da Suplicação, e do Porto.
5. Por se evitar testemunhos falsos, que na Comarca de entre Douro, e Minha se dão, mandamos que as Cartas, que se passarem para os presos, ou seguros da dita Comarca, cujos feitos vão às Relações por apelação, provarem suas defesas, contra-dictas, ou excepções de ordens, vão dirigidas aos Corregedores, e Juízes de fora, que na primeira instância conheceram dos casos, por terem informação deles, e não para os Juízes dos Concelhos, onde os tais presos, ou seguros são moradores. E querendo eles fazer suas provas em outras partes, que não forem da jurisdição dos tais Corregedores, e Juízes de fora, eles mandaram vir perante si as testemunhas à custa das partes, que a prova quiserem fazer. E eles por si as perguntaram, sem as cometerem a outrem: e assim se declarará nas ditas Cartas.
6. E todos os Inquiridores levarão de cada assentada de testemunhas, seis reis, e de cada dito de testemunha outros sete reis somente.
7. E se fora do Lugar tira alguma inquirição, levará as assentadas, e ditos das testemunhas, e o mais conteúdo no Título "Do que hão de levar os Tabeliões" no parágrafo "E quando algum" que guardará, como ele se contém.
4. E os Inquisidores não tiraram as inquirições, sobre Jugadas, Rendas, e Direitos Reais, porque havemos por bem, que as tirem os Juízes dos ditos Direitos, ou os Almoxarifes, onde eles dos ditos Direitos conhecerem, nos feitos que perante eles se tratarem, posto que seja sobre pequena quantia, quer os ditos Direitos e tirem para Nós, quer para quem da nossa mão os tiver. Os quais as tiraram por si com os Escrivães dos feitos, e não as cometerão aos Inquiridores. E se as tais inquirições se não houverem de tirar nos Lugares, onde eles forem Juízes, dirigirão as Cartas para os Juízes dos Direitos Reais, ou Almoxarifes, se os houver nos Lugares, onde se hão de tirar as inquirições. E não os havendo, irão para os Juízes de fora, ou ordinários, aos quais mandamos que as tirem por si, sem as cometerem aos Inquiridores, para mais segurança da Justiça das partes. E a mesma maneira se terá nas Cartas de inquirições sobre Direitos Reais, e Jugadas, que se passarem nas Relações das Casas da Suplicação, e do Porto.
5. Por se evitar testemunhos falsos, que na Comarca de entre Douro, e Minha se dão, mandamos que as Cartas, que se passarem para os presos, ou seguros da dita Comarca, cujos feitos vão às Relações por apelação, provarem suas defesas, contra-dictas, ou excepções de ordens, vão dirigidas aos Corregedores, e Juízes de fora, que na primeira instância conheceram dos casos, por terem informação deles, e não para os Juízes dos Concelhos, onde os tais presos, ou seguros são moradores. E querendo eles fazer suas provas em outras partes, que não forem da jurisdição dos tais Corregedores, e Juízes de fora, eles mandaram vir perante si as testemunhas à custa das partes, que a prova quiserem fazer. E eles por si as perguntaram, sem as cometerem a outrem: e assim se declarará nas ditas Cartas.
6. E todos os Inquiridores levarão de cada assentada de testemunhas, seis reis, e de cada dito de testemunha outros sete reis somente.
7. E se fora do Lugar tira alguma inquirição, levará as assentadas, e ditos das testemunhas, e o mais conteúdo no Título "Do que hão de levar os Tabeliões" no parágrafo "E quando algum" que guardará, como ele se contém.
31/03/18
IDANHA A NOVA - SÁBADO DE ALELUIA
"É costume no Porto, em dia de S. Nicolau, dar o Abade desta freguesia uma rasa de castanhas. Outro tanto acontece no sábado de Aleluia à noite, na vila de Idanha a Nova, distrito de Castelo Branco. Reúnem-se ali as raparigas em dois ou mais bandos, e munidas de pandeiros [adufos], vão ao adro tocar e cantar a Nossa Senhora do Almurtão, festejando assim a Ressurreição de Cristo; ali voltam à porta do Vigário e à do Cura, a darem-lhes as boas festas, e deles recebem castanhas e passas. " (Almanaque de Lembranças Luso-Brasileiro - séc. XIX)
30/03/18
A SEMANA SANTA - Sto. AFONSO DE LIGÓRIO VII (Sábado Santo)
(ver anterior: Sexta Feira de tarde)
SÁBADO SANTO
Sétima dor de Maria Santíssima
Sepultura de Jesus
Sétima dor de Maria Santíssima
Sepultura de Jesus
Involvit sindome, et posuit eum in monumento - "Amortalhou-o no sudário, e depositou-o no sepulcro" (Marc. 15, 46).
Sumário - Consideremos como a Mãe dolorosa quis acompanhar os discípulos que levaram Jesus morto à sepultura. Depois de o ter acomodado com suas próprias mãos, diz um último adeus ao filho e ao sepulcro, e volta para casa, deixando o coração sepultado com Jesus. Nós também, à imitação de maria, encerremos o nosso coração no santo Tabernáculo, onde reside Jesus, já não morto, mas vivo e verdadeiro como está no céu. Para isso é mister que o nosso coração esteja desapegado de todas as cousas da terra.
I. Quando uma mãe assiste a seu filho que padece e morre, sem dúvida ela sente e sofre todas as penas do filho; mas quando o filho atormentado, já morto, deve ser sepultado e a aflicta mãe deve despedir-se dele, ó Deus! o pensamento de o não tornar a ver é uma dor que excede todas as outras dores. Esta foi a última espada que traspassou o coração aflicto de Maria.
para melhor considerá-la, voltemos ao Calvário e observemos atentamente a aflicta Mãe, que ainda tem abraçado seu Jesus morto e se consome de dor ao beijar-lhe as chagas. Os santos discípulos, temendo que ela expirasse pela veemência da dor, animaram-se a tirar-lhe do regaço o depósito sagrado, para o sepultarem. Com violência respeitosa tiraram-lho dos braços, e embalsamando-o com aromas, envolveram-no em um sudário adrede preparado. - Eis que já o levam à sepultura; já se põe em movimento o cortejo fúnebre. Os discípulos carregam o corpo exânime; inúmeros anjos do céu o acompanham; as santas mulheres o seguem e juntamente com elas vai a Mãe aflictíssima, acompanhando o Filho à sepultura.
Chegados que foram ao lugar destinado, a divina Mãe acomoda nele com suas próprias mãos o corpo sacrossanto; e, oh! com quanta violência se sepultaria ali viva com seu Jesus! Quando depois levantaram a pedra para fechar o sepulcro, afigurava-se-me que os discípulos do Salvador se voltaram para a Virgem com estas palavras: Eis, Senhora, deve-se fechar o sepulcro: tende paciência, vede pela última vez o vosso Filho e despedi-vos dele. - Ah! meu querido Filho (assim deve ter falado então a aflicta Mãe), não te hei então de tornar a ver? Recebe, pois, nesta última vez que te vejo, recebe o último adeus de mim, tua afectuosa Mãe.
II. Finalmente, os discípulos levantam a pedra e encerram no santo sepulcro o corpo de Jesus, aquele grande tesouro, a que não há igual nem na terra nem no céu. Diz São Boaventura, que a divina Mãe, antes de deixar o sepulcro, abençoou aquela sagrada pedra. E assim dando o seu último adeus ao Filho e ao sepulcro, volta para sua casa, mas deixa o seu coração sepultado com Jesus.
Sim, porque Jesus é todo o seu tesouro, e, como disse Jesus: Ubi thesaurus vester est, ibi et cor vestrum erit - "Onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração". E nós onde teremos sepultado o nosso coração? talvez nas criatura? no lodo? E porque não o teremos sepultado com Jesus, o qual bem que subido ao céu, contudo quis ficar, não morto, mas vivo, no Santíssimo Sacramento do altar, precisamente para ter consigo e possuir os nossos corações? Imitemos, pois, Maria; encerremos os nossos corações no santo Tabernáculo, para não mais o tornarmos a tomar. Entretanto, colocando-nos em espírito com a dolorosa Mãe junto ao sepulcro de Jesus, unamos os nosso afectos com os de Maria e digamos com amor:
Ó meu Jesus sepultado! beijo a pedra que Vos encerra. Mas ressuscite convosco na glória, para estar sempre unido convosco no céu, para Vos louvar e amar eternamente. Eu Vo-lo peço pela vossa paixão, e pela dor que sentiu a vossa querida Mãe, quando Vos acompanhou ao sepulcro. (*I 251.)
MEDITAÇÃO PARA A TARDE
Soledade de Maria Santíssima depois da sepultura de Jesus
Posuit me desolatam, total die maerore confectam - "Pôs-me em desolação, afogada em tristeza todo o dia" (Thren. 1, 13).
Sumário - Ah, que noite de dor foi para Maria a que se seguiu à sepultura do seu divino Filho! A desolada Mãe volve os olhos em torno de si, e já não vê o seu Jesus, mas representam-se-lhe diante dos olhos todas as recordações da bela vida e da desapiedada morte do filho. Como se não pudesse crer em seus próprios olhos: Filho, dize-me onde está o teu dilecto?... Minha alma, roga a Santíssima Virgem, que te admita a chorar consigo. Ela chora por amor, e tu, chora pela dor dos teus pecados.
I. Diz São Boaventura que, depois da sepultura de Jesus, as mulheres piedosas velaram a Bemaventurada Virgem com um manto lúgubre, que lhe cobria todo o rosto. Acrescenta São Bernardo, que na volta do sepulcro para a sua casa a pobre Mãe andava tão aflicta e triste, que comovia muitos a chorarem, ainda que involuntariamente: Multos etiam envitos ad lacrimas provocabat. De modo que, por onde passava, todos aqueles que a encontravam, não podia conter as lágrimas. Os santos discípulos e as mulheres que a acompanhavam quase que choravam mais as penas de Maria do que a perda de seu Senhor.
Quando a Virgem passou por diante da Cruz, banhada ainda com o sangue do seu Jesus, foi a primeira a adorá-la. Ó santa Cruz, disse então, eu te beijo e te adoro, já que não és mais madeiro infame, mas trono de amor e altar de misericórdia, consagrado com o sangue do Cordeiro divino, que em ti foi imolado pela salvação do mundo. - Deixa depois a Cruz e volta à casa. Chegada ali, a aflicta Mãe volve os olhos em torno, e não vê o seu Jesus; em vez da presença do querido Filho, apresentam-se-lhe aos olhos todas as recordações da sua bela vida e da sua desapiedada morte.
Recorda-se dos braços dados ao Filho no presépio de Belém, da conversação com ele por trinta anos na casa de Nasareth; recorda-se dos mútuos afectos, dos olhares cheios de amor, das palavras de vida eterna saídas daquelas boca divina. E depois se lhe representa a cena funesta presenciada naquele mesmo dia; veem-lhe à memória os cravos, os espinhos, as carnes dilaceradas do Filho, as chagas profundas, os ossos descarnados, a boca aberta, os olhos escurecidos. E com tão funesta recordação, quem poderá dizer qual tenha sido a dor, a desolação de Maria?
II. Ah, que noite de dor foi para a Bemaventurada Virgem aquela que se seguiu à sepultura do seu divino Filho! Voltando-se a dolorosa Mãe para São João, perguntou-lhe com voz triste: Ah! filho, onde está teu mestre? Depois perguntou à Madalena: Filha, dize-me onde está o teu dilecto? Ó Deus! quem no-lo tirou?... Chora Maria, e todos os que estão com ela choram também. E tu, minha alma, não choras? - Ah! volta-te a Maria, e roga-lhe que te admita consigo a chorar. ela chora por amor, e tu, chora pela dor de teus pecados: Fac tecum lugeam.
Minha aflicta Mãe, não vos quero deixar só a chorar; não, quero acompanhar-vos também com as minhas lágrimas. Eis a graça que hoje vos peço: alcançai-me uma memória contínua, junto com uma terna devoção para com a paixão de Jesus e a vossa; afim de que todos os dias que me restam de vida não me sirvam senão para chorar as vossas dores e as do meu Redentor. Espero que, na hora de minha morte, essas dores me darão confiança e força para não desesperar à vista das ofensas que tenho feito ao meu Senhor. Elas devem impetrar-me o perdão, a perseverança e o paraíso.
E Vós, † "ó meu Senhor Jesus Cristo, que para resgatar o mundo quisestes nascer, receber a circuncisão, ser condenado pelos judeus, traído por judas com um ósculo, acorrentado, levado para o sacrifício como inocente cordeiro, arrastado com tanta ignomínia diante de Anás, Caifás, Pilatos e Herodes, acusado por falsas testemunhas, flagelado, esbofeteado, carregado de opróbrios, coberto de escarros, coroado de espinhos, ferido com uma cana, vendado, despojado de vossos vestidos, pregado e levantado na cruz entre dois ladrões, abeberado de fel e vinagre e traspassado por uma lança; suplico-Vos por vossa santa cruz e morte, livrai-me do inferno e dignai-Vos levar-me para onde levastes o bom ladrão crucificado convosco, ó meu Jesus, que viveis e reinais com os Padre e o Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Assim seja." ¹ (*I 252.)
(¹ Ajuntando-se 5 Padre-nossos, Ave-Marias, Gloria Patri a esta oração, pode-se ganhar uma indulgência de 300 dias uma vez por dia.)
29/03/18
JUSTIÇA Nos Mecanismo Da Justiça, em Portugal - Contributos (I)
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| Juízo Final - Bosch |
Nesta Semana Santa meditamos também em como Nosso Senhor foi julgado de forma tão horrenda; porque foi julgado pelas autoridades, e até segundo a lei, mas com total manipulação que a armadilha e a mentira parecessem santo e autorizado monumento da verdade. Esteve em questão a manipulação dos instrumentos da justiça, portanto, não o mentir directo mas sim o enganar, para que parecesse justiça o grande crime.
Fomos ver na Tradição lusa como os nossos antigos portugueses, portanto, católicos, trataram de garantir que para haver justiça haveria de estar primeiro garantida a justiça nas regras, procedimentos, e instrumentos de "fazer justiça".
Os textos que agora transcrevemos são pequena selecção dos bons exemplos que Portugal dá, e recorda aos hodiernos:
Da II parte, tomo I, das Collecções da Legislação antiga e moderna do Reino de Portugal, e comentamos no final:
Título XCIV
Que não tenham Ofícios públicos os menores de 25 anos, nem homens solteiros
Mandamos que nenhuma pessoa sirva Ofício algum de Justiça, nem da Fazenda, de qualquer qualidade que seja, nem da Governança das Cidades, Vilas, e Lugares de nossos Reinos, que lhe seja dado, nem o possa servir em nom de outrem, posto que tenha licença de Nós para isso, não passando de idade de 25 anos. E fazendo o contrário, perca o Ofício, se for seu, e nunca o mais haja. E não sendo seu, perderá a estimação dele, a metade para quem o acusar, e a outra para os Cativos. E sendo Juízes dos Órfãos, serão de idade de trinta anos, e daí para cima, como fica em seu Regimento.
1. E qualquer pessoa, a que for dado Ofício de julgar, ou de escrever, não sendo casado, será obrigado a se casar dentro de um ano, do dia que lhe for dado, sob pena de perder o dito Ofício. E os que houverem de servir de Provedores de Comarcas, não serão providos sem serem casados. E se depois dos ditos Oficiais serem casados viuvarem, serão obrigados a se tornarem a casar dentro de um ano, do dia em que assim viuvarem, sob a mesma pena: salvo se ao tempo, que houverem os Ofícios, ou ao tempo, em que viuvarem, passarem de quarenta anos: porque em tal caso não serão obrigados a se casar.
1. E qualquer pessoa, a que for dado Ofício de julgar, ou de escrever, não sendo casado, será obrigado a se casar dentro de um ano, do dia que lhe for dado, sob pena de perder o dito Ofício. E os que houverem de servir de Provedores de Comarcas, não serão providos sem serem casados. E se depois dos ditos Oficiais serem casados viuvarem, serão obrigados a se tornarem a casar dentro de um ano, do dia em que assim viuvarem, sob a mesma pena: salvo se ao tempo, que houverem os Ofícios, ou ao tempo, em que viuvarem, passarem de quarenta anos: porque em tal caso não serão obrigados a se casar.
Título XCV
Que os Julgadores temporais não casem com mulheres de sua jurisdição.
Que os Julgadores temporais não casem com mulheres de sua jurisdição.
Por muito inconvenientes, que se seguem, de os Julgadores temporais casarem com mulheres de sua jurisdição, durando o tempo de suas Judicaturas, e ser o sobredito muito contra o serviço de Deus, e nosso, e boa administração da justiça, querendo nisso prover, mandamos que os Corregedores das Comarcas, Provedores, Ouvidores, e os Juízes de Fora das Cidades, Vilas, e Lugares de nossos Reinos, e Senhorios, durando o tempo de seus Ofícios, não casem por palavras de presente sem nossa licença, com mulheres dos Lugares, ou Comarcas, em que forem Julgadores, nem com mulheres, que nas ditas Comarcas estejam com intenção de nelas morar: posto quer delas, ou dos ditos Lugares não sejam naturais. E casando sem nossa licença, por esse mesmo feito fiquem suspensos dos tais Cargos, para Nós deles provermos, como houvermos de bem. E tudo o que nos ditos Cargos fizerem depois do casamento celebrado, seja nenhum, e de nenhum efeito: e pagaram às partes todas as custas, perdas, e danos, que por essa causa receberem. E querendo algum deles casar com alguma das ditas mulheres, haverá para isso primeiro a nossa licença. E os Julgadores, que nas partes da Índia nos servirem, precisam tal licença ao Vice-Rei, ou Governador dela, o qual lha poderá dar, entendendo que nisso se não seguirá prejuízo algum a nosso serviço, nem a bem da justiça das partes.
Título C
Como os Julgadores, e outros Oficiais serão suspensos, quando forem acusados por erros
Todo o Julgador, que for acusado por erro, que se diga ter cometido por malícia em seu Ofício, porque provado mereceria perdê-lo, será suspenso dele, e dado, ou cometido a outro, que o sirva, até ele ser livre, e achado por sem culpa do malefício. A qual suspensão se fará, tanto que o libelo for recebido contra o acusado. E enquanto o libelo não for recebido, não será o dito Julgador, se outras culpas aí não houver, porque pareça ao Juiz da causa que deva ser suspenso, antes de ser recebido o libelo.
1. Porém, quanto aos Tabeliães, e outros quaisquer Oficiais de Justiça, tanto que se mandar proceder contra eles por erros de seus Ofícios, ou tanto que por os ditos erros forem presos, os Julgadores os hajam logo por suspensos dos ditos Ofícios, e os não sirvam até serem livres, posto que sejam acusados por erros de pessoas, que por eles sirvam. O que os ditos Julgadores cumpriram sob pena de serem suspensos de seus Ofícios, e de não servirem mais o Ofício da Justiça. E a mesma pena haverão os mesmos Tabeliães, e Oficiais que servirem.
2. E sendo os ditos Julgadores, e Oficiais presos por outros crimes, fora do Ofício, em cadeia pública, não poderão servir seus Ofícios, enquanto assim forem presos. Porém a Nós ficará prover sobre as ditas suspensões, considerada a qualidade do acusador, e acusado, como nos parecer serviço de Deus, e nosso.
Título LXXXVI
Dos Inquiridores
Os Inquiridores devem ser bem entendidos, e diligentes em seus Ofícios, em modo que saibam perguntar, e inquirir as testemunhas por aquilo, para que forem oferecidas. E antes que a testemunha seja perguntada, lhe será dado juramento dos Santos Evangelhos em que porá a mão, que bem, e verdadeiramente diga a verdade do que souber, acerca do que for perguntado. O qual juramento lhe será dado perante a parte, contra quem é chamada, se ela a quiser ver jurar: do qual juramento o Tabelião, ou Escrivão dará sua fé, no dito da testemunha que [da qual] escreve. E depois que assim jurar, dará seu testemunho secretamente, sem nenhuma das partes dele ser sabedor, até as inquirições serem abertas, e publicadas. E assim as preguntará logo pelo costume, e coisas que a ele pertencem, convém a saber, se tem devido, ou cunhadio com alguma das partes, e em que grau, e se tem tão estrita amizade, ou ódio tão grande a alguma delas, porque deixem de dizer a verdade. E se receberam de alguma delas, ou de outrem em seu nome algumas dádivas, e se foram rogadas, ou subornadas que dissessem em favor de alguma das partes. E lhes perguntaram por suas idades. E tudo o que disserem escreverá o Tabelião, ou Escrivão, que a inquirição escrever. Pelo qual costume perguntaram sempre as testemunhas, sob pela de perdimento dos Ofícios, assim nas inquirições devassas, como judiciais. Porém nas inquirições devassas gerais, ou particulares perguntarão pelo costume no fim do testemunho.
1. Em bem assim perguntarão declaradamente pelo que sabem dos artigos, e não perguntarão por coisa alguma, que seja fora do que neles se contém, e da matéria, e caso deles. E se disserem que sabem alguma coisa daquilo, porque são perguntados, perguntarem-lhe como o sabem. E se disserem que o sabem da vista, perguntar-lhe em que tempo, e lugar o viram, e se estão aí outras pessoas, que também o vissem. E se disserem que o sabem de ouvida, perguntarem-lhe a quem o ouviram, e em que tempo, e lugar. E tudo o que disserem, faça-o escrever, fazendo-lhe todas as outras perguntas, que lhes parecerem necessárias, porque melhor, e mais claramente se possa saber a verdade. E atentem bem com que aspecto, e constância falam, e se variam, ou vacilam, ou mudam a cor, ou se se torvam na fala, em maneira que lhe pareça que são falsas, ou suspeitas. E quando assim o virem, ou sentirem, devem no notificar ao Julgador do feito, se for no lugar onde se tirar a inquirição: e se for absente, mandão aos Escrivães, ou Tabeliões, que escrevam as ditas turbações, e desvairos das testemunhas a que acontecer, para o Juiz que houver de julgar o feito prover nisso, como lhe parecer justiça. E fazendo outras perguntas fora as contidas nesta Ordenação, ou não fazendo todas estas, por esse mesmo feito o Inquiridor perca o Ofício, e nunca mais o haja, e o Tabelião, ou Escrivão, que as escrever, seja suspenso até nossa mercê [a do Rei]. E posto que a testemunha queira dizer mais do conteúdo no dito artigo, ou da substância, e caso dele, ainda que lhe não seja perguntado, o Tabelião, ou Sacristão o não escreva sob a mesma pena.
2. E será avisado o Escrivão, ou Tabelião, que a inquirição com algum Inquiridor tirar, que quando a testemunha disser de algum artigo, ou artigos, nihil não escreva nem ponha em cada artigo particularmente: Perguntando por tal artigo, e feita pergunta, que era o que dele sabia, etc. disse nihil. Somente em um só capítulo, no fim do testemunho. E depois de acabar de escrever todos os artigos, em que a testemunha disse alguma coisa, fará um capítulo, em que dirá assim: E perguntado por tal artigo, e tal, declarando-os somente por número, assim como, primeiro, segundo, e terceiro, a todos disse nihil. E o Tabelião, ou Escrivão, que o contrário fizer, será suspenso do Ofício até nossa mercê.
(continuação, II parte)
27/03/18
NOSSA SENHORA DA GARDUNHA (II)
(continuação da I parte)
A sumptuosa fábrica, que aqui edificou o Autor da natureza para morada de sua Mãe Santíssima, e para amparo, e casa de refúgio, dos que a ela recorrem a buscar os seus favores, merecia uma melhor pena que a descrevesse, e que com todas as circunstâncias a tratasse, porque há muitas de que se devia fazer caso; mas como o meu assunto é somente referir os Santuários de passagem, assim o farei com este, o que é nesta maneira. Sobre o mais alto da Serra da Gardinha, uma légua de Castelo Novo, e outra de Alpedrinha, e pouco mais de outra dos lugares de Alcongosta, Alcaide, Souto da Casa, e Castelejo, se levanta uma penha acumulada de monstruosas pedras, a modo de pirâmide, e em circuito, altura, e distância de uma milha. No meio desta distância, para a parte do Ocidente, se descobre uma lhanura, ou terrapleno, que mais parece que o fabricou a arte, que a natureza. Desta parte se mostra uma boca, que do pé da mesma penha forma uma entrada, como porta de uma casa de abobada, e tão alta, que por ela cabia muito bem um guião arvorado no tempo das romagens, que das vilas, e lugares concorriam a visitar a Senhora em Procissão: suposto, que já agora não é tão alta a entrada; porque o Ilustríssimo Bispo da Guarda D. Luís da Silva (hoje Arcebispo de Évora) indo a visitar aquele Santuário, lhe mandou fabricar um formoso portado de pedra lavrada.
Depois da entrada vai fazendo por dentro (toda ao nível) uma airosa, e clara concavidade por todos os quatro lados, a modo de corpo de Igreja tão espaçosa, que cabe nela a maior parte do povo nos dias principais de suas romagens, e celebridades. O que mais admira é, que na extremidade deste corpo fez a natureza dois braços colaterais, onde está um Altar em que se diz Missa, que chamam o Altar de fora, e estreitando-se logo com outra entrada que tem suas grades de ferro, vai prosseguindo mais estreita como Capela até ao Altar mor, em que também se diz Missa, onde está o nicho da Senhora, ficando toda esta distância coberta de um côncavo rochedo a modo de abóbada, a que serve de zimbório, e obelisco o remate da mesma penha. Não sei que se possa referir de outra Casa da Senhora, nem que haja outra maravilha mais rara. Porque se nas fábricas do Loreto, Monserrate, e Pilar de Saragoça intervieram os Anjos, e na fábrica das outras intervieram os homens; na fábrica deste Templo, e desta Capela, podemos dizer, que interveio a mesma Senhora, e o mesmo Artífice supremo, fazendo-a muito de propósito para deposito daquela Sagrada Imagem.
E não parecerá coisa nova assistir Maria Santíssima às grandes fábricas do universo, pois nos diz o Espírito Santo nos Provérbios: Quando appendebat fundamenta terrae, cum eo eram cuncta componens; que ela em sua companhia compusera, e formara todas as coisas. O terrapleno desta penha, e entrada da Igreja da Senhora da Serra, está cercada de algumas Capelas, e Ermidas bem ornadas; e algumas Celas, que um Ermitão devoto fabricou à sua custa, para viver, com um poço de água perene. Está também ali uma cova, onde viveu outro Ermitão Sacerdote por algum tempo, onde fazia rigorosa penitência, e uma santa vida, até que depois, por causa de achaques, lhe foi preciso fazer uma Cela, que é a de que agora usam, e onde vivem os Ermitões. A Imagem da Senhora tem três palmos de altura, e a matéria é pedra rija, mas de muito excelente escultura. Porém a piedade, e a devoção dos que a servem a têm vestida, e adornada de preciosos vestidos. Da Senhora da Serra escreveu a nossa instância, o que fica referido da Senhora, e de outras Imagens, o Doutor José Salvado Cinza, Médico [+1694] de Alpedrinha. Concorrem a festejar a Senhora os três povos de Castelo Novo, Alpedrinha, e Alcongosta, em procissão nas Oitavas da Páscoa, e cada um destes povos faz seu dia, com Missa cantada, e Sermão.
SEMANA SANTA - de Sto. Afonso de Ligório
Em 2016 publicámos a Semana Santa de Sto. Afonso de Ligório. Este ano voltamos a recomendar:
DOMINGO DE RAMOS
SEGUNDA FEIRA SANTA
TERÇA FEIRA SANTA
QUARTA FEIRA SANTA
QUINTA FEIRA SANTA
SEXTA FEIRA SANTA, de TARDE
SÁBADO SANTO (Manhã, e Tarde)
NOSSA SENHORA DA GARDUNHA (I)
Entre as Vilas de São Vicente da Beira, que fica para a parte Sul, e dista de Castelo Branco cinco léguas ao Noroeste, e as Vilas de Castelo Novo, e a de Alpedrinha, da parte do Nascente, e a Vila da Covilhã da parte do Norte, e os lugares do Souto da Casa, Castelejo do termo da mesma Vila da Covilhã, da parte do Ocidente, se levanta uma grande Serra (muito mais digna de nome, e fama que a da Estrela tão nomeada), que lhe fica em distância de cinco léguas; senão é que a quiseram compreender nela como braço seu. Esta se vê cercada de muitos lugares, e povoações, como são (além das Vilas, e lugares nomeados) os muitos lugares dos temos das mesmas Vilas de São Vicente, Castelo Novo, Alpedrinha, Covilhã, Alcaide, Alcongosta, e outros que não têm número. Fica-lhe também diante de sete léguas a antiga Egitânia, hoje Idanha a Velha, que foi uma das mais nobres, e populosas Cidades de Espanha, ao redor da qual se vê uma grande campina, a que chamam os campos de Idanha, semeados de lugares, e castelos, que foram povoados, e edificados (como outros mais afastados) das ruinas da mesma Egitânia, e de outros do seu circuito, como são a Cidade da Guarda distante dez léguas, que lhe sucedeu na Igreja Episcopal, a Vila de Penamacor, Penagracia, Monsanto, Idanha a Nova, Segura, e Salvaterra.
Esta Serra, que melhor lhe convinha o nome de um agregado de jardins pelo vistoso de suas árvores, e delicioso de suas fontes, e regatos, adornada de muitas ervas cheirosas, e árvores, que tendo o nome de silvestres, por serem nascidas espontaneamente, ou plantadas pelo soberano Agricultor, são domésticas pelas excelentes frutas que produzem; outras plantas, e cultivadas pela indústria dos homens, de tão diversos, e regalados frutos, e de tão suaves, e extraordinários gostos, que servem de admiração; como são os verdeais, as camoezas, capanduas, repinaldos, ginjas garrafais, e outras muitas frutas em tanta quantidade, que não só provém a muita parte deste Reino, mas de Castela.
Nesta serra pois levantaram os Cavaleiros Templários um Castelo, ou Convento (porque foram muitos os que fundaram na Província da Beira). Um destes Conventos foi o da Serra da Gardunha, que na língua Arábica, donde tomou o nome, quer dizer, acolhimento da Idanha; porque guarda, significa acolhimento: odunha, ou odonha por corrupção de vocabulário vale o mesmo que Idanha, a que parece não chegava a pronuncia dos Mouros. E a razão de se lhe dar este nome foi; porque sendo combatida, e devastada por eles a Idanha, ou Egitânia, seus moradores, e os dasw terras do seu contorno se acholheram àquela Serra como a castelo, e um presidio forte de onde se podiam defender.
Nesta ocasião levaram os moradores da velha Idanha, em sua companhia, uma devotíssima Imagem da Mãe de Deus, que tiraram de uma das sua Igrejas, que parece já naqueles tempos resplandecia em milagres, e com ela alegres, ou animados se davam por seguros, para se defenderem de seus inimigos os Bárbaros. Já este tempo estavam os Cavaleiros do Templo nesta Serra, e nela se defendiam, e aos Cristãos das correrias dos Mouros; até que ElRei D. Sancho I edificou a Cidade da Guarda, para onde se passaram os moradores, que da Idanha ainda ali residiam. No ano de 1199, assenta o Pe. Mestre Fr. António Brandão na sua IV parte do Mon. Lus. que fizera da acção ElRei D. Sancho I à Ordem dos Templários da Cidade das Idanha, já habitada outra vez dos Cristãos. E no mesmo ano, diz, dera foral o mesmo Rei à Cidade da Guarda, para onde havia passado a Cadeira Episcopal da Idanha.
Passados à Guarda os que viviam na Serra da Gardunha, deviam ficar ainda na mesma Serra os Cavaleiros, ou fosse que passando a povoar a Idanha, em virtude da doação feita à Ordem em 5 de Julho de 1199 ficou a Santa Imagem ainda na sua Casa, que lhe haviam fabricado os da Idanha; e ao depois invadindo os Mouros a Serra, esconderam os Cristãos a Santa Imagem na lapa onde depois foi servida de se manifestar.
Foi o caso, que perdendo-se uma menina de Alcongosta da companhia de sua mãe, que em uma tarde havia saído a buscar lenha a esta Serra, lá foi achar o seu cuidadoso desvelo, depois de nove dias, junto a uma penha, ou dentro de uma lapa, que servia de Casa, e de Altar àquela soberana Imagem; e vendo-a a mãe viva, quando a considerava já tragada de alguma fera, lhe perguntou com admiração onde estivera, e quem a sustentara: ao que a menina respondeu, que fora um Senhora Tia, que naquela Casa morava, apontando com o dedo para a lapa, e que lhe dava sopas de leite a comer, e água por uma campainha onde entrando a mulher, descobriu aquele precioso tesouro da Imagem da Senhora posta no mesmo Altar, que era o último pendor da lapa, e nicho em que hoje é servida, e venerada; mas admirável pelo estranho da natureza, que pelo magnifico e sumptuoso da arte.
Deu a mulher notícia da preciosa dracma, que achara, ao Prior de Alcongosta sua terra, e ele foi o primeiro que a foi buscar, e venerar, convocando o Clero, e povo, e a levaram com grande festa, e alegria de todos para a Matriz de Alcongosta, e a colocaram no Altar mór, que é dedicada esta Igreja à Conceição da Senhora. Daqui procedeu o ficarem os Priores daquele lugar com a posse da Senhora, e juntamente com as ofertas, e emolumento daquele Casa, que fica distante de Alcongosta uma légua, e não o ficarem os Priores das Igrejas de Castelo Novo, e Alpedrinha, sobre que se referem algumas patranhas, como a de fugir a Senhora para a Igreja de Alcongosta, e estar nela mais um dia, do que nas outras. Aqui começou logo a Senhora a resplandecer em milagres, e maravilhas, e tantas, que era aquela lapa uma perene piscina de saúde.
(continuação, II parte)
Passados à Guarda os que viviam na Serra da Gardunha, deviam ficar ainda na mesma Serra os Cavaleiros, ou fosse que passando a povoar a Idanha, em virtude da doação feita à Ordem em 5 de Julho de 1199 ficou a Santa Imagem ainda na sua Casa, que lhe haviam fabricado os da Idanha; e ao depois invadindo os Mouros a Serra, esconderam os Cristãos a Santa Imagem na lapa onde depois foi servida de se manifestar.
Foi o caso, que perdendo-se uma menina de Alcongosta da companhia de sua mãe, que em uma tarde havia saído a buscar lenha a esta Serra, lá foi achar o seu cuidadoso desvelo, depois de nove dias, junto a uma penha, ou dentro de uma lapa, que servia de Casa, e de Altar àquela soberana Imagem; e vendo-a a mãe viva, quando a considerava já tragada de alguma fera, lhe perguntou com admiração onde estivera, e quem a sustentara: ao que a menina respondeu, que fora um Senhora Tia, que naquela Casa morava, apontando com o dedo para a lapa, e que lhe dava sopas de leite a comer, e água por uma campainha onde entrando a mulher, descobriu aquele precioso tesouro da Imagem da Senhora posta no mesmo Altar, que era o último pendor da lapa, e nicho em que hoje é servida, e venerada; mas admirável pelo estranho da natureza, que pelo magnifico e sumptuoso da arte.
Deu a mulher notícia da preciosa dracma, que achara, ao Prior de Alcongosta sua terra, e ele foi o primeiro que a foi buscar, e venerar, convocando o Clero, e povo, e a levaram com grande festa, e alegria de todos para a Matriz de Alcongosta, e a colocaram no Altar mór, que é dedicada esta Igreja à Conceição da Senhora. Daqui procedeu o ficarem os Priores daquele lugar com a posse da Senhora, e juntamente com as ofertas, e emolumento daquele Casa, que fica distante de Alcongosta uma légua, e não o ficarem os Priores das Igrejas de Castelo Novo, e Alpedrinha, sobre que se referem algumas patranhas, como a de fugir a Senhora para a Igreja de Alcongosta, e estar nela mais um dia, do que nas outras. Aqui começou logo a Senhora a resplandecer em milagres, e maravilhas, e tantas, que era aquela lapa uma perene piscina de saúde.
(continuação, II parte)
25/03/18
Sermão sobre Sta. Teresa de Ávila em dia de Ramos - "PRO MULTIS"
§II
345. Declara melhor o que tenho daquele soberano Juiz, e Senhor Sacramentado, em outro sucesso milagroso, e raro, e foi, que comungando Teresa aquele divino Pão em dia de Ramos, antes que passasse a forma Sagrada ao estômago, ficou com grande suspensão, da qual como volvesse em si depois de um espaço, lhe pareceu que verdadeiramente tinha toda a boca cheia de sangue, e a si mesma, e que todo os seu rosto, e toda ela estava banhada no mesmo sangue tão quente, como se então se acabara de derramar. Era excessiva a suavidade, que com este divino banho sentia, e disse-lhe o Senhor: Filha eu quero, que o meu sangue te aproveite, e não haja medo, que te falte minha misericórdia. Eu o derramei com muitas dores, e tu o gozas com grande deleite; como o vez. (46) Há maior maravilha? Há maior fineza? Há prova mais clara para confirmar o discurso em que estamos, e nossa matéria? O sangue que derramou Cristo por todos, e pela redenção de todo o mundo; e agora o lemos derramado só por Teresa. E que o extremo que Cristo o obrou por todo o mundo, o obrasse só por Teresa, e a maior maravilha, obrar só por Teresa o extremo, que tinha obrado por todos, a publica a mais amada, e uma que vale por tudo na estimação Divina.
346. Entre mortais agonias se via o Amorosíssimo, e Amabilíssimo Redentor do mundo no Horto. Tão mortal foi o seu sentimento, que se viu às portas da morte, e correu o sangue, como a preparar-lhe na terra a sepultura: Factus est ejus, sicut guttae sanguinis decurrentis in terram. (47) Razão foi esta porque Hildeberto chamou a esta agonia Cruz antes da Cruz, ou morte antes da morte: Sanguineus sudor Crux fuit ante Crucem (48) Agora o maior reparo: se uma morte na Cruz do Calvário bastava para redemir, e remediar todo o mundo; para que fez Cristo este antecipado extremo de derramar o sangue na cruz do Horto? É, que o sangue, que derramou na cruz do Calvário, era para todos, e por todos: Redimisti nos in Sanguine tuo. Per crucem tua redimiste mundum. Porém o sangue, que derramou na cruz do Horto, era para remediar os seus amados Discípulos: Ut fidem, videlicet, Discipulorum, quam terrena adhuc fragilitas arguebat, suo sanguine purgaret. (49) Maior dúvida. Pois o mesmo sangue derramado na cruz do Calvário, não era bastante para remédio dos Discípulos, e de todos? É certo, que sim. Pois para que era repetir, e antecipar a efusão do sangue na cruz do Horto? É, que eram os Discípulos os mais amados; e uns que seu amor parece, que avaliava por todos; pois na ceia, quando os tinha pelos pés, e nas palmas: Caepit lavare, disse o Evangelista, que tinha nas mãos a todos: Omnia, dedit ei Pater in manus: Omnia, idest homines. Comenta Jerónimo; e para os publicar por tais, achou seu amor necessário, singularizá-los no benefício. Em benefício comum derramou Cristo no Calvário o sangue, e o que aqui fez por todos, fez seu amor no Horto singularmente pelos mais amados Discípulos; mostrando, que a singularidade com que por eles derramava o sangue era a mais singular prova para mostrar o muito, e singular amor, que lhe tinha; que eles eram uns, que o seu amor avaliava por todos; pois só por eles obrava o que pelo bem se todos fazia: Sanguineus sudor crux fuit ante crucem. Ut fidem Discipulorum suo sanguine purgaret.
347. Escuso aplicar o texto ao nosso intento, porque é trabalho supérfluo. Passo a confirmar o pensamento com as palavras que disse aquele Senhor, quando instituiu aquela divina iguaria, o qual falando do seu sangue disse: Hic est enim sanguis meus, qui pro multis essundetur. (50) E em São Lucas disse: Qui pro vobis essundetur. (51) Num Evangelista diz; este é o meu sangue, que será derramado por muitos: Pro multis essundetur, em outro Evangelista diz que o sangue será derramado pelos Apóstolos: Pro vobis essundetur; e que mistério tem dizer Pró vobis, e pro multis? Em dizer que seria derramado o sangue por todos se dizia, que seria derramado pelos Apóstolos. Parece logo supérflua a palavra Pro vobis. Notem, que assim como diz Pro vobis, e pro multis, também diz: Essundetur, e essunditur, como está no Grego. (52) Derramou Cristo o sangue na Cruz por todos: Pro multis essundetur, e derramou só pelos Discípulos no Cenáculo: Pró vobis essunditur. In Sacramento altaris sub speci vini dum sumitur (53) Para mostrar os Discípulos mais amados, quis fazer por sós eles a efusão do sangue, que havia de fazer por todos; mostrando em isto o seu amor os avaliava por todos os Justos: Pro vobis, pro multis; pois só por eles derramava no Cenáculo o sangue, e chegava a fazer o extremo, que por todos na Cruz havia de obrar: Qui pro multis essundetur, pro vobis essunditur. Assim Cristo, quando quis dar o maior testemunho, de como os seus Discípulos eram do seu amor o maior emprenho: Cum dilexisset suos in finem delexit eos; (54) Para publicar como eles eram o maior desvelo do seu amor, declarou como eles na sua estimação valiam por todos os Justos: Omnia idest homines; e para declarar isto não achou prova mais evidente, que derramar só por eles no Horto, e no Cenáculo o sangue, que derramou por todos no Calvário. Assim também o mesmo Cristo, para declarar o muito, que a Teresa amava, derramou o sangue só por ela; e fazendo só por ela o extremo que por todos obrara, a publicou mais amada, e uma que valia por todos na estimação Divina. (do IV sermão de Fr. António de Santo Eliseu, no II tomo do Estrela Dalva, 1740)
347. Escuso aplicar o texto ao nosso intento, porque é trabalho supérfluo. Passo a confirmar o pensamento com as palavras que disse aquele Senhor, quando instituiu aquela divina iguaria, o qual falando do seu sangue disse: Hic est enim sanguis meus, qui pro multis essundetur. (50) E em São Lucas disse: Qui pro vobis essundetur. (51) Num Evangelista diz; este é o meu sangue, que será derramado por muitos: Pro multis essundetur, em outro Evangelista diz que o sangue será derramado pelos Apóstolos: Pro vobis essundetur; e que mistério tem dizer Pró vobis, e pro multis? Em dizer que seria derramado o sangue por todos se dizia, que seria derramado pelos Apóstolos. Parece logo supérflua a palavra Pro vobis. Notem, que assim como diz Pro vobis, e pro multis, também diz: Essundetur, e essunditur, como está no Grego. (52) Derramou Cristo o sangue na Cruz por todos: Pro multis essundetur, e derramou só pelos Discípulos no Cenáculo: Pró vobis essunditur. In Sacramento altaris sub speci vini dum sumitur (53) Para mostrar os Discípulos mais amados, quis fazer por sós eles a efusão do sangue, que havia de fazer por todos; mostrando em isto o seu amor os avaliava por todos os Justos: Pro vobis, pro multis; pois só por eles derramava no Cenáculo o sangue, e chegava a fazer o extremo, que por todos na Cruz havia de obrar: Qui pro multis essundetur, pro vobis essunditur. Assim Cristo, quando quis dar o maior testemunho, de como os seus Discípulos eram do seu amor o maior emprenho: Cum dilexisset suos in finem delexit eos; (54) Para publicar como eles eram o maior desvelo do seu amor, declarou como eles na sua estimação valiam por todos os Justos: Omnia idest homines; e para declarar isto não achou prova mais evidente, que derramar só por eles no Horto, e no Cenáculo o sangue, que derramou por todos no Calvário. Assim também o mesmo Cristo, para declarar o muito, que a Teresa amava, derramou o sangue só por ela; e fazendo só por ela o extremo que por todos obrara, a publicou mais amada, e uma que valia por todos na estimação Divina. (do IV sermão de Fr. António de Santo Eliseu, no II tomo do Estrela Dalva, 1740)
15/03/18
10/03/18
O BOM CRISTÃO É PATRIOTA - ESPANHA OCUPADA
O patriotismo não é facultativo aos católicos.
O Patriotismo vem na sequência do mandamento "Honrar pai e Mãe e outros legítimos superiores", diz a Igreja. Este mandamento em todas as suas derivações é hoje muito abandonado e transgredido; daqui que não admira que também as consequências se manifestem tão visivelmente. A falta de patriotismo, a desobediência e desonra aos legítimos superiores e aos pais é tão notória hoje quanto o são os castigos e ameaças correspondentes.
O mundo cristão está a sofrer uma invasão programada, a mais cruel já vista; pois é silenciosa, não nos é dado o direito de voz, nem alternativa, nem defesa, nem coisa alguma que não seja a de aceitar o dito programa de auto-extinção!
Quem sabendo isto não deve preocupação grave?
Podia ser sobre outros tantos países, mas este vídeo é sobre a ocupação que está sendo feita em Espanha:
Quem sabendo isto não deve preocupação grave?
Podia ser sobre outros tantos países, mas este vídeo é sobre a ocupação que está sendo feita em Espanha:
06/03/18
NA SERRA ALTA - Quando a Pureza da Fé Deixa de Estar na Frente
"O Concílio Vaticano II é reflexo de um período anterior característico, em que pensamento católico mitigado, modernismo, liberalismo, activismo crescente, voluntarismo etc. coabitaram no mesmo espaço dos Sacramentos tradicionais, Magistério,etc.. Isto pode ser melhor considerado quanto mais atendermos à diferença de situações de cada região no mundo católico. (...) Com o anúncio do Concílio, os Bispos desejaram uma ampla reforma que travasse a propagação de erros, apurando e definindo. Contudo, estava também armado o aggiornamento, quer por forças externas, quer internas não oficiais eclesiásticas, e leigas."
(na serra alta - J. Antunes)
27/02/18
O PUNHAL DOS CORCUNDAS Nº10 (V)
(continuação da IV parte)
1ª Letras humanas
Direi só uma palavra, sendo-me fácil dizer muitas ao caso... O estudo das Línguas orientais no conceito da Europa sábia é de absoluta necessidade para quem capricha de se estremar dos Hotentotes, e Caraíbas. Quem soube, e sabe a fundo neste Reino a Língua Santa, a Língua Hebraica, se não os Frades? Se me vierem à mão com um dos mais egrégios sabedores desta Língua em nossos tempos, que era Cónego Secular do Evangelista, e morreu Bispo do Funchal, respondo que esse mesmo entra facilmente na regra geral que assinei tratando dos filhos de S. Filipe Néri, e S. Vicente de Paulo...
1ª Letras humanas
Direi só uma palavra, sendo-me fácil dizer muitas ao caso... O estudo das Línguas orientais no conceito da Europa sábia é de absoluta necessidade para quem capricha de se estremar dos Hotentotes, e Caraíbas. Quem soube, e sabe a fundo neste Reino a Língua Santa, a Língua Hebraica, se não os Frades? Se me vierem à mão com um dos mais egrégios sabedores desta Língua em nossos tempos, que era Cónego Secular do Evangelista, e morreu Bispo do Funchal, respondo que esse mesmo entra facilmente na regra geral que assinei tratando dos filhos de S. Filipe Néri, e S. Vicente de Paulo...
Quem duvida que o conhecimento da Língua Árabe é importantíssimo nesta Monarquia por amor das nossas relações com as Regências Barbacenas, em que vai muito a segurança do nosso Comércio, e o recobrarem a sua liberdade muitos dos nossos Compatriotas, que gemem nos ferros, e masmorras de Argel? Quem são os sabedores desta Língua? Os Frades da Terceira Ordem, e que por sinal as Côrtes Ordinárias tiraram ou furtaram o que lhes pertencia, e eles tinham ganhado à custa de mim trabalhos e perigos; e notarei de passagem que se a Academia Real das Ciências de Lisboa atraiu recentemente os louvores da Petropolitana deve-o aos escritos de um Frade mui perito nesta Língua.
2ª Agricultura
Dá-se uma volta, por todo o Reino, e onde influem, ou dominam Frades, aparece tudo no maior auge de perfeição, e cultura, empregam-se muitos braços, e subsiste muita gente de se aplanarem montanhas escabrosas, e até vive uma infinidade de pedreiros de se construirem grossas paredes, que obstem à fúria das correntes, e das inundações. As próprias terras, que pagam quarto e dízimo, longe de serem abandonadas recriam os olhos pela sua formosura, e enchem os celeiros do Lavrador pela sua abundância. Comparem-se as quintas dos Jesuítas no seu estado actual ao que já foram algum dia, e ficará o ponto da agricultura resolvido de maneira, que não possa admitir mais objecção ou réplica.
3ª Socorro aos pobres, aos mendigos, aos enfermos, e a toda a casta de infelizes...
Há Ordens Religiosas especialmente destinadas para a redenção dos cativos, e para assistirem aos enfermos, e às Heroínas Cristãs filhas de S. Vicente de Paulo começam de assombrar a Capital do Reino com os prodígios de caridade já vulgares no resto da Europa. Ora neste particular quem será tão cego, e tão ousado, que negue os quotidianos bens físicos que as Ordens Monásticas e Mendicantes fazem de contínuo à pobreza? Haja vista às portarias dos Frades na hora de jantar, e ainda o que se vê, e admira, é o menos.... Haja vista aos remédios que se distribuem gratuitamente das suas boticas para os enfermos necessitados, haja as avultadas porções de alimentos que saem para muitas pessoas honestas e recolhidas; e se pudessem ver-se outras esmolas feitas no espírito do Evangelho, sem a esquerda saber o que faz a direita; esmolas não só das comunidades, mas também dos particulares; esmolas, que tantas vezes arrancam a pobre donzela das garras da indigência e do demónio, e livram a triste viúva de ver expirando à fome os seus queridos filhos... apareceria uma soma de benefícios capaz de impor silêncio aos maldizentes, e aos Pedreiros....
Mosteiro de S. Cruz de Coimbra, eu desafio todas as Casas Seculares, e Episcopais deste Reino para me apresentarem um só rival que chegue a ombrear contigo, e só me daria por vencido quando se pudesse mostrar, o que é impossível, que tu não és como o primeiro delegado da Providência na Cidade que te conhece te respeita, e que te professa um amor tão justo como encendido!!
4ª Ciência
Os Frades não sobressaem em todas, porque os não deixam matricular em todas. - Fossem Canonistas, e Legistas, assim como são Teólogos, e veríamos... Que progressos não fizeram na própria Faculdade de Medicina os Frades de S. João de Deus, enquanto lhe não fecharam a porta!! Se lançarmos uma vista de olhos para a Ciência que menos tolerava admitir Frades no seu grémio (que a dizer a verdade nem Rogério Boschovich era para a indispor contra os Frades, nem ao seu Criador neste Reino se podia tirar a nódoa Jesuítica) veremos que sendo necessário dar-lhe impulso e vida, entram nela um Frade Bento, um Frade Grilo, e um Frade de S. João de Deus.
Não me foge ao concluir, uma certa objecção que algum dos que presumem de oculatíssimos poderá fazer-me, e é que injuriei o Clero Secular no que tenho expendido!!! Olhe, meu tolinho, meu Pedreiro disfarçado, fiz ao Clero onde conheço muitos, e mui virtuosos Membros, e onde conheci e tratei de perto um D. Manuel de Aguiar, a mesma injúria que podia fazer aos Frades, quem ao ver o estado actual das nossas Missões Americanas se pusesse a gritar. Enfim venha quem vier... só Jesuítas faziam aqui milagres.... tudo aqui mostra e confirma, que Deus Nosso Senhor roborou a sua Igreja com o subsídio que lhe trouxe o glorioso S. Inácio.
Sobre Frades essenciais ou não essenciais à Igreja, sobre o não haver Frades na Igreja Primitiva, e sobre a propriedade nacional dos bens Fradescos, ainda se falará conforme a importância do sujeito, mas importa agora combater mais directamente os Pedreiros Livres.
Conclusão
O Despotismo é sempre abominável para mim, que lhe professo aquele horror, para que a razão e o Evangelho de sobejo me autorizam.
Quer ele me apareça vestido de farrapos constitucionais, quer de fardas azuis, ou vermelhas ricamente agaloadas, quer de púrpura, há-de ser o eterno sítio da minha indignação, e do meu desprezo. Nunca hei-de fazer tréguas com ele, ainda que me seja necessário mudar de pátria.... Por dois instantes, que me restam para viver, confio em Deus que me assistirá com os seus dons para nunca desmentir o meu carácter, e os meus princípios. Em França há Monges de S. Bernardo, e é quanto basta para quem não quer mais nada deste mundo.... Ninguém pois se deve ter por mais autorizado que eu para ser um eco da pura verdade.
Quando acabaram de crer os Reis da Europa que sobejas vezes têm sido enganados por seus Ministros, infames adeptos do Maçonismo, que tudo é carregar sobre os Frades, arrancar-lhes até os olhos da cara, enquanto eles se tratam à grande, e levantam casas mui opulentas à causa de uma venalidade, que seria indecorosa nos próprios gabinetes de Nero, e Calígula? Que serviços tem para alegrar as suas respectivas nações, que eles fizeram governar por Ateus, e Pedreiros Livres, dando-lhes os empregos mais honrosos e lucrativos, e porventura assinando a condição sine qua de ser Pedreiro Livre para entrar nos Ministérios Eclesiásticos, e Civis? Homens grimpas, e versáteis como as suas ideias ambiciosas, que só estas fazem a mola real de todos os seus procedimentos, são de ordinário os primeiros, que, fechando as bolsas quando se trata de acudir às necessidades da pátria, tudo é denunciarem os bens dos Frades, que muito embora pereçam de forme, em paga de terem sustentado o peso da indignação maçónica!!
Não é de presumir que entre nestas generalidades o Rei de Portugal, que tem um Soberano cordial amigo dos seus Povos, e sinceramente apegado às instituições antigas, e que (eu o afianço aos bons Portugueses) não ama os Pedreiros Livres, como se irá vendo cada vez melhor pelo decurso dos tempos. Ninguém sabe melhor que ele a que ponto subiram nesta época os sentimentos de lealdade nas Ordens Religiosas.... Quem premeia largamente os que só por breves horas desembainharam a espada a favor da Monarquia, não terá ânimo de castigar as Ordens Religiosas, por lhe terem sido extremamente fiéis, e por terem passado três anos de mortal agonia sempre com o cutelo na garganta, e prontas para o extermínio, para a desolação, e para a morte, o que lhes seria mais doce, que o apostatarem da fidelidade ao Trono. As Ordens Religiosas acham-se de todo exaustas; os povos ou foram exonerados pelas Côrtes de pagarem metade, ou para melhor dizer tacitamente o foram de pagarem um só real que fosse, pois a tanto chegaram os extremos do ódio, e da perseguição! (*) Gravalhas, e oprimi-las de novo será o mesmo que condená-las a um género de morte por ventura mais consumidor e mais tirano, do que esse que ameaçava infligir-nos o Sistema Constitucional; e aliviá-las será dar um devido prémio por sua fidelidade à Religião e ao Trono, e pelas injúrias e perseguições, que resignadamente sofreram: daqui resultaria uma grande utilidade pública, e um grande aumento à defecada agricultura, que assim como tem encontrado nos claustros o seu maior progresso, acharia também agora neles o seu restabelecimento; aliás virá a sentir em muitas Províncias as convulsões de um moribundo, com notável prejuízo do Reino: o que será um tremendo golpe sobre o mais interessante ramo da opulência nacional.
(continuação, VI parte)
3ª Socorro aos pobres, aos mendigos, aos enfermos, e a toda a casta de infelizes...
Há Ordens Religiosas especialmente destinadas para a redenção dos cativos, e para assistirem aos enfermos, e às Heroínas Cristãs filhas de S. Vicente de Paulo começam de assombrar a Capital do Reino com os prodígios de caridade já vulgares no resto da Europa. Ora neste particular quem será tão cego, e tão ousado, que negue os quotidianos bens físicos que as Ordens Monásticas e Mendicantes fazem de contínuo à pobreza? Haja vista às portarias dos Frades na hora de jantar, e ainda o que se vê, e admira, é o menos.... Haja vista aos remédios que se distribuem gratuitamente das suas boticas para os enfermos necessitados, haja as avultadas porções de alimentos que saem para muitas pessoas honestas e recolhidas; e se pudessem ver-se outras esmolas feitas no espírito do Evangelho, sem a esquerda saber o que faz a direita; esmolas não só das comunidades, mas também dos particulares; esmolas, que tantas vezes arrancam a pobre donzela das garras da indigência e do demónio, e livram a triste viúva de ver expirando à fome os seus queridos filhos... apareceria uma soma de benefícios capaz de impor silêncio aos maldizentes, e aos Pedreiros....
Mosteiro de S. Cruz de Coimbra, eu desafio todas as Casas Seculares, e Episcopais deste Reino para me apresentarem um só rival que chegue a ombrear contigo, e só me daria por vencido quando se pudesse mostrar, o que é impossível, que tu não és como o primeiro delegado da Providência na Cidade que te conhece te respeita, e que te professa um amor tão justo como encendido!!
4ª Ciência
Os Frades não sobressaem em todas, porque os não deixam matricular em todas. - Fossem Canonistas, e Legistas, assim como são Teólogos, e veríamos... Que progressos não fizeram na própria Faculdade de Medicina os Frades de S. João de Deus, enquanto lhe não fecharam a porta!! Se lançarmos uma vista de olhos para a Ciência que menos tolerava admitir Frades no seu grémio (que a dizer a verdade nem Rogério Boschovich era para a indispor contra os Frades, nem ao seu Criador neste Reino se podia tirar a nódoa Jesuítica) veremos que sendo necessário dar-lhe impulso e vida, entram nela um Frade Bento, um Frade Grilo, e um Frade de S. João de Deus.
Não me foge ao concluir, uma certa objecção que algum dos que presumem de oculatíssimos poderá fazer-me, e é que injuriei o Clero Secular no que tenho expendido!!! Olhe, meu tolinho, meu Pedreiro disfarçado, fiz ao Clero onde conheço muitos, e mui virtuosos Membros, e onde conheci e tratei de perto um D. Manuel de Aguiar, a mesma injúria que podia fazer aos Frades, quem ao ver o estado actual das nossas Missões Americanas se pusesse a gritar. Enfim venha quem vier... só Jesuítas faziam aqui milagres.... tudo aqui mostra e confirma, que Deus Nosso Senhor roborou a sua Igreja com o subsídio que lhe trouxe o glorioso S. Inácio.
Sobre Frades essenciais ou não essenciais à Igreja, sobre o não haver Frades na Igreja Primitiva, e sobre a propriedade nacional dos bens Fradescos, ainda se falará conforme a importância do sujeito, mas importa agora combater mais directamente os Pedreiros Livres.
Conclusão
O Despotismo é sempre abominável para mim, que lhe professo aquele horror, para que a razão e o Evangelho de sobejo me autorizam.
Quer ele me apareça vestido de farrapos constitucionais, quer de fardas azuis, ou vermelhas ricamente agaloadas, quer de púrpura, há-de ser o eterno sítio da minha indignação, e do meu desprezo. Nunca hei-de fazer tréguas com ele, ainda que me seja necessário mudar de pátria.... Por dois instantes, que me restam para viver, confio em Deus que me assistirá com os seus dons para nunca desmentir o meu carácter, e os meus princípios. Em França há Monges de S. Bernardo, e é quanto basta para quem não quer mais nada deste mundo.... Ninguém pois se deve ter por mais autorizado que eu para ser um eco da pura verdade.
Quando acabaram de crer os Reis da Europa que sobejas vezes têm sido enganados por seus Ministros, infames adeptos do Maçonismo, que tudo é carregar sobre os Frades, arrancar-lhes até os olhos da cara, enquanto eles se tratam à grande, e levantam casas mui opulentas à causa de uma venalidade, que seria indecorosa nos próprios gabinetes de Nero, e Calígula? Que serviços tem para alegrar as suas respectivas nações, que eles fizeram governar por Ateus, e Pedreiros Livres, dando-lhes os empregos mais honrosos e lucrativos, e porventura assinando a condição sine qua de ser Pedreiro Livre para entrar nos Ministérios Eclesiásticos, e Civis? Homens grimpas, e versáteis como as suas ideias ambiciosas, que só estas fazem a mola real de todos os seus procedimentos, são de ordinário os primeiros, que, fechando as bolsas quando se trata de acudir às necessidades da pátria, tudo é denunciarem os bens dos Frades, que muito embora pereçam de forme, em paga de terem sustentado o peso da indignação maçónica!!
Não é de presumir que entre nestas generalidades o Rei de Portugal, que tem um Soberano cordial amigo dos seus Povos, e sinceramente apegado às instituições antigas, e que (eu o afianço aos bons Portugueses) não ama os Pedreiros Livres, como se irá vendo cada vez melhor pelo decurso dos tempos. Ninguém sabe melhor que ele a que ponto subiram nesta época os sentimentos de lealdade nas Ordens Religiosas.... Quem premeia largamente os que só por breves horas desembainharam a espada a favor da Monarquia, não terá ânimo de castigar as Ordens Religiosas, por lhe terem sido extremamente fiéis, e por terem passado três anos de mortal agonia sempre com o cutelo na garganta, e prontas para o extermínio, para a desolação, e para a morte, o que lhes seria mais doce, que o apostatarem da fidelidade ao Trono. As Ordens Religiosas acham-se de todo exaustas; os povos ou foram exonerados pelas Côrtes de pagarem metade, ou para melhor dizer tacitamente o foram de pagarem um só real que fosse, pois a tanto chegaram os extremos do ódio, e da perseguição! (*) Gravalhas, e oprimi-las de novo será o mesmo que condená-las a um género de morte por ventura mais consumidor e mais tirano, do que esse que ameaçava infligir-nos o Sistema Constitucional; e aliviá-las será dar um devido prémio por sua fidelidade à Religião e ao Trono, e pelas injúrias e perseguições, que resignadamente sofreram: daqui resultaria uma grande utilidade pública, e um grande aumento à defecada agricultura, que assim como tem encontrado nos claustros o seu maior progresso, acharia também agora neles o seu restabelecimento; aliás virá a sentir em muitas Províncias as convulsões de um moribundo, com notável prejuízo do Reino: o que será um tremendo golpe sobre o mais interessante ramo da opulência nacional.
(continuação, VI parte)
26/02/18
SEM "MÚSICA FAST-FOOD" - PORTUGAL
A 13 de Maio de 2017, a canção portuguesa "amar pelos dois" venceu o Eurovision Song Contest , foi cantada em português (o que faz ainda mais admirar), e obtendo o record histórico de pontuação desde 1956.
A quem é de fora convém saber que este festival da Eurovisão acontece na Europa como evento musical com mais auditório; nele compete uma canção de cada país; tem entre os europeus mais de meio século, é um acontecimento de encontro (infelizmente, o seu controle tem sido apetecível aos grupos ideológicos que se tentam impor).
Qual foi o segredo do estrondoso sucesso da canção portuguesa, que mesmo sem tradução é cantada por vários fãs por todo o mundo? Adianto um: não haver instrumentos eléctricos!
No momento da vitória o intérprete Salvador Sobral incentivou os europeus a fugirem da linha de "música fast food". A composição é realmente bela e simples, e da autoria de Luiza Sobral (irmã de Salvador Sobral); a orquestração de Luís Figueiredo foi também um dos motivos de sucesso.
Os candidatos para o Eurovision 2018 no geral corrigiram já a linha musical que tinha vindo a decair nos últimos anos.
Os candidatos para o Eurovision 2018 no geral corrigiram já a linha musical que tinha vindo a decair nos últimos anos.
O vídeo "amar pelos dois - Why it's diferente from pop music" explica tudo muito bem, e já o iremos ver. Contudo cabe discordar da parte final do vídeo: sim, é certo que as bandas de música em décadas anteriores tinham mais "sumo" que hoje, mas elas mesmas também foram a decadência da música que lhes era anterior.
O vídeo explica tudo:
(atenção: na parte final há uma ou outra situação que pode desgastar o pudor)
O vídeo explica tudo:
(atenção: na parte final há uma ou outra situação que pode desgastar o pudor)
18/02/18
INESPERADO - REGRESSO DA RADIO CONVICCIÓN ?
Encontrada por acaso a ligação da extinta Radio Convicción, e experimentada depois, eis que... o inesperado: o linck abriu!
Não temos grandes informações a dar do fenómeno, porque nem houve tempo para explorar o assunto. Segundo parece pela data da primeira publicação, a Radio Convicción terá reaparecido em Outubro de 2017. No site não aparece mais que publicações, não há ligação para aceder a qualquer transmissão de áudio.
Que rádio é esta? Para quem não sabe, esta foi uma rádio tradicionalista do Chile subsidiada pela FSSPX, e que tinha como maior finalidade a formação católica.
O que vai acontecer? Quem tiver notícias, informe.
17/02/18
MEMÓRIA - Dias Proibidos ao Espectáculo
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| Procissão do Enterro do Senhor - Braga |
Dias em que são proibidos os espectáculos públicos
- Quarta feira de Cinza e em todas as Sextas feiras de Quaresma
- Desde Sábado de Lazaro até Domingo de Páscoa inclusive
- Quinta feira de Ascensão, Domingo do Espírito Santo, e dia da Procissão do Corpo de Deus da Cidade [de Lisboa - igualmente em todo o Reino]
- Nos dias 24 de Setembro, 1, 2 e 15 de Novembro, e 25 de Dezembro.
- Nos dias de luto da Côrte, por morte de Rei, Rainha ou Pessoa Real.
- Nos dias em que se fizerem preces públicas por grandes calamidades.
(Alemanaque de Lembranças Luso-Brasileiro - 1858)
Enquanto alguns Reinos se tornaram protestantes, enquanto que outros se tornaram "neutros" por dividirem o território com o protestantismo, enquanto outros estavam ocupados com a república laica, Portugal e Espanha permaneceram com leis e costumes antigos e de grande valor cujo catolicismo é a base. Em algumas cidades de Portugal, já para nem falar de Vilas e Aldeias, as manifestações púbicas religiosas continuam a ser consideradas de toda a cidade. Esta subsistência está mais amplamente manifesta na SEMANA SANTA, parte central da Quaresma.
Enquanto que em outros lados a Quaresma esteva muito limitada ao PARTICULAR, em Portugal tinha aplicação social e de Estado. Onde numa república laica, como aquela que hoje nos ocupa, se proíbem os espectáculos em dias de jejum e abstinência quaresmal?
Se abandonarmos as nossas obrigações, é mal. E se abandonarmos os nossos direitos, também é mal (não defendamos o contrato social de Rousseau, que faz razia de direitos e deveres, e distribui a todos por igual). O português, distingue.
Se abandonarmos as nossas obrigações, é mal. E se abandonarmos os nossos direitos, também é mal (não defendamos o contrato social de Rousseau, que faz razia de direitos e deveres, e distribui a todos por igual). O português, distingue.
VIA SACRA NAS RUAS DE LISBOA - 2018
Como ainda é costume em Portugal, na Quaresma a Via Sacra é feita pelas ruas, à noite, passando pelas 14 estações abrigadas em capelinhas antigas.
Em Lisboa tais capelinhas não existem nas ruas de todas as paróquias. Portanto, seria esperado ver nestes casos a realização da neo-Via Sacra de 15 estações. Mas não. No centro de Lisboa, à noite, pelas ruas, continua a Via Sacra de 14 estações, acompanhada de outros santos momentos: Confissões, Lausperene, e até Missa tradicional (segundo consta).
A Quaresma ainda mostra ser de grande importância para os portugueses. No Interior ainda se conserva a Procissão dos Penitentes (que correr riscos), a qual se manteve desde a Idade Média. A Semana Santa em Portugal e Espanha ainda mostra como para os nossos antigos um tempo da máxima gravidade, devoção, seriedade, e conversão interior.
14/02/18
CANAL PEDRO de OLIVEIRA - Actualizações - Fevereiro 2018
O Canal de Youtube PEDRO de OLIVEIRA fez um percurso positivo até ao seu último vídeo. Por acidente, 2 vídeos com partes editadas foram perdidos por motivos informáticos; estes iriam inaugurar a série BANDEIRAS (na qual se pretende mostrar a natureza e origem de bandeiras "nacionais" em Portugal e Brasil). Outros dois temas estão iniciados; sendo um uma refutação aos Rosa-Cruz em certa tese sobre o Real Convento de Mafra, e o outro sobre umas falsas aparições em Portugal.
Até ao momento há um total de 9 vídeos originais, sendo um deles uma transmissão em directo (não acessível ao público), e sendo outro a resolução de uma dúvida sobre os solstícios (também não acessível ao público).
VIDEO MAIS VISUALIZADO DE SEMPRE - "Pinhal de Leiria Sem Mistérios" (500)
VIDEO PÚBLICO MENOS VISUALIZADO DE SEMPRE - "Mix I" (200)
NO TRIMESTRE QUE DECORRE:
- o público foi 56% masculino, e 44% feminino;
- 65% do público é brasileiro, 33% é português, etc..
- o vídeo mais visto é o "Pinhal de Leiria Sem Segredos", depois o "Mix I", em seguida o "Livros II B", e o "Livros II A".
O canal vai com mais de 1900 visualizações, e 47 inscritos, que significa que cresce a modesta velocidade.
Até breve.
O canal vai com mais de 1900 visualizações, e 47 inscritos, que significa que cresce a modesta velocidade.
Até breve.
09/02/18
"DEFESA DE PORTUGAL" - AS TREVAS em PORTUGAL (d)
(continuação da parte c)
As trevas estarão também nos Religiosos? Como? Empunhando o Ceptro algum dos Súcios, e afilhados de José da Silva Carvalho! Tocará logo a matraca sobre os bons Religiosos! Licença à depravação, soltura às paixões, desenfreio à mocidade! Lá irá até a Ordem de S. Francisco, se Deus lhe não permitisse uma duração igual à do Mundo! Pedreiros, Constitucionais, Malhados, também nas Igrejas, nos Conventos, e empolgando os maiores Empregos!.. De certo é entregar aos inimigos da Igreja o Património da mesma Igreja! Logo que eu vejo ocupando lugar numa Congregação de Regulares algum Padre de pouca idade, de menos merecimentos, mas de muita presunção, e que já aspira a uma Mitra!!... Estou para dizer Adeus às Corporações Religiosas, se não tivesse em Deus uma esperança viva, de que não há de permitir que as trevas ocupem para sempre toda a terra! Continuam as trevas. Onde? Em uma grande Sé de Portugal! Como? Ora apalpem lá como puderem, porque isto não o vê quem deve; mas eu lho digo. Um Clérigo de mau nome em toda a extensão da palavra desde os pés até à cabeça, desde o seu nascimento até à sua elevação, procura em toda a Diocese assinaturas do Clero, Nobreza, e Povo, para que ElRei Nosso Senhor o eleja para Bispo, ou Arcebispo, ou o quer que é, que a língua não quer chegar!!! As trevas continuam, mas a Epigrafe não. Apaga-se a luz: se os Portugueses querem ver, e ouvir o que lhes convém, sigam todos os costumes, que seus Ascendentes praticavam no ano de 1732, e haverá então Justiça, e Religião; haverá Paz, e Prosperidade; haverá Rei, e Vassalos; todas as coisas estarão no seu lugar, e eu no que me cumpre, que é o da morte, para não ver tantas, e tantas coisas, que parecem inventadas pelo diabo, para não haver coisa boa. [demova-se aquele que amaldiçoa o séc. XVIII sem discriminar Reinos]
Rebordosa 18 de Abril de 1832.
Administrar fielmente a Fazenda Real! Ora eu já deu uma coça nos Judas, mas como foi de papel, não prestou: é necessário que lhes aconteça como ao de quem fala hoje a Igreja "Suspensus crepuit medius" enforça-los, e rebentá-los. Mas quem são esses Judas? é pergunta, que há pouco me fizeram de Lisboa. Eu não estou em circunstâncias de responder "Qui intingit manum in paropside".... Todo o que siza da Fazenda Real, ou que faz para sua culpa que ela não medre, é Judas; e o que mais culpas tiver a este respeito, é o Judas maior. Mas não faltam Teólogos, Padres, e Frades, que persuadam a esses Judas que não ofendem a Deus, por muito que menoscabem a Fazenda delRei, que é o Ungido de Deus! Teólogos, Padres, e Frades dos Judas, que nas suas decisões, respostas, e na mesma administração dos Santos Sacramentos não seguem a tradição, seguem somente a razão, especialmente se esta fôr dourada, ou argumentada, ou mesmo açucarada, ou engarrafada, ou emantilhada. Pois também a razão sem tradição nos Padres Mestres! Também as trevas nesses Reverendos Provinciais, Secretários, Definidores, e mais Camerários Religiosos? Também nos Conventos não há luz?
Tocam as tabuletas: agora sim, agora são as mesmas trevas em pessoa: espreito os Conventos; também lá, também lá! As mesmas Freiras dos... apagarão a luz, então em trevas! Não haverão remédios? Sim: logo que cesse a matraca, se ela for bem ouvida, a luz aparecerá. O malhadismo, ou as trevas têm aparecido, e vão aparecendo por toda a parte, até mesmo onde a luz parecia inextinguível; o espírito de Satanás pôde já introduzir-se nas Eleições dos Regulares, para ali se encabeçar o erro, e o vício. Uma Abadessa Malhada! Que lições de inocência poderá dar às suas Religiosas? As suas subalternas, e adjacentes não serão também da escolha da mesma Abadessa? Não franquearam elas as portas à devassidão, e à licença? Não serão consentidas comunicações escandalosas, tratos vergonhosos? E se ainda alguma Religiosa, a quem Deus queira reservar para si, levantar a sua voz em defesa das tradições do seu Convento, não será ela abafada pela gritaria das outras, que não querem seguir mais que a sua razão, estando a sua razão somente na libertinagem? Desgraçadas as Religiosas, que vivem debaixo do Abadessado Malhado, ou das trevas, que vale o mesmo!!! Quanto a mim, a haver de sofrer um dos males, quereria antes ser governado por Malhados, que por Malhadas, porque uma Malhada é um vórtice de inconsequências, e de maldades; roda, que não para, nem há prégo, que a sujeite, enquanto não der cabo de tudo o que encontra. As Religiosas porém, que buscam remédios aos seus achaques de espírito, achá-los-hão na oração, e no sofrimento; sem embargo de que não contradiz à humildade uma súplica em termos ao Bispo, ou Governador do Bispado, se ele quiser atender às Esposas de Jesus Cristo. Mas basta de remédios de Freiras; porque não nasci eu para dissipar as trevas dos Conventos, nem para lhes tirar as suas malhas!
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| Igreja dos Clérigos erguida em 1732 no Porto, símbolo da generosidade portuguesa para com os Clérigos mais necessitados. |
As trevas estarão também nos Religiosos? Como? Empunhando o Ceptro algum dos Súcios, e afilhados de José da Silva Carvalho! Tocará logo a matraca sobre os bons Religiosos! Licença à depravação, soltura às paixões, desenfreio à mocidade! Lá irá até a Ordem de S. Francisco, se Deus lhe não permitisse uma duração igual à do Mundo! Pedreiros, Constitucionais, Malhados, também nas Igrejas, nos Conventos, e empolgando os maiores Empregos!.. De certo é entregar aos inimigos da Igreja o Património da mesma Igreja! Logo que eu vejo ocupando lugar numa Congregação de Regulares algum Padre de pouca idade, de menos merecimentos, mas de muita presunção, e que já aspira a uma Mitra!!... Estou para dizer Adeus às Corporações Religiosas, se não tivesse em Deus uma esperança viva, de que não há de permitir que as trevas ocupem para sempre toda a terra! Continuam as trevas. Onde? Em uma grande Sé de Portugal! Como? Ora apalpem lá como puderem, porque isto não o vê quem deve; mas eu lho digo. Um Clérigo de mau nome em toda a extensão da palavra desde os pés até à cabeça, desde o seu nascimento até à sua elevação, procura em toda a Diocese assinaturas do Clero, Nobreza, e Povo, para que ElRei Nosso Senhor o eleja para Bispo, ou Arcebispo, ou o quer que é, que a língua não quer chegar!!! As trevas continuam, mas a Epigrafe não. Apaga-se a luz: se os Portugueses querem ver, e ouvir o que lhes convém, sigam todos os costumes, que seus Ascendentes praticavam no ano de 1732, e haverá então Justiça, e Religião; haverá Paz, e Prosperidade; haverá Rei, e Vassalos; todas as coisas estarão no seu lugar, e eu no que me cumpre, que é o da morte, para não ver tantas, e tantas coisas, que parecem inventadas pelo diabo, para não haver coisa boa. [demova-se aquele que amaldiçoa o séc. XVIII sem discriminar Reinos]
Rebordosa 18 de Abril de 1832.
Fr. Alvito Buela Pereira de Miranda
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