08/01/13

CATÓLICOS E EVENTOS FESTIVOS - GRATULAÇÃO PELOS DESPOZÓRIOS DE D. JOSÉ (II)

(continuação da I parte)
D. MariaAna Victoria, em criança.
Com este numeroso e luzido cortejo entrou o Doutor Chanceler Governador na Igreja de S. Domingos e, posto em seu lugar, e os Ministros e Oficiais nos para eles destinados, revestido o Padre Prior e os Acólitos com capa de Asperges de tela branca, e toda a Relação com tochas acesas, se cantou o Te Deum a 6 coros de música excelente acompanhada de todos os melhores instrumentos, com assistência de muita nobreza e povo que concorreu a este vistoso e magnífico acto cuja despesa foi toda do Doutor Chanceler Governador que aos Religiosos de S. Domingos mandou dar toda a cera que serviu nesta solenidade e uma boa esmola para a Sacristia satisfazendo também aos músicos com profusão bem larga.

Destinou o Senado da Câmara o dia de Quinta feira 5 do corrente mês de Fevereiro para o Sermão e Procissão da acção de graças com todo aquele empenho de que eram premissas tão lustrosas antecedências. No dia 4 serviram de solenes Vésperas, não só a repetição de luminárias, mas uma vistosíssima e custosa encamisada, formada toda tanto de Cavalheiros principais da Cidade como de muitos de fora que concorreram a ela. De luzidas galas e brilhantes saezes em fermosos cavalos se compunham todos, assistindo de numeroso esquadrão de lacaios com tochas ardentes e flamantes librés, discorreram pelas ruas principais seguidos de um carro de harmónicas serenatas puxados de poderosos cavalos, fazendo tudo parecer aquela noite um vistoso e alegre dia.

No dia 5 tornou a sair toda a Relação de gala na mesma forma que na função precedente. De custosissímas galas e preciosos adornos a elas correspondentes saíram neste dia o Doutor Manuel Dias de Lima, Corregedor da Comarca, o Doutor Bernardo Ferreira de Vasconcelos, Juiz de fora, os quatro Vereadores Francisco de Sousa Cirne Soares de Madureira,e Azevedo; Pantaleão Alvo Brandão Perestrelo, Luís Brandão Pereira de Lacerda, e Francisco Correia de Lacerda: o Procurador da Cidade José Freire de Sousa, o Escrivão da Câmara Caetano José Leite Pereira, o Doutor Juiz dos Órfãos Estêvão Peixoto Cabral. os seis Cidadãos, que haviam de pegar nas varas do Palio: Dom Bartolomeu de Noronha e Menezes, Diogo Francisco Leite Pereira, Manuel Alvo Brandão, Diogo do Valle Coutinho, Luís de Mello Pereira, e Simão Cardoso Coutinho. Os dois Almotaceis, Luís de Mello da Silva e José de Távora e Noronha, todos Fidalgos, os Cidadãos da Bandeira e Estoque, e os que na Procissão haviam de governar os 8 bailes dela, o Sindico, Tesoureiro da Cidade, Escrevente, Guarda, e Agente da Câmara, e todos os mais Oficiais dela, o Juiz, Procuradores e Meirinhos da Cidade, Escrivães da Almotaçaria e vara, e os do Juízo de fora, compondo tudo um bem luzido e ordenado congresso que, de manhã, assistiu todo com grande afluência de nobreza e povo, na Sé, à Missa solene e ao Sermão Panegírico que recitou o Reverendo Cónego o Doutor Manuel dos Reis Bernardes com aquela vasta erudição que o seu grande talento costuma ostentar em celebridades tão plausíveis.

(continuação, III parte)

CATÓLICOS E EVENTOS FESTIVOS - GRATULAÇÃO PELOS DESPOZÓRIOS DE D. JOSÉ (I)

RELAÇÃO
DOS
FESTIVOS APLAUSOS,
COM QUE NA CIDADE DO PORTO SE CONGRATULARAM
os felizes despozorios dos Sereníssimos Senhor

DOM JOSÉ
PRÍNCIPE DO BRASIL, E SENHORA
D. MARIA ANA VICTORIA
INFANTA DE CASTELA, e DOS

Sereníssimos Senhores
D. FERNANDO
PRÍNCIPE DAS ASTÚRIAS, E SENHORA
D. MARIA BARBARA
INFANTA DE PORTUGAL


LISBOA OCIDENTAL
1728

D. José

RELAÇÃO

Participando S. Majestade, que Deus guarde, por cartas assinadas da sua Real mão aos magistrados desta Cidade do Porto, e ao Reverendo Cabido como era servido, que nela, e em todos o Reino se fizessem as maiores demonstrações de alegria pelos felizes despozorios do Sereníssimo Senhor D. José Príncipe do Brasil com a Sereníssima Senhora D. Maria Ana Victoria Infanta de Castela, e do Sereníssimo Senhor D. Fernando Príncipe das Astúrias com a Sereníssima Senhora D. Maria Barbara Infanta de Portugal: logo na manhã de 19 de Maneiro de 1728 comunicou em Relação esta alegre notícia a todos os Ministros dela o Doutor Francisco Luís da Cunha de Ataíde  seu Desembargador do Paço, Chanceler, e Governador das Justiças na mesma Relação, dando feriados os seis dias desta semana dedicados todos a plausíveis luminárias, e dispondo que no Sábado 24 dia último delas se cantasse solenemente na Igreja dos Religiosos de S. Domingos o Te Deum em acção de graças com assistência de toda a Relação em público dela.

Na mesma manhã de 19 mandou o Senado da Camera publicar a som de clarins com assistência do Alcaide, e Meirinho da Cidade montados a cavalo, e vestidos de gala, a mesma notícia, e disposição de luminárias por toda ela, o que também anunciaram alegres os festivos repiques dos sinos.

A todo o Clero ordenou também plausíveis iluminações o Reverendo Doutor João Guedes Coutinho Governador deste Bispado, e aos Militares o Coronel do Regimento pago da Guarnição desta Cidade, e Governador das Armas António Monteiro de Almeida, que alem de dispor que em todas as seis noites o Regimento formado nas praças dela desse repetidas salvas de mosquetaria, mandou ordem aos três Castelos de S. João da Foz, S. Francisco Xavier do Quejo, e Matosinhos, para que nas mesmas noites se dessem alternadas salvas de artilharia; e assim o fizeram executar os Tenentes Governadores deles António de Almeida Carvalhais, Martim Afonso Barreto, e Francisco da Silva Malafaia; sendo ao mesmo tempo em toda a Cidade, e Castelos tudo iluminação, e salvas tudo, a que correspondia sonoro o geral harmónico aplauso dos repiques.

No Sábado 24 estava a Igreja de S- Domingos toda adornada de damascos, e a Capela mor de vistosas tapeçarias, em cujos lados se viam os retratos dos quatro Príncipes desposados debaixo de meios doceis. Junto da mesma Capela e via o retrato de S. majestade debaixo do rico docel da Relação com todos os paramentos daquele sublime lugar, a que se seguia a cadeira do Doutor Chanceler Governador das Justiças, e a ela as dos Ministros do Desembargo em vistoso circulo, que rematava o lugar dos Doutores Corregedor da Comarca, Juiz de Fora, e Juiz dos Órfãos.

No retábulo do Altar mor, que estava todo iluminado de luzes, se via um quadro com as armas Reais de Portugal, e Castela, e no mais corpo da igreja, além dos lugares destinados para os Oficiais da Relação, se achavam formados para os músicos seis coros. Neste dia saiu o Doutor Chanceler Governador vestido de gala com beca de veludo forrada de glacè de prata, e  todos os Ministros com várias e vistosas galas, chapéus adornados de broches e joias de diamantes. De gala saíram também todos os Escrivães, e Oficiais da Relação com capas forradas de seda de outro, e prata,chapéus emplumados, e de broches guarnecidos em forma, que tudo fazia o mais vistoso aparato.

(continuação, II parte)

07/01/13

"MISSA" - NO DICIONÁRIO


"Missa. Incruento sacrifício da Lei da Graça, no qual debaixo das espécies de pão e do vinho, por mãos de Sacerdotes, se oferece a Deus Pai o corpo e sangue de seu Filho unigénito, Jesus Cristo. As partes essenciais da Missa são três: a consagração, a ablação, e a consumpção. Os efeitos da Missa são quatro: o perdão dos pecados, enquanto é sacrifício propiciatório; a remissão das culpas veniais, enquanto é sacrifício expiatório; a remissão das penas, que merecem as culpas perdoadas, enquanto é sacrifício satisfatório; e a impetração dos benefícios de Deus espirituais e temporais, enquanto é sacrifício impetratório. Segundo Reuclino, e outros, a palavras Missa se deriva do hebraico Missach, que quer dizer Oblata, ou oferta voluntária; ou se deriva do nominativo plural, Missa, missorum, porque antigamente, quando depois do Sermão e da ligação da Epístola e do Evangelho dizia o Diácono, Ite Missa est, se lançavam fora da igreja os catecúmenos e excomungados, porque lhes não é lícito assistir à consagração. No seu etimológico declara Vossio miudamente as duas derivações desta palavra Missa. Una est (diz este autor) ut Missa dicatur, quia uti apud Graecos... [...etc].
Fem. e o termo de que ordinariamente usa a Igreja. Também lhe poderás chamar, Magnum Christianae religionis sacrificium, ii. Neut. ou Sacrum, i. Neut. ou no plural, Sacra, orum. Neut. ou resdivina, rei divinae. Fem.

Missa rezada. Sacrorum privatum, ou sacrificium sine cantu, ou citra cantum.

Missa cantada. Sacrum, ou sacrificium cum cantu.

Missa conventual. É aquela que todos os dias se diz no altar mor, imediatamente depois de Treça, nos Conventos, Colegiadas, etc. Sacrum, universocaetui commune;  ou mais claramente, Missa Conventualis. Em abono desta expressão diz Boldonio na sua Epigraphica, pag. 199, Non improbanda vox nova Conventualis, vulgo etiam usurpata, sed per analogiam ducta a Conventu, sicut a Censu censualis apud veteres Jurisconsulios.

Missa d'alva. Sacrum matutinum.

Missa do Galo. que se diz na noite de natal. Sacrum nocturnum, ante natalem Christi Domini diem celebrari solitum. (S. Telésforo Papa, sétimo sucessor de S. Pedro, instituiu esta Missa.)

Missa das almas. ou Missa de requiem (como dizem alguns.) Sacrum mortuale, ou sacrificium pro mortuis; pode-se-lhe acrescentar o adjcetivo Piaculare, porque é Missa para a expiação dos pecados dos defuntos. O P. Boldonio lhe chama Sacrum funebre.

Missa seca. Aquela que algumas vezes diz o Sacerdote no mar sem consagrar, e sem secretas. Chamam-lhe Missa navalis, ou Nautica. Missa seca também é aquela dos que aprendem a dizer Missa, instruindo-se em todas as cerimónias deste sacrifício, sem chegar a consagrar. Os autores eclesiásticos lhe chamam Missa sicca.

Missa votiva. Aquela que diz o sacerdote fora da ordem e disposição do Calendário, mas conforme a sua devoção, ou vontade, de sorte porém que não exceda as limitações da rúbrlica. missa votiva, ae. Fem. Chamam-lhe alguns voluntária, ae Fem. Vid. infra.

Missa quatidiana. Sacrum quatidianum.

Missa perpetua. Sacrum Perpetuum.

Missa Musarábica. ou Mosarabica. Deu-se este nome à Missa dos cristãos da Hispania [Península Ibérica], que por andarem misturados com árabes, eram chamados Musárabes, ou Moçárabes. No tomo 27 da nova Bibliotheca Patrum, pag 665acharás as cerimónias da dita missa, a qual, como também o ofício Moçarábico se continuou nas Espanhas até ao tempo do Papa Gregório VII que estabeleceu naqueles Reinos o rito Romano, reinando Afonso VI no ano de 1080. Ainda hoje em algumas igrejas paroquiais da Cidade de Toledo se celebram os Ofícios Divinos ao modo Musarábico, particularmente na igreja Maior da dita Cidade, e nela foi instituída pelo Cardeal Ximenes a Missa Moçarábica. Missa Muçarábica. Vid. mais abaixo Musarabe.

Missa Calicana.Há opinião, que era uma imitação da Missa Musarábica na Igreja Galicana, até ao tempo de Carlos Magno, e dos seus sucessores, que introduziram em França o rito Romano.

Missa Castrense.Constantino Magno, na guerra contra os persas, levava sempre diante do exercito um tabernáculo em forma de igreja, onde se celebrava Missa, e cada legião tinha um Templo móbil, em que residiam os Sacerdotes; por isso lhe chamavam Missas castrenses.

Dizer missa. Celebrar o sacrifício da Missa. Sacra facere, ou rem divinam sacre, ou peragere, ou sacris operari, ou caelestem hostiam Deo offerre. Sanctissimo Christi corpore, et sanguine, Divinonumini litare, ou sacrificare. Algumas vezes basta que se diga, Facere, como quando dizemos, Facit ad aram maximam, Está dizendo Missa no altar mor.

Ouvir Missa, Sacro, ou sacris, ou rei divinae interesse.

Missa por tua intenção. Sacrum pro se faciendum, ou offerendum.

Dizer Missa cantada. Ad. sacrum, ou ad sacrificium, ou rem divinam cum cantu, ou adbito cantu facere.

No tempo da Missa, Inter sacra. Inter Divinam rem. É de Masseu, lib. I Hist. Indic. Inter Divinam rem peragendam. Idem, in vita S. Ignatii lib. 3 Intersacrificandum. É à intenção de Valer. Max. lib. I cap. I onde diz, falando com Gentio: Suplitio, inter sacrificandum apex e capite prolapsus, sacrificium eidam abstulit.

Depois da Missa. A sacro. Mass, in vida S. Ignatii lib. 3 cap. 12 Sacro Missae peracto. Idem: Re Divina peracta. Ex. Sue[?] in Tiber.

Revestir-se para dizer Missa. Se ornatu Sacrificantis induere, Mass. lib. I Epist. 9

Aparelhar-se, ou preparar-se para dizer Missa.Rei se Sivine comparare.

Ajudar à Missa. Sacrificante ministrare.

O que ajuda à Missa. Sacri minister, sacrificii administer. Tursllin. Hist. Lauret. lib. 5 cap. 2 Duodecim pueris sacrarum ministris rubrae versis insigne dedit.

Dizer Missa nova, ou a primeira Missa. Primam Divinae maiestati hostiam imolare. Sacerdotii primitias Deo libare. Sacrificantiinitium facere. Masseu em vários lugares. Missam novam celebrare. É do Concílio Tridentino fest.2onde diz, Quid quid pro Missis novis celebrandis datur, etc.

Missa votiva. Sacrum votivum. Mass.

Missa votiva de nossa Senhora. Deiparae Virginis votivum sacrum. Mass. Vid. supra.

Missa de Pontifical. Vid. Pontifical.

Adágio Português da Missa. Quando o corsário promete Missas e cera, por mal anda o galeão. Nem tanto Ámen, que se dana a Missa. Ouvir Missa não gasta tempo; dar esmola, não empobrece. Missa, nem cevada, não estorva jornada. Missa caçador."

(retirado do Vocabulário Portuguez & Latino, Tomo V. LISBOA, 1712)

06/01/13

SEDEVACANTISMO MILITANTE E MODERNIMSO - BREVE NOTA

Papa João Paulo II

Pego num texto de auto-defesa do Dr. Arnaldo Xavier da Silveira, que redigiu como resposta a D. Gerhard Müller (Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé):

"Nunca o fui, embora um ou outro comentarista pouco atento tenha pretendido ver traços de sedevacantismo no estudo sobre a possibilidade teológica de um Papa herege que faz parte de meu livro “La Nouvelle Messe de Paul VI, Qu’en Penser?” (Diffusion de la Pensée Française, Chiré-en-Montreuil, França, 1975). Com base na boa e tradicional teologia dogmática, não vejo que, em relação aos Pontificados dos últimos decênios, tenha sido teologicamente possível, em qualquer momento, declarar vaga a Sede de Pedro (ver Paul Laymann S.J., +1635, “Th. Mor.”, Veneza, 1700, pp. 145-146; e Pietro Ballerini, “De Pot. Eccl.”, Roma, 1850, pp. 104-105). Se a Divina Providência me der forças, publicarei em breve um estudo sobre os erros teológicos das teorias sedevacantistas correntes."

É oportuno notar que hoje surge cada vez mais visível o problema da autoridade papal.

Parece-me que o sedevacantismo militante é um fenómeno do modernismo.

Acredita-se hoje que o Papa é de tal forma incontestável que se estende a sua infalibilidade para lá do dogma da infalibilidade, pois o não entendimento da natureza deste dogma levou a que, perante a grande crise que hoje os católicos atravessam, se queira atribuir ao Papa a IMPECABILIDADE, a SANTIDADE, e a INERRÂNCIA que, isso sim, são próprias da Santa Igreja. Isto é um "super dogma da infalibilidade papal"!

Os sedevacantistas militantes partindo do "super dogma da infalibilidade papal", ao verem que ele foi quebrado, concluem: "este homem não é Papa, certamente". Os modernistas que deplorem o sedevacantismo militante, partindo do mesmo super dogma e vendo um suposto erro do Papa concluem o contrário dizendo: se o Papa não erra logo o "erro" não é erro realmente, e as suas palavras forma mal interpretadas certamente.

Por agora é tudo...

PEQUENA NOTA - SEDEVACANTISMO DESAMBIGUADO


Que sejam uma ajuda as desambiguações seguintes:

Uma coisa é a hipótese de sedevacância, teoria não condenada, e outra coisa é a defesa daquela mesma ideia já não como hipótese teórica mas sim como algo que pode em dado momento ocasionar-se, e outra coisa é a aplicação desta última posição a um dado momento histórico ou Papa.

Uma coisa é demonstrar a hipótese da sedevacância, outra coisa é demonstrar que a sedevacância pode acontecer realmente, e outra coisa é aplicar a sedevacância a um caso concreto no tempo e no espaço.

O sedevacantismo hipotético deveria ser: corrente que defende a hipótese sedevacante (como hipótese);
O sedevacantismo deveria ser: corrente que defende a sedevacância como exequível, inegavelmente;
O sedevacantismo militante deveria ser: corrente que faz encarnar o sedevacantismo no tempo e no espaço e o vive com as suas consequências.

Nas "disputas de café" que se costumam ter com os sedevacantistas militantes, ocorre escaparem aquelas distinções de que falo e decidi dar nome.

Apenas o que MILITA, É.

Por hoje é tudo...


(P.S. - Não defendo nenhum dos sedevacantismos, e julgo que só deve ser chamado "sedevacantista" aquele que é militante.)

05/01/13

D. ESTÊVÃO BETTENCOURT - A DECADÊNCIA APOLOGÉTICA III



S. Tomás de Aquino
(continuação da II parte)

Será que o autor recorre à Doutrina da Igreja, ao Tomismo, aos Santos Doutores da Igreja para fim de comparar e julgar? Será que recorre ao senso comum e aos textos do Concílio Pastoral tomando-o como tabela Doutrinal?

O “O Caso Lefebvre” distribui-se desta maneira: Em síntese, D. Lefebvre: a pessoa e suas ideias, Reflexões, Conclusão.

O artigo foi para mim uma surpresa logo desde a primeira página. Tão emaranhado de irregularidades e tão carente de argumentação que se me coloca um sério problema metodológico:  Como abordar um texto que, para lá de ter tantos e variados erros, é ele mesmo um desatino? E como se explica que o seja, vindo de quem vem?


I
JUÍZOS ESTRANHOS TORNADOS PREMISSAS FUNDAMENTAIS

Logo nos primeiros passos, lamentavelmente, o autor alarma os seus leitores com falsa e grave notícia: teria havido um cisma com as Sagrações Episcopais dos Bispos da FSSPX (as quais chama de “ordenações”). O motivo das Sagrações, o qual leva à impossibilidade canónica das supostas excomunhões, fica assim ocultado ao “fiel alvo”.

Tamanha omissão falseia toda uma perspectiva.

D. Estêvão, tendo lido obras e sermões do Arcebispo D. Marcel Lefebvre, não não teve cuidado e justiça em apresentar aos leitores os motivos e enquadramento canónico que dão por inexistentes tais “excomunhões”. E este é um ponto FUNDAMENTAL, incontornável, que, sendo omitido, suja a opinião pública face ao bom-nome de D. Marcel Lefebvre. O autor chega assim a um extremo desconcertante, e custa a crer que ignore que, para tratar a vida e obra de outrem, tenha de recorrer às fundamentações e convicções expressas de outrem.

Só por si, sem mais, a apresentação e explicação dos motivos de Mons. Lefebvre a respeito das excomunhões seriam suficientes para anular este “O Caso Lefebvre”. Supondo que o autor, por ignorância, acreditasse ter havido um cisma, porque se preocuparia então em em redigir páginas bastando dizer que os cismáticos não são católicos, não se podem salvar nem podem ser seguidos pelos católicos? Não teria assim bastado um parágrafo em substituição de uma tese que PULA justamente a questão em torno do “cisma”?

(terá continuação s.D.q.)

04/01/13

A VERDADE E O EVOLUCIONISMO (XVII)

(continuação da XVI parte)
"A ciência deve, portanto, começar com a crítica aos mitos" (Karl Popper)

Até aqui desenvolvi o argumento sobre as mutações seguindo o esquema da hipótese evolucionista, para demonstrar que, mesmo assim, é totalmente impossível que elas possam criar novidades biológicas e transformar assim as espécies.

Mas a situação é muitíssimo mais grave. E aqui há que abandonar o dogma darwinista e passar à realidade; ou seja, abandonar o campo da fantasia e passar ao da ciência.

Para os esquemas da pseudociência darwinista não há lugar para o conceito de organismo, ou seja, para um conjunto de estruturas integradas que funcionam como um todo. Herdeira, ao fim e ao cabo, do mecanismo cartesiano, a hipótese evolucionista pensa em termos de partes. E assim os darwinistas acreditam ser possível que um organismo pode ir-se modificando por partes que, ao somarem-se, produziriam a transformação num outro organismo. Mas isto, na verdade, é um completo desatino. Ignoram a grande lei biológica do “tudo ou nada”.

De que serviria a um macaco, por exemplo, desenvolver pernas de homem, sem simultaneamente desenvolver pélvis de homem? De que lhe serviria uma pélvis de homem sem coluna vertebral de homem? Como pode existir mão de homem, com braço, antebraço e ombro de macaco? Como pode haver coluna vertebral de homem, sem crânio de homem, e vice versa?

Todas estas estructuras, ou aparecem simultaneamente e em estado de plena perfeição, ou servem para nada; pelo contrário, são um estorvo para a sobrevivência. Isto aplica-se, certamente, a todos os organismos vivos. E para que isto suceda, tem que ser mudado todo o código genético, em forma simultânea e sem um só erro. Para tal deveria ocorrer uma mutação gigantesca, um reordenamento radical de todo o código genético, dirigido e especificado aos mais mínimos detalhes, para produzir um ser vivo capaz de funcionar, portanto, capaz de viver. Mais isto constitui um milagre maior que a ressurreição de um morto.

Isto, que já tinha sido abordado na década de 30 pelo insigne biólogo e paleontólogo alemão Otto Schindewolf, encontrou o seu mais acabado expositor em Richard Goldschmidt, um dos três ou quatro genetistas mais eminentes do século.

Por volta dos anos 40, R. Goldschmidt, fervoroso evolucionista, depois de ter dedicado praticamente toda a sua vida ao estudo das mutações, apesar de acreditar na transformação de uma espécie noutra, conclui dizendo que é absolutamente impossível explicá-la mediante o mecanismo das mutações. Publicou um livro The Material Basis of Evolution e um artigo (American Scie., 40:97, 1952) de um rigor científico exemplar, onde demonstra em forma assombrosa o carácter totalmente anti-científico de todo esta mecânica das mutações.

Ninguém, absolutamente ninguém, foi capaz de refutar estas conclusões de Goldschmidt.

A comunidade científica, como geralmente sucede, não fez qualquer caso das conclusões deste investigador. Os mais "campistas" seguiram e seguem dizendo disparates a respeito das mutações, sem sequer terem o trabalho de analisar os próprios escritos, nem muitos outros autores que insistem no mesmo.

CONCLUSÃO

Como vê, caro leitor, nesta sucinta análise do tema, só tratei de esboçar os problemas levantados na transformação de uma macaco em homem, desde o ponto de vista meramente biológico.

Não é mencionado realmente o problema capital da inteligência do homem, que marca uma diferença em relação ao macaco não em grau, como dizem os darwinistas, mas sim de natureza, problema que não pode sequer colocar-se neste contexto.

Pretender explicar a inteligência humana por meio de mutações ao acaso dadas no cérebro do macaco é, evidentemente, não saber o que se diz. Ou, pelo contrário, sabe-lo muito bem…

Em suma: alguns macacos têm incisivos e caninos parecidos aos nossos; outros caminham aproximadamente à forma erecta. Algumas moléculas dos macacos são semelhantes às nossas (e de que outro material os evolucionistas pensam que estivéssemos feitos…? De plástico!?).

A Selecção Natural significa que os indivíduos que sobrevivem são os mais fiéis ao tipo (o qual conserva a espécie, e não a transforma). As mutações são absolutamente incapazes de explicar sequer o suposto aparecimento de órgãos novos (novidade biológica).

Onde está a suposta evidência científica de que o homem foi originado do macaco? Na verdade, em parte alguma. Este é somente um “dogma de fé” da revelação darwinista. Sabemos já que, para esta fé darwinista, nenhum argumento racional será efectivo.

(voltar à I parte)

D. ESTÊVÃO BETTENCOURT - A DECADÊNCIA APOLOGÉTICA II

(continuação da I parte)
Mons. Lefebvre durante o Concílio Vaticano II (Praça de S. Pedro - Vaticano)

Não haja dúvidas de que o emudecimento a respeito da eliminação apologética é coerente com o ataque contra quem aponte as causas da eliminação, ainda que tal emudecimento não obrigue ao ataque. D. Marcel Lefebvre, geralmente apresentado como o denunciador daquelas causas, não será  também uma pedra no sapato dos “mudos”?

O leitor médio, ao iniciar o “O Caso Lefebvre”, certamente esperará conhecer os motivos dados pela personagem em estudo e, em caso do autor querer também fazer os seus juízos, esperará ouvir a argumentação contrária. Mas onde estão nesta obra os motivos apresentados por D. Marcel Lefebvre? Não estão! E onde estão as refutações de D. Estêvão? Não estão!

No momento em que se esperava do “grande apologeta” brasileiro do pós-concílio o maduro uso da Apologética, da lógica, da filosofia, da teologia, a “montanha pariu um rato”. Depara-mo-nos com um texto romanceado, com recurso a alguns factos reais, mais ao gosto do público de tele-novelas e bem adaptado aos tempos “pós-conciliares”. Apologética? Nada… e é realmente uma pena ter havido esta oportunidade de, lado a lado, ficarem expostos os motivos apresentados pelo Arcebispo D. Marcel Lefebvre e as próprias convicções de D. Estêvão.

Na Síntese, no início do artigo, o autor acaba por revelar a sua teoria que consiste em demonstrar que a Action Française ter-se-ia prolongado ideologicamente em D. Marcel Lefebvre. A luta deste Arcebispo não teria sido então negar-se a abandonar a Doutrina, Rito, e filosofia, pela aceitação de elementos a eles contrários, mas teria sido antes a aceitação de elementos contraditórios à Doutrina e filosofia católicas supostamente introduzidas pela Action Française. Esta conotação é tão realçada na obra que "Action Française" são as únicas palavras colocadas a negrito, não fosse ao leitor escapar-se-lhe ideia (confirme aqui).

(III parte)

03/01/13

D. ESTÊVÃO BETTENCOURT - A DECADÊNCIA APOLOGÉTICA I

CONSIDERAÇÕES SOBRE O ARTIGO
“O CASO LEFEBVRE”
de
D. Estêvão Bettencourt


por
Pedro Oliveira


Introdução
Em conversa como uma jovem amiga, com propósito mostrou-me o artigo “O Caso Lefebvre” (redigido por D. Estêvão Bettencourt na sua revista Pregunte e Responderemos - Brasil). Pelo título achei poder valer a pena ler.

D. Estêvão Bettencourt
Conhecido hoje no Brasil pelo seu trabalho apologético, D. Estêvão Bettencourt foi doutorado em filosofia no Pontifício Ateneu de Santo Anselmo, e dedicou-se à defesa da Fé (assim diz: “Esta necessidade de darmos conta da nossa esperança e da nossa fé hoje é mais permanente do que outrora, visto que somos bombardeados por numerosas correntes filosóficas e religiosas contrárias à fé católica. Somo assim incitados a procurar consolidar nossa crença católica mediante um aprofundamento do nosso estudo”).

Já lhe iam avançados os anos quando D. Estêvão redigiu o “O Caso Lefebvre”. Encontrava-se cada dia mais distante daqueles seus tempos de estudante de Teologia, em Roma, tempos nos quais a teologia-filosofia continham obrigatoriamente o estudo da Apologética (defesa da fé). Estranhamente, depois do Concílio Vaticano II, a Apologética foi gradualmente removida dos estudos católicos até ao desaparecimento completo. O insólito facto aconteceu justamente quando a Apologética era mais necessária no dizer de D. Estêvão: “hoje é mais permanente do que outrora [tal necessidade].” Este defensor da doutrina e protector da Apologética nada disse a respeito daquele fogo deitado a ceara própria, mesmo acreditando que “somos bombardeados por numerosas correntes filosóficas e religiosas contrárias à fé católica”, dizia.

(II parte)

26/12/12

DOMÍNIO GAY - PEDOFILIA

"Em 7 de Março de 2012, a Band noticiou sobre um menino de 5 anos que sofria agressões e estupro pedófilo pôr uma dupla homossexual em São Paulo. A faxineira da casa percebeu que o menino estava com febre, e como a dupla gay não estava, a mulher o levou para casa. Durante o banho do garoto, ele contou que estava com muita dor. O menino contou para a faxineira o que passava. A mulher levou o menino para o hospital, e ele deu entrada com: desidratação, desnutrição, broncopneumonia, várias marcas de agressão em todo o corpo.

A ocorrência foi registada no 13º DP, e o Conselho Tutelar foi acionado. Contudo, o governo do Estado de São Paulo interveio fortemente no caso, designando quatro defensores públicos para defender a dupla gay. O acompanhamento do caso, por quatro defensores públicos, espantou até o delegado, que disse:

 
Em trinta e quatro anos de polícia, esse é o primeiro caso na minha carreira que eu vejo que a Defensoria Pública vem acompanhar dois indivíduos que estão sendo investigados e com quatro integrantes”."

(Renata Ferraz)


INFORMAÇÃO: LGBT aliou-se com ATEISMO MILITANTE

Não é uma "notícia", não esperem fontes... neste momento os movimentos das taras sexuais (como os LGBT) têm uma aliança com os movimentos ateus militantes. A redução da imagem da Igreja Católica a uma "museu de dementes" faz parte do objectivo da aliança.

20/12/12

CONTRA A SUBVERSÃO


"O livrete “Subversão & Restauração” (Milão, Edições Centro de Estudo Joana D’arc, 2012) é um manual de base para a formação dos militantes, que hoje se encontram no dever de combater contra a Subversão e pela Restauração.

A ‘Subversão’ é o naufrágio, a derrubada e a perturbação da ordem individual e social. A “Restauração” é tornar a conseguir a ordem perdida e então consiste em restaurar a ordem individual, familiar e social. Para poder restaurar a ordem na Sociedade civil é preciso antes de tê-la em si (“ninguém da aquilo que não tem”), depois na família e enfim se pode leva-la ao Estado, que é um conjunto de famílias unidas, com a finalidade de conseguir o bem comum temporal subordinado ao espiritual. A ordem é a submissão da alma a Deus e o senhorio da alma sobre o corpo e seus instintos. A “Subversão” é o rompimento desta ordem. A vida espiritual consiste no restabelecimento desta ordem na alma do homem individual; a vida política consiste em leva-la para a Sociedade civil. Pela qual o homem não deve e não pode parar apenas na vida espiritual individual, mas não pode não fazer política, sendo, por natureza, e, então, por vontade de Deus um animal social e político. O liberalismo e o catolicismo liberal quiseram trancar a religião na sacristia e fazer-lhe uma questão puramente individual e assim também, alguns sacerdotes falsos místicos ou pseudo-espiritualistas, desencarnados e modernizantes. A doutrina católica, ao invés, fala do Reino social de Jesus Cristo e não apenas de Reino individual.

A “Subversão” nasceu com o pecado de Adão, mas, a partir da Cristandade, que é a época em que o espírito do Evangelho informava as leis da Sociedade, ela conheceu várias etapas: o Humanismo e o Renascimento (1400-1500), que buscaram substituir o Evangelho com a Cabala ou o esoterismo hebraico no nível das elites intelectuais ou Académicas e culturais; depois veio o Protestantismo (1517), que submergiu o subjetivismo e o relativismo na Religião tornando-a uma pura experiência subjetiva e sentimental, essencialmente anti-hierárquica e subvertedora da ordem querida por Jesus quando fundou a Sua Igreja sobre uma pessoa que é o Papa, o qual é na terra o Rei do Corpo Místico; enfim, veio a Revolução Francesa (1789), que levou a desordem da Sociedade, na ciência e na ação Política. O Comunismo (1917) piorou a desordem da Revolução Francesa – buscando destruir a própria sociedade privada, a família e a religião – e conheceu o seu vértice com o 1968 desposando o freudismo, que levou a desordem ao interior do homem excitando ao paroxismo da inclinação para o pecado com as três Concupiscências e os sete Vícios capitais, tornado assim o homem um animal selvagem e impulsivo. Hoje nos encontramos na última fase da Subversão, o Mundialismo, que a partir de 11 de setembro de 2011 busca assenhorar-se do mundo inteiro e edificar um único Tempo e uma só República universal para tornar escrava a quase totalidade da humanidade sob o julgo de Israel e da América, os dois Estados dominados pelos principais agentes da Subversão: o judaísmo e a maçonaria.

Como não é correto reduzir apenas a maçonaria o agente principal da “Subversão” omitindo o judaísmo pós-bíblico, que perseguiu Jesus, os Apóstolos e os primeiros cristãos, é igualmente errado reduzir os motores da Subversão pessoal a apenas dois: “orgulho e sensualidade”, enquanto a Sagrada Escritura nos fala também de um terceiro motor: a avareza e a vã curiosidade, que é o apego desordenado aos bens terrenos e o frívolo desejo de saber aquilo que acontece no mundo (“Concupiscência dos olhos”). “O a-judaísmo” e “a a-Avareza” (alfa privativo) são as duas deficiências do livro “Revolução e Contra-revolução” de Plínio Correia de Oliveira (São Paulo, Brasil, 1949) que busquei remediar em “Subversão e Restauração”.

Segundo a doutrina católica (definida “de Fé divina” e infalivelmente pelo Concílio de Trento, sessão 5, DB 788, 792 e 815 ss.) o Pecado original de Adão deixou no homem a privação da Graça Santificante, o ofuscamento do espírito e o desarranjo na harmonia do seu ser, fazendo-lhe experimentar a rebelião dos sentidos ao espírito e a insubordinação do espírito a Deus (cfr. S. Th., II-II, qq. 164-165). A Incitação ao pecado ou a inclinação desordenada para o mal, não é invencível e pecaminosa em si; o torna apenas se a livre vontade humana a faz passar da potência ao ato do pecado. Em breve a concupiscência não é pecado, mas inclina a esse (cfr. Concílio de Trento, DB 792; S. Th., I-II, q. 82, a. 2). As Concupiscências são três segundo a Revelação (1a Jo., II, 16): “Tudo aquilo que é do mundo, a Concupiscência da Carne, a Concupiscência dos olhos e a Soberba da vida, não vem do Pai”

A “ Concupiscência dos olhos” tende a fazer das riquezas e das vaidades desta vida o Fim ultimo. A tríplice Concupiscência é a fonte do mal e da subversão pessoal; dessa tem origem os sete Vícios capitais, más tendências que nos impulsiona ao pecado atual e são “chefes” ou fonte de inumeráveis desordens. Se da Concupiscência da Soberba nascem três Vícios capitais (orgulho, inveja e cólera) e da Concupiscência da Sensualidade nascem outros três Vícios Capitais (luxuria, gula e preguiça), não é necessário esquecer que da Concupiscência dos Olhos (avareza e curiosidade) nasce o apego desordenado a esta vida, como se fosse aquela eterna (S. Th., I-II, q. 84, aa. 3-4; De Malo, q. 8, a. 1): essa tende a fazer nos trocar o meio pelo fim (S. Th., II-II, q. 118; De Malo, q. 113), é uma espécie de idolatria, é “o culto do bezerro de ouro; não se vive mais que para o dinheiro. Não se dá nada ou quase nada aos pobres e as boas obras: capitalizar, eis o fim supremo ao qual incessantemente se mira. [...]. A civilização moderna desenvolveu uma forma paroxística de amor insaciável das riquezas, a plutocracia, para adquirir aquela autoridade dominadora que vem das riquezas, afim de comandar os Soberanos, os Governos e os povos. Esta senhoria do ouro, degenera muitas vezes em intolerável tirania” (A. TANQUEREY, Compêndio di Teologia Ascética e Mistica, Roma-Parigi, Desclée, 1924, pp. 556-557).

O erro, que mutila a fonte da “Subversão pessoal”, é encontrado – como antecipei acima – em PLÍNIO CORREA DE OLIVEIRA (Revolução e Contra-revolução, São Paulo Brasil, 1949, tr. It, Cristianità, 1977) junto a mutilação do motor da “Subversão social” enquanto salta de pé juntos o Judaísmo talmúdico para falar só en passant de Maçonaria. Não por a acaso os teoconservadores ítalo-americanos se referem a esta obra do pensador brasileiro suscitado para transferir a “Restauração” da ordem pessoal, familiar e social do plano filosófico, espiritual e político, para aquele crematístico ou especulativo e latifundiária.

A “Subversão” é a desordem que o homem experimente em si depois do pecado original, atrás do impulso das três concupiscências (orgulho, avareza e luxúria); a “Restauração” é a procura do retorno a ordem turvada pelas três concupiscências no individuo, na família e na Sociedade civil.

A Restauração comporta a Hierarquia. Não é necessário cair no vício do farisaísmo calvinista e liberal, o qual troca hierarquia por prepotência, desfrutamento e opressão do fraco. Hierarquia significa que existe uma diferença acidental entre os homens (quem é melhor do que os outros, quem é mais inteligente que os outros, quem trabalha mais que os outros), a qual faz com que o melhor esteja acima e comande, sem desprezar e maltratar quem se encontra abaixo e obedece. São Paulo por sua vez ensina: «Muitos são os membros, mas um só é o corpo. Nem o olho pode dizer a mão: “Não preciso de ti”; nem a cabeça aos pés [...]. Ao invés disso, aqueles membros que parecem mais humildes são os mais necessários. [...]. Deus assim formou o corpo, de modo que não haja divisão nele, mas antes, para que os vários membros cuidassem um dos outros. “Então, se um membro sofre, todos os membros sofrem juntos; e se um membro esta bem, todos os outros se alegram com ele» (1 Cor., XII, 4-20).

É importante que o militante se habitue a viver bem, respeitando a Lei divina e natural, porque “é preciso viver como se pensa, de outro modo se termina por pensar mal e se viver mal”. Não podemos restaurar a Sociedade se tivermos a desordem ou a Subversão em nós (“se age como se é, o modo de agir é o modo de ser”). Os conselhos práticos para restaurar a si mesmo, a família e a Sociedade, são os seguintes: 1º) reformar a si mesmo (monástica), depois a família (economia) e então a Sociedade (política); 2º) retornar ao bom senso, ao realismo que conforma o pensar a realidade e possivelmente estudar a filosofia perene de Santo Tomás que elevou a ciência o senso comum e a reta razão que todo homem normal possuí; 3º) vencer o ócio, que é o “pai dos vícios”, e encorajar o esforço físico, intelectual e moral; 4º) recorrer a Deus omnipotente, porque só Ele pode debelar o Leviatã mundialista que atualmente esmaga os homens como animais.

Todavia – no presente artigo “Entrego aos militantes” – ocorre completar o discurso feito em “Subversão & Restauração”, com algumas considerações para os militantes, que se encontram a fazer “política” (isto é a virtude da Prudência na Sociedade Civil) diretamente, aplicando a vida quotidiana e concreta os princípios estudados no primeiro livro. Tal integração a uso sobretudo, mas não exclusivo, dos militantes leigos diz respeito: 1º) a teoria e especialmente a prática da Restauração do Reino social de Cristo, evitando os dois erros por excesso e por defeito do Angelismo super-espiritualista e do Liberalismo laicista. Como o homem é composto de alma e corpo e não é só espírito ou só matéria, assim ele não é ordenado apenas ao estado laical (laicismo liberal) ou hiper-clerical (super-espiritualismo angelista), mas as duas esferas se integram na cooperação subordinada de corpo e alma e de laicato e sacerdócio. 2º) O não misturar o plano da verdade e dos princípios perenes e imutáveis com os casos práticos (plano do mutável agir humano) para diluir os primeiros baixando lhes do nível imutável da verdade teórica a contingência da vida prática. 3º) A verdade que o homem é uma criatura, a qual diz respeito ao Criador; além disso o homem é um animal social, não um “individuo absoluto” (idealismo) nem um animal sacerdotal por natureza (se confundiria a natureza e a graça), evitando assim os dois erros no individualismo liberal e idealista, que leva a anarquia e o erro do angelismo híper-espiritualista, que tornaria o mundo um convento (pan-vocacionista), confundindo os Preceitos com os Conselhos. 4º) Em política a verdade e os princípios não devem ser confundidos com o campo da ação prudencial, mas é preciso aplicar o princípio imutável aos casos práticos diversos e mutáveis. Por princípio o Estado deve se subordinar a Igreja, este princípio é imutável embora deva ser aplicado as várias épocas com discrição, bom senso e prudência sobrenatural, tendo em conta as circunstâncias na qual se esta vivendo."



Continuação da leitura em SALVE REGINA

A LENDA NEGRA DA "LÚCIA CATIVA" (II)

(Continuação da I parte)

Segundo os teóricos da conspiração, o documento que dizem ser uma carta da Irmã Lúcia revelando o 3º segredo foi dado a conhecer recentemente, mas que teria sido redigida a 1 de Abril de 1944 (dia das mentiras), e em Tuy (Galiza).

Faço aqui uma análise textual ao documento, comparando o tipo de linguagem usado no final da segunda metade do séc. XX e tendo em vista as origens da Irmã Lúcia. Depois abordo o conteúdo.

Do início ao fim, este documento apresenta vocabulário suspeito, o conteúdo está cheio de contradições. No fundo de tudo, há um rasto que indica um "redactor tipo".

O documento frase a frase:

"Agora vou revelar o terceiro fragmento do segredo; Esta parte é a apostasia na igreja!"

Nossa Senhora mostrava aos pastorinhos uma visão seguida de explicação. Nesta primeira frase "Lúcia" anuncia que vai revelar o segredo, mas não é bem assim. Aparecerá a descrição de uma suposta visão e suposto segredo, e ainda um suposto aviso. Este documento, se não fosse fraude, acabaria por inutilizar aquele outro publicado pelo Vaticano e no qual Lúcia revelou a visão correspondente ao terceiro segredo - e obeteriamos então: duas visões, um segredo e um novo aviso condicional! Mas isto é "irregular", como veremos...!

"Nossa Senhora mostrou-nos uma vista de um indivíduo que descreveu como o "santo Padre", em frente de uma multidão que estava louvando-o."

"Individuo"!? "Santo Padre" entre aspas!? Teria dito certamente "homem", e nunca "indivíduo", e teria escrito "Santo Padre" sem a sofisticação marcada das aspas. É notória a intencionalidade de dar a entender que aquele não era o verdadeiro Santo Padre, mesmo antes de o dizer por escrito (ver ponto 3). De seguida, o redactor vai dizer que este não era o verdadeiro Santo Padre, mas está demasiadamente focado nesta ideia, tanto que o anuncia chamando-lhe "indivíduo" e colocando as aspas em "Santo Padre". Diria que, caso este documento seja fraude, o seu redactor é um veterado sedevacantista. Alguém como a Irmã Lúcia teria apenas feito uma descrição simples, sem essas duas finuras somente necessárias aos meandros das disputas sedevacantistas de hoje (por exemplo).

Considerações secundárias: Na frase aparece uma omissão: "em frente de uma ..."em vez de "que estava em frente de uma...". Daquilo que eu conheço das pessoas simples, antigas, de Portugal, diriam preferencialmente: "Nossa Senhora mostrou-nos uma vista de um homem que descreveu como [sendo] o Santo Padre, que estava em frente de uma multidão ...". Nada posso dizer do uso de "uma vista", embora me pareça um recurso incomum (nunca ouvir dizer dessa forma, embora faça certo sentido).

"Mas havia uma diferença com um verdadeiro santo Padre, o olhar do demónio, este tinha o olhar do mal".

Desde 2005, certos grupos sedevacantistas, e grupos protestantes, e outros, difundiram pela internet duas ou três desfavorecidas fotografias de Bento XVI. Estas imagens têm em comum certo olhar desfavorecido do Papa, com olheiras mais acostumadas nos nórdicos. A juntar ao olhar, salientaram também o sorriso tímido  de Bento XVI, e começaram a espalhar fotos do "sorriso demoníaco" do Papa, servindo isto para alentar certas teorias da conspiração. Bento XVI está hoje mais acostumado com as multidões (menos tímido, portanto),  já ninguém lhe vê olheiras - logo a rede virtual se foi esquecendo das famigeradas fotos e não houve mais matéria nova para "provar" como o "olhar demoníaco" de Bento XVI era um facto inegável. Havemos de ouvir dizer que será o próximo Papa que vier, ou o outro, ou o outro... e hão-de ser escolhidas duas ou três fotografias do próximo Papa que sirvam à tese conspiratória do "olhar do diabo".

"Então depois de alguns momentos vimos o mesmo Papa entrando a uma Igreja, mas esta igreja era a Igreja do inferno, não há modo para descrever a fealdade d'êsse lugar, parecia como uma fortaleza feita de cimento cinzento com ângulos quebrados e janelas semelhantes a olhos, tinha um bico no telhado do edifício."

Esta forma simbólica de escrever "Igreja" quando se trata visualmente de uma "igreja", é uma subtileza curiosa. Este refinamento intelectual já usado de forma tão suspeita anteriormente acaba por coincidir com o "vício intelectualista" dos ambientes da tese conspiratória. Não é uma coincidência com a argumentação mas sim coma FORMA, o gosto próprio desse ambiente.

Em 1944 a Irmã Lúcia, a respeito de algo que visse, diria "ângulos quebrados"? O leitor consegue imaginar o que é um "ângulo quebrado" numa construção? Talvez sim... mas por algum motivo sempre chamámos "casa dos bicos" àquela casa que tem a parede revestida de ângulos (piramidais). Porque motivo? Porque "pico" (como é o nome da serrado Pico) e "bico" são os nomes mais comuns para dizer "ângulos" em determinadas circunstâncias, como esta. A "Irmã Lúcia" avançou no tempo, saltou as palavras óbvias do uso comum e do seu meio. Mas há outra possibilidade menor: "ângulos quebrados" podem ainda ser linhas quebradas, portanto, paredes não planas formando concavidades e/ou largas saliências. Neste caso "ângulos quebrados" não seria nem mais expressivo nem uma escolha mais provável do que simplesmente "paredes tortas". De qualquer maneira, o redactor sofisticou e complicou.

"Em seguida levantamos a vista para Nossa Senhora que nos disse Vistes a apostasia na Igreja, esta carta pode ser aberta por O santo Padre, mas deve ser anunciada depois de Pio XII e antes de 1960."

É de salientar que há realmente bastantes elementos da forma de dizer antigo, e de dizer simples e claro. Contudo damos conta também de excepções reveladoras.

Caros leitores, esta frase é como aquela piada de um devedor que, ao escrever uma carta, em nota de rodapé, diz "desculpa não te enviar também os 20€ que te devo porque só me lembrei deles depois de ter fechado este envelope". Nossa Senhora, mal acaba de mostrar a suposta visão aos pastorinhos, fala-lhes logo "nesta carta"! Como se não bastasse o autor do documento coloca Nossa Senhora, em Portugal do início do séc. XX, a referir-se ao Papa apenas por "Pio XII". Mentalidade actual...


"No reinado de João Paulo II a pedra angular da tumba de Pedro deve ser removida e transportada para Fátima."

Tal seria impossível, visto que até hoje não se descobriu no túmulo de S. Pedro uma "pedra angular". Para quem não sabe, "pedra angular" é o nome técnico na arquitectura dado à pedra central de um arco e que é ponto de união entre as duas partes curvas do arco. Costuma ser uma pedra menor cortada em cunha. Portanto, caros leitores, sem arco não há "pedra angular", e sem tal pedra tal pedido é impossível... Certamente o autor do texto pensa que "pedra angular" é alguma pedra retirada de um qualquer ângulo de uma construção em pedra.

Em 2004, João Paulo II ofereceu um fragmento de pedra do túmulo de S. Pedro (ver pedra aqui) ao Santuário de Fátima para servir de fundação aquela que agora é a Basílica da Santíssima Trindade (a 2º Basílica de Fátima). Esta, claro está, não é uma "pedra angular", e João Paulo II já partiu...

"Porque o Dogma da fé não é conservado em Roma, sua autoridade será removida e entregada a Fátima."

"A catedral de Roma deve ser destruída e uma nova construida em Fátima".

"Deve"!? Digam-me, caros leitores, o ÚNICO significado deste "deve" é o de ordem ou sugestão, ou ainda de possibilidade (gramaticalmente não há mais saídas), não é assim? Deus mandaria destruir a Basílica de S. Pedro quando há profecias de santos que dizem que viram os inimigos da Santa Igreja a tentar destruir a Basílica mas que felizmente não conseguiram chegar ao altar? Esta tentativa de destruição da Basílica tem sido ainda tomada como símbolo da destruição da própria Igreja.

"Se 69 semanas depois de que esta ordem é enviada Roma continuar na abominação, a cidade será destruída."

Portanto, a destruição da Basílica de S. Pedro na frase 8ª, e agora a possibilidade da destruição do resto de Roma caso não se acabe com a abominação. Estou estarrecido!... Deus mandaria destruir a basílica, e colocaria condições para que se poupe o resto da cidade! Incrível!...

Se este fosse realmente o segredo dado por Nossa Senhora ele seria o suficiente para dar todas as aparições como fraude! Portanto, resta apenas a possibilidade de interpretar de outra forma o "deve" da 8ª frase... E eu aceito sugestões!

10ª "Nossa Senhora disse-nos que isto está escrito, Daniel 9 24-25 e Mateus 21 42-44"

Pronto...

Parece-me que os leitores ficarão agora um pouco mais cientes de quão perigosa pode ser esta farsa.

Caberia aos defensores desta carta provarem que ela é genuína, como dizem. Apresentam a caligrafia como prova, contudo, de facto, a caligrafia não prova, da mesma forma que na universidade um colega meu falsificava as assinaturas de dois ou três amigos para que constassem nas folhas de presenças das aulas (e o aprumo era tanto que ninguém conseguia distinguir as verdadeiras das falsas assinaturas, nem mesmo os próprios).

Estranho é que os adeptos da tese da "Lúcia cativa" se achem tão aptos a distinguir nas fotos Lúcias falsas e verdadeiras e não lhes apeteça duvidar tanto de uma falsa "Lúcia" que redige o texto. Os motivos parecem ser:

1 - O das fotos é dado a superficialidades, é mais dado a publicidades bombásticas e devaneios (como ver castelos nas nuvens), o outro requer um estudo geral das possibilidades de falsificação e só depois um aplicado estudo ao texto;
2 - Por outro lado aos adeptos da teoria da conspiração parece assentar como luva esta carta, pois em grande parte são adeptos de certas posições que a "carta" vem coroar perante os olhos do mundo.

Adianto já que a análise caligráfica é mais reveladora ainda, e que iremos depois a ela, e que a análise de fotos muitíssimo mais.

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