16/01/15

IMITAÇÃO DE CRISTO - Thomas de Kempis (LI)

(continuação da L parte)

A IMITAÇÃO DE CRISTO
Thomas de Kempis

III Livro
A Fonte Das Consolações

Cap. XIV
Cumpre Considerar os Ocultos Juízos de Deus Para Não Nos Desvenecermos Com os Nossos Bens

1. Alma - Senhor, quando me falais, os Vossos juízos, como um trovão, me aterram, meus ossos estremecem de medo, a minha alma se enche de pavor. Assim, atónito, considero que os meus céus não são puros aos Vossos olhos. Se Vós, nos Vossos próprios Anjos, achastes maldade e os castigastes, que será de mim, sendo o que sou?
As estrelas cairão do Céu; e eu, pó e cinza, que posso esperar?
Eu vi cair, como do Céu à Terra, pessoas de vida louvável que depois de se terem nutrido com o Pão dos Anjos se deleitaram com o alimento dos porcos.

2. Nenhuma santidade, meu Deus, pode subsistir, se a Vossa mão soberana não a sustenta. Nenhuma sabedoria pode conduzir-nos, se a Vossa luz não nos orienta. Nenhuma força pode suster-nos, se a Vossa omnipotência não a conserva. Nenhuma castidade está segura, se não tendes o cuidado de protegê-la. Enfim, nenhuma vigilância pode salvar a alma, se Vós, em sua guarda não a vigiais.
Assim que nos deixais, caímos e morremos. Assim que vindes outra vez, levantamo-nos e vivemos.
Nós não somos senão inconstância e toda a nossa firmeza vem de Vós. Nós não somos frialdade, mas sois Vós que, vindo a nós, nos abrasais.

3. Que humilde e baixo conceito devo formar de mim mesmo e quão pouco devo estimar o bem que porventura haja em mim! Em que humildade posso eu submergir à vista dos Vossos juízos, se em mim não acho outra coisa senão nada e nada?
Ó peso imenso que me oprimes! Ó mar sem fundo e sem margens, onde de mim não descubro senão que sou um nada e um nada de todos os modos! Onde se ocultará, pois, em mim, esta raiz de soberba e essa confiança presunçosa no pouco bem que pratico? Toda esta vaidade se abisma na profundeza dos Vossos juízos.

4. Que é o homem, à Vossa vista? Pode porventura elevar-se o barro contra quem o formou? Como pode envaidecer-se com vãos louvores aquele cujo coração é na realidade obediente a Deus? O mundo inteiro não pode ensoberbecer aquele a quem a verdade subjugou, nem se deixará mover pelas palavras dos que o louvam aquele que só em Deus pôs a sua esperança. Os homens e as suas palavras passarão como um relâmpago. Só a verdade de Deus permanece eternamente.

HARMONIA POLÍTICA DOS DOCUMENTOS DIVINOS (III)

(continuação da II parte)



Parágrafo II
Recta Intenção ["Boa Tençam"]

A recta intenção é anexa à Religião; quer dizer que o Príncipe deve encaminhar [ordenar] as suas acções a bom fim. Isto é o que mostra a Divina Política no Evangelho, quando ensina que:

1. O bem e o mal saem [partem] do coração. Porque nas obras da indústria [esforços empregues a um fim] se louva a destreza, nas da virtude [se louva] a intenção que lhes dá forma. O edifício não perde a excelência pela má vontade do arquitecto, mas o acto de justiça veste-se de malícia pelo ruim intento do juiz; é logo [por isso] o coração princípio da vida da virtude, como da do corpo. As generosas acções dos mais dos gentios degeneraram em vícios, porque tomaram por fim uns o interesse, outros o gosto, e os mais célebres a vaidade, ou a ambição. Aristóteles Ethico o entendeu quando disse que toda a acção louvável era composta de duas partes: prudência, para escolher bom sujeito, e virtude moral, para procurar legítimo fim.

2. O verdadeiro do homem é Deus, mas dos Príncipes por especial obrigação [o é]; porque, procedendo os Estados da instituição divina, a administração se deve oferecer a Sua glória. A Ele pois dirija o coração as acções, expressamente é melhor; mas bastará implicitamente obrando por amor da virtude, porque aquilo que assim se obra, é bom: o que é bom, agrada a Deus; o que agrada a Deus, é segundo Sua vontade, ou revelada por Sua Lei, ou gravada pela natureza: e no que é segundo sua vontade consiste a vida. Donde ["disto"] inferiram graves ["sérios"] teólogos que as excelentes obras dos infiéis feitas puramente por respeito da virtude se encaminham de sua natureza a Deus, posto que a infidelidade as faz descair; porque tudo o que pertence à recompensa eterna não é suficiente para alcançá-la se não é acompanhado da graça ["graça divina", sentido sobrenatural] e outras qualidades; causa pela qual só a fé não leva ao Céu o Cristão que morre em pecado ["pecado mortal" - entenda-se que mesmo sem a graça a inteligência pode guardar a lucidez suficiente para manter as verdades reveladas e lhes dar certo reconhecimento do que são, contudo já não seria esta a Fé assistida pela graça mas sim o efeito prolongado que esta virtude teologal tinha operado na ordenação da inteligência], como o direito de suceder ao pai fica inútil pela culpa do filho.

MEIO PRINCIPAL
Pelo Qual se Conhece a Recta Intenção do Príncipe

3. A Política Divina exclama por David. Entendei Reis, aprendei vós que julgais a terra, servi ao Senhor. Esta é a prova da recta intenção [bom propósito]. Príncipes há que com capa religiosa cobrem a ambição, mas como não há coisa tão encoberta que não se revele nem tão oculta que não se saiba, vem finalmente a conhecer-se que levantaram altar aos interesses, e converteram  o culto Divino em negociação, fazendo sacrilégio, e não sacrifício. Quem reina para servir a Deus o mostra principalmente em três efeitos:

4. Primeiro, tratar só da utilidade do povo [não a classe Povo, mas a população, a grei] que Deus lhe encomendou.

5. O santo Rei D. Afonso Henriques na sua gloriosa visão pediu ao Senhor que convertesse contra sua pessoa os castigos que aparelhasse pesso os castigos que aparelhasse contra sua gente. O grande Rei D. João II no pelicano com a letra célebre "pela lei e pela grei" tomou esta obrigação por empresa [esforço empreendido]. Sendo aconselhado que mandasse despovoar um lugar das conquistas, porque assim convinha ao bem de sua fazenda, respondeu "e que farei a tantos filhos quantos aí tenho?"; mais insigne foi seu exemplo quando na morte do Príncipe seu filho, a quem amava sumamente, se consolava dizendo que fizera Deus mercê a Portugal, porque seu filho (por afeiçoado a regalos) não era [adequado] para Rei de portugueses; assim antepunha o bem do Reino à conservação de sua descendência, da qual saía a coroa para transversais [linha transversal de sucessão no Trono]: finalmente todos os nossos reis mostraram nisto tanto afecto, que por ele foram chamados país dos Vassalos.

6. O segundo é: adquirir domínios só para dilatar o Evangelho.

7. O douto Bossio confessa que aqueles que o dilataram mais foram os reis portugueses; e com prerrogativa (acrescenta o insigne João de Barros) que foram os primeiros que da parte da Europa que lhes coube em sorte, lançaram os Mouros, os primeiros de Hispanha [Península Ibérica] que lhes fizeram guerra em África, os primeiros que os perseguiram no mais remoto da Ásia tendo assim as primícias gloriosas desta dilatação da Fé.

8. Terceiro efeito se vê em que o possuir estados, seja não só para conservar os bens das igrejas, mas também para os aumentar com novas doações, nas quais (diz um texto civil) a imensidade é a melhor medida; nas de dinheiro não se pode considerar inconveniente da república [entenda-se "o que é publicamente comum"] em tirar as terras dos seculares; e aos que argumentam que os tesouros reais são melhor empregados em outros gastos comuns, respondeu Filipe Augusto Rei da França: "Se soubereis quão contínuas mercês fez Deus aos reis, e quanto necessitamos de que não cessem, conheceríeis que Lhe demos mui pouco os que parecemos com Ele mais liberais [entenda-se "mais generosos"]".

9. Tão contínuos eram os reis de Portugal em edificar e enriquecer os templos, que só D. Afonso Henriques fundou e dotou 150 (não fazendo para si casa), e D. Manuel mais de 50, muitos tão grandiosos que requeriam largas vidas e grandes tesouros de diversos reis.

(continuação, IV parte)

05/01/15

PASSOS COELHO - FELICITAÇÃO AO PATRIARCA DE LISBOA

Tiara Patriarcal
(mitra em 3 níveis, como tiara papal, só concedida aos Patriarcas de Lisboa)

Ontem, dia 04/01/2015, o Sr. Primeiro Ministro da República em Portugal, Pedro Passos Coelho, na convicção do seu cargo, felicitou o Sr. Patriarca de Lisboa pela nomeação cardinalícia.

Honra seja feita à verticalidade da declaração do Gabinete do Sr. Primeiro Ministro da República em Portugal enviada à Agência Lusa:

"Trata-se de um elevado significado para o nosso país, e em especial para a Igreja e a comunidade cristã, dando continuidade à tradição histórica de o Patriarca de Lisboa ser também nomeado Cardeal".

Brasão de D. Tomás I (1670 - 1754), primeiro Cardeal Patriarca de Lisboa
(o uso de Tiara Papal sobre o brasão, para além do Papa é honra exclusiva nos Patriarcas de Lisboa)
Para que alguns leitores não fiquem enganados, lembro que não há Portugal fora da Santa Igreja, portanto não há uma "comunidade cristã" entre os portugueses, e sim que, os habitantes não católicos e comunidades não católicas em Portugal, pelo que nos mostram as leis e costumes da nossa pátria, não são realmente portugueses. A República, em Portugal e nos outros países que ocupa, veio impor o falso critério de "nação", ou seja, o critério segundo a geografia do nascimento de cada pessoa. É verdade que a nomeação cardinalícia faz parte de uma tradição histórica, mas não é isto que a legitima; o que legitima tal elevação é o direito estabelecido por meio da Bula de Ouro (e que está sujeita ao Papado).

É certíssimo tratar os católicos por cristãos ("cristã"), como se faz no comunicado acima. Muito me admira...!

Olhando apenas as intenções, vai um voto de simpatia para certa coragem e preocupação identitária que no comunicado transparecem.

De momento ainda não se sabe se o Senhor D. Duarte Pio de Bragança, sucessor no Trono de Portugal, emitirá o seu parecer a este respeito.

04/01/15

MAIS VALE TARDE QUE NUNCA - PATRIARCA DE LISBOA A CARDEAL


Desde o séc. XVI,  por Bula de Ouro, os Papas elevam a Cardeal os Patriarcas de Lisboa (logo no primeiro consistório). D. Manuel Clemente é o primeiro Patriarca de Lisboa a quem não foi aplicado este antigo direito, e o Papa Francisco foi o único até hoje a infringir a dita bula. Depois de vários consistórios passados, o Papa Francisco, anunciou hoje (4 de Janeiro) 15 novos Cardeais, entre os quais consta o Patriarca de Lisboa.
O consistório será a 14 de Fevereiro de 2015.

Com a fama de humildade do Papa Francisco, muitos não esperariam a ausência de explicações para tal irregularidade! Assim, pela primeira vez, não fica evidente que a nomeação de D. Manuel Clemente tenha algo a ver com as garantias dadas pela Bula de Ouro.

Mesmo que o Papa não venha a justificar esta sua irregularidade, o blog ASCENDENS vai desde já cessar a campanha em favor da Bula de Ouro e da sua devida aplicação.

O argumento de que D. Manuel Clemente fôra nomeado Patriarca antes da morte do seu antecessor (Cardeal eleitor) não tinha sido publicamente apresentada pela Santa Sé, nem pelo Patriarca de Lisboa. É moda "pós-conciliar" tratar estas dignidades como profissões das quais se poderia pedir aposentação (nisto nem se quer seguir o tão aclamado João Paulo II)! Veja-se a confusão resultante da abdicação do Papa Bento XVI...  (que a moda não pegue).

03/01/15

IMITAÇÃO DE CRISTO - Thomas de Kempis (L)

(continuação da XLIX parte)

A IMITAÇÃO DE CRISTO
Thomas de Kempis

III Livro
A Fonte Das Consolações

Cap. XIII
A Obediência Humilde, A Exemplo de Jesus Cristo

1. Cristo - Filho, quem se furta à obediência, furta-se à graça. Quem procura o bem particular, priva-se dos bens comuns e gerais. Quem não se sujeita de boa vontade ao seu superior, mostra que a sua carne ainda não lhe obedece perfeitamente, mas resiste e murmura muitas vezes.
Aprende, pois, a obedecer prontamente ao teu superior, se desejas que a tua carne também te obedeça.
Tu vencerás depressa esse inimigo se o teu coração não estiver dividido contra ti.
Tu és o mais penoso e o mais formidável inimigo da tua alma, quando não te rendes ao que a lei do espírito pede de ti.
É necessário que te desprezes a ti mesmo, se queres triunfar da carne e do sangue.

2. Mas porque ainda te amas desordenadamente, receias sujeitar-te à vontade dos outros. Que maravilha, no entanto, julgas ver no facto de, sendo tu pó e nada, a um homem te sujeitares, quando eu, que do nada tirei todas as coisas, me sujeitei aos homens, por amor de ti?
Eu desci do cume da minha glória ao mais profundo abismo da tristeza, a fim de que aprendesses a vencer a soberba do homem pela humildade de um Deus.
Aprende a obedecer, pó soberbo; aprende a abater-te, terra e cinza, e a querer ser bem pisada aos pés de todos. Aprende a quebrar as tuas vontades e a entregar-te à sujeição.

3. Ira-te contra ti mesmo e não sofras que a soberba te domine. Mostra-te tão pequeno e humilde que todos possam andar sobre ti, como se anda sobre a lama das ruas. De que podes queixar-te, homem vão e presunçoso? Que podes opor, vil pecador, àqueles que te injuriam, se tu tantas vezes injuriaste a Deus com teus pecados, merecendo, por isso, as penas do Inferno?
A minha misericórdia te perdoa, porque a tua alma é preciosa a meus olhos e desejo que conheças quanto te amo e quanto deves ser agradecido aos meus benefícios, e para que te entregues à submissão e à humildade, sofrendo com paciência o ser desprezado.

HARMONIA POLÍTICA DOS DOCUMENTOS DIVINOS (II)

(continuação, II parte)


CONSEQUÊNCIAS
Por Razão

6. Conhecido assim o príncipe por Religioso alcançará quatro consequências utilíssimas.

7. Primeira; excelência grande para ser bem quisto; porque não há coisa que o faça tão ilustre como a Religião.

8. A dos Sereníssimos Reis de Portugal sempre pura, sua constante fé nunca rendida (diz o insigne escritor Tomás Bossio) lhes acuirio o amor com que pelo qual foram tratados pelos Vassalos como Pais; assim o conheciam os Príncipes, e Escritores estrangeiros.

9. Segunda; valor para empreender o necessário; porque naturalmente é mais confiado quem cuida que terá o favor do Céu.

10. Nossos Reis D. Afonso Henriques, e D. João I depois de fazerem algumas devoções na igreja de Nossa Senhora da Oliveira de Guimarães, partiam para as batalhas tão animados, como se levassem victoria certa. E o grande D. João II por estremo religioso, cometeu coisas que pareciam temerárias.

11. Terceira; autoridade para ser obedecido; porque os súbditos nem se persuadem que mandará injustamente quem é religioso, nem se atrevem contra aquele que entendem que tem por si a Deus. Numa para ser respeitado em Roma fingiu-se familiar da Deusa Egeria: Sertório, para que lhe obedecessem os Hespanhois se mostrava favorecido de Diana: Cipião, e outros Estadistas, usaram do mesmo artifício; se pode tanto a sombra da Religião falsa, quando mais poderá à luz da verdadeira?

12. Esta foi a causa, na opinião do mesmo Bossio, pela qual fòs os Reis de Portugal entre todos os do mundo foram Senhores absolutos, obedecidos mais como oráculos, que como Príncipes.

13. Quarta consequência, é dar bom exemplo aos Vassalos para lhe serem fiéis; porque, sendo certo que o obrar dos Príncipes é preceito para os súbditos, não há tão eficaz meio para os persuadir à fidelidade, como verem que ele a guarda a seu superior. Como ensinara que se obedeça aos Príncipes quem não obedece a quem faz os Príncipes? No governo de Rómulo foi Roma guerreira: no de Numa, religiosa: no dos Fabrícios, continente: no dos Catões, regrada: no dos Gracos, sediciosa: no dos Luculos, intemperante. O Império no governo de Constantino foi Católico; no de Juliano, idólatra: no de Valente, Arriano. O povo de Israel no Reinado de David, Ezequias, e Josias, floresceu em Religião: no de Jeroboão, caiu em idolatria; mais fácil é errar a natureza que formar o Príncipe uma República diferente de si. Primeiro veremos que os lobos geram cordeiros, e que as silvas produsem rosas, do que vejamos que um Rei desleal a Deus faz subditos leais a si; todos os que fundaram sobre o Ateísmo edificaram torres de Babel, ou estátuas com pés de barro, os que plantaram na Religião floresceram gloriosamente.

14. Assim se viu, diz o mesmo Bóssio, nos Reis Portugueses, sendo Portugal o único Reino em que nunca os Vassalos conspiraram contra a vida de seu Rei, ou se rebelaram contra seus mandados. Bem disse a Divina Política pelo Apóstolo, (ainda para as matérias de estado) "Ninguém pode por outro fundamento, senão o que está posto, que é Cristo Jesus".

SENHOR

15. O Tribunal da Inquisição é uma das principais colunas da Religião neste Reino; todas as Províncias em que ele falta se vêm ou arruinadas, ou contaminadas na fé; favorecê-lo é sustentá-la, e conservar o Estado, não só em respeito do Judaísmo, como cuida o vulgo, mas principalmente em respeito das heresias do Norte mais inquietas, e contagiosas, que só por medo deste Tribunal santo se refreiam de nos cometer, e são peste da vida civil, ainda no temporal, porque causam divisões, que são desolação dos Reinos, e professam novidades no governo, e total extinção dos Reis. Só a Religião Católica manda que se lhes obedeça pontualmente: é fundamento da República [entenda-se "ordem pública"]; vínculo da sociedade, firmamento da justiça, sustentadora da vida, sem ela nem o Príncipe, nem os súbditos puderam fazer seu ofício; se V. A. Real não fosse mui religioso, menos o seriam eles; glorie-se V. A. R. de o ser, que é permitido gloriar-se desta excelência, venha qualquer sucesso, todas as prosperidades serão de V. A. R. tendo muitos bons que o sirvam, pois disse a Divina Política pelo Eclesiástico: "Qual for o governador da cidade, tais serão os habitadores dela."

(continuação, III parte)

CONTRA-MINA Nº 33: Última Esperança dos Pedreiros ... (II)

(continuação da I parte)

D. Miguel, Rei de Portugal, O Tradicionalista
É preciso que, ao tratar estas matérias, eu busque de vez em quando alguma distracção, que me faça esquecer da viva mágoa, que me repassa o coração todas as vezes, que deito os meus olhos ao tristíssimo papel, que há feito, discorrendo por mares, e terras, essa malfadada Princesa, a quem eu chamava em 1828 desde a Cadeira da verdade "Princesa digna de melhor fortuna". Agora porém já não curam de haver-lhe um esposo a torto, e a direito, que nem sei como se não lembraram de a oferecer a algum dos filhos de Luís Bonaparte; não trataram agora senão da eleição de um Regente de mão cheia, que deitando a sua dextra prepotente ao timão dos negócios públicos, imprima nas acções do Governo, durante a menoridade da Senhora D. Maria da Glória, tal força, e carácter de virtude, que assombre, e espante os mais ladinos Gabinetes da Europa. Mas quem será o novo Regente? O primeiro, que lembra é, sem questão, o 2º Pombal, a melhor cabeça negociadora dos tempos modernos, a flor da Diplomacia, o talento mais fidalgo, que nunca houve na Monarquia Portuguesa, pois tratando-se em Viena d'Áustria os nossos interesses, com uma das mãos restituía a Caena aos Franceses, sem ao mesmo passo estender a outra para reclamar a integridade dos Domínios Portugueses; quero dizer, Pedro de Sousa Holstein, que mesclado de sangue Alemão, e Português, daí mesmo tirou azos para se mostrar umas vezes estrangeiro, outras nacional deste Reino. Por qualquer dos lados não me espantam as suas Fidalguias, e caso se estomagassem por isso, ou se acendessem cada vez mais contra mim os Consanguíneos, e Confrades de alta esteira, justo é, que saibam por uma vez, que o Frade de Alcobaça olha, e olhará sempre com reverência para uma classe, que deve ser o esteio da Monarquia, mas logo que a veja apodrecer, ou deslumbrar-se com acções indecorosas, nomeadamente contra um Rei, que os veio tirar da boca do Lobo, que a estas horas (se ele não fosse) já estariam todos no imenso bojo da fera, todos engolidos, para nunca mais aparecerem, ou figurarem neste mundo, então deixarei de ter com eles a mais leve contemplação, e porei ao Sol tais defeitos Genealógicos, que façam pasmar a todos os bons Portugueses, que talvez consideram certos heróis como filhos do Sol, e netos da Lua. Cada um é filho das suas acções; não é princípio republicano, é princípio de eterna verdade, e quanto a mim dou mais pelo Carrasco, fiel executor das Ordens Superiores, do que pelo Marquês novíssimo, e de ontem, pois é feito pelo Senhor D. João VI, que também o fez Conde, e todos estes benefícios se voltaram contra um Filho do próprio Senhor D. João VI, que Deus tenha em glória. Enfureceu-me só de ouvir a palavra amnistia, porém ao dizer-se que tem havido quem a solicite para um Pedro de Sousa, erriçam-se-me os cabelos, perco o fio das minhas ideias, e parece-me, que vejo urdir do pó da terra, ou do seio dos tumultos a quantos foram justiçados até hoje pelo crime de rebelião contra o Senhor D. MIGUEL I, e dizerem queixosos, e suspirando..... Brada ao Céu, que fossemos justiçados, se um como este, só por ser Fidalgo, e ter Parentes Fidalgos, há de ser absolvido, quando um só dos seus crimes excede todas as somas, dos que nós todos cometemos, e nos levaram ao patíbulo.

Foi preterido na Regência, porém dão-lhe, e conferem-lhe o Emprego imediato, e vem a ser, o de Inspector da Educação da Senhora D. Maria da Glória.... Que grandes felicidades não espera desta vez o Reino de Portugal! E´-lhe destinada uma Soberana, uma Princesa, que tem por seu Mestre, e Director o ex-Conde, o ex-Marquês, o ex-Comendador, o ex-Fildalgo, e o ex-Português Pedro de Sousa!!!!!!!!

O ar de zombaria, com que certos Papeis Estrangeiros costumam tratar desde longo tempo, e já muito antes que ele subisse ao Trono dos seus Maiores, o Rei mais querido, e mais eminentemente nacional, que tem havido na Europa, quero dizer, o Senhor D. MIGUEL I, é no meu conceito a mais prezada injúria, que se pode fazer aos bons Portugueses; e só esta nos devia acender, para que em toda a hipótese, em toda a circunstância mostrássemos aos Estrangeiros, e de um modo terrível, que ainda somos Portugueses.... Não quero exceder-me, só quero, e posso comunicar a todos os fiéis Portugueses uma nova por extremo agradável, e lisonjeira "A que se intitula Rainha de Portugal, vai ser educada à Inglesa!!!!" [ironia]

Quem não esperará optimas consequências de um tão fausto, e bem agourado princípio? Mas quem é o preconizado Regente, dirá algum Leitor, já cheio de impaciência por decifrar esta como adivinhação? Será o descendente do vencedor do Ameixial, que tantas vezes se terá lembrado das cebolas do Egito, e das ameixas da sua terra? Será o fogoso, o intrépido, o Constitucionalíssimo Dann, por quem suspiram tantos honrados Oficiais, aos quais ele, ou demitiu, ou encarcerou? Não é nenhum destes; calçará mas alto; é Pessoa Real. Então é algum Príncipe, que ao melhor sangue da Europa junte os brasões da amiga do Director Barrás? Coisa mais alta. Como pode ser mais alta, se nenhum Rei da Europa virá aqui para ser um simples Tutor, ou Regente? Pode ser mais alta, e o é com efeito; a saber, o Senhor D. Pedro de Alcântara ex-Defensor perpétuo do Brasil. Pois isso é crível, que é presentemente a mais fresca das esperanças dos Pedreiros Livres, que se felicitam uns aos outros, e se dão mutuamente os parabéns, de que o Senhor D. Pedro ande em caminhadas, e viagens de Londres para Paris, e de Paris para Londres feito solicitador desta Regência; que tal é o amor, que ele tem à sua antiga Pátria!! Quando julgou não carecer dela para coisa alguma, e que toda a ligação, que tivesse connosco o tornaria suspeito aos seus queridos, e perpetuamente fiéis Brasileiros, tratou-nos com um desamor tão notável, que fez espécie a quantos leram as suas despedidas, e os seus elogios fúnebres à Nação Portuguesa... Actualmente sopram outros favonios, e correm outros ares. Não se esqueceu inteiramente de que nos injuriou, e doestou sobremaneira, mas vem agora fazer a Lisboa uma soleníssima retratação de quanto nos fosse desagradável, e por isso todos os Portugueses, que arrojam os grilhões do mais pesado cativeiro, hão de recebê-lo com os braços abertos, porque enfim os Portugueses são muito boa gente.... não como rebanho de carneiros para onde os levam....

(continuação, III parte)

HARMONIA POLÍTICA DOS DOCUMENTOS DIVINOS (I)

Já há tempos que estou para publicar quanto possa da  obra intitulada "Armonia Politica Dos documentos Divinos com as conveniencias d'Estado. Exemplar de Principas No Governo dos gloriosissimos Reys de Portugal. A Serenissimo Principe Dom Theodosio nosso Senhor.", de 1551, da autoria de António de Sousa de Macedo, também autor da "Flores de Hespanha". Esta obra pode talvez corrigir más interpretações hoje feitas, e não têm faltado defensores monárquicos, dizendo-se "tradicionalistas", que erram muito na sua causa pôr colocá-la mais alto que a doutrina e filosofia católicas tradicionais.

Em tempo de revoluções liberais, os católicos que se negaram a abandonar parte da doutrina ou pensamento católicos, ou se negaram a deturpá-los, foram chamados "tradicionalistas" por distinção aos liberais, fenómeno que se veio também a repetir posteriormente algumas vezes, e até aos nossos dias. Tal como no séc. XIX houve gradual divisão no seio da sociedade católica (e daí o liberalismo ter avançado), agora não haveria motivo algum para julgar que, na intenção de hoje se ser "tradicionalista" (como aqueles nossos antepassados que na hora da luta se juntaram ao Senhor D. Miguel I) não houvesse também divisão à custa dos mesmos erros.

O conhecimento do pensamento católico e doutrina católica, milenares (não confundir com a salada "pós-conciliar"), dão o entendimento daquilo que os nossos ilustres antigos entenderam, alcançaram, produziram. Claro, o conhecimento teórico será pouco, o conhecimento justo virá com a prática dos mesmos preceitos e virtudes, o tomar verdadeiramente a doutrina, os escritos dos santos, os sacramentos, .... a Fé esclarecida...!

Vamos à obra:

PARTE I
DA JUSTIÇA PARA COM DEUS

Parágrafo I
Religião

Para com Deus pede a justiça no Príncipe Religião; dando-lhe a Política Divina no Deuteronómio este documento :

"Depois que o Rei se assenta no trono de seu Reino, trasladará para si a lei santa num volume, e a terá consigo, e lerá cada dia, para que aprenda a temer ao Senhor seu Deus, e guardar suas palavras, e cerimónias que são mandadas na lei." (Deuter. 17 n. 18 & amp; 19)

1. A Religião [lembrar que a Santa Igreja ensina que uma coisa é a Religião, e outra são as falsas religiões, não havendo outra Religião propriamente dita que o Catolicismo, e que não há outro verdadeiro Cristianismo fora da Santa Igreja. Também se costumam chamar "religiões" às ordens religiosas da Santa Igreja], a que o direito das gentes obriga todos os homens, é divida maior dos Reis, não só porque devendo eles preceder aos mais nas virtudes, é justo que precedam principalmente nesta cabeça de todas; mas também, porque, havendo saído de Deus, por quem reinam, é curso natural, que, para continuarem, tornarem a sua origem, como os rios ao mar; sendo substitutos de Deus, devem reinar só para ele, por não serem rebeldes: recebendo de Deus a jurisdição têm dele particular dependência conforme a direito: e exaltando-os Deus, foram obrigados a humilhar-se-lhe mais, sob pena de ingratidão. 

2. Esta virtude abraçada só em particular, é excelente prémio de si mesma. Para os que o buscam, temporal, o principal consiste em que Deus favorece mais os que o veneram muito, e assim dá fins gloriosos a suas acções; mas para, tratar dos frutos da Religião por consequências humanas, segundo meu assunto, é necessário que a do Príncipe seja conhecida em público. Vejamos por qual meio.

MEIO PARA O PRÍNCIPE
Ser Conhecido por Religioso.

3. A Política divina adverte por Job que "a esperança do hipócrita perecerá"; ninguém pode muito tempo trazer máscara; o fingido torna ao natural: a atenção não se conserva, uma acção simples destruirá a máquina do fingimento. A hipocrisia é uma mentira que cedo ou tarde fala verdade contra si; uma luz falsa que, depois de haver enganado nossos olhos, mostra caindo, que avaliávamos por estrela, o que era vapor; e assim não funda estável quem libra o crédito no aparente.

4. A verdadeira Religião, ensina o Eclesiástico, é a que justifica, pois as minas de ouro, e as veias da água lançam das entranhas da terra sinais pelos quais são conhecidas;é impossível que a luz da Religião, não lance da alma resplendores que a manifestem; e mais sendo próprio da grande fortuna do Príncipe não ter qualidade escondida, é logo o meio certo para se mostrar Religioso, ser o que deseja parecer; e meio mais suave; porque mais fácil é ser bom, que parecê-lo, pois o ser depende da verdade, o parecer, do engano, que é mais penoso; melhor se cuida da obrigação própria, que da opinião alheia, pois aquela está na mão de cada um: esta no arbítrio de outrem.

5. Assim o fizeram os Sereníssimos Reis de Portugal; alheios de hipocrisia, foram no interior, o que no exterior deviam parecer; por santos qualificou Deus com milagres a D. Afonso Henriques, D. Sancho I, e D. João II; por virtuosos com insignes sucessos aos outros Reis; e para conservarem a Religião pura ["pureza da fé"], estabeleceram em seus Estados o Tribunal santo da Inquisição, sem respeitarem as utilidades aparentes que ele lhes desvia.

(continuação, II parte)

A IGREJA VISÍVEL - Pensando ...

Por "igreja visível", que não é o mesmo que dizer "Igreja", nem "Igreja Militante", nem "Igreja Triunfante", nem "Igreja Padecente", deve entender-se apenas "visibilidade da Igreja"!?

Não é "igreja visível" apenas a "visibilidade da Igreja"!?

Haja quem responda...

02/01/15

IMITAÇÃO DE CRISTO - Thomas de Kempis (XLIX)

(continuação da XLVIII parte)

A IMITAÇÃO DE CRISTO
Thomas de Kempis

III Livro
A Fonte Das Consolações

Cap. XII
Necessidade da Paciência na Luta Contra os Apetites

1. Alma - Meu Senhor, meu Deus, reconheço que a paciência me é necessidade indispensável, porque nesta vida sucedem muitas coisas que afligem. Ainda que eu faça por ter paz, a minha vida será sempre acompanhada de perturbações e dores.
Cristo - Meu filho, o que dizes é verdade. Mas eu não quero que faças consistir a tua paz na isenção de tentações ou não encontrar coisa alguma que te aflija.
Antes crê ter encontrado paz, quando tiveres padecido muitas atribulações e tiveres experimentado muitas adversidades.

2. Se dizes que não podes sofrer tanto, como suportarás o fogo do Purgatório? Entre dois males é preferível eleger-se o menor. Para evitar os males eternos, sofre por Deus e de bom ânimo os males presentes.
Crês que os mundanos têm pouco ou nada que sofrer? Aqueles mesmo que vivem nas maiores delícias não estão livres de padecimentos. Dirás, talvez, que eles, por outro lado, usufruem de várias diversões e satisfazem todas as suas inclinações e desejos, o que serve de adoçar-lhes as penas.

3. Suponhamos que assim seja e eles têm tudo o que quiserem. Mas quanto tempo julgas que lhe durará essa felicidade imaginária? Verás todos esses grandes do mundo desaparecerem como o fumo que se esvai, sem deixarem memória alguma dos seus prazeres passados. Enquanto vivem, não usufruem esses prazeres sem amargura, fastio e temor, porquanto muitas vezes lhes vem o castigo e a dor do próprio objecto do seu deleite.
A minha justiça é que os castiga dessa forma. Já que desordenadamente buscam e seguem os prazeres da carne, é bem que os não gozem sem confusão e amargura.

4. Que coisa há mais falsa, mais desordenada, mais ignominiosa do que a sensualidade? Mas os homens, por sua cegueira, não conhecem isto; antes, deixando-se arrebatar pelas paixões, como brutos sem razão, compram as breves delícias desta vida pelo preço da morada eterna das suas almas. Tu, pois, filho meu, não sigas jamais as tuas paixões, mas renuncia aos teus desordenados desejos. Põe as tuas delícias no Senhor e Ele te dará o que pedir o teu coração.

5. Se queres ter verdadeira alegria e receber de mim abundantes consolações, despreza o mundo, corta os laços de todos os prazeres materiais, e, vindo, então, sobre ti, a minha bênção, estarás cheio de uma doçura inefável.
Quanto menos procurares consolações nas criaturas, tanto mais acharás em mim os verdadeiros prazeres do espírito.
Não os podes conseguir, porém, sem tristezas e sem peleja. O teu mau costume se oporá a esse desígnio, mas será vencido por outro melhor costume.
A carne te fará sentir as suas rebeliões, mas ela será refreada pelo fervor do espírito. A antiga serpente armará contra ti toda a sua malícia e toda a sua violência, mas as tuas orações a lançarão em fuga e a prática permanente de trabalhos úteis fechará uma das principais portas da tua alma.

CONTRA-MINA Nº 33: Última Esperança dos Pedreiros ... (I)

CONTRA-MINA
Periódico Moral, e Político,

por

Fr. Fortunato de S. Boaventura,
Monge de Alcobaça.

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Nº 33
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O medonho Fantasma se esvaece,
O dia torna, e a sombra se dissipa;
Os Insectos feíssimos de chofre
Entram no poço do afumado Inferno:
Eternamente a tampa se aferrolha.
No meio do clarão vejo no Trono,
Cercado de esplendor, MIGUEL PRIMEIRO.
(Macedo, Viagem Estática ao Templo da Sabedoria, pág. 141)
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A Última Esperança dos Malvados Pedreiros Livres Deste Reino.

D. Miguel I, no exílio
"Não tem suado mais camisas os navegantes do ar, para que os seus balões tenham uma carreira certa, e segura, do que os Aeronautas Pedreiros Livres, para que o mui Alto, e mui Poderoso Senhor D. MIGUEL I chegue a cair do Trono, a que chamaram tantos, e tão incontestáveis Direitos. Assim como os primeiros, sem embargo de tentativas inúteis, de pernas quebradas, de miolos fora, e outros que tais desastres, nunca desistem da empresa começada, nem falta quem, pondo de parte as memórias da terrível cambalhota de Pilâtre Rozier, presuma, que facilmente poderá ter melhor sucesso, e longe de se escarmentar do passado, finja melhor sorte para o futuro; assim também essa matilha de foragidos, que, para nódoa eterna do nome Português, vagueiam, e ladram por toda a Europa, fazendo-se agentes, e procuradores de quem lhes não encomendou o Sermão, mas que lho pagará em boa moeda corrente de balas, e cacetadas, se por ventura os colhesse a passear, ou desembarcar nas Costas deste Reino; já fizeram a primeira tentativa,quebraram-lhes as pernas; fizeram segunda, e vazaram-lhes os miolos; mas para fazerem terceira meditaram seriamente o caso, e dando a todas as gerações presentes, e futuras o vergonhoso espetáculo da mais rematada vilania, chamaram os Estrangeiros, para que estes alcançassem, o que os Naturais por escravizados, e martirizados nunca poderiam alcançar. O certo é, que um Rei da condição, ardimento, e valentia do Senhor D. MIGUEL I nem para Regente pode servir a homens Pedreiros Livres, cujo intento é governar, e roubar; e portanto acordaram entre si a eleição de um Regente do seu molde, que os livrasse de todos os sustos de algum pontapé fatal, e atordoador, como foi o de 22 de Fevereiro de 1828, que ainda lhes faz trazer as veneráveis cabeças a razão de juro.

Antes deste novíssimo aresto já tinham batido a muitas portas, ainda que infructuosamente; e a neta de um Rei de Portugal, e de um Imperador de Áustria tem sido como posta a lanços, para quem mais der, assim por modo de Igreja, ou Benefício controverso, que se apresenta em sujeito, que o defende à sua custa, e não exija do Padroeiro outra coisas, agora os títulos de alguma doação, ou posso, em que se funde o seu Direito. A falarmos a verdade, uma Senhora, que promete um Título de Rei, a quem casar com ela, parece que deveria achar muitos Príncipes, que a quisessem para Consorte, porém não sucedeu assim, porque todos os Candidatos sentiram o perigo à espada, e não quiseram meter-se em camisas de onze varas.

(continuação, II parte)

CONTRA-MINA Nº 30: Os Novos Estóicos ... (III)

(continuação da II parte)

O respeito e veneração, que devo ter a umas Personagens tão conjuntas a ElRei Nosso Senhor é que me cortam os fios à bem oportuna série de pensamentos, que me ocorriam neste particular, digno por certo de ser tratado extensamente. Cumpre observar por ora um silêncio respeitoso. Enquanto ele não se quebra, desafogarei ao menos numa apóstrofe ao Grande Oriente de Lisboa.

Grande Oriente, refúgio certo de todas as maldades, e de todos os crimes, receptáculo imundo de toda a casta de animal bípede, e quadrúpede, supremo arquitecto de Revoluções, e Constituições, sumidouro imenso, em que se perderia dentro em poucos anos toda a riqueza, toda a indústria, e toda a esperança deste Reino... aguça bem os teus punhais, faz quanto couber nas duas forças, e no grande número dos teus adeptos, que ainda conservas nos Lugares Públicos, e quiçá nos mais eminentes deste Reino, faz, torno a dizer, por segurar, e assestar bem os teus golpes; que ainda no caso de obteres algum efémero, ou momentâneo triunfo na Capital do Reino, eu posso afirmar-te, que não fizeste nada, e que ainda te resta quase tudo por fazer. Eu te dou um exemplo Histórico, que deverá servir-te de norma e direcção. Bem seguro se considerava em Nápoles o Grande Oriente desta Capital em 1799. As Lojas eram sem conto, deliberavam de porta aberta, e à hora do meio dia, e eram tão povoadas, que só uma (a dos Amigos das leis) constava de mil sócios. As Fidalgas Napolitanas faziam, quanto nelas era, a fim de excitarem os ânimos contra o Rei legítimo. A Princesa Belmonte levou a sua impudência ao auge de figurar num Teatro, onde pronunciou a mais violenta sátira contra os seus próprios Soberanos. A Marquesa de Fonseca redigia um Periódico Revolucionário, (o Monitor Napolitano) e esta mulher autora inflamava os ânimos, e multiplicava o número dos inimigos do seu Rei..... Levantaram-se púlpitos nas ruas, onde os Sacerdotes Constitucionais, e Jansenistas declararam, não as verdades Evangélicas, mas os princípios demagógicos os mais exagerados... Tão seguros estavam da Capital, que não aparecia um só Realista, pois caso aparecesse era logo assassinado conforme o aresto humano, e filantrópico dos Clubs Directores. No meio de tudo isto lembram-se dois a três Eclesiásticos de se porem à testa dos justamente queixosos, e lastimados de tal ordem de coisas... O amor da Pátria é um excelente Mestre de Tactica, e às vezes ensina em três dias as mais dificultosas operações de guerra. Uma Cruz branca é o sinal de reunião, e o melhor incitamento para os combates... O Cardeal Rufo já desbaratou os Franceses Protectores do Jacobinismo Italiano, Fra Diavolo, e o Cura Rinaldi limpam de inimigos as duas Calábrias... Nápoles é entrada pelos Cristãos vencedores.... Os Sacerdotes Belloni e Putiei, e a Princesa Belmonte, e a Marquesa de Fonseca, são todos enforcados; e desde Junho até Dezembro do próprio ano de 1799 não passa um só dia, em que não sejam pendurados alguns réus; que se não fossem estes actos de justiça, por certo que se aumentaria consideravalmente o Partido Liberal, e neste caso a invasão do Reino de Nápoles em 1821 teria sido mais alguma coisas, que um passeio militar do General Frimont...

Concelhos da região da Serra da Estrela
Santuário de Nossa Senhora da Estrela (Serra da Estrela)
Penhas Douradas, na Serra da Estrela
Posto o ramo só falta vender-se o vinho... Lisboa não é Nápoles, e tem mais alguma coisa do que Pedreiros e Carbonários, que para se desfazer desta boa gente, não seria preciso convidar ninguém de fora. Portugal tem duas Calábrias, e tem Rinaldins, que se derem um grito, por exemplo, na Serra de Estrela podem reunir em vinte e quatro horas trinta mil homens armados, e tem um Rei, a quem sobejam a intrepidez e o sangue frio, que tantas vezes faltaram ao Rei de Nápoles Fernando IV.

Louriçal, 13 de Agosto
de 1831.
Fr. Fortunato de S. Boaventura

IMITAÇÃO DE CRISTO - Thomas de Kempis (XLVIII)

(continuação da XLVII parte)

A IMITAÇÃO DE CRISTO
Thomas de Kempis

III Livro
A Fonte Das Consolações

Cap. XI
Devem se Examinar e Regular os Desejos do Coração

1. Cristo - Filho, quero ensinar-te muitas coisas que ainda não sabes bem.
Alma - Que coisas são essas, Senhor?
Cristo - Sujeita inteiramente a tua vontade à minha. Não ames a ti mesmo, mas abraça com ardor o que eu quiser.
Quando sentires estes desejos, que por muitas vezes te acometem com veemência, verifica se é a minha glória ou o teu próprio interesse que te move. Se eu for a causa pela qual te moves, ficarás em paz, seja qual for o sucesso da tua empresa, mas, se nela tiveres misturada alguma coisa da própria comodidade, tu te acharás aflito se não a realizares.

2. Vigia, pois, e não te dês por seguro nos desejos que formares em ti mesmo sem me consultar, para que não te aches depois obrigado a arrepender-te e a reprovar o que desejaste com tanto ardor.
Não se devem seguir todos os movimentos que à primeira vista parecem bons; nem também rejeitar logo tudo o que parece mau.
É bom, algumas vezes, usar de suspensão, ainda nos bons movimentos e nos bons desejos, com medo de que eles, por sua importunidade, te encham o espírito de distracções, ou por falta de regulação, escandalizem os outros, ou porque, achando na sua execução alguma resistência estranha, te lancem em perturbações e desmaios.

3. Em se tratando, entretanto, dos desejos da sensualidade, deves usar de violência e combatê-los com valor, não atendendo ao que a carne quer ou não quer, mas trabalhando por sujeitá-la, apesar da sua rebelião, ao império do espírito.
Deves castigá-la e sujeitá-la ao teu domínio, até que ela se renda pronta para tudo, até saber contentar-se com o pouco, até amar o que for mais simples, até, finalmente, receber sem repugnância aquilo mesmo que desagradar aos seus sentidos.

DOUTRINA MÍSTICA DE Sto. ANTÓNIO (II)

(continuação da I parte)
É verdade que S. António foi um ídolo dos povos, porque foi um propugnador ardente e incansável da justiça e da paz social, e um defensor intrépido dos oprimidos; foi além disso o martelo dos hereges, um profundo teólogo, observador perfeito das Regra do Patriarca S. Francisco de Assis, e o conselheiro dos príncipes da Igreja. Mas, é necessário advertir que foi também, além de tudo isto, um notável director de almas, paciente e esclarecido, dotado de uma prudência consumada, como requeria S. Teresa, para o espinhoso encargo de quem se senta no tribunal tremendo da penitência.

Foi homem de grande mortificação e oração sublime, dado à vida contemplativa e activa; praticando as virtudes primeiro que as ensinasse, tornou-se um verdadeiro mester espiritual, prudente, zeloso, discreto e sábio.

S. Boaventura, contemporâneo de S. António, assim se exprime num sermão sobre este grande santo, àcerca da sublimidade da sua perfeição:

"O Senhor dotou o bemaventurado António com três dons preciosíssimos; o primeiro foi a excelência da santidade, que abrasava o interior da sua alma; o segundo foi o desprezo do mundo e o amor da humildade, que se reflectia no exterior de todos os actos da sua vida; foi o terceiro a celebridade que cerca o seu nome e é amado por todos os povos. Estes três dons reunidos realizam o ideal completo da perfeição."

Em um segundo sermão sobre o nosso herói, o mesmo Seráfico Doutor, referindo-se particularmente à ciência de S. António, exclama:

"António possuía todas as ciências dos antigos. Teve a ciência dos anjos, que consiste no desempenho perfeito dos divinos mistérios a que são enviados; possuiu a dos patriarcas, que é a ciência dos peregrinos; a dos profetas, cuja missão é prever e anunciar o futuro; a dos apóstolos, que tem certa analogia com a ciência dos mercadores, porque, a seu modo, também eles compram o reino dos céus; a dos mártires, que se assemelha à ciência dos guerreiros; a dos confessores e doutores, que foram os mestres; enfim a dos virgens, que consiste na arte de fugir do pecado e evitar o comércio dos homens."

Porém, o que sobretudo fez de António um grande mestre de espírito, foi o conhecimento prodigioso das Sagradas Escrituras. A fonte principal da doutrina que ensina as almas e a elevar-se até Deus não pode ser outra senão aquela mesma doutrina que o próprio Deus inspirou, e na qual se descrevem as belezas e perfeições divinas por mão de quem as havia contemplado de um modo muito mais perfeito do que nos é dado a nós.

Pois bem; foi nesta fonte, que António, mais talvez do que nenhum outro mestre de espírito ou doutor, bebeu até à saciedade, de modo que pôde saborear todas as coisas delícias,  penetrar os seus mistérios. Não há escritor, que, falando de S. António, não advirta que ele se tornou célebre pelo conhecimento profundo das Escrituras Divinas, e por isso desde remota antiguidade, a sua imagem se representa tendo na mão um livro, que significa a Escritura, e aberto, para da a conhecer que a entendeu.

Para não referirmos agora todos os escritores que dão testemunho da erudição de S. António nas Sagradas Escrituras, recordaremos apenas o célebre Analista, Lucas Wadingo, que aprendeu em Coimbra, onde primeiro estudou, a amar e conhecer este prodigioso mestre de espírito.

Era S. António, diz este historiador, versadíssimo nas Sagradas Páginas, que tinha o talento de aplicar com uma propriedade admirável às matérias de que tratava. O Sagrado Texto havia-se convertido entre suas mãos num foco poderosíssimo de luz, cujo sentido, beleza e espírito ele sabia aplicar e desenvolver com uma facilidade e energia admiráveis.

Ora, quem assim entrou tanto a dentro pelos arcanos da ciência divina, como não será apto para nos conduzir através das trevas de espírito de que vivemos cercados? Quem, melhor do que António, nos poderá explicar os inefáveis segredos de Deus, que se contêm naquela grandiosa epístola do Senhor Deus Omnipotente à sua criatura, segundo a frase de S. Gregório Magno, e que nos foi dada e conservada incorrupta, para aliviar as nossas amarguras, firmando a nossa religião? De certo ninguém melhor do que António, que sabia de cór essas grandes epístolas que meditava dia e noite.

E o que nos atesta o sobredito Wadingo continuando àcerca de António. As suas palavras, diz, eram como setas que penetravam o coração dos ouvintes. Comunicava aos outros da plenitude que o enchia, e naturalmente, abrasando no fogo da caridade divina que atingia na Sagrada Escritura, ateava este incêndio no coração de quanto os escutavam.

Eis o nosso mestre! Escutemo-lo pois, sigamo-lo e amemo-lo, - e o nosso espírito sentirá abrasar-se no amor que abrasou o seu.

(a continuar)

29/12/14

IMITAÇÃO DE CRISTO - Thomas de Kempis (XLVII)

(continuação da XLVI parte)

A IMITAÇÃO DE CRISTO
Thomas de Kempis

III Livro
A Fonte Das Consolações

Cap. X
Suave é Servir a Deus Desprezando o Mundo

1. Alma - Romperei novamente o meu silêncio para Vos falar, ó meu Deus! Direi na presença do meu Deus, do meu Senhor, do meu Rei, que está sentado no mais alto trono dos Céus: «Quão grande é, Senhor, a abundância de doçura que reservais para os que Vos temem! Mas, o que será para os que Vos amam e servem de todo o coração? »
Na verdade, as delícias da contemplação, que concedeis aos Vossos amigos, são inefáveis. Que direi, meu Deus, deste excesso de bondade que mostrais, tirando-me do nada, subtraindo-me do estado de desordem em que vivia, a fim de que não cuidasse senão de servir-Vos, impondo-me depois disso um preceito tão doce que é aquele de Vos amar?

2. Ó eterna fonte de amor, que direi de Vós?
Poderei eu esquecer-me de Vós, de Vós que Vos dignastes lembrar-Vos de mim ainda quando eu jazia no abismo da corrupção e da morte?
Excedeste em misericórdia as esperanças do Vosso servo, conferindo-lhe a Vossa graça e amizade,  em um grau infinitamente superior aos seus merecimentos.
Com que Vos agradecerei, meu Deus, um favor tão singular? Vós não concedeis a todos a graça de renunciar ao século e de deixar tudo para entrar na vida solitária e religiosa. Porventura é coisa considerável que Vos sirva quando isso é uma obrigação que cabe a todas as criaturas? Conheço que não faço grande coisa em servir-Vos, mas o que me enche da mais profunda admiração e que, no meu conceito, me parece grande, é que Vos digneis alistar-me entre os Vossos servos e unir-me aqueles que Vos amam, sendo eu tão pobre e tão indigno dessa honra.

3. Meu Deus, tudo o que tenho é Vosso e ainda o serviço que Vos faço é um dom que me fazeis. Eu deveria fazer tudo por Vosso amor, mas sucede que mais me servis do que Vos sirvo.
Vós criastes o Céu e a Terra para servirem o homem, e estas criaturas cumprem pontualmente todos os dias as Vossas ordens. E parecendo-Vos isto pouco, determinastes que os mesmos Anjos servissem o homem. Não parando aqui a Vossa bondade infinita, ela foi infinitamente acima de todos estes benefícios, quando destes a própria vida pela salvação do homem, prometendo-lhe que Vos daríeis a ele com toda a Vossa glória.

4. Que vos darei, meu Deus, por esta infinidade de bens, de que Vos sou devedor? Oh! Se pudesse eu servir-Vos todos os dias da minha vida! Se pudera, ao menos, servir-Vos dignamente um só dia! Vós, na verdade, sois digno de ser servido, honrado e louvado eternamente. Vós sois, na realidade, meu Senhor, como eu sou Vosso escravo, obrigado a servir-Vos com todas as minhas forças, sem jamais deixar de ocupar-me nos Vossos louvores. Isto, meu Deus, é o que quero e apeteço. Dignai-Vos suprir por Vossa graça o que me falta para assim o fazer.

5. Que honra, Senhor, que glória, ser Vosso e desprezar tudo por amor de Vós! Grande cópia de graças terão aqueles que voluntariamente se fizerem Vossos escravos. Vós encheis das doçuras e consolações do Vosso Espírito aqueles que renunciam, por Vosso amor, aos atractivos da carne. Vós concedeis grande liberdade de espírito aos que, para glória do Vosso nome, entram no caminho estreito da Religião e se despojam de todos os cuidados mundanos.

6. Ó divina e agradável escravidão que fazes o homem verdadeiramente livra e que o santificas! Ó sagrada condição da vida religiosa, que fazes o homem amado de Deus igual aos Anjos, terrível aos demónios e digno de ser honrado por todos os servos de Jesus Cristo! Ó bem-aventurada e nunca assaz apetecida sujeição, que mereces em prémio o Sumo Bem e adquires por paga a glória eterna!

26/12/14

PAPA FRANCISCO - A POPULARIDADE QUE APENAS ENCANTA AOS QUE NÃO SE CONVERTEM

Nestes 15 dias ouvi e vi 3 testemunhos de gente que nada quer com a Igreja, e uma delas a detesta, e todas aplaudem o Papa Francisco. Um é maçom, e segue passo a passo os feitos do Papa (tal como nunca fizera com outros), diz também que a maçonaria aplaude este Papa e tem estado muito atenta. Outra das três pessoas diz-se católico, não quer saber sequer dos Mandamentos, mas canta vivas ao Papa Francisco! A outra das três pessoas escreve isto:

"Goste ou não se goste de religião, sejam de confissões diferentes ou ateus... Há que confessar:
- Este Papa é algo de diferente para melhor, muito melhor.
E quem se fica por criticar os milhares de milhões da igreja, pense nos milhares de milhões que despendem com marcas, hobbies, tabaco, alcool, com a satisfação do ego. O Francisco está a saber utilizar bem o cargo para o bem e por isso o meu Bom Natal ao Papa Francisco com toda a sinceridade."

(Isto é um comentário à notícia publicada no Diário de Notícias):


Papa "demolidor" avisa a hierarquia de que a sua revolução é para fazer

No encontro natalício com os membros da Cúria Romana, o governo central da Igreja, Francisco criticou as doenças que a afetam

"Francisco já mostrou que é um papa de ruturas e que quer reconduzir a Igreja à letra viva dos Evangelhos, mas talvez os bispos, os cardeais e os padres da Cúria romana - na prática, o governo do Vaticano - não estivessem à espera de lhe ouvir palavras tão duras como as que ele lhes dirigiu na segunda-feira, durante o seu habitual encontro natalício. Em vez de uma saudação tradicional alusiva à quadra, Francisco aproveitou o momento para criticar "o carreirismo", "o Alzheimer espiritual", "os boatos" e os anseios de "poder" e de "vã glória", entre outros, que grassam dentro da própria Cúria.

No seu discurso, recebido na sala com um aplauso morno e raros sorrisos, mas certamente do agrado da grande congregação dos que dentro e fora da Igreja apoiam a sua linha de renovação da instituição, o papa exortou os membros da hierarquia a abandonar o rosto "severo" e enumerou um conjunto de 15 "doenças e tentações" que a afetam." (DN)

Volto agora ao tal maçon, para mostrar que publicações tem ele no seu facebook, desde Junho:

- Notícia da morte de Jaime Gralheiro, que entre outras coisas foi "um Homem de Abril".
- "Nossos Heróis São os Professores, e Não os Jogadores" - Cartaz brasileiro
- Imagem com a diferença entre "chefe" e "líder"
- Cartaz "Não estou envelhecendo, estou-me a tornar um clássico".
- Cartoon: "Bom dia, menina. O Chefe de família está? - "Nesta família não há chefes, nós somos uma cooperativa". Comentário: "Nada como mantermos esta filosofia de pé!"
- Cartaz com o Papa Francisco, onde se lê: "Não existem mães solteiras, existem mães. Porque mã não é um estado civil."
- Imagem que representa um auto da Inquisição no Terreiro do Paço, do qual diz: "... interessante desenho de um tempo horroroso! O Tempo totalitário da imposição de um doentio cristianismo de igreja, herdado de um cristianismo de império, e por assim surgido assim ter continuado a querer ser, na sua hierarquia. Acho (estarei errado?) que M. Ferrer [autor do desenho] quis, com este desenho, responder a minha frase sou cristao não sou cristão de igreja. E quis responder precisamente (estarei errado?) por me ter assumido Maçon. Fraternalmente explico a M. Ferrer: Quando refiro o cristianismo refiro o cristianismo primitivo, essenico, que se reencontrou nos construtores de catedrais, nos templários, nos Franciscanos, nas primeiras cisoes "protestantes", como a revolta de Lutero... Claro que, por isso, me horrorizam as caças as bruxas, a destruição dos Cataros, as inquisições, a destruição da cultura feminina, ou as cruzadas ( por contraditório que tal seja face ao respeito que tenho aos templários e ao seu papel no mundo com a expansão e a primeira globalização)! Mas não me afasto da necessidade de uma visão espiritual no mundo, que o BigBang não destruiu pelo contrário reforçou...  Assim, agradeço a Manuel Ferrer a oportunidade que me deu de melhor esclarecer o meu cristianismo, que na maçonaria me conduz a rejeitar visões limitadoras quanto a mesma, ou visões estritamente "cabalísticas" da mesma, ao mesmo tempo que me orientam para uma maçonaria onde a lua e o sol se encontrem no mesmo templo - a nossa alma!
-  Vídeo sobre a ditadura militar no Brasil
- Apelo ao socialismo e ao partido PS
- Cartaz: "Sozinhos somos forte, juntos somos imbatíveis"
- Relativamente a um comentário do Bispo D. Manuel martins, diz "Todos os homens de bem e lúcidos pensam assim!", e seguem então as palavras do Bispo: "Se o ex-primeiro-ministro estivesse detido no Porto, iria visitá-lo à cadeia. O modo como foi detido foi excessivo. A forma como se vai buscar uma pessoa, como se dá aparato, é uma ofensa à dignidade com aquele espalhafato todo. Não se faz a ele, nem a ninguém. O julgamento já está feito, mesmo sem tribunal".
- Fotografias sobre debate da "violência doméstica", com o texto: "O debate sobre a violência doméstica na EPAR"
- Fotografias sobre o ERASMUS, com o texto: "E da parte da tarde mais alunos da EPAR para o nosso projecto no ERASMUS o ESPARMOVE"
- Cartaz: "Vai dar tudo certo ;) ", comentado: "O Muro de Berlim acaba de cair na totalidade com o início da reconciliação entre EUA e Cuba via a diplomática do papa Francisco! É bom estar a viver estes tempos."
- Cartaz:
Seguido do texto: "Na sua raiz iniciatica cristã, essenica, ou cristã de Roma, dos construtores de estrada a e depois de templos, os maçons, a maioria enfim ainda não se libertou do machismo medievalista (entre os dominantes os protegidos por Roma). Constato que cada vez mais esses maçons vivem longe da realidade, a profana e a esotérica inventando sobre fantasias dos burgueses ansiosos de títulos do século XIX mais títulos e falsos saberes que a nada conduzem. Dai que a busca da Igualdade esteja tão esquecida e a entrega pela Fraternidade tão limitado. Mas o mais grave e o afastamento da Mulher. Já o escrevi n vezes recordando a presença do Sol e da Lua nos templos maçônicos sendo que quanto a lua que se hoje se apresenta refletindo o Sol a ser verdade a nossa Antiguidade então seremos forçados a dizer tão somente que Sol e Lua brilham só que diversamente. Eis porque não me situo nas ditas Grande Lojas e prefiro seguir as ditas Selvagens que procuram construir a Igualdade e a Fraternidade reforçando assim a Liberdade!"
- Cartaz com o Papa Francisco (feito pelos Padres e Irmãos Paulinos) com uma mensagem o Papa: "Quando se vive preso ao dinheiro, ao orgulho ou ao poder, é impossível ser feliz.". A acompanhar o Cartaz, vem um texto: "Estou mesmo muito preocupado !Quem ler a Sábado só pode, aliás, estar muito preocupado pois ela reflete uma igreja católica ultraconservadora anti papa Francisco fanaticamente passadista setaria. Se e assim então meus caros camaradas da Esquerda estamos no fio da navalha e qualquer erro nosso será o retorno ao fascismo feito de revanche de ódios não resolvidos e gerados com o 25 de Abril e mostrando o poder que os alexandrinhos teem em Portugal. Não há segundo a Sábado círculos de debate entre os crentes católicos sobre o Sínodo da Família há sim aquele doentio silêncio do tipo mergulha e deixa passar a onda. Tudo ao contrário do tempo em qu do rei Dinis decidiu não acatar as ordens do papa e do rei francês para assassinar os Templários. Porque na época o rei Dinis e seus sucessores souberam não só dizer não ao papa como mantendo a ordem sob outra denominação usaram o seu Saber para a expansão teocratica portuguesa. Hoje ao contrário vemos segundo a Sábado uma igreja quase anti papa pelas mas razões pela defesa do errático catecismo que sustenta as elites do mundo ( e de Portugal) neste Asiático luxo de sustentar minorias com muitos filhos e as grandes maiorias sem os ter por não terem as condições econômicas para tal."
-Imagem do Pai Natal dançando com as renas, e adicionada do seguinte texto: "Não posso deixar de vos desejar um Natal Feliz ! Ora, na Tradição no Natal gastam se reservas do Verão anterior com a certeza de que todos na comunidade aproveitarão dessas reservas quer as tenham quer não! Enfim tempos em que haviam almoços grátis em que Vizinhos ou eram Família ou como o fossem em que neo liberais era coisa desconhecida e o que fosse parecido, desprezada.Tempos ainda em que Maria convencia Jesus Cristo ao seu primeiro milagre - a transformação de água em vinho de elevada qualidade (e não Mateus Rose) permitindo a continuação da Festa (e claro da razoável bebedeira...).Este passado Natal será o Natal exemplar de um Futuro que nos será imposto pela degradação do Ambiente a impor cautela na Produção e no Consumo um Natal sem luxos mas com prazeres! Por esse Natal - Boas Festas!"
- Cartaz em favor de Dilma Rousseff
- Imagem acompanhada do texto: "E porque será Oh opusdeistas que o papa Francisco e o seu discurso morreram nas tv's portuguesas neste Natal! Que tal perguntar ao sr Carlos Alexandre?"
- Algumas imagens de "natal"
- "Feliz NBatal, Ano Novo Muito Próspero, Amigo Socrates"
- Notícia: "Papa Francisco pede na Missa do Galo empatia e bondade perante a adversidade - Globo  - DN"
- Notícia: "Decida do desemprego em Portugal", com o texto: "A bandalheira da propaganda neo liberal nem os seus patrões convence" [chamam de "neo-liberal" a algo que não é sequer propriamente liberal].
- Cartão de Natal de Obama
- Foto de medalha maçónica com a inscrição "Gloria Dei Este Celare Verbum":


O texto: "Agora entendi onde falhei - vivo a Esquerda e deito me a Esquerda esperando o mesmo da minha companheira e indo ao contrário de conselhos que vêem da Direita ... Bem, não tem resultado mas tenciono continuar nesta linha pois a liberdade da minha companheira e a minha liberdade o respeito da minha companheira o meu respeito. Não resulta? Parece me que pouco tem resultado na verdade nos últimos 35 anos ( passados os 5 da "revolução) dai que continuamos todos sem saber o que será o "ideal" ... Já que separações e divórcios acontecem em todos os meios"

(...)

- Saltando para a última publicação, eis a notícia "Angela Merkel ganha título "Pessoa do Ano" por resistir à "agressão russa"", com o texto do maçom: "Como vocês sabem houve e como houve agressão russa. Estes proto fascistas são o cúmulo do ridículos. Gente feia porca e má do pode dar aliás notícias ridículas.
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Veja-se, portanto, que já a maçonaria se converteu aos encantos do Papa Francisco, sem que hajam conversões realmente ao catolicismo.

TEXTOS ANTERIORES