08/02/13

HISPÂNIA - SUMOS SACERDOTES DA GALÉCIA

Siricio, Papa
"O Papa Sirício, na sua Decretal do ano 384 a Eumerio, Bispo de Tarragona, chama aos bispos das igrejas metropolitanas da Hispânia Sumos Sacerdotes, dentro das suas províncias.

Bem poderia ser já Bispo de Braga Paterno, de que há notícia no ano 400. De qualquer forma Paterno foi Sumo Sacerdote ou Metropolita da Província Galaico-bracarense."


(de fonte por mim perdida)


07/02/13

AVE MARIS STELLA - Pe. RODRIGUES COELHO



Um interessante exemplo este. O órgão não se junta às vozes do Ave Maris Stella, ma intercala-as. A Composição é do Pe. Manuel Rodrigues Coelho (1555 - 1633) natural de Elvas.

CAPELA DO ES. SANTO E S. JOÃO BATISTA - MUITO MAIS DO QUE OS OLHOS PODEM VER (III)

(continuação da II parte)

Com tudo o que estamos a ver, seria de admirar muito mais... mas muito mais virá. Aos poucos, o projecto de Vanvitelli vai desaparecendo e ficando em nada.

Entre outras coisas, destaca-se uma de fundamental interesse: Os indicados elementos da Corte Portuguesa, que se tinham reunido no Palácio da Ribeira (Lisboa) para apreciações, dão a Vanvitelli aquelas que, obrigatoriamente, serão as definitivas medidas para o altar: "A altura do altar será de 4 palmos e 10 onças, e o seu comprimento 10 palmos, deve conservar-se: toda a sua largura (como este altar há de acrescentar-se para a parte anterior, quando houver exposição do Santíssimo Sacramento) terá 4 palmos e 1/2, dos quais ficarão livres para o altar 3 palmos e 1/4 e para a banqueta 1 palmo e 1/4, a altura da banqueta por nenhum modo excederá 1 palmo, nem há necessidade de ser mais alta, porque absolutamente se reprova tenha sacrário no meio em que se houvesse de recolher o Santíssimo Sacramento, como mostram os riscos [desenhos]: o comprimento da banqueta póde ser de 14 palmos, como vem riscado [desenhado], e a parte que excede ao comprimento do altar ou estará sobre pedestal, na fórma de risco, ou sobre misola, pois de qualquer destes modos há exemplos. Também se conservará a altura da bradela e dos degraus, em 1 palmo e 10 onças, porém a largura da bradela serão 4 palmos e o seu comprimento excederá ao do altar em cada lado 3 até 4 onças, as quais continuarão acompanhando ambos os lados do altar com a mesma molduragem e lavor que tiverem na frente." Assim, Vanvitelli pôde conservar algumas das medidas do seu projecto, mas teve de alterar muitas outras. [O "palmo" é a antiga unidade de medida a que estávamos acostumados, são 22 cm (em Portugal), 20,87 cm (em Espanha) e 26,36 (em Itália), etc. A "onça" referida é a da unidade de volume, e não a unidade de massa.]


O altar é uma pedra inteira "sem o mínimo lezim", "e o seu ornato será mais nobre e de melhor gosto e capricho a que o arquitecto possa chegar". Importantíssimo notar esta ordem, por importâncias, na mentalidade católica, assim tão bem representada nesta indicação respeitante ao local mais importante da capela.

Em Portugal costumamos usar pedra nas construções, não só pela sua durabilidade. Muito mais rápido seriam construídas as igrejas, os palácios, as casas, se fossem em tijolo. O nosso material de referência é a pedra, e só não se usou quando não se podia usar, pelas mais diversas circunstãncias. Enquanto os outros países usaram indiferentemente tijolo e pedra (tendo em conta as características do material), nós sempre nos referenciámos pela pedra. Aqui não seria admissível, em circunstancias normais, construir uma igreja em tijolo por motivos de facilidade, a casa de Deus está associada a "pedras vivas" e, e toma-se a pedra como matéria própria, mesmo que fosse possível outra matéria mais nobre. Por outro lado, o templo é tomado por modelo das restantes construções. Os templos, pelo seu carácter sagrado, são feito para durar sempre sem se corromper, símbolo do corpo de Cristo. Não são nossos aqueles palácios e igrejas em tijolo abundante e fácil de trabalhar: por isso, muitos turistas hoje não estão preparados pelo convívio que têm com os grandes volumes monumentais de menor esforço. Nós, e muito bem, preferimos guiar-mo-nos por critérios mais sublimes mesmo que isso nos fizesse doer os braços. É isto um exemplo para aqueles que ainda julgam que o catolicismo acaba na mente e na alma e não se imprime nas acções e no produto delas.
Exemplo de grande construção em tijolo - Sevilha.
Na capela do Espírito Santo e S. João Baptista os materiais são duráveis: metal e pedra. Há uma pequena e simpática exepção: "... o seu plano terá um rebaixo, o qual, para evitar o frio dos pé ao celebrante, se encherá com um estrado encaixilhado de madeira de várias cores (...) advertindo que nada seja empelichado nem grudado porque com a intemperança do ar deste país são quase de nenhuma duração as madeiras empelichadas e grudadas, e para este defeito se armará tudo em boa grossura com encaixes e travessas a rabo de minhoto, com cavilhas e prégos, etc...". O sacerdote (algum monsenhor da Patriarcal) que aqui reze Missa pode, portanto, ficar descansado nos dias de inverno mais rigoroso. Recordo ao leitor que por vezes o sacerdote ia calçado com sapatos de tecido, do conjunto da paramentação.

06/02/13

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CXLVI


STo. ANTÓNIO DE LISBOA E DE PÁDUA (I)


"No dia 15 de Agosto de 1195 nascera em Lisboa, em casas nobres junto à Sé metropolitana, um menino, a quem seus pais batizaram com o nome de Fernando.

Sé de Lisboa - em frente dela está a casa de Sto. António,
onde está também a igreja de Sto. António
Fernando martins de Bulhões foi o segundo filho de Martim de Bulhões e de D. Teresa Taveira.

De crer é que aquele Martim de Bulhões fosse descendente de algum Cruzado Francês, dos que, conjuntamente com os Ingleses, Flamengos e outros ajudaram a D. Afonso Henriques na tomada de Lisboa, em 1147.

De um Vicente era filho o api de Sto. António, provavelmente o tronco da família.

Além de Fernando nasceram do consorcio de Martim de Bulhões três filhos mais: Pedro, o primogénito, que casou com Maria Pires; uma menina, cujo nome se não determina, e Maria Martins Taveira, que, a muitas instâncias do irmão Fernando, professou em S. Miguel das Donas. 

Parece averiguado que Fernando começára em menino a dar evidentes sinais de puro ascetismo.

Assim foi que, mal chegado à idade própria, entrara de frequentar a Sé de Lisboa, como uma das escolas, que havia naquele tempo, para ali aprender as primeiras letras.

Como é sabido nas sés e nos mosteiros residia a instrução no princípio da monarquia.

Acentuando-se em Fernando, com o crescer dos anos, a natural inlcinação para a religião cristã, à falta de melhores dados históricos, afirma a tradição que na Sé de Lisboa fôra ele Menino do Côro.

Chegado à idade de quinze anos, e não podendo resistir ao íntimo chamamento, que o atraia para a vida monástica, buscou um dia aos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, em S. Vicenten de Fóra, recente fundação do primeiro Afonso, e das mãos do Prior, D. Gonçalo Mendes, recebeu ele a murça de S. Agostinho, começando sua vida religiosa por ser portero daquela casa.

Fervorosamente humilde e crente, o seu noviciado foi um modelo exemplificativo de observância e de amor religioso:

Do mamativo amável
Sai o amor admirável,
Depois é o amor durável
Sempre em todo o estado.

como escreveu um cavaleiro da mesma milícia sagrada.

Depois anos volvidos, começou de entrar no espírito do novo agostinho a ideia de se passar ao mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, onde, ao tempo, havia notáveis professores de Filosofia e Teologia.

Munido de cartas de D. Gonçalo Mendes e de seu Professor em S. Vicente de Fora, entrou frei Fernando em Coimbra, nos fins de setembro de 1212, sendo mui bem recebido em Santa Cruz do Prior daquela casa, D. João Cesar, que para logo o entregou aos cuidados e ensino de D. Raimundo, varão dos mais doutros e virtuosos, que então havia naquele mosteior.

Ali permaneceu o jovem religioso até ao ano de 1221 em que, depois de u ano de combates, deliberado resolutamente, com fé vivíssima e santa, se passou à Ordem dos Menores de S. Francisco, que havia casa em Sto. António dos Olivais.

Fôra o caso demovente da mudança da Ordem a chegada a Coimbra de Afonso Pires de Arganil, em 1220, mandado de Tarifa, na Espanha, por ordem do Infante D. Pedro, o aventuroso irmão de Afonso II, com as cabeças dos cinco Mártires de Marrocos, os Franciscanos ali mortos pela Fé de Cristo, Acúrcio, Adjuto, Bernardo, Pedro e Otto.

(continuação, aqui)

Os cinco mártires de Marrocos

N. SENHORA DOS NAVEGANTES


03/02/13

"IMAGEM DA VIDA CHRISTAM" - Livro

Mias um livro recomendado, tanto que é aqui da cidade, " Imagem da Vida Christam, Ordenada Per Dialogos com Membros da sua Composição..:", composto por Fr. Hector Pinto, 1565.


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CAPELA DO ES. SANTO E S. JOÃO BATISTA - MUITO MAIS DO QUE OS OLHOS PODEM VER (II)

(continuação da I parte)

A referência da Corte portuguesa parte de S. Carlos Borromeu, contudo vai-se mais longe: "O altar deve encostar-se à parede, por ser de capela menor, dos quais não trata S. Carlos, quando determina que sejam despegados da parede posterior, pelo que se adverte que nem pelo pensamento passe ocupar com a balaustrada coisa alguma do corpo da igreja, na qual (sedo grande) nos dias santos não cabe todo o povo que a ela concorre." É que Vanvitelli tinha desenhado o altar separado do retábulo, colocando o altar quase para o centro da capela e, para dar espaço devido ao Rito, puxou a balaustrada fora da capela. Viu-se na reposta que lhe deu a Corte a preocupação de não impedir que o povo assistisse à Missa continuando a caber na igreja em dias santos - tal pecado não fosse cometido por pretexto de falta de espaço.

do altar de St. Inácio, igreja de Jesus, Roma - foram usadas
folhas tortas para distrair a vista da não correspondência
ente os canais da coluna e o capitel.
Uma das mostras mais claras do quanto D. João V estava informado admiravelmente está contida no seguinte comentário: "As colunas de lapis-lazuli se veem [no projecto] com 24 canais, o que não pode mostrar grandeza, e por este respeito, no altar de Santo Inácio [Roma], ainda que as colunas tenham mais de 3 palmos e 1/4 de diametro, se lhe fizeram somente 18 canais, e vendo-se depois que este número não admitia divisão de quatro com partes inteiras e que se desencontraram dos 24 canais que teem os capiteis, disfarçaram esta irregularidade, usando de folhas tortas nos capitéis; porém fazendo-se em cada coluna 16 canais ou planos, se consegue mostrar grandeza e se evita a referida irregularidade, porque no dito número 16 não só se acha divisão de quatro partes inteiras respectiva ao abaco e volutas, mas também de oitavos respectiva aos meios das frentes dos capitéis, nos quais se usará de folhas direitas e de duas ordens."

Na capela do Espírito Santo e S. João Batista as colunas são
acabadas e a divisão dos canais e dos grupos de folhas do capitel
fazem correspondência.
É de salientar que as colunas da capela são baseadas nas do altar de St. Inácio em Roma (que podemos considerar o altar mais inacioano), pois a igreja de S. Roque é jesuíta. Ainda que melhoradas, as nossas colunas acabam por ser discreta homenagem a este grande santo fundador da Companhia de Jesus.

Mas, como entender que a Corte fosse tão extraordinariamente informada a respeito das outras igrejas? Tínhamos uma recolha exclusiva de informação de todas as basílicas do mundo e principais igrejas, tanto quanto às medidas, desenhos, Rito e música. No Palácio Real da Ribeira tudo isso existia juntamente com maquetas destinadas a este tipo de estudos. Sempre fomos preocupados em recolher informação estratégica de outros territórios, e D. João V aplicou isso na recolha de tudo o que dissesse respeito ao Rito Romano, Templos, Música Sacra... entre outros. Este material estava editado em largas coleções de livros únicos que, infelizmente, foram um dos grandes tesouros perdidos com o maldito terremoto de Lisboa. Este manancial informativo foi fundamental para a construção da Basílica Patriarcal que, segundo se sabe hoje, ultrapassava a pequena capela do Espírito Santo e S. João Baptista. Esta última sobreviveu ao terremoto... a Basílica Patriarcal, da qual os estrangeiros escreveram dizendo que nem na Basílica de S. Pedro tinham assistido a tão maravilhoso Rito, não sobreviveu, nem dela sobreviveram registos gráficos, e pouquíssimos são os registos literários.

(continuará s.D.q.)

"ISACCO, FIGURA DEL REDENTORE" - de J. de Sousa Carvalho

02/02/13

CAPELA DO ES. SANTO E S. JOÃO BATISTA - MUITO MAIS DO QUE OS OLHOS PODEM VER (I)

D. João V
D. João V escolheu os melhores dos melhores para a construção da capela do Espírito Santo e S. João Baptista, da igreja de S. Roque (Lisboa). Sendo a mais cara capela de que há conhecimento, preconceituosamente atrai hoje sobre si criticas superficiais - fenómeno que só podemos entender no contexto ideológico do séc. XX e seguintes. Pecam uns por acharem que o melhor não deve ser dado a Deus, ou só o que não é material lhe deveríamos dar, e outros há, materialistas, que julgam tudo uma questão de dinheiro e, por fim, há aqueles que, por não entenderem as grandezas sobrenaturais, apenas acham que elas não são mais que um pretextos para as vicissitudes humanas. Esta capela, é talvez o maior testemunho do seu género que nos restou, e encerra uma realidade muito mas rica, para lá da matéria.

Quando foi encomendado a Luigi Vanvitelli um primeiro esboço da capela segundo alguns requisitos régios, o ilustríssimo arquitecto estava longe de conceber que projectar uma capela real, portuguesa, estaria para lá das suas alta e reconhecida experiência e conhecimentos.

Quando os primeiros desenhos de Vanvitelli chegaram à Corte de D. João V a reprovação não tardou. O Arquitecto Real, J.F. Ludovice, escreveu a Vanvitelli fazendo várias correcções ao projecto, tanto a nível arquitectónico como, sobretudo, a nível religioso.

J. F. Ludovice
Primeiramente, Ludovice recorda a Vanvitelli que aquela não é uma capela qualquer, mas sim uma capela real, e, como tal, não pode ter erros, tais como deixar a cimalha incompleta: "fica a dita Capela defraudada dele, do que procedeu, além de outras desordens, não se lhe pode fazer retábulo com frontespício de forma airosa e completo com todas as partes principais da cimalha real, que são: cornija arquitrave e friso, por lhe faltar este." Vale a pena mostrar-vos a lição que na nossa Corte deu a este respeito a Vanvitelli nas palavras de Ludovice: "Ainda que há exemplos de se fazerem e haverem feito cornijas arquitravadas sem friso, não podem ter lugar, nem se praticam na parte principal de dodo o edifício, mas sim em arcadas de pórtucos, corredores, escadas e lugares subtarrâneos, onde não há altura, ou se trata de limitar a despeza, ou quando se quer dar esta parte às outras, não sendo na parte principal do edifício, como é esta Capela, que deve ser considerada edifício real e todo sobre si, como o exemplo das célebres Capelas de Cibo al Popolo, e de S. Carlino alle quatro fontane, que tem colunas, arquitrave, friso e cornija inteiramente: ainda que no retábulo não faça frotespício, e, comente sirva a cimalha de imposta, para sobre ela voltar o arquivolto, e o claro, que fica em toda a sua largura e altura, serve para um grande painel com sua moldura ao redor."

Vanvitelli
Veja-se outra crítica interessante e que ilustra bem o sentido católico implicado: "O retábulo (...) se não tiver o altar diante [encostado], não se lhe poderia chamar retábulo, nem tal lembraria, vendo-se uma abertura no fim com ar livre, e seria muito impróprio; usando de tão grande número de colunas, disformar aquela parte, que deve representar toda a substância e compostura da obra (...)".

Vanvitelli tinha desenhado uma capela onde apostava nas formas ovaladas. No centro do retábulo, o painel de mosaicos foi desenhado em oval, também. Eis a crítica da Corte lusitana a este respeito: ";e ainda que haja exemplos de paineis de retábulos ovados, não os há em edifícios grandes e sérios, mas em Capelinhas como S. Izidoro e S. lourenço em Lucina, etc."

Caro leitor, não lhe chama a atenção que a Corte tenha conhecimento do que há ou não há em todos os edifícios grandes e sérios e se digne até saber o que há nas capelinhas de menor referência!? Pois bem, fique atento para se admirar ainda mais, não tarda nada.

Ludovice continua a explicar o que se deve e o que não deve e, no parágrafo seguinte, transmite que "mas sem frontespício, bastando-lhe a sua cimalha mais limitada na altura para acrescentar a parte que se lhe limita na altura do painel como se vê ala Madona de Victoria na Capela de Santa Tereza, a qual também serve para exemplo do acima referido... (...) com suas ferragens e argolas de bom gosto de bronze dourado, como há uma porta móvel na Capela de Montione ala Madona de Monte Santo". De onde vieram tantas informações a respeito de outras e longínquas igrejas e capelas!?...

Brasão no emboco da capela
Era costume colocar armas reais no piso das capelas reais na Europa, isso não constituiria de facto um problema. Contudo, isso não é para nós, as armas reais de Portugal não podem estar no chão. Eis a explicação dada a Vanvitelli "As armas reais no pavimento são muito indecentes, porque nas cinco quinas delas se significam as cinco Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo; O lugar decente e próprio é ao meio do arco do emboco [arco onde é colocada toda a capela], com advertência que não se use do manto real, e que em lugar dos génios estejam anjos acompanhando as ditas armas reais, assim para ficar mais airoso, como para ocupar menos lugar do vão da janela que está imediatamente sobre o arco, a qual é muito necessária para dar luz à igreja e capelas defronte, e no pavimento, em lugar das ditas armas, se porá uma esfera [esfera armilar], etc." Aproveito a ocasião para fazer uma interrupção oportuna: veja-se a frequência com que as frases terminam em "etc.", é que muitos andam hoje a dizer, sobretudo no estrangeiro, o quão estranho lhes parece o texto da Irm. Lúcia, aquele que relata a última visão, por terminar terminar num "etc.".

A "esfera", no chão da capela, acabou por ser o único ovalado!
(continuação, aqui)

DA OBEDIÊNCIA (III)

(continuação da II parte)



 


LIÇÃO XIV
Da Obediência

Muita adversidade experimentaram os filhos desobedientes, dos quais referiremos alguns exemplos que sirvam para escarmento, como os outros para imitação. Diga-o a maldição que fulminou o velho Noé sobre seu filho Cam pela desobediência que sua geração, e foi a primeira servidão, que se introduziu no mundo, mas também serem seus irmãos melhora dos na herança, e bens: Genesis cap. 9. Diga-o Rúben, que pela desobediência com que tratou a seu pai Jacob perdeu o morgado, o sacerdócio, e o Reino: Genes. cap. 9. Diga-o Absalão, que pela desobediência de seu pai David morreu desastradamente enforcado numa árvore lib. 2 Regum cap. 18. Digam-no aquele sete filhos de quem escreve Santo Agostinho de civitate Dei lib. 2 cap. 8 que sendo amaldiçoados por sua mãe por terem-na injuriado ficaram com um termo de Pelesia tão horrendo, e horrível, que era espanto de quantos os ouviam; e passando-se alguns dias sem passar aquele acoite tão estranho, e não podendo os padecentes sofrer a admiração do povo, se foram desterrados de sua pátria vagando pelo mundo como outro Caim fugindo à vista de seus parentes, e conhecidos.

Dêmos uma vista às histórias humanas, e veremos um pouco do muito que escrevem os historiadores: e diga-o Crano filho do Imperador Cloratarlo, que pagou o haver desobedecido a seu pai com morrer queimado vivo dentro de uma casa com todos os seus filhos, mulher, e criados, como escreve Aimin de gestis Francorum lib. 2 cap. 30. Diga-o D. Sancho filho de D. Jaime I de Aragão, que pagou a rebelião, e desobediência de seu pai morrendo no rio Cinga, que como verdugo o arrebatou com suas ondas sepultando-o nelas desastradamente. Diga-o Salim filho de Bacaleto, que desobediente e rebelado contra seu pai com ambicioso desejo de Reinar lhe apresentou batalha, na qual foi vencido, e poucos anos depois veio a morrer no mesmo lugar. Diga-o Besso, de quem escreve Plutarco in lib. de fera muminum vindicta que matando a seu pai com tanto segredo, que o não viram mais que umas andorinhas, estas o perseguiram em toda a parte chamando-lhe traidor de maneira que a ele lhe veio a crescer tal ódio, que aonde as via tratava de as matar; e sendo repreendido de usar tal tirania, respondeu, que estas andorinhas lhe levantavam um falso testemunho de que havia morto seu pai, de que dando-se conta a ElRei, e examinado Besso, veio a confessar o crime, e foi por ele como merecia castigado. Quais forem os filhos para seus pais, diz o Espírito Santo no cap. 3 do Ecclesiastes, tais serão seus filhos para com eles, o que também conheceu o historiado Romano Lúcio Floro, que disse que naquela moeda em que os filhos pagarem o amor, e obediência devida aos pais, nessa mesma lhe corresponderão seus filhos ao merecido agradecimento: Quequaestipendia parentibus impenderis, eadem a filiisexpecta. Isto se viu experimentado na célebre Cidade de Lisboa, onde um mau filho arrastou por uma escada a baixo a seu pai,mas permitiu Deus que este filho tivesse igual castigo, porque deste mau filho nasceu outro que pondo mãos em seu pai, o levou arrastado da mesma sorte pelo mesmo lugar, até que chegando a certo passo disse, basta filho, basta, que já entendo o castigo da Divina justiça, basta, que até aqui arrastei eu também a meu pai, esta é justíssima providência do Céu, muito bem está ordenado que quem tal fez, que tal pague.

(continuação, aqui)

"OFFICIO MENOR DOS SANCTOS DE PORTUGAL" 1629

OFFICIO MENOR DOS
SANCTOS DE PORTUGAL

Tirado de Breviários
e Memórias Deste Reino

1629



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SERMÃO DO ACTO DE FÉ - EVORA - 1615

SERMÃO DO ACTO DA FÉ
Que se Celebrou Na Cidade
de
ÉVORA
na Dominga infra octava de
CORPUS CHRISTI
em 21 de Junho de 1615
composto e pregado pelo
Padre Mestre Frey Manuel dos Anjos


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CATECISMO ROMANO - 1590

Aqui está o Catecismo Romano editado em português, datado de 1590. Encorajo os leitores a acostumarem-se com a escrita antiga, que tem muito mais clara forma de dizer.


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01/02/13

COROA DE N. SENHORA DE FÁTIMA


O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CXLV


PEQUENO CONTRIBUTO EM DEFESA DO BARROCO I

Rapidamente, pretendo oferecer alguns pontos de reflexão sobre a arte em geral, e o barroco em particular. A finalidade desta abordagem é contribuir para a reflexão.

Na música costumamos dividir por etapas musicais coisas que, na verdade, são diferentes. O gregoriano é musical, contudo não é música. O gregoriano e canto.

Quando falamos emitimos sons articulados para a formação de palavras, e de forma idêntica (não igual) fazemos com as frases com as quais podemos construir discursos demorados. Mas, tomando um orador para o efeito, notaremos que o mesmo discurso pode ser proferido com diferente entoação por outros oradores. Podemos notar maior ou menor emotividade em quem discursa. A variação de velocidade, silêncios, timbre, intensidade, ritmos, altura, podem fazer perder ou ganhar ao discurso. Contudo, estas possibilidades são também as que encontramos na música.

Os textos sagrados, por tradição, quando são cantados, são sujeitos ao "reto tono" (tom uniforme) ao qual se acrescentam as variações mínimas necessárias para os sinais de pontuação.

Qual é o motivo desta tradição litúrgica? Respondo: a excelência divina e intemporal da verdade que Deus nestes textos revelou, e a impessoalidade que o humano leitor deve manter perante tão alta função. Há uma sujeição total da musicalidade (se assim podemos dizer) ao texto. Mas este texto é narrativo e é apresentado com essa função, já os textos rezados quando rezados pedem uma aplicação de musicalidade apropriada à sua natureza (o caso dos salmos). Eis então que surge o gregoriano como resposta a um pedido dessa mesma natureza.

Desculpem, mas tenho que atalhar muito. Antes da polifonia, no entanto, obrigo-me a explicar o que é o "modelo gregoriano": é a referência padrão pela qual tem que se medir toda a música sacra. Eis as principais características: ritmo assimétrico, latim, vocal e não instrumental, ... (agora não me lembro de mais algum...).

Na "polifonia sacra" pretende-se adicionar ao gregoriano outra linha sonora paralela. Ou seja, canta-se normalmente acrescentando uma nota bordão ou se dobra em simultâneo a mesma melodia mas numa 5ª superior etc... Estas são as possibilidades mais básicas sobre as quais vai havendo um desenvolvimento. Mas convêm que em tudo isto se mantenha sempre a mesma regra de ouro: o que se acrescenta serve apenas para precisar e não para distrair ou desvirtuar. Na prática o bordão acrescentado ao canto serve como um "ponto fixo" que, espiritualmente talvez, poderíamos considerar o "eterno" em volta do qual gravita o canto. Já a dobragem do canto à sua 5ª, por exemplo, não é mais que o mesmo como se estivessem em dois planos. Este último caso aparentemente choca com o motivo pelo qual não se misturaram as vozes femininas com as masculinas: quebra a unidade tímbrica, além ir contra todo o sentido da tradição que já vinha dos tempos de Nosso Senhor (os cantores sagrados eram homens e formavam coro). O coro hoje está conotado com a polifonia, contudo isso é apenas uma associação que hoje fazemos erradamente.

Atalhando...

Mosteiro de Sta. Maria da Victoria da Batalha (Portugal)
Na música sacra, os problemas mais graves surgiram no séc. XIX. Ao longo dos séculos a música profana, sempre deixada para segundo lugar, nada tinha que ver com o modelo gregoriano. Os músicos cultos, com a decadência do catolicismo, começaram a ter que se governar servindo a burguesia ascendente que mais se interessava pelo profano, etc... A música profana da moda começou a entrar nas igrejas, e isto é MUITO importante entender porque aconteceu tão facilmente:

1 - O aparato sonoro da música profana era agora bom, e o da Igreja apenas começava a ficar-se pela manutenção, parecendo que a qualidade não estava mais dentro da igreja;
2 - Até então a música culta era aquela que tinha durante séculos emanado do modelo gregoriano, parecendo que tudo o que soava excelentemente era coisa sacra. Logo que a excelência técnica passou para o lado profano gradualmente foi-se confundindo o que serve e não serve para o Culto.
3 - Antes não havia "estilos" como hoje os entendemos. No "barroco" toda a música era barroca, e toda a música sacra era culta (tal como o gregoriano o é). Bach saberia distinguir o que musicalmente é próprio para o culto, sendo ele protestante: o modelo gregoriano nesse tempo era civilizacionalmente preservado e seria repugnante entrar com composições contrárias nos templos.

(Continuarei, s.D.q)

A POMBA, A GAIVOTA, E O DELÍRIO INTERPRETATIVO!

Recentemente, na Praça de S. Pedro, depois do Angelus (28 de janeiro de 2013), Bento XVI lançou duas pombas. Uma delas foi ligeiramente atacada, por uma gaivota, e ficou encolhida numa janela ao lado, esperando o perigo passar. As duas pombas tinham sido lançadas pelo Papa, em sinal de paz, e no enquadramento da chegada da Caravana pela Paz. O acontecimento foi mostrado na comunicação social, etc..

Há dois pólos contrastantes de interpretações a respeito do recente acontecimento: uns tentam minimizá-lo, dizendo que no final a pomba pôde voar tranquilamente; mas outros dão-lhe significados tão preocupantes (e é da interpretação destes que tratarei agora).

Anunciação - painel de mosaicos da capela do Es.Santo e S. João Baptista (Lisboa)
Segundo este artigo que acabei de mostrar a gaivota atacante seria a boa, e a pomba atacada seria a má! Parece-me que o autor, e dois ou três apoiantes da ideia, foram invadidos de uma emoção estranha por, entre súbitas alegrias, terem feito da gaivota uma sua mascote; só apenas depois buscaram suporte racional para os seus derramados sentimentos.

A pomba, entre nós, tem um bom significado, e a gaivota não tem significado (ou se tem é desconhecido do geral). Mas que fundamentos tem o autor do artigo para se inimizar contra a pomba e aplaudirem a gaivota? Eis os supostos fundamentos, segundo o que lhe podemos levantar do artigo:

1 - Gaba-se de que a gaivota é uma ave universal (que em grego se diz "católica"). Logo a gaivota seria aqui símbolo do catolicismo;
2 - Diz que a pomba é um símbolo que tem sido usado falsamente, e por isso está maculado, mas o da gaivota não;
3 - Diz que a gaivota, por ser monogamiaca, é um sinal anti-liberal, porque o liberalismo se relaxa a esse respeito. A gaivota não seria então compactível com o liberalismo nem com a actualidade do Vaticano.

O leitor deve-se ter apercebido já do "altíssimo nível" de fundamentações daquele artigo...!

"Catoliciza" a gaivota, apoiando-se num argumento natural (e meramente quantitativo), esqueceu-se da igual "catolicidade" da pomba, segundos os mesmos princípios. E tudo porque se trata de um ataque a uma pomba lançada por Bento XVI. Oh...  sentimentalismo!

Mas, não só converteram a gaivota, "excomungaram" também a pomba. Segundo a posição dos "gaivoteanos", o uso dos símbolos caducariam assim que inimigo da fé os usassem com outro sentido! Dizem que, depois de João XIII, a pomba começou a ser usada de forma corrompida. Mas aquela pombinha de ramo no bico, que dizem não ser a mesma "pomba católica" que representa o Espírito Santo, aparece no brasão de PIO XII... Enfim...

De forma idêntica fizeram outros idênticos tolos a respeito de outras simbologías, como foi com duas mitras de Bento XVI (1 e 2), assunto que já está tratado.

Para teste, experimentemos substituir na Sagrada Escritura a "pomba", por "gaivota católica", e apaguemos todas as correspondentes representações na arte. 

Brasão de Pio XII
Qual seria o significado da pomba no "milagre das pombas", repetidamente feito por Nossa Senhora de Fátima~, junto à sua imagem, acontecimento que se deu em várias partes do mundo? Será este caso ficado esquecido pelos "adoradores da gaivota"? A emoção roubou-lhes a memória, ou, caso sejam  espanholátricos, pode ser que o seu catolicismo termine em Carlos V...

Podia procurar outras características! Por exemplo, que a gaivota atacante, por baixo com as assas abertas é toda branca, mas sobre as asas é escura, enquanto a pomba lançada pelo Papa era toda branca por igual. Assim fariam passar a pomba por verdadeira e a gaivota por falsas. Mas como isto não convinha à "alegria ruidosa" dos gaivotanianos (fica a sugestão para uma nova irmandade) toca de escolher algo mais rebuscado que encaixasse nas vãs expectativas.

Mais foi dito: que "santa gaivota" é anti-liberal, imagine-se, por ser um dos tantos animais monogâmicos (não me chamem a testemunhar). Mas, afinal a pomba um animal poligâmico?... Se sim, isso deve ser tão importante que Deus nem sequer nos recomendou tolerância para com ela e, mesmo assim a Tradição não se repugnou que ela represente o Espírito Santo.

São interpretações liberais essas dos gaivotanianos, que se desprendem tão generosamente dos factos que só escolhem deles os que agradam, e não se sujeitam a mais. Parece-me que, sinceramente, não é pomba a ave que paira sobre suas cabeças, mas sim uma outra de dorso escuro por cima, e branco por baixo.

 Porque motivo se terão alegrado tanto eles contra a pomba? A resposta parece-me simples: eles identificam-se com aquela gaivota atacante. Mas a mesma euforia une-os com marxistas e maçons, não digo que seja caso de tentarem juntos um "ecumenismo de reacções"...

A conclusão espantosa dos gaivotanianos deve-se a duas coisas: por um lado tomam para si um espaço interpretativo sem temor de reprimendas ou castigos (o que dá aso a tudo o que lhes apeteça), por outro lado têm o vício da reacção contra Bento XVI, seja como for. Com estas duas premissas constroem juízos de qualidade pior aos que desejarão um dia para eles mesmos na hora das contas. À pomba deram-na símbolo da mentira, talvez em homenagem à paz que dizem ter. Com riso nervoso, chamaram ao acontecimento na Praça de S. Pedro "humor de Deus" (cada um tem o deus que lhe apetece)...

O que aconteceu na praça de S. Pedro é bem simples: O Papa lançou as pombas ao perigo, como se o perigo não estivesse  (não o viu no momento, mas estava lá)!

31/01/13

SENHORA DO ALMORTÃO - ROMARIA MEDIEVAL



Lá para os lados da Idanha, no Principado da Beira, há a romaria de Nossa Senhora do Almortão. Por causa da proximidade com Espanha, os romeiros sempre pediram proteção à Senhora. A canção do vídeo é conhecida simplesmente por "Senhora do Almortão", é cantada e tocada (adufe) por mulheres.

Diz a quadra mais interessante:

Senhora do Almortão (bis)
O minha linda arraiana.
Virai costas a Castela (bis)
Não queirais ser castelhana.

O que vamos ouvir é aqui da minha região, e mantêm-se desde a Idade Média.

MACELADA - HAMONIZAÇÃO de Lopes Graça



A "macelada" é uma cantiga popular antiquíssima que cantamos aqui na minha região, e sobrevive aos séculos. A versão do vídeo é a macelada original com harmonização "neo-modal" de Lopes Graça (está bem conseguida).

A percussão da "macelada" é feita com adufe (pequeno tambor quadrado de pele de cabra e pau de laranjeira, tocado por mulheres). Esta antiquíssima cantiga é cantada e tocada apenas por mulheres, principalmente em dias festivos na parte que toca ao convívio.

Pela altura do S. João as mulheres iam colher macela em dia seco, e ao facto se chamava "macelada". Depois da colheita (macelada) as flores eram colocadas a secar à sombra e em sítio seco para não perderam qualidades. Esta planta é uma camomila e tem propriedades várias (antiespasmódico, digestivo, emenagogo, estomáquico, febrifugo, vulnerário e, em doses elevadas, vomitivo).

As imagem dos vídeo são tiradas na serra da Gardunha, que fica no alto da minha cidade natal (Fundão). Como já tinha dito anteriormente, a "macelada" é uma canção desta região.

MOSTEIRO DE SÃO VICENTE DE FORA

BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS do FUNDÃO (1979)

PROCISSÃO DOS PASSOS NA MINHA CIDADE NATAL (Fundão)

CARDEAL PATRIARCA DE LISBOA - INÍCIO DO "ANO DA FÉ"



Com muita mágoa, cabe perguntar: mas que fé!?...

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