15/03/13

INFANTE SANTO D. FERNANDO

Infante Santo
D. Fernando
Dos milagres que nosso Senhor fez pelos merecimentos do Santo Infante D. Fernando, no tempo que estava posto seu corpo nos muros de Fez.

"Quando meteram no ataúde o corpo deste virtuoso Senhor, que havia cinco dias que tinha finado, estavam seus membros em tanta desenvoltura como se estivesse vivo, nem saía dele algum cheiro mau. E assim lhe cruzaram os braços, e o lançaram sobre uma cama de louro verde, que lhe dentro no ataúde foi posto em seu lugar, foi coisa certa, e de maravilhar, que a maior parte das aves, que de toda aquela terra ao redor vinham ali dormir, porque as ameias, e todo o muro estava cheio de esterco delas logo se dali afastaram e nunca mais pousaram naquele lugar, nem fizeram alguma imundice na parte que respeitava ao ataúde, uma braça de uma parte, e da outra; no que todos atentavam, e se maravilhavam muito, parecendo-lhes que as aves tinham reverência àquele corpo santo.

Os vigias e roldas da vila, cada semana em certos dias, viam ao redor daquele ataúde tanto lume e claridade que não podiam ter os olhos em direito daquele lugar, em tanto que não podiam divisar de que era aquele lume.

Um renegado natural de Olivença, vindo uma noite de fora da vila, lhe apareceu aquela claridade e lume, no meio do qual o Infante estava, e parecia-lhe que o corpo era feito como de pomba e o rosto era de homem, que bem o conhecia porque muitas vezes o via ali em vida, e lhe falou. E deu o dito renegado testemunho de si, que viu o Infante estar em tanta glória que foi movido a se assentar em joelhos [ajoelhar], e de lhe pedir por mercê que o encaminhasse à salvação, e que o Infante voltou o rosto para outra parte, e lhe disse: Torna-te ao santo caminho, que deixaste. E nisto adormeceu ali, até o outro dia com o romper da alva.

Um mouro bárbaro houve arroido com outros, onde lhe deram duas feridas, uma na cabeça e outra em um ombro. E veio-se de uma aldeia à vila de Fez fazer queixume ao seu juiz; e quando chegou era já noite e as portas estavam fechadas. Lançou-se a dormir ao pé do muro, debaixo daquele ataúde, não olhando por ele nem lhe lembrando do corpo que ali estava. E quando veio pela manhã que abriram as portas, ele foi perante o juízo; quando desatou a cabeça e quis mostrar a ferida que recebera do adversário não apareceu sinal nenhum dela nem da outra do ombro. Perguntaram-lhe como lhe acontecera, e foi mostrar onde dormira debaixo daquele ataúde, e fizeram-no calar; e não obstante isto, ele o disse a muitos, e os que entendiam diziam que aquilo não podia ser outra coisa se não que o Infante se tornara mouro na vontade quando estava para morrer.

Manifesto é, que muitas pessoas são sãs de inchaços e de febres com o tocamento da terra donde caiu o pingo daquele corpo. E assim mesmo a lançam ao pescoço de bois e de alimárias que estão doentes, e recuperam a saúde; e daquele lugar onde tiram a terra, está já feito numa grande cova. Isto (conforme ao autor desta crónica) se fazia e acontecia então no seu tempo, em Fez, quando ainda lá estava o corpo do santo Infante. O que ainda agora pode ser, pois o lugar e terra aí ficaram.

Em Ceuta aconteceu a um religioso de S. Francisco, a quem chamavam Fr. Gonçalo, que estava em Santiago confessando um clérigo que ali viera doente de Roma, e estava em passo de morte, lhe disse: confiai nos muitos merecimentos do santo Infante D. Fernando que padeceu em terra de mouros trabalhos e morreu santamente na fé católica. E como se Fr. Gonçalo partiu, o clérigo tomou seu conselho com muita devoção, e logo nessa hora se levantou são e se veio ao Mosteiro, onde estava rezando o dito Fr. Gonçalo e lhe contou este milagre que Deus fizera por ele.

Em Lisboa aconteceu a um bom homem que era doente de uma grave doença que tinha, e não achando já quem o curasse ouvi-o falar a Fr. Rodrigo Pregador de Jesus (assim lhe chama a antiga crónica) em S. Domingos, de quanto este santo Infante padecera, e teve tanta fé em seus merecimentos que, um dia à noite, lançando-se na cama com grande devoção se lhe encomendou e adormeceu, e quando veio pela manhã achou-se são e sem sinal onde tivera a enfermidade. E estando Fr. Rodrigo uma sexta feira para pregar, o homem que era seu confessado lhe contou este milagre, o qual dito Fr. Rodrigo disse e divulgou na pregação.

No primeiro dia do mês de Junho da era de mil e quatrocentos e cinquenta e um anos, chegou a Santarém João Alvares (autor desta crónica, e secretário deste senhor, onde então estava o rei D. Afonso V deste nome, e sobrinho do santo Infante) e trazia as relíquias da freçura, coração, tripas, e tudo o que foi tirado do corpo deste Infante, quando em Fez os mouros o fizeram abrir: as quais relíquias tirou de lá secretamente o dito João Alves, e as trouxe a estes reinos. E estas relíquias vinham metidas em uma caixa de madeira coberta de damasquim preto, com o forro preto, acairelado de retrós com fechadura e pregadura dourada. E o dito senhor rei mandou que o dito João Alves, e João Rodrigues colaço do santo Infante que aí estava, levassem as ditas relíquias ao Mosteiro de S. Domingos de nossa Senhora da Vitória da Batalha, onde está a sepultura do dito Infante, e dos Infantes seus irmãos, na Capela real, e mui sumptuosa d’El-Rei D. João I de boa memória pai deles, e da rainha D. Filipa sua mãe, que também aí jazem. E chegaram também aí jazem. E chegaram a Tomar, onde acharam o Infante D. Henrique governador da Cavalaria e Ordem de Cristo, e irmão deste santo Infante, que estava de caminho para outra parte, e mandou tornar suas azémolas do caminho que levavam, e se foi ao dito Mosteiro da Batalha. E ali fez o dito senhor pôr as relíquias mui honradamente sobre o altar de sua sepultura, com tochas e velas ao redor (porque nesta capela d’El-Rei seu pai tem os Infantes, como El-Rei, cada um sua sepultura, é seu altar dedicado a cada qual, por sua ordem, e antiguidade das idades.) E mandou cantar as matinas, e uma Missa Plurimorum Martyrum, antes da manhã; e isto era quinta feira nove dias do dito mês de Junho. Acabado de se cantara Missa, foi ordenada uma solene procissão, onde o dito João Alvares abriu a caixa, e perante todos mostrou as relíquias. E des que tornou a cerrar a caxa deu a chave dela ao Infante D. Henrique, que a logo ali entregou ao Prior do dito Mosteiro da Batalha. E depois abriram a sepultura, e o Infante se assentou em joelhos [ajoelhou] ante as relíquias e fez sua oração, e tomou-as nas mãos, e trouxe-as por meio da procissão, e meteu-se com elas na sepultura, e assentou-as sobre um banco, coberto de cetim aveludado carmesim. E ao despedir, assentou-se em joelhos, e beijou-as, e mandou cerrar a sepultura. Em quanto ele isto fazia, os da procissão cantavam o responso dos Mártires, que diz: Posuerunt mortalia servrorum tourum escas volatilibus coeli, carnes Sanctorum tuorum bestiis terrae: Essuderunt sanguinem snctorumtuorum tamquam aquam in circuitu Jerusalem, et non erat qui sepeliret, com seu verso, e oração dos Mártires; e logo o dito senhor Infante deixou ordenado que cada dia naquele altar de seu irmão se cantasse Missa à conta de sua esmola, até que o senhor rei encaminhasse esta capela perpétua, em lembrança deste virtuoso senhor. O que hoje em dia se faz é que neste seu altar, e dos mais Infantes seus irmãos, e de seu pai, e mãe, se diz no dos Infantes em cada qual dos altares cada dia do mundo à prima, missa rezada, e no altar d’El-Rei seu pai cantada, com responso no fim dela, além dos ofícios que se lhes fazem no dia dos defuntos, e outros, com muita solenidade. E dos do Infante santo D. Fernando fazem os Religiosos do Mosteiro da Batalha, com capas de brocado de cores alegres, de que há muitas, e mui ricos ornamentos, que estes senhores, e outros Príncipes, que aí jazem, deixam; ainda que ofício do Infante sempre é de defuntos.

Em Pernes aconteceu, que à mulher do oleiro do dito lugar nasceu um grande lobilho em uma mão, e cresceu-lhe tanto que lhe estorvava o ficar, e o exercício de outras coisas. Estando um dia chorando, perguntou a uma Brites Eanes mulher de um Afonso Ribeiro, se sabia algum remédio para aquele mal que tinha, e ela lhe disse que se encomendasse com devoto coração ao santo Infante D. Fernando, e que ela lhe ficava por fiador, que lhe alcançaria do Senhor Deus saúde. Ela se foi para sua casa, e assentou-se em joelhos [ajoelhou-se], e com lágrimas se lhe encomendou, prometendo-lhe de levar à igreja um pão e uma candeia à sua honra. E pela manhã se achou sã, e sem sinal de lobinho.

E disse a dita Brites Eanes, que neste tempo em que o trigo era muito caro, tendo ela recebido do celeiro certos alqueires de trigo do mantimento de sem(seu?) marido, disse que pelos muitos milagres que Deus fazia acerca do seu provimento, que ela conhecia, que era pelos merecimentos deste santo Infante, a que se ela encomendava, tanto que se via em alguma necessidade, queria daquele trigo dar de esmola dois alqueires e meio a pessoas pobres. E mediu todo, que não era muito, e tirou aqueles dois alqueires e meio cada meio sobre si e depois que os repartiu aos pobres, foi-lhe logo necessário torná-lo a medir e achou de sobejo aqueles dois alqueires e meio.

Outras muitas coisas contou a dita Brites Eanes de milagres que viu e lhe aconteceram porque teve grande devoção neste santo Infante, e porque eram de causas miúdas (diz o autor desta crónica) não curei aqui de escrevê-las. E eu (que esta crónica solicitei ser de novo imprensa) sou testemunha da vista de muitos, e miraculosos sucessos, que aconteceram a alguns Religiosos doentes, e sãos, que se a este santo Infantes encomendaram no Mosteiro da Batalha, que hoje em dia são vivos, e conhecem assaz bem quantos milagres o Senhor faz por merecimentos deste santo infante. Em cuja sepultura está um buraco, e metem os seis uma cana que vai tocar no corpo do santo, e beijam e põem nos olhos e cabeça. E assim atando na pontada cana contas de rezar, e relicários, os metem pelo buraco para serem tocados nas santas relíquias, em que tem muita devoção..."

14/03/13

VIA SACRA, NOSSA SENHORA, TRADIÇÃO



“O sacrossanto exercício da Via Crucis, o qual na realidade não é outra coisa que uma representação devota daquela viagem dolorosa que o amoroso Jesus fez desde a casa de Pilatos até ao Calvário, foi sempre venerado pela piedade critã;  não se podendo ir pessoalmente a Jerusalém, os fiéis visitam as Estações da Via Crucis, porque aquele caminho o percorreu Nosso Redentor , desde que sobre as espadas da perfídia dos Judeus foi posto o pesado lenho da Cruz. Costuma também chamar-se Caminho doloroso, porque tão penosa viagem, na reflexão dos contemplativos, foi o mais atroz martírio que sofreu aquela Sacrossanta Humanidade e destroçada com tantas penas antecedentes. Pelo que, praticar a Via Crucis é o mesmo que contemplar com ternura de coração todos aqueles destroços e dores que, desde a casa de Pilatos até ao Calvário, sofreu debaixo do peso da Cruz Nosso Amantíssimo Jesus. Divide-se, pois, em catorze Estações, e catorze cruzes: porque a cada Estação corresponde cada cruz e a memória de um daqueles santos lugares nos quais agonizava o Redentor no progresso daquele lastimosa viagem, necessitou esforçar-se, e corroborasse; mas se diz Estação (do verbo estar), e da estância e esforço que fez Jeus naquele lugar: e porque da casa de Pilatos até ao Sepulcro foram catorze estâncias, e esforços (a saber: doze estando vivo, e às duas últimas estações foi levado morto), por isso são catorze as Estações e catorze as cruzes.

A respeito deste santo exercício, escreveram muitos autores, principalmente Adricómio, o qual, na descrição de Jerusalém, unm. 118, atribui à Santíssima Virgem o princípio de tão Santo Exercício, com estas palavras: a piedosa tradição dos mais velhos diz que a Beatíssima Virgem, a qual surgiu com seus passos os atormentados passos de seu Filho até à cruz: depois que que foi sepultado, voltou ao mesmo caminho do Calvário sendo a primeira, que, por devoção percorreu a Via Crucis: de onde parece terem a sua origem as procissões dos Cristãos, e as erecções de cruzes. Este motivo apenas deveria bastar a todas as almas devotas para adoptarem este santo exercício: o saber que não foi inventado por Santo algum mas sim pela Rainha de todos os santos, a qual, todo o tempo, que sobreviveu à morte do seu filho, (segundo a mesma Senhora revelou a Sta. Brígida) todos os dias praticou um tão santo exercício, visitando aqueles santos lugares, que o benditíssimo Jesus havia consagrado com suas pernas; estas são suas palavras: em todo o tempo, depois da Ascenção do meu Filho, visitei os Lugares, nos quais Ele padeceu e manifestou suas maravilhas. (lib. 6 Revel c. 6). Vê-se aqui o engano daqueles, os quais, antes da mencionada presente declaração, se retraíram deste santo exercício: e colocando em dúvida o ganho de indulgências, abstinham-se de praticá-lo como se tão bela devoção (a qual é a mais antiga, a mais piedosa, a mais excelente de todas, e pode dizer-se “a mãe e rainha de todas as devoções”) não constituísse em si o mais nobre motivo para exercitar o coração à dolorosa memória da Paixão do Redentor. O motivo de ganhar as indulgências, não há dúvida que é santíssimo; “…

(queira o leitor desculpar: perdi o original e não pude terminar de transcrever nem posso de memória citar a fonte)

LUSITANAS!?... NÃO SE METAM COM ELAS (II)

(continuação da II parte)

“Exausta de mantimentos, via-se a praça de Monção obrigada a render-se pela fome. Que ideou a ladina da portuguesa? De uns restos de farinha mandou preparar uns pães; depois subiu à muralha, e uns apôs outros os atirou-os aos sitiantes, bradando que havia pão dentro da praça para dar e vender.

As armas de Monção, revelando à posterioridade o levantamento do cerco diante daquele feito, provam que Deusadeu acertou no vinte para a libertação da usa terra.
Monção
Foi isto em tempo del´Rei D. Fernando. Passados séculos, em dias de D. João IV, tornou a valentia feminina a achar-se ligada à história bélica de Monção. Pasmou um dia o exército sitiador castelhano, ao ver sair da praça, e em som de guerra, o batalhão das trinta guerreiras, levando à frente, de chuço na mão, como repto ao inimigo, a afamada Helena Peres.

(…)

E já depois da batalha, estando os nossos cercando ainda a praça de Melgaço, que presenceiam os dois exércitos? Nada menos do que uma pequenina amostra do combate dos Horácios e Curiácios. Grande ruído soa num dos pontos da muralha. Destaca-se, do lado inimigo, uma intrépida castelhana; do outro, uma portuguesa valorosa. As muitas injúrias sibilam de uma para a outra como rajadas de vento: e os punhos, de depois de se levantarem como imprecações tremendas, arremeçam-se para diante,como seno aéreo espaço cada uma supusesse já despedaçar a contrária. As línguas já não têm mais injúrias para despedir, nem os braços mais ameaças, O repto para virem às mãos rompe a final como supremo anseio. Correm então para o meio do campo. Não são duas mulheres, são duas fúrias. Têm por espectadores,; e as duas feras, primeiro com as armas, depois corpo a corpo, enovelam-se aos murros, arrancam mutuamente os cabelos na sua raiva furiosa, até que a inimiga, heróica mas vencida, é forçada a ceder a palma à nossa Inês Negra, a popular combatente de Melgaço.”

SENTIMENTALISMO EM ANDAMENTO

Andam a difundir uma foto de 1985 onde se vê João Paulo II com o futuro Bento XVI, dizendo que uma terceira figura é o agora Papa Francisco. Alguém tratou de divulgar este erro que facilmente se repercutiu à velocidade das emoções.

Olhemos a foto em questão.


A foto data de 1985 quando Bergoglio era apenas um comum sacerdote. Portanto o Pe. Bergoglio não está realmente nesta foto! Por outro lado, não há sequer muitas semelhanças fisionómicas da terceira figura com Bergoglio e, pior ainda, Bergoglio teria então de ser mais velho que Ratzinger (note-se a diferença de idades entre os 3 personagens).

 Para que o leitor se assegure da data em que foi tirada a foto:




Queira confirmar ao fundo desta página.

CURIOSIDADE - 17 de Dezembro

Jorge Mário BERGOGLIO (17 de Dezembro de 1936)


Ludwig van BEETHOVEN (17 de Dezembro de 1770)

GAIVOTICES...

Os "gaivotianos" viram uma gaivota na chaminé da capela sixtina! Eis que novas revelações tiveram, sinais tão crus quanto os de umas cartas de tarot!

Todos os dias pousam gaivotas nas telhados vaticanos. Quem conhece esta ave sabe que, e qualquer português a conhece por ser esse um animal tão presente em toda a costa portuguesa, a gaivota gosta de colocar-se em sítios de visibilidade: na proa de um barco, no topo de uma estaca, nos mastros dos navios... etc. Não admira que, no telhado da capela sixtia, a gaivota prefira pousar justamente na chaminé.

No Vaticano as gaivotas são uma constante pela proximidade do rio e pelos bem regados e tranquilos jardins posteriores à Basílica de S. Pedro.

Do rio até à chaminé da capela sixtina são 750 m
Os "gaivotianos" deveriam fazer algumas coisas antes de elaborarem suas teses:

1 - Conhecer um pouco mais as gaivotas;
2 - Sondar quantas vezes pousaram gaivotas na chaminé da capela sixtina (nos conclaves);
3 - Saber da frequência de gaivotas no Vaticano.

Enfim.... gaivotices!

FRANCISCO... FRANCISCO... Queres ir a ASSIS!?

13/03/13

FRANCISCO...FRANCISCO...

Entre as piadas tontas que se andam já a fazer ao novo Papa, uma delas é curiosa.

"PAPA CHICCO" (Chicco = marca de produto para bebé; Chico = abreviação portuguesa de Francisco; papa = no sentido de alimento).

O pior é que "chico", em espanhol, significa "pequeno", pelo que seria ainda menos apropriado dizer "Papa Chico".

Tendo em conta que não se deve dizer "Francisco I" enquanto não existir um "Francisco II", tal como não há um "Pedro I" nem um" D. José I" (D. José , Rei de Portugal), assim o novo Papa será apenas "Francisco", o que pode originar alguns embaraços. Comparemos:

"Bento XVI tem uma digna cruz peitoral"
"Francisco tem uma digna cruz peitoral"

Quando Bento XVI abdicou, alguém disse "eles querem garantir o 13/03/2013 para eleger outro Papa". Se Francisco se sentir pequeno para o cargo, e "por amor à Igreja" abdicar e passar a Papa Emérito, ainda há tempo de eleger outro novo papa para o 13 de Outubro de 2013 (que é também uma data bonita)...!

Mas, com toda a seriedade, há a possibilidade de esta data não ter sido manipulada. Pode ser este o "Bispo vestido de Branco", pois Francisco apareceu na varanda da Basílica de S. Pedro se chamando a si "Bispo de Roma" (e não "Papa"), suas vestes eram apenas brancas (sem vermelhos). Um dos três pastorinhos chama-se Francisco. No juramento feito antes do "extra omnes" o Cardeal Patriarca de Lisboa, em ordem, estava logo a seguir ao Card. Bergoglio! Enfim... São coincidências, inegavelmente, mas que não podem ser desprezadas.

Não me admiraria que, independentemente do novo Papa ser modernista, comece a haver problemas graves contra a Imagem Falsa da Igreja (aquilo que as pessoas hoje acham ser a Igreja católica) mas que isso comprometa a vida dos baptizados e da hierarquia. Haja depois uma DECISÃO de discernimento feito perante grandes apertos impostos, e se dê uma consequente divisão seguida de forte perseguição aberta. Etc...

Enfim... Rezemos pelo Papa, porque é Papa e porque rezar é sempre de grande proveito, principalmente agora que a desgraça parece ser maior e estar mais perto!

HABEMUS PAPAM (13/03/2013)

Obrigado meu Deus por fazerdes mais claro o peso da nossa cruz.


07/03/13

"SENHOR, NOSSO DEUS" (Paixão segundo S. João)



"Herr, unser Herrscher" é como abre a paixão segundo S. João musicada por J.S. Bach.

É mais ou menos assim que me "soa" o primeiro dos mistérios dolorosos.

Não costumo recomendar músicas durante a quaresma, a não ser que em algum caso elas, bem escolhidas, possam convidar ao silêncio!

CAMPINO DO RIBATEJO (ao meio-dia)

Campino, ao toque das "3 Avé-Marias".
Região do Ribatejo - Portugal

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CLIII


APARIÇÕES DE S. MIGUEL ARCANJO

Todos os meus patronos são patronos do blogue, e o Arcanjo S. Miguel é um deles.

Recordo 6 aparições de S. Miguel Arcanjo e quero fazer notar a curiosa disposição:

492 e 423, Itália - S. Miguel Arcanjo apareceu a S. Lourenço depois deste o ter invocado na proteção do exercito a quem milagrosamente S. Miguel deu a vitória aparecendo. Depois disto aparece novamente para pedir a S. Lourenço a consagração da gruta da aparição como templo. Assim ficou mais tarde do dia 29 para a festividade de S. Miguel Arcanjo.

Séc. VI,  Itália - Durante a procissão de Nossa Senhora (cuja imagem foi feita por S. Lucas), para motivos de sanação da peste, S. Miguel Arcanjo apareceu no alto de um castelo (ao que se passou a chamar castelo de Sant'angelo) embainhando a espada (em sinal de que o pedido estava satisfeito).

Séc. VIII, França  - O Arcanjo apareceu a Sto. Alberto ordenando-lhe a fundação de uma capela a si dedicada. Por motivos de dúvidas do santo, S. Miguel aparece-lhe três vezes. O pedido foi executado e se tornou um dos mais belos lugares da cristandade: Mont Saint-Michael.

Séc. XV, França - S. Miguel aparece a Sta. Joana d'Arc, e assim é iniciado o conhecido percurso de Joana e França.

1750, Portugal - A Coroa Angélica (também chamado "terço de S. Miguel Arcanjo") foi entregue a Antónia d'Astónaco pelo próprio Arcanjo S. Miguel. Esta é  única devoção a si que o Arcanjo entregou ao mundo. A Coroa Angélica e a aparição foram aprovadas pelo Papa Pio IX (1851).

1916, Portugal - Aos pastorinho apareceu o Arcanjo S. Miguel, Anjo de Portugal (identificado ora com um nome ora com o outro), para prepará-los, dando-lhes a comunhão e ensinando-lhes orações. É o período de preparativos para as aparições que se seguiram de Nossa Senhora do Rosário em Fátima.

05/03/13

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CLII


PE. NORMAN WESLIN - RECORDANDO

"Pe. Norman Weslin, sacerdote americano, foi preso mais de 70 vezes, incluindo meses passados em prisões federais, por seus protestos pacíficos e orando de joelhos em diversas clínicas de aborto. Ele disse: "que ele não tinha vergonha de ser preso, tanto que Jesus e os apóstolos todos foram para a cadeia."

Ele acreditava que o lugar de um padre não era atrás de seu povo, encorajando-o, mas na frente abrindo o caminho.

Pe. Norman Weslin faleceu com 81 anos de idade no dia 16 e Maio de 2012."

LUSITANAS!?... NÃO SE METAM COM ELAS (I)

I - "VIVA A FÉ DE CRISTO, INFIÉIS!"

"Na manhã de 20 de Março de 1714 Gaspar dos Santos, Comandante da nau "Nossa Senhora do Carmo", navegando da Bahia, avista, a quinze léguas ao mar das Berlengas, três navios com cento e trinta bocas de fogo (como depois se soube), em quanto as nossas eram só vinte e oito.

A nau tinha diante de si uma esquadrilha de corsários argelinos.

Às 7 horas o inimigo disparou os primeiros tiros. Respondeu-lhe a nau; e em breve se travou rijo combate.

Logo no princípio levantou-se grande tumulto. Os presos gritavam que era melhor render-se a nau. Viu-se nesse momento aparecer uma moça de dezanove anos, lançar-se no meio do conflito, bradando que a rendição seria morte certa, porque os corsários não davam quartel. Aplaudido o seu brado, ei-la reapareceu dentro em pouco (...), colocando-se entre os combatentes, victoriando uns, animando outros, e chegando mesmo a dar fogo. Quando a noite veio interromper a peleja, passou-a a valorosa rapariga, com as suas pretas e duas judias, a fazer cartuchos, que iam já faltando.

Continuou no segundo dia o fogo; e os nossos, defendendo vida e honra, praticavam proezas próprias de um combate tão desigual. Toma-se de espanto o inimigo quando vê tornar a nau a marear depois de uma granada lhe haver ateado fogo na vela de estai; investe numa abordagem; é repelido; e aos gritos dele "Amaina, canalha!", bradava-lhe a jovem Portuguesa, como eu resposta: "Viva a Fé de Cristo, infiéis!" E ora incitava os combatentes, ora auxiliava o curativo dos que a seu lado caiam feridos.

Salvador da Bahia, séc. XVIII
À noitinha, estrondeavam nos ares as últimas descargas; e quando, ao romper da manhã seguinte, o Comandante começava de novo a manobrar, para resistir até à última, viu-se que a esquadrilha inimiga se havia distanciado, e por fim desaparecido, cedendo o mar e a vitória à nau portuguesa, que na tarde desse dia 22 entrava na barra de Lisboa. Remunerou elRei D. João V o intrépido capitão com o Hábito de Cristo e uma tença.

E quem era aquela moça, que tanto se distinguiu por seu valor e constância? Era D. Maria de Sequeira, mulher de António da Cunha Souto Maior, Desembargador que do Brasil regressava a Portugal."

(continuação, aqui)

04/03/13

"O CALVÁRIO"

Desenho do quadro da Sé de Viseu (o Calvário).

FESTIVIDADE DE S. CASIMIRO (Confessor) - 4 de Março

 



Dei notícia dos feitos neste dia 4 de Março: nascimento do Infante D. Henrique e da chegada de Cristóvão Colom a Lisboa. Não podia deixar então de lembrar a Festividade do dia: dia de S. Casimiro (calendário litúrgico tradicional da Santa Igreja - aqui não usa o calendário inventado, sobreposto, e recente).

Sublinho neste dia a preferência constante de S. Casimiro (ano de 1484) nas coisas do Céu. Era filho do Rei da Polónia (Casimiro IV) e de Isabel de Áustria. Centrado na Paixão de Nosso Senhor praticava a mortificação e as virtudes e venceu as tentações que a Corte lhe proporcionou. Era admirador da vida em pobreza e repudiava muito o mal. Morreu jovem (26 anos) e é patrono da Polónia e Lituânia.

4 de Março - NASCIMENTO DO INFANTE D. HENRIQUE

O maior símbolo da navegação portuguesa foi o Infante D. (4 de Março de 1394 - 13 de Novembro de 1460), filho delRei D. João I de Portugal (fundador da Casa de Avis) e de D. Filipa de Lencastre (filha de João de Gant, Lancaster), e irmão do Infante Santo (D. Fernando). Foi o I Duque de Viseu e I Senhor da Covilhã. O seu nome deve-se ao seu tio Henrique IV de Inglaterra e o seu padrinho de baptismo foi o bispo de Viseu. Até aos 14 anos poucos registos temos da sua vida passada com seus irmãos (a estes príncipes se chamou de a ínclita geração, por se tornarem homens de maravilhosos feitos.)

Em 1414, o Infante obtém de seu pai autorização para a fundação de uma companhia na África, para a conquista de Ceuta (o que veio a acontecer em 1415). Foi então armado cavaleiro, e recebeu o Ducado de Viseu e o Senhorio da Covilhã. Governou Ceuta desde 1416 e resistiu ao primeiro cerco muçulmano (1418) que lhe levantaram juntamente com o Fez e Granada.

Recebeu por doação de seu irmão D. Duarte (então subido ao trono de Portugal) o arquipélago da Madeira, em 1433. Em 1420 foi nomeado Grão-mestre da Ordem de Cristo (continuidade da Ordem dos Templários em Portugal) facto pelo qual se explica que os descobrimentos portugueses levassem sempre a cruz desta Ordem. Começa um período de expansão marítima imparável pelos séculos fora.

O Infante tinha de D. Duarte o direito ao quinto e exploração. Fez a povoação dos Açores (descobertos em 1427). A costa de África ganha muitas expedições e descobertas, e esteve o Infante na organização da conquista de Tânger em 1437 onde seu irmão Infante Santo veio a morrer às mãos da moirama depois de 11 anos como prisioneiro.

A PAIXÃO DE CRISTO, MAIS PRESENTE.

No artigo "Via Sacra - Apenas 14 Estações" mencionei haver relação da Via Dolorosa com a Santa Missa. A Via Sacra, a Missa, e o Rosário têm em comum que nelas há relação com a Paixão de Nosso Senhor (no Rosário pelos mistérios dolorosos).

Lembro-me que, quando era criança, meu avô materno falou-me da correspondência dos momentos da Missa com os momentos da vida de Nosso Senhor. Naquele tempo não entendi, visto que a nova Missa não se presta a essa piedade, nem ela é edifício da nossa Fé, portanto esqueci. Hoje quero fazer justiça a esses ensinamentos mostrando aos leitores algumas imagens de um livrinho do séc. XVIII oferecido a Sua Majestade Fidelíssima elRei D. João V, e que vão ilustrar o que "fala" melhor que mais palavras minhas (olhar para as figuras sobre o altar):











Apenas na Paixão a Missa, o Rosário, e a Via Sacra, coincidem todas nos momentos da vida de Nosso Senhor.

imagem - CIVILIZAÇÃO CATÓLICA...


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