13/05/13

TEXTO DA CONSAGRAÇÃO A N. SENHORA DE FÁTIMA DO PONTIFICADO DE FRANCISCO


!Virgem Santíssima,

1. Estamos a Vossos pés, os Bispos de Portugal e esta multidão de peregrinos, no 96.° aniversário da Vossa Aparição aos Pastorinhos, nesta Cova da Iria, para dar cumprimento ao desejo do Papa Francisco, claramente expresso, de Vos consagrar a Vós, Virgem de Fátima, o seu Ministério de Bispo de Roma e de Pastor Universal. Assim Vos consagramos Senhora, Vós que sois Mãe da Igreja, o Ministério do novo Papa: enchei o seu coração da ternura de Deus, que Vós experimentastes como ninguém, para que ele possa abraçar todos os homens e mulheres deste tempo com o amor do Vosso Filho Jesus Cristo. A humanidade contemporânea precisa de sentir-se amada, por Deus e pela Igreja. Só sentindo-se amada vencerá a tentação da violência, do materialismo, do esquecimento de Deus, da perda do rumo que a conduzirá a um mundo novo, onde o amor reinará. Dai-lhe o dom do discernimento para saber identificar os caminhos da renovação da Igreja; dai-lhe coragem para não hesitar em seguir os caminhos sugeridos pelo Espírito Santo; amparai-o nas horas duras de sofrimento, a vencer, na caridade, as provações que a renovação da Igreja lhe trará. Estai sempre a seu lado, pronunciando com ele aquelas palavras que bem conheceis: "Eu sou a Serva do Senhor, cumpra-se em Mim a Tua Palavra".

Cardeal Patriarca de Lisboa e o então Cardeal Bergoglio
(momentos antes de prestarem juramento no conclave).
2. Os caminhos de renovação da Igreja levam-nos a redescobrir a atualidade da Mensagem que deixastes aos Pastorinhos: a exigência da conversão a Deus que tem sido tão ofendido, porque tão esquecido. A conversão e sempre um regresso ao amor de Deus. Deus perdoa porque nos ama. É por isso que o Seu amor se chama misericórdia. A Igreja, protegida pela Vossa solicitude maternal e guiada por este Pastor, tem de se afirmar, sempre mais, como Lugar da conversão e do perdão, porque nela a verdade exprime-se sempre na caridade.

Vós indicastes a oração como o caminho decisivo da conversão. Ensinai a Igreja, de que Sois membro e modelo, a ser, cada vez mais, um povo orante, em comunhão com o Santo Padre, o primeiro orante deste povo e também em comunhão silenciosa com o anterior Papa, Sua Santidade Bento XVI, que escolheu o caminho do orante silencioso, desafiando a Igreja para os caminhos da oração.

3. Na Vossa Mensagem aos Pastorinhos, aqui na Cova da Iria, pusestes em relevo o Ministério do Papa, "o Homem vestido de branco”. Três dos últimos Papas fizeram-se peregrinos do Vosso Santuário. Só Vós, Senhora, no Vosso amor maternal a toda a Igreja, podeis pôr no coração do Papa Francisco o desejo de ser peregrino deste Santuário. Não é algo que se lhe possa pedir por outras razões; só a cumplicidade silenciosa entre Vós e Ele o levara a sentir-se atraído por esta peregrinação na certeza de que será acompanhado por milhões de crentes, dispostos a ouvir de novo a Vossa Mensagem.

Aqui, neste Altar do mundo, ele poderá abençoar a humanidade, fazer sentir ao mundo de hoje que Deus ama todos os homens e mulheres do nosso tempo, que a Igreja os ama e que Vós, Mãe do Redentor, os conduzis com ternura aos caminhos da salvação."

Fátima, 13 de Maio de 2013
D. José Policarpo, Cardeal Patriarca de Lisboa.

CONSAGRAÇÃO DO PONTIFICADO DE FRANCISCO A NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

Pontificado de Papa Francisco consagrado a Nossa Senhora de Fátima na peregrinação de 13 de Maio(crónica do correspondente Domingos Pinto)
Áudio da notícia (aqui)
Na Rádio Vaticano (aqui)

12/05/13

Dia 14 de Maio - ESTA DE "SÃO Fr. GIL DE SANTARÉM"

Dia 14 de Maio comemoramos a Festa do Beato Fr. Gil de Portugal (popularmente mais conhecido por "São Fr. Gil de Santarém", entre outros nomes). Nasceu na Quinta da Cavaleira (Vouzela, Portugal) numa família nobre, em 1190, e partiu de Santarém em 1265 a 14 de Maio.




12 de Maio - FESTA DE "SANTA JOANA PRINCESA"

Hoje, dia 12 de Maio, segundo o Próprio de Portugal (e como Comum das Virgens), é Festa da Beata Joana, filha do Rei D. Afonso V de Portugal, mais conhecida por "Santa Joana Princesa". Nasceu em 1452 e partiu em 1490. Tem culto confirmado pelo Papa Inocêncio XII.

Beata Joana, Princesa de Portugal
Túmulo no Convento, em Aveiro.

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CXCIII


11/05/13

SANTUÁRIO DE FÁTIMA (imagem)


A MODA (I)

Caros leitores, é sempre pertinente recordar a etimologia. A chamada "evolução semântica" mostra-se na verdade, e dada dia mais, uma "ruptura semântica". Sem palavras certas não se discutem nem transmitem ideias, nem doutrinas, a doutrina e as mensagens seriam também mal interpretadas.

Hoje, dia 11 de Maio (2013), e porque andam por aí umas interpretações alargadas de "modéstia" que tem levado à criação de umas novas modas, lembrei-me das palavras de Jacinta a respeito de "modas".

À imagem do que tenho vindo a fazer para "bons costumes" e "violência" (e não lembro se mais), farei agora o mesmo para "moda", com a intenção de desapegar as mentes da clausura moderna que usa "moda" apenas no corte e costura. Faço assim mais um apelo a que se olhe o sentido próprio e não seja confundido com um qualquer sentido alargado. Repito o que já lembrei em outra ocasião: o uso legítimo dos sentidos alargados não pode dispensar em nada o sentido próprio, e caso não se proceda desta forma se contribui para o alargamento do caudal do modernismo.

"E que diremos de julgar que se devem introduzir no Reino escolas para os rapazes aprenderem a língua portuguesa? Haverá esta moda em França? O homem tem belas ideias, é boa moda que os pais gastem dinheiro para que os seus filhos falem. Nas escolas de ler, escrever, e gramática tanto falam eles em português que amofinam os Mestres e é necessário castigá-los para que se calem. A nossa língua não está morta para que os naturais necessitem de tal diligência." (PIEDADE, Fr. Arsénio. Reflexoens Apologeticas a Obra Intitulada Verdadeiro Methodo de Estudar...Lisboa, M.DCC.XLVIII. pag. 21)

"E quantas notícias se conservam entre nós de médicos antigos que tiveram e fizeram curas prodigiosas sem que nesse tempo se soubessem estas curas à moda, como as quer o crítico?" (Idem, pag. 50)

"CANDÀLA - Haverá alguns sessenta anos que em França, Inglaterra, e outras partes reinava a moda de atar pela curva da perna uns canhões, forrados de tafetá, que cobriam em roda parte da perna, e talvez podiam servir de encobrir alguma deformidade, como se supõe que sucedeu ao inventor dela que era da Casa de Candale, a quel em França é ramo de nobilíssima Casa de Foix, e por isso a dita moda foi chamada Candala:
Vá pois à Candala, um pouco dêmos à moda. (Suplemento ao Vocabulário Portuguez, e latino, que Acabou de Sahir A Luz, Anno de 1721. Dividido em oito volumes, dedicado ao magnífico Rei de Portugal D. João V - Parte Primeira...)

"O Imperador Vero, como na sua vida refere Júlio Capitolino, costumava polvilhar os cabelos com ouro moído para que estivessem mais resplandecentes; Deus nos livre que cá pegue tal moda, porque não bastaria todo o ouro das minas como não bastam todos os polvilhos das tendas. Pois se desta demasia passarmos à intolerável das galas, vestidos, e mais apêndices do ornato exterior, quem poderá nunca cabalmente estranhar os incríveis excessos na matéria, no preço, no artifício, no modo, ou nas modas, que a profanidade humana introduziu? Referir-vos-hei alguns luxos mais profanos para verdes até onde chegaram as extravagâncias do maior desatino. Já houve pessoa eclesiástica, e constituída em grande lugar, que no ano 1518 mandou fazer uma túnica comprida e tecida toda em penas arrancadas com a sua película das cabeças de pintassílgos, e tecendo-as o artífice na obra com vários louvores e maravilhosos debuxos [desenhos]." (CONCIENCIA, Pe. Manuel, "A Mocidade Enganada e Dezenganada - Duelo Espiritual..." Lisboa, M.DCC.XXXI, Parte III, Tomo IV pág. 600)

"As galas dos antigos Monarcas já não servem para os ilustres, as dos ilustres já não quadram aos Nobres, e as dos Nobres apenas as tem para si por bastantes os mecânicos. Raras são as pessoas que pareçam necessitadas nesta matéria, se o pobre pede, não há esmola: se o corpo se há de adornar, sobra o dinheiro. A paga dos oficiais dilata-se para muito tempo; porém a moda que saiu de novo importa que se traga logo." (Idem pag. 672)

"No tempo de Francisco, Duque de Florença, saiam as mulheres com uma moda de formarem sobre a testa uma coronilha dos cabelos próprios, ondeada em anéis e disposta com várias ordens. Começaram os moços a imitar-lhes a extravagância trazendo sobre as cabeças uma como artística torre, ao qual ornato chamou S. Bernardino de Sena tumor da soberba e torre babilónica (Ser. 47) e o douto Padre Paciuchelo, adiantando os elogios, o intitulou estandarte do diabo, fomento de maldades, ninho de luxúria, laço do inferno, e domicílio de Satanás (in Jon. tom. 3 Lect 54 § 7 n. 35). Vendo o Duque este excesso, dissimulou nos princípios, mas em breves dias advertiu que quase todos os Cortesãos do seu Palácio usavam já da mesma moda. Não pode então conter-se no silêncio, e mandou secretamente a um criado que no dia seguinte lhe trouxesse muitas saias, porque queria com elas em lugar de espadas ornar aos seus Palacianos. Não ficou a ordem tão oculta que não se divulgasse a notícia, e logo sem detença desapareceu a moda, sendo tão medrosos alguns que cortaram totalmente rentes os cabelos." (Idem pag. 676)

Enfim...
"... e Galiano não menos põem a simetria como condição da saúde nos corpos sólidos, de sorte que s proporcionada temperie, e coordenação deles é o seu constitutivo, sendo o seu movimento activo (não era ainda moda chamar-lhe sistáltico) o que conhece natureza operante, concorrendo por estes movimentos para as acções dos líquidos ..." (REBELLO DE SALDANHA, Duarte. "Illustração Medica Ethico-politica, Historica (...) ou Reflexão Cristica As Considerações Medicas..." Lisboa, M.DCC.LXI)

"MODA, s. f. o uso corrente e adaptado de vestir, trajar, em certas maneiras, gostos, estudos, exercícios. § Modas, cantigas que se põe no cravo, viola, etc." ("Dicionário da Língua Portugueza, composto pelo D. Rafael Bleuteau, reformad, e accrescentado por Antonio de Moraes Silva natural do Rio de Janeiro". Tomo Segundo L=Z, Lisboa, M.DCC.LXXXIX)

"Desta maneira, em Portugal, para o modo de escrever não há moda nem regra certa, quase todos escrevem como quer e com a continuação desta diversidade só cada um poderá entender a sua escrita." (BLUTEAU, Pe. D. Raphael, "Vocabulário Portuguez e Latino Aulico, Anatomico, Architetónico...". Lisboa, M.DCCXX, pág. 125)

"Não só a comunicação de muitos franceses, que a este Reino vieram com o Conde D. Henrique, foi causa destas imitações, mas também a lição dos livros de cavalaria que então era em grande moda, e nasciam muitos deles em França..." ("Memórias da Litteratura Portugueza, publicadas pela Academia Real das Sciencias de Lisboa". Tomo IV. Lisboa, M.DCC.XCIII, pág. 66)

"Arenguer: posto que alguns com a franca licença da moda os querem restituir à significação da origem Francesa." (Idem pag.439)

"Na primeira parte destes Brados vesti mais à moda os desenganos, porque o aprazível dos enfeites fizesse menos horroroso o amargo das verdades." (do prólogo d

"Estavam repartidas em coros, e todas se entretinham em vários empregos, que eram música, instrumentos, jogos, e danças; sendo o suave cheiro das flores, que alcatifavam a casa, e dos aromas, que exalavam os braseiros, novo enleio dos sentidos, e suave atracção dos pensamentos; as portas se franqueavam igualmente que ás Damas aos Cavalheiros; porque a conversação era moda, e o recato estranheza; em o coro da música se cantava esta letra:".

HISTÓRIA DA FUNDAÇÃO DA REAL BASÍLICA E MOSTEIRO DO SANTÍSSIMO CORAÇÃO DE JESUS DA CIDADE DE LISBOA (IV)

(continuação da III parte)

No mais alto de cada uma destas duas inscrições está uma pequena Cruz; e no centro das outras faces da Pedra uma Cruz maior.

Benzeu S. Emª a Pedra, preparou a cal, que devia servir na sua imposição, e se ordenou a Procissão, na qual seguiam a Cruz Patriarcal três Moços Fidalgos, cada um com uma vassoura tecida de fio de ouro, a cal em um coze, um balde prateado com água e a trolha e camartelo, foram transportados pelos Grandes do Reino, e a colher que tinha servido à preparação da cal por um Acólito; ElRey e o Príncipe pegaram nas primeiras varas de Andor, em que estava a pedra, assistindo-lhes dos lados os Ex.mos Conde da Ponte, e Vila Flor, e os Duques de Lafões, e Cadaval nas outras varas, e acompanhando Sua Em.ª com os seus assistentes, e toda a Corte se dirigiu à Procissão para o sítio destinado, que era o do lado do Evangelho, ficando nos seus lugares os Ex.mos Príncipes.

No sítio em que devia ser colocada a primeira Pedra, estava posto um Sepulcro, ou cavidade também de pedra, no fundo da qual pôs Sua Emª uma caixa de prata dourada quadrilonga, que recebeu da mão de ElRey, na qual se incluíam os seguintes instrumentos: Primeiro o Alvará Régio, para alienação do terreno: segundo a Escritura da Doação do mesmo terreno, que se fez na Nota do Tabelião Lucas Evangelista de Sousa Pereira Valente, assinada pelo desembargador do paço José Ricalde Pereira de Castro, como Procurador de ElRey, pelos poderes que lhe concedeu no Alvará de Procuração, que nela ia incluso, e pelo Pe. Fr. Carlos dos Santos, Procurador Geral dos Religiosos Carmelitas Descalços, que a aceitou em nome da Religião [Ordem]pelos padres que lhe deu o Difinitório na sua Patente copiada também na mesma Escritura: terceiro a Escritura de Doação da Igreja e Convento incerta, ou indicada num Alvará Régio: quarto, declaração de quem benzeu a Cruz, e de quem benzeu e colocou a pedra, e dos dias em que estas Funções foram feitas.

Sua Magestade recebeu mais do Esmoler Mor, e entregou a Sua Emª para pôr no mesmo lugar, duas caixas redondas também de prata dourada, cada uma delas continha seis medalhas de maior lote: Duas de ouro no valor de 40.[?]; duas de prata de 2.[?]; e duas de cobre.

As primeiras 6 que também tinham sido bentas por Sua Emª tinham todas esculpida a Imagem do Smº Coração de Jesus, com esta letra em volta "Ipsi cultus Gloria, et Imperium". E da outra parte a seguinte inscrição:

CUI BENEFICIUM ACCEPTAE PROLIS DEBETUR AD IMPERII LUSITANI FIRMIOREM STABILITATEM

Em uma de ouro das outras seis viam-se os Retratos da Rainha Nossa Senhora, e de ElRey, e em roda a seguinte letra:

MARIAE I, ET PEDRO III PORTUGALIAE REGIBUS.

E da outra parte a inscrição seguinte:

SANCTISSIMO CORDI JESUS PRIMUM TEMPLUM
AEDIFICATUR PIO PAPA VI A. D. MDCCLXXIX

Na outra medalha também de oiro, via-se o Frontispício de todo o novo Templo com esta letra:

ACCEPTI BENEFICII, HOC POSSUIT MONUMENTUM

Na outra parte a Planta do mesmo Templo.

As duas de prata, e as duas de cobre tinham os mesmos cunhos das de oiro.

Mandou S. Magestade lavrar outras medalhas de menor valor mas dos mesmos cunhos, para se distribuírem pelas Pessoas da Corte: as de oiro do segundo lote do valor de 26(?), e as do terceiro de 16[?]: as de prata do segundo lote do valor de 1[?]400, e as do terceiro de 700 [?].



Entregou mais S. Magestade ao Exmº Sr. Patriarca outras duas caixas de prata dourada com os vidros dos Santos Óleos do Crisma, e Catecúmenos, e dois Agnus Dei com caixilhos de prata dourada, um do papa actual, e outro de particular devoção: o que tudo S. Em.ª colocou na cavidade destinada a este fim, e em cima se pôs a primeira Pedra, com assistência do Mestre Pedreiro, e de dois Ajudantes, tocando S. Em.ª na mesma com a mão: sobre a Pedra se pôs uma tampa de mármore, que na parte superior tinha aberto um tabuleiro, em que o Esmoler Mor lançou por três cento e quarenta e quatro peças de moeda corrente, cunhada no presente Reinado; a saber doze de 6$400 r.ª; doze de 3§200 r.ª; doze de 1$600 r.ª; doze de 800 r.ª: doze cruzados novos de oiro; doze cruzados novos de prata; doze moedas de 240 r.ª; doze de 120 r.ª doze de 60 r.ª; doze de 10 r.ª; doze de 5 r.ª; e doze de 3 r.ª; cobriu-se o dito tabuleiro com outra pedra, e em todas as juntas, e uniões destas pedras pôs S. Em.ª cal, deitando ElRey antes, e depois a água com uma vassoura de fio de ouro, que ensopava no balde subministrado a este fim.

A Rainha Mãe D. Mariana Victoria
Concluída assim esta Cerimónia, que a Rainha Nossa Senhora com sua Augusta Mãe e Alteza esteve vendo da Tribuna, cheia de júbilo e devoção, se formou de novo a Procissão com todas as mesmas pessoas que acompanharam a da primeira Pedra, e foi em roda de toda a Igreja por cima dos alicerces dela que S. Emª benzeu, fazendo sobre eles a aspersão da água benta; e voltando à Capela cantaram os Músicos da Sta. Igreja Patriarcal o Hino "Veni Crator Spiritus", com seu verso, recitando S. Emª a Oração do costume: ElRey e o Príncipe se retiraram para a Tribuna em que estava a Rainha Nossa Senhora e as mais Pessoas Reais; e S. Emª a mudando de Paramentos, celebrou Missa rezada, e tomando entre tantos os Músicos alguns Motentes: acabada a Missa, e tomando S. Emª o Pluvial, entoou o "Te Deum" que cantaram os Músicos: nesse tempo deram as tropas que estavam formadas ao redor da igreja várias descargas: concluindo o Hino, recitou S. Emª a Oração em acção de Graças: e subindo ao Altar deu a bênção Episcopal, e depois de publicar o Ex.mº Principal, Cabeça da Ordem dos Presbíteros, um ano de Indulgências, que S. Emª concedeu, se retirou este com toda a sua comitiva para a casa dos paramentos.

Desceram logo Suas Magestades e Altezas da Tribuna ao lugar onde se tinha colocado a Pedra, e não satisfeitas em cumprir com a Cerimónia costumada em semelhantes ocasiões, quiseram dar ainda mais raro exemplo da sua ardente devoção, por quanto acompanhadas das pessoas da sua Corte destinadas para os servir neste acto de Piedade, cada um dos Senhores pôs no alicerce com as suas Reais Mãos uma pedra de mármore vermelho sobre a coberta da primeira Pedra, onde o Mestre Pedreiro tinha antes estendido a Cal: A Rainha Mãe foi a primeira; seguiu-se a Rainha Nossa Senhora, ElRey, o Príncipe, e assim as mais Reais Pessoas por sua ordem: as Pedras foram-lhes administradas em cestos dourados; a ElRey pelo Conde da Ponte, e às mais Pessoas pelos seus respectivos criados, Camaristas e Veadores, tendo S. S. Magestades e Altezas edificado a todos na ternura e devoção com que fizeram esta acção, aliás tão própria do seu Católico e Religioso Espírito; ainda se dignaram assistir depois à imposição das pedras miudas, que conduziram em cestos prateados vários grandes do Reino; o Em.mº Cardeal Regedor, Arcebispo de Évora, e o Ex.mº Arcebispo de Teslónica Confessor de S. Magestade lançando as ditas pedras no alicerceaos lados da pedra fundamental.

Concluída finalmente esta Função, tanto do agrado do S.mº Coração de Jesus, com toda a grandeza e boa ordem se retiraram S. S. Magestades e Altezas para Queluz ao som de Trombetas, Timbales, dos Tambores e Instrumentos Bélicos das suas Tropas, deixando edificada toda a Corte, e o grande concurso de Povo que concorreu a esta magnífica e piedosa solenidade, em que a Rainha N. Senhora deu princípio à mais gloriosa Época do seu felicíssimo Reinado, começando por ela a desempenhar o voto que fizera ao Santíssimo Coração de Jesus.

(continuação, V parte)

O EXTRAORDINÁRIO ASCENDENS VAI AO SANTUÁRIO DE FÁTIMA? - DIA 12 e 13 de Maio de 2013

As duas basílicas de Fátima, frente a frente.
Uma ordinária e a outra extraordinária.
Não não, o ASCENDENS não estará em Fátima no dia 12 e 13 de Maio. Não há dinheiro para viagens, mas mesmo que o houvesse, saber-se lá se ainda há espaço no Santuário para os católicos que não aceitam abandonar a Doutrina de sempre.

Ao olhar o programa do Santuário de Fátima (para os dias 12 e 13, de Maio, a Outubro de 2013), ponto por ponto, e hora por hora, deparo-me com as mais desconfortáveis realidades. Para mostrar ao leitor o que desconforta, foca aqui o dito programa, acrescentado aquilo que pensei cá para mim:

Dia 12

07:30 - "VIA-SACRA, aos Valinhos, partindo da Capelinha das Aparições e terminando na Capela do Calvário Húngaro, com a Eucaristia. (Pedimos aos grupos que se abstenham de fazer via-sacra própria, entre as 07h30 e as 09h00, para não perturbar a oficial)".
Eu a pensar: Será a Via Sacra, ou é "neo via sacra" com 15 estações!? Se a oficial for a neo, haverá possibilidade de fazer a Via Sacra em grupo mas não oficialmente? O Santuário promove em algum dia a Via Sacra, ou os católicos que se sujeite apenas à neo? Bem... na pior das hipóteses, resta alguma solução não oficial, à recreação dos fiéis. (A neo, cada vez mais, tira o espaço oficial à Via Sacra. Não tarda a que, para distinção, se chame à Via Sacra de sempre "forma extraordinária da Via Sacra").

07:30 a 13:30 - MISSAS - O Santuário, neste espaço de tempo, distribui 7 missas em várias línguas não litúrgicas (vernáculo: alemão, inglês, francês, espanhol, holandês, italiano, polaco).
Eu a pensar: Pois... aqui a forma oficial é o Missal de Paulo VI, e nem há obediência sequer ao Concílio Vaticano II, o qual nesta matéria repete o que sempre disse a Igreja: a língua própria da nossa liturgia é o latim. Vou à Missa onde!? O ponto mais perto é a capela da FSSPX em Fátima. O Santuário dá espaço até às línguas diferentes contra o que é próprio, mas nem uma Missa tradicional garante! (A Missa de Paulo VI ocupa hoje o espaço da Missa tradicional católica, à qual agora costuma ser chamada de "forma extraordinária").

16:30 - MISSA [moderna] com "a participação dos doentes" e procissão eucarística.
Eu a pensar: Ai... a ideologice da "participação activa" [também dita "animada"] já ultrapassou de longe ideia do Concílio Vaticano II; tem-se a agora a presença desses doentes na missa como participação. As curas que se dão em Fátima não costumam ser durante a Missa moderna, mas sim fora dela, por exemplo, na "bênção do Santíssimo". (Ir à missa "com a participação dos doentes" é só para quem abandonou o Rito Romano codificado por S. Pio V ... então é melhor manter-me são, senão ainda um dia me podem confundir com um "doente ordinário").

18:30 - INÍCIO OFICIAL DA PEREGRINAÇÃO (na capelinha das aparições).
Eu a pensar: Início no dia 12!? Será que se eu começar a peregrinação no dia 10 iniciei oficialmente a minha peregrinação!? (seja como for, há sempre a possibilidade de se ser "peregrino extraordinário")

21:30 - Bênção solene de velas, rosário, na Capelinha das Aparições, e "procissão de velas".
Eu a pensar: Haverá mesmo bênção, ou é apenas aquela coisa que os padres agora chamam de "bênção" (podiam-lhe chamar de "bênção ordinária", para não confundir os fiéis). Mas pouco tem a ver com o ritual da bênção de objectos? Não sei... só escrevendo ao Santuário! Ai agora chamam "procissão de velas" à "procissão das velas"!?... Mudança para pior... a procissão é de pessoas, e não de velas... pelo menos com a designação antiga, popular, sempre havia enquadramento. e sentido. No rosário haverá "mistérios" luminosos? Espero que não, visto que nunca existiram... Como será que rezam o rosário (três terços) se julgam agora haver quatro grupos de mistérios!? (Talvez tenhamos que começar a chamar ao rosário tradicional "forma extraordinária do rosário"!)

22:30 - Eucaristia, no Recinto.
Eu a pensar: Mais do mesmo. Agora no recinto. Nem aqui, que não há várias missas por língua se reza a missa em latim, por motivos de universalidade. (inteligência ordinária).

Dia 13

00:00 - NOITE DE VIGÍLIA
Eu a pensar: Finalmente uma coisa que dá até para todos os "credos" e "raças"; agora sim, finalmente dá também para tradicionais católicos! (Obrigado Santuário pela trégua no programa)

02:30 - VIA SACRA
Eu a pensar: A trégua durou duas horas e meia, pois esta neo "via sacra" não dá para ser feita em grupos, devido ao local fechado. (Parece ter sido uma "trégua extraordinária"... veremos pelo resto.)

03:30 - CELEBRAÇÃO MARIANA
Eu a pensar: Pois... não sei do que se trata!

04:30 - MISSA
Eu a pensar: Mais do mesmo... Nem à hora em que quase todos estão a dormir há a Missa de sempre.

05:30 - ADORAÇÃO com LAUDES
Eu a pensar: Nem avisam que as "laudes" não são as Laudes. Mas posso rezar estas, porque sei que não têm nada de impróprio, embora não me contem realmente como Laudes. A Adoração, sim senhor, é de confiança. (este breviário, "liturgia das horas", pertence à "forma ordinária"... Não adianta esperar que aqui se reze o Breviário tradicional da Santa Igreja. Novamente a expulsão da Tradição da Igreja por intermédio das coisas "ordinárias").

07:00 - PROCISSÃO EUCARÍSTICA
Eu a pensar: Hoje há que ter primeiro uma conversa discreta com o sacerdote que vai consagrar, e tentar descobrir se de verdade acredita na Transubstanciação... Sei lá qual vai ser o padre consagrante!... Hoje cada vez mais costumam consagrar invalidamente por lhes falar a "intenção"!... Lá se vai provavelmente a "eucarística" da dita procissão, talvez!... Sabe-se la!... Daria para escrever uma carta quase cómica ao Santuário "gostaria de saber se o padre consagrante da hóstia para a procissão eucarística acredita na transubstanciação "!... (Até a consagração, tal como sempre foi feita, já deveria chamar-se "extraordinária").

Bem... eu interrompo aqui o programa porque cansa levar tanto "não".

O programa do Santuário feito em tempos extraordinários é ordinário. A ordinarice toma o lugar das coisas extraordinárias de sempre. Contento-me em saber que os católicos antigos eram os extraordinários.

10/05/13

PREPARAÇÕES PARA A FESTA DE NOSSA SENHORA DO FETAL (Reguengo do Fetal, Portugal)

PASSACAGLIA E FUGA (BWV 582)

Esta é uma das mais afamadas passacaglias, e foi composta por J.S. Bach.

Execução: Filipe Veríssimo (mestre-capela e organista da igreja de Nossa Senhora da Lapa - Porto).
Instrumento: Órgão da igreja de Nossa Senhora da Lapa (Porto - Portugal).

PAPA FRANCISCO CANONIZA 800 MÁRTIRES

(Radio Renascença - Portugal) "Numa celebração no próximo domingo, o Papa eleva aos altares mais de 800 mártires pela fé, mortos pelos otomanos numa incursão em Itália no ano 1480.

O Papa Francisco tornar-se-á, no próximo domingo, o recordista das canonizações ao elevar aos altares um grupo de pelo menos 800 santos, apenas dois meses depois de ter sido eleito.

Durante a cerimónia, que decorre no Vaticano, o Papa declarará a santidade de pelo menos 800 homens que foram executados por invasores otomanos no ano de 1480, na cidade de Otranto, em Itália.

Na altura da invasão o líder dos muçulmanos, que pretendia invadir Roma, matou o arcebispo da cidade e depois reuniu todos os homens maiores de 15 anos e ordenou-os a converterem-se ao Islão, sob pena de serem executados. Segundo a tradição um alfaiate, a única vítima cujo nome é conhecido, falou em nome dos restantes homens, dizendo: “Nós acreditamos em Jesus Cristo, filho de Deus, e por Jesus Cristo estamos prontos a morrer”.

De seguida os soldados otomanos decapitaram todos os homens, cujas ossadas foram preservados e ainda podem ser vistos na catedral da cidade.

A resistência dos cidadãos de Otranto, que durou duas semanas, permitiu aos rei de Nápoles reunir uma força para fazer frente aos invasores e assim impedir a queda de Roma.

Em 2007 o agora Papa emérito Bento XVI reconheceu que os mortos de Otranto eram beatos. Não é necessária a averiguação de um milagre para beatificar mártires, mas sim para os declarar santos. Esse milagre foi reconhecido em 2012, abrindo caminho para a canonização que, contudo, será oficializado pelo novo Papa, Francisco.

Com esta canonização em massa dos 800 mártires o Papa ultrapassa largamente o recorde de João Paulo II que, durante os seus anos de pontificado, canonizou 91 pessoas."

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